Consultoria e projetos em meio ambiente para liberação de laudos

A SUPORTE AMBIENTAL informa os empresários que está habilitada para os seguintes projetos exigidos pelos órgãos públicos:

PREFEITURAS MUNICIPAIS
Meio Ambiente
– Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (construtoras / obras)
– Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
– Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos
– Licenciamento Ambiental
Viabilidade
– Relatório de Impacto de Vizinhança
– Acessibilidade
Saúde:
– Plano de Gerenciamento de Resíduos da Saúde

INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ
– Licenciamento Ambiental: acompanhamento total do processo
– Plano de Controle Ambiental
– Estudo de Impacto Ambiental
– Plano de Gerenciamento de Resíduos
– Auditoria Ambiental
– Reflorestamento

IBAMA
– Cadastro Técnico Federal

LICITAÇÕES, COPEL E BANCOS
– Plano de Gerenciamento de Resíduos
– Licenciamento Ambiental (acompanhamento integral do processo)
– Dispensa de licença ambiental (acompanhamento integral do processo)

Atuamos também na área preventiva.

Trabalhamos com assessoria mensal para grandes empresas, associações e sindicatos. Informe o ramo de sua atividade para consultar os projetos necessários para sua empresa. Adiante-se e evite o passivo ambiental!

SUPORTE AMBIENTAL ASSESSORIA E PLANEJAMENTO
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Sacola furada – o estudo da braskem, basf, eco e akatu

Estudo encomendado por empresa química ignora tempo de decomposição do plástico e supõe que o destino das sacolas descartáveis seja apenas o aterro sanitário ou a reciclagem

É difícil falar sobre sacolas plásticas sem esbarrar em interesses, seja das indústrias petroquímicas ligadas à fabricação da matéria-prima, seja de quem as condenam. No meio desse debate ficam os consumidores, que precisam decidir se colocam as compras na sacolinha descartável – que depois pode acomodar o lixo – ou se levam a sacolona de pano ou plástico mais durável, que podem ser reutilizadas centenas de vezes, minimizando a produção de lixo no planeta.

Para abordar o assunto, o Instituto Akatu lançou o estudo Ecoeficiência das sacolas de supermercado, encomendado pela Braskem – produtora de resina termoplástica, matéria prima para as sacolas – e desenvolvido pela Fundação Espaço Eco que, por sua vez, é uma entidade vinculada à empresa química Basf.

No estudo, que analisou oito tipos de sacola, concluiu-se que as de plástico são mais “ecoeficientes” que as demais alternativas em diversas situações.

Nas palavras da diretora-presidente da Fundação Espaço ECO, Sonia Chapman: “Por um lado, sacolas descartáveis de plástico apresentaram melhor ecoeficiência nas situações que os consumidores têm maior volume de compras, maior frequência de ida ao supermercado e uma frequência de descarte de lixo maior, que garanta o reuso das sacolas plásticas para o descarte desse lixo. Por outro lado, sacolas retornáveis de tecido ou de plástico apresentaram melhor ecoeficiência nas situações em que os consumidores têm menor volume de compras, menor frequência de ida ao supermercado e uma frequência de descarte de lixo menor, com baixa compra de sacos para condicionar o lixo”.

Sacolas retornáveis foram, são e sempre serão a melhor opção para acondicionamento das compras, não acredite nas besteiras que este estudo está tentando enfiar goela abaixo do consumidor.

Lacunas

Esse panorama, no entanto, merece ressalvas. O estudo não incluiu entre os fatores de impacto ambiental o tempo de decomposição de cada um dos materiais, principal preocupação daqueles que se opõem às sacolas plásticas. Os pesquisadores levaram em conta o que acontece com os produtos – da produção ao descarte – apenas no período de um ano.

“Não consideramos todo o ciclo porque ninguém sabe exatamente quanto tempo a sacola de plástico demora pra se decompor. E só trabalhamos com dados oficiais”, diz Emiliano Graziano, gerente de ecoeficiência da Fundação Espaço Eco.

Esta foi boa. Sacolas plásticas de uso único quando fabricadas com plástico convencional demoram ao menos 500 anos para sumir da face da terra. Sim, um segundo para serem produzidas, trinta minutos de uso e cinco séculos poluindo o planeta e matando aves, peixes e animais.

Embora o tempo de decomposição do plástico seja objeto de controvérsia, não existe nenhuma estimativa que não se componha em séculos.

O estudo também considera que o destino das sacolas plásticas, após o descarte, é o aterro sanitário ou a reciclagem. A realidade do país, no entanto, mostra que apenas 32% dos municípios têm aterros sanitários para enviar o lixo de forma segura ao meio ambiente e à saúde pública. Pelo menos 30% do que é descartado pelas cidades vai parar em lixões a céu aberto e sem tratamento, segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE).

Somente 14% dos municípios tem aterro sanitário – o 64% tem lixão e o resto das cidades conta com aterro controlado -, apenas 6% das cidades tem reciclagem organizada pela prefeitura, menos de 1% do lixo do país vai para a reciclagem – 0,8% – e poderíamos continuar com os dados por muito tempo, mas já deu para você ter uma idéia de que sacolas jamais são recicladas, até porque é necessário coletar 800 delas para poder vender por uns poucos centavos. É óbvio que o catador de recicláveis NÃO vai coletar algo que dê mais trabalho e renda menos dinheiro. Lógica pura. 

