7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbana

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbanaDá trabalho manter um gramado sempre verde e bonito. | Foto: iStock by Getty Images

Ter alimentos frescos ao alcance do seu quintal pode gerar benefícios que vão muito além da praticidade

Se você ainda está em dúvida sobre transformar espaços ociosos no quintal ou no jardim em área produtiva, essa lista pode ajudar a resolver o seu problema. Veja sete razões para se tornar um agricultor urbano ou, simplesmente, um hortelão.

  1. Gramados e quintais consomem muita água

Manter o gramado sempre verde ou o quintal bem limpinho é o tipo de manutenção que exige grande quantidade de água limpa e que acaba sendo gasta sem muita utilidade, considerando a baixa utilidade de ambas as situações. Em tempos de crise hídrica, o desperdício deve sempre ser evitado. Assim, usar água para regar um plantio é algo muito mais importante do que usá-la para manter o quintal ou a calçada limpos.

  1. Melhorar a saúde

Quando a pessoa planta o seu próprio alimento, a sua relação com a comida passa a ser totalmente diferente. O hábito de poder plantar e colher incentiva as pessoas a se alimentarem de forma mais saudável, valorizando as opções naturais, que são altamente nutritivas. Além disso, é possível manter um cultivo orgânico e ter a certeza de que a colheita é totalmente livre de agrotóxicos.

  1. Economia

Um pacote de sementes é muito barato e pode germinar centenas de plantas. Plantar em casa é uma boa opção para economizar na hora de se alimentar, afinal, ser autossustentável em termos alimentares significa não ter que se preocupar com o preço de boa parte da comida nas gôndolas dos supermercados.

horta_no_quintal_2Foto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Poupar recursos

Água não é o único recurso usado na manutenção de um gramado. Para mantê-los sempre verdes e bonitos é necessário gastar energia, fertilizantes, combustível usado nas máquinas de cortas grama e, principalmente, tempo.

  1. Desenvolver a comunidade local

Com um bairro cheio de pessoas plantando, é possível trocar, comprar e vender alimentos. Essa prática acaba incentivando o desenvolvimento da economia e de novos negócios locais. Poder comprar comida fresca perto de casa ainda é uma opção muito mais prática do que ter que se deslocar até um mercado, o que economiza tempo, dinheiro e energia, ao mesmo tempo em que resgata o senso de comunidade e ajuda mútua entre os vizinhos.

horta_no_quintalFoto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Melhora a eficiência da produção de alimentos e o uso do solo

A agricultura em larga escala tem muitos fatores negativos. A perda da produtividade do solo em casos de monocultura é uma delas. Assim, produzir no quintal permite a descentralização da produção, ajuda a preservar o solo, reduz o caminho percorrido pelo alimento entre o produtor e o consumidor final, incentiva a criação de lojas e produtores independentes, diminui a quantidade de embalagens descartadas e muito mais.

  1. Saber de onde vem o seu alimento

Produzir em casa é um dos poucos jeitos de ter certeza sobre a procedência e os cuidados aplicados em cada etapa, desde o plantio até o consumo do alimento.

Se depois de todas essas razões, você está motivado a cultivar o seu próprio alimento, mas não sabe por onde começar, um bom exemplo é o do australiano Angelo Eliade, que transformou uma área de 60 m2 em uma verdadeira fazenda. Outra história inspiradora é da família McLung, que usa a área de uma piscina desativada para produzir tudo o que consomem.

Fonte – CicloVivo de 07 de março de 2017

Na nova onda tecnológica, produção de alimentos migra do campo para armazéns automatizados

Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. PHOTO: PLENTY

Em um armazém reformado na Baía de San Francisco, torres de plástico com 20 metros de altura produzem cabeças de alface, rúcula e ervas, iluminadas por luzes LED multicoloridas que dão ao barracão uma sensação futurista.

Um grupo de empresários e investidores da tecnologia, entre eles os bilionários Jeff Bezos e Eric Schmidt, estão apostando que esse tipo de estrutura pode redefinir como legumes, hortaliças e frutas são cultivados para consumo local.

Se tudo correr como planejado, o armazém de quase cinco mil metros quadrados administrado pela Plenty United Inc. produzirá até 1.400 toneladas de vegetais por ano. Nos próximos meses, a empresa planeja começar a comercializar localmente os produtos frescos cultivados e não enviá-los para outros locais.

“Estamos cultivando para as pessoas, não para os caminhões”, diz Matt Barnard, 44 anos, um dos fundadores e diretor-presidente da empresa, que antes trabalhava com investimento em tecnologia e cujo pai produz cerejas e maçãs em Wisconsin.

A Plenty faz parte de uma onda de “startups” que busca transformar parte do varejo de hortifrútis dos Estados Unidos, um mercado que movimenta US$ 49 bilhões ao ano, migrando as lavouras produzidas a céu aberto para armazéns gigantes, fábricas abandonadas e contêineres de transporte reaproveitados. Essas instalações fechadas são equipadas com sensores que medem a temperatura e a umidade, sistemas automatizados que bombeiam água e nutrientes e faixas de luzes LED que fornecem energia — sem a necessidade de luz solar ou de solo.

