Água Archive

Regiões do sul da Inglaterra sofrem com secas

A escassez de chuva já está afetando as colheitas e, em algumas zonas, os agricultores se comprometeram a regar só durante a noite para reduzir a evaporação

Partes do sul da Inglaterra foram declaradas oficialmente zonas de seca pelo Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais em consequência da escassez de chuvas nesta primavera (no Hemisfério Norte).

As zonas mais afetadas pela seca são as de Ânglia Oriental (sudeste do país), embora a situação afete também em menor grau Midlands (centro) e Gales (sudoeste).

As companhias de abastecimento Anglian Water e Cambridge, que suprem essas zonas de água, asseguram, no entanto, que a provisão não está ameaçada, embora uma terceira companhia, a Severn Trent Water, não descarte restrições se as precipitações seguirem insuficientes.

Tanto o sudeste como as regiões do centro e do sul do país tiveram a primavera mais seca desde o início dos registros pluviométricos. A ministra do Meio Ambiente, Caroline Spelman, convocará uma reunião com os responsáveis do setor para analisar o impacto da seca.

“As companhias de água acreditam que as reservas seguem suficientes, pelo que não é provável que haja restrições. Estamos fazendo o possível para reduzir o impacto na agricultura e na vida silvestre”, afirmou.

A escassez de chuva já está afetando as colheitas e, em algumas zonas, os agricultores se comprometeram a regar só durante a noite para reduzir a evaporação.

Fonte – Agência EFE / Globo Rural de 10 de junho de 2011

Imagem – hella_lc

Mas como? Oi? Aquecimento global? Balela! Isso é o que o humano continua a repetir e continuará a negar sua existência até o último copo de água, até a extinção da humanidade por falta de seu mais importante recurso natural, a água.

Mudança climática reduzirá água disponível para agricultura

Estudo da ONU aponta para aumento da taxa de evaporação

As mudanças climáticas irão afetar drasticamente a disponibilidade de água destinada à produção de alimentos. A produtividade dos cultivos também sofrerá alterações nas próximas décadas. As conclusões são do estudo “Mudança climática, água e segurança alimentar” feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O relatório indica que deve haver uma aceleração do ciclo hidrológico do planeta, já que a alta das temperaturas elevará a taxa de evaporação de água da terra e do mar. A chuva aumentará nos trópicos e em latitudes mais altas, mas diminuirá nas regiões que já são secas ou semiáridas e no interior dos grandes continentes.

Segundo a FAO, o aumento das temperaturas estenderá a temporada de crescimento dos cultivos nas regiões temperadas do norte e reduzirá sua duração na maioria dos outros lugares do planeta. Isso, unido à maior taxa de evaporação, provocará uma queda do potencial de rendimento dos cultivos.

Com o objetivo de responder aos desafios apresentados pela mudança climática, a FAO também propõe algumas iniciativas como a “contabilidade da água”, uma medição meticulosa da provisão, as transposições e as transações comerciais de água. “A contabilidade de água na maior parte dos países em desenvolvimento é muito limitada e os processos de armazenamento ou não existem, ou são pouco desenvolvidos, ou são diferentes para cada caso”, considera o relatório.

Fonte – Agência EFE / Globo Rural de 09 de junho de 2011

Imagem – jeff_soffer

Enquanto isso, o humano comum deve estar pensando agora: ah, isso não é comigo, jamais ira acontecer por aqui! E continuará a escovar os dentes com torneira aberta, lavar ouça com a torneira aberta, varrer calçada com mangueira, tomar banho de meia hora, não consertar vazamento de canos e torneiras … assim, caminha a humanidade, rumo à rápida e dolorosa extinção.

Uso racional de água pode evitar colapso no abastecimento

O início de junho, considerado o mês do meio ambiente, desperta atenção sobre temas relacionados à prevenção e conservação dos recursos naturais. Paulo Costa, diretor da H2C, empresa especializada em programas de uso racional da água e membro do Green Building Council Brasil, alerta para a necessidade de investir em programas de uso racional de água podemos evitar o colapso do abastecimento no futuro.

As concessionárias se preocupam muito em aumentar a produtividade, mas esquecem do desperdício causado pela rede hidráulica velha, vazamentos e ligações clandestinas. “Podemos dizer que cerca de R$ 7 bilhões deixam de ser traduzidos em dinheiro por conta do desperdício”, comenta Costa.

Segundo o especialista, o País tem tecnologia de sobra, no entanto, falta atitude. “Não há incentivos a projetos sustentáveis, falta informação e campanhas perenes de conscientização”, observa. Apesar da incidência de chuvas em boa parte no Brasil, são poucas ou quase inexistentes as iniciativas para a captação das águas das chuvas nas cidades, segundo o especialista. A água potável poderia ser substituída pela reutilizada em descargas sanitárias, lavatórios, limpeza de pátios, rega de jardins.

Outro ponto destacado por Costa é a necessidade de investir em educação ambiental no ensino básico. Países como Corea, Portugal e República Tcheca incluíram a educação ambiental como matéria na grade escolar há cerca de 30 anos e hoje colhem os frutos deste investimento.

Calcule seu consumo de água

Em casa, a população pode identificar se há desperdício efetuando conta básica. Basta multiplicar o consumo de água observado na fatura mensal em m³ por mil (para identificar o gasto em litros) e dividir o valor pela quantidade de moradores da residência e por 30 (número de dias do mês). “Se o resultado indicar que cada usuário consome mais de 200 litros de água isso indica que há potencial grande de consumo, já que o ideal é que cada pessoa gaste em torno de 110 litros de água por dia”, diz Costa.

Fonte – Natália Fernandjes, RD Online de 06 de junho de 2011

Imagem – harry harris

Amazônia concentra 45% da água subterrânea potável

As maiores áreas de aquíferos porosos na Amazônia Legal estão no Amazonas, em Mato Grosso e no Pará

Cerca de 45% de toda a água subterrânea potável do País está concentrada na Amazônia Legal, indica o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As maiores áreas de aquíferos porosos estão no Amazonas, em Mato Grosso e no Pará. De todo o território da região, 12% está sujeito a inundações, inclusive áreas urbanas como Parintins, aponta o capítulo do estudo sobre relevo.

O IBGE cita os campos de petróleo e gás de Urucu, no Amazonas, ao destacar o potencial para exploração de combustíveis fósseis do subsolo da região, formado predominantemente por rochas sedimentares. Segundo a publicação, há boas perspectivas de acumulação dessas substâncias nas rochas sedimentares das bacias costeiras do Maranhão, do Pará e do Amapá, além de reservas de gás natural no município de Capinzal do Norte (MA).

A Amazônia Legal ocupa 5.016.136,3 km2, que correspondem a 59% do território nacional. Nela vivem em torno de 24 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010, distribuídas em 775 municípios, nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins (98% da área do Estado), Maranhão (79%) e Goiás (0,8%).

Além de conter 20% do bioma Cerrado, a região abriga todo o bioma Amazônia, o mais extenso dos biomas brasileiros, que corresponde a 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta, detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético e 1/5 da disponibilidade mundial de água potável, informa o IBGE. O objetivo do instituto é concluir mapeamento semelhante ao da Amazônia Legal para todo o País até 2014.

Fonte – Revista Exame de 01 de junho de 2011

Quando as árvores forem derrubadas pelos ruralistas, a água desaparecerá junto com elas. O planeta pertence a todos os humanos de hoje e do futuro e não aos ruralistas. Diga não à degradação do código florestal!

O engodo da prefeitura de Belo Horizonte na limpeza de araque na Lagoa da Pampulha

Cartão postal da cidade e uma das áreas mais nobres, a região da Lagoa da Pampulha, projetada por Oscar Niemeyer, poderia ganhar aspecto e funcionalidade litorâneos nos próximos anos.

Era o que se previa em relação às obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento(PAC 2) incluindo subsídios de até R$ 102 milhões para a revitalização da Lagoa, que lamentavelmente se tornou um grande depósito de esgotos.

A despoluição da Lagoa da Pampulha, há décadas no glossário do” promessometro” dos políticos agora ganha uma nova faceta, em função da necessidade da capital mineira também se adequar para receber os jogos da Copa do Mundo.

De acordo com estudos científicos, bacias hidrográficas como a da lagoa da Pampulha foram classificadas visando a defesa de seus níveis de qualidade e considerando que a saúde e o bem estar humano, assim como o equilíbrio ecológico aquático, que não devem ser afetados como conseqüência da deterioração da qualidade das águas.

Ocorre que uma manobra na proposta de edital para a realização das obras propõe que sejam realizados os ajustes necessários para que as águas se enquadrem como de Classe 2, o que significa que continuariam poluídas, apenas um pouco menos que na atualidade.

Assim, em silêncio do jeito que político mineiro gosta, a oportunidade de despoluir a lagoa da Pampulha ao ponto de poder equiparar-se à situação, por exemplo, do lago do Ibirapuera em São Paulo, será totalmente perdida, na medida em que ficará apenas um pouquinho menos suja, mas nunca limpa.

Com isso, o sonhado plano de valorizar essa região da cidade parece que vai ser um tremendo engodo em função da falsa idéia de que é possível economizar, já que o mineiro dificilmente exigiria algo melhor. É o cúmulo!

Fonte – Brasil Sustentável

Depois de décadas de consumismo, está na hora de limpar os plásticos do planeta

Para salvar suas águas, UE paga ‘pescadores de plástico’

Projeto foi lançado na França na sexta-feira e pretende limpar os mares da Europa, além de oferecer uma nova fonte de renda aos pescadores

A União Europeia, tão criticada no aspecto econômico, conseguiu surpreender em uma medida voltada para o meio ambiente. A Comissão para Assuntos Marítimos e Pesca da UE decidiu pagar para que pescadores capturarem plástico nos mares da região. A decisão vai resolver dois problemas. Primeiro, o dos profissionais que atingem a cota máxima de pesca – instituída para preservar a vida marinha local. Com a medida, eles conseguirão outra fonte de renda enquanto não podem retomar suas atividades. Segundo, o das baleias. O fato é que elas comem sacolas de supermercado jogadas ao mar confundindo-as com plâncton, por exemplo. O aparelho digestivo dos animais vai se enchendo até ficar completamente obstruído. Impedidas de absorver qualquer alimento, elas acabam morrendo de inanição.

“Nosso plano não é criar uma profissão de pescadores de plástico. Mas fazer com que pescadores tradicionais, que tiverem ultrapassado sua cota mensal, possam recolher plástico nos mares e rios e aumentar sua renda com isso”, explica o porta-voz da comissão, Oliver Drewes. A ideia começou a ser aplicada em pequenos projetos ao redor da Europa até que a comissária da pesca, Maria Damanaki, se encantou pelo conceito. Ela divulgou, então, em abril último, que sua comissão passaria a financiar iniciativas parecidas, por meio do Fundo de Pesca da UE.

Na semana passada, a ONG Waste Free Oceans (Oceanos Livres de Lixo) abraçou a oportunidade e lançou um projeto piloto que vai durar três anos. O empreendimento começará na França, no Mediterrâneo, mas pretende alcançar mais quatro mares da Europa: Báltico, Negro e Mar do Norte. Como outras tantas que a UE espera ver espalhadas pelo continente, essa iniciativa vai reunir investimentos da indústria local e do Fundo. As empresas participarão emprestando aos pescadores equipamentos com valores que variam entre 16.000 e 40.000 euros (36.832 e 92.080 reais), para que eles comecem sua “pescaria”. O Fundo cuidará dos salários. Ainda não se sabe qual será o valor exato da remuneração, mas um projeto parecido, que foi realizado há alguns meses na França, pagava aos pescadores 375 euros (863,25 reais) por tonelada de plástico.

Nesse caso, o preço da tonelada de plástico seria 13 vezes menor do que o de peixes, o que poderia desanimar os pescadores. Contudo, como eles já estariam impossiblitados de pescar por terem ultrapassado suas cotas, os idealizadores do projeto acreditam que o plástico poderia funcionar como uma renda complementar. Há ainda a expectativa de que, com a valorização do mercado da reciclagem, o negócio se torne mais rentável com o tempo.

