Sustentabilidade

Ideais lança página com lista de plásticos biodegradáveis autênticos

O Instituto Ideais acaba de lançar uma página na Internet com lista de nome de lojas, supermercados e produtos que tiveram amostras de embalagens plásticas biodegradáveis coletadas, testadas e aprovadas.

A lista ainda contém o fabricante, data / lote e a tecnologia utilizada e impressa no plástico testado e aprovado.

Assim, as empresas que usam e fabricam autênticos plásticos biodegradáveis são valorizadas, e o consumidor passa a saber quais são as embalagens verdadeiramente biodegradáveis.

Essa iniciativa do IDEAIS visa promover a correta informação e rotulagem, evitando que o consumidor seja enganado, e principalmente combater fraudes e falsificações.

Visite nossa nova página em http://www.i-ideais.org.br/ e clique em Clube dos Autênticos.

Fonte – Boletim do Instituto IDEAIS de 30 de abril de 2013

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Pesquisadores da USP criam cimento ecológico que reduz em 40% as emissões de CO2

Um grupo de 20 pesquisadores da USP criou um novo tipo de cimento, cuja fórmula reduz pela metade a emissão de dióxido de carbono em sua produção. A alternativa criada pelos brasileiros pode ser decisiva para métodos de construção mais sustentáveis nos próximos anos, quando devem se intensificar as atividades da construção civil.

A versão ecológica desenvolvida na Universidade de São Paulo substitui um material encontrado na “receita” do cimento por outro mais simples, que não precisa ser aquecido em forno para ser produzido. Assim, os pesquisadores evitaram a matéria-prima do cimento convencional, conhecida como clínquer, e aumentaram o uso de um ingrediente alternativo, chamado filler, que exclui o processo de aquecimento.

Ao substituir o clínquer, – mistura de argila e calcário – o material de construção sustentável dispensou 95% das emissões de carbono emitidas para produzir o cimento convencional, que também tem um gasto de energia 80% maior do que a versão ecológica.

Para Vanderley John, professor da Poli-USP, o objetivo é reduzir o clínquer e aumentar o filler, composto de pó de calcário cru superfino que dispensa o uso do forno para ser convertido em cimento. “O filler é uma matéria-prima mais simples, que exige estrutura menor da indústria e dispensa o uso de forno em uma das etapas de produção”, explica o professor, que também diz que, atualmente, a produção de cimento convencional responde por 5% do total de dióxido de carbono emitido na atmosfera.

O novo cimento pode ser uma saída para o planeta, uma vez que, segundo especialistas, a demanda pelo material de construção vai mais do que dobrar até 2050 no mundo inteiro, em comparação com os índices atuais. No entanto, os criadores temem que a indústria resista à alternativa sustentável, que pode abaixar o preço para o consumidor final. No caso, as indústrias consumiriam menos energia, abaixando os custos de produção.

Já existem empresas interessadas no produto, testado apenas em laboratório. “Tomando como base apenas o cimento brasileiro, a tecnologia da Poli poderia fazer cair a emissão para cerca de 360 kg de CO2 por tonelada de cimento, ou seja, 40% a menos”, revelou o professor Vanderley John.

Fonte – G1 / CicloVivo de 16 de abril de 2013

Imagem - Aszuos

RES Brasil na Expoembala 2013

Nesta semana a RES Brasil completa 13 anos de atividades relacionadas a tecnologias e materiais para produção de plásticos biodegradáveis / compostáveis / hidrossolúveis.

Queremos agradecer o apoio de cada um de vocês e pela opção por tecnologias reconhecidas e respeitadas no mundo todo. Do menor ao maior fabricante de artigos e embalagens plásticas, da pequena loja no mais distante município a uma grande rede de supermercados e lojas presentes em todo o Brasil, e da grande e pequena empresa que utilizam embalagens plásticas.

Que venham mais 13 anos de novos desafios, inovação e principalmente de parceria e confiança mútua.

Aproveitamos para convidar a todos a visitarem nosso estande na Expo Embala 2013 a partir da terça-feira da próxima semana. Ficaremos muito honrados e felizes em poder rever cada um de nossos amigos e clientes

A Expo Embala 2013 acontecerá nos dias 02 a 05 de abril de 2013 no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

Para saber como visitar a feira, Visite o site da Expoembala 2013.

