Crime ambiental Archive

Até o último grão, até a última árvore?

O Código Florestal Brasileiro, lei federal de 1965, além de reservar um percentual de área para a utilização sustentável das florestas (Reserva Legal), prevê que as propriedades rurais devam proteger os rios e nascentes (matas ciliares), áreas de encostas e topos de morro. Suas normas foram essenciais para que as pessoas não desmatassem até a beirada dos rios, sepultassem nascentes e cortassem até o último pé de pau da propriedade, fazendo uma verdadeira guerra de terra arrasada entre a produção e a conservação ambiental. Apesar de muitas bobagens cometidas, em nome da produção agropecuária, muitas outras besteiras foram seguradas através das exigências desta lei.

Não dá para negar que sempre houve tentativas de alterações do Código Florestal por parte daqueles que supõem que suas normas restringem a produção. Por isso, ao longo dos anos, uma verdadeira queda de braço colocou de lados opostos ambientalistas e ruralistas. Embora muitos saibam que não há produção se não houver preservação, na prática o imediatismo fala mais alto: a economia mundial absorve nossa produção, produzir mais é lucrar mais, e é preciso não perder este bom momento do Brasil, discursa o setor.

E o que o agronegócio quer mudar?

Quer anistiar todas as multas e crimes ambientais, legalizando os desmatamentos de beiras de rios, encostas e topos de morros, aterramento de nascentes. Quer reduzir os percentuais de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente (APPs). Quer repassar aos estados a responsabilidade de legislar sobre o ambiente, tornando mais fácil as alterações propostas, como fez Santa Catarina que, ao arrepio da lei, restringiu de 30 metros para 5 metros as áreas preservadas das beiras dos rios.

E o que o ambientalismo quer preservar?

Preservar o Código Florestal Brasileiro por entender que as alterações, além de não beneficiarem em nada a promoção ambiental no país, põem a perder o que o Brasil tem de mais rico, que é a diversidade de vida (biodiversidade), a qualidade e fertilidade de suas terras e suas águas.

E o que imagino que traria grandes soluções?

Se a Lei de Crimes Ambientais já pune quem faz o errado, é preciso bonificar quem faz o certo. É uma questão de justiça. Assim, estará prestando um serviço ambiental o agricultor que preservar a mata que protege o rio que atravessa a sua propriedade; o agricultor que mantém jorrante a fonte que está em suas terras e, da mesma forma, oferece parte de sua propriedade para manter uma Reserva Legal, ampliando a biodiversidade local. Um cidadão que facilita e até promove os serviços naturais deve ser tratado de forma diferente do que aquele que nada faz ou, ao contrário, aquele que dificulta a produção destes serviços. Ele estará abrindo mão de parte do território que a ele pertence. Portanto, deverá ser ressarcido pela sociedade. A sociedade será beneficiada, por isso, deverá retribuir, remunerando-o. A isso chamamos Pagamento por Serviços Ambientais.

Ao se encaminhar a discussão para este rumo, fica estúpida a argumentação que restringe as matas que protegem os rios para se ampliar a lavoura, pois a mata preservada irá valer tanto quanto a roça que se poderia fazer com a mesma área!

Já existem países que agem dessa forma. E, convenhamos, se preservar dá lucro, pra que destruir?

Portanto, o Pagamento por Serviços Ambientais é a forma lógica de se resolver este confronto.

Assim, mudar o Código Florestal Brasileiro, para que se abocanhe até o último grão, até a última árvore, não é a saída. Há alternativas mais inteligentes, por serem mais sustentáveis. E a sustentabilidade é o único caminho do qual a Humanidade não pode abrir mão.

Fonte – Deputado Estadual Luiz Eduardo Cheida, dezembro de 2011

I am a green … enganação

Se você não se importa com:

1 – Mais de 1 bilhão de pessoas sem comida;

2 – Mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso a água potável;

3 – Aumento de preços de alimentos (preços internacionais de alimentos estão subindo quase 50% por ano);

4 – Aumento do preço do álcool combustível (etanol);

5 – Aumento do preço do açúcar;

6 – O Brasil importando álcool e pagando preços altos por não ter produção interna suficiente;

7 – Seus filhos e netos correndo o risco de não ter o que comer num futuro bem próximo;

8 – Gases efeito estufa como CO2, Metano (23 vezes mais potente que o CO2) e Óxido Nitroso (300 vezes mais potente que o CO2);

9 – Dinheiro publico sendo emprestado pelo BNDS para financiar estes projetos eco-engodos a juros subsidiados;

10 – Com os supermercados vendendo sacola de comida, contribuindo com aumento da fome no planeta.

Então compre nos supermercados sacolas compostáveis fabricadas com comida misturada com petróleo (menos de 25% de amido e o resto de petróleo), que não podem ser recicladas, não podem ser recicladas com os plásticos convencionais, não podem ser fabricadas com plásticos convencionais reciclados e que vão parar no lixo. Comida na forma de sacola, para ser jogada no lixo, sem qualquer outra utilização e que para serem fabricadas, usam terras férteis, água fresca, e adubos nitrogenados que emitem Óxido Nitroso e Metano quando biodegradarem nos lixões e aterros.

Ou então compre produtos plásticos descartáveis fabricados com o plástico derivado de Etanol de cana de açúcar, aquela mesma planta que produz açúcar para sua alimentação e álcool (Etanol) que você utiliza como combustível, ou está misturado na gasolina e que demora os mesmos 500 anos para sumir do planeta, como sua equivalente, a sacola de petróleo.

Seja cúmplice deste crime e engodo ambiental, comprando protetores solares, iogurte, xampu e outros produtos que estão sendo vendidos no Brasil e no mundo sob o falso apelo verde.

Mas se você se preocupa com os humanos, com o planeta, e com seus filhos e netos, então recuse comprar em supermercados que usam sacolas feitas de comida, não comprem produtos que tentam te enganar dizendo serem verdes só por que foram fabricados com plástico de Etanol, que ajuda a devastar o planeta, fontes de água e alimentos.

Você é o responsável pelas suas ações. A decisão é sua. Avisado você foi e pelo menos você não  poderá dizer que não sabia.

Agora, sem brincadeira, se você não tiver outra opção a não ser comprar nesses supermercados que vendem sacolas de comida, leve sua sacola retornável e pressione o gerente, encha a paciência dele para que, se forem vender sacolas plásticas de uso único para desestimular o consumo, que estas sacolas sejam biodegradáveis de petróleo com ciclo de vida útil controlado d2w, que em 18 meses já terá sumido da face da terra. Imagine você se o gerente não tiver tempo de fazer mais nada a não ser ficar ouvindo reclamação do cliente. Isso fará os supermercados banirem as sacolas de comida rapidinho. Você pode mudar o mundo, basta agir.

O que é uma sacola de comida? É a sacola fabricada a partir de amido de alimentos como milho, mandioca, trigo, batata, arroz … qualquer planta que contenha amido é potencialmente uma sacola de comida. Qualquer alimento que contenha amido pode ser roubada do prato dos humanos para ser transformada em uma sacola que será usada por apenas meia hora. Isso é um crime, um uso muito imbecil para qualquer alimento e para os recursos naturais – terra fértil e água potável – usados na sua produção.

Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney

Sabemos que 99,9% dos leitores se assustarão com o tamanho do texto e simplesmente não lerão, o que é uma pena, mas não podemos fazer nada, a não ser publicar este texto esclarecedor sobre os interesses escondidos na construção de belo monte e outras tantas monstruosidades no país. E dizemos isso porque sempre recebemos mensagens de leitores que pedem um resumo das matérias, porque são longas demais.

Um dos mais respeitados especialistas na área energética do país, o professor da USP Célio Bermann, fala sobre a “caixa preta” do setor, controlado por José Sarney, e o jogo pesado e lucrativo que domina a maior obra do PAC. Conta também sua experiência como assessor de Dilma Rousseff no Ministério de Minas e Energia

Se você é aquele tipo de leitor que acha que Belo Monte vai “afetar apenas um punhado de índios”, esta entrevista é para você. Talvez você descubra que a megaobra vai afetar diretamente o seu bolso. Se você é aquele tipo de leitor que acredita que os acontecimentos na Amazônia não lhe dizem respeito, esta entrevista é para você. Para que possa entender que o que acontece lá, repercute aqui – e vice-versa. Se você é aquele tipo de leitor que defende a construção do maior número de usinas hidrelétricas já porque acredita piamente que, se isso não acontecer, vai ficar sem luz em casa para assistir à novela das oito, esta entrevista é para você. Com alguma sorte, você pode perceber que o buraco é mais embaixo e que você tem consumido propaganda subliminar, além de bens de consumo. Se você é aquele tipo de leitor que compreende os impactos socioambientais de uma obra desse porte, mas gostaria de entender melhor o que está em jogo de fato e quais são as alternativas, esta entrevista também é para você.

Como tenho escrito com frequência sobre a megausina hidrelétrica de Belo Monte, por considerar que é uma das questões mais relevantes do país no momento, observo com atenção as manifestações dos leitores que comentam neste espaço ou em redes sociais como o Twitter. Anotei as principais dúvidas para incluí-las aqui e assim colaborar com o debate.

Desta vez, propus uma conversa sobre Belo Monte a Célio Bermann, um dos mais respeitados especialistas do país na área energética. Bermann é professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Unicamp. Publicou vários livros, entre eles: “Energia no Brasil: Para quê? Para quem? – Crise e Alternativas para um País Sustentável” (Livraria da Física) e “As Novas Energias no Brasil: Dilemas da Inclusão Social e Programas de Governo” (Fase). Ex-petista, ele participou dos debates da área energética e ambiental para a elaboração do programa de Lula na campanha de 2002 e foi assessor de Dilma Rousseff entre 2003 e 2004, no Ministério de Minas e Energia. Célio Bermann foi também um dos 40 cientistas a se debruçar sobre Belo Monte para construir um painel que, infelizmente, foi ignorado pelo governo federal.

Vale a pena ouvir o professor a qualquer tempo. Mas, especialmente, depois de uma semana dramática como a passada. Na quarta-feira (26/10), o julgamento da ação movida pelo Ministério Público Federal reivindicando que os índios sejam ouvidos sobre a obra, como determina a Constituição, foi interrompida e adiada mais uma vez no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Na mesma quarta-feira, chamado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para explicar por que não suspendeu as obras de Belo Monte, o Brasil não compareceu, desrespeitando o organismo internacional e exibindo um comportamento mais usual em ditaduras. Em reportagem publicada em 20/10, o Estadão denunciou que, como retaliação por ter sido advertido sobre Belo Monte, o Brasil deixou de pagar sua cota anual como estado-membro.

Na quinta-feira (27/10), centenas de pessoas, entre indígenas, ribeirinhos e moradores das cidades atingidas, ocuparam pacificamente o canteiro de obras de Belo Monte, no rio Xingu, pedindo a paralisação da construção da usina. Foram expulsos por ordem judicial. Enquanto o canteiro de obras era ocupado por uma população invisível para o governo de Dilma Rousseff, o cineasta Daniel Tendler apresentava no Seminário Nacional de Grandes Barragens, no Rio de Janeiro, o projeto de uma megaprodução cinematográfica que se propõe a documentar as obras de Belo Monte por cinco anos. O projeto é comandado pela LC Barreto, a produtora da poderosa família Barreto, a mesma que fez “Lula, O Filho do Brasil”. Tendler, aliás, foi um dos roteiristas do filme sobre a vida do ex-presidente. Entre as repercussões da megaprodução cinematográfica sobre a megaobra do PAC no Twitter, destacou-se uma: “Os Barreto estão para o cinema nacional como os Sarney para a política”.

Ainda na semana passada, o governo federal publicou um pacote de sete portarias ministeriais com o objetivo de “destravar a concessão de licenças ambientais no país para acelerar grandes empreendimentos, como rodovias, portos, exploração de petróleo e gás, hidrelétricas e até linhas de transmissão de energia”. Ou seja: o governo caminha para anular as conquistas socioambientais obtidas na redemocratização do país.

Dias antes, em 26/10, o Senado havia aprovado um projeto de lei que retira o poder do Ibama para multar crimes ambientais, como desmatamentos. Se não for vetado pela presidente, o poder de multar passará para estados e municípios, sujeito às pressões locais já bem conhecidas. A aprovação do projeto aconteceu quatro dias depois de mais um assassinato no Pará: João Chupel Primo, mais conhecido como João da Gaita, foi morto com um tiro na cabeça, depois de denunciar ao Ministério Público Federal, em Altamira, uma rota de desmatamento ilegal na reserva extrativista Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão, área do entorno de Belo Monte. Como de hábito, o Congresso decide os rumos do país desconectado com o que acontece na vida real para além do aquário brasiliense.

No momento histórico em que recursos como água e biodiversidade se consolidam como o grande capital de uma nação, o Brasil, um dos países mais beneficiados pela natureza no planeta, corre em marcha à ré. O cenário que você acabou de ler tem no centro – como obra simbólica e estratégica – Belo Monte, a maior obra do PAC. A seguir, parte de minha conversa de quase três horas com o professor Célio Bermann, em sua sala no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

Por que o senhor, assim como outras pessoas que estudam o setor, afirma que a área energética do país é uma “caixa preta”. Afinal, que caixa preta é essa?

Célio Bermann – A política energética do nosso país é uma caixa preta e é mantida dessa forma por uma série de razões. Primeiro, porque a baixa escolaridade da população brasileira não permite, por exemplo, que o leitor da Época entenda o que é terawatts-hora. Mas seria interessante que a população toda tivesse conhecimento e pudesse, com informação, começar a definir junto com empresas e governo os rumos que são mais adequados. Acho que a academia tem um papel fundamental nesse processo. Eu, particularmente, tento, na área do meu conhecimento, procurar as populações tradicionais, mostrar o que é uma usina hidrelétrica, por que alaga quando você interrompe o fluxo, o que é uma barragem, e como isso vai acabar transformando a vida da comunidade. Acho importante que a academia preste esse tipo de informação, já que governo e empresas não o fazem.

Sim, mas por que o setor energético tem sido uma caixa preta por décadas?

Bermann – A governabilidade foi encontrada através de uma aliança que mantém o círculo de interesses que sempre estiveram no nosso país. É a mesma turma que continua na área energética. E isso é impressionante. A população não participa do processo de decisões. Não existem canais para isso. Ainda no governo FHC, durante a privatização, o governo criou um Conselho Nacional de Política Energética. Nos dois mandatos de FHC participavam os dez ministros, mas havia um assento para um representante da academia e um da chamada sociedade civil. Eles sentavam, discutiam as diretrizes energéticas de uma forma aparentemente saudável, mas, no frigir dos ovos, na prática não mudava nada. De qualquer forma, havia pelo menos esse sentido de escutar. Isso, com Lula, acabou. O resultado do governo “democrático popular” do Lula, nos dois mandatos, e da Dilma, agora, é a negação de escutar outros interesses que não sejam aqueles que sempre estiveram junto ao poder. A própria Dilma, no início do governo Lula, tinha uma dificuldade muito grande de ouvir, de sentar-se com os movimentos sociais e ouvir. Eu tive a oportunidade de vivenciar o primeiro mandato do Lula, lá, em Brasília.

E qual era o seu papel?

Bermann – Era apagar fogo, este era o meu papel …

Mas, oficialmente …

Bermann – O meu papel era tentar amenizar um pouco os conflitos, mas, oficialmente, eu fui trabalhar com a Dilma como assessor ambiental no Ministério de Minas e Energia. A ideia inicial era criar uma Secretaria de Meio Ambiente dentro do ministério. Era a época em que tínhamos a Marina (Silva) falando em transversalidade, então havia um ambiente extremamente propício para aparar arestas e ver se a coisa poderia caminhar de uma forma mais adequada. Achei, então, que a melhor forma de fazer isso não era criar um lugar dos ambientalistas no ministério, mas colocar em todas as secretarias do ministério gente que pensasse o meio ambiente. Mas acabei ficando um ano lá em Brasília. Mesmo assim, foi extremamente interessante, porque me permitiu sair da academia e ter, na prática, a percepção de como as coisas se dão no dia a dia dentro do governo.

E como as coisas se dão no dia a dia dentro do governo?

