Pesquisa mostra que cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo

 Um estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) mostra que pelo menos 1 bilhão de pessoas sofrem de desnutrição no planeta. A situação é considerada grave na América Latina, especialmente na Bolívia, na Guatemala e no Haiti. As informações são da BBC Brasil.

A pesquisa, intitulada Índice Global da Fome 2010, mostra que quase metade dos afetados pela desnutrição são crianças. Os níveis mais altos se encontram na África Subsaariana e no sul da Ásia.

O Brasil é considerado pelos pesquisadores como um caso de sucesso na questão do combate à fome. Segundo o estudo, entre 1974 e 1975, 37% das crianças brasileiras eram subnutridas. O índice caiu para 7% entre 2006 e 2007, melhora atribuída aos aumentos nos investimentos em programas de nutrição, saúde e educação ocorridos desde o fim da década de 70.

O estudo aponta também que o número de desnutridos voltou a crescer, após cair entre 1990 e 2006. A explicação é a crise econômica e o aumento nos preços globais dos alimentos. O IFPRI considera a situação “extremamente alarmante” em três países, todos africanos (Chad, Eritreia e República Democrática do Congo). Outros 26 países vivem situação “alarmante”.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Segurança Alimentar (FAO), um ser humano passa fome quando consome menos de 1.800 quilocalorias por dia, o mínimo para levar uma vida saudável e produtiva.

Com sede em Washington, o IFPRI é mantido pelo Grupo Consultivo de Pesquisas Internacionais em Agricultura (CGIAR, sigla em inglês), que é uma aliança de 64 governos, fundações privadas e organizações regionais. O objetivo do instituto é buscar soluções sustentáveis para acabar com a fome e a miséria no mundo.

Fome é alarmante em 29 países, revela estudo

Vinte e nove países apresentam níveis alarmantes de fome e mais de 1 bilhão de pessoas não tinham o que comer em 2009, de acordo com um novo relatório mundial sobre a situação no mundo todo.

Líderes mundiais estão longe de uma meta estabelecida em 1990 de reduzir pela metade o número de pessoas famintas em 2015, segundo o Índice Mundial da Fome, publicação anual do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares.

Os dez países com os piores indicadores de fome são o o Congo, Burundi, Eritreia, Chade, Etiópia, Serra Leoa, Haiti, Comoros, Madagascar e República Centro Africana.

Fonte – O Diário do Norte do Paraná de 12 de outubro de 2010

Mudanças climáticas devido ao aquecimento global, perda de produtividade por esgotamento do solo, mudança no regime de chuvas, desvio de alimentos para fazer biocombustível e agora também fazer plástico, tudo isso contribui para o aumento da fome no planeta.

Não conseguimos entender isso, as pessoas saudando o plástico de cana e o plástico de batata, milho, mandioca … como se fosse a salvação do planeta. Essas pessoas estão cegas ou tem interesse econômico? São ignorantes ou são corruptas? Tem que ser uma das duas respostas, porque não é possível que elas não entendam causa e consequência, que usar o solo fértil, recurso natural cada vez mais escasso para fazer outra coisa que não plantar alimento para os humanos é no mínimo um crime contra a humanidade. E não só contra a humanidade do presente, mas também condenar os humanos que ainda nem nasceram à fome.

Relatório Planeta Vivo 2010 em PDF

Recursos naturais diminuem em ritmo alarmante

As últimas análises demonstram que as populações de espécies tropicais estão em queda livre e a demanda humana por recursos naturais sobe vertiginosamente e chega a 50% a mais do que o planeta pode suportar. Isto é o que revela a edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicação que apresenta a principal pesquisa sobre a saúde do planeta, lançado globalmente no dia 13/10.

O relatório bianual da Rede WWF, produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network, utiliza o Índice do Planeta Vivo para medir a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2.500 espécies. Esse índice mundial demonstra uma redução de 30% desde 1970. O declínio é mais acentuado nas regiões tropicais, onde se verifica uma queda de 60% em menos de 40 anos.

“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, declarou Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.

O Relatório mostra que, em algumas áreas temperadas, houve uma recuperação promissora de populações de espécies – graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo. No entanto, nas áreas tropicais, houve uma queda de quase 70% nas populações aquáticas (água doce) que foram rastreadas – esse percentual corresponde ao maior declínio já mensurado em quaisquer espécies, em áreas terrestres ou nos oceanos.

“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.

A Pegada Ecológica – um dos indicadores utilizados no Relatório – demonstra que a nossa demanda por recursos naturais duplicou desde 1966 e que utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nossas atividades. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente a dois planetas para satisfazer os níveis anuais da nossa demanda.

“O Relatório demonstra que, se as tendências atuais de consumo forem mantidas, chegaremos a um ponto sem retorno,” acrescentou Leape. A conclusão é de que “seriam necessários quatro planetas e meio (4,5) para atender a uma população mundial num estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes Unidos ou nos Estados Unidos.”

O carbono é o principal culpado por levar o planeta a usar uma espécie de “cheque sem fundos” ecológico. Nossa pegada de carbono aumentou de forma assustadora e nesses últimos 50 anos multiplicou-se por onze. Isso significa que hoje o carbono é responsável por mais da metade da Pegada Ecológica mundial.

Os dez países com a maior Pegada Ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda. O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.

Os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre os quais se incluem as mais ricas economias mundiais, são responsáveis por quase 40% da Pegada mundial. Os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – têm o dobro dos habitantes dos países da OCDE e, segundo o Relatório, sua Pegada per capita atual segue na mesma trajetória da OCDE; se for mantido esse modelo de desenvolvimento, o BRIC irá ultrapassar o índice per capita da Pegada da OCDE.

