De Olho nos Ruralistas faz twittaço na quarta-feira: “O Agro não é pop”

Observatório questiona campanha da Globo, JBS e Ford, iniciada em 2016 para promover modelo que defende latifúndios e grandes empresas agropecuárias

O Agro é Pop? O Agro É Tech? O Agro É Tudo? Assim dizem – de modo exclamativo – a Rede Globo e os patrocinadores de uma propaganda televisiva em horário nobre: a Ford e o grupo JBS, responsável pelas marcas Seara e Vigor. A campanha está no ar desde 2016, nos intervalos dos principais programas da Globo, como o Jornal Nacional, o Fantástico e a novela das nove.

Campanha da Globo gera paródias.

Um observatório sobre agronegócio no Brasil, De Olho nos Ruralistas questiona em um twittaço, nesta quarta-feira (28/06), a ideia defendida pelo comercial. Hashtag principal: #OAgroNãoÉPop. Complementares: #OAgroNãoÉTech, #OAgroNãoÉTudo. O comercial da Globo se encerra sempre da seguinte forma: “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo. Tá na Globo”.

O twittaço marca uma fase decisiva da campanha de arrecadação do De Olho, que depende de assinaturas para chegar até 2018. O projeto tem o objetivo de conseguir mil parceiros. Hashtags: #DeOlhoNosRuralistas, #DeOlhoNosMilParceiros. No ano passado, em dezembro, o observatório realizou uma oficina sobre imprensa e questão agrária, com o mesmo tema: “O agro é pop?”

O twittaço será realizado das 13 às 15 horas. O perfil do De Olho no Twitter, @deolhonoagro, divulgará informações e material de apoio durante esse período. Quem quiser acessar antes parte desse material pode entrar na página do observatório no Facebook. A mesma rede social tem um grupo de apoio ao projeto: De Olho nos Ruralistas – Apoio.

O agro é bom?

A multinacional Bayer também lançou vídeos em defesa do agronegócio. O bordão da campanha lembra o da Globo: “O Agro é bom”. Traz a história de fazendeiros, ligados ao modelo do agronegócio, descritos quase como se fossem pequenos agricultores.

Projeto iniciado em setembro de 2016, com o objetivo de investigar os impactos sociais e ambientais do agronegócio, divulgando notícias sobre o poder político e econômico dos ruralistas, o De Olho nos Ruralistas pergunta aos internautas: o agro é bom?

O observatório mostrou no dia 11 que a propaganda específica sobre cana-de-açúcar traz imagens de engenhos com mão-de-obra escrava, exaltando os 500 anos de exploração de trabalhadores no Brasil: ““Agro é pop”: propaganda da Globo sobre cana tem imagens de escravos“.

Imprensa e questão agrária

Comercial sobre cana exalta a cana com imagens de escravos feita por um senhor-de-engenho. (Imagem: Reprodução)

Confira aqui o link da campanha De Olho nos Mil Parceiros. A partir de R$ 12 mensais cada assinante tem direito a receber um boletim semanal, com a seleção do que saiu na semana em um dos quatro boletins diários do observatório: De Olho no Agronegócio, De Olho no Ambiente, De Olho na Comida e de Olho nos Conflitos.

A partir de R$ 25 mensais o parceiro escolhe pelo menos um dos boletins diários, com uma seleção do que saiu na mídia (jornais, revistas, imprensa regional, institucional e independente) sobre cada um dos temas.

Uma das realizações do observatório em 2018 será o lançamento de um livro sobre imprensa e questão agrária, escrito pelo editor do De Olho, Alceu Luís Castilho. O comercial da Globo – e também a relação específica da família Marinho com o agronegócio – será um dos assuntos.

Fonte – De Olho nos Ruralistas de 26 de junho de 2017

 

O que podemos aprender com os ousados planos de agricultura urbana parisienses

Cada vez mais cidades estão buscando implementar estratégias de sustentabilidade para melhorar seu entorno. Em Paris, uma série de medidas já prevê transformar a cidade em um lugar mais verde e mais amigável ao meio ambiente nos próximos anos.

Um dos projetos recentes implementados na cidade nesse sentido tem como objetivo transformar um quarto da superfície de Paris em áreas verdes até 2020. Com uma série de outras iniciativas visando a sustentabilidade e a agricultura urbana, essa não será uma tarefa tão difícil.

Talvez um dos principais programa do gênero seja o que estimula as pessoas a se tornarem jardineiros em seus bairros. É o “Verde perto de mim“, que já entregou mais de 1.400 licenças de jardinagem na cidade. Os jardineiros cadastrados podem usar a criatividade, criando jardins móveis ou plantando árvores nas proximidades de suas casas, por exemplo. Além de tudo isso, a iniciativa que ganhou o nome de “Crescer na Cidade” pretende  ainda criar 20 novos jardins compartilhados em Paris, a pedido dos moradores da cidade.

Foto: Jace Grandinetti / Foto destaque: Alice Donovan Rouse

O projeto “Parisculteurs” também promove os espaços verdes. A ideia é que sejam criados 100 hectares verdes em coberturas e fachadas de edifícios na cidade. Na primeira edição, foram escolhidos 33 projetos entre mais de 100 inscritos que buscavam transformar a arquitetura da cidade. Este ano, a cidade deve receber o “Parisculteurs 2”, ainda sem data prevista para o início.

A cidade também busca potencializar a agricultura urbana. O objetivo principal do investimento no setor é a busca pela diminuição do impacto ambiental gerado pela distribuição dos alimentos, responsável por 36% das emissões de gases de efeito estufa. Os agricultores poderão ainda se beneficiar de outro projeto que está sendo colocado em prática na cidade: o de triplicar o número de áreas de compostagem em edifícios. Se tudo der certo, serão produzidas 30 toneladas de composto orgânico por ano, que poderão abastecer os agricultores ao mesmo tempo em que diminuem a geração de resíduos.

Fonte – Hypeness

ONG americana diz que fornecedores do Burger King estão ligados ao desmatamento

Cerrado brasileiro (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)Desmatamento recente no Cerrado brasileiro (Foto: Jim Wickens/Ecostorm/divulgação)

As ONGs Mighty Earth e RFL afirmam que há relações entre o desmatamento no Cerrado e na Floresta Amazônia e o cultivo de soja para a criação de gado

Um estudo publicado pela ONG americana Mighty Earth afirma que as empresas Cargill e Bunge, fornecedoras de suprimentos para a rede de fast-food Burger King, estão ligadas ao desmatamento da região do Cerrado no Brasil e da Floresta Amazônica na Bolívia.

