Pesquisa mostra que produtos orgânicos são consumidos por 15% da população

Produtos e alimentos cultivados sem aditivos químicos e sem causar danos ao meio ambiente, expostos na conferência Green Rio - Rio Orgânico 2014, no Jardim Botânico (Fernando Frazão/Agência Brasil)Os produtos orgânicos mais consumidos são verduras, legumes e frutas. Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

Cerca de 15% da população urbana consumiu algum produto orgânico nos últimos dois meses, segundo pesquisa divulgada hoje (7) pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis). A maior procura por este tipo de produto (34%) está na Região Sul, que ultrapassa o dobro do consumo nacional. Os dados foram divulgados no primeiro dia da 13ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair), que vai até domingo (11), na Bienal do Ibirapuera, na capital paulista.

“Precisávamos ter o perfil por região, com consumo, costumes e percepção do consumidor de orgânicos. Essa pesquisa ajudará nas estratégias comerciais dos produtores, empresas e varejistas. Se há cerca de 600 feiras orgânicas mapeadas no Brasil e, a cada ano, o crescimento do setor chega em 20%, temos um potencial de aumento do consumo”, disse Ming Liu, diretor executivo do Organis.

Os produtos orgânicos mais consumidos são verduras, legumes e frutas. Seis em cada dez consumidores consomem verduras orgânicas. Os legumes e as frutas são escolhas de uma em cada quatro pessoas. Entra as outras opções disponíveis ao consumidor de orgânicos estão produtos como carnes, chocolates, sucos, leites, laticínios, biscoitos, shampoos, sabonetes e tecidos.

Orgânico

Para ter o selo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que reconhece como produto orgânico é necessário seguir alguns critérios, como ter certificação por organismos credenciados pelo ministério, sendo dispensado da certificação os produzidos por agricultores familiares que fazem parte de organizações de controle social cadastradas no Mapa.

Pela legislação, considera-se produto orgânico, seja ele in natura ou processado, aquele que é obtido em um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local.

Consumo

Entre os motivos apresentados na pesquisa para o consumo neste segmento, os entrevistados citaram questões relacionadas à saúde. A associação entre alimentos orgânicos e saúde foi citada por seis em cada dez pessoas (64%). Indicações de consumo da mídia e de profissionais da saúde também se destacaram, chegando a 15% das pessoas.

“Existe um grande interesse dos consumidores, os empreendedores e empresários estão visualizando essa oportunidade e a feira [Bio Brazil Fair] é um indicativo de que tem mais produtos disponíveis no mercado”, disse Liu. No entanto, ele ressalta que é importante a conscientização dos consumidores sobre as características dos orgânicos e sobre a regulamentação.

O varejo convencional é o principal local de compra dos produtos orgânicos. Cerca de 60% das pessoas vão até os supermercados e aproximadamente 25% compram em feiras. No entanto, o mercado de orgânicos tem ainda lojas especializadas em produtos naturais, compra direto com o produtor e os clubes de compras coletivas, que são ainda uma promessa, na avaliação do Organis.

Marcas

A pesquisa chegou à conclusão que, para os consumidores, não há uma marca associada de forma sólida ao mercado de produtos orgânicos no país, porque 84% dos entrevistados não souberam citar uma marca específica. “Para nós o que foi uma surpresa é que desses 15% [de pessoas que consumiram orgânicos], 85% não lembraram da marca do produto que consumiram. Então eles não fidelizaram ainda com uma marca”, disse Lui.

Segundo a entidade, existe uma grande disposição para consumir mais produtos orgânicos, mas o preço foi citado como o maior limitador para o aumento do consumo. A falta de preços acessíveis foi citada por 62% dos entrevistados como impeditivo. A falta de lugares próximos foi a segunda causa mais citada (32%), seguida por falta de conhecimento (11%). Apesar de haver um movimento crescente para o consumo de orgânicos, 25% das pessoas não estão interessadas em mudar o hábito de consumo convencional.

Feita pela Market Analisys, a pesquisa entrevistou 905 consumidores de orgânicos, sendo adultos com idades entre 18 e 69 anos, de São Paulo, de Rio de Janeiro, de Salvador, de Belo Horizonte, de Brasília, de Curitiba, do Recife, de Porto Alegre e de Goiânia.

Fonte – Camila Boeh, edição Fábio Massalli, Agência Brasil de 07 de junho de 2017

A horta comunitária que alimenta 2 mil famílias de graça

A horta comunitária que alimenta 2 mil famílias de graça

O mundo produz o suficiente para alimentar 10 bilhões de pessoas. Mas, mesmo assim, ainda há 795 milhões passando fome. A distribuição da monocultura concentrada acaba sendo um empecilho e também desperdiçamos ⅓ de toda comida cultivada. Para reduzir a distância percorrida pelos alimentos, muitas hortas comunitárias urbanas estão surgindo.

A cidade de Detroit, famosa por sua indústria automobilística, já anunciou no ano passado que quer ter 22 quarteirões de horta comunitária — que gerará aproximadamente 120 empregos. Segundo o site americano Inhabitat, o que já existe na cidade atualmente alimenta duas mil famílias de graça.

A Iniciativa de Agricultura Urbana de Michigan é quem está implementando pouco a pouco o despretensioso projeto. A ideia é que dois acres sejam destinados a cultivo de mudas de frutas e vegetais e o terceiro seja lar de 200 árvores frutíferas.

“Há quatro anos estamos cultivando hortas urbanas que geram alimentação fresca e diversa para os cidadãos da cidade. E vem mais por aí!”, explica o site do projeto.