Empresas como a Plenty, AeroFarms LLC e Freight Farms Inc. já captaram dezenas de milhões de dólares, impulsionadas pela queda nos custos da iluminação LED e nos sistemas de aquecimento e resfriamento. As startups têm a meta de produzir para restaurantes e supermercados das redondezas durante o ano todo, eliminando as dificuldades provocadas pelas estações e mudanças climáticas que regem a produção das lavouras tradicionais.

Levar séculos de engenharia agrícola para dentro de recintos fechados não é uma tarefa fácil. Os custos de equipar armazéns com alta tecnologia, além dos altos preços de imóveis urbanos, dificultam uma equiparação com os custos de alimentos cultivados no campo.

A produção agrícola em recintos fechados pode ter menos impacto ambiental que a agricultura convencional, dizem seus defensores, embora seja difícil avaliar a diferença com precisão. Os sistemas da Plenty reutilizam a água, evitam em grande parte os pesticidas e podem reduzir o uso de combustível em tratores e no transporte para entregar os produtos; mas os sistemas de controle climático e luzes LED adicionam custos no consumo de energia.

A empresa não divulga seus custos nem permitiu que seus sistemas fossem fotografados.

Algumas startups agrícolas estão repensando suas estratégias. A BrightFarms Inc., que tem sede em Nova York, cancelou planos para uma grande estufa em Washington, D. C. e uma outra fazenda no alto de um edifício em Nova York, devido aos custos e ao tempo necessário para obter alvarás e licenças. A FarmedHere LLC, com sede em uma antiga fábrica no subúrbio de Chicago, fechou as portas por seis meses para revisar seu modelo.

Até mesmo a gigante tecnológica Alphabet Inc., controladora do Google, tentou produzir alimentos em ambientes fechados, mas abandonou o projeto em 2015, depois de não conseguir a eficiência necessária no consumo de energia.

A Plenty acredita que pode reduzir os custos ao produzir em grandes armazéns instalados em regiões de propriedades baratas fora dos grandes centros urbanos e melhorar a eficiência através da utilização de uma técnica chamada aprendizagem de máquina, pela qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para tomar decisões.

Para colocar seu primeiro armazém em operação, a Plenty arrecadou US$ 26 milhões entre investidores de peso, incluindo fundos que investem em nome de Bezos, diretor-presidente da Amazon.com Inc., e Schmidt, presidente do conselho executivo da Alphabet. Firmas de investimento, entre elas a DCM Ventures e a Finistere Ventures LLC, também contribuíram.

A Plenty, fundada em 2014, precisará levantar muito mais capital para cumprir os planos de operar 60 fazendas nas regiões das principais cidades dos EUA e mais de 300 no mundo todo.

Alguns investidores no setor agrícola dizem que grandes fazendas em ambientes fechados vão ter dificuldades para equilibrar operações de capital intensivo com os preços baixos que os consumidores esperam pagar por alface e outros vegetais.

“O conceito de armazém ainda apresenta questões ambientais ligadas ao aquecimento e resfriamento, o que pode ser extremamente caro”, diz Todd Dagres, sócio da empresa de capital de risco Spark Capital. A Spark investiu na Freight Farms, empresa que instala equipamentos de estufa em contêineres de transporte marítimo para produzir hortifrútis em fazendas de menor escala, que são mais eficientes, segundo Dagres.

Barnard disse que a Plenty pode hoje produzir 150 vezes mais alface por metro quadrado por ano que uma lavoura ao ar livre, e usando 1% da água. Ele se recusou a especificar os preços esperados para seus produtos, mas disse que este ano a Plenty deve ser capaz de cultivar e comercializar alface e ervas ao mesmo custo que as versões cultivadas em campo.

Fnte – Jacob Bunge e Eliot Brown, The Wall Street Journal de 15 de fevereiro de 2017

Mercado de orgânicos cresce 20% em 2016, com faturamento de R$ 3 bi

Crédito: Tamires Kopp/Divulgação

Mesmo com retomada lenta da economia, em 2017 desempenhos interno e externo devem ser positivos

O mercado nacional de orgânicos cresceu 20% em 2016, com faturamento estimado de R$ 3 bilhões, informou nesta terça-feira (31/01) em nota, o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), com base nos dados disponíveis sobre vendas no varejo e produção orgânica. Ainda conforme o conselho, o faturamento foi menor ante 2015, em razão da crise econômica.

Em relação às exportações, 54 empresas associadas ao Organics Brasil – projeto de estímulo às exportações do segmento – encerraram 2016 com US$ 145 milhões em vendas externas, valor 9,5% menor ante o projetado, consequência da oscilação do câmbio. “As exportações em quantidade, porém, foram 15% maiores”, comentou o conselho.

Para 2017, a expectativa é crescer 10% nos embarques externos. “A expectativa para 2017 é melhorar o ambiente de consumo no Brasil, apesar a retomada lenta da economia.

O setor de bem-estar propicia os orgânicos, como demonstra o aumento de feiras locais (mais de 600) e o aumento de oferta de produtos nos supermercados e empórios em todo o país”, explica o diretor do Organis e do Organics Brasil, Ming Liu.

