Relatório do Parlamento Europeu mostra benefícios dos orgânicos

Documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos na saúde, entre outros

Em dezembro de 2016, o Parlamento Europeu, através do Painel de Avaliação de Opções em Ciência e Tecnologia, divulgou um relatório sobre os impactos para a saúde pública do consumo de alimentos orgânicos e também da agricultura orgânica. O relatório chama-se “Human health implications of organic food and organic agriculture” e pode ser acessado aqui.

O documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos dos agrotóxicos na saúde e meio ambiente, resistência a antibióticos, padrões de alimentação, além de apontar caminhos e políticas públicas e suas possíveis consequências na Europa.

De acordo com o relatório, o consumo de alimentos orgânicos reduz a exposição a agrotóxicos, e portanto, os riscos de intoxicações agudas e crônicas. O relatório enfatiza que, apesar das análises de risco que são feitas antes da aprovação de agrotóxicos, existem grandes lacunas nos estudos. Gera grande preocupação, por exemplo, que sejam desconsiderados estudos epidemiológicos que mostram os efeitos negativos da exposição a baixas doses de agrotóxicos no desenvolvimento cognitivo de crianças.

Em relação aos fertilizantes, os estudos mostraram as consequências negativas do uso massivo e prolongado do mineral fósforo na agricultura convencional. O principal efeito é a elevação da concentração de cádmio no solo, e portanto nos alimentos produzidos neste local. A alimentação, inclusive, é uma das principais vias de exposição ao cádmio, que provoca câncer e diversas outras doenças.

Sobre a criação de animais, foi detectada uma maior concentração de ácidos graxos ômega 3 no leite, ovos e carne de animais criados no sistema orgânico. Isso decorre da alimentação à base de forragem, e não de rações concentradas. O capim possui alto índice de ômega 3 e, no caso do leite orgânico, foi detectada a presença 50% maior deste ácido graxo.

Outro ponto analisado foi a resistência a antibióticos. De acordo com o Organização Mundial de Saúde (OMS), a utilização excessiva deste medicamento na criação animal é um dos fatores que influenciam na existência de superbactérias resistentes a antibióticos. Na criação orgânica, o uso de antibióticos é reduzido, pois há menos doenças em sistemas não-confinados, e há grande restrição ao uso preventivo, comum na criação de animais convencional.

Ao final do relatório são apresentadas 5 opções de políticas públicas a serem consideradas daqui em diante. A primeira delas seria não tomar nenhuma atitude, e assim perder a oportunidade de obter ganhos para a saúde da população.

A segunda opção está relacionada às políticas de segurança alimentar, como por exemplo o controle da concentração de cádmio nas sementes. Além disso, na Europa está em vigor desde 2009 uma política de “uso sustentável” de agrotóxicos, que inclusive proíbe a pulverização aérea no continente. Finalmente, a União Europeia já se colocou favorável ao banimento do uso profilático de antibióticos na criação animal.

A terceira opção se refere a aumentar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas para agricultura orgânica. Este caminho poderia aprimorar os sistemas de cultivo, aumentando a produtividade e gerando mais comida de boa qualidade com práticas agrícolas sustentáveis.

A quarta opção aponta para a melhora do ambiente de negócios da agricultura orgânica através de incentivos fiscais. Considerando que as doenças causadas pela agricultura convencional representam uma carga para os sistemas de saúde, e que este custo não está incluído no preço dos fertilizantes e agrotóxicos, seria justo uma taxação maior para estes produtos. Estas taxas poderiam ser utilizadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica.

A quinta e última opção se refere ao incentivo de práticas de consumo sustentáveis. Atualmente, o consumo de carne na Europa é elevado, enquanto cereais integrais, frutas e legumes ficam abaixo dos índices recomendados. O relatório afirma que o padrão de consumo de quem se alimenta de orgânicos é mais saudável em comparação com a média da sociedade. Assim, regras licitatórias que favoreçam a compra de orgânicos em escolas, hospitais e restaurantes públicos podem melhorar o padrão alimentar da população.

Importância do Documento

Mesmo que o relatório não traga grandes novidades, o reconhecimento do parlamento Europeu de que a agropecuária convencional representa um problema de saúde pública, e que além disso, a agricultura orgânica é uma solução para este problema, já é um fato a ser comemorado.

Ainda que por certa herança colonial, decisões políticas tomadas na Europa e nos EUA têm grande apelo no Brasil. O banimento da pulverização aérea na Europa, o fato de que 22 do 50 agrotóxicos mais consumidos aqui são proibidos lá, e agora este relatório, são argumentos de peso em nossa luta contra os agrotóxicos e as consequências nefastas do agronegócio.

