UE bane uso de pesticidas nocivos às abelhas

As abelhas ajudam a polinizar 90% das principais culturas agrícolas do mundo

Estados-membros concordam em proibir neonicotinoides, que danificam sistema nervoso central de insetos; usadas na agricultura, substâncias são apontadas como responsáveis por declínio da população de abelhas

Os 28 Estados-membros da União Europeia (UE) concordaram, nesta sexta-feira (27/04), em proibir por completo o uso de três substâncias químicas usadas em pesticidas depois que um estudo científico descobriu que elas são prejudiciais às abelhas.

A Comissão Europeia havia recomendado a proibição depois de a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar concluir que as três substâncias – clotianidina, imidacloprida e tiametoxam, coletivamente conhecidas como neonicotinoides – danificam o sistema nervoso central de insetos, incluindo as abelhas.

As abelhas ajudam a polinizar 90% das principais culturas agrícolas do mundo, mas, nos últimos anos, têm morrido devido a uma “desordem que leva ao colapso das colmeias”, um misterioso flagelo atribuído a ácaros, pesticidas, vírus, fungos ou uma combinação desses fatores. Qualquer diminuição na população leva a preocupações econômicas e no fornecimento de alimentos.

“A saúde das abelhas continua sendo de extrema importância, uma vez que diz respeito à biodiversidade, à produção de alimentos e ao meio ambiente”, disse o Comissário Europeu para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. “Estou feliz que os Estados-membros votaram a favor de nossa proposta.”

Os citados componentes químicos já tinham sido restringidos pela União Europeia em 2013, como parte dos esforços para proteger as abelhas, e Bruxelas encomendou um relatório mais abrangente sobre os efeitos com a compilação de vários estudos disponíveis sobre o tema.

“Tremenda vitória para o meio ambiente”

Espera-se que a medida entre em vigor até o fim do ano. O uso das substâncias será permitido em estufas, onde as abelhas não são expostas aos malefícios. A Pesticide Action Network (PAN), que é um grupo de organizações não governamentais que trabalham para minimizar os efeitos nocivos de pesticidas, afirmou que a decisão marca um dia histórico para a Europa.

“Autorizar o uso de neonicotinoides durante um quarto de século foi um erro e levou a um desastre ambiental”, disse Martin Dermine, diretor de políticas de Saúde e Meio Ambiente da filial europeia da PAN.

Grupos ambientalistas, que há muito tempo faziam campanha pelo banimento dos neonicotinoides, enalteceram a decisão. “Esta proibição completa dos neonicotinoides, em todas as culturas ao ar livre, é uma tremenda vitórias para nossas abelhas e para o meio ambiente”, celebrou a ativista Sandra Bell, da organização Friends of the Earth Europe.

A rede de mobilização social global Avaaz afirmou que “proibir esses pesticidas tóxicos é um sinal de esperança para as abelhas” na Europa. “Finalmente, nossos governos deram ouvidos aos seus cidadãos, às evidências científicas e aos agricultores que sabem que as abelhas não podem viver com esses produtos químicos”, disse a ativista Antonia Staats.

Ao contrário dos pesticidas de contato (que permanecem na superfície da folhagem), os neonicotinoides são absorvidos pela planta na fase de semente a transportados para folhas, flores, raízes e caule. Os neonicotinoides têm sido amplamente utilizados nos últimos anos e foram projetados para controlar insetos que se alimentam de seiva, como afídeos (piolhos-de-planta) e larvas que corroem raízes.

Fontes DW / Opera Mundi de 27 de abril de 2018

Mel de abelha sem ferrão vale 8 vezes mais que de outras espécies

O quilo do mel da abelha sem ferrão produzido no Agreste do Rio Grande do Norte pode valer até oito vezes mais que o de outras espécies encontradas no Brasil.

Nativas do semiárido nordestino, essa preciosidade é produzida pela abelha jandaíra e tem sido uma das principais fontes econômicas desta região do País.

Diante do cenário positivo, o Ministério da Integração Nacional implantou neste mês de abril o primeiro Polo do Mel de Jandaíra no estado. A iniciativa busca estimular ainda mais a produção local, ampliando as oportunidades de empregos e renda da população.

As atividades estão sendo desenvolvidas em nove municípios, onde a grande maioria das cooperativas de produtores é composta por jovens. A previsão é de que mais de 400 famílias sejam contempladas pela ação.

Fontes – AgBr / Julio Ottoboni, Envolverde de 25 de abril de 2018

Emater investe para ampliar a presença de abelhas na agricultura

Polinização aumenta qualidade, tamanho e amadurecimento de hortas, pomares e lavouras /MARCO QUINTANA/JC

Entre os muitos espaços da Emater na Expodireto um dos mais movimentados foi um pequeno reduto entre árvores bem ao fundo do parque. É lá que a entidade divulgou os benefícios da união da agricultura com a apicultura. Ou melhor, com a meliponicultura: trabalho com meliponíneos (abelhas sem ferrão). De acordo com o engenheiro Agrônomo da Emater-RS/Ascar, Antônio Altíssimo, especializado no segmento, como as abelhas sem ferrão são menores, tendem a fazer uma melhor polinização de plantas, hortaliças e frutas. Os benefícios em produtividade e qualidade se dão em todas as culturas, garante o técnico.

 

“Um bom exemplo é o trabalho que fizemos voltado ao morango. Alguns produtores estavam com problemas com frutos disformes, feios, e acreditavam que era ação de fungos. Ao inserirmos colmeias na plantação, os frutos começaram a vir perfeitos”, comemora Altíssimo, destacando a espécie Jataí entre as opções de inseto.

O benefício, diz o engenheiro agrônomo, se deve ao fato de que o morango precisa ser bem polinizado para que fique uniforme, e com mais abelhas entre as frutas, o problema foi resolvido. Em média, diz Altíssimo, se recomenda uma colmeia a cada 200 metros quadrados de cultivo. Unir abelhas e agricultura tem enormes benefícios e ganhos e baixo custo. O engenheiro da Emater avalia que o custo pode ser bastante reduzido, já que a colmeia pode ser feita artesanalmente ou comprada por, no máximo, R$ 200,00. “Por isso intensificamos esse trabalho de divulgação da meliponicultura em feiras e eventos há cerca de dois anos”, descreve Altíssimo.

A união desses insetos e a agricultura vem sendo estimulada por diferentes empresas com forma de explorar até o benefício das sementes. É o que faz a Bayer, por exemplo, no cultivo de melancias Pingo Doce, uma variedade com alto teor de açúcar e sem sementes – e que justamente por ter menos semente, depende ainda mais da polinização para ter alto rendimento.

Basicamente a polinização aumenta o número, a qualidade, o tamanho, o formato e o peso de frutos e sementes. Além disso, encurta ciclos e uniformiza o amadurecimento das hortas, pomares e lavouras, diminuindo perdas na colheita. Na lista de variedades a Emater lista ao menos 24 espécies nativas do Estado, e ainda pouco utilizadas como estratégia de produção. Entre elas, manduri, jataí, mandaçaia, mandaguari e mirim. Ao todo seriam mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil. O tema vem ganhando cada vez mais importância no setor e pesquisas no meio científico e agronômico em casos recentes de sumiço e mortandade de abelhas em diferentes anos e regiões do Estado. O fato estaria ligado ao impacto do uso de agrotóxicos em excesso nas lavouras, segundo alguns resultados de análises.

Biodefensivos ganham mercado e destaque em Não-Me-Toque

Em um setor dominado por multinacionais e grandes companhias que priorizam defensivos químicos, a fabricante de fungicidas Simbiose, de Cruz Alta, vem se destacando em um cenário de produção mais sustentável. É a partir de fungos e bactérias existentes no próprio solo que a empresa, criada há 10 anos no Paraná, vem ganhando mercado. “O mercado de defensivos sustentáveis cresce uma média de 20% ao ano no Brasil, muito por demanda dos consumidores que querem produtos melhores na mesa. Nós estamos crescendo o dobro”, comemora Deraldo Horn, gerente de marketing da empresa.

Além de pesquisas próprias, a empresa também tem buscado parcerias com entidades como Embrapa e universidades para levar ao mercado pesquisas no segmento de insumos microbiológicos que normalmente ficariam restritos aos laboratórios acadêmicos, diz Horn. O resultado é que a empresa iniciou exportações em 2016, para o Paraguai, e está investindo R$ 10 milhões, inicialmente, na ampliação da fábrica desde 2017 para triplicar a capacidade produtiva.

De acordo com a Associação Brasileira de Controle Biológico (ABCBio), o mercado de produtos biológicos para agricultura representa apenas cerca de 2% do segmento de defensivos vendidos por aqui. Mas o setor vem em alta: de 2010 a 2016 o número de registros no Ministério da Agricultura saltou de 7% para 60% em relação aos produtos químicos. E o potencial de expansão é enorme, já que o mercado de defensivos movimenta por ano US$ 6 bilhões no Brasil, sendo que o controle biológico é responsável por apenas US$ 90 milhões, segundo a ABCBio.

“O potencial é tanto que grandes multinacionais como a Bayer vêm investindo neste segmento. E a aprovação de biodefensivos está ganhando prioridade nas aprovações do Ministério da Agricultura. Enquanto químicos podem levar até 10 anos para entrar no mercado, os biológicos estão sendo passados na frente e liberados em um prazo de dois a quatro anos”, comemora Horn.

