Já ameaçadas, as abelhas agora têm outro inimigo com que se preocupar: fungicidas

abelha-melWikimedia Commons

Não é segredo algum que as abelhas têm passado por apuros. Ontem mesmo, a Bombus affinis se tornou a primeira abelha nos Estados Unidos continentais oficialmente listada no Endangered Species Act, criado para proteger espécies sob risco de extinção. Mas essa é apenas a ponta do iceberg para nossas amiguinhas barulhentas, que, diferentemente de suas primas vespas, só querem polinizar plantas com seus pequenos corpos peludos. Infelizmente, as melhores abelhas, as de mel (Apis mellifera L.), estão lidando com mais uma ameaça à sua existência, enquanto as vespas apenas relaxam e veem o caos.

De acordo com uma nova pesquisa publicada em 21 de março, no Journal of Economic Entomology, o fungicida iprodiona, normalmente usado em pomares de amendoeiras, podem matar as abelhas de mel dentro de aproximadamente dez dias após exposição à substância. As abelhas de mel, que normalmente vivem por 122 dias, são alguns dos mais importantes polinizadores que temos; Então, a menos que você esteja torcendo por uma situação como a do 6º episódio da 3ª temporada de Black Mirror, isso é uma má notícia.

“Considerando que esses fungicidas podem ser aplicados quando as abelhas de mel estão presentes em pomares de amendoeiras, nossas descobertas sugerem que as abelhas podem enfrentar perigo significativo da aplicação de químicos, mesmo quando aplicados com responsabilidade”, disse Juliana Rangel, co-autora do estudo e professora assistente de apicultura na Texas A&M University, em um comunicado.

abelha-mel-2Abelha europeia polinizando uma flor (Wikimedia Commons)

A equipe usou um túnel de vento para testar como vários fungicidas, incluindo o iprodiona, afetariam abelhas de mel. Os fungicidas, em vários níveis de dosagem e velocidade, foram esguichados através do túnel de vento, enquanto um grupo de controle de abelhas não recebeu tal tratamento. Os pesquisadores descobriram que as abelhas expostas ao iprodiona, pela substância em si ou por alguma combinação com outros fungicidas, morreram em taxas duas ou três vezes maiores que as abelhas que não foram expostas, após dez dias. Neste momento, ainda é incerto por que esse fungicida particularmente é tão perigoso para a saúde das abelhas de mel. Tudo o que sabemos é que, por várias razões, isso é ruim. Muito ruim.

“A abelha de mel (Apis mellifera L.) contribui com US$ 17 bilhões com a economia dos Estados Unidos, especialmente ao polinizar colheitas de agricultura muito importantes, incluindo a da amêndoa, que é completamente dependente da polinização da abelha de mel para a produção do fruto”, escreveram os pesquisadores. “Ao proteger pomares de amendoeiras de diversas pragas e patógenos, tratamentos químicos pesados são usados durante o crescimento dos frutos. Entretanto, apesar de seu uso unânime, os efeitos dos vários pesticidas usados repetidamente nos pomares de amendoeiras na saúde da abelha de mel não são bem compreendidos.”

Com sorte, o estudo irá encorajar produtores a considerarem outras alternativas ao fungicida, ou protocolos de spray que minimizem a exposição à abelha de mel. Enquanto isso, por várias razões, incluindo não apenas este fungicida, mas também pesticidas, doenças e mudança climática, as abelhas de mel continuam a morrer aos montes, nos aproximando cada vez mais de nosso colapso inevitável como espécie.

Então, pois é… Salvem as abelhas, se não…

Fontes – Rae Paoletta, Journal of Economic Entomology / Gizmodo de 22 de março de 2017

Agrotóxico ameaça vida das abelhas e de outros animais

© Axel Kirchhof / Greenpeace

As abelhas do mundo inteiro estão sob forte ameaça dos agrotóxicos, em especial dos neonicotinoides, uma classe de pesticidas derivados da nicotina. Isso não é novidade: desde de 2008 que a comunidade internacional discute os perigos dessa substâncias e em 2013 a União Europeia proibiu parcialmente sua aplicação nas lavouras, como forma de proteger as populações de abelhas, insetos fundamentais para a produção agrícola e que se encontram em forte declínio. Ano passado, o órgão ambiental dos Estados Unidos colocou esses insetos na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Um novo relatório do Greenpeace, publicado na Europa, aponta que agrotóxicos neonicotinoides impõem um sério risco não apenas às abelhas, mas também para diversas outras espécies. A análise, conduzida por cientistas da Universidade de Sussex, revisou informações e dados de centenas de estudos publicados desde 2013, quando a União Europeia adotou o banimento parcial dos agrotóxicos clotianidina, imidacloprida e tiametoxam – todos neonicotinoides.

Leia o Sumário Executivo do relatório em português

Leia o relatório completo em inglês

Para Dave Goulson, professor de biologia da Universidade de Sussex e especialista na ecologia de abelhas, o quadro de contribuição dos neonicotinoides para o declínio da população de abelhas selvagens está ainda mais forte do que quando a União Europeia adotou o banimento parcial da substância.