Por meio da utilização de drones e satélites, as ONGs Mighty Earth, dos Estados Unidos, e Rainforest Foundation Norway (RFL), da Noruega, mapearam as áreas de desmatamento recente na América Latina ligadas às empresas. Com base nessa análise, afirmam que as regiões mais afetadas são o Cerrado brasileiro e a Bacia Amazônica, na Bolívia. No Cerrado, a pesquisa apontou que 567.562 hectares da área em que a Bunge opera foram desmatados entre os anos de 2011 e 2015. Nesse mesmo período, a investigação constatou também que o Cerrado brasileiro sofreu com 130.000 hectares de desmatamento por parte da Cargill. A produção de soja foi o principal motivo pelo qual houve o desmatamento na região.

Ainda segundo a pesquisa, o cultivo de soja é uma das principais causas do desmatamento na América Latina. Aproximadamente três quartos da produção mundial são destinados à alimentação animal para a produção de carne e laticínios. Segundo as ONGs, o desmatamento é causado pela necessidade de ter mais espaço para a produção de soja, que por sua vez alimenta o gado, que vira alimento nas redes de fast-food, como é o caso analisado do Burger King.

O estudo realizado pela Mighty Earth tem seu foco no Cerrado. Segundo o presidente da Mighty Earth, Glenn Hurowitz, “o Cerrado encontra-se em um grave estado de crise ambiental, sendo que metade já foi destruída. O desmatamento da Cargill e da Bunge está comprometendo o abastecimento de água para metade das bacias hidrográficas do Brasil, bem como o patrimônio natural do Brasil”. Glenn ainda afirma que tanto a pecuária quanto a agricultura estão diretamente ligadas, visto que “75% da produção de soja é utilizada para alimentar os animais”, diz.

Incêndio florestal (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)Incêndio florestal no Cerrado brasileiro (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)

Insatisfeita com as informações que as empresas fornecem sobre a produção de carne e seus impactos, a ONG Mighty Earth foi atrás. A equipe de pesquisa checou 28 localidades do Cerrado brasileiro e da Bacia Amazônica. O estudo cobriu uma área de aproximadamente 3.000 quilômetros de extensão, a fim de investigar a origem da soja. Segundo as ONGs, os drones documentaram o desmatamento de regiões que estavam intactas até então. Com base nesses dados, chegou-se à conclusão de que os responsáveis em grande parte por esse desmatamento eram as duas empresas de agronegócio americanas Cargill e Bunge, ambas fornecedoras de suprimentos do Burger King. “Os grandes comerciantes de soja como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus possuem políticas riogorosas voltadas à conservação das florestas. Entretanto, nossa investigação mostra que a Bunge e a Cargill não estão cumprindo seus compromissos de proteger essas florestas”, diz Glenn.

A gerente de clima e serviços ambientais na ONG ambiental brasileira Imaflora, Marina Piatto, explica que as grandes redes de lanches ainda não demonstraram controle da origem da soja que vem do Cerrado. Existe um acordo para a preservação da Floresta na Amazônia, porém, na região do Cerrado ainda nenhum foi firmado. “O Burger King não assinou nenhum compromisso até hoje de compra de matéria-prima livre de desmatamento”, diz Marina. A rede de fast-food é a segunda maior rede de hambúrgueres do mundo. Serve mais de 11 milhões de consumidores por dia e está presente em mais de 100 países ao redor do mundo. “Cada mordida que a gente dá em um hambúrguer é um pedacinho de recurso natural que a gente está comendo”, afirma Marina.

As ONGs afirmam que essas empresas não são as únicas responsáveis por impactar negativamente o meio ambiente. Mas que foram escolhidas como objeto de estudo devido a seu tamanho e relações com grandes empresas alimentícias.

Procurada por ÉPOCA, a Bunge apresentou seu posicionamento oficial. Em nota, a empresa afirma que o relatório “faz uma correlação enganosa entre a presença da Bunge no Cerrado brasileiro e os números totais de desmatamento na região”.  Segundo a Bunge, dois fatos importantes merecem destaque. “Primeiro, a maioria das mudanças de uso da terra não está diretamente relacionada às safras adquiridas pela Bunge. Em segundo lugar, nossa participação de mercado nos municípios da região onde operamos silos é de apenas 20%.”

“O relatório está certo em um ponto: uma empresa sozinha não pode resolver esse problema”, afirma ainda a nota da Bunge. “Um passo positivo seria que mais empresas adotassem compromissos de desmatamento zero, aplicassem controles para bloquear que safras cultivadas em áreas desmatadas ilegalmente possam entrar em suas cadeias de fornecimento, informassem publicamente seu progresso e investissem alguns milhões de dólares para apoiar os esforços de planejamento sustentável do uso da terra. Tudo isso a Bunge tem feito. Em última análise, o desmatamento é um problema complexo relacionado à demanda do mercado global, ao desenvolvimento econômico, aos direitos de propriedade e à falta de suficiente compensação para os proprietários de terra – provenientes do mercado ou dos governos – que proporcionariam incentivos para conservar o meio ambiente. Para controlar isso, seria necessário que governo, indústria, agricultores, comunidades locais e sociedade civil desenvolvessem novos sistemas. Enquanto isso, a Bunge continuará a participar ativamente desses esforços.” Aham, blablablá…

Em nota, a Cargill diz que “está inabalável quanto ao seu compromisso de acabar com o desmatamento”. A empresa afirma que está tomando medidas para alinhar as operações, “comprometidos em reduzir pela metade o desmatamento até 2020 e eliminá-lo até 2030”. Afirma ainda que sempre que descobre um problema, vai corrigi-lo. “Reconhecemos que esta é uma jornada longa e complexa. Este não é um desafio fácil de resolvermos e requer tempo e trabalho duro em campo, fazenda por fazenda e hectare por hectare, para termos um impacto duradouro e garantirmos a inclusão social das comunidades nas quais atuamos. Devemos ser, ao mesmo tempo, ambiciosos e pragmáticos, pois essa é realmente a melhor maneira de nutrir o mundo de forma eficaz e proteger o planeta”. Aham, aham, blablablá…

ÉPOCA também procurou as rede de fast-food Burger King. Até o momento da publicação desta reportagem a empresa não tinha se pronunciado. Tá certo, pelo menos não mentiram, desconversaram ou enrolaram, como as outras duas.

