7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbana

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbanaDá trabalho manter um gramado sempre verde e bonito. | Foto: iStock by Getty Images

Ter alimentos frescos ao alcance do seu quintal pode gerar benefícios que vão muito além da praticidade

Se você ainda está em dúvida sobre transformar espaços ociosos no quintal ou no jardim em área produtiva, essa lista pode ajudar a resolver o seu problema. Veja sete razões para se tornar um agricultor urbano ou, simplesmente, um hortelão.

  1. Gramados e quintais consomem muita água

Manter o gramado sempre verde ou o quintal bem limpinho é o tipo de manutenção que exige grande quantidade de água limpa e que acaba sendo gasta sem muita utilidade, considerando a baixa utilidade de ambas as situações. Em tempos de crise hídrica, o desperdício deve sempre ser evitado. Assim, usar água para regar um plantio é algo muito mais importante do que usá-la para manter o quintal ou a calçada limpos.

  1. Melhorar a saúde

Quando a pessoa planta o seu próprio alimento, a sua relação com a comida passa a ser totalmente diferente. O hábito de poder plantar e colher incentiva as pessoas a se alimentarem de forma mais saudável, valorizando as opções naturais, que são altamente nutritivas. Além disso, é possível manter um cultivo orgânico e ter a certeza de que a colheita é totalmente livre de agrotóxicos.

  1. Economia

Um pacote de sementes é muito barato e pode germinar centenas de plantas. Plantar em casa é uma boa opção para economizar na hora de se alimentar, afinal, ser autossustentável em termos alimentares significa não ter que se preocupar com o preço de boa parte da comida nas gôndolas dos supermercados.

horta_no_quintal_2Foto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Poupar recursos

Água não é o único recurso usado na manutenção de um gramado. Para mantê-los sempre verdes e bonitos é necessário gastar energia, fertilizantes, combustível usado nas máquinas de cortas grama e, principalmente, tempo.

  1. Desenvolver a comunidade local

Com um bairro cheio de pessoas plantando, é possível trocar, comprar e vender alimentos. Essa prática acaba incentivando o desenvolvimento da economia e de novos negócios locais. Poder comprar comida fresca perto de casa ainda é uma opção muito mais prática do que ter que se deslocar até um mercado, o que economiza tempo, dinheiro e energia, ao mesmo tempo em que resgata o senso de comunidade e ajuda mútua entre os vizinhos.

horta_no_quintalFoto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Melhora a eficiência da produção de alimentos e o uso do solo

A agricultura em larga escala tem muitos fatores negativos. A perda da produtividade do solo em casos de monocultura é uma delas. Assim, produzir no quintal permite a descentralização da produção, ajuda a preservar o solo, reduz o caminho percorrido pelo alimento entre o produtor e o consumidor final, incentiva a criação de lojas e produtores independentes, diminui a quantidade de embalagens descartadas e muito mais.

  1. Saber de onde vem o seu alimento

Produzir em casa é um dos poucos jeitos de ter certeza sobre a procedência e os cuidados aplicados em cada etapa, desde o plantio até o consumo do alimento.

Se depois de todas essas razões, você está motivado a cultivar o seu próprio alimento, mas não sabe por onde começar, um bom exemplo é o do australiano Angelo Eliade, que transformou uma área de 60 m2 em uma verdadeira fazenda. Outra história inspiradora é da família McLung, que usa a área de uma piscina desativada para produzir tudo o que consomem.

Fonte – CicloVivo de 07 de março de 2017

Moradores transformam bairro australiano em uma horta orgânica gigante

Moradores transformam bairro australiano em uma horta orgânica giganteQuase todas as tardes esta rua se enche de crianças do bairro. | Foto: Reprodução

O bairro todo está cheio de árvores frutíferas, temperos e legumes diversos totalmente orgânicos e grátis.

Buderim é um bairro australiano que tem experimentado na mesa o que o poder do envolvimento comunitário pode fazer. Após um casal ficar incomodado com os altos preços do limão na cidade de Queensland, eles resolveram plantar um limoeiro. Sete anos depois, o bairro todo está cheio de árvores frutíferas, temperos e legumes diversos totalmente orgânicos e disponíveis para quem quiser consumir.

O projeto foi apelidado de Urban Food Street e o movimento que começou com um simples limão hoje já atinge 200 famílias, espalhadas em 11 ruas. Apenas em 2015, a iniciativa produziu 900 kg de bananas e 300 pés de couve. A receita para o sucesso é o envolvimento da comunidade.

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O bairro de Buderim se tornou uma verdadeira horta comunitária gigante. No lugar que antes existiam gramados com pouca utilidade, agora estão espalhados canteiros, crianças, adultos e aves atraídas pelos frutos. Em entrevista à ABC Austrália, Caroline Kemp, uma das criadoras do projeto, explicou que o Urban Food Street modificou a cultura local.

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“Um dos problemas com a culinária é que você nunca tem as ervas que precisa às oito horas da noite, mas agora temos o bairro e você pode, simplesmente, descer e pegar o que precisa para a sua refeição”, comentou o co-fundador da iniciativa Duncan McNaught.

Foto: Reprodução

Além da praticidade em ter alimentos sempre às mãos, McNaught também citou o impacto ambiental e individual que a agricultura urbana proporciona. “Isso mantém um carro fora das estradas, torna mais fácil a refeição e também mais saudável, porque você ainda está caminhando. Esta é a essência do bairro: andar e se envolver.”

Qualquer pessoa do bairro pode se beneficiar do que é produzido, sem restrição alguma. Caroline explica que até mesmo os moradores que não têm plantio em suas propriedades são livres para usufruírem dos alimentos, já que eles podem colaborar com outros serviços, seja cuidando dos plantios ou até fornecendo água para as regas.

Foto: Reprodução

Desde o início do projeto de agricultura urbana o bairro se modificou esteticamente, mas principalmente no estilo de vida dos moradores. “Quase todas as tardes esta rua se enche de crianças do bairro. Eles andam de bicicleta, jogam bola. Os adultos descansam nos gramados”, comenta Caroline, enquanto McNaught acrescenta que “as pessoas agora param e conversam ou acenam quando passam – as pessoas realmente se conhecem”.

