União Europeia autoriza agricultores biológicos a vender as suas próprias sementes

SementesFoto: Craig Dietrich/Flickr

O Parlamento Europeu adotou uma nova legislação que autoriza os agricultores biológicos a comercializar as suas próprias sementes a partir de 2021.

Parlamento Europeu adotou uma nova legislação que pretende apoiar a produção biológica. Entre as novas medidas, que entrarão em vigor em 2021, está a autorização da “reprodução vegetal de material biológico heterogéneo”, que permitirá aos agricultores biológicos comercializar as suas próprias sementes, explica o jornal francês Le Figaro.

Um decreto publicado em 1981 proibiu a comercialização de sementes não inscritas no catálogo oficial. Para serem registadas, as variedades propostas devem passar por uma série de testes, como os ensaios de DHE (distinção, homogeneidade e estabilidade) e de VA (valor agronómico).

Contudo, a inscrição de uma nova semente custa aos produtores entre 6000 e 15 mil euros. Sendo assim, não é de admirar que a maioria das variedades listadas no catálogo pertença a gigantes como a DowDuPont ou a Monsanto.

Com as medidas que receberam agora luz verde na UE e que terão de ser confirmadas no dia 22 de maio (uma simples formalidade), as sementes camponesas biológicas não precisarão de estar registadas nos catálogos oficiais, sendo da responsabilidade dos produtores, que terão de declarar a venda das suas sementes e enviar uma amostra para garantir a ausência de contaminação por pesticidas químicos ou fertilizantes sintéticos.

Os agricultores biológicos terão assim liberdade para desenvolver as suas próprias variedades e colocá-las no mercado, o que se espera que promova a biodiversidade, melhore a sustentabilidade das culturas e reavive as milhares de variedades de frutas e vegetais existentes. Segundo a FAO, 75% dos alimentos do mundo provêm de apenas 12 espécies vegetais e cinco animais.

Fonte – The UniPlanet de 10 de maio de 2018

Controle biológico como alternativa ao consumo excessivo de agrotóxicos

Resultado de imagem para controle biologico de pragas

Para reduzir a aplicação de agrotóxicos na agricultura brasileira, o Brasil precisa avançar no controle biológico das culturas agrícolas e um dos seus principais desafios consiste em criar um modelo de controle biológico que seja adequado para a agricultura brasileira, diz o engenheiro agrônomo José Roberto Postali Parra. Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, o pesquisador explica que o “controle biológico é um fenômeno natural que consiste na regulação de plantas e animais por agentes de mortalidade biótica”, ou seja, um tipo de produto seletivo que mata pragas, mas preserva os inimigos naturais das culturas agrícolas, evitando o desequilíbrio biológico.

Entre os principais desafios do Brasil na expansão da aplicação de controle biológicona agricultura, o primeiro deles, segundo Parra, “é a cultura do agricultor, porque o agricultor brasileiro tem uma cultura de químicos. Isso é algo que passou de pai para filho, o agricultor está acostumado a utilizar produtos químicos e, obviamente, utiliza muito mais controle químico do que biológico”. De acordo com o pesquisador, embora o Brasil tenha “expertise” no manejo de controle biológico, que já tem sido aplicado às culturas de cana-de-açúcar, o país dispõe de um número muito pequeno de “inimigos naturais”, que são micro e macrorganismos responsáveis pelo processo biológico. Parra informa ainda que enquanto alguns países têm cerca de 350 espécies, no Brasil o número é de aproximadamente 30. O baixo número de espécies disponíveis, explica, gera outro problema: a falta de insetos disponíveis para todos que querem aplicar esse tipo de manejo.

Defensor da aplicação desses produtos na agricultura, Parra adverte que “o controle biológico não irá substituir os produtos químicos na totalidade. Então, preconizamos, de modo geral, que ele seja parte do manejo integrado de pragas. Entretanto, existem situações em que ele pode ser utilizado, como no caso da cana-de- açúcar”.

José Roberto Parra é graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo – USP, mestre e doutor em Entomologia também pela USP. Atualmente é professor sênior do Departamento de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP. É membro da Academia Brasileira de Ciências desde 2000 e membro da Academy of Science for the Developing World – TWAS desde 2002. Recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2002 e pertence à Classe da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2010.

IHU On-Line — O que é o controle biológico e como ele pode contribuir para evitar os desequilíbrios biológicos causados pelo uso de agrotóxicos?

José Roberto Postali Parra — Vou explicar primeiro o que é controle biológico para depois falar sobre desequilíbrios. O controle biológico é um fenômeno natural que consiste na regulação de plantas e animais por agentes de mortalidade biótica. Então, em toda planta e em todo animal têm seus inimigos naturais. No caso da agricultura, esse equilíbrio foi quebrado pela necessidade de se ter alimentos. Assim, hoje temos grandes áreas plantadas como algodoeiro, soja etc. e, portanto, o equilíbrio natural foi quebrado. Desse modo, o objetivo do controle biológico é restituir o equilíbrio que no início existia — é um controle biológico aplicado.

uso de inseticida gera um controle imediato das pragas, mas também é possível fazer esse controle rápido quando falamos de controle biológico aplicado, que é a liberação de grande quantidade de inimigos naturais na agricultura. Pode-se, também, aplicar um tipo de controle a longo prazo, que se chama controle biológico clássico, isto é, ao se liberar pequenas quantidades de inimigos naturais, com o tempo esses inimigos vão aumentando e geram um controle a longo prazo. Isso é seletivo porque serve só para culturas que permanecem sempre no campo, ou seja, culturas perenes ou semiperenes. Existe ainda a forma conservativa, que é uma alternativa em que se conserva o que já existe na natureza, evitando a aplicação de inseticidas. Então, existe o controle biológico aplicado, o controle biológico clássico e controle biológico conservativo. Para utilizar esse controle biológico tem que ter o mínimo de inseticidas possível. Entretanto, existem produtos seletivos, que matam as pragas e não matam os inimigos naturais. Então, é possível conciliar a utilização de produtos químicos com controle biológico desde que se usem produtos seletivos.