Fonte – RES Brasil

A FUNVERDE parabeniza a RES Brasil por nestes treze anos ter ajudado a deixar o país mais limpo, menos poluído pelos plásticos eternos, aqueles que duram mais de meio milênio.

A FUNVERDE é parceira da RES Brasil desde 2005 no projeto sacolas retornáveis criado para livrar o país das sacolas plásticas de uso único eternas na primeira fase do projeto e posteriormente o projeto prevê que todas as embalagens de uso único sejam biodegradáveis, para aproximar o ciclo de vida da embalagem ao ciclo de vida do produto.

Como produzir energia solar em casa

Quantos kW/h de energia solar é possível produzir em casa? Onde instalar os geradores? Qual o impacto dessa decisão na conta de luz? Cartilha produzida pela organização Ideal reúne informações básicas – e muito úteis – para aqueles que querem gerar sua própria eletricidade em casa, a partir do sol

Em dezembro de 2012, entrou em vigor no Brasil resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que garante que quem produz energia renovável em casa pode ter desconto na conta de luz. Mas como gerar esse tipo de eletricidade limpa nas residências?

O Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas para a América Latina (Ideal) lançou nesta terça-feira (26) a cartilha Como faço para ter eletricidade solar na minha casa?, que reúne as informações básicas para aqueles que querem produzir sua própria energia, a partir do sol.

Dividida em capítulos, a publicação – desenvolvida com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável – traz dados como:

- a capacidade dos micro e minigeradores solares fotovoltaicos ideais para residências;

- os locais onde estas estruturas podem ser instaladas;

- as vantagens da produção doméstica de energia solar;

- os cuidados necessários para manter o bom funcionamento dos geradores;

- o passo a passo para conectar os sistemas de geração de energia solar na rede elétrica, com a ajuda de um profissional especializado e

- os impactos na conta de luz.

Junto com a cartilha, o Ideal lançou o Simulador Solar, ferramenta online que permite que o internauta calcule qual deve ser a potência do sistema fotovoltaico da sua casa, para que atenda à sua necessidade energética anual. O usuário ainda pode simular quanto economizaria na conta de luz e a área que os geradores solares fotovoltaicos ocupariam na sua residência.

Confira a versão online da cartilha Como faço para ter eletricidade solar na minha casa?.

Pelo fim da farra do boi – Supermercados se unem contra compra de carne ilegal

Associação Brasileira de Supermercados e Ministério Público Federal firmam acordo para evitar a compra de carne bovina proveniente de áreas com irregularidades ambientais e sociais, como desmatamento, invasão de terras públicas e trabalho escravo

A prática já foi batizada pelo Greenpeace de “farra do boi” e, infelizmente, ainda é bastante comum no Brasil: ao levar carne bovina de procedência ilegal para casa, o consumidor financia, entre outras irregularidades, a destruição da Amazônia, a invasão de terras públicas e o trabalho escravo – inclusive infantil.

Dispostos a combater a venda desse tipo de produto nos estabelecimentos comerciais, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e o Ministério Público Federal (MPF) assinaram nesta segunda-feira (25), em Brasília, termo de cooperação técnica que visa evitar a compra de carne bovina proveniente de áreas com irregularidades ambientais e sociais.

No acordo, a Abras se compromete a orientar as empresas do setor supermercadista filiadas a ela, para que adotem medidas que coíbam as ilegalidades da cadeia da carne. Entre as ações que serão sugeridas está a divulgação da origem do produto bovino nos próprios pontos de venda, a fim de pressionar os fornecedores a entregar produtos legais e de qualidade aos supermercados.

O termo de cooperação técnica não define um prazo para a Abras dar início ao “plano de combate” às irregularidades da cadeia da carne, no entanto, de acordo com o MPF, o processo deve começar “em breve, sobretudo nos estabelecimentos de maior porte”. Entre as grandes redes supermercadistas filiadas à Abras estão Carrefour, Pão de Açúcar e Walmart.

Fonte – Débora Spitzcovsky, Planeta Sustentável – 26 de março de 2013

A insustentável alienação do consumo humano

Há décadas a comunidade internacional vem mantendo a crença em um mito, o de que é possível desenvolvimento econômico contínuo e irrestrito em um planeta com recursos limitados e que, para mensurá-lo, basta computar periodicamente o valor de todos os bens e serviços produzidos, num indicador denominado Produto Interno Bruto (PIB), sem atentar para os respectivos impactos sobre os recursos naturais utilizados.