Fonte – Thiago Copetti, Jornal do Comércio de 12 de março de 2018

 

Japão investiu mais de R$ 70 milhões para evitar sumiço das abelhas

No orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas. | Andre Borges/Agência BrasíliaNo orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas. Andre Borges/Agência Brasília

Essenciais não só pela produção de mel, as abelhas são as principais polinizadoras das lavouras; basicamente, a agricultura depende delas

Um crescimento expressivo no número de apicultores tem causado um “reboliço” no Japão, com os governos – em âmbito local e federal – apoiando o aumento da produção de abelhas que, além de produzirem mel, são essenciais para o cultivo de muitas frutas e vegetais. E o número de quem lida com a atividade simplesmente por hobby também tem subido.

Apicultores mantêm colmeias para criar os polinizadores desde os ovos postos pela Rainha. Os insetos acabam sendo vendidos para produtores rurais, que os liberam nas lavouras e estufas para fazer o trabalho de polinização. No entanto, embora os apicultores também coletem mel, a produção ainda é pequena. Em 2016, foram comercializadas 2,8 mil toneladas, o que corresponde a apenas 5% do mel disponível no mercado doméstico japonês. A maior parte é importada da China e outros mercados.

“Ser capaz de criar abelhas no inverno é uma das forças de Okinawa. Os números de envios de colmeias e de apicultores estão crescendo bem diante dos nossos olhos”, diz Tomohiro Tokiwa, num centro especializado para embarques de colmeias. Tokiwa, de 68 anos, é o representante da cooperativa de apicultores da prefeitura de Okinawa.

No dia da entrevista, cerca de 20 membros da cooperativa e outras pessoas estavam “empacotando” em contêineres algo em torno de 280 colmeias, que continuam aproximadamente 8 mil abelhas. “Elas provavelmente serão usadas para cerejeiras na região de Tohoku e estufas e de morangos e outras culturas na região Norte de Kanto”, explica.

Agricultores compram as abelhas por meio de cooperativas agrícolas, empresas de sementes e outras entidades. O principal objetivo é usá-las para polinizar plantações de abóboras, melancias e outras culturas.

De acordo com a divisão pecuária da cidade de Okinawa, há 164 apicultores cadastrados na prefeitura e que possuem 11,5 mil colmeias, o que representa um aumento de pelo menos três vezes em relação aos números de 2009.

O crescimento veio após um clima atípico e danos com pragas, provocados pela baixa reprodução das abelhas entre 2007 e 2008. Para assegurar um suprimento estável de abelhas, o governo solicitou às prefeituras que tomassem passos para aumentar a produção e promover o debate em suas regiões.

O foco foi especialmente na região de Okinawa, onde abelhas rainhas podem “dar cria” no inverno. Muitos agricultores, inclusive, passaram a criar os insetos.

O número de apicultores vem crescendo nos últimos anos. Segundo o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, havia 9,5 mil apicultores no país em 1985. Devido, sobretudo, ao envelhecimento da população, uma lacuna acabou se formando na atividade: em 2005, restavam somente 4,8 mil trabalhadores. A recuperação ficou evidente no ano passado, que terminou com 9,3 mil apicultores.

Houve, ainda, um crescimento em relação aos “apicultores de fim de semana”. Uma revisão na Lei de Promoção da Apicultura obrigou mesmo quem cria abelhas por diversão a se registrar junto às autoridades.

Yuya Saito, de 70 anos, um escrivão da região de Ishinomaki, virou apicultor em 2012, por hobby. Apaixonado por animais, Saito notou muitas abelhas quando estava limpando sua casa e os arredores depois do grande terremoto na costa leste do Japão, em 2011. “Meu interesse no meio ambiente local aumentou desde que eu comecei com a apicultura. Coletar o mel no final do verão é uma alegria”, conta.

Contudo, um novo problema surgiu: as chamadas plantas das abelhas têm desaparecido devido ao desenvolvimento das cidades e outros fatores. Elas incluem os astrálogos chineses, laranja mandarin e outras flores nas quais os polinizadores coletam o néctar.

Em 1985, havia cerca de 370 mil hectares com esse tipo de plantas espalhados pelo país. Em 2016, entretanto, a área tinha caído em mais de dois terços, atingindo 120 mil hectares.

Com o número de apicultores subindo, as abelhas estão encontrando muito mais competição pelo néctar, de modo que a falta do alimento traz um efeito negativo para a reprodução delas.

No orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões – ou R$ 72,6 milhões – para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas.

“Um suprimento estável de abelhas é necessário para promover a apicultura, o que ajuda a aumentar a renda local e revitalizar comunidades. Mesmo que seja necessário tempo para resolver problemas, nós continuamos com nosso apoio”, afirma um membro do Ministério da Pecuária e Abastecimento.

Fontes – The Washington Post / Gazeta do Povo de 25 de março de 2018

Bactérias e fungos desempenham papéis-chave nas colônias de insetos sociais

Resultado de imagemEstudos feitos na USP evidenciam como certas espécies de formigas e de abelhas dependem de microrganismos para alimentação, comunicação, defesa contra patógenos e para completar seu ciclo de desenvolvimento. No destaque, colônia de abelhas mandaguari (foto: Camila Paludo)

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Operárias em fila carregando para o ninho pedaços de planta com peso até cem vezes maior que o do próprio corpo. A cena – que à primeira vista pode ser surpreendente – é corriqueira nas colônias de formigas cortadeiras. O caminho até o formigueiro, sem qualquer desvio, é guiado por compostos químicos aromáticos conhecidos como feromônios de trilha.

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No caso da Atta sexdens rubropilosa, uma das várias espécies conhecidas popularmente como saúva, as principais substâncias usadas nesse processo de geolocalização pertencem à classe das pirazinas.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto descobriram que uma bactéria encontrada na microbiota associada a essa formiga é capaz de produzir as mesmas pirazinas usadas pelo inseto para demarcar seu caminho até o ninho. O achado foi divulgado em artigo publicado na revista Scientific Reports.

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“Observamos esse fenômeno em mais de uma colônia de saúva e isso abriu uma questão bem interessante: será que a bactéria Serratia marcescens produz o feromônio de trilha para a formiga ou contribui com esse processo de alguma forma? É algo que pretendemos investigar”, disse Mônica Tallarico Pupo, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e coordenadora da pesquisa.

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O trabalho foi conduzido durante o doutorado de Eduardo Afonso da Silva Junior, em parceria com pesquisadores da Harvard University, nos Estados Unidos, no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e pelos National Institutes of Health (NIH).

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Como explicou Pupo, o projeto tem como meta principal explorar a microbiota existente nos corpos de formigas brasileiras em busca de moléculas naturais que possam dar origem a fármacos (leia mais em: agencia.fapesp.br/19406). Há outra vertente, porém, mais voltada à ecologia química, que busca compreender a relação de dependência entre os insetos sociais e seus microrganismos simbiontes (aqueles que vivem em simbiose, interação longa e de modo geral benéfica entre dois organismos).

A bactéria produtora de pirazinas foi descoberta por acaso, quando os cientistas buscavam microrganismos capazes de proteger o formigueiro contra fungos parasitas.

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“As folhas que as formigas cortadeiras carregam para o ninho servem, de fato, como substrato para cultivar fungos da espécie Leucoagaricus gongylophorous, que elas usam como alimento. Mas esse sistema é suscetível a infecções”, explicou a pesquisadora.

“Em alguns casos, cresce sobre a fonte de alimento uma outra espécie patogênica, que pode comprometer a viabilidade do formigueiro. As bactérias simbiontes produzem compostos capazes de matar o fungo parasita sem prejudicar a fonte de alimento. Nós estávamos atrás desses compostos”, acrescentou.

Os experimentos descritos no artigo foram feitos com colônias coletadas dentro do campus da USP, em Ribeirão Preto. Quando os cientistas conseguiam coletar a rainha, parte do formigueiro era transportada e mantida no laboratório. Em seguida, todas as bactérias encontradas na superfície e no interior dos corpos dos insetos foram isoladas, caracterizadas e colocadas em meio de cultura.

Durante esse processo, Silva Junior percebeu que quando a espécie Serratia marcescens era cultivada in vitro liberava um aroma forte muito semelhante ao dos formigueiros mantidos em laboratório.

“Decidimos investigar os compostos voláteis produzidos por essa bactéria e descobrimos as pirazinas – entre elas uma molécula nunca antes descrita na literatura científica”, disse Pupo.

Os pesquisadores usaram uma espécie de fibra capaz de absorver os compostos aromáticos da placa de cultura. O material foi, posteriormente, analisado por cromatografia gasosa associada à espectrometria de massas.

“Nas glândulas de veneno das formigas encontramos tanto as pirazinas como a bactéria. Não sabemos ao certo se existe uma síntese compartilhada ou se o microrganismo produz os compostos aromáticos e o inseto apenas os estoca em suas glândulas. Pretendemos, em estudos futuros, testar técnicas para remover essa bactéria da formiga e, assim, observar se os compostos continuam sendo produzidos”, explicou Pupo.

Outro plano do grupo é investigar se fenômeno semelhante pode ser observado em outras espécies de formiga – algo ainda não descrito na literatura científica

Metamorfose de abelhas

O cultivo de fungos no interior do ninho – seja com fins de nutrição ou defesa – parece ser uma prática disseminada entre os insetos sociais. Em 2015, pesquisadores brasileiros descreveram na revista Current Biology que larvas de abelhas sem ferrão da espécie mandaguari (Scaptotrigona depilis) se alimentam, ao nascer, de filamentos de um fungo encontrado dentro das células de cria (leia mais em: agencia.fapesp.br/22113). Sem esse alimento, os insetos não conseguem chegar à fase adulta.