Fonte – Revista Globo Rural de 31 de janeiro de 2017

Alelopatia combina plantas para evitar naturalmente doenças em cultivo orgânico

Alelopatia combina plantas para evitar naturalmente doenças em cultivo orgânicoA alelopatia é uma das formas mais simples de cuidar da agricultura. | Foto: iStock by Getty Images

A introdução de plantas alelopáticas na agricultura orgânica é uma forma de evitar o uso de produtos químicos.

Cultivar determinadas espécies de plantas exige uma maior atenção por parte dos agricultores em relação às pragas e doenças que podem infestar aquele plantio. Entre as maneiras de proteger uma cultura a mais tradicional é o uso de pesticidas e insumos agrícolas, criando assim uma proteção artificialmente elaborada, na qual a presença de produtos químicos, em longo prazo, prejudica não só o plantio como principalmente o consumidor final. No entanto, existem alternativas orgânicas muito eficientes também, como explica o especialista em Agricultura Orgânica Thiago Tadeu Campos.

No meio orgânico, os mais comuns e tradicionais são o controle biológico e a adubação orgânica. Além desses métodos, é possível se utilizar da alelopatia, técnica que consiste em conciliar plantas de diferentes famílias em uma mesma localidade, para elas ofereçam proteção umas às outras através da liberação de metabólitos primários e secundários.

Proteção natural

Em geral a alelopatia é uma maneira de oferecer uma proteção natural ao cultivo, ao mesmo tempo em que nutre de maneira complementar o solo no qual estão instaladas. O benefício, no entanto, não se restringe à relação de uma planta com a outra, pois também é possível utilizar plantas que oferecem proteção conta insetos e outros tipos de seres vivos que prejudicam a agricultura, como, por exemplo, os microrganismos maléficos à produção orgânica.

As vantagens que a alelopatia pode oferecer à agricultura orgânica

A introdução de plantas alelopáticas na agricultura orgânica é uma forma de evitar o uso de produtos químicos durante o desenvolvimento das plantas. Esse cuidado com a qualidade e com a organicidade do alimento produzido faz com que ele seja muito mais nutritivo e que sua produção seja realizada a forma mais natural possível.

Interações bioquímicas

Através das interações bioquímicas, realizadas de forma direta ou indireta (quando a planta já está em processo de decomposição), as plantas conseguem alcançar o equilíbrio ideal naquela cultura. Essas plantas podem auxiliar também na presença de predadores naturais de suas pragas e insetos, estabelecendo uma relação de controle biológico na região.

Harmonia na produção orgânica

Grande parte dos agricultores busca uma forma abrangente de cuidar de suas plantações, sem que para isso seja necessário altos investimentos ou o uso de produtos químicos. A alelopatia é uma das maneiras mais fáceis de atingir essa harmonia. Para que o ambiente se autorregule é preciso conhecer um pouco mais acerca das espécies de plantas e suas interações.

Plantas companheiras

As plantas companheiras são aquelas que estimulam a produção e o desenvolvimento da planta ao lado. Em geral, são utilizadas plantas de famílias diferentes que, além de garantir a reestruturação do solo, oferecem os nutrientes necessários, evitando assim a necessidade de adubos sintéticos.

Exemplos de combinações de plantas

Entre as principais combinações de plantas companheiras temos a união de abóbora, milho, e feijão (cuburbitáceas, solanáceas e leguminosas, respectivamente), essa estrutura tradicional de plantação faz com que o solo esteja sempre repleto de nutrientes e evita o desequilíbrio bioquímico. Também podemos encontrar a conciliação entre solanáceas, compostas, umbelíferas e liliáceas, combinação muito utilizada em pequenas hortas domiciliares, com a junção de tomate, alface, cenoura e cebola.

Plantas antagônicas

Nas plantas antagônicas encontramos combinações que fazem com que haja uma proteção à planta ao lado. O principal uso de plantas antagônicas é para a eliminação de insetos ou pragas.

Plantas aromáticas

Em geral são utilizadas plantas aromáticas para evitar a presença de insetos, mas também é possível conciliar árvores, como a Saboneteira, arbustos Quássia e chá de folhas de Cinamomo pulverizado na plantação. Com essas combinações é mais fácil reduzir a incidência de insetos na cultura.

A importância de utilizar a alelopatia na agricultura orgânica

Para o produtor orgânico urbano ou rural, é de extrema importância o uso de técnicas que não se utilizam de químicos para tratar da plantação. A alelopatia é uma das formas mais simples de cuidar da agricultura, pois não exige atenção constante e pode ser realizada apenas combinando as plantas corretas.

Conciliação das técnicas

Além da alelopatia, o produtor urbano ou rural deve ter uma adubação orgânica correta, utilizar do controle biológico, utilizar do controle de pragas e doenças, dentre as outras técnicas limpas da agricultura orgânica, ou seja, o produtor deve sempre pensar a sua produção sistematicamente.

Fonte – Thiago Tadeu Campos, CicloVivo de 15 de dezembro de 2016

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiro

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiroPara os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. | Foto: iStock by Getty Images

A produção orgânica pode ser rentável, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores.

