sosma divulga qualidade da água em 184 rios, córregos e lagos

observando os rios 2017

A Fundação SOS Mata Atlântica apresenta neste Dia Mundial da Água um panorama sobre a qualidade da água de 240 pontos de coleta distribuídos em 184 rios, córregos e lagos de bacias hidrográficas do bioma. Apenas 2,5% dos locais avaliados possuem qualidade boa, enquanto 70% estão em situação regular e 27,5% com qualidade ruim ou péssima. Isso significa que 66 pontos monitorados estão impróprios para o abastecimento humano, lazer, pesca, produção de alimentos, além de não terem condições de abrigar vida aquática. Nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo.

O levantamento foi realizado em 73 municípios de 11 estados da Mata Atlântica, além do Distrito Federal, entre março de 2016 e fevereiro de 2017. Os dados foram obtidos por meio de coletas e análises mensais de água realizadas por 194 grupos de voluntários do programa “Observando os Rios”, com patrocínio da Ypê.

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“A principal causa da poluição dos rios monitorados é o despejo de esgoto doméstico junto a outras fontes difusas de contaminação, que incluem a gestão inadequada dos resíduos sólidos, o uso de defensivos e insumos agrícolas, o desmatamento e o uso desordenado do solo”, afirma Malu Ribeiro, especialista em Recursos Hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica.

De acordo com ela, a qualidade regular em 70% dos pontos é um grave alerta. Além, disso, a indisponibilidade de água decorrente dos maus usos dos recursos hídricos é intensificada pela falta de atualização da legislação ambiental.

“É fundamental aperfeiçoar a legislação que trata do enquadramento dos rios, de forma a excluir os de Classe 4 da norma nacional. Essa classe, que na prática permite a existência de rios mortos por ser extremamente permissiva em relação a poluentes, mantém muitos em condição de qualidade péssima ou ruim, indisponíveis para usos”, acrescenta Malu.

Comparativo 2016-2017

O estudo comparou os resultados do monitoramento de 152 pontos fixos de coletas, distribuídos por cinco estados – Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo –, além do Distrito Federal. Foram consideradas as médias dos indicadores mensais do Ciclo 2016 (março de 2015 a fevereiro de 2016) e do Ciclo 2017 (março de 2016 a fevereiro de 2017).

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Os indicadores apontam uma diminuição de pontos com qualidade ruim, passando de 54 (35,5%) para 48 (31,6%), mas um aumento de locais com água péssima, de 1 (0,7%) para 3 (2%). O estudo também destaca um aumento na qualidade regular, passando de 94 (61,8%) para 97 (63,8%), e nos pontos com qualidade boa, de 3 (2%) para 4 (2,6%).

“Essa leve tendência de melhora está associada a fatores climáticos, já que o aumento no volume e na vazão dos rios na região Sudeste no último ano contribuiu para a diluição de poluentes. Entretanto, tivemos a perda de qualidade em 15 pontos, sendo 13 localizados em capitais, resultado dos baixos índices de coleta e tratamento de esgoto”, explicou Malu Ribeiro.

Metodologia

Os dados das análises desse estudo seguem a metodologia de monitoramento por percepção da qualidade da água, especialmente elaborada para a Fundação SOS Mata e que tem como base o Índice de Qualidade da Água (IQA).

Para a medição dos parâmetros definidos no IQA, a SOS Mata Atlântica desenvolveu um kit de análise que é utilizado em campo por voluntários do projeto “Observando os Rios”. Os indicadores apurados são reunidos em um sistema online de dados georreferenciados, que totaliza e disponibiliza o resultado obtido em cada ponto de coleta pelos grupos de monitoramento em tempo real.

São avaliados 16 parâmetros do IQA: temperatura da água, temperatura do ambiente, turbidez, espumas, lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos, coliformes totais, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico (pH), fosfato (PO4) e nitrato (NO3). A totalização dos indicadores medidos resulta na classificação da qualidade da água, em uma escala que varia entre: ótima, boa, regular, ruim e péssima.

Sobre o Observando os Rios

O programa surgiu em 1991, com uma campanha que reuniu 1,2 milhão de assinaturas em prol da recuperação do Rio Tietê e originou o primeiro projeto de monitoramento da qualidade da água por voluntários, o “Observando o Tietê”. Para agregar outras bacias hidrográficas, a iniciativa foi ampliada e passou a se chamar “Observando os Rios”. Em nova fase, com o patrocínio da Ypê, o projeto agora tem como objetivo formar 10 grupos de monitoramento da qualidade da água em cada um dos 17 estados da Mata Atlântica. Atualmente, são 212 grupos de monitoramento que analisam a qualidade da água em 257 pontos, 197 rios, em 80 municípios dos estados de SP, RJ, ES, BA, MG, PB, PE, AL, CE, SC, PR, RN e DF envolvendo cerca de 3,4 mil pessoas.

Fonte – SOSMA 22 de março de 2017

Papa Francisco alerta para uma ‘grande guerra mundial pela água’

Em uma reunião do Vaticano pelo direito universal à água potável segura e acessível, o Papa Francisco também citou estatísticas “preocupantes” das Nações Unidas, que indicam que mil crianças morrem por dia por doenças relacionadas à água.

