Não é preciso reinventar a roda para salvar o Cerrado

Flor do cerrado: o ecossistema tem mais de 4 mil espécies endêmicas (Foto: Marcos Cesar Campis/ Wikimedia)Flor do Cerrado: o ecossistema tem mais de 4 mil espécies endêmicas (Foto: Marcos Cesar Campis/Wikimedia)

O Cerrado é um patrimônio brasileiro e cabe a nós mantê-lo vivo para as nossas e as futuras gerações

O Cerrado brasileiro é único sob diversos pontos de vista.

Ele é único quando avalia o fornecimento de água. Chamado de “berço das águas”, 43% de toda a água do país fora da Bacia Amazônica está no Cerrado. Ele contribui para a vazão de oito das 12 regiões hidrográficas do Brasil, alimentando rios da Amazônia, do Nordeste e do Sudeste.

Ele é único quando se avaliam a agricultura e a pecuária. A disponibilidade de água, aliada a solos férteis e planos, gera um ambiente perfeito para a agricultura mecanizada e para a produção de commodities, como soja e cana-de-açúcar. Extensas pastagens foram desenvolvidas ali, e o Brasil é campeão em produção e exportação de alimentos e carne. Outro apelido do Cerrado é “o celeiro nacional”.

Ele é único quando se avalia a biodiversidade. O Cerrado é o lar de mais de 13 mil espécies de plantas, sendo quase metade exclusiva do bioma. Dentre essas espécies, mais de 600 estão ameaçadas de extinção, o que corresponde a 30% de toda flora ameaçada do Brasil. Para animais, os dados também são contundentes: praticamente metade das aves do Brasil (mais 850 espécies) ocorre no Cerrado, assim como metade dos répteis do Brasil e mais de 200 espécies de mamíferos, como o lobo-guará, o tatu-canastra e a onça-pintada.

Ele é único quando se avaliam os impactos ambientais que sofre. Metade da área originalmente coberta pelo Cerrado já foi transformada em algo diferente. O desmatamento no Cerrado é 2,5 vezes maior que na Amazônia. Aliás, desmatamento nem é o termo correto. O melhor seria perda de vegetação nativa, pois o bioma é formado por um complexo de vegetações nativas que vai além das florestas, com campos abertos, campos com arbustos e árvores e até campos cobertos de pedras e cactos. A perda de vegetação é de cerca de 1% ao ano, uma área do tamanho aproximado de todo o estado de Sergipe. Algumas regiões do Cerrado, como a região chamada de Matopiba – por ser o Cerrado encontrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, têm taxas ainda maiores. Só até 2010, 60% do Cerrado existente nessa região já havia sido perdido e transformado em campos de soja. Além disso, não mais que 8% do bioma é protegido por reservas.

Ele é único quando se pensa em soluções ambientais. Uma vez que perder o Cerrado significa perder nossa segurança hídrica e alimentar, as soluções para a conservação do bioma interessam a todos os brasileiros e passam por manutenção e adoção de políticas públicas com foco na região. Em um artigo recente publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution(1), um grupo de autores do qual faço parte discutiu tudo isso à luz da importância nacional do Cerrado e das políticas existentes para garantir sua persistência. Felizmente, algumas dessas políticas já estão em andamento, embora precisem de um grande impulso para que sejam mais eficazes ou sejam mais rapidamente implementadas, como discutimos no artigo.

Por exemplo, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) tem ajudado a desenvolver atividades produtivas sustentáveis e a executar o monitoramento e o controle das unidades de conservação. É preciso acelerar o processo de implementação da terceira fase (2016-2020) e orientar novas ações de forma interministerial. Outra política pública muito importante e descontinuada em 2011 é o monitoramento do desmatamento do Cerrado. É necessário acelerar a implementação do Programa de Monitoramento Ambiental dos Biomas Brasileiros, que prevê monitoramento anual ou bianual de taxas de desmatamento, ocorrência de queimadas e focos de calor e recuperação da vegetação nativa.

Outras políticas, no entanto, precisariam ser adotadas ao longo de toda a extensão do bioma. A Moratória da Soja é um bom exemplo. A moratória é um acordo entre indústria, governo e sociedade civil que impede a comercialização de soja produzida a partir de desmatamento ilegal na Amazônia brasileira. Desde que o acordo foi assinado, o desmatamento da Amazônia caiu 86%. A boa notícia é que neste ano a moratória foi prorrogada por tempo indeterminado. A má notícia é que ela só se aplica à Amazônia.

Hoje em dia, cerca de 90% e 70% do que resta do Cerrado é adequado para cultivo de soja e cana-de-açúcar, respectivamente. Ambos os cultivos têm previsões de expansão para as próximas décadas. Se estendida para o Cerrado, a moratória da soja poderia eliminar o desmatamento ilegal sem comprometer essa expansão de culturas. Pesquisas recentes já mostraram que a área ocupada por pastagens de baixa produtividade (cerca de 72 milhões de hectares) é duas vezes maior que toda a área necessária para expansão de soja e cana no Cerrado (cerca de 13 milhões de hectares). Aumentar a produtividade dessas pastagens liberaria uma área enorme para a agricultura, e isso já vem sendo discutido nas universidades, ONGs, empresas e no governo.

Como um último exemplo de política já existente, cito a Lei de Proteção da Vegetação Nativa de 2012, conhecida como Novo Código Florestal Brasileiro. No Cerrado, a lei pode ser um complicador, uma vez que, com a nova legislação, a necessidade de proteção da vegetação ao longo dos rios e topos de morro (nominadas áreas de preservação permanente – APPs) foi alterada, em muitos casos para menos que o previsto pelo código anterior. Como resultado, 40% do que restou do Cerrado poderia ser legalmente convertido nos próximos anos. Sob amparo legal, seríamos capazes de desmatar o bioma até que apenas cerca de 10%-15% de sua cobertura original fosse mantida.

