Isto é o quanto de plástico o mundo já produziu (e não é bonito)

Montanha de lixo plásticoMontanha de lixo plástico se acumulando na natureza. (Press Digital/Thinkstock)

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade desse material já produzida na história, revelando urgência de se pensar uma nova economia do plástico

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade de plásticos já produzidos na história da humanidade. E o resultado é um tanto quanto assustador: foram 8,3 bilhões de toneladas desde que a produção em larga escala de materiais sintéticos começou, no início da década de 1950.  É tanto plástico que  equivale a cerca de 25 mil vezes o peso do Empire State Building, em Nova York.

A parte assustadora é que a maioria de todo esse material tem como destino aterros sanitários ou, mais grave, o próprio ambiente natural, de acordo com o estudo publicado na revista Science Advances. Se as tendências atuais continuarem, cerca de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos terão o mesmo destino impróprio até 2050.

O estudo é fruto do trabalho conjunto de cientistas da Universidade da Geórgia, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara e Sea Education Association. Na ponta do lápis, os pesquisadores descobriram que das 8,3 bilhões de toneladas de plásticos geradas até 2015, 6,3 bilhões já se tornaram resíduos, ou seja, foram descartadas.

Desse total, apenas 9% foram recicladas, 12% foram incineradas e 79% se acumularam em aterros sanitários ou simplesmente ficaram pelo caminho poluindo o meio ambiente.

O que preocupa é que a maioria dos plásticos não se biodegrada na natureza de forma significativa, de modo que os descarte incorreto no presente se torna um problema que perdura por centenas e até milhares de anos.

Com o levantamento, os cientistas esperam chamar atenção para a necessidade de pensar sobre o uso que fazemos desse material e as práticas de gerenciamento de resíduos. É essencial, portanto, desenvolver uma nova economia do plástico, que seja mais responsável e sustentável.

Para o estudo, eles compilaram estatísticas da produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o tipo de setor e consumo.

Entre 1950 e 2015, a produção global de plásticos aumentou de 2 milhões de toneladas para mais de 400 milhões de toneladas, de acordo com o estudo, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções ​​são alguns materiais amplamente utilizados no setor de construção, como aço e cimento.

Mas enquanto o aço e o cimento são usados ​​principalmente na construção, o mercado de plásticos é majoritariamente voltado para a produção de embalagens, que em geral são usadas apenas ​​uma vez e descartadas. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”, diz Roland Geyer, principal autor do estudo.

Os pesquisadores alertam, porém, que não se deve buscar a remoção total de plástico do mercado, mas sim repensar o uso que fazemos desse material. “Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse a coautora Kara Lavender Law. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos em algumas situações e perguntar se ele faz sentido”.

A mesma equipe de pesquisadores liderou um estudo publicado em 2015 na revista Science que calculou a quantidade de resíduos plásticos no oceano. Eles estimaram que 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos entraram nos oceanos em 2010.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 20 de julho de 2017

As mentiras sobre a reciclagem das embalagens plásticas

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Apesar de recicláveis, raramente as embalagens plásticas são recicladas.

Todos nós sempre ouvimos histórias sobre a reciclagem de embalagens plásticas. E muitos de nós sempre acreditamos nelas.

Afinal, eram indústrias renomadas dizendo que suas embalagens eram recicladas e os impactos ambientais eram mínimos.

A mentira acaba de ser mais uma vez confrontada com a realidade dos números.

Já pensou que apenas 9% das embalagens plásticas vão ser recicladas de verdade?

Quanto isso representa na foto dos produtos à venda num típico supermercado? Talvez os espaços vazios nas prateleiras?

Estudo publicado pela Science Advances revela que 79% de todos os resíduos plásticos estão se acumulando nos aterros e no meio ambiente. Somente 9% dos plásticos são de fato reciclados e o restante 12% foram incinerados.

Levando em conta que no Brasil não existe incineração de plásticos, imagine onde também vão parar mais estes 12%.

É verdade que o plástico é quase insubstituível no dia a dia. E é um dos melhores, mais versáteis e baratos materiais para embalagem.

O problema pode ser resolvido com o uso de plásticos biodegradáveis. Não descarte essa ideia. Os produtos já existem, é uma realidade para você usar agora.