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A dupla ainda lembra que a comunidade nem cobra a criação de um parque local, já que o próprio bairro é um verdadeiro parque.

O Urban Food Street tem um site em que é possível conhecer todos os detalhes do projeto e ainda ter dicas de como replicá-lo em outros locais.

Fonte – CicloVivo de 15 de fevereiro de 2017

Na nova onda tecnológica, produção de alimentos migra do campo para armazéns automatizados

Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. PHOTO: PLENTY

Em um armazém reformado na Baía de San Francisco, torres de plástico com 20 metros de altura produzem cabeças de alface, rúcula e ervas, iluminadas por luzes LED multicoloridas que dão ao barracão uma sensação futurista.

Um grupo de empresários e investidores da tecnologia, entre eles os bilionários Jeff Bezos e Eric Schmidt, estão apostando que esse tipo de estrutura pode redefinir como legumes, hortaliças e frutas são cultivados para consumo local.

Se tudo correr como planejado, o armazém de quase cinco mil metros quadrados administrado pela Plenty United Inc. produzirá até 1.400 toneladas de vegetais por ano. Nos próximos meses, a empresa planeja começar a comercializar localmente os produtos frescos cultivados e não enviá-los para outros locais.

“Estamos cultivando para as pessoas, não para os caminhões”, diz Matt Barnard, 44 anos, um dos fundadores e diretor-presidente da empresa, que antes trabalhava com investimento em tecnologia e cujo pai produz cerejas e maçãs em Wisconsin.

A Plenty faz parte de uma onda de “startups” que busca transformar parte do varejo de hortifrútis dos Estados Unidos, um mercado que movimenta US$ 49 bilhões ao ano, migrando as lavouras produzidas a céu aberto para armazéns gigantes, fábricas abandonadas e contêineres de transporte reaproveitados. Essas instalações fechadas são equipadas com sensores que medem a temperatura e a umidade, sistemas automatizados que bombeiam água e nutrientes e faixas de luzes LED que fornecem energia — sem a necessidade de luz solar ou de solo.

Empresas como a Plenty, AeroFarms LLC e Freight Farms Inc. já captaram dezenas de milhões de dólares, impulsionadas pela queda nos custos da iluminação LED e nos sistemas de aquecimento e resfriamento. As startups têm a meta de produzir para restaurantes e supermercados das redondezas durante o ano todo, eliminando as dificuldades provocadas pelas estações e mudanças climáticas que regem a produção das lavouras tradicionais.

Levar séculos de engenharia agrícola para dentro de recintos fechados não é uma tarefa fácil. Os custos de equipar armazéns com alta tecnologia, além dos altos preços de imóveis urbanos, dificultam uma equiparação com os custos de alimentos cultivados no campo.

A produção agrícola em recintos fechados pode ter menos impacto ambiental que a agricultura convencional, dizem seus defensores, embora seja difícil avaliar a diferença com precisão. Os sistemas da Plenty reutilizam a água, evitam em grande parte os pesticidas e podem reduzir o uso de combustível em tratores e no transporte para entregar os produtos; mas os sistemas de controle climático e luzes LED adicionam custos no consumo de energia.

A empresa não divulga seus custos nem permitiu que seus sistemas fossem fotografados.

Algumas startups agrícolas estão repensando suas estratégias. A BrightFarms Inc., que tem sede em Nova York, cancelou planos para uma grande estufa em Washington, D. C. e uma outra fazenda no alto de um edifício em Nova York, devido aos custos e ao tempo necessário para obter alvarás e licenças. A FarmedHere LLC, com sede em uma antiga fábrica no subúrbio de Chicago, fechou as portas por seis meses para revisar seu modelo.

Até mesmo a gigante tecnológica Alphabet Inc., controladora do Google, tentou produzir alimentos em ambientes fechados, mas abandonou o projeto em 2015, depois de não conseguir a eficiência necessária no consumo de energia.

A Plenty acredita que pode reduzir os custos ao produzir em grandes armazéns instalados em regiões de propriedades baratas fora dos grandes centros urbanos e melhorar a eficiência através da utilização de uma técnica chamada aprendizagem de máquina, pela qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para tomar decisões.

Para colocar seu primeiro armazém em operação, a Plenty arrecadou US$ 26 milhões entre investidores de peso, incluindo fundos que investem em nome de Bezos, diretor-presidente da Amazon.com Inc., e Schmidt, presidente do conselho executivo da Alphabet. Firmas de investimento, entre elas a DCM Ventures e a Finistere Ventures LLC, também contribuíram.

A Plenty, fundada em 2014, precisará levantar muito mais capital para cumprir os planos de operar 60 fazendas nas regiões das principais cidades dos EUA e mais de 300 no mundo todo.

Alguns investidores no setor agrícola dizem que grandes fazendas em ambientes fechados vão ter dificuldades para equilibrar operações de capital intensivo com os preços baixos que os consumidores esperam pagar por alface e outros vegetais.

“O conceito de armazém ainda apresenta questões ambientais ligadas ao aquecimento e resfriamento, o que pode ser extremamente caro”, diz Todd Dagres, sócio da empresa de capital de risco Spark Capital. A Spark investiu na Freight Farms, empresa que instala equipamentos de estufa em contêineres de transporte marítimo para produzir hortifrútis em fazendas de menor escala, que são mais eficientes, segundo Dagres.

Barnard disse que a Plenty pode hoje produzir 150 vezes mais alface por metro quadrado por ano que uma lavoura ao ar livre, e usando 1% da água. Ele se recusou a especificar os preços esperados para seus produtos, mas disse que este ano a Plenty deve ser capaz de cultivar e comercializar alface e ervas ao mesmo custo que as versões cultivadas em campo.

