Pesquisas comprovam que nós estamos matando as abelhas

Dois estudos financiados pela indústria de pesticidas mostraram resultados não muito bons para os seus financiadores. As pesquisas forneceram provas sólidas de que pesticidas muito populares, chamados de neonicotinóides, são terríveis para as abelhas, animais polinizadores que mantêm nosso sistema de produção de alimentos funcionando.

Já suspeitava-se há algum tempo que esses pesticidas poderiam estar afetando as abelhas, mas esse é um assunto complicado de se estudar em laboratório, onde as abelhas podem receber doses de pesticida de forma irrealista. Agora, os cientistas realizaram os maiores testes de campo na Europa e no Canadá, e a notícia é ruim.

Os neonicotinóides são a classe mais utilizada de inseticidas no mundo. Eles são quimicamente semelhantes à nicotina, o composto que as plantas da família das palmeiras desenvolveram para protegerem-se das pragas.

Inseticidas sistêmicos

Inventados na década de 1980, os neonicotinóides rapidamente se tornaram um tratamento de colheita popular porque são sistêmicos, o que significa que eles circulam por toda a planta e matam os insetos logo que eles se alimentam. E uma vez que eles permanecem no sistema da planta, uma aplicação – às vezes apenas nas sementes – pode ser suficiente para oferecer uma proteção a longo prazo.

Mas essas propriedades atraentes para os agricultores são o que tornam os neonicotinóides uma preocupação para o bem-estar das abelhas. Um inseticida sistêmico faz facilmente o caminho até o néctar e o pólen de uma planta florida.

Para medir esse potencial dano, uma equipe de pesquisadores europeus estabeleceu 33 locais com plantações de colza, uma planta da qual as semenste são usadas para a produção de biodiesel, na Alemanha, Hungria e no Reino Unido. Estes foram aleatoriamente designados para serem tratados com um de dois nicotinóides ou com nenhum deles.

A equipe observou os efeitos em três espécies de abelhas. Os resultados diferiram entre locais e espécies, mas, em geral, eles descobriram que as colmeias eram menos propensas a sobreviver durante o inverno, enquanto as abelhas selvagens se reproduziram menos.

Não é que os pesticidas matem diretamente abelhas, observam os cientistas. Em vez disso, parece que a exposição de baixo nível as torna mais vulneráveis, especialmente se houver outros fatores ambientais ou doenças que já afetam a colmeia.

“As aplicações de neonicotinóides são, portanto, um tipo de roleta reprodutiva para as abelhas”, observa Jeremy Kerr, pesquisador em biodiversidade, em um artigo na revista Science.

Tiro pela culatra

O enorme estudo foi, na verdade, amplamente financiado pela própria indústria de pesticidas. As empresas Bayer Crop Science e Syngenta deram 3 milhões de dólares para a pesquisa, e ambas criticaram as conclusões dos cientistas de que seria melhor restringir o uso de neonicotinóides.

Mas estes são resultados importantes, e devem ser usados como base para a próxima decisão da União Europeia sobre uma potencial proibição geral destes pesticidas. Uma proibição temporária já está em vigor desde 2013.

“Nossos resultados sugerem que, mesmo que seu uso fosse restringido, como na recente moratória da UE, a exposição contínua a resíduos de neonicotinóides resultantes do uso generalizado anterior tem o potencial de impactar a persistência negativa de abelhas selvagens em paisagens agrícolas”, escrevem os pesquisadores.

E isso não é tudo.

Outro estudo de campo realizado por pesquisadores no Canadá foi publicado na mesma publicação da Science, mostrando também efeitos negativos nas abelhas.

A equipe estudou abelhas que viviam perto de campos de milho tratados com neonicotinóides ou longe da agricultura. Os resultados sugeriram que as abelhas expostas cronicamente apresentavam menor expectativa de vida e poucas condições de higiene na colméia.

Além disso, eles também descobriram que as abelhas recolheram pólen contaminado com os pesticidas, mas esse pólen não veio das próprias culturas tratadas.

“Isso indica que os neonicotinóides, que são solúveis em água, se espalham de campos agrícolas para o ambiente circundante, onde são absorvidos por outras plantas que são muito atraentes para as abelhas”, diz uma das pesquisadoras, Nadia Tsvetkov.