Boletim do Instituto IDEAIS de 25 de julho de 2017

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Materiais que morrem degradam-se após tempo de vida definido

Esse gel pode ser usado para manter alguma coisa – física ou química – em um determinado local ou posição, e depois se degradar naturalmente, liberando sua carga. [Imagem: Benedikt Rieb/TUM]

Natural versus sintético

Você já parou para pensar que a natureza não possui lixões, que tudo se degrada naturalmente com o passar do tempo – e um tempo geralmente muito curto?

E, em contraposição, que os materiais fabricados pelo homem tendem a durar o suficiente para se amontoarem e interferirem com a natureza?

Esta é uma das principais diferenças entre os materiais biológicos, ou vivos, e as substâncias artificiais, ou sintéticas. Em termos físicos, tudo é uma questão de diferença na “gestão de energia”: os materiais feitos pelo homem estão em equilíbrio com o ambiente, o que significa que eles não trocam moléculas e energia, permanecendo como são por um tempo indefinido.

“Até agora, a maioria das substâncias artificiais são quimicamente muito estáveis: para decompô-las novamente em seus componentes é preciso gastar muita energia,” explica o professor Job Boekhoven, da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, ressaltando que a reciclagem é a única opção que nos resta, mas que ela é energeticamente muito cara.

A natureza funciona de acordo com outro princípio: os materiais biológicos, desde as células, não estão energeticamente em equilíbrio com o meio ambiente. Eles exigem uma entrada constante de energia, na forma de alimento, água, luz do Sol etc, para sua construção, manutenção e reparo.

“A natureza não produz depósitos de lixo. Em vez disso, as células biológicas estão constantemente sintetizando novas moléculas a partir de moléculas recicladas. Algumas dessas moléculas se reúnem em estruturas maiores, os chamados conjuntos supramoleculares, que formam os componentes estruturais da célula. Esse conjunto dinâmico nos inspirou a desenvolver materiais que se descartam a si mesmos quando não são mais necessários,” disse Boekhoven.

Materiais com tempo de vida

A boa notícia é que já está pronto o primeiro lote dessa nova classe de materiais supramoleculares, que se desintegram em um tempo predeterminado – uma característica que deverá ser usada em inúmeras aplicações.

Reunindo uma equipe de químicos, físicos e engenheiros, o trabalho baseou-se no modelo natural: os blocos de construção molecular são inicialmente livres para se movimentar, mas se for adicionada energia – na forma de moléculas – as estruturas supramoleculares se formam. Tão logo a energia se esgota, as estruturas supramoleculares se desintegram de forma autônoma, sem a necessidade de nenhuma ação externa.

Assim, a vida útil do material pode ser predefinida pela quantidade de combustível adicionada. As primeiras versões do material podem ser configuradas para se degradar de forma autônoma de alguns minutos até várias horas. Além disso, após um ciclo, o material degradado pode ser reutilizado simplesmente adicionando mais “alimento” – outro lote de moléculas de energia.

Estas primeiras versões das estruturas supramoleculares feitas pelo homem são diferentes tipos de anidridos que se juntam em coloides, hidrogéis ou tintas supramoleculares. Uma reação química em cadeia converte dicarboxilatos em anidridos metaestáveis graças ao consumo irreversível de carbodi-imida como combustível. Devido ao seu caráter metaestável, os anidridos hidrolizam para seus dicarboxilatos originais, com meias-vidas na faixa de segundos até vários minutos.

Materiais supramoleculares A equipe fabricou tintas com tempo de vida – elas se apagam quando sua vida termina, mas podem voltar a mostrar sua mensagem se receberem mais “alimento”. [Imagem: Marta Tena-Solsona et al. – 10.1038/ncomms15895

Fim do lixo?

Com base nesses avanços, será que já dá para pensar em construir máquinas supramoleculares ou telefones celulares que simplesmente desaparecerão quando não forem mais necessários?

“Isso pode não ser completamente impossível, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Agora estamos trabalhando no básico,” ressalta o professor Boekhoven.

Bibliografia

Far-from-equilibrium supramolecular materials with a tunable lifetime
Marta Tena-Solsona, Benedikt Rieb, Raphael K. Grötsch, Franziska C. Löhrer, Caren Wanzke, Benjamin Käsdorf, Andreas R. Bausch, Peter Müller-Buschbaum, Oliver Lieleg, Job Boekhoven
Nature Communications
Vol.: 8, 15895
DOI: 10.1038/ncomms15895

Fonte  – Inovação Tecnológica de 27 de julho de 2017

INPE lança segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar

No dia 4/8, às 10 horas, o lançamento o Atlas Brasileiro de Energia Solar foi um dos destaques da comemoração do aniversário de 56 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Realizada na sede, em São José dos Campos (SP), a cerimônia teve a participação de cientistas e gestores do INPE e outras instituições de pesquisa, empresários e autoridades regionais, representantes de entidades nacionais e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, entre outras personalidades.

