Adeus ao consumismo?

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Avança, em todo mundo, crítica à obsessão por acumular e ostentar mercadorias. Um pilar psíquico das sociedades capitalistas pode estar em risco

O fenômeno está em expansão. Em nossas sociedades desenvolvidas, um número cada vez maior de cidadãos planeja modificar seus hábitos de consumo. Não só dos hábitos alimentares, já individualizados ao ponto de ser quase impossível reunir oito pessoas numa mesa para comer um mesmo cardápio. Mas do consumo de modo geral: a roupa, a decoração, a limpeza, os eletrodomésticos, os fetiches culturais (livros, DVDs), etc. Todas as coisas que até recentemente acumulavam-se em nossas casas como símbolos, mais ou menos medíocres, de sucesso social e de opulência (e, até certa medida, de identidade), hoje sentimos que nos sufocam. A nova tendência aponta à redução, ao desapego, à supressão, à eliminação… Enfim, à desintoxicação. Portanto, ao detox. Como se começasse o declínio da sociedade de consumo — estabelecida por volta dos anos 1960 a 1970 – e entrássemos no que começa a chamar-se de “sociedade do desconsumo”.

Certamente, pode-se defender que as necessidades vitais de consumo continuam sendo enormes em muitos países em desenvolvimento ou em regiões pobres do mundo desenvolvido. Porém, essa realidade indiscutível não impede de enxergar o movimento de “desconsumo” que se expande com um impulso cada vez mais intenso. Um estudo recente (1), realizado no Reino Unido, mostra que, desde o começo da Revolução Industrial, as famílias acumulavam bens materiais em suas casas, na medida em que seus recursos iam aumentando. O número de objetos reunidos traduzia seu nível de vida e seu status social. Assim ocorreu até 2011. Naquele ano, atingiu-se o que poderíamos chamar de “pico dos objetos” (peak stuff). Desde então, a quantidade de objetos que as pessoas possuem não deixa de diminuir. E essa curva, no formato de sino, conhecida como “curva de Gauss”, passaria a ser uma lei geral. Hoje, isso pode ser verificada nos países desenvolvidos (e em muitas regiões ricas dos países ao sul), mas também parece começar a refletir a inevitável evolução nos países em desenvolvimento (China, Índia, Brasil).

A consciência ecológica, a preocupação geral com o meio ambiente, o medo das mudanças climáticas e, particularmente, a crise econômica de 2008, que atingiu com violência os países ricos, têm, sem dúvida, influenciado essa nova austeridade zen. Desde então, nas redes sociais têm sido divulgados muitos casos espetaculares de detox anticonsumista. Por exemplo, o de Joshua Becker, um estadunidense que decidiu há nove anos, com sua esposa, reduzir radicalmente o número de bens materiais que possuíam, para viver melhor e obter tranquilidade mental. Em seus livros (Living with Less, The more of Less) e em seu blog “Becoming minimalist” [“Virando minimalista”, em tradução nossa], Becker conta: “Limpamos a bagunça de nossa casa e de nossa vida. Foi uma viagem na qual descobrimos que a abundância consiste em ter menos”. E afirma que “as melhores coisas da vida não são coisas”.

Porém, não é fácil se desintoxicar do consumo e converter-se ao minimalismo: “Comece aos poucos – aconselha Joshua Fields Millburn, que escreve no blog TheMinimalists –, tente se desapegar de uma só coisa durante 30 dias, começando pelos objetos mais fáceis de eliminar. Desprenda-se das coisas óbvias. Começando por aquelas que claramente não precisa: as xícaras que nunca usa, aquele presente horrível que ganhou, etc.”