“Além das abelhas, os neonicotinoides também podem estar ligados ao declínio das borboletas, pássaros, como pardais e perdizes, e de insetos aquáticos”, que entram em contato com o solo ou o sistema de irrigação. Os riscos podem se estender a morcegos também, que se alimentam dos insetos. “Dada a evidência de tal dano ambiental, seria prudente que a restrição europeia fosse estendida para sua integralidade”, defende o professor.

Segundo Marco Contiero, diretor de políticas públicas em agricultura do Greenpeace União Europeia, a ciência claramente mostra que neonicotinoides são onipresentes e persistentes no meio ambiente como um todo, e não apenas nas lavouras. “Essas substâncias são rotineiramente encontradas no solo, no lençol freático e nas flores selvagens”, disse Contiero.

Os escritórios do Greenpeace localizados na Europa pedem agora pela moratória integral de agrotóxicos neonicotinoides por parte da União Europeia.

Já no Brasil…

Enquanto a Europa estuda estender o banimento dos neonicotinoides de parcial para integral em suas lavouras, o governo brasileiro ainda permite o uso dessas substâncias à torto e à direito. E muitas vezes, esses agentes químicos não são aplicados diretamente nas plantas, mas pulverizados por aviões – uma prática que é perigosa por si só.

Mesmo sob os critérios da lei, a pulverização aérea é extremamente perigosa pois ela raramente atinge apenas o seu alvo, a lavoura – boa parte do veneno se perde pelo ambiente. Estima-se que esse desperdício é de ao menos 30%, mas em alguns casos pode ultrapassar de 70%. O que piora muito essa situação é que a prática é raramente realizada com responsabilidade e dentro da legalidade, ou seja, atingindo frequentemente zonas vizinhas habitadas como comunidades, escolas, meios aquáticos como rios, lagos e lagoas onde a água é captada para consumo, causando a contaminação dessas áreas e a intoxicação da vida animal, vegetal e humana.

Alguns estados estudam acabar com a prática, como o Rio Grande do Sul, onde tramita o Projeto de Lei (PL) 263/2014, que visa proibir a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o território gaúcho. Mas por enquanto ainda é permitido em praticamente todo o país, seja de neonicotinoides ou não.

São Paulo é outro estado que possui iniciativas para mudar essa realidade. Tramitam dois Projetos de Lei (PL) na Assembleia Legislativa do Estado: o PL 406/2016, que proíbe o uso e a comercialização de agrotóxicos que contenham clotianidina, tiametoxam e imidaclopride (todos neonicotinoides) em sua composição, e o PL 405/2016, que veta a pulverização aérea de defensivos agrícolas no estado.

A Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Europeias (APACAME) defende que algumas empresas, preocupadas em garantir a continuidade das vendas de seus pesticidas, têm lançado campanhas rotuladas como de apoio à saúde dos polinizadores, informando inclusive que os neonicotinoides não são prejudiciais às abelhas. “Somos de opinião que apenas decisões drásticas de proibição do uso ou banimento desses produtos sistêmicos, em especial aqueles do grupo dos neonicotinoides, venha a solucionar o problema do desaparecimento e, consequentemente, da morte das abelhas. A cada dia surgem novas pesquisas comprovando seu efeito nocivo para as abelhas”, diz a APACAME em artigo disponível em seu site.

Fonte – Greenpeace de 16 de janeiro de 2017

Estudo faz diagnóstico sobre declínio de polinizadores no mundo

Abelha borá (Tetragona clavipes) fazendo polinização em Belém (Foto: Léo Ramos/Revista Pesquisa FAPESP)

O uso intensivo de fertilizantes químicos, a destruição e degradação de áreas florestais e o agravamento das mudanças climáticas são as causas do declínio das populações de insetos polinizadores, como abelhas, moscas e borboletas, ao redor do mundo. A conclusão é de um amplo estudo de revisão feito por um grupo internacional de pesquisadores, entre eles a bióloga Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

Em artigo publicado na revista Nature, a equipe apresenta as principais ameaças associadas à diminuição de espécies polinizadoras em várias regiões do planeta tendo como base dados biológicos e registros da lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). No estudo, há ainda indicação de políticas e intervenções que poderiam ajudar a reverter esse cenário.

As abelhas e outros insetos polinizadores são conhecidos por proporcionar uma variedade de benefícios econômicos e ambientais, entre os quais a polinização de plantas e a produção de alimentos são os mais notáveis. No Brasil, as abelhas respondem em média por até 24% do ganho em produtividade agrícola em pequenas propriedades rurais. Também se estima que a exportação global de mel tenha movimentado US$ 1,5 bilhão em 2007. Em 2016, os benefícios obtidos graças à polinização no mundo, os chamados serviços ecossistêmicos, foram calculados em aproximadamente US$ 577 bilhões.

No estudo, os pesquisadores verificaram que as cerca de 20 mil espécies de abelhas conhecidas polinizam mais de 90% das 107 principais culturas do mundo. Não por acaso, 75% da alimentação humana depende direta ou indiretamente da ação de animais polinizadores. O declínio de algumas espécies de abelhas está associado ao processo de industrialização, sobretudo na Europa e na América do Norte, segundo os cientistas.