Entretanto, essa mesma lei prevê a restauração de áreas que foram desmatadas para além do permitido e mecanismos de incentivos para a conservação no caso de proprietários que protegeram mais que o exigido. A real implementação da lei poderia garantir um cenário verde para o Cerrado. Nesse cenário, também apresentado no artigo científico que mencionei, mostramos que, ao aumentar o potencial sustentável das pastagens do Cerrado de 35% (valor atual) para 61% até 2050, seria possível liberar toda terra necessária para expansão de cultivos, além de aumentar a produção de carne em 49% e ainda separar cerca de 6,4 milhões de hectares de terra para restauração – o que é exatamente o déficit atual de áreas de Cerrado nativo que deveriam existir, mas foram convertidas em agricultura no passado, segundo o Novo Código Florestal. Nesse cenário, não há nenhuma necessidade de conversão de novas áreas. Essa combinação de desmatamento zero, restauração e planejamento de áreas para produção agrícola poderia evitar a extinção de 1.140 espécies que só ocorrem ali; um número oito vezes maior que o número oficial de plantas extintas em todo o mundo desde o ano de 1500.

O Cerrado brasileiro é único, sobre diversos pontos de vista. Para salvá-lo não precisamos reinventar a roda. Todas as políticas públicas necessárias para fazê-lo já existem e carecem de integração, planejamento, impulso ou extensão ao Cerrado (algumas delas só existem para a Amazônia). O que precisamos é de vontade política e engajamento social. O Cerrado é um patrimônio brasileiro e cabe a nós mantê-lo vivo para as nossas e as futuras gerações.

Rafael Loyola é doutor em ecologia, diretor do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás e membro da Academia Brasileira de Ciências e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Fonte – Blog do Planeta de 07 de abril de 2017

Documentário O uso inseguro dos agrotóxicos

Pedro Abreu – Doutorando em Saúde Coletiva – FCM/UnicampPedro Abreu – Doutorando em Saúde Coletiva – FCM/Unicamp

Documentário Curta-metragem a respeito da inviabilidade do paradigma do “uso seguro” de agrotóxicos no contexto da agricultura familiar brasileira.

Acaba de ser lançado o documentário curta-metragem:  O Uso Inseguro de Agrotóxicos , que revela a inviabilidade do paradigma do “uso seguro” de agrotóxicos no contexto da agricultura familiar brasileira.

Esta é uma ferramenta de uso público e irrestrito para ser utilizada em toda forma de luta, educação/formação e busca por mudanças do contexto injusto, manipulado e falacioso do uso de agrotóxicos pelos verdadeiros responsáveis pela alimentação em nosso País, os pequenos agricultores.

Baseado na dissertação de mestrado – “ O agricultor familiar e o uso (in)seguro de agrotóxicos no município de Lavras-MG “, o documentário é uma parceria do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp com o Coletivo Ninho de Guaxo e com a Catumba Filmes, e contou com o financiamento do Fundo de Apoio ao Ensino Pesquisa e Extensão (FAEPEX) da Pró-Reitora de Pesquisa da Unicamp.

Concepção e roteiro

Pedro Abreu – Doutorando em Saúde Coletiva – FCM/Unicamp
Herling Alonzo – Prof. Dr. em Saúde Coletiva – FCM/Unicamp

Produção

Otávio Rangel – Produção, direção de fotografia e montagem
Lídia Lino – Câmera, áudio e textos
Marina Alvarenga Botelho – Câmera, logger e legendas
João Maurício Souza – Câmera e áudio
Marlon Franco – Divulgação e apoio gráfico
Sandro Azevedo – Criação de logomarcas e vinhetas
Alexandra Az – Locução

Apoio 

Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão – Pró-reitoria de Pesquisa/Unicamp e CNPq

Não queremos mais venenos!

Fonte – Elizabeth Regina de Melo Cabral, Nosso Foco de 15 de setembro de 2017

Agrotóxico não é Perfumaria! Agrotóxico Mata!

Agrotóxico não é Perfumaria.Agrotóxico Mata!

Agrotóxico não é Perfumaria! Agrotóxico Mata! A palavra oferece risco até na pronuncia. Então, prepare-se, pois o leque de doenças é assustador!

Agrotóxicos e CÂNCER

Agrotóxicos e câncer

E se, infelizmente, a informação não chega até você como deveria, ainda contamos com alguns políticos que querem mudar o nome de agrotóxico para fitossanitário. Percebe a diferença? Isto é Tóxico! Isto é Veneno! Para Isto é fitossanitário. Percebe melhor agora a diferença na repercussão da pronuncia? Então, o que dirá sobre seu impacto na saúde, comprovadamente devastador?

Leia – Dossiê Abrasco

Impactos dos Agrotóxicos na Saúde! 

É uma grande incoerência destes políticos que nos representam, como Senador Alvaro Dias (PV) e Deputado Covatti Filho (PP), pois no lugar de assegurar nossa Saúde e nossa Soberania Alimentar – afinal foram eleitos para isso – temos que nos mobilizar muito para rejeitar seus projetos “capciosos” que insultam a saúde mental, moral e física da Nação Brasileira. Isto é muito sério neste momento!

O projeto 3200/2015 do Deputado Ruralista Covatti Filho , por exemplo, além da mudança de nome para fitossanitário , caso seja aprovado, irá retirar atribuições do IBAMA (meio ambiente), da ANVISA (saúde) e dos órgãos estaduais de fiscalização, centralizando todas as ações e tomadas de decisão sobre os agrotóxicos no Brasil pelo MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O MAPA , ancorado na política do agronegócio, é um dos maiores apoiadores dentro deste “lucrativo” mercado de agrotóxicos. Utiliza fortes políticas de subvenção, praticando incentivos fiscais que chegam na casa dos 100% em certos estados. E por conta de termos atualmente 70% dos alimentos contaminados por venenos proibidos em outros países, o Mapa por sua vez ; vem trilhando um faturamento por volta de 12 bilhões de dólares/ano!

A alteração também confundirá a distinção entre as substâncias utilizadas nas culturas orgânicas e não orgânicas.

