A horta comunitária que alimenta 2 mil famílias de graça

A horta comunitária que alimenta 2 mil famílias de graça

O mundo produz o suficiente para alimentar 10 bilhões de pessoas. Mas, mesmo assim, ainda há 795 milhões passando fome. A distribuição da monocultura concentrada acaba sendo um empecilho e também desperdiçamos ⅓ de toda comida cultivada. Para reduzir a distância percorrida pelos alimentos, muitas hortas comunitárias urbanas estão surgindo.

A cidade de Detroit, famosa por sua indústria automobilística, já anunciou no ano passado que quer ter 22 quarteirões de horta comunitária — que gerará aproximadamente 120 empregos. Segundo o site americano Inhabitat, o que já existe na cidade atualmente alimenta duas mil famílias de graça.

A Iniciativa de Agricultura Urbana de Michigan é quem está implementando pouco a pouco o despretensioso projeto. A ideia é que dois acres sejam destinados a cultivo de mudas de frutas e vegetais e o terceiro seja lar de 200 árvores frutíferas.

“Há quatro anos estamos cultivando hortas urbanas que geram alimentação fresca e diversa para os cidadãos da cidade. E vem mais por aí!”, explica o site do projeto.

Fonte – Jéssica Miwa, The Greenest Post de de 22 de fevereiro de 2017

Terreno baldio vira horta em meio a prédios na Pituba

Há cerca de um ano, a Prefeitura, por meio da Secretaria da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), da Secretaria de Manutenção (Seman) e da Limpurb, começou a apoiar o projeto Hortas Urbanas Salvador, idealizado por moradores do bairro da Pituba. Quinhentas mudas, entre hortaliças, árvores frutíferas e leguminosas, já foram doadas ao projeto, além de insumos para o plantio, meios-fios para contenção das leiras, britas e ráfias (tipo de tecido muito usado na agricultura).

Localizada entre prédios na Avenida Paulo VI, em um dos bairros mais populosos da cidade, com cerca de 250 mil habitantes, a Horta Urbana Salvador começou a ganhar forma após alguns mutirões de limpeza no terreno, que possui aproximadamente 2,1 mil metros quadrados. Para auxiliar na retirada de 50 toneladas de entulhos que existiam no local foram necessárias as participações de moradores do bairro e de máquinas e homens da Limpurb.

De acordo com Wilson Brandão, idealizador do projeto, o desconforto de ter ao lado onde mora um terreno baldio servindo de área de descarte de entulho e esconderijo para insetos foi o motivo principal dele, familiares e de alguns vizinhos tomarem a iniciativa de solicitar da Prefeitura o apoio necessário para transformar o local em um espaço mais limpo e em condições de se cultivar hortaliças.

Em novembro de 2016, as 500 mudas foram plantadas no local e, em janeiro, a primeira colheita foi realizada. Couve, alface, manjericão e outros alimentos, sem qualquer tipo de agrotóxico, foram colhidos e doados ao Lar Irmã Maria Luiza, espaço na Cidade Baixa que abriga idosos carentes e com problemas de saúde. De acordo com seu Wilson, o objetivo principal do que é produzido pela horta é doar para quem precisa. “Escolhemos doar os alimentos por entendermos que a horta também tem uma função social. Caso o que foi colhido tenha sido suficiente para a doação, repartiremos entre nós moradores o que sobrar”, explica.

Hoje, depois da terceira colheita, a horta já possui 22 leiras e mais de 40 voluntários. São crianças, jovens, adultos e idosos que se revezam como podem e com o tempo que tem, a partir de uma escala de trabalho, para manter o local irrigado e bem cuidado. “É gratificante ver a participação de pessoas de todas as idades numa atividade que vai além do plantio. Estamos construindo um ambiente sadio, de novas amizades e formando uma nova família, além de transformar um terreno que era foco de mosquitos em um local produtivo.

Uma das voluntárias participantes do projeto, a administradora de empresas Lúcia Cunha, 61, conta que recebeu o convite para participar da horta através de um aplicativo de celular, e desde então tem seu horário determinado durante a semana para molhar as leiras, onde estão plantadas as hortaliças. “Quando estou lá não penso em nada. Todos os vizinhos participam. O projeto nos tornou mais integrados”, afirma Lúcia.

Parceria

Iniciativas que visam revitalizar o espaço urbano e promover o bem estar coletivo vêm dando certo e estreitando a parceria entre o poder público municipal e a sociedade. O Alto do Itaigara é outro exemplo dessa integração. Moradores do bairro já arborizaram cerca de dois mil metros de calçadas e revitalizaram uma área verde onde antes servia de depósito de entulhos. Batizado de Recanto Santo Antônio, o local se tornou um espaço de convivência familiar e palco de ações socioambientais organizados pela própria comunidade.

De acordo com a Secis, a previsão é que sejam criadas mais dez hortas urbanas em outros pontos da cidade até o fim do próximo ano. Segundo o secretário da Cidade Sustentável e Inovação, André Fraga, esse tipo de projeto em que o cidadão é um agente participativo de transformações que envolvem espaços públicos é muito positivo, não só do ponto de vista ambiental, mas também do social.