O acesso à água potável é um direito humano básico e um componente-chave para a proteção da vida humana, disse o Papa Francisco.

“O direito à água é essencial para a sobrevivência das pessoas e determinante para o futuro da humanidade”, disse o Papa, no dia 24 de fevereiro, durante uma reunião com 90 especialistas internacionais que participaram do “Diálogo sobre a Água” na Pontifícia Academia de Ciências.

Considerando todos os conflitos do mundo, disse o Papa Francisco, “me questiono se não estamos rumando a uma grande guerra mundial pela água”.

O acesso à água é uma questão básica e urgente, disse ele. “Básica, pois onde há água, há vida, possibilitando que sociedades surjam e avancem. Urgente, pois a nossa casa comum precisa ser protegida.”

Citando estatísticas “preocupantes” das Nações Unidas, o Papa disse: “por dia – por dia! -, mil crianças morrem de doenças relacionadas à água e milhões de pessoas consomem água poluída”.

Ainda que a situação seja urgente, não é insuperável, disse ele. “Nosso compromisso de dar à água o seu devido lugar depende do desenvolvimento de uma cultura de cuidado – o que pode soar poético, mas tudo bem, porque a criação é um poema.”

Cientistas, líderes empresariais, fiéis e políticos devem trabalhar juntos para educar as pessoas sobre a necessidade de proteger os recursos hídricos e encontrar maneiras de garantir um maior acesso à água limpa “para que outros possam viver”, disse ele.

A falta de água potável limpa e segura “causa grande sofrimento em nossa casa comum”, disse o Papa. “E também clama por soluções práticas capazes de superar as preocupações egoístas que impedem que todos exerçam esse direito fundamental.”

“Precisamos unir as nossas vozes por uma única causa; para que não sejam vozes individuais ou isoladas, mas sim que o apelo de nossos irmãos e irmãs ecoe em nossa própria voz e o pedido da terra por respeito e compartilhamento responsável de um tesouro que pertence a todos”, disse ele.

Se cada um contribuir, disse o Papa, “estaremos colaborando para tornar a nossa casa comum um lugar mais habitável e fraterno, onde ninguém seja rejeitado ou excluído, mas todos tenham acesso aos bens necessários para viver e crescer com dignidade.”

Fontes – Cindy Wooden, Tradução Luísa Flores Somavilla, Crux / IHU de 02 de março de 2017

Microplástico: poluição invisível que ameaça oceanos

Partículas microscópicas liberadas por roupas sintéticas e pneus passam por sistemas de tratamento de água e vão parar no mar. Relatório revela material como perigo ambiental maior do que se pensava.

Assista aqui a matéria.

De pneus a roupas e cosméticos, o microplástico se encontra praticamente em todos os objetos do dia a dia. E seu impacto sobre as águas do planeta é catastrófico: calcula-se que, dos 9,5 milhões de toneladas de matéria plástica que flutuam nos mares, até 30% sejam compostos por partículas minúsculas. Invisíveis a olho nu, elas constituem uma fonte de poluição mais grave do que se pensava, como mostra o mais recente relatório da International Union for Conservation of Nature (IUCN).

“Nossas atividades diárias, como lavar roupas e andar de carro, contribuem significativamente para a poluição que sufoca os nossos oceanos, tendo efeitos potencialmente desastrosos para a rica diversidade que vive neles e para a saúde humana”, afirma a diretora geral da IUCN, Inger Andersen.

Assista abaixo “A história das microfibras”, mais um vídeo do projeto “A história das coisas“. No site, os outros vídeos.

Segundo o estudo da organização, cerca de dois terços do microplástico encontrado nos oceanos são originados dos pneus de automóveis e das microfibras liberadas na lavagem de roupa. Outras fontes poluidoras são a poeira urbana, marcações rodoviárias e os barcos.

Perigo invisível

As imagens de tartarugas presas em redes de pescar e pássaros com anéis de latas de cerveja em volta do pescoço há muito correm mundo. O problema do microplástico, contudo, é invisível, só tendo sido recentemente detectado como tal. Assim, ainda se sabe relativamente pouco sobre sua escala e verdadeiro impacto ambiental.

Ao contrário do lixo plástico convencional, que se degrada na água, o microplástico já é lançado no ambiente em partículas tão microscópicas que driblam os sistemas de filtragem das estações de tratamento de água. É exclusivamente nesse tipo de dejeto que o relatório da IUCN se concentra.

A atual quantidade de microplástico nas águas é de 212 gramas por ser humano, o equivalente a se cada pessoa do planeta jogasse uma sacola plástica por semana no oceano. Ingeridos por peixes e outros animais marinhos, os minigrãos podem ter sério impacto sobre seus sistemas digestivos e reprodutivos, e há sérias suspeitas de que acabem chegando aos humanos, cadeia alimentar acima.

