Desmatamento vai aquecer ainda mais o clima do planeta

Desmatamento de florestas vai provocar um aquecimento do clima global muito mais intenso do que o estimado originalmente, devido às alterações nas emissões de compostos orgânicos voláteis e as co-emissões de dióxido de carbono com gases reativos e gases de efeito estufa de meia-vida curta. Um time internacional de pesquisadores, com a participação do Instituto de Física da USP e na UNIFESP-Campus Diadema, calculou a forçante radiativa do desmatamento, levando em conta não somente o CO2 emitido, mas também o metano, o black carbon, a alteração no albedo de superfície e todos os efeitos radiativos conhecidos. O resultado final aponta que a temperatura vai subir mais do que o previsto anteriormente.

A pesquisa foi publicada recentemente na revista Nature Communications, e utilizou detalhados modelos climáticos globais acoplados à química de gases e partículas em alta resolução.  Descobriu-se que as emissões de florestas que resfriam o clima (compostos orgânicos voláteis biogênicos, os BVOCs) ficarão menores, implicando que o desflorestamento pode levar a temperaturas mais altas do que o considerado em estudos anteriores. O físico Paulo Artaxo, do IFUSP, um dos autores do estudo, afirma que a maior parte dos estudos dos impactos climáticos do desmatamento publicados anteriormente focou somente nas emissões de CO2. “Neste novo estudo, levamos em conta a redução das emissões de BVOCs, a emissão de black carbon, metano e os demais gases de efeito estufa de vida curta”, explica.

Esses BVOCs, segundo Artaxo, produzem partículas nanométricas que crescem, refletem radiação solar de volta ao espaço e esfriam o clima. Os BVOCs participam de complexas reações químicas e podem produzir ozônio e metano, ambos gases de efeito estufa de meia vida curta (SLCF) que aquecem o planeta. O estudo levou em conta todos estes fatores conjuntamente, além das mudanças no albedo de superfície, quando derrubamos uma floresta e a trocamos para pastagem ou plantações”, acrescenta.

Levando em conta todos estes fatores, observou-se que as emissões das florestas que esfriam o clima têm um papel enorme na regulação da temperatura do planeta. “Derrubando as florestas, acabamos com este efeito esfriador, e aumentamos o aquecimento global”. Artaxo coloca que o efeito global é de um aquecimento adicional de 0.8oC, em um cenário de desmatamento total. “Isso é um valor alto, comparável ao atual aquecimento médio global (cerca de 1.2oC) ocorrido com todas as emissões antropogênicas desde 1850”, diz o físico.

A figura abaixo mostra que esse aquecimento é desigual, sendo maior nos trópicos, onde foi previsto um aquecimento de cerca de 2 graus na Amazônia.

Luciana Rizzo, professora da Universidade Federal de São Paulo, campus de Diadema, outra co-autora do estudo, salienta que, nos trópicos, o efeito atual das emissões de VOCs resfriando o clima é mais forte do que em florestas temperadas. “Portanto, o desmatamento nos trópicos tem um efeito mais importante no clima global”, conclui.

Mais informações

O artigo na revista Nature Communications, Impact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation pode ser baixado livremente online no link:  https://www.nature.com/articles/s41467-017-02412-4

Para informações adicionais, contate o prof. Paulo Artaxo no fone (11)30917016, ou artaxo@if.usp.br. Este trabalho foi parcialmente financiado pela FAPESP através dos projetos temáticos AEROCLIMA e GoAmazon.

Figura com os efeitos radiativos dos aerossóis devido ao desmatamento global. Na figura à esquerda temos o efeito direto dos aerossóis e na direita o efeito indireto, ou seja, através das modificações nas nuvens. O papel das regiões tropicais é mais importante que o das florestas temperadas.

Figuras para ilustração

Anexos 
Fonte – Instituto de física da USP de 28 de fevereiro de 2017

Pesquisa avalia como as mudanças climáticas podem afetar a produção de culturas nos Andes rurais

Um dos campos experimentais de milho. Foto: Saul TitoUm dos campos experimentais de milho. Foto: Saul Tito

Kenneth Feeley, Smathers Chair of Tropical Tree Biology in the University of Miami’s Department of Biology, é um especialista em estudar os efeitos da mudança climática nas florestas tropicais. Das montanhas do Peru às terras baixas da Amazônia, Feeley examina as ramificações das mudanças climáticas nas árvores e outras espécies que compõem as florestas diversas dessas regiões. No entanto, recentemente, Feeley mudou a marcha do estudo de florestas tropicais para examinar os impactos das mudanças climáticas nas comunidades agrícolas rurais no Peru.

Como co-autor de um estudo [Global Climate Change Increases Risk of Crop Yield Losses and Food Insecurity in the Tropical Andes] publicado na Global Change Biology, Feeley, juntamente com o biólogo, Richard Tito, um indígena quechua nativo da região e o primeiro autor do estudo, descobriram que tempos difíceis estão à frente para os agricultores rurais que cultivam culturas tradicionais dos Andes – milho e batatas.

“A pesquisa foi executada em uma parte muito remota do Peru”, disse Feeley. “Estávamos tentando ver como as práticas agrícolas tradicionais das pessoas nas altas montanhas dos Andes serão afetadas pela mudança climática, então realizamos um conjunto de experiências para simular diferentes cenários sob o aquecimento global”.

No primeiro experimento, os pesquisadores simularam o que acontecerá se os agricultores continuarem cultivando as mesmas áreas em meio ao aumento das temperaturas. Para fazer isso, eles cultivaram mais milho na montanha, onde as temperaturas são ligeiramente superiores. “Nós carregamos no solo de onde o milho é normalmente cultivado porque o solo no topo da montanha é diferente em textura e nutrientes do que o solo em altitudes mais baixas”, disse Feeley.

A simulação revelou que, com apenas um pequeno aumento de temperatura de 1,3 graus para 2,6 graus, quase todas as plantas de milho foram mortas por aves invasoras e pragas de insetos. Nas plantações de batata foi ainda pior. Quando as batatas foram cultivadas em altitudes mais baixas (mas em seu solo normal), a maioria das plantas morreu e as batatas que sobreviveram eram de tão baixa qualidade que não tinham valor de mercado.

Em um segundo conjunto de experiências, os pesquisadores simularam o que acontecerá se os agricultores tentarem contrariar o aumento das temperaturas, movendo suas fazendas de milho para altitudes mais elevadas. (As culturas de batata já são cultivadas ao longo dos picos das montanhas, de modo que mover as fazendas mais altas não é uma opção). Para realizar esta simulação, os pesquisadores cultivaram milho sob temperaturas normais, mas em solos levados a partir de elevações mais elevadas. Quando cresceu em uma elevação mais alta, as plantas de milho sobreviveram, mas a qualidade e a quantidade da colheita foram bastante reduzidas.

