A CTNBio e o pé de feijão

Em 2011 a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança liberou o uso comercial do feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa. Diferentemente das plantas modificadas até então comercializadas, o novo feijão pretende regular a expressão de genes a partir da modificação de seu RNA visando controlar doença que afeta a plantação. Já o milho, a soja e o algodão transgênicos existentes no mercado tiveram seu DNA alterado em laboratório para produzir novas proteínas que tornam as plantas resistentes a herbicidas ou letais a insetos.
As avaliações prévias de risco devem ser caso a caso, mas a difusa ideia de um suposto “histórico seguro de uso dos transgênicos” é arroz de festa nos pareceres técnicos que aprovam sua produção e comercialização. No caso do feijão, a ideia do histórico perde ainda mais aderência já que seu mecanismo de modificação genética é outro, buscando uma nova molécula de RNA e não uma nova proteína. Trata-se do RNA de fita dupla (double stranded RNA, ou dsRNA).
Isso é bastante diferente do processo mais comum, em que o DNA é modificado para que, no momento em que uma de suas sequências seja lida e copiada, seja originado um pedaço de RNA mensageiro (mRNA), que participará da formação da nova proteína.
Artigo recente publicado na conceituada revista científica Environment International traz uma revisão sobre o assunto reunindo evidências de que o dsRNA pode silenciar ou ativar genes, e que os genes silenciados podem ser transmitidos aos descendentes de organismos que consumirem ou mesmo inalarem dsRNA. Entre as pesquisas citadas está uma que identificou dsRNA de plantas na corrente sanguínea, sugerindo que o material sobrevive ao cozimento e à digestão. Já se identificou pelo menos um dsRNA de plantas que alterou a expressão de genes em ratos. Sabe-se também que esse material pode ter longa persistência no ambiente.
A partir de casos submetidos às autoridades de biossegurança na Austrália, Nova Zelândia e Brasil os autores do estudo concluíram que a segurança do dsRNA não foi avaliada, ou então que essas moléculas foram consideradas seguras a despeito da inexistência de evidências para tanto. No Brasil, o feijão foi o caso estudado. “Os três órgãos decidiram que não havia risco a ser considerado baseados em suas próprias alegações, incorretas e não comprovadas”, dizem os autores.
O RNA é parte inerente de todo organismo. Os potenciais efeitos adversos do dsRNA são determinados pela sequência de nucletídeos na molécula e não pela natureza química do RNA. Além disso, há diferenças entre a sequência das moléculas de dsRNA nas plantas transgênicas e naquelas encontradas na natureza, fato que torna sem fundamento alegar que todo o dsRNA é seguro.
Há muito ainda a ser investigado e entendido nesse campo, que começa agora a ser explorado em detalhe. Tanto é que os pesquisadores da Embrapa que desenvolveram o feijão transgênico assumem que “Ainda não foi determinado o motivo pelo qual essas duas estruturas em particular conferiram resistência ao vírus, [uma vez que] a estrutura dos transgenes demanda tempo e deve ser investigada”. Ou seja, na dúvida, a CTNBio achou melhor aceitar as incertezas e liberar.
O presidente da Comissão produziu uma resposta aos autores do artigo na Environmental International, na qual descreve uma cadeia de procedimentos usados para análise de risco de um organismo transgênico. A fonte citada não é uma normativa da CTNBio, mas livro publicado pelo International Life Sciente Institute – ILSI, uma entidade financiada por empresas como Monsanto, Syngenta etc. – as mesmas que estão entre os patrocinadores de congresso de biossegurança divulgado pela CTNBio em sua página eletrônica.
O pesquisador responsável pelo feijão subiu o tom e disse que a brasileira coautora das críticas deveria “responder em juízo algumas coisas que estão escritas no artigo”.
Um outro integrante da mesma CTNBio viu nas críticas ao processo de liberação do feijão o dedo de “profetas da catástrofe e arautos do medo [seguidores de uma] tendência que em nossos dias se ancora em pseudociência com a ajuda providencial de uma distorção do que é risco baseada no recém inventado ‘princípio da precaução’ em interpretação extrema”. Nada muito distante dos argumentos que se ouve na comissão e que guiam os votos que aprovam as liberações de transgênicos.
Diante de casos de decisões que se basearam a priori em pressupostos que dispensaram a avaliação do risco das novas moléculas ao invés de requerer evidências experimentais da ausência de efeitos adversos, os autores – uma brasileira, uma australiana e um neozelandês – propõem um procedimento para a adequada avaliação da segurança de organismos transgênicos que produzem dsRNA antes que estes sejam liberados para produção comercial e comercialização. Proposta razoável fossem as decisões nacionais baseadas em conhecimento técnico e biossegurança.
Fonte – Por um Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos & Agrotóxicos, Número 626 – 26 de abril de 2013 / Adital de 30 de abril de 2013
Imagem - tim.perdue
Leia mais em
E se os doutores estiverem errados?, novembro de 2011
ENSSER calls for scientific debate of potential health risks of GM wheat instead of ad hominem attacks on researchers, 19/11/2012
A comparative evaluation of the regulation of GM crops or products containing dsRNA and suggested improvements to risk assessments, 20/03/2013
New kinds of GM plants and pesticides not being assessed for safety, 21/03/2013
Pesquisadores alertam que órgãos reguladores falham ao analisar riscos de novos transgênicos, 22/03/2013
New paper on dsRNA risks – briefing for non-specialists, 22/03/2013
New paper on dsRNA type GMOs – QHYPERLINK “http://boletimtransgenicos.campanhasdemkt.net/registra_clique.php?id=H|546505|136006|9014&url=http://www.gmwatch.org/latest-listing/52-2013/14718-new-paper-on-dsrna-type-gmos-qaa-with-the-authors”&HYPERLINK “http://boletimtransgenicos.campanhasdemkt.net/registra_clique.php?id=H|546505|136006|9014&url=http://www.gmwatch.org/latest-listing/52-2013/14718-new-paper-on-dsrna-type-gmos-qaa-with-the-authors”A with the authors, 22/03/2013
“HYPERLINK “http://boletimtransgenicos.campanhasdemkt.net/registra_clique.php?id=H|546506|136006|9014&url=http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=86586″Novos” perigos dos transgênicos: proteínas saídas de promotores virais e RNAs malignos – renovada esperança para ecoradicais, 10/04/2013
Securing the safety of genetic modification, 15/04/2013
Polêmica à mesa, 16/04/2013
Parecer Técnico CTNBio nº 3024/2011 – Liberação Comercial de feijoeiro geneticamente modificado resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro
Proposta de Liberação Comercial de Feijoeiro Geneticamente Modificado Resistente ao Mosaico Dourado – Evento Embrapa 5.1 (EMB – PVØ51 – 1)
Avaliação de risco da CTNBio inclui os OGMs obtidos por tecnologia de interferência de RNA
Sobre o ILSI
Conheça 10 transgênicos que já estão na cadeia alimentar

Salmão geneticamente modificado é primeiro animal do tipo a ser liberado para o consumo
No final de dezembro passado, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicações éticas, econômicas sociais e políticas.
É a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano.
Mas muitos consumidores nos Estados Unidos, Europa e Brasil, regiões em que os organismos geneticamente modificados (OGMs) em questão de poucos anos avançaram em velocidade surpreendente dos laboratórios aos supermercados, passando por milhões de hectares de áreas cultiváveis, continuam desconfiados da ideia do homem cumprindo um papel supostamente reservado à natureza ou à evolução – e guardam na memória os efeitos nocivos, descobertos tarde demais, de “maravilhas” tecnológicas como o DDT e a talidomida.
Boa parte do público ainda teme possíveis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente.
Pesquisas de opinião nos Estados Unidos e na Europa, entretanto, indicam que a resistência aos OGMs tem caído, refletindo, talvez, uma tendência de gradual mudança de posição da percepção pública.
As principais academias de ciências do mundo e instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são unânimes em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrícolas convencionais de cruzamento de plantas.
O salmão transgênico, que pode chegar às mesas de jantar em 2014, será o primeiro animal geneticamente modificado (GM) consumido pelo homem.
Vários produtos GM já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores – apesar da (discreta) rotulagem obrigatória, no Brasil e na UE, de produtos com até 1% de componentes transgênicos.
A BBC Brasil preparou uma lista com 10 produtos e derivados que busca revelar como os transgênicos entraram, estão tentando ou mesmo falharam na tentativa de entrar na cadeia alimentar.
Milho - Dezoito variedade de milho transgênico são aprovadas para consumo no Brasil
Com as variantes transgênicas respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos, ou ambos. Dezoito variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos de comercialização de OGMs.
O mesmo pode ser dito da espiga, dos flocos e do milho em lata que você encontra nos supermercados. Há também os vários subprodutos – amido, glucose – usados em alimentos processados (salgadinhos, bolos, doces, biscoitos, sobremesas) que obrigam o fabricante a rotular o produto.
O milho puro transgênico não é vendido para consumo humano na União Europeia, onde todos os legumes, frutas e verduras transgênicos são proibidos para consumo – exceto um tipo de batata, que recentemente foi autorizado, pela Comissão Europeia, a ser desenvolvido e comercializado. Nos Estados Unidos, ele é liberado e não existe a rotulação obrigatória.
Óleos de cozinha
Os óleos extraídos de soja, milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas – e cujas sementes são uma mina de ouro para as cerca de dez multinacionais que controlam o mercado mundial – chegam às prateleiras com a reputação “manchada” mais pela sua origem do que pela presença de DNA ou proteína transgênica. No processo de refino desses óleos, os componentes transgênicos são praticamente eliminados. Mesmo assim, suas embalagens são rotuladas no Brasil e nos países da UE.
Soja - Óleo de soja é o principal subproduto do cultivo transgênico para o consumidor
No mundo todo, o grosso da soja transgênica, a rainha das commodities, vai parar no bucho dos animais de criação – que não ligam muito se ela foi geneticamente modificada ou não. O subproduto mais comum para consumo humano é o óleo (ver acima), mas há ainda o leite de soja, tofu, bebidas de frutas e soja e a pasta misso, todos com proteínas transgênicas (a não ser que tenham vindo de soja não transgênica). No Brasil, onde a soja transgênica ocupa quase um terço de toda a área dedicada à agricultura, a CTNBio liberou cinco variantes da planta, todas tolerantes a herbicidas – uma delas também é resistente a insetos.