Orgânicos na Europa

Obviamente, o contexto Europeu em relação aos orgânicos – chamados lá de biológicos ou somente bio – é completamente diferente do nosso. O movimento da agricultura biodinâmica (Demeter) já existe desde os anos 1920 na Alemanha. Hoje, encontra-se uma grande oferta de orgânicos em qualquer supermercado (mesmo os mais baratos), e há mesmo redes de supermercados que só vendem orgânicos.

Além das frutas, legumes e verduras, são oferecidas carnes, lácteos, salsichas, cosméticos e até roupas orgânicas. É possível encontrar máquinas agrícolas adaptadas e outros tipos de facilidades para aumento de produtividade com mão de obra escassa. Há críticas de que a agricultura orgânica na Europa já foi completamente dominada pelas grandes cadeias de alimentos, e concentra renda da mesma forma que o cultivo convencional.

Nos países mais ricos da Europa (EU-28), 5,7% das terras é cultivada de forma orgânica, num mercado que rende 24 bilhões de Euros (quase R$100 bilhões).

O panorama é bem diferente daqui. A estimativa de ocupação das terras orgânicas certificadas é de menos de 1%, e a movimentação financeira estimada é de R$2,5 bilhões. Além disso, por aqui colocamos como fundamental o projeto da Agroecologia, que inclui outras dimensões além do cultivo sem agrotóxicos, fertilizantes e transgênicos (aliás, na Europa o uso de transgênicos é restrito a poucos países).

Por aqui, não há possibilidade de discutir a agricultura orgânica sem tocar na questão agrária, que é a raiz de diversos outros problemas como a pobreza e a insegurança alimentar no campo, além do próprio êxodo rural e inchaço das cidades. Por isso, lutar pela agroecologia significa lutar pelas condições subjetivas e objetivas para se produzir sem veneno: equidade de gênero, educação e saúde do campo, pesquisa, crédito, logística, agroindústria sob controle camponês e tudo mais que for preciso para se viver e produzir de forma saudável no campo.

O relatório do Parlamento Europeu deve ser lido e estudado, e ser utilizado como mais uma ferramenta de luta nas diversas batalhas que nos esperam em 2017, a começar pela derrubada do PL do Veneno, e pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.

Fonte – Alan Tygel, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de 29 de janeiro de 2017

Já abriu o primeiro supermercado 100% orgânico e sustentável de São Paulo

Cada vez mais pessoas estão interessadas em fazer dos orgânicos a base de sua alimentação, mas a falta de estabelecimentos vendendo os produtos ainda é uma barreira. A partir de agora, a Vila Madalena conta com um supermercado 100% dedicado a orgânicos, e que não fica apenas na comida.

A Casa Orgânica foi inaugurada oficialmente no dia 8 de abril, mas já vinha funcionando há algum tempo na Rua Fidalga, 346. O casal Naíla e Alessandro Duarte teve a ideia para abrir o lugar há três anos, quando um de seus filhos ouviu a mãe falar sobre a origem dos alimentos que eles comiam e passou a se recusar a comer comida “envenenada”.

No galpão de 500 metros quadrados, a Casa Orgânica já oferece mil produtos diferentes, de frutas, verduras e legumes a biscoitos, mel, refrigerante, cosméticos e até coletores menstruais e absorventes, tudo com selos que certificam a origem orgânica.

A preocupação com o meio ambiente foi fundamental durante a reforma para deixar a Casa do jeito que o casal queria. Muitos dos materiais foram reutilizados, como uma barra de ferro da antiga fachada, que se tornou um balcão, e centenas de caixotes de madeira, que iriam para o lixo não fosse o interesse de Naíla e Alessandro.

Eles também reservaram lugar para dez quiosques, que oferecem produtos variados: já estão funcionando duas lojas de roupas, uma sorveteria, uma loja de maquiagem e uma floricultura. Tudo orgânico, claro. Padaria, cervejaria, restaurante, esmalteria e mini-hortas devem ocupar os outros espaços.

A Casa Orgânica fica na Rua Fidalga, 346, na Vila Madalena. Funciona das 11h às 19h de segunda a sexta, e, aos sábados, das 9h às 15h.

Todas as fotos © Casa Orgânica

Fonte – Hypeness

Estudo do Parlamento Europeu mostra benefícios à saúde dos orgânicos

Estudos mostraram que consumidores que preferem comida orgânica possuem padrões gerais de dieta mais saudáveis

Um estudo conduzido pelo Serviço Independente de Pesquisa do Parlamento Europeu, chamado “Human health implications of organic food and organic agriculture” (Implicações na saúde humana da comida orgânica e da agricultura orgânica) concluiu que comer comida orgânica melhora o desenvolvimento infantil, reduz a exposição a agrotóxicos, reforça o valor nutricional dos alimentos e mitiga os riscos de doenças.