O trabalho realizado por ambas as equipes demonstra que realmente estamos contribuindo para o declínio mundial das abelhas, de forma mais dramática do que gostaríamos de admitir.

“Chegou a um ponto em que simplesmente não é plausível continuar negando que essas coisas prejudiquem abelhas em estudos realistas”, disse o pesquisador Dave Goulson, da Universidade de Sussex. “Eu diria que é o último prego no caixão”, sentencia.

 Fonte – Jéssica Maes, Science Alert / Hypescience de 05 de julho de 2017

Europa a um passo de proibir pesticidas que prejudicam as abelhas

Os inseticidas neonicotinóides poderão ser proibidos na UE, se as propostas da Comissão Europeia forem aprovadas

Os insecticidas mais usados no mundo poderão ser proibidos na UE, se as propostas da Comissão Europeia, às quais o jornal britânico The Guardian teve acesso, forem votadas favoravelmente pela maioria dos Estados-membros. Os documentos mencionam “riscos agudos para as abelhas” e a proibição poderá entrar em vigor ainda este ano.

As abelhas e os outros polinizadores são responsáveis pela polinização e fertilização de três quartos das colheitas agrícolas do mundo e as suas populações têm sofrido um declínio acentuado nas últimas décadas, devido à perda de habitat, doenças e utilização de pesticidas.

Os inseticidas em questão, os neonicotinóides, são usados há mais de 20 anos e são muito tóxicos para as abelhas.

As propostas da Comissão Europeia (CE), que poderão ser votadas já em maio, foram baseadas nas avaliações de risco da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, publicadas em 2016, e contemplam a proibição da utilização de três neonicotinóides – imidacloprida, clotianidina e tiametoxam – nos campos, com uma exceção aberta para as plantas cultivas em estufas.

“A quantidade de provas científicas sobre a toxicidade destes inseticidas é tão elevada que não existe nenhuma razão para estes químicos continuarem à venda no mercado”, disse Martin Dermine da PAN Europe. “A PAN Europe lutará, juntamente com os seus parceiros, de forma a obter o apoio da maioria dos Estados-membros para esta proposta.”

Para Matt Shardlow, diretor executivo da organização Buglife, estas propostas são bem-vindas. “A EFSA confirmou mais de 70 riscos elevados nas sementes tratadas com neonicotinóides.”

Um relatório recente realizado por peritos da ONU considerou um “mito” a ideia de que os pesticidas são necessários para alimentar o mundo e preconizou a criação de um novo tratado global para controlar a sua utilização. “Dado o fracasso da indústria de pesticidas em fazer face, ou mesmo reconhecer, o desastre ecológico causado pelos pesticidas neonicotinóides, concordamos que existe uma necessidade premente de uma nova convenção mundial”, disse Matt Shardlow.

Fonte – The Uniplanet de 29 de maio de 2017

Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celular

Foto: divulgação Friends of the Earth

Há poucas coisas que os britânicos gostem tanto do que cuidar de seus jardins. Nesta época do ano, quando o sol finalmente dá a graça nesta ilha do Hemisfério Norte, lojas de plantas ficam lotadas e moradores passam mais tempo no quintal, regando e admirando as cores e aromas da primavera.

Junto com o desabrochar das flores, chegam os animais selvagens. Ou o que ainda restou deles, já que muitos foram levados quase à extinção nos últimos séculos, devido à urbanização desenfreada, até então, sinônimo de desenvolvimento e progresso econômico.

Hoje em dia os ingleses tentam recuperar o que foi perdido. Trazer de volta a vida selvagem para o quintal de suas casas. Por isso mesmo, abelhas, borboletas, ouriços e esquilos (somente os nativos) são muito bem-vindos e há campanhas, estimulando e ensinando a população a atraí-los.

E fazer a contagem anual destas espécies é uma das muitas iniciativas promovidas pelas organizações que trabalham pela proteção e conservação da fauna e flora no Reino Unido.

Agora, por exemplo, acontece um censo nacional para a contagem de abelhas, o The Great British Bee Count, realizado pela ONG Friends of the Earth. No ano passado, milhares de pessoas participaram e quase 400 mil abelhas foram contabilizadas.

O censo começou no último dia 19 de maio e vai até 30 de junho. Este é o pico da primavera, quando as flores atraem mais abelhas nesta parte do mundo.

Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celularFoto: divulgação Friends of the Earth

Para participar, como eu estou, já que moro perto de Londres atualmente,
basta fazer o download gratuito de um aplicativo no celular. Aí, toda vez que você avistar uma abelha, tira uma foto, identifica qual sua espécie (há uma opção entre duas delas, com ilustrações bem explicativas), informa a quantidade e onde foi observada. Simples assim! Divertido, rápido e muito bacana.

O objetivo da campanha britânica é auxiliar especialistas a entender o comportamento e situação atual das diferentes espécies, como elas estão se adaptando às mudanças climáticas e à perda de habitat.

No mundo todo, há um declínio da população de abelhas. Cientistas apontam o uso de pesticidas na lavoura como sendo um dos principais responsáveis pelo desaparecimento destes insetos, essenciais para a polinização e consequente, produção de alimentos no planeta. Só no Reino Unido, 20 espécies de abelhas já estão extintas e outras 35 ameaçadas de desaparecer.

Estudos mostram que jardins urbanos e parques são tão importantes para insetos polinizadores quanto o campo, porque na cidade, eles encontram uma maior variedade de plantas e flores. O aplicativo do censo das abelhas também dá dicas do que cultivar no jardim para atrair mais insetos. Flores de cor roxa são as que as abelhas mais enxergam.

Então, quando chegar a primavera no Brasil, que tal deixar seu quintal ou sacada mais convidativos também para estes insetos?

Um dos registros do censo de 2016, quando quase 400 mil abelhas foram registradas. Foto: divulgação Friends of the Earth

Abaixo, algumas das fotos enviadas pelos participantes do The Great British Bee Count

Suzana Camargo – Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Fonte – Conexão Planeta de 24 de maio de 2017

Esta cidade está a reservar 405 hectares para criar um habitat para abelhas e borboletas

abelhão

Cedar Rapids, uma cidade do estado de Iowa, está a preparar 405 hectares para ajudar as borboletas e abelhas e outros polinizadores da cidade

Cedar Rapids, uma cidade do estado norte-americano do Iowa, está a preparar os primeiros 76 hectares de terreno público sem utilização para os converter num habitat com 46 espécies de plantas silvestres e sem pesticidas para as suas borboletas e abelhas.

O objetivo final da “Iniciativa dos Polinizadores” é criar um habitat com 1000 acres (405 hectares) para ajudar as populações destes animais.

“Queremos ser líderes nacionais no esforço para criar comunidades mais sustentáveis”, declarou Daniel Gibbins, autoridade de supervisão dos Parques de Cedar Rapids, adicionando que a iniciativa, para além de criar um habitat decisivo para os polinizadores, também dará à cidade um conjunto de “espaços verdes agradáveis” para benefício dos seus habitantes e das aves, mamíferos e outras espécies nativas.

Até agora, já foram marcados mais de 160 hectares para conversão, que incluem campos de golfe e beiras de estrada, entre outros. Para alcançar o seu objetivo final, Cedar Rapids está a trabalhar em conjunto com a cidade vizinha, Marion, e o Condado de Linn. Eventualmente, espera-se que o projeto seja alargado, de forma a incluir 4050 hectares em todo o condado.

Nas últimas décadas tem-se verificado um declínio acentuado nas populações de abelhas em todo o mundo. Por trás do seu desaparecimento está um conjunto de fatores, que incluem a exposição a pesticidas, a perda de habitat, doenças e parasitas e a má gestão das abelhas usadas na agricultura.

Fonte – The UniPlanet de 14 de junho de 2017

Por que desaparecimento das abelhas seria uma catástrofe – e o que você pode fazer para evitar isso

Abelha e florA importância das abelhas na presença de nutrientes nos alimentos é algo recentemente descoberto. GETTY IMAGES

O que há em comum entre um pepino, uma abobrinha e uma manga?

Não muito, aparentemente. No entanto, essas três coisas devem sua existência a um inseto: a abelha, cujos serviços também proporcionam vida a muitos alimentos que conhecemos.

Sem as abelhas, você poderia ter que abrir mão da geleia de morango no café da manhã, das amêndoas, maçãs, mangas, tomates, kiwis, melancias – e de inúmeros outros alimentos.

Esses insetos de pouco mais de um centímetro de comprimento têm frequentado o noticiário nos últimos anos.

