Supermercados de Descalvado vão eliminar sacolas plásticas

EPTV de 08 de junho de 2009

O Ministério Público fez um acordo com os 33 supermercados de Descalvado para a substituição das sacolas plásticas pelas retornáveis até o final de 2009.

A partir de 1º de janeiro de 2010, quem descumprir o termo de conduta firmado recebe multa de R$ 10 mil por infração cometida.

De acordo com o promotor do Meio Ambiente de Descalvado, Alexandre Andrade de Pereira, esse é o primeiro acordo do tipo no País. Os próprios supermercados vão oferecer as sacolas retornáveis aos clientes. “Os supermercados vão se unir para fazer um pedido único para baratear o custo das sacolas e vão repassá-las a preço de custo para a população”, explica o promotor.

Em primeiro de abril de 2009 a cidade de Xanxerê, em Santa Catarina foi o primeiro município no país a banir as sacolas de plástico de uso único dos supermercados.

O impacto será grande, em apenas um supermercado da cidade são utilizadas de 90 mil a 100 mil sacolas por mês, totalizando 1,2 milhão de unidades por ano.

O presidente da Associação Comercial de Descalvado, José Alberto Bonani, acredita que a conscientização da população será um desafio.

“É muito cômodo para o consumidor passar na frente do estabelecimento e entrar sabendo que vai levar o produto acondicionado na sacolinha. Nosso problema é conscientizar que a sacolinha é prejudicial ao meio ambiente”, afirma.

Em Xanxerê não houve problema algum, afinal, o ser humano é altamente adaptável, pode reclamar mas em uma semana já se acostumou.

É só não ter sacola no caixa que o cliente se vira, se arranja, afinal, o supermercado – e o varejo na sua totalidade – vendem o produto, como o cliente leva para casa, se de bicicleta, de carro, caminhando, com sua sacola, com carrinho de feira, na mão, é problema do cliente.

Essa história de dar sacolinha para levar uma bala está plastificando nossa casa, o planeta.

Alguns estabelecimentos já fazem esse trabalho. Em Indaiatuba, região de Campinas, um supermercado já vendeu mais de 4 mil sacolas retornáveis em um ano. “Ao passar pelo caixa, o cliente já é incentivado pela operadora a comprar a sacola retornável”, afirma o gerente Leandro Pletz.

Nem todos na cidade são favoráveis à mudança. “Vai ficar elas por elas. Se a gente usava a sacolinha para (colocar) o lixo, não vai ter mais esse recurso, então vamos ter que comprar saco plástico para colocar”, afirma a dona de casa Regina Gonçalves.

Aiaiai, quanta reclamação. O saco de lixo – oxi-biodegradável preferencialmente – é feito para acondicionar o lixo. A maldita sacolinha plástica vaza o lixo orgânico e por isso a dona de casa sempre usa mais de uma, ela perde um monte de espaço para acondicionamento na alça, enfim, não é apropriada para acondiconar lixo.

Aulinha de como economizar em sacos de lixo: use uma caixa de papelão para colocar o lixo reciclável, que corresponde a 75% do volume do lixo gerado em uma residência. Quando colocar o lixo para recolhimento volte com a caixa para casa, que pode ser utilizada indefinidamente e assim você estará economizando na compra do saco de lixo para acondicionar o lixo reciclável.

Quanto ao lixo orgânico e lixo de banheiro, normalmente são utilizados sacos de 15 ou 30 litros, que são extremamente baratos. O lixo orgânico somado ao lixo de banheiro corresponde a 50% do peso do lixo mas a apenas 25% do volume.

Está vendo porque o consumidor está reclamando a toa? É só começar a separar o reciclável que ele fará uma economia danada.

Mas quem já mudou o hábito de levar a sacolinha pra casa dá o exemplo. “Eu educo meus filhos para contribuir com o meio ambiente. Pode ser uma prática pequenininha, mas eu acho que é daí que temos que começar”, afirma a vice-diretora de escola Nicéia Maria Gaspar.

Parabéns ao promotor – ou promotora – de descalvado pela atitude consciente, que além de desplastificar rios e bueiros da cidade, aumentará a vida útil do aterro da cidade em 10%, já que de todo o resíduo coletado em uma cidade, 10% é composto de sacolas de plástico de uso único.