Os pescadores de plástico – Thierry Thomazeau, pescador há 27 anos, foi um dos primeiros a se inscrever para participar da iniciativa, motivado por seu amor pelo mar. “A pesca me permite curtir o mar que tanto amo e sustentar a minha família ao mesmo tempo. É mais que uma profissão, é um estilo de vida”, conta. Ele se sentiu compelido a ajudar a despoluir as águas após o derramamento de petróleo na costa da França em 2003, apelidado de maré negra. “Foi uma crise de consciência para mim, a partir daí eu decidi me esforçar para coletar detritos e proteger o mar”, conta o pescador. Para ele, a pesca de plástico é mais importante ideologicamente do que financeiramente. “Eu espero que mais pescadores europeus façam o mesmo, sobretudo para mostrar para a sociedade que os pescadores apoiam a proteção ao meio ambiente”.

Os colegas de Thomazeau, a partir de agora, serão selecionados por comitês nacionais e regionais. “Esses pescadores atuarão nas áreas mais prejudicadas das costas, que ainda estão sendo selecionadas. Em junho, pretendemos lançar um braço do projeto na Bélgica; em novembro, na Espanha e na Grécia. A Alemanha também deve entrar em nosso calendário até o final do ano”, diz Alexandre Dangis, membro do conselho da Waste Free Oceans.

Vergonha antiga – Os projetos que serão lançados com o apoio da UE pretendem aliviar um velha vergonha da Europa: a de abrigar alguns dos mares mais poluídos do mundo, como o Báltico e o Mediterrâneo. Uma pesquisa recente da Expedição Mediterrâneo em Perigo revelou que cerca de 250 bilhões de pedaços microscópicos de plástico flutuam nesse mar, ameaçando sua biodiversidade. O peso médio de cada um deles é de 1,8 miligrama, o que totaliza cerca de 500 toneladas de plástico em toda sua superfície – e a pesquisa nem chegou a considerar a poluição das profundezas.

Por ser relativamente isolado dos oceanos, como a maioria dos mares europeus, o Mediterrâneo precisa de um a dois séculos para renovar suas águas completamente. Ou seja: toda a sujeira que cair nele, ficará lá por muito tempo. Ou pelo menos até que os pescadores de plástico possam fazer algo a respeito.

Fonte e imagem – Veja de 23 de maio de 2011

E aí braskem, basf, ou então mesmo vocês, “meninos” da plastivida, que tal financiar a limpeza do plástico de todo o planeta? Afinal, vocês fabricam o plástico e depois fingem que se esquecem que são responsáveis pela destinação pós consumo do lixo plástico, muito conveniente.

Vocês lembram que a máfia do plástico, muito orgulhosa de si mesma, ano passado alardeou que tinha 18.600 milhões de verba para 2010 para convencer o consumidor que o plástico era fantástico? Bem, não conseguiram convencer ninguém, pois as leis estão pipocando por todos os lados para banir as sacolas plásticas de uso único. Então concluímos que eles devem ter grana em caixa ou então jogaram o dinheiro fora, pois estão muito mal de propaganda e alianças políticas.

Bem, se nossa conclusão estiver correta, eles devem ter grana suficiente para financiar a limpeza do lixo que criam e deveriam fazê-lo, ter uma verba milionária todos os anos para pagar catadores e pescadores para limpar o lixo que a mafia cria todos os segundos de todos os dias de todos os anos, desde o século passado. Isso sim seria uma ótima propaganda e não greenwashing, que é só o que eles fazem hoje.

França impõe limite para o consumo de água devido à seca pré-verão

A França impôs limites para o consumo de água em 28 dos seus 96 departamentos administrativos, afirmou o Ministério do Meio Ambiente no início da semana, em meio a sinais de que o período prolongado de seca, que atingiu as colheitas de grãos, pode continuar.

Segundo a ministra do meio-ambiente, Nathalie Kosciusko-Morizet, já existe uma situação de crise devido à diminuição acelerada dos níveis das águas subterrâneas, além do fluxo dos rios e derretimento da neve. O governo já havia colocado 27 departamentos sob limitações no consumo de água e Kosciusko-Morizet garantiu que medidas similares podem ser estendidas a outros três departamentos – afetando efetivamente um terço do país.

O mês de abril foi um dos mais quentes e secos já registrados no país e fomentou na população o receio de uma seca similar à ocorrida em 1976, gerando preocupações sobre prejuízos nas safras do maior país produtor de grãos da União Europeia.

O total de chuvas em abril foi equivalente a apenas 29% da média estabelecida entre o período de 1971-2000, indicou o ministério em um relatório, adicionando que o solo na parte norte do país está passando pelas condições mais secas em 50 anos. Ainda segundo a ministra francesa, as chuvas das próximas semanas ’serão cruciais’, acrescentando ainda que mesmo se em junho for úmido não será suficiente para alterar a situação.

Sem expectativas – A França perdeu qualquer expectativa de boas colheitas de trigo neste ano, à medida que a falta de água atinge as plantas em um estágio avançado de desenvolvimento, mas o gabinete da agricultura da França sugeriu na última semana que ainda era muito cedo para traduzir as preocupações relacionadas à seca em perdas nas plantações.

Na última semana, o ministro da agricultura francês, Bruno Le Maire, apelou à União Europeia para amenizar exigências ambientais em função das medidas que o governo tomaria para auxiliar os pecuaristas, prejudicados pelo aumento no preço dos grãos.

Fonte – G1 de 19 de maio de 2011

Aquecimento global? Que nada, isso é uma besteira inventada pelos ecoxiitas e ecochatos … Podem continuar lavando seus carros com mangueiras que ficam por horas jorrando água, podem continuar a varrer suas calçadas com jatos de água para não ter que usar a vassoura, deixem as torneiras abertas enquanto escovam os dentes, enfim, podem desperdiças que nunca irá faltar. Afinal, como dizem os céticos, este planeta deveria se chamar planeta água, devido à sua abundância. Então, tá …

Novo promotor de meio ambiente de Maringá fala sobre os problemas ambientais da cidade

Mudanças em postos do Ministério Público do Estado (MPE), no início deste ano, levaram o promotor José Lafaieti Barbosa Tourinho para 13ª Promotoria do Meio Ambiente, Fundações e 3º Setor, que tem um espectro de atuação que engloba as mais diversas reclamações, tais como: poluição de recursos hídricos, preservação de fundos de vale, instalação de galerias pluviais, barulho dos bares, maus tratos a animais, parque e bosques fechados.

No jargão popular: “um pepino”. Lafaieti, como é chamado pelos colegas de trabalho, terá pela frente questões das mais delicadas, como a destinação correta do lixo. Em Maringá, o problema aguarda solução há décadas e desde 2000 uma ação civil pública cobra do município o fim do uso do lixão. Lafaieti garante que o MP não desistiu da causa, como também não se esqueceu de que o órgão pediu que a Sanepar devolva, em dobro, o valor cobrado dos consumidores pelo tratamento de esgoto.

Talvez não tão complexo, mas não menos importante, está o impasse dos parques e bosques da cidade, que seguem fechados e sem previsão de abertura. Aos 39 anos, Lafaieti assumiu o posto há exatamente um mês e, embora não lhe falte experiência, diz que precisa de tempo para ficar a par de tamanha demanda.

Maringaense nato e graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), ingressou no MP em 1995, atuando primeiramente nas pequenas Icaraíma e Terra Rica. Passou por Campo Mourão e Londrina – onde foi promotor titular do Tribunal do Júri – antes de retornar a Maringá, em 2003. Além das áreas criminal, meio ambiente e terceiro setor, tem em seu currículo Defesa do Consumidor, Idoso e Patrimônio Público.

“Dá para conciliar meio ambiente com atividade produtiva, mas a preocupação de grande parte dos promotores da área é que haja retrocesso em matéria ambiental’’

“Quanto ao Parque do Ingá, a promotoria executou a prefeitura, que questionou essa execução. Para usar uma linguagem clara, a questão está na Justiça’’

O Diário – O Parque do Ingá está fechado há mais de dois anos. Outros bosques da cidade, como o Horto Florestal, há bem mais tempo. O MP tem acompanhado a questão?

Lafaiete Tourinho – O MP tem acompanhado os processos que estão em andamento. Com relação à questão do Horto, o MP tem acompanhado a ação civil pública de 2003, que está em trâmite perante a 4ª Vara Cível, e entende que há obrigação solidária da Companhia Melhoramentos [Norte do Paraná, que planejou a cidade] e do município em fazer sanar as irregularidades. Vamos cobrar do poder público e da companhia um plano de manejo adequado para o Horto Florestal. Quanto ao Parque do Ingá, houve um termo de ajustamento de conduta e, como teve descumprimento, o MP executou a prefeitura, que questionou essa execução. Para usar uma linguagem clara, a questão está na Justiça. Todos nós temos essa expectativa [de reabertura do parque].

O Diário – Uma constante nos fundos de vale é o acumulo de lixo, que vai desde resíduos do uso de crack até descarte de sofás. De quem é a responsabilidade pela preservação desses locais? É só da prefeitura?

Lafaiete Tourinho – Não. A Constituição diz que o meio ambiente equilibrado é responsabilidade do poder público e da coletividade, ou seja, a sociedade também tem responsabilidade. Num primeiro momento, o proprietário do terreno é acionado pelo MP. Áreas de preservação permanente não podem ser degradadas, seja pela supressão da mata ciliar, seja pela poluição com qualquer tipo de resíduo. Em situações de flagrante, a pessoa está sujeita a prisão, mas, dependendo da gravidade, a pena pode ser revertida em prestação de serviços à comunidade.

O Diário – Ambientalistas da cidade denunciam que a Sanepar tem cobrado pelo tratamento de esgoto que não estaria sendo feito. Esse assunto já chegou à sua mesa?

Lafaiete Tourinho – A ação civil pública contra a Sanepar, proposta no final do ano passado e que está tramitando, aponta para essa irregularidade. Após análise dos laudos apresentados pela Sanepar, verificou-se a ineficiência das Estações de Tratamento de Esgoto, as ETEs, Mandacaru (1) e Alvorada (3) com relação à contaminação. A ação visa a obrigar a Sanepar a dar tratamento adequado do esgoto nessas estações. A ação também pede a condenação da empresa no sentido de fazer a descontaminação do Rio Pirapó, isso tudo embasado em laudos técnicos e sob combinação de multa diária se não cumprir.

O Diário – E quanto à cobrança pelo serviço?

Lafaiete Tourinho – Aí entra a Promotoria de Defesa do Consumidor, que pede [na mesma ação civil pública] a condenação da Sanepar na cessação de toda a qualquer cobrança do serviço de esgoto dos consumidores até que seja dado destino final adequado às águas lançadas no Rio Pirapó, prestando assim, efetivamente, o serviço de esgoto. Pede ainda a condenação da Sanepar à devolução a cada um dos consumidores, em dobro, dos valores percebidos a título de remuneração dos serviços de tratamento de esgoto. Parte-se do pressuposto de que o serviço não foi prestado.

O Diário – Outro problema grave é o lixo. Quase todos os municípios da região têm problemas com lixão a céu aberto. O que aconteceu, o MP desistiu de tentar resolver a questão do lixo?

Lafaiete Tourinho – Não desistiu, mas a questão do lixo é das mais complexas. O que temos em Maringá é uma sentença favorável ao MP em ação civil pública proposta perante a 2ª Vara Cível. A sentença manda que o município não despeje o lixo no antigo lixão, que recupere aquela área, que proceda a aterro sanitário e que faça um plano para as pessoas que vivem do lixo. Essa ação civil pública é 2000 e você vê que passou muito tempo. Nossa postura, assumindo agora a Promotoria do Meio Ambiente, é de fazer cumprir a sentença. O problema não é exclusivo desta administração, vem de décadas, mas a questão do lixo já poderia estar mais adiantada.

O Diário – O Código Florestal tem sido amplamente discutido no Congresso Nacional. O senhor vê com bons olhos as propostas que estão sendo discutidas?

