Relatório de Segurança de Barragens 2016 aponta 25 barramentos com estruturas comprometidas

Barragem de Passagem das Traíras (RN) Barragem de Passagem das Traíras (RN). Foto: Othon Fialho / Banco de Imagens ANA

O Relatório de Segurança de Barragens (RSB) é um dos instrumentos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), estabelecido pela Lei Federal nº 12.334, de 20 de setembro de 2010. O objetivo é apresentar à sociedade um panorama da evolução da segurança das barragens brasileiras, da implementação da PNSB e apontar diretrizes para a atuação de fiscalizadores e empreendedores de barragens.

A PNSB caracteriza como empreendedores os agentes privados ou governamentais com direito real sobre as terras onde se localizam a barragem e o reservatório ou que explore a barragem para benefício próprio ou da coletividade. A Lei atribuiu a esses atores a responsabilidade de garantir a segurança das barragens.

Para o RBS 2016 foi solicitado aos fiscalizadores que listassem as barragens que, na sua visão, mais preocupam por possuírem algum comprometimento estrutural importante que impacte a sua segurança. Nove deles responderam, listando um total de 25 barragens.

De acordo com esta edição do RSB, com as informações disponíveis foi possível enquadrar na Lei 12.334/2010 um total de 3.174 barragens com empreendedor identificado. Somente nestas barragens é possível aplicar todos os instrumentos previstos na Lei e os regulamentos decorrentes, permitindo a completa fiscalização de sua segurança.

As instituições fiscalizadoras declararam que 3.691 barragens foram classificadas quanto à Categoria de Risco – CRI, sendo que 1.091 barragens possuem CRI alto. A maioria de barragens com CRI alto encontra-se no Nordeste, preponderantemente na Paraíba (404), Rio Grande do Norte (221) e Bahia (204).

Em relação ao Dano Potencial Associado – DPA, foram classificadas 4.149 barragens, sendo 2.053 com DPA alto, localizadas preponderantemente no Nordeste, mais especificamente na Bahia (300), no Rio Grande do Norte (255) e na Paraíba (219), mas também no Rio Grande do Sul (475) e em Minas Gerais (245). Existem 695 barragens classificadas simultaneamente com CRI e DPA altos.

O total de barragens constantes nos cadastros dos fiscalizadores no período de abrangência do RSB 2016 é de 22.920. Neste número incluem-se todos os barramentos conhecidos até o momento, independentemente da existência de autorização ou classificação. As informações se referem ao período entre 1° de outubro de 2015 e 31 de dezembro de 2016, intervalo estabelecido na Resolução CNRH nº 178/2016, que modificou a Resolução CNRH nº 144/2012. Ressalte-se que a partir do RSB 2017, o período coincidirá com o ano civil.

Barragens fiscalizadas pela ANA

Cabe à Agência Nacional de Águas fiscalizar a segurança de barragens de usos múltiplos em rios de domínio da União. Segundo o RSB 2016, 97 barragens do cadastro da ANA são enquadradas na Lei 12.334/2010 e possuem empreendedor identificado por ato de outorga. Dessas, 21 foram classificados como CRI alto e 80 com DPA alto.

Das 25 barragens relatadas no RSB com estruturas comprometidas, 3 são fiscalizadas pela ANA, localizadas no Rio Grande do Norte (2) e Ceará. A ANA efetuou 23 ações de fiscalização no período coberto pelo RSB 2016.

Destaques

– A Agência Nacional de Águas publicou o Manual do Empreendedor sobre Segurança de Barragens, contendo oito volumes com orientações e diretrizes gerais aos empreendedores. A publicação aborda: Plano de Segurança de Barragens; Inspeções de Segurança; da Revisão Periódica de Segurança; Plano de Ação de Emergência; projeto, e construção de barragens; Plano de operação, manutenção e instrumentação; além de contar com um Guia Prático de Pequenas Barragens.

– Em março deste ano, a ANA disponibilizou o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). A Lei 12.334/2010 delegou à ANA a coordenação do SNISB. A inserção dos dados está sob a responsabilidade de cada uma das 29 entidades efetivamente fiscalizadoras de segurança de barragens no Brasil. Chamam-se efetivamente fiscalizadoras as entidades que, de um universo de 43 consultadas, informaram possuir barragens para fiscalizar, sendo três federais e 26 estaduais.

– É importante ressaltar que muitos empreendedores somente começam a elaborar o Plano de Segurança de Barragem após os respectivos fiscalizadores publicarem seus regulamentos e classificarem a barragem. E, nesse sentido, o PROGESTÃO, programa da ANA que oferece incentivo financeiro aos estados mediante o cumprimento de metas de gestão de recursos hídricos, tem trazido importantes contribuições, uma vez que suas metas incluem regulamentação de artigos específicos da Lei 12.334/2010 e elaboração de cadastro e classificação de barragens. Fazem parte do programa todos os estados da federação.

Sobre o RSB

O Relatório de Segurança de Barragens é elaborado anualmente pela Agência Nacional de Águas (ANA), que o envia ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), para apreciação. Em seguida, o CNRH envia-o ao Congresso Nacional. Para a elaboração do RSB 2016 foram utilizadas as informações obtidas das 29 entidades efetivamente fiscalizadoras da segurança de barragem.

A Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos industriais e cria o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

Pela Lei, a ANA é responsável por organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), por promover a articulação entre os órgãos fiscalizadores de barragens, e por elaborar do Relatório de Segurança de Barragens, encaminhando-o, anualmente, ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de forma consolidada, e de fiscalizar a segurança das barragens por ela outorgadas. Cabe à ANA também ser informada, conjuntamente com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, sobre qualquer não conformidade que implique risco imediato à segurança.

Fiscalizadores

De acordo com a Lei, as barragens para geração de energia elétrica são fiscalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); as de contenção de rejeitos minerais, pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); as de contenção de resíduos industriais, pelos órgãos ambientais que emitiram o licenciamento ambiental; e as de usos múltiplos da água pela ANA, se a barragem estiver localizada em rio de domínio federal, ou pelos órgãos gestores estaduais de recursos hídricos, se localizada em rio de domínio estadual (aqueles cuja nascente e foz estão dentro dos limites de um estado).  Clique aqui para conhecer todos os fiscalizadores.

Clique Aqui para acessar o RBS2016

Clique aqui para saber quais são as 25 barragens e os respectivos empreendedores e órgãos fiscalizadores

As 25 barragens, com os respectivos proprietários e órgãos fiscalizadores, que segundo os fiscalizadores mais preocupam por possuírem algum comprometimento estrutural importante que impacte a sua segurança

Barragem Empreendedor Órgão Fiscalizador Problema Indicado CRI DPA
Canoas Usina Santa Clotilde SEMARH/AL erosão no vertedor Alto Alto
Gulandim Usinas Reunidas Seresta S/A SEMARH/AL com vertedor insuficiente Alto Alto
Prado Usinas Reunidas Seresta S/A SEMARH/AL com vertedor insuficiente Médio Baixo
São Francisco Usinas Reunidas Seresta S/A SEMARH/AL com vertedor insuficiente Médio Médio
Bosque IV Usinas Reunidas Seresta S/A SEMARH/AL com vertedor insuficiente Alto Alto
Francisco Alves Usina Coruripe Açúcar e Álcool SEMARH/AL Necessidade de reforço no vertedor Baixo Alto
Progresso Usina Coruripe Açúcar e Álcool SEMARH/AL Necessidade de reforço no vertedor Baixo Médio
Facundo COGERH SRH/CE erosões no maciço Sem info Sem info
São José II COGERH SRH/CE afundamentos e buracos em talude Médio Alto
Tijuquinha COGERH SRH/CE Fissuras e deterioração do concreto Baixo Alto
Pau Preto Prefeitura de Potengi SRH/CE Erosões e vegetação nos taludes Médio Alto
Trapiá COGERH SRH/CE vegetação nos taludes Baixo Alto
Cupim COGERH SRH/CE Erosões e vegetação nos taludes e canais de aproximação Baixo Alto
São José III COGERH SRH/CE Erosões e vegetação nos taludes e canal de aproximação Baixo Alto
Valério COGERH SRH/CE Erosões no talude de jusante canal de restituição Baixo Médio
Poço Verde Prefeitura de Itapipoca SRH/CE Erosões, afundamentos e vegetação nos taludes e coroamento Baixo Baixo
Jardim Botânico Prefeitura de Londrina AGUASPARANA/PR Erosão no talude e vertedor Médio Alto
Jucazinho DNOCS APAC/PE fissuras Alto Alto
Capa Zero San Martins SEDAM/RO percolação com carreamento de material Alto Baixo
Fazenda Vista Montanha Fazenda Vista Montanha LTDA FEMARH/RR Não especificado Alto Médio
Taboca SEAGRO NATURATINS/ TO Erosão em talude e percolação com carreamento de material Alto Alto
PA Destilaria INCRA NATURATINS /TO vertedor comprometido Sem info Sem info
Jaburu I COGERH ANA Percolação e erosão regressiva no vertedor Alto Alto
Passagem das Traíras SEMARH/RN ANA Concreto com péssima qualidade Alto Alto
Marechal Dutra (Gargalheiras) DNOCS ANA Trincas em todo maciço Médio Alto
Fontes – Agência Nacional de Águas (ANA) / EcoDebate de 11 de outubro de 2017

Ovo: você sabe mesmo como ele é produzido? Mesmo?