A título de exemplo, o valor de uma floresta só é avaliado quando derrubada, ignorando-se quanto valeriam o ecossistema íntegro e os serviços ambientais por ele prestados, tais como produção de oxigênio, regulação do fluxo dos rios, captura de dióxido de carbono e tantos outros. Igualmente, o pescado só é considerado como valor quando retirado do oceano, sem considerar os danos causados à biota da massa d’água onde ele se encontra; os combustíveis fósseis, somente quando extraídos, sem levarem-se na devida conta o empobrecimento dos estoques ou redução das jazidas; e assim por diante. No que pesem suas óbvias impropriedades, o aumento do PIB, segundo seu conceito vigente, é meta prioritária de todas as nações, no que pese ser imprescindível criar-se um sistema de medição mais racional e significativo.

Esse sistema esdrúxulo de avaliar-se o desenvolvimento atendeu razoavelmente aos seus propósitos enquanto a população humana foi relativamente pequena e quando muitos acreditavam ingenuamente que os recursos terrestres eram inesgotáveis. Entretanto, com a explosão tecnológica acelerada e o crescimento demográfico persistente, e consequentemente o aumento descontrolado do consumo, o sistema demonstrou evidências óbvias de inadequação.

A revista científica Nature publicou um trabalho extremamente interessante, o qual indicou que pelo menos em três áreas de atividades humanas os limites aceitáveis já se encontram ultrapassados, no que se refere à qualidade de vida humana e sustentabilidade do ambiente: impacto sobre a biodiversidade, mudanças climáticas e ciclo de nitrogênio, este último devido essencialmente à agricultura.

O mesmo trabalho indicou outras seis áreas nas quais nos aproximamos perigosamente do inaceitável: uso do solo e da água, poluição, ciclo do fósforo, emissão de aerossóis e acidificação dos mares.

O reconhecimento gradativo de que nossa civilização embrenhou-se num rumo errado levou a ONU, em 1987, através de sua Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a divulgar o conceito de “desenvolvimento sustentável” como sendo aquele que “atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras alcançarem suas próprias necessidades”. O conceito é perfeito, mas, desde então, resta saber como amplamente concretizá-lo na prática.

Eficiência maior, consumo muito maior

“a produção e o consumo de bens em escala global aumentaram tanto que, nos últimos 20 anos, a extração de recursos da Terra cresceu 41% e o uso dos fertilizantes nitrogenados aumentou 135%”

Dos inúmeros recursos naturais utilizados na vida quotidiana, alguns, se bem geridos, podem ser considerados renováveis. A água é um exemplo típico, ainda que hoje seja escassa em muitas regiões. Mas, devidamente cuidada, pode ser reutilizada para sempre. Outros podem ser ou não renováveis, tal como a madeira; se seu uso for compatível com o limite de renovação das florestas nativas ou plantadas, ele o é, mas não o será quando o recurso for utilizado abusivamente. E lembre-se nesta oportunidade que boa parte das florestas mundiais já desapareceram. Muitos outros recursos, porém, só admitem ser usados uma única vez, a exemplo dos combustíveis fósseis. Nesse caso, a única solução para aproximar seu emprego da sustentabilidade é utilizá-los com parcimônia, coisa que jamais aprendemos a fazer. Em todos esses casos, a reciclagem, a grande lição da natureza, deve ser amplamente utilizada dentro do conceito de desenvolvimento sustentável.

Os conceitos de desenvolvimento sustentável e uso sustentável de recursos vêm sendo gradativamente assimilados e já resultados significativos, ainda que longe da completa sustentabilidade. Um interessante documento divulgado pela consultoria KPMG indicou que, tomando-se como referência os números de 1990, e considerando o PIB global de 2011, cada dólar nele computado foi alcançado com menos 23% de matéria prima e 21% a menos de emissão dos gases do efeito estufa. Mas, em contrapartida a esse êxito realmente notável, a produção e o consumo de bens em escala global aumentaram tanto que, nos últimos 20 anos, a extração de recursos da Terra cresceu 41% e o uso dos fertilizantes nitrogenados aumentou 135%. Portanto, o esforço de racionalização da utilização dos recursos não está impedindo um aumento total brutalmente exagerado.