Platik Vogel MeerPinguim estrangulado por embalagem de latas de bebida

Maus hábitos de consumo

Como lembra João de Sousa, diretor do Programa Marinho Global do IUCN, as estratégias globais de combate à poluição marítima se concentram em reduzir o tamanho dos fragmentos do lixo plástico convencional. No entanto essa concepção precisa ser revista.

“As soluções devem incluir design de produtos e de infraestrutura, assim como o comportamento do consumidor. Pode-se projetar roupas sintéticas que liberem menos fibras, por exemplo, e os consumidores também podem agir, optando por tecidos naturais, em vez de sintéticos.”

Segundo outros especialistas, contudo, essa estratégia não tem o alcance necessário, e se precisa também abordar outros hábitos de consumo. Para Alexandra Perschau, da campanha “Detox” da organização ambiental Greenpeace na Alemanha, o real problema não é o tipo de casaco que se compra, mas sim quantos.

“O sistema de moda como um todo é o problema, é excesso de consumo”, comentou à DW. “Em diversos levantamentos, seja na Ásia ou na Europa, grande parte dos consumidores admite possuir mais roupas no armário do que precisam, mas continua comprando mais e mais.”

A produção mundial de vestuário dobrou a partir do ano 2000, excedendo os 100 bilhões de peças em 2014, de acordo com uma sondagem da Greenpeace. Além disso, atualmente as peças de vestuário tende a ser de difícil reciclagem.

“Temos cada vez mais peças confeccionadas com fibras mistas de poliéster e algodão, portanto nem temos como reciclá-las devidamente. No momento a tecnologia não está tão avançada que possamos separar esses tipos de fibras”, explica Perschau.

Symbolbild Verschmutzung der MeereMacrolixo visível é apenas parte da ameaça aos oceanos

Entre a moda e meio ambiente

O relatório da IUCN saúda os esforços para banir as microesferas de plástico dos produtos cosméticos, inspirados por relatórios recentes. Trata-se de uma “iniciativa bem-vinda”, porém com impacto restrito, uma vez que esse tipo de material só responde por 2% da poluição com microplástico.

Em vez disso, seria necessária uma investida mais ampla e de impacto real contra as atividades geradoras das minúsculas partículas, segundo Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup Foundation, que luta para que se pare de despejar matéria plástica no oceano.

“Somos todos responsáveis: é a ciência, a indústria, são os legisladores – e os consumidores. Todos nós precisamos fazer algo. Todos estamos usando plástico e todos o jogamos fora”, pleiteia Westerbos, sugerindo o desenvolvimento de tecidos que não desfiem e a adoção de novos filtros nas máquinas de lavar roupa – que só devem ser usadas com carga completa e de preferência com sabão líquido.

Perschau, da Greenpeace, acrescenta a importância de aumentar a vida útil das roupas. Em vez de jogar fora as que não se deseja mais, faria mais sentido trocá-las por outras ou entregá-las nas lojas de segunda mão. “Não estamos dizendo que não se deva usar roupa da moda, mas sim ser mais inteligente, vivendo de acordo com os próprios desejos sem comprometer os recursos do planeta.”

Com 7 bilhões de seres humanos e uma população crescente, será preciso mudar nossas atitudes em relação ao plástico, se quisermos salvar os oceanos, observa Westerbos.

“Não compre maçãs embaladas em plástico, não use sacolas plásticas descartáveis, nem canudinhos para descarte imediato. Há um monte de modos de evitar usar plástico, vamos começar por aí.”

Alarmantes mortes em massa de animais

Dead fish in Rodrigo de Freitas Lagoon, Rio de Janeiro (Photo: picture-alliance/dpa/Scorza)

Tragédia no Rio de Janeiro – Somente este ano já foram registrados pelo menos 35 incidentes isolados de mortandade de peixes. Mais de 33 toneladas de peixes mortos foram retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro (foto), locação dos Jogos Olímpicos de 2016. A poluição priva os animais do oxigênio de que necessitam para sobreviver.

Dead seabirds in Alaska, 2016 (Photo: picture-alliance/AP Photo/M. Thiessen)

Pássaros famintos – A costa oeste da América do Norte registrou morte sem precedentes de pássaros marinhos em 2015. Foram contadas até 10 mil aves tombadas. Depois de descartados doenças e traumas, o aquecimento global foi responsabilizado. Em fevereiro de 2016, recolheram-se por volta de 8 mil aves marinhas mortas no Alasca. Elas morreram de fome – embora seu alimento principal seja peixe.

Green sea turtle infected by deadly herpes (Photo: cc-by-Peter Bennett & Ursula Keuper-Bennett)

Herpes mortal em tartarugas – A ameaçada tartaruga-verde é uma das maiores tartarugas marinhas do mundo. Um vírus fatal do herpes – que impede a visão, a alimentação e o movimento – está afetando um crescente número desses animais. Os especialistas ainda estão investigando por que e como o vírus está se espalhando. Mais uma vez, a poluição e o aquecimento global parecem ser os principais culpados.