Em primeiro lugar, pelo declínio alarmante de suas populações, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

Mas também por uma série de estudos que detalham os serviços que prestam ao ecossistema, incluindo sua capacidade de aumentar em cerca de 25% o rendimento das colheitas – e, consequentemente, dos alimentos que comemos.

Mas qual é a função das abelhas na natureza, além de produzir mel? Por que sua extinção hipotética seria uma catástrofe planetária?

Polinização

“As abelhas polinizam a maior parte das plantas que existem”, explica Carlos Vergara, professor da Universidade de las Américas em Puebla, no México.

AbelhaEmbora as abelhas não sejam as únicas polinizadoras, representam 90% desse serviço por um vetor animal. GETTY IMAGES

“Todas as plantas que têm flor precisam ser polinizadas para produzir sementes e sobreviver. E cerca de dois terços da dieta dos seres humanos vêm de plantas polinizadas.

É por meio da polinização que os grãos de pólen são transferidos da parte masculina para a feminina da planta, ou de uma planta para outra da mesma espécie, resultando nas sementes que dão origem às frutas e legumes que comemos.

Ou seja, com exceção de alimentos básicos como trigo, arroz ou milho, que são polinizados pelo vento, todos os outros alimentos ricos em micronutrientes dependem das abelhas.

“Nossa dieta não só seria muito chata (sem as abelhas), mas também incompleta”, enfatiza Vergara.

Em resumo, sem polinização não é a segurança alimentar que corre risco, mas a própria garantia de ingestão de nutrientes.

Efeito cascata

A polinização é crucial não só para os alimentos que comemos diretamente.

É também vital para a reprodução de plantas usadas para alimentar o gado e outros animais, e para manter a diversidade genética das plantas com flores.

Abelha na florDas cerca de 20 mil espécies de abelhas que existem, cerca de 20 são usadas para polinização. GETTY IMAGES

É fundamental ainda para plantas utilizadas na produção de biocombustíveis (como canola e azeite de dendê) e de fibras (como algodão), e para plantas medicinais e ecossistemas como bosques, essenciais à preservação dos recursos hídricos.

“A falta de abelhas provocaria um efeito em cascata: se não temos sementes, não temos pasto, flores, frutas, nem animais que se alimentam de frutas. As abelhas e os demais polinizadores desempenham um papel fundamental na regulação dos ecossistemas”, explica Carolina Starr, consultora de biodiversidade e serviços aos ecossistemas da FAO (braço da ONU para alimentação e agricultura).

Qualidade das frutas

As consequências são nítidas quando uma planta não é visitada por muitos polinizadores.

AbelhaPolinização pode ser controlada por um apicultor ou abelhas silvestres. GETTY IMAGES

“Se você vê uma fruta deformada, é geralmente porque as abelhas visitaram apenas um lado da flor”, diz Barbara Gemmill-Herren, especialista em serviços de ecossistemas e ex-assessora da FAO.

Embora essas frutas possam ser consumidas, os produtores não conseguem vendê-las, e esses alimentos acabam indo parar no lixo.

“A planta investe mais recursos na flor que foi polinizada, e isso significa que a fruta que nasce desta flor terá maior valor nutricional e um sabor melhor”, acrescenta a especialista.

O problema é mais grave em plantas que dependem exclusivamente de abelhas ou de outros polinizadores, como amendoeiras ou pés de maracujá.

Para o café, por exemplo, que se cultiva acima de 900 metros e pode se autofecundar, a falta de abelhas reduz a quantidade e a qualidade dos grãos.

“Quando há insetos, a quantidade de grãos produzida por uma planta aumenta em 20%. E a qualidade do grão que foi polinizado com pólen de outra planta e não da mesma é muito melhor”, diz o entomologista Vergara.

Colapso de causa desconhecida

As populações de abelhas têm sofrido particularmente na Europa e América do Norte, por um fenômeno conhecido como “desordem de colapso das colônias”, em que abelhas operárias desaparecem abruptamente das colmeias.

A causa exata desse fenômeno é desconhecida, mas acredita-se que ocorra por uma combinação de fatores, que incluem uso inadequado de pesticidas.

FrutasUma dieta sem frutas é pobre em nutrientes. REUTERS

Além disso, há outras razões que explicam a redução da diversidade de abelhas, como perda de habitat natural, mudanças climáticas e más práticas agrícolas.