Esse processo de simbiose foi estudado mais profundamente pelo grupo de Pupo recentemente, durante o doutorado de Camila Paludo, no âmbito do mesmo Projeto Temático. Os resultados foram divulgados na revista Scientific Reports em janeiro.

“Sabemos que os insetos não são capazes de sintetizar os próprios hormônios. Eles precisam adquirir substâncias precursoras por meio da dieta. Nossa hipótese era que o fungo forneceria um precursor para o hormônio de muda, necessário para a abelha completar a metamorfose”, disse Pupo.

O primeiro passo da investigação foi isolar o fungo das células de cria e caracterizá-lo em laboratório. O grupo identificou tratar-se da espécie Zygosaccharomyces sp.

“Não sabemos ao certo como esse fungo vai parar no interior da célula de cria. As abelhas colocam os ovos e depois preenchem a cela com um líquido chamado alimento larval. Cerca de três dias depois, o fungo começa a crescer ali dentro”, contou a pesquisadora.

Com uma técnica conhecida como microscopia de fluorescência, os pesquisadores encontraram acúmulo de lipídeos no citoplasma do fungo – tanto nas amostras cultivadas em laboratório como nas extraídas diretamente de colônias de abelha.

“Os esteroides – substâncias precursoras dos hormônios de muda – têm natureza lipídica. Com auxílio da cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas identificamos que o composto predominante entre os lipídeos desse fungo era o ergosterol”, disse Pupo.

Por meio de experimentos in vitro, os pesquisadores comprovaram que as larvas conseguiam completar a metamorfose quando o fungo era inoculado no alimento das larvas e também quando era acrescentado apenas o ergosterol.

“Os resultados foram estatisticamente equivalentes para essas duas situações”, relatou Pupo. “Porém, quando as larvas recebiam somente o alimento larval não conseguiam chegar à fase adulta. Concluímos, portanto, que o ergosterol está de fato sendo usado pelas larvas na produção do hormônio de muda, o que reforça a relação de dependência entre a abelha e o fungo”, acrescentou.

Agora, o grupo pretende investigar se fenômenos semelhantes ocorrem em outras espécies de abelha com e sem ferrão.

O artigo Pyrazines from bacteria and ants: convergent chemistry within an ecological niche pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-018-20953-6.

Já o estudo Stingless Bee Larvae Require Fungal Steroid to Pupate está disponível no endereço: www.nature.com/articles/s41598-018-19583-9.

Fonte – Karina Toledo, Agência FAPESP de 14 de março de 2018

Cristalização do mel

Apesar de criar abelhas meliponas, e o mel diferenciado delas ser o objetivo de tanta dedicação, não só minha, mas acredito da maioria dos meliponicultores, a química do mel tem sido um tema intrigante de compreender, pelo menos para mim. Uns dizem que mel não cristaliza, outros que cristaliza. Cor clara é melhor, ou escura? Ácido ou doce – aquece no sol para descristalizar ou em banho maria? Para mim, o assunto quanto mais explorado mais perguntas surgem. Assemelha-se a um labirinto em que as respostas às dúvidas tomam um rumo que no fim não tem saída, ou clareza.

Então depois de muito buscar respostas venho tentar expor os caminhos por onde já trilhei, e o que eles revelaram.

Tenho que deixar claro, que química não é minha especialidade, então vou tentar, apenas tentar, transcrever de modo gradual de dificuldade, e da maneira mais clara que conseguir, as respostas que obtive as minhas dúvidas. E também revelar algumas curiosidades que descobri nesta minha peregrinação por respostas.

Primeiro devemos entender que açúcar é um termo genérico, originado do árabe as-sukkar, significa similar ao grão de areia. Porém o termo foi emprestado para descrever diversos compostos químicos que adoçam. O termo popularizou e acabou sendo usado como denominação de diversas estruturas químicas diferentes. Cadeias de carbono abertas ou fechadas, simples ou compostas, com nomes químicos específicos, sendo todas elas chamadas carinhosamente de açúcar. Então temos por exemplo: sacarose; glicose; frutose; lactose; maltose; ribose; melitose; celobiose; gentiobiose; palatinose; nigerose; panose; rafinose; teanderose; turanose e muitos outros.

A história ensina que por ser um produto raro, o açúcar (de cana) era utilizado como remédio para várias maleitas – qualquer doença pouco grave – e na cozinha servia para temperar o amargo e o ácido de certos alimentos. Mas entre a grande maioria o que realmente era difundido como adoçante era o mel e o arrobe – mosto de uva concentrado.

A Cana de Açúcar (Saccharum officinarum) é uma gramínea originária da China, chegou na Índia 350aC, onde criaram as primeiras técnicas para tornar portátil o seu suco adocicado, ganhando status de uma especiaria doce. Os soldados de Alexandre o Grande trouxeram aquele “pó de mel” para a Europa. MasSaccharum officinarum só resistiu como cultura no clima da Peninsula Ibérica. De lá ganhou as Américas e África nas viagens dos grandes navegadores.

Al-Aldaluz (Peninsula Ibérica) foi a primeira zona europeia a receber a cana de açúcar em 755, aclimatada em Ceuta e no Suez marroquino desde o século XII, mas devido ao sucesso a produção não foi suficiente, e recorria-se à importação do Oriente, tornando-se uma moeda forte.

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Mas vamos focar o mel, mais antigo adoçante. Podemos inicialmente definí-lo como uma solução aquosa supersaturada de “açúcares”, que ainda contém vitaminas, ácidos e enzimas provenientes das abelhas, minerais, aminoácidos, substâncias aromáticas e grãos de pólen dos vegetais. O mais antigo adoçante da humanidade, encontrado pela “grande dama do mel” Eva Crane, que revela em seu livro “Honey, a Comprehensive Survey”, que os sumérios na Mesopotâmia por volta de 5000 a.C. já usavam o mel como fonte de alimento e remédio. Eva Crane também registrou que potes de mel com conteúdos intactos foram encontrados em escavações nas tumbas egípcias de New Kingdom, construídas há cerca de 3400 anos.

O mel é originado do néctar das flores, mas também pode ser originado do orvalho sobre os vegetais, da transpiração dos vegetais, das secreções de folhas ou frutos de certas plantas, excreções de insetos sugadores de plantas como as cochonilhas (muito frequentemente nos Alpes Europeus- mel de melato) e substâncias doces diversas (bagaço de cana-de-açúcar e frutas), restos de refrigerante no lixo humano também.

A solução supersaturada de “açúcares”, referida acima como composição do mel, é constituída grande parte por dois monossacarídeos, especificamente a glicose e a frutose e uma menor porção de um “açúcar” dissacarídeo – a sacarose.

A glicose e a frutose são “açucares” monossacarídeos que apresentam propriedades e características diferentes entre si, e os dois compõem aproximadamente 80% do mel. A percentagem destes dois monossacarídeos geralmente varia em torno da metade de cada, deste total de 80%, e podem ser considerados como um tipo de “açúcar invertido”. Conforme haja predominância de mais glicose ou de mais frutose na composição, as características físico-químicas da porção predominante também vão influenciar as características e comportamento do mel.

Todos os méis são líquidos viscosos quando produzidos pelas abelhas e enquanto permanecerem dentro da colmeia.

Mas devemos sempre lembrar que o mel é uma solução supersaturada, e toda solução supersaturada encontra-se instável por definição. O soluto encontra-se além do limite suportado pelo solvente, ou seja em desequilíbrio, pela atuação de algum agente. Enquanto o mel estiver armazenado dentro da colmeia a uma temperatura média na faixa de 30ºC a 37°C, permanecerá em estado líquido viscoso. Porém quando fora do seu ambiente original, a solução supersaturada buscará seu equilíbrio, especialmente em temperaturas abaixo das temperaturas médias originais, e por isso tendem a cristalizar espontaneamente, fenômeno esse que reduz a supersaturação da solução, mas que não altera os componentes do mel, e portanto não alteram suas qualidades e propriedades.

A natureza sempre busca a estabilidade. O mel quando retirado do seu meio natural, como disse acima, em algum momento pode retornar à estabilidade por meio da cristalização dos seus componentes que estavam em estado supersaturado. O agente que mais contribui na sustentação da supersaturação geralmente é a temperatura, principalmente dentro do enxame, mas não é o único!

Assim todo mel cristaliza em algum momento quando fora da colmeia. E isto ocorre com a perda de água por parte da glicose, que se transforma em “monoidrato de glicose” e toma a forma de cristal.

O processo de cristalização pode ser acelerado pela presença de uma “semente” dentro da solução supersaturada. Para os leigos, a “semente” aqui referida por químicos, nada mais é do que qualquer coisa que esteja mergulhada na solução supersaturada. A “semente” este componente estranho a solução ajuda pelo menos uma das moléculas do soluto a retornar ao seu estado natural. De alguma forma cede algum tipo de energia a uma molécula do soluto de modo que ela rompa a pouca instabilidade que a fazia se agregar ao solvente, facilitando o retorno ao seu estado de equilíbrio natural, no nosso caso um cristal sólido.

Assim são consideradas como sementes capazes de “ajudar” o início da cristalização do mel, a presença de grãos de pólen, micro pedaços de sujidades como cera ou partes de alguma abelha, até bolhas de ar podem servir como “sementes”! Além claro, da própria redução da temperatura ambiente, reduzindo consequentemente a energia agregante inicial do solvente.

Desde que ocorra a formação de um primeiro cristal na solução, a energia desta reação molecular inicia um desencadeamento exponencial do processo de cristalização por toda a solução.