“Iniciativas como a horta urbana, na Pituba, e o Recanto Santo Antônio, no Alto do Itaigara, reforçam a importância da participação da população na construção de uma cidade voltada para o bem estar coletivo. Mesmo com poucos recursos, é possível realizar ideias inovadoras e colher resultados que acrescentem de forma muito benéfica no cotidiano de quem mora em cidade grande, como é o caso de Salvador”, salienta Fraga. “Daremos o apoio necessário, mas é importante a comunidade se organizar para cuidar do local”, reforça.

Fonte – Prefeitura de Salvador de 09 de março de 2017

Assista – O projeto hortas urbanas transforma terreno abandonado em solo fértil

Livro ensina a plantar temperos em casa e sugere receitas

Livro gratuito e online ensina a plantar temperos em casa e sugere receitasLivro traz dicas sobre como e onde plantar, tipos e propriedades dos temperos. | Foto: Divulgação

A publicação Sabores da Horta ensina a cultivar em pequenos espaços e preparar deliciosos pratos

A culinária é uma arte que pode servir também como terapia. Poucas coisas podem ser tão prazerosas do que passar um sábado ou domingo no aconchego do lar, receber os amigos ou reunir a família, para jogar conversa fora, preparar receitas novas e degustar uma excelente refeição preparada pelos anfitriões.

Até mesmo na preparação das refeições do dia-a-dia é possível deixar a comida mais saborosa com a utilização de temperos cultivados no jardim de casa ou em pequenos espaços nos apartamentos.

O livro “Sabores da Horta – do plantio ao prato”, publicado pela Codeagro (Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios), da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, traz dicas sobre o tema.

Como e onde plantar, tipos e propriedades dos temperos, melhores épocas para o plantio e receitas muito originais, são alguns conteúdos do livro. Por exemplo, você sabia que é possível surpreender as visitas com um delicioso sorvete (diet) de manjericão?

De acordo com o “Sabores da Horta – do Plantio ao Prato”, o manjericão é um tempero rico em vitamina A e C e minerais como cálcio e potássio. Auxilia no alívio da tosse, bronquite, rouquidão, dores de garganta e auxilia no tratamento de aftas. É próprio para ser plantado em ambientes mais quentes e é utilizado para o tempero de carnes, peixes, sopas e molhos de tomate.

 

Fonte – CicloVivo de 15 de maio de 2017

Aprenda a usar corretamente o lixo orgânico como adubo caseiro

Aprenda a usar corretamente o lixo orgânico como adubo caseiroExistem muitos produtos orgânicos que são desperdiçados no ambiente doméstico e que podem ser reaproveitados na agricultura orgânica. | Foto: iStock by Getty Images

É preciso saber exatamente qual o objetivo de cada resíduo quando aplicado ao solo

Vamos considerar lixo orgânico todo e qualquer tipo de resíduo orgânico de origem vegetal ou animal.

De acordo com o Especialista em Agricultura Orgânica Thiago Tadeu Campos, o ser humano produz toneladas de lixo orgânico diariamente, tais como: restos de alimentos, cascas de frutas e legumes, água utilizada no preparo de refeições, dentre outros lixos orgânicos que acabam sendo inutilizado por nós.

Felizmente, esse mesmo lixo orgânico pode ser reutilizado para fazer a adubação orgânica das plantas que produzimos em casa, já que fornecem grande parte dos nutrientes que elas precisam para crescer com saúde, além disso, na agricultura orgânica é proibida a utilização de adubos químicos, por isso, precisamos utilizar somente o que a natureza nos fornece.

O lixo orgânico utilizado como adubo orgânico

A produção de adubo orgânico pode ser feita de duas formas: por meio do reaproveitamento de materiais vindos da indústria ou da propriedade rural e reutilizando o lixo orgânico caseiro, vai depender do tamanho da produção orgânica.

Adubo orgânico rural

Para quem produz em maior quantidade, vale a pena utilizar os resíduos da indústria.

Adubo orgânico caseiro

Já quem tem interesse em produzir em menor quantidade, pode utilizar o lixos orgânico caseiro. Dessa forma, podemos produzir o nosso próprio e de nossa família e ainda ajudar a conservar o meio ambiente.

Food leftoversFoto: iStock by Getty Images

O Problema da informação superficial

O grande inimigo da produção de adubo orgânico utilizando o lixo orgânico doméstico é a falta de conhecimento sobre o assunto e a enormidade de conhecimento incompleto que encontramos na internet. Infelizmente, não basta adicionar o lixo orgânico direto no solo, temos que saber, exatamente, o que estamos fazendo e qual o objetivo daquele lixo orgânico que estamos utilizando como adubo orgânico. Se, simplesmente, adicionarmos o lixo orgânico direto no solo, ou fizermos uma pseudo adubo, sem saber para que vamos utilizá-lo, quais os nutrientes que aquele adubo orgânico fornecerá para a planta, como e quando aplicá-lo, provavelmente, vamos ter problemas na nossa produção, pois fazer a adubação orgânica correta é imprescindível para que a planta cresça com saúde e uma planta saudável terá menos ataque de pragas e doenças. Este é um dos princípios da agricultura orgânica. Mas….