A nova denominação não exigirá o registro de herbicidas, como o 2,4D, o paraquat e oglifosato, os mais consumidos no Brasil, já que estes não pertencem ao conceito de defensivos fitossanitários previsto no projeto de lei. No entanto, pesquisas já apontaram a forte relação entre esses agrotóxicos e a incidência de câncer.

Trata-se de um verdadeiro Projeto Desastre!

Covatti Filho - Projeto Desastre para o Brasil

Covatti Filho, Autor do Projeto Desastre 3200/2015 para o Brasil. Atitude para um novo tempo com muito mais Veneno no seu Prato. Katia Abreu, ex-Ministra da Agricultura não abraçava a iniciativa não apoiava o PRONARA Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos. E sem o aval da Ministério da Agricultura , será impossível este programa sair do papel.

E agora , com o atual Ministro, Conhecido com o “Rei da Soja e da Motosserra”, Blairo Maggi, Produtor Mundial de Soja, declarou inclusive ao jornal The New York Times: “Um aumento de 40% no desmatamento da Amazônia não significa nada. Não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo por aqui”.

Fica fácil de se presumir que se o Projeto de Covatti Filho do PP for aprovado, podemos assistir o PRONARA ir para a gaveta do esquecimento neste Ministério.

Você acha isso coerente? Incoerente mesmo será permitirmos que se aprove o “Monopólio do Veneno” um verdadeiro retrocesso para a Soberania Alimentar de uma Nação.

Essa corrida “maluca” nos faz perceber “com demasiada tristeza e desapontamento” que afinal de contas não é a nossa segurança alimentar que está em pauta. E sim os 12 bilhões de dólares gerados neste mercado de veneno por ano! Afinal, são tantos os benefícios!

O Brasil foi escalado para esta Seleção desastrosa e se rendeu ao grande técnico: a Multinacional Monsanto! E no decorrer de sua partida com a expansão dos transgênicos fez um verdadeiro gol de placa arrebatador. Tornou-se o Campeão Mundial no uso de Agrotóxicos.

Sim! Esta taça é nossa é do Brasil Infelizmente! Mas existe uma pergunta que não quer calar nem que “a vaca tussa”: em um país onde a carga tributária é considerada uma das maiores do mundo existe uma subvenção política pra lá de privilegiada para este setor. Por que agrotóxicos recebem tantos incentivos fiscais?

Além de isenções federais, há as isenções complementares determinadas por alguns estados. No Ceará, por exemplo, a isenção de impostos chega a 100%.

Em 2015 o Instituto Nacional do Câncer estabeleceu forte relação entre os casos de câncer e agrotóxicos.

Leia o parecer.

Mesmo assim Governo e Congresso mantiveram a sua política que beneficia grandes multinacionais com isenção de impostos para o comércio, a distribuição e o uso generalizado de pesticidas agrícolas.

Pertinente e amarga indignação nos força a perguntar de forma rasgada: Por que estes produtos altamente tóxicos que envenenam nossos alimentos e causam inúmeras doenças recebem tantos benefícios fiscais?

Uso de agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos

Mais da metade das substâncias usadas aqui é proibida em países da UE e nos EUA.

Devem ser tantos os benefícios que a nossa Segurança Alimentar ficou em último ou nenhum plano! Não existe argumento plausível nem mesmo o de que estes incentivos são necessários para alimentar a grande população do Brasil.

Consentir que estas multinacionais entrem em nosso país sem pagar impostos e ainda “arregaçando” o alimento do povo brasileiro com veneno, muitos deles já proibidos em outros países tamanha a sua toxidade, não é nem de longe uma justificativa racional, nem para os mais ingênuos no assunto.

E que nos perdoe , vossa excelentíssima ex-ministra, ex-Senadora Katia Abreu e demais políticos da bancada ruralista, quando afirmam categoricamente que levantamos essa bandeira sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde para que a causa seja bonita e assim possamos sensibilizar de forma geral a opinião pública.

Bonito mesmo seria uma política de subvenção dentro do atual Ministério apoiando amplamente uma agricultura sustentável neste país!

Por que é isso que esperamos. É isso que queremos. Bonito mesmo seria destinar todos estes inúmeros benefícios para que o povo Brasileiro tenha em seu prato uma comida digna , saudável e sem veneno.

Bonito mesmo seria este Ministério se preocupar com a extraordinária contaminação do nosso solo, pois estes produtos matam componentes importantes para a sua regeneração natural, contaminam rios, o ar, afetando profundamente todo o nosso ecossistema.

Enquanto o Ministério da Agricultura não sinalizar este caminho, começando com a institucionalização do PRONARA , serão muitas campanhas de alerta a população brasileira.

Entre elas, temos o importante trabalho da Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida, que desempenha um papel de altíssimo valor em informar a população sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e de apontar novos caminhos rumo a Agroecologia.

Entidade que há cinco anos luta por um novo modelo de desenvolvimento agrário. Por uma agricultura que valoriza a agroecologia ao invés dos agrotóxicos e transgênicos, que acredita no campesinato e não no agronegócio, que considera a vida mais importante do que o lucro das empresas.

Conheça mais sobre este importante trabalho. Acesse a campanha, os materiais e aos fóruns existentes. Participe!

Nova pergunta, nova reflexão. Caso não houvesse tantos incentivos fiscais destinados aos agrotóxicos, teríamos um legítimo equilíbrio de mercado em relação aos alimentos e produtos orgânicos?

Ou seja os orgânicos perderiam por completo este estigma de que são produtos caros? Orgânicos são para a elite?

Vamos pensar um pouco. Enquanto não alcançamos respostas fieis a estas indagações, devemos alcançar isto: agrotóxico mata! Agrotóxico mata você aos poucos. Mata você a cada dia!

O leque de doenças causados direta ou indiretamente pelos agrotóxicos é absurdo. Doenças que podem aparecer em meses, anos ou até décadas depois de consumidos.

Mesmo a ingestão diária de pequenas doses terá impacto sobre a saúde, dados já comprovados na literatura científica.