Fnte – Jacob Bunge e Eliot Brown, The Wall Street Journal de 15 de fevereiro de 2017

El Pais se contradiz com matéria que aconselha a consumir agrotóxicos

Os perigos dos agrotóxicos

No último dia 19 de Dezembro o jornal El Pais publicou uma matéria com o título:

“Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta. Consumir ‘orgânico’ não faz de você amigo do meio ambiente: é uma ameaça para as florestas tropicais.”

Em 25 de Dezembro de 2015 o mesmo El Pais publicava uma matéria entitulada: Se você compra comida orgânica, isto é o que você precisa saber” onde sentenciava:

É considerado alarmante no Brasil, que ocupa desde 2008 o primeiro lugar global no uso de agrotóxicos e onde cada pessoa consome, por ano, o equivalente a 5 quilos de veneno. E, também, na América Latina, onde as vendas de pesticidas dobraram em 12 anos, segundo levantamento da revista Science. Mudar para o sistema orgânico beneficia a saúde e o meio ambiente.”

Pesticide Planet Infographic

Há apenas poucas décadas, iniciou–se o uso de pesticidas no campo. Ninguém pode precisar a extensão dos malefícios que eles podem causar à nossa saúde. Sabe-se que são perigosos e que há pouquíssima instrução, controle e fiscalização. Uma pesquisa da UFSM, chamada “O impacto ambiental do uso de agrotóxicos no meio ambiente e na saude dos trabalhores rurais”, registrou o seguinte sobre o conhecimento acerca do manejo de agrotóxicos.

“Apenas 23,3% dos trabalhadores rurais costumam ler sempre o receituário agronômico e 30% compreendem todas as informações contidas na bula dos agrotóxicos. Somente 36,7% revelam compreender totalmente as tarjas, e 20% entendem todos os desenhos presentes nos rótulos dos agrotóxicos. Além disso, 83,3% dos agricultores utiliza algum tipo de EPI, no entanto o fazem parcialmente. Em relação ao armazenamento dos agrotóxicos, 60% revelaram não sinalizá-los adequadamente. E mais, 70% não sabem diferenciar um agrotóxico contrabandeado de um agrotóxico legal”

Os agrotóxicos contaminam o solo e a água e podem se espalhar até regiões distantes daquela onde estão. Alguns deles podem permanecer no corpo humano por décadas, causando disfunções hormonais e diversas doenças, incluindo câncer. Esse foi o tema desta matéria do Globo Rural que mostra como isso ocorre e dá exemplos.

Orgânicos são alimentos produzidos de forma natural. O uso do termo para a indústria alimentícia só se popularizou a partir da Segunda Guerra, com a expansão dos agrotóxicos — já que plantas na natureza crescem e formam biomas, como florestas, por exemplo, de forma orgânica. Todo cultivo ao longo de milênios de história da humanidade sempre foi neste sistema. Exatamente por este motivo, é loucura dizer que não devemos comer orgânicos.

Ao aconselhar as pessoas a somente consumir produtos com agrotóxicos, o El Pais além de se contradizer, agride os micro produtores brasileiros e aconselha os consumidores a se prejudicarem,  para defender uma tese completamente absurda. Impossível não se perguntar, que força estaria por trás, dessa repentina mudança de opinião do Jornal em relação a questão.

Plantando as sementes de um mundo melhor

Existe um  ganho ambiental e social na agricultura orgânica, ela pode ser feita por qualquer pessoa, pois não há risco de envenenamento. Cultivar assim, permite o aproveitamento de espaços que antes não poderiam ser usados a agricultura: tetos de prédios, jardins, varandas e outros ambientes ensolarados em locais que permitem hortas verticais.  Um grande exemplo disso são as cidades que tornaram obrigatório o uso de tetos verdes, como Copenhagen. O aproveitamento destes espaços torna os locais que habitamos mais ecológicos e as pessoas mais próximas do alimento que consomem, solucionando um problema que a primeira matéria do El País aponta: “não sabemos o que comemos”.

Graças ao aumento da agricultura orgânica, há um movimento de pessoas que estão passando a produzir seu próprio alimento e outras buscando informações sobre ele, mantendo contato com as instituições que os cultivam e muitas vezes visitando os locais de plantio. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que têm na terra a sua única forma de sustento.

No Instituto Pindorama, o qual esse blog integra, recebemos anualmente pessoas para o curso “Da horta a mesa” que ensina a plantar, colher e criar receitas saudáveis com alimentos direto da horta, “Alimentos vivos”  que ensina a cozinhar pratos deliciosos sem produtos industrializados e Design em permacultura” que engloba produção de alimentos, recursos hídricos, sistemas econômico-sociais, energias renováveis e bioconstrução. Aqueles que querem descobrir mais sobre o que é Permacultura podem acessar nossa aula grátis aqui.

O Brasil é também uma referência em cultivo agroflorestal — um tipo de cultivo que produz alimentos em harmonia com as florestas, com taxas produção excelentes e recuperando para a natureza áreas degradadas. Um dos grandes expoentes desse trabalho é Ernest Grosht.

Você também pode aprender mais sobre como fazer uma agrofloresta usando este ótimo manual criado por Walter Steenbock e Fabiane Machado Vezzani. 

Outra iniciativa que tem ganho adeptos é a de cultivar e catalogar os ‘PANCs’ (Plantas e Alimentos Não Convencionais), geralmente plantas nativas com alto valor nutricional que não usamos em nossa culinária por falta de conhecimento sobre suas propriedades.

Algumas matérias para saber mais sobre os PANCs:

Cartilha sobre PANCs

Pancs, plantas citadas no programa MasterChef que talvez você não conheça

O Globo – PANCs e gastronomia

O caminho para se solucionar o problema da fome passa por aproximar as pessoas dos alimentos que elas consomem, ensiná–las a plantar, valorizar aqueles que plantam e aproveitar alimentos que não estão em sua cultura. Investir em alimentação é uma forma preventiva e eficaz de cuidar de sua saúde. Curar o corpo é o primeiro passo para curar o meio. Por isso, plante, incentive a agricultura local e valorize o alimento que você ingere. Como diz o ditado: “Somos o que comemos”.