Analisados só os processos produtivos, as sacolas de pano e ráfia (um tipo de plástico mais resistente) causariam mais impactos ao meio ambiente, porque consomem mais recursos naturais, energia para produção e água. Uma sacola de tecido, por exemplo, passa pelo cultivo do algodão, uso de agrotóxicos, colheita, transporte, fabricação de fibra até virar pano. Segundo Ana Domingues, da FUNVERDE, uma ONG que milita contra o uso de sacolas descartáveis, o ciclo do plástico é de fato mais curto e com menos emissões do que o do algodão. “Se consideramos apenas a primeira parte do ciclo de vida de uma sacola de pano, ela tem maior impacto ambiental, mas como dura de cinco a dez anos, esse impacto é minimizado e vale a pena produzi-la”, diz.

Quanto à reciclagem, ainda segundo Graziano, o estudo se baseou em dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), que afirmam ser de 10% o índice de reciclagem de sacolas plásticas no País. Para a FUNVERDE, no entanto, essa marca não chega a 1%. Por serem muito leves, não compensa recolher sacos para reciclá-los. Para obter um quilo, é preciso juntar 800 unidades. A produção do plástico virgem é de baixo custo, o que desestimula o processo industrial para reciclar.

Agora o graziano abusou da nossa inteligência, ao querer nos convencer de que 10% das sacolas são recicladas. É um absurdo, será que ele não fica vermelho ao contar esta lorota? 

Para que o caminho da sacola retornável tenha valido a pena para a natureza, o estudo da Akatu afirma que é preciso que ela seja reutilizada diversas vezes. A de ráfia, por exemplo, é feita de um plástico durável, mas deve ser levada ao supermercado pelo menos 60 vezes. Ana Domingues afirma que, ao eliminarmos o consumo e o descarte de sacolas descartáveis, diminuímos 10% do lixo do planeta. “Para jogar o lixo doméstico fora, temos alternativas como usar os saquinhos que transportam frutas e legumes ou usar caixas de papelão. E a sacola retornável é uma alternativa boa em qualquer circunstância”, diz.

Questionado se, por ter sido encomendado por uma empresa ligada ao setor, a credibilidade do estudo não estaria em risco, Emiliano diz que o maior objetivo da pesquisa é educar. “Trabalhamos com a Braskem baseados em critérios de seriedade e por ela ser uma empresa idônea. Não sei o que eles vão fazer com os resultados, mas o estudo serve para promover a reflexão dos impactos que todos os tipos de sacolas têm”, afirma.

Nos recusamos a comentar o último parágrafo. Pense no que o graziano disse e tente não rir.

Fonte – Revista Página 22 de 10 de agosto de 2011

Imagem – milliped

Piada do mês: braskem e basf afirmam que sacola plástica pode ser ecoeficiente

Antes de ler a notícia abaixo, veja quem é quem neste estudo, para deixar bem claro que o patrocinador do mesmo é quem produz o plástico e por isso,  o estudo é totalmente parcial. Eles querem que a população consuma uma quantidade maior de plásticos para poderem auferir maiores lucros e por isso tem todo o interesse em dizer que o plástico é fantástico, em convencer você de que o plástico é a oitava maravilha do mundo e esconder a poluição causada por este produto no pós consumo, consumo este que corresponde a 20% de todo o lixo gerado diariamente em qualquer cidade e as sacolas em particular representam metade de todo o plástico também descartado diariamente, isto é, sacolas plásticas correspondem a 10% de todo o lixo produzido diariamente no país.

A plastivida foi criada pela braskem em 1994 para defender seus intereses e desde que iniciamos em 2005 o projeto para banir as sacolas plásticas de uso único eles tem se mostrado fiéis aos seus criadores, a braskem, ao inventar maneiras criativas de mentir o para a população e esconder os malefícios causados pelo plástico.

A fundação espaço eco foi criada em 2005 pela basf, a que produz plástico de comida – a sacola de amido que usa terra fértil e água limpa para plantar alimentos que contem amido como batata, mandioca, milho, arroz, trigo ou qualquer outro alimento que contenha amido e depois rouba este alimento do prato da humanidade para fabricar uma sacola que será usada por meia hora e depois descartada muitas vezes no meio ambiente, em local incorreto -.

A sacola de amido ainda tem mais alguns agravantes, um deles sendo que a sacola de amido tem em sua composição mais de 50% de petróleo, portanto é um engodo, mentem ao dizer que é uma sacola feita de recursos naturais renováveis – se menos da metade dela é feita de comida, então que desistam desta idéia e continuem a usar petróleo, é uma mentira e menos terão que nos contar.

A sacola de amido não pode ser reciclada junto com o plástico convencional e só se degrada nos prometidos 180 dias se for colocada em um ambiente biologicamente ativo, isto é, dentro de uma composteira e, infelizmente, dá para contar nos dedos de uma mão as cidades que praticam compostagem no Brasil.

O instituto akatu, apoiador do projeto tem em sua página a braskem como seu apoiador estratégico, isto é, recebe dinheiro da braskem, portanto cai por terra a isenção do akatu e a baskem é a que fabrica plástico convencional e agora também o plástico de cana, que usa terra fértil e água potável para fabricar o plástico de cana que, a propósito, demora os mesmos 500 anos para se degradar. Sim, os mesmos 500 anos de poluição que causa o plástico convencional.