Entre as principais doenças citamos: câncer, câncer de mama, câncer de próstata, câncer de cérebro, câncer de rim, câncer de fígado, distúrbios neurológicos, hiperatividade em crianças, doenças crônicas dos pulmões, doenças crônicas do fígado, doenças crônicas dos rins, doenças crônicas da pele, leucemia, autismo, linfoma, mieloma múltiplo, efeitos sobre o sistema imunológico, infertilidade, impotência, abortos, partos prematuros, malformações congênitas, cólica, vômitos, dificuldade respiratória, diarreias, espasmos, depressão, suicídio. Que tal?

Fora todas estas doenças, não podemos esquecer dos impactos que causam ao meio ambiente com esta utilização intensiva de agrotóxicos em nossas lavouras.

Eles poluem rios, contaminam o solo e estão matando animais e insetos polinizadores em quantidades alarmantes, podendo até leva-los a extinção, comprometendo drasticamente o ecossistema do planeta.

É importante destacar que a expansão do uso de sementes transgênicas no Brasil foi a responsável em potencial por colocar o país em primeiro lugar dentro do ranking mundial no consumo de agrotóxicos.

Mais uma vez, a multinacional Monsanto, não satisfeita com seus lucros bilionários colhidos com os transgênicos, ainda quer derramar aqui e pelo mundo a fora todos os seus “venenos”!

E por que será que o nosso país recebeu a MONSANTO de braços tão abertos?

Mas o mundo está acordando!

E já é hora do Brasil acordar também! E para acordar precisamos nos unir. Precisamos uns dos outros.

Não dá mais para esperar por esta transição. Enquanto o Ministério da Agricultura continuar com esta postura retrógrada de que a Agroecologia não é possível neste país!

Ou , esperar destes políticos que se elegeram a custa dos nossos votos para nos representar e, em contrapartida abarrotam o Senado Federal com projetos que insultam descaradamente o senso critico e moral de uma Nação Inteira!

Está em nossas mãos! Está em nossas mãos dizer: eu não quero agrotóxico no meu prato. Está em nossas mãos mudar o modelo de agricultura neste país. E faremos isto nos mobilizando de todas as formas, rejeitando projetos incompatíveis para que esta mudança aconteça, apoiando a produção e consumo de alimentos orgânicos, despertando para novas alternativas sociais exigindo a implantação do PRONARA.

Já está mais do que provado que a Agroecologia é um caminho crivelmente possível. “Temos que aplaudir e enaltecer o grande trabalho que o CONSEA realiza com os brasileiros e brasileiras por todos os cantos do Brasil. Um trabalho que se fortalece ao fortalecer a participação da sociedade brasileira nas discussões sobre a Segurança Alimentar e Nutricional. Pelo tremendo esforço para expandir o conhecimento sobre os perigos da produção de alimentos transgênicos e envenenados pelos agrotóxicos. Enfatizando sempre a Agroecologia e a Produção Orgânica como política pública que se tornou o carro chefe da transição Agroecológica no governo Lula/Dilma.”, ressaltou Paulo Cezar Mendes Ramos – PHD – Analista ambiental/GT sobre Transgênicos e Agrotóxicos – ASCEMA – Associação dos Servidores da Carreira de Especialistas em Meio Ambiente/Coordenador da Seção Sindical – SINDSEP-ICMBIO/, Membro do Comitê da Campanha contra os Agrotóxicos no Distrito Federal.

Saiba mais sobre este importante trabalho realizado pelo Consea. Conheça o relatório Mesa de Controvérsias sobre os impactos dos Agrotóxicos!

Mudar nosso modelo atual de agricultura é possível! É possível sim começar a planejar uma subvenção governamental de apoio no mesmo patamar para sistemas agroecológicos em nosso país!

Reconhecida personalidade no assunto: Oliver De Schutter , relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, garante em seu relatório que é possível duplicar a produção de alimentos em uma década utilizando métodos ecologicamente sustentáveis.

E por que será que até agora o Ministério da Agricultura não apostou neste caminho? Assista ao filme: O Veneno está na Mesa e tire suas próprias conclusões para responder a esta pergunta.

Neste canal você encontrará muita informação e muitas dicas para contribuir com esta transição. Para mudar de Foco. Acompanhe!

Fonte – GikaBiloba, Nosso Foco

Relatório do Parlamento Europeu mostra benefícios dos orgânicos

Documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos na saúde, entre outros

Em dezembro de 2016, o Parlamento Europeu, através do Painel de Avaliação de Opções em Ciência e Tecnologia, divulgou um relatório sobre os impactos para a saúde pública do consumo de alimentos orgânicos e também da agricultura orgânica. O relatório chama-se “Human health implications of organic food and organic agriculture” e pode ser acessado aqui.

O documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos dos agrotóxicos na saúde e meio ambiente, resistência a antibióticos, padrões de alimentação, além de apontar caminhos e políticas públicas e suas possíveis consequências na Europa.

De acordo com o relatório, o consumo de alimentos orgânicos reduz a exposição a agrotóxicos, e portanto, os riscos de intoxicações agudas e crônicas. O relatório enfatiza que, apesar das análises de risco que são feitas antes da aprovação de agrotóxicos, existem grandes lacunas nos estudos. Gera grande preocupação, por exemplo, que sejam desconsiderados estudos epidemiológicos que mostram os efeitos negativos da exposição a baixas doses de agrotóxicos no desenvolvimento cognitivo de crianças.

Em relação aos fertilizantes, os estudos mostraram as consequências negativas do uso massivo e prolongado do mineral fósforo na agricultura convencional. O principal efeito é a elevação da concentração de cádmio no solo, e portanto nos alimentos produzidos neste local. A alimentação, inclusive, é uma das principais vias de exposição ao cádmio, que provoca câncer e diversas outras doenças.

Sobre a criação de animais, foi detectada uma maior concentração de ácidos graxos ômega 3 no leite, ovos e carne de animais criados no sistema orgânico. Isso decorre da alimentação à base de forragem, e não de rações concentradas. O capim possui alto índice de ômega 3 e, no caso do leite orgânico, foi detectada a presença 50% maior deste ácido graxo.