Outro caso famoso de desapego voluntário é o de Rob Greenfield (2), um norteamericano de 30 anos, protagonista da série-documentário Free Way(“Viajante sem dinheiro”, do Discovery Channel), que, sob o lema “menos é mais”, abriu mão de todos seus pertences, inclusive de sua casa. E anda pelo mundo com apenas 111 pertences (incluindo a escova de dentes)… Ou a designer canadense Sarah Lazarovic, que passou um ano sem comprar roupa e cada vez que sentia vontade, desenhava a peça em questão. Resultado: um belo livro de esboços chamado Um montão de coisas lindas que não comprei (3). Também há o exemplo de Courtney Carver, que propõe, em seu site Project 333, um desafio de baixo orcamento, convidando os leitores a se vestirem com somente 33 peças de roupa durante três meses.

Na mesma linha, temos o caso da blogueira e youtuber francesa Laetitia Birbes, 33 anos, que ficou famosa pelo seu desafio de nunca mais comprar roupa novamente: “Eu era uma consumidora compulsiva. Vítima das promoções, das tendências e da tirania da moda – diz. Tinha dias em que chegava a gastar 500 euros em roupas… Toda vez que tinha problemas com meu parceiro ou com os exames, comprava roupa. Cheguei a compor perfeitamente o discurso dos publicitários: confundia sentimentos com produtos…” (4). Até que um dia decidiu esvaziar seu armário e doar tudo. Sentiu-se livre e leve; liberta de um peso emocional antes não suspeitado: “agora vivo com dois vestidos, três calcinhas e um par de meias”. E dá conferências por toda a França para ensinar sobre a disciplina do “lixo zero” e do consumo minimalista.

O consumismo é consumir consumo. É uma atitude impulsiva onde não importa o que é comprado, a questão é comprar. Na realidade, vivemos na sociedade do desperdício, desperdiçamos absurdamente. Ante essa aberração, o minimalismo de consumo é um movimento mundial que propõe comprar somente o necessário. O exercício é simples: devemos olhar para as coisas que temos em casa e determinar quais usamos realmente. O resto é acúmulo: veneno.

Duas jornalistas argentinas, Evangelina Himitian y Soledad Vallejos, passaram da teoria para a prática. Depois de terem vivido como milhões de outros consumidores, que acumulam sem nenhum critério, decidiram questionar seu próprio comportamento. Claro que ambas compravam por outros motivos, menos por necessidade. E propuseram-se ficar um ano sem consumir nada que não fosse absolutamente indispensável, para depois contar com grande talento as suas experiências (5).

Não se tratava somente de não consumir, como também de se desintoxicar, de libertar-se do consumo acumulado. As duas jornalistas começaram se auto impondo uma disciplina detox: cada uma tinha que extrair de sua casa dez objetos por dia, durante quatro meses: 1.200 ao todo. Tiveram de descartar, doar, se desprender, se desfazer… Como uma espécie de faxina, para passarem a ser “desconsumistas”: “Nos últimos cinco anos – contam Evangelina e Soledad – acendeu-se uma luz de consciência coletiva no mundo sobre a forma de consumir. É uma maneira de controlar os abusos do mercado. Porque é também uma estratégia para escancarar os pontos cegos do sistema econômico capitalista. Por mais que pareça pretensioso, é exatamente isso: o capitalismo apoia-se na necessidade de fabricar necessidades. E para cada necessidade é fabricado um produto… Isto é ainda mais palpável em países de economia desenvolvida, nos quais os indicadores oficiais medem a qualidade de vida de acordo com a capacidade de consumo das famílias…”.