Fonte – Daniela Simões, Edição Alexandre Mansur, Blog do Planeta de 02 de março de 2017

Mais de 20% de todos os agrotóxicos usados no Brasil são ilegais

É isso mesmo. O dado alarmante foi revelado por Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) e convidado a compor a mesa de debate de audiência pública da Comissão de Reforma Agrária do Senado desta quinta-feira (24).

O tema da audiência era contrabando e falsificação de agrotóxicos e seus impactos na economia. Possíveis embargos internacionais às exportações brasileiras e perdas de arrecadação tributárias avaliadas em um milhão de dólares no último ano preocupam. Mas nada se compara ao risco que a sociedade corre ao estar sujeita a esses agrotóxicos ilegais.

Questionada se existe uma análise capaz de dizer os riscos à saúde causados por essas substâncias piratas, Sílvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG), respondeu: “Não é possível afirmar os riscos ou o que tem dentro desses produtos contrabandeados”. E afirmou que se fossem feitos por uma empresa, ela seria a terceira ou quarta maior do mercado nacional.

Resumindo: além de representar um grande risco econômico, trata-se de um grave problema de saúde pública. Brasileiros e brasileiras estão consumindo alimentos com substâncias químicas que nem especialistas no tema sabem o que é ou o que pode ser.

A questão do risco alimentar vem forte dentro dessa discussão. Durante debate nesta quarta-feira (23) da Comissão Especial do Projeto de Lei 6299/2002, que visa enfraquecer a legislação de agrotóxicos com o objetivo de facilitar seu uso e liberação, Eloísa Dutra Caldas, coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília, lembrou que o Brasil não tem um órgão público voltado à avaliação de riscos de substâncias químicas legais usadas nas lavouras. “Meu sonho é que o Brasil tenha uma agência avaliadora de riscos”, disse ela.

Para os agrotóxicos regulamentados existe o Limite Máximo de Resíduos (LMR), que estipula por lei a quantidade permitida de resíduo de um pesticida específico no alimento. No entanto, não é um indicador de saúde, e sim puramente agronômico, não levando em conta o uso cruzado de diferentes substâncias. Por sua vez, o índice de Ingestão Diária Máxima (IDM), além de obter seus resultados por meio de testes em ratos e não em seres humanos, não considera o consumo cumulativo de pesticidas ao longo da vida de uma pessoa.

Se o uso legal e licenciado de agrotóxicos já apresenta brechas em suas análises, imagine então produtos contrabandeados ou até falsificados, que são produzidos pelos próprios traficantes em fazendas ilegais. E pensar que estes compõem mais de 20% de todos os insumos químicos aplicados nas lavouras brasileiras é assustador.

Segundo pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace, 81% da população brasileira considera que a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras é “alta” ou “muito alta”. As pessoas não querem mais comer comida com pesticidas – ainda mais sabendo que parte significativa deles é ilegal e sem qualquer controle. Ao invés de tentar flexibilizar, é preciso endurecer a legislação de agrotóxicos e caminhar para a redução gradual de seu uso até se ver livre da aplicação de químicos nos campos. Por isso, o Greenpeace e outras organizações da sociedade civil apresentaram no início de novembro ao Congresso o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) em forma de sugestão de Projeto de Lei.

Agricultura da conciliação?

Os últimos dias no Congresso Nacional mostram que o debate sobre o modelo de produção de alimentos do país está se tornando questão cada vez mais relevante para a sociedade civil, que quer consumir comida sem agrotóxicos. Com o espaço que sistemas alternativos de produção vêm tomando e as críticas crescentes da sociedade sobre o uso de pesticidas, o agronegócio se coloca na defensiva e passa a adotar um discurso mais brando no lugar da radicalização de costume.

Durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), Rodrigo Justus, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em tom conciliador, sugeriu que o Fundo Amazônia, além de servir para “caçar desmatador”, também deveria investir em pesquisas de diferentes modelos de produção sem uso de agrotóxicos, como o sistema agroflorestal ou agroecológico. “Estamos abertos a novos modelos”, afirmou.

Audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, dia 22 de novembro (© Alan Azevedo / Greenpeace)

Fernando Rebelo, do IBAMA, defendeu que a intenção de quem incentiva a produção ecológica não é de acabar com o modelo convencional. “Não queremos quebrar o agronegócio. Se um executivo da Coca-Cola, há 30 anos, dissesse que a empresa precisaria produzir suco, ele ia ser mandado embora. Hoje, o suco e a água mineral vão salvar a Coca-Cola”.

A analogia cai como uma luva sobre o agronegócio. Em alguns anos, quando a vontade da maioria for contra consumir produtos químicos em seus alimentos, o setor que movimenta cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) pode de fato quebrar caso não se adapte à demanda nacional e internacional. Vale lembrar que o Brasil utiliza muitos agrotóxicos proibidos na União Europeia e em diferentes países como China, Estados Unidos e Índia, o que limitará cada vez mais as exportações de grãos e também de carne, uma vez que a alimentação animal se dá por meio da soja e do milho quimicamente tratados.

“Ver o setor do agronegócio tomando a defensiva frente a uma disputa que está perdendo é um bom sinal para nós. Se quiserem conciliar interesses por uma agricultura responsável, sustentável e que não ofereça riscos à saúde humana, muito que bem. Mas no fundo as ideias são inconciliáveis. O que queremos mesmo é o fim do uso dos agrotóxicos”, defende Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil.

Fonte – Alan Azevedo, Greenpeace de 25 de novembro de 2016

Ciclo do nitrogênio: entenda etapas, organismos participantes e importância

Ciclo do nitrogênio

Dentre os ciclos biogeoquímicos, o do nitrogênio é o mais amplamente estudado. Saiba o motivo

O nitrogênio é um elemento químico essencial para a existência de vida na Terra, já que é componente de todos os aminoácidos do nosso corpo, além das bases nitrogenadas (que constituem as moléculas de DNA e RNA). Aproximadamente 78% do ar que respiramos é composto pelo nitrogênio da atmosfera (N2), que é seu maior reservatório. Um dos motivos para isso é o N2 ser a forma inerte do nitrogênio, ou seja, ele é um gás que, em situações comuns, não é reativo. Assim, ele vem se acumulando na atmosfera desde a formação do planeta. Apesar disso, poucos seres vivos têm capacidade de absorvê-lo em sua forma molecular (N2). Acontece que o nitrogênio, assim como o ferro e o enxofre, participa de um ciclo natural ao longo do qual sua estrutura química sofre transformações em cada uma das etapas, servindo como base para outras reações e assim se tornando disponível para outros organismos – esta a grande importância do ciclo do nitrogênio (ou “ciclo do azoto”).