Outros dados, 20% de todo o resíduo de uma cidade é composto de plástico.

80% de todo o plástico é utilizado somente uma vez e depois descartado para ficar por 5 séculos poluindo o planeta e acabando com o espaço em aterros e lixões. Estamos falando aqui de embalagens de xampu, garrafas PET, pode de margarina, de sorvete, embalagem de pão e mais uma infinidade de embalagens.

O futuro já começou, com uma pequena semente plantada pela FUNVERDE em 2005, que se comprometeu a desplastificar este país o mais rapidamente possível, pois a cada ano que as sacolas estão presentes no comércio, é uma montanha de plástico a mais que nossos descendentes terão que se livrar, os pobrecitos já nascerão com um passivo ambiental que nem é deles, é dos seus antepassados. Não podemos permitir que nossos descendentes paguem por nossos pecados.

Temos que banir imediatamente as sacolas de plástico de uso único e o resto do plástico de uso único, que são embalagens de produtos tem que ser o mais rapidamente possível fazer a transição para plástico oxi-biodegradável, que em 18 meses já terá se incorporado novamente à terra.¨

Em defesa dos plásticos, a favor do meio ambiente

Jornal  O Debate de 14 de junho de 2009

No dia 5 de junho, comemoramos o Dia do Meio Ambiente. Diversas entidades, corporações e escolas fizeram manifestações a favor do meio ambiente e das boas práticas.

Mas o que também vale ser lembrado é a iniciativa da indústria plástica, no Brasil e no mundo, que trabalham para o desenvolvimento e que não abrem mão das tecnologias que não agridam o meio ambiente e a saúde pública. Há alguns anos os plásticos têm sido alvo de ataques. Apontado como vilão do meio ambiente e causador de poluição, notícias negativas sobre os plásticos são manchetes de jornais, revistas e páginas da Internet. Fato inegável, os plásticos, assim como outros materiais, têm sido descartados de forma irresponsável no meio ambiente. O plástico virou um dos bandidos do planeta. Com a mesma facilidade e rapidez que embalamos nossas compras em sacos e sacolas plásticas, descartamos as embalagens sem pensar no impacto que isso trará à natureza. Mas por que tratar tão mal algo que só nos traz benefícios?

Devido à sua praticidade, resistência, custo baixo, higiene, leveza e aplicações da vida moderna, não é possível viver sem ele. Plásticos embalam, protegem, mantém limpas e transportam nossas compras, nossos sonhos de consumo, nossos alimentos, medicamentos e ao final, embalam os resíduos que geramos. Simplesmente banir os plásticos para evitar o incorreto descarte no meio ambiente seria o mesmo que proibir automóveis e motocicletas para diminuir as mortes no trânsito. Ou, quem sabe, eliminar o dinheiro para acabar com a corrupção. Não faz sentido. Vemos que muitas pessoas passaram a adotar sacolas retornáveis, independente do material, lembrando o que nossos avós faziam. Uma atitude totalmente louvável! Entretanto, esquecemos que eles faziam isto porque não existiam sacolas plásticas ou não eram acessíveis.

É de bom senso o uso e o reuso de sacolas retornáveis, seja de pano, papel, de plástico. Pouco importa o material. Todo cidadão deve apoiar a redução, o reuso e a reciclagem, o que prefiro chamar de bom senso e responsabilidade, ao invés da palavra da moda – sustentabilidade. Mas como impedir o uso de embalagens plásticas por pessoas que vão às compras sem as sacolas retornáveis ou que não as usam ou não desejam comprar essas sacolas? Vão virar equilibristas transportando nas mãos diversos itens comprados nas lojas e supermercados? Onde vão embalar as frutas, verduras e legumes que compram? A indústria plástica tem se empenhado e desenvolvido plásticos mais finos e leves, que consomem menos matéria prima e energia em sua produção, sem abrir mão de sua resistência e robustez. Investem no apoio e desenvolvimento da reciclagem e em projetos de reciclagem para geração de energia.