Agora, a matéria.

A Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, a Fundação Espaço ECO e o Instituto Akatu apresentam hoje (02/08), um estudo comparativo sobre o uso de diferentes tipos de sacolas para transporte de compras de supermercado, bem como os impactos econômicos e ambientais de cada alternativa. A análise foi desenvolvida pela Fundação Espaço ECO, entidade que busca o desenvolvimento sustentável por meio do compartilhamento de conhecimento e tecnologias aplicadas em ecoeficiência, educação socioambiental e restauração ambiental. A divulgação do estudo tem o apoio do Instituto Akatu, referência na busca da conscientização a favor do consumo consciente.

Para que a discussão sobre a melhor alternativa de uso de sacolas passasse a ser baseada em estudos científicos, foi analisado o ciclo de vida de algumas opções de sacolas disponíveis no mercado brasileiro, entre elas algumas descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e algumas retornáveis [papel, ráfia, tecido e TNT (tecido não tecido)]. Aha, finalmente estão admitindo que as sacolas são realmente oxibiodegradáveis, estão utilizando a terminologia correta.

O estudo é inédito no Brasil e leva em consideração algumas das condições atuais no país quanto à tecnologia, métodos de produção e impactos ambientais decorrentes, quando se considera alguns cenários de uso da sacola e de descarte de lixo pelos consumidores. As alternativas de sacolas englobadas no estudo foram avaliadas para um período de um ano, considerando variados cenários envolvendo maior ou menor volume de compras, maior ou menor frequência de idas ao supermercado, maior ou menor frequência de descarte do lixo, tipo de matéria-prima utilizada na produção das sacolas, capacidade de carga, custo de cada sacola, número de vezes em que é utilizada, reutilização ou não da sacola como saco de lixo e envio ou não da sacola para reciclagem. Incrível, avaliadas para o período de um ano. Isso só pode ser piada, pois as sacolas retornáveis podem ser utilizadas por pelo menos uma década, dependendo do material de fabricação, como o algodão. Mesmo as sacolas retornáveis de plástico – PP – podem ser utilizadas por pelo menos meia década. Enquanto isso, o problema causado pelas sacolas plásticas de uso único dura pelo menos 500 anos. Sim, são cinco séculos em que estas sacolas ficam poluindo o planeta, ocupando espaço, provocando enchentes, matando animais, peixes e aves, provocando impermeabilização nas camadas dos lixões e aterros, enfim, sacola plástica de uso único é uma desgraça ambiental que deve simplesmente ser banida para todo o sempre. Mas como dissemos acima, o estudo foi encomendado por agentes interessados em sua continuidade, portanto, para nós, não tem valor científico.

A análise do ciclo de vida (ACV) foi ampliada para considerar o que é chamado de “ecoeficiência”, que avalia cada alternativa quanto ao seu impacto ambiental e seu custo – englobando desde a extração da matéria-prima até o descarte da sacola, passando pela sua produção e uso. Desta forma, toda a cadeia produtiva é considerada e analisada em relação ao impacto ambiental e o custo em cada uma de suas etapas.

“Com esse estudo, buscamos incentivar uma discussão informada sobre o tema e ao mesmo tempo motivar uma visão abrangente e científica sobre os diversos impactos ambientais associados aos hábitos de transporte de compras de supermercados. Precisamos informar o consumidor para que ele se sinta mais seguro na hora de decidir que sacola utilizar”, diz Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem. “Quem ganha com essa análise e com a decisão correta do consumidor é a natureza e, por decorrência, a sociedade”, afirma. Aham, faz de conta que acreditamos em fadas, elfos, gnomos … tá bom, acreditamos nos poneis malditos e nos smurfs, principalmente se for em 3D.

O estudo mostra que a melhor opção de sacola depende do cenário em que ela é utilizada, podendo variar segundo o volume de compras, o número de idas ao supermercado e a frequência de descarte do lixo. “Foram feitas análises para diversos cenários e identificadas duas tendências. Por um lado, sacolas descartáveis de plástico apresentaram melhor ecoeficiência nas situações que os consumidores têm menor volume de compras, maior frequência de ida ao supermercado e uma frequência de descarte de lixo maior, que garanta o reuso das sacolas plásticas para o descarte desse lixo. Por outro lado, sacolas retornáveis de tecido ou de plástico apresentaram melhor ecoeficiência nas situações em que os consumidores têm maior volume de compras, menor frequência de ida ao supermercado e uma frequência de descarte de lixo menor, com baixa compra de sacos para condicionar o lixo”, afirma Sonia Chapman, diretora-presidente da Fundação Espaço ECO. Então, vamos traduzir assim. A indústria do plástico deve ter pensado: bem, quem vai muito ao supermercado usa muitas sacolas portanto é nosso consumidor e portanto devemos dizer para usarem nossas sacolas. Quem não vai quase nunca ao supermercado usa poucas sacolas portanto nos dá pouco lucro e então vamos fazer papel de bonzinhos e dizer que esses ecochatos podem usar sacolas retornáveis, afinal, eles não afetam nosso lucro. Brincadeira sem graça. Quando ao lixo, se você separar o material para a reciclagem, você já economizará 75% dos sacolas de lixo – o lixo reciclável representa em média 75% do volume do lixo gerado diariamente e 40% do peso – e só usará um saco de lixo por semana para colocar esse lixo que deve ser encaminhado para reciclagem e o saco pode ser reutilizado, principalmente se for de ráfia. Quanto ao lixo de orgânico – restos de alimentos – e o lixo de banheiro – papel higiênico – você pode usar as sacolas de flv – frutas, legumes e verduras -, aquelas que você acondiciona alho, cebola, batata … e normalmente não são reutilizadas para nada mas são muito mais resistentes que as sacolas de uso único e tem o tamanho ideal para o lixo de cozinha e banheiro. Assim, se você estiver preocupado com o preço do saco do lixo, ai está a solução e acabou seu problema.