Outro ponto analisado foi a resistência a antibióticos. De acordo com o Organização Mundial de Saúde (OMS), a utilização excessiva deste medicamento na criação animal é um dos fatores que influenciam na existência de superbactérias resistentes a antibióticos. Na criação orgânica, o uso de antibióticos é reduzido, pois há menos doenças em sistemas não-confinados, e há grande restrição ao uso preventivo, comum na criação de animais convencional.

Ao final do relatório são apresentadas 5 opções de políticas públicas a serem consideradas daqui em diante. A primeira delas seria não tomar nenhuma atitude, e assim perder a oportunidade de obter ganhos para a saúde da população.

A segunda opção está relacionada às políticas de segurança alimentar, como por exemplo o controle da concentração de cádmio nas sementes. Além disso, na Europa está em vigor desde 2009 uma política de “uso sustentável” de agrotóxicos, que inclusive proíbe a pulverização aérea no continente. Finalmente, a União Europeia já se colocou favorável ao banimento do uso profilático de antibióticos na criação animal.

A terceira opção se refere a aumentar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas para agricultura orgânica. Este caminho poderia aprimorar os sistemas de cultivo, aumentando a produtividade e gerando mais comida de boa qualidade com práticas agrícolas sustentáveis.

A quarta opção aponta para a melhora do ambiente de negócios da agricultura orgânica através de incentivos fiscais. Considerando que as doenças causadas pela agricultura convencional representam uma carga para os sistemas de saúde, e que este custo não está incluído no preço dos fertilizantes e agrotóxicos, seria justo uma taxação maior para estes produtos. Estas taxas poderiam ser utilizadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica.

A quinta e última opção se refere ao incentivo de práticas de consumo sustentáveis. Atualmente, o consumo de carne na Europa é elevado, enquanto cereais integrais, frutas e legumes ficam abaixo dos índices recomendados. O relatório afirma que o padrão de consumo de quem se alimenta de orgânicos é mais saudável em comparação com a média da sociedade. Assim, regras licitatórias que favoreçam a compra de orgânicos em escolas, hospitais e restaurantes públicos podem melhorar o padrão alimentar da população.

Importância do Documento

Mesmo que o relatório não traga grandes novidades, o reconhecimento do parlamento Europeu de que a agropecuária convencional representa um problema de saúde pública, e que além disso, a agricultura orgânica é uma solução para este problema, já é um fato a ser comemorado.

Ainda que por certa herança colonial, decisões políticas tomadas na Europa e nos EUA têm grande apelo no Brasil. O banimento da pulverização aérea na Europa, o fato de que 22 do 50 agrotóxicos mais consumidos aqui são proibidos lá, e agora este relatório, são argumentos de peso em nossa luta contra os agrotóxicos e as consequências nefastas do agronegócio.

Orgânicos na Europa

Obviamente, o contexto Europeu em relação aos orgânicos – chamados lá de biológicos ou somente bio – é completamente diferente do nosso. O movimento da agricultura biodinâmica (Demeter) já existe desde os anos 1920 na Alemanha. Hoje, encontra-se uma grande oferta de orgânicos em qualquer supermercado (mesmo os mais baratos), e há mesmo redes de supermercados que só vendem orgânicos.

Além das frutas, legumes e verduras, são oferecidas carnes, lácteos, salsichas, cosméticos e até roupas orgânicas. É possível encontrar máquinas agrícolas adaptadas e outros tipos de facilidades para aumento de produtividade com mão de obra escassa. Há críticas de que a agricultura orgânica na Europa já foi completamente dominada pelas grandes cadeias de alimentos, e concentra renda da mesma forma que o cultivo convencional.

Nos países mais ricos da Europa (EU-28), 5,7% das terras é cultivada de forma orgânica, num mercado que rende 24 bilhões de Euros (quase R$100 bilhões).

O panorama é bem diferente daqui. A estimativa de ocupação das terras orgânicas certificadas é de menos de 1%, e a movimentação financeira estimada é de R$2,5 bilhões. Além disso, por aqui colocamos como fundamental o projeto da Agroecologia, que inclui outras dimensões além do cultivo sem agrotóxicos, fertilizantes e transgênicos (aliás, na Europa o uso de transgênicos é restrito a poucos países).

Por aqui, não há possibilidade de discutir a agricultura orgânica sem tocar na questão agrária, que é a raiz de diversos outros problemas como a pobreza e a insegurança alimentar no campo, além do próprio êxodo rural e inchaço das cidades. Por isso, lutar pela agroecologia significa lutar pelas condições subjetivas e objetivas para se produzir sem veneno: equidade de gênero, educação e saúde do campo, pesquisa, crédito, logística, agroindústria sob controle camponês e tudo mais que for preciso para se viver e produzir de forma saudável no campo.

O relatório do Parlamento Europeu deve ser lido e estudado, e ser utilizado como mais uma ferramenta de luta nas diversas batalhas que nos esperam em 2017, a começar pela derrubada do PL do Veneno, e pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.

Fonte – Alan Tygel, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de 29 de janeiro de 2017

Somente 20% da água é tratada no mundo

Foto: Paul Downey/Flickr Foto: Paul Downey/Flickr

A demanda por água em todo o mundo aumenta a cada dia e em consequência disso, cresce a quantidade de águas residuais produzidas e despejadas no meio ambiente sem tratamento adequado, tornando-se inapropriadas para o consumo, provocando efeitos negativos na saúde, na produtividade econômica, na qualidade de águas doces e nos ecossistemas. Para chamar a atenção para esse fato, que nesta quarta-feira (22), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) lançou um relatório,Águas Residuais: o Recurso inexplorado (em inglês, Wastewater – The Untapped Resource).

Um dos aspectos mais importantes destacados no documento alerta para o fato de que, no mundo inteiro, somente 20% das águas passam por tratamento sanitário. Os outros 80% voltam à natureza residuais sem tratamento apropriado. A desigualdade entre os países fica acentuada no acesso à água tratada: enquanto os países pobres apenas 8% das águas residuais domésticas e industriais tratadas, nos países de renda alta a taxa é de 70%.