Galinhas na produção orgânica da Yamaghishi: o paraíso que pouquíssimas podem terGalinhas na produção orgânica da Yamaguishi: o paraíso que pouquíssimas podem ter

Comparada a outras produções de derivados animais para consumo humano – carne e leite -, eu pensava que a de ovos era a mais tranquila no tocante a bem estar animal. Por que, afinal, não existe abate.

Não poderia estar mais equivocada.

Após visitar algumas granjas (orgânicas) e entrevistar profissionais do meio, constatei que não só a produção convencional de ovos é uma das mais cruéis com os bichos, como também é a que fornece um dos alimentos menos saudáveis para o consumidor: não há como uma ave que vive durante um ano e meio numa gaiola menor do que uma folha de sulfite, tomando antibiótico, sofrendo mutilação e comendo ração cheia de pesticida possa produzir um ovo saudável. Não consigo chamar isso de alimento.

Acima, você pode assistir o novo vídeo do #PorTrasDaKg, nosso canal de jornalismo gastronômico no YouTube, sobre o assunto. Filmado na produção orgânica da Yamaguishi, mostra como é o paraíso das galinhas, bem diferente da realidade de 99,9% do mercado.

O levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontou a produção de 39,5 bilhões de unidades de ovos em 2015. O alojamento de aves poedeiras chegou a 91,2 milhões de cabeças e o consumo de ovos obteve média de 191,7 unidades per capita. Isso significa que estamos comendo ovos feito loucos, ainda mais agora que a ciência o liberou do rótulo de “vilão” da saúde.

Malhadores se entopem de claras.

Confeiteiros amam gemas.

Todos gostam de bolos e sorvetes.

Há os maníacos por ovos mexidos, fritos de gema mole, pochê, omeletes.
Mas o que quase raramente fazemos é perguntar da onde vem esses ovos, qual o estado de saúde dos animais que o botam. Como um alimento proveniente de um bicho de vida miserável pode ser bom para quem consome? A resposta é: não pode. Por isso é tão importante conhecer o que há por trás daquilo que comemos – só assim nossas escolhas serão conscientes,

Não há nada de legal em dizer “prefiro não saber” e virar a cabeça pro lado, mudar de assunto: ignorância nunca é bonita. NUNCA traz nenhuma mudança positiva.

Galinhas bebendo água de poço na granja YamaghishiGalinhas bebendo água de poço na granja Yamaguishi

Daí, eu te pergunto: você anda comendo o quê?

Vou começar essa reportagem por três pontos que considero os mais absurdos, doentios e inaceitáveis: o cruel fim dos pintinhos machos, a vida miserável e (por consequência disso) a debicagem.

Pintinhos machos: horrível fim

Tanto as granjas de frango de corte quanto as de ovos compram “pintinhos de um dia” para popular a criação. Há empresas especializadas nesse segmento, dedicadas a melhoramento genético e reprodução. Para maximizar a produção, há duas vertentes de melhoramento: aves que resultem em corpos com mais carne e aves que coloquem mais ovos.

A linhagem de aves voltada para carne usa tanto machos quanto fêmeas – as granjas de corte tem galinhas e frangos. Por motivos óbvios, as granjas de poedeiras só trabalham com fêmeas. O que se faz, então, com os pintinhos machos nascidos da linhagem direcionada às granjas de galinhas poedeiras (cerca de 50% dos nascimentos, visto que a taxa de natalidade entre os sexos é praticamente igual)?

São mortos no dia seguinte ao nascimento.

Não, não vão para a granja de galinhas de corte, porque sua genética não “é boa” para carne. Não cresceriam o suficiente, não engordariam o suficiente no tempo necessário e não dariam dinheiro o suficiente.

Como não há legislação específica de bem estar animal para o “descarte”, há algumas possibilidades de morte para os pintinhos na hora da sexagem, momento no qual se determina o sexo:
– São jogados em grandes galões nos quais morrem asfixiados e/ou amassados pelo peso uns dos outros
– São direcionados por esteira até uma sala no qual vão, VIVOS, para um moedor. Ainda não é comum encontrar produtores que usem gás para desacordá-los.

O destino final de todos é serem transformados em “farinha de aves”, presente em praticamente todas as rações para gatos e cachorros. Sendo forte e querendo VER como isso acontece, clique AQUI.

Para evitar esse fim horrendo dos pintinhos machos da linhagem de poedeiras, a Korin está desenvolvendo um trabalho de pesquisa a fim de criar genética que possa tanto ser usada para obter carne quanto para colocar ovos. Desejo todo o apoio financeiro para esse trabalho. Mesmo.

Enviei uma série de emails pedindo para entrevistar algum responsável pela Mercoaves – empresa do segmento de pintinhos de um dia – mas não obtive nenhum retorno.

Exemplo de uma bateria de criação de galinhas poedeirasExemplo de uma bateria de criação de galinhas poedeiras

Engaioladas, empilhadas e sem nem abrir as asas

“2ª fase (recria): Dimensões mais usuais de gaiolas: 0,5 x 0,5 x 0,4 m3 (8 aves/gaiola); 1,2 x 0,6 x 0,4 m3 (20 aves/gaiola); 1,0 x 0,6 x 0,4 m3 (16 aves/gaiola), havendo outras dimensões de gaiola. Duração desta fase: 11 semanas aproximadamente.

3ª fase (postura): Dimensões mais usuais de gaiola: 0,25 x 0,4 x 0,4 m3 (2 aves/gaiola); 0,3 x 0,4 x 0,4 m3 (3 aves/gaiola); 0,25 x 0,45 x 0,40 m3 (3 aves/gaiola); 0,25 x 0,50 x 0,38 m3 (3 aves/gaiola), havendo outras dimensões de gaiola. Duração desta fase: 55 a 57 semanas.”

Estas são as diretrizes oficiais para criação de galinhas poedeiras – e a realidade disso é como mostra a foto abaixo.

Como diz o especialista em aves, Romeu Mattos Leite no vídeo acima, a galinha no sistema convencional vive por cerca de 18 meses (ou menos; o que determinará seu abate para virar farinha de aves é a produtividade, ou quantos ovos bota) em um gaiola com “espaço do tamanho de uma capa de CD, sem poder abrir as asas ou dar uma volta em torno do próprio eixo”. Ali, seus dias são comer, evacuar e botar ovos com as patas em contato direto com as grades da gaiola: em muitas não há nem um piso nivelador. Continuo não achando que um animal tratado dessa forma possa produzi/ser um alimento saudável.

As dimensões minúsculas servem tanto para empilhar mais animais por metro quadrado quanto para economizar comida, visto que um bicho que não se mexe não consome energia.

“Em gaiolas (ou baterias), as galinhas começam a botar com 4 meses e tem vida produtiva até os 18 meses: são cerca de 400 ovos no período. No sistema orgânico, começam com 6 meses e produzem até os 27 meses, num total de até 650 ovos. Como a galinha no sistema orgânico é criada solta e se exercita mais, gasta mais energia e precisa de mais ração – come cerca de 20% a mais que as de gaiola”, explica Romeu.

Debicagem: prática comum e recorrente no Brasil. Pra mim, mutilaçãoDebicagem: prática comum e recorrente no Brasil. Pra mim, mutilação

Estresse: bicos cortados para não se matarem

A debicagem deve ser feita para manter a uniformidade do lote, além de prevenir o canibalismo e evitar o desperdício de ração. Esta deve ser realizada primeiramente entre 7 e 10 dias de idade, aproveitando o fato de que as pintinhas estão no círculo de proteção o que facilita apanhá-las. Uma segunda debicagem deve ser feita entre 10 e 12 semanas, em condições normais de criação. Na primeira debicagem retira-se 1/3 do bico, enquanto que no segundo corte deve ser realizado de forma que o bico superior fique com um comprimento entre 5 e 6 mm à partir das narinas.”

Esse trecho, escrito por veterinários e zootécnicos, foi retirado de uma cartilha para produtores de aves. É um procedimento padrão em galinhas poedeiras criadas em gaiolas – lembrando que correspondem a 99,9% dos ovos encontrados no mercado – a fim de evitar que biquem umas às outras. E elas se bicam, chegando a matar a ‘vizinha’, como decorrência de uma existência massacrante e antinatural: nenhum animal nasceu para viver sem poder ao menos se levantar.

Essa amputação, tida como normalíssima no Brasil, já é proibida em vários países por ser considerada mutilação e expor o bicho a dores constantes. “Na Europa, o uso de gaiolas de bateria não é mais permitido e a debicagem com lâmina quente também é proibida na maioria dos países”, disse Lizie Buss. coordenadora da Comissão de Bem-Estar Animal (CTBEA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mas aqui, em vez de melhorar o bem estar animal – e, com isso, a qualidade do alimento ofertado a população – preferimos decepar uma parte do bico. É como resolver uma ferida na mão cortando o antebraço….

Toda a saúde de uma galinha poedeira da YamaghishiToda a saúde de uma galinha poedeira da Yamaguishi

Ovo convencional, orgânico e caipira: diferenças

O ovo convencional é proveniente de granjas que trabalham com o sistema de baterias (explicado acima), as galinhas vivem cerca de um ano e meio em gaiolas, tomam diversas doses de antibióticos – o que desencadeia o aparecimento de superbactérias -, tem o bico cortado, comem apenas ração composta majoritariamente por soja, milho, vitaminas e minerais (que devido a pobreza dos itens naturais, precisam ser adicionados), não existe a presença de galos e quando param de produzir no seu ápice, são abatidas para virar farinha de ave.