“Encontramos grandes diminuições no rendimento, qualidade e valor de mercado do milho e das batatas plantadas sob essas condições simuladas no futuro”, disse Feeley. “Notavelmente, grande parte do declínio foi devido ao aumento do dano por pragas, algo que muitas vezes não é levado em consideração em estudos de estufa ou laboratório. Dada a extrema importância dessas culturas básicas para as comunidades andinas, nossas descobertas podem ter enormes e assustadoras implicações.”

O estudo mediu as culturas durante uma estação de crescimento dentro da remota área do Huamburque da Bacia da Amazônia, onde as elevações variam entre 3.000 e 4.000 metros. Infelizmente, Feeley disse que os agricultores desta área rural do Peru não têm meios para comprar variedades de milho ou batata geneticamente modificadas, além de pesticidas para remover as pragas ou fertilizantes comerciais.

“Pequenas comunidades em áreas rurais não têm tecnologia ou acesso ao mercado para se adaptar rapidamente às mudanças climáticas”, disse Feeley. “Alguns agricultores podem mudar sua cultura para uma variedade que seja tolerante a altas temperaturas, mas muitas delas não possuem recursos para salvar suas culturas usando bombas de irrigação ou fertilizantes. Esses agricultores estão em perigo, assim como milhões de pessoas que dependem desses culturas nos Andes da Colômbia, Equador e Bolívia “.

Referência

Tito R, Vasconcelos HL, Feeley KJ. Global climate change increases risk of crop yield losses and food insecurity in the tropical Andes. Glob Change Biol. 2017;00:1–11. https://doi.org/10.1111/gcb.13959

Fontes – University of Miami / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 24 de janeiro de 2018

Ritmo das mudanças climáticas é ‘ameaça existencial para o planeta’

Visão de Minsk, Belarus. Crédito da foto: Anton Rusetsky (@masmeo)/UnsplashVisão de Minsk, Belarus. Crédito da foto: Anton Rusetsky (@masmeo)/Unsplash

A agência meteorológica das Nações Unidas alertou que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá “repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”, intensificando por exemplo os eventos climáticos extremos.

Análise da Organização Meteorológica Mundial mostrou que, enquanto 2016 mantém o recorde de ano mais quente (1,2°C), 2017 – que chegou a aproximadamente 1,1°C acima da era pré-industrial – foi o ano mais quente sem o ‘El Niño’. Segundo a agência, isso pode impulsionar as temperaturas globais a cada ano.

“Dezessete dos 18 anos mais quentes registrados foram durante este século e o nível de aquecimento nos últimos três anos tem sido excepcional”, afirmou o secretário-geral da agência da ONU.

A tendência de crescimento das temperaturas globais, marcada pelo acúmulo de recordes em 2015 e 2016, manteve o ritmo no ano passado.

A agência meteorológica das Nações Unidas alertou nesta quinta-feira (18) que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá “repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”.

“A tendência de temperatura em longo prazo é muito mais importante do que o ranking de anos individuais, e essa tendência é ascendente”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), um organismo técnico vinculado à ONU.

Uma análise da OMM mostrou que, enquanto 2016 mantém o recorde de ano mais quente (1,2°C), 2017 – que chegou a aproximadamente 1,1°C acima da era pré-industrial – foi o ano mais quente sem o El Niño. Segundo os estudos da agência, isso pode impulsionar as temperaturas globais a cada ano.

Descrevendo o ritmo acelerado das mudanças climáticas como “uma ameaça existencial para o planeta”, o representante especial do secretário-geral da ONU para a Redução do Risco de Desastres, Robert Glasser, disse: “Uma série de três anos recordes de calor, cada um acima de 1° Celsius, combinado com perdas econômicas recordes nos desastres em 2017, deve mostrar a todos nós que estamos enfrentando uma ameaça existencial para o planeta que requer uma resposta drástica”.

“Estamos ficando perigosamente perto do limite do aumento de temperatura de 2°C estabelecido no Acordo de Paris e o objetivo desejado de 1,5° será ainda mais difícil de ser mantido nos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa”, ressaltou.

Registrando as mesmas temperaturas médias globais, 2017 e 2015 foram anos praticamente indistinguíveis, já que a diferença é inferior a um centésimo de grau – inferior à margem de erro estatística.

“Dezessete dos 18 anos mais quentes registrados foram durante este século e o nível de aquecimento nos últimos três anos tem sido excepcional”, afirmou Taalas, ressaltando: “O calor do Ártico foi especialmente observado e isso terá repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”.

Diferença da temperatura de 2017 (em °C) em relação à média de 1981-2010. Foto: OMM

A temperatura média global em 2017 foi de cerca de 0,46°C acima da média de longo prazo de 1981-2010 de 14,3°C – uma linha de base de 30 anos utilizada pelos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para avaliar as médias e a variabilidade dos principais parâmetros climáticos. Elas são importantes para setores sensíveis ao clima, como gerenciamento de água, energia, agricultura e saúde.

O clima também tem uma variação natural devido a fenômenos como o El Niño, que tem uma influência de aquecimento, e La Niña, que tem uma influência de esfriamento.

“As temperaturas contam apenas uma pequena parte da história. O calor em 2017 foi acompanhado pelo clima extremo em muitos países pelo mundo”, acrescentou Taalas. Segundo ele, os Estados Unidos tiveram seu ano mais difícil em termos de clima e desastres climáticos, enquanto outros países viram seu desenvolvimento desacelerado ou revertido por ciclones tropicais, inundações e secas.

Em março, a OMM emitirá o relatório completo sobre o estado do clima em 2017, fornecendo uma visão abrangente da variabilidade e tendências da temperatura, eventos de alto impacto e indicadores de longo prazo das mudanças climáticas – como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, o gelo marinho antártico e ártico, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos.

O relatório de março incluirá informações enviadas por uma ampla gama de agências das Nações Unidas sobre impactos humanos, socioeconômicos e ambientais, parte de um impulso para fornecer um documento de políticas mais abrangente e completo da ONU para os tomadores de decisão, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Glasser expressou preocupação pelo fato de que as mudanças climáticas, combinadas com a pobreza, a destruição dos ecossistemas e o uso inapropriado da terra, estão levando mais pessoas a deixar suas casas.

“Precisamos de níveis maiores de ambição para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combinados com ações concretas para reduzir o risco de desastres, especialmente nos países menos desenvolvidos, que contribuem pouco para a mudança climática”, ressaltou.

Fonte – análise da Organização Meteorológica Mundial, EcoDebate de 23 de janeiro de 2018

O degelo da Groenlândia ameaça às áreas costeiras do mundo

Groenlândia: média anual do degelo

A Groenlândia está em processo acelerado de degelo devido ao aquecimento global, provocado pelo crescimento da emissão de gases de efeito estufa, gerado pelo aumento exponencial das atividades antrópicas, incentivado pela concentração de capital e riqueza.

Uma ilha continental, tranquila, despovoada e gelada, localizada no Atlântico Norte, próxima ao Ártico, é a principal vítima dos efeitos perversos do crescimento incessante da produção de bens e serviços para satisfazer o bem-estar do ser humano, que é a espécie predadora responsável pelo surgimento do Antropoceno, época que deve ficar marcada na história geológica pela 6ª extinção em massa da biodiversidade da Terra.