Bermann – É um horror. É uma lentidão. É um imobilismo. É incrível a capacidade da máquina de governo de fazer de conta que faz sem estar fazendo absolutamente nada. Eu falo isso com todos os pontos nos “is”. No início do governo se buscava um entendimento entre os chamados “ministérios fins” e o meio ambiente. Transportes, por causa da construção de estradas e portos, e Minas e Energia, por causa da atividade mineral, metalúrgica e energética, e as questões ambientais que são intrínsecas a essas atividades. Houve uma boa intenção de levar adiante a possibilidade do estabelecimento de pontos comuns. Fizemos, então, um acordo entre Ministério de Minas e Energia e Ministério do Meio Ambiente em função da definição de “pontos comuns”, de procurar verificar onde poderíamos estabelecer alguns consensos. Era um documento em que se definia uma agenda energética e ambiental comuns aos dois ministérios. Se bem me lembro, o documento foi concluído em setembro de 2003. Mas as duas ministras só foram assinar em 31 de março de 2004.

Por quê?

Bermann – Boa pergunta. Por quê? Boas intenções … mas por quê? Eu realmente não consigo definir exatamente se era uma questão de veleidade … não sei. No final de 2003 a Marina começou a perceber a dificuldade de ela continuar, e o Lula, daquele jeito dele, deixando a coisa acontecer. Naquele momento, o governo poderia ter tido uma agenda comum, um processo extremamente positivo de entender que existem usinas hidrelétricas que não devem ser construídas.

Imagino que não era fácil ser assessor ambiental da Dilma Rousseff …

Bermann – É, foi uma coisa meio … difícil. Como falei, eu tinha uma relação particular com os movimentos sociais e estava mais numa situação de bombeiro. Vou te contar uma coisa, como referência. Eu encontrei a Dilma na posse do (físico) Luiz Pinguelli Rosa, no Rio de Janeiro, como presidente da Eletrobrás. Ela estava extremamente satisfeita, alegre, contente, porque tinha conseguido, politicamente, afastar a turma do (José) Sarney da seara energética. (Luiz Pinguelli Rosa deixaria o cargo em 2004, a pedido de Lula, que precisava colocar alguém ligado ao PMDB e a José Sarney.) Para você ver. Na época, o (José Antonio) Muniz (Lopes) era diretor da Eletronorte … e depois tornou-se presidente da Eletrobrás (de 2008 a 2011).

O José Antonio Muniz Lopes, um homem da cota do Sarney, é um personagem longevo nessa história de Belo Monte … Só para situar os leitores, em 1989, no último ano do governo Sarney, ele era diretor da Eletronorte e foi no rosto dele que a índia caiapó Tuíra encostou seu facão por causa da proposta de Belo Monte (então chamada de Kararaô), naquela foto histórica que correu mundo. O tal do Muniz já estava lá … Depois de deixar a presidência da Eletrobrás, no início deste ano, continuou lá, agora como diretor de Transmissão da Eletrobrás …

Bermann – Pois então. Naquela época, em 2003, era ele o diretor da Eletronorte que a Dilma tinha ficado feliz por ter conseguido afastar. Por isso que eu falo que não é o governo Lula, é o governo Lula/Sarney. E agora Dilma/Sarney. Constituiu-se um amálgama entre os interesses históricos do superfaturamento de obras, sempre falado, nunca evidenciado. Não se trata de construir uma usina para produzir energia elétrica. Uma vez construída, alguém vai precisar produzir energia elétrica, mas não é para isso que Belo Monte está sendo construída. O que está em jogo é a utilização do dinheiro público e especialmente o espaço de cinco, seis anos em que o empreendimento será construído. É neste momento que se fatura. É na construção o momento onde corre o dinheiro. É quando prefeitos, vereadores, governadores são comprados e essa situação é mantida. Estou sendo muito claro ao expor a minha percepção do que é uma usina hidrelétrica como Belo Monte.

No momento em que o senhor encontrou a Dilma, logo na constituição da equipe do primeiro mandato de Lula, o senhor conta que ela estava feliz porque tinha conseguido tirar a turma do Sarney do comando da área energética. O que aconteceu a partir daí?

Bermann – A pergunta é: tirou mesmo?

E qual é a resposta?

Bermann – Naquele momento, manter esse pessoal à distância era estratégico para reconstruir as relações e viabilizar algumas das diretrizes que tinham sido objeto da proposta de governo. O que aconteceu é que a vida dessa situação (de afastamento) foi extremamente curta devido às relações de poder. Eles não gostaram de se sentir afastados. E eu suponho que a percepção do problema da governabilidade no governo Lula foi uma ação desses setores que tinham percebido que estavam longe da teta da vaca e que não podiam continuar assim. Qual era o jeito de fazer? PMDB era oposição. Vamos conversar … E aí se reacomodam as questões. Eu não digo que seja um grupo de ladrões mercenários. Não é isso que está em jogo. Mas essa capilaridade do Sarney permite manter o usufruto do poder. Eu não sou psicólogo para entender o que o senhor Sarney pensa quando vê o Muniz voltar para o governo, ou quando se encontra diante da incapacidade técnica do senador Edison Lobão ao conduzir o Ministério de Minas e Energia no governo Lula e agora no de Dilma. Não há lógica para isso. Vou dizer de novo: não é possível a gente acreditar na capacidade gerencial de um governo que se submete a esse tipo de articulação política, colocando uma pessoa absolutamente incapaz de entender o que é quilowatt, quilowatt-hora. De ir a público sem saber a diferença entre tensão em volts e energia em quilowatts-hora.

O senhor está falando do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão?

Bermann – Edison Lobão.

E Belo Monte ocupa que lugar nesse jogo?

Bermann – É a oportunidade de se fazer dinheiro e de se reconstituir as relações de poder. Essa obra tinha sido sepultada em 1989, por conta da mobilização da população indígena, e voltou à tona no governo Lula, aprovada pelo Congresso (em 2005) com o discurso de que era um novo projeto.

A ameaça de retomar Belo Monte esteve presente também durante o governo Fernando Henrique Cardoso, mas só no governo Lula saiu mesmo do papel, o que ninguém imaginava que acontecesse, devido ao apoio massivo dos movimentos sociais da região à campanha de Lula. O senhor acha que o fato de Belo Monte ter saído do papel tem a ver com a denúncia do Mensalão, em 2005, e a recomposição das forças políticas para a eleição de 2006?

Bermann – Não tenho a mínima ideia. Mas vamos falar em cifras, agora. Em 2006 o projeto foi anunciado com um custo de R$ 4,5 bilhões. Você sabe, as cifras avançaram violentamente. Antes de ir para o leilão, a usina foi avaliada em R$ 19 bilhões. Foi feito o leilão e se definiu um custo fictício de geração de energia elétrica de R$ 78 o megawatt-hora.

Por que fictício?

Bermann – Fictício porque esse custo não remunera o capital investido. É por isso que várias empresas caíram fora do empreendimento, sob o ponto de vista da geração da energia elétrica. Mas as grandes empreiteiras estão presentes, porque não é na venda da energia elétrica, mas sim na obra que se dá uma parte significativa da apropriação da renda. Com o consórcio constituído com 50% entre Eletrobrás e Eletronorte, as empreiteiras voltaram para fazer a obra. A elas interessa a obra – e não ficar vendendo energia elétrica. Essa situação é entendida pelos dirigentes, pelo governo, como normal. Para o governo federal, é uma parceria público-privada que está dando certo. Em que termos? A obra hoje está oficialmente orçada em R$ 26 bilhões. Imagine, de R$ 4,5 bilhões para R$ 26 bilhões …

Em cinco anos, o valor da obra avançou em mais de R$ 20 bilhões?

Bermann – Oficialmente está hoje orçada em R$ 26 bilhões. Mas existem estimativas de que não vai sair por menos de R$ 32 bilhões. Isso sem falar em superfaturamento.

Deste valor, quanto sairá do BNDES, ou seja, do nosso bolso?

Bermann – Oitenta por cento da grana para isso é dinheiro público. O que estamos testemunhando é um esquema de engenharia financeira para satisfazer um jogo de interesses que envolve empreiteiras que vão ganhar muito dinheiro no curto prazo. Um esquema de relações de poder que se estabelece nos níveis local, estadual e nacional – e isso numa obra cujos 11.200 megawatts de potência instalada só vão funcionar quatro meses por ano por causa do funcionamento hidrológico do Xingu. Então, é preciso entender que a discussão sobre a volta da inflação não se dá porque está aumentando o preço da cebola, do tomate, do leite … É por causa da volúpia de tomar recursos públicos que será necessário fabricar dinheiro. O ritmo inflacionário vai se dar na medida em que obras como Belo Monte forem avançando e requerendo que se pague equipamento, que se pague operários, que se pague uma série de coisas e também que se remunere com superfaturamento.

Quem perde a gente já sabe. Agora, quem ganha, além das empreiteiras envolvidas na obra?

Bermann – Há as pessoas que ganham pela obra – fabricantes de equipamentos, empreiteiras. E há quem ganhe não financeiramente, mas politicamente, por permitir que essa articulação seja possível, porque é esse pessoal que vai bancar a campanha para o próximo mandato. É a escolinha ou o posto de saúde que eventualmente aquele vereador, aquele prefeito vai dizer: “É obra minha!”. É isso que está em jogo. É dessa forma que a cultura política se estabelece hoje no nosso país. Isso precisa mudar. Como? É complicado.

O senhor costuma usar a expressão “Síndrome do Blecaute” para se referir ao pânico da população de ficar à luz de velas devido a um apagão energético. Acredita que essa “síndrome” é manipulada pelo governo federal e pelos grandes interesses empresariais para emprestar um caráter de legitimidade a megaobras como Belo Monte?

Bermann – O que eu tenho chamado de “Síndrome do Blecaute” conduz à legitimação de empreendimentos absolutamente inconsistentes. Belo Monte, como foi provado pelo conjunto de cientistas que se debruçaram sobre o tema (painel dos especialistas), é uma obra absolutamente indesejável sob o ponto de vista econômico, financeiro e técnico. Isso sem falar nos aspectos social e ambiental. Mas se dissemina uma ideia do caos e, hoje, há 77 projetos de usinas hidrelétricas somente na Amazônia que utilizam a “Síndrome do Blecaute” para se viabilizarem. O fato de hoje o aquecimento global dominar a mídia e o senso comum, assim como a própria academia, ajuda a mostrar a hidroeletricidade como uma grande maravilha, independentemente do lugar em que a usina vai ser construída e dos impactos que ela vai causar. Mas o que é preciso compreender e questionar? Hoje, seis setores industriais consomem 30% da energia elétrica produzida no país. Dois deles são mais vinculados ao mercado doméstico, que é o cimento e a indústria química. Mas os outros quatro têm uma parte considerável da produção para exportação: aço, alumínio primário, ferroligas e celulose.

As chamadas indústrias eletrointensivas …

Bermann – Isso. Eu não estou defendendo que devemos fechar as indústrias eletrointensivas, que demandam uma enorme quantidade de energia elétrica a um custo ambiental altíssimo. Mas acho absolutamente indesejável que a produção de alumínio dobre nos próximos 10 anos, que a produção de aço triplique nos próximos 10 anos, que a produção de celulose seja multiplicada por três nos próximos 10 anos. E é isso que está sendo previsto oficialmente.

O que poucos parecem perceber e menos ainda questionam, quando essas metas são comemoradas, é a forma como o Brasil está inserido no mercado internacional em pleno século XXI. O quanto o fato de nossa economia estar baseada na exportação de bens primários tem a ver com a necessidade de grandes hidrelétricas?

Bermann – Desde a ditadura militar, passando pela redemocratização, pelos sucessivos governos até FHC, tem sido assim. Nós imaginávamos que, com Lula, essa questão ia ser reorientada. Porque o programa de governo em que eu me envolvi preconizava a necessidade dessa mudança. E o que aconteceu? Se você comparar os dados de 2001 com os dados de 2010, vai constatar que a economia brasileira está se primarizando cada vez mais. Isto é: cada vez mais são produzidos no Brasil bens industriais primários, sem agregação de valor. E são justamente os bens primários que consomem muita energia e geram pouco emprego. Além disso, satisfazem uma demanda marcada pelo consumismo. E o Brasil se mostrou incapaz de dizer: “Não, nós não vamos fazer isso”.

E depois esses produtos retornam para o Brasil, via importação, com valor agregado …

Bermann – É. Eu sempre chamo a atenção para o fato de que, do alumínio primário que o Brasil produz, 70% é exportado. E o alumínio consome muita energia. Para se pegar um barro vermelho, que é a bauxita, e transformá-la em alumínio, é preciso um processo de produção extremamente devastador sob o ponto de vista ambiental. Há um primeiro refino para obter a alumina, que é um pó branco. Esse pó branco tem como consequência ambiental uma borra chamada de “lama vermelha”. Um ano atrás, na Europa, na Hungria, houve uma catástrofe em função do rompimento de uma barragem que continha essa lama vermelha e tóxica. Ela se espalhou pelo Rio Danúbio e foi um horror. E cada vez mais se faz isso no nosso país – e, claro, não se faz mais isso nos países centrais. Isso não está acontecendo agora no Brasil, está acontecendo desde os anos 70.

Houve acentuação desse processo no governo Lula e agora no de Dilma Rousseff?

Bermann – O que acontece a partir de Lula é o que eu tenho chamado de “reprimarização da economia”. Nós já tivemos uma época em que a economia dependia basicamente da produção de bens primários: café, açúcar e também alguns bens industriais primários. Depois, tivemos Getúlio Vargas, Juscelino (Kubitschek), e nos anos 50 houve a substituição das importações com a vinda da indústria pesada. Aquele período marca um processo acelerado de industrialização da economia brasileira em que se buscava um desenvolvimento tecnológico para acompanhar o ritmo internacional. Agora, vivemos a reprimarização da economia. E não é uma questão do governo, simplesmente. O governo poderia tornar essa questão pública, dar condições para que a população compreendesse e debatesse o que está em jogo, e isso pudesse servir como base de apoio para uma tomada de decisão do tipo: “Olha, Alcoa (corporação de origem americana com grande presença no Brasil, é a principal produtora mundial de alumínio primário e alumínio industrializado, assim como a maior mineradora de bauxita e refinadora de alumina), vocês não vão continuar aumentando a produção aqui no Brasil. Procurem um outro lugar. A produção de energia elétrica gera um problema ambiental enorme, um problema social enorme, e nós vamos priorizar a demanda da população”. Mas, infelizmente, isso não é feito.

Mas essa obstinação do governo Lula, e agora do governo Dilma, em fazer Belo Monte, mesmo já tendo um prejuízo de imagem aqui e lá fora, mesmo tendo mais de uma dezena de ações judiciais contra a obra movidas pelo Ministério Público Federal, fora as outras … Essa obstinação se dá apenas por causa do esquema de governabilidade, do esquema político para as eleições a curto e médio prazo, ou é por mais alguma coisa?

Bermann – Isso já não te parece plausível? Ou você acha que tem alguma coisa meio doentia, que precisa ser explicada? (risos)

Doentia, não sei. Mas eu gostaria de compreender melhor por que o senhor e a maioria dos especialistas que estudaram o projeto afirmam que esta obra é ruim também do ponto de vista técnico.

Bermann – Divulgaram que esta será a única usina do Xingu. Inclusive, houve um seminário recente aqui na USP em que tive a oportunidade de discutir com o Mauricio Tolmasquim (presidente da Empresa de Pesquisa Energética, ligada ao Ministério de Minas e Energia). E ele veio com essa ladainha: “Vai ser a única …”. E eu disse a ele: “Com o perdão do poeta, o que você está afirmando, somente de papel passado, com firma em cartório e assinado: Deus”.

O senhor não acredita que será a única usina do Xingu, então?