Em outros países existem tabelas indicando quais são esses produtos seletivos, que podem ser utilizados em determinadas espécies vegetais, não matando certos inimigos naturais que serão preservados. Isso irá reduzir a aplicação de produtos químicos. Por exemplo, os piretroides, que são uma categoria de inseticidas que matam as pragas e os inimigos naturais, o que causa problemas de desequilíbrios biológicos com explosões populacionais de insetos e ácaros. Como se causa o desequilíbrio natural? O inseticida, uma vez aplicado, vai matar a praga e os inimigos naturais, e com isso surgem os desequilíbrios. Por este motivo, em determinadas culturas, como na soja e no algodoeiro, não é recomendada a aplicação de piretroides, justamente para permitir que cresça a população de inimigos naturais. Então, os desequilíbrios são fruto dessa morte dos agentes de controle biológico, aumentando assim a população de praga, que se vê livre dos inimigos naturais.

IHU On-Line — É possível fazer o controle de pragas somente com o controle biológico sem o uso de pesticidas?

No Brasil são plantados nove milhões de hectares de cana-de-açúcar e quase metade da área plantada é controlada biologicamente – José Parra

Em outras culturas o controle biológico deveria ser incorporado em programas de manejo, e existem casos em que individualmente ele pode funcionar. Mas a intenção não é substituir o químico totalmente por controle biológico, mesmo porque isso seria impossível em função da grande área plantada no Brasil, pelo menos a curto prazo, não havendo disponibilidade de agentes de controle biológico para toda essa área plantada.

IHU On-Line — O manejo integrado com o controle biológico e agrotóxicos reduziria em que percentual o uso de agrotóxico na agricultura? 

José Roberto Postali Parra —agricultura brasileira é muito grande, e o Brasil usa muito inseticida, sem dúvida alguma, mas existem países desenvolvidos que usam mais do que o Brasil por unidade de área, como a Holanda e o Japão — o Brasil fica na quinta posição em termos de utilização por unidade de área.

Nós somos favoráveis à racionalização do uso de inseticidas, que seria essa integração diminuindo a aplicação exagerada que se faz de forma irracional. O controle biológicopode dar controles ótimos, até superiores a 80%, como vem ocorrendo nas plantações de cana. A vantagem do controle biológico é que não traz problemas ao ambiente, à água, ao solo, ao homem, aos animais, não causa os desequilíbrios biológicos, e não há resistência a determinados produtos, como frequentemente ocorre com os químicos, e não deixa resíduos nos alimentos. Tudo isso faz com que pensemos nessa possibilidade, que é muito boa. Eu, logicamente, trabalhando no controle biológico, sou extremamente favorável à sua utilização.

Mas hoje também existem fatores que dificultam muito a utilização de químicos, por exemplo: para sintetizar um produto químico, o custo é de entre 300 e 350 milhões de dólares e o Brasil, hoje, é um grande exportador de commodities e frutas. E como os mercados exigem cada vez mais produtos sem resíduos, existe grande pressão para que se use cada vez menos produtos químicos. Além disso, no Brasil são utilizados produtos químicos que já foram banidos do mercado internacional há muitos anos, logo, eles têm que sair do mercado. Então, alguns problemas favorecem pensarmos na utilização do controle biológico.

O Brasil tem expertise, tem muitos profissionais se formando nos últimos anos, as pesquisas são grandes na área de controle biológico, mas nós temos desafios, a começar pelo fato de que o Brasil faz agricultura em campos abertos. Por isso, não raro temos plantações de soja em 20 ou 50 mil hectares e até 100 mil hectares, o que é completamente diferente da forma de produzir de um produtor na Europa, como na Holanda e na Espanha, que usam muitos produtos biológicos, mas na grande maioria em casas de vegetação. Nós temos que desenvolver um modelo de controle biológicopara regiões tropicais e para isso há alguns desafios a serem vencidos. Não adianta falarmos que somos líderes em agricultura tropical — e nós somos realmente líderes —, mas para controle biológico temos que desenvolver um modelo adequado à nossa agricultura.

IHU On-Line — O que seria um modelo de controle biológico adequado para a agricultura brasileira?