Fonte – Marcel Segal Hochman, Blog Viver Fora do Sistema de 29 de dezembro de 2016

Mato no prato

Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastronômico?!Quem diria que ervas daninhas entrariam no requintado universo gastronômico?! (Foto: Tomás Arthuzzi)

Sabe as plantas que estão nos canteiros das ruas, nas praças e até em nosso quintal? Muitas têm enorme potencial nutritivo — e são saborosas

Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade que expõe o trabalhador a substâncias tóxicas) será um pouco melhor. Cada um deles cedeu 1 hectare de terra para cultivar uma trepadeira que parece ter caído do céu: não precisa de pesticidas, cresce em pouco espaço, é gostosa e, para completar, carrega uma bela cota de nutrientes.

Falando assim, dá a impressão de que se trata de uma nova variedade. Que nada! O nome da santa é ora-pro-nóbis. Embora os mineiros já a aproveitem na cozinha, o resto do Brasil só vinha usando a planta como cerca viva.

Definitivamente, trata-se de um baita desperdício. Afinal, 100 gramas de suas folhas ostentam 20% de proteína, fora as caprichadas doses de vitamina C e minerais. “Ela também tem alto teor de mucilagem, fibra que é excelente para o intestino”, destaca a nutricionista Andréa Esquivel, do Centro de Diagnósticos em Gastroenterologia, na capital paulista.

A ora-pro-nóbis é só uma das centenas de plantas alimentícias não convencionais — batizadas pelos pesquisadores de Pancs — que são encontradas em qualquer cantinho de terra. “A gente acha que é mato ou erva-daninha, mas os poucos estudos que existem mostram que elas são até mais ricas do que as verduras comuns”, diz o botânico Valdely Kinupp, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, em Manaus.

“Quanto mais silvestre é a espécie, menos agrotóxicos requer e melhor o aproveitamento de nutrientes do solo”, completa Kinupp, autor do único guia brasileiro sobre o assunto, que elenca mais de 350 plantas nacionais desconhecidas e ainda ensina como reconhecê-las e incluí-las no cardápio.

Algumas variedades até já sentiram o gostinho da fama um dia, caso da bertalha e da araruta. “Elas eram criadas nos quintais, mas foram caindo em desuso”, conta Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O departamento de Madeira estuda 50 hortaliças chamadas de tradicionais, mas que não fazem parte do grupinho que frequenta o circuito popular de saladas — como a dupla alface e tomate. “A mudança do nosso padrão de vida fez com que privilegiássemos o que pode ser comprado sempre, embora não saibamos o real custo disso”, completa o agrônomo, que trabalha no único setor da Embrapa dedicado às Pancs.

E, se você acha que a família das plantas não convencionais é formada só por hortaliças e ervas, fique sabendo que no clã também entram grãos e tubérculos — eles podem virar purês, molhos e recheios. Enquanto os especialistas descrevem as virtudes dessa gama cada vez maior de alimentos, já há uma porção de gente que aposta as fichas neles para promover saúde e sustentabilidade.

Um dos principais argumentos para valorizar o mato (e todo o resto) que brota ao nosso redor é tirar proveito daquilo que a natureza oferta. Segundo a FAO, departamento de agricultura e alimentação da Organização das Nações Unidas, somente 30 espécies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida em um universo de incríveis 30 mil variedades. A monotonia no cardápio tem alto custo para a saúde, já que acabamos ingerindo sempre os mesmos nutrientes.
Para ter ideia, segundo a Embrapa, a monocultura — áreas gigantes dedicadas a um só vegetal — já levou à redução de 10% nos teores de proteína da soja cultivada em certas regiões do país. Sem contar que, para abastecer as prateleiras o ano inteiro com os vegetais campeões de audiência, é preciso fazer uso pesado de fertilizantes e defensivos químicos na lavoura. Entre eles está o glifosato, definido como “provavelmente cancerígeno” pela Organização Mundial da Saúde.

As Pancs surgem, então, como luz no fim da colheita. Além de concentrar micronutrientes, elas tendem a ser livres de agrotóxicos. Diversos estudos comprovam que nessas plantas há alto teor de cálcio, vitamina C, zinco, fósforo e compostos fenólicos, poderosos antioxidantes.

“Se você come de forma mais diversa, consegue suprir a necessidade de vitaminas e minerais”, observa Lúcia Guerra, nutricionista e pesquisadora da Universidade de São Paulo.

Um jardim comestível

Algumas Pancs, como o peixinho-da-horta (a planta leva esse nome por causa do sabor que lembra frutos do mar) e o hibisco, são vendidas como variedades ornamentais em floriculturas. Mas dificilmente um maço de caruru fresco é encontrado no supermercado.

Eis aí um desafio: fazer com que o consumo desses vegetais não convencionais deixe de ser restrito a grupos ligados às causas ecológicas. “É preciso divulgá-los mais”, opina Kinupp. “A produção só aumenta quando há demanda. E isso acontece quando falamos sobre o assunto, experimentamos no dia a dia e encomendamos variedades com pequenos produtores”, defende Madeira.

Planta é o que não falta. Para essa roda girar, os entusiastas dos vegetais não convencionais lutam para apresentá-los ao grande público. O projeto Panc na City, em São Paulo, por exemplo, promove buscas por matos comestíveis pela cidade. Os chefs de cozinha também atuam na difusão do movimento. “Temos como missão a preservação da biodiversidade brasileira, e as Pancs são importantes nesse cenário”, afirma o chef Ivan Ralston, que, no seu restaurante, o Tuju, na capital paulista, não só utiliza várias delas como as cultiva em uma estufa.
Se ainda não dá para comprar as plantinhas diferentosas na feira, uma das saídas é cultivá-las em casa. “Bertalha e vinagreira são espécies muito fáceis de serem mantidas. Assim como a azedinha, que chega a dar 50 folhas por semana”, indica Madeira.

As mudas podem ser obtidas a partir de galhos recolhidos na rua mesmo — mas sempre observe se o solo está próximo de locais poluídos e se certifique de que o exemplar é mesmo seguro para consumo. Informação é o melhor mapa para nos colocar na rota desses tesouros perdidos por aí.