Um estudo feito pela Universidade Estadual de Washington, EUA, mostrou que a agricultura orgânica pode ser usada para alimentar de maneira eficiente toda a população mundial. O relatório mostra que com este tipo de produção é possível ter rendimentos suficientes aos produtores, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores rurais.

Liderado pelo professor de Ciência do Solo e Agroecologia, John Regalnold, juntamente com o doutorando Jonathan Wather, o relatório “Agricultura Orgânica para o Século 21” contou com análises detalhadas de outras centenas de estudos acadêmicos sobre o tema. A proposta era examinar a eficiência da agricultura ecológica baseada nos pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.

Para os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. Alguns dos pontos enfatizados são: rotação de culturas, gestão natural de pragas, diversificação agrícola e pecuária, melhoras na condição do solo a partir de uso de compostagem, adubação verde e animais.

Os autores garantem que a agricultura orgânica é capaz de satisfazes todas as necessidades alimentares do mundo, independente das mudanças climáticas. Eles ainda justificam esta afirmação: “fazendas orgânicas têm o potencial para produzir altos rendimentos em consequência da capacidade mais elevada de retenção de água nos solos cultivados sem agrotóxicos”.

Em termos econômicos, no entanto, o estudo deixa claro que, apesar de ser rentável, o cultivo orgânico proporciona lucros menores do que os tradicionais. A explicação para isso é óbvia, já que os pesticidas acabam barateando parte da produção. Em compensação o ganho ambiental, social e na própria saúde da população é enorme. As evidências apontam para o fato de que os sistemas agrícolas orgânicos garantem maior benefício social, o que resulta em um planeta mais saudável.

Fonte – CicloVivo de 03 de janeiro de 2017

El Pais se contradiz com matéria que aconselha a consumir agrotóxicos

Os perigos dos agrotóxicos

No último dia 19 de Dezembro o jornal El Pais publicou uma matéria com o título:

“Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta. Consumir ‘orgânico’ não faz de você amigo do meio ambiente: é uma ameaça para as florestas tropicais.”

Em 25 de Dezembro de 2015 o mesmo El Pais publicava uma matéria entitulada: Se você compra comida orgânica, isto é o que você precisa saber” onde sentenciava:

É considerado alarmante no Brasil, que ocupa desde 2008 o primeiro lugar global no uso de agrotóxicos e onde cada pessoa consome, por ano, o equivalente a 5 quilos de veneno. E, também, na América Latina, onde as vendas de pesticidas dobraram em 12 anos, segundo levantamento da revista Science. Mudar para o sistema orgânico beneficia a saúde e o meio ambiente.”

Pesticide Planet Infographic

Há apenas poucas décadas, iniciou–se o uso de pesticidas no campo. Ninguém pode precisar a extensão dos malefícios que eles podem causar à nossa saúde. Sabe-se que são perigosos e que há pouquíssima instrução, controle e fiscalização. Uma pesquisa da UFSM, chamada “O impacto ambiental do uso de agrotóxicos no meio ambiente e na saude dos trabalhores rurais”, registrou o seguinte sobre o conhecimento acerca do manejo de agrotóxicos.

“Apenas 23,3% dos trabalhadores rurais costumam ler sempre o receituário agronômico e 30% compreendem todas as informações contidas na bula dos agrotóxicos. Somente 36,7% revelam compreender totalmente as tarjas, e 20% entendem todos os desenhos presentes nos rótulos dos agrotóxicos. Além disso, 83,3% dos agricultores utiliza algum tipo de EPI, no entanto o fazem parcialmente. Em relação ao armazenamento dos agrotóxicos, 60% revelaram não sinalizá-los adequadamente. E mais, 70% não sabem diferenciar um agrotóxico contrabandeado de um agrotóxico legal”

Os agrotóxicos contaminam o solo e a água e podem se espalhar até regiões distantes daquela onde estão. Alguns deles podem permanecer no corpo humano por décadas, causando disfunções hormonais e diversas doenças, incluindo câncer. Esse foi o tema desta matéria do Globo Rural que mostra como isso ocorre e dá exemplos.

Orgânicos são alimentos produzidos de forma natural. O uso do termo para a indústria alimentícia só se popularizou a partir da Segunda Guerra, com a expansão dos agrotóxicos — já que plantas na natureza crescem e formam biomas, como florestas, por exemplo, de forma orgânica. Todo cultivo ao longo de milênios de história da humanidade sempre foi neste sistema. Exatamente por este motivo, é loucura dizer que não devemos comer orgânicos.

Ao aconselhar as pessoas a somente consumir produtos com agrotóxicos, o El Pais além de se contradizer, agride os micro produtores brasileiros e aconselha os consumidores a se prejudicarem,  para defender uma tese completamente absurda. Impossível não se perguntar, que força estaria por trás, dessa repentina mudança de opinião do Jornal em relação a questão.