O agricultor brasileiro tem uma cultura de químicos – José Parra

Se formos olhar os trabalhos mais modernos, veremos que no mundo há grande disponibilidade de inimigos naturais, cerca de 350 espécies. No Brasil temos, incluindo macro e microrganismos, cerca de 30 agentes de controle biológico. Isso tudo é bastante limitante. Existem, comercializando hoje, 26 empresas de micro e 21 de macro — microrganismos são as coisas que não vemos, como vírus, bactérias, fungos, e os macrorganismos são aqueles controles que vemos, como um inseto controlando outro inseto, um ácaro controlando outro ácaro ou inseto. Existe hoje uma tendência maior de usar microrganismos. As multinacionais estão comprando firmas menores de controle biológico e muitas delas estão investindo em microrganismos, que são mais facilmente aceitos pelos agricultores, porque um microrganismo é como se fosse um inseticida, é misturado com água e aplicado. Um macrorganismo exige mais tecnologia, é preciso saber quando vai nascer, e ele morre logo; além disso, é preciso uma logística de armazenamento e transporte. Hoje estão usando bastante microrganismos, e podemos encontrar milhões de hectares sendo tratados com vários desses microrganismos.

No entanto, hoje um dos grandes problemas é que não existem insetos disponíveis para todos que queiram utilizá-los para controle biológico. Novas empresas estão entrando nesse mercado, entre elas a Koppert Brasil, da Holanda, que recentemente comprou uma pequena empresa que tinha sido originária do meu laboratório, a BUG Agentes Biológicos. Está acontecendo muito isto: as grandes empresas comprando as pequenas empresas. Por que, então, não avançamos tanto? Porque tem um número pequeno de empresas no Brasil com apenas sete macrorganismos e 22 microrganismos registrados, com grande número de agentes de controle biológicos aguardando registro.

O segundo desafio é em relação à amostragem, pois quando vamos controlar uma praga, é preciso saber quanto dela existe numa cultura para aplicar um produto químico, por exemplo. Como as áreas são muito grandes, é difícil saber isso no momento em que se vai aplicar o inimigo natural. Por isso estão propondo coisas novas, como o levantamento com feromônios sexuais, sensoriamento remoto, ou seja, é preciso aparatos mais sofisticados do que os que existem hoje. Um problema nesse sentido é que o Brasil é muito pobre em transferência de tecnologia; às vezes tem a tecnologia, mas ela não chega ao agricultor.

Outra dificuldade é sobre a disponibilidade do insumo; será que terá para todo mundo? Estão falando agora em uma vespinha para controlar o percevejo-marrom-da-soja; isso funciona muito bem, mas tem limites de disponibilidade. Por exemplo, temos mais de 34 milhões de hectares de soja plantados no país, e para fornecer para todo mundo, tem que se ter enormes fábricas e mais fábricas do que se tem hoje. E, muitas vezes, esse controle biológico não é trivial, demanda tecnologia, mas como o pessoal se entusiasma rapidamente, podem surgir empresas que nem sempre serão de boa qualidade.

Além disso, temos a questão da logística de armazenamento e transporte; como será liberado esse inimigo natural? Tem pessoas liberando com drones e, logicamente, se for usar um inimigo natural, temos que usar produtos seletivos e nós ainda somos muito iniciantes em termos de legislação para agentes de controle biológico. Tudo isso atrapalha um pouco, mas com o tempo a situação vai melhorando.

Sou muito esperançoso com relação à possibilidade do avanço do controle biológicoa médio e longo prazos. De todo modo, o uso do controle biológico não pode ser muito precipitado, porque se tentarmos fazer tudo de forma corrida, surgirão produtos de má qualidade e o controle biológico cairá no descrédito, que é justamente o que não queremos que aconteça. Preferimos que seu desenvolvimento seja devagar, mas com firmeza, por isso não podemos querer que isso ocorra na próxima safra; isso não acontecerá. É preciso ir mudando a mentalidade aos poucos.

IHU On-Line — Qual é a receptividade desse manejo integrado, para além do cultivo de cana-de-açúcar?

A Espanha é o maior produtor de pimentão do mundo e só usa o controle biológico porque o pessoal tem extremo rigor com relação a resíduos de produtos químicos – José Parra

Nós temos uma biodiversidade fantástica, mal explorada e pouco conhecida, mas tem muitas pessoas e empresas, tanto de macro quanto de microrganismos, interessadas nesse campo, e elas estão começando a trabalhar. Se tivermos um pouco de paciência, acredito que vai melhorar muito esse mercado e surgirão grandes oportunidades. Tem vários agentes potenciais que serão utilizados nos próximos anos. Começaram a surgir empresas e startups. Por exemplo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp financia projetos de incentivo às pequenas empresas, com isso já foram criadas 12 startups em controle biológico, e há novas empresas surgindo. Além disso, as grandes multinacionais estão adquirindo empresas. Sem dúvida precisa haver essa disponibilidade de insumo para que a coisa venha a funcionar.

IHU On-Line — Qual é a atual situação das pesquisas sobre controle biológico no país? As pesquisas são feitas em que direção? Como parcerias entre universidade, empresas e agricultores podem favorecer o desenvolvimento das pesquisas sobre controle biológico?

José Roberto Postali Parra — O grande avanço dessa área foi a criação, na década de 1960, de cursos de pós-graduação. Houve épocas em que de 20% a 25% dos pesquisadores eram formados em controle biológico. Nós temos uma massa crítica razoável e hoje já existem núcleos no Brasil que trabalham com controle biológico, todos saídos de centros mais avançados. Por exemplo, temos grupos trabalhando no Espírito Santo, no Nordeste e no Sul do país. Em São Paulo existe uma concentração maior, mas existem grupos muito importantes. No Rio Grande do Sultem grupos fortes trabalhando com controle biológico na Embrapa.