O setor de transformação gera milhares de empregos, impostos, riqueza e desenvolvimento. Não é aceitável, nem razoável, pensar que estas pessoas são “bandidas da natureza”. A ciência e a tecnologia já têm as respostas e soluções para diminuir os impactos causados pelos resíduos que tem seu destino final muito provavelmente nas ruas, campos, rios e mares. Destaque especial para as embalagens plásticas de rápido uso e descarte, que por não serem de interesse econômico para a coleta e reciclagem, ficam abandonados no meio ambiente. Exemplos não faltam, um deles é o plástico que leva a tecnologia d2w em sua produção, que mantém todas as características, a possibilidade do reuso e de reciclagem de um plástico convencional. A única diferença é que vai levar muito menos tempo para se degradar completamente.

Outros exemplos, são o desenvolvimento de plásticos biodegradáveis e compostáveis, além dos hidrossolúveis (que se dissolvem em contato com a água). A indústria brasileira e internacional já tem as respostas e soluções efetivas aos desafios apresentados. Cabe ao consumidor adotar as soluções e incentivar a indústria que já está produzindo essas embalagens plásticas no Brasil. As alternativas existem, e elas ainda beneficiam o meio ambiente e as indústrias do plástico.

*Eduardo Van Roost é diretor da Res Brasil, empresa especializada em produtos naturalmente degradáveis.

Projeto Canto das Ervas, 19 de abril de 2009

Aprendendo a tirar água do galão de 200 litros para passar para os baldes.

Utilizando até a última gota do tambor para aguar as plantas.

Canteiro antes dos roubos.

Ótimo lugar para levar seus filhos para plantar ervas. Junte-se a nós, você e sua família serão muito acolhidos e seus filhos terão contato com a terra, aprendendo para que servem as ervas aromáticas.

Trouxemos muitas ervas para repor o que foi roubado na semana.

Nossa primeira voluntária, ela caminha sempre em volta do bosque e perguntou se poderia nos ajudar a plantar e é claro que aceitamos, voluntários são sempre benvindos.

Venha você também, todos os domingos, das nove ao meio dia, plantar ervas aromáticas e medicinais em nossa cidade.

Recomendação do governo:Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!

Trabalhe pesado!

João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado

Recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

No início dos anos 1700, quando a revolução comercial já era um fator determinante do progresso e do desenvolvimento das nações, um pensador espanhol teria escrito um ensaio defendendo a tese de que o seu país não deveria entrar naquela competição, porque seria um esforço desnecessário. A Espanha, na época, possuía reservas em metais preciosos suficientes para comprar tudo o que seu povo necessitava. Esse mesmo argumento poderia ser válido, um século depois, nos anos 1800, para não embarcar na aventura industrial.

O resultado é que o império espanhol ruiu, as suas decantadas reservas se dissiparam e a outrora pujante nação ibérica amargou mais de dois séculos de decadência. Está voltando ao proscênio agora, quando nem o seu governo nem o seu povo se pautam mais por aquela enganosa opulência do passado.

De certa forma, é esse mesmo problema que inviabiliza o progresso e o desenvolvimento de muitos países que vivem, atualmente, da riqueza fácil gerada pela extração de petróleo. Para que, afinal, arregaçar as mangas? O ouro negro supre todas as carências…

Não é à toa que entre os países mais pobres da África figuram – em aparente paradoxo – os que possuem as maiores reservas mundiais de diamantes e pedras preciosas. A posse de recursos naturais abundantes e de fácil extração já causou a desgraça de muitas nações, através dos tempos.

O que dizer, então, quando a falsa abundância não provém de riquezas reais, mas de programas assistenciais promovidos pelos governos locais?

Os analistas isentos e imparciais seriam unânimes em afirmar que, nesse caso, o caminho da perdição seria ainda mais curto.

E se tais políticas paternalistas estivessem sendo promovidas num país pobre e desprovido de maiores recursos? Aí, então, seria suicídio – afirmariam os estudiosos -, uma nação deliberadamente atirando em seus próprios pés.

Pois é esse exatamente o caso do Brasil e do seu programa Bolsa-Família.

Segundo se vangloria o próprio governo, o programa já contempla 11 milhões de famílias, alcançando, assim, entre um quarto e um terço de toda a população brasileira. Trata-se de um exemplo ímpar: em toda a História universal, somos o único povo que logrou escapar da miséria com mesadas.

Argumentos para defender o Bolsa-Família não faltam. O difícil é acreditar que o programa seja viável para sempre.

Pode-se argumentar, a favor dele, que, em termos imediatos é uma forma eficaz de combater os malefícios causados pela miséria. Sem dúvida. Mas trata-se de um paliativo – um remédio que cuida dos efeitos, e não das causas da moléstia. Assim sendo, o seu efeito não é duradouro e tampouco definitivo.