Este aborrecimento, cada vez mais universal, com o consumismo, também atinge o universo digital. Surge o que poderíamos chamar de digital detox, que consiste em abandonar as redes sociais por um tempo e por diversos motivos. Expande-se o movimento dos “ex-conectados” ou “desconectados”, uma nova tribo urbana composta por pessoas que decidiram virar as costas para a internet e viver offline. Não possuem WhatsApp, não querem nem ouvir falar em Twitter, não usam Telegram, odeiam o Facebook, não simpatizam com o Instagram e quase não podem ser encontrados na Internet. Alguns sequer possuem uma conta de e-mail, e aqueles que têm, acessam-na somente de vez em quando… Enric Puig Punyet (36 anos), doutor em Filosofia, professor e escritor, é um dos novos “ex-conectados”. Escreveu um livro (6) no qual reúne casos verídicos de pessoas que, empenhadas em recuperar o contato direto com os outros e com elas mesmas, tomaram a decisão de se desconectar. “A internet participativa, modalidade na qual vivemos, procura nossa dependência – explica Enric Puig Punyet. Por se tratar quase totalmente de plataformas vazias, nutridas por nosso conteúdo, interessa-lhes que estejamos conectados o tempo inteiro. Essa dinâmica é facilitada pelos smartphones, os quais fizeram com que constantemente estivéssemos disponíveis e alimentássemos as redes. Tal estado de hiperconexão, traz consigo os problemas que estamos começando a perceber: subtrai nossa capacidade de atenção, de processar profundamente e de socializar. Uma grande parte do atrativo das tecnologias digitais é planejada por companhias que querem nosso consumo e conexão contínua, como ocorre em tantas outras esferas – porque essa é a base do consumismo. Todo ato de desconexão, seja parcial ou total, deve ser compreendido como uma medida de resistência que procura compensar uma situação que se encontra desequilibrada” (7).

O direito à desconexão digital já existe na França. Em parte, como resposta à grande quantidade de casos de burnout (exaustão por excesso de trabalho) ocorridos nos últimos anos, como consequência da pressão laboral (8). Agora os trabalhadores franceses podem optar por não responder às mensagens digitais enquanto estão fora de sua jornada de trabalho. A França tornou-se pioneira neste tipo de leis, embora ainda existam dúvidas sobre o modo como esta será executada. A nova norma obriga as companhias que tiverem mais de 50 funcionários a abrirem as negociações sobre o direito de ficar offline, ou seja, a não atender e-mailsou mensagens digitais profissionais em suas horas vagas. Porém, o texto não especifica que deva chegar-se a um acordo, nem fixa nenhum prazo para as negociações. As empresas poderiam limitar-se a redigir um guia de orientações, sem participação dos trabalhadores. Mas a necessidade do digital detox, de sair das redes e se permitir uma folga da internet, está proposta.

A sociedade de consumo, em todos seus aspectos, já não seduz mais. Intuitivamente, sabemos hoje que tal modelo, associado ao capitalismo predatório, é sinônimo de desperdício e esbanjamento irresponsável. Os objetos desnecessários nos asfixiam. E asfixiam o planeta. É algo que o planeta já não pode suportar. Porque os recursos se esgotam. E se contaminam. Inclusive aqueles que existem em abundância (ar, água doce, oceanos…). E frente à cegueira de muitos governos, é chegada a hora de uma ação coletiva dos cidadãos, a favor de um desconsumo radical.

(1) Chris Goodall, “‘Peak Stuff’. Did the UK reach a maximum use of material resources in the early part of the last decade?” http://static.squarespace.com/static/545e40d0e4b054a6f8622bc9/t/54720c6ae4b06f326a8502f9/1416760426697/Peak_Stuff_17.10.11.pdf

(2) https://mrmondialisation.org/rob-greenfield-le-forest-gump-de-lecologie/

(3) http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2178944/Sarah-Lazarovic-How-woman-saved-2-000-PAINTING-clothes-wants-instead-buying-them.html

(4) http://www.lemonde.fr/m-perso/article/2017/09/15/consommation-trop-c-est-trop_5186310_4497916.html

(5) Leia Evangelina Himitian y Soledad Vallejos, Deseo consumido, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 2017.

(6) Enric Puig Punyet, La gran adicción. Cómo sobrevivir sin Internet y no aislarse del mundo, Arpa editores, Barcelona, 2017.

(7) http://www.bbc.com/mundo/noticias-39216905

(8) Em 2008 e 2009 ocorreram 35 suicídios numa companhia como France Telecom (agora Orange). Também ocorreram na Renault. Desde o dia 1 de janeiro de 2017, a lei permite ao assalariado de uma empresa de mais de 50 trabalhadores, não atender e-mails fora do horário de trabalho.