O progresso das cidades e a redução de áreas florestais resultam em menos flores. E, sem flores, as abelhas ficam sem nada para comer.

“Aqui (na Colômbia) usamos muito pesticida por receio de perder a colheita. Mas os agrotóxicos não distinguem se os insetos são nocivos ou não”, explica Rodulfo Ospina-Torres, pesquisador do laboratório de abelhas silvestres da Universidade Nacional de Bogotá.

ApicultorA apicultura urbana pode se tornar um hobby fascinante. GETTY IMAGES

Especialmente na América Latina, onde o setor de apicultura é menos desenvolvido do que nos Estados Unidos ou na Europa, as abelhas selvagens desempenham um papel crucial para assegurar boas colheitas.

O que pode ser feito?

Políticas públicas que incentivem a redução do uso de agrotóxicos e promovam a variedade de culturas (em detrimento de monoculturas que limitam a diversidade da alimentação das abelhas) têm potencial de criar um ambiente natural para atrair abelhas.

Mas há outras formas de colaborar, mesmo para quem vive em zonas urbanas:

  • Plante flores diferentes em vasos ou no jardim para oferecer uma dieta rica e variada às abelhas. Caso floresçam em diferentes épocas do ano, melhor ainda. “Se a diversidade de abelhas em áreas urbanas aumentar, elas podem migrar para áreas agrícolas”, diz Vergara. “Em 30 ou 50 anos, teríamos um aumento na diversidade e abundância de abelhas no campo”, completa.
  • Não use produtos químicos ou inseticidas, pois podem ser nocivos para as abelhas. Isso é particularmente prejudicial quando as plantas estão floridas, uma vez que os químicos entram em contato com o néctar e o pólen, e as abelhas podem levá-los para as colmeias.
  • Deixe flores silvestres e ervas daninhas no jardim: são bons alimentos para as abelhas.
  • Construa um “hotel para abelhas”: você pode comprar ou criar uma estrutura de madeira com furos, que servirá como ninho para abelhas solitárias – que são a grande maioria.
  • Torne-se um apicultor: não há necessidade de morar no campo para criar abelhas. A apicultura urbana é praticada em muitas cidades. Busque uma associação local, aprenda o necessário e transforme a apicultura em um hobby.
  • Perca o medo: as abelhas não visam atacar você, porque se ela provavelmente morrerá ao te picar. Elas só fazem isso quando se sentem ameaçadas. Se uma abelha pousar em você, mantenha a calma e espere ela sair. Não fique perto da entrada de uma colmeia ou no caminho entre as flores e a colmeia. E aprenda a diferenciá-las das vespas, que podem, sim, picar sem motivo aparente.
  • Deixe um prato de água no jardim ou no quintal: você pode não saber, mas as abelhas também sentem sede.

Fonte – BBC Brasil de 09 de junho de 2017

E-book gratuito ensina como criar corredores de plantas em centros urbanos

E-book ensina cidadãos a conservar a biodiversidade em centros urbanos

Para celebrar o Dia Internacional do Meio Ambiente, comemorado 5 de junho, a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), com apoio do Instituto Biológico de São Paulo, lança o livro “Biodiversidade em ação: conservando espécies nativas”, das pesquisadoras Isabel Cruz Alves, Marilda Cortopassi-Laurino e Vera Lucia Imperatriz-Fonseca.

A obra é um guia prático para orientar cidadãos de centros urbanos que queiram promover corredores de plantas destinados a conservar a biodiversidade local, denominados corredores ecológicos urbanos. Estes espaços são compostos por vegetações de diferentes características (arbustos, árvores) que fazem a conexão entre áreas naturais ou seminaturais, auxiliando na sobrevivência de muitas espécies, isoladas umas das outras pelas construções urbanas.

“Essas áreas verdes possibilitam a sobrevivência dos animais que as polinizam e os que dispersam suas sementes, num ciclo de ajuda mútua bom para todos”, explica Isabel Cruz Alves, que concebeu e organizou a obra.

Assista ao vídeo com o convite da pesquisadora Isabel Alves para conhecer o novo material.

De olho na jataí

O livro aponta dois caminhos principais para quem quer ajudar a conservar a biodiversidade que ainda resiste à expansão dos centros urbanos.