As descobertas confirmam conclusões de estudos anteriores do European Journal of Nutrition & Food Safety, de que consumidores que preferem comida orgânica possuem um padrão alimentar geral mais saudável, o que foi confirmado por outros estudos e publicações.

A demanda de consumidores por alimentos orgânicos está crescendo rapidamente. Em 2014, consumidores no mundo inteiro gastaram U$80 bilhões consumindo produtos orgânicos, de acordo com o Research Institute of Organic Agriculture (FiBL). Alguns são motivados pela preocupação com as consequências para o meio ambiente de suas decisões, enquanto outros têm o foco nos benefícios à saúde de comer de forma sustentável.

Um selo orgânico indica que quase todos os insumos sintéticos como agrotóxicos são proibidos. Além disso, rotações de culturas são necessárias para aumentar a biodiversidade do solo. A agricultura orgânica é um sistema de produção holístico que promove e melhora a saúde do agroecossistema.

Ainda que os autores concordem que mais estudos são necessários para entender as evidências completamente, a pesquisa do Parlamento Europeu explorou os benefícios da comida e agricultura orgânicas na saúde humana. Estudos anteriores encontraram inúmeras vantagens para consumidores de comida orgânica, incluindo:

  • Redução de ocorrência de obesidade adulta e diabetes tipo 2;
  • Redução da incidência de doenças cardiovasculares;
  • Redução do impacto ambiental devido a menor emissão de gases de efeito estufa;
  • Redução da exposição a agrotóxicos pela comida, o que melhora o desenvolvimento cognitivo;
  • Redução da prevalência de alergias em adolescentes;
  • Redução da vulnerabilidade a metais pesados como cádmio, comumente encontrado em fertilizantes sintéticos;
  • Redução do risco de resistência a antibióticos.

Peter Melchett, diretor de políticas da Associação dos Solos (Soil Association) afirma: “Vendas de alimentos orgânicos têm crescido fortemente nos últimos 3 anos, e a razão chave para isso é que as pessoas sentem que é melhor para sua família – por isso, mais da metade das comidas bebês vendidas no Reino Unido é orgânica. Este novo estudo científico independente confirma que as pessoas estão corretas.”

De acordo com a Federação Internacional do Movimento de Agricultura Orgânica (IFOAM), o interesse de consumidores em alimentos orgânicos resultou num crescimento de 138% nas vendas desde 2004. O IFOAM avalia este setor da indústria de alimentos em U$36,2 bilhões, fazendo da Europa o segundo maior mercado de orgânicos, atrás dos EUA. Além disso, o consumo per capita de alimentos orgânicos quase dobrou na última década.

Porém, o desenvolvimento de terras manejadas de forma orgânica cresce aquém da demanda. O relatório Alimentos Orgânicos na Europa: Projeções e Desenvolvimento 2016 mostra que 5,7% da área agricultável é manejada de forma orgânica, mas o crescimento anual desacelerou 1,1% em 2014. Portanto, o movimento de alimentação orgânica ainda tem muito espaço a crescer.

Comentário da Campanha: Apesar de reconhecermos a profunda importância deste estudo, tanto pelas suas descobertas quanto pelo poder simbólico que representa o Parlamente Europeu, é preciso demarcar as diferenças entre o contexto europeu e o brasileiro. Enquanto o estudo parece focado no “consumo de orgânicos” (certificados) e na “saúde do consumidor”, nós entendemos que a questão central no Brasil é o desenvolvimento da agroecologia enquanto estratégia de desenvolvimento no campo em oposição ao agronegócio. Este modelo da agroecologia traz muito mais do que saúde para o consumidor (que pode pagar pelo orgânico): traz vida digna e saudável para quem produz o alimento, e alimentos saudáveis acessíveis à população pobre das cidades, que hoje tem sua saúde e cultura devastadas pelos alimentos ultra-processados.

Fonte – Joey DeMarco, Food Tank / traduzido pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de 10 de janeiro de 2017

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbana

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbanaDá trabalho manter um gramado sempre verde e bonito. | Foto: iStock by Getty Images

Ter alimentos frescos ao alcance do seu quintal pode gerar benefícios que vão muito além da praticidade

Se você ainda está em dúvida sobre transformar espaços ociosos no quintal ou no jardim em área produtiva, essa lista pode ajudar a resolver o seu problema. Veja sete razões para se tornar um agricultor urbano ou, simplesmente, um hortelão.