Reportagem do site da CNN mostra (com imagens incríveis) que a perda de gelo da Groenlândia aumentou dramaticamente nas últimas décadas. Entre 1992 e 2001 o degelo foi de 34 gigatons em média (34 bilhões de toneladas métricas) e passou para uma média anual de 280 gigatons (280 bilhões de toneladas métricas).

Se todo o gelo da Groenlândia derreter pode elevar o nível dos oceanos em até 7 metros. Mas um degelo de somente 30% já seria suficiente para fazer os mares subirem 2,1 metros. Estimativas do IPCC e da NASA indicam que o nível das águas marinhas pode subir mais de 2 metros até 2100, no cenário mais dramático. Isto seria suficiente para inundar áreas urbanas onde vivem bilhões de pessoas, além de inundar o delta dos principais rios do mundo e inúmeras áreas agrícolas.

Os pesquisadores da Universidade Oceânica da China, liderados por Xianyao Chen, fizeram reanálise estatística dos principais fatores que contribuem para a subida global do nível dos mares e concluíram que o derretimento de gelo sobre os continentes, que em 1993 respondia por cerca de 40% da variação no nível do mar, passou a ser o fator dominante de mudança, com 60% da contribuição em 2014.

Uma grande parte dessa fatia, de cerca de 25%, vem da perda de glaciares de montanhas. Mas tem crescido a contribuição das grandes massas de gelo da Terra, como a Groenlândia, que passou de 5% a 25% do total de água em excesso derramada nos oceanos nesse período.

É difícil projetar os impactos específicos da elevação do nível dos mares em todos os lugares, pois o aumento não é homogêneo e nem linear. Alguns lugares serão mais afetados do que outros. Mas uma coisa é certa: todos os países litorâneos perderão, uns mais do que outros, mas ninguém ficará a salvo do avanço das águas salgadas.

Por exemplo, no segundo semestre de 2017 diversas praias do Rio de Janeiro foram atingidas pelas ressacas e pelo avanço do mar. As praias do Flamengo, de Ipanema e do Recreio dos Bandeirantes. A erosão causou estragos do Leme ao Pontal. A Praia da Macumba, na Zona Oeste do Rio, perdeu parte do muro de contenção colocado pela prefeitura e grandes trechos da calçada desabaram com a força das ondas.

praia da macumba, rio de janeiro, 2017

Como já escrevi anteriormente (Alves, 05/10/2016), as praias da maioria das cidades do planeta correm o risco de serem “varridas do mapa”. Este processo pode ser socialmente grave na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que é a maior e mais complexa aglomeração urbana da zona costeira brasileira, com mais de 12 milhões de habitantes. De todas as zonas ameaçadas, a Barra da Tijuca e arredores é, entre os grandes bairros da Cidade Maravilhosa, a área mais vulnerável ao avanço do nível do mar e às inundações provocadas por ressacas, chuvas e tempestades.

Artigo de Dieter Muehe e Paulo Rosman (2011), mostra que a orla do Rio de Janeiro exposta e voltada para o oceano aberto se apresenta extremamente vulnerável considerando sua orientação diretamente voltada para a incidência de ondas de tempestade e seu déficit potencial de sedimentos. Eles dizem: “Em suma, para os diversos cenários de elevação do nível do mar as praias oceânicas urbanas, devido à sua ‘fixação’ com muros, ficam impedidas de se ajustar por meio de retrogradação e tenderão a perder areia, efeito acelerado pelo refluxo das ondas nos obstáculos impermeáveis representados pelos mesmos muros” (p. 78). Eles ainda mostram (p. 81) que as principais consequências da elevação do nível do mar são:

1) Tendência de translação das praias e cordões de dunas em direção a terra.

2) Onde houver ruas e avenidas na retro?praia haverá diminuição das faixas de areia e potencial risco de ataque de ondas diretamente nas benfeitorias públicas.

3) Recuo das linhas de orla em regiões de baixadas de lagoas costeiras e baías, em função da subida do nível médio relativo da água. Nestes locais, é provável que a taxa de elevação do nível médio do mar seja superior à média, visto que se trata de regiões sedimentares geologicamente recentes, cujos terrenos tendem a sofrer subsidências. Portanto, potencialmente o problema é mais grave.

4) Problemas de macrodrenagem em águas interiores, especialmente em zonas urbanas situadas em baixadas de baías e lagoas costeiras aumentando a tendência de alagamentos. As águas fluem de cotas mais altas para cotas mais baixas e a velocidade do escoamento depende do desnível. Com a subida do nível médio relativo diminuem os desníveis, diminuindo a declividade relativa e consequentemente a velocidade dos escoamentos.

5) Aumento da profundidade média de lagoas costeiras e baías.

6) Aumento da intrusão salina em zonas estuarinas levando a causar aumento ou diminuição de manguezais, em função da disponibilidade de áreas de expansão, e, mais para montante, potencial problema de captação de água salobra em locais que hoje captam água doce.

áreas sujeitas à inundação da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, RJ

Ou seja, a avenida Lúcio Costa funciona como uma barreira artificial que contém o avanço das ondas e das marés na Barra da Tijuca. Mas esta barreira vai ficar cada vez mais frágil na medida em que o nível do mar sobe. Com as tempestades mais intensas na terra e no mar, as ondas ficam mais altas e as marés meteorológicas mais elevadas. Assim, a praia da Barra da Tijuca terá diminuição das faixas de areia e a Avenida Lúcio Costa deverá sofrer sérios problemas de erosão e possível destruição de áreas mais vulneráveis. Os sistemas de saneamento e água vão ser afetados e diversos equipamentos públicos (hospitais, escolas, etc.) devem ser danificados.

Portanto, os cariocas deveriam prestar atenção ao que acontece na Groenlândia, no Ártico, na Antártida e nos glaciares, pois o futuro do Rio de Janeiro depende do ritmo do degelo no mundo. Também a maioria dos brasileiros – que vivem em áreas litorâneas –deveriam ficar preocupados com o que acontece na Groenlândia.

Mas, além do Rio de Janeiro, outras cidades do mundo vão sofrer com a elevação do nível do mar e as enchentes. A cidade de Paris, neste mês de janeiro de 2018, enfrenta grandes enchentes devido à elevação do rio Sena. A “cidade luz” vive uma das maiores enchentes da sua história, repetindo o que ocorreu em 2016, e corre o risco de passar por um prejuízo sem precedentes. O museu do Louvre pode estar com os dias contados. As futuras enchentes tendem a ser mais destrutivas, pois a elevação das águas do Sena tende a se agravar com o aumento do nível do mar, que diminui a velocidade de vasão do rio.

O degelo é apenas uma consequência do aquecimento global, que por sua vez, é consequência da emissão de gases de efeito estufa, que também é consequência do crescimento demoeconômico exponencial dos últimos 200 anos. Enfim, grande parte do avanço do bem-estar humano gerado pelo aumento da produção e do consumo pode acabar debaixo d’água.