Na ração pode existir: trigo BR-33, trigo IAPAR-53, triticale BR-4, triticale BR-2, soja extrusada, farelo de trigo, milho BR-473, gérmen de milho (subproduto obtido após a extração do óleo do gérmen) tortas de canola e de soja (subprodutos obtidos após a extração do óleo por processo mecânico), levedura spray-dried (subproduto seco obtido após o processo fermentativo utilizado na destilaria de álcool), proteína bruta (PB), energia bruta (EB), matéria seca (MS) extrato etéreo (EE), fibra bruta (EB), matéria mineral (MM), cálcio (Ca), fósforo total (P), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), lisina (Lys), histidina (His), arginina (Arg), treonina (Thr), serina (Ser), glicina (Gly), cisteína (Cys), valina (Val), metionina (Met), isoleucina (Ile), leucina (Leu), tirosina (Tyr), fenilalanina (Phe) e triptofano (Trp).”

No ovo caipira, as galinhas precisam ser de linhagem exclusiva para esse fim, criadas em sistema livre de gaiolas e com acesso a áreas externas e sol. Não existe debicagem. São alimentadas com ração constituída por ingredientes preferencialmente de origem vegetal (além de insetos, minhocas e pequenos répteis), sendo proibido o uso de antibiótico. Apenas linhagens ou raças de aves de crescimento lento (superior a 70 dias) serão aceitas com esta denominação.

No ovo orgânico, as galinhas são criadas soltas, com acesso irrestrito à área externa, alimentado-se de ração de grãos orgânicos (dieta que pode ser complementada por de frutas, legumes e verduras orgânicos), sem uso de antibióticos e sem debicagem. É possível haver a presença de galos para que manifestem seu comportamento natural.

Diferentes colorações de ovo. Imagem do site http://benstarr.com/Diferentes colorações de ovo. Imagem do site http://benstarr.com/

Ovo galado, ovo vermelho, ovo branco, ovo cinza…

Não há a necessidade da presença de galos para produzir ovos.
Para facilitar: ovos (mais especificamente, a gema) são óvulos da galinha que, todos os dias, expele um de seu corpo. Ovos galados são aqueles gerados por galinhas que acasalam com galos: acredito terem muito mais energia vital (dado não confirmado ou negado pela ciência), mas duram muito menos e precisam permanecer o tempo todo sob refrigeração. São vivos – e como tudo o que é vivo, são mais perecíveis.

Ovos vermelhos vem de galinhas vermelhas e ovos brancos, de galinhas brancas. O ovo vermelho (ou marrom), não é mais ou menos rico nutricionalmente do que um ovo branco: tudo depende do TIPO de produção. Também é possível encontrar ovos azuis, pretos ou acinzentados: a cor não faz diferença nenhuma na qualidade do ovo.

Bom ressaltar que a cor da gema só indica a saúde da galinha nos casos da caipira e da orgânica, que tem dieta rica e são livres de antibióticos: a cor alaranjada da gema dos ovos convencionais é obtida pela adição de um corante na comida, conhecido por Xamacol.

Fonte – Ailin Aleixo, Gastrolândia de 07 de novembro de 2016

Autismo, Parkinson, Alzheimer, anencefalia, câncer. O que o glifosato tem a ver com isso?

monsanto.pngA marcha internacional deste ano teve como tema os efeitos nocivos do glifosato, o agrotóxico mais vendido no mundo

Na propaganda, é pouco tóxico. Mas estudos mostram que o agrotóxico mais usado no mundo altera a produção e a ação de aminoácidos, vitaminas e minerais que protegem o organismo desses e outros males

Milhares de ativistas em mais de 30 países, em todos os continentes, foram às ruas no dia vinte de maio na 6ª Marcha Internacional contra a Monsanto, gigante do setor agroquímico e de biotecnologia de origem norte-americana. O alvo das manifestações, dessa vez, é o Roundup, nome comercial do agrotóxico mais vendido no mundo. Seu princípio ativo, o glifosato, vem sendo usado cada vez mais desde meados da década de 1970, com a entrada no mercado das sementes transgênicas, a grande maioria delas produzidas pela própria Monsanto. Com a suposta promessa de maior produção, essas sementes foram geneticamente modificadas para resistir a doses cada vez maiores desse e de outros venenos.

Os manifestantes querem chamar atenção para a presença indesejável, nociva e cada vez maior de resíduos não só nos grãos, legumes, verduras e frutas que recebem esse agrotóxico como também em amostras de água da chuva, no leite materno, em fórmulas para alimentação infantil e até em vacinas.

O tema é de grande importância para o Brasil, que tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Nos últimos dez anos, segundo o IBGE, a venda de pesticidas no mercado agrícola brasileiro saltou de R$ 6 bilhões para R$ 26 bilhões, o que permitiu ultrapassar a marca de 1 milhão de toneladas – um consumo médio de 5,2 kg de veneno para cada habitante. Para piorar o quadro, avançam projetos de lei que pretendem incentivar ainda mais esse mercado.

Estudos que a indústria e muitas agências governamentais tentam ignorar ou até mesmo desqualificar apontam que o advento do glifosato está associado ao crescente registro de doenças pouco comuns até o produto passar a ser largamente utilizado. São diversos tipos de câncer, alterações neurológicas, endocrinológicas, digestivas e intestinais direta ou indiretamente associadas a distúrbios degenerativos e do desenvolvimento, como no Mal de Parkinson e no autismo, e malformações congênitas, como a microcefalia e anencefalia, entre outras igualmente graves, incapacitantes e mortais.

Anencefalia

Recentemente, o chamado caso Yakima Valley, no estado norte-americano de Washington, chamou atenção para o aumento incomum de nascimento de bebês com anencefalia, condição neurológica caracterizada pelo cérebro em tamanho bem menor que o normal para a idade, que coloca em risco a vida e o desenvolvimento motor e cognitivo. Segundo o próprio departamento estadual de Saúde, os registros aumentaram 8 vezes entre os anos de 2010 e 2013, tornando-se quatro vezes maior que a média nacional. E isso pouco tempo depois que o estado implementou um programa de capina química à base de glifosato, que contaminou rios.

O estabelecimento da relação com o câncer sofre reveses conforme pressões do fabricante sobre as agências que deveriam zelar pela saúde pública. Em março passado, um juiz distrital dos Estados Unidos determinou a divulgação de documentos que comprovam que, na década de 1980, a Monsanto influenciou a agência de proteção ambiental do país para esconder, entre outras coisas, estudos sobre o potencial carcinogênico do veneno.

Há ainda estudos famosos, como os chefiados por Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen Normandie, na França, que constataram danos ao fígado e rins e distúrbios hormonais em ratos alimentados com o milho transgênico NK603, da Monsanto. E que além desses efeitos graves, foi detectado o desenvolvimento de inúmeros tipos de tumores. Essas sementes foram desenvolvidas justamente para resistir a banhos de glifosato.

Tamanha repercussão levou a Monsanto a agir, desqualificando a pesquisa e exigindo, via pressão nos bastidores, a exclusão da publicação na revista Food and Chemical Toxicologyque teve seu corpo editorial reformulado com a entrada de um nome forte por ela indicado. Acabou que os mesmos resultados foram depois publicados em detalhes na Environmental Sciences Europe, mostrando todos os danos causados.

Mecanismo de ação

“Entre os mecanismos de ação do glifosato sobre as estruturas do organismo humano mais conhecidos estão a interferência de suas moléculas sobre a produção e a ação de aminoácidos, vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do corpo, e cujo déficit está associado a alterações que levam ao surgimento dessas doenças”, afirma o agrônomo e consultor José Luiz Moreira Garcia. Graduado pela Escola Nacional de Agronomia do Rio de Janeiro, hoje incorporada à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Com mestrado em Fisiologia Pós-Colheita pela Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, e em Fisiologia e Bioquímica de Plantas pela USP, estuda há 20 anos nutrição e saúde humana. O interesse pelo glifosato surgiu em palestras com pesquisadores norte-americanos, como o professor emérito da Universidade de Purdue, em Indiana, e Stephanie Seneff, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

“Pedra nos sapatos” da Monsanto, ambos têm inúmeros estudos que apontam o envolvimento do Roundup em diversas doenças. Em parceria com o pesquisador norte-americano Anthony Samsel, Seneff desenvolveu pesquisas que classificam o glifosato como o mais importante agente causador da epidemia da doença celíaca, causada por inflamações intestinais que levam a deficiências nutricionais, alterações no sistema reprodutivo, inclusive infertilidade, e aumentam as chances de desenvolvimento de doenças na tireóide, insuficiência renal e também o câncer. Inflamações essas muito semelhantes àquelas encontradas por outros estudos que constataram alterações em bactérias intestinais de peixes expostos a esse herbicida.

Em cinco trabalhos que revisou todas as pesquisas feitas até então, a dupla Samsel & Seneff encontrou elevadas correlações entre as quantidades usadas de glifosato e a incidência de Alzheimer e Parkinson. Há inclusive uma apresentação que ela disponibiliza na internet. Em inglês acessível, traz muita informação para os mais interessados.