Mamão papaya
Os Estados Unidos são o maior importador de papaya do mundo – a maior parte vem do México e não é transgênica. Mas muitos americanos apreciam a papaya local, produzida no Havaí, Flórida e Califórnia. Cerca de 85% da papaya do Havaí, que também é exportada para Canadá, Japão e outros países, vem de uma variedade geneticamente modifica para combater um vírus devastador para a planta. Não é vendida no Brasil, nem na Europa.
Queijo
Aqui não se trata de um alimento derivado de um OGM, mas de um alimento em que um OGM contribuiu em uma fase de seu processamento. A quimosina, uma enzima importante na coagulação de lacticínios, era tradicionalmente extraída do estômago de cabritos – um procedimento custoso e “cruel”. Biotecnólogos modificaram micro-organismos como bactérias, fungos ou fermento com genes de estômagos de animais, para que estes produzissem quimosina. A enzima é isolada em um processo de fermentação em que esses micro-organismos são mortos. A quimosina resultante deste processo – e que depois é inserida no soro do queijo – é tida como idêntica à que era extraída da forma tradicional. Essa enzima é pioneira entre os produtos gerados por OGMs e está no mercado desde os anos 90. Notem que o queijo, em todo seu processo de produção, só teve contato com a quimosina – que não é um OGM, é um produto de um OGM. Além disso, a quimosina é eliminada do produto final. Por isso, o queijo escapa da rotulação obrigatória.
Pão, bolos e biscoitos - Bolos e pães têm componentes derivados de milho e soja transgênicos
Trigo e centeio, os principais cereais usados para fazer pão, continuam sendo plantados de forma convencional e não há variedades geneticamente modificadas em vista. Mas vários ingredientes usados em pão e bolos vêm da soja, como farinha (geralmente, nesse caso, em proporção pequena), óleo e agentes emulsificantes como lecitina. Outros componentes podem derivar de milho transgênico, como glucose e amido. Além disso, há, entre os aditivos mais comuns, alguns que podem originar de micro-organismos modificados, como ácido ascórbico, enzimas e glutamato. Dependendo da proporção destes elementos transgênicos no produto final (acima de 1%), ele terá que ser rotulado.
Abobrinha
Seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de vírus são plantadas e comercializadas nos Estados Unidos e Canada. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.
Arroz
Uma das maiores fontes de calorias do mundo, mesmo assim, o cultivo comercial de variedades modificadas fica, por enquanto, na promessa. Vários tipos de arroz estão sendo testados, principalmente na China, que busca um cultivo resistente a insetos. Falou-se muito no golden rice, uma variedade enriquecida com beta-caroteno, desenvolvida por cientistas suíços e alemães. O “arroz dourado”, com potencial de reduzir problemas de saúde ligados à deficiência de vitamina A, está sendo testado em países do sudeste asiático e na China, onde foi pivô de um recente escândalo: dois dirigentes do projeto foram demitidos depois de denúncias de que pais de crianças usadas nos testes não teriam sido avisados de que elas consumiriam alimentos geneticamente modificados.
Feijão - Feijão transgênico deve ser distribuído no Brasil em 2014
A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, tido como o maior inimigo dessa cultura no país e na América do Sul. As sementes devem ser distribuídas aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que pode ajudar o país a se tornar autossuficiente no setor. É o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.
Salmão
Após a aprovação prévia da FDA, o público e instituições americanos têm um prazo de 60 dias (iniciado em 21 de dezembro) para se manifestar sobre o salmão geneticamente modificado para crescer mais rápido. Em seguida, a agência analisará os comentários para decidir se submete o produto a uma nova rodada de análises ou se o aprova de vez. Francisco Aragão, pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, disse à BBC Brasil que tem acompanhado o caso do salmão “com interesse”, e que não tem dúvidas sobre sua segurança para consumo humano. “A dúvida é em relação ao impacto no meio ambiente. (Mesmo criado em cativeiro) O salmão poderia aumentar sua população muito rapidamente e eventualmente eliminar populações de peixes nativos. As probabilidades de risco para o meio ambiente são baixas, mas não são zero…na natureza não existe o zero”.
E estes não deram certo…
A primeira fruta aprovada para consumo nos Estados Unidos foi um tomate modificado para aumentar sua vida útil após a colheita, o “Flavr Savr tomato”. Ele começou a ser vendida em 94, mas sua produção foi encerrada em 97, e a empresa que o produziu, a Calgene, acabou sendo comprada pela Monsanto. O tomate, mais caro e de pouco apelo ao consumidor, não emplacou. O mesmo ocorreu com uma batata resistente a pesticidas, lançada em 95 pela Monsanto: a New Leaf Potato. Apesar de boas perspectivas iniciais, ele não se mostrou economicamente rentável o suficiente para entusiasmar fazendeiros e foi tirada do mercado em 2001.
Fonte - Thomas Pappon, BBC Brasil / EcoDebate, de 13 de fevereiro de 2013
Imagem - Fabrizio Moglia
Transgênicos. Se você não comprar, eles não irão produzir! Transgênicos, não!
A falsa promessa brasileira

As promessas dos transgênicos das multinacionais foram caindo por terra uma a uma. Agora é a vez das promessas nacionais.
Nos testes feitos pela Embrapa, a primeira geração das plantas modificadas apresentou até 36% de plantas suscetíveis à doença que deveria controlar. Afirmam os pesquisadores que o evento de modificação para controle da doença ainda precisa ser melhor estudado. Pode-se falar em plantas resistentes?
O milho Bt veio para acabar com as lagartas, criou em 2 anos lagartas resistentes e deu a uma praga secundária o poder de causar grandes danos econômicos. Quanto tempo será necessário até que se crie um vírus resistente a esse feijão e ainda mais danoso às lavouras?
Vale ainda notar que a matéria abaixo informa que as normas de segurança para uso do feijão transgênico serão feitas pela própria Embrapa, o que mostra que a CTNBio liberou as sementes sem cumprir aquilo que deveria ser sua função. Quais normas de segurança foram criadas para o plantio de soja, milho e algodão das empresas multinacionais?
Feijão transgênico brasileiro espera por normas de segurança
O feijão geneticamente modificado pela Embrapa, que será a primeira semente transgênica desenvolvida no Brasil e o primeiro feijão transgênico do mundo, espera por mais testes e pela confirmação de normas de segurança antes de ser distribuído ao mercado nacional
O feijão geneticamente modificado pela Embrapa, que será a primeira semente transgênica desenvolvida no Brasil e o primeiro feijão transgênico do mundo, espera por mais testes e pela confirmação de normas de segurança antes de ser distribuído ao mercado nacional, segundo a gerente-geral interina da Embrapa Produtos e Mercados, Soraya Araújo. “Temos que seguir uma série de normativas de segurança”.
Ela confirmou que a previsão é que somente em 2015 o sistema de produção estará fechado, com padrão de qualidade garantido. Por enquanto, a Embrapa busca estruturar o sistema de segmentação e identificação da semente. A comercialização do feijão transgênico já foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) há dois anos.
A semente da Embrapa é resistente ao mosaico dourado, uma doença causada por um geminivírus transmitido pela mosca branca e que provoca o amarelecimento das folhas, nanismo, deformação das vagens e grãos e abortamento das flores. Uma plantação acometida pela doença tem perdas de 40% a 100%.
Segundo levantamento da Embrapa, outro produto que ainda está em desenvolvimento, também pela ela, é a alface transgênica, que teria mais ácido fólico em suas folhagens. Porém, essa hortaliça ainda não passou pela avaliação da CTNBio.
Fonte – DCI / Camila Souza Ramos, Blog Em Pratos Limpos de 01 de abril de 2013
Imagem - CIAT International Center for Tropical Agriculture
Transgênicos, não, nunca!
Em 2014 o feijão transgênico estará na mesa dos brasileiros

Pelas declarações da presidência da CTNBio Edilson Paiva parece que tudo é maravilha e que a nova tecnologia numa atitude ufanista e perigosa, foi aprovada em bases científicas sólidas. E que todo argumento pedindo precaução e mais estudos para esclarecer pontos questionáveis apresentados no processo são puro obscurantismo e posições simplesmente ideológicas.
Não vou discorrer sobre os princípios e tratados assinados pelo Brasil (Princípio da Precaução, Convenção sobre a Biodiversidade, em itens relacionadas à agrobiodiversidade, como a BFN -Biodiversidade, Alimentação e Nutrição-, Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura da FAO -TIRFAA- e Global Plan of Action (GPA), pois são sumariamente desconsiderados pela CTNBio. Pois vamos aos fatos científicos desprezados por aqueles que acham obscurantismo se preocupar com população brasileira que come diariamente em média 170 gramas de feijão, praticamente a vida toda.
Para garantir que não existe risco para a população de se alimentar com este feijão foram analisados 10 ratos, que foram alimentados por apenas 35 dias com o feijão transgênico comparados com o mesmo feijão não transgênico, Não foram avaliados, ao menos não foram apresentados, dados sobre os efeitos em animais em período de gestação e tampouco estudos de efeitos sobre mais de uma geração, previstos em normas da CTNBio (RN.5). Para as observações listadas a seguir foram avaliados apenas 3 ratos dos 10 iniciais, e os resultados foram: um maior tamanho das vilosidades no intestino delgado (jejuno), esta mesma tendência foi observada nas avaliações do intestino delgado (íleo) mesma tendência também no intestino grosso (cólon) Avaliando os rins, observou-se que houve uma diminuição do tamanho dos rins (direito e esquerdo), Fígado, houve também aumento no peso do fígado dos animais submetidos a dieta com o feijoeiro 5.1 da Embrapa.
A alegação para desconsiderar estas informações é que os dados não são estatisticamente significativos. Como se pode obter dados significativos com a avaliação de 3 animais alimentados durante 35 dias? Lembrando que a população brasileira consome durante toda a vida? Nenhuma revista científica séria no mundo aceitaria um trabalho destes para publicação com esta amostragem, mas os “cientistas” aceitaram.
Quando os dados foram estatisticamente significativos observados na planta do feijão, nos seguintes aspectos: a) no teor de vitamina B2 em grãos do feijoeiro Embrapa 5.1 comparados com seu parental, b) observada diferença estatisticamente significativa para o teor de Cisteína (aminoácido) entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental, observada uma diferença estatística entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental para o Extrato etéreo (gorduras), os “cientistas” não consideraram importantes em seu parecer.