Bermann – Me diga alguma coisa no nosso país que vigorou como cláusula pétrea. Me fale alguma coisa aqui no nosso país que foi dito de uma forma e se manteve ao longo do tempo. VAI ser necessário construir outras usinas. No atual projeto, esta é uma usina que vai funcionar à plena carga, no máximo, quatro meses por ano, por causa do regime hidrológico. Se ela estiver sozinha, o volume de água para rodar as turbinas dependerá da quantidade de chuva. E aquela região tem a seguinte característica: quando chove, quando tem água, quando desce a água dos tributários para o Xingu é muita água, é um volume enorme de água. Mas isso só acontece durante quatro meses por ano. Só nesse período os 11.200 megawatts vão estar operando. Em outubro, na época da estiagem, será apenas 1.100 megawatts, um décimo. Então, a pergunta é: por que construir uma usina desse porte, se, na média anual, ela vai operar com 4.300 megawatts? Necessariamente vão vir as outras quatro. Eu estou afirmando isso, infelizmente. Tecnicamente, eu tenho absoluta certeza. Porque as usinas rio acima vão segurar a água e aí Belo Monte não vai depender da quantidade de chuva. É o único jeito dessa potência instalada de 11.200 megawatts existir de fato.

O senhor está dizendo que o governo federal está mentindo ao afirmar que será apenas uma usina, para conseguir vencer as resistências ao projeto e aprová-la, e depois fará mais três ou quatro?

Bermann – Estou dizendo que, da forma como esta usina está colocada, é uma aberração técnica tão grande que é totalmente ilógico construí-la.

E essa afirmação, discutida hoje na Justiça, de que os povos indígenas não serão atingidos?

Bermann – A noção que as empresas e o governo federal têm é a noção de população afogada – e não atingida.

Agora, digamos que nós concordássemos que a obstinação de construir Belo Monte, ainda que atropelando a população e talvez a Constituição, se devesse à necessidade de energia elétrica. E digamos que Belo Monte fosse de fato um projeto de engenharia viável e inteligente. As usinas hidrelétricas são as melhores opções para a geração de energia no Brasil de hoje? Quais são as alternativas a elas?

Bermann – Não podemos olhar a questão da produção de energia sem questionar ou considerar o outro lado, que é o consumo de energia. Parece meio prosaico, porque envolve hábitos culturais da população. E a população sempre entendeu que energia elétrica se resume a você apertar o botão e ter eletricidade disponível. E por isso fica em pânico com a “Síndrome do Blecaute”. Mas é preciso pensar além disso. Não estou dizendo para fechar as fábricas de alumínio, de aço e de celulose no Brasil. O que estou dizendo é o seguinte: parem de ampliar a produção. Parem, porque diversos países desenvolvidos já fizeram isso. O Japão fez mais do que isso. O Japão produzia, em 1980, 1,6 milhões de toneladas de alumínio. Nós estamos produzindo quase 1,7 milhões de toneladas hoje. Só que a energia elétrica necessária para produzir alumínio tornou-se da ordem do absurdo. Então o governo japonês, as empresas japonesas produtoras de alumínio e os trabalhadores da indústria do alumínio realizaram um debate que culminou com o fechamento de todas as usinas de produção de alumínio primário no Japão, exceto uma. Isso ainda nos anos 80. Hoje, o Japão produz apenas 30 mil toneladas. De 1,6 milhões para 30 mil toneladas. Diante da necessidade de gerar muita energia para produzir alumínio, o que o Japão fez? O governo e a sociedade japonesa disseram: “Vamos priorizar a eficiência, o maior valor agregado. Nós não precisamos produzir aqui. Tem o Brasil, tem a Venezuela, tem a Jamaica, tem os lugares para onde a gente pode transferir as plantas industriais e continuar a assegurar o suprimento para a nossa necessidade industrial. A gente pega esse alumínio, agrega valor e exporta na forma de chip. Parece uma coisa tão besta, né? Mas foi isso o que os japoneses fizeram. Eles mantiveram o crescimento econômico e reduziram a demanda por energia. Nós estamos caminhando no sentido inverso. Estamos aumentando o consumo de energia a título de crescimento e desenvolvimento, e, numa atitude absolutamente ilógica, porque a gente exporta hoje a tonelada de alumínio a US$ 1.450, US$ 1.500 dólares. E, para se ter uma ideia, hoje falta esquadrias de alumínio no mercado interno, no mercado de construção brasileiro. O preço foi aumentado por indisponibilidade. Hoje, e fizemos um estudo recente sobre isso, é preciso importar esquadrias de alumínio porque a oferta no mercado interno é insuficiente. E, enquanto o Brasil exporta o alumínio por US$ 1.450, US$ 1.500, o preço da tonelada de esquadria importada é o dobro: cerca de US$ 3 mil a tonelada.

Para o senhor, a questão de fundo é outra …

Bermann – Nós temos pouca capacidade de produzir alumínio com valor agregado. Então, não estou dizendo para fechar essas fábricas, botar os trabalhadores na rua, mas dizendo para parar de produzir alumínio primário, que exige uma enorme quantidade de energia, e investir no processo de melhoria da matéria-prima para satisfazer inclusive a demanda interna hoje insatisfeita. Agora, vai perguntar isso para a ABAL (Associação Brasileira de Alumínio). Veja se eles estão pensando dessa forma. Billiton, Alcoa, mesmo o sempre venerado Antônio Ermírio de Moraes, com a Companhia Brasileira de Alumínio. A perspectiva desse pessoal é a cega subordinação ao que define hoje o mercado internacional, o mercado financeiro. E é assim que o nosso país fica desesperado com a ideia de que vai faltar energia.

Além de ser um modelo de desenvolvimento que prioriza a exportação de bens primários, sem valor agregado, é também um modelo de desenvolvimento que ignora o esgotamento de recursos. Enquanto tem, explora e lucra. Alguns poucos ganham. O custo socioambiental, agora e no futuro, será dividido por todos …

Bermann – Isso. Os recursos naturais são limitados. Por isso, no meu ponto de vista, a discussão do aquecimento global obscurece o entendimento da hidroeletricidade em particular. Ficamos às cegas. Para transformar o barro da bauxita naquele pó branco do alumínio, que depois é fundido através de uma corrente elétrica, é uma quantidade de energia enorme, absurda. Essa possibilidade você não vai conseguir com energia solar, com energia eólica. São processos produtivos que exigem a manutenção do suprimento de energia elétrica 24 por 24 horas. A solar não consegue fazer isso na escala necessária. Uma tonelada de alumínio consome 15 a 16 mil kilowatts-hora. Para se ter uma ideia, na média, o consumidor brasileiro consome, por domicílio, 180 kilowatts-hora por mês, o que é baixo. Nós ainda estamos vivendo uma situação muito próxima da miserabilidade em termos energéticos para a população. Nós temos uma demanda a ser satisfeita com equipamentos eletrodomésticos. Satisfeita não construindo grandes usinas hidrelétricas para as empresas eletrointensivas, mas para conseguirmos equilibrar a qualidade de vida, que se deve fundamentalmente a uma herança histórica: a de sermos um dos países com a pior distribuição de renda do mundo.

Uma das piores distribuições de renda e uma das piores distribuições de eletricidade do mundo …

Bermann – Eu chamo o programa de universalização de “Luz para quase todos”. Não é para todos, é para quase todos. Desde que estejam próximos da rede para extensão, tudo bem. Mas, para o sujeito distante, só agora é que se começa a pensar em sistemas de produção descentralizada. A percepção ainda é, infelizmente, de pegar e estender a rede. Mas o custo de extensão da rede é muito alto. Principalmente, se você pegar e atravessar 15 quilômetros para atender duas, três casas. O lógico seria a adoção de energia descentralizada em escala menor, que seja mais bem controlada pela população. Mas isso não passa pela cabeça porque define inclusive uma outra relação social. Eu também chamo esse programa de “Conta de luz para todos”, porque de repente você fica refém de uma companhia e necessariamente paga conta de luz, quando você poderia criar uma situação de autonomia energética.

O senhor poderia explicar melhor quais são as alternativas para a população, já que todos nós crescemos dentro de uma lógica em que recebemos a conta da luz e pagamos a conta da luz; apertamos um botão na parede e a luz se faz. A realidade está exigindo que sejamos mais criativos e tenhamos mais largura de raciocínio. Quais são as alternativas para o cidadão comum, especialmente o de regiões mais afastadas?

Bermann – Depende muito do acesso à tecnologia existente no local ou na região. Hoje, por exemplo, temos no Rio Grande do Sul uma experiência de queimar casca de arroz para gerar energia. O calor da queima da casca de arroz aquece a água, a água se transforma em vapor e esse vapor é injetado num tubo e gira uma turbina produzindo energia elétrica. Não tem nada de fantástico nisso, esse processo é conhecido há muito tempo, mas, puxa vida, eu estou tão acostumado a simplesmente acender e apagar o botão … Vou ficar agora me preocupando se tem combustível? Existe um lado meio trágico da população em geral que é o comodismo: deixa que resolvam por mim. Então, quando você me pergunta sobre alternativas, depende do que a gente está falando. Existem alternativas promissoras deixando de produzir mais mercadorias eletrointensivas. Como também é promissor ter esquemas de financiamento para que o pequeno empresário adquira um painel fotovoltaico (placa que transforma luz solar em energia elétrica) ou uma usina de geração eólica (transformação de vento em energia elétrica). E use essa tecnologia que está disponível para satisfazer as suas necessidades, sem necessariamente ficar ligado a uma grande linha de transmissão, de distribuição, puxando energia não sei de onde.

O que o senhor diria para a parcela da população brasileira que faz afirmações como estas: “Ah, se não construir Belo Monte não vai ter luz na minha casa”, ou “Ah, esses ecochatos que criticam Belo Monte usam Ipad e embarcam em um avião para ir até o Xingu ou para a Europa fazer barulho”. O que se diz para essas pessoas para que possam começar a compreender que a questão é um pouco mais complexa do que parece à primeira vista?

Bermann – Não é verdade que nós estamos à beira de um colapso energético. Não é verdade que nós estamos na iminência de um “apagão”. Nós temos energia suficiente. O que precisamos é priorizar a melhoria da qualidade de vida da população aumentando a disponibilidade de energia para a população. E isso se pode fazer com alternativas locais, mais próximas, não centralizadas, com a alteração dos hábitos de consumo. É importante perder essa referência que hoje nos marca de que esse tipo de obra é extremamente necessário porque vai trazer o progresso e o desenvolvimento do país. Isso é uma falácia. É claro que, se continuar desse jeito, se a previsão de aumento da produção das eletrointensivas se concretizar, vai faltar energia elétrica. Mas, cidadãos, se informem, procurem pressionar para que se abram canais de participação e de processo decisório para definir que país nós queremos. E há os que dizem: “Ah, mas ele está querendo viver à luz de velas …”. Não, eu estou dizendo que a gente pode reduzir o nosso consumo racionalizando a energia que a gente consome; a gente pode reduzir os hábitos de consumo de energia elétrica, proporcionando que mais gente seja atendida, sem construir uma grande, uma enorme usina que vai trazer enormes problemas sociais, econômicos e ambientais. É importante a percepção de que, cada vez que você liga um aparelho elétrico, a televisão, o computador, ou a luz da sua casa, você tenha como referência o fato de que a luz que está chegando ali é resultado de um processo penoso de expulsão de pessoas, do afastamento de uma população da sua base material de vida. E isso é absolutamente condenável, principalmente se forem indígenas e populações tradicionais. Mas também diz respeito à nossa própria vida. É necessário ter uma percepção crítica do nosso modo de vida, que não vai se modificar amanhã, mas ela precisa já estar na cabeça das pessoas, porque não é só energia, é uma série de recursos naturais que a gente simplesmente não considera que estão sendo exauridos e comprometidos. É necessário que desde a escola as crianças tenham essa discussão, incorporem essa discussão ao seu cotidiano. Eu também tenho uma dificuldade muito grande de chegar aqui na minha sala e não ligar logo o computador para ver emails, essas coisas. Confesso que tenho. Mas eu também percebo uma grande satisfação quando eu consigo não fazer isso. E essa percepção da satisfação é uma coisa cultural, pessoal, subjetiva. Mas ela precisa ser percebida pelas pessoas. De que o nosso mundo não existe apenas para nos beneficiarmos com essas “comodidades” que a energia elétrica em particular nos fornece. Agora isso exige um esforço, e a gente vive num mundo em que esse esforço de perceber a vida de outra forma não é incentivado. Por isso é difícil. E por isso, para quem quer construir uma usina, quer se dar bem, quer ganhar voto, quer manter a situação de privilégio, seja local ou nacional, para essas pessoas é muito fácil o convencimento que é praticado com relação a essas obras. Por mais que eu tenha sempre chamado a atenção para o caráter absolutamente ilógico da usina, das questões que envolvem a lógica econômico e financeira dessa hidrelétrica, para o absurdo que é a utilização do dinheiro público para isso, para a referência à necessidade de se precisar, num futuro próximo, enfrentar um ritmo violento de custo de vida, emitindo moeda para sustentar empreendimentos como esse, é muito difícil fazer com que as pessoas compreendam a relação dessa situação com as grandes obras. E Belo Monte é mais um instrumento disso. Eu não sou catastrofista, não tenho a percepção maléfica da hidroeletricidade. Não demonizo a hidroeletricidade. Eu apenas constato que, da forma como ela é concebida, particularmente no nosso país nos últimos anos, é uma das bases da injustiça social e da degradação ambiental. Se não é pensando em você, você necessariamente vai precisar pensar nas gerações futuras. Este é o recado para o leitor: é preciso repensar a relação com a energia e o modelo de desenvolvimento, é preciso mudar o nosso perfil industrial e também é preciso mudar a cultura das pessoas com relação aos hábitos de consumo. Nós precisamos mudar a relação que nos leva a uma cega exaustão de recursos.

O senhor acha que a Dilma tem essa obstinação com Belo Monte, em parte, por teimosia?

Bermann – Ela é muito cabeça dura.

Às vezes eu acho que as questões subjetivas têm um peso maior do que a gente costuma dar. Não sei …

Bermann – É, mas eu também não sei, não tenho nenhuma proximidade maior com o que ela está pensando agora. O que eu sei é que, no dia a dia, lá no ministério, ela demonstrava uma capacidade muito reduzida de ouvir. Ela pode até ouvir, mas as coisas na cabeça dela já estão postas.

Por que o senhor saiu do governo em 2004?

Bermann – Porque venceu o contrato, e eu achei que não valia a pena continuar. Há conhecidos meus que foram na mesma época que eu e estão até hoje em Brasília. Não estão mais no ministério, mas estão em Brasília. Acho que Brasília é uma cidade com um vírus letal, que é a “Brasilite”. A “Brasilite” se compõe de um verme que entra no umbigo e toma a barriga da pessoa de forma a ela achar que é o centro do universo. A partir daí, mudam as relações pessoais, o que a pessoa era e o que ela passa a ser. Eu mesmo perdi muitos amigos que começaram a empinar o queixo. Fazer o quê? E isso faz parte do “modus vivendi” brasiliense. Basta você ter um terno e uma gravata que você é doutor. Eu acho que a gente não vai muito longe alimentando isso.

O senhor participou da elaboração do programa de Lula na campanha de 2002 e participou do primeiro ano de governo. Está desiludido?

Bermann – Eu não aceito quando me definem como: “Ah, você também é daqueles que estão desiludidos, estão chateados …”. Tem essa conotação, né? Em absoluto. Eu não estou desiludido, chateado, bronqueado. Eu estou indignado!

Quando o senhor se desfiliou do PT?

Bermann – Ah, quando o bigode do Sarney estava aparecendo muito nas fotos.

Fonte – Eliane Brum, Revista Época de 31 de outubro de 2011

Vídeo – O veneno está na mesa

 

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O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira

Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.

Em “O veneno está na mesa”, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.

Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?

Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.

Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?

Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.

Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande …

É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.

A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?

Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.

Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?

Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.

No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?

É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.

Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?

Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.

E expectativa é boa então?

Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.

Fonte – Aline Scarso, Brasil de fato de 01 de agosto de 2011

Junho registra desmatamento com crescimento de 17% na Amazônia, afirma Inpe

A floresta Amazônica perdeu 312,6 km² em junho de 2011, o que representa 17% de desmate, maior que o registrado em maio deste ano. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta terça-feira, 2 de agosto. Houve um aumento de 28% no ritmo da derrubada, em relação a junho de 2010, quando o desmatamento atingiu 243,7 km².

De acordo com os dados, o Pará apresentou 119,6 km² de novas áreas derrubadas, região que liderou o desmate. Em seguida está o estado do Mato Grosso (81,5 km²) e Rondônia (64 km²). As derrubadas atingiram 41,6 km² de florestas no Amazonas, 5 km² no Maranhão e 0,5 km² em Tocantins. A cobertura de nuvens impediu a visualização de 21% da Amazônia Legal, assegurou o Inpe à Agência Brasil.