  1. Gramados e quintais consomem muita água

Manter o gramado sempre verde ou o quintal bem limpinho é o tipo de manutenção que exige grande quantidade de água limpa e que acaba sendo gasta sem muita utilidade, considerando a baixa utilidade de ambas as situações. Em tempos de crise hídrica, o desperdício deve sempre ser evitado. Assim, usar água para regar um plantio é algo muito mais importante do que usá-la para manter o quintal ou a calçada limpos.

  1. Melhorar a saúde

Quando a pessoa planta o seu próprio alimento, a sua relação com a comida passa a ser totalmente diferente. O hábito de poder plantar e colher incentiva as pessoas a se alimentarem de forma mais saudável, valorizando as opções naturais, que são altamente nutritivas. Além disso, é possível manter um cultivo orgânico e ter a certeza de que a colheita é totalmente livre de agrotóxicos.

  1. Economia

Um pacote de sementes é muito barato e pode germinar centenas de plantas. Plantar em casa é uma boa opção para economizar na hora de se alimentar, afinal, ser autossustentável em termos alimentares significa não ter que se preocupar com o preço de boa parte da comida nas gôndolas dos supermercados.

horta_no_quintal_2Foto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Poupar recursos

Água não é o único recurso usado na manutenção de um gramado. Para mantê-los sempre verdes e bonitos é necessário gastar energia, fertilizantes, combustível usado nas máquinas de cortas grama e, principalmente, tempo.

  1. Desenvolver a comunidade local

Com um bairro cheio de pessoas plantando, é possível trocar, comprar e vender alimentos. Essa prática acaba incentivando o desenvolvimento da economia e de novos negócios locais. Poder comprar comida fresca perto de casa ainda é uma opção muito mais prática do que ter que se deslocar até um mercado, o que economiza tempo, dinheiro e energia, ao mesmo tempo em que resgata o senso de comunidade e ajuda mútua entre os vizinhos.

horta_no_quintalFoto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Melhora a eficiência da produção de alimentos e o uso do solo

A agricultura em larga escala tem muitos fatores negativos. A perda da produtividade do solo em casos de monocultura é uma delas. Assim, produzir no quintal permite a descentralização da produção, ajuda a preservar o solo, reduz o caminho percorrido pelo alimento entre o produtor e o consumidor final, incentiva a criação de lojas e produtores independentes, diminui a quantidade de embalagens descartadas e muito mais.

  1. Saber de onde vem o seu alimento

Produzir em casa é um dos poucos jeitos de ter certeza sobre a procedência e os cuidados aplicados em cada etapa, desde o plantio até o consumo do alimento.

Se depois de todas essas razões, você está motivado a cultivar o seu próprio alimento, mas não sabe por onde começar, um bom exemplo é o do australiano Angelo Eliade, que transformou uma área de 60 m2 em uma verdadeira fazenda. Outra história inspiradora é da família McLung, que usa a área de uma piscina desativada para produzir tudo o que consomem.

Fonte – CicloVivo de 07 de março de 2017

Na nova onda tecnológica, produção de alimentos migra do campo para armazéns automatizados

Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. PHOTO: PLENTY

Em um armazém reformado na Baía de San Francisco, torres de plástico com 20 metros de altura produzem cabeças de alface, rúcula e ervas, iluminadas por luzes LED multicoloridas que dão ao barracão uma sensação futurista.

Um grupo de empresários e investidores da tecnologia, entre eles os bilionários Jeff Bezos e Eric Schmidt, estão apostando que esse tipo de estrutura pode redefinir como legumes, hortaliças e frutas são cultivados para consumo local.

Se tudo correr como planejado, o armazém de quase cinco mil metros quadrados administrado pela Plenty United Inc. produzirá até 1.400 toneladas de vegetais por ano. Nos próximos meses, a empresa planeja começar a comercializar localmente os produtos frescos cultivados e não enviá-los para outros locais.

“Estamos cultivando para as pessoas, não para os caminhões”, diz Matt Barnard, 44 anos, um dos fundadores e diretor-presidente da empresa, que antes trabalhava com investimento em tecnologia e cujo pai produz cerejas e maçãs em Wisconsin.

A Plenty faz parte de uma onda de “startups” que busca transformar parte do varejo de hortifrútis dos Estados Unidos, um mercado que movimenta US$ 49 bilhões ao ano, migrando as lavouras produzidas a céu aberto para armazéns gigantes, fábricas abandonadas e contêineres de transporte reaproveitados. Essas instalações fechadas são equipadas com sensores que medem a temperatura e a umidade, sistemas automatizados que bombeiam água e nutrientes e faixas de luzes LED que fornecem energia — sem a necessidade de luz solar ou de solo.