Se utilizarmos corretamente o lixo orgânico para fazermos uma adubação orgânica correta, teremos resultados excelentes, pois a planta estará munida com todos os nutrientes que precisa para crescer com saúde. Clique aqui para aprender a produzir e aplicar os adubos orgânicos que a sua planta precisa, reutilizando seu lixo orgânico no composto orgânico caseiro.

Felizmente, quando aplicado corretamente, o lixo orgânico pode produzir excelentes adubos complexos que utilizaremos para fazer a adubação orgânica. Vamos entender quais são os principais lixos orgânicos que podemos utilizar para fazer adubo orgânico caseiro e quais são sua função para o adubo.

Casca de banana

A casca de banana, ou até mesmo a própria fruta são ótimas fontes de Potássio para suas plantas, principalmente para roseiras.

Casca de ovo

As cascas de ovos que sobram após a preparação da refeição são ricas em Cálcio, Nitrogênio e Ácido Fólico.

Borra de café

A borra de café é uma excelente fonte de Nitrogênio.

Vinagre branco

É rico em Potássio e auxilia a equilibrar o pH do solo mais ácido.

Sal

O Sulfato de Magnésio, ou sal Epsom como é conhecido internacionalmente, é rico em Magnésio e ideal para o desenvolvimento de sementes e para o processo enzimático da planta. Além disso, consegue fazer com que a planta absorva uma maior quantidade de nutrientes.

Grama cortada

A grama cortada é facilmente encontrada e muitas vezes é desperdiçada pelos agricultores, contudo, é um lixo orgânico rico em Nitrogênio.

Leite em pó

O leite em pó, assim como o leite comum é uma boa opção para repor o Cálcio da planta e também é rico micronutrientes.

Melaço

O melaço é rico em inúmeros nutrientes, como Carbono, Ferro, Enxofre, Potássio e outros. Quando colocado no adubo orgânico, age também como alimento para os microrganismos benéficos à planta.

Gelatina

A gelatina é uma ótima forma de transferir Nitrogênio ao adubo orgânico.

Cinzas de madeira

Rica em Carbonato de Cálcio e Potássio, às cinzas vindas de madeiras são excelentes para equilibrar o pH alcalino do adubo orgânico.

Água de aquário

Ao trocar a água de aquários de água doce, você pode reutilizá-la, pois os excrementos dos peixes são uma boa fonte de Nitrogênio.

Água utilizada no preparo de refeições

Ao cozinhar legumes sempre despejamos a água na pia e nem nos preocupamos com a quantidade de nutrientes existentes ali. Utilizar essa água nas plantas faz com que nutrientes diversificados sejam adicionados no adubo orgânico, além de reaproveitar algo que iria diretamente para o lixo.

Compare os lixos orgânicos

Existem muitos produtos orgânicos que são desperdiçados no ambiente doméstico e que podem ser reaproveitados na agricultura orgânica. Além disso, é possível reunir diversos tipos de lixo orgânico para estabelecer uma diversidade de nutrientes e compor um adubo orgânico complexo que suprirá todas as necessidades da planta. Produzir um alimento orgânico é muito recompensante, pois ele é livre de agrotóxico, e mais saudável que o convencional. A hora de começar é agora e para isso precisamos aprende a fazer a adubação orgânica de nossa produção. Veja abaixo a tabela comparativa:

Tabela 1.2

Fonte – Thiago Tadeus Campos, CicloVivo de 03 de abril de 2017

05 adubos orgânicos que vão facilitar sua vida no jardim e horta

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Não é de hoje que sabemos o quanto os fertilizantes químicos podem ser danosos à nossa saúde e ao meio ambiente. E cá entre nós, se você começou a cultivar plantas ornamentais ou uma hortinha em casa, no mínimo está em busca do ecologicamente correto e de trazer benefícios ao meio ambiente e para a sua família. Então por que não começar a utilizar os adubos orgânicos que vão direto da casa para o jardim. São ecologicamente corretos, beneficiam a saúde da sua família e não custam caro como os fertilizantes químicos encontrados no mercado. Então vamos lá!

Para começar é preciso entender que as plantas precisam basicamente de três principais nutrientes para ficarem fortes e saudáveis, são os macronutrientes: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K). Você já deve ter notado que na embalagem dos fertilizantes químicos aparecem três números grandes, como por exemplo 10-10-10 ou 4-14-8. Isto nada mais é do que a representação das quantidades de N, P e K.

O nitrogênio é necessário para auxiliar no crescimento e partes verdes como as folhas, fósforo para flores e frutos e o potássio auxilia na saúde geral da planta. Sendo assim, não seria mais fácil utilizar o fertilizante químico?Negativo!

Além dos macronutriente também são necessários micronutrientes como Cobre (Cu), Ferro (Fe), Molibdênio (Mb) e outros. A grande realidade é que dentre os diversos fatores essenciais à vida das plantas, precisamos destacar o ciclo que envolve grande diversidade de bactérias, insetos, fungos, vermes, e outros aspectos como aeração, drenagem e acidez do solo. Ou seja, quando você utiliza adubação orgânica, este ciclo acontece naturalmente. Por outro lado, a utilização de adubação química pode prejudicar muito este ciclo que carinhosamente chamamos de “Biota”.