A humanidade deveria reavaliar o mito do crescimento econômico exponencial, pois o sonho de riqueza e domínio humano sobre a natureza pode acabar no fundo do oceano como se as áreas urbanas costeiras do mundo fossem uma grande Atlântida pós-moderna.

Referências

ALVES, JED. O fim da Barra da Tijuca? Ecodebate, RJ, 05/10/2016
https://www.ecodebate.com.br/2016/10/05/o-fim-da-barra-da-tijuca-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Dieter Muehe; Paulo C. C. Rosman. A orla costeira da Região Metropolitana do Rio De Janeiro: impactos das mudanças climáticas sobre o meio físico. Megacidades, Vulnerabilidades e Mudanças Climáticas: Região Metropolitana do Rio de Janeiro, CST/INPE e NEPO/UNICAMP, 2011
https://s3.amazonaws.com/tapajos/Megacidades/3_Orla.pdf

CNN. Global Warning: Greenland’s melting glaciers may someday flood your city. Cable News Network, 2017
http://edition.cnn.com/interactive/2017/11/world/greenland-global-warning/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

Fonte – EcoDebate de 31 de janeiro de 2018

O ano de 2017 foi o terceiro mais quente do Antropoceno

ano de 2017 foi o terceiro mais quente desde o início dos registros em 1880

O ano de 2017 foi o terceiro mais quente, desde o início da série histórica, dos registros da temperatura da superfície do Planeta, que começou em 1880. Muitas pessoas falaram do frio extremo que aconteceu na costa leste dos EUA e em outros lugares do mundo como contestação do aquecimento global. Mas no mesmo período a costa oeste dos EUA estava batendo recordes de temperaturas elevadas, assim como Sydney, na Austrália e vários outros lugares do globo.

O fato é que os quatro anos mais quentes desde o início do Antropoceno (época em que os humanos se transformaram em uma força global de desequilíbrio climático e destruição da vida na Terra) aconteceram nos últimos quatro anos, sendo que em 2014 o aumento da temperatura foi de 0,74º Celsius, em relação à média do século XX, 2015 foi de 0,90º C, 2016 de 0,94º C e 2017 foi de 0,84º C. O quinto ano mais quente foi 2010 com 0,70º C e o ano mais quente do século XX foi 1998, com 0,63º C, conforme pode ser visto no gráfico acima da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA na sigla em inglês).

Quando se considera como base o período pré-industrial a medição do aquecimento mostra um número ainda mais preocupante. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a temperatura média global da superfície em 2017 foi de aproximadamente 1,1º Celsius acima da era pré-industrial. A OMM usa o período 1880-1900 como período de referência para as condições pré-industriais. O gráfico acima mostra que a temperatura média de 1880 a 1900 estava cerca de 0,25º C abaixo da média do século XX.

Isto faz com que a temperatura global da atual década esteja pouco mais de 1º C acima do nível do período pré-industrial. Dezesseis dos dezessete anos mais quentes do Antropoceno estão no século XXI (a única exceção é 1998). Nota-se que o aquecimento global se acelerou nas últimas 5 décadas. Entre 1970 e 2017 a variação média por década foi de 0,18%. Neste ritmo, o limite de 1,5º C estabelecido pelo Acordo de Paris será ultrapassado antes de 2040 e o limite de 2º C será ultrapassado antes de 2070. As consequências podem ser desastrosas e catastróficas.

Outra coisa que chama a atenção no dado de 2017 é que a temperatura elevada ocorreu na ausência do fenômeno El Niño. Desta forma, considerando os anos sem El Niño, o ano de 2017 foi o mais quente da série histórica.

O gráfico abaixo mostra as tendências do aquecimento para cada tipo de ano, segundo os fenômenos – La Niña, El Niño e neutro. A tendência global de aquecimento da superfície entre 1964 e 2017 é de 0,17-0,18º C por década. Artigo de Dana Nuccitelli, no jornal The Guardian (02/01/2018) mostra que as condições neutras de El Niño e o nível de atividade solar em 1972 foram bastante semelhantes aos de 2017. Entretanto, 45 anos depois, o ano passado foi 0,9º C mais quente do que 1972.

el nino/la nina global surface temperature influence

O aquecimento global é a principal ameaça ao avanço civilizacional e também à biodiversidade do Planeta. Quanto mais subirem as temperaturas maiores serão os efeitos negativos sobre o bem-estar humano e não humano. Mas mesmo sabendo que os problemas serão maiores no fututo, isto não quer dizer que os danos já não ocorram no presente.

Nos Estados Unidos (EUA), no ano passado, houve 16 desastres climáticos com perdas individuais superiores a US$ 1 bilhão, segundo a NOAA. No total, os custos foram de aproximadamente US$ 306 bilhões. O último ano com desastres tão caros nos EUA foi 2005, com perdas de US$ 215 bilhões (em grande parte devido aos furacões Katrina, Wilma e Rita). Os desastres mais caros de 2017 foram a temporada de incêndios no oeste, com custos totais de US $ 18 bilhões; o furacão Harvey que teve custos totais de US $ 125 bilhões; os furacões Maria e Irma tiveram custos totais de US$ 90 bilhões e US$ 50 bilhões, respectivamente. Diversos outros países tiveram grandes prejuízos com os desastres climáticos em 2017.

Todavia, os danos do aquecimento global tentem a crescer exponencialmente nas próximas décadas. Por exemplo, mais de um quarto da superfície terrestre da Terra se tornará “significativamente” mais seca na medida em que a temperatura se aproximar de 2º C. Isto terá um grande impacto sobre a produção de comida e sobre a segurança alimentar. A acidificação dos oceanos poderá reduzir drasticamente a vida marinha já sobrecarregada pela sobrepesca e a poluição.

O aumento da temperatura vai tornar mais críticas as ondas letais de calor, provocando muitas mortes, especialmente nas áreas mais úmidas. O corpo do ser humano e dos mamíferos possuem limites para suportar o calor intenso. Até os aviões não podem voar com temperaturas muito altas e o ar rarefeito. A saúde da população pode ainda ser afetada com doenças, como a febre amarela, a dengue, o câncer, a malária e a esquistossomose, etc. Diversas regiões do Planeta (em especial nos trópicos) podem virar áreas inabitáveis.

O aquecimento também provoca o degelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares, elevando o nível dos oceanos, o que ameaça mais de 2 bilhões de pessoas que vivem em áreas costeiras de até 2 metros em relação ao nível médio do mar. Áreas urbanas e agrícolas podem ficar debaixo da água salgada, provocando destruição, fome e grande número de refugiados do clima.

No novo cenário climático, deve ocorrer com mais frequência os fenômenos extremos, como grandes secas, grandes tempestades e a ocorrência de furações, tufões e ciclones. O exemplo de Porto Rico, que sofreu danos irreparáveis em 2017, pode servir de alerta para outros países que estão menosprezando os efeitos do aquecimento global.