Empresas como a Plenty, AeroFarms LLC e Freight Farms Inc. já captaram dezenas de milhões de dólares, impulsionadas pela queda nos custos da iluminação LED e nos sistemas de aquecimento e resfriamento. As startups têm a meta de produzir para restaurantes e supermercados das redondezas durante o ano todo, eliminando as dificuldades provocadas pelas estações e mudanças climáticas que regem a produção das lavouras tradicionais.

Levar séculos de engenharia agrícola para dentro de recintos fechados não é uma tarefa fácil. Os custos de equipar armazéns com alta tecnologia, além dos altos preços de imóveis urbanos, dificultam uma equiparação com os custos de alimentos cultivados no campo.

A produção agrícola em recintos fechados pode ter menos impacto ambiental que a agricultura convencional, dizem seus defensores, embora seja difícil avaliar a diferença com precisão. Os sistemas da Plenty reutilizam a água, evitam em grande parte os pesticidas e podem reduzir o uso de combustível em tratores e no transporte para entregar os produtos; mas os sistemas de controle climático e luzes LED adicionam custos no consumo de energia.

A empresa não divulga seus custos nem permitiu que seus sistemas fossem fotografados.

Algumas startups agrícolas estão repensando suas estratégias. A BrightFarms Inc., que tem sede em Nova York, cancelou planos para uma grande estufa em Washington, D. C. e uma outra fazenda no alto de um edifício em Nova York, devido aos custos e ao tempo necessário para obter alvarás e licenças. A FarmedHere LLC, com sede em uma antiga fábrica no subúrbio de Chicago, fechou as portas por seis meses para revisar seu modelo.

Até mesmo a gigante tecnológica Alphabet Inc., controladora do Google, tentou produzir alimentos em ambientes fechados, mas abandonou o projeto em 2015, depois de não conseguir a eficiência necessária no consumo de energia.

A Plenty acredita que pode reduzir os custos ao produzir em grandes armazéns instalados em regiões de propriedades baratas fora dos grandes centros urbanos e melhorar a eficiência através da utilização de uma técnica chamada aprendizagem de máquina, pela qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para tomar decisões.

Para colocar seu primeiro armazém em operação, a Plenty arrecadou US$ 26 milhões entre investidores de peso, incluindo fundos que investem em nome de Bezos, diretor-presidente da Amazon.com Inc., e Schmidt, presidente do conselho executivo da Alphabet. Firmas de investimento, entre elas a DCM Ventures e a Finistere Ventures LLC, também contribuíram.

A Plenty, fundada em 2014, precisará levantar muito mais capital para cumprir os planos de operar 60 fazendas nas regiões das principais cidades dos EUA e mais de 300 no mundo todo.

Alguns investidores no setor agrícola dizem que grandes fazendas em ambientes fechados vão ter dificuldades para equilibrar operações de capital intensivo com os preços baixos que os consumidores esperam pagar por alface e outros vegetais.

“O conceito de armazém ainda apresenta questões ambientais ligadas ao aquecimento e resfriamento, o que pode ser extremamente caro”, diz Todd Dagres, sócio da empresa de capital de risco Spark Capital. A Spark investiu na Freight Farms, empresa que instala equipamentos de estufa em contêineres de transporte marítimo para produzir hortifrútis em fazendas de menor escala, que são mais eficientes, segundo Dagres.

Barnard disse que a Plenty pode hoje produzir 150 vezes mais alface por metro quadrado por ano que uma lavoura ao ar livre, e usando 1% da água. Ele se recusou a especificar os preços esperados para seus produtos, mas disse que este ano a Plenty deve ser capaz de cultivar e comercializar alface e ervas ao mesmo custo que as versões cultivadas em campo.

Fnte – Jacob Bunge e Eliot Brown, The Wall Street Journal de 15 de fevereiro de 2017

Mercado de orgânicos cresce 20% em 2016, com faturamento de R$ 3 bi

Crédito: Tamires Kopp/Divulgação

Mesmo com retomada lenta da economia, em 2017 desempenhos interno e externo devem ser positivos

O mercado nacional de orgânicos cresceu 20% em 2016, com faturamento estimado de R$ 3 bilhões, informou nesta terça-feira (31/01) em nota, o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), com base nos dados disponíveis sobre vendas no varejo e produção orgânica. Ainda conforme o conselho, o faturamento foi menor ante 2015, em razão da crise econômica.