Agora que você já entendeu qual a importância da adubação orgânica, podemos ir direto ao ponto. Veja quais são os melhores fertilizantes orgânicos que iriam para o lixo e agora vão adubar suas plantas.

5 – Borra do café

closeup detail of coffee ground in wooden bowlImagem via farmersalmanac

Esta é uma excelente fonte de nitrogênio (N), porém aumenta a acidez do solo, ou seja, ela vai ser muito útil para corrigir solos mais alcalinos ou para fazer adubação em plantas que gostam de solos mais ácidos como por exemplo, hortênsias, rosas, magnólias e mirtilos. A borra do café é um prato cheio para as minhocas e como você deve saber, minhocas melhoram aaeração e produzem o húmus que é riquíssimo para suas plantas. ( Obs: É necessário secar a borra antes de aplicá-la; Caso queira utilizar a borra na horta, certifique-se de colocar o mais distante que puder das raízes das plantas, o ideal mesmo é colocar em um minhocário e depois aplicar o húmus)

4- Cascas de banana

adubo-organico-bananaImagem via odairferreira

Adiciona fósforo (P)potássio (K) e cálcio (Ca) às suas plantas. Basta enterrar uma casca no solo ao lado da planta e esperar para que ela se decomponha. Você pode congelar as cascas que vão sobrando e utilizá-las quando achar que for necessário. Outra ideia bacana é mergulhar em água por 2-3 dias e depois fazer uma adubação foliar com o auxílio de um pulverizador.

3- Cascas de ovos

adubo-organico-ovosImagem via ajdourado

São capazes de suprir toda a necessidade de cálcio (Ca) para o desenvolvimento celular das plantas. Se você já observou podridão em seus tomateiros, possivelmente seu solo está deficiente em cálcio. Lave, deixe secar e depois bata as cascas de ovos em um liquidificador até que fiquem com aspecto de farinha, isso ajuda a evitar moscas e diminui o tempo de assimilação do nutriente. As cascas de ovos também são capazes de regular o PH do solo, tornando-os mais alcalinos e evitando a proliferação de lesmas e lagartas. Para uma assimilação de nutriente mais rápida, você pode pulverizar sobre as plantas ou usar diretamente no solo seguindo a receita:

  • 20 casas de ovos
  • 4 litros de água

* Ferva as cascas de ovos por alguns minutos, deixe repousar durante uma noite e em seguida pulverize diretamente na folha das plantas ou regue o solo próximo das raízes.

2- Chá com aparas de grama

adubo-organico-gramaImagem via gramasantarosa

Esta é uma ótima maneira de se obter um fertilizante nitrogenado (N) e dar um destino para as aparas de grama que sobraram depois da poda. Veja a receita:

  • 1 Balde de cinco litros com aparas de grama recém cortadas.

Cubra com água e deixe descansar por 3-5 dias. Depois misture 01 copo do chá em 10 copos de água pura e regue diretamente no solo. Você vai ver as suas explodirem de alegria.

1- Cinzas de madeira

adubo-organico-cinzasImagem via wikipedia

São uma ótima fonte de potássio (K) e ainda possuem a maioria dos nutrientes essenciais que as plantas precisam para o desenvolvimento. As cinzas de madeira tornam o solo mais alcalino e mais arejado, então evite usá-las em plantas que prefiram solos mais ácidos e argilosos. Você pode obter cinzas em lareiras e fogueiras, basta verificar se outros materiais não foram queimados junto com a madeira.

Bônus – Sal de Epsom

adubo-organico-sal-de-epsomImagem via amantesdavida

O sal de Epsom pode ser encontrado facilmente em farmácias e além de incorporar importantes nutrientes como magnésio (Mg) e enxofre (S) ao solo, é conhecido por dar às plantas uma cor verde profunda. Este é especialmente bom para tomateiros e roseiras, mas também pode ser utilizado em forma de chá para pequenas mudas que precisam ser transplantadas. Veja a receita:

  • 1 colher de sopa de sal de Epsom
  • 4 litros de água

Misture e regue suas plantas.

Fonte – Somos Verdes

O que podemos aprender com os ousados planos de agricultura urbana parisienses

Cada vez mais cidades estão buscando implementar estratégias de sustentabilidade para melhorar seu entorno. Em Paris, uma série de medidas já prevê transformar a cidade em um lugar mais verde e mais amigável ao meio ambiente nos próximos anos.

Um dos projetos recentes implementados na cidade nesse sentido tem como objetivo transformar um quarto da superfície de Paris em áreas verdes até 2020. Com uma série de outras iniciativas visando a sustentabilidade e a agricultura urbana, essa não será uma tarefa tão difícil.