Em todos os casos o comportamento deveria ser idêntico entre o feijão Embrapa 5.1, e o seu parental e não foram. Qual a causa destes resultados? Informações estas que são alertas mais que suficientes para que uma pesquisa preocupada com a biossegurança analisasse o caso com mais rigor.
Outro fato relevante é a falta de estudos com Rhizobium e nodulação no feijoeiro, característica importante em leguminosas. Quando levantado este questionamento, o presidente da CTNBio afirmou na última reunião que poderíamos ficar tranqüilos, “ele garantia que não seria afetada a fixação biológica”, isto sem nenhum estudo realizado por ele ou pela Embrapa neste evento, numa demonstração clara de “isenção ideológica e alto espírito científico”, em prol da aprovação.
Um fato muito importante a ser considerado é de que trata-se da primeira liberação comercial no mundo de uma planta transgênica com esta construção genética,o que é motivo para comemorar, mas também para redobrar os cuidados antes de sua liberação.
A Embrapa informa no processo que feijão transgênico a Embrapa 5.1, interage de forma diferenciada com cada genoma recepto, isto pode comprometer biossegurança ou o biorrisco do produto resultante dos premeditados novos cruzamento decorrente da liberação pela CTNBio. A liberação comercial no evento Embrapa 5.1, é base para o desenvolvimento de variedades comerciais de feijoeiro, portanto a sua liberação implicará na possibilidade de ser utilizado em cruzamentos convencionais, com qualquer material de feijão e, que a partir daí no entender da CTNBio, não necessita mais passar por avaliações da CTNBio por ser considerado um cruzamento convencional em toda “Terra Brazilis”.
Seria obscurantismo optar por mais estudos para esclarecer estas dúvidas, ou seria uma cegueira científica a desconsideração destes fatos?
José Maria Gusman Ferraz é membro da CTNBio, pesquisador aposentado da Embrapa, professor do mestrado em agroecologia da UFSCar, pesquisador convidado do Laboratório de Engenharia Ecológica da Unicamp e diretor da Associação Brasileira de Agroecologia.
Fonte – Artigo socializado pelo Jornal da Ciência/SBPC, JC e-mail 4359 e publicado pelo EcoDebate em 07 de outubro de 2011
Imagem - tim.perdue
Vai um feijãozinho aí? Eca!
Lagartas atacam plantações de milho transgênico no Paraná e no DF

‘Lagarta do cartucho’ fica escondida onde as folhas se formam. Agricultores do DF utilizam cada vez mais agrotóxicos para combater praga.
A tecnologia que deveria matar as lagartas na lavoura de milhos transgênicos, não está conseguindo eliminar a praga. Em algumas regiões do país, como o Paraná e Distrito Federal, produtores estão preocupados com o prejuízo.
O agricultor Ildefonso Ausec plantou na safrinha 60 hectares de milho no município de Ourizona, norte do Paraná. A lavoura é transgênica, que deveria ser resistente à lagarta. A praga também atacou o milharal de seu irmão, João Paulo. “É só procurar que tem. Essa é a lagarta do cartucho. Não tem dúvida”, conta o agricultor.
A lagarta tem esse nome popular, porque fica escondida no funil da planta, no chamado cartucho, onde as folhas se formam. O nome científico dela é bem mais complicado: spodoptera frugiperda.
O agrônomo Erico Rigolim explica como o milho transgênico foi programado para resistir ao ataque das lagartas, através da inserção de um bacilo na semente. “Um determinado bacilo ataca no intestino, no aparelho digestivo da lagarta transformando em cristais e matando o bicho, mas não está funcionando porque está criando resistência”.
Apenas em uma área, o produtor Ildefonso já passou veneno quatro vezes, e ainda assim a infestação é grande. A maioria das plantas está com as folhas bem estragadas, cortadas.
A nota fiscal do agricultor comprova a aquisição das sementes transgênicas com a tecnologia Herculex. Ele adquiriu sementes da empresa Pioneer, da variedade p-3431 h.
Ildefonso começou a passar inseticida 15 dias após o plantio. “O tamanho que ela está não tem condições. O prejuízo será muito maior agora se insitir em passar veneno. Até quando?”, questiona Ildefonso.
O problema não está acontecendo apenas no Paraná. Em Tabatinga, no Distrito Federal, os produtores que cultivaram milho transgênico, enfrentam o mesmo problema. O agrônomo Gilson Rodrigues diz que isso está ocorrendo com uma determinada tecnologia. “Observamos principalmente na tecnologia Herculex”.
O que intriga os produtores e técnicos é que, mesmo seguindo as orientações do cultivo de transgênicos, o ataque das lagartas persiste. O agricultor Eduardo Tiggemann, por exemplo, fez a chamada área de refúgio. A parte do milho transgênico é de 450 hectares. Ao lado, ele cultivou um talhão de 45 hectares com a variedade convencional.
O objetivo do refúgio é permitir que aconteça na área o cruzamento das lagartas que frequentam os dois tipos de milho e assim evitar que elas criem resistência ao transgênico. “Em relação ao número de lagartas hoje você não consegue ver diferenças entre as duas plantações. O número de lagartas por planta é a mesma nas duas tecnologias”, conta o agricultor.
O Globo Rural procurou a resposta das duas empresas que vendem essa tecnologia no Brasil. Nós procuramos a empresa Dow Agrosciences, que desenvolveu a tecnologia do milho transgênico. Ela nos informou que a responsabilidade cabe a outra empresa, a Pioneer, do município gaúcho de Santa Cruz do Sul. É ela que produz e vende a semente Herculex no mercado brasileiro. A Pioneer não quis dar entrevista gravada e respondeu através de nota, que a maioria dos agricultores não adota todas as práticas de controle, como áreas de refúgio, monitoramento e rotação de culturas.
Clique no link abaixo para assistir ao vídeo
Fonte – G1 agronegócios de 31 de março de 2013
La Comisión Europea y Monsanto ocultaron la alta toxicidad del glifosato

Quer ir a fundo no assunto dos transgênicos e saber como eles estão destruindo a humanidade e porque você jamais deve consumir esses alimentos perigosos, leia a matéria e todos os links.
Por la Dra. Eva Sirinathsinghji y la Dra, Mae-Wan Ho, Instituto de Ciencia en Sociedad, ISIS
La Comisión Europea aprobó el uso del glifosato sabiendo, como también lo sabía Monsanto, que causa defectos de nacimiento, algo que se ocultó a la gente. Este herbicida debiera ser prohibido, dicen la Dra. Eva Sirinathsinghji y la Dra. Mae-Wan Ho.
Por favor, póngase en contacto con sus representantes políticos para exigirles la prohibición mundial del herbicida glifosato
Un informe escrito por un grupo internacional de científicos e investigadores de la organización no gubernamental Open Earth Source (OES), revela que los estudios realizados por la empresa Monsanto, ya en la década de 1990, mostraba que el glifosato causa defectos de nacimiento. A pesar de ello, la Comisión Europea aprobó el uso de este herbicida con pleno conocimiento de aquellos estudios.
El glifosato es el ingrediente activo del herbicida Roundup de Monsanto y de otras formulaciones comerciales. Su uso causa gran preocupación por los efectos nocivos que los estudios científicos vienen señalando desde hace varios años, entre los que se incluyen alteraciones endocrinas, daño en el ADN, toxicidad reproductiva y en el desarrollo, neurotoxicidad, cáncer y defectos de nacimiento (véase [[2] Glyphosate Toxic and Roundup Worse, SiS 26; [3] Death by Multiple Poisoning, Glyphosate and Roundup, SiS 42; [4] Ban Glyphosate Herbicide Now, SiS 43; [5] Lab Study Establishes Glyphosate Link to Birth Defects, SiS 48).
El herbicida Roundup de Monsanto es el más vendido en todo el mundo y su uso se ha incrementado de manera exponencial. Monsanto ha introducido cultivos modificados genéticamente (OGM) tolerantes al glifosato, tales como los RR (Roundup Ready) de la soja. En la actualidad, casi el 80% de la producción mundial de soja se obtiene en los Estados Unidos, Brasil y Argentina, y en año 2009, la soja RR representaba el 91%, el 99% y el 71% respectivamente de la superficie total de soja de esos países. Desde 1997, la producción de soja RR ha aumentado de 5 a 30 millones de hectáreas, eso sólo en los Estados Unidos (1). Se ha encontrado que en la soja quedan residuos de glifosato, hasta 10 veces más alta que la dosis que provoca malformaciones fetales en los embriones de pollo y de rana.
Con el uso generalizado de los herbicidas y la aprobación por parte de la UE del uso del glifosato en los cultivos transgénicos tolerantes a este herbicida, se observa la urgente necesidad de una revisión adecuada del herbicida, para ser consecuentes con la nueva normativa más estricta sobre el uso de los pesticidas aprobada por la UE en junio de 2011. De hecho, la revisión estaba prevista para el año 2012, sin embargo se ha retrasado la revisión del glifosato y otros 38 plaguicidas al año 2015 (1). Por otra parte, la revisión de 2010 se hizo bajo la antigua normativa, menos estricta. La razón oficial que se ha dado para este retraso es que tienen demasiada carga de trabajo. Esto significa que la seguridad del glifosato no podrá ser revisada bajo la nueva normativa hasta el año 2030.
Retrasar esta revisión ha sido cuestionada en una demanda contra la CE por Pesticides Action Network Europe y Greenpeace. Los coautores del informe realizado por Open Earth Source (OES) también han solicitado que se lleve a cabo una revisión del sistema sin más demoras, y se retire del mercado el glifosato y Roundup.
Evidencias de defectos de nacimiento en los estudios realizados por la Industria y en los independientes
El informe de la OES revela que en los estudios llevados a cabo por la Industria en la década de 1990 ya se mostraba la letalidad embrionaria y los defectos de nacimientos en los animales de laboratorio, entre los que se incluía dilatación del corazón en los conejos a bajas dosis de glifosato. A dosis más altas, ya se señalaron deformaciones en los estudios independientes realizados desde los años 1980.
Monsanto ha contestado negando sus propias conclusiones (6): “Las autoridades reguladores y los expertos independientes de todo el mundo coinciden en que el glifosato no causa defectos adversos reproductivos en animales adultos o defectos de nacimientos en las crías de estos adultos expuestos al glifosato, incluso a dosis más altas que por exposición ambiental o laboral”.
Sin embargo, los “expertos independientes” de los que habla Monsanto están sumidos en conflictos de interés, tanto a nivel económico como profesional, y basan casi por completo sus investigaciones en los estudios realizados por la Industria (1).