“Países que mantêm um nível elevado de dependência dos recursos (naturais) colocam em risco sua própria economia”, alertou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. “Os países que conseguem proporcionar um nível mais elevado de qualidade de vida com a menor demanda ecológica atenderão o interesse mundial e, mais do que isso, vão se tornar os líderes de um mundo com recursos limitados”, completou Wackernagel.

O Relatório mostra novas análises que comprovam que o declínio mais agudo da biodiversidade ocorre em países de baixa renda. Em menos de 40 anos, esses países sofreram uma queda de 60% em sua biodiversidade.

A maior Pegada é a dos países de alta renda. Em média, a Pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda. Isso sugere que o consumo em nível não-sustentável das nações mais ricas está baseado, em grande parte, no esgotamento dos recursos naturais das nações mais pobres; e que, muitas vezes, essas nações mais pobres são também as mais ricas em recursos naturais e estão situadas em regiões tropicais.

O Relatório do Planeta Vivo (RPV) mostra, também, que uma grande Pegada e um elevado nível de consumo – muitas vezes mantido às custas dos outros – não se refletem num nível elevado de desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas — baseado na expectativa de vida, renda e nível de instrução – pode ser alto em países com uma Pegada média.

O RPV aponta as soluções necessárias para garantir que o planeta possa aguentar a população mundial que, segundo projeções, será de mais de nove bilhões de pessoas em 2050. Entre as questões críticas a serem abordadas para reduzir a Pegada incluem-se a dieta e o consumo energético, assim como maiores esforços para valorizar e investir em nosso capital natural.

“O desafio colocado pelo Relatório do Planeta Vivo é bem claro”, disse Leape. “Precisamos, de alguma maneira, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades de uma população crescente e cada vez mais próspera e, ao mesmo tempo, nos manter dentro dos limites dos recursos deste planeta, que é um só. Precisamos, todos nós, encontrar uma maneira de fazer melhores escolhas em nosso consumo e em nossa forma de produção e uso de energia”, concluiu.

Desafio do Brasil é crescer sem destruir

O Brasil possui uma alta biocapacidade, mas isso não nos coloca em uma situação confortável. As mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira e a demanda crescente por produtos agrícolas têm pressionado os recursos naturais, aumentado a Pegada Ecológica do país. Hoje, a média de consumo da população brasileira já chega a 2,1 hectares por pessoa e a soma do consumo de todas as pessoas mostra que no Brasil já estamos consumindo mais de um planeta.

Esse modelo é insustentável e preocupante. “A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

As riquezas naturais são parte dos ativos necessários ao crescimento econômico que estamos presenciando, mas deve existir sempre um equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover. Para Hamú, esta é a principal mensagem do Relatório Planeta Vivo 2010.“O estudo é uma ferramenta importante para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o País e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma.

O Relatório traz indicadores que apontam o quanto está sendo consumido – a pegada ecológica e a pegada hidrológica – e o quanto o planeta pode prover em recursos naturais renováveis – a biocapacidade. “O desafio será manter esses fatores balanceados para que possamos garantir um desenvolvimento sustentável no Planeta”, diz o coordenador do Programa Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker.

Segundo ele, para que haja esse equilíbrio, além de políticas de proteção de áreas importantes para as espécies, é importante valorizar produtos sustentáveis e certificados e aperfeiçoar mecanismos de monitoramento que possibilitem a redução de impactos, como o cálculo da Pegada Ecológica pelas cidades.

Versão brasileira

A versão em português do Relatório Planeta Vivo 2010 está disponível no endereço www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?26162/Relatrio-Planeta-Vivo-2010.  Esta é a primeira vez que o relatório é traduzido integralmente para este idioma.

Fonte – WWF de 13 de outubro de 2010

RJ – Alerj faz ato pela Lei da Sacola

Em comemoração ao Dia Nacional do Consumo Consciente, o presidente da Comissão Especial pelo Cumprimento das Leis da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), deputado Carlos Minc (PT), realizará nesta sexta-feira (15), uma manifestação em parceria com a Secretaria de Estado do Ambiente para incentivar a diminuição do uso das sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais do Estado.

A iniciativa, que acontece ao meio-dia, no largo da Carioca, Centro do Rio, pretende sanar dúvidas a respeito da norma e distribuir sacolas de pano para a população.

Sancionada no dia 15 de julho de 2009, a lei determina uma série de adaptações para a utilização de sacolas plásticas. O Estado do Rio de Janeiro usa e descarta cerca de 400 milhões de sacolas plásticas por ano e a meta é diminuir esse número em 30%.

Fonte – R7 de 15 de outubro de 2010

Minc, parabéns por mais esta iniciativa que está livrando o estado do Rio de Janeiro das malditas sacolas plásticas.

Os impactos da mudança do clima na produção agrícola

O estudo Impactos da mudança do clima na produção agrícola partiu do atual zoneamento de riscos agrícolas do Brasil para prever o cenário que a agricultura brasileira viverá, em alguns anos, em decorrência do aquecimento global. O professor Hilton Silveira Pinto participou da pesquisa que revelou, por exemplo, que o nordeste vai sofrer tamanho impacto que passará a ser uma região árida, e não mais semiárida, causando intensa desertificação nesses estados. “O Ceará, por exemplo, perderá cerca de 80% da área agricultável, o que faz com que a própria alimentação e subsistência agrícola sejam um problema para o nordeste, causando migrações bastante grandes”, apontou.

Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Hilton trouxe alguns dados do estudo, comparou-o com o relatório Stern e apresentou cenários que o Brasil pode viver se nada fizer em relação às mudanças climáticas. “Gestores ou mesmo políticos ligados à agricultura brasileira, em sua maioria, não acreditam ou não estão tomando qualquer providência sobre isso. Alguns dirigentes de instituições e inclusive da própria meteorologia ainda têm dúvidas quanto ao problema. O que é muito ruim porque isso significa que não há um movimento de prevenção”, disse.

Hilton Silveira Pinto é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de São Paulo, onde também fez especialização em Engenharia Rural e mestrado em Geografia. É doutor em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e pós-doutor pela University Of Guelph (Canadá). Atualmente, coordena o projeto de pesquisa sobre Mudanças Climáticas e Agricultura do Brasil para a Foreign and Commonwealth Office, da Embaixada Britânica no Brasil. Também colabora na área de meteorologia e climatologia do Hospital Albert Einstein (SP) e é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e da Universidade de Campinas.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor pode nos explicar no que consiste e os objetivos do estudo “Impactos da mudança do clima na produção agrícola”?

Hilton Silveira Pinto – Esse estudo foi dividido em duas partes: uma tinha como objetivo ver se as principais culturas agrícolas do país iriam aumentar ou diminuir se nada for feito daqui pra frente. No segundo momento, o objetivo era fazer uma estimativa de quanto essas conseqüências vão custar em termos econômicos para o país.

IHU On-Line – E qual é a importância desse estudo para a agricultura brasileira?

Hilton Silveira Pinto – O trabalho teve uma significação muito grande para a agricultura brasileira desde seu início, quando ocorreu o estabelecimento do chamado zoneamento de riscos agrícolas do Brasil. O zoneamento de riscos climáticos brasileiro significa que nós temos uma integração com cada município do país sobre o que plantar, onde plantar e quando plantar. O que fizemos com isso? Transportamos o conhecimento sobre a geografia agrícola brasileira de hoje para fazer pensar num cenário futuro para 2020, 2030, 2050, de forma que possamos estimar quais seriam os prejuízos que algumas culturas teriam e quais seriam as vantagens de outras culturas, no futuro, em função do aquecimento global.

A única questão que temos pendente é a credibilidade. Isso é muito ruim porque, no Brasil, hoje, fala-se muito em financiamento de pesquisas que atuem sobre a questão do aquecimento global, mas age-se muito pouco. As empresas financiadoras de pesquisas no Brasil estão investindo muito pouco neste problema. E isso é ruim porque certamente nós teremos um problema futuro que dever[a custar para o Brasil algo ao redor de um trilhão de reais para que isso fosse reposto depois, daqui há 10 ou 20 anos. Um investimento prévio poderia eliminar este problema.

IHU On-Line – De que forma seu estudo mede o impacto do aquecimento global na economia brasileira?

Hilton Silveira Pinto – Hoje, no Brasil, temos conhecimento de quais culturas agrícolas se desenvolvem com núcleo econômico em cada município do país. As políticas públicas de cada cidade diz o que, onde e como plantar. Assim, no estudo, utilizamos esses dados para entender qual seria o zoneamento agrícola no futuro. Usamos 2010 como base para nossa pesquisa e, a partir dos cálculos que fizemos, vimos que só na área de grãos, o Brasil perderá, por ano, 7,5 bilhões de reais. Mas a cana passará por um superávit de 27 milhões de reais por ano.

IHU On-Line – E é no sentido econômico que o estudo se assemelha ao Relatório Stern?

Hilton Silveira Pinto – Sim. Quando nós recalculamos todos os valores que tínhamos aqui, no Brasil, chegamos ao seguinte resultado: provavelmente, em 40 anos, vamos perder um PIB inteiro. Isso significa que teremos algo próximo a 2,5% de queda na produção brasileira se nada for feito até lá. Esse é um número muito parecido com o do Relatório Stern. Ou seja, a indicação é que se a gente investir cerca de 2,5% do PIB agrícola brasileiro, conseguiremos manter pelo menos o plantel que temos de variedades de métodos para mitigação e assim por diante.

IHU On-Line – O senhor pode apresentar um quadro dos principais impactos das mudanças do clima na agricultura brasileira nas próximas décadas?

Hilton Silveira Pinto – Se nada for feito em relação aos grãos de modo geral, em 2020, já teremos um grande prejuízo, algo em torno de 95% dos grãos do Brasil. O calor gerado pelo aquecimento fará com que a produção agrícola de grãos diminua, ano a ano, radicalmente até 2020.

IHU On-Line – Que culturas podem ser extintas nesses dez anos e quais podem se manter?

Hilton Silveira Pinto – Extinta nenhuma delas. Algumas regiões podem perder algumas culturas. O café, por exemplo, pode dimuinuir muito em São Paulo e Minas Gerais e aumentar no Paraná e no Rio Grande do Sul. A cana pode aumentar algo em torno de 170% até 2020 e, depois, em função do aumento da temperatura e da diminuição da água disponível para agricultura, tende a diminuir bastante.

IHU On-Line – A conclusão do estudo de que, nas próximas quatro décadas, o Nordeste poderá deixar de ser uma área semiárida para se tornar uma área árida, caminhando para uma desertificação completa terá que impactos na agricultura?