Talvez um dos principais programa do gênero seja o que estimula as pessoas a se tornarem jardineiros em seus bairros. É o “Verde perto de mim“, que já entregou mais de 1.400 licenças de jardinagem na cidade. Os jardineiros cadastrados podem usar a criatividade, criando jardins móveis ou plantando árvores nas proximidades de suas casas, por exemplo. Além de tudo isso, a iniciativa que ganhou o nome de “Crescer na Cidade” pretende  ainda criar 20 novos jardins compartilhados em Paris, a pedido dos moradores da cidade.

Foto: Jace Grandinetti / Foto destaque: Alice Donovan Rouse

O projeto “Parisculteurs” também promove os espaços verdes. A ideia é que sejam criados 100 hectares verdes em coberturas e fachadas de edifícios na cidade. Na primeira edição, foram escolhidos 33 projetos entre mais de 100 inscritos que buscavam transformar a arquitetura da cidade. Este ano, a cidade deve receber o “Parisculteurs 2”, ainda sem data prevista para o início.

A cidade também busca potencializar a agricultura urbana. O objetivo principal do investimento no setor é a busca pela diminuição do impacto ambiental gerado pela distribuição dos alimentos, responsável por 36% das emissões de gases de efeito estufa. Os agricultores poderão ainda se beneficiar de outro projeto que está sendo colocado em prática na cidade: o de triplicar o número de áreas de compostagem em edifícios. Se tudo der certo, serão produzidas 30 toneladas de composto orgânico por ano, que poderão abastecer os agricultores ao mesmo tempo em que diminuem a geração de resíduos.

Fonte – Hypeness

Paulistanos pegam frutas direto do pé sem deixar a cidade

O marceneiro Antonio Carlos Anias, 64, usa pedaço de madeira para pegar romã de árvore no Bom Retiro, na região central da capital; pedestres costumam pedir-lhe objeto emprestado para catar frutas O marceneiro Antonio Carlos Anias usa pedaço de madeira para pegar romã de árvore no Bom Retiro, na região central da capital paulista; os pedestres costumam pedir-lhe objeto emprestado para catar frutas

Quem anda pelas ruas de São Paulo apressadamente pode não reparar, mas as árvores frutíferas estão por toda parte. São abacateiros, amoreiras, pitangueiras, romãzeiras, jabuticabeiras, goiabeiras, entre outras espécies, espalhadas por ruas, canteiros centrais de avenidas ou nas praças e parques.

Segundo especialistas, não há um censo oficial que mostre quantas são nem onde estão essas árvores frutíferas na cidade. Mas com um pouco mais de atenção é possível encontrá-las. A reportagem encontrou algumas espécies da época, como abacate, jaca e romã, além de outras que devem dar frutos ao longo do ano. Mas, comê-los é uma polêmica à parte. Especialistas divergem sobre o assunto.

Na praça Panamericana, no Alto de Pinheiros (zona oeste) há pelo menos 40 pés de jabuticaba espalhados pelo local. Em outubro, elas atraem visitantes. “As pessoas saem com sacolas cheias de jabuticaba”, afirmou o atendente Fabio Andrade Nunes, 24, que trabalha em frente à praça.

Na praça Senador Lineu Prestes, em Pinheiros (zona oeste), são vários pés de frutas. Por enquanto, apenas o abacateiro está fazendo a alegria de quem passa pelo local. A estagiária Nádia Camila dos Santos Belo, 24, disse que vê com frequência pessoas retirando os frutos. “Eu acho demais ter árvores frutíferas na rua. Isso quebra a rotina do dia. Se tivesse mais, seria incrível.”

Na esquina das ruas Anhaia e Barra do Tibagi, no Bom Retiro (região central), uma romãzeira agrada moradores e quem passa pela região. Segundo o marceneiro Antonio Carlos Anias, 64, é comum as pessoas pedirem a ele um pedaço de madeira emprestado para conseguir retirar os frutos da árvore, que tem a copa alta.

“Sábado é o dia que mais vem gente pedir um pedaço de madeira emprestado. Até já tirei para algumas pessoas. Mas eu mesmo nunca provei”, afirmou o marceneiro.

Jaqueira

A jaqueira que fica na esquina da rua Simão Álvares, em frente à praça Senador Lineu Prestes, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), chama a atenção de quem passa pelo local. Ela está cheia de jacas, algumas delas prontas para o consumo.

Segundo o zelador José Cícero Fidelis, 54, quase todos os dias cai uma jaca no chão –na rua ou dentro do prédio onde ele trabalha, onde parte da copa cobre o jardim. “Nunca machucou ninguém, ainda bem. Mas antes de cair, o pessoal passa aqui e pega a jaca.”

Fidelis contou que a árvore foi plantada há cerca de 50 anos pela filha da dona da casa que havia no terreno onde hoje há o prédio. “É muito antiga essa jaqueira. Eu até já provei, mas não gosto muito”, disse. A farmacêutica Rosa Jacobo, 56, não costuma pegar jacas. “Já as mexericas [da região] eu gosto e pego sempre que posso”. diz.

A estagiária Nádia Camila dos Santos Belo, 24, disse que a jaqueira chama a atenção de quem passa, principalmente de estrangeiros que visitam a cidade. “Um dia um gringo parou para me perguntar o que era aquilo na árvore. Ele ficou curioso ao ver a fruta”, disse.