Estudios independientes han revelado vínculos con el cáncer, alteraciones genéticas y alteraciones endocrinas, así como defectos en el desarrollo, por ejemplo, anomalías craneofaciales y vertebrales en ratas (7), deformidades de la boca, alteraciones oculares y de la cola, curvada en los renacuajos de la rana (8). Los estudios más recientes realizados por el Dr. Andrés Carrasco y sus colegas muestran una relación entre el glifosato y el ácido retinoico, señalando un desarrollo embrionario anormal (5,9).
Sorprendentemente, estos y otros numerosos estudios citados en el Informe de la OES fueron desestimados por la Comisión Europea (CE) y la Oficina Federal Alemana para la Protección de los Consumidores y Seguridad Alimentaria (BVL), que es la responsable de la coordinación entre la Industria y la CE. La conclusión de la BVL, comunicada a la CE a través del Informe de 1998 “Proyecto de Informe de evaluación” (DAR), fue que “no hay evidencias de teratogenicidad” para el glifosato.
El Proyecto de Informe de Evaluación contiene pruebas indiscutibles
El Informe alemán de 1998, DAR, fue crucial para que el glifosato fuese aprobado por la UE, al señalar en sus conclusiones que el “glifosato no tiene efectos teratogénicos”, si bien también se decía en sus conclusiones que a dosis más altas causaba “osificación reducida y una mayor incidencia de trastornos esqueléticos o de los órganos internos” en los fetos de las ratas y de los conejos. Además, agregaba que los estudios realizados por la Industria sobre el glifosato a dosis altas mostraba un reducido número de fetos viables en las camadas de ratas y conejos, con un aumento de los defectos congénitos. Las anomalías esqueléticas encontradas por la Industria en los primeros estudios son consistentes con los hallazgos más recientes en las investigaciones de Andrés Carrasco y al (5,9). Sin embargo, estas anormalidades no se tuvieron en cuenta por motivos espurios, tales como que las altas dosis que envenenaron a las madres (dosis tóxicas) no eran dosis pertinentes para la evaluación de los riesgos humanos, ya que la madre se puede envenenar con cualquier sustancia pudiendo alterar el desarrollo del feto y causar defectos de nacimiento. Esta absurda suposición es impugnada por la literatura científica independiente, y algo muy debatido incluso por la propia Industria.
Puedes ver fotografías de lechones tomadas por el criador de cerdos Borup Pedersen, alimentados con soja transgénica, y en los que pueden observar distintos tipos de malformaciones. (Véase: http://noticiasdeabajo.wordpress.com/2012/04/30/dinamarca-se-relaciona-la-soja-transgenica-con-danos-en-la-cria-del-cerdo/
Una historia de manipulaciones y engaños por parte de los reguladores alemanes y de la UE
Como resulta evidente en el informe de Alemania de 1998, DAR, se manipularon las evidencias científica mediante diversas estratagemas que llevaron a mentir, con un total desprecio por el principio de precaución.
Los animales expuestos al glifosato en los estudios presentados por la Industria muestran efectos frente a los animales no expuestos, y eso en dosis tan bajas como 20 mg por kg de peso corporal. Tanto es así, que la Dirección de Seguridad de Pesticidas del Reino Unido (PSD) apoya la teratogénesis del glifosato (1): “Considerados de forma aislada, ninguno de los hallazgos de los estudios sobre los efectos teratológicos en los conejos sería motivo de preocupación. Sin embargo, se observa en general la incidencia de un mismo patrón”.
Alemania, por su parte, recurrió a incluir a los grupos de control “históricos” dentro de los estudios no publicados ( y por lo tanto irrelevantes), que tuvo el efecto de aumentar la variación y por lo tanto la de anular cualquier significación estadística de los experimentos realizados por la Industria. La Dirección de Seguridad de Pesticidas del Reino Unido (PSD) terminó por pedir a Alemania que pusiese a su disposición los datos de los controles anteriores, pero no está claro si la PSD vio esos datos, o, si los vio, cómo respondió. Y hasta la fecha, esos datos de control históricos siguen ocultos al público.
En el informe de la Open Earth Source (OES) se comenta: “El uso de los datos históricos en lugar de los controles concurrentes añade variables a un experimento que tiene por objeto el control de las variables, ocultando los efectos teratogénicos del glifosato, y evita cualquier conclusión en este sentido. Es por eso que el uso de los datos históricos de control es un asunto controvertido. En la práctica no está permitido en Evaluación Toxicológica en animales y en otros estudios para la aprobación de los plaguicidas”.
Los controles válidos para un experimento exigen que sean animales de la misma cepa genética, de la misma edad, criados en el mismo ambiente y estudiados al mismo tiempo que los animales tratados. Además, “la manera en que los animales serán examinados y evaluados, y los datos registrados, debe hacerse de la misma forma”.
El Informe de la OES afirma: “Si esas prácticas de utilizar los controles históricos se descubrieran en un estudio científico independiente se consideraría un fraude científico”.
En resumen, la Industria y los reguladores cometieron una serie de manipulaciones en las pruebas científicas para favorecer la aprobación del uso del glifosato.
- La Industria (incluyendo a Monsanto) conocía desde la década de 1980 que el glifosato causa defectos de nacimiento en los animales en altas concentraciones.
- La Industria también sabía desde 1993 de los efectos a bajas y medias dosis.
- El Gobierno alemán conocía que el glifosato causa defectos de nacimiento, por lo menos desde el año 1998, año en que envía el Informe DAR a la CE.
- El Panel de Expertos de la CE que realizó la revisión científica, ha sabido desde el año 1999 que el glifosato causa defectos de nacimiento.
- La CE sabe desde el año 2002 que el glifosato causa defectos de nacimiento, año en que la Dirección General de DANCO (Sanidad y Protección de los Consumidores) publicó el Informe final del examen para la aprobación del glifosato.
A lo largo de todos estos años está información se ha ocultado al público y los trabajos de los científicos independientes sobre los efectos teratogénicos del glifosato y Roundup han sido ignorados, rechazados, o incluso denigrados.
El LOAEL (nivel más bajo de efectos adversos observables) del glifosato se estableció en Alemania en 60 mg por kilogramo de peso corporal y día, por lo menos 3 veces superior al indicado por la Industria hasta la fecha, a través de un juego de prestidigitación que sólo consideraba la “exposición crónica” en la “especie más sensible”, que era la rata, mientras que los estudios independientes señalaban un LOAEL de sólo 5 mg por kg de peso corporal para los trastornos endocrinos y daños hepáticos en las ratas. El LOAEL se utiliza para establecer la ingesta diaria admisible (IDA), que es de 1/100 del LOAEL. Por consiguiente, la IDA actual de 0,6 mg por kilogramo y día es al menos 10 veces mayor que los niveles establecidos en el momento de fijarse.
La mala ciencia protegida por la Industria posee pautas y directrices cuestionables
Además de la manipulación absoluta de las pruebas científicas, la Industria ha erigido un escudo eficaz para su mala ciencia bajo el disfraz de “Buenas prácticas de Laboratorio” (GLP), unas pautas y directrices establecidas por la Organización para la Cooperación y Desarrollo Económico (OCDE), una organización no científica. Esta Guía de Buenas Prácticas ha sido ya fuertemente criticada en un documento firmado por 30 científicos (10). que señalan que las GLP “no especifican nada acerca de la calidad del diseño de la investigación, las habilidades de los técnicos, la sensibilidad de los ensayos, o ya sean los métodos empleados, bien estén al día o sean ya caducos”. La Comunidad Europea y la Autoridad Europea de Seguridad Alimentaria (EFSA) aceptan ambos las directivas GLP y la investigación independiente que no se ajuste a ellas puede ser ignorada para los propósitos de evaluación. Por lo tanto, la investigación del equipo del Dr. Andrés Carrasco y otros estudios independientes que muestran daños causados por el glifosato o Roundup fueron rechazados en razón de que los sistemas de prueba no estaban validados y consideraron los estudios “inapropiados e irrelevantes a efectos de evaluación de riesgos en la salud humana” (porque los realizaron en animales no aprobados, que son las ratas, los ratones y los perros, por ejemplo). En otras palabras, no realizaron la investigación de acuerdo con las normas GLP. Como observa el Informe de la OES (1): “Esto plantea la pregunta ¿por qué financian los Gobiernos investigaciones científicas si luego ignoran los resultados en casi todas las evaluaciones de riesgo?”.
De hecho los estudios de toxicidad según las normas GLP han sido criticados por el uso actualizado de protocolos que utilizan unas dosis muy altas, en niveles cercanos a la intoxicación y que pueden tener poca relación con los niveles de exposición en el medio, y los animales de prueba mueren antes de llegar a la vejez, enmascarando la mayor parte de las enfermedades en desarrollo. En resumen, las pruebas realizadas según los protocolos GLP rara vez encuentran toxicidad.
Comparando los NOAEL (niveles sin efectos adversos observables) de la Industria y de los estudios independientes sobre docenas de sustancias químicas, los estudios independientes detectan importantes efectos tóxicos a niveles muy inferiores a los de la Industria. Sin embargo, los reguladores siguen ignorando hasta la fecha los estudios independientes en favor de los de la Industria, debido a que cumplen con las directrices GLP de la OCDE. Su rechazo a las recientes conclusiones del equipo de Carrasco es indefendible, por su no adhesión a la Guía de Buenas Prácticas, como se señala en el informe de la OES (ver también 5).
Por otra parte, la OCDE estableció en el mes de septiembre unos rígidos criterios, científicamente incorrectos, sobre la respuesta de las dosis en las pruebas toxicológicas. No tienen en cuenta efectos como la interrupción endocrina y otros efectos que se observan a dosis bajas más que a altas, lo que invalida la suposición de que existe una dosis segura según la cual no hay toxicidad significativa.
El nuevo reglamento de la UE sobre pesticidas tiene el potencial de poner fin a la tiranía de las normas GLP al insistir en los estudios científicos independientes revisados por pares en la evaluación de los plaguicidas. Sin embargo, la nueva normativa obliga a la Industria a hacer su propia búsqueda de Literatura científica en la preparación de un archivo sobre los plaguicidas, dando así el control total a los estudios de la Industria, que son los que seleccionarán para su inclusión y así reforzar la tiranía de las normas GLP.