Saiga antelope resting on the ground (Photo: Imago/blickwinkel)

Antílopes quase extintos – No início do ano passado, cientistas estimaram que mais da metade de todos os antílopes saiga, uma espécie seriamente ameaçada, tenham morrido em menos de duas semanas. Os pesquisadores advertiram que a espécie estava sofrendo as consequências das mudanças climáticas e poderia se extinguir no prazo de um ano. Até agora, não houve relatos sobre novas mortes em massa.

Dead giant squids on Chilean coast, 2016 (Photo: Getty Images/AFP/Stringer)

Lulas em decomposição – No início de 2016, milhares de lulas gigantes foram encontradas mortas na costa do Chile – para a preocupação dos moradores e de cientistas. Embora esse fenômeno não seja novo na área, a enorme escala em que ocorreu é. Mais uma vez, o aquecimento global e o El Niño parecem ser os mais prováveis responsáveis pelas mortes.

Dead bat in India, 2015 (Photo: Berlinale)

Calor demais para morcegos – Em 2015, milhares de morcegos caíram do céu em Bhopal, na Índia. Um ano antes, por volta de 100 mil dessas criaturas foram encontrada mortas no estado de Queensland, na Austrália. As ruas, árvores e quintais estavam cobertos com morcegos mortos ou moribundos. Esses mamíferos voadores são muito sensíveis ao calor e não conseguem suportar temperaturas elevadas.

Dead sperm whales on the German Baltic Sea coast in February 2016 (Photo: picture alliance/dpa/C. Charisius)

Baleias cometem suicídio – As baleias naturalmente encalham e morrem, mas a poluição e as mudanças climáticas estão causando, provavelmente, um aumento desse fenômeno. Está acontecendo em todo o mundo: na Alemanha, nos EUA, na Nova Zelândia. No Chile, ao menos 400 baleias encalhadas foram registradas em 2015. Na foto, veem-se algumas das 29 cachalotes que foram encontradas mortas no norte europeu desde o início deste ano.

Fonte – Louise Osborne, DW de 27 de fevereiro de 2017

Fotos – Irene Banos Ruiz

Declarada guerra ao plástico nos oceanos

A maior limpeza de praias do mundo em Versova, na cidade indiana de Mumbai. Foto: Pnuma

A Organização das Nações Unidas (ONU) declara guerra aos plásticos que inundam os oceanos: mais de oito milhões de toneladas acabam em suas águas a cada ano, como se fosse despejado um caminhão desse material por minuto, o que causa estragos na vida marinha, na pesca e no turismo, e tem custo de aproximadamente US$ 8 bilhões.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sede em Nairóbi, capital do Quênia, lançou ontem uma campanha mundial para eliminar, até 2022, as principais fontes de contaminação marinha, como os microplásticos existentes em produtos cosméticos, e o desperdício de artigos descartados usados apenas uma vez.

Apresentada na Cúpula Mundial dos Oceanos, organizada pela revista The Economist, na cidade de Bali, na Indonésia, a campanha #MaresLimpos pede urgência aos governos no sentido de criarem políticas para reduzir o uso de plásticos, especialmente dirigidas à indústria, a fim de minimizar os envoltórios desse material e redesenhar suas embalagens, e aos consumidores para mudar seus hábitos de descarte, antes que haja um dano irreversível.

“Já é hora de encararmos o problema do plástico que arruína nossos oceanos”, ressaltou Erik Solheim, diretor executivo do Pnuma. “A poluição por plásticos navega pelas praias indonésias depositando-se no solo oceânico do Polo Norte, e regressa por meio da cadeia alimentar para se instalar em nossa mesa. Esperamos muito tempo e o problema piorou. Precisa acabar”, enfatizou.

No contexto da campanha serão anunciadas novas medidas ambiciosas dos países, mas também das empresas, para a eliminação dos microplásticos dos produtos de higiene pessoal, proibição ou taxação dos sacos plásticos com apenas um uso e redução drástica de outros artigos plásticos descartáveis. A iniciativa mundial procura sensibilizar os governos, a indústria e os consumidores para que reduzam urgentemente a produção e o abuso de plásticos, que contaminam os oceanos, atentam contra a vida marinha e ameaçam a saúde humana.

O Pnuma procura transformar todas as esferas: hábitos, práticas, padrões e políticas em todo o mundo, com o objetivo de reduzir radicalmente o lixo marinho, bem como suas consequências negativas. Dez países já se uniram à campanha: Bélgica, Costa Rica, França, Granada, Indonésia, Noruega, Panamá, Santa Lúcia, Serra Leoa e Uruguai. A Indonésia se comprometeu a diminuir seu lixo marinho em 70% até 2025, o Uruguai anunciou que este ano taxará os sacos plásticos descartáveis, e a Costa Rica tomará medidas para reduzi-los rapidamente por meio de uma melhor gestão dos resíduos e da educação.

“Proteger os mares e a vida marinha do plástico é uma questão urgente para a Noruega”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente desse país, Vidar Helgesen. “O lixo marinho aumenta rapidamente os riscos para a vida marinha, a segurança dos mariscos e peixes, e afeta de forma negativa a vida das populações costeiras de todo o mundo. Os oceanos já não podem esperar”, destacou.