Fonte – Jéssica Miwa, The Greenest Post de de 22 de fevereiro de 2017

Terreno baldio vira horta em meio a prédios na Pituba

Há cerca de um ano, a Prefeitura, por meio da Secretaria da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), da Secretaria de Manutenção (Seman) e da Limpurb, começou a apoiar o projeto Hortas Urbanas Salvador, idealizado por moradores do bairro da Pituba. Quinhentas mudas, entre hortaliças, árvores frutíferas e leguminosas, já foram doadas ao projeto, além de insumos para o plantio, meios-fios para contenção das leiras, britas e ráfias (tipo de tecido muito usado na agricultura).

Localizada entre prédios na Avenida Paulo VI, em um dos bairros mais populosos da cidade, com cerca de 250 mil habitantes, a Horta Urbana Salvador começou a ganhar forma após alguns mutirões de limpeza no terreno, que possui aproximadamente 2,1 mil metros quadrados. Para auxiliar na retirada de 50 toneladas de entulhos que existiam no local foram necessárias as participações de moradores do bairro e de máquinas e homens da Limpurb.

De acordo com Wilson Brandão, idealizador do projeto, o desconforto de ter ao lado onde mora um terreno baldio servindo de área de descarte de entulho e esconderijo para insetos foi o motivo principal dele, familiares e de alguns vizinhos tomarem a iniciativa de solicitar da Prefeitura o apoio necessário para transformar o local em um espaço mais limpo e em condições de se cultivar hortaliças.

Em novembro de 2016, as 500 mudas foram plantadas no local e, em janeiro, a primeira colheita foi realizada. Couve, alface, manjericão e outros alimentos, sem qualquer tipo de agrotóxico, foram colhidos e doados ao Lar Irmã Maria Luiza, espaço na Cidade Baixa que abriga idosos carentes e com problemas de saúde. De acordo com seu Wilson, o objetivo principal do que é produzido pela horta é doar para quem precisa. “Escolhemos doar os alimentos por entendermos que a horta também tem uma função social. Caso o que foi colhido tenha sido suficiente para a doação, repartiremos entre nós moradores o que sobrar”, explica.

Hoje, depois da terceira colheita, a horta já possui 22 leiras e mais de 40 voluntários. São crianças, jovens, adultos e idosos que se revezam como podem e com o tempo que tem, a partir de uma escala de trabalho, para manter o local irrigado e bem cuidado. “É gratificante ver a participação de pessoas de todas as idades numa atividade que vai além do plantio. Estamos construindo um ambiente sadio, de novas amizades e formando uma nova família, além de transformar um terreno que era foco de mosquitos em um local produtivo.

Uma das voluntárias participantes do projeto, a administradora de empresas Lúcia Cunha, 61, conta que recebeu o convite para participar da horta através de um aplicativo de celular, e desde então tem seu horário determinado durante a semana para molhar as leiras, onde estão plantadas as hortaliças. “Quando estou lá não penso em nada. Todos os vizinhos participam. O projeto nos tornou mais integrados”, afirma Lúcia.

Parceria

Iniciativas que visam revitalizar o espaço urbano e promover o bem estar coletivo vêm dando certo e estreitando a parceria entre o poder público municipal e a sociedade. O Alto do Itaigara é outro exemplo dessa integração. Moradores do bairro já arborizaram cerca de dois mil metros de calçadas e revitalizaram uma área verde onde antes servia de depósito de entulhos. Batizado de Recanto Santo Antônio, o local se tornou um espaço de convivência familiar e palco de ações socioambientais organizados pela própria comunidade.

De acordo com a Secis, a previsão é que sejam criadas mais dez hortas urbanas em outros pontos da cidade até o fim do próximo ano. Segundo o secretário da Cidade Sustentável e Inovação, André Fraga, esse tipo de projeto em que o cidadão é um agente participativo de transformações que envolvem espaços públicos é muito positivo, não só do ponto de vista ambiental, mas também do social.

“Iniciativas como a horta urbana, na Pituba, e o Recanto Santo Antônio, no Alto do Itaigara, reforçam a importância da participação da população na construção de uma cidade voltada para o bem estar coletivo. Mesmo com poucos recursos, é possível realizar ideias inovadoras e colher resultados que acrescentem de forma muito benéfica no cotidiano de quem mora em cidade grande, como é o caso de Salvador”, salienta Fraga. “Daremos o apoio necessário, mas é importante a comunidade se organizar para cuidar do local”, reforça.

Fonte – Prefeitura de Salvador de 09 de março de 2017

Assista – O projeto hortas urbanas transforma terreno abandonado em solo fértil

Livro ensina a plantar temperos em casa e sugere receitas

Livro gratuito e online ensina a plantar temperos em casa e sugere receitasLivro traz dicas sobre como e onde plantar, tipos e propriedades dos temperos. | Foto: Divulgação

A publicação Sabores da Horta ensina a cultivar em pequenos espaços e preparar deliciosos pratos

A culinária é uma arte que pode servir também como terapia. Poucas coisas podem ser tão prazerosas do que passar um sábado ou domingo no aconchego do lar, receber os amigos ou reunir a família, para jogar conversa fora, preparar receitas novas e degustar uma excelente refeição preparada pelos anfitriões.

Até mesmo na preparação das refeições do dia-a-dia é possível deixar a comida mais saborosa com a utilização de temperos cultivados no jardim de casa ou em pequenos espaços nos apartamentos.