Espécies invasoras de polinizadores também podem causar o desaparecimento ou a diminuição de populações de espécies nativas, como a Bombus dahlbomii, na Argentina. Em algumas regiões da Europa, por exemplo, 9% das espécies de abelhas podem desaparecer nas próximas décadas. É o caso da B. franklini e da B. cullumanus. De acordo com os pesquisadores, as alterações climáticas previstas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estão influindo na distribuição geográfica de muitos desses polinizadores a uma velocidade maior do que a capacidade de dispersão desses animais.

Os problemas causados pela perda de polinizadores não se restringem à produção agrícola. Segundo eles, há também impactos negativos na reprodução de plantas silvestres, uma vez que mais de 90% das espécies de plantas tropicais com flores e cerca de 78% das espécies de zonas temperadas dependem, pelo menos em parte, da polinização desses insetos.

“O estudo verificou que os polinizadores são significativamente afetados pelo uso de pesticidas, pelas alterações climáticas globais e mudanças no uso da terra”, diz Vera Lúcia, que também é pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará. “Com base nesse conhecimento, apresentamos algumas ações de políticas públicas para conservação desses animais que devem ser discutidas na Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, entre os dias 4 e 17 de dezembro no México.”

Entre as medidas sugeridas no estudo estão políticas de estímulo a sistemas agrícolas mais diversos, melhor regulamentação do comércio de polinizadores manejados, como as colmeias de abelhas, de modo a controlar a propagação de parasitas e patógenos, e maior investimento na educação dos agricultores sobre o controle de pragas, a fim de reduzir a dependência de pesticidas. “O objetivo é melhorar as condições de vida das populações rurais, conservar a biodiversidade, melhorar as boas práticas de manejo do meio e direcionar o planejamento para guiar as ações futuras de restauração e conservação”, diz Vera Lúcia. “Garantir a conservação dos polinizadores é retorno certo para a agricultura, biodiversidade e desenvolvimento científico.”

O artigo Safeguarding pollinators and their values to human well-being, de Pott, S.G e outros, publicado na revista Nature de 28 de novembro de 2016, pode ser acessado em http://www.nature.com/nature/journal/v540/n7632/full/nature20588.html

Fonte – Rodrigo de Oliveira Andrade, Revista FAPESP de 22 de novembro de 2016

Cientistas apontam 10 ações políticas para proteger polinizadores

Cientistas apontam 10 ações políticas para proteger polinizadoresAbelhas são responsáveis por polinizar mais de 50% das plantas das florestas tropicais e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo. Foto: AFP

Animais como as abelhas garantem produção de alimentos no mundo, mas estão em declínio; entre as medidas está a regulação de pesticidas

Um novo artigo na revista Science, produzido por uma equipe internacional de 12 cientistas, com participação brasileira, aponta 10 ações políticas que os governos de todo o mundo devem tomar para proteger os animais polinizadores.

Os serviços prestados pelos polinizadores são considerados pelos cientistas fundamentais para a produção de alimentos – especialmente no caso das abelhas, que são responsáveis por polinizar mais de 50% das plantas das florestas tropicais e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo.

Mas os polinizadores estão sofrendo um declínio de grande escala, de acordo com uma recente avaliação global realizada pela Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – um órgão que fornece base técnica e científica à Convenção da Diversidade Biológica, apelidado pelos pesquisadores de “IPCC da Biodiversidade”.

As 10 medidas para proteção dos polinizadores – que incluem a regulação de pesticidas, o incentivo a sistemas agrícolas diversificados e o monitoramento de longo prazo – tiveram base em um exaustivo estudo produzido pelo IPBES e foram definidas por um grupo de 12 cientistas, incluindo três pesquisadoras brasileiras.

A publicação teve a participação de Carmen Pires, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Blandina Viana, do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia e Adriana Lopes, da Universidade Federal de Pernambuco.

De acordo com Carmen, o objetivo da equipe era sugerir 10 ações políticas claras e bem definidas para que os governos possam combater o problema do declínio dos polinizadores e assim proteger a produção de alimentos.

Segundo ela, o conjunto de recomendações é parte de um relatório produzido pelo IPBES, cujo resumo foi aprovado na última reunião da COP da Biodiversidade, em Kuala Lumpur e que será discutido na próxima COP, no México.

“É um documento muito robusto. Nós produzimos o sexto capítulo, que trata das políticas públicas que devem ser realizadas para reduzir os impactos sobre os polinizadores. Por isso a Science nos convidou para produzir o artigo”, disse Carmen ao Estado.

A primeira das recomendações é estabelecer padrões mais restritivos na regulação dos pesticidas. “Hoje, se você observar, apenas a abelha europeia, a Apis mellifera, é utilizada para as análises de impacto de agrotóxicos. Precisamos que protocolos de outras espécies entrem nessas análises. Também é preciso avaliar os efeitos indiretos e não letais dos agrotóxicos, porque hoje só se avalia os impactos a partir da toxicidade aguda, isto é, se o produto mata ou não o inseto”, disse Carmen.