Lafaiete Tourinho – Essa questão entre os interesses da agricultura de um lado e do meio ambiente de outro é polêmica e conflitante. A gente espera que, a pretexto de defender a economia da agricultura familiar, não se use esse argumento para privilegiar o latifúndio e prejudicar o meio ambiente. Essa discussão gira em torno da área da preservação permanente. É preciso ter em mente que é possível conciliar meio ambiente com atividade produtiva, mas a preocupação de grande parte dos promotores da área é que haja retrocesso em matéria ambiental.

O Diário – Qual sua opinião sobre a exigência do uso de sacolas biodegradáveis nos supermercados?

Lafaiete Tourinho – Essa é uma tendência irreversível, mas alguns estabelecimentos estão indo além, privilegiando quem leva de casa a sacola retornável. Há um conceito, previsto em lei, de “poluidor-pagador” e “protetor-recebedor”, premiando quem protege o meio ambiente com bônus. Já se cogita cobrar pela sacola plástica e de dar desconto para quem usa sacola retornável. Creio que a população vai entender que a questão ambiental exige isso.

O Diário – A sugestão de “Cidade Verde” como cognome oficial foi motivo de debate na Câmara Municipal. Maringá tem cuidado bem de suas áreas verdes para merecer esse rótulo?

Lafaiete Tourinho – No tempo do doutor Ilecir [Heckert, que antecedeu Tourinho na função] foi enviado um ofício à Câmara Municipal recomendando a edição de uma legislação municipal sobre um plano de gerenciamento das árvores. A informação é de que foi criada uma comissão para tratar do assunto, mas o MP ainda não tem notícia de algo de concreto a respeito.

O Diário – Há muita diferença entre a atuação na promotoria criminal e nas demais promotorias, como a do meio ambiente?

Lafaiete Tourinho – Em uma promotoria na vara criminal, o Ministério Público trabalha mais com os processos, com muitas audiências no dia a dia, enquanto nas promotorias especializadas, como a do Meio Ambiente, o promotor tem os processos administrativos e um envolvimento maior com a coletividade. Numa vara criminal, você vai pegar uma variedade muito grande de crimes, como contra a vida e o patrimônio.

O Diário – Quando foi promotor na área criminal, o sr. chegou a sofrer algum tipo de ameaça?

Lafaiete Tourinho – Nunca tive problema.

O Diário – O número de promotores e funcionários do MP é o suficiente para atender a crescente demanda?

Lafaiete Tourinho – Com a Constituição de 1988, o MP recebeu várias atribuições e com as novas legislações que sucedem, como o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei de Improbidade Administrativa; a demanda aumentou. São várias novas tarefas e a comunidade cobra um papel cada vez mais ativo do MP, só que a estrutura da promotoria mereceria um melhor aparelhamento.

O Diário – Qual seria a principal reivindicação?

Lafaiete Tourinho – Temos hoje em Maringá 19 promotores de Justiça, todos bastante atuantes. Porém, ainda não temos, por exemplo, a figura do substituto em Maringá como tem o juiz. Essa é uma das grandes carências que temos. Em época de férias pode ocorrer um acúmulo de processos.

O Diário – Uma nota de zero a dez para Maringá na preservação do meio ambiente?

Lafaiete Tourinho – É muito subjetivo atribuir uma nota. A avaliação é que temos muito o que fazer ainda, porque a demanda na Promotoria do Meio Ambiente é grande

Fonte – Luiz Fernando Cardoso, O Diário do Norte do Paraná de 15 de maio de 2011

Poluição

Fonte – Um sábado qualquer de 27 de abril de 2011

A água secreta das coisas

22 de março, dia mundial da água!

Grande coisa! Devemos nos preocupar com a água todos os dias, minutos e segundos e não comemorar um só dia, fazer oba oba e depois continuar lavando carro e calçada com mangueira, escovando os dentes e lavando louça com a torneira aberta, tomando banho de uma hora, enfim, desperdiçando este recurso natural tão precioso.

Não comemoramos o dia da água, dia da árvore ou dia de qualquer coisa, porque moramos neste planeta 365 dias por ano desde que nascemos até quando deixarmos de existir, portanto, vamos esquecer o dia da água e economizar água todos os dias.

Mas … como neste dia aparecem algumas matérias interessantes, vamos postar, porque informação é poder, poder de mudar suas atitudes para mudar o destino da humanidade.

A água secreta das coisas

Confira o volume de água usado para a produção dos mais diversos itens de consumo cotidiano.

Você sabe quantos litros de água são necessários para fazer uma tradicional xícara de café, consumida por nove entre dez brasileiros?

E quanto é gasto para 1 kg de carne chegar nas geladeiras dos açougues?

O consumo de água ao longo do ciclo de produtos comuns do dia-a-dia, como o habitual café da manhã ou o bife do almoço, pode ser expresso através da pegada hídrica, ou water footprint, na sigla em inglês.

Plástico de comida é tão ruim quanto o plástico de petróleo

Plásticos de base vegetal não são necessariamente mais ambientalmente seguros ou “verdes” do que os similares derivados de petróleo.

De acordo com um estudo na revista Environmental Science & Technology de 21 de outubro de 2010, os polímeros de base biológica são mais benéficos ao meio ambiente. No entanto, o plantio e o processo químico com alto consumo de energia significam que sua produção é mais poluente do que a dos plásticos derivados de petróleo.

PITTSBURGH— De acordo com um relatório publicado na Environmental Science & Technology, uma análise por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, sugere que os biopolímeros não são necessariamente melhores para o ambiente do que seus similares à base de petróleo. A equipe de pesquisa descobriu que, enquanto biopolímeros são os materiais mais ecologicamente corretos, a produção dos plásticos tradicionais pode ser ambientalmente menos onerosa.

Os biopolímeros superam outros plásticos em biodegradabilidade, baixa toxicidade, e o uso de recursos renováveis. No entanto, o plantio e os processos químicos necessários à sua produção absorvem grandes quantidades de energia e liberam fertilizantes e pesticidas no ambiente, como escreveu Michaelangelo Tabone (ENG, A&S ’10), que conduziu a análise como estudante de pós-graduação no laboratório de Amy Landis, professor de engenharia civil e ambiental na Faculdade de Engenharia Swanson em Pittsburgh. Tabone e Landis trabalharam com James Cregg, um pós-graduando em química na Pittsburgh School of Arts and Sciences; e Eric Beckman, co-diretor do Mascaro Center for Sustainable Innovation (Centro de Inovação Sustentável) e o fundo George M. Bevier Professor of Chemical and Petroleum Engineering, da Faculdade Swanson. O projeto teve o apoio da Fundação Nacional de Ciências (National Science Foundation).

Os pesquisadores examinaram 12 plásticos — sete polímeros derivados de petróleo, quarto biopolímeros, e um híbrido. Primeiramente a equipe conduziu uma avaliação de ciclo de vida (LCA) para a fase de pré-produção de cada polímero, a fim de avaliar os efeitos ambientais e sanitários da energia, matérias-primas e produtos químicos utilizados para criar uma onça (31,1 grama) de peletes de plástico. Eles então avaliaram cada plástico, na sua forma final, em relação aos princípios de concepção/projeto verde, incluindo biodegradabilidade, eficiência energética, desperdício, e toxicidade.

Os biopolímeros ficaram entre os poluidores mais prolíficos durante a produção, conforme revelou a avaliação de ciclo de vida. A equipe atribuiu isso aos fertilizantes e defensivos agrícolas, uso da terra para a agricultura extensiva, bem como o tratamento químico intenso necessário para converter vegetais em plástico. Os quatro biopolímeros foram os maiores contribuintes para a depleção do ozônio. As duas formas testadas do polímero derivado de açúcar – ácido polilático padrão (PLA-G), e o tipo fabricado pela empresa NatureWorks, sediada em Minnesota, (PLA-NW), o plástico derivado de açúcar mais comum nos EUA — exibiram a maior contribuição para eutrofização, a qual ocorre quanto corpos d’água superfertilizados não mais suportam vida. Um dos tipos de polihidroxialcanoato derivado de milho, PHA-G, ficou no topo da classificação de acidificação. Além disso, os biopolímeros ficaram acima da maioria dos polímeros derivados de petróleo em termos de ecotoxicidade e emissão de carcinógenos.

Resultados da avaliação de ciclo de vida com os biopolímeros PLA-NW, PLA-G, PHA-G, e PHA-S. Hibrido é B-PET. Tabela da Environmental Science & Technology.

plásticos verdes são tão nocivos quanto os produzidos a partir do petróleo.

Uma vez em uso, no entanto, os biopolímeros superaram os polímeros tradicionais por suas características benéficas ao meio ambiente. Por exemplo, o plástico derivado de açúcar produzido pela NatureWorks deixou a sexta posição na avaliação de ciclo de vida para se tornar o material com maior conformidade com os padrões de concepção/projeto verde. Por outro lado, o onipresente polipropileno (PP), amplamente utilizado em embalagens, é o plástico cuja produção é mais “limpa”, porém despencou para a nona posição como material sustentável.

O interessante é que os pesquisadores descobriram que o biopolietileno tereftalato (hibrido petróleo-vegetal), ou B-PET, combina os problemas causados pela agricultura com a teimosia estrutural do plástico tradicional, sendo nocivo durante a produção (12º lugar) e o uso (8º lugar).

Landis continuará o projeto agora submetendo os polímeros a uma avaliação de ciclo de vida total (full LCA), a qual determinará também o impacto ambiental dos polímeros durante o uso até seu eventual descarte.

Revista Environmental Science & Technology

Existem invenções que jamais deveriam deixar o laboratório, como é o caso do plástico feito de comida.

O impacto de se plantar alimento para fabricar plástico ou biocombustível é muito grande, tanto para o planeta quanto para a humanidade. O perigo para a segurança alimentar global é imenso, em um planeta que está chegando a 7 bilhões de almas no meio deste ano, das quais, mais de 1 bilhão não tem alimento em seu prato e não tem água potável para saciar sua sede.

Enquanto isso os capitalistas selvagens, as máfias do plástico não estão preocupadas com a sobrevivência da humanidade, querem o lucro imediato, não importando a poluição que causem, os recursos naturais que roubam dos humanos que ainda nem nasceram.

Nos diga qual o sentido de se usar terra fértil e água potável para plantar alimentos e depois roubar estes alimentos da humanidade para transformar em embalagens que serão utilizadas por no máximo meia hora. Não faz sentido nenhum, é insensato, é maluco, é criminoso.

Lembre-se de qualquer alimento que contenha amido é uma potencial matéria prima para fabricação de plástico de comida e as principais fontes são batata, mandioca, milho, arroz, trigo … você acha que a máfia do plástico está preocupada com a alta dos alimentos devido ao desvio destes alimentos para fabricação de plástico? Acha que eles serão solidários ao verem cada vez mais faltar alimento por causa do desvio deste alimento para seu lucro? Não, não e não.

Só depende de você, consumidor, fazer com que o plástico de comida suma da face da terra. Você, consumidor, define o que é fabricado ou não. Ao recusar um produto você forçará o fabricante a não fabricá-lo mais, porque ele não terá para quem vender e não terá lucro.

Não utilize plástico de comida,  boicote os supermercadistas que estão aderindo a esta prática criminosa, que é matar de fome o a humanidade ao roubar comida para fazer plástico.

Especialistas aconselham União Européia a usar comida para encher estômagos, não tanques

Viena, Áustria – Se a União Europeia (UE) não rever de forma urgente seus planos de aumentar a produção de combustíveis orgânicos, haverá um enorme aumento das emissões de dióxido de carbono que agravará as consequências da mudança climática, afirmam especialistas. A ideia da UE para que os combustíveis de origem orgânica representem 20% do consumo total até 2020 é um grande erro, segundo estudo divulgado esta semana em Bruxelas pelo Instituto para Políticas Ambientais Europeias (IEEP).

Haverá consequências socioeconômicas e ambientais negativas. Também aumentarão as emissões de gases-estufa, pondo em risco a segurança alimentar e os postos de trabalho no setor agrícola, segundo o estudo do IEEP. O milho e demais cultivos básicos cederão lugar às palmas, entre outros, para produzir combustível orgânico nos países em desenvolvimento, especialmente na África.

A diretriz da União Europeia de abril de 2009 para “promover o uso de fontes de energia renováveis” tem o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, considerados pela maioria dos cientistas responsáveis pelo aquecimento global que acelera a mudança climática.