Autismo

Segundo explica Garcia, o organismo humano e dos animais depende do chamado microbioma intestinal, ou flora intestinal, composto por trilhões de células de dezenas de milhares de espécies de bactérias e leveduras – todos eles afetados pela ação do glifosato.

“Essa flora intestinal, que evoluiu com o ser humano por bilhões de anos, é constituída por 9 trilhões de células, quando todas as células do nosso corpo somam 1 trilhão. É por isso que somos considerados apenas 10% humanos pela escritora inglesa Alanna Collen”, diz. “Esses 90% do nosso corpo não humano são afetados por essa substância.”

Esta constatação é a relação mais robusta entre o autismo e o glifosato. Conforme o agrônomo, estudos mostram que crianças autistas têm níveis reduzidos de manganês no sangue, um mineral do qual os lactobacillus e outros microorganismos que colonizam o microbioma intestinal são extremamente dependentes.

Além disso, o manganês atua no processo de conversão dos aminoácidos glutamato a glutamina, essenciais na redução do nível de amônia que no cérebro causam alterações, as chamadas encefalopatias. “Crianças autistas têm problemas de encefalopatia crônica de baixo grau”, afirma Garcia. Outra evidência vem de uma pesquisa de 2012, que aponta baixo teor de manganês na primeira dentição associado ao autismo.

Os prejuízos aos níveis de manganês, bem como de outros minerais vitais à saúde – o cobalto, ferro, zinco, cobre, selênio, cálcio, magnésio, enxofre e molibdênio – são reconhecidos pela Monsanto. “Em uma das três diferentes patentes para a molécula original, a companhia alega que o glifosato é um poderoso quelatizante capaz de bloquear esses minerais.”

Parkinson e depressão

Na segunda patente, segundo Garcia, a Monsanto afirma que o glifosato interfere em uma via bioquímica do metabolismo vegetal que participa da síntese de alguns aminoácidos importantes tanto para as plantas como para o organismo humano. É o caso do triptofano, que o cérebro utiliza para produzir serotonina, mais conhecido como o hormônio do bem estar, a fenilalanina, que entra na composição de muitas proteínas necessárias para o organismo, e a tirosina, que atua na produção de neurotransmissores envolvidos em funções neurológicas relacionadas a funções cognitivas, de memória e humor, entre outras. Daí estar associado a quadros cada vez mais comuns de Parkinson.

“E ao bloquear a síntese desses aminoácidos, o glifosato impede a produção de alguns neurotransmissores, como a serotonina.Vale dizer que a falta de serotonina produz depressão, uma verdadeira epidemia em nossos dias. E depressão é deficiência de serotonia. Não de antidepressivos”, ressalta o agrônomo.

Já na terceira patente, a Companhia declara que o glifosato tem ação antibiótica.”A essa altura, fica claro que se a pessoa ingerir, por tempo indeterminado, um antibiótico que mata a maioria das formas de vida microbiológicas e um quelatizante, haverá consequências nunca antes aventadas na história da Medicina”.

O especialista acredita ainda que um dos principais efeitos deletérias do componente ativo do Roundup é confundir o organismo, já que sua molécula tem configuração e ação muito semelhante à glicina, um aminoácido que atua na nutrição de algumas células.”Isso permite que ele substitua a glicina, sendo incorporado a inúmeras proteínas e enzimas, alterando assim a sua conformação estrutural e espacial. Então esse aminoácido fake afeta a vida no seu princípio mais básico ao deixar de cumprir funções básicas que somente a original pode desempenhar”.

Uma outra teoria que ele defende é que o glifosato afetaria as enzimas do sistema hepático com papel de desintoxicar o organismo da ação de toxicinas externos. “Ao afetar esse importante mecanismo, a substância contribuiria, indiretamente, para a nossa intoxicação. Mas essa evidência necessita ser ainda melhor estudada”.

Fonte – Cida de Oliveira, RBA de 20 de maio de 2017

Número de crianças obesas se multiplica por dez em quatro décadas

Grupo de crianças em um acampamento contra a obesidade em Pequim.Grupo de crianças em um acampamento contra a obesidade em Pequim. KEVIN FRAYER/GETTY IMAGES

O mundo enfrenta uma crise global de má nutrição causada tanto pela falta de comida como pelo consumo de alimentos processados pouco saudáveis. Os dois problemas estão relacionados com a pobreza e a desigualdade social e ameaçam cada vez mais os países em desenvolvimento, alerta um estudo publicado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em colaboração com instituições acadêmicas do Reino Unido.

 No mundo já há 124 milhões de crianças e jovens —entre cinco e 19 anos— que sofrem de obesidade, um número dez vezes maior do que o registrado há quatro décadas. Enquanto o problema segue crescendo entre os mais jovens, o avanço da desnutrição está diminuindo a nível global. Se estas tendências continuarem nos próximos anos, em 2022 haverá no mundo mais crianças e jovens obesos do que desnutridos, acrescenta o trabalho, que também ressalta que há outros 213 milhões de garotos e garotas com sobrepeso. À este problema é preciso somar o dos 192 milhões de crianças e jovens com desnutrição moderada e aguda, um problema que afeta especialmente países asiáticos, como a Índia.

“A obesidade também é uma consequência da má nutrição”, explica Chiara di Cesare, especialista em saúde pública da Universidade de Middlesex e coautora do estudo, publicado nesta quarta na revista médica The Lancet, e cujos dados por países podem ser observados aqui. O estudo analisou mais de 2.000 estudos sobre o índice de massa corporal de adultos, crianças e adolescentes que inclui dados de 128 milhões de pessoas para estimar as taxas de sobrepeso, obesidade e desnutrição em 200 países.

“A obesidade também é uma consequência da má nutrição”

A região com mais crianças obesas é a Polinésia, onde mais de 30% das crianças e jovens estão obesos. Em seguida estão outras regiões de países em desenvolvimento com taxas próximas a 20% na Ásia e no Norte da África, como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Egito. América Latina também é uma das regiões onde mais cresceu a obesidade entre as crianças, explica Di Cesare. A nível global, 5,6% das garotas e 7,8% dos garotos estão obesos. Em 1975, o primeiro ano analisado, as cifras eram de 0,7% e de 0,9%, respetivamente. Quando analisados os dados apenas do Brasil, os números são ainda mais altos: entre os meninos, a prevalência é de 12,7% e, entre as meninas, de 9,4% —em 1975, era de 0,9% para ambos e, em 2000, quando houve um estirão de crescimento, de 5,7% entre eles e de 5% entre elas.

“Ainda não está clara qual é a explicação para que se tenha tanta obesidade nestes países, embora uma das razões possa ser as mudanças bruscas no mercado de alimentação e a chegada das comidas processadas com baixo valor nutritivo”, ressalta a especialista. Enquanto a obesidade entre jovens avança nos países em desenvolvimento, o crescimento está estancando na Europa e nos EUA, mas só após décadas de avanço e com uma prevalência que continua sendo muito alta, alertam os autores do trabalho.

Se o impacto da desnutrição é visível e de curto prazo —certa de três milhões de crianças morrem por estas causas a cada ano—, o da obesidade é crônico, pois fomenta doenças como a diabetes, os problemas cardiovasculares ou o câncer, que aparecem após décadas. Com esta tendência, se não se tomarem medidas “sérias” contra a obesidade, “se colocará em risco desnecessário a saúde de milhões de pessoas, o que elevará os custos humanos e econômicos”, alertou Leanne Riley, especialista da OMS e coautora do estudo.

Majid Ezzati, pesquisador do Imperial College e um dos coordenadores do trabalho, ressalta que “a maioria de países ricos resistiram a estabelecer impostos e regulação para mudar os hábitos alimentares das crianças e, assim, evitar a obesidade infantil”. “Mais importante é que existem muito poucas políticas e programas dedicados a facilitar o acesso a comidas saudáveis como os grãos integrais, frutas e vegetais para famílias pobres. A impossibilidade de comprar comida saudável pode levar à desigualdade social e à obesidade”, acrescenta.

A transição entre a desnutrição e o sobrepeso e a obesidade pode acontecer de forma rápida em países em desenvolvimento que passam de ter falta de comida a um acesso facilitado a alimentos e bebidas processadas com alto teor de gorduras, sal e açúcares e poucos nutrientes essenciais, alertam os autores. Ao mesmo tempo, “os países desenvolvidos mostram um estancamento do avanço da obesidade, mas é possível que o que esteja acontecendo é uma redução só entre os mais ricos e um avanço entre os setores mais desfavorecidos”, adverte Di Cesare.

Fonte – Nuño Domíngues, El País de 11 de outubro de 2017

Frangos: o real cenário de criação no Brasil (não, não tem hormônios – mas tem antibióticos…)

Granja da Seara em Guaraciaba, Santa CatarinaGranja da Seara em Guaraciaba, Santa Catarina

Não tão ruim quanto esperava; não tão bom quanto gostaria

Essa foi minha conclusão após passar dois dias em alguns aviários e unidade de processamento da Seara, em Santa Catarina, e checar – de perto, sem restrições – a criação, o transporte dos animais vivos, o abate, o desmembramento e embalamento.

Já aviso: este texto é bem longo.