Os cientistas também recomendam promover o manejo integrado de pragas. Antes de decidir pelo uso de um pesticida, o produtor deve observar o nível de dano que realmente é causado pela praga. “É preciso monitorar. Se uma lagarta na soja não causa real dano econômico, não vale à pena aplicar o pesticida. É preciso também escolher produtos menos tóxicos para as abelhas e sempre começar pelo controle biológico: produtos químicos devem ser o último recurso.”

Os governos também devem incluir os impactos indiretos e não-letais nas análises de riscos de sementes transgênicas, além de regulamentar os fluxos de polinizadores manejados.

“No Brasil temos uma legislação para importação de agentes de controle biológico. Não se pode simplesmente trazer uma nova espécie de abelhas que não existe no Brasil sem uma avaliação de riscos. Mas, de modo geral, os países não têm essa regulamentação”, declarou Carmen.

Outra ação recomendada pelos cientistas é desenvolver incentivos para que agricultores se beneficiem ao trocar agroquímicos por serviços fornecidos pelos ecossistemas.

“É preciso premiar quem protege os polinizadores, em vez de punir quem não protege. Se o produtor consegue produzir sem agrotóxicos, manter áreas de vegetação natural e controlar o uso de pesticidas, ele tem que ser incentivado.”

A polinização, segundo os pesquisadores, deve ser levada em conta pelos serviços de apoio ao agricultor, mostrando que ela é um fator central para a produção. “As empresas de extensão rural devem reconhecer a importância da polinização como um insumo agrícola importante. O serviço de extensão público tem que ser fortalecido e orientar sobre pragas, pesticidas, mas também sobre a proteção dos polinizadores.”

Os cientistas também recomendam o apoio aos sistemas agrícolas diversificados. “Nós precisamos fortalecer a agricultura de base ecológica. Vários trabalhos científicos mostram que áreas pequenas e diversificadas – com mais vegetação natural e culturas intercaladas – protegem mais o polinizador que as áreas de monoculturas. É preciso incentivar o que chamamos de ‘intensificação ecológica'”, disse Carmen.

Os governos também devem conservar e restaurar a “infraestrutura verde” – uma rede de hábitats entre os quais os polinizadores podem se mover -, em paisagens agrícolas e urbanas. “Investir na infraestrutura verde permite que os polinizadores se movam entre os ambientes. É preciso ter manchas de vegetação natural e corredores até mesmo nas paisagens urbanas – como se faz em algumas cidades americanas, onde se plantam flores melíferas nos jardins”, explicou Carmen.

As últimas recomendações consistem em desenvolver sistemas de monitoramento de longo prazo de polinizadores e financiar pesquisas sobre a melhora de rendimento na agricultura orgânica, diversificada e ecologicamente intensificada.

“Sentimos falta de dados de monitoramento de longo prazo, para saber se as comunidades de abelhas estão ou não diminuindo. Só é possível tomar decisões com esse tipo de dados. E é preciso criar um fundo global para pesquisa para promover a agricultura que tem base na intensificação ecológica”, disse.

10 ações para proteger os polinizadores:

1 – Estabelecer padrões mais restritivos na regulação dos pesticidas.

2 – Promover o manejo integrado de pragas.

3 – Incluir efeitos indiretos e não-letais nas avaliações de riscos de sementes transgênicas

4 – Regulamentar a importação de polinizadores manejados

5 – Desenvolver incentivos para que agricultores se beneficiem ao trocar agroquímicos por serviços fornecidos pelos ecossistemas

6 – Serviços de extensão para orientação de produtores devem reconhecer a polinização como um insumo importante da agricultura

7 – Apoiar sistemas agrícolas diversificados

8 – Conservar e restaurar a “infraestrutura verde” – uma rede de hábitats entre os quais os polinizadores podem se mover -, em paisagens agrícolas e urbanas

9 – Desenvolver monitoramento de longo prazo de polinizadores

10 – Financiar pesquisa sobre a melhora de rendimento na agricultura orgânica, diversificada e ecologicamente intensificada

Fonte – Fábio de Castro, Estadão de 28 de novembro de 2016

Morte de insetos põe agricultura em risco e pode custar bilhões ao Brasil

Abelha em flor de macieira; produção de maçã é uma das mais dependentes de insetos polinizadoresFoto: Aaron Swift/Flickr

A população de abelhas e outros insetos polinizadores está diminuindo em todo o mundo, o que faz cientistas correrem para calcular o impacto na agricultura e de propor possíveis soluções.

Segundo as contas feitas por pesquisadores de Minas Gerais e do México, o Brasil poderá perder de 16,5 a 51 milhões de toneladas de produtos agrícolas se a situação continuar piorando. Isso equivale a um prejuízo de US$ 4,9 bilhões (R$ 16,6 bi) a US$ 14,6 bilhões (R$ 49 bi).