“O consumo com consciência dos seus impactos ambientais e sociais guia as decisões e os comportamentos do consumidor consciente, que busca sempre aumentar os impactos positivos e reduzir os negativos. Esse estudo serve como parâmetro para que cada consumidor tome suas decisões com informações embasadas cientificamente, levando sua consciência à prática na hora de definir que sacola usar para suas compras de supermercado, escolhendo a melhor alternativa frente aos cenários do estudo que melhor se encaixa à realidade do consumidor”, diz Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. Sonia Chapman complementa: “é importante que o estudo seja utilizado para que cada agente possa contribuir para reduzir os impactos e isso pode mudar as conclusões no tempo. A melhoria contínua dos impactos socioambientais deve ser o foco e depende tanto dos produtores, nas diversas etapas de produção, como das decisões dos consumidores”. 

Fonte – Gazeta Web de 02 de agosto de 2011

A sacola retornável é uma tendência mundial e é certo que, daqui a algum tempo, todos estarão utilizando algum tipo desta sacola.

A indústria plástica está fazendo o papel dela, está tentando mostrar que precisa sobreviver. Está na hora destas indústrias se adaptarem a um novo mundo e a um novo consumidor, um consumidor que exige qualidade e responsabilidade ambiental. Produtos ecologicamente incorretos ou com uma pegada ambiental grande, está com seus dias contados nas prateleiras do supermercado ou no varejo em geral.

Mas, para acabar logo com esta conversa, leve sempre sua sacola retornável, para não cair na armadilha da compra por impulso, não importa com que material seja fabricada, separe seu lixo para a reciclagem e não acredite nesses estudos encomendados por quem não está preocupado com o planeta, mas sim simplesmente com o lucro e inventa estudos para enganar a população.

Sacolas plásticas podem ser vantajosas?

Um estudo elaborado pela Fundação Espaço Eco recentemente, conclui que sacolas descartáveis podem ser ecologicamente vantajosas em determinadas situações. A análise foi feita com oito diferentes tipos de sacolas. Das plásticas tradicionais às fabricadas com o chamado plástico verde – produzido com cana-de-açúcar – e as oxi-biodegradáveis, todas descartáveis, até as de pano e de plástico duráveis, as de TNT (tecido não tecido) e de papel.

Uma das conclusões do estudo é a de que as sacolas descartáveis são mais ecoeficientes em relação às duráveis quando usadas por consumidores que vão ao supermercado apenas uma ou duas vezes por semana.

Diz o estudo que para quem faz compras mais de três vezes por semana as duráveis são a melhor opção, a não ser que esses consumidores utilizem as descartáveis para colocar o lixo na rua também três vezes por semana.

Diga-se de passagem que o conceito de ecoeficiência – palavra ainda ausente dos dicionários, mas criada para classificar produtos com maior valor agregado de utilidade e menor impacto socioambiental – é relativo e questionável. Depende do resultado que se quer alcançar. Na minha modesta opinião, daqui para frente, o que é supérfluo e descartável é antiecológico.

Por isso não vejo ecoeficiência em produtos feitos para virar lixo em poucos minutos, a menos que sejam extremamente úteis, como material hospitalar, por exemplo. E sacolas distribuídas gratuitamente a torto e a direito no comércio, além de desperdiçar recursos naturais são também o combustível de um desastre ambiental já em andamento nas ruas das cidades e principalmente nos oceanos, com as toneladas de saquinhos plásticos invadindo cada vez mais as águas.

Contra esse fato não há argumento plausível de ecoeficiência. Governantes de vários países sabem disso e estão agindo. Basta ver outro estudo, chamado “A sacola plástica na América Latina e no mundo”, publicado no site da Associação Latinoamericana de Supermercados (Alas).

O presidente do Instituto Akatu de Consumo Consciente, Hélio Mattar, fez o resumo da ópera em uma declaração à Agência Estado, quando falou das sacolas descartáveis: “Não dá para gastar água, energia e matérias-primas em um produto que depois será jogado no lixo. Esses recursos são limitados e o ideal é investir em bens mais duráveis”.

Na pior das hipóteses, cobrar pelas sacolas descartáveis é uma forma de fazer o consumidor pensar nisso antes de gastar dinheiro com elas. Porque infelizmente, para nós seres humanos, o que vem de graça não tem valor. Nem bons conselhos.

Fonte – Planeta Sustentável / Ambiente Brasil de 09 de agosto de 2011

Plástico “verde” para inglês ver. Mas nós também queremos ver!