Já o jardineiro Júlio Morais, 32, que presta serviço nos prédios da região, disse que não tem receio de parar seu carro embaixo da jaqueira. “Não vai cair, não.”

Viveiros

Quem mora em São Paulo pode retirar, de graça, até cinco mudas em um dos viveiros da prefeitura. Só o dono da casa pode pegá-las. Basta levar identidade com foto, boleto do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e fotos que comprovem área livre para plantio.

Para prédio, é preciso carta do síndico autorizando a retirada, cópia da ata que o elegeu, boleto do IPTU e fotos. Há mudas de jabuticaba, uvaia, pitanga e outras no viveiro Manequinho Lopes, no parque Ibirapuera –atendimento de segunda a sexta, das 8h às 15h.

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão João Doria (PSDB), não recomenda o plantio de árvores frutíferas nas calçadas nem o consumo de seus frutos. Segundo a engenheira florestal Regina Marques Leite, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a principal preocupação é que o fruto provoque um acidente, seja caindo em cima de alguém ou de algo ou, se estiver no chão, fazendo com que alguém escorregue. (Sério, sério mesmo? Ninguém vai plantar jaca, manga coração de boi ou alguma fruta gigante. Pitanga, amora, goiaba, romã, jabuticaba, nêspera… tem mais é que plantar e comer!)

“O plantio só é indicado em praças, parques ou casas com área verde”, disse Regina. A engenheira disse que não é recomendado o consumo porque não se sabe o que havia no solo quando a árvore foi plantada nem o que foi depositado depois, além da poluição que fica no fruto. “Se lavar bem, até pode consumir, mas tem que levar em consideração o risco de contaminação”, disse. (E nos quintais não vai ter poluição. Os poluentes dos carros vão somente até a calçada e não entram nos quintais. Então tá…)

O botânico Ricardo Cardim discorda. Ele disse que a árvore é um “filtro natural” do solo, e não carrega metais pesados para os frutos. Só veta comer de locais onde já se sabe que foi um lixão ou de árvores às margens de rios poluídos. Ele cita estudo que diz que comer fruta de local poluído não faz mal, desde que não seja constante e a fruta seja bem lavada.

O marceneiro, Antonio Carlos Anias, 64 anos, cuida de um pé de romã

A jaqueira que fica na esquina da rua Simão Álvares, em frente à praça Senador Lineu Prestes, em Pinheiros (zona oeste), chama a atenção de quem passa pelo local

A farmacêutica Rosa Jacobo, 56, segura jaca de árvore plantada diante depraça em Pinheiros (zona oeste)

A farmacêutica Rosa Jacobo, 56, diz que sempre costuma ver gente pegando fruta

Árvores em praças e ruas de São Paulo já têm frutas de época

Quem mora em São Paulo pode retirar, de graça, até cinco mudas em um dos viveiros da prefeitura

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão João Doria (PSDB), não recomenda o plantio de árvores frutíferas nas calçadas nem o consumo de seus frutos

Fonte – Regiane Soares, Folha de S. Paulo de 02 de abril de 2017

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbana

7 razões para trocar seu gramado ou quintal por uma fazenda urbanaDá trabalho manter um gramado sempre verde e bonito. | Foto: iStock by Getty Images

Ter alimentos frescos ao alcance do seu quintal pode gerar benefícios que vão muito além da praticidade

Se você ainda está em dúvida sobre transformar espaços ociosos no quintal ou no jardim em área produtiva, essa lista pode ajudar a resolver o seu problema. Veja sete razões para se tornar um agricultor urbano ou, simplesmente, um hortelão.

  1. Gramados e quintais consomem muita água

Manter o gramado sempre verde ou o quintal bem limpinho é o tipo de manutenção que exige grande quantidade de água limpa e que acaba sendo gasta sem muita utilidade, considerando a baixa utilidade de ambas as situações. Em tempos de crise hídrica, o desperdício deve sempre ser evitado. Assim, usar água para regar um plantio é algo muito mais importante do que usá-la para manter o quintal ou a calçada limpos.

  1. Melhorar a saúde

Quando a pessoa planta o seu próprio alimento, a sua relação com a comida passa a ser totalmente diferente. O hábito de poder plantar e colher incentiva as pessoas a se alimentarem de forma mais saudável, valorizando as opções naturais, que são altamente nutritivas. Além disso, é possível manter um cultivo orgânico e ter a certeza de que a colheita é totalmente livre de agrotóxicos.

  1. Economia

Um pacote de sementes é muito barato e pode germinar centenas de plantas. Plantar em casa é uma boa opção para economizar na hora de se alimentar, afinal, ser autossustentável em termos alimentares significa não ter que se preocupar com o preço de boa parte da comida nas gôndolas dos supermercados.

horta_no_quintal_2Foto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Poupar recursos

Água não é o único recurso usado na manutenção de um gramado. Para mantê-los sempre verdes e bonitos é necessário gastar energia, fertilizantes, combustível usado nas máquinas de cortas grama e, principalmente, tempo.