Há pelo menos três aspectos cruciais que estão eivando a iniciativa:

Não se está exigindo, na prática, nenhuma contrapartida dos beneficiários;

não se está fixando um prazo máximo para a concessão do benefício;

o valor do benefício pago está-se revelando muito elevado.

Benefício concedido sem reciprocidade é esmola. E esmola não cria cidadãos ativos. Cria, isso sim, mendigos.

Benefício concedido para sempre não é uma ajuda, mas sim um privilégio. E privilégios não geram indivíduos independentes. Geram, quando muito, um massa disforme de parasitas.

Benefício com valor elevado não complementa o trabalho, mas o substitui. Não gera trabalhadores, mas desocupados. Em vez de pessoas ativas, uma multidão apática de ociosos. Um exército de pensionistas totalmente dependentes da boa vontade dos governantes.

Se o objetivo final de Lula e do PT é criar um gigantesco curral eleitoral, eles estão sendo muito bem-sucedidos. Os “bolsistas” do famigerado programa estarão sempre dispostos a sufragar os candidatos que o governo recomendar.

Mas se o que se pretende é emancipar as pessoas, então o Bolsa-Família está se revelando uma grande excrescência.

Como está escrito na porta do Inferno de Dante: “Abandonai todas as esperanças, vós que entrais”… Aqueles que se inscrevem no “Bolsa-Família” hão de saber que dele jamais sairão. As suas virtudes ativas, a sua independência, a sua cidadania, tudo isso, enfim, é impiedosamente moído tão logo se ingressa no programa. A ética do trabalho e do esforço como a única forma legítima de prosperar na vida deixa de existir já na soleira da porta.

Como reza o ditado, montar num tigre é fácil, o difícil é desmontar dele depois.

O Bolsa-Família é um programa que, uma vez implantado, não há mais como descartá-lo. Os milhões de beneficiários já estão acostumados com o aporte mensal do dinheiro fácil. Como dizer a eles que dali em diante deveriam suar o rosto para obtê-lo?

Tanto para o governo como para a oposição, propor o fim do Bolsa-Família seria eleitoralmente desastroso. E o programa, assim, se impõe como algo definitivo.

Aqueles que trabalham hão de votar na oposição, já aqueles que não trabalham votarão sempre no governo. Como estes últimos se estão tornando maioria, o continuísmo parece ser um prognóstico evidente.

Como é economicamente impossível pôr a totalidade dos brasileiros sob o guarda-chuva do Bolsa-Família – alguém tem de pagar a conta -, teremos no País, doravante, duas classes de cidadãos: a dos que sustentam e a dos que são sustentados pelo Bolsa-Família.

Quanto a você, que está lendo este artigo, a recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

Bye bye bee

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Se as abelhas desaparecerem, ao homem restarão não mais que quatro anos de vida

(Einstein, mas de autoria não confirmada)

Com um pouco de esforço, algumas tinturas, quatro asas, e um espartilho disfarçando a barriga, consegui entrar na colméia. Era cedo e a maior parte das operárias já batia o ponto longe dali.

De entrada, varejei pra longe, no safanão, um zangão que me olhava interessado nas partes subalternas.

– Respeito é bom e todo mundo gosta! – gritei.

A sociedade, e até o que apanhou, ainda com as seis patas pra cima como quem andasse de bicicleta, aprovou.

Sob disfarce, estava ali para investigar o sumiço de abelhas. Revistas especializadas davam conta de que, nos últimos dois anos, só nos Estados Unidos, 37% das colméias acabaram.

– No Brasil também houve grandes perdas. Também na Austrália, China, Canadá e outras regiões – eu gesticulava para chamar a atenção – Um terço da produção agrícola mundial depende das abelhas. As monoculturas demandam intensa atividade polinizadora por curtos períodos do ano.

– E os morcegos? E as abelhas silvestres? A sonoridade da voz não deixou dúvidas. Curvei-me, respeitosamente: – Majestade…

– Por favor, continue – ela disse, saboreando um naco de geléia real.

– Eles não dão conta. Só vocês, digo, apenas nós, organizamos exércitos polinizadores em qualquer época, onde haja flores a visitar – respondi.