Plantando as sementes de um mundo melhor

Existe um  ganho ambiental e social na agricultura orgânica, ela pode ser feita por qualquer pessoa, pois não há risco de envenenamento. Cultivar assim, permite o aproveitamento de espaços que antes não poderiam ser usados a agricultura: tetos de prédios, jardins, varandas e outros ambientes ensolarados em locais que permitem hortas verticais.  Um grande exemplo disso são as cidades que tornaram obrigatório o uso de tetos verdes, como Copenhagen. O aproveitamento destes espaços torna os locais que habitamos mais ecológicos e as pessoas mais próximas do alimento que consomem, solucionando um problema que a primeira matéria do El País aponta: “não sabemos o que comemos”.

Graças ao aumento da agricultura orgânica, há um movimento de pessoas que estão passando a produzir seu próprio alimento e outras buscando informações sobre ele, mantendo contato com as instituições que os cultivam e muitas vezes visitando os locais de plantio. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que têm na terra a sua única forma de sustento.

No Instituto Pindorama, o qual esse blog integra, recebemos anualmente pessoas para o curso “Da horta a mesa” que ensina a plantar, colher e criar receitas saudáveis com alimentos direto da horta, “Alimentos vivos”  que ensina a cozinhar pratos deliciosos sem produtos industrializados e Design em permacultura” que engloba produção de alimentos, recursos hídricos, sistemas econômico-sociais, energias renováveis e bioconstrução. Aqueles que querem descobrir mais sobre o que é Permacultura podem acessar nossa aula grátis aqui.

O Brasil é também uma referência em cultivo agroflorestal — um tipo de cultivo que produz alimentos em harmonia com as florestas, com taxas produção excelentes e recuperando para a natureza áreas degradadas. Um dos grandes expoentes desse trabalho é Ernest Grosht.

Você também pode aprender mais sobre como fazer uma agrofloresta usando este ótimo manual criado por Walter Steenbock e Fabiane Machado Vezzani. 

Outra iniciativa que tem ganho adeptos é a de cultivar e catalogar os ‘PANCs’ (Plantas e Alimentos Não Convencionais), geralmente plantas nativas com alto valor nutricional que não usamos em nossa culinária por falta de conhecimento sobre suas propriedades.

Algumas matérias para saber mais sobre os PANCs:

Cartilha sobre PANCs

Pancs, plantas citadas no programa MasterChef que talvez você não conheça

O Globo – PANCs e gastronomia

O caminho para se solucionar o problema da fome passa por aproximar as pessoas dos alimentos que elas consomem, ensiná–las a plantar, valorizar aqueles que plantam e aproveitar alimentos que não estão em sua cultura. Investir em alimentação é uma forma preventiva e eficaz de cuidar de sua saúde. Curar o corpo é o primeiro passo para curar o meio. Por isso, plante, incentive a agricultura local e valorize o alimento que você ingere. Como diz o ditado: “Somos o que comemos”.

Fonte – Marcel Segal Hochman, Blog Viver Fora do Sistema de 29 de dezembro de 2016

Por que dizer sim aos orgânicos

Além de livres de substâncias químicas, os orgânicos possuem mais sabor e nutrientesAlém de livres de substâncias químicas, os orgânicos possuem mais sabor e nutrientes

Entenda as diferenças entre cinco alimentos convencionais e suas versões livres de química – com certeza, você vai querer mudar já a sua alimentação

Faz um tempo que os produtos orgânicos estão ganhando espaço nos mercados, nas feiras e no dia a dia de muita gente. Mas, afinal, o que os torna tão diferentes? É simples: “a maneira como são cultivados e processados”, explica a nutricionista Paula Castilho. São produtos de origem animal ou vegetal – como frutas, verduras, cereais, laticínios e carnes – obtidos sem o uso de substâncias químicas ou hormônios sintéticos.

As vantagens para a saúde são muitas. Optar por esse tipo de alimento significa, entre outras coisas, deixar de ingerir resíduos de pesticidas. “Muitos estudos relacionam o consumo de agrotóxicos e outros aditivos com diversos tipos de doenças, como câncer, Parkinson, alergias, esterilidade em adultos, doenças neurológicas e respiratórias”, aponta Paula. Além disso, as versões orgânicas possuem muito mais sabor e nutrientes. E ainda são antioxidantes, ou seja, têm o poder de retardar o envelhecimento das células do corpo.

Para que você entenda melhor, comparamos cinco alimentos e bebidas produzidos da forma convencional com as suas versões orgânicas. É tanta diferença que, se você optar pela troca, certamente sentirá a mudança na sua saúde em pouco tempo.

COMUNS x ORGÂNICOS

Consumir um ovo cozido por dia ajuda a reduzir a fadiga muscular e a ansiedade Consumir um ovo cozido por dia ajuda a reduzir a fadiga muscular e a ansiedade

Ovos

As galinhas que produzem os ovos orgânicos não ficam confinadas, ao contrário, são criadas livremente e ingerem alimentos sem agrotóxicos ou fertilizantes. Também não recebem hormônios para crescer mais e rapidamente. Dessa forma, é fácil imaginar como nascem os ovos: naturais, ricos em ácido fólico, ferro, zinco, fósforo e com até quatro vezes mais vitamina A do que os das granjas industriais.