“As águas residuais são um recurso valioso em um mundo no qual a água é finita e a demanda é crescente”, disse Guy Ryder, presidente do UN Water e diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Gestão da água

O relatório ressalta a necessidade urgente do reuso da água residual doméstica, agrícola e industrial para suprir a escassez e o aumento da demanda. Segundo o documento, dois terços da população mundial vivem, hoje, vivem em áreas com escassez de água durante um mês por ano, ao menos. Cerca de 500 milhões de pessoas vivem em áreas nas quais o consumo de água excede em duas vezes os recursos hídricos renováveis localmente. Reduzir esse número, significa tratar as águas residuais para que elas se tornem acessíveis. A disponibilidade desses recursos está ligada diretamente à qualidade da água, pois a poluição das fontes pode tolher diversos usos da água.

A prevenção ou a redução da poluição na fonte, a coleta e tratamento das águas residuais, o uso das águas residuais como uma fonte alternativa de água e a recuperação de subprodutos úteis, como a utilização da tecnologia a recuperação de nitrogênio e fósforo a partir do esgoto e do lodo como fonte alternativa para água doce, são algumas medidas apresentadas como soluções de tratamento e produção de água viável para outros usos.

Fonte – Sabrina Rodrigues, O Eco de 22 de março de 2017

Ultraprocessados e a vontade inconsciente de comer

Não é a fome, mas a necessidade de reconforto emocional que gera a ânsia de comer. A indústria alimentícia sabe disso e abusa do sal, açúcar e gordura para levar ao êxtase e vender mais

Sorvete! Leite, creme…sal, açúcar e gordura

Sem terra fértil não há comida, como abordamos na parte 2 deste artigo. Depois de tratar sobre a produção alimentar,  discutiremos alguns aspectos do consumo de alimentos ultraprocessados.  Desde 2001, a marca de sorvetes Haagen Dasz  faz parte da General Mills, uma das 10 empresas que controlam quase tudo o que é consumido diariamente, de acordo com o estudo Por trás das Marcas, pulicado pela ONG espanhola OXFAM.

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Em 1961, a marca iniciou suas vendas com apenas três sabores disponíveis: baunilha, chocolate e café. O fundador Reuben Mattus buscava qualidade para que seus sorvetes tivessem um sabor único.  Assim, o chocolate vinha da Bélgica, o café da Colômbia e a baunilha era importada da ilha de Madagascar. A receita original tinha mais gordura do que os padrões do governo norte-americano requeria, assim como menos ar, ou seja, sua cremosidade e diferencial vinha da excelência dos ingredientes e da receita baseada em creme de leite.

Mattus foi visionário mesmo, se seu interesse era a qualidade que o sorvete conseguiria ao ter maior teor de gordura. No entanto, hoje é bem conhecido que o sal, o açúcar e a gordura têm sido indispensáveis não só para a preservação dos produtos alimentares, mas também para a gestão e venda de produtos, como foi bem documentado pelo jornalista norte-americano Michael Moss em seu livro “Sal, Açúcar e Gordura, como a indústria alimentícia nos fisgou”.

No departamento de novos produtos das empresas de consumo de massa é de grande importância calcular o ponto exato em que o sal, o açúcar e a gordura vão poder induzir ao ponto de êxtase nos consumidores. Este ponto é conhecido como o bliss point, ou o ponto de extrema felicidade, o qual, na linguagem dos marqueteiros, vai levar os consumidores à lua. Dessa forma, a engenharia de alimentos tem como trabalho encontrar a equação matemática perfeita de sabor e conveniência para vender mais produtos (MOSS, 2013, p. 25).

Não é de estranhar que a maioria de nós prefira comida doce e gordurosa que é “mais densa” energeticamente, com altas doses de sal, açúcar e gordura (NESTLE, 2013, p.17). Biologicamente estamos “programados”, ou condicionados, desta maneira. Trata-se de neurotransmissores no cérebro, muito úteis para nossos ancestrais caçadores-coletores, que precisavam reconhecer comida energética para a sobrevivência. As empresas sabem disso e é evidente quando olhamos as prateleiras dos supermercados encontramos uma variedade de ultra processados, formulações industriais com aparência de produto comestível à base de sal, açúcar e gordura. O interessante para a indústria é vender mais.

De acordo com o livro de Moss, recentemente as maiores empresas têm levado a cabo pesquisas sobre os efeitos da gordura no cérebro. A Unilever investiu 30 milhões de dólares em uma equipe de 20 pessoas, empregando as mais avançadas tecnologias de estudo neurológico para determinar o poder sensorial dos alimentos, inclusive da gordura. O cientista que liderou o estudo foi McGlone, que ficou um pouco envergonhado de provar o que o diretor de insights da empresa pedia: determinar se o sorvete deixava os consumidores felizes, o que foi cientificamente comprovado.

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Por sua vez, o centro de pesquisa e desenvolvimento da Nestlé, perto de Genebra, na Suíça, tem um grupo de cientistas, dentre eles, Johannes Le Coutre. Eles utilizam o mesmo tipo de mapas cerebrais utilizados nos centros de pesquisa acadêmicos. Suas ferramentas incluem eletroencefalógrafos (EEG), nos quais uma rede de eletrodos é fixada na cabeça dos pacientes a fim de explorar como o cérebro responde a vários estímulos. Os resultados demostraram que o cérebro detecta incrivelmente rápido a gordura. Um compêndio sobre todos os fatos relacionados com a gordura foi escrito por Le Coutre e outros 50 colegas da indústria e da academia. O livro de 609 páginas foi publicado em 2010, servindo de guia para as empresas que querem utilizar o poder da gordura em seus produtos (MOSS, 2013, pp.149-156).