Os números são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para orientar a fiscalização ambiental. Além do corte raso (desmatamento total), o sistema também registra a degradação progressiva da floresta.

Calendário oficial do desmatamento

O calendário oficial do desmatamento, que vai de agosto de um ano a julho do outro, este ano apresenta tendências de aumento na taxa anual, segundo o Deter.

Entre agosto de 2010 e junho de 2011, a derrubada acumulada foi de 2.429,5 km², frente a 1.810,8 km² registrados no período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010), com aumento de 34%.

Apesar da tendência, a taxa anual é calculada por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), e só deve ser divulgada em novembro.

Fonte – EcoD / Envolverde de 03 de agosto de 2011

Imaginem se o novo código florestal for aprovado? Com a atual lei eles já estão destruindo todas as nossas florestas, se fizerem as mudanças no código, podemos dar adeus às florestas brasileiras.

Código florestal – Pesquisa indica que 80% rejeitam corte de proteção a matas

Enquete Datafolha encomendada por ambientalistas mostra que 62% acompanharam votação de lei florestal

Grupo de 1.300 pessoas também se diz contra isenção de multas para desmates; Sudeste tem predomínio na amostra

Uma pesquisa encomendada pelas principais organizações ambientalistas do país diz que cerca de 80% da população não aprova as mudanças no Código Florestal.

A nova versão dessa lei, que determina as áreas de mata que devem ser preservadas em propriedades rurais, foi aprovada no mês passado pela Câmara e agora aguarda votação no Senado.

Entre as mudanças no código estão, por exemplo, a isenção de reserva legal (proporção de uma fazenda que não pode ser desmatada) para pequenas propriedades, de até 400 hectares. Também são liberadas para uso agrícola as chamadas APPs (Áreas de Preservação Permanente) consolidadas.

As APPs, como várzeas de rios e topos de morros, são ambientalmente frágeis e importantes, por exemplo, para a produção de água e proteção contra erosão.

Mas muitas são ocupadas há décadas por lavouras (daí o termo “consolidadas”), motivando a reivindicação para que seu uso seja liberado.

A pesquisa Datafolha encomendada por ONGs como SOS Mata Atlântica e Amigos da Terra mostra, primeiro, que 62% dos quase 1.300 entrevistados “tomou conhecimento” da votação na Câmara dos Deputados.

Depois, todos os entrevistados, mesmo os que não acompanharam a votação, tinham de dizer o que achavam melhor: priorizar a proteção de florestas e rios, ainda que isso penalizasse a agricultura, ou priorizar a produção agrícola, ainda que com efeitos ambientais negativos. A primeira opção foi escolhida por 85% deles.

A maioria (77%) também se diz contra a isenção da obrigação de repor florestas desmatadas ilegalmente. Não houve diferenças significativas nas respostas dadas por entrevistados da zona rural e de áreas urbanas.

A pesquisa foi feita por telefone entre os dias 3 e 7 deste mês. O questionário era aplicado durante dez minutos. A margem de erro era de três pontos percentuais.

Na amostragem, houve predomínio de indivíduos do Sudeste (59% dos ouvidos, enquanto na população real os moradores da região correspondem a pouco mais de 40% dos brasileiros). A menor proporção foi de pessoas das regiões Norte e Centro-Oeste: 10% somando ambas.

Fonte – Reinaldo José Lopes, Jornal Folha de São Paulo de 11 de junho de 2011

Atenção ruralistas, a terrra não lhes pertence, apenas foi emprestada a vocês pelos futuros moradores do planeta, os seres do amanhã. Isso não lhes dá o direito de destruir a terra em nome do lucro, Vocês estão praticando um crime contra a humanidade, vocês estão destruindo o futuro do planeta.

A população do Brasil diz não à destruição do atual Código Florestal!

Uso inadequado do solo pode aumentar liberação de carbono na Amazônia

O IBGE pesquisou as áreas que concentram os maiores estoques de carbono, conhecimento fundamental para garantir uma maior preservação

O valor médio de estoque de carbono – que representa o acúmulo de matéria orgânica – contido no solo da Amazônia Legal é 95,7 toneladas por hectare. A sua distribuição, no entanto, é bastante desigual e em algumas áreas esse valor chega a duplicar, como no norte do estado do Amazonas e no centro-sul de Roraima, além do litoral do Pará e do Maranhão, que também apresentam elevados estoques.

A constatação é do estudo Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal, divulgado hoje (1º), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, que traz informações sobre a vegetação, o relevo, o solo e os recursos minerais da região, foi feito com base no Banco de Dados e Informações Ambientais do IBGE, atualizado em 2002.

De acordo com a geógrafa do instituto Rosângela Botelho, conhecer as áreas que concentram os maiores estoques de carbono é fundamental para garantir uma maior preservação. Segundo ela, atividades predatórias ou a simples utilização do solo sem o manejo adequado nesses locais pode provocar uma liberação maior, na atmosfera, do carbono armazenado, contribuindo de forma mais intensa para o processo de mudanças climáticas.

“A manutenção desses estoques propicia o equilíbrio do clima. Se houver desmatamento ou um uso predatório daquela região, todo esse carbono, que estava armazenado no solo, vai para a atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Até a simples atividade de remexer o solo com arado é capaz de quebrar as moléculas e gerar emissão de carbono”, explicou.

Segundo ela, o solo rico em carbono é também bastante fértil. A geógrafa do IBGE defende que nessas áreas o ideal é a prática de agricultura orgânica, sem a utilização de defensivos agrícolas e garantindo o menor nível de agressão ao ambiente.

Rosângela Botelho destacou, ainda, que as maiores concentrações de carbono no solo foram encontradas em áreas de manguezal ou de campinarana, que é um tipo de vegetação decorrente da falta de nutrientes minerais.

“Essa foi uma grande surpresa, porque geralmente se pensava que o solo embaixo da floresta densa e verde era mais rico em carbono e isso não é verdade”, acrescentou. Ela explicou que, embora esses solos apresentem textura arenosa, o que não favorece a retenção de matéria orgânica, a posição topográfica em áreas de depressão, com lençol freático próximo à superfície e alagadas durante todo o período chuvoso, contribui para o armazenamento do carbono.

Fonte – Revista Exame de 01 de junho de 2011

Imagem – bratprat

Amazônia concentra 45% da água subterrânea potável

As maiores áreas de aquíferos porosos na Amazônia Legal estão no Amazonas, em Mato Grosso e no Pará

Cerca de 45% de toda a água subterrânea potável do País está concentrada na Amazônia Legal, indica o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As maiores áreas de aquíferos porosos estão no Amazonas, em Mato Grosso e no Pará. De todo o território da região, 12% está sujeito a inundações, inclusive áreas urbanas como Parintins, aponta o capítulo do estudo sobre relevo.

O IBGE cita os campos de petróleo e gás de Urucu, no Amazonas, ao destacar o potencial para exploração de combustíveis fósseis do subsolo da região, formado predominantemente por rochas sedimentares. Segundo a publicação, há boas perspectivas de acumulação dessas substâncias nas rochas sedimentares das bacias costeiras do Maranhão, do Pará e do Amapá, além de reservas de gás natural no município de Capinzal do Norte (MA).

A Amazônia Legal ocupa 5.016.136,3 km2, que correspondem a 59% do território nacional. Nela vivem em torno de 24 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010, distribuídas em 775 municípios, nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins (98% da área do Estado), Maranhão (79%) e Goiás (0,8%).

Além de conter 20% do bioma Cerrado, a região abriga todo o bioma Amazônia, o mais extenso dos biomas brasileiros, que corresponde a 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta, detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético e 1/5 da disponibilidade mundial de água potável, informa o IBGE. O objetivo do instituto é concluir mapeamento semelhante ao da Amazônia Legal para todo o País até 2014.

Fonte – Revista Exame de 01 de junho de 2011

Quando as árvores forem derrubadas pelos ruralistas, a água desaparecerá junto com elas. O planeta pertence a todos os humanos de hoje e do futuro e não aos ruralistas. Diga não à degradação do código florestal!

Na Amazônia Legal, 2,6 bilhões de árvores foram derrubadas

O número representa o desmate de uma área de 600 mil quilômetros quadrados até 2002

Cerca de 15% do total da vegetação original da Amazônia Legal foram desmatados, o que equivale à retirada de aproximadamente 2,6 bilhões de árvores e ao desmate de uma área de 600 mil quilômetros quadrados até 2002. Esse cenário corresponde à destruição de 4,7 bilhões de metros cúbicos de madeira de uma área que, originalmente, representava 4 milhões de quilômetros quadrados cobertos por florestas.

Os dados fazem parte da pesquisa Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal, divulgada hoje (1º), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento – que traz informações sobre a vegetação, o relevo, o solo e os recursos minerais da região – foi feito com base no Banco de Dados e Informações Ambientais do IBGE, atualizado em 2002.

De acordo com o engenheiro florestal André Almeida, técnico da Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do Instituto, os números revelam que o modelo de ocupação e desenvolvimento praticado na Amazônia é extremamente predatório, com subutilização de terras e grande comprometimento da biodiversidade.

“Do total da área desmatada, só 15% foram convertidos para a agricultura. Metade dessas terras voltou para a pecuária e 30% voltaram a virar floresta, ou seja, alguém desmatou, tirou a madeira e demais recursos naturais e não usou para mais nada, ficou abandonada virando uma nova floresta, porém degradada”, afirmou.

O estudo aponta ainda que o desmatamento foi responsável pela eliminação de aproximadamente 23 bilhões de toneladas de biomassa (matéria orgânica de origem vegetal) e 6,6 bilhões de toneladas de carbono que estavam armazenados na vegetação. Esses volumes correspondem à 12,7% dos estoques originais.

Segundo o técnico do IBGE, essas emissões contribuem negativamente para o processo de aquecimento global e geram prejuízos locais.

“É uma parcela significativa de emissão de carbono. Mas, além disso, há questões locais, porque quando se promove o desmatamento, há perda de espécies e de material genético que poderiam ser usados pela indústria para fabricação de remédios e de outras tecnologias. Existe ainda a perda de proteção do solo que fomenta processos erosivos e traz prejuízos aos recursos hídricos rios”, enfatizou.

Ainda conforme mostra o levantamento, os estados do Maranhão, de Goiás, do Tocantins, de Mato Grosso e de Rondônia tinham mais de 20% da vegetação alterada pelo homem. Já o Amazonas apresentou o menor grau de antropismo: apenas 1,5% de sua vegetação foi modificada com a atuação humana.

A Amazônia Legal ocupa 5.016.136,3 quilômetros quadrados, que correspondem a cerca de 59% do território brasileiro. Nela, vivem em torno de 24 milhões de pessoas, distribuídas em 775 municípios nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, de Mato Grosso, do Pará, de Rondônia, Roraima, do Tocantins, Maranhão e de Goiás.

Fonte e imagem – Revista Exame de 01 de junho de 2011

E os ruralistas ainda querem desmatar mais? Para que? Parecem gafanhotos, que chegam, destroem tudo e migram para outro local para destruir tudo novamente.

Os ruralistas não querem terra para plantar e criar gado para sempre, pois dá trabalho e custa dinheiro cuidar da terra para que ela não se degrade, é mais fácil partir para outro local e começar a destruição novamente.

Ruralistas não tem comprometimento com o planeta e com a humanidade, querem somente dinheiro a qualquer preço, não importando a destruição que causem, os recursos naturais que destroem, não estão interessados nos reflexos que o desmatamento que estão causando hoje terá nas gerações futuras, os alimentos e os remédios que estão no banco da floresta para eles não representa nada, somente o hoje lhes interessa. É isso que queremos para o planeta?

Esses genocidas estão roubando o futuro dos nossos descendentes. A terra que estão destruindo não lhes pertence, pertence à coletividade. Diga não à destruição do código florestal!

Código Florestal – Aprovada a destruição. Que fazer?

Vivemos um eterno retorno quando se trata da proteção aos latifundiários e grandes empresas internacionais. No Brasil contemporâneo, pós-ditadura, nunca houve um governo sequer que buscasse, de verdade, uma outra práxis no campo. Todos os dias, nas correntes ideológicas do poder, disseminadas pela mídia comercial – capaz de atingir quase todo o país via televisão – podemos ver, fragmentadas, as notícias sobre a feroz e desigual queda de braço entre os destruidores capitalistas e as gentes que querem garantir vida boa e plena aos que hoje estão oprimidos e explorados.

Nestes dias de debate sobre o novo Código Florestal, então, foi um festival. As bocas alugadas falavam da votação e dos que são contra o código como se fossem pessoas completamente desequilibradas, que buscam impedir o progresso e o desenvolvimento do país. Não contentes com todo o apoio que recebem da usina ideológica midiática, os latifundiários e os capatazes das grandes transnacionais que já dominam boa parte das terras brasileiras, ainda se dão ao luxo de usar velhos expedientes, como o frio assassinato, para fazer valer aquilo que consideram como seu direito: destruir tudo para auferir lucros privados.

Assim, nos exatos dias de votação do novo código, jagunços fuzilam Zé Claudio, conhecido defensor da floresta amazônica. Matam ele e a mulher, porque os dois incomodavam demais com esse papo verde de preservar as árvores. Discursos tolo, dizem, de quem emperra a distribuição da riqueza, deles próprios, é claro. E o assassinato acontece, sem pejo, no mesmo dia em que os deputados discutem como fazer valer – para eles – os seus 30 dinheiros sujos de sangue.

Imagens diferentes, mas igualmente desoladoras. De um lado, a floresta devastada e as vidas ceifadas à bala, do outro a tal da “casa do povo”, repleta de gente que representa, no mais das vezes, os interesses escusos de quem lhes enche o bolso. Pátria? País? Desenvolvimento? Progresso? Bobagem! A máxima que impera é do conhecido personagem de Chico Anísio, o deputado Justo Veríssimo: eu quero é me arrumar!

No projeto construído pelo agronegócio só o que se contempla é o lucro dos donos das terras, dos grileiros, dos latifundiários. Menos mata preservada, legalização da destruição, perdão de todas as dívidas e multas dos grandes fazendeiros. Assim é bom falar de progresso. Progresso de quem, cara pálida? Ao mesmo tempo, os “empresários” do campo, incapazes de mostrar a cara, lotam as galerias com a massa de manobra. Pequenos produtores que acreditam estar defendendo o seu progresso. De que lhes valerá alguns metros a mais de terra na beira de um rio se na primeira grande chuva, o rio, sem a proteção da mata ciliar, transborda e destrói tudo? Que lógica tacanha é essa que impede de ver que o homem não está descolado da natureza, que o homem é natureza.

Que tamanha descarga de ideologia os graúdos conseguem produzir que leva os pequenos produtores a pensar que é possível dominar a natureza, como se ao fazer isso não estivessem colocando grilhões em si mesmo? Desde há muito tempo – e gente como Chico Mendes, irmã Doroty e Zé Claudio já sabia – que o ser humano só consegue seguir em frente nesta terra se fizer pactos com as outras forças da natureza. E que nestes pactos há que se respeitar o que estas forças precisam sob pena de ele mesmo (o humano) sucumbir.

O novo código florestal foi negociado dentro das formas mais rasteiras da política. Por ali, na grande casa de Brasília, muito pouca gente estava interessada em meio ambiente, floresta, árvore, rio, pátria, desenvolvimento. O negócio era conseguir cargo, verba, poder. Que se danem no inferno pessoas como Zé Cláudio, que ficam por aí a atrapalhar as negociatas. Para os que ali estavam no plenário da Câmara gente como o Zé e sua esposa Maria não existem. São absolutamente invisíveis e desnecessárias. Haverão de descobrir seus assassinos, talvez prendê-los por algum tempo, mas, nas internas comemorarão: menos um, menos um.

Assim, por 410 x 63, venceram os destruidores. Poderão desmatar a vontade num tempo em que o planeta inteiro clama por cuidado. Furacões, tsunamis, alagamentos, mortes. Quem se importa? Eles estarão protegidos nas mansões. Não moram em beiras de rio. Dos 16 deputados federais de Santa Catarina apenas Pedro Uczai votou não. Até a deputada Luci Choinacki, de origem camponesa votou sim, contrariando tudo o que sempre defendeu.