Para que o N2 atmosférico atinja o solo, entrando no ecossistema, ele deve passar por um processo chamado fixação, que é realizado por pequenos grupos de bactérias nitrificantes, que retiram o nitrogênio na forma de N2 e o incorporam em suas moléculas orgânicas. Quando a fixação é realizada por organismos vivos, como as bactérias, ela é chamada de fixação biológica, ou biofixação. Atualmente, também pode-se fazer uso de fertilizantes comerciais para a fixação de nitrogênio, caracterizando a fixação industrial, método muito utilizado na agricultura. Além destas, há também a fixação física, que é realizada por raios e faíscas elétricas, através dos quais o nitrogênio é oxidado e carregado para o solo através das chuvas, mas tal método possui uma capacidade reduzida de fixação de nitrogênio, que não é suficiente para os organismos e a vida na Terra se manterem.

As bactérias, ao fixarem o N2, liberam amônia (NH3). A amônia, quando em contato com as moléculas de água do solo, formam o hidróxido de amônio que, ao ionizar-se, produz o amônio (NH4), em um processo denominado amonificação. Na natureza, há um equilíbrio entre amônia e amônio, que é regulado pelo pH. Em ambientes onde o pH é mais ácido, predomina a formação de NH4, e em ambientes mais básicos, o processo mais comum é o da formação de NH3. Este amônio tende a ser absorvido e utilizado principalmente pelas plantas que possuem bactérias associadas às suas raízes (bacteriorrizas). Quando produzido por bactérias de vida livre, este amônio tende a ficar disponível no solo para ser utilizado por outras bactérias (as nitrobactérias).

As nitrobactérias são quimiossintetizantes, ou seja, são seres autotróficos (que produzem seu próprio alimento), que retiram a energia necessária para sua sobrevivência a partir de reações químicas. Para obter essa energia, elas tendem a oxidar o amônio, transformando-o em nitrito (NO2), e posteriormente em nitrato (NO3). Este processo é denominado nitrificação.

O nitrato permanece livre no solo, e não possui tendência de se acumular em ambientes naturalmente intactos, fazendo com que ele possa percorrer três caminhos diferentes: ser absorvido pelas plantas, ser desnitrificado, ou atingir corpos d’água. Tanto a desnitrificação quanto o fluxo de nitrato para os corpos d’água apresentam consequências negativas para o meio ambiente.

Impactos no meio ambiente

A desnitrificação (ou denitrificação) é um processo realizado por bactérias denominadas desnitrificantes, que transformam o nitrato em N2 novamente, realizando a devolução do nitrogênio à atmosfera. Além do N2, outros gases que podem ser produzidos são o óxido nítrico (NO), que se combina com o oxigênio atmosférico, favorecendo a formação da chuva ácida, e o óxido nitroso (N2O), que é um importante gás causador do efeito estufa, que agrava o aquecimento global.

O terceiro caminho, que é aquele em que o nitrato atinge os corpos d’água, causa um problema ambiental chamado eutrofização. Esse processo é caracterizado pelo aumento da concentração de nutrientes (sendo eles compostos nitrogenados e fósforo, principalmente) nas águas de um lago ou represa. Esse excesso de nutrientes favorece a multiplicação acelerada de algas, que termina por dificultar a passagem da luz, desequilibrando o meio aquático. Outra forma de proporcionar esse excesso de nutrientes em um meio aquático é liberando nele esgoto sem tratamento adequado (clique aqui para saber mais sobre as consequências e controle da eutrofização).

Outra questão a ser considerada é o fato de que o nitrogênio pode também ser prejudicial às plantas quando presente em quantidades que vão além de suas capacidades de assimilação. Assim, um excesso de nitrogênio fixado no solo pode limitar o crescimento da planta, prejudicando culturas. Dessa forma, a relação carbono/nitrogênio também deve ser considerada em processos de compostagem, para que sempre se mantenham ativos os metabolismos das colônias de micro-organismos envolvidos no processo de decomposição.

Absorção de nitrogênio pelo homem

Os seres humanos e outros animais têm acesso ao nitrato a partir da ingestão de plantas que absorveram essa substância ou, de acordo com a cadeia alimentar, a partir da ingestão de outros animais que se alimentaram destas plantas. Esse nitrato retorna ao ciclo a partir da morte de algum organismo (matéria orgânica) ou pela excreção (de ureia ou ácido úrico, na maioria dos animais terrestres e de amônia, nas excretas dos peixes) que apresenta compostos nitrogenados. Assim, bactérias decompositoras agirão sobre a matéria orgânica liberando amônia. A amônia também pode ser transformada em nitritos e nitratos pelas mesmas nitrobactérias que transformam o amônio, integrando-se ao ciclo.

Uma alternativa aos fertilizantes

Como vimos, a fixação de nitrogênio no solo pode produzir efeitos positivos, mas o processo ocorre em excesso, pode gerar consequências negativas para o meio ambiente. A interferência do homem no ciclo do nitrogênio se dá pela fixação industrial (por meio do uso de fertilizantes), que aumenta a concentração de nitrogênio a ser fixada, ocasionando problemas como os citados anteriormente.

Uma alternativa para o uso dos fertilizantes seria a rotação de culturas, alternando culturas de plantas fixadoras e não fixadoras de nitrogênio. Plantas fixadoras de nitrogênio são aquelas que possuem bactérias e outros organismos fixadores associados a suas raízes, como ocorre em plantas leguminosas (como o feijão e a soja). A rotação favoreceria a fixação de nitrogênio em quantidades mais seguras que a utilização dos fertilizantes, fornecendo nutrientes compatíveis com a capacidade de assimilação das plantas, favorecendo seu desenvolvimento e reduzindo as taxas de nutrientes que atingem os corpos d’água. Um processo semelhante denominado “adubação verde” também pode ser aplicado em substituição aos fertilizantes.