O livro “Sabores da Horta – do plantio ao prato”, publicado pela Codeagro (Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios), da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, traz dicas sobre o tema.

Como e onde plantar, tipos e propriedades dos temperos, melhores épocas para o plantio e receitas muito originais, são alguns conteúdos do livro. Por exemplo, você sabia que é possível surpreender as visitas com um delicioso sorvete (diet) de manjericão?

De acordo com o “Sabores da Horta – do Plantio ao Prato”, o manjericão é um tempero rico em vitamina A e C e minerais como cálcio e potássio. Auxilia no alívio da tosse, bronquite, rouquidão, dores de garganta e auxilia no tratamento de aftas. É próprio para ser plantado em ambientes mais quentes e é utilizado para o tempero de carnes, peixes, sopas e molhos de tomate.

 

Fonte – CicloVivo de 15 de maio de 2017

Valorizar a agricultura familiar é promover o desenvolvimento social

Foto: Elaine Casap/Creative Commons

Alimentos produzidos nas pequenas propriedades representam 70% do que é consumido diariamente no País e 56% no mundo

A maior parte da comida que está no prato do brasileiro é produzida em pequenas propriedades, quase sempre com mão-de-obra familiar. Os pequenos agricultores são responsáveis por 70% dos alimentos que são consumidos diariamente no País, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Fazem isso ocupando apenas 25% da área produtiva, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o que representa uma alta produtividade relativa desse modo de produção quando comparado a outros modos de produzir os alimentos consumidos diariamente na casa dos brasileiros.

No contexto mundial, o papel das famílias também é relevante: a estimativa da FAO é de 500 milhões de propriedades agrícolas familiares, com participação de 56% da produção global. A agricultura familiar promove o desenvolvimento socioeconômico e cultural das comunidades locais, além de garantir a segurança alimentar. Por isso, no Dia do Campo (5/5), o Instituto Akatu convida governos, empresas e consumidores encontrarem formas de valorizarem cada vez mais esse tipo de produção.

O fato de ser realizada por proprietários de pequenas áreas rurais, faz da agricultura familiar muito diferente da agricultura patronal, que utiliza trabalhadores fixos ou temporários. Mais do que isso, os estabelecimentos familiares são os principais geradores de postos de trabalho no meio rural por unidade de área produtiva: para gerar um posto de trabalho, precisam de oito hectares, enquanto estabelecimentos patronais precisam de 67 hectares, segundo estudo “O Novo Retrato da Agricultura Familiar – O Brasil Redescoberto”, da FAO e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Na Região Norte, isso é ainda mais discrepante, pois são necessários 166 hectares da agricultura patronal para gerar um emprego, e apenas 14 hectares para a agricultura familiar fazer o mesmo.

No Brasil, a agricultura familiar é a base econômica de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes, absorvendo 40% da população economicamente ativa do País e respondendo por 35% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, segundo o Censo Agropecuário de 2006, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao gerar renda local, ela fixa o homem no campo e diminui as pressões nas cidades. Segundo a FAO, também preserva os alimentos tradicionais, além de proteger a biodiversidade agrícola, já que esse modelo produtivo dificilmente é associado à monocultura.

Há vários alimentos populares que contam fortemente com a produção desses pequenos agricultores, no Brasil. A agricultura familiar é responsável por 87% da produção de mandioca, por 70% do feijão, por 59% de carne suína, por 58% do leite e por 46% do milho no País, por exemplo. A produção de orgânicos, que não usa pesticidas, tem uma forte participação da agricultura familiar: dos 12 mil produtores de orgânicos no Brasil, 70% praticam a agricultura familiar, segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Governos podem  apoiar a agricultura familiar ao implementar políticas públicas específicas relacionadas a crédito, assistência técnica, seguro, acesso a mercados – merecendo destaque o acesso dos produtos ao consumidor final – , compras públicas e tecnologias adequadas ao agricultor familiar. Varejistas podem incluir esses agricultores na sua lista de fornecedores, com o cuidado de comunicar ao consumidor a origem do produto, para que ele faça uma compra consciente de estar apoiando famílias de agricultores.

Nos mercados e feiras, não é fácil para o consumidor identificar quais produtos são provenientes da agricultura familiar. Uma das formas é procurar pelo Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), conferido pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, do MDA.Cerca de 22 mil produtos já receberam o Sipaf, sendo feitos com mão de obra majoritariamente familiar um grande conjunto de produtos como verduras, legumes, polpas de frutas, laticínios, artesanato, entre outros.

Fonte – Akatu de 05 de maio de 2017

05 adubos orgânicos que vão facilitar sua vida no jardim e horta

fauna-e-flora-do-solo-importancia-pedologia

Não é de hoje que sabemos o quanto os fertilizantes químicos podem ser danosos à nossa saúde e ao meio ambiente. E cá entre nós, se você começou a cultivar plantas ornamentais ou uma hortinha em casa, no mínimo está em busca do ecologicamente correto e de trazer benefícios ao meio ambiente e para a sua família. Então por que não começar a utilizar os adubos orgânicos que vão direto da casa para o jardim. São ecologicamente corretos, beneficiam a saúde da sua família e não custam caro como os fertilizantes químicos encontrados no mercado. Então vamos lá!

Para começar é preciso entender que as plantas precisam basicamente de três principais nutrientes para ficarem fortes e saudáveis, são os macronutrientes: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K). Você já deve ter notado que na embalagem dos fertilizantes químicos aparecem três números grandes, como por exemplo 10-10-10 ou 4-14-8. Isto nada mais é do que a representação das quantidades de N, P e K.