Segundo informações do monopólio petroquímico brasileiro, a produção de Etanol para a fabricação de plástico pintado de “verde” teria um balanço positivo na redução de CO2, gás efeito estufa. Apesar de não ser biodegradável, boa parte da população acha que é. Na verdade, demora o mesmo tempo para degradar e biodegradar na natureza que o derivado do petróleo.

O truque e a tentativa de iludir desaparecem e são desmascarados quando sabemos que nenhuma cana de açúcar a mais foi plantada além do necessário para suprir as necessidades já existentes de Etanol para mover motores e açúcar. Portanto, onde está o sequestro de CO2 tão anunciado quando se usa Etanol para produzir o truque do plástico “greenwashed”?

Deveriam ficar “verdes” de vergonha aqueles que acreditam e disseminam o uso deste engodo, iludindo a população. Quanto ao monopólio da inversão da lógica, estes não têm jeito mesmo. Nunca se constrangem …

A notícia abaixo deixa claro como cristal que o país reduziu a produção de álcool entre 2010 e 2011, ou seja, a quantidade de CO2 emitido pelo uso maior de gasolina tira todo o sentido das alegações da máfia do plástico de cana, que por acaso gera plástico de petróleo, plástico de álcool, combustível álcool e combustível gasolina. Eles nunca perdem, quem perde é a coletividade.

Veja notícia abaixo.

Em nova revisão, Unica prevê produção de etanol 17,25% menor. Produção da safra 2011/2012 deverá atingir 21 bilhões de litros. Entidade prevê queda de 8,39% na moagem de cana nesta safra.

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) revisou novamente a estimativa de moagem de cana-de-açúcar para a safra 2011/2012 e da produção de açúcar e etanol. Segundo a nova projeção, divulgada nesta quinta-feira (11), a produção de etanol deverá atingir 21 bilhões de litros, queda de 6,83% em relação ao número projetado na última revisão feita em julho, e de 17,25% sobre os 25,39 bilhões de litros da safra anterior.

A nova revisão aponta para uma moagem de 510,24 milhões de toneladas, uma redução de 4,36% em relação à última revisão (533,50 milhões de toneladas), e queda de 8,39% sobre o valor final da safra 2010/2011 (556,95 milhões de toneladas).

Do total de cana projetada para a safra 2011/2012, a Unica estima que 48,06% terão como destino a produção de açúcar. A projeção é de 31,57 milhões de toneladas, queda de 2,50% em relação à estimativa anterior, e de 5,76% em relação aos 33,50 milhões de toneladas produzidas na safra 2010/2011.

A nova estimativa foi feita pela Unica, em conjunto com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), demais sindicatos e associações da região Centro-Sul do País. Segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, “os dados levantados em julho mostraram que a geada e o florescimento da cana impactaram a produtividade agrícola do canavial com maior intensidade do que havíamos inicialmente previsto”.

De acordo com dados apurados pelo CTC, a produtividade agrícola da área colhida em julho foi de 70,80 toneladas de cana por hectare, queda de 17,48% em relação ao valor observado em julho de 2010. No acumulado desde o início da safra, a produtividade agrícola ficou em 74,10 toneladas de cana por hectare, contra 92,80 observados em igual período no último ano (redução de 20,15%).

Evolução da safra

Segundo a Unica, o volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil somou 41,60 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho, queda de 2,48% em relação ao mesmo período da safra 2010/2011. No acumulado desde o início da safra, a moagem totalizou 259,06 milhões de toneladas, queda de 13,02% em relação à safra 2010/2011.

A fabricação de açúcar alcançou 14,76 milhões de toneladas desde o início da safra até 1º de agosto, contra 16,79 milhões no mesmo período de 2010. Em relação ao etanol, o volume produzido somou 10,42 bilhões de litros, ante 12,88 bilhões de litros no ano anterior.

Na segunda quinzena de julho, a produção de açúcar atingiu 2,82 milhões de toneladas, quantidade 1,77% superior àquela observada na safra passada. Nesse mesmo período, a produção de etanol atingiu 1,72 bilhão de litros.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 2,07 bilhões de litros em julho, dos quais somente 303,49 milhões de litros destinaram-se ao mercado externo. No mercado interno, as vendas de etanol anidro alcançaram 639,93 milhões de litros, e as de hidratado 1,12 bilhão de litros no último mês.

De abril até 1º de agosto, as vendas do produto totalizaram 7,16 bilhões de litros, 16,71% abaixo do montante vendido no mesmo período do ano passado.

Segundo a Unica, os preços do etanol ao produtor estão praticamente estáveis há 40 dias.

Fonte: G1, em São Paulo – Data: 11/08/2011

Vídeo – A vez do gás e o aquecimento global

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Enquanto a Alemanha optou por fechar suas usinas nucleares depois do desastre de Fukushima e apostar nas renováveis, um número crescente de países investe no gás natural como combustível para o médio e longo prazos. A Agência Internacional de Energia (AIE), em relatório recente, estima que todas as maiores regiões geográficas do mundo dispõem de reservas equivalentes a pelo menos 75 anos de consumo aos níveis atuais, e especula se o mundo está entrando em uma “era de ouro” do gás. Pode ser uma era dourada do ponto de vista energético, mas ambientalmente o gás deixa bastante a desejar.