Há uma pesquisa no Canadá, baseada em 95 amostras de mel, que aponta e defende as “sementes” como as únicas influências no processo de início da cristalização do mel…

Baseados nestas informações é que grandes entrepostos de mel costumam fazer ultrafiltrações no mel, para retirar qualquer presença de pólen, e assim garantir que o mel se mantenha mais tempo no estado líquido/viscoso na prateleira. Mas a falta da presença do pólen no mel comercial filtrado dificulta rastrear sua origem e atestar sua idoneidade. Na minha opinião tirar o pólen do mel já começa a afetar as suas qualidades. Prefiro que o mel cristalize!

No entanto há observações que não são só as “sementes” que podem acelerar a cristalização do mel. Outras substâncias podem alterar a velocidade de cristalização do mel. No caso do mel da flor de nabo forrageiro, do capixingui e bracatinga, o processo de cristalização inicia-se com muita facilidade e desenvolve-se de maneira rápida. Não achei o motivo, mas com certeza é devido a alguma das substâncias derivadas do vegetal, alguma vitamina, resina, hormônio que de certa forma podem alterar os balanços energéticos entre as moléculas do glicose e a água.

Em outros méis o processo de cristalização é naturalmente mais lento, como o mel de assapeixe, cambará,marmeleiro, vassourinha. Há casos observados e catalogados de que méis derivados de néctar com alto teor de frutose, poderão levar mais de 12 meses para iniciar a cristalização, é o caso do mel de laranjeira. A frutose é mais higroscópica (atrai mais a água) do que a glicose.

Um néctar diferenciado é o da espécie vegetal Iguaçu Sclerolobium sp (da família da Caesalpinaceae), tende a deixar o mel muito coeso/viscoso, gerando longos fios ao ser puxado. – Nomes populares: (taxi branco, ajusta contas, angá, arapaçu, cachamorra, cangalheiro, carvão de ferreiro, carvoeira, carvoeiro do cerrado, jacarandá canzil, mandinga, paáariúva, passuaré, pau pombo, taxi branco de terra firme, taxi branco do flanco, taxi pitomba, taxirana, taxirana do cerrado, taxizeiro branco, tinguizão velame, tinguizão veludo)

Uma curiosidade que achei interessante sobre a influência da temperatura no processo de cristalização do mel, é que existe uma faixa de temperatura ótima para iniciar. “Temperaturas entre 10ºC e 18ºC favorecem a cristalização, sendo 14ºC a temperatura ótima e abaixo de 10ºCo processo é retardado pelo aumento da viscosidade da solução, reduzindo a mobilidade dos núcleos de cristalização (EMBRAPA, 2006). Abaixo de 5ºC e acima de 25ºC o mel não cristaliza.” Isso pode explicar a resistência dos enxames de apis europeias ao inverno europeu! Fantástica esta informação!!

Não sei se este dado é verdadeiro para o mel de Meliponini, acredito que não seja, uma vez que seu teor de água é de 25% a 34%.

Também é fantástico não termos esses dados tabelados de forma oficial sobre méis nativos, visto que fazem parte da nossa cultura desde antes dos navegadores europeus chegarem…

Agora vamos entender o processo de formação do mel!

Porém antes devemos entender com mais detalhes o que é mel.

O mel deriva do néctar das plantas, que por sua vez é uma mistura de vários “açúcares” diferentes, proteínas, hormônios, minerais e outros compostos, em uma solução aquosa. Em todo néctar o “açúcar” predominante é a sacarose.

E a sacarose é um dissacarídeo formado por dois açúcares simples (monossacarídeos): glicose e frutose.

80% do mel é composto por glicose e frutose, que foram originadas da quebra da sacarose do néctar, e este trabalho de quebra de um dissacarídeo em dois monossacarídeos é feito pela abelha. Não se pode esquecer que apesar da glicose e frutose representarem até aproximadamente 80% do total do mel, ainda são encontradas uma variedade de outras substâncias que estavam no néctar: outros tipos de “açucares”, vitaminas, ácidos, diversos minerais, substâncias aromáticas, leveduras, hormônios, aminoácidos e grãos de pólen dos vegetais. E todos estes componentes tem proporções e variedade associadas a cada espécie de flor visitada.

Cada espécie de abelha realiza a quebra da sacarose, processo conhecido pelos químicos como hidrólise, acrescentando uma enzima conhecida por invertase. Além da invertase, ainda há amilase e a glicose-oxidase, e não podemos esquecer que cada espécie de abelha também acrescenta outras substâncias características da sua própria espécie, dando um sabor e uma característica toda especial.

É como se fosse um grande concurso de chefs Gourmet: cozinha Brasileira, Alemã, Francesa, Italiana, Australiana. Cada Chef usando suas técnicas e temperos secretos, e a despensa delas, este mundão de flores!!

Cada prato uma arte única!

Então fazer mel é como cozinhar uma doce sobremesa com muitos ingredientes diferentes. Os ingredientes que estiverem disponíveis na sua geladeira ou despensa, acrescentando o tempero e técnica especial de cada Chef!!

Assim como nas grandes receitas de queijos, vinhos, podemos também dizer que a cada composição de solo, ou a cada clima diferenciado, que interagem com as abelhas e as flores forrageadas, dará origem a um mel único!

Voltando a composição do mel, para tentar entendê-lo melhor pela visão química.

Para que o mel apresente-se como uma solução em estado liquido/viscoso, moléculas de água permanecem ligadas aos “açúcares”, principalmente por pontes de hidrogênio. No mel líquido/viscoso, a glicose da sacarose encontra-se ligada a cinco moléculas de água e a frutose da sacarose encontra-se ligada a três moléculas de água.

A sacarose do mel é exatamente a mesma sacarose que encontramos no açúcar da cozinha, ou mesa de café.

Então podemos deduzir que são as diferentes substâncias carreadas pelo néctar, proveniente de cada flor e que continuam no mel, um dos motivos da existência de uma variedade muito grande de tipos de méis.

Já a sacarose do açucareiro tem um sabor e características padrões, pois é originada específica e unicamente da cana de açúcar ou da beterraba açucareira. Sofrem processos de clareamento e/ou purificação, seguido de desidratação, resultando em uma série de tipos de açúcares basicamente homogêneos e padronizados em categorias. Então pode-se ter Açúcar bruto obtido por clarificação do caldo de cana-de-açúcar, sem uso de enxofre. Açúcar cristal obtido por cristalização controlada do caldo de cana tratado utilizando sulfitação e caleagem. O açúcar refinado obtido por um processo de refino do açúcar cristal. Açúcar líquido invertido obtido por hidrólise ácida controlada, resultando em uma mistura de glicose, frutose e sacarose, com cerca de 76% de sólidos solúveis. Açúcar mascavo proveniente do caldo da cana não submetido a tratamento de clarificação.

Temos que fazer mais algumas diferenciações entre o mel e outro tipo de açúcar: o “açúcar invertido”, que eu já citei mais acima. “Açúcar Invertido” é aquela calda viscosa, melada que varia do incolor ao tom de caramelo, e é usada para fazer doces, recheios e outros quitutes culinários atuais.

O açúcar invertido é uma calda viscosa composta de glicose+frutose em estado apurado, podendo ter alguma sacarose.

O mel também é composto por (sacarose+glicose+frutose) tal qual o “açúcar invertido”. Eu arriscaria dizer que quimicamente o mel pode ser considerado um tipo de “açúcar invertido” composto.

Estou falando em “açúcar invertido” mas não expliquei. Então vamos lá.

A glicose e a frutose também podem ser referidas como dextrose e levulose, respectivamente. Estes dois açúcares são realmente os mesmos isómeros estruturais, pois eles têm a mesma fórmula química. Os nomes ‘dextrose’ e ‘levulose’ referem-se ao seu efeito sobre a luz polarizada no plano. Devido à diferença na disposição dos átomos, a dextrose gira a luz polarizada no plano para a direita, enquanto o levulose gira para a esquerda. Os prefixos ‘dextro-‘ e ‘levulo-‘ vêm do latim para direita e esquerda, respectivamente. O “açúcar invertido” tem muita frutose em sua composição, o que faz ter uma refração, quando testado com luz polarizada, mais a esquerda do que a solução de sacarose simples (água + “açúcar” de mesa). Por isso “açúcar invertido!

Voltando ao mel, os 80% da sua composição de “açucares” (sacarose+glicose+frutose) tem a mesma composição (sacarose+glicose+frutose) do “açúcar invertido”. Comparando apenas pelos nomes (sacarose+glicose+frutose) são os mesmos “açucares”. No entanto, porém, todavia …. os componentes (sacarose+glicose+frutose) do mel apresentam a cadeia estrutural das suas moléculas morfologicamente diferente da estrutura das cadeias de sacarose+glicose+frutose do xarope de “açúcar invertido”.

É exatamente esta diferença estrutural que ajuda a acarretar uma diferença físico-química entre os dois. Dentre as diferenças físico-químicas mais marcantes é que o açúcar líquido invertido é mais higroscópico, absorve mais água. Já o mel sabemos que se derramado em um copo de água pemanecerá coeso por muito tempo até iniciar sua dissolução.

Voltando ao nosso mel.

Já sabemos que dependendo do tipo de néctar que as abelhas tenham coletado com substâncias aromáticas específicas de cada espécie vegetal, haverá um reflexo na composição final do mel, alterando sabor, aroma, cor, textura, enfim as suas propriedades físicas, químicas, terapêuticas e organolépticas.

A abelha é o Chef deste Amuse-bouche (especialidade) de méis. Como a principal protagonista na mágica transformação entre o néctar e o mel, cada espécie de abelha, acrescenta suas enzimas características da espécie à composição do mel.