Para o novo estudo, que indica um enorme potencial ainda pouco explorado em energia solar, foram empregados 17 anos de dados de satélites que permitiram vários avanços nos modelos de transferência radiativa, além de análises sobre a variabilidade espacial e temporal deste recurso renovável, bem como cenários de emprego de várias tecnologias solares.

O Atlas foi apresentado durante a cerimônia que homenageia servidores de diversas áreas, em reconhecimento a seus anos de trabalho e dedicação ao INPE, instituto criado em 3 de agosto de 1961.

O INPE tem como missão produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial (Ciências Espaciais e Atmosféricas, Engenharia e Tecnologia Espacial e Observação da Terra por satélites) e do ambiente terrestre (Previsão de Tempo e Clima e Ciência do Sistema Terrestre), e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.

É reconhecido no mundo todo por seus sistemas de monitoramento do meio ambiente, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais e atmosféricas, engenharia de satélites e pela excelência de seus cursos de pós-graduação. O INPE deu ao Brasil a capacidade de desenvolver satélites, produzir ciência espacial de qualidade, monitorar nosso território, ter uma previsão de tempo moderna, entender as mudanças globais e fazer com que o Espaço seja compreendido pela sociedade brasileira.

Como executor de atividades do Programa Espacial Brasileiro, o INPE fomenta a inovação e o fortalecimento do setor aeroespacial no país. No Instituto, são construídos satélites para produção de dados sobre o planeta Terra e desenvolvidas pesquisas que transformam esses dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo.

Satélites de observação da Terra, como os da família CBERS, desenvolvidos pelo INPE em cooperação com a China, e o Amazonia-1, o primeiro totalmente nacional, são fundamentais para um país de dimensões continentais como o Brasil. São inúmeras as suas aplicações, com destaque para o monitoramento de florestas, previsão de safras agrícolas, monitoramento de queimadas, análise de usos da terra, cadastro territorial urbano e rural, entre outras.

Não só as imagens de satélites e dados brutos estão disponíveis a qualquer cidadão, mas também os resultados obtidos em seus estudos e projetos. No INPE, há um compromisso com a transparência sobre informações que são de interesse da sociedade como, por exemplo, dados sobre qualidade do ar, raios, tempo e clima, níveis de reservatórios e desmatamentos.

O estabelecimento e a manutenção das competências científico-tecnológicas são apoiados pelo programa de pós-graduação realizado pelo INPE desde o final da década de 1960. Outra característica que fortalece o Instituto é o relacionamento com outras organizações para o intercâmbio científico e tecnológico, acesso e fornecimento de dados e desenvolvimento de serviços, tecnologias e sistemas espaciais.

Presente em todas as regiões do Brasil, o INPE tem sua sede em São José dos Campos (SP) e possui centros regionais em Belém (PA), Natal (RN) e Santa Maria (RS), além de unidades em Cuiabá (MT) e Cachoeira Paulista (SP).

Fonte – INPE de 02 de agosto de 2017

Jardim Botânico vai ganhar coleção de araucárias do mundo

(foto: Valdecir Galor/SMCS)

O caminhão transplantador não tinha como passar despercebido por quem visitava ou caminhava pelas pistas do Jardim Botânico na manhã desta quinta-feira (10/8). E a curiosidade ia além da presença do maquinário, as pessoas queriam mesmo saber a razão da abertura das grandes covas no terreno à esquerda da estufa. A área vai abrigar a mais nova coleção vegetal do espaço: Araucárias do Mundo.

Os 17 novos exemplares vão contemplar cinco espécies do gênero – Araucaria heterophylla, Araucaria columnaris, Araucaria bidwillii, Araucaria araucana, e a mais conhecida por aqui, a Araucaria angustifólia. No mundo, existem cerca de 18 espécies da árvore e o objetivo dos técnicos do Jardim Botânico é fazer a complementação gradativamente.