Meu desejo de acompanhar a produção de aves da grande indústria brasileira vem de longe – tantas eram as perguntas: é verdade que se usa hormônio? As galinhas vivem 24 horas por dia sob luz para comer mais? – mas se intensificou de forma gritante ao ver, ano passado, dois nomões da gastronomia assinarem embaixo das gigantes do mercado, no Seara e Sadia. Alex Atala não me causou tanto estranhamento visto seu histórico de campanhas publicitárias (caldo pronto, café de qualidade aquém da mediana). Mas Jamie Oliver? Opa, esse me chocou.

O cara que sempre admirei por ter construído um império baseado em estimular as pessoas a conhecerem o que comem, a cozinharem, a evitarem as áreas de “empacotados” do mercado em prol dos corredores de verduras, frutas e legumes?

Que conseguiu mudar o menu do McDonald’s do Reino Unido?

Que luta contra a obesidade infantil, resultado do aumento desenfreado do consumo de “alimentos” e refrigerantes de gigantes multinacionais?

Que sempre valorizou pequenos produtores e a cultura gastronômica de cada região, de cada país?

Que defende a comida fresca?

Como ESSE homem assina uma linha de congelados para a mesma empresa que fabrica presunto com proteína de soja e entope boa parte de seus produtos com corantes, antiumectantes, conservantes e realçadores de sabor – e que ainda tem a cara de pau de carregar o slogan “Deliciosamente Saudável”?

Não por dinheiro – ja é milionário.

Não por ingenuidade, certamente: ele sabe muito bem que associar-se ao nome Sadia o atrelará, diretamente, a TODO o portfólio da marca e não somente aos seus frangos com “melhores padrões de bem estar animal”. E foi exatamente por isso que a empresa jogou um caminhão de dinheiro nessa parceria…

Jamie Oliver topou, muito provavelmente, pela grana preta investida pela marca em seu projeto FoodRevolution, que tem como objetivo levar consciência e educação alimentar para as escolas: mas dá mesmo para fazer revolução alimentar bancada pela indústria que lucra com gente comendo nuggets e apresuntado, e não brócolis, maçã ou arroz com feijão feito em casa? Hum, sei não.

Há cerca de um ano, Jamie Oliver veio ao Brasil exclusivamente para lançar sua parceria com Sadia: pratos congelados com carne de frango que terão que ser finalizados pelo comprador, o que a empresa e o chef parecem considerar enquadrar-se na categoria ‘cozinhar’ (“consumidores terão que aquecer molhos, assar ou mesmo selar a carne”, diz press release). Estive em sua coletiva de imprensa, em São Paulo: mais parecia um coquetel regado a conversas amenas. Curiosamente, não consegui emplacar as minhas questões, mesmo meu braço estando levantado a maior parte do tempo. Então enviei questionário para a assessoria de imprensa da marca, que demorou dez dias para devolvê-lo respondido. Você pode lê-lo completo AQUI.

Sentada ali, na frente de um Jamie Oliver visivelmente na defensiva, ficava mais e mais abismada diante de frases ditas por ele, que me soavam um tanto esquizofrênicas:

“Os maiores problemas do planeta em relação a alimentação são a fome, a obesidade e a resistência humana e animal a antibióticos” (mas conforme você pode ler no link do meu questionário, antibióticos podem ser usados nas aves da linha Jamie Oliver!) e “É necessário trabalhar com grandes companhias para fazer grandes mudanças”.

Vista externa de aviários parceiros da Seara, em Guaraciaba, Santa CatarinaVista externa de aviários parceiros da Seara, em Guaraciaba, Santa Catarina

Jura, Jamie Oliver? Posso te contar uma coisa: as grandes mudanças só ocorrem pela união dos PEQUENOS.

Só estamos assistindo o crescimento da oferta de orgânicos, por exemplo, porque cada cidadão que começa a consumi-los, seja por focar na saúde individual e/ou do planeta, estimula um agricultor a abandonar a agricultura convencional.

Só temos melhora nos padrões de bem estar animal porque as pessoas ‘comuns’ começam a se negar a consumir carnes, ovos e leites provenientes de criações insalubres.

Só vivemos em um tempo no qual megaempresas precisam fazer campanhas milionárias esclarecendo COMO produzem alimentos porque cada cidadão com poder de escolha e compra as pressiona para maior transparência. Grandes corporações não fazem grandes mudanças em prol dos pequenos, Jamie Oliver. Em prol do bem global. Grandes corporações só fazem mudanças porque precisam manter o lucro – e sabem muito bem com quem se associar para tal fim. Como disse Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Segurança Alimentar e Políticas de Nutrição e professora de Nutrição da Universidade de Brasília, a um jornal inglês: “Jamie Oliver não fará a Sadia melhor, mas certamente a Sadia fará Jamie Oliver pior”.

Ainda estou esperando a resposta da Sadia ao meu pedido para conhecer suas granjas. A Seara atendeu-o prontamente, mesmo com todas as minhas exigências para que a visita fosse realizada: precisaria ser em uma granja padrão, mostrada na campanha publicitária; acesso irrestrito a todas as áreas; todas as questões respondidas por especialistas. E para minha surpresa, ninguém fugiu de questionamento algum. Meses depois, visitei um produtor sustentável e orgânico, a Korin, que rendeu reportagem que pode ser lida AQUI.

Para os odiadores profissionais, aviso: não foi excursão à Coreia do Norte. Não rolou – como um sem noção sugeriu no Facebook – granja maquiada especialmente para a minha visita: é estruturalmente inviável mover dezenas de milhares de galinhas para causar efeito positivo em UMA jornalista. O fato é: o que vi é a realidade cotidiana do setor. E, finalmente, tive minhas questões respondidas.

Aos que questionarem a razão de não haver fotos de outras partes do processo: é proibido por questões de segredo de indústria (tipo de maquinário e de linha de produção) e também para preservar a privacidade dos funcionários. Não gostei nada, claro – desejava mostrar tudo aqui – mas há que se seguir certas regras para tornar o trabalho possível.

Galinhas e frangos para corte em granja padrão da SearaGalinhas e frangos para corte em granja padrão da Seara

Eis alguns dados sobre a produção de carne de frango no Brasil:

As empresas são proprietárias de todos os aviários?

Não. Elas trabalham no esquema de fornecimento de infraestrutura para milhares de pequenos e médios criadores: construção dos aviários, entrega de pintinhos, treinamento de pessoal, ração, vacinas, logística de transporte dos animais vivos para os abatedouros (estes, sim, próprios). Cada um deles assina contrato se comprometendo a seguir todas as regras preestabelecidas de criação e bem-estar anima em troca da compra total do lote de aves.

Hoje, no Brasil, a Seara mantém cerca de 9300 proprietários rurais cadastrados, o que soma 140 milhões de galinhas nos aviários. A marca é a maior exportadora brasileira da proteína, atendendo 150 países.

Quantas galinhas/frangos vivem por metro quadrado?

O adensamento médio é de 32 quilos por metro quadrado. Levando-se em conta que cada galinha atinge cerca de 1600 gramas, temos cerca de 20 aves por metro quadrado.

Não, não é lindo de se ver. Não é a cena idílica da criação caipira, com as galinhazinhas bicando o chão e comendo minhocas. A realidade: imensos galpões com temperatura e umidade controladas, nos quais entra luz solar apenas quando o clima externo está bom o suficiente para não jogar excesso de ar quente ou frio para dentro.

As aves comem, dormem e evacuam. Só. Não há poleiros – parte do comportamento natural das aves é se empoleirar – e todas ficam no mesmo nível, o tempo todo, sobre o que é chamado de cama de frango. Formada por casca de arroz, bagaço de cana, sabugo de milho e outros materiais vegetais, a cama de frango recebe os dejetos das aves, bem como os restos de ração que caem no chão. A cada ciclo de criação – cerca de 40 dias – ela é trocada. A antiga passa por processo de compostagem e vira adubo.

A criação brasileira de aves é considerada uma das melhores do mundo – tanto em bem estar animal quanto em leis sanitárias – e é, sem dúvida, consideravelmente melhor do que a americana (clique AQUI para ter uma ideia) e a da Comunidade Europeia, que permite adensamento de 42 quilos por metro quadrado.

Todas as aves tomam antibióticos e hormônios?

Hormônios são proibidos no Brasil, tanto para aves quanto para bois, suínos, ovelhas, cabras. Não há a possibilidade de nenhuma empresa LEGAL oferecer hormônios para animais de corte sem sofrer punições gravíssimas do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Agora, quanto a antibióticos… Sim, são legais. Contudo, seu uso vem decrescendo na última década. A razão é simples: o mercado externo – e agora também o interno – vê com péssimos olhos o aumento gritante da resistência humana e animal a antibióticos, justamente por conta do seu uso descontrolado. Super bactérias estão nascendo, levando a morte milhares de humanos e animais, todos os anos. Uma das grandes causas disto é… nossa comida, especialmente bois e aves.

Outros pontos que levam à diminuição do uso de antibióticos no Brasil: o alto valor da medicação; a melhora no bem-estar animal, que faz a vida dos bichos ser menos estressante, causando menos doenças, gerando menos necessidade de medição. Hoje em dia, simplesmente não fecharia a conta entupir galinhas de antibióticos porque a) o preço final do produtos seria bem maior e b) muitos países imporiam barreiras a importação, o que acarreta queda no faturamento (tendo em vista que mais de metade das vendas de aves da Seara é destinada a exportação, imagine o tamanho do problema).