Pruebas en humanos ante el aumento de las preocupaciones por los efectos en la salud
Debido a las evidentes restricciones para realizar experimentos en seres humanos, los datos sobre la toxicidad del glifosato en las personas son difíciles de obtener en un laboratorio. Sin embargo, sí se han obtenido resultados a partir de los estudios realizados en líneas celulares humanas. Un experimento realizado por el científico francés Giles-Eric Séralini y sus colegas en el año 2009, encontró que Roundup causaba la muerte de las células umbilicales, de las células embrionarias y de la placenta en sólo 24 horas (3,11).
Además, con el uso generalizado del glifosato en países como Argentina y Canadá, las pruebas de que se están produciendo daños en los seres humanos están aumentando. Un gobierno local de Argentina recoge en un documento ( o véase este otro Informe: http://noticiasdeabajo.wordpress.com/2012/07/30/informe-del-primer-encuentro-nacional-de-medicos-de-pueblos-fumigados/) que se han triplicado el número de cánceres infantiles entre 2000 y 2009, y cuadriplicado el número de defectos de nacimiento en las zonas donde se utilizan agroquímicos (véase referencia [12] Argentina’s Roundup Human Tragedy, SiS 48). Carrasco señala en su estudio (9): “Los resultados obtenidos en el laboratorio son compatibles con las malformaciones observadas en los seres humanos expuestos al glifosato durante el embarazo”.
Un estudio epidemiológico en Ontario, Canadá, también ha encontrado altos niveles de nacimientos prematuros y abortos espontáneos en las mujeres que pertenecen a familias agricultoras que utilizan plaguicidas, incluyendo el glifosato.
La respuesta de la Oficina Federal Alemana para la Protección de los Consumidores y Seguridad Alimentaria (BVL) a esos problemas fue de que eran irrelevantes para la situación de Europa, así como ya existen planes para aumentar los cultivos tolerantes al glifosato. “Aunque hay indicios de un aumento de las malformaciones debido a la amplia exposición a los plaguicidas en América del Sur, las autoridades de estos países son responsables de propiciar la realización de más investigaciones en profundidad. Teniendo en cuenta que las condiciones de aplicación son muy distintas y existen incertidumbres en cuanto a la exposición humana a los efectos de los productos fitosanitarios, los resultados de este tipo no deben llevarnos de forma automática a preocuparnos por la seguridad de los herbicidas a base de glifosato en Europa”.
Preocupaciones adicionales
Un informe publicado recientemente por el científico estadounidense Dr. Don Huber, profesor emérito de la Universidad de Purdue, advirtió de la aparición de un nuevo agente patógeno asociado a los cultivos transgénicos tolerantes al glifosato ( (véase [13] Emergency! Pathogen New to Science Found in Roundup Ready GM Crops?) y ( Los científicos advierten sobre la relación entre un nuevo y peligroso patógeno y Roundup de Monsanto).
En una carta escrita dirigida al Secretario de Agricultura de Estados Unidos, expresa su preocupación por la aparición de este agente patógeno, muy abundante en los cultivos transgénicos, y que al parecer está asociado a enfermedades devastadoras en los cultivos y altas tasas de infertilidad y abortos involuntarios en los animales. Esta es una nueva preocupación que se suma a la urgencia de revisión por parte de la UE del uso del glifosato y los cultivos transgénicos.
Conclusión y recomendaciones
Los autores del informe de la OES concluyen que: “La actual aprobación del glifosato y Roundup es científicamente insostenible”. Recomiendan la inmediata retirada del glifosato hasta que una nueva revisión rea realizada, con una amplia variedad de pruebas actualizadas, de forma independiente y con los datos disponibles para el público.
Estamos totalmente de acuerdo con la conclusión y la recomendación.
Referencias
1. Antoniou M, Habib M, Howard CV, Jennings RC, Leifert C, Nodari RO, Robinson C, Fagan J. Roundup and birth defects: Is the public being kept in the dark? Earth Open Source, 2011.
2. Ho MW and Cummins J. Glyphosate toxic and Roundup worse Science in Society 26, 12, 2005.
3. Ho MW and Cherry B. Death by multiple poisoning, glyphosate and Roundup. Science in Society 42, 14, 2009
4. Ho MW. Ban glyphosate herbicides now. Science in Society 43, 34-35, 2009.
5. Ho MW. Lab study establishes glyphosate link to birth defects. Science in Society 48, 32-33, 2010.
6. Beyond the Rows, A blog by Monsanto, St. Louis, United States of America, 9 June 2011, accessed 11 July 2011, http://www.monsantoblog.com/2011/06/09/june-2011-earth-open-source-report-on-roundup/
7. Dallegrave E, Mantese FD. et al. 2003. The teratogenic potential of the herbicide glyphosate-Roundup in Wistar rats. Toxicol Lett 142 (1-2) : 48
8. Lajmanovich RC, Sandoval MT, Peltzer PM. 2003. Induction of mortality and malformation in Scinax nasicus tadpoles exposed to glyphosate formulations. Bull. Environ. Contam. Toxicol. 70, 612–18.
9. Paganelli A, Gnazzo V, Acosta H, Lopez SL and Carrasco AD. Glyphosate-based herbicides produce teratogenic effects on vertebrates by impairing retinoic acid signalling. Chem Res Toxicol, August 9. http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/tx1001749
10. Myers JP, Vom Saal FS. et al. Why public health agencies cannot depend on good laboratory practices as a criterion for selecting data: The case of bisphenol A. Environmental Health Perspectives 2009, 117, 309–15.
11. Benachour N, Séralini GE. 2009. Glyphosate formulations induce apoptosis and necrosis in human umbilical, embryonic, and placental cells. Chem Res Toxicol 22: 97–105.
12. Robinson C. Argentina’s Roundup human tragedy Science in Society 48, 30, 2010
13. Ho MW. Emergency! Pathogen new to science found in Roundup Ready GM crops? Science and Society 50, 10-11, 2011.
Fuente – ECO Agricultor de 18 de janeiro de 2013
GM food toxins found in the blood of 93% of unborn babies

GM firms claimed toxins were destroyed in the gut
Toxins implanted into GM food crops to kill pests are reaching the bloodstreams of women and unborn babies, alarming research has revealed.
A landmark study found 93 per cent of blood samples taken from pregnant women and 80 per cent from umbilical cords tested positive for traces of the chemicals.
Millions of acres in North and South America are planted with GM corn containing the toxins, which is fed in vast quantities to farm livestock around the world – including Britain.
However, it is now clear the toxins designed to kill crop pests are reaching humans and babies in the womb – apparently through food.
It is not known what, if any, harm this causes but there is speculation it could lead to allergies, miscarriage, abnormalities or even cancer.
To date the industry has always argued that if these toxins were eaten by animals or humans they would be destroyed in the gut and pass out of the body, thus causing no harm.
Food safety authorities in Britain and Europe have accepted these assurances on the basis that GM crops are effectively no different to those produced using conventional methods.
But the latest study appears to blow a hole in these claims and has triggered calls for a ban on imports and a total overhaul of the safety regime for GM crops and food.
Most of the global research which has been used to demonstrate the safety of GM crops has been funded by the industry itself.
The new study was carried out by independent doctors at the Department of Obstetrics and Gynaecology, at the University of Sherbrooke Hospital Centre in Quebec, Canada.
They took blood samples from 30 pregnant women and 39 other women who were not having a baby.
They were looking for residues of the pesticides associated with the cultivation of GM food.
These include so-called Bt toxins, which are implanted using GM techniques into corn and some other crops.
Traces of Bt toxin were found in the blood of 93 per cent of the pregnant mothers – 28 out of 30. It was also found in 80 per cent of the umbilical cords – 24 out of 30.
In the non-pregnant group, traces were found in the blood of 69 per cent – 27 out of 39. It is thought the toxin is getting into the human body as a result of eating meat, milk and eggs from farm livestock fed GM corn.
The Canadian team told the scientific journal Reproductive Toxicology: ‘This is the first study to highlight the presence of pesticides associated with genetically modified foods in maternal, foetal and non-pregnant women’s blood.’
They said the Bt toxin was ‘clearly detectable and appears to cross the placenta to the foetus’.
Calling for action, the team said: ‘Given the potential toxicity of these environmental pollutants and the fragility of the foetus, more studies are needed.’
The director of GM Freeze, an umbrella group for community, consumer and environmental organisations opposed to GM farming, described the research as ‘very significant’.
Pete Riley said: ‘This research is a major surprise as it shows that the Bt proteins have survived the human digestive system and passed into the blood supply – something that regulators said could not happen.
‘Regulators need to urgently reassess their opinions, and the EU should use the safeguard clauses in the regulations to prevent any further GM Bt crops being cultivated or imported for animal feed or food until the potential health implications have been fully evaluated.’
The Agriculture Biotechnology Council, which speaks for the GM industry, questioned the reliability and value of the research.
Its chairman, Dr Julian Little, said: ‘The study is based on analysis that has been used in previous feeding studies and has been found to be unreliable.’
He said the toxins found are also used in other farming systems and gardening ‘with no harm to human health’.
Dr Little said: ‘Biotech crops are rigorously tested for safety prior to their use and over two trillion meals made with GM ingredients have been safely consumed around the world over the past 15 years without a single substantiated health issue.’
Fonte – Sean Poulter, DailyMail de 20 de maio de 2011
Universidad alemana encuentra cantidades altas de glifosato en muestras de orina

De acuerdo a un artículo en el Journal Ithaca de Alemania, reportado por GM Watch a principios de enero de 2012, un estudio de una universidad alemana (Leipzig) encontró concentraciones importantes de glifosato, el ingrediente principal del Roundup, en las muestras de orina de la gente de la ciudad. Los análisis de las muestras de orina arrojaron que todas tenían concentraciones de glifosato de 5 a 20 veces mayor que el límite para el agua potable.
Herbizide im Urin von Dirk Brändli und Sandra Reinacher, en: http://www.ithaka-journal.net/herbizide-im-urin
Para acceder al pdf: Glifosato en orina de alemanes (43)
Además de ser usado cada vez más en la producción de alimentos, los herbicidas a base de glifosato son rociados ampliamente en líneas ferroviarias, pavimentos urbanos y bordes de carreteras, como también en escuelas. También es ampliamente usado por jardineros particulares.
De manera alarmante, el Journal Ithaca reporta, “los editores están al tanto de la dirección del laboratorio universitario que realiza los estudios, sus valores analíticos y la evaluación de los métodos analíticos. Esto no es menos importante, debido a que se ejerce una presión considerable de representantes de la industria agroquímica y a la preocupación resultante de que el trabajo de laboratorio se viera comprometido, los datos analíticos completos serán publicados más tarde este año.”