O motivo disso é que as culturas que são polinizadas têm alto valor de mercado, representando 68% do total da agricultura brasileira. Segundo os cientistas, muito do impacto econômico causado pela falta de insetos seria sofrido pela agricultura familiar, responsável por 74,4% do setor. Para chegar aos números, os pesquisadores desenharam dois cenários –um pessimista e um otimista– e estimaram qual seria o prejuízo para cada um dos 53 principais cultivos no país, de acordo com a dependência da polinização para a produtividade de cada plantação.

Por exemplo, o café, o melão e a maçã são culturas que têm de moderada a alta dependência de polinizadores. Em última análise, a produção de sementes (como a soja) e de frutos (como a goiaba) depende desse serviço ecológico, que consiste no transporte das células reprodutivas masculinas, levando-as até as células femininas. Em algumas culturas, como na de maracujá, há apenas uma espécie que faz bem o trabalho (a abelha conhecida como mamangava). Sem ela –por causa de defensivos agrícolas ou baixa tolerância às mudanças climáticas, por exemplo–, a produtividade despenca.

Em alguns casos, o vento, a água e até a autopolinização podem dar conta do recado. É o caso de três das principais culturas do país: cana-de-açúcar, milho e arroz.
Mas isso não quer dizer que essas plantações estejam livres de “culpa” pelo que está acontecendo, segundo os autores do estudo, publicado na revista “Plos One“. O principal fator para o declínio é a mudança de uso da terra, ou seja, a transformação de extensas áreas de floresta ou mata nativa em monocultura.

Solução

Uma das medidas para mitigar esse impacto está na agenda dos ambientalistas há tempos: manter uma área da mata nativa junto à propriedade –e que ela não seja fragmentada–, explica Cássio Nunes, doutorando da Universidade Federal de Lavras e um dos autores do artigo.

Com isso, polinizadores como abelhas, mariposas, borboletas, moscas e até morcegos podem ser preservados, já que não faltariam alimento ou abrigo, para que ofereçam seus serviços aos agricultores.

Por outro lado, se há abelhas pode haver pragas circulando pela plantação. Seria possível fazer um inseticida que não agredisse as abelhas e outros polinizadores?
Segundo Osmar Malaspina, professor da Unesp e um dos maiores especialistas do país no assunto, esse produto não existe. Ele diz que o uso incorreto dos agrotóxicos também contribui para a mortandade das abelhas e que as próprias fabricantes estão preocupadas e estudando o assunto.

“Mas existem relatos de lugares em que o número de colônias de abelhas está aumentando”, afirma. Dessa forma, seria difícil bater o martelo sobre o tamanho do prejuízo, embora exista um consenso científico na área de que os polinizadores estão, sim, ameaçados.

Tanto que a substituição deles pela força de trabalho humana é uma realidade na China, onde a população de insetos em algumas regiões caiu a níveis alarmantes. Sem a intervenção do homem, a produção dos pomares de macieiras despencaria.

“É uma tarefa custosa, e é por isso que o governo tem que tomar posições, para que daqui 150 anos não digam que poderíamos ter salvo a produção de alimentos se tivéssemos preservado as abelhas”, diz Malaspina.

Uma das ações possíveis é aumentar o rigor para um novo agrotóxico ser aprovado pelo Ibama. A previsão é que uma lei vigore em 2017.

Outra solução, aventada pelos autores do estudo da “Plos One“, é o incentivo ao uso da agricultura orgânica. O problema é o alto custo dessa forma de cultivo, diz Malaspina, o que torna a prática tão inviável quanto uma abolição completa do uso de agrotóxicos.

Vida de Inseto

Perda de polinizadores ameaça importantes culturas no Brasil

O que são?

Polinizadores são animais, geralmente insetos, que se deslocam de flor em flor, carregando células reprodutivas masculinas das plantas, levando-as até as células femininas e fazendo com que haja fecundação, formação de sementes e, consequentemente, de frutos

Na prática

A quantidade produzida de algumas culturas pode cair, tornando-as indisponíveis e/ou mais caras

Dependência

Entre os exemplos de culturas altamente dependentes da polinização estão: maçã, abacate, café, goiaba, melão, maracujá, melancia, tomate, pêra e pêssego

De 16 a 51 milhões

De toneladas de comida podem ser perdidas no futuro por causa do declínio na população dos polinizadores

US$ 14,56 bi

Pode ser o prejuízo financeiro no pior cenário estimado

Problemas e Propostas

Grandes áreas de monocultura

> Problema: Ou o inseto não consegue se alimentar da cultura ou ele fica sem comida na entressafra
> Proposta: Manter um trecho de mata nativa na propriedade e/ou aplicar rotação de culturas

Mudanças climáticas

> Problema: Alguns polinizadores não conseguem sobreviver muito bem a temperaturas elevadas e em ambientes secos
> Proposta: Tentar atenuar os efeitos no clima causados pelo homem, como as emissões de carbono para a atmosfera

Inseticidas

> Problema: Muitas vezes inseticidas e pesticidas acabam tendo como efeito colateral e indesejável a morte de insetos polinizadores
> Proposta: Aumentar o número de pesquisa para desenvolver defensivos agrícolas e estratégias que não afetem os polinizadores