Mas o sorvete não tem só gordura, também tem açúcar. Considerado uma das principais causas da obesidade, o açúcar é fundamental para o paladar dos consumidores. Moss  relata que durante os últimos quarenta anos, centenas de fisiologistas, químicos, neurocientistas, biólogos e geneticistas do Centro Sentidos Químicos Monell, na Filadélfia (EUA), buscam decifrar os mecanismos do gosto e do olfato. Dentre as descobertas, observa-se que os receptores na língua são estimulados pelos endocanabinóides – substância que é produzida no cérebro para incrementar o apetite e que é irmã do THC, a substância ativa da maconha (2013, p.7). Outras pesquisas, sinalizadas pelo jornalista, como a de Moskowitz, permitiram encontrar, a partir de modelos matemáticos, o ponto ideal de açúcar a ser utilizado no produto, de modo a não desperdiçar e não causar repulsa. O cientista descobriu que não é a fome que gera a ânsia de comer. Raramente chegamos a uma situação em que o nosso corpo ou cérebro esteja com falta de nutrientes. O que precisamos é de reconforto, satisfazendo as necessidades emocionais, que são os pilares da comida processada: gosto, aroma, aparência e textura (MOSKOVITZ, 2013, pp. 34-39).

O interesse das grandes corporações alimentares é a venda de produtos e o lucro, nas palavras da Marion Nestle:

as empresas devem competir com agressividade por cada dólar gasto em comida, a primeira missão das empresas é vender produtos. As empresas não são agências de saúde ou serviços sociais, a nutrição se converte em um fator que para as empresas só é considerado se puder ajudar a vender. As opções éticas são muito pouco consideradas (NESTLE, 2013, p. 2).

Podemos pensar assim, que os benefícios de lucro para as empresas têm sido contrários ás expectativas dos consumidores, cujo paladar tem sido modificado e, em alguns casos, viciado. Igualmente, existe uma facilidade maior de acesso aos produtos alimentares baratos, altamente calóricos, de baixa qualidade nutricional e alto conteúdo publicitário. Lembremos que para os marqueteiros existem produtos que devem ser vendidos sem pensar nas implicações para a saúde ou outro tipo de consequências. Parte da gestão do produto é justamente o desenvolvimento do “produto” que deve ser consumido. Assim, o sal, o açúcar e a gordura se convertem em grandes aliados.

E a General Mills sabe bem disso, não é fácil ser uma das 10 empresas que controlam o que compramos nos supermercados. As primeiras marcas desta empresa, eram as de cereais matinais. Em 1949 lançou no mercado o cereal com maior conteúdo de açúcar da época, o Sugar Crisp, que foi um hit, levando os competidores a lançarem produtos com grande teor de açúcar. (MOSS, 2013, pp.68-74).

Falar do leite renderia mais de um texto, só vamos mencionar um fato. Se Häagend Dasz é uma marca americana, e o sorvete não é orgânico, provavelmente a vaca tenha sido submetida ao hormônio transgênico de crescimento bovino (rbBGH ou rbST, nas siglas mais usadas em inglês).

O hormônio foi desenvolvido pela Monsanto e é injetado em vacas para aumentar a produção de leite. Está proibido na maioria dos países, mas é livremente utilizado nos EUA sem que o leite e os derivados tragam a informação nos rótulos. No Brasil esse hormôniofoi liberado no ano 2006.

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Diante desse cenário de especialistas e marqueteiros ávidos em captar o
ponto de êxtase do consumidor com fórmulas à base de sal, açúcar e gordura, a marca norte-americana Häagen Dasz permanece há 56 anos com a mesma imagem na mente do consumidor: uma paisagem bucólica dinamarquesa, sugerindo a origem dos sorvetes, fabricados com leite sem hormônios e sustentável. As ambiguidades e contradições da indústria alimentícia devem ser desveladas e complexificadas com a intenção de trazer informação e esclarecimento sobre esse modelo hegemônico de produzir e consumir produtos comestíveis.

Em 2016,  a Häagen Dasz  anunciou a redução progressiva de ingredientes transgênicos na fabricação dos seus sorvetes, indicando, ao que parece, uma aproximação com o amplo debate sobre o assunto e a pressão de organizações de consumidores em todo o mundo.  Em paralelo, a produção de leite de vacas no país escandinavo vem aumentando desde a década de 1980 em mais de 50%, enquanto as emissões de carbono foram reduzidas neste intervalo. Produtores dinamarqueses estão agora entre os produtores de leite mais eficientes do mundo em termos de emissões de gases com efeito de estufa.

Ao final, a magia do marketing permite trazer imagens idílicas para a mente do consumidor mesmo que não sejam reais, antenadas com o discurso ecológico; e o marketing político alcança a aceitação da mente pública para criar e instaurar políticas favoráveis para os grupos no poder que controlam o sistema agroalimentar global.

Referências bibliográficas

MOSS, M. Salt, Sugar, Fat: How the food giants hooked us. United States of America: Random House, 2013.

Fonte – Juliana Dias e Mónica Chiffoleau, Outras Palavras de 27 de março de 2017

Cartilha com conceitos de agroecologia

Baixe (DE GRAÇA!) cartilha com conceitos de agroecologia

Durante o Show Rural Coopavel, um dos principais eventos da agropecuária nacional, a Itaipu Binacional – por meio do Programa Cultivando Água Boa – e parceiros lançaram a cartilha Vitrine Tecnológica de Agroecologia.

Com 72 páginas, a publicação mostra como propriedades convencionais podem migrar para o sistema agroecológico.

Os textos foram produzidos por 35 especialistas de diversas áreas, como Economia, Biologia Celular, Agronomia, Zootecnia e Fitotecnia. Entre os assuntos abordados estão manejo agroecológico de pragas e doenças, homeopatia, repelentes naturais, uso de armadilhas no combate a insetos e pragas, agrofloresta, olericultura como alternativa de renda para agricultura familiar ecológica, bioconstruções, cultivo de soja para sistemas de base ecológica e sistemas alternativos de irrigação.

Fonte – The Greenest Post de 20 de fevereiro de 2017

Automóveis, poluição, doenças. Como mudar?