Cresce a produção não-convencional de gás, especialmente por meio do chamado “fracking”, uma técnica de perfuração horizontal via fraturamento hidráulico das rochas do subsolo para atingir depósitos de gás em formação sedimentares. Desde a desregulamentação do setor de gás nos Estados Unidos em 1978, a técnica vem sendo aprimorada e hoje o gás natural obtido de formações sedimentares fornece 23% do gás usado pelos americanos, diz a revista The Economist.

A revista acredita que o gás natural trará uma revolução. “Na medida em que o sucesso do gás de formações sedimentares se repete em outros lugares, uma fonte vital de energia vai se tornar disponível com um conjunto cada vez mais diverso e numeroso de fornecedores em mercados cada vez mais livres”, diz em reportagem. “Isso significa que, diferentemente do boom do petróleo nas décadas após a Segunda Guerra Mundial, esse crescimento do gás pode não entregar uma arma política poderosa aos países com as maiores reservas”.

Apesar da promessa de um mercado diversificado e livre, persistem as preocupações ambientais. O documentário Gasland explorou a fundo os impactos do fracking para as águas subterrâneas, os rios e a saúde humana em várias regiões dos EUA. Em julho, a França se tornou o primeiro país a considerar a técnica ilegal. A Inglaterra suspendeu operações depois que a extração de gás via fracking foi associada a pequenos terremotos. O estado australiano de New South Wales estendeu uma moratória nas operações de fracking até o final do ano. No estado de Western Australia, um projeto para produção de gás convencional ameaça a região de Kimberley, uma das últimas áreas selvagens do país e uma das mais significativas culturalmente para as populações aborígenes.

Além dos impactos locais da produção de gás natural, há os efeitos para as emissões globais de carbono. A AIE lembra que, embora mais “limpo” que o petróleo e o carvão, o gás natural é um combustível fóssil. A agência aponta que o gás pode substituir combustíveis de baixo carbono, como as fontes renováveis e a energia nuclear, e alerta que, sozinha, a expansão de seu uso não será panacéia para as mudanças do clima. No cenário de uma era de ouro do gás, com alto consumo e 40% da demanda suprida por gás não convencional, a AIE estima aumento das temperaturas globais em mais de 3,5 graus Celsius.

O gás natural é particularmente atrativo para países e regiões que estão se urbanizando e precisam satisfazer o rápido crescimento da demanda por energia, notadamente a China, a Índia e o Oriente Médio. Eles provavelmente vão determinar o quão dourada virá ser a era do gás – e seu impacto sobre o meio ambiente.

Fonte – Revista Página 22 de 12 de agosto de 2011

Ah,a humanidade … ela continua criativa em encontrar meios de aumentar a temperatura do planeta e destruir a humanidade.

 

Vídeo – Educação ambiental para crianças

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O que nós não tivemos em nossa infância, agora está até nas histórias em quadrinhos e desenhos infantis.

O Maurício de Souza e seu estúdio estão de parabéns pelo excelente filme da turma da mônica, que ensina passo a passo a educação ambiental para as crianças sem ser cansativo e na linguagem que eles entendem.

No final de semana, aproveite e assista junto com seus filhos o filme “Como salvar o planeta”.

Deixe sempre muito claro para seus filhos que nós precisamos do planeta para sobreviver, mas o planeta jamais precisou, precisa ou precisará da humanidade. Aliás, todas as outras formas de vida sofrem com nossa existência, por isso nossa responsabilidade é tão grande.

Nossa responsabilidade transcende nosso ciclo de vida, alcançando os humanos e outras formas de vida que ainda não nasceram.

Por isso a importância deste filme, pois as crianças de hoje decidirão com seus hábitos de consumo o futuro de toda a humanidade.

Antes de consumir, pense nos 5Rs – REPENSAR a nossa relação com o planeta e de como o nosso consumismo está afetando a viabilidade da continuação da raça humana e de todos os outros seres vivos, com o objetivo de nos tornarmos consumidores sustentáveis; RECUSAR o que faz mal ao planeta e às pessoas, como no caso das sacolas plásticas e de tantas outras besteiras inventadas e também jamais adquirir produtos com embalagens que não possam ser recicladas ou com sobreembalagens; REDUZIR nosso consumo somente para o necessário para que todos – inclusive os humanos que ainda não nasceram – tenham à sua disposição os recursos naturais, ar limpo, terra fértil e água potável para para viverem uma vida digna; REUTILIZAR todas as  embalagens antes de separar para a reciclagem e finalmente RECICLAR, isto é, separar todo o material para a reciclagem e compostagem.

O planeta e a humanidade agradecem.

Campanha Permanente contra os Agrotóxicos lança caderno de formação

Clique no título para ler caderno de formacao agrotoxico

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos acaba de lançar o primeiro caderno de formação.

O caderno apresenta um material de subsídio sobre os efeitos dos agrotóxicos na agricultura, na saúde humana e no meio ambiente.

O prefácio da caderno foi escrito por Jean Pierre Leroy, assessor da Fase e membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental.

“Este livro quer nos colocar em movimento, nos armar para o bom combate, nos colocar em campanha não só contra este modelo agrário, mas a favor de outro desenvolvimento, minando por dentro o capitalismo que desumaniza o mundo e desnatura o planeta”, avalia Leroy.

Abaixo, leia o prefácio da cartilha.