O plantio está previsto para setembro. Enquanto isso, o composto de material orgânico colocado nas covas é preparado para receber melhor as mudas e garantir o bom desenvolvimento. “Além disso, o risco de ondas de frio mais rigoroso diminui, o que também vai favorecer o crescimento”, diz o diretor de Produção Vegetal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, José Roberto Roloff. A estimativa é de que em cerca de dez anos elas atinjam um tamanho de dez metros.

O casal Maria e Ademir Davide, de Santo André, em São Paulo, parou para ver o caminhão em ação. Agora, eles pretendem voltar para ver a coleção plantada. “A cena é bem interessante, até paramos para olhar”, destacou a dona de casa. “Não conseguiremos voltar em setembro, mas com certeza viremos depois para conferir”, contou Maria.

Coleções

Araucárias do Mundo será a sétima coleção vegetal do Jardim Botânico. Os visitantes já têm acesso à Floresta Atlântica, Palmeiras Brasileiras, Floresta Estacional, Arbustos dos Campos do Paraná, Exóticas e Ameaçadas de Extinção.

O novo grupo de plantas é resultado do trabalho da Comissão Permanente Comissão Especial Permanente para pesquisa, implantação e manutenção das coleções vivas do Jardim Botânico Municipal de Curitiba.

Manutenção

Após a retomada da manutenção da estufa, com a limpeza e reorganização das plantas, as equipes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente fizeram a troca de todas as estruturas de bambu quebradas do painel de proteção contra os raios solares e bancos na área das Nativas.

Desde o início do ano, o local vem passando por melhorias, que incluem a limpeza da cascata e dos chafarizes e podas das árvores do bosque e estacionamento. Um novo bebedouro e um bicicletário também foram implantados para os frequentadores.

Fonte – Bem Paraná de 10 de agosto de 2017

Araucaria é um gênero de árvores coníferas na família Araucariaceae. Existem 19 espécies no gênero, com distribuições altamente separadas na Nova Caledônia (onde treze espécies são endêmicas), Ilha Norfolksudesteda AustráliaNova GuinéArgentinaChile, e sul e parte do sudeste do Brasil.

O gênero divide-se em duas secções, sendo algumas vezes tratados como gêneros separados:

1 milhão de garrafas plásticas são vendidas a cada minuto

Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China.Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China. (China Photos / Stringer/Getty Images)

Novas estatísticas divulgadas pelo The Guardian revelam o quão assombroso o problema se tornou

Versáteis e econômicos, os plásticos facilitaram muitos avanços da sociedade ao longo do século passado. No entanto, alguns de seus usos atuais atingem números que beiram o insustentável.

A demanda global por garrafas de plástico, estimulada pela indústria de bebidas, é exemplo disso: a cada minuto, um milhão de garrafas plásticas são vendidas em todo o mundo; por ano, consumimos cerca de 500 bilhões delas. Os dados são de um levantamento da Euromonitor feito a pedido do jornal britânico The Guardian.

Embora seja verdade que muitas dessas embalagens poderiam e deveriam ser recicladas, está cada vez mais difícil acompanhar o grande volume de resíduo plástico produzido. O que acontece quando a equação não fecha? Grande parte do lixo indigesto acaba poluindo o meio ambiente, onde demora centenas de ano para se decompor.

Em 2016, o mundo comprou mais de 480 bilhões de garrafas plásticas de água. Menos da metade disso foi coletado e enviado para reciclagem. E apenas 7% delas encontraram uma segunda vida como garrafas novas. O resto ou seguiu para lixões e aterros sanitários ou foi poluir terra e mar.

Não faltam estudos recentes sobre a poluição dos oceanos por lixo plástico e seus efeitos nocivos sobre a vida marinha. O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que, em 2050, os oceanos terão mais detritos desse material do que peixes, alertou um relatório da Fundação Ellen MacArthur no Fórum Econômico Mundial no ano passado.

Em 2021, segundo estimativas da Euromonitor, o uso de garrafas plásticas de água aumentará para 583,5 bilhões de unidades. “Este aumento está sendo impulsionado por uma maior urbanização”, disse Rosemary Downey, chefe de embalagem da Euromonitor ao  jornal. Em 2015, os consumidores na China, que puxam essa alta, compraram 68,4 bilhões de garrafas de água e em 2016 essa taxa aumentou para 73,8 bilhões.

“Existe um desejo de vida saudável e há preocupações contínuas sobre a contaminação das águas subterrâneas e a qualidade da água da torneira, que contribuem para o aumento do uso de água na garrafa”, disse ela.  Índia e Indonésia também estimulam esse crescimento.