A norma diz que 10% da gasolina e do óleo combustível consumidos deverão ser de origem orgânica até 2020. As consequências sociais e ambientais da produção de combustível orgânico podem ser piores do que se prevê. A União Europeia deve revisar de maneira urgente as políticas de energia renováveis, conclui o estudo intitulado “Mudança indireta antecipada no uso da terra associado ao maior uso de biocombustíveis na UE”.

Para produzir a quantidade de combustível prevista será preciso limpar uma área que seja o dobro do tamanho da Bélgica, cerca de 69 mil quilômetros quadrados, colocando em perigo florestas e ecossistemas, prejudicando comunidades pobres. A mudança no uso da terra aumentará a quantidade de emissões contaminantes liberadas na atmosfera, alerta o informe.

“Mesmo que sejam consideradas as economias de emissões previstas nos requisitos de sustentabilidade da UE para os biocombustíveis, sua produção não ajuda a mitigar o problema” até 2020. O maior uso causará mais emissões, disse à IPS Catherine Bowyer, autora do informe. “Maior uso de biocombustíveis convencionais não pode, então, ser considerado uma contribuição aos objetivos da política de mudança climática da UE”, acrescentou.

Mesmo com a economia de emissões, entre 273 e 564 milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono para o período 2011-2020, ou entre 27 e 56 milhões de toneladas ao ano, serão liberados mais gases-estufa devido à mudança no uso da terra, disse Catherine. “Será equivalente a ter entre 12 e 26 milhões a mais de veículos circulando na Europa em 2020”, ressaltou.

A segunda diretriz renovável da UE repercutirá em certo momento entre 80,5% e 167% de emissões, diz o informe. O documento da IEEP se baseou nos planos de ação nacionais em matéria de energias renováveis enviados por 16 membros do bloco à Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, que especificam como os Estados farão para cumprir a diretriz.

A Grã-Bretanha deverá importar 90% de seu consumo de biocombustível dos países em desenvolvimento, especialmente africanos. “Poderá haver aumento no preço dos alimentos na África devido à nova produção de biocombustíveis”, disse à IPS o porta-voz da ActionAid International, com sede em Bruxelas, Chris Coxon.

“Os pequenos agricultores, que costumam ser maioria nos países da África subsaariana e são responsáveis por alimentar suas comunidades, se deslocarão para os cultivos destinados a produzir combustíveis”, afirmou Chris. “A UE dá às empresas um cheque em branco para continuarem a usurpar terras dos setores mais pobres e produzir combustível para abastecer nossos tanques em lugar de alimentos para o estômago”, ressaltou.

Fonte - IPS / Envolverde de 12 de novembro de 2010

Imagem – calvin.kwok

Sob qualquer aspecto, seja moral, religioso, ecológico … usar terra fértil e água potável para fazer biocombustível ou ainda, no caso do Brasil, fazer plástico, é um crime contra a humanidade, um crime contra os humanos que ainda nem nasceram e estão tendo seu patrimônio roubado.

Os humanos do futuro estão sendo roubados sem chance de defesa. Sua água, seu solo, necessários plantar a comida de que necessitarão para viver, estão sendo destruídos por empresários e governos gananciosos, que só pensam no hoje, que não pensam sequer em seus descendentes.

Desertificação

De acordo com um comunicado divulgado pela ONU no Brasil, a desertificação ameaça degradar 3,6 bilhões de hectares de terras em zonas áridas, o que equivale a 25% da superfície terrestre, área na qual vivem um bilhão de pessoas em 110 países, em sua maioria pobres.

Os mesmos dados indicam que o mundo perde a cada ano 12 milhões de hectares de terra nos quais seria possível produzir até 20 milhões de toneladas de grãos. “Atualmente, se perdem US$ 42 bilhões de dólares em renda como consequência da desertificação e da degradação dos solos”, acrescenta o comunicado.

As regiões mais ameaçadas pela degradação definitiva são os desertos e as terras secas e semiáridas, nas quais vivem 2,1 bilhões de pessoas (40% da população mundial), 90% delas em países em desenvolvimento, e onde ficam 44% das áreas cultivadas.

Mesmo após décadas de exemplos como a irrigação por gotejamento em Israel, estamos caminhando para a desertificação do planeta. Destruímos florestas, gastamos água como se ela fosse abundante, enfim, mesmo sabendo que estamos caminhando para o abismo, aqui nos encontramos. Humanidade estúpida!

Egito transforma deserto em florestas utilizando água reaproveitada

O governo do Egito desafia a natureza ao regar áreas desérticas com água reaproveitada para convertê-las em florestas, cuja superfície já equivale ao território do Panamá.

Tudo isso foi possível graças à água que utilizam, poluem e desperdiçam todos os dias os 80 milhões de egípcios. Ironicamente, esta é a melhor opção para as chamadas “florestas feitas à mão”.

“A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra”, disse o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Meio Ambiente, Nabil Kandil.

A opinião é compartilhada pelo professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que até ressalta a superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápido e, inclusive, tenham folhas mais verdes”, explica El Awady.

Os dois professores sabem bem a importância de equilibrar a oferta e a demanda em um país que produz 7 milhões de metros cúbicos de água residual ao ano e que, ao mesmo tempo, tem 95% de seu território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação.

Extensão e destinação das florestas que usam água residual

Ao todo, há 34 florestas ao longo do país, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no norte, e em regiões turísticas do sul, como Luxor e Assuã, num total de 71,4 mil quilômetros quadrados, que equivalem à superfície total do Panamá. De acordo com o governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados.

Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantados até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies capazes de sobreviver em condições extremas. A maioria das espécies são árvores como álamos, papiros, casuarinas e eucaliptos, semeadas para responder à demanda de madeira do país, além plantas para produzir biocombustíveis como a jatrofa e a jojoba, e para fabricar óleo, como a colza, a soja e o girassol.

Apesar desta água exigir precaução devido à presença de poluentes e os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade sejam desconhecidos, o projeto, implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Meio Ambiente, parece ter obtido sucesso.

A grande dúvida é: e os pátógenos presentes na água residual? Eles não se fixarão no solo, contaminando o que for plantado? Eles falam em colza, soja e girassol para óleo, que provavelmente é utilizado para fabricar óleo para culinária. Este óleo não contém contaminantes? E o que for plantado posteriormente, depois que o solo for recuperado, por quanto tempo ficará contaminado?

Pesquisa tenta explicar por que acúmulo de lixo do oceano não cresce

Hipóteses: o plástico pode se partir em pedaços muito pequenos para ser coletados pelas redes, indo para baixo da superfície, ou está sendo consumido por organismos marinhos

Pesquisadores têm visitado locais no Oceano Atlântico Norte ocidental e no Mar do Caribe por mais de duas décadas para melhor entender os grandes acúmulos de plástico que se formaram por lá. Apesar de o mistério acerca de como exatamente o plástico chega a esses locais, de onde vem e que impacto tem na vida marinha ainda permanecer sem resposta, um grupo de cientistas publicou o que talvez seja o estudo mais analítico dos trechos até hoje, baseado em dados coletados por navios de pesquisa durante um período de 22 anos, entre 1986 e 2008.

Os pesquisadores da Associação de Educação Marinha (SEA, em inglês), do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) e da University of Hawaii (UH) descobriram, dentre outras coisas, que a quantidade de plástico coletada pelas redes dos pesquisadores permaneceu bastante estável no decorrer dos anos apesar da elevada produção e consumo de plástico da sociedade, de acordo com uma pesquisa publicada em Science Express.

Mais de 64 mil pedaços de plástico foram coletados em 6,1 mil locais que forneceram amostras durante o período que compreende o estudo. Para obter esses dados, os navios carregavam redes ao longo da superfície da água em cada local e os pesquisadores usavam pinças para separar os pequenos pedaços de plástico de algas e de outros materiais coletados. Mais de 60% do plâncton de superfície que as redes coletaram tinha pedaços de plástico com alguns milímetros de tamanho. As maiores concentrações de plástico foram observadas em uma região localizada mais ou menos na latitude de Atlanta.

Combinando suas medidas com um modelo computadorizado da circulação oceânica, os pesquisadores relataram que essa concentração de plástico ocorreu em uma área onde as correntes da superfície convergem, carregadas pelo vento. Os pesquisadores acreditam que isso ajuda a explicar por que os detritos se acumulam nessa região em particular, tão longe do continente. Os autores propõem um punhado de explicações possíveis para o porquê do acúmulo não ter crescido rapidamente desde sua descoberta. O plástico pode se partir em pedaços muito pequenos para serem coletados pelas redes, indo para baixo da superfície, ou está sendo consumido por organismos marinhos. Mais pesquisas serão necessárias para determinar a probabilidade de cada situação, concluem os pesquisadores.

Várias expedições lançadas no final do ano passado indicam que o Oceano Pacífico também é afetado da mesma forma por grandes ilhas de lixo flutuante. O acúmulo de plástico que compõe a Grande Sopa de Lixo do Pacífico se tornou um petisco popular entre os albatrozes-de-Laysan (Phoebastria immutabilis) do local, relatou uma equipe de pesquisadores da University of Hawaii em outubro de 2009. Os pesquisadores descobriram que colônias de pássaros que vivem perto de dois acúmulos de lixo diferentes estavam comendo isqueiros, linhas de pesca e abridores de ostras provavelmente jogados no mar por membros da indústria pesqueira, além de dejetos mais comuns. De acordo com os pesquisadores, um filhote de ave do Atol Kure encontrado morto tinha 306 pedaços de plástico em seu interior.

O Projeto Kaisei – uma equipe de cientistas, marinheiros, jornalistas e oficiais do governo, financiados em parte por companhias de reciclagem internacionais – também visitou a Grande Sopa de Lixo do Pacífico no ano passado. As tripulações do Kaisei e de um segundo barco (o New Horizon, que partiu do Instituto de Oceanografia Scripps, de San Diego) observaram como o plástico em decomposição durante as últimas décadas se misturou com fitoplâncton e zooplâncton e investigaram se as técnicas envolvendo redes poderiam ser usadas para limpá-los. Esses pesquisadores observaram outra razão para que um acúmulo de plástico não pareça crescer no decorrer do tempo: muito dele está concentrado em uma mistura, uma espécie de sopa, que tende a se mover conforme as correntes oceânicas e tempestades produzem alterações e ventos durante um dado ano.

Uma equipe de pesquisadores da Fundação Algalita para a Pesquisa Marinha, em Long Beach, Califórnia, voltou da própria viagem de dois meses para estudar o acúmulo de lixo, em agosto passado, humilhada e desanimada pelo que viu. O cinegrafista do projeto, Drew Wheeler, concluiu: “Precisamos impedir que isso piore pela redução ou eliminação do uso de plástico não biodegradável em produtos descartáveis e na empacotação de produtos. Se a taxa cada vez maior de plástico no oceano não mudar, então eu não vejo como poderemos evitar mudanças catastróficas na saúde de nosso ecossistema marinho e, portanto, na própria vida humana.”

Fonte - Larry Greenemeier, American Scientific Brasil de 03 de setembro de 2010

Imagem – Changents.com

Nós da FUNVERDE, desde que começamos a alertar a população sobre o excesso de plásticos no meio ambiente há mais de cinco anos, não tínhamos a menor ideia do tamanho do problema e do grau de comprometimento do planeta.

Somente agora, anos depois, quando foram descobertas grandes sopas de plástico nos oceanos, vimos que o problema era maior do que pensávamos. Este problema compromete muito mais do que um rio poluído ou um fundo de vale cheio de plásticos em todas as suas formas, de sacolas a garrafas pet, dentre tantas outras formas de plástico. 

Chegamos a um momento crítico de poluição no planeta e, caso nada nenhuma atitude seja tomada para diminuir esta poluição, estaremos comprometendo a sobrevivência de todas as formas de vida deste planeta com um produto que, na maioria das vezes – 80% de todo o plástico é de uso único e ele representa mais de 20% de todo o lixo gerado diariamente -, é utilizado somente uma vez e também na maioria das vezes, é totalmente substituível ou dispensável.

Vamos parar para pensar nesta matéria quando estivermos fazendo compras e ver como nosso comodismo e consumismo está pondo em risco o futuro da humanidade e de todas as outras formas de vida sobre este planeta.