Por que colocar no cardápio – Na albumina, proteína presente na clara, há grande quantidade de leucina, um aminoácido que, segundo Paula Castilho, evita a perda de massa magra, auxilia na manutenção da força muscular e contribui para a formação da musculatura.

Os vegetais são ricos em fibras e ainda ajudam a prevenir a hipertensão Os vegetais são ricos em fibras e ainda ajudam a prevenir a hipertensão

Vegetais

“Estudos têm demonstrado que os resíduos de agrotóxicos e fertilizantes que permanecem nos alimentos podem provocar reações alérgicas, respiratórias, distúrbios hormonais, problemas neurológicos e até câncer”, relata a nutricionista. Já nos orgânicos, o cultivo é livre de qualquer substância química, dando lugar a adubos e pesticidas naturais. O resultado: vegetais puros, com sabor e aroma mais intensos, além de maior valor nutricional.

Por que colocar no cardápio – Frutas, verduras e legumes são ótimos aliados quando o assunto é bem-estar e dieta balanceada. O ideal é consumir até três frutas diferentes ao dia e 400 gramas de verduras e legumes.

O energético aumenta a concentração, o bem-estar e o desempenho físico. Evite apenas consumir perto da hora de dormirO energético aumenta a concentração, o bem-estar e o desempenho físico. Evite apenas consumir perto da hora de dormir

Energéticos

Os energéticos comuns têm em sua fórmula substâncias como taurina, creatina, gluconolactona e inositol, que, combinadas e consumidas em excesso, podem causar náuseas, taquicardia, tremores, insônia e até zumbidos. Além disso, possuem sódio, corantes e conservantes, que também são nocivos à saúde. Mas já existe uma versão natural, vegana e orgânica de energético – com ingredientes sem nenhuma química ou sementes transgênicas – para quem procura mais pique e concentração. O Organique é 100% orgânico, feito apenas com estimulantes naturais: açaí, guaraná e mate. Bom para a saúde física e mental.

Por que colocar no cardápio – O primeiro energético saudável do Brasil tem certificações internacionais de origem orgânica. Além de revigorante, oferece uma série de vitaminas e minerais e ainda é rico em antioxidantes, que retardam o envelhecimento das células.

Energéticos? Falem sério! Para que energético se você se alimentar corretamente? Mmmhmmm, esquisito…

O leite tem vitamina A, importante para o desenvolvimento dos ossos, e vitamina E, que previne doenças cardiovascularesO leite tem vitamina A, importante para o desenvolvimento dos ossos, e vitamina E, que previne doenças cardiovasculares

Leite

Os animais da indústria leiteira convencional são criados com antibióticos, ureia, hormônios e outros aditivos – para que produzam mais leite em menos tempo. Por isso, quando chega ao consumidor, o leite pode conter essas substâncias. Na produção orgânica, a bebida é bem diferente: não contém nenhum resíduo químico. “E as vacas são criadas em pastagens saudáveis, livres de fertilizante ou agrotóxico”, acrescenta a nutricionista Paula Castilho. O produto final tem mais ômega 3, essencial para o crescimento saudável. E mais: “O leite orgânico tem de duas a três vezes mais antioxidantes como a luteína e zeaxantina, importantes para a saúde dos olhos”, explica.

Por que colocar no cardápio – O ômega 3 não é produzido pelo corpo, por isso ingerir leite todo dia ajuda a reduzir a incidência de doenças cardíacas, inflamações e artrite.

Procure intercalar a carne vermelha – mais rica em gordura – com o consumo de frango e peixeProcure intercalar a carne vermelha – mais rica em gordura – com o consumo de frango e peixe

Carne

Em produções de larga escala, os animais são alimentados com produtos que contêm adubos químicos e agrotóxicos e criados com hormônios e antibióticos. “A probabilidade de nos tornarmos resistentes à ação desses medicamentos sobe. Nas versões orgânicas, há poucos resíduos desses remédios, porque os bichos, em geral, são tratados com fitoterapia e homeopatia”, conta Paula. No sistema produtivo orgânico, que conta com auditoria e certificação, a carne é produzida e processada da maneira mais natural possível, isenta de qualquer resíduo químico.

Por que colocar no cardápio – As carnes são ótimas fontes de ferro, vitaminas e proteínas. O ideal é consumir até 100 gramas por dia.

Faz bem para você, faz bem para todos

Não é só seu corpo que se beneficia com os produtos orgânicos. O meio ambiente e os trabalhadores envolvidos no cultivo também. Isso porque, para ser orgânica, a produção precisa contemplar diversos aspectos.
“Os produtos devem ser cultivados em ambientes que considerem a sustentabilidade social, ambiental e econômica e valorize a cultura das comunidades rurais. A certificação exige a proteção de nascentes e o manejo correto de resíduos, proíbe a utilização de fogo nas pastagens e a contaminação do solo e dos recursos hídricos, incentiva a preservação da diversidade biológica do ecossistema, além de respeitar os direitos dos trabalhadores envolvidos”, conta Paula.