Nos aviários que visitei, a média de uso de antibióticos nos ciclos mais recentes é de 1 galinha em cada 140. Mas é bom deixar claro que isso não traduz a realidade de todos. Muitos muitos muitos produtores ‘escondem’ os antibióticos por detrás dos termos ‘melhoradores de desempenho’ e ‘promotores de crescimento’.

Do que se alimentam?

Cerca de 70% da ração – servida à vontade – é composta por farinha de grãos como milho, trigo e soja. Claro, todos transgênicos e entupidos de pesticidas: o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. O que há nos outros 30%? Bom, aí a coisa complica… Há farinha de carne e ossos bovinos, por exemplo. Ao ver minha surpresa horrorizada com o fato, um dos funcionários da Seara fez questão de me lembrar que aves são onívora. Eu fiz questão de lembrá-lo que em nenhum momento da evolução galinhas comeram vacas… e que minhocas e insetos são ligeiramente diferentes de boi.

Contudo, acabemos com a lenda urbana de que há farinha de pintinhos mortos na ração das galinhas: não há. Bem porque foi algo parecido que desencadeou a doença da vaca louca – e ter um escândalo de proporções planetárias não é o que a indústria almeja.

Outra lenda urbana que vai pro ralo: não existe injeção de realçador de sabor nas aves.

As aves vivem sob luz 24 horas por dias para comerem mais e engordarem mais rápido?

Não. Pelo menos na que visitei, as luzes da granja são apagadas perto das 23hs e “acesas” na hora do nascer do sol.

O aquecimento – para o qual as lâmpadas também servem – é feito via injeção de ar quente no recinto. Esse ar quente é gerado em caldeira alimentada com madeira de reflorestamento. De novo, nas granjas que visitei: não tenho como saber e averiguar os processos cotidianos de todas.

Quanto tempo vive uma ave até ser abatida?

Os pintinhos chegam com um dia de vida ao aviário e permanecem ali até o trigésimo nono dia. Então, seguem para o abate. O aviário é limpo, a cama de frango é trocada e uma nova leva chega.

O que se faz com os ovos que as galinhas botam?

As galinhas não botam ovos nas granjas de corte porque não chegam a atingir a idade fértil para tal. Funciona assim:
– as “avós” (galinhas geneticamente selecionados) são importados dos EUA e da Inglaterra e ficam em granjas específicas até 25 semanas de vida, quanto estão prontas para reproduzir. Daí são enviadas para outro aviário para acasalar com galos selecionados.
– os ovos seguem para outra unidade (os incubatórios), na qual permanecem em ambiente de condições controladas. Após 21 dias, eclodem e, imediatamente, os pintinhos são levados para aviários voltados para o abate.

Há muita mortandade no transporte dos animais vivos até o abatedouro?

Há mortalidade, claro. Mas, de novo, não seria financeiramente interessante se houvesse muita. Todo o processo de transporte é rastreado via satélite e agendado para ter o menor tempo possível entre a colocação das aves nas caixas e seu abate – o que não quer dizer que seja bacanão, afinal os animais ficam apinhados em caixas cheias, a mercê do clima, o que está longe de ser o ideal. A razão do tempo curto transporte-abate: diversas pesquisas indicam que quanto menor for esse intervalo, e menos estresse animal houver, melhor será a qualidade da carne.

Para saber mais sobre o assunto, conheça a comissão de bem-estar anima do MAPA clicando AQUI.

Como é o abate?

Não existe matar galinha com espuma tóxica: taí outra lenda urbana. Essa prática só rola quando um lote de aves é infectado por doenças contagiosas, como a gripe aviária, e precisa ser esterilizado. A única maneira legal no Brasil para se abater aves é a desensibilização por corrente elétrica, como você pode ler AQUI.

As aves são penduradas em ganchos, pelos pés, e tem a cabeça mergulhada em água pela qual passa corrente elétrica alta suficiente para desacordá-la e baixa o bastante para não causar danos irreversíveis (hematomas ou morte). “Desmaiada”, tem o pescoço cortado, segue para a sangria, para a depenagem em água fervendo e para a retirada dos órgãos internos por uma mão mecânica.

Cada carcaça – com seus devidos orgãos colocados logo acima delas, numa grande linha de produção circular – é verificada por funcionários do SIF (Serviço de Inspeção Federal, órgão do Ministério da Agricultura), que procuram por sinais de bile, doenças e anomalias. Em cada fábrica há uma área demarcada para estes funcionários, com os quais os proprietários (Sadia, Seara, etc) não podem interagir – a única pessoa autorizada a fazer a interface entre o SIF e a granja é um supervisor. A medida foi estabelecida como maneira de evitar possíveis fraudes e subornos.

O que se faz com toda a pena e sangue gerados no abate?

Aqui o negócio não é bonito, não. Nada bonito.

O plasma do sangue é comprado pela indústria alimentícia – inclusive a de comida hospitalar – e de ração para animais domésticos como palatabilizante, ou seja, para tornar os sabores mais vivos.

Plasma é o produto obtido do sangue fresco integral, seco por pulverização (spray-drying), o qual foi previamente separado de suas células vermelhas e brancas por meio de processo químico e mecânico. A proteína contida no plasma é formada principalmente por albumina, globulina e fibrinogênio. O resto do sangue é seco e vai parar… em ração de animais, tanto de estimação quanto de corte (caso do porco).

As penas são transformadas em farinha e seguem para a indústria de ração de animais domésticos e de… peixes.

Para saber mais sobre o tema, clique AQUI.

Há diferença na criação de animais para consumo interno e exportação?

Não: toda a criação e processamento são unificados. Assim que as aves são desmembradas, suas partes passam por supercongelamento e seguem para mercados distintos, com perfis diferentes de consumo. O Japão, por exemplo, compra a maior parte da pele; a China, os pés.

Os maiores compradores de frango brasileiro são a Arábia Saudita, o Japão e a China. Cerca de 40% da carne exportada no mundo tem origem no Brasil e em 2018/2019, as exportações de carne de frango deverão representar 90% do comércio mundial.

Qual é o número de aves abatidas por dia?

É chocante a quantidade de proteína animal que se consome no mundo, além de ser algo totalmente insustentável: não há recursos naturais suficientes para suprir o apetite crescente por carne, queijo e ovos. Se, atualmente, mais de 1/3 dos grãos produzidos no mundo já vão para alimentação animal (imagine a quantidade de terra, de água, de pesticidas!), tente vislumbrar o cenário caso todos os habitante do globo queiram comer carne como brasileiros ou americanos. Seria o colapso ambiental. Querendo saber mais, dê uma olhada AQUI.

Estes números do mercado de aves me deixaram boquiaberta:

– 5.600.000 aves abatidas por dia no Brasil – isso contando APENAS A SEARA
– 450 milhões de aves abatidas por mês no Brasil – total da indústria
– 140 milhões de frangos alojados nos aviários parceiros da Seara
– Brasileiro médio consome cerca de 50 quilos/ano
– Em 2015 foram processadas 13,146 milhões de toneladas de frango no Brasil

Quer dizer que a Seara é fofa e linda, por isso abriu a produção para visita?

Não, é apenas uma empresa que entende o óbvio: não dá mais pra omitir ou mentir para o consumidor. As corporações podem até apostar na vitória da ignorância ou da publicidade truqueira, mas o fato é que cada vez mais gente quer a verdade e irá atrás dela.

Se há espaço para melhora? Opa, e como. Quem determinará o quanto, e a que velocidade, somos nós, os consumidores.

Clique aqui para ler sobre a criação orgânica e sem antibióticos.

Fonte – Ailin Aleixo, Gastrolândia de 01 de julho de 2017

‘Já temos um Tietê por Estado’: 81% dos municípios despejam esgoto em rios

Cachorro em rio poluído brasileiroQuase 90% das cidades brasileiras trata menos esgoto do que o exigido pela lei antes de jogá-lo nos cursos d’água. GETTY IMAGES

Se você vive em um bairro de classe média ou alta de alguma grande cidade brasileira, é quase certo que a sua casa possui coleta de esgoto. É muito provável também que haja nas proximidades um rio urbano, com seu persistente mau cheiro. Alguma chance de aquele fedor e o seu esgoto estarem ligados? Em quatro de cada cinco municípios brasileiros, a resposta é sim.

Essa é uma das conclusões do Atlas Esgotos – Despoluição de Bacias Hidrográficas, divulgado na noite deste domingo pela Agência Nacional de Águas (ANA, órgão ligado ao Ministério das Cidades). O estudo mostra que 81% – 4.490 de 5.570 – dos municípios despejam pelo menos 50% do esgoto que produzem diretamente em cursos d’água próximos, sem submetê-los a qualquer trabalho de limpeza.

“As deficiências na coleta e no tratamento de esgoto no Brasil não são novas. Mas pela primeira vez conseguimos estimar o impacto da falta de saneamento nos cursos d’água, e quanto custaria para que todo o país tivesse o mínimo de tratamento previsto por lei”, disse à BBC Brasil Sergio Ayrimoraes, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA e um dos autores do estudo.

Na verdade, considerando a lei brasileira, o índice é ainda pior: quase 90% das cidades do país trata menos de 60% do esgoto – o mínimo para que se possa lançá-lo nos rios, segundo a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, ligado ao Ministério do Meio Ambiente).

Apenas 769 cidades (entre as 5.570 que existem no Brasil), a maioria delas no Sudeste, fazem mais do que isso. Entre os Estados, só São Paulo, Paraná e o Distrito Federal removem mais de 60% da carga orgânica dos esgotos produzidos em seu território. Quase 70% dos municípios não possui nenhuma estação de tratamento.