Este processo consiste em cultivar plantas fixadoras de nitrogênio e roçá-las antes que produzam sementes, deixando-as no local como cobertura morta, para que então sejam feitas culturas posteriores de outras espécies. Logo abaixo podemos conferir uma imagem que nos traz um resumo do que foi visto ao longo da matéria.

ANAMMOX

A sigla em inglês (que significa oxidação anaeróbia de amônia) nomeia um processo biológico inovador de remoção de amônia de águas e gases.

Consiste em um atalho, visto que a amônia não precisaria ser nitrificada em nitrito e nitrato para que fosse denitrificada de volta para a forma de N2. Com o processo ANAMMOX, a amônia seria diretamente reconvertida em gás nitrogênio (N2). A primeira estação de grande escala foi instalada em 2002 na Holanda, e em 2012, já existiam 11 instalações em funcionamento.

Eficiente e sustentável, o processo ANAMMOX pode ser utilizado para remover amônia em efluentes em concentrações maiores até que 100 mg/l. Dentro dos reatores, bactérias nitrificantes e ANAMMOX coexistem, onde as primeiras transformam cerca de metade da amônia em nitretos (compostos químicos que possuem nitrogênio em sua composição), e as bactérias ANAMMOX agem transformando os nitretos e a amônia em gás nitrogênio.

A oxidação anaeróbica de amônia tem se demonstrado promissora, e já pode ser encontrada em processos industriais como tratamento de águas residuárias, de resíduos sólidos orgânicos, em indústrias alimentícias, de fertilizantes, dentre outras.

Fonte – eCycle

Bioestimulantes são alternativa livre de agrotóxicos para fortalecer as plantas

Fortalecer o mecanismo natural de autodefesa da planta a torna mais produtiva e mais resistente à pragas e doenças – e tudo isso sem pesticidas

O agrônomo Yoshio Tsuzuki defende em seu livro sobre técnicas de defesa fisiológica contra peste e doenças, que as plantas possuem mecanismos de autodefesa que podem ser enfraquecidos quando elas estão expostas a situações de estresse ambiental, como variações drásticas de temperatura, escassez ou excesso de água, excesso de umidade, aplicação errada de adubo, presença de patógenos e pragas, entre outras. Tsuzuki acredita que a maneira mais eficiente de melhorar o processo de autodefesa da planta é aumentando seu nível de energia vital, através da aceleração da fotossíntese.

Em artigo publicado no Journal of Sustainable Agriculture (Jornal de Agricultura Sustentável – em tradução livre) Graeme Berlyn e Ricardo Russo definem os bioestimulantes como substâncias não fertilizantes com efeito benéfico no processo de crescimento vegetal. A efetividade dos bioestimulantes está em melhorar a capacidade de absorção de água e de nutrientes pela planta, ou seja, melhorar a fotossíntese.

O que são os bioestimulantes?

Em estudo do Instituto Agronômico de Campinas, os bioestimulantes são definidos como uma mistura de reguladores de crescimento. Reguladores de crescimento são substâncias compostas por hormônios vegetais, ou hormônios sintéticos, que, quando aplicados na planta, agem diretamente na fisiologia do vegetal, incrementando seu desenvolvimento. Bioestimulantes podem conter em sua fórmula outros compostos, como aminoácidos, nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio), vitaminas, concentrado de algas marinhas e ácido ascórbico.

Como os bioestimulantes ajudam a planta a se desenvolver?

A aplicação do bioestimulante mantém o equilíbrio hormonal da planta e é isso o que a torna mais resistente e menos vulnerável à situações de estresse. Tais situações induzem a planta a perder sua capacidade de equilibrar propriedades oxidativas e antioxidantes. Assim, a planta tem dificuldades em converter a luz solar em energia química, prejudicando o processo de fotossíntese.

Segundo a  tese de doutorado apresentada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, por Ana Vasconcelos, quando a planta está exposta à situação de estresse ambiental, os radicais livres reagem com o oxigênio, danificando as células vegetais. A aplicação do bioestimulante tende a aumentar a capacidade antioxidante da planta, reduzindo a toxicidade dos radicais livres e disponibilizando mais energia para que a planta desenvolva seu sistema radicular e a parte foliar.

Uso dos bioestimulantes na agricultura orgânica

Os bioestimulantes já vêm sendo aplicados no Brasil em culturas como soja, milho, arroz e feijão e tomate. É importante ressaltar que existem várias fórmulas de utilizá-los, cabendo ao agricultor escolher o produto mais adequado à espécie que cultiva. A efetividade também varia de acordo com a etapa do ciclo vegetativo na qual o produto é aplicado, variando de espécie para espécie de planta, mas, de maneira geral, é indicado iniciar a aplicação ainda na semente.

Por serem capazes de aumentar o fator de produtividade, diminuindo custos e aumentando lucros, tornanando a planta mais resistente à pragas e doenças sem o uso de agrotóxicos na fórmula, os bioestimulantes tendem a ser uma ótima ferramenta para impulsionar a agricultura orgânica.

Veja no vídeo a seguir (em espanhol) sobre o uso de biostimulantes em vários cultivos em plantações no Paraguai:

Fonte – eCycle

O uso de fertilizantes é um problema sem solução na agricultura?

Ainda que essenciais, esses compostos químicos contribuem para o agravamento de diversos problemas ambientais

Os fertilizantes são compostos químicos utilizados na agricultura para aumentar a quantidade de nutrientes do solo e, consequentemente, conseguir um ganho de produtividade. Atualmente, são muito utilizados, ainda que paguemos um alto preço por isso.

Entre os problemas estão: a degradação da qualidade do solo, a poluição das fontes de água e da atmosfera e aumento da resistência de pragas.

Tipos de fertilizantes

Existem dois grandes grupos de fertilizantes: os inorgânicos e os orgânicos; ambos podem ser naturais ou sintéticos.

Os inorgânicos mais comuns levam nitrogênio, fosfatos, potássio, magnésio ou enxofre e a maior vantagem desse tipo de fertilizante está no fato de conter grandes concentrações de nutrientes que podem ser absorvidos quase que instantaneamente pelas plantas.

Em relatório apresentado durante a Rio+20, o Ibge descreve o crescimento do uso de fertilizantes no Brasil. Entre os anos de 1992 e 2012, o consumo mais que dobrou, pulando de 70 quilos por hectare para 150 quilos por hectare vinte anos depois. Segundo a Petrobras, 70% dos fertilizantes nitrogenados são importados de países como a Rússia e os EUA. Da produção nacional, a empresa é responsável por 60%.