O nitrogênio é necessário para auxiliar no crescimento e partes verdes como as folhas, fósforo para flores e frutos e o potássio auxilia na saúde geral da planta. Sendo assim, não seria mais fácil utilizar o fertilizante químico?Negativo!

Além dos macronutriente também são necessários micronutrientes como Cobre (Cu), Ferro (Fe), Molibdênio (Mb) e outros. A grande realidade é que dentre os diversos fatores essenciais à vida das plantas, precisamos destacar o ciclo que envolve grande diversidade de bactérias, insetos, fungos, vermes, e outros aspectos como aeração, drenagem e acidez do solo. Ou seja, quando você utiliza adubação orgânica, este ciclo acontece naturalmente. Por outro lado, a utilização de adubação química pode prejudicar muito este ciclo que carinhosamente chamamos de “Biota”.

Agora que você já entendeu qual a importância da adubação orgânica, podemos ir direto ao ponto. Veja quais são os melhores fertilizantes orgânicos que iriam para o lixo e agora vão adubar suas plantas.

5 – Borra do café

closeup detail of coffee ground in wooden bowlImagem via farmersalmanac

Esta é uma excelente fonte de nitrogênio (N), porém aumenta a acidez do solo, ou seja, ela vai ser muito útil para corrigir solos mais alcalinos ou para fazer adubação em plantas que gostam de solos mais ácidos como por exemplo, hortênsias, rosas, magnólias e mirtilos. A borra do café é um prato cheio para as minhocas e como você deve saber, minhocas melhoram aaeração e produzem o húmus que é riquíssimo para suas plantas. ( Obs: É necessário secar a borra antes de aplicá-la; Caso queira utilizar a borra na horta, certifique-se de colocar o mais distante que puder das raízes das plantas, o ideal mesmo é colocar em um minhocário e depois aplicar o húmus)

4- Cascas de banana

adubo-organico-bananaImagem via odairferreira

Adiciona fósforo (P)potássio (K) e cálcio (Ca) às suas plantas. Basta enterrar uma casca no solo ao lado da planta e esperar para que ela se decomponha. Você pode congelar as cascas que vão sobrando e utilizá-las quando achar que for necessário. Outra ideia bacana é mergulhar em água por 2-3 dias e depois fazer uma adubação foliar com o auxílio de um pulverizador.

3- Cascas de ovos

adubo-organico-ovosImagem via ajdourado

São capazes de suprir toda a necessidade de cálcio (Ca) para o desenvolvimento celular das plantas. Se você já observou podridão em seus tomateiros, possivelmente seu solo está deficiente em cálcio. Lave, deixe secar e depois bata as cascas de ovos em um liquidificador até que fiquem com aspecto de farinha, isso ajuda a evitar moscas e diminui o tempo de assimilação do nutriente. As cascas de ovos também são capazes de regular o PH do solo, tornando-os mais alcalinos e evitando a proliferação de lesmas e lagartas. Para uma assimilação de nutriente mais rápida, você pode pulverizar sobre as plantas ou usar diretamente no solo seguindo a receita:

  • 20 casas de ovos
  • 4 litros de água

* Ferva as cascas de ovos por alguns minutos, deixe repousar durante uma noite e em seguida pulverize diretamente na folha das plantas ou regue o solo próximo das raízes.

2- Chá com aparas de grama

adubo-organico-gramaImagem via gramasantarosa

Esta é uma ótima maneira de se obter um fertilizante nitrogenado (N) e dar um destino para as aparas de grama que sobraram depois da poda. Veja a receita:

  • 1 Balde de cinco litros com aparas de grama recém cortadas.

Cubra com água e deixe descansar por 3-5 dias. Depois misture 01 copo do chá em 10 copos de água pura e regue diretamente no solo. Você vai ver as suas explodirem de alegria.

1- Cinzas de madeira

adubo-organico-cinzasImagem via wikipedia

São uma ótima fonte de potássio (K) e ainda possuem a maioria dos nutrientes essenciais que as plantas precisam para o desenvolvimento. As cinzas de madeira tornam o solo mais alcalino e mais arejado, então evite usá-las em plantas que prefiram solos mais ácidos e argilosos. Você pode obter cinzas em lareiras e fogueiras, basta verificar se outros materiais não foram queimados junto com a madeira.

Bônus – Sal de Epsom

adubo-organico-sal-de-epsomImagem via amantesdavida

O sal de Epsom pode ser encontrado facilmente em farmácias e além de incorporar importantes nutrientes como magnésio (Mg) e enxofre (S) ao solo, é conhecido por dar às plantas uma cor verde profunda. Este é especialmente bom para tomateiros e roseiras, mas também pode ser utilizado em forma de chá para pequenas mudas que precisam ser transplantadas. Veja a receita:

  • 1 colher de sopa de sal de Epsom
  • 4 litros de água

Misture e regue suas plantas.

Fonte – Somos Verdes

Sistema agroalimentar remove o sentido original da agricultura

CIO – OrganicsNet

As irregularidades do setor alimentício de carnes, apresentadas recentemente pela Operação Carne Fraca, demonstram um “processo” de “violações de direitos”, que “engloba um ciclo que vai da produção ao aproveitamento do alimento por quem o consome”, e a “imposição” de um “modelo neoliberal e de um sistema agroalimentar corporativo que lhe é funcional”, diz Valéria Burity à IHU On-Line.