Fontes – Ignacio Ramonet, Medelu / tradução Simone Paz Hernández, Outras Palavras de 21 de novembro de 2017

“Proteger o clima demanda mudança de hábitos”

Legumes empacotados em plástico em mercado em Nova York: para economista, clima é questão educacionalLegumes empacotados em plástico em mercado em Nova York: para economista, clima é questão educacional

Economista alemão afirma que não existe exemplo de país desenvolvido que coloque em prática um modo de vida realmente ecológico e defende a conjunção de política de sustentabilidade com um programa educacional.

O economista alemão Niko Paech, professor na Universidade de Siegen, não tem celular ou carro particular. Tampouco come carne ou viaja de avião. O estilo de vida é considerado por ele o único caminho possível para a preservação ambiental. Principal nome da Economia do Decrescimento na Alemanha, Paech figurou no 18° lugar do ranking de pensadores mais influentes elaborado pelo Gottlieb Duttweiler, instituto suíço de estudos econômicos e sociais.

Nesse modelo, as jornadas de trabalho seriam reduzidas à metade. Com ajuda da tecnologia, o nível de emprego seria mantido ou elevado, e as pessoas teriam tempo para plantar seus alimentos ou consertar suas roupas e sapatos, em vez de comprar outros novos.

Paech considera os debates como o da Conferência do Clima de Bonn, que se encerrou na semana passada, um “desperdício de tempo e energia”, pois não tratam do que, em sua opinião, é a real causa do problema climático: o crescimento econômico.

DW Brasil: Nas últimas duas semanas, representantes de governos e organizações civis discutiram medidas para a proteção do clima, na COP 23. O senhor acredita na eficiência desse tipo de encontro?

Niko Paech: Até hoje, não existe qualquer exemplo de país desenvolvido que coloque em prática um modo de vida realmente ecológico, que reduza sua produção e, especialmente, os transportes, de modo a servir como exemplo. Assim como um analfabeto não pode ensinar outro a ler e escrever, os que fracassam na proteção do clima não podem aprender entre si.

Por isso, essas conferências são um desperdício de tempo e energia. A proteção do clima que faria jus a essa denominação não é alcançada pelo investimento em novas tecnologias. Ela pressupõe uma inevitável mudança de hábitos. Entretanto, o estilo de vida ecológico não é pauta desses encontros.

A Alemanha é frequentemente citada como um exemplo internacional pela transição energética para fontes renováveis. O senhor não reconhece um avanço nessa política?

Trata-se de um projeto ambiental fracassado, que cobre, exclusivamente, o uso de fontes renováveis no setor elétrico. Essa política desvia da maioria dos problemas climáticos. Basta pensar nas viagens aéreas; no transporte de bens em caminhões; no processo de aquecimento usado na produção e no imenso consumo de energia na agricultura industrial.

Ela resulta em uma compensação simbólica e acalma a consciência. Enquanto a responsabilidade por um desenvolvimento sustentável for delegada a inovações tecnológicas, mantém-se um álibi para a resistência ao enfrentamento da questão de acordo com o seguinte lema: “O vento e o sol vão dar conta. Felizmente, não precisamos mais falar sobre as viagens de férias e os hábitos de consumo.”

Há, também, dois problemas sem qualquer solução ecológica e econômica: a volatilidade do vento e do sol e a falta de redes de transmissão. A transição energética está especialmente baseada em um múltiplo deslocamento de problemas, pois, para supostamente proteger o clima, joga contra a preservação da natureza. A construção dessas usinas e infraestruturas relacionadas demanda o uso de metais, como cobre e aço, mas também neodímio, plástico e concreto.

De toda forma, essas alternativas não desempenham um papel importante?

As fontes renováveis só poderiam cobrir a maior parte do nosso consumo energético se a capacidade industrial caísse pela metade, e a mobilidade global, reduzida ao mínimo. Atualmente, a proporção de energia eólica equivale a menos de 3% na demanda de energia primária alemã (eletricidade, aquecimento e transporte), apesar de imensos esforços e destruição de terras. Já a fotovoltaica representa pouco mais de 1%.