Os últimos 4 anos foram os mais quentes do Antropoceno e o ano de 2017 foi o mais quente sem a presença do El Niño. O mundo continua queimando combustíveis fósseis e liberando metano na agropecuária. Continua também desmatando e destruindo os ecossistemas. Desta forma, cresce a concentração de gases de efeito estufa e aumenta o nível de CO2 na atmosfera, que, em 2017, foi de 406,53 partes por milhão (ppm), e está aumentando 2,5 ppm ao ano. O nível seguro é 350 ppm.

Se este quadro não começar a ser revertido nos próximos 3 anos, o colapso ambiental pode se tornar inevitável. No longo prazo, pode ser o apocalipse para a biodiversidade e para a humanidade.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

Fonte – EcoDebate de 22 de janeiro de 2018

Metas globais de temperatura serão perdidas dentro de décadas, a menos que as emissões de carbono revertidas

co2

Novas projeções de pesquisadores das Universidades de Southampton e Liverpool e da Universidade Nacional Australiana em Canberra poderiam ser o catalisador em que o mundo buscou determinar a melhor forma de cumprir suas obrigações de reduzir as emissões de carbono e gerenciar melhor o aquecimento global conforme definido pela Paris Acordo.

Em seu último artigo, publicado na edição de fevereiro de Nature Geoscience, o Dr. Philip Goodwin da Universidade de Southampton e o professor Ric Williams da Universidade de Liverpool projetaram que, se a ação imediata não for tomada, a temperatura média global da Terra provavelmente subir para 1,5°C acima do período anterior à revolução industrial nos próximos 17-18 anos, e para 2,0°C em 35-41 anos, respectivamente, se a taxa de emissão de carbono permanecer no seu valor atual.

Através de suas projeções, o Dr. Goodwin e o Professor Williams informam que as emissões cumulativas de carbono devem permanecer abaixo de 195-205 PgC (desde o início de 2017) para proporcionar uma chance provável de atingir o alvo de aquecimento de 1,5°C enquanto um alvo de aquecimento de 2 ° C requer Emissões para permanecer abaixo de 395-455 PgC.

“É necessária uma ação imediata para desenvolver um futuro neutro em carbono ou negativo em carbono ou, alternativamente, preparar estratégias de adaptação para os efeitos de um clima mais quente”, disse o Dr. Goodwin, conferencista em Oceanografia e Clima em Southampton. “Nossa pesquisa mais recente usa uma combinação de um modelo e dados históricos para limitar as estimativas de quanto tempo temos até um aceso de 1,5°C ou 2°C. Nós reduzimos a incerteza nas projeções de aquecimento de superfície ao gerar milhares de simulações climáticas que cada um relaciona estreitamente os registros de observação para nove métricas climáticas importantes, incluindo o aquecimento e o conteúdo de calor do oceano “.

O professor Williams, presidente da Ocean Sciences em Liverpool, acrescentou: “Este estudo é importante, fornecendo uma janela mais estreita de quanto carbono podemos emitir antes de atingir um aquecimento de 1,5°C ou 2°C. Existe uma necessidade real de agir agora em desenvolvendo e adotando as novas tecnologias para passar para um futuro mais carbono-eficiente ou neutro em carbono, pois nós só temos uma janela limitada antes de alcançar esses objetivos de aquecimento “.

Este trabalho é particularmente oportuno, dado o trabalho deste ano do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) desenvolve um Relatório Especial sobre os impactos do aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Através de sua pesquisa anterior publicada em dezembro de 2014, o Dr. Goodwin e o Professor Williams foram capazes de fornecer uma única equação que conecta o aquecimento global com a quantidade de carbono emitida, alertando sobre os efeitos prejudiciais da natureza quase irreversível das emissões de carbono para o aquecimento global.

O estudo ‘Pathways to 1.5 and 2°C warming based on observational and geological constraints’ foi publicado na edição de fevereiro/2018 da Nature Geoscience (doi:10.1038/s41561-017-0054-8 – https://www.nature.com/articles/s41561-017-0054-8 ).

Fontes – University of Southampton / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 25 de janeiro 2018

Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma 2017 entre os três anos mais quentes registrados

Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma 2017 entre os três anos mais quentes registrados

Em um claro sinal de mudanças climáticas de longo prazo causadas pelo aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, 2015, 2016 e 2017 foram confirmados como os três anos mais quentes registrados. 2016 ainda mantém o recorde mundial, enquanto 2017 foi o ano mais quente sem um El Niño, que pode aumentar as temperaturas anuais globais.

Uma análise consolidada da Organização Meteorológica Mundial, de cinco principais conjuntos de dados internacionais, mostrou que a temperatura média global da superfície em 2017 foi de aproximadamente 1,1° Celsius acima da era pré-industrial.

O ano de 2016 continua sendo o ano mais caloroso registrado (1,2°C acima da era pré-industrial). As temperaturas médias globais em 2017 e 2015 foram 1,1°C acima dos níveis pré-industriais. Os dois anos são praticamente indistinguíveis, porque a diferença é inferior a um centésimo de grau, o que é inferior à margem de erro estatística.

“A tendência de temperatura a longo prazo é muito mais importante do que o ranking de anos individuais, e essa tendência é ascendente”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “Dezessete dos 18 anos mais quentes registrados foram durante este século, e o grau de aquecimento nos últimos três anos tem sido excepcional. O calor do Ártico tem sido especialmente pronunciado e isso terá repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo “.

A temperatura globalmente média em 2017 foi de cerca de 0,46°C acima da média de longo prazo de 1981-2010 (14,3°C). Esta linha de base de 30 anos é utilizada pelos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para avaliar as médias e a variabilidade dos principais parâmetros climáticos, como temperatura, precipitação e vento, que são importantes para os setores sensíveis ao clima, como a gestão da água, energia, agricultura e saúde.

Além do aquecimento global, devido ao aumento dos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera, o clima também tem uma variação natural devido a fenômenos como El Niño, que tem uma influência de aquecimento, e La Niña, que tem uma influência refrescante. O forte 2015/2016 El Niño contribuiu para a temperatura recorde em 2016. Em contraste, 2017 começou com um La Niña muito fraco e também terminou com um fraco La Niña.

“As temperaturas contam apenas uma pequena parte da história. O calor em 2017 foi acompanhado por clima extremo em muitos países ao redor do mundo. Os Estados Unidos da América tiveram seu ano mais caro em termos de clima e desastres climáticos, enquanto outros países viram seu desenvolvimento abrandado ou revertido por ciclones tropicais, inundações e secas “, disse o Sr. Taalas.

A OMM emitirá sua declaração completa sobre o estado do clima em 2017 em março. Este relatório fornecerá uma visão abrangente da variabilidade e tendências da temperatura, eventos de alto impacto e indicadores de longo prazo das mudanças climáticas, como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, o gelo marinho do Ártico e da Antártida, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos. A declaração final incluirá informações enviadas por uma ampla gama de agências das Nações Unidas sobre impactos humanos, socioeconômicos e ambientais como parte de um impulso para fornecer um documento de política mais abrangente, em toda a ONU, para os decisores sobre a interação entre o clima, clima e água e os objetivos globais de desenvolvimento das Nações Unidas.