Já os fertilizantes orgânicos são feitos a partir de produtos naturais, como húmus, farinha de osso, torta de mamona, algas e esterco.

Estudos mostram que o uso desse tipo de fertilizante aumenta a biodiversidade do solo, com o surgimento de microrganismos e fungos que contribuem para o crescimento das plantas. Aliado a isso, no longo prazo, há um aumento da produtividade do solo.

A fabricação dos fertilizantes nitrogenados

Os fertilizantes nitrogenados estão entre os mais utilizados e são os que causam maior impacto ambiental. De acordo com a Associação Internacional de Fertilizantes(IFA), a produção desses compostos é responsável por 94% do consumo de energia de toda produção de fertilizantes. Os principais combustíveis utilizados são o gás natural (73%) e o carvão mineral (27%), ambos fósseis, cujas emissões de dióxido de carbono (CO2) contribuem com o processo de desequilíbrio do efeito estufa, logo, favorecem o processo de aquecimento global. A fabricação consome aproximadamente 5% da produção anual de gás natural.

O nitrogênio é extremamente importante para o crescimento e desenvolvimento das plantas, causando a atrofia quando ausente. Na atmosfera, é encontrado na forma de N² (não metabolizável por plantas ou animais), e de outras moléculas, como o NO – não metabolizável por plantas ou animais. Os principais fertilizantes de nitrogênio são a amônia e seus derivados, como a ureia e o ácido nítrico, que proporcionam um nitrogênio de forma assimilável.

A produção de fertilizantes nitrogenados se dá através do processo de Haber-Bosch. Nele, o nitrogênio (N2) presente na atmosfera é captado e misturado com o metano (CH4) do gás natural e com algum composto de ferro, como o óxido de ferro, que serve como catalisador da reação. Com o calor da queima do gás natural e com mudanças de pressão, a amônia é formada. Ainda de acordo com a IFA, apenas 20% da amônia produzida não é utilizada na agricultura.

Ao fertilizante entrar em contato com o solo, e aqui reside o grande problema, ocorre reação química em que bactérias, principalmente as do gênero Pseudomonasliberam óxido nitroso (N2O), um poderoso gás de efeito estufa com potencial 300 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2). O processo de Haber-Bosch se assemelha ao ciclo do nitrogênio realizado pelas bactérias na natureza. A diferença é que ao invés de devolver N2 à atmosfera, ele devolve um gás que contribui para asmudanças climáticas no planeta.

O processo de extração do N2 da atmosfera é uma das mais preocupantes atividades realizadas pelo homem. Em 2009, um grupo de 29 cientistas publicou umestudo sobre as ações humanas e seus limites para a manutenção da vida no planeta. Os pesquisadores sugerem um limite anual de 35 milhões de toneladas de N2 extraídas do ar. Enquanto isso, atualmente, 121 toneladas do gás são removidos da atmosfera todo ano.

Outros problemas associados aos fertilizantes inorgânicos

De maneira geral, o uso de fertilizantes inorgânicos acarreta problemas para o meio ambiente, dentre eles a contaminação de lençóis freáticos, rios e lagos. Muitos dos fertilizantes levam poluentes orgânicos persistentes (POPs), como dioxinas e metais pesados em sua composição, que contaminam os animais e plantas que vivem na água. Outros animais ou o próprio ser humano podem se contaminar ao beber a água ou comer animais intoxicados. Estudos já demonstram a acumulação de cádmio presente em fertilizantes no solo da Nova Zelândia (saiba mais sobre os POPs em nossa matéria especial).

A contaminação da água também pode levar à sua eutrofização. Esse é um processo em que, segundo estudos, os compostos nitrogenados ou fosfatados, ao chegarem à rios, lagos e zonas costeiras favorecem o crescimento e o aumento de número de algas, que por sua vez levam à diminuição do oxigênio e à morte diversos organismos. Alguns ambientalistas afirmam que esse processo gera “zonas mortas” nos ambientes aquáticos, sem qualquer tipo de vida além das algas.

Processo similar ocorre com o uso intensivo de sabão que contém fosfato em sua composição e acaba por ser destinado nos rios e mares (clique aqui para saber mais sobre os problemas dos sabões).


Lago eutrofizado

Estudos mostram também que fertilizantes fosfatados e nitrogenados também podem causar dependência do solo, por matar organismos da sua microflora como o fungo mycorrhiza e diversas bactérias que contribuem para a riqueza do solo e para o desenvolvimento das plantas. A acidificação também é um dos problemas e causaria a perda de nutrientes do solo.

Problemas associados aos fertilizantes orgânicos

Outras pesquisas afirmam que um dos perigos dos fertilizantes orgânicos está na sua própria composição. Se não fabricado de maneira correta, pode conter agentes patogênicos.

A quantidade de nutrientes presentes nos fertilizantes orgânicos não é exata e, diferentemente do que ocorre com os fertilizantes inorgânicos, podem não estar à disposição no momento correto do crescimento da planta. Isso faz com que não haja utilização desse tipo de fertilizante na produção agrícola intensiva moderna.

Ainda que em escala muito menor, esse tipo de fertilizante, assim como os inorgânicos, causam acidificação do solo e pode liberar óxido nitroso na atmosfera.

Panorama futuro e sugestões

As perspectivas não são animadoras. Com o crescimento populacional a necessidade constante de aumento da produção, a tendência é que o uso de fertilizantes inorgânicos aumente.

Com o passar do tempo, os fertilizantes orgânicos se tornaram extremamente ineficientes e não há pesquisas contundentes sobre a substituição dos fertilizantes inorgânicos por compostos químicos menos abrasivos ao meio ambiente. Esse problema se torna especialmente perigoso para o Brasil. O país é uma das principais fronteiras agrícolas do mundo e será um dos principais responsáveis pela produção que alimentará a população que, de acordo com a ONU, deve chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050. Isso mostra o potencial aumento de gases do efeito estufa emitidos no país em um período de tempo relativamente curto.

Atualmente, o governo federal tem incentivado a diminuição das emissões dos gases do efeito estufa através do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC). Entre as metas estão a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagem degradada, o plantio de florestas e o incremento do uso de técnicas de fixação do nitrogênio.

Para não se expor a todos esses problemas, ou até mesmo diminuir o impacto ambiental das suas compras, quando possível opte por alimentos orgânicos de pequenos produtores locais. Você pode até mesmo cultivar seus próprios legumes frutas e verduras utilizando fertilizantes orgânicos.