Por sua vez, a ministra de Habitação, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente do Uruguai, Eneida de León declarou: “Nosso objetivo é desestimular o uso de sacos plásticos mediante regulamentações, oferecer alternativas aos trabalhadores do setor do lixo e desenvolver planos de educação sobre o impacto do uso dos sacos plásticos em nosso ambiente”.

Nos banheiros de todo o mundo há pastas de dentes e esfoliantes faciais envasados com microplásicos, que ameaçam a vida marinha. Foto: Pnuma

No ritmo em que descartamos garrafas, sacos e copos plásticos, as estimativas revelam que até 2050 os oceanos terão mais plástico do que peixes e que aproximadamente 99% das aves marinhas terão consumido plástico. São esperados mais anúncios no contexto dessa campanha na Conferência sobre os Oceanos, que acontecerá na sede da ONU, em Nova York, entre os dias 5 e 9 de junho, bem como na Assembleia Geral da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi no mês de dezembro.

Além dos oito milhões de toneladas de plástico lançados nos oceanos todos os anos, estes também sofrem sobrepesca, acidificação e elevação da temperatura da água devido à mudança climática. A ONU organizou uma reunião nos dias 15 e 16 deste mês em Nova York para preparar a Conferência de junho, no sentido de “contribuir para salvaguardar os oceanos e recuperar os problemas causados pelas atividades humanas”.

A ministra do Clima da Suécia, Isabela Lövin, afirmou em um vídeo postado no Twitter que a Conferência seria uma “oportunidade única na vida” para salvar os oceanos que sofrem um enorme estresse. Ela argumentou que “não precisamos negociar nada novo, só temos que agir para implantar o que já acordamos”, basicamente resumindo o sentimento da maioria da comunidade científica, ambientalistas e organizações da sociedade civil.

Lövin se referia à esperada “chamada à ação”, que surgirá da Conferência no que diz respeito à sobrepesca, à contaminação marinha e às circunstâncias especiais dos pequenos Estados insulares. No tocante ao objetivo de conseguir oceanos sustentáveis e preservar a vida debaixo da água, a ministra disse em entrevista à IPS que “o mundo avança em uma direção totalmente equivocada”.

“Se observarmos as tendências, vemos cada vez mais sobrepesca, cada vez mais contaminação, lixo plástico que chega aos oceanos, e também vemos o estresse que sofrem os oceanos por causa da mudança climática, da acidificação e do aquecimento da água e pela elevação do nível do mar. Tudo isso exerce uma tremenda pressão sobre nossos oceanos”, enfatizou a ministra.

Na reunião de Nova York, a ONU pediu compromissos voluntários para implantar o 14º dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e, no dia 15 deste mês, lançou um registro de compromisso online, que já tem três compromissados: o governo da Suécia, o Pnuma e a organização não governamental Peaceboat. O site estará pronto ao final da Conferência, que começará em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a qual também será celebrado o Dia Mundial dos Oceanos, três dias mais tarde.

Os compromissos voluntários “destacam a necessidade de ação e soluções urgentes”, pontuou o secretário-geral adjunto para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Wu Hongbo, que será o secretário-geral da Conferência.

Fonte – Baher Kamal, Envolverde/IPS de 24 de fevereiro de 2017

Distrito Federal desperdiça 35% da água que distribui

Régua mede nível de água da barragem de Descoberto, no Distrito Federal (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Régua mede nível de água da Barragem do Rio Descoberto, no Distrito Federal (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A capital federal, que enfrenta racionamento de água neste começo de ano, perde um terço da água por vazamentos e falhas de tubulação

Desde segunda-feira (16), o Distrito Federal passa por racionamento e rodízio de água nas cidades que são atendidas pela represa do Descoberto, que está com menos de 20% de água. ÉPOCA já discutiu as causas da crise. Ela foi deflagrada pela escassez de chuvas em 2016, mas suas causas estão na falta de planejamento no abastecimento.

Um dado que exemplifica essa falta de planejamento é o alto índice de perdas de água. Essa água é perdida em vazamentos, falhas de tubulações, fraudes e até roubo. Segundo diagnóstico do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, o Distrito Federal desperdiça 35,1% da água que distribui. Ou seja, mais de um terço da água que sai das represas se perde no meio do caminho.

O problema é nacional. O Distrito Federal tem um índice melhor do que a média do país (36%), mas isso acontece porque as perdas na Região Norte são altíssimas. O Amapá, por exemplo, desperdiça 72% da água distribuída. O estado brasileiro com menor índice de perdas é Goiás, que desperdiça 30% da água. São Paulo, que passou por forte crise hídrica, perde 33% da água, uma pequena melhora em relação ao auge da crise, quando o índice estava em 34,3%.

Os dados do SNIS serão publicados no próximo dia 30 de janeiro, mas já estão disponíveis em tabelas e planilhas on-line.