Em relação às exportações, 54 empresas associadas ao Organics Brasil – projeto de estímulo às exportações do segmento – encerraram 2016 com US$ 145 milhões em vendas externas, valor 9,5% menor ante o projetado, consequência da oscilação do câmbio. “As exportações em quantidade, porém, foram 15% maiores”, comentou o conselho.

Para 2017, a expectativa é crescer 10% nos embarques externos. “A expectativa para 2017 é melhorar o ambiente de consumo no Brasil, apesar a retomada lenta da economia.

O setor de bem-estar propicia os orgânicos, como demonstra o aumento de feiras locais (mais de 600) e o aumento de oferta de produtos nos supermercados e empórios em todo o país”, explica o diretor do Organis e do Organics Brasil, Ming Liu.

Fonte – Revista Globo Rural de 31 de janeiro de 2017

Alelopatia combina plantas para evitar naturalmente doenças em cultivo orgânico

Alelopatia combina plantas para evitar naturalmente doenças em cultivo orgânicoA alelopatia é uma das formas mais simples de cuidar da agricultura. | Foto: iStock by Getty Images

A introdução de plantas alelopáticas na agricultura orgânica é uma forma de evitar o uso de produtos químicos.

Cultivar determinadas espécies de plantas exige uma maior atenção por parte dos agricultores em relação às pragas e doenças que podem infestar aquele plantio. Entre as maneiras de proteger uma cultura a mais tradicional é o uso de pesticidas e insumos agrícolas, criando assim uma proteção artificialmente elaborada, na qual a presença de produtos químicos, em longo prazo, prejudica não só o plantio como principalmente o consumidor final. No entanto, existem alternativas orgânicas muito eficientes também, como explica o especialista em Agricultura Orgânica Thiago Tadeu Campos.

No meio orgânico, os mais comuns e tradicionais são o controle biológico e a adubação orgânica. Além desses métodos, é possível se utilizar da alelopatia, técnica que consiste em conciliar plantas de diferentes famílias em uma mesma localidade, para elas ofereçam proteção umas às outras através da liberação de metabólitos primários e secundários.

Proteção natural

Em geral a alelopatia é uma maneira de oferecer uma proteção natural ao cultivo, ao mesmo tempo em que nutre de maneira complementar o solo no qual estão instaladas. O benefício, no entanto, não se restringe à relação de uma planta com a outra, pois também é possível utilizar plantas que oferecem proteção conta insetos e outros tipos de seres vivos que prejudicam a agricultura, como, por exemplo, os microrganismos maléficos à produção orgânica.

As vantagens que a alelopatia pode oferecer à agricultura orgânica

A introdução de plantas alelopáticas na agricultura orgânica é uma forma de evitar o uso de produtos químicos durante o desenvolvimento das plantas. Esse cuidado com a qualidade e com a organicidade do alimento produzido faz com que ele seja muito mais nutritivo e que sua produção seja realizada a forma mais natural possível.

Interações bioquímicas

Através das interações bioquímicas, realizadas de forma direta ou indireta (quando a planta já está em processo de decomposição), as plantas conseguem alcançar o equilíbrio ideal naquela cultura. Essas plantas podem auxiliar também na presença de predadores naturais de suas pragas e insetos, estabelecendo uma relação de controle biológico na região.

Harmonia na produção orgânica

Grande parte dos agricultores busca uma forma abrangente de cuidar de suas plantações, sem que para isso seja necessário altos investimentos ou o uso de produtos químicos. A alelopatia é uma das maneiras mais fáceis de atingir essa harmonia. Para que o ambiente se autorregule é preciso conhecer um pouco mais acerca das espécies de plantas e suas interações.

Plantas companheiras

As plantas companheiras são aquelas que estimulam a produção e o desenvolvimento da planta ao lado. Em geral, são utilizadas plantas de famílias diferentes que, além de garantir a reestruturação do solo, oferecem os nutrientes necessários, evitando assim a necessidade de adubos sintéticos.

Exemplos de combinações de plantas

Entre as principais combinações de plantas companheiras temos a união de abóbora, milho, e feijão (cuburbitáceas, solanáceas e leguminosas, respectivamente), essa estrutura tradicional de plantação faz com que o solo esteja sempre repleto de nutrientes e evita o desequilíbrio bioquímico. Também podemos encontrar a conciliação entre solanáceas, compostas, umbelíferas e liliáceas, combinação muito utilizada em pequenas hortas domiciliares, com a junção de tomate, alface, cenoura e cebola.