Fonte – eCycle

Ibama multa o Santander por financiar plantio de grãos na Amazônia

Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.

Ibama multa o Santander em R$ 47,5 milhões

Banco financiou plantio de grãos em áreas da Amazônia embargadas pelo órgão ambiental

O banco Santander foi multado em R$ 47,5 milhões pelo Ibama por financiar o plantio de grãos em áreas da Amazônia que já estavam embargadas pelo órgão de fiscalização, por serem áreas de proteção ambiental.

Em operação feita em parceria com o Ministério Público Federal de Mato Grosso, a fiscalização constatou que recursos do banco financiaram a plantação de milhares de toneladas de milho e soja em áreas já bloqueadas por causa de plantações irregulares anteriores. Em vez de serem revitalizadas, essas terras continuaram a ser exploradas.

Além do Santander, as multas da atingiram algumas “tradings” de pequeno porte e outras empresas que atuam na cadeia produtiva. O total das infrações, que começaram a ser aplicadas ontem, deve chegar a cerca de R$ 170 milhões.

A identificação das irregularidades é resultado de um cruzamento de informações realizado nos últimos meses por agentes do Ibama e do MPF. A Operação Shoyo mapeou as áreas embargadas, o histórico de imagens por satélite e, finalmente, a emissão de “cédulas de produto rural”, as chamadas CPRs – um tipo de título usado por produtores para tomar crédito. Como as CPRs são registradas em cartório, bastou aos fiscais solicitar essas informações e cruzar os dados.

“A lista de terras embargadas pelo Ibama é pública. É uma exigência básica que qualquer agente interessado em realizar ou financiar plantio verifique se aquela localização não tem irregularidades”, disse Jair Schmitt, coordenador-geral de fiscalização ambiental do Ibama.

Justificativa

No caso do Santander, a multa se baseia na conclusão de que o banco intermediou a plantação de 95 mil sacas de milho na safra de 2015, em uma área de 572 hectares. As irregularidades foram encontradas nas cidades de Porto dos Gaúchos, Feliz Natal e Gaúcha do Norte, próximos a Sinop (MT), um dos principais polos de produção de grãos do País.

Procurado pela reportagem, o Santander informou que ainda não tinha sido notificado e que, por isso, ainda não podia se manifestar. “O banco ressalta que, além de cumprir rigorosamente a legislação vigente, adota as melhores práticas do mercado no que diz respeito às políticas socioambientais”, declarou, em nota.

A autuação milionária imposta a empresas que financiam irregularmente o agronegócio em áreas de proteção ambiental marca uma mudança de estratégia do Ibama, que tradicionalmente concentra esforços nas atividades dos produtores rurais. A ordem agora é envolver nas operações, sempre que possível, todos os agentes que atuam no negócio, sufocando seu financiamento e punindo os elos da cadeia produtiva do desmatamento ilegal.

Com a mudança, o órgão espera também que o mercado passe a ter um melhor controle sobre a origem dos produtos. “Quem adquire, financia, transporta, comercializa ou intermedeia produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente também é responsável pela devastação da floresta, inclusive bancos, tradings, transportadoras e empresas de beneficiamento”, disse Jair Schmitt, coordenador-geral de fiscalização ambiental do Ibama.

Além das autuações do órgão de fiscalização ambiental, o Ministério Público Federal de Mato Grosso vai analisar a responsabilização civil pelos danos causados nas áreas embargadas. “Em matéria de dano, a responsabilização é compartilhada, independentemente se houve ou não intenção de provocar o dano. Quem participa do negócio tem que adotar mecanismos para evitar problemas”, comentou o procurador do MPF no Mato Grosso Marco Antônio Ghannage Barbosa. “Existe a possibilidade de apresentarmos ações na Justiça para responsabilização civil.”

Outra extensão da investigação vai tentar trilhar o caminho da produção irregular, que chegou a 160 mil sacas de grãos. “Essa foi a primeira fase dessa investigação. Já notificamos a Secretaria da Fazenda no Mato Grosso para tentar trilhar para onde foi essa produção”, disse Lívia Martins, superintendente do Ibama em Mato Grosso.

Liderança

O Estado é líder nacional na produção de soja e milho. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, em dez anos, entre as safras de 2004/2005 e de 2014/2015, a área de soja plantada no Mato Grosso cresceu 46,4%, enquanto que a área plantada de milho apresentou um expansão superior a 300%. Para a safra 2015/2016, a previsão é que as áreas plantadas de soja e milho, juntas, atinjam a marca de 13 milhões de hectares, equivalente a 25% de toda área de soja e milho plantada no País.

Fonte – André Borges, O Estado de S.Paulo de 22 Outubro 2016

Biopesticidas podem ser boa alternativa ao uso de agrotóxicos

Produto é menos tóxico que pesticidas tradicionais

O uso de agrotóxicos em processos de cultivo agrícola é cada vez maior. A justificativa para esse uso indiscriminado é a de atender uma demanda cada vez maior por alimentos. O problema é que os pesticidas são extremamente tóxicos e danosos ao meio ambiente.

Uma boa alternativa para esse problema é a utilização de biopesticidas. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), recebem essa classificação quaisquer produtos feitos a partir de microrganismos, substâncias naturais ou derivados de plantas geneticamente modificadas que façam controle de pestes.

A criação dos biopesticidas veio através da biomimética, área da ciência que estuda as estratégias e soluções da natureza para seus problemas, para que possam ser utilizadas pelo homem.

Funcionamento e vantagens

Assim como com os agrotóxicos normais, os pesticidas também são aplicados diretamente nas plantas para afastar pragas específicas. Os micro-organismos, dependendo da característica que tiverem, afastam os insetos pelo odor, por causarem intoxicação ou por outras reações que possam ter, dependo da praga em questão. Apesar do nome e dos componentes parecerem perigosos, os biopesticidas são mais seguros que os agrotóxicos comuns. Ainda de acordo com o EPA, que incentiva o desenvolvimento e a utilização desse tipo de pesticida, as vantagens são a menor toxicidade e o fato de causarem problemas apenas a pestes específicas, e não a pássaros e mamíferos.

Somado a isso, está a questão de que os biopesticidas podem ser utilizados em pequenas quantidades e têm decomposição rápida, fazendo com que o uso de agrotóxicos seja menor, o que causa um baixo impacto ambiental.