Como tudo na vida, esse projeto exige investimentos em pesquisa, e como vivemos um período ruim na economia, não há tanto investimento, não tem dinheiro, mas existem possibilidades futuras. Vejo como possibilidades o financiamento de órgãos como a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – Embrapii, que financia um grande projeto nosso, os biocontroladores, que se referem a macro e a microrganismos. Também existem outras possibilidades via Fapesp, que está abrindo portas para que se forme um centro de controle biológico. Assim, os recursos começam a aparecer especificamente para isso. A Embrapii, a Fapesp e o CNPq estão financiando esse tipo de pesquisa e a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] também está interessada em financiar programas de controle biológico.

Nesta semana haverá uma reunião no Rio de Janeiro, no Ministério de Ciência e Tecnologia, com o governo alemão para firmar um convênio sobre controle biológico. Os recursos começam a aparecer e, onde existem recursos, os processos começam a funcionar, logicamente se forem feitos de forma correta. Eu sou professor aposentado da USP, mas continuo em atividade normal porque trabalhei a vida inteira para chegar num bom momento, e hoje nos encontramos neste bom momento. O movimento para o uso de controle biológico é mundial. A China, por exemplo, neste ano está investindo 350 milhões de dólares em sustentabilidade, então o controle biológico, em última análise, implica em sustentabilidade e “está caindo cada vez mais no gosto da população brasileira”.

Fonte – Patricia Fachin, IHU de 24 de maio de 2018

Benefícios da alimentação orgânica

feira orgânicaFoto: EBC

A produção de orgânicos otimiza recursos naturais e socioeconômicos, além de respeitar a cultura das comunidades rurais e melhorar a saúde

Alimentos orgânicos são produzidos através de técnicas específicas, buscando otimizar recursos naturais e socioeconômicos, respeitar a cultura das comunidades rurais, objetivando a sustentabilidade econômica e ecológica e a minimização do uso de energias não-renováveis. Sem nunca empregar materiais sintéticos, organismos modificados geneticamente ou radiações ionizantes.

Nas últimas décadas houve um crescimento muito grande com relação à preocupação com a saúde e por isto as pessoas começaram a se mobilizar em busca de dietas alimentares mais saudáveis. Esta mudança de comportamento fez crescer o número de produtores de alimentos orgânicos.

Ao contrário dos alimentos convencionais, os produtos orgânicos utilizam técnicas específicas, que respeitam o meio ambiente durante todo o seu processo de produção e objetivam maximizar os resultados obtidos com as interações sinérgicas dos elementos bióticos e abióticos constituintes dos ecossistemas utilizados.

São alimentos obtidos de maneira mais natural, e por isso são mais saudáveis e até mais saborosos e nutritivos. Além das frutas, verduras, legumes, grãos e ovos, vem sofrendo incremento também o mercado de carnes orgânicas.

Na produção de ovos e carnes, o cuidado com o rebanho ou a granja é grande, já que os animais não sofrem maus-tratos e não passam por estresse. A alimentação deles é feita com grãos, cereais, sementes, verduras e legumes orgânicos e os animais são criados sem a aplicação de hormônios, anabolizantes e antibióticos. Assim, os ovos e as carnes orgânicas são mais saudáveis.

Nos grandes centros urbanos, por exemplo, os alimentos orgânicos são encontrados à venda em “Feiras Orgânicas” ou “Feiras Verdes”, que vendem exclusivamente produtos orgânicos. Já nas “feiras livres”, as barracas de orgânicos ainda são em menor número.

Vale ressaltar que apesar de serem alimentos orgânicos, o cuidado com a higiene deve ser o mesmo que os alimentos convencionais. Os alimentos orgânicos crus, também devem ser bem lavados e em água corrente, pois da mesma forma, há o risco de contaminação por bactérias, fungos e coliformes fecais.

No Brasil, existe produção orgânica ou natural de cana-de-açúcar e açúcar; e de grãos como soja, cacau, arroz, café e gengibre, e frutas como guaraná, manga, morango, uva, pêssego, banana, frutas cítricas. São produzidos ainda rapadura orgânica e hortifrutigranjeiros como tomate orgânico e legumes. Também néctares e sucos de frutas, geleias e cosméticos.

Os orgânicos evitam problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas. Pesquisas e investigações tem demonstrado que os agrotóxicos são prejudiciais ao nosso organismo e os resíduos que permanecem nos alimentos podem provocar reações alérgicas, respiratórias, distúrbios hormonais, problemas neurológicos e até câncer.

Alimentos orgânicos são mais nutritivos. Solos ricos e balanceados com adubos naturais produzem alimentos com maior valor nutritivo. Alimentos orgânicos também são mais saborosos. Seu sabor e aroma são mais intensos e em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam produzir alterações e modificações.

Protege as presentes e futuras gerações de contaminação química. A intensa utilização de produtos químicos na produção de alimentos afeta o ar, o solo, a água, os animais e as pessoas. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer produto químico; e tem como base de seu trabalho a preservação dos recursos naturais.

A agricultura orgânica evita a erosão do solo. Através das técnicas orgânicas tais como rotação de culturas, plantio consorciado, compostagem e outras, os solos se mantém férteis e permanecem produtivos de forma permanente.

A agricultura e a pecuária orgânicos, protegem a qualidade da água. Os agrotóxicos, ou hormônios, antibióticos e anabolizantes utilizados nas plantações e criações, não contaminam os solos e os recursos hídricos, não poluindo rios e lagos.