– Um altruísta entre nós! – sorriu ela, fixando seus cinco olhos em mim.

– A rainha tem ciência de que, se continuarmos sumindo, ficarão sem polinizadores as culturas de milho, batata, trigo, arroz, frutas, legumes, brócolis, conservas e até o leite de vaca! Uma desmoralização para nós.

– Leite? – estranhou uma operária bebê, cheirando o ar com suas antenas.

– Sim – socorreu um idoso zangão – nos milhares de vôos nupciais de que participei, e retornei de mãos abanando, pude ver que vacas confinadas exigem ração rica em proteínas, que depende de polinização. E, aproveitando: – Mas, o que tem feito nossos parentes desaparecerem?

– Má nutrição é uma delas. Não temos mais a variedade de flores para coletar alimento. Os cultivos em grandes extensões não deixam mato ou cerca viva.

Extensos gramados, para nós polinizadores, são como desertos. As defesas naturais das abelhas podem estar enfraquecidas por má nutrição.

Eu ia falando e o povinho ia chegando mais perto. A rainha, com um lenço bordado, enxugou uma pocinha embaixo dos olhos. Continuei:

– Análises de amplo espectro, sensível a fungicidas, inseticidas e herbicidas, revelou mais de 170 substâncias diferentes no corpo das abelhas, a maior parte armazenadas de pólens.

– Tonteia, mas não mata – zuniu uma ofegante operária que chegava.

– Diretamente, não – eu disse – entretanto, eles inibem nossas respostas imunitárias. Ficamos mais vulneráveis ao ataque de ácaros e vírus. Por sinal, o vírus da paralisia aguda israelense (IAPV) tem matado muitas das nossas por convulsões paralisantes.

A colméia estava muda. Pisei mais fundo:

– Em Brotas, no vizinho estado de SP, em um único caso, a pulverização aérea exterminou 200 colméias! Exposições a doses subletais de veneno fazem abelhas perderem a direção do caminho de casa. E, desaparecem.

– Pensei que a gente fosse importante… – encolheu-se a pequena operária.

– É claro que somos! – amparei-a, como quem tirasse uma faca de seu peito – Veja você: uma única abelha, em busca de pólen e néctar, visita 10 flores por minuto. Ao fim de um dia, fazendo em média 40 vôos, ela toca 40 mil flores. E, uma colméia chega a ter 80 mil abelhas. Para chegar a 1 quilo de mel, precisamos retirar néctar de 5 milhões de flores. Como 30% da produção mundial de alimentos depende da polinização que fazemos, só em valores econômicos, nossa contribuição é de 9,5% do valor da produção agrícola. Ou seja: US$ 135 bilhões ao ano. Não somos importantes?

Ela sorriu. E um zum zum de satisfação percorreu a colméia. Foi quando a rainha, levantando-se, determinou:

– Ficaremos longe das plantações que contenham herbicidas, fungicidas e os mortais inseticidas. Doravante, ao mínimo ronco de motores dos aviões polinizadores, sumiremos do mapa! Daremos preferência à polinização de áreas com cultivo de espécies vegetais variadas e, o que é melhor, vamos criar um esquadrão especializado em repolinizar espécies nativas! Este é o Plano Real. É isso ou bye bye bee! [N.T: tchau tchau abelha!]. Ao trabalho!

Enquanto eles se organizavam, me espremi entre um favo e outro e, lambuzado de mel, mas satisfeito, pulei pra fora. Já longe da colméia, percebi que minha cara estava azul e, de pescoço, só duas veias estufadas.
– O espartilho!!! – dei um tapa na testa.

Afrouxando o danado, pude estufar a barriga, desinchando o pescoço.

E fui voando pra casa, botar mel na minha pinga.

Luiz Eduardo Cheida

Projeto Canto das Ervas, 10 de abril de 2009

Fomos na sexta-feira, dia 10 de abril, ver se apenas uma rega por semana seria suficiente para as plantas e claro que muitas outras mudas sumiram, como já comentei no post anterior.

O incrível é que muitos caminhantes – este local é um local de caminhada para os moradores do entorno do parque – disseram estar indignados, porque muita gente estava caminhando, se abaixava, roubava as plantas na frente de todos os outros caminhantes e nem se sentiam culpados de estarem cometendo um crime.