Há matos…e matos

Antes de sair catando folhas pela rua ou pelo jardim de casa, o ideal é se informar bastante sobre elas, uma vez que há risco de confusão com variedades similares e intoxicação. A taioba brava, para citar um caso, parece com a taioba que substitui a couve, mas é tóxica. Fora que muitas delas ainda não têm seus efeitos totalmente elucidados pela ciência. A dica é preferir espécies mais conhecidas, como serralha, caruru e beldroega. Veja outras opções:

Peixinho: as folhas carnudas dessa parente da sálvia ficam uma delícia empanadas e assadas. Mas use uma grelha para não grudarem.

Foto – DaHorta

Feijão-guandu: o grão é originário da Índia, mas cresce há séculos no Brasil. Tem sabor marcante.

Foto – Cozinha de raízes

Capuchinha: as folhas são picantes e vão bem na salada. Também dá para comer as flores.

Foto – Chá Benefícios

O valor de talos, folhas, cascas…

Algumas plantas são convencionais, mas tem partes que descartamos e caberiam no prato, como o coração da bananeira, cheio de proteínas e minerais. Já a casca da batata tem mais compostos benéficos do que a polpa — só que também costuma ir para o lixo. O ideal é tentar aproveitar os alimentos integralmente. Mas vale dar uma pesquisada antes. “Às vezes, folhas e talos carregam substâncias que prejudicam o paladar ou fazem mal”, alerta Andréa Esquivel.

Fonte – Chloé Pinheiro, Revista Saúde de 26 de dezembro de 2016

Quando a cidade vira uma grande horta

Essbare Stadt Andernach

Andernach, no oeste da Alemanha, aproveita canteiros, terrenos baldios e até rotatórias de trânsito para plantar frutas e verduras. Enquanto moradores enchem a sacola, iniciativa reduz vandalismo e atrai turistas.

As abobrinhas acabaram – quase todas colhidas. Só sobraram uma ou outra meio amareladas. Para compensar, a abóbora é gigantesca. “Não colheram ainda”, diz a senhora Pfeiffer, que aproveitou o dia ensolarado para passear com o cão. “Espero que eu possa beliscar umas uvas”, diz, piscando, e sai apoiada no andador. O cachorro cheira algumas plantas, mas, antes de tentar levantar a perna, sua dona dá um puxão na coleira e o faz desistir da ideia.

Ao longo das históricas muralhas da cidade de Andernach, prosperam os pés de ameixas, marmelo e caqui – quase esquecidos perto dos tradicionais morangos e vagens. A alguns metros de distância, entre o repolho e couve-rábano, uma placa avisa que os vegetais ainda não estão prontos para serem colhidos.

“Não temos mais nenhum problema com vandalismo desde que plantamos vegetais comestíveis nos canteiros”, conta Karl Werf, funcionário do Juizado de Menores de Andernach e co-organizador do projeto Cidade Comestível.

Colheita autorizada

Brilhando no sol, as uvas verdes dão água na boca para quem passa por ali, mesmo que só estejam boas para colher dentro de algumas semanas. “Com nossa Cidade Comestível, captamos a tendência do momento”, diz Werf. “As pessoas têm cada vez mais prazer em explorar a cidade e mexer na terra.”

defaultÉ permitido pegar, mas só quando as verduras estiverem prontas para colher

Qualquer um pode plantar hortas em terrenos baldios, rotatórias de trânsito e faixas de grama. Seja acelga ou repolho, os diversos vegetais servem não apenas para embelezar a cidade às margens do Reno, mas também para torná-la mais ecológica. Em pequenas praças e à beira de alguns edifícios, é possível encontrar caixas de madeira com várias espécies de ervas. Os moradores colhem o que a cidade planta.

“Já levei alface e couve-rábano”, conta uma mulher que aproveita a pausa de almoço para tomar um pouco de sol em um banco perto dali. Enquanto isso, uma mãe leva o filho em um carrinho pela trilha de terra. Ela considera incrível a ideia de que cada um pode se servir do que quiser.

Quando passeia, ela conta que sempre presta atenção para ver se acha alguma fruta madura. Questionada se a sujeira dos animais que passam por ali diminui o apetite pelos vegetais e frutas frescas, ela discorda. “Mesmo se isso acontecesse, não. Gatos e doninhas frequentam o meu jardim. Os fazendeiros também usam fertilizantes – qualquer coisa, é só lavar”, afirma.

Mais turistas

O interesse pela “Andernach Comestível” é enorme. Karl Werf acompanha equipes de reportagem e delegações internacionais pelas ruas, para atrair mais atenção às hortas da cidade. Em uma área longe do centro, vegetais e frutas são cultivados comercialmente – sem estufa, em consonância com as estações do ano.

defaultNo chão, agora há verduras – no lugar de lixo

Trata-se de um jardim utilizado para ensino, um modelo para a chamada permacultura. Espécies raras e ameaçadas de porcos, galinhas, vacas e ovelhas também são criadas ali. E esses produtos regionais e sasonais ainda rendem dinheiro.

Além disso, o conceito atrai turistas. “Viemos a Andernach especialmente para conhecer a Cidade Comestível”, diz um casal da região da Renânia-Palatinado. “A gente se interessa muito por arbustos. Nosso jardim é cheio deles. Não temos rosas, só cardos e repolho”, explicam.

Vestindo chapéus e levando mochilas, eles caminham pelo portão da cidade e seguem a rota sinalizada. Os canteiros urbanos precisam de muitos cuidados, porém, economiza-se tempo através do projeto integral, explica o co-organizador Karl Werf. Orgulhoso, ele conta sobre turistas que perguntam pelo nome das plantas floridas nas hortas da cidade – e que, na verdade, são batatas ou ervas aromáticas.

No meio dos canteiros, alguns homens capinam e aram a terra. O projeto também tem um aspecto social: pessoas há muito tempo sem emprego e refugiados preparam-se para uma vida de trabalho – o que é uma abordagem sustentável e holística, explica Karl Werf.