Nos últimos tempos, tem surgido uma ampla discussão sobre o que seria uma possível nova forma de economia, a Economia Verde. Segundo a ONU, ela é aquela que resulta na melhoria do bem-estar humano, devido à preocupação maior com a equidade social, os riscos ambientais e a escassez de recursos naturais. Significaria fugir do sistema que gerou as crises mundiais dos tempos recentes, envolvendo clima, fome, crises econômicas e agressões ao ambiente. Essas intenções são magníficas, mas de que forma concretizá-las é uma profunda incógnita.

Face às condições do mundo atual, uma afirmação é possível: o futuro TERÁ que ser diferente, ou a nossa civilização irracional, cedo ou tarde, entrará em colapso. É inconcebível extrapolarmos suas tendências de esbanjamento de recursos naturais e de consumo descontrolado. Os limites físicos do planeta Terra não o permitirão por muito tempo.

A grande conferência internacional Rio+20 poderia ter resultado em um esboço do início de uma solução. As dezenas de líderes mundiais presentes, no entanto, esquivaram-se de fazê-lo, preferindo postergá-lo para um futuro mal definido. Enquanto isto, os grandes problemas ambientais já configurados não param de agravar-se.

Fonte – Ibsen de Gusmão Câmara, O Eco de 25 de Março de 2013

Imagem - Claudio Cantonetti

Tese de doutorado – Planeta Ciudad: Ecología Urbana y Planificación de Ciudades Medias de Brasil

Enviado por nosso estimado colega Fábio Angeoletto.

Aos interessados, minha tese de doutorado “Planeta Ciudad: Ecología Urbana y Planificación de Ciudades Medias de Brasil”, defendida na Universidade Autônoma de Madrid, está disponível para leitura e download neste endereço: http://es.scribd.com/doc/110692845/Planeta-Ciudad-Ecologia-Urbana-y-Planificacion-de-Ciudades-Medias-de-Brasil ou clicando na imagem acima.

A tese contém três estudos. O primeiro analisa a gestão ambiental das cidades médias do Brasil (aquelas com populações entre 100 mil e 500 mil habitantes), que, desde os anos 90, estão crescendo mais rapidamente, em número e área, dos que as pequenas e grandes cidades, e concentram 25% da população brasileira.

Os demais estudos analisam a diversidade vegetal de quintais de uma das cidades médias do Brasil (Maringá – PR) ao longo de um gradiente social. Os quintais são um tipo de uso do solo bastante comum, às vezes atingindo em conjunto 30% ou mais da área urbana total das cidades. Esses habitats possuem uma enorme capacidade de conservação da biodiversidade e podem ser planejados para o reforço da segurança alimentar. Apesar disso, são muito pouco pesquisados, e virtualmente invisíveis às municipalidades.

Parâmetros ecológicos como índices de diversidade, e de planificação, como cálculos de área livre para plantios são analisados, e quintais de moradores de baixa e alta renda são comparados. Identificamos centenas de espécies vegetais nesses espaços. Todas as espécies foram checadas na RED LIST de espécies ameaçadas da IUCN, e encontramos 08 espécies ameaçadas de extinção em cultivo nos quintais. Um projeto de incremento da biodiversidade através da introdução de árvores frutíferas em quintais da periferia de Maringá é descrito. Os resultados dos estudos e do projeto de extensão são discutidos, e diretrizes de planejamento são sugeridas.

O primeiro capítulo traça um panorama da urbanização no mundo, e detalha as especificidades dos rumos da urbanização no Brasil, como a tendência do estabelecimento de famílias menores, com um consequente aumento do número de moradias.

Fabio Angeoletto - Dr en ecología y medio ambiente / universidad autónoma de madrid em 30 de outubro de 2010

Vídeo – Ouro azul – a guerra mundial pela água

Em Nova York, o adeus à coca litrão

A imbatível combinação de pizza grande e refrigerante 2 litros está com os dias contados na cidade de Nova York. A partir de 12 de março, restaurantes e lanchonetes nova-iorquinas não poderão vender refrigerantes e outras bebidas adoçadas em vasilhames maiores do que 16 onças – o equivalente a 473 ml, sob pena de multa de US$ 200. Apenas água e sucos de fruta 100% naturais estarão isentos. A proibição foi proposta pelo prefeito Michael Bloomberg e aprovada em setembro, por unanimidade, pelo Conselho de Saúde da cidade.