Segundo ela, situações como essas ocorrem “porque existe uma opção política em apoiar o agronegócio e isso se dá porque a lógica das normas e das leis ainda favorece grandes empresários, em detrimento de agricultores familiares”. E assevera: “A causa de tudo isso é que o agronegócio tem influência sobre os poderes públicos, e um grande exemplo disso é a Bancada Ruralista do Congresso”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Valéria Burity defende a elaboração de políticas públicas que incentivem a agricultura familiar e medidas regulatórias mais rígidas para o agronegócio e para as transnacionais. “Um Estado efetivamente comprometido com o direito humano à alimentação e à nutrição adequadas promoveria ações regulatórias sobre a ação das transnacionais e das grandes empresas, sobre a liberação de transgênicos e o uso de agrotóxicos”, pontua.

Valéria Burity é advogada e mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é secretária geral da Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar – Fian Brasil.

IHU On-Line – Quais são as principais violações cometidas por empresas do ramo alimentício no processo alimentar?

Valéria Burity – O processo alimentar, no conceito usado pela Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar – Fian Brasil, engloba um ciclo que vai da produção ao aproveitamento do alimento por quem o consome, e envolve outros elementos, como a possibilidade de exigir direitos. Nesse processo existem grandes violações de direitos. Só para citar algumas, destaco a concentração/grilagem e estrangeirização de terras; a persistência de relações trabalhistas que vulnerabilizam os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais; o uso excessivo de agrotóxicos; a produção de transgênicos sem respeito ao princípio da precaução; a destruição da economia familiar campesina a favor do monocultivo ou de megaprojetos que afetam o campo e as florestas, atingindo, principalmente, povos indígenas e outros povos e comunidades tradicionais e ainda a imposição de um modo agroindustrial baseado na produção de alimentos altamente processados que respondem a necessidades alimentares criadas por outras culturas e interesses.

IHU On-Line – Em artigo recente, ao comentar a Operação Carne Fraca, você mencionou “a pequena capacidade do Estado em fazer frente de maneira efetiva a todas as irregularidades” do setor alimentício. A que atribui essa ineficiência?

Valéria Burity – São as mesmas razões que impedem a superação de violações de direitos humanos no Brasil, como essas que citei antes. Todos esses problemas, com evidentes raízes estruturais, se somam, em décadas recentes, às imposições do modelo neoliberal e de um sistema agroalimentar corporativo que lhe é funcional. Ou seja, um modelo onde os interesses das corporações transnacionais configuram as decisões políticas sobre o setor rural, concentram e verticalizam os recursos e a produção, removem o sentido original da agricultura para o agronegócio ou para a lógica de megaprojetos e depreda tanto o ser humano quanto os bens naturais. Nesse sentido, os fatores estruturais se agudizam ou se readaptam aos interesses desse modo e sistema de produção e consumo. O Estado brasileiro deve fortalecer seu papel regulador em relação à produção, ao abastecimento, à distribuição, à comercialização e ao consumo de alimentos. Um estado efetivamente comprometido com o direito humano à alimentação e à nutrição adequadas, promoveria ações regulatórias sobre a ação das transnacionais e das grandes empresas, sobre a liberação de transgênicos e o uso de agrotóxicos, sobre a publicidade de alimentos, só para citar alguns exemplos.

IHU On-Line – Neste mesmo artigo, você aponta que atualmente no Brasil ocorrem dois fenômenos em relação à comercialização de alimentos: de um lado, a liberalização das regras para o agronegócio e, de outro, a imposição de exigências de produção e comercialização para a agricultura familiar. Pode nos dar exemplos de como esses dois fenômenos ocorrem hoje? Por que essas diferenças ocorrem?

“Sempre existiu um apoio maior ao agronegócio em detrimento da agricultura familiar”

Valéria Burity – Antes de responder, é importante falar sobre agricultura familiar no Brasil. Sempre existiu um apoio maior ao agronegócio em detrimento da agricultura familiar. É verdade que houve um apoio maior à agricultura familiar a partir de 2003, mas sempre houve mais apoio ao agronegócio. Ainda em 2009, quando o ex-relator da ONU para o direito à alimentação, Olivier Dschutter, fez uma missão no Brasil, ele destacou que a agricultura familiar produzia 750 reais/hectare/ano, contra 358 reais/hectare/ano nas plantações de grande escala, e que os grandes proprietários de terra que representavam apenas 1% dos estabelecimentos rurais, captavam mais de 43% de todo o crédito agrícola, enquanto fazendeiros com menos de 100 ha, 88% do total de estabelecimentos, captavam apenas 30%. Porém o último censo agrícola, realizado em 2006, deixou claro que quem alimenta a população brasileira é a agricultura familiar e camponesa. Por essa razão os movimentos que lutam por soberania e segurança alimentar e nutricional no Brasil defendem a aproximação entre quem produz alimento de verdade, a agricultura familiar, e quem consome o alimento.

Só que existe muita dificuldade, por exemplo, na regularização para a comercialização de alimentos tradicionais, artesanais e de base familiar. A legislação sanitária é um dos grandes entraves, pois as normas da legislação são elaboradas tendo como referência a produção agroindustrial de larga escala, e acabam promovendo a concentração de todo processo alimentar, reforçando uma lógica excludente e concentradora da produção, do processamento e da distribuição. O padrão de fiscalização que temos hoje tende a criminalizar alimentos artesanais e tradicionais e dificulta o acesso aos mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – Pnae.