Para sua elaboração, um grupo de abelhas campeiras vai coletar o néctar das flores, e o transportam armazenado em um estômago, distinto do estômago normal (vesícula melífera). Aquelas enzimas específicas, já citadas, são então misturadas com o néctar; estas enzimas iniciam a degradação da sacarose do néctar em açúcares mais simples.

Para entendermos o processo de degradação da sacarose realizado pela abelha, vamos fazer um parênteses para entender melhor a sacarose.

A sacarose é um dissacarídeo; na verdade, consiste em dois açúcares mais simples diferentes, glicose e frutose, unidos. No estômago da abelha, as moléculas de sacarose são gradualmente divididas por enzimas invertase de cada espécie de abelha em glicose e frutose.

Sobre a glicose e frutose vamos simplificar os conceitos de cada molécula. Pode-se dizer que a frutose tem maior poder de adoçar, sendo o composto mais doce entre os carboidratos que ocorrem naturalmente. A frutose também é considerada como o açúcar mais solúvel em água (maior higroscopia) e portanto apresenta menor capacidade de se cristalizar. A frutose liberada encontra-se ligada a três moléculas de água.

Já a glicose, por ser naturalmente um cristal, tem maior facilidade de se cristalizar quando presente em uma solução saturada (menos higroscopia), tendendo a retornar a sua estrutura cristalina inicial. A capacidade de solubilidade da frutose, em água a 20ºC, é quase o dobro da glicose. A glicose liberada encontra-se ligada a apenas uma molécula de água.

De volta a colmeia a abelha campeira regurgitará a solução de néctar, já em processo de quebra de moléculas, entregando para uma das abelhas operárias, que permaneceram na colmeia executando suas tarefas internas. Então a abelha operária continuará o processo iniciado pela abelha campeira – por até 20 minutos, continuando a misturá-la com mais enzimas e quebrando-a ainda mais.

Uma pequena percentagem de sacarose resistirá ao processo de quebra, mas a maioria é dividida em glicose e frutose.

Uma vez que o processo de quebra tenha alcançado sua capacidade máxima dentro da vesícula melífera, a abelha operária deposita o néctar no favo. Nesta etapa a solução pode ter até 70% de água.

Então em seguida, outro passo importante no processo começa.

O excesso de água deve ser evaporado para produzir a consistência/viscosidade do mel que todos nós conhecemos. As abelhas conseguem isso, ventilando o favo de mel com as suas asas, incentivando a rápida evaporação da água da solução. O teor de água da solução cairá para cerca de 17% a 20%, muito menor do néctar original.

A conversão do néctar aquoso para mel denso leva entre 1-3 dias.

Não podemos esquecer que mesmo depois de operculado o favo ou pote de mel, o processo de invertase e outros mais perduram por mais um tempo variável. É o amadurecimento do mel. Este tempo tem grande influência no sabor final do mel, bem como de suas características químicas. Como um bom queijo ou vinho, aguardar o término deste processo pode trazer grandes surpresas organolépticas, e diferenciar sua valorização no mercado.

O teor de água do mel é um dos fatores chaves de não estragar o mel de Apis Melífera.

Com uma taxa de 17% a 20% de umidade, o teor de água da solução é muito inferior ao do corpo das bactérias ou fungos presentes no composto. E assim como ocorre com as pessoas que vivem em locais muito seco, a vida costuma ser penosa ou até impossível, devido à rápida desidratação das mucosas. Para as bactérias e fungos isso é fatal. E assim a maioria das bactérias e fungos perdem sua capacidade de atuação.

Considerando uma escala de “0 a 1” para a necessidade de água mínima capaz de sustentar a atividade da maioria das bactérias, 0,75 de água é o valor mínimo necessário, e o mel tem um teor médio de umidade de 0,6.

Outro fator que ajuda o mel de Apis a evitar ataques de bactérias é a sua acidez. Seu pH médio é de cerca de 4; Essa acidez origina de uma série de ácidos, incluindo ácido fórmico e ácido cítrico, mas o ácido dominante é ácido glucônico, produzido pela ação de enzimas abelhas em algumas moléculas de glicose no mel. A maioria das bactérias prosperam em condições pelo menos neutras e não ácidas.

O peróxido de hidrogênio (Água Oxigenada – inibina) também é outro componente originado no processo de quebra das moléculas, produzido pela produção de ácido glucônico – isso também pode inibir o crescimento de bactérias.

Todas estas propriedades antibacterianas do mel de Apis são realmente potentes, e ajudam na aplicação tópica, como um curativo improvisado para feridas.

Cabe ressaltar aqui que os Meliponini (meliponas e trigonas) realizam exatamente o mesmo processo acima explicado para a produção de mel, no entanto diferentemente das abelhas apis melíferas, ao final do processo o mel apresenta geralmente teores de umidade próximos dos 25%. E mesmo assim o mel enquanto armazenados em seus potes originais, permanecem íntegros!

Retomando ao assunto da cristalização do mel, mas agora sobre os méis de Meliponini, deve ficar salientado que até estes méis, mais úmidos também cristalizam. É surpreendente pensar que tudo acima exposto sobre soluções supersaturadas, composições químicas, cristalizações foi retirado de textos e pesquisas maciçamente baseados em mel de Apis Melífera.

Os méis nativos de Meliponini também cristalizam em uma consistência semelhante a uma finíssima geléia, uma Mousse à la Crème quando submetidos a temperaturas mais baixas … Esses doces patês, de méis nativos, apresentam sabores que explodem os sentidos! Sós ou acompanhados são um show a parte!

Na minha opinião caberiam muitas pesquisas em relação à cristalização do mel de meliponini, principalmente devido ao poder de conservação/preservação dentro do enxame, mesmo com sua alta taxa de umidade!!

Será que todos estes conhecimentos do Mel de Apis Melífera se aplicam na mesma proporção ao mel de meliponini? O que diferencia?

As pesquisas que encontro com maiores quantidades de amostras de mel são sempre amostras de mel de apis melífera, de diferentes espécies e regiões do planeta. Não encontrei respostas no mesmo nível de pesquisa para os méis de meliponini…

Podemos de antemão perceber que diferentemente do favo de mel das apis melíferas, o pote de mel dos meliponini são elaborados com cera composta com muitas resinas vegetais e outras substâncias segregadas pelas abelhas, o que determina a cor mais escura deste invólucro em relação ao favo de mel de apis. Certamente influencia na conservação do mel com a taxa de umidade maior, visto que estas resinas são as mesmas que originam a própolis.

Enzimas e princípios antibióticos e flavonoides já foram isolados na composição de alguns méis de abelhas nativas por alguns pesquisadores brasileiros, e com certeza estas substâncias também têm grande contribuição na capacidade de conservação destes méis no enxame.

As qualidades terapêuticas do mel devido a presença dos antibióticos e flavonoides é um assunto extremamente longo, e não é meu foco no momento. Só para se ter uma ideia, o mais antigo documento da medicina egípcia é um velho papiro de 3500 a.C. chamado “Livro de preparação de medicamentos para todas as partes do corpo humano” (IORICH, 1981 apud STONOGA, 1990), onde o mel era incluído na maioria das preparações medicamentosas.

Se para o mel de apis melífera já existia tantas considerações no uso terapêutico do mel, muito mais relevante este assunto será quando focarmos os méis de meliponini. Vários trabalhos já começam a revelar diferenciais em relação ao mel de apis. Mas este assunto já foi abordado anteriormente. Pode-se ver algo sobre este assunto no atalho a seguir:

www.ame-rio.org/2013/05/propriedades-medicinais-na.html

Ainda sobre a cristalização, pode-se dizer que especialmente no mercado nacional, a maioria da população desconhece que mel cristalizado necessariamente não significa ser mel adulterado com xaropes de “açucares”. Este desconhecimento é muito conveniente para a indústria, pois podem importar e mesclar méis ultrafiltrados de várias partes do planeta, impondo um padrão de sabor. Os pequenos produtores deveriam ter a obrigação de dominar estas informações, bem como difundí-las entre seus clientes, para o bem e valorização da rede dos produtores familiares.

Os grandes entrepostos ao invés de investir em conscientização, aposta em soluções para manter o mel líquido/viscoso na prateleira por mais tempo, e “agradar” a população.

Já falamos da filtragem, retiram sujeiras e todo o pólen do mel, com o fim de evitar a cristalização.

O processamento do mel comercial antes de chegar nas prateleiras também pode incluir um aquecimento controlado para destruir leveduras e dissolver possíveis cristais de glicose da solução.

O mel é geralmente aquecido a uma temperatura de 45ºC para desativar a enzima invertase, e reduzir a viscosidade. Outros processos elevam a temperatura do mel entre 50ºC a 60ºC por poucos minutos, resfriando rapidamente.

Por outro lado, como já vimos anteriormente a glicose se cristaliza com facilidade, então mel cristalizado também pode estar falsificado com dose de xarope de glicose comercial.

Encontrei literatura que afirma que mel puro se cristaliza gradativa e homogeneamente, e com uma aparência fina. Enquanto que os méis adulterados que sofrem uma cristalização, apresentam cristais grosseiros como açúcar cristal, e o processo ocorre não homogeneamente.

Mas também não é 100% segura esta análise informal, devido às diversas substâncias naturais que podem contribuir para alterar a conformação e aspecto do cristal.

Vamos explorar um pouco mais a temperatura. Temperaturas elevadas afetam a enzima diástase (ouamilase) negativamente, devido ao seu alto grau de instabilidade à presença do calor. Seu grau de ausência detecta possíveis superaquecimentos do mel comercialmente vendido, ou adulteração com açúcar comercial a base de amido.
Em temperaturas ambientes, a enzima diástase (amilase) pode vir a deteriorar-se quando o armazenamento for por tempo prolongado. Então também pode indicar um mel com muito tempo de colhido.