Plantas antagônicas

Nas plantas antagônicas encontramos combinações que fazem com que haja uma proteção à planta ao lado. O principal uso de plantas antagônicas é para a eliminação de insetos ou pragas.

Plantas aromáticas

Em geral são utilizadas plantas aromáticas para evitar a presença de insetos, mas também é possível conciliar árvores, como a Saboneteira, arbustos Quássia e chá de folhas de Cinamomo pulverizado na plantação. Com essas combinações é mais fácil reduzir a incidência de insetos na cultura.

A importância de utilizar a alelopatia na agricultura orgânica

Para o produtor orgânico urbano ou rural, é de extrema importância o uso de técnicas que não se utilizam de químicos para tratar da plantação. A alelopatia é uma das formas mais simples de cuidar da agricultura, pois não exige atenção constante e pode ser realizada apenas combinando as plantas corretas.

Conciliação das técnicas

Além da alelopatia, o produtor urbano ou rural deve ter uma adubação orgânica correta, utilizar do controle biológico, utilizar do controle de pragas e doenças, dentre as outras técnicas limpas da agricultura orgânica, ou seja, o produtor deve sempre pensar a sua produção sistematicamente.

Fonte – Thiago Tadeu Campos, CicloVivo de 15 de dezembro de 2016

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiro

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiroPara os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. | Foto: iStock by Getty Images

A produção orgânica pode ser rentável, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores.

Um estudo feito pela Universidade Estadual de Washington, EUA, mostrou que a agricultura orgânica pode ser usada para alimentar de maneira eficiente toda a população mundial. O relatório mostra que com este tipo de produção é possível ter rendimentos suficientes aos produtores, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores rurais.

Liderado pelo professor de Ciência do Solo e Agroecologia, John Regalnold, juntamente com o doutorando Jonathan Wather, o relatório “Agricultura Orgânica para o Século 21” contou com análises detalhadas de outras centenas de estudos acadêmicos sobre o tema. A proposta era examinar a eficiência da agricultura ecológica baseada nos pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.

Para os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. Alguns dos pontos enfatizados são: rotação de culturas, gestão natural de pragas, diversificação agrícola e pecuária, melhoras na condição do solo a partir de uso de compostagem, adubação verde e animais.

Os autores garantem que a agricultura orgânica é capaz de satisfazes todas as necessidades alimentares do mundo, independente das mudanças climáticas. Eles ainda justificam esta afirmação: “fazendas orgânicas têm o potencial para produzir altos rendimentos em consequência da capacidade mais elevada de retenção de água nos solos cultivados sem agrotóxicos”.

Em termos econômicos, no entanto, o estudo deixa claro que, apesar de ser rentável, o cultivo orgânico proporciona lucros menores do que os tradicionais. A explicação para isso é óbvia, já que os pesticidas acabam barateando parte da produção. Em compensação o ganho ambiental, social e na própria saúde da população é enorme. As evidências apontam para o fato de que os sistemas agrícolas orgânicos garantem maior benefício social, o que resulta em um planeta mais saudável.

Fonte – CicloVivo de 03 de janeiro de 2017

El Pais se contradiz com matéria que aconselha a consumir agrotóxicos

Os perigos dos agrotóxicos

No último dia 19 de Dezembro o jornal El Pais publicou uma matéria com o título:

“Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta. Consumir ‘orgânico’ não faz de você amigo do meio ambiente: é uma ameaça para as florestas tropicais.”

Em 25 de Dezembro de 2015 o mesmo El Pais publicava uma matéria entitulada: Se você compra comida orgânica, isto é o que você precisa saber” onde sentenciava:

É considerado alarmante no Brasil, que ocupa desde 2008 o primeiro lugar global no uso de agrotóxicos e onde cada pessoa consome, por ano, o equivalente a 5 quilos de veneno. E, também, na América Latina, onde as vendas de pesticidas dobraram em 12 anos, segundo levantamento da revista Science. Mudar para o sistema orgânico beneficia a saúde e o meio ambiente.”

Pesticide Planet Infographic

Há apenas poucas décadas, iniciou–se o uso de pesticidas no campo. Ninguém pode precisar a extensão dos malefícios que eles podem causar à nossa saúde. Sabe-se que são perigosos e que há pouquíssima instrução, controle e fiscalização. Uma pesquisa da UFSM, chamada “O impacto ambiental do uso de agrotóxicos no meio ambiente e na saude dos trabalhores rurais”, registrou o seguinte sobre o conhecimento acerca do manejo de agrotóxicos.