Um exemplo desta criminalização à agricultura familiar foi a Operação Agro-Fantasma, desencadeada pela Polícia FederalPF, em setembro de 2013, que culminou em vários processos judiciais que foram julgados pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba/PR. Diversos agricultores foram presos e, junto a esses, muitos outros de diversas regiões do Paraná foram indiciados pelos crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica, estelionato e associação criminosa. Funcionários da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab também foram indiciados por peculato e prevaricação. As acusações diziam respeito, basicamente, a supostos desvios de recursos públicos por parte das associações e cooperativas de agricultores familiares. Segundo a PF e o Ministério Público FederalMPF, isso estaria ocorrendo no momento da entrega dos alimentos às entidades conveniadas (escolas, hospitais, equipamentos públicos da assistência social, entre outros). Segundo as normativas de operação do PAA, toda associação ou cooperativa de agricultores que almejasse entrar no programa para venda de seus produtos alimentares, deveria elaborar um plano no qual estariam discriminadas de forma detalhada as entidades que receberiam os alimentos, bem como os tipos de alimentos e as respectivas quantidades a serem entregues pelos agricultores.

Dessa maneira, no decorrer das investigações da PF, foram apontadas inconsistências nas entregas realizadas pelos/as agricultores/as, com quantidades e tipos de produtos muitas vezes diferentes daqueles indicados meses antes nos planos de entrega originais. Contudo, em análise mais apurada, percebe-se que a inconsistência na entrega dos produtos se deu em razão de questões ligadas à safra, mudanças climáticas e/ou baseadas em outros imprevistos inerentes à vida no campo — motivos esses explicitados, em muitos casos, pelos próprios agricultores no verso das notas fiscais. Passados mais de três anos desde a deflagração da Operação Agro-Fantasma, a maioria das pessoas acusadas foi absolvida devido a pedidos posteriores do próprio Ministério Público Federal. Por outro lado, volumosos exemplos podem ser citados no que se refere à liberalização das regras para o agronegócio.

Segundo relatório recente da Oxfam, existiam no Brasil em 2015 mais de 4 mil pessoas físicas e jurídicas detentoras de terra, as quais possuíam, cada uma, dívidas de ao menos 50 milhões de reais — totalizando quase 1 trilhão de reais. Ao mesmo tempo em que tal dívida existe, o governo Temer editou a Medida Provisória nº 733/2017 (posteriormente convertida na Lei nº 13.340/2016), a qual permite o abatimento de dívidas do agronegócio em porcentagens que variam de 35 a 95% a depender das especificidades da dívida. Outro caso notável é a chamada Lei Kandir (Lei Complementar nº 87/2016), a qual isenta de ICMS produtos primários e secundários destinados à exportação. O mesmo relatório da Oxfam estima em 22 bilhões de reais por ano o prejuízo dos estados com tal lei. Estes são somente dois exemplos, dentre vários, que indicam a dimensão de impactos negativos causados pelo agronegócio — nestes casos, impostos devidos — à sociedade.

Essas diferenças ocorrem porque existe uma opção política em apoiar o Agronegócio e isso se dá porque a lógica das normas e das leis ainda favorece grandes empresários, em detrimento de agricultores e agricultoras familiares. A causa de tudo isso é que o agronegócio tem influência sobre os poderes públicos, e um grande exemplo disso é a Bancada Ruralista do Congresso. E agora tudo caminha para invisibilizar a agricultura familiar e tratar tudo como agronegócio. É isso que se pode concluir quando se extingue o Ministério do Desenvolvimento Agrário, quando se suprime a agricultura familiar do próximo Censo Agropecuário e quando o Programa de Apoio à Agricultura familiar passa a ser chamado de “Agroamigo”.

“É cada vez mais crescente o número de pesquisas que nos mostram que a agroecologia é a alternativa mais viável, sustentável, saudável e, portanto, necessária para garantir o direito à alimentação em todo mundo”

IHU On-Line – Atualmente são feitas muitas críticas ao incentivo econômico dado pelo Estado ao setor do agronegócio. O que seria uma alternativa a esse modelo?

Valéria Burity – É cada vez mais crescente o número de pesquisas que nos mostram que a agroecologia é a alternativa mais viável, sustentável, saudável e, portanto, necessária para garantir o direito à alimentação em todo mundo. Essa, a propósito, foi a conclusão do ex-relator da ONU para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, quando escreveu o informe que encerrou o seu mandato. No mesmo entendimento pode chegar quem observar, por exemplo, as colheitas recentes de arroz agroecológico produzido pelo Movimento dos Sem Terra – MST no Rio Grande do Sul, com números chegando a 400 mil sacas anuais.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Valéria Burity – É importante destacar que no dia 16 de março um conjunto de organizações e movimentos sociais que integram a plataforma Chega de Agrotóxicos lançou uma petição on-line com o objetivo de mobilizar a sociedade para a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos – PNaRA. Além de apoiar a aprovação da PNaRA, a plataforma #ChegaDeAgrotóxicos também tem como meta barrar o Projeto de Lei – PL 6.299/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”. O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo e a petição é uma estratégia de mobilização da sociedade na luta contra os retrocessos que podem colocar ainda mais venenos nas mesas das famílias brasileiras.

Para assinar, acesse aqui.