Estamos pedindo, ou melhor, implorando mais uma vez para você se tornar um ser humano responsável por suas atitudes, um consumidor mais responsável e sustentável e pensar nos seres que ainda nem nasceram, e trocar sacolas plásticas de uso único por sacolas retornáveis, substituir garrafas plásticas descartáveis por garrafas de vidro retornáveis, antes de adquirir qualquer produto, adquirir aquele mais ambientalmente correto e, por fim, tentar utilizar o mínimo possível de qalquer recurso natural deste planeta para existir um amanhã.

Água fóssil: Líbia adota processo semelhante ao da exploração do petróleo para obter água

Líbia floresce com ‘água fóssil’ – Em meio às areias amarelas escaldantes do deserto líbio, videiras cobertas de folhas verdes estão carregadas de cachos de uva; amendoeiras florescem em perfeitas fileiras e pomares de pereiras estendem-se indefinidamente.

A Líbia é um dos países mais secos da Terra, sem rios, lagos nem chuva. Mas o seu deserto está florescendo.

No Oriente Médio e no norte da África, a tentativa de transformar milhares de quilômetros de deserto em terra arável passou para um segundo plano diante da necessidade de conter uma ameaçadora escassez de água. Enquanto muitos países da região brigam entre si pelos direitos de exploração da água, a Líbia decidiu modificar sua topografia, transformando a areia em solo próprio para a agricultura. Reportagem de Sarah A. Topol, The Christian Science Monitor.

O Grande Rio feito pelo homem, que é a ambiciosa resposta do seu líder Muamar Kadafi aos problemas de água, irriga enormes fazendas no deserto líbio. A rede de mais de 3.700 quilômetros de dutos transporta a água dos quatro principais aquíferos subterrâneos no sul da Líbia para os centros populosos do Norte. Poços pontuam a trajetória dos dutos, permitindo que os produtores agrícolas utilizem a rede de fornecimento de águas em seus campos.

O governo líbio afirma que o projeto tem 26 anos e custou US$ 19,5 bilhões. O Grande Rio feito pelo homem, que está quase concluído, é o maior projeto de irrigação do mundo e o governo pretende usá-lo para desenvolver 160 mil hectares de terra para a agricultura. É também a opção mais barata disponível para irrigar os campos no país onde a água é mais escassa e cuja precipitação média anual é de aproximadamente 25 mm.

“A precipitação atmosférica está concentrada em 5% da área do país, mais ou menos – 95% da nossa terra é deserto”, diz Abdul Magid al-Kaot, ministro da Agricultura, durante uma apresentação no PowerPoint numa recente visita oficial de várias horas ao projeto e às fazendas nos arredores da capital, Tripoli. “A água é mais preciosa para nós do que o petróleo. Aqui na Líbia, a água é vida.”

Assim como a Líbia explora o deserto em busca de petróleo, o governo está fazendo o mesmo para procurar “água fóssil” água da Era do Gelo preservada nos bolsões porosos do Aquífero de Arenito Núbio. O enorme aquífero estende-se por baixo da Líbia, Egito, Chade e Sudão.

Ele inclui quatro bacias de água potável na Líbia, que contêm aproximadamente 10 mil a 12 mil quilômetros cúbicos de água de origem antiga a uma profundidade de 600 metros sob a superfície do deserto, disse o governo em sua apresentação.

A Líbia transfere o precioso recurso do solo para cinco gigantescos reservatórios acima do solo por meio de dutos de concreto protendido, pesando de 75 a 86 toneladas, que correm a pouco mais de 6 metros e meio de profundidade.

Guindastes de 450 toneladas operam sobre estradas especialmente construídas para a instalação dos cilindros enormes.

Outros países perfuram o solo em busca de água subterrânea com a mesma intensidade da Líbia. O país extrai 2,5 milhões de metros cúbicos diários, com a expectativa de chegar a bombear 6,5 milhões. Os especialistas disseram que o projeto equivale a transportar diariamente 2,5 milhões de automóveis Volkswagen (Fuscas) por mais de 3.200 quilômetros – um carro equivaleria aproximadamente a um metro cúbico de água, que pesa cerca de uma tonelada.

Consumo

Novas técnicas de irrigação por gotejamento estão sendo usadas para garantir que a água não seja desperdiçada. Mais de 70% da água deve ser usada como subsídio para a agricultura doméstica, e o restante para o consumo dos cidadãos. Ela não é reservada para a indústria pesada, segundo o governo.

Embora seja mais barato para a Líbia bombear a água subterrânea ou importar água, os especialistas estão preocupados com a decisão do país de irrigar fazendas em grande escala com a água fóssil.

“Para a Líbia esta água é muito cara. Não é tão cara quanto a água dessalinizada, mas para irrigar com ela provavelmente não é econômica do ponto de vista da relação custo/benefício”, diz Aaron Wolf, professor e diretor do departamento de Geociências da Universidade do Estado de Oregon. “Se o produtor agrícola tivesse de pagar o custo total do bombeamento e distribuição da água até a sua fazenda, não compensaria para a agricultura, é por isso que outros países não estão fazendo isto.”

O governo líbio subsidia abundantemente a água para os produtores agrícolas que pagam cerca de US$ 0,62 o metro cúbico, pouco menos do que a metade do preço que o cidadão comum paga a água que bebe.

“É basicamente uma das maravilhas do mundo, porque é exatamente como as pirâmides – é enorme, maciço e provavelmente não compensa do ponto de vista da relação custo/benefício.”

O governo líbio afirma que as reservas durarão para o país 4.625 anos, às taxas atuais de demanda.

No entanto, estimativas independentes indicam que o aquífero pode ser esvaziado já de 60 a 100 anos desde o início da exploração, segundo Stephen Longhorn, professor de Geografia da Universidade de Victoria, no Canadá.

“As principais preocupações a respeito de um recurso não renovável são a taxa de depleção e a dependência inerente à sua utilização”, afirmou o professor.

“A consequência secundária destes projetos é que quando a água acaba, já se criou uma dependência que só poderá ser atendida no futuro pela dessalinização ou a importação de água”, disse Longhorn. Projetos como este criam “um legado que pode ter vantagens a curto prazo, mas em última análise tornam o país ou a região muito vulneráveis no futuro”.

Por hora, enquanto esguichos gigantescos borrifam 100 mil oliveiras do viveiro de uma estufa cercada por areia nos arredores de Tripoli, os campos líbios estão florescendo.

Fonte – Christian Science Monitor / Estadão / EcoDebate de 01 de setembro de 2010

Impacto das mudanças climáticas será sentido na água e pode provocar conflitos, diz ONU

O principal impacto das mudanças climáticas será sentido no suprimento de água, e o mundo precisa aprender com cooperações passadas, como nos rios Indo ou Mekong, para evitar conflitos futuros, disseram especialistas no domingo.

Desertificação, enchentes, derretimento de geleiras, ondas de calor, ciclones e doenças transmitidas pela água, como o cólera, estão entre os impactos do aquecimento global inevitavelmente ligados à água. E a disputa pela água pode provocar conflitos. Reportagem de Alister Doyle, da Reuters.

“As principais manifestações ligadas à alta das temperaturas dizem respeito à água”, disse Zafar Adeel, presidente da ONU-Água, que coordena os trabalhos relacionados à água entre 26 agências das Nações Unidas.

“A água exerce um impacto em todas as partes de nossa vida como sociedade, sobre os sistemas naturais e os habitats”, disse ele à Reuters em entrevista telefônica. As perturbações podem ameaçar a agricultura e o suprimento de água potável, desde a África até o Oriente Médio.

“E isso gera potencial para conflitos,” disse ele. A escassez de água, como por exemplo em Darfur, no Sudão, vem sendo um fator que contribui para guerras.

Mas Adeel disse que em vários casos a água já serviu para promover cooperações. A Índia e o Paquistão colaboram para gerir o rio Indo, apesar de seus conflitos de fronteira, e Vietnã, Tailândia, Laos e Camboja cooperam na Comissão do rio Mekong.

“A água é um ótimo meio para cooperações. Costuma ser uma questão desvinculada da política e com a qual é possível trabalhar”, disse Adeel, que também é diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde, sediado no Canadá e pertencente à Universidade das Nações Unidas.

250 milhões de pessoas

As regiões que deverão ficar mais secas em função das mudanças climáticas incluem a Ásia central e o norte da África. Até o ano 2020, até 250 milhões de pessoas na África podem sofrer mais que hoje pela escassez de água, segundo o painel de especialistas climáticos da ONU.

“Há muito mais exemplos de cooperação internacional bem sucedidos que de conflitos em torno de água”, ponderou Nikhil Chandavarkar, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU e secretário da ONU-Água.

“Estamos tentando aproveitar os exemplos bons de cooperação, como o Mekong e o Indo. Mesmo quando havia hostilidades entre os países em volta, os acordos funcionaram”, disse ele à Reuters.

Adeel disse que a água merece um lugar mais central nos debates sobre segurança alimentar, paz, mudanças climáticas e recuperação da crise financeira. “A água é fundamental em cada uma dessas discussões, mas não costuma ser percebida como tal.”

E os próprios esforços para combater o aquecimento global vão necessitar mais água, devido às exigências econômicas rivais – como para irrigação, biocombustíveis ou energia hidrelétrica.

Adeel chamou a atenção para os esforços para gerenciar o suprimento de água, contabilizando quanta água é embutida nos produtos, desde a carne bovina até o café.

Um estudo, disse ele, mostrou que são necessários 15 mil litros de água para produzir uma calça jeans. Conscientizar as indústrias sobre o consumo de água pode ajudar a promover a conservação.

Ele disse que o mundo pode alcançar uma “meta do milênio” de reduzir pela metade até 2015 a parcela de pessoas que não têm acesso a água potável, mas que está fracassando em uma meta relacionada de melhorar o saneamento. Cerca de 2,8 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico.

Fonte – Reuters / Estadao / EcoDebate de 28 de fevereiro de 2010

Antonio Indaiá garante a limpeza do Rio Ivaí

Na pacata Ivatuba, cidade da Região Metropolitana de Maringá com menos de 3 mil moradores, com um de cada três morando na zona rural, todo mundo conhece Antonio Indaiá como o homem que cuida do Rio Ivaí. Ele recolhe o lixo que se acumula nas margens e defende uma política de conscientização sobre preservação ambiental.

Antonio na verdade é o empresário Antonio de Souza, que viu o Indaiá incorporado no seu nome por ser proprietário do Hotel Indaiá, o mais antigo hotel de Maringá ainda em funcionamento, tem 64 anos e mora em Maringá há 50.

Não é ecologista de carteirinha, mas dá exemplo de sensibilidade ambiental. E o que no começo foi apenas um trabalho sem grandes pretensões acabou tornando-se uma cruzada que ganhou apoio e poderá atrair outros produtores rurais da região.

Pescando mentes

Proprietário de uma fazenda de 16,5 alqueires às margens do Rio Ivaí, a cinco quilômetros da área urbana de Ivatuba, onde planta soja e milho e cria gado, Antonio percebeu que o lugar em que costumava ficar para sua pesca de barranco acumulava grande quantidade de garrafas plásticas, sacolas, pneus velhos, latas de cerveja, pedaços de redes de pesca, tarrafas e outros objetos.

No começo, ele limpava apenas o lugar a que tinha acesso ao rio, por meio da mata ciliar, mas com o tempo passou a recolher o lixo que se acumulava na margem ao longo do trecho que fica dentro de sua propriedade, de cerca de 3 quilômetros.

Como não tinha onde se desfazer do material, teve que guardar tudo e algum tempo depois tinha um barracão repleto de coisas velhas chegadas pelo rio.

Reciclar é preciso

Souza recentemente entregou a uma empresa de reciclagem mais de meia tonelada de lixo recolhido nas margens do Ivaí e já tem no seu galpão vários sacos com garrafas, pedaços de isopor, sacolas e outros objetos recolhidos nos últimos dias.

“As pessoas vêm para o rio para se divertir, nos finais de semana, mas não carregam consigo a consciência de dar a destinação correta ao lixo que produzem, acabam usando o rio como depósito de lixo sem se preocupar com o problema que isso pode causar”.