Lutar contra a obesidade e os altos índices de incidência de diabetes são os principais motivos de Bloomberg. Mas, no país em que surgiram a Coca-Cola e a Pepsi, as duas maiores gigantes do setor, a limitação soa quase como heresia – para não dizer uma afronta à liberdade de escolha dos consumidores. Uma pesquisa feita pelo jornal “The New York Times” mostrou que 60% dos nova-iorquinos consideram a mudança uma “má ideia”.

A prefeitura argumenta que problemas relacionados à obesidade matam cerca de 6 mil pessoas por ano em Nova York, e que são mais comuns nas comunidades de baixa renda Um estudo feito em 2011 aponta que cerca de 70% da população negra e 66% da população hispânica da cidade é obesa, contra 52% dos residentes brancos.

A American Beverage Association, associação de fabricantes de bebidas, recorreu à Justiça em outubro para tentar barrar a legislação, com uma argumentação que se estende por 61 páginas. O caso está tramitando na Corte Federal de Manhattan. A associação também detonou uma campanha, em rádio e TV, no fim do ano passado, exaltando o direito dos consumidores à escolha.

A medida pode aliviar os riscos à saúde, mas vai doer no bolso dos moradores da cidade. O jornal “New York Post” fez as contas: uma pizzaria cobra, normalmente, US$ 3 por uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola, mas, com a restrição, os clientes terão que comprar seis latas de 12 onças (355 ml), a US$ 1,50 cada, ou seja, US$ 7,50, para ter a mesma quantidade. A restrição também afetará os pitchers, jarras de 60 onças (1,75 litros) comumente vendidos em restaurantes voltados para o público infantil.

— É ridículo. Por que eles (os restaurantes e lanchonetes) não poderão vender algo que se compra no supermercado? – questionou o advogado Robert Bookman, da New York City Hospitality Alliance, organização para promoção turística da cidade, que aderiu à campanha da associação de bebidas.

O efeito para a imagem do prefeito Bloomberg também não foi das melhores. Ele vem sendo apelidado pela população de “Nanny Mike” (Babá Mike) e “Mayor Poppins” (Prefeito Poppins, em referência à personagem Mary Poppins), devido à sua tentativa de tutelar as decisões do público.

Fonte – Márcio Beck, Jornal O Globo de 25 de fevereiro de 2013

Imagem - Love Of Carnage!

Olha a máfia do fast food se pronunciando, como sempre, para defender seu lixo. É lógico que vão defender seus produtos de merda e seu lucro fabuloso, nada mais natural.

É lindo como as pessoas berram pelos seus direitos mas se esquecem que alguém paga a conta pelos seus exageros. Se entopem de porcarias, ficam gordos como porcos, a saúde vai para o espaço e quem paga a conta? Todos os cidadãos, com seus impostos. Pressão na saúde pública por conta de gente que não sabe se controlar. Pois bem, se não sabem se controlar, temos que cortar o acesso ao que os fazem ficar doentes, tirar o doce de suas bocas.

Peloamordamãeterra, o estômago em repouso de qualquer pessoa normal é do tamanho de seu punho fechado. Feche seu punho, olhe fixamente para ele e se conscientize de que você não necessita de mais de meio litro de refrigerante, de um prato com comida empilhada para ficar da altura do Pão de Açúcar. Coma para viver, não viva para comer o mundo. O seu exagero custa ao planeta terra fértil, água, recursos naturais dos que você está abusando e que farão falta aos seus descendentes, os seres do amanhã, que ainda nem nasceram neste planeta.

Parabéns ao prefeito Bloomberg, que assumiu uma posição ativa nesta questão, já que o governo federal é comandado pelas corporações.

A incrível ciência do vício em junk food

Meu sogro trabalhou na década de 70 com o então governador de São Paulo. Ele gosta de contar uma anedota dessa época. Diz que o governador estava em campanha em uma cidade do interior e foi convidado para comer um creme de abacate numa casa simples local. Ele experimentou o creme e foi colocando mais e mais açúcar. E por fim declarou: “Muito obrigado, esse creme de abacate estava uma delícia.” Eis que o agricultor respondeu: “Também, dotô, com esse tanto de açúcar que o sinhô botô, até merda é bom.”