Esses valores risíveis permitem reconhecer o quanto a tecnologia é superestimada. Isso significa que precisamos enfrentar possibilidades limitadas da tecnologia pela redução do consumo e do sedentarismo, com menos deslocamentos. Além disso, uma parte da produção atual poderia ser substituída por meio de tecnologias de trabalho intensivo, especialmente os equipamentos mecânicos.

Um crítico poderia alegar que o senhor deseja retornar a um modelo de sociedade pré-industrial. Qual seria o papel do desenvolvimento tecnológico na Economia do Decrescimento?

desglobalização e a desindustrialização, urgentemente necessárias, não pressupõem que a mobilidade e os produtos modernos desapareçam, mas que lidemos de forma mais equilibrada com eles. Por exemplo: eu divido uma máquina de lavar roupas com outros quatro adultos. Se o modelo fosse expandido, a produção desse eletrodoméstico seria reduzida em 80%. Nada impede que seja bastante moderno, e é diferente de renunciar a ele.

O mesmo vale para minhas roupas e sapatos, os quais preservo e conserto de forma que durem o dobro do tempo. A produção, que pode ser moderna, cai pela metade. O desmantelamento dos sistemas industrial e de transporte como os conhecemos não significa abrir mão da tecnologia contemporânea, mas restringir nossa necessidade sobre ela de forma quantitativa.

Como o senhor espera que as pessoas se adaptem a um modo de vida tão diferente do que estão acostumadas nos países desenvolvidos?

A transformação rumo à sustentabilidade, que até o momento não se traduziu em ações efetivas, está diante de um dilema. O ideal modernista de uma sociedade próspera e “verde”, construída por grandes avanços tecnológicos, fracassou. Não me refiro somente ao insucesso da política de um crescimento verde, mas à possibilidade de as decisões políticas conduzirem esse processo.

Sem uma dissociação técnica, a política só consegue produzir efeitos de alívio ecológico, pela imposição de medidas restritivas e de redução. O problema é que elas afetam ainda mais as condições de vida da população, já que não representam hábitos ecologicamente sustentáveis.

O que fazer, então?

Caso a sociedade deseje se adaptar fora do modelo de abundância de forma proativa, antes que se veja obrigada a isso devido a uma crise, só há um caminho: a conjunção de uma política de sustentabilidade com um programa educacional. O modelo econômico atual lembra um “monstro do mar” à deriva, irrecuperável tal como o Titanic. Por isso, seria aconselhável desenvolver “barcos de resgate” autônomos, organizados sob um controle político descentralizado e em agrupamentos menores.

Vários indivíduos conectados em um “laboratório vivo” poderiam começar a praticar um estilo de vida sustentável, pelas mudanças nos hábitos que mencionei. Com credibilidade e visibilidade, eles poderiam demonstrar que é possível existir, com alta qualidade de vida, num modelo em que cada indivíduo produz menos de 2,5 toneladas de CO2 por ano, em média. Dessa forma, vários dos álibis hipócritas que impedem uma transformação seriam destruídos. Se vários indivíduos e grupos começarem a pôr isso em prática, o colapso para o qual nos encaminhamos poderia ser possivelmente evitado.

O senhor defende um novo modelo de globalização ou é totalmente contrário a ela?

Atualmente, nenhum problema ecológico se expande com dinâmica maior que a das viagens aéreas. O objetivo não deveria ser uma “nova globalização”, mas sim o mais próximo possível de “nenhuma globalização”.

No Brasil, muitas pessoas compraram seu primeiro carro, smartphone ou eletrodoméstico nos últimos 15 anos. Como dizer a eles que, agora, devem abrir mão desses bens?

Ninguém pode ter o direito de viver além de suas possibilidades ecológicas só porque outra pessoa tem ou teve essa postura. Os brasileiros também precisarão aprender a viver com 2,5 toneladas de CO2 per capita no longo prazo. Mas acalme-se: uma geladeira ou um smartphone estão incluídos nesse “orçamento ecológico”.