“Analisamos os 5.570 municípios do país, que têm realidades diferentes. Mas mesmo considerando as 100 maiores cidades brasileiras, a ‘elite’ seria reprovada”, diz o pesquisador.

“E praticamente nenhuma região é uma exceção à regra, ao contrário de outros indicadores, em que as diferenças regionais são acentuadas. Nesse ponto, tá ruim para todo mundo.”

É possível conferir a situação de cada um dos municípios brasileiros neste link.

Gráfico do Atlas EsgotosBrasil tem o equivalente a extensão dos 17 rios mais longos do mundo combinados impossibilitados para o uso por causa da poluição. ANA

2 mil piscinas de esgoto por dia

A carga de esgoto é medida em Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) – que corresponde à matéria orgânica presente nele. Quanto maior a quantidade de DBO, pior a qualidade do esgoto.

O Brasil produz, todos os dias, 9,1 mil toneladas de DBO, das quais somente 39% são tratadas. “Isso significa que mais de 5,5 mil toneladas do que produzimos em casa são jogadas sem nenhum tipo de tratamento, diariamente, em rios que são usados pela população”, explica Ayrimoraes.

Por causa do material sólido, é difícil estimar corretamente o volume de 5,5 mil toneladas de esgoto. Se fosse só água, ele encheria cerca de 2 mil piscinas olímpicas.

De acordo com o Conama, os rios brasileiros são classificados em uma escala de 0 a 4 em termos de poluição. Um rio de classe 0, ou especial, é aquele de onde se pode beber água com a simples adição de cloro. Já um 4 é tão sujo que serve, na melhor das hipóteses, para navegação.

Segundo a ANA, o país tem atualmente cerca de 83 mil km de rios na classe 4, considerados “rios mortos” – o que equivale à extensão combinada dos 17 maiores rios do mundo.

“Isso corresponde a 4,5% do total de bacias hidrográficas do país. Pode parecer pouco. Mas temos que levar em consideração que esses rios mais comprometidos são justamente os mais próximos dos centros urbanos. Isso é muito significativo”, disse Sergio Ayrimoraes.

Questionado, o Ministério das Cidades, órgão responsável or implementar soluções urbanas para esse tipo de problema, disse que só se manifestaria sobre o relatório na terça-feira, quando ele será lançado oficialmente.

Quanto esgoto as 5 maiores capitais brasileiras deixam de tratar?*

*Informações referentes a 2014 e fornecidas pelos prestadores de serviços das cidades

  • 1 São Paulo – 32,8% do total
  • 2 Rio de Janeiro – 29,6% do total
  • 3 Brasília – 8,6% do total
  • 4 Salvador – 0% do total
  • 5 Fortaleza – 2,2% do total

Abelhas sem ferrão, mel, geleia real, própolis: afinal, o que é tudo isso?

Colmeia de abelha nativa, também chamada de mansa e sem ferrão: as mais de 300 variedades produzem meles magníficos

Abelhas são um dos animais mais importantes do planeta – e não por que produzem mel. Por mais prazeroso que seja o viscoso e doce líquido, ele não é a razão pela qual precisamos cuidar muito, muito bem das abelhas. A principal razão é: nossa comida depende da existência delas.

Cerca de 80% da polinização de todas as plantas do planeta é feita pelas abelhas. Enquanto grãos são primordialmente polinizados pelo vento, frutas, nozes e vegetais são polinizados por elas. De quinze anos para cá, porém, a população de abelhas vem diminuindo drasticamente em todos os pontos do globo – as principais razões são o uso excessivo de agrotóxicos e a propagação de imensas monoculturas, que destroem seu habitat natural. Este fenômeno foi batizado de colony collapse disorder (síndrome do colapso da colônia).

O fato é: sem abelhas, o mundo sofrerá com escassez de alimentos e surtos de fome de proporções catastróficas.

Para saber mais sobre o tema, clique AQUI e AQUI.

Para entender sobre esses insetos primordiais à vida, visitamos a Fazenda Itaicá, da marca MBee Mel de Terroir. Situada na Serra da Bocaina, a Fazenda Itaicá conta tanto com criação abelhas africanas (também conhecidas como europeias e italianas) – aquelas com listrinhas pretas e amarelas) quanto de abelhas nativas (sem ferrão).

E, vou dizer, os meles das mais de trezentas espécies de ‘abelhas mansas’ são infinitamente mais interessantes gastronomicamente. Meles que, por sua vez, também estão ‘entrando em extinção’: o desconhecimento por parte do público, e o consequentemente não-consumo, faz com que cada vez menos gente se interesse em produzi-los. Eu os considero uma iguaria, assim como trufas e caviar.

Então, comecemos pelo começo:

O que é mel?

O mel é o alimento principal das abelhas. Os grãos de pólen, retirados das flores, são suplementos. Quando extraímos mel para consumo humano, estamos tirando comida da colmeia – da mesma forma que acontece com leite em vacas, ovelhas, cabras. Por isso há que existir bom senso e boas práticas de manejo.

Como abelhas produzem mel?

O néctar coletado das flores pelas abelhas operárias – néctar é uma solução de açúcares com água, produzida pelas flores – é transportado para o enxame, maturado, concentrado e transformado em mel. Inicialmente, as abelhas operárias armazenam o néctar coletado em sua vesícula melífera (papo de mel) localizada ao lado do estômago e o transportam até o enxame. Então, o repassam para outra abelha operária, boca a boca. Nesta ocasião, ocorre a reação enzimática do organismo da abelha operária, a sacarose, que é a principal substância do néctar e que é transformado em frutose e dextrose. As abelhas operárias que receberam o néctar transportam-no para armazenar na melgueira e produzem vento, batendo suas asas, a fim de evaporar a umidade. A temperatura de 34 graus no interior da colmeia também acelera a concentração e a maturação do mel. As melgueira com mel maturado são fechadas com a cera.
(texto adaptado do site Yamada Bee Farm).

Qual o papel do pólen?

Ele é o principal produto não-líquido da dieta das abelhas, e é à partir de sua obtenção que elas elaboram a geléia real, alimento da rainha. No momento em que as abelhas operárias mergulham no interior da flor em busca do néctar, os grão de pólen agarram nas penugens que envolvem seu corpo. Ao irem de uma à outra, “deixam” alguns grãos, o que causa a polinização das plantas.

O pólen que resta nas abelhas é umedecido com néctar, levado para a colmeia, triturado e guardado no fundo do enxame para futuro consumo.

Larva da abelha rainha sendo alimentada com geleia real

O que é geleia real?

É o alimento exclusivo da abelha rainha. Na verdade, é alimentando uma larva comum exclusivamente com geleia real que ela se tornará rainha.

A geleia real é preparada com o pólen armazenado no fundo do enxame misturado a secreção glandular das abelhas operárias. O resultado é um superalimento: por conta dela, a abelha rainha – que come geleia real desde sua fase de larva – terá até três vezes o tamanho de uma abelha operária. A alimentação também impacta outros aspectos: enquanto as operárias vivem entre 30 e 45 dias, a rainha vive cerca de 4 anos.

Ao contrário do mel, a geleia real não é palatável aos humanos.

Manejo de abelhas europeias na fazenda da MBee Mel de Terroir

E o que é própolis?

Algumas árvores encontradas na natureza produzem um tipo de resina com propriedades antibacterianas e antifúngicas que protegem o vegetal do ataque de insetos e fungos. Ao coletarem essa resina, as abelhas a levam para a colmeia. Lá, será misturada à cera e também a secreções salivares, formando a própolis, substância rica em antioxidantes.

Na colmeia, a própolis é utilizada no preenchimento de espaços, como falhas e rachaduras, que podem servir de entrada ao frio e também a predadores; para embalsamar insetos ou outras abelhas intrusas que porventura entrem na colmeia; e também para recobrir as células que guardarão os ovos colocados pela rainha. A própolis tem uma função muito importante na colmeia: elimina micro-organismos e outros agentes infecciosos.

Meles de abelhas nativas: para mim, uma iguaria tão incrível como trufas ou caviar

O que são abelhas sem ferrão?

Jupará, Jandaíra, Jandaíra-Preta, Uruçu-Boca-de-Renda, Mandaçaia, Guarupú, Guaraipo,Monduri, Rajada,Tiúba, Jataí: já ouviu falar de alguma delas? Pois as abelhas nativas eram as grandes estrelas por aqui antes da chegada da Apis mellifera – aquelas abelhas de listras amarelas e pretas- no continente americano. Na era pré produção de açúcar, o mel das abelhas nativas era o principal adoçante natural e fonte de energia indispensável aos humanos.

As abelhas sem ferrão, ou meliponíneos, ocorrem em grande parte das regiões tropicais da Terra, ocupando praticamente toda a América Latina e África, além do sudeste asiático e norte da Austrália. Mas é nas Américas que grande parte da diversidade de espécies ocorre: são aproximadamente 400 tipos descritos.

Porque acabaram relegadas a segundo plano? Principalmente por produzirem menos mel que as europeias. Por darem menos lucro, basicamente. Enquanto uma colmeia de apis mellifera – ou abelhas europeias – chega a produzir 40 kg de mel em um ano, as nativas dão, em média, 300 ml…

Quais as diferenças sensoriais de meles de abelhas europeias e nativas/sem ferrão?