Hidroxi-metil-furfural, este palavrão também conhecido por HMF – associado diretamente a ausência da atividade da enzima diástase. Até na estocagem, em temperaturas acima de 30º C, por períodos superiores a seis meses levam ao desdobramento da frutose do mel em uma molécula de hidroxi metil furfural e três moléculas de água, fazendo com que esse mel fique com uma camada superficial líquida e escurecida.

O que achei muito assustador foi que em pesquisas realizadas na UFSM fornecendo esse líquido escurecido para as abelhas provocou a morte de 100% dos enxames (TOMASELLI, 1999). E em ratos foi determinada como DL50 (dose letal capaz de matar 50% da população testada) por via oral doses de 3,1 g HMF/kg de peso. (LOUISE et al., 2009)

Mas não é só a temperatura que influencia no teor de HMF, “uso de embalagens metálicas para o mel e propriedades químicas como pH, acidez total e conteúdo mineral do mel” também fazem diferença. (FALLICO et al., 2004). A legislação brasileira permite o máximo de 60mg/kg, a européia o máximo de 40mg/kg, abrindo exceção de 80mg/kg para méis de países tropicais.

Manter o volume do mel processado em constante movimento durante a etapa de aquecimento controlado é imprescindível para evitar sobre aquecimento localizado, devido a alta viscosidade do mel bruto que dificulta a convecção do calor em seu volume total, zonas isoladas próximas a superfície de aquecimento acabam superaquecendo. Nem sempre este parâmetro é respeitado na indústria nacional, que costumam manter latões (geralmente de metal) de mel bruto em sala aquecida por períodos longos.

Aqui cabe uma curiosidade: HMF em méis de meliponineos mesmo aquecido é baixo, não chegando a 20% do valor permitido.

Detectar adulteração de mel é uma tarefa complexa, e requer testes sucessivos que na verdade vão eliminando possibilidades, e aumentando/atestando a probabilidade de sua pureza e/ou qualidade. A tabela abaixo demonstra a aplicação de uma série de testes em 20 amostras de mel, para alcançar um resultado, que poderia não ser suficiente.

A adulteração no mel, infelizmente, é um problema mundial e muito difícil de ser detectado à primeira vista. Acredito que a dificuldade reside na composição básica do mel e do açúcar invertido serem quimicamente a mesma, apenas com diferenças estruturais. Como já foi exposto no decorrer do texto, grandes entrepostos costumam realizar ultrafiltrações no mel, e/ou expor a um tratamento térmico controlado. Só estes dois procedimentos já invalidam alguns testes “caseiros”.

Os méis submetidos a esses tratamentos podem não ter a mesma qualidade do mel “integral”, cru ou em estado natural, mas não os classificam como falsificados.
Não é o mel que eu escolheria, apesar de poder ser chamado de “puro”, eu diria que poderiam ser denominados méis “incompletos”.

O problema é tão grave que é possível adulterar o mel na sua própria origem.

Alimentar um enxame com xarope de “açúcar” para aumentar a produção é uma modalidade perversa de adulteração do mel, e bem diverso do manejo de inverno.
A abelha campeira irá coletar os “açúcares”, adicionar suas enzimas, repassar para abelha operária, que trabalhará a solução e a levará para o favo ou pote de mel. A solução amadurecerá sob a ação das enzimas das abelhas. Mas onde estão os pólens? E os sais minerais, resinas, hormônios, aminoácidos e outras tantas substâncias derivadas da fonte floral?

O mel até poderá ter um sabor característico da espécie de abelha que trabalhou o xarope, mas é mel?

Você poderá ver o produtor des-opercular o favo e centrifugar na sua frente, mas é mel?

É ético?

Por outro lado, podemos ter um mel cuja origem não é do néctar, e sim de sumos de frutas, ou de secreções de outros insetos. Também não será possível encontrar abundância de pólen nestas amostras. Mas não deixa de ser uma variedade de mel obtido de recursos naturais, com base em “açúcares”, porém bem diferente do exemplo de adulteração acima.

Resumindo:

Ciente de todas as possibilidades de origem do mel, das possibilidades de processamento do mel e possibilidades de adulteração do mel, podemos concluir que um simples teste caseiro não basta para determinar a qualidade e idoneidade do mel.

Mesmo assim selecionei algumas dicas comuns na literatura popular que podem indicar a adulteração do mel. Lembrando que mesmo para estes testes caseiros, precisa-se submeter a amostra a um conjunto de testes, só assim pode-se ter uma ideia se é ou não adulterado, dificilmente certeza !

– Experimente o seu mel. Se você pode perceber coisas como flores ou ervas é um indício positivo. Um bom mel também pode apresentar até para o leigo um sabor diferenciado, com notas de madeira, floral ou alguma outra que indique pelo menos a presença de substâncias derivadas do néctar. Mas não se esqueça que aromas naturais, artificias ou corantes podem enganar!

– Coloque uma pequena gota de seu mel no seu polegar. Se ele se espalhar, não é puro, pois o puro mel permanecerá concentrado.

– Adicione algumas gotas de vinagre em uma mistura de água e mel. Se estiver espumante, seu mel foi adulterado.

– Se o seu mel não “cristalizar” ao longo do tempo, ou na geladeira, é provável que seja ultrafiltrado, mas pode ter levado uma dose de frutose comercial, ou superaquecido.
– Misture uma porção de mel e duas de álcool, o adulterado se dissolverá mais rapidamente.

– Adicione algumas gotas de iodo a um copo de água e adicione um pouco de mel. Se o seu mel ficar escuro, foi combinado com amido de milho.

– Coloque um pouco de mel no final de um pavio ou fósforo e acenda-o. Se ele acender, melhoram as possibilidades de ser puro.
– Uma porção de mel puro sobre papel absorvente, não irá molhar o papel.

– Coloque uma colher de mel num copo de água. Se dissolver é falso. O mel puro não se dissolve fácil na água e vai afundar no fundo do copo.
– Adulterar ou vender mel adulterado é um crime contra a economia popular, tipificado pela Lei nº 1.521 de 1951 – Art 2º  § V !!!

Não tenha preconceito de méis cristalizados, apesar de não ser garantia total de bons antecedentes, aumenta muito a margem de segurança!!!

Mas na verdade concluo que atestar a pureza do mel é uma tarefa muito difícil, seja ele de apis ou de meliponini, pois o volume de variáveis que podem influenciar nos resultados dos testes, sejam eles populares ou técnicos, é muito grande.
Duas formas de se conhecer a autenticidade do seu mel são através de análise séria em laboratório especializado ou conhecer a idoneidade e ética do produtor.

Também concluo que o fato das pessoas preferirem o mel no estado líquido/viscoso é muito conveniente para fornecedores não idôneos. Pois as técnicas que são utilizadas pela indústria para aumentar o tempo de prateleira do mel em estado líquido/viscoso (ultrafiltração/aquecimento), agrandando o público, acabam gerando um produto em que são necessários testes laboratoriais cada vez mais apurados, para conseguir diferenciar os méis puros e processados dos méis adulterados.

Essa rejeição nacional pelos méis cristalizados facilita que pessoas de má fé se aproveitem para agir.

A atual preferência popular da apresentação do produto tem exigido a busca por novos parâmetros capazes de atestar o produto a ser oferecido no comércio.
Isto pode ser visto na reportagem apresentada na internet do programa Rotten (O Mel):

https://youtu.be/bQwmv7k0lgM

É possível notar que 90% das informações que coletei sobre propriedades do mel são referentes a pesquisas do mel de Apis melífera, e que nosso mel nativo está à margem destas pesquisas. Muitas informações são aplicáveis, mas dezenas não.

Com certeza para todos os parâmetros acima expostos e já exaustivamente pesquisados sobre o mel de apis, quando tentarem aplicar aos méis de meliponini, descobrirão que serão necessárias novas pesquisas, especificamente direcionadas para cada um dos tipos de méis das quase 400 espécies de abelhas nativas catalogadas.

Carecemos de um estudo muito mais profundo de nossos méis nativos, que definam e proponham os parâmetros particulares do produto nacional.

Temos que reconhecer que há pesquisadores tentando mudar esta tendência, como Jerônimo Villas-Boas, com trabalhos como: Parâmetros físico-químicos propostos para controle de qualidade do mel de abelhas indígenas sem ferrão no Brasil.

É muito importante que mais pesquisadores se incentivem a pegar este rumo em suas pesquisas. A estrada é longa, e considerando as quase 400 espécies de abelhas nativas, há muito ainda por descobrir e reescrever para os méis meliponíneos.

A última conclusão que posso tirar disso tudo que pesquisei é que o mel integral (cru ou em estado natural) é o mais saudável e nutritivo. No entanto é também o mais difícil de achar no comércio.
Aconselharia ao produtor nacional de mel de apis melífera lutar. Mas não por maior volume de produção, mas por certificações que garantissem sua idoneidade para um produto integral, cru, natural, não filtrado, não aquecido, rastreável e portanto muito mais valorizado.

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Enquanto aqui no Brasil não pudermos dispor de uma solução a este nível, temos uma alternativa caseira. Basta seguir aquele velho ditado que diz que o gado só engorda na vista do dono. Então o bom mel é aquele produzido na vista do dono do enxame.