O empresário, que se dedica também à agricultura e nos finais de semana é defensor da natureza, diz que gostaria que outros proprietários rurais que estão próximos do rio fizessem o mesmo, mas acha que a questão principal não é exatamente limpar e sim evitar sujar.

“Pelo tipo de lixo que recolhemos dá para perceber que quem suja o rio não são os agricultores localizados nas margens, e sim pessoas que vêm para o Ivaí para se divertir, principalmente nos finais de semana”, denuncia.

“É impressionante o desrespeito com a legislação ambiental”, diz ele, citando que a questão é cultural. “Assim como algumas pessoas jogam lixo nas ruas, não cuidam do ambiente em que vivem, jogam objetos também nos rios, sem pensar que assim estão matando um dos nossos mais importantes recursos da natureza”.

Força da cooperativa

A cruzada de Antonio Indaiá ganhou o apoio do operador de máquinas Reinaldo Alves do Vale, que mora na fazenda com a mulher e dois filhos, passa a semana plantando ou colhendo e nas horas de folga percorre a margem do rio recolhendo lixo.

Também a unidade da Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar) em Ivatuba entrou na luta e colabora com a destinação do material recolhido, dá divulgação à ação de Indaiá e tenta convencer outros cooperados a seguirem o exemplo. “O Ivaí é um patrimônio de todo o povo e se não tivermos cuidado com ele agora, em pouco tempo ele será um rio sem vida”, diz o agrônomo Silvan Marchesan, gerente da unidade.

Vai longe

685 km é a extensão do Rio Ivaí, desde a nascente, no município de Ivaí, até a foz, em Pontal do Tigre, no Rio Paraná.

Rio Ivaí bom de peixe só na lembrança dos pescadores

Reinaldo, que conhece o rio há anos, alerta que o Ivaí está deixando de ser um rio piscoso. “Antigamente era possível pescar pintados, dourados, curimbas, mas hoje está cada vez mais difícil pegar um peixe bom”.

Tanto Reinaldo quanto Indaiá consideram que a queda na piscosidade é resultado da presença de produtos químicos na água, acúmulo de lixo e pesca predatória. Segundo Indaiá, é grande a quantidade de pescadores com redes, tarrafas, espinhéis e anzol de galho no Ivaí.

“A Polícia Florestal faz patrulhamento, mas o rio é grande e o efetivo é pequeno”. Ele entende que há necessidade de fiscalização permanente do rio.

“Já está na hora de a comunidade e o Ministério Público do Meio Ambiente cobrarem providências dos órgãos competentes antes que seja tarde demais”, conclui.

Fonte – Luiz de Carvalho, O Diário do Norte do Paraná de 24 de outubro de 2010

Abastecimento de água de bilhões está em risco, diz estudo

Cerca de 80% da população mundial vive em áreas onde o abastecimento de água potável não é assegurado, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature.

Os pesquisadores organizaram um índice com as “ameaças para a água” incluindo itens como escassez e poluição.

Cerca de 3,4 bilhões de pessoas enfrentam as piores ameaças, segundo o estudo. Os pesquisadores dizem que o hábito ocidental de conservar água para suas populações em reservatórios funciona para as pessoas, mas não para a natureza.

Eles recomendam que países em desenvolvimento não sigam o mesmo caminho, mas sim invistam em estratégias de gerenciamento hídrico que mescle infraestrutura com opções “naturais”, como bacias hidrográficas e pântanos.

Mapeamento

Os autores dizem que nas próximas décadas o panorama deve piorar, com o aumento populacional e as mudanças climáticas.

Eles combinaram dados de diferentes ameaças para a confecção do índice.

O resultado é um mapa que indica as ameaças ao fornecimento para a humanidade e para a biodiversidade.

“Olhamos para o fatos de forma fria, analisando o que acontece em relação ao abastecimento de água para as pessoas e o impacto no meio-ambiente da infraestrutura criada para garantir este fornecimento”, disse o responsável pelo estudo Charles Vorosmarty, do City College de Nova York.

“O que mapeamos foi um padrão de ameaças em todo o planeta, apesar dos trilhões de dólares gastos em engenharias paliativas”, completou, referindo-se a represas, canais e aquedutos usados para assegurar o abastecimento de cidades.

No mapa das ameaças ao abastecimento, boa parte da Europa e América do Norte aparecem em condições ruins.

Mas quando o impacto da infraestrura criada para distribuir e conservar a água é adicionado, as ameaças desaparecem destas regiões, com exceção da África, que parece estar rumando para a direção oposta.

“O problema é que sabemos que uma fatia enorme da população mundial não pode pagar por estes investimentos”, disse Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, que também participou da pesquisa.

“Na verdade, estes investimentos beneficiam menos de um bilhão de pessoas, o que significa que excluímos a grande maioria da população mundial”, disse ele.

“Mas mesmo em países ricos, esta não é a opção mais inteligente. Poderíamos continuar a construir mais represas ou explorar mais fundo o subterrâneo, mas mesmo se tivermos dinheiro para isso, não é uma saída eficiente em termos de custo”, disse ele.

Críticas

De acordo com esta e outras pesquisas, a forma como a água é tratada no ocidente teve um impacto significativo na natureza.

Atualmente, um conceito defendido por organizações de desenvolvimento é o gerenciamento integrado da água, no qual as necessidades de todos os usuários são levadas em consideração e as particularidades naturais são integradas às soluções criadas pelo homem.

Um exemplo citado é o abastecimento de água da cidade de Nova York, feito por fontes nas montanhas de Catskill. Estas águas historicamente não precisavam de filtragem até a década de 1990, quando a poluição agricultural mudou o cenário.

A solução adotada, um programa de conservação de terras, se provou mais barata do que a alternativa de construção de unidades de tratamento.

A atual análise pode vir a ser contestada por conter elementos relativamente subjetivos, como por exemplo a forma como as diferentes ameaças são pesadas e combinadas.

Mas os pesquisadores a consideram uma base para futuros estudos e calculam que ela possa ser melhorada quando surgirem dados mais precisos, especialmente de regiões como a África.

Eles calculam que os países desenvolvidos e os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), não conseguirão investir em infraestrutura os US$ 800 bilhões que o estudo julga necessários até 2015. O panorama para países em desenvolvimento é mais sombrio.

“Este é um raio-x do mundo há cinco ou dez anos, porque fizemos o estudo com bases nestes dados”, disse McIntyre.

Fonte – Richard Black, BBC Brasil de 29 de setembro de 2010

Imagem – Pan.101

Pesquisadores do MIT confirmam que as mudanças climáticas afetarão drasticamente as fontes de abastecimento de água

Os modelos climáticos do IPCC indicam que as mudanças climáticas afetarão o regime de chuvas, alterando as precipitações em diversas partes do planeta. No entanto, até agora, ainda não havia como avaliar os impactos nos aqüíferos, mesmo com alterações nas precipitações. Pesquisadores do MIT acreditam que conseguiram desenvolver um modelo de análise que avalia as mudanças regionais, decorrentes de mudanças climáticas globais, que podem afetar abastecimento de água.

Os pesquisadores descobriram que as mudanças, nas águas subterrâneas, podem ser muito maiores do que as mudanças na precipitação. Por exemplo, nos lugares onde as precipitações anuais poderão aumentar até 20 %, em resultado das mudanças climáticas, as águas subterrâneas podem aumentar em até 40%.

No caso inverso, a análise mostrou que, em alguns casos, com apenas 20% de diminuição da precipitação pode resultar em uma diminuição de até 70% da recarga dos aqüíferos locais – algo potencialmente devastador nas regiões áridas e semi-áridas.

Mas, os efeitos exatos dependem de uma complexa combinação de fatores, incluindo o tipo de solo, vegetação, e o momento e duração das chuvas. Os pesquisadores continuam trabalhando em estudos detalhados para cada região local, a fim de prever o leque de possíveis desfechos.

A pesquisa foi conduzida por Gene-Hua Crystal Ng, pesquisador do MIT, no Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ECL), juntamente com Dennis McLaughlin, Dara Entekhabi e Bridget Scanlon .Os resultados foram apresentados na quarta-feira, 17 de dezembro, em reunião da União Geofísica Americana, realizada em São Francisco.

O computador combinou análise e modelagem de dados do cloreto natural, usado como marcador para determinar como a precipitação, propriedades do solo e vegetação afetam o transporte de água, a partir da superfície para os aqüíferos. A pesquisa foi realizada em uma determinada região semi-árida perto de Lubbock, Texas.

Predições do tipo e magnitude das mudanças que poderão ocorrer com as precipitações, enquanto o planeta aquece estão incluídas nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e são expressas em intervalos de resultados possíveis, definidos como cenários.

No caso da pesquisa do MIT, os pesquisadores estão convencidos que as mudanças na recarga poderão ser ainda maiores do que as mudanças no clima. Para uma determinada percentagem de alteração da precipitação ocorrem ainda maiores mudanças nas taxas de recarga.

Dentre os fatores mais importantes, de acordo com os pesquisadores, é o momento e a duração da precipitação. Por exemplo, a pesquisa indica que pode ocorrer uma grande diferença se trata de um pequeno número de grandes chuvas ou de pouca chuva, e se a maioria das chuvas ocorre no verão ou inverno.

Os pesquisadores apresentaram os resultados como um conjunto de probabilidades, quantificadas, tanto quanto possível, sobre o futuro climático e a as alterações na superfície terrestre de condições. Em termos gerais, para cada previsão das mudanças climáticas, é possível obter uma distribuição dos valores de recarga dos aqüíferos.

Se a maior parte da chuva cai enquanto as plantas estão crescendo em um ambiente mais quente, grande parte da água pode ser absorvida pela vegetação e liberada novamente na atmosfera através da transpiração, de forma muito pouco pode percolar para o aqüífero.

Da mesma forma, faz uma grande diferença se um aumento global das chuvas vem em forma de chuvas mais intensas ou mais freqüentes pequenas chuvas. Pequenas chuvas mais freqüentes podem ser absorvidas principalmente pelas plantas, enquanto que algumas manifestações mais intensas podem ser mais propensas a saturar o solo e aumentar o efeito de recarga.

Estas pesquisas são especialmente importantes para o Brasil, na exata medida em que o nordeste pode enfrentar um severo processo de desertificação.

Para maior compreensão deste importante tema para o nordeste brasileiro sugerimos que leiam “Nordeste enfrenta alto risco de desertificação“; “Especialistas alertam para o risco de o semi-árido se transformar em um imenso deserto“; e “Redução de chuvas na Amazônia intensificará a seca no Nordeste“.

Fonte – Henrique Cortez, EcoDebate / Massachusetts Institute of Technology

Falta de água fará América Latina agir contra aquecimento

Relação entre água e clima pode servir para conciliar conflitos que atrapalharam negociações em Copenhague

Pergunte ao prefeito de uma cidade na Cordilheira dos Andes sobre o resultado das negociações do clima que aconteceram em dezembro em Copenhague e provavelmente você vai receber uma resposta superficial. Pergunte sobre a queda dos níveis nos reservatórios de água doce locais e você receberá uma bronca.

A razão disso está no cerne das discordâncias que dividiram os países industrializados e em desenvolvimento e impediu um acordo vinculativo para reduzir o aquecimento global. Mas o fato também oferece um caminho para uma abordagem mais produtiva na colaboração dos países dos hemisférios norte e sul em matéria de alterações climáticas.

Na América Latina, a água é mais fortemente ligada ao potencial de competitividade econômica e humana do que em qualquer outra parte do mundo. A região tem cerca de 31% dos recursos do planeta de água doce, sendo o lar de apenas 8% da sua população. Essa vantagem enorme de água permitiu que a América Latina receba 68% da sua eletricidade a partir de fontes hidrelétricas, comparados com uma média mundial de menos de 16%.

As exportações de mercadoria da região – na agricultura e na mineração – dependem de quantidades extraordinárias de água. Cerca de metade das exportações de carne bovina do mundo e quase dois terços de toda a soja vêm da América Latina, onde esses itens são mais baratos de serem produzidos, graças às chuvas tipicamente abundantes.