Então, na mesma hora em que a floresta chorava por dois de seus filhos abatidos a tiros, os deputados celebravam aos gritos uma “vitória” sobre o governo e sobre os ecologistas. Daqui a alguns dias se verá o tipo de vitória que foi. Mas, estes, não se importarão. Não até que lhes toque uma desgraça qualquer.

O cacique Seatlle, da etnia Suquamish, já compreendera, em 1855, o quanto o capitalismo nascente era incapaz de viver sem matar: “Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende”.

Zé Claudio e Maria eram assim, vistos como “selvagens que nada compreendem”. Mas, bem cedo se verá que não. Eles eram os profetas. Os que conseguiam ver para além da ganância. Os que conseguiam estabelecer uma relação amorosa com a terra e com as forças da natureza. Eles caíram à bala. E os deputados vende-pátria, quando cairão?

Já os que gritam e clamam por justiça, não precisam esmorecer. Perdeu-se uma batalha. A luta vai continuar. Pois, se sabe: quem luta também faz a lei. Mas a luta não pode ser apenas o grito impotente. Tem de haver ação, organização, informação, rebelião. Não só na proteção do verde, mas na destruição definitiva deste sistema capitalista dependente, que superexplora o trabalho e a terra. É chegada a hora de uma nova forma de organizar a vida. Mas ela só virá se as gentes voltarem a trabalhar em cada vereda deste país, denunciando o que nos mata e anunciando a boa nova.

Fonte – Elaine Tavares, Ecodebate de 26 de maio de 2011

Ambientalistas do Pará foram mortos em ‘tocaia’, diz delegado

Casal seguia de moto por estrada quando foi alvejado por atiradores. Segundo família, vítimas eram ameaçadas por denunciar desmatamento.

O delegado Marcos Augusto Cruz afirmou ao G1 que o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi morto em uma “tocaia” em uma estrada na Zona Rural de Nova Ipixuna (PA), na manhã desta terça-feira (24).

“Eles foram mortos a tiros na estrada que dá acesso ao assentamento onde residiam. As vítimas seguiam em uma motocicleta e, em determinado ponto, quando tiveram de reduzir a velocidade para passar em uma ponte, foram interceptados e atingidos pelos atiradores. Os autores do crime já estavam de tocaia. Eles esperavam as vítimas ali para cometer o homicídio”, afirmou o delegado.

Segundo o delegado, a polícia trabalha com a hipótese de que duas pessoas teriam atirado nas vítimas, mas o número ainda não foi confirmado. Os atiradores também estariam em uma motocicleta.

“Com certeza, foi um crime por encomenda, a mando de alguém. As características são típicas de uma execução”, disse Cruz.

O delegado afirma que, por enquanto, não há suspeitos, mas a polícia já começou a reunir informações para encontrar aos criminosos. Parentes das vítimas e possíveis testemunhas do crime serão convocadas para prestar depoimento.

“Eram pessoas que estavam inseridas em um contexto de lutas sociais. Eles eram ambientalistas, viviam em um assentamento e têm uma história de conflitos de interesses com madeireiros e fazendeiros da região”, disse.

Os corpos serão encaminhados para perícia no Instituto Médico Legal (IML) de Marabá (PA).

Inimigos

Claudelice Silva dos Santos, irmã do ambientalista, afirmou ao G1 que o casal possuía inimigos. As vítimas teriam registrado queixas, na delegacia de Marabá, pelas ameaças constantes que sofriam.

“Nós somos ambientalistas e envolvidos com o movimento social. Muitos fazendeiros e madeireiros tinham interesse em que meu irmão e a mulher não atrapalhassem mais. Eles faziam denúncias de desmatamento, grilagem de terras e sempre foram ameaçados, mas nunca imaginamos que essas ameaças seriam consolidadas”, afirma.

De acordo com Claudelice, a residência do casal já havia sido invadida e revirada inúmeras vezes. O casal já teria sofrido outros atentados anteriormente.

“Muita gente tinha interesse na morte dele, porque realmente fazíamos as denúncias de crimes contra o meio ambiente. Temos certeza de que foi um crime que teve mandantes. É do interesse da família que se faça Justiça, não vamos deixar que isso fique impune como tantos outros aqui.”

Repercussão

A presidente Dilma Rousseff determinou que a Polícia Federal investigue o assassinato. Segundo o Planalto, Dilma ficou sabendo do assassinato pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que tomasse providências necessárias junto à Polícia Federal.

Fonte – G1 de 24 de maio de 2011

Essas mortes tem algo relacionado com o novo código florestal e os ruralistas? Não … imagine … lenda urbana. É claro que sim, os ruralistas querem destruir toda a floresta, destruir toda a água, pois eles querem criar gado e plantar em 100% do território nacional, se pudessem, plantariam e criariam gado até em cima da água, só não o fazem porque a correnteza leva. Eles fingem que não sabem a importância da floresta, a importância da água, inclusive para irrigar suas plantações e dar de beber ao seu gado. Para esses ruralistas, só importa o verde, mas o verde dos dólares, não pensam nem em seus próprios descendentes, que necessitarão da terra fértil, da água limpa, da biodiversidade para viverem no futuro.

E assim, mais dois ambientalistas, filhos da mãe terra, que sabem a importância da preservação, foram silenciados.

Two Environmentalists Executed in the Brazilian Amazon

According to reports from Brazilian media, two environmentalists known for their outspoken opposition to deforestation in the Amazon have been killed in a manner investigators are describing as an execution. José Cláudio Ribeiro da Silva and Maria do Espírito Santo, his wife, were found shot to death near their settlement in the Brazilian state of Para, where they offered firsthand accounts of illegal logging. Just six months earlier Ribeiro da Silva foreshadowed his own demise: “I could be here today talking to you and in one month you will get the news that I disappeared. I will protect the forest at all costs.”

Police delegate Marcos Augusto Cruz says that the two Amazon activists were heading back towards their camp early this morning when they were shot and killed by snipers. “The perpetrators were already lying in wait. They waited there victims to commit murder,” Cruz said in an interview with G1 Globo.

“Absolutely, it was a crime to order, at the behest of someone. The characteristics are typical of an execution,” added Cruz.

According to police, no suspects have yet been named in the murders, though in a speech made recently at a TEDx conference, José Cláudio Ribeiro da Silva spoke about the numerous threats he faces for rising in defense of the Amazon rainforest:

I could be here today talking to you and in one month you will get the news that I disappeared. I will protect the forest at all costs. That is why I could get a bullet in my head at any moment … because I denounce the loggers and charcoal producers, and that is why they think I cannot exist.

[People] ask me, ‘are you afraid?’ Yes, I’m a human being, of course I am afraid. But my fear does not silence me. As long as I have the strength to walk I will denounce all of those who damage the forest.

Both forest activists had been active in reporting deforestation in the Amazon since 1997, though in recent years they’d come under threat from unknown assailants. According to a family member of the murdered environmentalists, Claudelice Silva dos Santos, the couple’s house had been ransacked previously, and guns had been fired near their residence on prior occasions.

“Many people had an interest in his death,” says Claudelice.

Brazilian President Dilma Rousseff has issued ordered a full investigation into the murders.

Fonte – Treehugger de 23 de maio de 2011

O governo irá investigar? Verdade? Vocês acreditam nisso? Se prenderem alguém, será algum bode expiatório, porque os mandantes, estes jamais serão presos, são intocáveis. Este é o mesmo governo que está deixando o aldo rebelo e os seus donos, os ruralistas, destruirem a biodiversidade do país, destruirem a água do país. Esse governo não fará nada, como sempre. Pizza, tudo sempre acaba em pizza.

Vocês acham que este duplo assassinato não tem nada a ver com o código florestal? Pois tem tudo a ver, duas vozes que se calaram contra os poderosos ruralistas.

E assim acaba a história de mais dois filhos de gaia, dois soldados da mãe terra, cujo único crime que cometeram foi defender a floresta e suas riquezas dos coronéis – sim, eles ainda existem e estão cada vez mais poderosos -, foi defender o futuro da humanidade que depende dos alimentos e remédios ainda não descobertos nas florestas do planeta.

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Documento liga novo código florestal a avanço do desmatamento

O aumento do ritmo das motosserras na Amazônia está relacionado à reforma do Código Florestal em discussão no Congresso Nacional. É o que afirma documento oficial submetido ao gabinete de crise criado nesta semana pelo governo federal para combater o desmatamento na Amazônia.

Ofício assinado pelo secretário do Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Torres Maia, relata que o Código Florestal criou a expectativa entre proprietários de terra de que não seriam concedidas novas autorizações para desmatamento. Outra expectativa criada foi de que os responsáveis seriam anistiados. O Estado lidera o ranking dos que mais derrubam árvores.

“Não há como negar a forte vinculação entre o desmatamento e os processos de discussão da legislação ambiental”, diz o ofício ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso. O documento faz referência ao Código Florestal e ao Zoneamento Econômico Ecológico de Mato Grosso. À reportagem, o secretário confirmou o vínculo.

Procurada pela reportagem, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, confirmou o recebimento do ofício. Ao anunciar que as áreas de alerta de desmate produzidas por imagens de satélite haviam mais do que quintuplicado em março e abril, em relação ao mesmo período de 2010, Izabella preferiu não apontar eventuais responsáveis. Caberia ao gabinete de crise, segundo ela, identificar as causas.

Nos nove primeiros meses (de agosto a abril) de coleta da taxa anual de desmatamento de 2011, o ritmo de abate das árvores cresceu 27%, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O governo tem menos de três meses para evitar uma taxa anual maior que a de 2010. Na quinta-feira, o relator da reforma do Código, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), atribuiu o aumento do desmatamento à “ineficácia” da fiscalização. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chegou a negar que o desmatamento tivesse aumentado.

Mato Grosso concentrou 81% dos 593 km2 do desmate registrado pelos satélites em toda a Amazônia em março e abril. As motosserras funcionaram num ritmo que não era visto lá desde agosto de 2008, segundo levantamento do Ibama, e se concentraram numa área correspondente a 15% dos municípios do Estado. O documento aponta que Mato Grosso já aplicou R$ 42 milhões em multas neste ano e vai suspender o Cadastro Ambiental Rural dos proprietários rurais responsáveis por desmatamento irregular.

Fonte – Reporter Diário de 22 de maio de 2011

Graaande novidades, NOT! A ministra para variar prefere não se comprometer, nunca, portanto não sabe de nada, não comenta nada, não toma nenhuma providência, o rebelo que acha que os desmatadores são uns anjinhos encarnados  e assim caminhamos para o fim das florestas, para o fim dos remédios e alimentos que se encontram nessas florestas que desaparecerão sem nunca terem sido conhecidos.

Agora, alguém acredita mesmo que algum ruralista será punido? Balela, pura balela! São todos cúmplices, o governo e os desmatadores, como sempre o foram!

Organizações peruanas protestam contra entrada de transgênicos no país

Os defensores da biodiversidade e das sementes ancestrais no Peru fizeram um protesto hoje (28) no Congresso da República, para exigir a anulação do Decreto Supremo 003-2011, que permite a entrada de sementes transgênicas no país.

Integrantes de organizações como a Confederação Nacional Agrária e a Associação Nacional de Produtores Ecológicos, estiveram presentes no ato, sob o lema: “Em defesa de nossas sementes nativas, pela conservação da biodiversidade e por nossa segurança e soberania alimentar”.

O protesto aproveita o momento em que a Câmara debate a Lei de Moratória de ingresso dos transgênicos. Essa manifestação faz parte de uma série de atividades que as organizações indígenas e campesinas vêm coordenando para conseguir a anulação do decreto. O objetivo é conquistar uma lei por um ‘Peru Livre de Transgênicos’ e apoiar o Pacto pela segurança e soberania alimentar no país.

As entidades organizadas pela Coordenadora Latino-Americana de Organizações do Campo – Via Campesina explicam que as sementes nativas correm o risco de desaparecer e de serem contaminadas. Na convocatória para o protesto de hoje, agricultores, ecologistas e campesinos desmentem um comunicado divulgado pelo Ministério da Agricultura que diz que a biotecnologia contribuirá para solucionar o problema de abastecimento de alimentos.

“Isto é mentira, nós como agricultores sabemos que as sementes transgênicas empobrecem a terra e sua colheita é por única vez, o que requer que novamente se comprem estas sementes, assim como os alimentos produzidos com estes transgênicos. Está claro que por trás deste decreto supremo existem interesses econômicos de por meio e corrupção promovidos diretamente pela Monsanto”, expressa a Via Campesina.

Na última terça-feira (26), a Convenção Nacional de Agro Peruano (Conveagro) realizou uma coletiva de imprensa para falar sobre este decreto do governo. Eles também exigiram a anulação da norma alegando que ela é ‘imprudente e prejudicial’. Sob o ponto de vista dos manifestantes os transgênicos põem em risco a agricultura convencional e orgânica, a agrobiodiversidade, a gastronomia, a saúde humana, o ambiente e a soberania do povo. Depois da coletiva com a imprensa, as organizações que apoiam a causa realizaram uma marcha com destino ao Ministério da Agricultura, contra os transgênicos.

As organizações campesinas questionam o Decreto Supremo 003/2011 porque ele abre as portas do país às sementes transgênicas, o que põe em risco a biodiversidade do território. Além disso, segundo eles, o decreto é contrário à Lei de Biosegurança (Lei nº 27014).

Não tendo qualquer resposta sobre seus protestos, as organizações indígenas e campesinas planejam fazer uma grande mobilização nacional, em todas as bases e regiões do país, para continuar defendendo a agricultura sem transgênicos.

Fonte – Adital de 28 de abril de 2011

Imagem – Chris Inside

Alguém do governo finalmente teve coragem para se manifestar contra a mudança do código florestal. Milagre!

Até então calada no debate sobre as mudanças no Código Florestal, a Agência Nacional das Águas (ANA) divulgou nota técnica afirmando que do ponto de vista de recursos hídricos, não há necessidade de alterações no atual Código Florestal, “notadamente no que tange a largura mínima de 30 metros” nas matas que margeiam os rios e córregos do país.

O relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B) originalmente pretendia reduzir de 30m a 15m faixa de proteção da mata ciliar. Mas, a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) a redução seria maior, apenas 7,5 metros de área protegida em rios de até 10m de largura.

Em entrevista por e-mail, o Gerente de Uso Sustentável da Água e do Solo da ANA, Devanir Garcia dos Santos, explicou que as Áreas de Preservação Permanente ciliares, também chamadas de mata ciliar, ajudam a reduzir a quantidade de resíduos de defensivos e da adubação que chegam ao leito dos cursos de água.

“Qualquer alteração nessa largura de 30 metros reduz a eficiência da mata ciliar, aumentando os riscos de contaminação das águas por agrotóxicos e resíduos de adubação e os de assoreamento dos córregos, que agora não tem mais a proteção adequada.”, disse.

A ANA, que disponibilizou seu parecer na internet, também afirmou que não devem ocorrer em outras áreas de preservação permanente, como as encostas e topos de morro, pois elas são consideradas zonas de recarga dos aqüíferos.

“Para que as zonas de recarga cumpram seu papel de recolher a água da chuva e infiltrá-la no solo, ela precisa estar vegetada, de preferência florestada, ou então utilizada com culturas que mantenham cobertura vegetal o ano todo e tenham sistemas de conservação de solo implantado, de forma a aumentar a sua capacidade de coletar e infiltrar água de chuva. O tratamento similar seria a fiscalização passar a exigir que estas áreas estejam adequadas para o cumprimento de seu papel”, diz Santos.

Na nota técnica, a ANA propõe que “a assistência técnica precisa ser fortalecida para que o setor possa contar com técnicos capacitados em número suficiente ao atendimento de sua demanda”.

Para Devanir Garcia Santos, a extinção, nos anos 90, da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER) – que dava suporte aos estados no aparelhamento do setor e na capacitação e financiamento dos técnicos – ajudou a piorar o quadro do setor rural no país. “Um agricultor que queira hoje recuperar suas APP ou reserva legal, terá dificuldades em conseguir o apoio técnico necessário e uma orientação adequada, fato esse que ocorre também na irrigação, na conservação de solos e outras práticas que exijam especialização”, explica.