Fonte – Gabriel Alves, Folha de S. Paulo de 01 de dezembro de 2016

Pesquisa aponta que 70% das abelhas têm resíduos de agrotóxicos em SP

criação_abelha (Foto: Thinkstock)
Segundo a pesquisa, a relação da mortalidade de abelhas com a aplicação de defensivos agrícolas está relacionada com o uso incorreto em 100% dos casos analisados (Foto: Thinkstock)

Ao todo, foram 1742 colmeias observadas por projeto no período de agosto de 2014 a junho de 2015

Um estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg) com as universidades Unesp e UFScar  aponta que 70,8% das abelhas usadas na amostragem apresentam resíduos de agrotóxicos, principalmente das substâncias pirazol (64,7% dos casos), neonicotinoides (29,4% das ocorrências) e a combinação de pirazol + triazol (5,9%).

A iniciativa chamada Colmeia Viva quer descobrir a relação entre a aplicação de agrotóxicos e a mortalidade de abelhas no Estado de São Paulo. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (10/10). Veja o relatório completo.

Para a análise, os pesquisadores coletaram de agosto de 2014 a junho de 2015 abelhas da espécie Apis mellifera (a mais comum no Brasil), que estavam moribundas ou que tivessem morrido até 24 horas antes da coleta, além de colmeias que tenham perdido mais de 20% do enxame. Ao todo, foram 1742 colmeias observadas pelo projeto. Destas, 62,5% estavam dentro da mata e  37,5% no limite da lavoura.

As análises das amostras de abelhas são realizadas por laboratório reconhecido pelo Inmetro e capaz de identificar resíduos de vários tipos de defensivos agrícolas em uma mesma análise.

Causas

Segundo a entidade, o resultado indica que a relação da mortalidade de abelhas com a aplicação de defensivos agrícolas está relacionada com o uso incorreto em 100% dos casos analisados. Entre as más práticas estão dosagens acima das recomendações indicadas em rótulo e bula, falta do cumprimento das exigências legais para a aplicação dos produtos químicos, emprego incorreto da modalidade de aplicação sem a autorização ou registro de produtos para cultura agrícola e até outros usos dos produtos sem relação direta com atividade agrícola.

O estudo diz ainda que nos casos de mortalidade de abelhas não foram observados no Brasil os sintomas característicos da Síndrome do Desaparecimento das Abelhas (CCD, em inglês), que são colmeias desorganizada, sujas e abandonadas, ou declínio da população de abelhas, sem a presença de abelhas mortas.

A iniciativa dará origem a um Plano de Ação Nacional voltado às boas práticas de aplicação dos defensivos agrícolas para uma relação mais produtiva entre agricultura e apicultura.

Participação

Por meio do número 0800 771 8000, agricultores, apicultores e suas associações têm um canal de comunicação para sinalizar os casos de perda de colmeia. “Os agricultores participam quando encontrarem colmeias não identificadas em sua propriedade, em caso de dúvida na ocorrência de um incidente por aplicação de defensivo agrícola e se precisarem de orientação sobre boas práticas de convivência entre as atividades agrícola e apícola”, informa o projeto.

“Já os apicultores, quando verificarem perdas de colmeias e abelhas em seus apiários, se necessitarem de suporte no entendimento das causas de perda de colmeias, sobre o que fazer em caso de possível incidente com abelhas e também se necessitarem de orientação sobre boas práticas de convivência entre agricultura e apicultura”.

Fonte – Teresa Raquel Bastos, Globo Rural de 10 de outubro de 2016

As abelhas estão morrendo intoxicadas no Brasil

Abelhas cobertas de pólen em Frankfurt, AlemanhaAbelhas cobertas de pólen em Frankfurt, Alemanha (Frank Rumpenhorst/AFP/VEJA)

A morte do inseto preocupa apicultores e agricultores por colocar em risco a produção de alimentos

Se pagássemos pelo serviço que as abelhas prestam à natureza, elas estariam bilionárias. O “salário” à colmeia mundial seria de 212 bilhões de dólares por ano. O cachê é alto assim porque o inseto é responsável por 73% da polinização de toda a cultura mundial. O resultado é a garantia de 40% dos alimentos consumidos por nós. Por isso, sua possível extinção – que pode não estar tão distante, como apontou este novo estudo (no link) – é algo tão preocupante, seja para a biodiversidade do planeta ou até, pasmem, para os produtores de inseticidas, produtos que as matam.

A relação é simples. Sem abelhas, não há agricultura, muito menos a necessidade de agrotóxicos. Foi por isso que o projeto Colmeia Viva, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) foi criado e agora divulga o Mapeamento de Abelhas Participativo (MAP), como resultado de uma parceria entre agricultores e apicultores.

“Reconhecemos o nosso papel na relação entre a agricultura e a apicultura. Uma não existe sem a outra e somos parte disso. É preciso criar boas práticas para o uso dos defensivos”, explicou a vice-presidente do Sindiveg, Silvia Fagnani.