Hilton Silveira Pinto – De um modo geral, o nordeste brasileiro não é muito significativo em termos de produção agrícola. A produção nessa região é muito voltada para a agricultura familiar, de uso interno. Até certo ponto, isso é muito problemático, porque como o calor vai aumentando, a falta d’água também será maior, e a região passará a ser uma área árida. O Ceará, por exemplo, perderá cerca de 80% da área agricultável, o que faz com que a própria alimentação e subsistência agrícola sejam um problema para o nordeste, causando migrações bastante grandes.

IHU On-Line – Um novo movimento de migração pode surgir?

Hilton Silveira Pinto – Exato. Primeiro, em busca de novos trabalhos na área da agricultura. Segundo, porque a alimentação de subsistência vai ficar muito difícil. Alguns estados do nordeste sofrerão um processo intenso de desertificação. Com isso, a população rural migrará ainda mais para outros estados em busca de serviços e de novas culturas.

IHU On-Line – O senhor avalia que o agronegócio brasileiro tem consciência do tamanho da problemática ou é cético sobre os prognósticos da crise climática?

Hilton Silveira Pinto – Gestores ou mesmo políticos ligados à agricultura brasileira, em sua maioria, não acreditam ou não estão tomando qualquer providência sobre isso. Alguns dirigentes de instituições e inclusive da própria meteorologia ainda têm dúvidas quanto ao problema. O que é muito ruim porque isso significa que não há um movimento de prevenção.

A produção de uma variedade demora dez anos. E se não fizermos nada hoje, por exemplo, em relação à produção de variedades, daqui a dez anos, nós não teremos nenhuma solução para o problema que certamente vai acontecer. Quem tem trabalhado conosco acredita no problema e tem tentado desenvolver alguns projetos em termos de manejo agrícola e em termos de assistência técnica, pensando no futuro.

IHU On-Line – No estudo, o senhor fala em perdas econômicas. De que forma as mudanças climáticas podem influenciar na economia brasileira nessas próximas décadas?

Hilton Silveira Pinto – Vamos imaginar uma cultura típica do Rio Grande do Sul, no caso a soja. O problema com a soja seria o seguinte: o RS deixaria de produzir soja quase que de imediato, e o prejuízo brasileiro de perda com a soja daqui a dez anos é estimado em quatro bilhões e meio de reais por ano. Veja que isso é uma queda de produção do segundo produto de exportação que nós temos. Se pensarmos o café, por exemplo: a diferença de área com potencial de produção desse produto no Brasil leva a um cálculo de perda de quase 900 milhões de reais por ano em função destas áreas de potencial.

IHU On-Line – O que precisa ser feito imediatamente para mitigar as consequências climáticas na agricultura brasileira?

Hilton Silveira Pinto – Tem dois aspectos que devem ser considerados seriamente. Nossos dirigentes têm que se conscientizar que o problema pode ser resolvido de forma tranquila. Primeiro: nós temos que desenvolver variedades que sejam tolerantes à seca e a altas temperaturas. Isso tem um preço. Cada variedade custa, para o Brasil, um milhão de reais por ano. O desenvolvimento de tecnologia e o melhoramento agrícola têm que ser reforçados no Brasil. Segundo: temos que fazer um remanejamento, um aumento de tecnologia agrícola para integrar pecuária e lavoura.

Fonte – Hilton Silveira Pinto, IHU Online / EcoDebate de 24 de junho de 2010

Abastecimento de água de bilhões está em risco, diz estudo

Cerca de 80% da população mundial vive em áreas onde o abastecimento de água potável não é assegurado, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature.

Os pesquisadores organizaram um índice com as “ameaças para a água” incluindo itens como escassez e poluição.

Cerca de 3,4 bilhões de pessoas enfrentam as piores ameaças, segundo o estudo. Os pesquisadores dizem que o hábito ocidental de conservar água para suas populações em reservatórios funciona para as pessoas, mas não para a natureza.

Eles recomendam que países em desenvolvimento não sigam o mesmo caminho, mas sim invistam em estratégias de gerenciamento hídrico que mescle infraestrutura com opções “naturais”, como bacias hidrográficas e pântanos.

Mapeamento

Os autores dizem que nas próximas décadas o panorama deve piorar, com o aumento populacional e as mudanças climáticas.

Eles combinaram dados de diferentes ameaças para a confecção do índice.

O resultado é um mapa que indica as ameaças ao fornecimento para a humanidade e para a biodiversidade.

“Olhamos para o fatos de forma fria, analisando o que acontece em relação ao abastecimento de água para as pessoas e o impacto no meio-ambiente da infraestrutura criada para garantir este fornecimento”, disse o responsável pelo estudo Charles Vorosmarty, do City College de Nova York.

“O que mapeamos foi um padrão de ameaças em todo o planeta, apesar dos trilhões de dólares gastos em engenharias paliativas”, completou, referindo-se a represas, canais e aquedutos usados para assegurar o abastecimento de cidades.

No mapa das ameaças ao abastecimento, boa parte da Europa e América do Norte aparecem em condições ruins.

Mas quando o impacto da infraestrura criada para distribuir e conservar a água é adicionado, as ameaças desaparecem destas regiões, com exceção da África, que parece estar rumando para a direção oposta.

“O problema é que sabemos que uma fatia enorme da população mundial não pode pagar por estes investimentos”, disse Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, que também participou da pesquisa.

“Na verdade, estes investimentos beneficiam menos de um bilhão de pessoas, o que significa que excluímos a grande maioria da população mundial”, disse ele.

“Mas mesmo em países ricos, esta não é a opção mais inteligente. Poderíamos continuar a construir mais represas ou explorar mais fundo o subterrâneo, mas mesmo se tivermos dinheiro para isso, não é uma saída eficiente em termos de custo”, disse ele.