Fonte – Bruno Calixto, Blog do Planeta de 19 de janeiro de 2017

Cidades precisam dobrar investimento para proteger nascentes e mananciais

Sistema Cantareira (Foto: Luis Moura/WPP / Ag O Globo)A represa do Sistema Cantareira, em São Paulo, em foto de 2014 (Foto: Luis Moura/WPP / Ag. O Globo)

Segundo um estudo, com US$ 2 por pessoa por ano, é possível conservar mananciais e garantir água limpa para cidades de médio e grande porte

Cidades como São Paulo descobriram, da pior forma, o que acontece quando não se presta atenção para a conservação das florestas nas áreas de nascentes e mananciais: uma seca severa impactando vidas, a economia e o meio ambiente. Esse tipo de crise, no entanto, pode ser evitado se houver investimentos robustos em conservação. Um estudo publicado nesta quinta-feira (12), no entanto, mostra que o valor do investimento ainda está longe do ideal: ele precisa dobrar.

O estudo foi feito pela ONG internacional The Nature Conservancy (TNC). Ela avaliou a situação do abastecimento de água em 4 mil cidades, de médio e grande porte, de todo o mundo, incluindo o Brasil, e a conservação dos mananciais que essas cidades usam.

 

Segundo o estudo, essas cidades investem hoje cerca de US$ 24 bilhões por ano com programas de conservação de mananciais, como os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). São programas que direcionam recursos para proprietários, empresas e municípios que mantêm as florestas em pé ou reflorestam as áreas das nascentes. Porém, para garantir segurança hídrica, os autores sugerem que o investimento somado dessas cidades precisa chegar a US$ 48 bilhões.

“Esse valor parece alto, mas, quando calculamos de acordo com a população, vemos que é apenas US$ 2 por pessoa por ano. É um investimento social relativamente baixo se comparado ao benefício que isso vai trazer”, diz Gilberto Tiepolo, gerente adjunto de conservação da TNC. “Uma bacia hidrográfica protegida vai ter mais água na estação seca, que é quando mais precisa, e menos água na estação chuvosa, minimizando o impacto das enchentes.”

O relatório mostra que, em muitos casos, esse investimento nem sequer significa dinheiro adicional. Para uma em cada seis cidades estudadas, o valor necessário poderia ser bancado apenas com os benefícios gerados por restauração florestal. Isso porque as florestas diminuem a carga de sedimentos e nutrientes nos corpos d’água, exigindo menor quantidade de produto químico nas estações de tratamento. Só essa redução da necessidade de tratamento de água pagaria os esforços em conservação. “O estudo mostra que vale a pena investir em conservação. É uma forma de fazer a natureza trabalhar para a sociedade“, diz Tiepolo.

O estudo apresenta casos de programas de Pagamentos por Serviços Ambientais para a conservação da água que estão dando certo. Há vários projetos brasileiros. Um deles é no Rio de Janeiro, na região do Rio Guandu. Nesse projeto, o comitê de bacias decidiu alocar uma parte do recurso pago na conta de água para a conservação de florestas e matas em áreas de mananciais.

Em São Paulo, que foi castigada pela crise hídrica nos últimos anos, também há boas iniciativas com o reflorestamento de encostas. Porém, Tiepolo alerta que a crise hídrica ainda não acabou. “Nós já vencemos a parte crítica da crise. Mas ela está longe de ser superada.” É preciso continuar os esforços em usar racionalmente a água, diminuir perdas e avançar no saneamento, além de preservar as matas da Cantareira.

Fonte – Bruno Calixto, Blog do Planeta de 13 de janeiro de 2017

Proteger rios e nascentes custa pouco

O Reservatório de Longwu ajuda os agricultores a fazer a transição para os métodos de cultivo orgânico do bambu, o que reduz o escoamento de fertilizantes até os mananciais. Foto © Haijiang Zhang / TNC

Estudo global da TNC, com dados de 4 mil municípios, mostra que em metade deles a conservação das fontes de água usadas no abastecimento custa até dois dólares por pessoa e ainda melhora a vida nas cidades.

Um dos mais relevantes desafios da humanidade, à medida que a população global continua a crescer, é garantir água limpa para todos, por isso, mais do que nunca, é fundamental protegermos as terras que circundam nossos mananciais e bacias hidrográficas. Atenta a isso, a The Nature Conservancy, maior organização ambiental do mundo, lança hoje um levantamento sobre as fontes de água que abastecem mais de 4 mil grandes e médias cidades de todo o planeta. O estudo “Para além do manancial: benefícios ambientais, econômicos e sociais da proteção das fontes de água” mostra como soluções baseadas na natureza, a exemplo do reflorestamento e das boas práticas de manejo agrícola, podem ganhar escala, de modo a fazer uma diferença significativa para o desenvolvimento sustentável, melhorando as vidas de bilhões de pessoas.