Fonte – Daniele Bragança, O Eco de 25 de abril de 2011

Imagem – Marco Aurélio Jacob

Poesia – Vladimir Maiakovski

Parabéns Devanir, pela coragem de falar verdade, uma verdade que todo brasileiro precisa escutar, de que os fazendeiros querem secar as fontes de água do país. Mas infelizmente, tememos que custe o seu cargo, porque existe uma conspiração para acabar com a água do país, para acabar com a cobertura florestal do país, tudo porque os fazendeiros querem plantar até a margem dos rios e se pudessem plantariam e criariam gado até dentro da água, só não o fazem porque a água levaria tudo.

Esses fazendeiros em nada se diferenciam dos bandidos que matam, sequestram e roubam e depois querem mudar a lei para os crimes que cometeram deixem de ser crime. Acompanhamos esta história de recompor a reserva legal, APPs e mata ciliar desde antes da criação da FUNVERDE e é sempre a mesma coisa, os fazendeiros empurrando com a barriga, na esperança de mudar a lei para que o crime de desmatamento deixe de ser crime.

Só não produz mais quem não quer usar tecnologia, só não recompõe a vegetação quem não tem compromisso com seus próprios descendentes, que irão herdar suas terras.

Serã que estes bandidos não entendem que a água é o recurso natural mais precioso do planeta, que se não existir a proteção da mata ciliar os rios serão assoreados e envenenados por causa das chuvas, que cairão direto nos rios, sem as árvores que servem de cílios para filtrar a água contaminada, que sem a proteção das áreas de preservação permanente primeiro que não haverá recarga dos aquíferos e portanto, não haverá água para irrigar suas plantações e dar de beber ao gado, que sem a proteção das nascentes a água sumirá e transformará este país em um imenso deserto.

E não acreditamos que os fazendeiros queiram mudar o código por ignorância, inocentemente, tudo isso é por pura e simples ganância, querer lucrar sem ter responsabilidade para com os humanos que ainda nem nasceram. Eles parecem nômades, acabam com a fertilidade do solo e para não ter que gastar suas fortunas, querem derrubar a mata, mesmo que esteja protegendo rios e nascentes, para ter terra fértil novamente. Se conseguirem mudar o código florestal agora, se sentirem que é fácil destruir, tenham certeza que, logo logo, irão destruir mais, irão destruir tudo.

Será que esses fazendeiros não entendem que a terra não lhes pertence, que é apenas um empréstimo feito pelos seres do amanhã? Eles não entendem que eles tem que tirar da terra o necessário sem comprometer os recursos naturais que devem ser mantidos para os próximos que habitarem o planeta?

Nós temos que nos mobilizar agora, pois depois será tarde demais, depois da votação podem esquecer das florestas, dos rios, das nascentes, porque os bandidos destruirão tudo para nós e para os humanos que necessitarão de água limpa que não mais existirá, de remédios e alimentos das florestas, que já não existirão mais. E tenham certeza, os seres do amanhã jamais nos perdoarão por não termos cuidado do planeta que eles nos emprestaram para vivermos e não para destruirmos.

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

Novo Código Florestal será votado nesta terça em regime de urgência

Tivemos a péssima notícia de que houve um acordo e o regime de urgência do Código será votado nesta terça:

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3232

Vamos enviar enviar mensagens para todos os meios de comunicação. Vamos fazer pressão na mídia, pois a população não está sendo informada e os jornalistas estão fazendo pouco caso de uma notícia muito séria.

Abaixo, alguns links para contatos com as grandes redes de comunicação:

http://falecomaredeglobo.globo.com/

http://falecomaredeglobo.globo.com/index1.aspx (Jornal Nacional)

http://falecomaredeglobo.globo.com/index1.aspx (Jornal da Globo)

http://falecomaredeglobo.globo.com/index1.aspx (Jornal Hoje)

http://www.band.com.br/faleconosco/ (Todos os programas da Band)

http://programas.rederecord.com.br/programas/jornaldarecord/contato.asp (Jornal da Record)

E-mails jornalistas e revistas

veja@abril.com.br

epoca@edglobo.com.br

http://www.istoe.com.br/fale-com-a-redacao/ (Revista Isto É)

Escolha ao menos um dos endereços acima e envie manifesto solicitando que a mídia colabore com informações sore o tema.

Se cada leitor enviar uma mensagem por dia eles acordarão para a importância da divulgação do tema.

Veja abaixo um manifesto pronto para você enviar para a mídia. Já está pronto, basta copiar e colar.

Agora é a hora de proteger as florestas para nossos descendentes. A mobilização tem que ocorrer hoje, já. Faça sua parte. Mudar o mundo é fácil, se cada um fizer sua parte.

A FUNVERDE em parceria com a ONG Chauá está divulgando este crime ambiental para a mobilização da sociedade para salvar nossas florestas.

 

Prezados,

O Brasil está passando por momentos importantes no que diz respeito ao nosso futuro sócio-ambiental, legislativo e político.

Uma verdadeira guerra está sendo travada entre ruralistas e ambientalistas, tudo devido ao Projeto de Lei n°1.876/99, que propõe novo texto e revoga a Lei n°4.771/65, do Código Florestal em vigência.

As alterações propostas perdoam crimes ambientais, reduzem áreas de proteção para as florestas, facilitam e legalizam o desmatamento na Amazônia e em outros biomas, comprometem nossa biodiversidade, qualidade da água e qualidade de vida, são um verdadeiro absurdo do ponto de vista científico.

Mesmo assim, não se vê uma matéria jornalística, na grande mídia, que realmente informe os mais leigos.

O tema é polêmico e complicado, mas sinto imensa insatisfação e indignação com os meios de comunicação do Brasil, pois diante de tal problemática nossos jornalistas estão fechando os olhos e deixando absurdos legislativos acontecerem.

O mundo inteiro pensando em formas de constituir uma nova econômia voltada a sustentabilidade ambiental, e alguns políticos de nosso país estão querendo aprovar uma lei que agride o bom senso e condena boas ações ambientais.

Através deste e-mail, manifesto total indignação e discordância ao Substitutivo de Projeto de Lei n°1.876/99, que propõe novo texto e revoga a Lei n°4.771/65, do Código Florestal em vigência, cuja aprovação resultará em danos irreparáveis aos ambientes naturais – desmatamento – e à qualidade de vida da população – enchentes, deslizamentos, mudanças climáticas …

O referido substitutivo transgride o disposto no caput do art. 225 da Constituição Federal, atenta contra a Política Nacional do Meio Ambiente e contraria o compromisso firmado pelo Brasil durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP15-dez/2009 - em Copenhague, impossibilitando que a meta de redução de emissões de gases do efeito estufa seja atingida.

Ante o exposto, suplico para os bons e éticos jornalistas a mover esforços para informar a população brasileira sobre o tema, abrangendo não só a visão ruralista, mas também a ambiental, fornecendo conteúdo para que nosso povo possa formar opinião sobre o assunto.

 

 

Abaixo segue uma lista de cartas e manifestos publicados contra o Substitutivo de Projeto de Lei n°1.876/99:

2010 – Petição para Salvar o Código Florestal Brasileiro – AVAZ.org (152.622 assinaturas)

10/2010 – Manifesto de apoio ao ao documento-síntese produzido por pesquisadores do Programa Biota/FAPESP e ABECO – Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Meio Ambiente do Brasil

09/2010 – Manifesto contra a Degradação do Código Florestal – 33 Insituições e 2100 cidadãos

08/02/2010 – Manifesto em defesa do código florestal e da política nacional de meio ambiente – Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Saulo

25/06/2010 – Carta das duas principais instituições científicas do Brasil, contrárias às alterações do código florestal – SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e Academia Brasileira de Ciências

01/07/2010 – Carta de alerta sobre as propostas de substitutivo ao código florestal – Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

01/07/2010 – Manifesto dos movimentos sociais contra mudanças no Código Florestal Brasileiro – Movimentos sociais, sindicais e entidades ambientalistas, além de personalidades e intelectuais

18/08/2010 – Manifesto pela manutenção do Código Florestal – ABRAMPA (Associação Brasileira do Ministério Público de Meio Ambiente)

19/08/2010 – Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em defesa do atual Código Florestal – CNBB

27/08/2010 – Questionário sobre alterações no código florestal, enviado aos presidenciáveis – Associação Ambientalista Copaíba, Fundação SOS Mata Atlântica, Greenpeace, GAMBA, Instituto Ambiental Vidagua, ICV, Imaflora, ISA, Mater Natura, Mira-serra, Rede de ONGs da Mata Atlântica, WWF-Brasil

21/09/2010 – Carta-Manifesto em defesa do Código Florestal Brasileiro – ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), Promotoria do Meio Ambiente de Londrina (Ministério Público Estadual), Procuradoria da República em Londrina (Ministério Público Federal), LABRE-UEL, Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina (CONSEMMA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), MST, Instituto Ecometrópole, Fazenda Bimini, Ong Tudo Verde

Assine o manifesto contra as mudanças no Código Florestal

Os ruralistas estão desesperados para aprovar as alterações ao Código Florestal como medida de urgência. Se conseguirem isso, vão votar ainda esse ano essas alterações.

Agora ficou fácil, pois políticos ambientalistas estão na COP16 e não estarão presentes para votar contra.

A FUNVERDE, em parceria com a ONG Chauá está apoiando o manifesto para sensibilizar os políticos para não destruirem o que sobrou dos biomas do Brasil.

Clique aqui para assinar o manifesto contra as mudanças no Código Florestal.

Escolha um número considerável de deputados e envie recados de indiganação e protesto contra os ruralistas e a proposta descabida de alterar o Código Florestal.

Twittem para Deputados e senadores mensagens de indignação.

Abaixo segue um exemplo de e-mail que você pode enviar:

Prezado Deputado,

Assunto: CONTRA a Aprovação do Substitutivo de PL n°1.876/99

Exmo(a). Sr(a),

Através deste, manifesto total indignação e discordância ao Substitutivo de Projeto de Lei n° 1.876/99 – que propõe novo texto e revoga a Lei n°4.771/65, do Código Florestal em vigência -, cuja aprovação resultará em danos irreparáveis aos ambientes naturais e à qualidade de vida da população.

O referido substitutivo transgride o disposto no caput do art. 225 da Constituição Federal, atenta contra a Política Nacional do Meio Ambiente e contraria o compromisso firmado pelo Brasil durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP15-dez/2009 – em Copenhague, impossibilitando que a meta de redução de emissões seja atingida.

Ante o exposto, convoco vossa excelência a VOTAR CONTRA a aprovação do Substitutivo de Projeto de Lei n°1.876/99, assim como a qualquer alteração que remova ou reduza os níveis de proteção atualmente estabelecidos pelo Código Florestal e legislação complementar, atualmente vigentes.

Na página da ONG Chauá você pode analisar um manifesto com mais de 2.000 pessoas e entidades do Brasil inteiro se manifestando contrárias as alterações ao Código Florestal.

Fome ainda atinge 11,2 milhões no País

“Fome ainda atinge 11,2 milhões no País” este é o título de uma matéria no Estadão.

Se vamos comentar? Claro que sim! Óbvio!

Enquanto a fome aumenta no planeta, BASF e Braskem põe em prática sua brilhante estratégia de aumentar a fome no Brasil e  no mundo, produzindo plástico de comida que usa terra fértil e água potável para plantar o alimento que então é desviado do prato de mais de um bilhão de famintos no planeta para fazer seu plástico que será utilizado por no máximo meia hora.

Pior, o plástico de cana ainda tem o agravante de demorar os mesmos 500 anos para se degradar, igualzinho o plástico convencional.

Será que quando algum humano faminto implorar por um prato de comida para os diretores das duas poderosas empresas, seus diretores irão oferecer sacolas de plástico para saciar a fome e a sede do pobre coitado?

Plantar batata, arroz, mandioca, cana, milho … para fazer plástico é um crime contra a humanidade, um crime contra os humanos que ainda nem nasceram e que quando nascerem não terão água potável para beber nem solo fértil para plantar o alimento que necessitarão para sobreviver.

Nâo use plástico de comida, não seja aliado da BASF e Braskem na conspiração para matar a humanidade de fome e sede!

Sacola retornável já!

Aldeias húngaras afetadas pela lama vermelha não são mais habitáveis

Diretor de Toxicologia do Hospital de Budapeste diz que será impossível viver nas localidades

Viver nas aldeias afetadas no oeste da Hungria pela avalanche tóxica de “lama vermelha” não é mais possível, afirmaram vários especialistas e organizações ambientais que advertiram sobre os efeitos nocivos da contaminação da terra e do ar.

“Deveríamos ter a coragem de dizer que é impossível viver nas duas localidades”, disse Gábor Zacher, médico diretor da Toxicologia do hospital de Budapeste.

As localidades de Kolontár e Devecser, a 160 quilômetros ao sudoeste de Budapeste, foram as mais afetadas pela lama tóxica que vazou de uma represa da fábrica de alumínio MAL, causando nove mortes e mais de 150 feridos.

Zacher explicou que a longo prazo é preciso considerar que os tóxicos “permanecerão na terra, nas plantas e animais”. Reportagem da Agência EFE.

Com relação às substâncias químicas que estão envenenando a terra e o ar da região, Zacher reconheceu que “não se pode dizer nada muito concreto sobre os efeitos de longo prazo, já que não existem casos similares”.

Em todo caso, advertiu que as partículas do alumínio, cuja concentração na lama é muito alta, podem chegar até o mais profundo dos pulmões, causando infecções.

O níquel pode causar outras doenças como asma, pneumonia e outros males crônicos, enquanto o ferro ataca os pulmões.

Diante desse perigo, as autoridades ordenaram há dois dias o uso obrigatório de máscaras e óculos protetores na região afetada, onde está sendo reconstruída a infraestrutura devastada e erguendo um muro de contenção por causa da possibilidade de uma segunda avalanche de lama tóxica.

A porta-voz de Defesa Civil, Gyorgyi Tottos, explicou que diante da agressividade das substâncias derramadas, os operários pediram hoje que suas máscaras sejam mudadas a cada duas horas.

Neste sentido, Gergely Simon, da organização meio ambiental Clean Air Action Group, explicou que o mercúrio inalado poderia causar graves problemas à saúde.

E como se isto não fosse o bastante, o bom tempo, sem chuvas, poderia fazer com que o pó tóxico se disperse em um raio de 10 a 15 quilômetros, alertou Simon.

O analista lamentou a não publicação, até agora, dos resultados das pesquisas oficiais das autoridades, para determinar quais são as tarefas mais necessárias e urgentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE) enviaram aos povoados afetados equipes de analistas que averiguarão os possíveis impactos a curto e longo prazo da catástrofe, além de ajudar as autoridades locais a elaborar um plano preventivo.

No hospital de Ajka morreu hoje a nona vítima da catástrofe, uma pessoa idosa, oriunda de Kolontár.

Em diferentes instituições de saúde do país há ainda meia centena de hospitalizados, principalmente com queimaduras e traumatismos causados pela violência da onda.

Árpád Tóth, médico diretor de um hospital de Veszprém, explicou que os doentes internados nesta instituição não estão em perigo de vida, embora quatro ou cinco terão de ser submetidos a procedimentos de cirurgia plástica.

O diretor de MAL, Zoltán Bakonyi, detido nesta semana sob a acusação de negligência, foi libertado nesta quarta, já que a promotoria não pôde argumentar de forma convincente as acusações.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na segunda-feira que o episódio foi consequência de um erro humano e que os responsáveis seriam “castigados severamente”.

Fonte -Estadão de 13 de outubro de 2010

Imagem – driverhead

Não pense que este acidente não tem nada a ver com você, afinal, se você consome cerveja ou refrigerante de latinha, cozinha em panela de alumínio e tantas outras aplicações para o alumínio, é corresponsável por este acidente e os outros que ocorrerão em todo o planeta pelo consumo desenfreado de produtos que são fabricados a partir de recursos naturais e que geram rejeito que estão aí, espalhados pelo planeta, apenas esperando um acidente para contaminar a humanidade irresponsável, que apenas consome o mundo, sem pensar de onde vem o produto que está consumindo e o que a geração deste produto impacta o planeta.

Acorde, o seu consumismo tem consequências, muitas vezes gravíssimas, consequências essas que não afetam somente a população atual, mas que afatarão ainda não nem nasceu, por muitas e muitas gerações.