A justiça no século 21 é, sobretudo, uma questão ecológica e não pressupõe que os ditos pobres alcancem o patamar dos ricos. A abundância dos que mais tem é que deve ser reduzida, gradualmente, sem abrir mão do nível per capita mencionado, cujos efeitos ecológicos podem ser multiplicados por 7,3 milhões, sem prejudicar os meios de subsistência. Por tratar-se de um país tão atrativo e influente, o Brasil poderia servir como um exemplo para toda a América Latina, caso se tornasse um pioneiro de uma Economia do Decrescimento.

Fonte – João Soares, Deutsche Welle de 20 de novembro de 2017

O Decrescimento

O conceito do Decrescimento (Decroissance em francês, Degrowth, em inglês) assenta no facto de o crescimento económico ser insustentável no ecossistema global, pois o planeta é finito e os recursos  naturais limitados, pelo que não é possível o crescimento infinito. Por oposição, o pensamento económico dominante considera que a melhoria do nível de vida só depende do aumento do PIB, promovendo o perpétuo crescimento  económico.

“O decrescimento é um conceito social, político e económico e defende a redução da produção e do consumo uma vez que considera o excesso de consumo como a principal causa dos problemas ambientais e de desigualdade social.”

Esta é a definição constante de um documento resumo

elaborado por  Luís Coentro (novembro 2017), da Rede Transição Portugal, no qual se encontra informação acessível sobre o movimento do Decrescimento, a sua história, exemplos de soluções e obstáculos.

Também encontram informação sobre este tema em português no blogue Decrescimento.

Abaixo, o vídeo “Dessine-moi l’éco: la décroissance, une solution à la crise? (O Decrescimento, uma solução para a crise), da série francesa Dessine moi l’éco, que acabo de legendar em português.

Fonte – Blog Sustentabilidade é Acção de 26 de novembro de 2017

Como entender (e diminuir) o impacto dos seus hábitos no meio ambiente, de roupas a comida

PegadaAinda é considerado impossível calcular com precisão o impacto total do consumo humano no ecossistema | Crédito: Thinkstock

Com que frequência você lava suas calças jeans? Quando viaja de avião, são viagens longas? Prefere comprar tomates embalados, avulsos ou em conserva? Quantas vezes por semana você come carne?

As perguntas soam, a princípio, muito específicas. Mas são essenciais para entender o rastro que seus hábitos de consumo e escolhas individuais deixam no planeta.

Foi em uma conversa com o marido, no sofá de casa, que a designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn percebeu que, apesar de ser especialista na cadeia produtiva de produtos industrializados, não entendia exatamente qual era o impacto do seu estilo de vida no planeta.

“Ele me contou que os 16 maiores navios porta-contêineres do mundo juntos emitem a mesma quantidade de enxofre que todos os carros que circulam no mundo! E que perdemos cerca de 27 milhões de árvores por dia por causa do desmatamento”, disse à BBC Brasil.

“Isso mudou minha maneira de ver nosso impacto ambiental, porque eu achava que estávamos fazendo um ótimo trabalho, pelo menos aqui na Holanda”.

Ao pesquisar sobre o tema, Porcelijn percebeu que pelo menos em países ricos como Holanda e Estados Unidos mais de um quarto da “pegada ecológica” de cada ser humano é perceptível no dia a dia.

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O resto está embutido no ciclo de vida de produtos e serviços – da extração de matérias-primas, passando pelo transporte, até o descarte.

Conseguimos refletir, por exemplo, sobre a energia elétrica gasta para carregar nossos celulares, laptops e outros aparelhos eletrônicos.

Mas falamos pouco sobre as consequências da mineração dos metais necessários para produzi-los ou a quantidade de água utilizada nesse processo.

A principal revelação da pesquisa, conta Porcelijn, é que “o maior impacto ambiental não é causado exatamente pelos carros que dirigimos ou pelo ar-condicionado das casas e, sim, por produtos que consumimos – livros, eletrônicos, roupas, alimentos”. Pelo menos na Holanda e nos Estados Unidos.