“Gosto de trabalhar aqui porque assim posso ter um dia a dia regrado”, conta um funcionário que prefere se manter anônimo. Mesmo que todo mundo possa vê-lo ajoelhado diariamente por entre flores e verduras, ele não se sente confortável para falar sobre o fato de estar desempregado. Mas com o trabalho, afirma ele, é possível devolver algo à sociedade que o apoia financeiramente nos tempos difíceis.

Fonte – DW

Australiano transforma espaço de 60 m² em fazenda urbana

Australiano transforma espaço de 60 m² em fazenda urbana“As pessoas não têm noção do que é possível fazer em espaços pequenos.” | Foto: Divulgação/Deep Green Permaculture

A plantação no quintal produz anualmente 70 quilos de vegetais e 161 quilos de frutas

A agricultura urbana é uma das soluções para garantir a segurança alimentar no mundo. Este é o pensamento do permacultor australiano Geoff Lawton. Como um dos grandes incentivadores do plantio em pequenos espaços, ele mostra que é possível produzir diversos tipos de alimentos em áreas muito pequenas. Para provar a eficiência deste conceito, o especialista mostrou o exemplo criado por um de seus alunos, que produz centenas de quilos de frutas, legumes e ervas medicinais em sua própria residência.

Angelo Eliade é um farmacêutico que vive na cidade de Melbourne, na Austrália. Estudante de permacultura, ele levou quatro anos para transformar um jardim comum em uma verdadeira fazenda urbana. Externamente a casa é exatamente igual às residências vizinhas, com um pequeno gramado à frente. No entanto, ao abrir o portão, o que se vê é um terreno altamente fértil espalhado por apenas 60 metros quadrados.

“Você pode transformar qualquer propriedade, de qualquer situação para a absoluta abundância”, explica Lawton. A casa em Melbourne comprova isso. No quintal de Eliade são produzidos anualmente 70 quilos de vegetais e 161 quilos de frutas. Entre as opções estão: limões, maçãs, figos, cereja, pêssego, uva, banana, feijão, pepino, batata, alface, cenoura, alho, cana-de-açúcar, entre outras coisas.

O farmacêutico explica que não é necessário ter um conhecimento profundo do assunto ou ser um especialista para começar a plantar. No entanto, é preciso se interessar pelo tema para entender o funcionamento e a relação entre as espécies e o solo.

Uma das principais dicas do australiano consiste em manter sempre a variedade na produção. Mesmo plantando em um espaço pequeno, é possível ter muitas espécies diferentes crescendo juntas. Atentando às características de cada uma delas, é possível planejar onde serão plantadas para que uma ajude a outra a se desenvolver melhor.

Eliade ainda lembra que nada do plantio deve ser descartado. Os resíduos do cultivo são excelentes para serem aproveitados como adubo orgânico, oferecendo mais nutrientes para manter o solo sempre saudável. Segundo ele, a principal diferença entre ter um jardim comum e um sistema deste tipo é que a natureza passa a controlar o ambiente sozinha, o que traz inúmeros benefícios à biodiversidade local. Outra prática do permacultor é utilizar a água da chuva captada em seu telhado para irrigar seu jardim.

O projeto do australiano começou há quatro anos, com a ajuda de Geoff Lawton, desde então, Eliade percebeu algumas mudanças importantes em sua vida, principalmente relacionadas à sua própria saúde. Ele diz que passou a ter hábitos e um estilo de vida muito mais saudáveis, além de saber exatamente o que está comendo e ter a certeza de que os alimentos não estão contaminados com agrotóxicos e pesticidas.

“As pessoas não têm noção do que é possível fazer em espaços pequenos. Isso pode acontecer em qualquer lugar, basta entender o potencial e o funcionamento”, explicou Lawton.

O permacultor disponibiliza gratuitamente em seu site vídeos educativos que ensinam os conceitos de permacultura e direcionam as pessoas interessadas em iniciarem seus próprios plantios.

Clique aqui para acessar a página e ter mais informações.

Fonte – Thaís Teisen, CicloVivo de 23 de novembro de 2016

Projeto incentiva cultivo de alimentos orgânicos na calçada

Projeto incentiva cultivo de alimentos orgânicos na calçadaPlantar na rua une o útil ao agradável. | Foto: Food is Free Project

A experiência fortalece os laços entre os vizinhos.

Uma das desculpas para as pessoas não plantaram nos centros urbanos é a falta de espaço. Mas, se for reparar, há sempre um cantinho na rua com potencial para o plantio. Qualquer mudinha já ajuda. E é com esse olhar atento que o grupo “Food is Free Project” incentiva a produção de pequenas hortas urbanas pelas cidades.

A ideia é que as pessoas tornem-se menos dependentes do atual sistema agrícola. | Foto: Food is Free ProjectA ideia é que as pessoas tornem-se menos dependentes do atual sistema agrícola. | Foto: Food is Free Project

A ideia é que as pessoas tornem-se menos dependentes do atual sistema agrícola: plantem alimentos em frente de suas residências, ofereça gratuitamente e convide os vizinhos a fazerem o mesmo – fortalecendo os laços na comunidade. O projeto nasceu em Austin, Texas, mas já está se espalhando em outras regiões dos EUA.

“Menos de 3 meses depois, a maioria dos vizinhos começaram a cultivar hortas comunitárias também. Estamos documentando o processo à medida que continuamos a expandi-lo. Também vamos compartilhando nossos erros e acertos”, afirmam os idealizadores.

Para quem quer começar e não sabe como, veja o pdf (em inglês) que o grupo disponibiliza: Food is Free Project.

O projeto nasceu está se espalhando para várias regiões dos EUA.O projeto está se espalhando para várias regiões dos EUA. | Foto: Food is Free Project

A ideia é compartilhar os alimentos com os vizinhos. | Foto: Food is Free ProjectA ideia é compartilhar os alimentos com os vizinhos. | Foto: Food is Free Project

Vai um tomatinho de graça aí? | Foto: Food is Free ProjectVai um tomatinho de graça aí? | Foto: Food is Free Project

"Pegue o que você precisa e/ou compartilhe o que você tem".| Foto: Food is Free Project“Pegue o que você precisa e/ou compartilhe o que você tem”.| Foto: Food is Free Project

Fonte – CicloVivo de 20 de outubro de 2016

Maringá tem 32 hortas comunitárias que produzem 250t de orgânicos/ano

A prefeitura transforma áreas abandonadas em hortas, dá o adubo, as mudas e divide o espaço entre as famílias.