Inevitavelmente, o enfrentamento do problema das garrafas plásticas também exigirá melhorias na gestão hídrica no mundo, o que não reduz a importância de se repensar hábitos de consumo e produção envolvidos.

A maioria das garrafas de plástico usadas para refrigerantes e água são feitas de tereftalato de polietileno (Pet), que é altamente reciclável. Nos últimos anos, ativistas ambientais têm pressionado as empresas produtoras a usarem Pet reciclado para confeccionar novas garrafas, mas segundo a reportagem do The Guardian, há uma grande resistência à ideia por questões estéticas — garrafas recicladas não são tão transparentes quanto as produzidas com matéria-prima virgem.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 03 de julho de 2017

Aumenta risco de proibição de EPS no McDonald’s

Proposta foi aprovada por acionistas convencidos por grupo ambientalista

O grupo ambientalista norte- americano As You Sow afirma ter convencido 32,3% dos acionistas da McDonald’s Corp. a apoiar sua proposta de banir  embalagens de poliestireno expansível (EPS) da rede global da grife de fast food.

Conforme divulgou a publicação Packaging World, a decisão foi tomada em reunião anual dos controladores da empresa em maio último e o resultado da votação, frisa o As You Sow,  ultrapassou a parcela de 20% estipulada para a aprovação de propostas sociais e ambientais.

Segundo a mesma fonte na mídia, McDonald’s já varreu EPS, material citado como de reciclagem complexa, de seus copos nos EUA, mas mantém esse recipiente.

Fonte – Plásticos em Revista

Nota do IDEAIS: O problema não se restringe a embalagens do material popularmente conhecido como Isopor.

Quando vai acontecer das redes de fast food substituírem artigos de plásticos não degradáveis (copos, pratos, sacos, canudos e embalagens em geral) por soluções mais ecológicas, por exemplo, plásticos biodegradáveis certificados em conformidade com normas brasileiras e internacionais?

Boletim do Instituto IDEAIS de 18 de julho 2017

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Maior índice de desmatamento no Brasil, em dois anos Cerrado perdeu equivalente a mais de três DF

Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Devastação concentra-se no Matopiba, nova fronteira agrícola do país; se esse ritmo for mantido até 2050 haverá o maior processo de extinção de espécies de plantas já registrado na história

Entre julho de 2013 e agosto de 2015, o Cerrado perdeu 18.962,45 kmde vegetação nativa. São mais de três vezes o tamanho do Distrito Federal devastado em um período de dois anos, segundo os dados recém-disponibilizados no site do Ministério do Meio Ambiente (link). O desmatamento segue acelerado no bioma e se esse ritmo for mantido, até 2050 haverá o maior processo de extinção de espécies de plantas já registrado na história, com três vezes mais perdas de flora do que houve desde 1500, segundo a revista Nature Ecology and Evolution.

No Cerrado, o desmatamento está concentrado na região que é tida como a nova fronteira agrícola, chamada de Matopiba, e engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Isso porque mais da metade do bioma já foi dizimado e esta é uma das poucas regiões que ainda concentra grande quantidade de vegetação preservada.

No período de 2013 a 2015 a taxa média de desmatamento anual foi de 9.481 km², representando um aumento de 33% quando comparado com a análise dos anos anteriores, 2009 a 2011 (7.117 km2 em média cada ano). O que significa também que dos biomas brasileiros, o Cerrado é o que registra o maior ritmo de desmatamento.

Apesar do risco de extinção do bioma, o Cerrado ficou de fora do compromisso brasileiro na COP-21. Sem falar que é pouco protegido pelo Código Florestal (apenas 20% da área privada é protegida) e o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) prevê metas de redução acima da média de desmatamento apontado pelo monitoramento contínuo do bioma nos últimos anos, ou seja, sem qualquer ambição real para conter o problema.

“O desmatamento no Cerrado está fora do controle. Não podemos seguir destruindo este bioma que é tão importante para o Brasil, seja em termos de biodiversidade, água e equilíbrio climático” afirma Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. E continua: “O Brasil precisa enfrentar esta situação de uma forma ampla, envolvendo a sociedade, o governo e o setor privado. Precisamos de um grande pacto contra a destruição do Cerrado, do contrário, em alguns anos, restará muito pouco deste bioma tão precioso. Está na hora de assumir que a agropecuária só pode se expandir sob pastos degradados e não sob ecossistemas naturais. Programas de monitoramento periódico do desmatamento, a exemplo do Prodes-Cerrado, são fundamentais para informar a taxa de perda de vegetação anual, ajudando na fiscalização”, conclui Voivodic.