Mas após severas secas dos últimos anos, a vantagem de água tornou-se uma vulnerabilidade muito grande. Em 2008, a Argentina perdeu 1,5 milhões de cabeças de gado e cerca de metade de sua safra de trigo com a seca, enquanto a produção hidrelétrica na parte mais populosa do Chile caiu em 34%.

Mais recentemente, vastas regiões da Venezuela, Equador, Colômbia, Paraguai e México têm sido obrigadas a racionar água, cortar energia ou ambos. Esses esforços aprofundam a lacuna entre as pessoas com ligações de água em casa e as milhões de pessoas pobres latino-americanas que devem recorrer aos vendedores informais de água ou a cara água engarrafada.

Acredita-se que as últimas secas resultam de fenômenos climáticos cíclicos como o El Niño. Mas eles também são um presságio, porque os cientistas do clima concordam que as flutuações extremas de chuva estarão entre as primeiras e mais dramáticas consequências do aumento das temperaturas na América Latina.

A relação entre água e clima poderia servir para conciliar os conflitos de prioridades que atrapalharam as negociações em Copenhague. Primeiramente, como os países industrializados procuram as melhores maneiras de gastar os bilhões de dólares prometidos em ajuda para a adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, eles devem centrar-se em projetos para resolver a curto prazo problemas relacionados com o clima, como o abastecimento de água e saneamento.

Esse pragmatismo reconheceria a pressão sentida pelos líderes de países onde os elementos essenciais como saúde, educação e alimentação ainda não estão disponíveis para muitos cidadãos – e onde a meta de reduzir as emissões de dióxido de carbono continua a parecer um luxo. Isso também convenceria as pessoas nos países em desenvolvimento que os países ricos estão tão preocupados com a sobrevivência a curto prazo das crianças quanto com a saúde a longo prazo do planeta.

Esses objetivos não precisam ser mutuamente exclusivos. A Espanha, por exemplo, tornou-se líder internacional em promover energia eólica e solar como parte de suas políticas climáticas. Mas, no ano passado, o governo espanhol também criou um fundo de doação de US$ 1,5 bilhões que está financiando projetos de fornecimento de água e saneamento nas comunidades mais pobres da América Latina.

Estas subvenções estão ajudando a iniciar projetos de infra-estrutura crítica necessária em países como o Haiti, Guatemala e Bolívia. Elas têm alavancado também centenas de milhões de dólares em fundos adicionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento e outros doadores.

Governos latino-americanos, por sua vez, devem começar a tratar a água como um recurso verdadeiramente estratégico, em vez de livre e ilimitado. No curto prazo, isto significa priorizar os investimentos e as reformas dos serviços básicos, a fim de reduzir o desperdício, reduzir o déficit de cobertura e eliminar doenças transmitidas pela água. Mas também exige a disposição de fazer concessões em busca de reduções das emissões globais que, com o tempo, poderiam ser fundamentais para garantir um fornecimento confiável de água.

A cidade de La Paz, na Bolívia, é um exemplo disso. Os doadores internacionais estão ajudando a financiar a expansão das redes de água e saneamento para bairros de baixa renda, principalmente os habitados por índios Aymara. No entanto, as geleiras que abastecem a cidade com água estão derretendo rapidamente, então o auxílio será usado para garantir novas fontes de água.

Sendo um país com grandes florestas tropicais, a Bolívia pode ajudar a diminuir o risco de mudanças climáticas catastróficas, juntando-se a programas para reduzir as emissões de dióxido de carbono causadas por desmatamento. Mas os bolivianos estão mais propensos a apoiar essas medidas se obtiverem provas de que os países industrializados estão empenhados em ajudar a conseguir uma qualidade de vida melhor.

Luis Alberto Moreno é presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a principal fonte de financiamento multilateral de desenvolvimento para América Latina e Caribe. Ele escreveu este artigo para o Los Angeles Times.

Fonte – Artigo [Latin America's water needs could foster collaboration to curb global warming] do Los Angeles Times / Estadao / EcoDebate

‘Plantar água’ é saída para enfrentar mudanças climáticas

Observar as plantas e copiar a natureza. Esta foi a saída que o agricultor Jurandi Anunciação de Oliveira buscou no conhecimento tradicional para matar a charada proposta por um técnico que lhe recomendou “plantar água” para conviver com a escassez de água no semiárido nordestino de Cafarnaum, cidade baiana onde mora.

A saída também servirá para amenizar o aquecimento global, segundo entende o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antônio Donato Nobre. Ambos estiveram juntos em conferência sobre sistemas agroflorestais e mudanças climáticas realizada nesta quarta-feira (24) em Luziânia (GO).

“Eu planto mil folhas de palma, colho 4.750 litros de água e posso cultivar manga em agosto sem depender de água de barragem ou de chuva”, contou o agricultor durante o seminário que compôs a programação do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (VII CBSAF), organizado pela Embrapa e parceiros, e que tem objetivo de proporcionar o compartilhamento de experiências.

Oliveira conseguiu driblar os efeitos da seca em sua propriedade compactando folhas de palma sob o solo em que plantaria fruteiras. Mas como essa lógica tem indicado caminhos para salvar a Terra dos efeitos danosos das mudanças climáticas – que são dez vezes mais graves do que dizia o último Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC),
conforme anunciou Nobre.

Regador do Éden

A descoberta de que a “floresta amazônica é o regador do Éden” ou que as árvores transpiram por unidade de área mais do que o oceano ocorreu fora dos modelos matemáticos dos meteorologistas, destacou o agrônomo. Pela física, os cientistas russos captaram os princípios da natureza que os agricultores já haviam captado pela intuição: as florestas funcionam como
uma bomba de água, sendo, portanto essenciais no resfriamento da Terra, disse Nobre.

Segundo ele, cada árvore grande na Amazônia chega a evaporar 300 litros de água por dia. Conseqüências do aquecimento global que estavam sendo esperadas para 2050 teriam começado a ser registradas já em 2007, destaca o pesquisador. “O gelo do Ártico derreteu tão rápido que desestimulou os investimentos para a ampliação do canal do Panamá”, aponta Nobre como um dos eventos que estão sendo antecipados, pegando meteorologistas de surpresa.

“Ou muda ou morre”

O alerta foi feito pelo agricultor familiar Oliveira para o contexto da região semiárida onde vive, mas tem a concordância do pesquisador do Inpe, cujo foco é a situação do Planeta: “a mordida virá, inesperada e brutal”, sentencia, tendo por base dados históricos e não futorológicos conforme frisa.

A saída, segundo entende não estará numa tecnologia que, sozinha, nos salve dos desastres climáticos, mas de uma agenda de colaboração e na disseminação do conhecimento.

O agrônomo desenvolve projeto denominado Fênix amazônica, uma proposta que, a partir da síntese do conhecimento acumulado em vários setores, possa ser acessível e viabilizar saídas colaborativas para questões específicas como a fundiária, dos poluentes e da sustentabilidade.

Embora aponte a necessidade de correção de rotas em diversas áreas, Nobre avalia que “não haverá solução sem a Embrapa, sem a ciência e sem o conhecimento intuitivo do produtor”.

Para acompanhar a programação completa e as notícias sobre o VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais que segue até sexta feira, 26, basta acessar www.embrapa.br/viicbsaf.

O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais e realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF) e a organização não-governamental Mutirão Agroflorestal.

A organização do VII CBSAF é da Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília/DF) e o evento conta com apoio da Embrapa Cerrados (Planaltina –DF), Embrapa Floresta (Colombo/PR) e da Embrapa Informação Tecnológica (Brasília/DF).

Fonte – Valéria Costa, da Embrapa Transferência de Tecnologia / EcoDebate

A história da água em garrafa

Aprenda porque beber água em garrafa descartável impacta o ambiente.

Uma garrafa só não destrói o mundo, mas se somarmos todas as garrafas de todos os humanos que não vivem sem sua garrafa de água descartável diariamente …

Mudança de atitude, mudança de comportamento, mudança no padrão de consumo, cada um de nós pode e deve fazer sua parte, já.

Sorocaba busca multa para desperdício de água

Quem for flagrado desperdiçando água pode ser multado em até R$ 15 mil, em Sorocaba (SP), prevê projeto protocolado na Câmara da cidade. Segundo a medida, é considerado desperdício usar água do sistema público para lavar carros e calçadas.

O valor dobra na reincidência e triplica nos períodos de estiagem, como o atual. Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pelos vereadores e sancionado pelo prefeito Vitor Lippi (PSDB).

O Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) de Sorocaba iniciou campanha nas rádios pedindo economia de água. Também pede à população que denuncie o desperdício. A medida foi tomada em razão do aumento no consumo motivado pelo clima seco.

Sem chuva há 45 dias, o nível dos reservatórios baixou e a autarquia começou a usar água da represa de Ipaneminha, reservada para os períodos de seca. Ontem, apesar da melhoria na umidade do ar, que à tarde estava em 34%, a cidade voltou a registrar queimadas. Um incêndio atingiu uma área de 12 hectares de mata e eucaliptos numa região de condomínios, no Alto da Boa Vista. Bombeiros e voluntários trabalharam toda a madrugada para evitar que as chamas atingissem chácaras.

Em Porto Feliz, com a redução no nível do ribeirão Avecuia, o serviço de água começou a usar o aquífero Tubarão para manter o abastecimento. O líquido é captado em poços profundos. A cidade também convive com a fumaça oriunda de queimadas. Em Araçoiaba da Serra, produtores rurais do bairro Jundiaquara reclamavam da falta de água para irrigação. Lagoas e córregos usados para a captação estavam praticamente secos. (AE)

Fonte – José Maria Tomazela, Reporter Diário de 30 de agosto de 2010

Esta é uma lei que todas as cidades tem que ter, porque é ridículo o consumo exagerado de água pela população. É só sair em qualquer dia do ano e ver funcionários lavando calçadas de empresas, donas de casa varrendo a calçada com mangueira e a imbecilidade do povo lavando carro nos finais de semana na calçada, com a mangueira jorrando água no chão enquanto o carro é ensaboado.

Caros políticos, sejam vereadores, deputados estaduais, prefeitos e governadores, vocês tem que fazer leis mais importantes que nomear ruas e criar datas comemorativas. Sempre postamos leis ambientais na esperança de que vocês políticos que visitam a página se inspirem nessas leis e as copiem.

Vocês podem fazer mais do que só que ficar quatro anos só inventando leis inúteis e tentando enricar através de esquemas. Façam leis que podem mudar o destino da humanidade e uma delas é a economia de água, recurso natural precioso para a humanidade, que está sendo desperdiçado, contaminado, enfim, ninguém se dá conta da importância da água, até as torneiras secarem.

Diga não aos copos plásticos

O grupo Conape (Conape/Conasys/Conapub) aderiu a uma nova forma de contribuir com o meio ambiente. Agora, as empresas não utilizam mais os copos descartáveis, que demoram cerca de 200 a 450 anos para se decompor na natureza, além de sua reciclagem não permitir a geração de outros copos, pois os resíduos alimentícios são difíceis de serem eliminados. Isso sem contar a contraindicação do ponto de vista sanitário: o cafezinho quente em contato com o plástico acaba liberando substâncias nocivas ao organismo, diferente da caneca de porcelana ou vidro.

São detalhes pequenos, porém relevantes, que nunca paramos para pensar, no meio de tantas coisas para fazer.

Uma única pessoa usa o copinho plástico uma vez e já o descarta. Mas quantas vezes essa mesma pessoa toma água por dia?

Multiplique isso pelo número de funcionários de uma empresa? Em meio a tantos alertas sobre os possíveis efeitos do aquecimento global, devemos procurar alternativas para conter a poluição do meio ambiente.

Só para refletir: mais de 50% dos resíduos encontrados no mar têm alguma porção de plástico. Cerca de 56% do lixo plástico são de embalagens usadas, das quais 75% têm origem doméstica. No Brasil, 15% dos resíduos da coleta seletiva são compostos por plásticos. E mais: se você alinhar todos os copos plásticos fabricados em apenas um dia, eles farão um circulo ao redor da Terra.

O uso das canecas permanentes é uma solução bacana e agradável, além de dar um ar de sofisticação na empresa. Some-se a isso, a economia, considerando que se gasta muito mais água e outros insumos para produzir e descartar embalagens plásticas do que a água e sabão que se gasta para lavar sua própria caneca.