Um exemplo de sucesso dos biopesticidas é o Green Muscle, produto feito a partir da mistura de óleo mineral e esporos de fungo, e utilizado em países africanos no combate às nuvens de gafanhotos.

Nos EUA, além do EPA, a produção de biopesticidas é amparada pelo Departamento de Agricultura, que investe no desenvolvimento de tecnologias que barateiem e facilitem a produção de biopesticidas. Uma posição importante que também deveria ser tomada pelo Brasil, fronteira agrícola e com vasto potencial de desenvolvimento de novas tecnologias nessa área.

Biopesticidas caseiros

Não é apenas nos grandes complexos agroindustriais que os biopesticidas podem ser aplicados. Dicas do “arco da velha”, como usar arruda para afastar insetos e manjericão para deixar os mosquitos longe do quarto, também são pertencentes ao conceito de biopesticidas. Para conhecer quais plantas podem te ajudar a combater insetos, visite a seção especial do site nPlantas.

Fonte – eCycle

Os problemas causados pelos agrotóxicos justificam seu uso?

O impacto causado pelo uso e da fabricação de pesticidas é, muitas vezes, irreversível

Com o constante crescimento da população mundial, a produção agrícola deve se tornar cada vez mais eficiente ao longo dos anos. Essa é a principal justificativa para a fabricação e a comercialização de fertilizantes e agrotóxicos.

Mas essa justificativa pode ser usada como pretexto para a intoxicação de animais, do meio ambiente e dos seres humanos? Não existem alternativas ao uso desse tipo de produto?

Para começar essa discussão, precisamos saber o que são os agrotóxicos. Esse tipo de produto é um composto químico cujo princípio ativo acaba com diversos tipos de pestes (daí vem o nome pesticida) que prejudicam a produtividade agrícola de uma cultura. Essas pestes podem ser insetos, ervas daninhas, fungos, vermes, roedores e muitas outras pragas.

Impactos ambientais

De maneira geral, os pesticidas são tóxicos, independentemente de qual composto é usado, sendo uns menos, e outros mais danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

Um dos problemas mais comuns é a contaminação do solo, de lençóis freáticos e de rios e lagos. Quando o agrotóxico é utilizado, ele chega ao solo e a chuva, ou o próprio sistema de irrigação da plantação, facilita a chegada dos pesticidas aos corpos de água, poluindo-os e intoxicando toda vida lá presente.

Um bom exemplo de como esse tipo de produto tóxico funciona pode ser observado em inseticidas, como os organoclorados e organofosforados. Ambos são bioacumulativos, o que significa que o composto permanece no corpo do inseto ou de um peixe após sua morte. Se algum outro animal se alimentar de um ser contaminado, também ficará intoxicado, e assim sucessivamente, aumentando o alcance do problema.

O uso de pesticidas, inclusive, contribui com o empobrecimento do solo. Estudos mostram que a utilização de pesticidas reduz a eficiência da fixação de nitrogênio realizada por micro-organismos, o que faz com que o uso de fertilizantes seja cada vez mais necessário.

Os pesticidas também favorecem o surgimento de pragas progressivamente mais fortes, através de um processo de “seleção natural”, em que os animais mais resistentes aos agrotóxicos tomam o lugar das espécies mais suscetíveis. Esse processo também acaba garantindo a manutenção da produção de agrotóxicos.

Outros problemas que já foram percebidos por estudos são a diminuição do número de abelhas polinizadoras e a destruição do habitat de pássaros em ambientes onde pesticidas são utilizados.

Saúde humana

A saúde humana é afetada pelos agrotóxicos de três maneiras: durante sua fabricação, no momento da aplicação e ao consumir um produto contaminado. Independentemente da forma de contato, os efeitos são extremamente perigosos.

Problemas neurológicos, como o Mal de Alzheimer, estão associados à exposição a inseticidas organofosforados, assim como o desenvolvimento de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade em crianças. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) considera esse composto como possível carcinogênico.

A EPA afirma que o efeito do pesticida depende do principio ativo nele presente. Os sintomas podem variar, desde irritação da pele, até problemas hormonais e o desenvolvimento de câncer.

Em 2007, pesquisadores descobriram, depois de realizarem um levantamento, que a maioria dos estudos revela a associação entre a exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento de linfoma não-Hodgkin e leucemia.

Para as grávidas, o risco é dobrado. Pesquisadores apontam para as fortes evidências que ligam o contato com pesticidas a problemas durante a gestação, como a morte de fetos, defeitos de nascença, problemas de desenvolvimento neurológico, diminuição do tempo de gestação e pouco peso do bebê.

Estudos estimam que aproximadamente 25 milhões de trabalhadores agrícolas de países pobres sofram com algum tipo de intoxicação causada por exposição a agrotóxicos. Há diversas situações comprovadas como no caso de que duas grandes empresas multinacionais que firmaram acordo em 2013 para indenização da ordem de R$ 200 milhões envolvendo cerca de mil trabalhadores contaminados por substâncias cancerígenas, entre 1974 e 2002, numa fábrica de pesticidas em Paulínia, no interior de São Paulo.

Alternativas

Todos esses problemas se tornam especialmente importantes para o Brasil por tratar-se de uma das principais fronteiras agrícolas do planeta. Por isso, é importante discutir alternativas saudáveis aos agrotóxicos.

Uma das possíveis alternativas para a substituição de agrotóxicos são os biopesticidas. De acordo com a EPA, o termo se refere a produtos feitos a partir de micro-organismos, substâncias naturais ou derivados de plantas geneticamente modificadas, que façam controle de pestes.

Para o consumidor final, a situação é mais complexa, já que é difícil saber se o produtor utilizou ou não biopesticidas na sua lavoura. A opção é escolher, preferencialmente, alimentos orgânicos e sempre lavar frutas, legumes e verduras, independentemente da sua procedência. Para saber dicas sobre como se livrar dos agrotóxicos dos alimentos de maneira eficiente e utilizando produtos encontrados em casa, leia nossa matéria sobre o tema.

A pressão popular também é importante. Informe-se sobre quais pesticidas são liberados no Brasil, e pressione as autoridades para a criação de leis cada vez mais restritivas que regulem a utilização desse tipo de produto. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida é uma organização que trata do assunto. Visite seu site para saber mais sobre suas atividades.

Fonte – eCycle