Fonte – EcoDebate de 31 de julho de 2017

Mortandade das Abelhas (terceira parte – final): Exceções estão longe das lavouras

Sorbus sapiens

Apicultores que não tiveram o problema mantém suas colmeias afastadas das áreas com agrotóxicos

Numa comprovação da relação dos agrotóxicos com a mortandade das abelhas, os apicultores que não se queixam do problema são, justamente, aqueles que mantém suas colmeias longe das lavouras.

É o caso dos que costumam vender o mel orgânico na Feira Ecológica da Redenção, na capital, como Manoel Souza, 64 anos, que vem aos sábados de Santo Antônio da Patrulha, onde reside, para negociar o produto.

Ele tem 300 colmeias espalhadas por São Francisco de Paula, Taquara, Pantano Grande, Palmares do Sul, produzindo de seis a oito toneladas por ano. Não teve nenhuma ocorrência, até hoje, de mortalidade de abelhas acima do normal.

“Tem que escolher bem o local, nessas regiões não têm grandes plantações, não tem nada que tenha pulverização (de agrotóxicos)”, conta. O maior problema, na opinião dele, está nas plantações de soja, que chegam a receber três ou quatro pulverizações de venenos por safra.

Por isso instala suas abelhas em lugares mais isolados e trabalha no sistema de migração, que desloca os enxames de uma região para outra a fim de garantir nutrição adequada para elas. Por exemplo, de outubro a março ele mantém as colmeias na divisa de Taquara com São Francisco. Quando a florada das plantas na Serra está terminando, ele desloca-as para o Litoral, onde a florada está começando.

As abelhas são transportadas em caminhões adaptados, protegidos por telas e sombrite. Se não fizer a migração, explica, a colheita do mel cai à metade, por causa do clima e da vegetação inadequada para as abelhas. Elas mal chegam à nova casa e já fazem o reconhecimento da área, num raio de três quilômetros.

“Em apenas 20 minutos já estão produzindo mel”, conta Marcos, 35 anos, filho de Manoel. Desta forma, na sua banca, eles colocam à venda uma grande variedade do produto, como o tradicional mel de eucalipto e também de quitoco, uva do japão e aroeira, entre outros.

João Luiz Freitas, 64 anos, de General Câmara, também não teve ocorrência de mortandade das abelhas nas suas colmeias. Na ausência dos agrotóxicos, os maiores riscos para as abelhas, segundo ele, são os períodos chuvosos e a desnutrição, principalmente no outono, nas épocas em que acontecem semanas seguidas de precipitação.

Outro vendedor da Feira Ecológica, Fernando Presser, contudo, enfrentou um episódio de morte anormal de suas abelhas, com a perda de 15 colmeias, ano passado. Elas ficaram fracas e morreram. Mas não é possível afirmar que tenha sido por causa das plantações de soja nos arredores, diz.

Em todo caso, Presser decidiu publicar num jornal de Sertão Santana um alerta aos apicultores da região, para que mantenham suas abelhas bem distantes das lavouras. “Tem que se retirar da soja, porque a abelha é muito suscetível a qualquer fungicida ou veneno”, adverte.

Apoio ao setor

Segundo o coordenador da Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura (Casam), Nadilson Ferreira, foram tomadas diversas medidas para apoiar os apicultores. Como exemplos ele cita o projeto de lei da política para apicultura e meliponicultura que tramita na Assembleia Legislativa, e a normativa para o transporte de abelhas, inédita no país, publicada no Diário Oficial do Estado dia 26 de junho.

Também está acontecendo a reestruturação das inspetorias veterinárias para atendimento do setor, com a capacitação de 30 técnicos que ocorreu em abril e uma nova turma que está prevista. Haverá ainda uma campanha de esclarecimento sobre a morte das abelhas a ser lançada brevemente, adianta.

Além disso, no final de junho, a Secretaria da Agricultura Pecuária e Irrigação (Seapi) anunciou a implementação do Sistema Integrado de Gestão de Agrotóxicos (Siga), um sistema online que integra as operações de comércio e utilização destes produtos. Teoricamente, ele vai permitir a rastreabilidade do seu uso nos cultivos agrícolas, o controle da emissão de receitas e o processo de coletas para análise de resíduos, disponibilizando um banco de dados atualizado.