A OMM usa conjuntos de dados (baseados em dados climatológicos mensais de sites de observação) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA e do Centro Hadley de Met Office do Reino Unido e da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia nos Estados Unidos Reino.

Ele também usa conjuntos de dados de reanálise do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Porte e seu Serviço de Mudanças Climáticas de Copernicus e a Agência Meteorológica do Japão . Este método combina milhões de observações meteorológicas e marinhas, inclusive de satélites, com modelos para produzir uma reanálise completa da atmosfera. A combinação de observações com modelos permite estimar temperaturas a qualquer momento e em qualquer lugar em todo o mundo, mesmo em áreas dispersas de dados, como as regiões polares.

Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma 2017 entre os três anos mais quentes registrados

Notas

Os três conjuntos de dados de temperatura superficial convencionais são o conjunto de dados NOAAGlobalTemp da NOAA, o conjunto de dados HadCR Center e o Conjunto de dados HadCRUT.4.6.0.0 da Metry Hadley Centre e a unidade de pesquisa climática eo conjunto de dados GISTEMP da NASA GISS. Eles usam medidas da temperatura do ar sobre a temperatura da terra e da água do mar sobre os oceanos para estimar as anomalias de temperatura ao redor do globo. As reanálises são o ERA-Interim do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas Médias e a JRA-55 da Agência Meteorológica do Japão. Apesar da abordagem muito diferente, as estimativas das temperaturas médias globais produzidas por essas reanálises estão de acordo com os conjuntos de dados convencionais da temperatura da superfície

A OMM agora usa 1981-2010 como base para calcular as variações de temperatura nas escalas de tempo mensais, sazonais e anuais. Isso substitui a linha de base 1961-1990 usada anteriormente. O período 1981-2010 também é recomendado pela OMM para calcular o padrão climático normal para o monitoramento operacional do clima, pois é mais representativo das condições climáticas atuais. Permite um relatório consistente de informações de sistemas de satélite e de reanálise, alguns dos quais não se estendem a 1960, juntamente com conjuntos de dados tradicionais baseados em observações de superfície gerenciadas pelos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais dos 191 Estados Membros da OMM e territórios. Para temperaturas médias globais, o período 1981-2010 é aproximadamente 0,31 ± 0,02 ° C mais quente que o de 1961-1990. A mudança nas linhas de base não tem influência na análise de tendências.

A OMM usa o período 1880-1900 como período de referência para condições pré-industriais, permitindo que as observações instrumentais iniciais sejam usadas para estimar condições de temperatura pré-industrial.

Fonte – Informe da Organização Meteorológica Mundial (OMM), tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate de 19 de janeiro de 2018

Jacarta está afundando tão depressa que pode acabar debaixo d’água

Mesquita inundada com o aumento do nível do Mar de Java em JacartaMesquita inundada com o aumento do nível do Mar de Java em Jacarta. Josh Haner/The New York Times

Rasdiono se recorda de quando o mar ficava a uma boa distância de sua porta, descendo um morro. Naquela época, ele abriu um barracão apertado ao lado da baía, pintado de forma alegre, que batizou de Blessed Bodega (bodega abençoada), onde ele e sua família vendiam cabeças de bagre, ovos temperados e frango frito.

Era estranho, disse Rasdiono. Ano a ano, a água chegava mais perto. O morro posteriormente desapareceu. Agora o mar chega a apenas passos de sua loja, contido apenas por um muro que vaza.

Com a mudança climática, o Mar de Java está subindo e o clima aqui está se tornando mais extremo. Neste mês, outra tempestade anormal transformou brevemente as ruas de Jacarta em rios e virtualmente paralisou esta vasta área de quase 30 milhões de habitantes.

Um pesquisador local do clima, Irvan Pulungan, conselheiro do governo da cidade, teme que as temperaturas possam subir vários graus, assim como o nível do mar em até um metro na região, ao longo do século.

Isso, por si só, representa um desastre potencial para esta metrópole populosa.

Mas o aquecimento global não pode ser considerado o único culpado pelas inundações históricas que atingiram a bodega de Rasdiono e grande parte do restante de Jacarta em 2017. O problema, na verdade, é que a própria cidade está afundando.

Prédio de uma antiga fábrica inundado no norte de Jacarta. Josh Haner/The New York Times

De fato, Jacarta está afundando mais rapidamente do que qualquer outra grande cidade no planeta, mais rápido até mesmo que a elevação do mar causada pela mudança climática, tão surrealmente rápido que os rios às vezes fluem na direção contrária, chuvas comuns às vezes inundam bairros e prédios lentamente desaparecem no subsolo, engolidos pela terra.

A principal causa: os moradores de Jacarta estão cavando poços ilegais, gota a gota drenando os aquíferos subterrâneos sobre os quais a cidade se situa, como se esvaziasse uma almofada sob ela. Cerca de 40% de Jacarta atualmente se encontra abaixo do nível do mar.

Os distritos costeiros afundaram até 4,2 metros nos últimos anos.

Favela em área inundada em Jacarta, em um dos rios mais poluídos do mundo. Josh Haner/The New York Times

A mudança climática age aqui como em toda parte, exacerbando uma série de outros males. E no caso de Jacarta, um tsunami de problemas causados pelo homem (desenvolvimento descontrolado, uma ausência quase total de planejamento, quase nenhuma rede de esgoto e uma rede apenas limitada de água potável encanada confiável) provoca uma ameaça iminente à sobrevivência da cidade.

O espalhamento, os prédios afundando, o ar poluído e alguns dos piores congestionamentos de trânsito do mundo são sintomas de outros problemas profundamente enraizados. A não confiança no governo é nacional. Os conflitos entre extremistas islâmicos e indonésios laicos, muçulmanos e de etnia chinesa impedem o progresso e complicam tudo o que acontece aqui, ou não acontece, para impedir a cidade de afundar.

“Ninguém aqui acredita em um bem maior, porque há corrupção demais, excesso de pose de servir o público, quando na verdade o que é feito serve apenas a interesses privados”, como colocou Sidney Jones, diretor do Instituto para Análise de Políticas de Conflito local. “Não há confiança.”

Hidrologistas dizem que a cidade tem apenas uma década para impedir seu afundamento. Caso contrário, o norte de Jacarta, com seus milhões de moradores, acabará debaixo d’água, juntamente com grande parte da economia da nação. Posteriormente, fora uma mudança completa e uma revolução em infraestrutura, Jacarta não conseguirá construir muros altos o bastante para conter rios, canais e a elevação do Mar de Java.

E, é claro, mesmo se conseguir curar seus ferimentos autoinfligidos, ela ainda terá que lidar com todas as crescentes ameaças da mudança climática.