Prefácio

Em 1962, a norte-americana Rachel Carson publicou um livro de grande repercussão, A primavera silenciosa, em inglês Silent Spring. Ela mostrava que o DDT, pesticida inicialmente produzido para lutar contra a malária, matava não somente as pragas, mas todo tipo de insetos e de pássaros e penetrava na cadeia alimentar e no corpo dos animais e seres humanos. As consequências eram dramáticas para o meio ambiente e a saúde humana, tanto que o DDT foi progressivamente banido. Se o livro de Rachel Carson e suas repercussões forçaram as indústrias produtoras de pesticidas a se defender e demonstrar a ausência de nocividade dos seus produtos, elas não se deram por vencidas.

O Desastre de Bhopal, ocorrido em 3 de dezembro de 1984, na região de Bhopal, Índia, quando uma fábrica da empresa Union Carbide deixou vazar 27 toneladas do gás mortal isocianato de metila, é paradigmático. Meio milhão de pessoas foi exposta ao gás; delas até o momento 25 mil já morreram e 100 mil pessoas são doentes crônicos pelos efeitos desse desastre. A Union Carbide e sua proprietária, a Dow Chemical, continuam negando a responsabilidade pela intoxicação e se negam a limpar a fábrica.

Os pesticidas causam ou podem causar a contaminação da água, do solo e do ar, de plantas e animais, e das pessoas. Às vezes, os seus efeitos sobre as pessoas são imediatos. Lembro a fumigação aérea que atingiu a cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Situada numa área de cultivo de soja, foi pulverizada por agrotóxicos em 2006, porque um pequeno avião de aspersão jogou químicos demais e de forma imprudente. Não demorou para que pessoas começassem a aparecer com sintomas de contaminação, às vezes graves. Mas geralmente as consequências demoram em se fazer sentir, o que torna difícil apontar o culpado.

O fato é que estamos vivendo num mundo impregnado e saturado de produtos químicos, em particular de agrotóxicos, e que isso raramente aparece como uma preocupação da sociedade. Quando um trabalhador rural é atingido, se diz que não usou os equipamentos de proteção, que não seguiu as normas de uso, ou que fez mau uso do produto, colocando doses exageradas ou aplicando fora do momento previsto.

Isso acontece, é verdade, mas acusá-los é inverter a responsabilidade: empresas produtoras e vendedoras e poder público devem fornecer o acesso à informação qualificada, não somente colar bulas nos frascos e nos galões. O problema é que as indústrias não têm nenhum interesse em informar, não só o trabalhador, mas também o vizinho da fábrica e o consumidor dos alimentos sobre os reais perigos dos seus produtos. E mais, elas não querem saber desses perigos potenciais, que poderiam  colocar em risco seus lucros. Não promovem pesquisas independentes e chegam mesmo a atacar e desmoralizar pesquisas que questionam seus produtos.

O que levou a essa situação? Aponto aqui três fatores interligados: o modelo de agricultura, a confiança desmedida no progresso tecnológico e o domínio das grandes empresas. O modelo de agricultura dominante é oriundo do que se convencionou chamar de “Revolução Verde”, implementada a partir da segunda metade do século XX para incrementar a agricultura nos países ditos então subdesenvolvidos. A Revolução Verde está calcada no uso combinado de variedades (sementes e matrizes) de alto rendimento, de adubos e produtos fitossanitários (os agrotóxicos) e na irrigação intensiva. Ela facilitou o crescimento da grande propriedade e, com ela, o uso de maquinário pesado. Com ela, efetivamente, aumentou enormemente a produção de alimentos, embora a fome continue, já que a alimentação se tornou uma mercadoria inacessível para muitos.

Nota-se que os agrotóxicos fazem parte de um pacote. Se quisermos questioná-los, é preciso questionar o pacote inteiro. A Revolução Verde suscitou o entusiasmo dos pesquisadores que se empenharam para que a produção alimentar subisse, apoiada em muitas inovações tecnológicas. Ela não nasceu de um dia para o outro; tem a sua origem no processo de industrialização do mundo ocidental que se desenvolveu desde o início do século XIX. As ciências conheceram um enorme progresso e as aplicações das suas descobertas se multiplicaram. As duas guerras mundiais tiveram seu papel nisso, com o uso de gases mortíferos desenvolvidos pelas indústrias químicas e do DDT, para evitar que os soldados fossem vítimas da malária.

Os cientistas que criaram o DDT achavam que estavam dando uma grande contribuição à humanidade. A sua confiança na ciência e na tecnologia era total. Hoje também há cientistas e técnicos que acreditam sem restrição que as sementes transgênicas são a melhor solução. Eles ignoram o princípio de precaução, que reza que certas ações humanas podem ter consequências graves para o futuro e em lugares distantes do local onde estão sendo efetivadas. Agrotóxicos podem prejudicar a saúde de um ser humano que ainda não nasceu, porque sua mãe foi contaminada.

Zonas costeiras veem diminuir a vida marinha, porque um rio que deságua no mar carregou restos de agrotóxicos que vieram de centenas de quilômetros de distância.

Essa busca permanente da ciência por novas descobertas e novas aplicações para elas (o que foi nomeado tecnociência) encontrou um terreno propício ao seu desenvolvimento na agroindústria. Para esta, inovação significa novos produtos e mais lucros.