Um dos principais fatores de risco à disponibilidade de água nas médias e grandes cidades é a erosão de rios e nascentes. O levantamento da TNC aponta que 80% das cidades analisadas podem reduzir significativamente a presença de sedimentos e nutrientes nas fontes de água usadas em seu abastecimento, se protegerem as florestas ao redor dessas fontes, fizerem o reflorestamento de áreas estratégicas e estimularem boas práticas agrícolas. A vegetação em áreas de mananciais é imprescindível para que a população tenha água porque as árvores ajudam as gotas de chuva a se infiltrar no solo, o que forma nascentes e rios, e evitam, com suas raízes, que a terra seja carregada para os corpos d’água.

“Proteger as terras ao redor dos mananciais é fundamental para garantir o fornecimento de água no longo prazo”, diz Giulio Boccaletti, diretor executivo global do programa de Águas da The Nature Conservancy. “Infelizmente, 40% das áreas de mananciais, no mundo, mostram níveis moderados ou altos de degradação. Os impactos disso sobre a segurança hídrica podem ser graves”. No caso dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, esse índice de degradação é superior a 70%.

Além de ajudar a garantir a disponibilidade de água nos reservatórios, as soluções baseadas na natureza propostas pelo estudo geram uma série de importantes benefícios. O reflorestamento e a conservação das florestas já existentes, por exemplo, proporcionam a captura de gases que causam o aquecimento global e reduzem os impactos das mudanças climáticas (incluindo secas, enchentes, incêndios e erosão), que afetam de forma desproporcional as comunidades mais pobres. Já as boas práticas agrícolas permitem a preservação da diversidade de animais e vegetais e tornam as comunidades mais saudáveis.

“Atribuindo um valor a esses benefícios indiretos, podemos mobilizar meios inovadores e de melhor custo-benefício, necessários para financiar a proteção dos habitats e as atividades de manejo da terra”, afirma Andrea Erickson-Quiroz, diretora executiva de segurança hídrica da The Nature Conservancy.

O relatório estima que, para elevar em 10% a redução dos sedimentos e nutrientes em 90% das bacias de mananciais, seria necessário aumentar os gastos anuais com os programas de financiamento de serviços ambientais de US$ 42 bilhões para US$ 48 bilhões. Esse patamar de financiamento representa cerca de 7% a 8% dos gastos com a água em todo o mundo, e equivale ao que cidades como Nova York gastam na proteção das bacias que abastecem seus moradores. Com esse nível de investimento, seria possível aumentar a segurança hídrica de pelo menos 1,4 bilhão de pessoas, se ele se concentrar em bacias cuja redução de sedimentos e nutrientes é mais econômica. No caso de metade das cidades analisadas, proteger as águas dos mananciais poderia custar apenas dois dólares ou menos por pessoa, anualmente.

O relatório também destaca a importância dos mecanismos conhecidos como Fundos de Água*, que permitem aos usuários de água que vivem ao longo de uma bacia hidrográfica financiar a preservação e a restauração das terras no começo dessa bacia. Esse é um mecanismo bem-sucedido para assegurar uma melhor qualidade da água e, em alguns casos, uma vazão mais confiável. O relatório ainda estima que uma em cada seis cidades (o que corresponderia a aproximadamente 690 cidades, prestando serviço a mais de 433 milhões de habitantes em todo o mundo) tem potencial de recuperar integralmente os custos das medidas de preservação somente com a economia que teriam com o tratamento da água. Outras cidades podem extrair valor adicional dos benefícios indiretos, obtendo, no total, um valor acumulado que proporciona um retorno positivo sobre o investimento.

Exemplos globais de atividades de proteção das águas dos mananciais

Para que os bons exemplos já existentes ganhem escala, mais do que superar os desafios dos custos desse investimento, é necessário que a sociedade se comprometa com o futuro dos recursos hídricos, o que inclui governos nacionais e locais, empresas, organizações civis e a própria população. As companhais de abastecimento e os gestores da água nos governos também têm o papel crucial de propor ações ambientais que tragam ganhos econômicos e sociais.

Monterrey, México tem experimentado inundações e secas nos últimos anos. A cidade está investindo em reflorestamento e muitas outras atividades destinadas a melhorar as terras dentro da bacia hidrográfica. Através deste trabalho, a capacidade da bacia hidrográfica de absorver a água disponível poderia aumentar em 20%. Foto © Alejandro Lopez-Serrano / TNC

“As nossas aspirações de criar um mundo melhor exigem uma atuação coletiva”, diz Erickson-Quiroz. “Não podemos nos permitir trabalhar em grupos com motivação, jurisdição ou recursos financeiros isolados. As cidades podem tomar a dianteira, mas não sozinhas. Todos nós temos um papel a desempenhar”.

No Brasil, um exemplo de ação conjunta pela proteção dos mananciais é a Coalizão Cidades pela Água, uma iniciativa da TNC em parceria com o setor privado, lançada em novembro de 2015, com objetivo de ampliar a segurança hídrica de 12 regiões metropolitanas brasileiras, até 202. Por meio de ações de conservação de nascentes e rios em áreas críticas para a produção de água, a iniciativa ajudará a garantir disponibilidade de água para 42 milhões de pessoas nessas cidades, trará benefícios para 46 mil famílias em áreas urbanas e rurais no começo das 21 bacias hidrográficas onde o projeto atua e recuperará ou protegerá cerca de 460 mil hectares de florestas.