O principal resultado da pesquisa é de que 70% das abelhas estudadas morreram de intoxicação por inseticidas. E em todos os casos, o que causou a morte foi o uso incorreto dos produtos por parte dos aplicadores. A pesquisa apontou, entretanto, que as abelhas mortas na área analisada não apresentaram sintomas da Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD), fenômeno registrado principalmente no hemisfério norte com a espécie Apis Mellifera.

Pelo CCD, elas desaparecem sem deixar vestígios. No Brasil, o caso é de mortalidade por intoxicação. Entres os produtos encontrados, estão alguns dos mais vendidos e conhecidos no mercado, como o Neonicotinoide e o Pirazol.

O relatório, porém, é só um começo para o que o projeto pretende realizar, segundo o biólogo Osmar Malaspina, especialista em ecotoxicologia das abelhas, da Unesp, e que participou da pesquisa. Para esta primeira análise, apenas 13 casos foram estudados. A validade, entretanto, de acordo com o pesquisador, se dá pelo tempo de investigação, de um ano. Para que as abelhas sejam analisadas é necessário que o apicultor denuncie, ao Sindiveg, a morte de sua criação em até 24 horas ou que o agricultor perceba que os insetos estão morrendo em sua plantação nesse mesmo espaço de tempo.

“O curto prazo entre a denúncia e a coleta dificulta um pouco a pesquisa, por isso restringimos a área de abrangência ao estado de São Paulo, com foco em poucas amostras. Para apresentarmos dados mais consistentes, precisamos estudar mais colmeias e, para isso, é necessário que apicultores e agricultores colaborem ligando para o nosso disque denúncia”, pediu Malaspina.

As criações mais afetadas, segundo o biólogo, são as próximas às grandes produções de monocultura, como as de soja e as de cana. “Inseticidas, como o próprio nome já diz, são feitos para matar insetos. Estamos tentando amenizar essa situação para que os aplicadores usem de forma correta e possam diminuir a mortalidade das abelhas. A solução definitiva, porém, estaria em repensar a forma como produzimos alimento, sem necessitar da aplicação desses defensivos”, explicou.

O biólogo ainda lembra da importância do inseto para o lucro do grande produtor. No Brasil, há cerca de 3 mil espécies de abelhas. Alguns cultivos, como o melão e a maçã, são polinizados por apenas um tipo, e o desaparecimento da abelha da região significaria o fim da produção.

“O agricultor, por falta de conhecimento, só pensa em fertilizante e adubos. Mas não sabe que a abelha é a maior responsável por manter sua colheita. Agora, se não há comida, elas não ficam no local. Por isso, é importante aliar a plantação a corredores de florestas, construindo habitats apropriados aos insetos”, concluiu o biólogo.

O MAP continua e as análises também. O relatório completo está disponível no site do Colmeia Viva e o telefone para denúncias e dúvidas é o 0800 771 8000.

Fonte – Talissa Monteiro, Veja de 04 de outubro de 2016

Apocalipse das abelhas: estudo de pesquisadores poloneses encontra 57 tipos de agrotóxicos em abelhas européias

A ideia de que o uso intensivo e indiscriminado de agrotóxicos está tendo um efeito devastador sobre a população de abelhas em todo o mundo não é nova.  Agora, a partir da publicação de um artigo cientifico na revista “Journal of Chomotography A” um grupo de pesquisadores poloneses do “National Veterinary Research Institute” está demonstrado que o problema é muito maior do que havia sido demonstrado até agora pela ciência.

É que graças a um novo método analítico desenvolvido pela equipe liderada por Tomasz Kilijanek se tornou possível analisar de forma simultânea uma ampla gama de substâncias presentes numa única amostra (no caso mais de 200 agrotóxicos).  Para validar esse método, a equipe de pesquisadores utilizou 74 espécimes das abelhas européias que haviam morrido por envenenamento por agrotóxicos (Apis Mellifera) e chegou a um resultado impressionante: em 73 dos indivíduos analisados foi possível detectar pelo menos um agrotóxico estudado ou um derivado dele, totalizando 57 tipos de substâncias diferentes!

Ainda que o estudo não tenha sido desenvolvido para determinar as relações existentes entre o uso de agrotóxicos e o extermínio das abelhas, os pesquisadores poloneses apontam que novos estudos serão possíveis a partir deste novo método, os quais poderão contribuir para que se saiba melhor como ocorrem as intrincadas relações entre exposição a agrotóxicos e morte das abelhas.

Muitos poderão se perguntar sobre qual é efetivamente o problema em se ter esse nível de contaminação por agrotóxicos em abelhas. Afora o fato de que estes insetos são polinizadores essenciais para a agricultura, eles representam apenas a face mais óbvia do estrago feito por agrotóxicos sobre a biodiversidade de insetos que garante um sensível balanço entre presas e predadores que se for alterada de forma de forma irreversível poderá ter efeitos totalmente devastadores para a produção de alimentos em todo o mundo.

Nunca é demais lembrar que, em que pesem as crescentes evidências de que o uso de agrotóxicos está causando este tipo de estrago, há uma forte lobby no Congresso Nacional e dentro do Ministério da Agricultura, agora liderado por Blairo Maggi, para que o Brasil passe a utilizar agrotóxicos que foram banidos em outras partes do mundo.  Em outras palavras, o risco aqui é de que o Apocalipse das abelhas seja apenas a ponta de um longo iceberg envenenado.