Críticas

De acordo com esta e outras pesquisas, a forma como a água é tratada no ocidente teve um impacto significativo na natureza.

Atualmente, um conceito defendido por organizações de desenvolvimento é o gerenciamento integrado da água, no qual as necessidades de todos os usuários são levadas em consideração e as particularidades naturais são integradas às soluções criadas pelo homem.

Um exemplo citado é o abastecimento de água da cidade de Nova York, feito por fontes nas montanhas de Catskill. Estas águas historicamente não precisavam de filtragem até a década de 1990, quando a poluição agricultural mudou o cenário.

A solução adotada, um programa de conservação de terras, se provou mais barata do que a alternativa de construção de unidades de tratamento.

A atual análise pode vir a ser contestada por conter elementos relativamente subjetivos, como por exemplo a forma como as diferentes ameaças são pesadas e combinadas.

Mas os pesquisadores a consideram uma base para futuros estudos e calculam que ela possa ser melhorada quando surgirem dados mais precisos, especialmente de regiões como a África.

Eles calculam que os países desenvolvidos e os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), não conseguirão investir em infraestrutura os US$ 800 bilhões que o estudo julga necessários até 2015. O panorama para países em desenvolvimento é mais sombrio.

“Este é um raio-x do mundo há cinco ou dez anos, porque fizemos o estudo com bases nestes dados”, disse McIntyre.

Fonte – Richard Black, BBC Brasil de 29 de setembro de 2010

Imagem – Pan.101

Aldeias húngaras afetadas pela lama vermelha não são mais habitáveis

Diretor de Toxicologia do Hospital de Budapeste diz que será impossível viver nas localidades

Viver nas aldeias afetadas no oeste da Hungria pela avalanche tóxica de “lama vermelha” não é mais possível, afirmaram vários especialistas e organizações ambientais que advertiram sobre os efeitos nocivos da contaminação da terra e do ar.

“Deveríamos ter a coragem de dizer que é impossível viver nas duas localidades”, disse Gábor Zacher, médico diretor da Toxicologia do hospital de Budapeste.

As localidades de Kolontár e Devecser, a 160 quilômetros ao sudoeste de Budapeste, foram as mais afetadas pela lama tóxica que vazou de uma represa da fábrica de alumínio MAL, causando nove mortes e mais de 150 feridos.

Zacher explicou que a longo prazo é preciso considerar que os tóxicos “permanecerão na terra, nas plantas e animais”. Reportagem da Agência EFE.

Com relação às substâncias químicas que estão envenenando a terra e o ar da região, Zacher reconheceu que “não se pode dizer nada muito concreto sobre os efeitos de longo prazo, já que não existem casos similares”.

Em todo caso, advertiu que as partículas do alumínio, cuja concentração na lama é muito alta, podem chegar até o mais profundo dos pulmões, causando infecções.

O níquel pode causar outras doenças como asma, pneumonia e outros males crônicos, enquanto o ferro ataca os pulmões.

Diante desse perigo, as autoridades ordenaram há dois dias o uso obrigatório de máscaras e óculos protetores na região afetada, onde está sendo reconstruída a infraestrutura devastada e erguendo um muro de contenção por causa da possibilidade de uma segunda avalanche de lama tóxica.

A porta-voz de Defesa Civil, Gyorgyi Tottos, explicou que diante da agressividade das substâncias derramadas, os operários pediram hoje que suas máscaras sejam mudadas a cada duas horas.

Neste sentido, Gergely Simon, da organização meio ambiental Clean Air Action Group, explicou que o mercúrio inalado poderia causar graves problemas à saúde.

E como se isto não fosse o bastante, o bom tempo, sem chuvas, poderia fazer com que o pó tóxico se disperse em um raio de 10 a 15 quilômetros, alertou Simon.

O analista lamentou a não publicação, até agora, dos resultados das pesquisas oficiais das autoridades, para determinar quais são as tarefas mais necessárias e urgentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE) enviaram aos povoados afetados equipes de analistas que averiguarão os possíveis impactos a curto e longo prazo da catástrofe, além de ajudar as autoridades locais a elaborar um plano preventivo.

No hospital de Ajka morreu hoje a nona vítima da catástrofe, uma pessoa idosa, oriunda de Kolontár.

Em diferentes instituições de saúde do país há ainda meia centena de hospitalizados, principalmente com queimaduras e traumatismos causados pela violência da onda.

Árpád Tóth, médico diretor de um hospital de Veszprém, explicou que os doentes internados nesta instituição não estão em perigo de vida, embora quatro ou cinco terão de ser submetidos a procedimentos de cirurgia plástica.

O diretor de MAL, Zoltán Bakonyi, detido nesta semana sob a acusação de negligência, foi libertado nesta quarta, já que a promotoria não pôde argumentar de forma convincente as acusações.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na segunda-feira que o episódio foi consequência de um erro humano e que os responsáveis seriam “castigados severamente”.

Fonte -Estadão de 13 de outubro de 2010

Imagem – driverhead

Não pense que este acidente não tem nada a ver com você, afinal, se você consome cerveja ou refrigerante de latinha, cozinha em panela de alumínio e tantas outras aplicações para o alumínio, é corresponsável por este acidente e os outros que ocorrerão em todo o planeta pelo consumo desenfreado de produtos que são fabricados a partir de recursos naturais e que geram rejeito que estão aí, espalhados pelo planeta, apenas esperando um acidente para contaminar a humanidade irresponsável, que apenas consome o mundo, sem pensar de onde vem o produto que está consumindo e o que a geração deste produto impacta o planeta.