Traducción del texto:
El glifosato es la principal substancia activa usada en los herbicidas comerciales más comunes. Envenena no solo las plantas, sino que también animales y personas. Cuando se testeó para glifosato a la población humana urbana, una universidad alemana encontró contaminación importante en todas las muestras de orina con niveles de 5 a 20 veces por encima del límite legal para el agua potable.
La mayoría de los herbicidas usados en la agricultura comercial y jardines pequeños, así como también para desmalezar líneas ferroviarias, bordes de carreteras y pavimento urbano contiene la sustancia activa glifosato. El herbicida más usado que contiene glifosato es el llamado “Roundup”, de Monsanto. Desde que vencieron las patentes para el glifosato, varias otras compañías agroquímicas como Syngenta, Bayer, Nufarm y Dow AgroScience han estado fabricando y comercializando herbicidas que lo contienen. A la fecha, aproximadamente la mitad de las 800.000 toneladas de glifosato fabricadas al año en el mundo se produce en China.
El glifosato fue inventado en Suiza en 1950 y fue sintetizado por primera vez por Mosanto en 1970. Se descubrió que el compuesto afectaba radicalmente el metabolismo de las plantas al prevenir que formaran aminoácidos esenciales. El glifosato es un herbicida sistémico de acción de amplio espectro que mata casi todas las plantas verdes. Dependiendo del rango de metabolismo, las plantas afectadas mueren completamente al cabo de unos pocos días.
Monsanto, Bayer y otras corporaciones manipulan genéticamente las cosechas para que sean resistentes al glifosato. Así, plantaciones de maíz, soya o canola genéticamente manipulada pueden ser rociadas con glifosato para exterminar las malezas entre cosechas. Este método, sin embargo, resulta en un residuo de glifosato en la cosecha, el cual después entra en la cadena alimenticia de animales y humanos.
Glifosato en la Orina de Humanos y Animales
A la fecha, Monsanto continua promoviendo sus productos Roundup como amigables con el medio ambiente, y declaran que ni animales ni humanos son afectados por esta toxina. Ambientalistas, veterinarios, médicos y científicos, sin embargo, han hecho sonar alarmas sobre el peligro del glifosato en las cadenas alimenticias animal y humana y el medio ambiente. El hecho de que se haya encontrado glifosato en animales y humanos es muy preocupante. En la búsqueda de causas de enfermedades graves de rebaños enteros de animales en el norte de Alemania, especialmente ganado, el glifosato se ha detectado repetidamente en la orina, alimento y leche de los animales. Mas alarmante aun, el glifosato fue detectado en la orina de los ganaderos.
Contaminación de la Orina Humana
Para determinar si el riesgo de envenenamiento por glifosato es solo para personas que están en contacto directo con alimento contaminado o compuestos con base a glifosato, se hizo un estudio en diciembre del 2011 sobre una población urbana en Berlín. La orina de los trabajadores de la ciudad, periodistas y abogados, quienes no habían tenido contacto directo con el glifosato, fueron examinados para contaminación por el compuesto (*). El estudio encontró glifosato en todas las muestras de orina en valores que oscilan entre 0,5 a 2 ng de glifosato por ml de orina (límite del agua potable: 0,1 ng/ml). Ninguno de los examinados tuvo contacto directo con la agricultura.
Rocío de la Muerte antes de la Cosecha
Probablemente, el glifosato haya entrado a la población humana durante los últimos 10 años a través de su aumentada presencia en alimentos diarios, tales como la carne, lácteos, vegetales, frutas y granos. La soya Roundup genéticamente manipulada atada al glifosato que entra a la cadena alimenticia animal, es solo uno de los factores de riesgo. Ahora el uso incrementado de herbicidas durante los últimos años para la desecación de poblaciones enteras de cultivos cosechables es incluso más peligroso. “Rociar las cosechas a muerte”, como debiera ser llamada la desecación, significa que las cosechas son rociadas directamente poco antes de ser cosechadas para facilitar la misma al matar uniformemente todas las plantas vivientes (incluyendo la cosecha) en el predio. Si la cosecha no puede madurar completamente debido a lluvia excesiva, como fue el caso del verano del 2011, los herbicidas son usados para madurar las cosechas por medio de un “rocío mortal”. El método facilita el secado de la cosecha así como también remueve toda maleza para el próximo período de siembra, y se ha convertido en una práctica común en papas, cereales, canola y legumbres. Para las papas, el rociar herbicidas en el predio inmediatamente antes de la cosecha (2.5 l/ha), endurece la piel y reduce la susceptibilidad al tizón tardío y la germinación, la cual mejora la “vida de supermercado”.
El componente activo del herbicida entra directamente a la papa a través de las hojas: sin embargo, la descomposición del veneno se lleva a cabo en el cuerpo del consumidor.
La publicidad del folleto de Syngenta dice lo siguiente respecto a la desecación: “Para productores profesionales, la desecación química ahora cuenta entre las medidas standard para asegurar producción de alta calidad [...]. En este contexto uno también habla de la “maduración económica” de las cosechas, como el uso de herbicidas que permiten una terminación segura del proceso de cosecha.” Con esto en mente, las autoridades de la UE subieron el límite legal de glifosato en pan y trigo a 100 veces más que el límite legal para vegetales. Para granos destinados a alimentación, el límite legal fue subido por 200 veces, esto sin que estos límites sean aplicados por ninguna clase de muestreo aleatorio relevante. Sin embargo, las autoridades de protección de plantas están al tanto de los efectos negativos del glifosato. Por ejemplo, el glifosato puede que no sea usado en cebada cervecera o para un “asesinato” durante la propagación de semillas, ya que esto reduce la capacidad de germinación. La cerveza no se prepara con granos que fueron “rociados hasta la muerte” con glifosato. Para el pan y el grano de forraje, sin embargo, esta reducción en la capacidad de germinación no es un problema. Las autoridades prohibieron la desecación de la paja de cereal para ser usada en forraje en el mismo año. Desafortunadamente, esta regulación no es ni respetada ni hecha respetar.
La desecación es uno de los escándalos más atroces de la historia de la agricultura moderna; como tal, vale la pena tomarse un minuto para considerar lo que realmente está sucediendo en este proceso. Justo antes de ser cosechadas, trilladas y vendidas a las panaderías, los agricultores las empapan en herbicidas sistémicos de alto espectro para matarlas y darles la apariencia de maduración uniforme.Uno bien podría echarle glifosato directamente a la masa del pan. Con alimento rico en proteínas es lo mismo- el herbicida es rociado directamente al grano varios días antes de ser vendido como alimento concentrado.
El uso de pesticidas y herbicidas es asociado con considerables periodos de espera antes de las cosechas. Sin embargo, el periodo de espera para el glifosato [y drogas similares como el glufosinato amónico (Basta/Liberty Link), deiquat o diquat (Reglone), carfentzarona (Shark, cianamida (Azodef), cinidonethyl (Lotus) y pyraflufeno (Quickdown)], es completamente inadecuado ya que son clasificados como herbicida. Mientras que en vitivinicultura, por ejemplo, es obligatorio un periodo de espera de 8 semanas antes de la cosecha para el uso de sulfido puro mineral, los granos pueden ser rociados con glifosato hasta 7 días antes de la cosecha.
Hay una necesidad urgente a tomar acción. Independiente de todos los otros riesgos asociados al glifosato, se debe ejercer una prohibición inmediata a la desecación. La desecación puede ser considerada nada menos que como injuria física negligente y es irreconciliable con las leyes de bienestar animal.
A diferencia de la UE, Suiza prohíbe la desecación con herbicidas. Sin embargo, el ganado suizo y sus consumidores no están a salvo, ya que cerca de la mitad del alimento y dos tercios del alimento de ganado es importado de países donde la desecación es una práctica agrícola standard.
Otras Aplicaciones del Glifosato
Municipalidades y ciudades usan compuestos que contienen glifosato para el control de malezas en espacios públicos como jardines infantiles, escuelas y parques, así como también en caminos y bordes de carreteras. Aunque la práctica es legalmente prohibida tanto en Alemania (§ 6 párrafo 2 Acta de Protección de Plantas) y Suiza, los gobiernos municipales ignoran esta ley. Ferrocarriles Federales usa el glifosato para mantener las líneas ferroviarias y oficinas sin crecimiento alguno, con el peligro de esparcir vapores altamente tóxicos al aire. En huertos familiares, el glifosato es ampliamente usado para renovar pasto y mantener el acceso limpio de malezas. Desde que herbicidas que contienen glifosato están disponibles en el mercado minorista y en internet en cantidades ilimitadas, el uso inapropiado en particulares y huertos familiares no puede ser descartado. Para permacosechas temporales (vino, frambuesas, manzanas, kiwis, etc), las áreas directamente bajo las cosechas y, en algunos casos, plantaciones enteras son inundadas con glifosato. Para ciertas permacosechas como piñas, enormes cantidades de glifosato son rociadas en los predios post- cosecha, ya que esto hace más fácil barrer los restos de plantas muertas de los suelos.
Riesgos de la Salud del Glifosato
Varios riesgos a la salud desconcertantes relacionados al glifosato son bien conocidos para la agencia de protección de plantas de Alemania (ver: Anfrage der Grünen im Bundestag y el Estudio NABU). Sin embargo, se conoce poco sobre la difusión de la contaminación por glifosato a través del forraje y el alimento, y los riesgos a la salud posteriores.
La detección del glifosato es relativamente difícil y solo puede ser conducido- por el momento- en unos cuantos laboratorios especializados. El glifosato en el suelo es altamente absorbido y adherido a partículas del suelo. Inhibe las bacterias útiles y mata las algas, resultando en un incremento de la prevalencia de hongos fitopatógenos. Más aun, el glifosato puede causar que los micronutrientes, especialmente el manganeso, se conviertan en no disponibles y, por lo tanto, conllevar a enfermedades por deficiencia. Se sospecha que un proceso similar ocurre en el tracto digestivo de humanos y animales. En ciertas circunstancias, el glifosato puede afectar la microflora del tracto gastrointestinal de humanos y animales. Los primeros estudios que trataban con este tema temieron que el impacto negativo gradual en la microflora intestinal es la causa más probable de consecuencias a la salud en el largo plazo. Sin embargo, más estudios se necesitan para determinar si es que y a cuál extensión la inhibición de bacteria y la reducción de micronutrientes ha tenido influencia en la salud humana.