A fiscalização do uso de agrotóxicos proibidos, contrabandeados, das misturas de produtos químicos não recomendados e o controle do receituário agronômico é uma das recomendações do Grupo de Trabalho da Mortandade das Abelhas.

Quanto à proibição dos agrotóxicos mais perigosos para as colmeias (Clotianidina, Imidacloprid, Tiametoxam e Fipronil), como foi sugerido, não consta nenhuma iniciativa neste sentido.

Veja o que apresentou o relatório do Grupo de Trabalho da Mortandade das Abelhas como propostas:

1. A recomendação de que esta Câmara Setorial deva solicitar aos órgãos competentes a proibição do uso das partículas Clotianidina, Imidacloprid, Tiametoxam e Fipronil nas culturas agrícolas no Estado, e sugerir que o mesmo se faça em todo o Brasil, tendo em vista a ameaça que causam ao processo de polinização das culturas bem como ao extermínio das abelhas.

2. Que os apicultores e meliponicultores sejam informados sobre os programas e calendários de controle de pragas rotineiros da sua região e quais produtos utilizados.

3. Os setores envolvidos: apicultores, meliponicultores e agricultores formulem regras de convivência e acordos com base em informações mútuas, pois polinização e flores são de interesse do grupo.

4. Colocar nas caixas o nome e fone do apicultor e ou meliponicultor para que o mesmo seja avisado com antecedência de alguma prática envolvendo agrotóxico.

5. Na impossibilidade de uso de produtos não tóxicos a abelha buscar o de menor ou Baixa toxidez.

6. Adotar, quando possível, métodos de aplicação menos impactantes para os polinizadores.

7. Quando da aplicação de agrotóxico ver a possibilidade de confinamento das abelhas com oferta de alimento e água.

8. Buscar horário de aplicação do produto químico incompatível com o horário de atividade das abelhas.

9. Uso de programa integrado de controle de pragas e produtos seletivos.

10. Cuidados com o descarte de resíduos e embalagens de agrotóxicos.

11. Usar agrotóxicos só quando ocorrer Nível de Dano Econômico (NDE).

12. Que o Estado intensifique a fiscalização do uso de agrotóxicos proibidos, contrabandeados, misturas de produtos químicos não recomendados, bem como maior controle do receituário agronômico.

13. Quando possível, locar os apiários e meliponários distantes das áreas agrícolas, tomando como referência o diâmetro de voo da espécie utilizada. Apis melífera 6,0 km; Meliponíneos em geral 2,0 km; Bombus e Xylocopa 10,0 km.

14. Manter, implantar ou recuperar áreas de amortização, Reserva Legal, e APP.

15. Melhorar o pasto apícola e meliponícola nas proximidades do apiário ou meliponário promovendo o efeito de fuga.

16. Incentivar a agricultura orgânica ou métodos assemelhados.

17. Provocar os programas e projetos do Ministério da Agricultura, Meio Ambiente e SEAPI e Frente Parlamentar para formação de um Fórum de discussão de política agrícola para o uso racional de agrotóxicos ou zoneamento das atividades com abelhas visando reduzir os impactos dos agrotóxicos sobre os polinizadores, ambiente, aplicadores e consumidores.

Participantes do GT:
1. Aroni Sattler
2. Édison Eckert Fauth
3. Ismael Horbach
4. Luis Fernando Wolff
5. Marli Kohler
6. Michele de Castro Iza
7. Péricles Boechat Massariol
8. Rogério Dalló
9. Valesca G. Finger
Coordenador: Sanderlei Pereira
Supervisor: Nadilson R. Ferreira.

Fonte – Ulisses Nenê, EcoAgência de 26 de julho de 2017

Um planeta literalmente coberto de plástico

calculating plastic waste

O ecologista industrial Roland Geyer mede a produção, o uso e o destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas

Mais de 8 bilhões de toneladas métricas. Essa é a quantidade de plásticos, de origem humana, criados desde que a produção em grande escala de materiais sintéticos começou no início dos anos 50. É suficiente para cobrir todo o país da Argentina e a maioria do material agora reside em aterros sanitários ou no ambiente natural.