  1. Desenvolver a comunidade local

Com um bairro cheio de pessoas plantando, é possível trocar, comprar e vender alimentos. Essa prática acaba incentivando o desenvolvimento da economia e de novos negócios locais. Poder comprar comida fresca perto de casa ainda é uma opção muito mais prática do que ter que se deslocar até um mercado, o que economiza tempo, dinheiro e energia, ao mesmo tempo em que resgata o senso de comunidade e ajuda mútua entre os vizinhos.

horta_no_quintalFoto: iStock by Getty Images (via istock.com)

  1. Melhora a eficiência da produção de alimentos e o uso do solo

A agricultura em larga escala tem muitos fatores negativos. A perda da produtividade do solo em casos de monocultura é uma delas. Assim, produzir no quintal permite a descentralização da produção, ajuda a preservar o solo, reduz o caminho percorrido pelo alimento entre o produtor e o consumidor final, incentiva a criação de lojas e produtores independentes, diminui a quantidade de embalagens descartadas e muito mais.

  1. Saber de onde vem o seu alimento

Produzir em casa é um dos poucos jeitos de ter certeza sobre a procedência e os cuidados aplicados em cada etapa, desde o plantio até o consumo do alimento.

Se depois de todas essas razões, você está motivado a cultivar o seu próprio alimento, mas não sabe por onde começar, um bom exemplo é o do australiano Angelo Eliade, que transformou uma área de 60 m2 em uma verdadeira fazenda. Outra história inspiradora é da família McLung, que usa a área de uma piscina desativada para produzir tudo o que consomem.

Fonte – CicloVivo de 07 de março de 2017

Moradores transformam bairro australiano em uma horta orgânica gigante

Moradores transformam bairro australiano em uma horta orgânica giganteQuase todas as tardes esta rua se enche de crianças do bairro. | Foto: Reprodução

O bairro todo está cheio de árvores frutíferas, temperos e legumes diversos totalmente orgânicos e grátis.

Buderim é um bairro australiano que tem experimentado na mesa o que o poder do envolvimento comunitário pode fazer. Após um casal ficar incomodado com os altos preços do limão na cidade de Queensland, eles resolveram plantar um limoeiro. Sete anos depois, o bairro todo está cheio de árvores frutíferas, temperos e legumes diversos totalmente orgânicos e disponíveis para quem quiser consumir.

O projeto foi apelidado de Urban Food Street e o movimento que começou com um simples limão hoje já atinge 200 famílias, espalhadas em 11 ruas. Apenas em 2015, a iniciativa produziu 900 kg de bananas e 300 pés de couve. A receita para o sucesso é o envolvimento da comunidade.

Foto: Reprodução

O bairro de Buderim se tornou uma verdadeira horta comunitária gigante. No lugar que antes existiam gramados com pouca utilidade, agora estão espalhados canteiros, crianças, adultos e aves atraídas pelos frutos. Em entrevista à ABC Austrália, Caroline Kemp, uma das criadoras do projeto, explicou que o Urban Food Street modificou a cultura local.

Foto: Reprodução

“Um dos problemas com a culinária é que você nunca tem as ervas que precisa às oito horas da noite, mas agora temos o bairro e você pode, simplesmente, descer e pegar o que precisa para a sua refeição”, comentou o co-fundador da iniciativa Duncan McNaught.

Foto: Reprodução

Além da praticidade em ter alimentos sempre às mãos, McNaught também citou o impacto ambiental e individual que a agricultura urbana proporciona. “Isso mantém um carro fora das estradas, torna mais fácil a refeição e também mais saudável, porque você ainda está caminhando. Esta é a essência do bairro: andar e se envolver.”

Qualquer pessoa do bairro pode se beneficiar do que é produzido, sem restrição alguma. Caroline explica que até mesmo os moradores que não têm plantio em suas propriedades são livres para usufruírem dos alimentos, já que eles podem colaborar com outros serviços, seja cuidando dos plantios ou até fornecendo água para as regas.

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Desde o início do projeto de agricultura urbana o bairro se modificou esteticamente, mas principalmente no estilo de vida dos moradores. “Quase todas as tardes esta rua se enche de crianças do bairro. Eles andam de bicicleta, jogam bola. Os adultos descansam nos gramados”, comenta Caroline, enquanto McNaught acrescenta que “as pessoas agora param e conversam ou acenam quando passam – as pessoas realmente se conhecem”.

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A dupla ainda lembra que a comunidade nem cobra a criação de um parque local, já que o próprio bairro é um verdadeiro parque.

O Urban Food Street tem um site em que é possível conhecer todos os detalhes do projeto e ainda ter dicas de como replicá-lo em outros locais.

Fonte – CicloVivo de 15 de fevereiro de 2017

Na nova onda tecnológica, produção de alimentos migra do campo para armazéns automatizados

Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. Manjericão produzido com tecnologia patenteada pela Plenty. PHOTO: PLENTY

Em um armazém reformado na Baía de San Francisco, torres de plástico com 20 metros de altura produzem cabeças de alface, rúcula e ervas, iluminadas por luzes LED multicoloridas que dão ao barracão uma sensação futurista.