Fonte – Patricia Fachin, IHU de 06 de abril de 2017

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiro

Estudo mostra que agricultura orgânica pode alimentar o mundo inteiroPara os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. | Foto: iStock by Getty Images

A produção orgânica pode ser rentável, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores

Um estudo feito pela Universidade Estadual de Washington, EUA, mostrou que a agricultura orgânica pode ser usada para alimentar de maneira eficiente toda a população mundial. O relatório mostra que com este tipo de produção é possível ter rendimentos suficientes aos produtores, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais e dos trabalhadores rurais.

Liderado pelo professor de Ciência do Solo e Agroecologia, John Regalnold, juntamente com o doutorando Jonathan Wather, o relatório “Agricultura Orgânica para o Século 21” contou com análises detalhadas de outras centenas de estudos acadêmicos sobre o tema. A proposta era examinar a eficiência da agricultura ecológica baseada nos pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.

Para os especialistas a solução para a agricultura seria mesclar métodos orgânicos com tecnologias modernas usadas nos plantios tradicionais. Alguns dos pontos enfatizados são: rotação de culturas, gestão natural de pragas, diversificação agrícola e pecuária, melhoras na condição do solo a partir de uso de compostagem, adubação verde e animais.

Os autores garantem que a agricultura orgânica é capaz de satisfazes todas as necessidades alimentares do mundo, independente das mudanças climáticas. Eles ainda justificam esta afirmação: “fazendas orgânicas têm o potencial para produzir altos rendimentos em consequência da capacidade mais elevada de retenção de água nos solos cultivados sem agrotóxicos”.

Em termos econômicos, no entanto, o estudo deixa claro que, apesar de ser rentável, o cultivo orgânico proporciona lucros menores do que os tradicionais. A explicação para isso é óbvia, já que os pesticidas acabam barateando parte da produção. Em compensação o ganho ambiental, social e na própria saúde da população é enorme. As evidências apontam para o fato de que os sistemas agrícolas orgânicos garantem maior benefício social, o que resulta em um planeta mais saudável.

Fonte – CicloVivo de 01 de janeiro de 2017

Agricultura orgânica em pequena escala é única forma de combater fome no mundo

Agricultura orgânica em pequena escala é única forma de combater fome no mundo, afirma ONUA ideia de que os pesticidas são essenciais para alimentar a população mundial em rápido crescimento é um mito, segundo a ONU. | Foto: iStock by Getty Images

A retomada de sistemas de alimentação onde se valoriza os pequenos agricultores locais seria o segredo

Como acabar com a fome no mundo? Essa é uma pergunta ainda sem resposta que move diversas ideias e projetos. Para a ONU, entretanto, apesar de não ser simples de ser colocada em prática, a solução já é conhecida: o único caminho possível é investir na agricultura orgânica em pequena escala. Ao contrário do que se tem apostado nas últimas décadas para combater este mal.

Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) foram criados com a promessa de ampliar o acesso aos alimentos a toda a população. Além de não ter alcançado esse feito, há muitos questionamentos sobre as consequências de tais organismos na saúde humana.

Mais de 60 especialistas compõem o relatório da ONU, que aponta para a retomada de sistemas de alimentação onde se valoriza os pequenos agricultores locais e pela redução do uso de fertilizantes. O documento ainda faz duras críticas aos pactos comerciais globais que apenas fortalecem as multinacionais incapazes de repensar suas formas de produção.

Intitulado “Acordar antes que seja tarde”, a publicação detalha os motivos pelo qual este tema é tão urgente em suas mais de 300 páginas. “Ao escolher entre diferentes modelos de desenvolvimento agrícola podemos ter impactos diferentes e beneficiar diferentes grupos”, conclui o relatório. Apesar de ter sido publicado há quatro anos o tema ainda é tão atual e mais urgente do que nunca. Inclusive, mais recentemente a ONU voltou a denunciar o mito de que os pesticidas sejam “um mal necessário”, confira a matéria aqui.

Um estudo feito pela Universidade Estadual de Washington, EUA, mostrou que a agricultura orgânica pode ser usada para alimentar de maneira eficiente toda a população mundial. (saiba mais aqui)

Fonte – CicloVivo de 03 de abril de 2017

Relatório do Parlamento Europeu mostra benefícios dos orgânicos

Documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos na saúde, entre outros

Em dezembro de 2016, o Parlamento Europeu, através do Painel de Avaliação de Opções em Ciência e Tecnologia, divulgou um relatório sobre os impactos para a saúde pública do consumo de alimentos orgânicos e também da agricultura orgânica. O relatório chama-se “Human health implications of organic food and organic agriculture” e pode ser acessado aqui.

O documento analisa 381 referências sobre temas que envolvem alimentação, produção de plantas e de animais, impactos dos agrotóxicos na saúde e meio ambiente, resistência a antibióticos, padrões de alimentação, além de apontar caminhos e políticas públicas e suas possíveis consequências na Europa.

De acordo com o relatório, o consumo de alimentos orgânicos reduz a exposição a agrotóxicos, e portanto, os riscos de intoxicações agudas e crônicas. O relatório enfatiza que, apesar das análises de risco que são feitas antes da aprovação de agrotóxicos, existem grandes lacunas nos estudos. Gera grande preocupação, por exemplo, que sejam desconsiderados estudos epidemiológicos que mostram os efeitos negativos da exposição a baixas doses de agrotóxicos no desenvolvimento cognitivo de crianças.

Em relação aos fertilizantes, os estudos mostraram as consequências negativas do uso massivo e prolongado do mineral fósforo na agricultura convencional. O principal efeito é a elevação da concentração de cádmio no solo, e portanto nos alimentos produzidos neste local. A alimentação, inclusive, é uma das principais vias de exposição ao cádmio, que provoca câncer e diversas outras doenças.