Tais são os resultados de um novo estudo liderado pelo ecologista industrial Roland Geyer, da UC Santa Barbara. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, fornece a primeira análise global da produção, uso e destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas.

“Não podemos continuar com o negócio como de costume, a menos que queremos um planeta literalmente coberto de plástico”, disse o autor principal, Geyer, professor associado da Escola Bren de Ciências e Gestão Ambiental da UCSB. “Este artigo fornece dados rígidos, não apenas quanto ao plástico que fizemos ao longo dos anos, mas também a sua composição e a quantidade e tipo de aditivos que o plástico contém. Espero que essa informação seja usada pelos formuladores de políticas para melhorar estratégias de gerenciamento de finais de vida para plásticos “.

Geyer e sua equipe compilaram estatísticas de produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o setor de tipo e consumo. Eles descobriram que a produção global de resinas e fibras plásticas aumentou de 2 milhões de toneladas em 1950 para mais de 400 milhões de toneladas em 2015, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções notáveis são aço e cimento. Embora esses materiais sejam usados principalmente para construção, o maior mercado de plásticos é a embalagem, que é usada uma vez e depois descartada.

“Aproximadamente metade de todo o aço que fabricamos entra em construção, por isso terá décadas de uso; O plástico é o oposto “, disse Geyer. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”.

E o ritmo da produção de plástico não mostra sinais de desaceleração. Da quantidade total de resinas plásticas e fibras produzidas de 1950 a 2015, cerca de metade foi produzida nos últimos 13 anos.

“O que estamos tentando fazer é criar as bases para o gerenciamento sustentável de materiais”, acrescentou Geyer. “Simplesmente, você não consegue gerenciar o que você não mede, e então pensamos que as discussões sobre políticas serão mais informadas e com base em fatos, agora que temos esses números”.

Os pesquisadores também descobriram que, até 2015, os seres humanos produziram 6,3 milhões de toneladas de resíduos de plástico. Desse total, apenas 9% foram reciclados; 12 por cento foram incinerados e 79 por cento acumulados em aterros sanitários ou no ambiente natural. Se as tendências atuais continuam, observou Geyer, cerca de 12 bilhões de toneladas métricas de resíduos de plástico – pesando mais de 36 mil que o edifício Empire State Buildings – estarão em aterros sanitários ou no ambiente natural em 2050.

“A maioria dos plásticos não se biodegrada em nenhum sentido significativo, de modo que o desperdício de plástico, que os seres humanos geraram, poderia estar conosco por centenas ou mesmo milhares de anos”, disse a coautora Jenna Jambeck, professora associada de engenharia da Universidade da Geórgia. “Nossas estimativas ressaltam a necessidade de pensar criticamente sobre os materiais que usamos e nossas práticas de gerenciamento de resíduos”.

Dois anos atrás, a mesma equipe de pesquisa publicou um estudo na revista Science que mediu a magnitude dos resíduos de plástico no oceano. Eles descobriram que dos 275 milhões de toneladas métricas de resíduos de plástico gerados em 2010, cerca de 8 milhões entraram nos oceanos do mundo. Esse estudo calculou a quantidade anual de resíduos de plástico usando dados de geração de resíduos sólidos; A nova pesquisa usa dados de produção de plástico.

“Mesmo com dois métodos muito diferentes, obtivemos praticamente o mesmo número de resíduos – 275 milhões de toneladas métricas – para 2010, o que sugere que os números são bastante robustos”, disse Geyer.

“Há pessoas vivas hoje que se lembram de um mundo sem plásticos”, disse Jambeck. “Mas os plásticos tornaram-se tão onipresentes que você não pode ir a qualquer lugar sem encontrar resíduos de plástico em nosso meio, incluindo nossos oceanos”.

Os pesquisaores são rápidos em avisar que eles não procuram eliminar o plástico do mercado, mas defendem um exame mais crítico do uso de plástico.

“Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse o coautor Kara Lavender Law, professor de pesquisa da Sea Education Association em Woods Hole, Massachusetts. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos e perguntar se ele faz sentido”.

Production, use, and fate of all plastics ever made
Roland Geyer,*, Jenna R. Jambeck and Kara Lavender Law
Science Advances 19 Jul 2017:
Vol. 3, no. 7, e1700782
DOI: 10.1126/sciadv.1700782
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full.pdf

Fonte – Julie Cohen, University of California, Santa Barbara / Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate de 24 de julho de 2017