El glifosato se está viendo implicado cada vez más en infertilidad y en el desarrollo embrionario de humanos y animales. Efectos adversos en fertilidad en el ganado ha sido observado. Más aun, se sospecha que el glifosato exacerba cánceres en el sistema linfático y promueve el desarrollo de tumores epidérmicos en humanos. Al entrar en contacto con el tracto digestivo de humanos y animales, el glifosato se convierte en una bomba de tiempo que puede ser iniciada por stress o una mala o poco balanceada dieta.
Transgênicos: crescimento sem limites

Hoje, a soja dos brasileiros contém 50 vezes mais veneno do que em 1998
O aumento expressivo do uso de agrotóxicos é a indicação clara de que estes últimos e os transgênicos fazem parte de um mesmo modelo, onde a dominação do mercado de sementes e insumos está nas mãos de um pequeno grupo de grandes corporações
A introdução de espécies geneticamente modificadas no Brasil tem como traço marcante a chancela oficial. Começando no governo Fernando Henrique Cardoso, ganhou vigor durante a gestão Lula com a legalização da soja contrabandeada, atingindo seu ápice com a aprovação do milho transgênico da Bayer, da Monsanto e da Syngenta – medida tomada contra o entendimento técnico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). No lugar de definir estruturas e procedimentos de biossegurança, o Estado vem agindo no sentido de autorizar liberações sem a adequada análise de riscos ambientais e à saúde, desconsiderando impactos socioeconômicos, recusando o debate com a sociedade e evitando a transparência de suas ações.
Da aprovação da primeira Lei de Biossegurança, em 1995, até junho de 2010, sob a vigência de nova Lei, foram autorizadas 21 plantas transgênicas: 11 variedades de milho, 4 de soja e 6 de algodão, sendo 80% da Monsanto, Syngenta e Bayer, e 90,4% foram aprovadas entre 2008 e 2010.
Fica difícil compreender 19 liberações comerciais em tão curto espaço de tempo, quando mais e mais pesquisas revelam as mentiras que foram contadas para convencer agricultores e governos dos benefícios dos transgênicos. Mas parece que quanto mais evidências contumazes dos problemas associados ao uso de transgênicos surgem, mais trabalha o governo para garantir, a qualquer custo, as autorizações.
Aos fatos!
Os transgênicos aumentam o uso de agrotóxicos, ao contrário do que alegavam as empresas de biotecnologia, e, por isso (e por outras razões também), são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde. A soja transgênica (Roundup Ready) é resistente ao herbicida Roundup, também fabricado pela Monsanto e cuja base é o glifosato1. Depois que foi autorizada no Brasil, o crescimento das vendas de glifosato foi significativo, saltando de 60 mil para mais de 110 mil toneladas do ingrediente ativo, entre 2004 e 2007, segundo a Anvisa, enquanto, no mesmo período, a área plantada de soja diminuiu cerca de 8%, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O aumento do uso de glifosato também já está comprovado nos Estados Unidos.
Hoje, a soja dos brasileiros contém 50 vezes mais veneno (glifosato) do que em 1998. Naquele ano, às vésperas da pretendida liberação da soja transgênica no Brasil, só não ocorrida por decisão judicial, a Anvisa permitiu que a soja que comemos tivesse 10 vezes mais resíduo de glifosato, passando de 0,2 ppm (partes por milhão) para 2,0 ppm. Em 2004, após a autorização, virou “festa”: o órgão ampliou o limite para 10 ppm (ou seja, 50 vezes a “dose” inicial).
Além disso, outros venenos mais tóxicos são cada vez mais necessários nas plantações de soja, na medida em que as ervas daninhas já não se curvam mais ao glifosato; são estes o 2,4-D (que dá origem às dioxinas, conhecido grupo de compostos carcinogênicos e ingrediente do agente laranja usado na Guerra do Vietnã), o paraquat (associado ao aumento dos riscos de desenvolvimento de mal de Parkinson) e a atrazina (proibida na Europa). A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) já está até mesmo analisando um pedido de liberação de soja transgênica, da empresa Dow, resistente ao 2,4-D.
Um parêntese sobre o glifosato: em 2008, a mesma Anvisa, em atitude que merece aplausos, decidiu submeter diversos princípios ativos (agrotóxicos) a reavaliação, após extensa pesquisa que revelou inúmeros impactos à saúde e/ou proibição em diversos países. O glifosato faz parte desta relação.
Contudo, o atual presidente da CTNBio, Edilson Paiva, doutor em biologia molecular e, à época, já membro da Comissão, fez uma defesa pública do princípio ativo, afirmando que “os humanos poderiam até beber [glifosato] e não morrer, porque não têm a via metabólica das plantas”.2
Mercado concentrado
O aumento expressivo do uso de agrotóxicos é a indicação clara de que estes últimos e os transgênicos fazem parte de um mesmo modelo, em que a dominação do mercado de sementes e insumos está nas mãos de um pequeno grupo de grandes corporações.
A dependência dos agricultores já é sentida. Parte deles, que, inicialmente, apoiava de maneira incondicional o uso de transgênicos, não mais esconde suas críticas e, agora, questiona a cobrança de royalties indevidos3 e preços extorsivos de insumos.
Os agricultores também têm enfrentado dificuldades para conseguir sementes convencionais, já que o mercado fica concentrado na mão de poucas empresas – Monsanto, Dupont, Syngenta e Bayer. Relatos dão conta que a oferta de grãos vem casada: para conseguir 15% de soja convencional é preciso também comprar 85% de transgênica. No caso do milho, hoje, em cada quatro novas sementes lançadas no mercado, três são transgênicas.
Para a Abrange (Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados), esse cenário faz com o que o Brasil perca a vantagem comercial que tem diante de seus principais concorrentes no mercado da soja (EUA e Argentina): justamente oferecer grãos não geneticamente modificados. Reunindo mais de 30 associados, entre os quais grandes produtores, como a Amaggi, Brejeiro, Caramuru e Imcopa, a Abrange acredita que “o mercado de grãos não transgênicos seja uma realidade no Brasil e no exterior, pois vem gerando ganhos expressivos tanto para os agricultores quanto para o próprio país, e [portanto] deve ser preservado e cativado”.
Liberações às cegas
Os fatos elencados acima sugerem que o governo deveria reavaliar sua posição, submetendo a análise e a debate o que representa este modelo de agricultura, ponderando perdas, benefícios e alternativas existentes. Mas, diametralmente oposto às suas posições históricas, Lula radicalizou na defesa dos OGMs.
Após a liberação da soja da Monsanto por Medida Provisória (MP), duas vezes em 2003, quando assumiu a presidência, Lula ainda reduziu o quórum para facilitar as liberações comerciais: antes, a autorização para comercialização e consumo dependia do voto favorável de dois terços dos 27 membros da CTNBio; depois da MP 327, apenas 14 votos favoráveis passaram a ser suficientes. A partir de então, os apontamentos fundamentados de cientistas, relacionados à precariedade da análise de risco, são ignorados solenemente e as aprovações acontecem a despeito dos votos contrários (minoritários) dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, além dos outros especialistas e representantes da sociedade civil.
A lógica que guia as decisões é a da biotecnologia, e não a da biossegurança. As plantas já autorizadas foram “avaliadas” com base no princípio da equivalência substancial, muito criticado no meio científico por restringir sobremaneira o escopo da avaliação. De acordo com este princípio, já apelidado de pseudocientífico, a soja transgênica Roundup Ready é equivalente à soja natural, e assim por diante.
A análise dos processos é precária. A Comissão vale-se tão somente dos estudos encaminhados (e muitas vezes produzidos) pelas próprias empresas, não publicados nem submetidos à peer review4. Dentre os transgênicos autorizados, vários contêm genes de resistência a antibiótico, cujo uso não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e por outros conselhos científicos, a exemplo da Comissão Europeia, como o Conselho Internacional para a Ciência (Paris), a Royal Society (Londres), o Conselho Belga de Biossegurança (Bruxelas), a Academia Nacional de Ciências (Washington DC) e o Conselho de Bioética de Nuffield (Londres). Mas isso é irrelevante para a CTNBio. Ademais, as novas evidências que surgem e são publicadas nunca são suficientes para sensibilizar o colegiado a reavaliar suas decisões.
A atuação opaca é outra marca do colegiado. Foi preciso a Justiça intervir para que as reuniões oficiais ocorressem a portas abertas e audiências públicas passassem a existir. E a sombra que recai sobre os processos (públicos!) para os quais a Comissão nega acesso5 vai deixar de existir, por mais uma determinação judicial dada em 26 de julho deste ano.
Os conflitos de interesse são outro assunto delicado. Os membros só assinaram um tipo de “declaração de conduta” depois de uma recomendação formal do Ministério Público Federal. A opinião manifestada publicamente por uma cientista, ex-integrante da Comissão, revela um pouco mais e melhor o que é a CTNBio. Segundo Lia Giraldo da Silva Augusto, “a CTNBio está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento. Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente”. E prossegue: “O que vemos na prática cotidiana da CTNBio são votos préconcebidos e uma série de artimanhas obscurantistas no sentido de considerar as questões de biossegurança como dificuldades ao avanço da biotecnologia. A razão colocada em jogo na CTNBio é a racionalidade do mercado, que está protegida por uma racionalidade científica da certeza cartesiana, em que a fragmentação do conhecimento, dominado por diversos técnicos com título de doutor, impede a priorização da biossegurança e a perspectiva da tecnologia em favor da qualidade da vida, da saúde e do meio ambiente”.
A contaminação genética, que é notoriamente um dos aspectos mais debatidos nos meios acadêmicos, para a CTNBio nem sequer é uma questão de biossegurança. Lá prevalece o entendimento de que, se a planta foi por eles considerada segura, não há problema que ocorra a contaminação, que é meramente uma questão de mercado. Às favas a biodiversidade e a preservação de sementes crioulas, o direito de consumidores e agricultores a alimentos livres de transgênicos. Tanto é, que as primeiras liberações de milho vieram sem nenhuma medida para evitar a contaminação. Mas a Justiça acatou pedido das ONGs (ANPA, AS-PTA, Idec e Terra de Direitos) e suspendeu os efeitos das liberações até que fossem criadas regras de coexistência. À determinação, a CTNBio respondeu às pressas com uma regra pífia de “isolamento do milho”.