A cidade de Maringá, no Paraná, está passando por uma verdadeira revolução no que diz respeito à agricultura urbana. Através de um programa municipal, já foram criadas 32 novas hortas comunitárias, destinadas a famílias carentes e trabalhos terapêuticos.

Nesta semana, por exemplo, foi inaugurada a 32ª Horta Comunitária do município, instalada no Conjunto Santa Felicidade, em um projeto que beneficiará os pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSi e CAPSad, infantil e álcool e drogas).

Em uma mesma horta serão trabalhados objetivos diferentes. Além de produzir alimentos de qualidade, orgânicos e saudáveis, que complementem as refeições de crianças e outros beneficiados pelo programa, o espaço ajudará os pacientes com vícios em álcool e drogas a terem uma ocupação, motivação e valorização pessoal. Já aos pacientes que apresentam transtornos psicológicos, o cuidado com as plantas deve promover a inclusão social, capacitação para atuar em sociedade e a autovalorização.

Em outras unidades, destinadas às famílias de baixa renda, o funcionamento das hortas comunitárias é diferente. A prefeitura se responsabiliza por transformar áreas abandonadas em hortas, dá o adubo, as mudas e divide o espaço entre as famílias participantes, que ficam responsáveis por cuidar do plantio e por pagar pela água usada no cultivo.

Os produtores também contam com o auxílio técnico do Centro de Referência em Agricultura Urbana e Periurbana da Universidade Estadual de Maringá. Até o momento, mais de 700 famílias já foram beneficiadas por este programa, que produz mais de 250 toneladas de alimentos orgânicos ao ano.

Fonte – CicloVivo de 17 de setembro de 2016

Endereços das hortas comunitárias

Horta J. Aurora – Terezinha Conejo
Rua Antonio Marin filho, 529
9717-0106

Horta Branca Vieira (SOPÃO I) – José Donizete Siqueira
Rua Rio São Francisco, s/n
3268-4558 – 9805-6532

Horta C. Canção – Oerly Marçal
Rua Arthur Menschel, s/n
3226-9332 – 9145-1018

Horta V. Esperança – Rildo Cazé
Rua Prof. Francisca Fumiko Oda Santos, 220
3267-1099 – 9806-7883

Horta Distrito Floriano – Paulo Cesar da Silva
Av. Antônio Gualda, 720 – Floriano
9737-3560

Horta Guaiapó – Roseli A. S. Severo
Rua Eloi Victor de Melo, 55
4141-3771

Horta Iguatemi – Antônia Lúcia da Silva
Rua Sanhaça, 369 – Iguatemi
3276-4039 – 8851-1953

Horta Itatiaia – Luiz Haruo Saito
Rua Rui Carnassiali, 807
3041-1413

Horta Itaipu – Severino Caboclo da Luz
Rua Antônio Saldanha, s/n (em frente ao DETRAN)
9974-2942

Horta Lea Leal – Cecília Scoptec dos Santos
Rua Guatemala, 1200
3268-4456

Horta Ney Braga – Nivaldo Agda da Silva
Rua Tucano, 74
9981-7127

Horta Oásis – João Santana
Rua Japuratuba, 742
3034-7954

Horta Olímpico – Altyr Vortman
Rua Beija Flor, 12
9944-7707

Horta Palmeiras – João
Rua Flamboyant s/n
3901-1142 – 9895-7839

Horta Rebouças – José
Rua Amália Baltazar
3267-7566 – 9143-5010

Horta Copacabana – Adão Iori
Rua Herminio Girardi
3263-0098

Horta Tarumã – Amauri Pereira
Rua Gravena Genta
9820-6245

Horta Tuiuti – Elizabete de Jesus
Rua Parnaiba
9940-4709

Horta Universo – José
Rua Joaquim Duarte Moleirinho
9908-6731

Horta Grevíleas – Roseli dos Santos
Rua Nereu Mazzer
9900-4892

Horta  Montreal – Alvaro
Rua Pion. Mourvan Neves de Oliveira
9930-1411

Horta Ebenezer – Antônio Máximo
Rua Bruno Bluthgen
9971-7105

Horta Branca Vieira – Benis Batista Barbosa
Rua Rio Paranapanema, 1426
3029-6263 – 9155-9204

Horta J. Iguaçu – Francisco Mendes (Ceará)
Av. Nildo Ribeiro
9831-9186 – 3222-7034

Horta Tókio – Nelson da Silva
Rua Devige Crepaldi, s/n
3228-2996

Horta Liberdade – Antônio Sobrinho
Rua Armando Crippa, ao lado Posto Saúde
9752-4214

Horta Branca Vieira II (Sopão II) – José Augusto
Rua Pion. Rio São Francisco ao lado do Sopão
9845-7428

Horta Jardim Paraiso – Cícero Adão
Rua Cezare Mochi, s/n
3040-3363

Horta CAPS (Sta Felicidade) – Eliane Regina Pelissan
Rua Ignês Gongora
Ramal 1139

Horta Borba Gato – Claudio
Rua dos Geranios, s/n
9951-3369

Horta Campos Elíseos – Suely
Rua Rio Samambaia, s/n
9826-4155

Horta Cidade Alta – Alberto Prado
Av. Carmem Miranda, s/n. Cj Cidade Alta
9973-7970

Futuro das cidades depende da agricultura urbana

A Habitat III, conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada às cidades, vai explorar as possibilidades da agricultura urbana como solução para garantir a segurança alimentar. Mas em Nova York teve um impacto muito maior. Nas cidades de todo o mundo são registrados níveis históricos de desigualdade. Mesmo em Nova York, coração do mundo rico, muitos setores não têm garantida sua segurança alimentar.