Desculpe pelo linguajar, mas a verdade é que o artigo New York Times publicado semana passada, escrito pelo vencedor do prêmio Pulitzer Michael Moss, chega à mesma conclusão que o agricultor acima chegou sobre a nossa alimentação.

O jornalista inicia o artigo contando sobre uma reunião de 1999, quando se começava a discutir a influência da indústria alimentícia sobre os índices crescentes de obesidade e consequentemente de doenças a ela relacionadas nos EUA. Para espanto e revolta dos presentes (todos presidentes de grandes empresas do setor), um dos palestrantes chegou a comparar a indústria de alimentos com a indústria do tabaco, a grande vilã da época. O presidente da General Mills na época resumiu o sentimento dos presentes: “O que vende é o que tem sabor bom, e não vamos mudar as nossas receitas porque meia dúzia de pessoas de avental branco estão preocupadas com a obesidade.” Segundo ele, a indústria oferece o que o consumidor quer, se as pessoas não têm força de vontade isso não é problema dos fabricantes de alimentos.

Michael Moss entrevistou mais de 300 ex-funcionários das principais empresas alimentícias e concluiu que não é bem assim: a indústria de alimentos é, sim, a principal responsável pelo fato de a obesidade hoje nos EUA atingir um terço dos adultos e uma em cada 5 crianças nos país. Segundo ele, milhões de dólares são gastos anualmente em pesquisas e marketing para fazer com que os consumidores sejam viciados em alimentos baratos e convenientes.

1. “Nesse campo eu sou o jogador que faz a diferença”

A primeira história que Michael Moss usa para fundamentar o seu argumento é o da fabricante do Dr. Pepper, um dos refrigerantes mais populares nos EUA. Percebendo que estava perdendo mercado com lançamentos dos concorrentes, a empresa lançou uma nova bebida chamada RedFusion, que foi um grande fracasso. Para reverter o problema, foi então chamado Howard Moskwitz, PhD em psicologia experimental. Moskwitz era conhecido no mercado por “otimizar” alimentos.

Como assim, otimizar? O que ele fazia era testar com muitos consumidores todas as combinações possíveis nos produtos, incluindo sabor, textura, cor, embalagens etc. até atingir a combinação ideal que mais agradasse aos potenciais consumidores. A conclusão a que ele mais chegava era a seguinte: “Quer fazer os consumidores felizes? Adicione açúcar e sal”. E assim foi criada, com a certeza do grande sucesso, a Cherry VanillaDrPepper.

Em entrevista a Michael Moss, Moskwitz, que também “otimizou” o molho de tomate, colocando na receita duas colheres de açúcar e um terço da quantidade diária recomendada de sódio em meia xícara do molho, revela: “Eu fiz o melhor que a ciência me permitia fazer. Estava lutando para sobreviver e não podia me dar o luxo de ser uma criatura moral. Eu era um pesquisador à frente do meu tempo.” Poderia ser o discurso de um traficante de drogas, só que não era.

2. “A hora do almoço é toda sua”

A segunda história utilizada por Moss foi da empresa Oscar Mayer, uma grande produtora de embutidos de carne vermelha. A empresa estava assustada com a crescente pressão que os seus produtos estavam sofrendo pela fama que tinham de aumentar o colesterol e causar doenças cardíacas. Assim a empresa decidiu focar nas mães, querendo entender o que elas desejavam em termos de produtos alimentícios para o almoço dos seus filhos. A principal reclamação das mães detectada na pesquisa foi a falta de tempo para preparar o almoço dos seus filhos. A maioria das crianças nos EUA fica na escola entre 9 da manhã e 3 tarde, ou seja, almoçam na escola. Nem todas as escolas oferecem serviço de cantina, então a maioria das mães tem que se preocupar com o almoço. Como grande parte dos americanos não cozinha e o jantar ou é comido fora de casa (30% dentro do carro, após passar em drive-thrus de redes de fast food) ou em bandejas prontas de congelados, acaba não havendo a opção de levar no almoço uma “quentinha” do jantar.

O que a Oscar Mayer fez com essa informação? Lançou o produto Lunchables. O produto original é uma combinação de carne embutida, um imitação de queijo, uns biscoitos água e sal e um doce tipo bombom. A combinação contém 9 gramas de gordura saturada (aproximadamente o máximo que uma criança poderia comer no dia todo), dois terços do total de sódio recomendado e inacreditáveis 13 colheres de chá de açúcar! O própria criador do Lunchables revela a Moss que seus críticos costumam alegar que “se você analisar o Lunchables poderá verificar que o guardanapo é o ítem mais saudável do pacote”.