Com as novas sementes disponíveis para os agricultores, o estado do Paraná, maior produtor do cereal, colocou seus técnicos em campo para testar a eficácia da norma. O estudo inédito comprovou, por dois métodos diferentes, que a contaminação ocorre mesmo quando a regra de isolamento é cumprida – ou seja, ela não serve. CTNBio e Ministério da Agricultura responderam dizendo que o estudo não valia, entre outras razões, porque o então governador Roberto Requião é sabidamente contrário aos transgênicos(!).
Não satisfeitos, Walter Colli, Edilson Paiva e outros três integrantes da Comissão divulgaram texto, com logomarca do Ministério da Ciência e Tecnologia, afirmando que “seria uma temeridade para o país, no século XXI, e com a agricultura intensiva como base importante do PIB, que a diversidade de qualquer planta de grande interesse econômico estivesse na dependência de agricultores que não têm a mais vaga ideia de genética”; e que “o plantio de grãos no lugar de sementes pode ser antigo, como a coivara ou o hábito de defecar nos rios e coleções de águas, mas nenhum deles é adequado nem compatível com o convívio entre cidadãos de uma sociedade moderna”, referindo-se à produção e uso próprio de sementes crioulas pelos agricultores familiares. Lembremos que, para infelicidade de alguns, a atividade é de tamanha relevância que consta de dois acordos internacionais dos quais o Brasil é parte: o de Recursos Genéticos para a Alimentação e a Agricultura, da FAO, e a Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU.
Merece lembrança ainda a coroação do ex-presidente da CTNBio, Walter Colli, médico que encerrou o seu mandato em 2009, propondo acabar com o monitoramento dos impactos dos transgênicos na saúde após sua introdução no mercado. Em sua opinião, o monitoramento é “lixo” e que “fez muito bem” a indústria alimentícia de não se submeter à regra e reclamar.6 A medida está prevista na lei, na Convenção de Diversidade Biológica e no Protocolo de Cartagena, e tem por objetivo acompanhar os impactos não avaliados e adotar as medidas necessárias.
Colli deu lugar a Edilson Paiva, que, alheio às fortes críticas públicas geradas pela iniciativa, criou um grupo para, possivelmente, pôr fim ao monitoramento. Mais alheio que ele, só mesmo o Conselho de Ministros, que ainda em 2008 aprovara orientação para que fossem realizados “estudos de seguimento de médio e longo prazo dos eventuais efeitos no meio ambiente e na saúde humana, dos OGM e seus derivados”, mas silenciou diante da iniciativa lamentável da CTNBio.
A ausência do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por 11 ministros e presidido até há pouco tempo por Dilma Rousseff, revela astúcia. Deixa as liberações correrem soltas ao jogar para a CTNBio todas as atribuições (inclusive as que não lhe cabem) e o foco das atenções, esquivando-se do seu papel.
E é esta a Comissão que decide o destino dos transgênicos no Brasil. É esta Comissão que agora tem em suas mãos a decisão sobre o arroz transgênico da Bayer – que não é plantado em nenhum país e cujo agrotóxico usado (glufosinato de amônio) está com os dias contados para ser banido na Europa.
Informação desprezada
Uma última nota sobre a rotulagem de transgênicos. Para o Idec, que acompanha este assunto desde 1997 e tem como uma de suas prioridades a luta pelo direito à informação, o descumprimento da legislação que obriga a rotulagem de transgênicos por parte da indústria alimentícia, com a conivência do governo, é inaceitável – além de crime diante do Código de Defesa do Consumidor.
Paralelamente, o período de maior número de liberações e plantio de transgênicos no Brasil marca também o de iniciativas legislativas para impedir o consumidor de saber o que consome, não obstante as pesquisas de opinião pública apontarem que a esmagadora maioria dos cidadãos quer saber se o alimento é ou não transgênico.
Em manifesto desprezo à vontade dos consumidores, os deputados Luiz Carlos Heinze (PP/RS), Cândido Vacarezza (PT/SP) e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por meio dos Projetos de Lei 4148/98 e 5575/09 e do Projeto de Decreto Legislativo 90/2007, respectivamente, puxam a frente “anti-informação”. As propostas buscam restringir a rotulagem para os alimentos em que for detectável a presença de OGM, omitindo a informação dos óleos e muitos outros gêneros alimentícios; excluir o símbolo “T”, que hoje identifica tais produtos, e a informação dos alimentos de origem animal; além de permitir o uso de sementes transgênicas estéreis, do que ainda cuidou Vaccareza.
Neste cenário, não dá para acreditar no presidente da CTNBio, que diz que “não existe pressão econômica”.7 A introdução de transgênicos no Brasil, como no seu “berço”, os EUA, e em outros países, é mais uma demonstração do poder das grandes corporações. Aqui, os fatos, que incluem mudança de lei, edição de medidas provisórias e outras decisões oficiais, mostram que o poder não escolhe mesmo partido: de 1995, quando a Lei de Biossegurança foi aprovada no governo FHC, para 2010, no final do governo Lula, a cavalgada rumo à liberação geral de transgênicos só tem crescido. E não adianta achar que a culpa é só da CTNBio.
Andrea Lazzarini Salazar é advogada e consultora jurídica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor); acompanha o assunto desde 1998.
1 O glifosato é um herbicida não seletivo (mata qualquer tipo de planta) desenvolvido para matar ervas, principalmente perenes. É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto. Muitas plantas culturais geneticamente modificadas são simplesmente modificações genéticas para resistir ao glifosato. A Monsanto vende sementes dessas plantas com o marca RR (Roundup Ready).
2 Jornal Valor Econômico, 23/04/07.
3 A forma de cobrança de royalties sobre a soja da Monsanto tem sido duramente criticada. A cobrança não é feita apenas no momento da compra da semente. Este agricultor ainda deverá pagar 2% sobre o excedente da produção estimada, se ocorrer esta situação. Além desse agricultor que fez a opção pela soja transgênica, os que cultivarem soja convencional ou orgânica também estão sujeitos a pagar royalties e multa, se sua produção tiver sido contaminada. Ao entregar sua produção para venda, o agricultor deve informar se usou ou não soja transgênica. Se não tiver utilizado, mas o teste de detecção acusar a presença de soja transgênica, o agricultor fica obrigado a pagar uma multa, além dos 2% sobre o valor da produção.
4 Revisão por pares, em que a pesquisa é submetida a avaliadores independentes capacitados.
5 Posição oficial, de acordo com Parecer Conjur/MCT 054/2008.
6 Folha de S.Paulo, 09/12/09.
7 Cidades e Soluções, Globonews, 16/06/10.
Fonte – Andrea Lazzarini Salazar, Le Monde Diplomatique Brasil de 01 de Agosto de 2010
Percebam que a matéria é de 2010 e agora imagine quanto veneno estamos comendo hoje.
Coquetel de agrotóxicos ingerido no consumo de frutas e verduras pode causar Alzheimer e Parkinson, revela estudo
Comer cinco frutas e legumes por dia é bom para a saúde. Não tão bom é o “coquetel” de pesticidas ingerido no processo: a mistura dessas substâncias químicas pode multiplicar seus efeitos tóxicos em proporções tão surpreendentes quanto preocupantes, segundo os resultados de um estudo preliminar publicado na revista científica PloS One.
Os testes toxicológicos sistemáticos conduzidos dentro do regulamento europeu Reach visam às substâncias uma por uma. “Sabe-se muito pouco sobre seus efeitos combinados, sendo que somos literalmente cercados por combinações de venenos”, explica o principal autor do estudo, o toxicólogo Michael Coleman, da Universidade de Aston, na Inglaterra.
Sua equipe comparou o efeito isolado e o efeito combinado, sobre células de nosso sistema nervoso central, de três fungicidas encontrados com frequência nas prateleiras de hortifrúti: o pirimetanil, o ciprodinil e o fludioxonil.
Resultado: os danos infligidos às células são até vinte ou trinta vezes mais graves quando os pesticidas são associados. “Substâncias que são conhecidas por não afetarem a reprodução humana e o sistema nervoso e não serem cancerígenas, combinadas possuem efeitos inesperados”, resume um dos autores do estudo, o biólogo molecular Claude Reiss, ex-diretor de pesquisa do CNRS e presidente da associação Antidote Europe.
“Observamos o agravamento de três tipos de impactos”, detalha o pesquisador francês: “A viabilidade das células é degradada; as mitocôndrias, que são as ‘baterias’ das células, não conseguem mais alimentá-las com energia, o que desencadeia a apoptose, ou seja, a autodestruição das células; por fim, as células são submetidas a um stress oxidante muito poderoso, possivelmente cancerígeno e que pode levar a efeitos em cascata”.
Entre as possíveis consequências de tais agressões sobre as células, os pesquisadores citam o risco de uma vulnerabilidade crescente a doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer, de Parkinson ou a esclerose múltipla. “Nosso estudo aborda um pequeno número de substâncias, trazendo mais perguntas do que respostas, mas esses efeitos foram evidenciados em doses muito pequenas, concentrações próximas às encontradas em nossos alimentos”, observa o professor Coleman.
O cientista considera urgente popularizar esse tipo de teste, apesar das milhares de combinações possíveis: “Isso permitiria determinar se as misturas são nocivas, para ajudar os agricultores a escolher os produtos que eles utilizam”. O fato de conduzir esses estudos em células humanas e não em ratos, como acontece no procedimento Reach, permitiria diminuir os prazos e os custos, ao mesmo tempo em que fornecem resultados mais confiáveis. “A maior parte das substâncias químicas não são testadas corretamente: não somos ratos de 70 quilos!”, reclama Claude Reiss.
Para o Movimento pelo Direito e pelo Respeito das Gerações Futuras (MDRGF), que cofinanciou o estudo, esses testes são ainda mais necessários pelo fato de que um terço das frutas e legumes fiscalizados pela Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes contém resíduos de vários pesticidas.
“Em 2008, detectamos em um mesmo cacho de uvas os três produtos testados pelo professor Coleman”, lembra François Veillerette, porta-voz do MDRGF. Na época, análises encomendadas pela associação haviam revelado que quase todas as uvas vendidas no grande varejo continham múltiplos pesticidas, totalizando oito substâncias diferentes por cacho, em média.
A associação pede para que a Comissão Europeia “lance sem demora uma estratégia de avaliação global das misturas de produtos químicos” e que “abaixe significativamente os limites máximos de resíduos tolerados nos alimentos, em um cuidado elementar de precaução”.
Fonte – Le Monde / Portal UOL de 08 de agosto de 2012