A agricultura e a criação orgânicos, restauram a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal. A agricultura orgânica respeita o equilíbrio da natureza, criando ecossistemas saudáveis dos quais sinergicamente também se beneficia. A vida silvestre, parte essencial do estabelecimento agrícola é preservada e áreas naturais são conservadas.

Em sua maior parte, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades rurais.

O cultivo orgânico economiza energia, dispensa os agrotóxicos e adubos químicos, utilizando intensamente a cobertura morta, a incorporação de matéria orgânica ao solo e o trato manual dos canteiros. É o procedimento contrário da agricultura convencional que se apoia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza.

Por fim, o produto orgânico é certificado. A qualidade do produto orgânico é assegurada por um Selo de Certificação. Este Selo é fornecido pelas associações de agricultura orgânica ou por órgãos certificadores independentes, que verificam e fiscalizam a produção de alimentos orgânicos desde a sua produção até a comercialização.

O Selo de Certificação é a garantia do consumidor de adquirir produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico. São com gestos pequenos, concretos e persistentes que se determinam mudanças de paradigmas realmente relevantes.

Referência

http://espacovivamais.com.br/mais-saude/os-beneficios-da-alimentacao-organica-para-saude-e-o-meio-ambiente.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte – EcoDebate de 26 de abril de 2018

A geração que nasceu na Feira dos Agricultores Ecologistas e fez da agroecologia um modo de vida

Foto: DivulgaçãoAmélia Lovatto e Franciele Belle participam da FAE desde os seus primeiros anos de vida. (Foto: Divulgação)

A Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) está perto de completar 30 anos de vida. Instalada desde 1989 na rua José Bonifácio, tradicional rua que abriga o Brique da Redenção, em Porto Alegre, a feira consolidou-se como um espaço de comercialização de alimentos livres de agrotóxicos. Mas não só isso. Ela se tornou também um ponto de encontro e de convergência de pessoas, grupos sociais e entidades interessadas em agroecologia, agricultura familiar, gastronomia e defesa do meio ambiente. A feira tem uma história que já está perto de entrar em sua terceira geração. Quem vai à feira hoje, encontrará jovens produtores e produtoras que freqüentam as suas bancas desde bebês.

É o caso, por exemplo, de Franciele Menoncin Bellé, que começou a participar da ainda na barriga da mãe, Aldaci Menoncin Bellé. Depois que nasceu, a partir dos seis meses de idade, ele passou a ir à feira quase todos os sábados. “Fui criada dormindo embaixo da banca ou sentada em cima da banca quando ela estava sendo montada. As pessoas passavam e perguntavam brincando: Quanto é que custa essa mercadoria? Quero levar. Várias outras meninas também têm a mesma história”, lembra. Filha única, desde muito pequena, acompanhou seus pais para todos os lugares onde eles iam. Franciele Bellé faz parte de uma geração que praticamente nasceu dentro da feira e que decidiu seguir o trabalho dos pais, escolhendo a agroecologia não só como modo de produção, mas também como modo de vida.

As memórias que Franciele tem de sua infância na feira, na companhia de seu pai e sua mãe, indicam o papel que a agroecologia viria a ter em sua vida:

“Quando a gente ia colher frutas para mim era um momento muito mágico. Eu adorava comer aquelas frutas e isso gerou dentro de mim uma sensação e uma lembrança boa. A gente não lembra dos fatos, muitas vezes, mas lembra do sentimento e existem sentimentos bons e ruins. São esses sentimentos que, no futuro, vão nos guiar. Eu acredito que esses sentimentos bons que eu tinha quando íamos colher frutas ou participar de feiras fazem com que eu me sinta em casa quando estou na FAE. Eu me sinto muito melhor lá do que na minha própria casa. Essa é a razão pela qual a gente resiste. Às vezes é muito difícil e dá vontade de desistir. É esse sentimento que tenho dentro de mim que me motiva a continuar”.

Foto: Arquivo PessoalAmélia Lovatto e Francielle Belle em sua própria banca quando pequenas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Essa relação familiar com a agroecologia é antiga. A família do pai de Franciele, Nelio Roberto Bellé, enfrentou problemas de saúde relacionados à participação do avô na Segunda Guerra Mundial. Esses problemas deram origem a uma busca que acabaria por desembocar na agroecologia. “O meu pai, em busca de um tratamento, conheceu a macrobiótica e a Colmeia em Porto Alegre. Na época, estavam começando a falar de agroecologia e de produção orgânica. Ele achou uma coisa muito interessante e trouxe aqui para Antonio Prado. Em 1988 foi criada a cooperativa Aecia que participou da primeira feira criada pela Colmeia”.

Nesta época, relata ainda Franciele, seu pai também levou para Antonio Prado uma loja de produtos naturais e, junto com seus irmãos, começou a plantar produtos agroecológicos. “A loja era muito pequena e ela não vingou. Aqui em Antonio Prado até hoje as pessoas não aceitam muito produto agroecológico. Neste período a gente morava na cidade e acabamos voltando para o interior onde começamos uma agroindústria. Minha mãe começou a fazer sucos, molhos, conservas e compotas. A agroindústria acabou se sobressaindo muito mais do que a loja. Sempre procuramos criar um produto diferenciado, o que permanece até hoje. Na feira, hoje, entre produtos industrializados e in natura, são comercializados perto de 400 produtos”.