Um grupo de empresários e investidores da tecnologia, entre eles os bilionários Jeff Bezos e Eric Schmidt, estão apostando que esse tipo de estrutura pode redefinir como legumes, hortaliças e frutas são cultivados para consumo local.

Se tudo correr como planejado, o armazém de quase cinco mil metros quadrados administrado pela Plenty United Inc. produzirá até 1.400 toneladas de vegetais por ano. Nos próximos meses, a empresa planeja começar a comercializar localmente os produtos frescos cultivados e não enviá-los para outros locais.

“Estamos cultivando para as pessoas, não para os caminhões”, diz Matt Barnard, 44 anos, um dos fundadores e diretor-presidente da empresa, que antes trabalhava com investimento em tecnologia e cujo pai produz cerejas e maçãs em Wisconsin.

A Plenty faz parte de uma onda de “startups” que busca transformar parte do varejo de hortifrútis dos Estados Unidos, um mercado que movimenta US$ 49 bilhões ao ano, migrando as lavouras produzidas a céu aberto para armazéns gigantes, fábricas abandonadas e contêineres de transporte reaproveitados. Essas instalações fechadas são equipadas com sensores que medem a temperatura e a umidade, sistemas automatizados que bombeiam água e nutrientes e faixas de luzes LED que fornecem energia — sem a necessidade de luz solar ou de solo.

Empresas como a Plenty, AeroFarms LLC e Freight Farms Inc. já captaram dezenas de milhões de dólares, impulsionadas pela queda nos custos da iluminação LED e nos sistemas de aquecimento e resfriamento. As startups têm a meta de produzir para restaurantes e supermercados das redondezas durante o ano todo, eliminando as dificuldades provocadas pelas estações e mudanças climáticas que regem a produção das lavouras tradicionais.

Levar séculos de engenharia agrícola para dentro de recintos fechados não é uma tarefa fácil. Os custos de equipar armazéns com alta tecnologia, além dos altos preços de imóveis urbanos, dificultam uma equiparação com os custos de alimentos cultivados no campo.

A produção agrícola em recintos fechados pode ter menos impacto ambiental que a agricultura convencional, dizem seus defensores, embora seja difícil avaliar a diferença com precisão. Os sistemas da Plenty reutilizam a água, evitam em grande parte os pesticidas e podem reduzir o uso de combustível em tratores e no transporte para entregar os produtos; mas os sistemas de controle climático e luzes LED adicionam custos no consumo de energia.

A empresa não divulga seus custos nem permitiu que seus sistemas fossem fotografados.

Algumas startups agrícolas estão repensando suas estratégias. A BrightFarms Inc., que tem sede em Nova York, cancelou planos para uma grande estufa em Washington, D. C. e uma outra fazenda no alto de um edifício em Nova York, devido aos custos e ao tempo necessário para obter alvarás e licenças. A FarmedHere LLC, com sede em uma antiga fábrica no subúrbio de Chicago, fechou as portas por seis meses para revisar seu modelo.

Até mesmo a gigante tecnológica Alphabet Inc., controladora do Google, tentou produzir alimentos em ambientes fechados, mas abandonou o projeto em 2015, depois de não conseguir a eficiência necessária no consumo de energia.

A Plenty acredita que pode reduzir os custos ao produzir em grandes armazéns instalados em regiões de propriedades baratas fora dos grandes centros urbanos e melhorar a eficiência através da utilização de uma técnica chamada aprendizagem de máquina, pela qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para tomar decisões.

Para colocar seu primeiro armazém em operação, a Plenty arrecadou US$ 26 milhões entre investidores de peso, incluindo fundos que investem em nome de Bezos, diretor-presidente da Amazon.com Inc., e Schmidt, presidente do conselho executivo da Alphabet. Firmas de investimento, entre elas a DCM Ventures e a Finistere Ventures LLC, também contribuíram.

A Plenty, fundada em 2014, precisará levantar muito mais capital para cumprir os planos de operar 60 fazendas nas regiões das principais cidades dos EUA e mais de 300 no mundo todo.

Alguns investidores no setor agrícola dizem que grandes fazendas em ambientes fechados vão ter dificuldades para equilibrar operações de capital intensivo com os preços baixos que os consumidores esperam pagar por alface e outros vegetais.

“O conceito de armazém ainda apresenta questões ambientais ligadas ao aquecimento e resfriamento, o que pode ser extremamente caro”, diz Todd Dagres, sócio da empresa de capital de risco Spark Capital. A Spark investiu na Freight Farms, empresa que instala equipamentos de estufa em contêineres de transporte marítimo para produzir hortifrútis em fazendas de menor escala, que são mais eficientes, segundo Dagres.

Barnard disse que a Plenty pode hoje produzir 150 vezes mais alface por metro quadrado por ano que uma lavoura ao ar livre, e usando 1% da água. Ele se recusou a especificar os preços esperados para seus produtos, mas disse que este ano a Plenty deve ser capaz de cultivar e comercializar alface e ervas ao mesmo custo que as versões cultivadas em campo.

Fnte – Jacob Bunge e Eliot Brown, The Wall Street Journal de 15 de fevereiro de 2017