Antes de tudo, é bom entender que o sabor e qualidade do mel vai depender de alguns fatores: alimentação e espécie da abelha. Alimentação, aqui, é um tema bem importante porque está ligado a biodiversidade – quantos maior a variedade de plantas de uma região, mais rica será a alimentação da colmeia e, portanto, mais sensorialmente interessante será o mel. Além disso, o bioma deve conter árvores que tenham floradas em diferentes épocas do ano para que as abelhas sempre tenham alimento (o que alguns produtores fazem é manter meia dúzia de árvores e ‘complementar’ a alimentação da colmeia no inverno com xarope de açúcar invertido…).

Em se tratando de espécie, posso dizer por experiência: em termos de descoberta de sabores, nada se compara a uma degustação de meles de abelhas nativas. Cada um deles tem notas próprias, completamente distintas.Um tesouro gastronômico que está logo aqui, no nosso quintal – mas corre risco de desaparecer se não dermos o devido valor.

Fonte – Ailin Aleixo, Gastrolândia de 02 de agosto de 2017

Exposição a produtos químicos ambientais é um fator de risco importante para o câncer de mama

A revisão completa dos estudos humanos dos últimos 10 anos revela força de evidência

A exposição a produtos químicos ambientais, especialmente no início da vida, é um importante fator contribuinte no desenvolvimento do câncer de mama, de acordo com a revisão mais abrangente dos estudos em humanos até o momento. As descobertas podem ajudar a informar estratégias de prevenção destinadas a reduzir a incidência da doença, já que as taxas continuam a aumentar em todo o mundo.

Em 2007, pesquisadores do Silent Spring Institute publicaram na revista Cancer uma revisão histórica de estado-da-ciência sobre a ligação entre produtos químicos ambientais e câncer de mama. A revisão identificou 216 produtos químicos que causam tumores mamários em animais e forneceram um roteiro para o estudo desses produtos químicos em seres humanos. “Essa foi uma verdadeira campanha de alerta”, diz a Dra. Julia Brody, diretora executiva da Silent Spring e cientista sênior. “Agora, dez anos depois, vemos que a evidência é ainda mais forte”.

Desde a primeira revisão, centenas de estudos foram publicados sobre produtos químicos ambientais e câncer de mama. Para capturar e sintetizar a evidência humana, Brody e sua equipe realizaram uma busca sistemática da literatura e identificaram 158 estudos de epidemiologia publicados entre 2006 e 2016. Os pesquisadores revisaram críticamente cada estudo à luz da ciência emergente sobre a biologia subjacente ao câncer de mama, como a influência de genes e hormônios no desenvolvimento da doença.

A revisão da equipe, publicada on-line em 6 de outubro na revista Environmental Research, levou a várias conclusões. Os resultados de estudos-chave sugerem que a exposição a substâncias químicas no início da vida – no útero, durante a puberdade e através da gravidez – aumenta o risco de desenvolver câncer de mama mais tarde. Por exemplo, a exposição precoce ao DDT, às dioxinas, ao químico altamente fluorado PFOSA e à poluição do ar, está associada a um risco aumentado de câncer de mama de duas a cinco vezes. A exposição precoce no local de trabalho em níveis elevados de solventes orgânicos e componentes da gasolina também é um importante fator de risco.

As variações nos genes das pessoas também podem afetar a forma como os corpos das pessoas respondem a certos produtos químicos ambientais. O Long Island Breast Cancer Study Project, que resultou em muitas publicações sobre exposições ambientais e câncer de mama, descobriu que entre as mulheres expostas a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) – um produto químico no escape de veículos – aquelas com certas variantes genéticas tiveram maior risco de câncer de mama. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) classificou a poluição do ar exterior como um carcinógeno humano em 2013, e muitos dos componentes da poluição do ar mostraram causar tumores mamários em animais.

A crescente preocupação com os produtos químicos nos produtos de consumo diários também levou a uma série de novos estudos. Muitos produtos químicos para produtos de consumo, como BPA e ftalatos, são disruptores endócrinos. Eles interferem com os hormônios do corpo e podem produzir efeitos em doses baixas. Os resultados de estudos em animais sugerem uma ligação entre câncer de mama e disruptores endócrinos, enquanto a evidência de estudos humanos é mais limitada, diz Rodgers.

“Todos os dias, entramos em contato com muitos produtos químicos diferentes, e novos são constantemente introduzidos no mercado”, diz ela. “Infelizmente, é difícil medir exposições a produtos químicos múltiplos em várias vezes na vida de uma pessoa”.

O outro desafio é que o câncer de mama pode levar anos para se desenvolver. “Não é prático, nem é ético, esperar décadas para que as mulheres desenvolvam câncer de mama para descobrir se um químico causou sua doença”, diz o Dr. Marion Kavanaugh-Lynch, diretor do Programa de Pesquisa de Câncer de Mama da Califórnia. “Esta revisão abrangente da ciência confirma que devemos tomar uma abordagem preventiva”.

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em todo o mundo e as taxas de incidência nos EUA estão entre as mais altas do mundo. “O que muitos não percebem é que o câncer de mama é em grande parte uma doença evitável”, diz Brody. Apenas 5 a 10 por cento dos casos são devidos a genes hereditários de alto risco, como BRCA1 e BRCA2. “Tradicionalmente, hormônios farmacêuticos, exercícios e outros fatores de estilo de vida encabeçaram a lista de fatores de risco evitáveis. Agora, as exposições químicas estão subindo ao topo dessa lista”, diz ela.

Os consumidores podem tomar algumas medidas para reduzir suas exposições, escolhendo produtos mais seguros, diz Brody. Mas ela e seus colegas argumentam que são necessárias políticas mais fortes de segurança química e proteção ambiental para proteger o público dessas exposições generalizadas.

Dos 10 produtos químicos, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA priorizou para revisão sob a Lei de Controle de Substâncias Tóxicas (TSCA), cinco são carcinógenos mamários ou produtos químicos ligados ao câncer de mama. “Esse é um bom começo”, diz Brody. Os testes de segurança química também podem ser fortalecidos, diz ela, para que os produtos sejam considerados seguros antes de serem colocados no mercado.

Para obter dicas sobre como reduzir as exposições a produtos químicos nocivos na casa, baixe Detox Me (http://www.Detoxmeapp.Org), aplicativo móvel gratuito da Silent Spring para uma vida mais saudável.

Referência

Rodgers, K.M., J.O. Udesky, R.A. Rudel, J.G. Brody. 2018. “Environmental chemicals and breast cancer: An updated review of epidemiological literature informed by biological mechanisms.” Environmental Research. 160: 152-182. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013935117307971

Fontes – Alexandra Goho, Silent spring institute / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 11 de outubro de 2017

Supermercado terá maior usina de energia solar em edifício da região Sul

Loja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: DivulgaçãoLoja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: Divulgação

Painel fotovoltaico com cinco mil metros é um dos destaques da unidade no Santa Quitéria

A nova loja da rede de supermercados Condor que será inaugurada no dia 27 de setembro no bairro Santa Quitéria terá a maior usina de energia solar em edifício da região Sul do Brasil. São 1.422 painéis instalados na cobertura da loja, gerando mais de mais de 50 mil k/Wh  – o equivalente ao consumo de cerca de 200 famílias. (A maior usina de energia solar do Brasil fica em Tubarão (SC) e tem 19.424 painéis em uma área de 10 hectares às margens da BR-101.)

A rede investiu R$ 40 milhões na nova loja que tem área total de 12 mil m², sendo 3.500 m² de área de vendas. Foram R$ 2 milhões destinados à tecnologia de geração própria de energia.

Nova unidade apresenta várias soluções sustentáveis, como energia solar, captação de água da chuva e aproveitamento de iluminação natural. Imagem: Divulgação

Waldeny S. Fiuza, arquiteto do escritório Doria Lopes Fiuza Arquitetos Associados, explica que desenvolve o projeto há dois anos e colocou alguns painéis de energia solar no portão de entrada da loja, sem funcionalidade, mas com a intenção de destacar o uso desse tipo de energia no local.

Utilizar um painel fotovoltaico com cinco mil metros foi um dos principais desafios do projeto, segundo o arquiteto. “Primeiro tivemos que orientar o telhado na posição correta, de maneira a otimizar o uso dos painéis, mas não queríamos perder a iluminação natural dentro da loja”, conta.

Domus prismáticos permitem a entrada da luz externa no interior da loja. Foto: Waldeny S. Fiuza

O sistema de iluminação dimerizável, que ajusta a intensidade luminosa de acordo com a luz natural, foi outra solução para economia de energia elétrica. Também foram instalados na cobertura do estabelecimento os domus prismáticos que filtram os raios ultravioletas em até 98% e permitem a entrada da luz externa no ambiente. “A iluminação natural através dos domus permite que não se use praticamente nada de iluminação artificial durante o dia”, explica Fiuza.

Sustentabilidade

O Condor Santa Quitéria, que será a 44ª unidade da rede de supermercados, tem um sistema de captação de água da chuva para ser usada na irrigação de jardins, limpeza de pisos e descarga de sanitários.

Outra tecnologia sustentável aplicada no local foi a instalação de lâmpadas LED em todo o estabelecimento, reduzindo em 50% o consumo de energia elétrica e o descarte no meio ambiente.

Fonte – Gazeta do Povo de 26 de setembro de 2017