“A gente tem uma qualidade de vida muito melhor aqui”

 A história de Maiara Marcon também está intimamente ligada à da feira. Seus pais começaram a participar da FAE em 1990, um ano antes dela nascer. No início, a família comercializava poucos produtos mas, com o passar do tempo, foi aumentando a diversidade de oferta. A viagem de cerca de 200 quilômetros, de Ipê a Porto Alegre, passou a ser semanal. Hoje, está na primeira banca da feira, “a banca dos feijões”, como é conhecida.

Foto: Arquivo pessoalMaiara Marcon e seu pai Leoclides Antônio Marcon, que é guardião de sementes. (Foto: Arquivo pessoal)

Maiara tentou trilhar caminhos diferentes. “Tentei sair da colônia três vezes mas, nas três vezes, voltei. Saí de casa para trabalhar fora e trabalhei no comércio. Mas não rolou e acabei voltando pra casa de novo. A gente tem uma qualidade de vida muito melhor aqui. A alimentação é cem por cento melhor. As pessoas na cidade às vezes são muito preconceituosas com quem vive na colônia. Eu odiava fazer faculdade porque me chamavam de colona e coisas assim. Mas eu nunca tive vergonha de ser colona e nenhum dos jovens que vivem aqui tem vergonha. Ninguém tem vergonha de dizer: eu moro no interior e produzo alimento orgânico”, conta.

Hoje, além de agricultora ecológica, ela participa da coordenação da Rede Ecovida, uma articulação de famílias produtoras em grupos informais, associações ou cooperativas, que tem uma forte presença da juventude. A Rede Ecovida, entre outras atividades, explica Maiara, funciona como órgão fiscalizador da agricultura orgânica no Estado. Ela destaca que a agroecologia foi um fator decisivo para ela permanecer trabalhando no campo. “O diferencial foi o orgânico. Tu pode falar com qualquer um dos jovens do nosso grupo que eles vão dizer a mesma coisa. Eu acredito que a agricultura orgânica segura muito mais jovens na colônia do que qualquer outro tipo de trabalho no interior”.

Biodinâmica: “a agricultura orgânica com um tempero mais”

Gabriel Riva Matias, 18 anos, trabalha com agricultura orgânica e biodinâmica desde pequeno. A família de Gabriel trabalha há 22 anos com orgânicos no assentamento de Reforma Agrária “Integração gaúcha”, localizado no município de Eldorado do Sul. Também há 22 anos, eles participam da Feira de Agricultores Ecologistas, no parque da Redenção, em Porto Alegre. “Nós já trabalhávamos com orgânicos. Aí, Lutzenberger nos apresentou a Colmeia e iniciamos essa relação com a feira. Começamos a trazer a nossa produção excedente para a feira e também passamos a fazer algumas entregas lá em Eldorado. Hoje, além da feira da Redenção, estamos também há 19 anos na feira do Menino Deus e, mais recentemente, em feiras no Shopping Total, no IPA e no bairro Três Figueiras”, conta.

Foto: Laura Neis/DivulgaçãoGabriel Riva Matias: “a biodinâmica é a agricultura orgânica com um tempero a mais” (Foto: Laura Neis/Divulgação)

A Cooperativa Pão da Terra, da qual a família de Gabriel participa, trabalha com panifícios e horta. Ao todo, são 56 variedades, entre pães, bolos e biscoitos, e, na horta, 86 variedades ao longo do ano. Onde Gabriel mora, a maioria dos jovens trabalha na cidade. “De 40 jovens que vivem no assentamento, 35 preferem ir trabalhar na cidade”, relata, mas ele valoriza a escolha pelo trabalho na terra, com a família. “O campo é um pouco sofrido, é uma lida difícil. Na cidade, pode parecer um pouco mais fácil, mas não é tão mais fácil assim. No início, os amigos da cidade, até pegam um pouco no pé, mas eu acho muito legal a vida que levo tendo essa conexão com a terra”.

Gabriel trabalha com uma tecnologia orgânica de produção, a biodinâmica, que envolve conhecimentos, ao mesmo tempo tradicionais e sofisticados, que a maioria dos amigos que optaram pela cidade desconhece por completo. Esses conhecimentos envolvem áreas como astronomia, química e biologia, entre outras. A biodinâmica é agricultura orgânica com um tempero a mais, resume. “Ela trabalha com o calendário lunar, com as fases da lua, e também com as constelações e planetas. De dia a gente não vê, mas as estrelas e planetas seguem ali. Dependendo da sua movimentação, há dias melhores para um determinado plantio ou para fazer alguma mudança na horta. Tudo isso através da observação do céu.”

Parte do “tempero a mais” da biodinâmica é a sílica, um preparado à base de silício moído que é colocado na água, onde permanece por uma hora. Depois ele é aplicado na lavoura. “Logo depois de uma chuva, ou mesmo de uma tempestade, esse preparado traz luz para a lavoura, ajudando ela a se recompor”, exemplifica Gabriel. Além desse composto de silício, outro ingrediente da produção biodinâmica é o fladen, um preparado que também é diluído na água e depois colocado na lavoura. “É um preparado para a terra que ajuda a decompor matéria orgânica e as plantas a se enraizarem. Ele ajuda as plantas e a terra a trocarem informações entre si. Um vai complementando o outro”, explica.