Claro que pedimos para as pessoas recriminarem quem faz isto, mas as pessoas dizem ficar constrangidas de chamar a atenção do ladrão.

Assim não dá, só contar que viu o roubo não adianta, tem que vigiar e nos ajudar a não deixar roubar, afinal, nós não caminhamos naquele local, plantamos as ervas para quem caminha no local, as ervas serão para eles apreciarem.

Abaixo, só os buracos, porque as mudas foram roubadas.

As mudas de salsinha e cebolinha, como tem no supermercado, ninguém roubou, por enquanto.

Trouxemos um barril de 200 litros para aguar as ervas.

O restinho da água, que não deu para colocar no regador através do cano, foi despejada direto do tambor.

Observe o tamanho das árvores deste bosque, enormes e lindas.

Projeto Canto das Ervas, o dia seguinte

Dia 06 de abril de 2009, segunda-feira

Todos os domingos, desde o dia 5 de abril de 2009, das nove até onze horas ou meio dia estamos cuidando do nosso cantinho no Bosque II, o canto que escolhemos para inaugurar o projeto canto das ervas, que busca resgatar a tradição do uso de ervas aromáticas e medicinais com um reaprendizado do que se perdeu nas últimas gerações.

Note que desde o lançamento não escrevi mais nada, mas não porque o projeto tenha parado, o que aconteceu foi que eu fiquei tão chocada com os fatos ocorridos desde o fatídico dia 05 de abril, que criei um bloqueio e somente agora, quase um mês e meio depois resolvi transpor este bloqueio e voltar a falar deste projeto maravilhoso – e sem modéstia, maravilhoso como todos os outros projetos desta fundação de meio ambiente.

Tudo começou no domingo, dia do lançamento do projeto, em que plantamos 300 mudas de 20 espécies de ervas aromáticas e medicinais.

O povo passava e via as mudas espalhadas perto dos buracos e já vinha pedindo, “dá uma muda, só uma” e quando explicávamos que era parte de um projeto tinha gente que ficava brava, dizendo que só uma muda não fazia diferença. Porque estas pessoas não vão em um viveiro e compram as mudas? Coisa de brasileiro pidão.

Outras pessoas pediam mudas para um e quando negávamos, pedia para outro e outro e assim sucessivamente, uma pobreza de espírito de dar dó.

Teve gente que ao ver o Toruo, um japonês, plantando, perguntava se era para vender na feira. Imagine a cara de ódio que ele fazia.

Para outros estagiários diziam que estávamos usando terreno público para fazer concorrência com os feirantes e causar prejuizo para eles.

Incrível, cada comentário mais idiota do que outro, vontade de mandar todo mundo procurar sua turma – nota do censor, o comentário era melhor.

Quanto aos pidões, nas semanas seguintes arranjamos uma resposta padrão, quer muda? Nós vendemos. R$ 10,00 cada uma. Claro que daí vinha a resposta “nooossa, que caro” “mas eu quero dado, não quero comprar” e assim por diante. Teve uma que foi ótima, uma senhora quebrou a muda e disse na maior cara lavada “olha, tinha um galhinho caído do lado da muda e eu peguei, tá!”. Uia, não me engana que eu não gosto.

Oras, se todo mundo sabe onde tem uma muda para comprar, até nos supermercados, na feira livre, em floriculturas, para que ficar pedindo, sabendo que estas mudas tiveram um custo, a FUNVERDE adquiriu para o projeto e não para fazer doação, caramba.

E olhe que escolhemos o bosque II, atrás do country clube porque ali fazem caminhada as pessoas mais esclarecidas da cidade e de maior pode aquisitivo. Pensamos que estas pessoas jamais iriam se rebaixar e roubar nossas plantas. Não poderíamos estar mais enganados, durante abril e maio, o índice de roubo foi de aproximadamente 10% a cada semana. Para sabermos quantas estavam sumindo, fizemos canteiros de 10 e 15 mudas em cada local, assim, se alguma sumisse, saberíamos.

A cebolinha francesa – 15 mudas – foram embora na segunda semana e como é uma cebolinha que quase ninguém conhece, certamente foi algum gourmet amante da comida francesa e muito pobre de espírito que roubou.

O Toruo, que trouxe as mudas de cebolinha japonesa – nirá – arrancou todas do local e colocou em um local mais escondido, para nenhum adorador de comida oriental roubar também, banzai.