Na Habitat III, que acontecerá de 17 a 20 de outubro, em Quito, capital do Equador, será a primeira vez em 20 anos que a comunidade internacional se reunirá para analisar as consequências da urbanização e pensar em uma nova estratégia global, a Nova Agenda Urbana.

Em Nova York, o preço dos alimentos aumentou 59% desde 2000, ao contrário do salário médio dos trabalhadores adultos, que só aumentou 17%. Cerca de 42% das famílias não têm renda suficiente para cobrir suas necessidades de alimentação, moradia, vestimenta, transporte e saúde, mas superam a quantia necessária para poder receber assistência estatal.

Em 2015, foi criado o plano OneNYC, vinculado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que pretende tirar cerca de 800 mil pessoas da pobreza em uma década.“O OneNYC tem grandes expectativas e se esforça muito para atender a igualdade no sistema de alimentação e na gestão de desperdícios, garantindo que cada vez mais cidadãos tenham acesso a alimentos saudáveis e bons”, explicou à IPS Michael Hurwitz, diretor do mercado verde GrowNYC e que trabalha noOneNYC.

Hurwitz acrescentou que,“em uma cidade como Nova York, a agricultura urbana pode ter vários papéis: além de alimentar sua população, educa, oferece espaços seguros e ajuda a compensar o orçamento destinado à alimentação”. A agricultura urbana desempenha um papel significativo na alimentação da população das cidades em todo o mundo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 800 milhões de pessoas cultivam verduras e frutas ou criam animais nas cidades, produzindo o que, segundo o Instituto Worldwatch, representa a assombrosa proporção de 15% a 20% da produção mundial de alimentos. Isso ocorre em lugares do mundo onde a agricultura urbana ou periurbana representa de 50% a 70% do consumo de verduras da cidade.

Na África, estima-se que cerca de 40% das populações urbanas se dedicam à agricultura. Quem vive nas cidades há muito tempo, ou quem chegou há pouco, planta porque tem forme, sabe como cultivar, além de o valor da terra ser baixo e os fertilizantes baratos.Mas, nos Estados Unidos, a agricultura urbana provavelmente tenha maior impacto sobre a segurança alimentar em lugares que, de certa forma, são mais parecidos com o Sul global, isto é, cidades onde a renda média é baixa e há uma grande necessidade de alimentos acessíveis.

Hurwitz observou o poder transformador da agricultura quando foi trabalhador social em Redhook, no Brooklyn, bairro onde a renda de 40% dos moradores era inferior a US$ 10 mil por ano. Nesse lugar, trabalhou em uma horta comunitária com adolescentes de 16 e 17 anos, em um programa vinculado ao sistema judicial. Os jovens levavam o que colhiam para suas cassas ou vendiam em mercados, restaurantes locais e outros estabelecimentos.

“Nossos jovens se tornaram agentes de mudança em suas comunidades. Ninguém queria trabalhar com muitos dos adolescentes com os quis trabalhamos, mas, quando se converteram na principal fonte de alimentos saudáveis em seu bairro no mercado de produtos orgânicos, seus colegas, e os adultos, se deram conta de que, na realidade, estavam gerando uma mudança na comunidade”, acrescentou Hurwitz.

O sistema foi ampliado por meio da GrowNYC, uma organização não governamental que funciona no escritório do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e trabalha com seis mil jovens por ano e oferece material para que o pessoal docente trabalhe com eles na aula.Seu programa Growto Learn (Cultivar para Aprender) está encarregado de todas a hortas escolares da cidade. Além disso, administra um projeto de mini empréstimos e oferece assistência técnica e capacitação para os professores sobre o cuidado com as hortas.

No Bronx Sul, o mais pobre dos 435 distritos congressuais dos Estados Unidos em 2010, vivem 52 mil nova-iorquinos com renda bem baixa, 42 dos quais abaixo da linha de pobreza, e é conhecido como “deserto alimentar”.Quando a GrowNYC foi a esse bairro pela primeira vez, um policial alertou seu pessoal: “Não queiram entrar, porque não é seguro”, recordou Hurwitz. “Mas em dois meses uma área difícil se converteu em uma esquina grandiosa, de maravilhosa atividade porque havia jovens vendendo alimentos aos seus vizinhos”.

Há anos o programa Learn it, Grow it, Eat it (Aprenda, Cultive, Coma), da GrowNYC, trabalha com escolas no Bronx Sul, ajudando a formar líderes ambientais, contou Hurwitz. A iniciativa cuida de um dos postos agrícolas de jovens da organização, capacitando-os em administração e agricultura para que possam gerenciar seus próprios postos de venda. “Vimos muitos começarem em nosso mercado e passarem a ser administradores do programa”, acrescentou.

Em Nova York não se trata só de produzir uma quantidade padronizada de alimentos para as comunidades necessitadas, mas de refletir a diversidade cultural. “Em nosso programa temos quem cultive produtos por cerca de US$ 150 mil por 1,5 acre em Staten Island”, a ilha diante de Manhattan, pontuou Huwirtz. Os mexicanos plantam cultivos tradicionais para alimentar sua comunidade, que, se não fosse isso, não teria acesso aos alimentos com os quais estão acostumados.

Surgiram os grandes operadores de estufas e estas ficaram em moda. Mas o cultivo de uma variedade limitada de verduras de grande qualidade não bastará para alimentar as populações urbanas. “Preferiria que se destinassem US$ 2 milhões para a preservação de plantações rurais a fim de alimentar as cidades”, opinou Hurwitz. “Dessa forma seria possível levar alimento às cidades, garantir que todos tivessem acesso a ele e assegurar que as propriedades continuem sendo viáveis”, acrescentou.

Os prognósticos indicam que a população das cidades duplicará nos próximos 30 anos, segundo o Atlas de Expansão Urbana. “A segurança alimentar relacionada com a urbanização é um dos grandes temas que atrairão a atenção dos participantes da Habitat III”, destacou Juan Close, diretor da ONU Habitat.

Fontes – ArunaDutt, IPS / Envolverde de 13 de julho de 2016