Acorde, o seu consumismo tem consequências, muitas vezes gravíssimas, consequências essas que não afetam somente a população atual, mas que afatarão ainda não nem nasceu, por muitas e muitas gerações.

Seja um consumidor responsável, pratique os 5Rs.

Aquecimento global poderá redesenhar o mapa agrícola do Brasil com perdas de R$ 7,4 bilhões até 2020

No Brasil, um estudo de pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Campinas (Unicamp) prevê que o aumento da temperatura no país vai diminuir a área favorável aos cultivos de soja, café, milho, arroz, feijão e algodão, podendo levar a um prejuízo de R$ 7,4 bilhões já em 2020, e até R$ 14 bilhões, em 2070. As exceções são a cana-de-açúcar, que terá espaço para se expandir e até dobrar a produção, e a mandioca, que, apesar de perder espaço de cultivo no Nordeste, poderá ser plantada em outras regiões do país.

“Os resultados sugerem que a geografia da produção agrícola brasileira vai mudar nos próximos anos e, para evitar danos maiores ao desenvolvimento do país, é preciso começar a agir desde já”, afirma Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa de Campinas. Se nada for feito, áreas cultivadas com milho, arroz, feijão, algodão e girassol também sofrerão forte redução na Região Nordeste, com perda significativa da produção. Toda a área correspondente ao Agreste nordestino, hoje responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a região dos cerrados nordestinos – Sul do Maranhão, Sul do Piauí e Oeste da Bahia – serão as mais atingidas.

O café encontraria piores condições no Sudeste. “Com relação a Minas, poderia haver uma redução da área plantada. Com maior efeito no Norte do estado. O Sul, porém, apresenta os menores riscos de impacto. Certamente continuará como uma importante área produtora. No ano passado, o estado fez um Inventário de Gases de Efeito Estufa, passando a ter mais informações e autonomia para buscar soluções de mitigação”, diz.

Chuvas

Por outro lado, a Região Sul, que hoje é mais restrita para culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deve apresentar uma redução desse evento extremo. Ela se tornará, assim, propícia ao plantio de mandioca, de café e de cana-de-açúcar, mas não mais de soja, uma vez que a região pode ficar mais sujeita a estresse hídrico.

A cultura da soja, aliás, deve ser a mais afetada pela mudança do clima. O trabalho prevê uma diminuição de até 41% na área de baixo risco ao plantio do grão em todo o país em 2070. O equivalente à metade das perdas projetadas para a agricultura brasileira, daqui a seis décadas, como resultado do aquecimento global.

Para Clyde Fraisse, professor da Universidade da Flórida, é possível se antecipar às mudanças e encontrar soluções de mitigação e adaptação. “Há muita especulação pela incerteza das projeções. Tenho uma preocupação com uma possível maior incidência de eventos extremos, como cheias e secas. Com o aumento do nível da água do mar, que, entre outras, poderia gerar uma intrusão de água salgada nos aquíferos que abastecem as cidades. E com o aumento de pragas e doenças nas culturas”, diz.

Uma alteração na matriz energética, buscando fontes mais limpas e economicas, é uma importante ação para evitar a poluição. Além de pesquisas genéticas visando a desenvolver novas plantas, mais resistentes. “Criar mecanismos de adaptação para variabilidade climática nos permite estar preparados para as mudanças. Temos condições de prever, com bastante confiança, algumas dessas vulnerabilidades. Como o El Niño”, exemplifica.

Eduardo aponta também a necessidade de uma vontade política de combate às queimadas e ao desmatamento. “Outra medida com forte impacto positivo seria a integração da lavoura com a pecuária. Num balanço geral isso retira carbono da atmosfera. E com maior produção de grãos, carne e fibra. O Brasil tem espaço, clima e tecnologia para se adaptar. Mas seria preciso um trabalho enorme de conscientização e capacitação dos produtores Brasileiros. Uma produção assim demanda bom entendimento de técnicas que não são triviais”, garante.

Fonte – EcoDebate de 04 de novembro de 2009

Mudanças demográficas afetarão o clima, dizem especialistas

O mundo provavelmente estará bem mais lotado até 2100, e as mudanças demográficas dessa população – quantos indivíduos a mais, com que idade e vivendo onde – irão afetar as emissões de gases do efeito estufa, disseram pesquisadores na segunda-feira.

Desacelerar o crescimento populacional é algo que poderia ter um profundo efeito nas emissões de poluentes pelo uso de combustíveis fósseis, o que é um fator importante para o aquecimento global, mas só isso não evitará os impactos mais graves da mudança climática, segundo o estudo.

Há muito tempo os cientistas correlacionam o crescimento populacional às emissões de gases do efeito estufa, mas até agora eles não haviam estudado os efeitos das mudanças demográficas que devem acompanhar o aumento populacional.

A tendência para este século é que a população envelheça e se urbanize, e que se concentre em grupos menores – em vez das grandes famílias -, conforme o estudo de pesquisadores de EUA, Alemanha e Áustria, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Os pesquisadores consideraram três cenários: numa continuação da atual tendência, o mundo ganharia 2 bilhões de habitantes até 2050; com um crescimento mais lento, a população mundial aumentaria em 1 bilhão de pessoas; se o ritmo se acelerar, podem ser 3 bilhões de indivíduos adicionais, ou seja, a população mundial saltaria de 6 para 9 bilhões.