Um deles é plantando ou cuidando das plantas nativas, que são ideais para a sobrevivência de animais polinizadores (que transportam o pólen, como as abelhas), e animais dispersores (que levam as sementes, como as aves).

Outro caminho é por meio da conservação da abelha jataí (Tetragonisca angustula), uma espécie sem ferrão inofensiva ao homem, por isso mesmo, ideal para áreas urbanas, e que são excelentes polinizadoras. O livro traz detalhes sobre as abelhas e ensina como identificar e proteger ninhos de jataís.

Para ajudar na prática quem quer arregaçar as mangas, o livro inclui:

Guia com informações de plantio e cuidado de 26 espécies de plantas nativas da Mata Atlântica e do Cerrado;

Orientações de como localizar ninhos de jataís;

Relação de animais polinizadores e dispersores de sementes;

Dicas de leitura e localização dos viveiros municipais de São Paulo (para retirada de mudas).

Para todo o Brasil

“O livro foi pensando para o público paulistano, mas, na realidade, é útil para cidadãos de qualquer cidade, pequena, média ou grande, localizadas no bioma do Cerrado ou da Mata Atlântica”, explica Ana Lucia Delgado Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A.. “E a jataí está presente em quase todo território nacional”, completa.

“Biodiversidade em ação: conservando espécies nativas” é a terceira publicação lançada pela A.B.E.L.H.A. neste ano. Ele foi precedido por “A história natural ilustrada de um polinizador: a abelha mamangava Xylocopa frontalis” e pela versão em português de “Soja e Abelhas”, publicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Fonte – A.B.E.L.H.A. – Associação brasileira de estudos das abelhas de 01 de junho de 2017

Plantas que atraem abelhas

plantas-abelhas

O que acontecerá se as abelhas desaparecerem? Bom, já discutimos esse aspecto em outros artigos nossos mas, para relembrar, ficaremos sem frutas pois, as abelhas são os principais polinizadores das plantas que nos dão frutos, e flores.

Mas, você poderá ajudar, desde sua casa, a que as abelhas tenham alimento, um dos motivos de sua possível extinção. Damos aqui algumas plantas que são fáceis de se manter em jardim ou vaso e que atraem abelhas lhes dando o néctar indispensável para a produção do mel e, consequentemente, para a criação de novas abelhas na colmeia.

Em alguma jardineira grande, ou nas beiradas do seu quintal, onde bata o sol, semeie flores pequenas, de cores claras, como a lavanda, a sálvia, a borragem, os ranúnculos, malvas, campânulas. Algumas gostam de ficar na beira da água, outras gostam mais de estar junto a pedras que se aquecem ao sol. Também os temperos de cozinha, salsinha, coentro, tomilho, orégano, funcho e tantos mais são atratores de abelhas e outros insetos polinizadores.

Abelha se atrai por plantas aromáticas, especialmente as que dão flores miúdas, brancas, amarelas, lilases. As flores amarelas são especialmente atratoras de todo tipo de insetos polinizadores. Mas, o mais importante é que elas gostam mesmo é quando o canteiro de flores se enche todo de uma vez, isso se chama “floração em massa”. Manjericão, manjerona, alecrim, dente de leão, hortelã, margaridas e girassóis são um deleite para abelhas.

plantas abelhas

As plantas do campo, nativas, que crescem por todo lado sem a gente ter de plantar também são atratores de insetos polinizadores então, cuide de mantê-las pois, não é mato de se jogar fora, são importantes para o equilíbrio de todo o ecossistema onde vivemos.

Agora, se você quiser saber o que poderá acontecer se as abelhas sumirem, ouça o audio do Seminário de meliponicultura que aconteceu em Ribeirão Preto, em janeiro passado. Veja o vídeo aqui!

Neste trabalho, “Plantas visitadas por abelhas e polinização da ESALQ – Escola Superior Agrícola Luis de Queiroz, há uma extensa lista das espécies nativas brasileiras que são visitadas por abelhas e, portanto, que são fundamentais de serem preservadas. Dê uma lida lá nos anexos em “Plantas utilizadas pelas abelhas”.