Arruda, pelamordegaia, plantamos inicialmente 15 e não sobrou nenhuma folhinha, não adianta plantar, porque quanto mais plantamos, mais roubam. É só voltar no dia seguinte que sumiram todas. Você sabe para que né? Para fazer algum benzimento. Alguém até sugeriu plantarmos alguma erva com a qual se fizesse chá de sitocol, sacou? Para ver se o ladrão de arruda se toca de que o que ele está fazendo é crime, hahaha.

Desde o dia 5 de abril, todas as semanas estamos plantando de 50 a 100 mudas para aumentar o canteiro e repor as roubadas. Somente na primeira semana de junho, semana passada o roubo diminuiu. Deve ser porque os ladrões já estão com o canteiro cheio, não cabe mais nada.

Vergonha de ser maringaense, povo estúpido, pobre de espírito, não adianta fazer nada por eles que eles só retribuem com ingratidão, foi isso que nós, membros, voluntários e estagiários da FUNVERDE pensamos logo após se iniciarem os roubos, mas não desanimamos, porque um dia essa gentalha tem que aprender que é bom morar em uma cidade limpa, que é bom ao ter uma dor de estômago, ter uma losna para pegar uma folhinha e fazer chá, que naquela noite de insônia, dá para pegar um pouco de camomila para fazer um chá lá no canto das ervas.

Mas porvalhala, esperem as ervas formarem touceiras, não me arranquem a muda recém plantada, isso é muita mesquinharia, muita pobreza, coisa de gente porca, que não sabe ser civilizada. Se as pessoas esperarem até a primavera, vai ter muda para todo mundo pegar uma folhinha, as touceiras estarão formadas e tirar uma muda da planta mãe não fará diferença, mas agora, arrancar a muda que nem se formou é o fim da picada.

Na segunda-feira, dia 06 de abril, depois do primeiro plantio, fomos ver nossas amadas plantas, como pais orgulhosos. Afinal, lançar um projeto é maravilhoso, já imaginando que quando as plantas crescerem, como ficará lindo o local, com seus aromas tão diferenciados das ervas aromáticas. Foi daí que já tomamos o susto inicial, porque, onde tínhamos posto placa com nome das plantas, foram arrancadas muitas ervas, teve lugar em que levaram até a placa. Decerto para por ao lado da planta roubada lá na sua horta.

Só podia acontecer em Maringa mesmo, ô gentinha pequena. Não conseguimos digerir isto até agora, parece que o que não está cercado com arame farpado, circuito de vigilância, cão de guarda, guarda armado e cerca elétrica pertence a todos, todos se acham no direito de simplesmente pegar, roubar, levar.

Já ouviram falar de propriedade alheia? Essas devem ser as mesmas pessoas que ficam arrancando flores da calçada dos vizinhos, dos parques da cidade, do canteiro central, gente jeca.

Vou tentar postar uma vez por dia o projeto canto das ervas, até chegar a data atual.

Desculpe o desabafo, mas tenha dó, que gente imbecil, que gente mais sem noção habita esta cidade.

5 de junho, dia mundial do meio ambiente

 

 

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Já estamos cansados de receber mensagens indignadas desde o dia 5 de junho, por não termos postado nem ao menos uma matéria sobre o dia mundial do meio ambiente.

Pessoal, isso é uma besteira, não perdemos o foco, não desistimos da boa luta, apenas este dia não nos diz nada, não nos suscita nenhum sentimento em particular, é só mais um dia para viver em harmonia com o planeta, só mais um dos dias do ano em que temos que nos policiar para consumir menos, consumir corretamente, diminuir nossa pegada ambiental, reciclar, reciclar e reciclar.

Afinal, não somos extraterrestres e não vivemos no planeta vermelho por 364 dias do ano e apenas viajamos para o planeta azul somente no dia mundial para comemorar esta data.

Nós vivemos todos os 365 dias do ano no planeta azul, na nossa espaçonave terra, vivemos no seio da mãe Gaia desde o dia em que nascemos até o dia em que deixarmos de viver.

Todos os 365 dias do ano são importantes, em todos os 365 dias do ano temos que cuidar do planeta, cuidar da nossa casa para que nossos descendentes ainda tenham uma casa para habitar.