Certa tarde eu me encontrei com um homem chamado Topaz, nas ruínas de um bairro à beira-mar chamado Akuarium, de onde todos os moradores foram retirados. Topaz se descreveu como um morador de terceira geração do que antes era um bairro próspero.

Isso foi antes dos tratores chegarem. Akuarium foi reduzido a pilhas de entulho e concreto quebrado.

Asmawati e seu filho, Topaz, nas ruínas do bairro Akuarium. Josh Haner/The New York Times

“O governo disse que o despejo visava limpar o rio, mas acredito que foi para fins políticos e de desenvolvimento”, disse Topaz, refletindo a crença predominante entre os moradores.

O ex-governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama, conhecido como Ahok, ordenou o despejo. Mas muitas pessoas forçadas a sair, como Topaz, resistiram, convencidas de que o despejo visava na verdade enriquecer empreendedores imobiliários, não melhorar a drenagem.

O governador perdeu sua disputa pela reeleição e os radicais islâmicos, explorando a fúria da população, impetraram queixas de blasfêmia contra ele. Ele está cumprindo uma pena de dois anos de prisão.

O novo governador de Jacarta, Anies Baswedan, cuja campanha conquistou o apoio dos moradores enfurecidos de Akuarium, anunciou em novembro como um de seus primeiros atos que planeja reconstruir algumas das casas do bairro.

JanJaap Brinkman, um hidrologista que por décadas estuda Jacarta para o instituto holandês de pesquisa de águas Deltares, solidariza com os moradores de comunidades como Akuarium. O despejo não é uma cura para tudo, nem mesmo é possível, ele disse, considerando quantos inúmeros milhares de moradores da cidade atualmente vivem sobre rios e canais em construções informais.

Ao mesmo tempo, Brinkman destacou, é necessário que as pessoas sejam relocadas, mas despejos mal feitos arruínam a pouca reserva de boa vontade e perdem tempo precioso.

“Precisamos de grandes passos agora”, ele disse. “Se todas as discussões ficarem amarradas com pescadores e desenvolvimento, posteriormente ocorrerá uma enorme calamidade e mortes, e não restará nenhuma opção a não ser abandonar partes inteiras de Jacarta.”

Há conversas ocasionais aqui a respeito do governo indonésio mudar sua capital para outro lugar, para encolher a cidade. Os políticos emitem decretos proibindo a abertura de poços e implorando aos moradores para armazenarem água de chuva. Mas a fiscalização é insignificante.

A medida mais ambiciosa da cidade é a construção do chamado Muro Costeiro, atualmente se erguendo como uma falésia preta na Baía de Jacarta. É uma barreira semitemporária para conter a elevação do mar e compensar a subsidência (construída com altura extremamente alta porque, assim como o restante do norte de Jacarta, a expectativa é de que também afunde). Com a taxa atual de subsidência, acredita-se que o próprio Muro Costeiro esteja debaixo d’água em 2030.

O Muro Costeiro faz parte de um projeto maior que as autoridades indonésias iniciaram três anos atrás em colaboração com o governo holandês. Chamado de programa de Desenvolvimento Costeiro Integrado da Capital Nacional, ele prevê complementar o Muro Costeiro com uma segunda barreira, o Quebra-Mar Gigante, ou um dique imenso, quilômetros mar adentro, na prática fechando totalmente a Baía de Jacarta.

O dique não apenas bloquearia a elevação das águas. Segundo o plano original, ele também se tornaria a espinha de um imenso novo megadistrito e rodoanel, um projeto de US$ 40 bilhões (um presente dos céus para magnatas de construção e imóveis e consultores holandeses), projetado na forma de Garuda, a ave mitológica nacional.  O Grande Garuda, como passou a ser chamado, era a Grande Ideia de Jacarta. Ou era até recentemente.

Homens trabalham em um muro que desabou em casas inundadas em uma favela. Josh Haner/The New York Times

O governo agora voltou atrás na ideia do megadistrito, apesar de ainda prever o dique, uma noção que provoca um ceticismo compreensível. Como apontaram ambientalistas, se a cidade não limpar primeiro seus rios e canais, o dique transformará a Baía de Jacarta fechada na maior fossa do mundo.

Do ponto de vista de Brinkman, apenas “combater a subsidência contribuiria em 90% com o que a cidade precisa para lidar com a mudança climática”.

Tóquio enfrentou uma situação semelhante depois da Segunda Guerra Mundial, como ele gosta de apontar. Ela afundou cerca de 3,5 metros desde 1900. Mas a cidade aplicou recursos em nova infraestrutura e estabeleceu códigos de construção e desenvolvimento mais rígidos, e em uma década ou duas conseguiu ficar em uma situação melhor para lidar com os efeitos da mudança climática.

“Jacarta poderia se tornar uma versão do século 21 da Tóquio do século 20, um exemplo de redesenvolvimento urbano”, disse Pulungan.

Mas “uma cidade incapaz de fornecer serviços básicos é uma cidade fracassada”, ele acrescentou. “Além das questões convencionais de enchentes e urbanização, agora temos a mudança climática, fazendo pender a balança. E no ritmo atual, as pessoas estarão lutando nas ruas por recursos cada vez mais limitados, como água limpa e espaços seguros para viver.”

Assim como Tóquio há meio século, Jacarta se encontra em um momento decisivo, ele disse: “A Natureza não vai esperar”.

Fontes – Michael Kimmelman, The New York Times / tradutor George El Khouri Andolfato, UOL de 29 de dezembro de 2017

Modelos de clima de alta resolução apresentam novas projeções alarmantes para os EUA

Rusty Russ

Aproximando-se da segunda metade do século, os Estados Unidos provavelmente sofrerão aumento no número de dias com calor extremo, na frequência e duração das ondas de calor. Em resposta, prevê-se que as necessidades sociais, agrícolas e ecológicas irão aumentar a demanda em recursos naturais já esbanjados, como água e energia.

Pesquisadores da Universidade de Illinois desenvolveram novos modelos de clima de alta resolução que podem ajudar os responsáveis políticos a mitigar esses efeitos a nível local.

Em um artigo publicado no jornal Earth’s Future , o professor de ciências atmosféricas Donald Wuebbles , o estudante de graduação Zach Zobel e os cientistas do Argonne National Laboratory, Jiali Wang e Rao Kotamarthi, demonstram como a modelagem de resolução aumentada pode melhorar futuras projeções climáticas.

Muitos modelos climáticos usam uma resolução espacial de centenas de quilômetros. Esta abordagem é adequada para modelos de escala global que funcionam durante séculos no futuro, mas não conseguem capturar características de terra e clima em pequena escala que influenciam os eventos atmosféricos locais, disseram os pesquisadores.

“Nossos novos modelos funcionam em uma resolução espacial de 12 km, o que nos permite examinar mudanças localizadas no sistema climático nos EUA continentais”, disse Wuebbles. “É a diferença entre ser capaz de resolver algo tão pequeno quanto o condado de Champaign contra o estado inteiro de Illinois – é uma grande melhoria”.