Fonte – Green Me

Livro reúne o que a ciência sabe sobre a relação entre abelhas e soja

Livro reúne o que a ciência sabe sobre a relação entre abelhas e soja

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou a edição em português do livro “Soja e Abelhas”. A publicação, desenvolvida com o apoio da A.B.E.L.H.A., foi divulgada durante solenidade de aniversário de 44 anos da Embrapa, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF).

De autoria do pesquisador Décio Luiz Gazzoni, da Embrapa Soja, a obra reúne uma ampla revisão bibliográfica envolvendo a informação científica disponível sobre as relações entre a cultura da soja e as várias espécies de abelhas. “A publicação traz uma contribuição à agricultura ao detalhar a viabilidade em conciliar os sistemas de produção de soja com o serviço ecossistêmico de polinização, servindo como um indicador da preocupação do agronegócio brasileiro com a sua sustentabilidade”, destaca o pesquisador, que é também conselheiro científico da A.B.E.L.H.A..

A Embrapa vem se dedicando a estudar e quantificar a contribuição dos polinizadores e propor adaptações aos sistemas de produção para facilitar o serviço de polinização. O tema é uma das atividades de um projeto de pesquisa em rede, da qual o autor participa. “Estamos pesquisando para esclarecer os aspectos ainda desconhecidos dessa relação entre soja e abelhas, assim como desenvolver ou adaptar novas tecnologias que resultem em um sistema de produção mais favorável aos polinizadores”, ressalta Gazzoni.

O livro foi publicado originalmente em inglês, atendendo a uma demanda da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para distribuição no exterior. Seu lançamento ocorreu como parte das atividades brasileiras durante a 9ª Conferência de Ministros de Agricultura do Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura (GFFA), em Berlim, na Alemanha, em janeiro deste ano.  

Fonte – A.B.E.L.H.A. – Associação brasileira de estudos das abelhas de 27 de abril de 2017

A.B.E.L.H.A. lança livro sobre abelhas mamangavas

A.B.E.L.H.A. lança livro sobre abelhas mamangavas

A Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) lança o livro “A história natural ilustrada de um polinizador: a abelha mamangava Xylocopa frontalisde autoria dos professores Breno M. Freitas, Cláudia Inês da Silva e, do doutorando em Zootecnia, Antonio Diego M. Bezerra.

O lançamento foi parte do evento de comemoração de 40 anos do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC), no auditório do Departamento de Zootecnia da Universidade.

Ana Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A., conta que o apoio para a publicação do livro é parte das ações da associação no sentido de promover a conservação dos polinizadores. “Trata-se de um livro que, de forma simples e didática, ilustra todas as etapas da vida da abelha Xylocopa frontalis, fundamental na polinização de diferentes plantas silvestre e cultivadas. A publicação contribui também fortemente para a conservação de nossa rica biodiversidade e para a produção agrícola brasileira”, enfatiza.

Por dentro da obra

mamangava de toco

De acordo com Breno Freitas, um dos autores do livro e conselheiro científico da A.B.E.L.H.A., a publicação resulta de estudos conduzidos pelos pesquisadores com essas abelhas desde 1996. “É o primeiro relato documentado em fotografias da vida natural das abelhas mamangavas de toco, e há uma série de informações inéditas que podem ser importantes para alunos que estejam conduzindo estudos sobre abelhas.”

Para o público em geral, o livro traz uma variedade de informações e imagens que podem esclarecer dúvidas e despertar o interesse pelo mundo natural das abelhas, dos insetos e polinizadores em geral.

“A maioria das pessoas pensa que abelha é apenas a africanizada (aquela conhecida por ferroar e fazer mel), no máximo conhece as abelhas sem ferrão. Nós mostramos que há outras espécies, como essa que retratamos no livro e que muitos acham se tratar de um besouro. Tanto que seu nome popular em muitas partes do Brasil é “besouro do cão”, pois ela tem fama de atacar e ferroar as pessoas. A verdade é que a mamangava de toco não apenas é uma abelha como também é bem dócil”, comenta o autor.

Breno Freitas também ressalta a importância do apoio da A.B.E.L.H.A. para a publicação da obra. Segundo ele, sem o apoio, provavelmente o livro não teria sido publicado. “A associação, com sua missão de difundir informações de qualidade sobre os polinizadores, e abelhas em particular, é que possibilitou a concretização desse livro”, finaliza.

Fonte – A.B.E.L.H.A. – Associação brasileira de estudos das abelhas de 18 de abril de 2017