“Esse estudo amplia as evidências de que as soluções baseadas na natureza aumentam a segurança hídrica nas cidades. Essas iniciativas não podem mais ser apenas uma alternativa, elas devem estar no centro das decisões dos gestores públicos e privados para a gestão da água”, afirma Samuel Barrêto, gerente de Água da TNC no Brasil.

O relatório foi elaborado em parceria com o Projeto Natural Capital, a Forest Trends, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Parceria de Fundos de Água da América Latina.

Fonte – Envolverde de 12 de janeiro de 2017

E aí, SANEPAR? Finalmente vai agir para proteger o ganha pão da empresa? Não, né, afinal nunca agiu para plantar mata ciliar nos rios onde coleta água e não é agora que vai começar. Desde 2004, quando iniciamos o projeto da FUNVERDE recuperação de matas ciliares, cobramos a SANEPAR em todas as ocasiões possíveis uma atitude responsável desta empresa em proteger os rios, simplesmente plantando mata ciliar desde a nascente até o fim do rio, mas…

Exaustão de águas subterrâneas ameaça 1,8 bilhão de pessoas

Seca no Lago Oroville na Califórnia, agosto de 2014.Seca no Lago Oroville na Califórnia, agosto de 2014. (Justin Sullivan/Getty Images)

Até 2050, a superexploração para atender a indústria e a agricultura poderá esgotar reservas interias em várias partes do mundo

Maiores fontes de água doce acessível em todo o mundo, os recursos hídricos subterrâneos são de importância crítica para a irrigação e segurança alimentar global.

Nas próximas três décadas, porém, a superexploração para atender a indústria e a agricultura poderá levar à exaustão esses recursos em partes da Índia, do sul da Europa e nos Estados Unidos.

E quando isso acontecer, cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo poderão viver em áreas onde os níveis de água subterrâneos estarão totalmente esgotados ou próximos disso.

O alerta vem de uma nova pesquisa desenvolvida pela Universidade de Utrecht, na Holanda, e a Escola de Minas do Colorado, nos EUA, e apresentada neste fim de ano durante a Reunião de Cúpula da União Geofísica Americana de 2016.

Uma consequência direta do esgotamento das reservas subterrâneas é a redução dos fluxos de base para os rios e lagos, prejudicando assim todo o ciclo hidrológico. As áreas mais ameaçadas são aquelas fortemente irrigadas em climas mais secos.

De acordo com o estudo, os aquíferos dos Estados Unidos no vale central da Califórnia, na bacia de Tulare e no sul do San Jaquin Vale seriam os primeiros a se esgotar, já na década de 2030.

Aqueles no alto da bacia do Ganges na Índia seriam os próximos a sair de cena, entre 2040 e 2060, junto com algumas reservas na Espanha e Itália.

Em seguida, as reservas localizadas nas planícies altas do sul dos EUA, que fornecem água a partes do Texas, Oklahoma e Novo México, poderiam atingir seus limites entre 2050 e 2070.

O estudo destaca que as demandas de água vão aumentar ainda mais devido ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico e às mudanças climáticas, tornando a questão urgente.

Por isso, conhecer os limites dos recursos hídricos subterrâneos é um imperativo para garantir a sustentabilidade das atividades econômicas que dependem da água e a do próprio abastecimento para consumo humano.

O desafio é identificar e monitorar o risco de esgotamento em escala regional. Diversos estudos anteriores usaram dados de satélite para mostrar que vários dos maiores aquíferos do mundo estão em situação de atenção.

Mas esses estudos passados não conseguiram medir a depleção do aquífero em escala regional, ao contrário da nova pesquisa, que usou dados sobre a estrutura do aquífero, retiradas de água, e as interações entre as águas subterrâneas e águas circundantes para simular esgotamento em uma escala menor.

A equipe de pesquisa usou seu modelo para prever quando e onde os aquíferos ao redor do mundo poderão atingir seus limites, ou quando os níveis de água cairão abaixo do alcance das modernas tecnologias de bombeamento.

Os cientistas consideram que o limite de uma reserva foi ultrapassado quando os níveis de água subterrânea ficam dois anos consecutivos abaixo do limite de bombeamento.

Fonte – Vanessa Barbosa, Revista Exame de 20 de dezembro de 2016

Maior aquífero do mundo fica no Brasil e abasteceria o planeta por 250 anos

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e deram uma nova definição.

“A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão”, explicou o professor do Instituto de Geociência da UFPA Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ –sendo a maior que se tem conhecimento no planeta. “Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era o maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo”, explicou Matos.

O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre –todas na região amazônica–, chegando até a bacias subandinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros. “Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos”, estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém. “O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia”, afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais. “Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado, pode causar um desequilíbrio”, disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro. “O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas. Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes”, afirmou.

Fonte – Carlos Medeiros, UOL

Daí a importância dos ecochatos e biodesagradáveis se posicionarem contra agrotóxicos, lixões, fracking… que poluem o solo e a água.