E aqui entra a nossa imbatível meliponicultura. Qual a melhor maneira de você ter mel produzido embaixo do seu nariz e coletado por você sem roupas especiais? Quais abelhas que têm as caixas mais leves, pequenas e portáteis? Quais abelhas são inofensivas e podem conviver com crianças e animais próximos? Qual abelha pode se ter na janela ou varanda? Quais abelhas você pode coletar mel até com uma seringa, dispensando o uso de centrífugas?

Você responde !!!

Referências

Dissertações

The-Chemistry-of-Honey

O MEL E SUAS CARACTERÍSTICAS – Nivaldo César ALVIM

GLICÍDIOS NO MEL – Ricardo Felipe Alves Moreira

Avaliação da cristalização de mel utilizando parâmetros de cor e atividade de água

ESTUDO DA DESCRISTALIZAÇÃO TÉRMICA DO MEL SOB INFLUÊNCIA DA AGITAÇÃO – Vieira, Luana Reis

Parâmetros de avaliação da qualidade do mel e perceção do risco pelo consumidor

Determinação da qualidade do Mel – Garcia

Propriedades físicas e químicas do mel de Apis mellifera L. – Abadio
DETERMINAÇÃO DA AUTENTICIDADE DOS MÉIS VENDIDOS NAS FEIRAS LIVRES E COMÉRCIOS POPULARES

HIDROXIMETILFURFURAL E ÍNDICE DE DIASTASE COMO INIDICADORES DE QUALIDADE DE MÉIS – Coringa E.

Páginas na Internet

https://www.mel.com.br/mel-cristalizado/

https://www.melbrotas.com.br/porque-o-mel-cristaliza/

https://super.abril.com.br/blog/oraculo/dizem-que-quando-o-mel-e-bom-cristaliza-e-verdade-por-que/

http://abelhaseabelhas.blogspot.com.br/2010/05/mel-puro-ou-falsificado.html

https://www.curapelanatureza.com.br/post/06/2015/7-dicas-para-saber-se-o-mel-e-falso-ou-verdadeiro

http://abelha.org.br/faq/58-por-que-o-mel-cristaliza/

http://honeypedia.info/honey-ingredients-a-comprehensive-list

https://www.wired.com/2014/03/crystalized-honey/

http://honeypedia.info/acacia-honey

https://www.education.com/science-fair/article/what-makes-honey-crystallize/

http://www.conap.coop.br/controle-de-qualidade/

http://www.abq.org.br/cbq/2010/trabalhos/10/10-466-8239.htm

http://www.compoundchem.com/2014/08/21/chemistryofhoney/

https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%BAcar_invertido

http://www.crq4.org.br/quimicaviva_acucar

http://www.revistas2.uepg.br/index.php/conexao/article/viewFile/3803/2689

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/territorio_sisal/arvore/CONT000fckg3dhb02wx5eo0a2ndxy0opz78w.html

file:///C:/Users/medina/Downloads/Dissertacao_de_Mestrado_Diana_Nascimento.pdf

http://www.cursinhoparamedicina.com.br/blog/quimica-blog/o-que-e-acucar-invertido-invertendo-o-acucar/

http://fundacaomaitreya.com/imprime_artigo.php?ida=501

https://en.wikipedia.org/wiki/Saccharum_officinarum

http://www.sugarhistory.net/who-made-sugar/history-of-sugar/

https://www.terra.com.br/culinaria/infograficos/dicionario-gourmet/

Fonte – Ame-Rio abelhas nativas sem ferrão de 20 de março de 2018

Abelhas de aluguel viajam o país para ajudar agricultores a produzir mais

Trabalho como “agente de polinização” faz produção de mel virar negócio secundário na apicultura | ABPMTrabalho como “agente de polinização” faz produção de mel virar negócio secundário na apicultura. ABPM

Trabalho de polinização promovido pelas abelhas é requisitado por número crescente de produtores rurais para aumentar a qualidade e a produtividade das lavouras, inclusive as de soja

Nesta época do ano elas ainda se recuperam da última grande viagem e circulam no máximo por 2 a 3 km, em busca de néctar para suas colmeias.

Mas na primavera foi uma correria. Viajaram de carro por centenas de quilômetros para sujar as patas e espalhar pólen nos pomares de maçã no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e nas plantações de melão e maracujá no Nordeste do País.

Os serviços de polinização das abelhas de aluguel estão em alta com produtores das mais diversas culturas, do melão à laranja, do café ao morango, da melancia à soja.

“Em setembro, as abelhas ficam três semanas com a gente. Elas fazem 90% da polinização. Pomar de maçã sem abelha não existe”, garante o produtor José Maria Reckziel, de Caxias do Sul. Todos os anos, Reckziel manda vir de Vacaria 110 colmeias de abelhas de aluguel para polinizar os 55 hectares de maçã. O serviço custa R$ 80 por caixa, por hectare.

Quem aluga as abelhas para Reckziel é o apicultor Danilo Zardo, especialista em polinização. Mesmo sem possuir um hectare sequer de terra, Zardo mantém 1500 colmeias na região de Vacaria. Ele paga com mel o arrendamento de áreas para suas abelhas. Um litro de mel por caixa, a cada ano. Na primavera, Zardo viaja com as abelhas por até 200 km, para uma estadia de duas a três semanas nos pomares.

Seu Zardo anda preocupado. “A alimentação da abelha está diminuindo dia a dia. O grande problema da mortandade não é o agrotóxico, mas a falta de alimento”, acredita. Na região no nordeste do Rio Grande do Sul, as abelhas se alimentam do néctar de arbustos, carquejas e gramíneas dos campos nativos. “Está entrando muita lavoura, os campos nativos vêm diminuindo. Lá na frente, vai faltar alimento para as abelhas”, prevê.

Ajudar os produtores rurais a ver nas abelhas um aliado da agricultura, que precisa ser respeitado e protegido, é o desafio do projeto Colmeia Viva. Curiosamente, trata-se de uma iniciativa da indústria de defensivos agrícolas, que entende que o problema não é uma suposta incompatibilidade intrínseca entre agroquímicos e abelhas, mas a falta de informação e o uso incorreto dos produtos.

“Defensivo serve para combater praga e abelha serve para dar qualidade aos frutos. Nosso esforço é entender as abelhas e promover um diálogo melhor com a agricultura”, diz Paula Arigone, coordenadora do Colmeia Viva, que há três anos faz o mapeamento da mortalidade de abelhas em São Paulo para descobrir o que precisa ser corrigido. Entre os apoiadores do estudo, estão gigantes dos agroquímicos como Basf, Bayer, Syngenta e FMC.

O projeto tem como meta, até 2020, implantar um Plano Nacional de boas práticas, via plataforma digital, que abra também canais de diálogo entre entidades de agricultura, apicultura e de aplicação de defensivos em diversos estados brasileiros.

Há três anos, em São Paulo, o Colmeia Viva estuda as causas de mortalidade das abelhas. Nas próximas semanas sai o relatório consolidado, mas, até aqui, sabe-se que a maior parte das mortes (70%) aconteceu pela aplicação incorreta de defensivos, seja por doses excessivas, seja pela deriva (dispersão para áreas que não eram alvo) ou aplicação de produtos sem autorização ou registro. Até agora, não foi identificado o fenômeno conhecido como Síndrome do Desaparecimento das Abelhas ou Desordem do Colapso das Colônias, registrado em outros países.

“O problema tem sido as práticas incorretas e a falta de comunicação sobre a aplicação dos defensivos. Precisamos trazer todo mundo para a mesa, para difundir as boas práticas e esclarecer confusões”, afirma Paula Arigone.

O apicultor Danilo Zardo conhece muito bem algumas distorções que o projeto Colmeia Viva quer corrigir. “Tem produtor que aplica inseticidas e veneno para formiga durante a florada e não se liga que tem abelha lá dentro. É falta de orientação e conhecimento. Inclusive, tem lugar que não levo mais minhas abelhas. Uma vez aluguei 50 caixas, quando fui recolher tinha morrido 30 enxames. Pagaram o dobro do aluguel como indenização, mas não adianta, não compensou a perda das colmeias”, relata. Zardo ainda sonha com o dia em que o aluguel de suas “operárias” será tão bem remunerado como na Europa e nos Estados Unidos: “lá eles pagam um salário mínimo por caixa”.

Participam do Colmeia Viva pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Tem companheiros na universidade que querem me matar, que acham que estou defendendo as empresas de agrotóxicos ou aqueles que fazem pulverização com aviões. O que eu defendo é a conservação das abelhas e entendo, também, o lado do agricultor, que se ele não usar substâncias para controlar as pragas, não consegue produzir”, diz Osmar Malaspina, professor de biologia no campus Rio Claro da Unesp que estuda as abelhas há mais de 40 anos.

“Tenho uma visão um pouco diferente do pessoal que acha que tem de proibir tudo quanto é inseticida, por que são causadores de todos os males. Dá para ter uma visão proativa, conciliando os dois lados, é só sentar para conversar”, assegura o pesquisador.

Soja e abelhas

As abelhas têm sua contribuição inclusive para a soja, cultura agrícola mais cultivada no Brasil, ocupando cerca de 35 milhões de hectares. A presença delas, segundo o pesquisador da Embrapa Soja Décio Gazzoni, pode incrementar a produtividade entre de 5% e 15%, chegando, em alguns casos, até a 20%.

“A contribuição das abelhas fica mais evidente quando o teto de produtividade é alto. Ou seja, quando foi feita adubação correta, o clima é bom e a variedade é a mais adequada, o ganho com a polinização se expressa melhor”, revela o pesquisador, que comanda um estudo sobre o tema ser concluído até 2021.