“Apenas 23,3% dos trabalhadores rurais costumam ler sempre o receituário agronômico e 30% compreendem todas as informações contidas na bula dos agrotóxicos. Somente 36,7% revelam compreender totalmente as tarjas, e 20% entendem todos os desenhos presentes nos rótulos dos agrotóxicos. Além disso, 83,3% dos agricultores utiliza algum tipo de EPI, no entanto o fazem parcialmente. Em relação ao armazenamento dos agrotóxicos, 60% revelaram não sinalizá-los adequadamente. E mais, 70% não sabem diferenciar um agrotóxico contrabandeado de um agrotóxico legal”

Os agrotóxicos contaminam o solo e a água e podem se espalhar até regiões distantes daquela onde estão. Alguns deles podem permanecer no corpo humano por décadas, causando disfunções hormonais e diversas doenças, incluindo câncer. Esse foi o tema desta matéria do Globo Rural que mostra como isso ocorre e dá exemplos.

Orgânicos são alimentos produzidos de forma natural. O uso do termo para a indústria alimentícia só se popularizou a partir da Segunda Guerra, com a expansão dos agrotóxicos — já que plantas na natureza crescem e formam biomas, como florestas, por exemplo, de forma orgânica. Todo cultivo ao longo de milênios de história da humanidade sempre foi neste sistema. Exatamente por este motivo, é loucura dizer que não devemos comer orgânicos.

Ao aconselhar as pessoas a somente consumir produtos com agrotóxicos, o El Pais além de se contradizer, agride os micro produtores brasileiros e aconselha os consumidores a se prejudicarem,  para defender uma tese completamente absurda. Impossível não se perguntar, que força estaria por trás, dessa repentina mudança de opinião do Jornal em relação a questão.

Plantando as sementes de um mundo melhor

Existe um  ganho ambiental e social na agricultura orgânica, ela pode ser feita por qualquer pessoa, pois não há risco de envenenamento. Cultivar assim, permite o aproveitamento de espaços que antes não poderiam ser usados a agricultura: tetos de prédios, jardins, varandas e outros ambientes ensolarados em locais que permitem hortas verticais.  Um grande exemplo disso são as cidades que tornaram obrigatório o uso de tetos verdes, como Copenhagen. O aproveitamento destes espaços torna os locais que habitamos mais ecológicos e as pessoas mais próximas do alimento que consomem, solucionando um problema que a primeira matéria do El País aponta: “não sabemos o que comemos”.

Graças ao aumento da agricultura orgânica, há um movimento de pessoas que estão passando a produzir seu próprio alimento e outras buscando informações sobre ele, mantendo contato com as instituições que os cultivam e muitas vezes visitando os locais de plantio. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que têm na terra a sua única forma de sustento.

No Instituto Pindorama, o qual esse blog integra, recebemos anualmente pessoas para o curso “Da horta a mesa” que ensina a plantar, colher e criar receitas saudáveis com alimentos direto da horta, “Alimentos vivos”  que ensina a cozinhar pratos deliciosos sem produtos industrializados e Design em permacultura” que engloba produção de alimentos, recursos hídricos, sistemas econômico-sociais, energias renováveis e bioconstrução. Aqueles que querem descobrir mais sobre o que é Permacultura podem acessar nossa aula grátis aqui.

O Brasil é também uma referência em cultivo agroflorestal — um tipo de cultivo que produz alimentos em harmonia com as florestas, com taxas produção excelentes e recuperando para a natureza áreas degradadas. Um dos grandes expoentes desse trabalho é Ernest Grosht.

Você também pode aprender mais sobre como fazer uma agrofloresta usando este ótimo manual criado por Walter Steenbock e Fabiane Machado Vezzani. 

Outra iniciativa que tem ganho adeptos é a de cultivar e catalogar os ‘PANCs’ (Plantas e Alimentos Não Convencionais), geralmente plantas nativas com alto valor nutricional que não usamos em nossa culinária por falta de conhecimento sobre suas propriedades.

Algumas matérias para saber mais sobre os PANCs:

Cartilha sobre PANCs

Pancs, plantas citadas no programa MasterChef que talvez você não conheça

O Globo – PANCs e gastronomia

O caminho para se solucionar o problema da fome passa por aproximar as pessoas dos alimentos que elas consomem, ensiná–las a plantar, valorizar aqueles que plantam e aproveitar alimentos que não estão em sua cultura. Investir em alimentação é uma forma preventiva e eficaz de cuidar de sua saúde. Curar o corpo é o primeiro passo para curar o meio. Por isso, plante, incentive a agricultura local e valorize o alimento que você ingere. Como diz o ditado: “Somos o que comemos”.

Fonte – Marcel Segal Hochman, Blog Viver Fora do Sistema de 29 de dezembro de 2016