Não satisfeitos em oferecer às mães o que elas teoricamente desejavam, o Lunchables faz um marketing pesado em cima das crianças com o singelo slogan “o dia todo você tem que fazer o que os adultos mandam, mas a hora do almoço é toda sua”.

A filha do dono da Oscar Meyer, ela própria mãe de 3 crianças, entrevistada por Moss revela: “Eu acho que as minhas filhas nunca comeram um Lunchablea. Elas sabem que existe e que o avô que criou o produto, mas aqui em casa nós comemos de forma saudável.” E o vovô completa: “Eu desejaria que o perfil nutricional do negócio fosse melhor, mas vejo o projeto como um todo como uma contribuição positiva para a vida das pessoas.” Então tá.

3. “É o que chamamos de desaparecimento da densidade calórica”

O último caso utilizado por Moss no seu artigo é o da empresa Frito-Lay, divisão da Pepsi que fabrica os famosos “porcaritos”. O mal que o sal faz para a saúde já foi bastante documentado pela ciência. Na Finlândia a redução a um terço do consumo de sal fez despencar a incidência de derrames e doenças cardíacas no país. Nos EUA, porém, o consumo de sal vem crescendo cerca de 150 gramas por ano. Boa parte dele vem do fato de que o americano consome em média 6 kilos de salgadinho por ano.

Como é possível alguém comer tanto salgadinho? Steven Withery, pesquisador da Frito-Lay, explica: “Isso é possível devido ao que chamamos de desaparecimento da densidade calórica. Se alguma coisa derrete rápido na boca, o seu cérebro entende que não tem calorias ali… e assim você consegue comer aquilo pra sempre”. Lembram do slogan “é impossível comer um só?”. Então a Frito-Lay investe cerca de 30 milhões de dólares por ano em pesquisa, incluindo até uma máquina que simula a boca humana para chegar a esse ponto exato de crocância e derretimento do salgadinho. E aí você é culpado porque não tem força de vontade o suficiente.

Um grande e famoso estudo publicado no New York Journal of Medicine, que acompanha a alimentação, fumo e atividade física demais de 120 mil pessoas desde 1986, chegou às seguintes conclusões. A quatro anos, quando os dados são analisados, percebe-se uma queda na atividade física, um aumento na quantidade de tempo gasto na frente da TV e um aumento médio de dois quilos na amostra estudada.

Os principais alimentos quem contribuem para o ganho de peso, segundo o estudo, são a carne vermelha, principalmente a superprocessada, as bebidas açucaradas e a batata (tanta na forma de batata frita, quanto purê, mas principalmente em forma de salgadinho). A forma como salgadinho de batata é metabolizado no corpo explica parte do problema: ao ser ingerido ele é transformado em glicose mais rápido do que o próprio açúcar, fazendo com que você continue querendo mais e mais.

Percebendo a crescente preocupação com uma dieta saudável, principalmente nas camadas mais ricas e educadas da população, a Coca-Cola lançou uma estratégia dupla: aumentou o marketing dos produtos diet e da sua água engarrafada nas áreas mais ricas e investiu pesado em marketing da Coca-Cola tradicional nos locais mais pobres dos EUA e do mundo.

Moss cita no seu artigo a iniciativa da coca cola nas favelas brasileiras. Com o objetivo de conquistar esses consumidores, a Coca lançou uma versão menor e mais barata do refrigerante, eliminando a barreira inicial do preço que impedia que as pessoas experimentassem o produto. A Nestlé tem uma estratégia semelhante no Brasil: leva seus produtos de barco a locais mais pobres e remotos do Brasil, onde a resistência a produtos com algo teor de açúcar e gorduras hidrogenadas é menor. Um ex-funcionário, que se tornou persona non grata na Coca Cola, afirma a Moss: “Essa estratégia me dá vontade de vomitar. Se tem uma coisa que essas pessoas que precisam de tanto realmente não precisam é de Coca-Cola.” É isso aí.

Fonte – Renata Kotscho Velloso, Infância Livre de Consumismo de 25 de fevereiro de 2013

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