Vamos parar com esta história de somente fazer alguma coisa em alguma data especial, como dia da água, dia da árvore dia do sei lá o que, e nos outros dias do ano consumir o mundo como se não houvesse amanhã.

Todos os dias você acorda e tem a oportunidade de economizar água ao dar meia descarga se somente fizer xixi, de fechar a torneira para escovar os dentes, de demorar não mais que 5 minutos no banho da manhã.

Você pode respeitar o planeta durante as refeições ao consumir somente produtos orgânicos. O que for industrializado, você pode escolher produtos com embalagens oxi-biodegradáveis, pode adquirir produtos com menos embalagens, pode levar sua sacola retornável para comprar o pão na padaria, fazer compras no supermercado ou em qualquer tipo de compra, seja no shopping ou no açougue, na feira ou na farmácia, na frutaria ou na videolocadora.

Você pode demonstrar o seu amor pelo planeta ao trocar as lâmpadas da casa por lâmpadas fluorescentes, trocar seu monitor e suas TVs por modelos de LCD, descartar corretamente seus equipamentos eletrônicos, lâmpadas e baterias.

Você pode demonstrar respeito por seus descendentes ao separar vidro, papel, plástico, metal para reciclagem e separar o lixo de cozinha para fazer adubo orgânico – compostagem – para recuperar a fertilidade do solo da mãe terra, que tem sido degradada por nós desde que a humanidade deixou de ser nômade.

Você pode separar o óleo usado para não contaminar rios e mares.

Você pode se unir a uma ONG e plantar árvores ou então ensinar seus amigos, vizinhos e parentes a serem menos consumistas e levarem uma vida mais sustentável.

Você pode pegar roupas usadas e costurar ou tricotar ou ainda crochetar sacolas retornáveis e distribuir entre seus parentes, amigos e vizinhos para que eles também façam parte da mudança.

Você pode dar carona para seus vizinhos para o serviço para diminuir a emissão de CO2, que está esquentando nosso planeta ou ainda, você pode ir andando ou de bicicleta trabalhar. Escolha fazer compras em seu bairro, onde você não tenha que utilizar o carro e ainda pode ir às compras com as amigas, todas caminhando e conversando e claro, sempre utilizando sua sacola retornável.

Viu porque não adianta apontar o dedo e dizer que esquecemos do meio ambiente?

Porque nós não esquecemos, nunca esquecemos, apenas, como já dissemos anteriormente, é apenas mais um dia na batalha pela sobrevivência da espécie humana neste planeta, apenas mais um dia na batalha para mudar padrões de produção e consumo, mais um dia na batalha para que nossos descendentes não tenham que limpar a sujeira que causamos, porque estamos lutando com todas as forças para acabar com o desperdício, acabar com o uso irracional e indiscriminado de recursos naturais, que estão indo parar nos lixões pela simples falta de reciclagem, estamos lutando ferozmente para acabar com as malditas sacolas plásticas, enfim mudar o mundo.

Todos os dias são dias do meio ambiente, dias em que os humanos tem que mudar seu padrao de produção e consumo, se tornarem fabricantes, varejistas e consumidores sustentáveis se quisermos ter um futuro como espécie, se não quisermos ser extintos.

Censo sobre utilização de sacolas em Maringá

 

A FUNVERDE iniciou na segunda-feira, dia 08 de junho de 2009, uma pesquisa sobre o uso das sacolas em Maringá, Paraná.

Queremos saber, após 4 anos de projeto, o que mudou na utilização das sacolas no varejo da cidade.

Estamos com equipes indo em lojas, supermercados e shoppings pedindo em cada local uma sacola para sabermos o tipo de sacola disponibilizada.

Por favor, recebam bem nossas duplas de estagiários como sempre o fizeram em todas as pesquisas que já realizamos.

Só queremos saber se vocês estão utilizando sacolas de papel, com ou sem laminação em plástico, se utilizam sacolas plásticas, se oxi-biodegradável ou convencional e se vocês disponilibizam também sacolas retornáveis e como estas sacolas são fornecidas ao cliente, se vendidas, se dadas quando o cliente adquire um certo valor em mercadorias, enfim, um levantamento para descobrirmos o que evoluiu nestes anos do PROJETO SACOLAS ECOLÓGICAS FUNVERDE.

Varejista, contamos com sua habitual colaboração e gentileza.