Por que dar incentivos fiscais e subsídios para um equipamento ocioso em 80% do tempo?

No mesmo dia em que alguns jornais divulgavam a notícia de que o Brasil é o país onde o proprietário passa mais tempo dentro do automóvel – 4 anos e 11 meses de vida, ante 4 anos e 3 meses do argentino, 4 anos do europeu, 3 anos e 1 mês dos chineses (CSA Research, 3/3) –, informou-se que o item mais importante para a redução de 20% nos acidentes (no Estado de Goiás, por exemplo) foi o uso do farol, tanto no caso de acidentes com vítimas como nos sem vítimas. Nos acidentes com vítimas de morte a redução num mesmo período de 2016 e 2017 foi de 37,9%; nos acidentes com outras vítimas, redução de 7,55%; e nos casos sem vítimas, de 29,6%. As estatísticas também foram favoráveis nos casos de colisão e em mais de mil casos de atropelamento. São números importantes num país onde os acidentes dessa ordem costumam ser altos.

Já a poluição atmosférica no Estado de São Paulo, na visão de pesquisa coordenada pelo professor Paulo Saldiva, poderá explicar 15% dos casos de enfarte. Se reduzida em 10%, poderá evitar a morte em mais de 10 mil casos, além de se obterem avanços no tratamento de centenas de milhares de casos de asma e reduzir a perda de milhões de horas de trabalho.

“Ambientes poluídos e insalubres matam 1,7 milhão de crianças por ano” em todo o mundo, de acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMC) nesta semana. Uma em cada quatro mortes de crianças com menos de 5 anos está relacionada com ambientes poluídos e insalubres. Poluição do ar e da água, fumo passivo, falta de saneamento básico e de infraestrutura adequada de higiene também são fatores muito relevantes. E a maior parte deles poderia ser evitada. Principalmente com o acesso ao saneamento básico e o uso de combustíveis limpos.

Além disso, enfatiza o relatório, a exposição a ambientes insalubres pode começar durante a gravidez, aumentando o risco de partos prematuros. E as crianças expostas à poluição atmosférica e ao fumo passivo podem ter mais risco de contrair pneumonia e de desenvolver doenças respiratórias crônicas, como a asma.

Serra Leoa é o país com a maior incidência dessas doenças. Ali morrem 780,6 crianças de até 5 anos de idade por 100 mil habitantes, por causa de doenças atribuídas ao meio ambiente. No Brasil, a taxa é de 41,38 mortes. O principal problema é a falta de saneamento básico. Segundo a OMS, a situação não é tão alarmante como a da China e da Índia. Há um esforço para melhorar a qualidade do ar. A situação da água melhorou nos últimos anos, “mas não é a ideal”.

O que mais impressionou os pesquisadores, em quase todos os lugares, foi o impacto da poluição atmosférica dentro dos lares na saúde infantil. E sob esse ângulo, a poluição advinda da energia é um fator relevante. Precisa ser atacado, substituindo o querosene por lâmpadas solares; o fogão a lenha pode ser substituído por fogões elétricos, tão eficientes quanto os fogões a lenha, sem causar poluição. Quase 600 mil crianças morrem a cada ano por causa da poluição, principalmente a gerada dentro dos lares, ressalta a OMS.

Lixo eletrônico é outro problema que expõe as crianças a toxinas que podem danificar os pulmões e levar ao câncer, além de redução no desenvolvimento cognitivo e déficit da atenção.

Segue o relatório da OMS relatando problemas com mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e de níveis de dióxido de carbono na atmosfera, que favorecem a liberação de pólen pelas plantas, que está associado ao desenvolvimento da asma. Entre 11% e 14% das crianças abaixo de 5 anos são as maiores vítimas da asma, 44% relacionadas com o ambiente.

Nesse panorama, é muito preocupante a notícia divulgada pelas indústrias de automóveis de que até o final desta década o número de carros nas ruas dobrará. Essa perspectiva está levando a muitos programas de enfrentamento – BRTs e vias para bicicletas em Buenos Aires, trens de alta velocidade em 6.800 quilômetros nos EUA, espaços compartilhados por veículos e pessoas em vários países, pagamento de pedágio por automóveis em vias urbanas.

Mas fica a pergunta para vários países, incluído o Brasil: por que conceder incentivos fiscais e subsídios para automóveis, equipamento que permanece ocioso em 80% do tempo?

De Roma, vem a notícia (Plurale, 2/3) de que o papa Francisco aceitou a doação de uma instituição e “passará a usar um carro 100% elétrico durante um ano, como parte de um projeto-piloto que visa a demonstrar que essa tecnologia é boa para o ambiente e a economia. A consultoria doadora também doou quatro estudos sobre como transformar o Vaticano num dos primeiros Estados do mundo a usar 100% de energias renováveis, num ambiente com 100% de mobilidade livre de emissões”.

Há muitos outros ângulos. A ONU, por exemplo, fez um estudo em Barcelona, preocupada com os espaços urbanos, a perda de espaços públicos, calçadas, praças, e com a insuficiência dos transportes públicos. Sua recomendação é manter políticas participativas, tratar de relações entre bairros antigos e mais novos, que têm necessidades diferentes. Hoje o espaço público tem, no máximo, 30% da área total das cidades.

Mas é preciso lembrar que a população no mundo chegará a 10 bilhões de pessoas em 2050 (hoje já são mais de 3,9 bilhões). E lembrar o desafio, já presente, das megacidades. Tóquio tem 38 milhões de pessoas; Délhi, 25 milhões; a Grande São Paulo já passou de 20 milhões. E no centro de toda a questão está o problema da mobilidade urbana, a presença do automóvel.

A cidade de Goiânia, por exemplo, que foi concebida para ter, no máximo, 100 mil habitantes, hoje tem 1,43 milhão e uma frota de 1,15 milhão de veículos. Não é muito diferente de outras capitais de Estados e grandes cidades – até porque, em geral, não temos políticas para áreas metropolitanas.

Fonte – Washington Novaes, Envolverde de 27 de março de 2017