Seja um consumidor responsável, pratique os 5Rs.

Lixo vindo da Alemanha é encontrado em porto no RS

Uma carga de 22 toneladas de lixo embarcada na Alemanha foi interceptada pela Receita Federal no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, em 3 de agosto. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o contêiner, que deveria trazer plástico para reciclagem, trazia lixo doméstico.

Entre os materiais encontrados, ainda segundo o Ibama, havia embalagens de produtos de limpeza, fraldas descartáveis e resíduos contaminados. Segundo o Instituto, só é permitida a importação de resíduos de origem industrial, sem matéria orgânica, para evitar contaminação.

A transportadora responsável pela carga foi multada pelo Ibama em R$ 1,5 milhão. A empresa importadora, com sede em Esteio (RS), também recebeu multa, no valor de R$ 400 mil.

O Ibama enviou, na segunda-feira (16), uma notificação à transportadora, que tem dez dias após o recebimento do documento para levar a carga novamente para a Alemanha. Até as 13h desta terça-feira (17), a transportadora não havia confirmado o recebimento da notificação.

Fonte – G1 de 17 de agosto de 2010

Imagem – G1

Ô gente que pega no pé da máfia do plástico! Afinal, ah … é para a Plastimorte reciclar … será que ninguém entende os meninos travessos? Ué … não tem plástico compostável de comida da BASF?

Agora falando sério, com uma taxa de reciclagem de menos de 1% no país, tem que se proibir a importação de qualquer material para a reciclagem, temos que incentivar a reciclagem no país. Enquanto os outros países se livram do lixo deles, nós jogamos nosso material reciclável em lixões uns poucos aterros no país.

 

Plástico chega à Antártida remota

Estudo mostra que lixo produtizo pelo homem atinge locais não habitados e impacta a vida marinha

O lixo produzido pelos homens tem chegado a áreas remotas do oceano na região antártica e o plástico é o material que mais preocupa. É o que mostra um estudo feito por pesquisadores da British Antarctic Survey e do Greenpeace a partir dos dados obtidos a bordo de dois navios – o RRS James Clarck Ross e o MV Speranza. As embarcações percorreram as partes leste e oeste da região antártica.

Leandra Gonçalves, ligada ao Greenpeace e uma das autoras do estudo, diz que foram encontrados “restos de materiais de pesca, muitas caixas plásticas e micropartículas plásticas”. As sacolas, diferentemente do que ocorre em outras regiões, não foram vistas em grande quantidade. Os resultados foram aceitos para publicação na revista Marine Environmental Research em maio e serão divulgados na edição de agosto.

O texto diz que, de 69 itens vistos pelo MV Speranza, 43% eram materiais plásticos. No caso dos 59 itens observados pelo navio RRS James Clarck Ross, 41% também eram plásticos. Com isso, a vida selvagem – peixes, golfinhos, focas, leões e elefantes marinhos – fica mais vulnerável. Eles sofrem ao engolir plásticos e podem morrer sufocados ou enforcados pelo material.

Fonte – Afra Balazina, Jornal O Estado de São Paulo de 15 de julho de 2010

E a máfia do plástico ainda continua com a afirmação estapafúrdia de que OS PLÁSTICOS SÃO FANTÁSTICOS! Para eles o lucro é somente o que importa e quanto à poluição que causam … Ah, isso não é problema deles, nunca!

UE fecha acordo para proibir corte ilegal de madeira

A venda de madeira ilegal e de produtos feitos com madeira ilegal será proibida em toda a União Europeia a partir do fim de 2012, de acordo com um pacto preliminar selado por parlamentares europeus obtido pela Reuters.

Ambientalistas afirmaram nesta quarta-feira que o acordo ajudaria a fazer com que as empresas parassem de lucrar com a destruição das florestas e fecharia as portas para a importação de madeira ilegal na Europa, o maior mercado mundial para produtos feitos em madeira.

As novas regras foram aprovadas pelos negociadores do Parlamento Europeu, pela presidência espanhola da UE e pela Comissão Europeia, e ainda precisam ser autorizadas pelos governos do bloco e pelo Parlamento pleno antes de entrar em vigor.

O banimento abrange a madeira bruta e produtos como móveis, pisos e barris, embora materiais impressos (como livros) serão eximidos por ao menos cinco anos, segundo o acordo.

As empresas terão de executar auditorias e avaliações de risco para garantir que toda a madeira foi cortada de maneira legal, e os que burlarem as regras sofrerão multas e sanções comerciais.

O grupo ambientalista Greenpeace disse que o acordo foi apoiado por uma maioria significativa de países da União Europeia, sendo contestado apenas por um pequeno grupo liderado por Suécia e Portugal.

O Greenpeace disse que 90 por cento da madeira produzida na Indonésia e mais de 60 por cento da cortada na Amazônia brasileira são ilegais.

Fonte - Charlie Dunmore, Reuters / MSN Verde de 16 de junho de 2010

Foto – BrazilPhotos Stock Agency

Se existe madeira ilegal é porque alguém compra. A partir do momento em que existirem regras para o consumo somente de madeira certificada, de manejo, a força dos que destroem as florestas indiscriminadamente acabará.

É´só ver o exemplo das grandes redes de supermercados, que a partir da pressão de ONGs, agora rastreiam a carne e o mesmo está acontecendo com o McDonalds e temos vários exemplos de empresas que começam a agir dentro da lei por pressão da ONGs, escolhas do consumidor e de leis.

No Brasil, a primeira lei federal que tem que ser criada urgentemente é a da proibição de compra de madeira sem certificação pelos órgãos públicos e por empresas que tomem empréstimos de bancos estatais. A carne merenda escolar de escolas tem que ser rastreada.

Somentes com medidas como estas a destruição das florestas será impedida, assim como o trabalho escravo e o aquecimento global.

Leis e escolhas das empresas e da população, estes são os caminhos para propiciar um futuro para a humanidade.

Paraná – Ministério Público entra com ação contra rede Casas Bahia por poluição sonora

Em 18 de junho de 2010, a Promotoria de Justiça de Proteção do Meio Ambiente de Curitiba ingressou com ação civil pública ambiental contra a rede varejista Casas Bahia por poluição sonora. O Ministério Público do Paraná sustenta que a empresa faz publicidade com caixas de som na porta das lojas, dispostas em direção às vias públicas, prática proibida pela legislação municipal (Lei nº 10.625/2002). O MP-PR investiga o caso desde 2007 e já havia tentado solucionar o problema de forma administrativa, sem necessidade de processo judicial, mas não houve solução.

O Ministério Público cobra, liminarmente, o fim da utilização dos aparelhos de som para propaganda. No mérito, requer a determinação de multa diária caso a empresa insista em fazer publicidade dessa forma. A poluição sonora é uma das principais demandas da Promotoria do Meio Ambiente na capital – são 257 investigações instauradas desde 2001 sobre o problema, além de cerca 30 ações já propostas na Justiça. “Vão ser ajuizadas tantas ações quanto forem necessárias, contra todos os que insistirem nessa forma de publicidade”, diz o promotor de Justiça Robertson Fonseca de Azevedo, responsável pela ação proposta hoje. Ele lembra ainda que a propositura de ações judiciais pelo MP-PR não impede que o Município siga com o trabalho de fiscalização e autuação de irregularidades.

Fonte – MP-PR – Assessoria de Imprensa/PMA de 19 de junho de 2010

Foto -  Noble Fidelity

E em Maringá, quando é que o MP irá multar as lojas, as empresas que usam suas motos, bicicletas e carros para fazerem propagandas com caixas de som estourando nossos tímpanos pela cidade todos os dias?

Robertson, Adoramos! Atitude de macho, ou, para sermos mais respeitosos, atitude de promotor consciente e responsável, de promotor que sabe a importância que tem seu cargo para a proteção da comunidade e do ambiente. Continue assim, precisamos de promotores que coibam o caos urbanos, a selvageria que está se instaurando em todas as cidades, em um país em que mais da metade da população reside nas cidades e num país em que políticos tem medo de colocar ordem no caos através de leis, por temer perda de votos e perda de patrocínio para as eleições.

Cana-de-açúcar vira matéria prima para fabricação de garrafa PET

Cana-de-açúcar vira matéria prima para fabricação de garrafa PET

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou nesta quinta-feira (25), no Rio de Janeiro, do lançamento da primeira garrafa PET feita a partir da cana-de-açúcar. Devido à origem parcialmente vegetal (30% à base da cana), a embalagem contribui para a diminuição de até 25% nas emissões de CO² geradas pela Coca-Cola, autora da iniciativa, e pode ajudar a impulsionar o setor sucro-alcooleiro no Brasil.

Presente ao evento de lançamento, realizado no Jardim Botânico, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que parabenizou a iniciativa. “Espero que outras empresas sigam iniciativas como esta, reduzindo o uso de materiais de origem fóssil e investindo em embalagens recicláveis”.

Minc garantiu ainda que o país está preparado para a expansão do etanol sem prejudicar a produção de alimentos. “Não haverá plantio de cana em áreas destinadas à produção de alimentos”, afirmou.

De acordo com a empresa, a nova garrafa tem a comercialização prevista para abril nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Porto Alegre. Inicialmente, a versão ecológica da PET será feita nas embalagens de 500ml e 600 ml.

Sem mudança de propriedades químicas, cor, peso ou aparência em relação ao PET convencional, a PlantBottle, como está sendo chamada a nova embalagem, é 100% reciclável e vai participar da  cadeia de reaproveitamento de materiais no País. Hoje, 55% das PETs são recicladas. A expectativa é de que, em 2010, a produção inicial das garrafas PlantBottle resulte na redução do uso de mais de cinco mil barris de petróleo e, até 2020, a produção seja da PET seja feita com 100% da resina de cana.

O Brasil é um dos primeiros mercados a adotar a PlantBottle e há a expectativa de que outros fabricantes e países possam aderir à iniciativa, que em todo o mundo será fabricada com etanol brasileiro.

Segundo os dirigentes da empresa, a cana-de-açúcar utilizada para produzir as garrafas provém de fornecedores auditados, que utilizam essencialmente a irrigação natural (chuva) e a colheita mecânica.

O plástico da embalagem é produzido a partir da reação química de dois componentes: MEG (monoetileno glicol), responsável por 30% de seu peso, e PTA (ácido politereftálico), responsável pelos 70% restantes.

O lançamento da garrafa também está alinhado com a campanha “Consumo Consciente de Embalagens”, do Ministério do Meio Ambiente. A campanha oficial tem cunho educacional e sugere atitudes e boas práticas para consumidores e empresas, no sentido do uso cada vez mais racional, consciente e responsável das embalagens.

Compareceram ainda ao lançamento o  presidente da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, e a gerente de Operações do Instituto Akatu, Heloisa Mello.

Fonte – Ambiente Brasil de 26 de março de 2010

Foto -  -{ thus }-

Como pode o ministro do meio ambiente apoiando a utilização de recursos naturais cada vez mais escassos – água limpa e terra produtiva – para se plantar plástico? Temos mais de um bilhão de pessoas com fome e sede no planeta. Esse minc vive em que planeta para apoiar este tipo de iniciativa? Esse cara é um ridículo, uma vergonha de ministro. O pior é que sai um ministro do meio ambiente ruim e entra um pior, vamos ver o fiasco que será o próximo, se ele consegue ser pior que este minc.

E por que será que antes mesmo de serem criticados, eles já vem com esta história de que não vão plantar cana em área de produção de alimentos, que a irrigação é natural etc? Será que é peso na consciência e querem defender o indefensável? Só Freud explica.

A sacola do carrefour e a batata transgênica da basf

A sacola do carrefour e a batata transgênica da basf

Após 12 anos, Europa aprova batata e milho transgênicos.

Bruxelas – A União européia aprovou ontem, pela primeira vez em 12 anos, o plantio de espécies transgênicas no continente. O produto aprovado foi uma btata geneticamente modificada da empresa alemã basf. A decisão atende solicitacoes americanas por um mercado mais aberto na Europa.

A variedade aprovada, batizada de Amflor, será usada para a produção de amido industrial para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O produto sofre objeções de grupos ambientalistas. A decisão sinaliza maior desejo das autoridades européias de retirar obstáculos que companhias de biotecnologia enfrentavam para expandir o mercado global de culturas transgênicas, que movimenta quase R$ 19 bilhões.

Também foram aprovadas três variedades de milho da americana monsanto que serão  usadas para produção de alimentos. Em 2004, a União Européia aprovou a importação de alimentos transgênicos depois de seis anos de proibição. Mas ainda não permitia o cultivo.

O presidente de Portugal e da Comissão Européia, José Manuel Barroso, tenta vencer a resistência de mais da metade dos 27 países que pertencem ao grupo. Pesquisas mostram oposição de consumidores europeus que temem riscos, como o aumento da resistência de bactérias a antibióticos ou o surgimento de ervas daninhas imunes a herbicidas. A União Europeia pretende votar no meio do ano uma proposta para que cada país seja responsável pela autorização de cultivos transgênicos em suas fronteiras.

Fonte – Bloomberg News e Reuters

Foto – Larry ToMKins ESEEESDEE!

Horror, puro horror é o que nos causa a leitura desta estupidez. As corporações tentando destruir o mundo para obter lucro sem se responsabilizar pelo crime ambiental que cometem e, neste caso com o aval do governo.

Ler isso é vislumbrar o fim da humanidade em um espaço de tempo muito curto.

Como o consumidor da UE é resistente aos transgênicos o gênios do mal agora, para facilitar a entrada da comida frankenstein na UE apelam para a lei do cada um por si, para facilitar a compra de políticos e destruir a UE.

E vejam bem que estão preocupados com os bilhões, sem se preocupar com a saúde do consumidor de hoje ou o que ainda nem nasceu.

Estamos falando de contaminação cruzada, do fim da comida por causa desta contaminação, do aumento da fome e sede pelo uso do solo fértil e água para plantar comida e fazer dela plástico e papel e adesivos e texteis e … para fazer tudo, menos plantar comida para uma humanidade em frenético crescimento e fome e sede crescente.

Carrefour vai usar uma matéria prima da Basf, de origem transgênica, híbrida, uma mistura de petróleo e recursos alimentares.

Talvez usem sua batata transgênica … ou o milho transgênico.

Claro, plantados onde existiam florestas.

Quem sabe vão fazer isso no Pantanal e na Amazônia também.

E o Carrefour usa, assim como vendia carne de gado de pastos da Amazônia.

Tudo com o aval do MMA / Minc.

Brazil, terra de ninguém, ou melhor, das grandes corporações.

Paraná pode abolir as garrafas long neck

Ber Sardi

Jornal Folha de Londrina de 22 de julho de 2009

Eli Arau­jo

Paraná pode abolir as garrafas long neck

As gar­ra­fas ­long ­neck po­dem es­tar com os ­dias con­ta­dos no Es­ta­do do Pa­ra­ná. Um pro­je­to de lei que es­ta­ba­le­ce nor­mas pa­ra o uso des­se va­si­lha­me en­tra­rá em dis­cus­são nos pró­xi­mos ­dias na As­sem­bléia Le­gis­la­ti­va. A maio­ria das ­long ­neck pro­du­zi­das no Bra­sil tem 275 ou 355 mi­li­li­tro (ml) e são usa­das ge­ral­men­te pa­ra en­gar­ra­far cer­ve­jas ou be­bi­das des­ti­la­das. Co­mo são des­car­tá­veis, as gar­ra­fas qua­se sem­pre são jo­ga­das nas ­ruas ou cal­ça­das ­após o uso, cau­san­do pro­ble­mas pa­ra a co­le­ta de re­sí­duos.

Mes­mo an­tes de ser vo­ta­do, o pro­je­to de lei já ga­nhou a ade­são de en­ti­da­des am­bien­ta­lis­tas do Pa­ra­ná. Uma de­las é a Fun­da­ção Ver­de (Fun­ver­de), com se­de em Ma­rin­gá, e que ob­te­ve pro­je­ção ao de­fen­der o uso das sa­co­las oxi­bio­de­gra­dá­veis nos su­per­mer­ca­dos. A Fun­ver­de, se­gun­do Ana Do­min­gues, fun­da­do­ra da or­ga­ni­za­ção, ini­ciou uma cam­pa­nha pe­din­do que to­das as pes­soas preo­cu­pa­das com o ­meio am­bien­te en­viem e-­mail ou te­le­fo­nem pa­ra os de­pu­ta­dos es­ta­duais pe­din­do a apro­va­ção da lei. Ela jus­ti­fi­ca que a lei é ne­ces­sá­ria por­que as gar­ra­fas ­long ­neck pe­los da­nos que cau­sam ao ­meio am­bien­te, de­mo­ran­do em tor­no de 5 mil ­anos pa­ra se de­com­po­rem.