Fonte – Blog do Pedlowski de 05 de junho de 2016

Animação faz alerta sobre o desaparecimento das abelhas

Uma em cada três refeições comidas por seres humanos só é possível devido à polinização feita por esses insetos

Muitas colmeias já desapareceram nos últimos anos, com a queda anual estimada pelos apicultores entre 30% e 90% ao ano.

Albert Einstein é sempre associado a uma frase bastante popular que diz: “se as abelhas morrerem, os humanos morrerão em seguida nos próximos anos”. Provavelmente ele nunca tenha dito tal sentença, mas ela é verdadeira: o “trabalho” desses insetos é indispensável para a humanidade e preservação da biodiversidade do planeta.

As abelhas las estão realmente sumindo. Um vídeo criado pelo site de conteúdo científico Nova, com apoio da Academia Australiana de Ciência, explica o chamado “distúrbio do colapso das colônias” e suas consequências. Muitas colmeias já desapareceram nos últimos anos, com a queda anual estimada pelos apicultores entre 30% e 90% ao ano. Só nos Estados Unidos, havia 5 milhões de colmeias em 1988, e atualmente elas são estimadas em metade disso, 2,5 milhões.

Entre os suspeitos estão parasitas como varroa, vírus, fungos e o uso de agrotóxicos à base de neonicotinóides, aprovados no início dos anos 1990 e um dos inseticidas mais usados no mundo. Entretanto, ainda não há um consenso entre os cientistas sobre os verdadeiros culpados.

O vídeo explica que se todas as abelhas fossem exterminadas, diversas plantas morreriam ou reduziriam sua produtividade, como maçãs, cebolas, abóboras e ingredientes que compõem a ração animal, o que levaria milhões de pessoas à situação de fome. Além disso, o sumiço desses insetos também causará um forte impacto econômico. A polinização movimenta cerca de US$ 265 bilhões por ano.

“Esse é um desafio a ser superado se quisermos viver com uma relativa abundância e diversidade de alimentos”, diz um dos trechos do vídeo.

Fonte – Globo Rural de 17 de junho de 2016

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These photos capture the startling effect of shrinking bee populations

A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand in Hanyuan County, Sichuan province, China.

In rural China, humans pollinate flowers by hand.

A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand in Hanyuan County, Sichuan province, China.
In parts of rural China, humans are doing the work bees once did.

Striking new photos show farm workers in Hanyuan county, in China’s Sichuan province, painstakingly applying pollen to flowers by hand.

Hanyuan county is known as the “world’s pear capital.” But pesticide use has led to a drastic reduction in the area’s bee population, threatening the fruit crop. Workers now pollinate fruit trees artificially, carefully transferring pollen from male flowers to female flowers to fertilize them.

For photographer Kevin Frayer, the images of human pollinators tell a story of both loss and human creativity.

“On the one hand it’s a story about the human toll on the environment, while on the other it shows our ability to be more efficient in spite of it all,” Frayer told The Huffington Post.

Bee populations are declining worldwide, according to a February report from the United Nations. Shrinking numbers of bees could result in the loss of “hundreds of billions of dollars” worth of crops every year.

But in some parts of China, hand pollination can actually cost less than renting bees to pollinate crops. Farmers in Hanyuan began pollinating by hand because human labor was cheap, Frayer said. But rising labor costs and declining fruit yields are calling the long-term viability of hand pollination into question.

As bees rush toward extinction, Frayer’s photos might portend a not-so-distant future — one in which human ingenuity must replace what human nearsightedness has wiped out.

“It is entirely possible than in our lifetime this practice could become the norm all over the world,” Frayer said.

Chinese farmer He Guolin, 53, holds a stick with chicken feathers used to hand pollinate flowers on a pear tree.
A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand on March 25, 2016 in Hanyuan county, Sichuan province, China.
A Chinese farmer displays the pollen used to pollinate pear trees by hand.
Chinese farmer He Meixia, 26, pollinates a pear tree.
Farmers pollinate each pear blossom individually.
A recent United Nations biodiversity report warned that populations of bees, butterflies and other pollinating species could face extinction due to habitat loss, pollution, pesticides and climate change. It noted that animal pollination is responsible for 5 to 8 percent of global agricultural production, meaning declines pose potential risks to the world’s food supply.
Heavy pesticide use on fruit trees in the area caused a severe decline in wild bee populations, and trees are now pollinated by hand in order to produce better fruit.
A worker stretches to pollinate a distant pear blossom.
Chinese farmer Luo Mingzhen, 53, takes a break from hand-pollinating pear trees.
Hanyuan county describes itself as the “world’s pear capital,” but the long-term viability of hand pollination is being challenged by rising labor costs and declining fruit yields.
A Chinese farmer climbs a pear tree as she pollinates the flowers by hand.

Fonte – Casey Williams, The Huffington Post de 08 de abril de 2016

Imagens – Kevin Frayer, Getty Images