Sobre a criação de animais, foi detectada uma maior concentração de ácidos graxos ômega 3 no leite, ovos e carne de animais criados no sistema orgânico. Isso decorre da alimentação à base de forragem, e não de rações concentradas. O capim possui alto índice de ômega 3 e, no caso do leite orgânico, foi detectada a presença 50% maior deste ácido graxo.

Outro ponto analisado foi a resistência a antibióticos. De acordo com o Organização Mundial de Saúde (OMS), a utilização excessiva deste medicamento na criação animal é um dos fatores que influenciam na existência de superbactérias resistentes a antibióticos. Na criação orgânica, o uso de antibióticos é reduzido, pois há menos doenças em sistemas não-confinados, e há grande restrição ao uso preventivo, comum na criação de animais convencional.

Ao final do relatório são apresentadas 5 opções de políticas públicas a serem consideradas daqui em diante. A primeira delas seria não tomar nenhuma atitude, e assim perder a oportunidade de obter ganhos para a saúde da população.

A segunda opção está relacionada às políticas de segurança alimentar, como por exemplo o controle da concentração de cádmio nas sementes. Além disso, na Europa está em vigor desde 2009 uma política de “uso sustentável” de agrotóxicos, que inclusive proíbe a pulverização aérea no continente. Finalmente, a União Europeia já se colocou favorável ao banimento do uso profilático de antibióticos na criação animal.

A terceira opção se refere a aumentar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas para agricultura orgânica. Este caminho poderia aprimorar os sistemas de cultivo, aumentando a produtividade e gerando mais comida de boa qualidade com práticas agrícolas sustentáveis.

A quarta opção aponta para a melhora do ambiente de negócios da agricultura orgânica através de incentivos fiscais. Considerando que as doenças causadas pela agricultura convencional representam uma carga para os sistemas de saúde, e que este custo não está incluído no preço dos fertilizantes e agrotóxicos, seria justo uma taxação maior para estes produtos. Estas taxas poderiam ser utilizadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica.

A quinta e última opção se refere ao incentivo de práticas de consumo sustentáveis. Atualmente, o consumo de carne na Europa é elevado, enquanto cereais integrais, frutas e legumes ficam abaixo dos índices recomendados. O relatório afirma que o padrão de consumo de quem se alimenta de orgânicos é mais saudável em comparação com a média da sociedade. Assim, regras licitatórias que favoreçam a compra de orgânicos em escolas, hospitais e restaurantes públicos podem melhorar o padrão alimentar da população.

Importância do Documento

Mesmo que o relatório não traga grandes novidades, o reconhecimento do parlamento Europeu de que a agropecuária convencional representa um problema de saúde pública, e que além disso, a agricultura orgânica é uma solução para este problema, já é um fato a ser comemorado.

Ainda que por certa herança colonial, decisões políticas tomadas na Europa e nos EUA têm grande apelo no Brasil. O banimento da pulverização aérea na Europa, o fato de que 22 do 50 agrotóxicos mais consumidos aqui são proibidos lá, e agora este relatório, são argumentos de peso em nossa luta contra os agrotóxicos e as consequências nefastas do agronegócio.

Orgânicos na Europa

Obviamente, o contexto Europeu em relação aos orgânicos – chamados lá de biológicos ou somente bio – é completamente diferente do nosso. O movimento da agricultura biodinâmica (Demeter) já existe desde os anos 1920 na Alemanha. Hoje, encontra-se uma grande oferta de orgânicos em qualquer supermercado (mesmo os mais baratos), e há mesmo redes de supermercados que só vendem orgânicos.

Além das frutas, legumes e verduras, são oferecidas carnes, lácteos, salsichas, cosméticos e até roupas orgânicas. É possível encontrar máquinas agrícolas adaptadas e outros tipos de facilidades para aumento de produtividade com mão de obra escassa. Há críticas de que a agricultura orgânica na Europa já foi completamente dominada pelas grandes cadeias de alimentos, e concentra renda da mesma forma que o cultivo convencional.

Nos países mais ricos da Europa (EU-28), 5,7% das terras é cultivada de forma orgânica, num mercado que rende 24 bilhões de Euros (quase R$100 bilhões).

O panorama é bem diferente daqui. A estimativa de ocupação das terras orgânicas certificadas é de menos de 1%, e a movimentação financeira estimada é de R$2,5 bilhões. Além disso, por aqui colocamos como fundamental o projeto da Agroecologia, que inclui outras dimensões além do cultivo sem agrotóxicos, fertilizantes e transgênicos (aliás, na Europa o uso de transgênicos é restrito a poucos países).

Por aqui, não há possibilidade de discutir a agricultura orgânica sem tocar na questão agrária, que é a raiz de diversos outros problemas como a pobreza e a insegurança alimentar no campo, além do próprio êxodo rural e inchaço das cidades. Por isso, lutar pela agroecologia significa lutar pelas condições subjetivas e objetivas para se produzir sem veneno: equidade de gênero, educação e saúde do campo, pesquisa, crédito, logística, agroindústria sob controle camponês e tudo mais que for preciso para se viver e produzir de forma saudável no campo.

O relatório do Parlamento Europeu deve ser lido e estudado, e ser utilizado como mais uma ferramenta de luta nas diversas batalhas que nos esperam em 2017, a começar pela derrubada do PL do Veneno, e pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.

Fonte – Alan Tygel, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de 29 de janeiro de 2017