Foto: Laura Neis/Divulgação

Amanda Lovatto: “Se eu fico muito tempo sem vir me faz falta”. (Foto: Laura Neis/Divulgação)

“Eu sei que nunca vou passar fome”

Amanda Lovatto, 23 anos, também participa da FAE desde que era um bebê. “As pessoas comentam ainda que lembram de mim desta época. A gente tem uma ligação muito forte com a feira. O meu pai sempre nos trouxe, eu e minha irmã, para cá. A gente gostava de ver o pessoal trabalhar e queria fazer a mesma coisa. Nós montávamos um banquinha ao lado da banca e ficava brincando de vender. O engraçado é que algumas pessoas compravam de nós mesmo. Posso dizer que me criei aqui, praticamente”, lembra. Para Amanda, a feira simboliza mais do que a comercialização de produtos. “Eu gosto muito daqui. Sinto um astral e uma energia. Se eu fico muito tempo sem vir me faz falta”.

Hoje cursando Agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Amanda sempre quis trabalhar com alimentos e pretende seguir nesta área e, nem de longe, vê a opção de trabalhar com a terra com algo associado ao atraso, em relação às escolhas oferecidas nas cidades. “Com um pedacinho de terra, você pode fazer muita coisa. Eu sei que nunca vou passar fome e que posso tirar uma renda segura dali. Mesmo se, algum dia, eu quiser ter outras experiências, fora de casa, sempre vou ter essa segurança de voltar para esse pedacinho de terra que a gente tem lá em Farroupilha”.

Fonte – Editoria z_Areazero, Marco Weissheimer, Sul21 de 30 de março de 2018

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar população mundial inteira

Você já deve ter ouvido falar que os agrotóxicos são usados para aumentar a produção na agricultura. O argumento sempre aparece em conversas sobre sustentabilidade na produção de alimentos, como se fosse a única maneira possível de manter estes 7 bilhões de humanos alimentados na Terra. A boa notícia é que dá sim para manter todo mundo de barriga cheia sem recorrer a pesticidas.

Quem comprova isso é o estudo “Agricultura Orgânica para o Século 21”, realizado pela Universidade Estadual de Washington (EUA) e publicado pela revista Nature em fevereiro de 2016. A pesquisa foi liderada pelo professor de Ciência do Solo e Agroecologia, John Regalnold, em conjunto com o doutorando Jonathan Wather. A conclusão? A agricultura orgânica poderia ser usada para alimentar toda a população do mundo.

O relatório foi além ao mostrar que os orgânicos não são apenas suficientemente produtivos para cumprir essa tarefa, mas também rentáveis. Eles ainda melhoram as condições ambientais e a qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Para chegar a essa conclusão, o estudo analisou centenas de outras pesquisas já realizadas sobre o tema, buscando avaliar se a agricultura orgânica seria capaz de ser sustentável produtiva, econômico, social e ambientalmente.

“Os sistemas agrícolas orgânicos produzem rendimentos mais baixos em comparação com a agricultura convencional. No entanto, eles são mais rentáveis e amigáveis com o meio ambiente e fornecem alimentos iguais ou mais nutritivos que contêm menos (ou nenhum) resíduos de pesticidas quando comparados com a agricultura convencional“, detalha o resumo do estudo.

Os pesquisadores sugerem ainda que a melhor solução seria combinar a agricultura orgânica com tecnologias de plantio modernas. Entre elas, pode-se destacar técnicas como rotação de culturas, gestão natural de pragas e adubação do solo com o uso de compostagem.

Fonte – Hypeness

Projeto promove o cultivo de hortaliças em lajes de Paraisópolis

Projeto Horta na Laje em ParaisópolisHortas: os moradores poderão fazer cursos de cultivo de hortaliças (Marina Demartini/EXAME.com)

O “Horta na Laje” tem como objetivo incentivar a alimentação saudável, a sustentabilidade e a economia dentro da comunidade paulistana

O cinza do concreto e o marrom dos tijolos estão prestes a ganhar o verde das plantas em Paraisópolis, comunidade na zona sul paulistana. As lajes dos cerca de 120 mil habitantes que lá vivem devem ganhar hortaliças em breve, graças ao projeto “Horta na Laje”.

A iniciativa teve início nesta semana com a implantação de uma horta comunitária na laje da União dos Moradores de Paraisópolis. Criado a partir de uma parceria entre o Instituto Stop Hunger e a Associação das Mulheres de Paraisópolis, o “Horta na Laje” terá a participação direta de 500 pessoas no cultivo das hortaliças na União dos Moradores.

O objetivo final é oferecer cursos de técnicas de plantio em vasos para que moradores da comunidade cultivem alimentos em suas casas. “Não temos espaço na horizontal, mas temos muito espaço de sobra na vertical, são milhares de quilômetros de lajes na comunidade”, falou a EXAME.com o presidente do Instituto Escola do Povo Gilson Rodrigues. Que tal montar uma mini-horta em casa? A Casa Verde te ensina o passo a passo. Confira! Patrocinado

A ideia, segundo Fernando Cosenza, presidente do Instituto Stop Hunger, ligado a Sodexo, é formar e capacitar os moradores para que tenham uma alimentação mais saudável. “Muitas pessoas não se alimentam bem na comunidade não só porque falta dinheiro para comprar hortaliças, que geralmente são caras, mas também pela falta de acesso a esses produtos”, explica Cosenza em entrevista a EXAME.com.