A ETC Group, a ONG mais atuante na temática das novas tecnologias, em comunicado de 2008 sobre as grandes corporações, menciona as palavras do presidente de Crop Science de Syngenta, John Atkin: “A resistência [das pragas aos agrotóxicos] é um fenômeno globalmente sadio, porque nos obriga a inovar”.

Segundo a ETC Group, “trinta anos atrás, havia dezenas de fabricantes de pesticidas enquanto hoje dez fabricantes realizam cerca de 90% das vendas de produtos químicos no mundo”. A conclusão que ela tira daí é muito instrutiva: Assim como a biotecnologia, as novas tecnologias não necessitam provar a sua utilidade social ou sua superioridade técnica para ser lucrativas. Só têm que expulsar a concorrência e forçar o Estado a
abrir mão do controle. Uma vez o mercado monopolizado, os verdadeiros resultados da tecnologia não têm mais a menor importância. E poderíamos acrescentar: “os verdadeiros efeitos dos agrotóxicos não têm importância”.

As pressões exercidas com sucesso sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aumentar o valor de resíduo de agrotóxicos na soja Roundup Ready; o sucesso em manter o uso de pesticidas extremamente perigosos, como o endosulfan, proibido há mais de 20 anos na União Européia e em vários países e somente agora proibido no Brasil; e, num outro registro, a maneira como a CNTBio toma as suas decisões sobre a liberação de sementes transgênicas; e a desqualificação e a criminalização de pesquisadores independentes são exemplos do poder do que poderíamos chamar de “discurso único”, uma das maneiras pelas quais se manifesta a hegemonia do capital.

Isso não seria possível sem uma combinação de interesses que junta as grandes corporações, os principais meios de comunicação e a grande maioria dos executivos e legisladores. Ao seu serviço, os economistas, que mostram que o agronegócio exportador, e a tecnociência já mencionada, é a salvação do país. Esse conjunto faz o que eles identificam como sendo a “opinião pública” acreditar que a modernidade, o desenvolvimento do país e a erradicação da miséria passam por esse modelo de agricultura. Em retorno, empresas, partidos e políticos e meios de comunicação se apóiam nessa opinião pública que formaram para impor seus interesses como se fossem os interesses de todos. O círculo vicioso se fecha. As outras falas são silenciadas e passam a não exisitir.

É esse o bloco de poder que deve ser minado. “Minado”, não derrubado, pois na atual correlação de forças, há um longo caminho de transição a percorrer. O complexo do agronegócio é baseado tecnicamente no modelo da Revolução Verde. Do ponto de vista econômico e político, é peça importante do capitalismo globalizado; cultural e ideologicamente, é orientado pela crença cega no poder quase absoluto das ciências e tecnologias de inventar o futuro. Não há lugar para a busca da igualdade e para o cuidado real da natureza, para a saúde e para a qualidade de vida no complexo agroindustrial. Frente a ele, quais são as tarefas?

O estudo dos agrotóxicos, a informação, a denúncia e o combate direto, sem dúvida. Mas isso não é suficiente. A agricultura ecológica, a economia solidária, estratégias locais/regionais de produção e de consumo, por atacarem o mode9 lo capitalista em um dos seus pilares de sustentação (o agronegócio), tornam-se tarefa política essencial.

Este livro quer nos colocar em movimento, nos armar para o bom combate, nos colocar em campanha não só contra este modelo agrário, mas a favor de outro desenvolvimento, minando por dentro o capitalismo que desumaniza o mundo e desnatura o planeta. É a Via Campesina assumindo o seu papel de protagonismo na construção do futuro.

Fonte – Ecodebate de 02 de julho de 2011

Vídeo – O veneno está na mesa

 

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O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira

Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.

Em “O veneno está na mesa”, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.

Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?

Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.

Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?

Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.

Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande …

É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.

A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?

Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.

Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?

Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.

No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?

É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.

Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?

Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.

E expectativa é boa então?

Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.

Fonte – Aline Scarso, Brasil de fato de 01 de agosto de 2011

Etihad Airways é a primeira empresa aérea do mundo a utilizar sacos plásticos biodegradáveis e recicláveis d2w com ciclo de vida útil controlado

Etihad Airways, The World´s Leading Airlines, pelo segundo ano consecutivo, é a primeira empresa aérea do mundo a utilizar sacos plásticos biodegradáveis e recicláveis d2w, com ciclo de vida útil controlado.

Fonte – www.etihadairways.com

Symphony Environmental Ltda. Empresa certificada ISO, é uma subsidiária integral da Symphony Environmental Technologies PLC, uma empresa pública britânica criada em 1995 e dedicada a encontrar
soluções técnicas para os problemas ambientais do mundo. É um membro da Associação dos Plásticos Oxibiodegradáveis, da Sociedade da Indústria Química (Reino Unido), da British Plastics Federation (BPF), da Organização Européia de
Embalagem e Meio Ambiente (Europen) e do Grupo Britânico de Marcas. Symphony participa ativamente dos trabalhos da British Standards Institute (BSI), da American Society for Testing and Materials (ASTM), da organização européia de
normatização (CEN) e da International Standards Organization (ISO). A Symphony tem laboratórios e instalações de testes na Inglaterra, onde constantemente testa, desenvolve e aprimora seus produtos, em colaboração com universidades e
especialistas no Reino Unido e no exterior.