Um crescimento mais lento poderia reduzir as emissões em 16 a 29 por cento do total necessário para evitar que a temperatura global tenha um aumento catastrófico, segundo os cientistas. O envelhecimento populacional – com a consequente redução da mão de obra – poderia reduzir as emissões em até 20 por cento em alguns países industrializados.

Grosso modo, mais gente significa mais uso de combustíveis fósseis, e mais emissões de gases do efeito estufa. Mas quem vive em áreas rurais nos países industrializados usa mais biomassa como combustível, em vez de combustíveis fósseis (como carvão e petróleo), segundo Brian O’Neill, do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica dos EUA, um dos autores do estudo.

Por isso, a urbanização da população deve elevar também o uso de combustíveis fósseis, especialmente nos países em desenvolvimento. Mesmo que a população urbana reduza sua “pegada” de carbono – vivendo em espaços menores, usando mais o transporte público e menos combustível fóssil por pessoa -, o êxodo rural deve causar uma elevação nas emissões de gases do efeito estufa.

Outro efeito da urbanização é que os trabalhadores das cidades tendem a contribuir mais com o crescimento econômico do que os rurais.

“Isso não é porque eles trabalhem com mais empenho ou mais horas”, disse O’Neill por telefone. “É porque eles estão em setores econômicos que geram mais crescimento econômico.”

Como resultado, a economia de um país inteiro cresce com a urbanização, e a demanda por energia também cresce, puxando consigo as emissões em até 25 por cento no caso de alguns países em desenvolvimento.

Segundo O’Neill, a urbanização deve causar uma maior demanda energética especialmente na Ásia.

“Acho possível … que estejamos subestimando as potenciais taxas de crescimento na demanda energética em regiões do mundo que podem se urbanizar muito rapidamente nos próximos 20 a 30 anos.”

Fonte – Estadão de 11 de outubro de 2010



Planeta perdeu 30% de recursos naturais

Em 40 anos, países tropicais extinguiram cerca de 60% de sua biodiversidade

Em menos de 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Nos países tropicais, contudo, a queda foi muito maior: atingiu 60% da fauna e flora original. Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2010, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF.

O relatório, cujas conclusões são consideradas alarmantes pelos ambientalistas, é produzido em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e Global Footprint Network (GFN).

“Os países pobres, frequentemente tropicais, estão perdendo biodiversidade a uma velocidade muito alta”, afirmou Jim Leape, diretor-geral da WWF Global. “Enquanto isso, o mundo desenvolvido vive em um falso paraíso, movido a consumo excessivo e altas emissões de carbono.”

A biodiversidade é medida pelo Índice Planeta Vivo (IPV), que estuda a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2,5 mil espécies desde 1970.

Até 2005, o IPV das áreas temperadas havia subido 6% – melhora atribuída à maior conservação da natureza, menor emissão de poluentes e melhor controle dos resíduos. Nas áreas tropicais, porém, o IPV caiu 60%. A maior queda foi nas populações de água doce: 70% das espécies desapareceram.

Consumo desenfreado. A demanda por recursos naturais também aumentou. Nas últimas cinco décadas, as emissões de carbono cresceram 11 vezes.

O relatório afirma que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 33 países em geral desenvolvidos, são responsáveis por 40% da pegada de carbono global, e emitem cinco vezes mais carbono do que os países mais pobres.

Comparados a ela, os BRICs (grupo formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China) têm o dobro da população e uma menor emissão de carbono per capita. O problema, alerta o relatório, é se os BRICs seguirem no futuro o mesmo padrão de desenvolvimento e consumo da OCDE.

Índia e China, por exemplo, consomem duas vezes mais recursos naturais do que a natureza de seu território pode repor. Atualmente, os países utilizam, em média, 50% mais recursos naturais que o planeta pode suportar. Se os hábitos de consumo não mudarem, alerta o relatório, em 2030 se estará consumindo o equivalente a dois planetas.

Em resposta ao levantamento de 2008, a WWF elaborou um modelo de soluções climáticas, em que aponta seis ações concretas para reduzir as emissões de carbono e evitar maiores perdas de biodiversidade.

Entre elas, a organização aponta a necessidade de investir em eficiência energética, novas tecnologias para gerar energia com baixa emissão de carbono, adotar a política de redução da pegada de carbono e impedir a degradação florestal.

Para lembrar

De 18 a 29 deste mês acontece em Nagoya, no Japão, a 10ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. Criada em 1992, no Rio de Janeiro, a convenção tinha como principal meta reduzir significativamente a perda de biodiversidade até 2010. As Nações Unidas até definiram 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, mas os resultados ainda deixam muito a desejar. Apesar da meta estabelecida, o relatório mais recente da ONU mostra que o planeta perdeu um terço do estoque de seres vivos existente em 1970. O documento aponta como ameaçadas de extinção 42% das espécies de anfíbios do mundo e 40% das de aves – e estima em US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões o prejuízo mundial anual com desmatamento. Além da preservação da diversidade biológica mundial, outro tema deve ter destaque nas negociações: a repartição dos recursos oriundos da biodiversidade.

Fonte – Estadão de 13 de outubro de 2010

Projeto canto das ervas, domingo, 10 de outubro de 2010

Finalmente a chuva chegou, depois de três meses de seca intensa e de dois meses sem cair um pingo de chuva nesta Maringá. Não aguentávamos mais ficar só aguando as árvores e ervas aos domingos e às vezes até durante a semana. Nós gostamos é de plantar, botar a mão na terra, criar calo de enxada, mas tentássemos plantar durante a seca, nada iria sobreviver, então a solução foi ficar aguando tudo desde julho, um tormento para quem tem o objetivo de fazer ao menos 4 canteiros de ervas por mês e plantar 100 árvores por semana.