Projeto "Horta na Laje" em Paraisópolis

A inspiração para a criação do “Horta na Laje” veio de outro projeto do Instituto, o “Programa Hortaliças”. Nessa iniciativa, estudantes de agronomia da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp) ganham bolsas de estudo para trabalharem em hortas comunitárias. Todos os alimentos produzidos são doados para outras organizações sociais.

A Unesp, aliás, irá auxiliar o projeto na comunidade com o oferecimento de cursos de técnicas de plantio aos moradores. As aulas serão realizadas bimestralmente e serão ministradas por Arthur Bernardes, professor de agronomia da universidade. A EXAME.com, Bernardes conta que os cursos irão englobar assuntos relacionados ao cultivo de hortaliças, como adubação, irrigação e todo o cronograma de plantio.

Para o professor, o “Horta na Laje” traz os princípios da segurança alimentar e da integração familiar. “Ao plantar em suas lajes, as famílias irão se alimentar do que plantam, o que facilita o acesso e diminui gastos”, explica. “Além disso, tem a ideia do trabalho coletivo, em que cada um tem que fazer um pouco para as hortaliças crescerem saudáveis.”

Economia sustentável

Outro foco do projeto é transformar Paraisópolis em uma comunidade sustentável. “Queremos reaproveitar o que já foi usado, como água e terra”, diz Rodrigues, do Instituto Escola do Povo. No futuro, o projeto deve trabalhar com a compostagem.

Rodrigues adiciona que a promoção da sustentabilidade também está relacionada com a aproximação da comunidade com a natureza. “Paraisópolis é uma comunidade de origem nordestina, um povo acostumado a mexer com a terra. Queremos que essas pessoas voltem a ter um contato mais próximo com a natureza a partir do plantio.”

Já Fernando Cosenza espera que, em breve, os moradores criem uma economia própria dentro da comunidade com a troca dos alimentos que serão cultivados nas lajes. “Enquanto um planta apenas alface, outro irá cultivar apenas agrião, permitindo a rotação desses alimentos entre as pessoas e promovendo o trabalho coletivo.”

Projeto Horta na Laje em Paraisópolis

Empoderamento feminino

Para Elizandra Cerqueira, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, o projeto vai além da sustentabilidade ou da alimentação saudável. “O ‘Horta na Laje’ é uma oportunidade para as mulheres da comunidade gerarem renda a partir da troca ou venda alimentos”, diz em entrevista a EXAME.com.

Segundo Cerqueira, a associação promove um projeto de gastronomia, em que as mulheres são ensinadas a cozinhar para buffets e incentivadas a empreender no ramo. “Com as hortas, elas poderão utilizar os alimentos colhidos para a criação de pratos. Assim, as moradoras poderão oferecer um serviço sem precisar gastar com a matéria-prima”, explica. Por dentro do assunto: É mais difícil empreender sendo mulher?

Atualmente, 53% da população de Paraisópolis é composta por mulheres, sendo que 20% delas são chefes de família, de acordo com a associação. “Por isso, o projeto deve beneficiar as mulheres que precisam sustentar seus filhos, ao mesmo tempo que providencia uma alimentação saudável”, diz a presidente. “Além disso, uma mulher que tem educação, trabalho e se sente empoderada, dificilmente irá aceitar viver em uma situação de violência.”

Fonte – Marina Demartini, Exame de 02 de junho de 2017

Plantas companheiras e antagônicas

Enquanto eles podem ter um sabor incrível juntos em sua salada, os tomateiros realmente detestam crescer perto de qualquer membro da família cucurbitácea, que incorpora pepinos. Os tomates adoram cenouras e manjericão, então, plantar estes juntos, os farão crescer muito mais vigorosamente.

A possibilidade de que algumas plantas e famílias de plantas sejam “companheiras” com outras pessoas e desenvolvam-se melhor juntas é chamado de plantação de companheiros, e já existe desde o início da jardinagem.

Plantar seus vegetais em linhas impecáveis ​​com rótulos é lindo de se olhar e menos exigente para a colheita. Seja como for, quando olhamos para a natureza, não vemos linhas perfeitas, nem plantas se desenvolvem agrupadas em grupos da mesma planta.

Copiar a biodiversidade da natureza pode fazer seu jardim parecer confuso, mas foi demonstrado que ajuda cada planta individual a se desenvolver melhor. As plantas em uma policultura são mais fortes e tendem a ter menos infortúnios de insetos ou doenças.

Plantas como cenouras, aneto, salsa e pastinaga atrairão louva-a-Deus, joaninhas e insetos. Essas espécies de insetos predadores se deleitam com os insetos que gostam de arruinar seus tomates.

É também por isso que é um pensamento incrível misturar algumas flores em sua horta, particularmente cravo e capuchinha. Essas flores vão atrair e nutrir insetos polinizadores úteis. Capuchinha são flores consumíveis e parecem deslumbrantes em pratos de saladas, e sua raiz nutritiva, chamada mashua.

No entanto, poucas plantas simplesmente não se dão bem e não vão bem quando são compelidas a compartilhar o espaço da raiz. Pimentas e feijões não gostam de estar um ao lado do outro, nem batatas e tomates (ambos indivíduos da família nightshade). Ervilhas devem estar longe das cebolas, e as alfaces não gostam de estar próximas das plantas de brócolis.

Fonte – The Plant Guide de 18 de maio de 2017