O estudo analisou duas futuras futuras projeções de produção de gases de efeito estufa – um cenário “comercial como de costume”, onde o consumo de combustível fóssil permanece em sua trajetória atual e que implica uma redução significativa no consumo até o final do século. O grupo gerou dados para duas projeções de dez anos (2045-54 e 2085-94) e comparou-os com dados históricos (1995-2004) para o contexto.

“Uma das descobertas mais alarmantes na nossa projeção de negócios como de costume mostra que, no final do século, o sudeste dos EUA experimentará temperaturas máximas de verão todos os dias que costumavam ocorrer apenas uma vez a cada 20 dias”, disse Zobel.

Embora não sejam tão graves, outras regiões do país também devem experimentar alterações significativas na temperatura.

“O Centro-Oeste poderia ver grandes eventos de calor incomuns, como a onda de calor de Chicago de 1995, que matou mais de 800 pessoas, tornando-se mais comuns e talvez até até quase cinco vezes por ano até o final do século”, disse Wuebbles. “As ondas de calor aumentam a taxa de mortalidade no Centro-Oeste e no Nordeste porque as pessoas nessas regiões densamente povoadas não estão acostumadas a lidar com esse tipo de calor que frequentemente”.

As temperaturas extremas e a duração prolongada da estação mais quente provavelmente terão um impacto significativo nas culturas e no ecossistema, disseram os pesquisadores. Áreas como o Oeste americano, que já estão lidando com recursos hídricos limitados, podem assistir estações de geada muito mais curtas, levando a um aumento menor na água de derretimento da primavera do que o que é necessário.

“A alta resolução de nossos modelos pode captar variáveis climáticas regionais causadas por formas de relevo locais como montanhas, vales e corpos de água”, disse Zobel. “Isso permitirá que os formuladores de políticas adaptem as ações de resposta de uma maneira muito localizada”.

Os novos modelos se concentram na temperatura e não influenciam o efeito que os padrões regionais de precipitação terão sobre o impacto das mudanças climáticas antecipadas. Os pesquisadores planejam ampliar seu estudo para explicar essas variáveis adicionais.

“O conceito de mudança climática global pode ser um pouco abstrato, e as pessoas querem saber como essas mudanças projetadas os afetarão, em sua comunidade”, disse Wuebbles. “Nossos modelos estão ajudando a responder a essas perguntas, e é isso que separa nosso trabalho dos estudos maiores e de escala global”.

Referência

Zobel, Z., Wang, J., Wuebbles, D. J. and Kotamarthi, V. R. (), High Resolution Dynamical Downscaling Ensemble Projections of Future Extreme Temperature Distributions for the United States. Earth’s Future. Accepted Author Manuscript. doi:10.1002/2017EF000642

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2017EF000642/epdf

Fontes – University of Illinois at Urbana-Champaign / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 15 de dezembro de 2017

Estudos ligam cada vez mais o clima extremo às mudanças climáticas

Imagem: Los Alamos National LaboratoryImagem: Los Alamos National Laboratory

Um novo relatório mostra que os estudos publicados desde que o Acordo de Paris foi firmado há dois anos estão ligando cada vez mais as mudanças climáticas a eventos climáticos extremos em todo o mundo. [1]

Desde a conclusão da cúpula do clima da ONU em Paris, em 12 de dezembro de 2015, cientistas publicaram pelo menos 59 artigos sobre a atribuição de eventos climáticos específicos às mudanças climáticas. Destes, 41 concluem que as mudanças climáticas aumentaram os riscos de um determinado tipo de evento extremo, revela a análise da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU). Alguns detectam um aumento na frequência, outros aumentam a intensidade ou a duração, ou vinculam um impacto particular às mudanças climáticas, ou uma combinação desses efeitos.

Os eventos meteorológicos estudados abrangem episódios de calor extremo, seca, inundações e ondas de incêndios, e dizem respeito a todos os continentes, exceto a Antártida. Eles abrangem 32 eventos individuais recentes para os quais os riscos aumentaram devido a mudanças climáticas, com outros focando na tendência de longo prazo de riscos crescentes.

Uma pequena proporção dos eventos climáticos extremos individuais analisados nestes estudos têm um custo quantificado em termos de vidas perdidas ou danos econômicos. A partir destes, o relatório deduziu que, neste pequeno conjunto de eventos, as mudanças climáticas causaram cerca de 4.000 mortes e cerca de US$ 8 bilhões em danos econômicos. Mas o relatório adverte que esses números não podem ser tratados como o “custo das mudanças climáticas”.

Richard Black, diretor da ECIU e autor do relatório, disse que a compreensão das conexões entre mudanças climáticas e eventos climáticos extremos está evoluindo rapidamente. “Apenas alguns anos atrás, era difícil dizer mais sobre qualquer tempestade, seca ou onda de calor além de que era ‘consistente com o que a ciência prevê’. Cada vez mais, os cientistas podem olhar muito especificamente para um sinal de mudança climática em eventos extremos, e fazê-lo muito rapidamente. Este relatório mostra que cada vez mais, estão descobrindo que os eventos específicos são mais prováveis ou mais prejudiciais pelas mudanças climáticas “.

Comentando, a Dra. Friederike Otto, Diretora Adjunta do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford, disse que a rápida evolução da ciência na atribuição de eventos está gerando conhecimento cada vez mais útil para os formuladores de políticas. “Estamos agora descobrindo que, para muitos tipos de eventos climáticos extremos, especialmente ondas de calor e chuvas extremas, podemos estar bastante confiantes sobre o efeito da mudança climática”, disse ela. “Sejam formuladores de políticas analisando questões locais, como proteção contra inundações, sejam negociadores envolvidas em processos globais sobre alterações climáticas, quanto mais informações sobre como as mudanças climáticas impactam o agora e o futuro, melhores serão as decisões que podem ser tomadas. Este relatório da ECIU mostra o rápido crescimento do conhecimento, e acho que só vai acelerar”.

O relatório foi lançado na semana em que líderes mundiais se reúnem novamente em Paris para uma cúpula climática convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron, focada na economia da mudança climática.

Notas

1. O relatório, Heavy Weather: Tracking the fingerprints of climate change, two years after the Paris summit, está disponível em http://eciu.net/assets/Reports/ECIU_Climate_Attribution-report-Dec-2017.pdf

2. O Acordo de Paris foi firmado na conclusão de uma conferência climática da ONU em Paris (COP21) em 12 de dezembro de 2015; entrou em vigor em 4 de novembro de 2016: https://www.ecodebate.com.br/?s=acordo+de+paris

Sobre

A Unidade de Inteligência Energética e Climática é uma organização sem fins lucrativos que apoia o debate informado sobre questões de energia e mudanças climáticas no Reino Unido. A Grã-Bretanha enfrenta escolhas importantes sobre energia e sobre a resposta às mudanças climáticas, e acreditamos que é vital que os debates sobre essas questões sejam fundamentados em evidências e contextos apropriados.

Fonte – Flavia Guarnieri, EcoDebate de 15 de dezembro de 2017