Gazzoni diz que soja e abelhas fazem uma composição ganha-ganha. Ele esteve há poucas semanas nos Pampas do Rio Grande do Sul e viu apicultores colocando as abelhas próximo dos campos de soja. “Eles estão coletando muito mel, porque a soja oferece alimento numa época em que há pouca oferta de flores. E os produtores de soja têm um aumento líquido de produtividade, sem gastar nada a mais, só pela presença das abelhas”.

Osmar Malaspina, da Unesp, lembra que o negócio de “bees rental” ocorre há muito tempo nos Estados Unidos, onde os apicultores viajam de “fazenda em fazenda polinizando as amêndoas”, e se dissemina também nos laranjais de São Paulo. A laranja está entre as culturas que não são dependentes das abelhas para polinização, mas que são muito beneficiadas, podendo aumentar a produtividade em até 30% com a presença das colmeias. “Entre 2000 e 2005 começou a ter muita mortalidade de abelha, porque não tínhamos mecanismos de proteção no Brasil. Estamos tentando criar um novo modelo de convivência entre as partes. O fato é que se todo mundo cumprisse a exigência de Reserva Legal, por exemplo, haveria um efeito ótimo tanto para a agricultura como para a produção de mel e a preservação das abelhas”, aponta o pesquisador.

Fonte – Marcos Tosi, Gazeta do Povo de 26 de fevereiro de 2018

 

Europa deverá proibir pesticidas que ameaçam as abelhas, após relatório da EFSA

Uma nova análise da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar concluiu que os inseticidas mais usados no mundo colocam em risco as abelhas.

Uma nova análise da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que os inseticidas mais usados no mundo colocam seriamente em risco tanto as abelhas melíferas como as selvagens.

Esta conclusão torna muito provável que a utilização de pesticidas neonicotinóides seja proibida em todos os campos da União Europeia, quando os países votarem sobre esta questão.

relatório da agência europeia analisou mais de 1500 estudos e descobriu que o risco para as abelhas varia consoante a cultura agrícola e a via de exposição, mas que “para todas as utilizações no exterior, existia pelo menos um aspeto da avaliação que indicava um risco elevado”.

Estudos anteriores tinham revelado que os neonicotinóides – inseticidas derivados da nicotina que atacam o sistema nervoso dos insetos – podem afetar a memória das abelhas, fazendo com que fiquem desorientadas, para além de causarem a morte prematura da abelha-rainha e das obreiras.

As abelhas e outros polinizadores são vitais para três quartos das culturas agrícolas do mundo, mas, nas últimas décadas, as suas populações têm sofrido um declínio acentuado. Por trás do seu desaparecimento estão problemas como a destruição de habitats, doenças, ácaros, fungos e o uso generalizado dos neonicotinóides.

Recentemente, um estudo realizado em dezenas de reservas naturais na Alemanha revelou que os insetos voadores sofreram um declínio dramático de 76%, levando os cientistas a alertar que “estamos a rumar para o Armagedão ecológico”.

O relatório da EFSA analisou, pela primeira vez, os efeitos dos neonicotinóides nos abelhões e nas abelhas solitárias. “Em geral, o risco para os três tipos de abelhas que avaliamos está confirmado”, disse Jose Tarazona, diretor da unidade de pesticidas da EFSA.

Os investigadores também descobriram que o risco elevado para as abelhas advém da contaminação mais vasta da água e do solo, que leva ao aparecimento dos neonicotinóides nas flores silvestres e nas culturas subsequentes. “O maior risco para as abelhas vem da exposição crónica devido à sua persistência”, explicou Christopher Connolly, professor da Universidade de Dundee, no Reino Unido.

A UE restringiu o uso de três neonicotinóides – imidacloprida, clotianidina e tiametoxam – em 2013, para tentar proteger as abelhas.

“Temos jogado à roleta russa com o futuro das nossas abelhas durante demasiado tempo”, disse Sandra Bell, do grupo ambientalista Friends of the Earth. “Os países da UE precisam agora de apoiar uma proibição mais rigorosa.”

A Comissão Europeia afirmou que proteger as abelhas era uma “prioridade” e que o novo relatório “reforça a base científica para a proposta da comissão com vista a proibir o uso exterior dos três neonicotinóides”. 

São cada vez mais os artigos altamente críticos da atual utilização de pesticidas. Em setembro de 2017, o conselheiro científico do governo britânico, Ian Boyd, avisou que a suposição de que é seguro usarem-se pesticidas em quantidades industriais nas paisagens é errada e que os “efeitos de se aplicarem químicos em paisagens inteiras têm sido amplamente ignorados”.

Alguns meses antes, um relatório da ONU declarou que a ideia de que os pesticidas são essenciais para alimentar a crescente população mundial é um mito, acusando os pesticidas de terem “impactos catastróficos no ambiente e na saúde humana” e os seus fabricantes de “negarem sistematicamente” os danos causados pelos seus produtos.

Fonte – The UniPlanet de 05 de março de 2018

Un sistema para detectar pesticidas en el polen y el néctar puede ayudar a las abejas

<p>La utilización masiva de pesticidas está relacionada con la desaparición de colonias de abejas. / Fundación Descubre</p>La utilización masiva de pesticidas está relacionada con la desaparición de colonias de abejas. / Fundación Descubre

Investigadores de la Universidad de Jaén han creado un nuevo método para, con muy poca cantidad de muestra, obtener las cantidades de insecticidas presentes en el polen y el néctar. La nueva herramienta es capaz de analizar ocho compuestos que pueden estar contribuyendo a la desaparición de las abejas y otros insectos.

Científicos del grupo de investigación Química Analítica de la Universidad de Jaén han desarrollado un nuevo método para analizar la presencia de ocho pesticidas frecuentes en agricultura en muestras de polen y néctar. Su utilización masiva está relacionada con la desaparición de colonias de abejas en apicultura, lo que convierte a esta herramienta en un instrumento útil para conocer con exactitud las cantidades que pueden alterar el ecosistema.

“Este método analiza la presencia de ocho pesticidas de uso común en agricultura en muestras pequeñas de polen y néctar”

En esta línea, los investigadores establecieron la necesidad de determinar los insecticidas que pasan del cultivo a las colonias. En un artículo publicado en la revista Journal of AOAC International desarrollan un método basado en una combinación de técnicas analíticas avanzadas capaz de medir con exactitud la cantidad de pesticida presente en el alimento de las abejas. Con esta información se pueden sentar las bases para futuros estudios dedicados a conocer en qué medida se puede correlacionar la presencia de los pesticidas con la desorientación del insecto y el abandono de la colonia.

El nuevo método consiste en la combinación de dos técnicas dedicadas a la separación de compuestos presentes en muestras complejas para analizarlos y cuantificarlos con un alto grado de efectividad. Concretamente, se unifican las capacidades de la separación física de la cromatografía líquida, que divide las mezclas con múltiples componentes, y las de la espectrometría de masas, que proporciona una gran exactitud en la detección de materia, lo que permite conocer la fórmula molecular de los compuestos presentes en las muestras con una alta especificidad.

El uso de cromatografía líquida de nanoflujos acoplada a espectrometría de masas posibilita obtener información detallada de la composición química usando menos de un microgramo de muestra. “Al aplicar ambas metodologías en pequeñas cantidades de polen y néctar se ha confirmado la presencia de pesticidas, lo que demuestra la sensibilidad y la aplicabilidad directa del método propuesto”, afirma David Moreno, coautor del artículo.

Beneficios y perjuicios para el cultivo

El nuevo sistema contribuye a profundizar en el problema del colapso de colonias de abejas, situación que se produce cuando las obreras son sometidas a este tipo de sustancias y las llevan a abandonar la colmena, lo que provoca su desaparición. Los investigadores ofrecen así una herramienta adecuada para la multitud de estudios que se realizan actualmente ante un problema que consideran de especial relevancia a nivel mundial.

“El nuevo sistema contribuye a profundizar en el problema del colapso de colonias de abejas”

Las abejas son usadas frecuentemente en cultivos con el fin de fomentar la floración y la polinización, al mismo tiempo que se obtienen de ellas cera y miel. Según indican los expertos, el 30% de la producción agraria depende de ellas. Los insecticidas descritos en el artículo actúan directamente en el sistema nervioso de las plagas que afectan a los cultivos, pero también sobre los polinizadores.

En los últimos años se observó que el uso de estos pesticidas llamados neonicotinoides, coincidían con la desaparición de colonias completas en algunos hábitats, lo que llevó a la Unión Europea a la prohibición del uso de tres derivados en el año 2013. Sin embargo, otros muchos siguen aplicándose ante la inexactitud de estudios que corroboran la relación con la disminución de abejas y su empleo generalizado por parte de agricultores al tratarse de plaguicidas de alto espectro, muy demandados por sus múltiples beneficios como herbicidas e insecticidas en los cultivos.

Los estudios se han desarrollado dentro del proyecto Nuevas aproximaciones experimentales a la solución de las limitaciones actuales de la cromatografía de líquidos/espectrometría de masas (LC-MS) en análisis de contaminantes orgánicos financiado por el Ministerio de Economía y Competitividad.

Referencia bibliográfica

David Moreno González, Jaime Alcántara Durán, Bienvenida Gilbert López, Miriam Beneito Cambra, Víctor M. Cutillas, Łucasz Rajski, Antonio Molina Díaz y Juan F. García Reyes. ‘Sensitive Detection of Neonicotinoid Insecticides and Other Selected Pesticides in Pollen and Nectar Using Nanoflow Liquid Chromatography Orbitrap Tandem Mass Spectrometry’. Journal of AOAC International, 2017.

Fonte – SINC Servicio de información y noticias cientíticas de 01 de março de 2018