O pro­je­to de lei que dis­ci­pli­na o uso das gar­ra­fas ­long ­neck no Pa­ra­ná é de au­to­ria do de­pu­ta­do es­ta­dual Do­bran­di­no Gus­ta­vo da Sil­va (­PMDB). Se­gun­do ele, o pro­je­to foi cria­do a pe­di­do de pre­fei­tu­ras que so­frem com os pro­ble­mas cau­sa­dos pe­lo va­si­lha­me que­bra­do nas ­ruas. Sil­va res­sal­ta que a em­ba­la­gem não se­rá proi­bi­da no Es­ta­do, mas o fa­bri­can­te se­rá res­pon­sa­bi­li­za­do pe­los pre­jui­zos cau­sa­dos ao ­meio am­bien­te. A pro­pos­ta es­ta­be­le­ce mul­tas pa­ra o fa­bri­can­te e os va­lo­res de­ve­rão ser fi­xa­dos nas co­mis­sões da AL, ca­so se­ja apro­va­da a lei.

Ana Do­min­gues afir­ma que o Pa­ra­ná é pio­nei­ro na cria­ção des­te ti­po de pro­je­to e ca­so a lei se­ja apro­va­da, vai re­pas­sar a ­idéia pa­ra ou­tros es­ta­dos e ci­da­des que se preo­cu­pam com o ­meio am­bien­te. A en­ti­da­de co­lo­cou em seu si­te (www.fun­ver­de.org.br) os e-­mais e te­le­fo­nes de to­dos os de­pu­ta­dos pa­ra que a so­cie­da­de ‘‘­apoie a ­iniciativa’’.

Importação desnecessária

beatriz229

O eco de 24 de julho de 2009

O Instituto Socio-Ambiental dos Plásticos – Plastivida divulgou hoje (24) nota sobre a importação, pelo Brasil, de 89 contêineres de lixo da Inglaterra, defendendo que o país “não precisaria importar plásticos recicláveis se contasse com uma política eficiente de coleta seletiva”. O assunto tem rendido várias notícias na mídia, mas pouca gente se atendou para a real necessidade da importação de materiais plásticos.

Será que a plastimorte ainda não entendeu que o papel dela não só blindar a máfia dos plásticos? Será que não entendeu ainda que o papel dela também é participar da educação ambiental da população para incentivar a reciclagem? É muito fácil, as petromáfias ganham dinheiro com o plástico mas na hora de ser responsabilizar pelo destino final destes plásticos, que tem que ser a reciclagem, vem culpar o governo por não haver reciclagem. Bonito isso, né seu xico tóxico, sempre apontando o dedo na cara dos outros para culpá-los mas nada de pedir para seus patrões pagarem campanha de educação ambiental. Típico, lucro total, responsabilidade zero.

Segundo levantamento do Instituto, atualmente o Brasil recicla cerca de 21% de sua produção de plásticos, o que representou mais de 962 mil toneladas em 2008, e o setor conta com crescimento de 13,7% ao ano. Apesar dos bons números, o país ainda atua com 30% de sua capacidade ociosa por falta de material a ser reciclado. “Esta ociosidade se traduz na falta de ações efetivas por parte dos municípios no que diz respeito aos resíduos sólidos. No Brasil, dos 5.564 municípios, somente 7% contam com coleta seletiva”, diz a nota da entidade.

Nooossa, agora o xico tóxico abusou da mentira, pois segundo dados do governo a reciclagem no país está malemá raspando nos 0,8% e o plástico corresponde a 20% de todo o resíduo gerado e as sacolas a metade disso, isto é, 10% de todo o resíduo gerado em uma cidade corresponde a sacolas plásticas de uso único, que não são recicladas porque é necessário coletar 800 delas para conseguir alguns centavos, então, vá mentir assim no inferno.

A importação do lixo inglês já rendeu três prisões na Inglaterra e cerca de 2,5 milhões de reais em multas aplicados pelo Ibama às empresas brasileiras envolvidas no caso. Os três homens presos, dois deles brasileiros, foram soltos hoje após pagamento de fiança. Segundo promessa do ministro Minc (Meio Ambiente), o lixo inglês será devolvido a partir da próxima segunda.

Quem deveria ser preso, são as fábricas de plástico no Brasil que não praticam a logística reversa, isto é, dar destinação final ao produto que geram, o plástico, seja em sacolas ou embalagens.

Quem também deveria ser preso são as petromáfias, que tem responsabilidade solidária no lixo que geram.

Agora, falar que os municípios não fazem coleta seletiva é fácil, difícil é a petromáfia por a mão no bolso e dar dinheiro para os municípios fazerem as campanhas ou então montar usina de reciclagem para separar o plástico.

Safados!

New studies link BPA to heartbeat and fertility problems

O que a zelosa plastimorte tem a dizer sobre o Bisfenol A que está contido nos plásticos que ela defende em nome da Braskem?

foodproductiondaily.com

By Rory Harrington, 11-Jun-2009

Fresh research linking bisphenol A (BPA) to heart beat disorders and fertility problems have added to the growing weight of opinion questioning the safety of the chemical.

BPA is used to make hard, clear plastics for food containers, dental sealants and the sealants that line food and beverage cans. Concern over the chemical has been rising in the US resulting in it being banned in two states and an announcement from the Food and Drug Administration to review its opinion that BPA is safe.
Two new studies presented this week at the Endocrine Society’s annual meeting in Washington are sure to add to the controversy surrounding the chemical.

Irregular heartbeat

A study by a team at the University of Cincinnati (UC) found that exposure to BPA and/or estrogen causes abnormal activity in the hearts of female rats and mice. The group, lead by associate professor of pharmacology Scott Belcher, said that estrogen receptors are responsible for this effect in heart muscle cells.

Belcher said: “There is broad exposure to bisphenol A, despite recognition that BPA can have harmful effects. We had reason to believe that harmful cardiovascular affects can be added to the list.”
The scientists said live cultures of cardiac cells isolated from rat or mouse hearts were briefly exposed to BPA and/or estrogen. It found the reaction in terms of heartbeat was sex-specific to women.
“Both compounds caused striking changes in the activity of cardiac muscle cells from females but not males,” said a UC statement. “Additional studies revealed that these cellular changes in activity caused improperly controlled beating in the female heart.”

Belcher added: “Basically, it’s very clear that BPA is acting like estrogen. If we give estrogen at physiological concentrations, then add BPA, it’s actually a synergistic effect. It’s not like adding the two together. It’s worse.”

A second study presented by Yale University School of Medicine’s reproductive endocrinology team claimed to show adverse effects on fertility in rodents following exposure to BPA.

Gene altering

The group, led by Professor Hugh Taylor, injected pregnant mice with a low dose of the chemical. After the animals gave birth, the scientists analyzed the uterus of female offspring and extracted DNA. They found that BPA contact during pregnancy had a lasting effect on one of the genes that is responsible for uterine development and subsequent fertility in both mice and humans (HOXA10).

“The genes that are necessary for normal pregnancy are altered,” said Taylor, adding BPA changed the DNA code and the ability of DNA to express these genes.

He said: “A little transient exposure during a brief time period in pregnancy could permanently alter the DNA of the uterus.

“We don’t know what a safe level of BPA is, so pregnant women should avoid BPA exposure. There is nothing to lose by avoiding items made with BPA—and maybe a lot to gain.”

Research techniques questioned

But the American Chemistry Council (ACC) rejected the validity of the studies, accusing the authors of “bypassing the scientific process in favor of sensational press releases” and as “a scare tactic that will not promote public health”.

Steven G. Hentges, of the ACC, said: “It is disappointing to see that some researchers continue to inject animals with bisphenol A since this experimental technique has recently been acknowledged by the National Institute of Environmental Health Sciences to have very limited value for assessing human health effects. In addition, studies on cell cultures are unlikely to be directly relevant to human health and, unless and until such relevance is scientifically validated, should not be presented as evidence of health risks.”

Plásticos são maioria entre lixos marítimos

lalaface

A Foto da sacola acima foi tirada no oceano pacifico, mas poderia ser no rio da sua cidade, afinal o Wal-Mart despeja no Brasil 150 milhões de sacolas plásticas por mês e nem tem a responsabilidade de torná-las menos prejuiciais ao planeta, isto é, eles NÃO usam plástico oxi-biodegradável, o plástico e ciclo de vida curto de 18 meses ao contrário destas malditas sacolas de plástico eterno que eles insistem em usar em que a duração é de 500 anos.

Entenda no link a seguir, porque nós apoiamos o uso do plástico oxi-biodegradável. http://funverde.wordpress.com/sacolas/porque-plastico-oxi-biodegradavel/

Revista Veja de 08 de junho de 2009

A maior parte do lixo encontrado nos oceanos é composto por produtos plásticos, como garrafas, sacos e embalagens. Em algumas regiões, a “poluição plástica” representa 80% de todos os detritos encontrados. As informações fazem parte de um relatório do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos.

Embora a Unep não tenha como precisar o total de lixo nos oceanos, a entidade garante que as evidências indicam que a quantidade de entulho está crescendo. O relatório da ONU tem o intuito de alertar os governos das regiões onde a situação está mais crítica, para que alguma solução seja tomada.

A principal causa da poluição marítima, segundo a ONU, são o desperdício e a má administração dos recursos naturais. Ainda segundo a entidade, os sacos plásticos finos deveriam ter sua produção banida e o processo de reciclagem incentivado pelos governos.

Veja bem que foi a ONU que recomendou se banir a sacola plástica e não nós, os ecochatos, biodesagradáveis. E aí xico das esmeraldas, soldadinho de plástico das petromáficas, vai encarar a ONU? Hahaha.

O plástico também atinge diretamente os animais que vivem no mar ou dependem dele para sobreviver. Um estudo com os pássaros fulmaros glaciais, encontrados no Mar do Norte, revelou que 95% deles tinham pedaços de plástico em seus estômagos. Ao confundir a poluição com comida, muitos animais acabam ingerindo o plástico por engano, como é o caso das tartarugas que, frequentemente, confundem sacolas com águas-vivas, sua principal presa.

Economicamente, os países também acabam perdendo com a poluição, uma vez que ela pode contaminar áreas de agricultura e turismo, além de danificar barcos e equipamentos de pesca. Em apenas um ano, a Suécia gastou cerca de 1,5 milhão de dólares (aproximadamente 3 milhões de reais) para recuperar as praias de Bohuslan. O Peru também teve que investir cerca de 400.000 dólares (pouco mais de 780.000 reais) – o dobro do investimento feito na limpeza das áreas públicas apenas para limpar sua costa.

Recomendação do governo:Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!

Trabalhe pesado!

João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado

Recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

No início dos anos 1700, quando a revolução comercial já era um fator determinante do progresso e do desenvolvimento das nações, um pensador espanhol teria escrito um ensaio defendendo a tese de que o seu país não deveria entrar naquela competição, porque seria um esforço desnecessário. A Espanha, na época, possuía reservas em metais preciosos suficientes para comprar tudo o que seu povo necessitava. Esse mesmo argumento poderia ser válido, um século depois, nos anos 1800, para não embarcar na aventura industrial.

O resultado é que o império espanhol ruiu, as suas decantadas reservas se dissiparam e a outrora pujante nação ibérica amargou mais de dois séculos de decadência. Está voltando ao proscênio agora, quando nem o seu governo nem o seu povo se pautam mais por aquela enganosa opulência do passado.

De certa forma, é esse mesmo problema que inviabiliza o progresso e o desenvolvimento de muitos países que vivem, atualmente, da riqueza fácil gerada pela extração de petróleo. Para que, afinal, arregaçar as mangas? O ouro negro supre todas as carências…

Não é à toa que entre os países mais pobres da África figuram – em aparente paradoxo – os que possuem as maiores reservas mundiais de diamantes e pedras preciosas. A posse de recursos naturais abundantes e de fácil extração já causou a desgraça de muitas nações, através dos tempos.

O que dizer, então, quando a falsa abundância não provém de riquezas reais, mas de programas assistenciais promovidos pelos governos locais?

Os analistas isentos e imparciais seriam unânimes em afirmar que, nesse caso, o caminho da perdição seria ainda mais curto.

E se tais políticas paternalistas estivessem sendo promovidas num país pobre e desprovido de maiores recursos? Aí, então, seria suicídio – afirmariam os estudiosos -, uma nação deliberadamente atirando em seus próprios pés.

Pois é esse exatamente o caso do Brasil e do seu programa Bolsa-Família.

Segundo se vangloria o próprio governo, o programa já contempla 11 milhões de famílias, alcançando, assim, entre um quarto e um terço de toda a população brasileira. Trata-se de um exemplo ímpar: em toda a História universal, somos o único povo que logrou escapar da miséria com mesadas.

Argumentos para defender o Bolsa-Família não faltam. O difícil é acreditar que o programa seja viável para sempre.

Pode-se argumentar, a favor dele, que, em termos imediatos é uma forma eficaz de combater os malefícios causados pela miséria. Sem dúvida. Mas trata-se de um paliativo – um remédio que cuida dos efeitos, e não das causas da moléstia. Assim sendo, o seu efeito não é duradouro e tampouco definitivo.

Há pelo menos três aspectos cruciais que estão eivando a iniciativa:

Não se está exigindo, na prática, nenhuma contrapartida dos beneficiários;

não se está fixando um prazo máximo para a concessão do benefício;

o valor do benefício pago está-se revelando muito elevado.

Benefício concedido sem reciprocidade é esmola. E esmola não cria cidadãos ativos. Cria, isso sim, mendigos.

Benefício concedido para sempre não é uma ajuda, mas sim um privilégio. E privilégios não geram indivíduos independentes. Geram, quando muito, um massa disforme de parasitas.

Benefício com valor elevado não complementa o trabalho, mas o substitui. Não gera trabalhadores, mas desocupados. Em vez de pessoas ativas, uma multidão apática de ociosos. Um exército de pensionistas totalmente dependentes da boa vontade dos governantes.

Se o objetivo final de Lula e do PT é criar um gigantesco curral eleitoral, eles estão sendo muito bem-sucedidos. Os “bolsistas” do famigerado programa estarão sempre dispostos a sufragar os candidatos que o governo recomendar.

Mas se o que se pretende é emancipar as pessoas, então o Bolsa-Família está se revelando uma grande excrescência.

Como está escrito na porta do Inferno de Dante: “Abandonai todas as esperanças, vós que entrais”… Aqueles que se inscrevem no “Bolsa-Família” hão de saber que dele jamais sairão. As suas virtudes ativas, a sua independência, a sua cidadania, tudo isso, enfim, é impiedosamente moído tão logo se ingressa no programa. A ética do trabalho e do esforço como a única forma legítima de prosperar na vida deixa de existir já na soleira da porta.

Como reza o ditado, montar num tigre é fácil, o difícil é desmontar dele depois.

O Bolsa-Família é um programa que, uma vez implantado, não há mais como descartá-lo. Os milhões de beneficiários já estão acostumados com o aporte mensal do dinheiro fácil. Como dizer a eles que dali em diante deveriam suar o rosto para obtê-lo?

Tanto para o governo como para a oposição, propor o fim do Bolsa-Família seria eleitoralmente desastroso. E o programa, assim, se impõe como algo definitivo.

Aqueles que trabalham hão de votar na oposição, já aqueles que não trabalham votarão sempre no governo. Como estes últimos se estão tornando maioria, o continuísmo parece ser um prognóstico evidente.

Como é economicamente impossível pôr a totalidade dos brasileiros sob o guarda-chuva do Bolsa-Família – alguém tem de pagar a conta -, teremos no País, doravante, duas classes de cidadãos: a dos que sustentam e a dos que são sustentados pelo Bolsa-Família.

Quanto a você, que está lendo este artigo, a recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

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