Fonte – Revista Saúde de 09 de dezembro de 2016

Mato no prato

Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastronômico?!Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastronômico?! (Foto: Tomás Arthuzzi)

Sabe as plantas que estão nos canteiros das ruas, nas praças e até em nosso quintal? Muitas têm enorme potencial nutritivo — e são saborosas

Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade que expõe o trabalhador a substâncias tóxicas) será um pouco melhor. Cada um deles cedeu 1 hectare de terra para cultivar uma trepadeira que parece ter caído do céu: não precisa de pesticidas, cresce em pouco espaço, é gostosa e, para completar, carrega uma bela cota de nutrientes.

Falando assim, dá a impressão de que se trata de uma nova variedade. Que nada! O nome da santa é ora-pro-nóbis. Embora os mineiros já a aproveitem na cozinha, o resto do Brasil só vinha usando a planta como cerca viva.

Definitivamente, trata-se de um baita desperdício. Afinal, 100 gramas de suas folhas ostentam 20% de proteína, fora as caprichadas doses de vitamina C e minerais. “Ela também tem alto teor de mucilagem, fibra que é excelente para o intestino”, destaca a nutricionista Andréa Esquivel, do Centro de Diagnósticos em Gastroenterologia, na capital paulista.

A ora-pro-nóbis é só uma das centenas de plantas alimentícias não convencionais — batizadas pelos pesquisadores de Pancs — que são encontradas em qualquer cantinho de terra. “A gente acha que é mato ou erva-daninha, mas os poucos estudos que existem mostram que elas são até mais ricas do que as verduras comuns”, diz o botânico Valdely Kinupp, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, em Manaus.

“Quanto mais silvestre é a espécie, menos agrotóxicos requer e melhor o aproveitamento de nutrientes do solo”, completa Kinupp, autor do único guia brasileiro sobre o assunto, que elenca mais de 350 plantas nacionais desconhecidas e ainda ensina como reconhecê-las e incluí-las no cardápio.

Algumas variedades até já sentiram o gostinho da fama um dia, caso da bertalha e da araruta. “Elas eram criadas nos quintais, mas foram caindo em desuso”, conta Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O departamento de Madeira estuda 50 hortaliças chamadas de tradicionais, mas que não fazem parte do grupinho que frequenta o circuito popular de saladas — como a dupla alface e tomate. “A mudança do nosso padrão de vida fez com que privilegiássemos o que pode ser comprado sempre, embora não saibamos o real custo disso”, completa o agrônomo, que trabalha no único setor da Embrapa dedicado às Pancs.

E, se você acha que a família das plantas não convencionais é formada só por hortaliças e ervas, fique sabendo que no clã também entram grãos e tubérculos — eles podem virar purês, molhos e recheios. Enquanto os especialistas descrevem as virtudes dessa gama cada vez maior de alimentos, já há uma porção de gente que aposta as fichas neles para promover saúde e sustentabilidade.

Um dos principais argumentos para valorizar o mato (e todo o resto) que brota ao nosso redor é tirar proveito daquilo que a natureza oferta. Segundo a FAO, departamento de agricultura e alimentação da Organização das Nações Unidas, somente 30 espécies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida em um universo de incríveis 30 mil variedades. A monotonia no cardápio tem alto custo para a saúde, já que acabamos ingerindo sempre os mesmos nutrientes.
Para ter ideia, segundo a Embrapa, a monocultura — áreas gigantes dedicadas a um só vegetal — já levou à redução de 10% nos teores de proteína da soja cultivada em certas regiões do país. Sem contar que, para abastecer as prateleiras o ano inteiro com os vegetais campeões de audiência, é preciso fazer uso pesado de fertilizantes e defensivos químicos na lavoura. Entre eles está o glifosato, definido como “provavelmente cancerígeno” pela Organização Mundial da Saúde.

As Pancs surgem, então, como luz no fim da colheita. Além de concentrar micronutrientes, elas tendem a ser livres de agrotóxicos. Diversos estudos comprovam que nessas plantas há alto teor de cálcio, vitamina C, zinco, fósforo e compostos fenólicos, poderosos antioxidantes.

“Se você come de forma mais diversa, consegue suprir a necessidade de vitaminas e minerais”, observa Lúcia Guerra, nutricionista e pesquisadora da Universidade de São Paulo.

Um jardim comestível

Algumas Pancs, como o peixinho-da-horta (a planta leva esse nome por causa do sabor que lembra frutos do mar) e o hibisco, são vendidas como variedades ornamentais em floriculturas. Mas dificilmente um maço de caruru fresco é encontrado no supermercado.

Eis aí um desafio: fazer com que o consumo desses vegetais não convencionais deixe de ser restrito a grupos ligados às causas ecológicas. “É preciso divulgá-los mais”, opina Kinupp. “A produção só aumenta quando há demanda. E isso acontece quando falamos sobre o assunto, experimentamos no dia a dia e encomendamos variedades com pequenos produtores”, defende Madeira.