Muitas empresas já estão tomando atitudes nesse sentido, como o uso de papéis reciclados, materiais ecologicamente corretos e o uso de canecas e copos. Se cada um fizer um pouquinho e colaborar com pequenos gestos, já é uma grande contribuição para as futuras gerações.

A natureza agradece!

Fonte – Vanessa Guastaferro, CONAPUB de 25 de maio de 2010

Foto – Thomas.hwluxx

No caso de locais com fluxo intenso de pessoas não fixas, o caso dos clientes do varejo, pode-se substituir o copo de plástico plástico convencional por copos de papel ou copos de plástico oxi-biodegradável.

Cidade dos EUA proíbe venda de água engarrafada

Tudo começou com as sacolas plásticas: primeiro vieram os alertas sobre seu uso excessivo, depois as campanhas pelas sacolas reutilizáveis e, recentemente, sua proibição em diversas cidades do mundo.
Agora, a mesma coisa parece estar acontecendo à água engarrafada.

Apesar de já se falar há algum tempo sobre o consumo excessivo da água engarrafada (um absurdo nos Estados Unidos, onde a água encanada da maioria das cidades é perfeitamente potável), um vídeo divulgado na internet durante o último Dia Mundial da Água avivou ainda mais a discussão. Assista aqui o vídeo.

Os resultados não tardaram a aparecer. Enquanto as fabricantes de água engarrafada se defendem lançando campanhas para melhorar sua imagem, uma pequena cidade do estado de Massachusetts se adiantou e decidiu proibir sua venda.

A iniciativa surgiu com Jean Hill, uma ativista de 82 anos que convenceu os vizinhos e dirigentes municipais de Concord a votar contra a venda de água engarrafa na cidade. O movimento foi rapidamente aplaudido por ambientalistas, que propuseram disseminar a ideia no estado e até em todo o país.

Mas as coisas não são tão fáceis: ainda restam dúvidas sobre a legalidade da medida, já que ela pode atentar contra a liberdade comércio e poderia ser rejeitada nos tribunais caso os fabricantes decidam abrir processos contra a medida.

A indústria já demonstra resistência. Como observa um artigo do Boston Globe, ao saber da decisão de Concord, executivos do setor reagiram argumentando que uma medida que pretende fazer com que as pessoas tomem menos água é prejudicial para a saúde e é injusto condenar apenas um produto, quando muitos outros geram resíduos plásticos. No entanto, foi uma reação morna. A batalha realmente se verá se a tendência se espalhar pelo país e chegar a mercados maiores.

É bem provável que isso aconteça, já que as ações em torno da redução do consumo de água engarrafada estão aumentando. O mesmo artigo do Globe nota que mais de 100 cidades dos Estados Unidos reduziram as compras deste produto e uma cidade da Austrália, Bundanoon, também decidiu vetar sua venda.

É evidente que a água engarrafada não é a única vilã e pode ser um produto útil em determinadas circunstâncias (em regiões onde não há água portável ou em zonas de desastres naturais, por exemplo).

A questão é combater o consumo excessivo e desnecessário do produto. Mas ao que parece, não basta confiar na consciência de cada um, é preciso criar leis para isso.

As pessoas só reagem a medidas legais? Ou hábitos de consumo podem ser mudados por esforço próprio? Qual é a sua opinião?

Fonte – Discovery Brasil de 19 de maio de 2010

Cruzeiros deixam rastro de lixo na costa brasileira

 
Há cerca de 15 anos os navios estrangeiros desfrutam de liberdade para explorar a navegação de cabotagem na costa brasileira.
 
E, pelo que relatam alguns passageiros, os cruzeiros marítimos ainda não amadureceram o suficiente para desenvolverem o turismo sustentável. Em determinado momento, os armadores – donos de todos os navios que faturam alto na temporada de novembro a abril, principalmente entre Rio de Janeiro e São Paulo – se queixaram da falta de cultura dos brasileiros. Denunciaram sinais de depredação das sofisticadas instalações de seus transatlânticos. No entanto, a contrapartida inexiste. Navios que cortam os mares brasileiros trazem, em sua tripulação, profissionais de capacidade duvidosa – pelo menos é o que fica no ar quando se registram mortes e até problemas sérios de saúde a bordo dos cruzeiros.
 
Pior: passageiros trazem ao conhecimento da Conapub um crime ecológico que contradiz a propaganda enganosa da sustentabilidade dessa atividade turística – citada por tratados e convenções internacionais.
 
Recentemente um navio da MSC ofereceu a uma turista – que se colocou a contemplar as águas de Angra dos Reis à noite – uma cena nada condizente com a pompa e retórica das empresas que vendem esses passeios.
 
Um rastro de lixo, onde se misturavam embalagens plásticas e esgoto, imagem digna dos piores dias do Rio Tietê.
A questão é: quem responde por isso? Quem reclama da suposta depredação de seus navios extremamente lucrativos – o que não diminui o lamento diante das citadas depredações – pode se dar o direito de poluir o mar?
Com a palavra a Abremar.

Fonte – CONAPUB de 22 de abril de 2010

Foto - Miguelángel

Cientistas alertam para sopa de lixo plástico nos oceanos

lixo1

Pesquisadores alertam sobre uma nova praga no oceano: um redemoinho de fragmentos de plástico semelhantes a confetes se estende por milhares de quilômetros quadrados numa extensão remota do oceano Atlântico. O lixo flutuante – difícil de ser visto da superfície e reunido por um turbilhão de correntes – foi documentado por dois grupos de cientistas que navegavam entre a paradisíaca Bermuda e as ilhas portuguesas dos Açores no meio do Atlântico.

Os estudos descrevem uma sopa de micropartículas semelhante à chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um fenômeno descoberto há uma década entre o Havaí e a Califórnia. Segundo os pesquisadores, é provável que esse fenômeno exista em outros lugares do globo.

“Descobrimos o grande depósito de lixo do Atlântico”, disse Anna Cummins, que coletou amostras de plástico enquanto navegava pela região em fevereiro. Os detritos são prejudiciais aos peixes, mamíferos marinhos – e, no topo da cadeia alimentar, potencialmente aos humanos -, mesmo com a maior parte do plástico tendo se fragmentado em pedaços pequeninos, quase invisíveis.

Como não há nenhuma forma realista de limpar os oceanos, conservacionistas dizem que é essencial impedir mais acúmulo de plástico através da conscientização e, sempre que possível, desafiar a cultura do lixo, que utiliza materiais não-biodegradáveis em produtos descartáveis. “Nosso trabalho agora é conscientizar as pessoas de que a poluição de plástico nos oceanos é um problema global – infelizmente, ele não se limita a apenas uma mancha”, Cummins disse.

As equipes de pesquisa apresentaram suas descobertas em fevereiro no Encontro de Ciências Oceânicas de 2010, em Portland, Oregon. Embora cientistas relatem a presença de plástico em partes do oceano Atlântico desde os anos 1970, os pesquisadores dizem que conquistaram avanços importantes no mapeamento da extensão da poluição.

Cummins e seu marido, Marcus Eriksen, de Santa Monica, Califórnia, velejaram pelo Atlântico para seu projeto de pesquisa. Eles planejam estudos similares no sul do Atlântico em novembro e no sul do Pacífico na próxima primavera.

Na viagem de Bermuda a Açores, eles cruzaram o mar de Sargaços, uma área delimitada por correntes oceânicas, inclusive a corrente do Golfo. Eles coletaram amostras a cada 160 quilômetros, com uma interrupção causada por uma grande tempestade. Cada vez que eles puxavam a rede de pesca, ela vinha cheia de plástico.

Um estudo separado de alunos de graduação da Associação de Educação Marinha, em Woods Hole, Massachusetts, coletou mais de seis mil amostras em viagens entre o Canadá e o Caribe ao longo de duas décadas. A pesquisadora principal, Kara Lavendar Law, disse que eles encontraram as maiores concentrações de plástico entre 22 e 38 graus de latitude norte, uma mancha de lixo que se alonga numa extensão que se aproxima à distância entre Cuba e Washington.

Longas trilhas de algas, misturadas a garrafas, caixas de madeira e outros detritos se encontram à deriva nas águas calmas da área, conhecida como Zona de Convergência Subtropical do Atlântico Norte. A equipe de Cummins até mesmo coletou um peixe-porco ainda com vida, preso dentro de um balde de plástico.

Mas o lixo mais preocupante é quase invisível: incontáveis pedaços pontudos de plástico, muitas vezes menores do que borrachas de lápis, suspensos perto da superfície no azul profundo do Atlântico. “É chocante ver em primeira mão¿, Cummins disse. “Nada se compara a estar lá em pessoa. Conseguimos deixar nosso rastro realmente em todos os lugares.”

Mais dados ainda são necessários para avaliar as dimensões da mancha de lixo do Atlântico Norte. Charles Moore, pesquisador oceânico que descobriu a mancha de lixo do Pacífico em 1997, disse que o Atlântico inquestionavelmente tem quantidades similares de plástico. A costa leste dos Estados Unidos possui mais gente e mais rios que despejam lixo no mar. Mas como há mais tempestades no Atlântico, os detritos por lá têm maior probabilidade de se dispersar, disse.

A despeito da diferença entre as duas regiões, plásticos são devastadores para o meio ambiente em todo o mundo, disse Moore, cuja Fundação de Pesquisa Marinha Algalita, com sede em Long Beach, Califórnia, esteve entre os patrocinadores de Cummins e Eriksen.

“A pegada de plástico da humanidade é provavelmente mais perigosa que a pegada de carbono”, ele disse. Plásticos se enroscam em pássaros e acabam na barriga de peixes: um estudo citado pela Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA (NOAA na sigla em inglês) diz que até 100 mil mamíferos marinhos podem ter mortes relacionadas ao lixo a cada ano. Os pedaços de plástico, que os peixes não conseguem distinguir do plâncton, são perigosos em parte por absorverem substâncias químicas prejudiciais, que também circulam pelo oceano, disse Jacqueline Savitz, cientista marinha do Oceana, um grupo de conservação oceânica com sede em Washington.

Até 80% dos detritos marinhos provêm da terra firme, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O governo americano teme que a poluição possa prejudicar seus interesses vitais. “Esse plástico tem o potencial de impactar nossos recursos e nossa economia”, disse Lisa DiPinto, diretora do programa de detritos marinhos da NOAA. “É ótimo conscientizar o público de que o plástico que usamos em terra pode acabar no oceano.”

DiPinto disse que a agência federal está patrocinando uma nova viagem da Associação de Educação Marinha este verão americano, para medir a poluição de plástico no sudeste de Bermuda. A NOAA também está envolvida na pesquisa sobre a mancha do Pacífico.

“Infelizmente, os plásticos que usamos não são eliminados de maneira cuidadosa”, Savitz disse. “Precisamos usar menos plástico e, se formos usá-lo, temos que assegurar que o descartaremos de maneira correta.”

Fonte – Portal Terra de 18 de abril de 2010

Foto – Portal Terra

Sacola plástica, o filme!

Acabamos de assistir este filme e tivemos que compartilhar com você.

É uma história que nós gostaríamos de ter filmado, porque diz exatamente tudo sobre a vida de uma sacola plástica de uso único fabricada com plástico convencional eterno, aquele que fica mais de cinco séculos poluindo o planeta.

Durante este filme, nenhuma sacola foi destruída, até porque elas são indestrutíveis.

Use sempre sacola retornável fabricada com qualquer material, desde que seja retornável - se for de plástico, deve ser fabricada com plástico com ciclo de vida útil controlado, e que para ser considerada retornável tem que ter no mínimo 100 micras por parede -, ajude-nos a banir o plástico eterno da face da terra, que está plastificando completamente este planeta.

Quanto aos outros plásticos, use sempre plástico com ciclo de vida útil controlado, isto é, plástico oxi-biodegradável.

Assim que possível, postaremos a versão legendada, mas o ingles do narrador está muito fácil de entender, portanto, assista já.

A história das coisas

Você ainda lembra do vídeo a história das coisas, que fala sobre o consumismo e como isso está destruindo o planeta?

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