Ainda não plantamos árvores neste domingo, mas plantamos as ervas que o Cido estava cuidando desde julho e reagrupamos alguns canteiros. Nesses meses o povo folgado roubou mais da metade dos canteiros e os que estavam duplicados, isto é, dois canteiros de cada erva, juntamos em um só.

Retirando as ferramentas da carreta.

Lembrando que os canteiros tem 2 m x 4 m e plantamos em média 50 mudas de ervas aromáticas e medicinais em cada canteiro.

O canteiro de pimenta, de 50 mudas, restaram duas, então resolvemos plantar boldo no lugar e não repor as mudas das pimentas, porque o povo rouba demais. O que não entendemos é que a pimenta dá muitos frutos, então porque a pessoa não leva a somente o fruto da pimenta e deixa a planta? Tem mesmo que levar o pé de pimenta inteiro? Vá ser folgado assim lá na …

preparando a muda para transplantar em outro canteiro. Por causa dos roubos, dois canteiros de alecrim vivaram um e ainda teremos que comprar mais mudas para completar 50 alecrins.

Canteiro pronto para o plantio.

Hoje foram preparados 3 canteiros para plantio na próxima semana. Os rapazes com a trena para medir os canteiros. Depois vem retirada da grama, escavação com picareta e afofar a terra com enxadão.

Início de um canteiro, retirando a grama depois de ter sido medido o canteiro.

Dividimos os estagiários em grupos, uns medindo canteiros, outros preparando, outros juntando mudas de vários canteiros em um e ainda outros plantando as novas mudas.

Afofando a terra depois de usar a picareta e enxadão, para soltar os pedaços grandes de terra antes do plantio.

Plantando o boldo.

Transferindo o alecrim de canteiro

Dividindo as touceiras de alecrim para fazer mais mudas. Depois que as mudas estão grandes, dividimos as mudas para aumentar os canteiros.

Rindo do que? Do povo suando para cavar o canteiro.

Destruindo o canteiro das duas últimas pimentas que sobraram de um total de 50, para plantar boldo.

O Cido decidiu adotar uma tática diferente no canteiro de cebolinha e salsinha. Como este é o canteiro que mais é assaltado, até parece que o pessoal não compra mais no mercado e vem no almoço e jantar colher essas ervais que são as mais usadas na cozinha brasileira, ele agora resolveu semear a salsinha, porque até ela crescer, quem sabe os ladrõezinhos se esquecem deste canteiro e voltam a comprar no mercado.

O canteiro de boldo terminado. Iremos adquirir mais 25 mudas para completar as 50 mudas e fechar o canteiro, isto é, até que algum ladrãozinho venha roubar as mudas. É duro melhorar o planeta com os humanos sem noção que habitam esta bolinha azul.

O canteiro de alecrim, que eram dois canteiros com 50 mudas cada, mas após diversos saques, juntamos as mudas, dividimos algumas para gerar mudas, mas mesmo assim teremos que adquirir mais algumas para completar 50 mudas.

Canteiro de  alfazema e lavanda. Conte as mudas para ver como foram roubadas um monte delas. Há um mês atrás o canteiro estava cheio de mudas, agora está cheio de vazios. Lá vamos nós atrás de comprar mudas e olhe que muda dessas duas ervas é muito difícil de se encontrar. Pense bem, se fosse com você, você já não teria desanimado? Você não desistiria de deixar o mundo mais bonito com tantos obstáculos? Muita gente pergunta o que nos motiva e realmente não temos resposta para isso. Deve ser porque somos muito teimosos, muitíssimo teimosos, porque não tem outra explicação. Dá uma tristeza todo domingo chegar e ver os canteiros com menos e menos plantas e saber que os próprios vizinhos cometem o roubo, deixando o lugar onde moram mais feio. Isso chega a ser ridículo, as pessoas não perceberem que estamos melhorando o lugar onde elas moram e pensar somente no próprio umbigo e no seu quintal. Isso nos faz pensar se a humanidade tem salvação.

O canteiro de sálvia terminado. Também teremos que completar 50 mudas.

O canteiro de manjericão está ficando velho, teremos que replantar algumas mudas. Se ninguém tivesse roubado muitas mudas, o canteiro estaria mais fechado, mas …

Canteiro de manjericão verde gigante e manjericão roxo de folha larga, com menos da metade das mudas, totalmente destruído pelos roubos. Ficamos pensando sempre, será que se enquanto plantamos ficarmos vendendo mudas os ladrões comprariam? Claro que não, eles querem de graça, não percebendo que nos custou comprar cada uma das mudas. Sabemos disso porque sempre tem uma folgada que pede mudas. – Nooossa, quantas mudas, me dá umas, não vai fazer falta. Ou então, – posso pegar as que sobrarem depois do plantio? Ai que vontade de mandar para a PQP! Ninguém nunca apareceu e disse. Olhe, moro aqui em frente e gostaria de saber se vocês precisam de algumas mudas para o plantio. Ou, quanto custa um canteiro, gostaria de contribuir com as mudas de um canteiro. É só dá, dá, dá …

Canteiros preparados para plantio na próxima semana.

Enquanto uns descansam, outros cavam, revezando para ninguém se cansar demais.

O pessoal subindo o morro para pegar água na ATI – academia da terceira idade – para aguar as plantas.

Como temos previsão de chuva pesada a partir da próxima quinta feira, aguamos pouco e também porque choveu bem na semana passada e a terra não está tão seca como nos últimos meses.