Planta é o que não falta. Para essa roda girar, os entusiastas dos vegetais não convencionais lutam para apresentá-los ao grande público. O projeto Panc na City, em São Paulo, por exemplo, promove buscas por matos comestíveis pela cidade. Os chefs de cozinha também atuam na difusão do movimento. “Temos como missão a preservação da biodiversidade brasileira, e as Pancs são importantes nesse cenário”, afirma o chef Ivan Ralston, que, no seu restaurante, o Tuju, na capital paulista, não só utiliza várias delas como as cultiva em uma estufa.
Se ainda não dá para comprar as plantinhas diferentosas na feira, uma das saídas é cultivá-las em casa. “Bertalha e vinagreira são espécies muito fáceis de serem mantidas. Assim como a azedinha, que chega a dar 50 folhas por semana”, indica Madeira.

As mudas podem ser obtidas a partir de galhos recolhidos na rua mesmo — mas sempre observe se o solo está próximo de locais poluídos e se certifique de que o exemplar é mesmo seguro para consumo. Informação é o melhor mapa para nos colocar na rota desses tesouros perdidos por aí.

Há matos…e matos

Antes de sair catando folhas pela rua ou pelo jardim de casa, o ideal é se informar bastante sobre elas, uma vez que há risco de confusão com variedades similares e intoxicação. A taioba brava, para citar um caso, parece com a taioba que substitui a couve, mas é tóxica. Fora que muitas delas ainda não têm seus efeitos totalmente elucidados pela ciência. A dica é preferir espécies mais conhecidas, como serralha, caruru e beldroega. Veja outras opções:

Peixinho: as folhas carnudas dessa parente da sálvia ficam uma delícia empanadas e assadas. Mas use uma grelha para não grudarem.

Foto – DaHorta

Feijão-guandu: o grão é originário da Índia, mas cresce há séculos no Brasil. Tem sabor marcante.

Foto – Cozinha de raízes

Capuchinha: as folhas são picantes e vão bem na salada. Também dá para comer as flores.

Foto – Chá Benefícios

O valor de talos, folhas, cascas…

Algumas plantas são convencionais, mas tem partes que descartamos e caberiam no prato, como o coração da bananeira, cheio de proteínas e minerais. Já a casca da batata tem mais compostos benéficos do que a polpa — só que também costuma ir para o lixo. O ideal é tentar aproveitar os alimentos integralmente. Mas vale dar uma pesquisada antes. “Às vezes, folhas e talos carregam substâncias que prejudicam o paladar ou fazem mal”, alerta Andréa Esquivel.

Fonte – Chloé Pinheiro, Revista Saúde de 26 de dezembro de 2016

Paraná é o estado que mais produz orgânicos no Brasil

Paraná é o estado que mais produz orgânicos no BrasilO estado soma 1.966 propriedades, atrás apenas do Rio Grande do Sul. | Foto: iStock by Getty Images

Só nos últimos quatro anos, foram mais de 290 propriedades certificadas, em todas as regiões paranaenses.

O Paraná é o maior produtor de orgânicos do Brasil e o segundo com mais propriedades orgânicas certificadas. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o estado soma 1.966 propriedades, atrás apenas do Rio Grande do Sul.

Segundo o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o Paraná tem uma produção de 130 mil toneladas de alimentos por ano. A principal justificativa para o bom desempenho é o Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCO), que orienta e capacita os produtores, audita e certifica a produção de alimentos orgânicos.

O Programa envolve a Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, por meio das universidades estaduais; o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que é o órgão certificador.

Só nos últimos quatro anos, foram mais de 290 propriedades certificadas, em todas as regiões paranaenses. A iniciativa não favorece apenas o produtor que tem assistência técnica gratuita, mas também a população paranaense com acesso a alimentos mais saudáveis, produzidos sem agrotóxicos, hormônios ou transgênicos, levando em consideração o meio ambiente e a vida dos agricultores e seus familiares.

Em quatro anos de existência, o Programa já recebeu R$ 5,5 milhões em investimentos que, somados aos valores da fase 3 – que começou em 2016 e segue até 2018 -, totalizam R$ 8 milhões por meio do Fundo Paraná. Até o término da fase 3, a meta é certificar cerca de 1.040 produtores, ressaltando que a certificação é válida por um ano, tendo a necessidade de renová-las a cada encerramento.

O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, destacou a importância do programa para que o Paraná continue entre os estados com o maior número de produtores de orgânicos certificados. “O programa registra excelentes resultados e contribui para a valorização da produção de orgânicos no estado, por isso estamos trabalhando para a continuidade”, afirma.

Capacitação

Os agricultores que pretendem passar da produção convencional para a orgânica são orientados por técnicos e estudantes das sete universidades estaduais paranaenses, que fazem acompanhamento técnico e a capacitação dos produtores. Para que receba a certificação, a propriedade deve atender a uma série de normas, que inclui a troca de agrotóxicos e insumos químicos por técnicas agroecológicas, preservação dos ecossistemas, promoção do uso saudável do solo e da água e adotar critérios de comércio justo.

Na medida em que os profissionais estão interagindo com o produtor, o conhecimento tem chegado a ele e a sua família, e isso tem aumentado o nível de segurança do agricultor em mudar o modelo convencional pelo orgânico, mostrando que dá para ter produtividade, qualidade e mercado.

Fontes – Governo do Paraná, CicloVivo de 18 de outubro de 2016