O resultado do estudo foi compilado no livro Hidden Impact (“Impacto oculto”, em tradução livre), no qual a autora também dá dicas de como reduzir, de forma prática, o impacto provocado pelas escolhas cotidianas. E sem que seja preciso, necessariamente, mudar radicalmente de hábitos da noite para o dia.

Desde então, a holandesa se dedica em tempo integral a projetos de consultoria e análises de impacto ambiental. Ela esteve em São Paulo para participar do evento What Design Can Do (“O que o design pode fazer”, em tradução livre).

Como calcular?

O que Porcelijn considera como impacto é composto de elementos como uso da água e da terra, desmatamento, mineração e processamento de matérias-primas, esgotamento de recursos naturais, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, lixo e uso de combustíveis fósseis.

“O que eu quero fazer é monitorar todo o sistema e incluir todo tipo de impacto. Não só no clima, mas também na natureza, na biodiversidade, todo tipo de poluição”, explica.

“Eu não conseguia encontrar esses dados em lugar nenhum, o que achei muito esquisito. É esse o tipo de coisa que queremos e precisamos saber. Eu tive que ir muito fundo na pesquisa e contratei empresas especializadas para me ajudar.”

Para calcular o impacto da carne, por exemplo, é preciso levar em conta a produção de alimento para o gado e o desmatamento causado para criar o pasto.

Para saber o real impacto de um carro, é necessário incluir a poluição causada pela mineração dos metais utilizados.

No caso de uma calça jeans, deve-se considerar a água utilizada na produção de algodão e também na lavagem do tecido.

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A tarefa parece impossível e, de fato, a escritora holandesa reconhece que ainda há muito a ser calculado.

“Quando eu procurei especialistas, eles me disseram que nenhum método científico atual inclui todos os tipos de impacto. Mas como podemos superar o maior desafio dos nossos tempos se não conseguimos investigá-lo de verdade?”, questiona.

“Resolvi seguir em frente assim mesmo.”

Por isso, ela explica, os cálculos utilizados em seu método são aproximados.

Para efeito de comparação, a designer fez os mesmos cálculos para a Holanda e para os Estados Unidos, quando conseguiu obter as informações.

“É meio chocante, porque lá tudo é o dobro”, diz.

Ela conta que está, no momento, procurando empresas que a ajudem a fazer as mesmas estimativas para o Brasil.

A pedido da BBC Brasil, ela adaptou alguns gráficos produzidos durante a sua pesquisa e converteu os dados para as unidades de medida brasileiras.

Consequências ‘surpresa’

Ao escolher estudos de caso para exemplificar o impacto oculto do nosso consumo, Porcelijn diz ter se surpreendido com dados que desafiavam o senso comum a respeito do tema.

No exemplo da calça jeans, ela descobriu que o maior prejuízo ao meio ambiente está escondido no cultivo de algodão. Mas o uso de máquinas de lavar e de secar, que costuma não ser considerado, emite cerca de 12,5 kg de CO2 por lavagem, além do gasto de ao menos 50 litros de água.

No caso dos alimentos, a pesquisa revelou que frutas e legumes em conserva ou transformados em molhos, como o tomate, podem ter menos impacto ambiental do que os frescos.

A autora explica: normalmente, o impacto da produção de vegetais no ecossistema é pequeno, incluindo eventuais embalagens plásticas. O problema se encontra, no entanto, no desperdício que acontece do momento da colheita até a chegada ao prato do consumidor.

“Perder um tomate tem um impacto muito mais negativo do que comprar tomates embalados. A embalagem na verdade, se não for excessiva, pode ser boa, se considerarmos que ela impede a perda”, diz.

Mais de um terço da comida produzida nunca chega ao seu prato. No caso das frutas, legumes e verduras, a perda chega a 50% das colheitas. Por isso, as conservas – que são feitas com vegetais frescos logo após serem colhidos e têm perda menor – acabam sendo mais vantajosas para o meio ambiente.

Parte desse não aproveitamento acontece em casa, com a comida que estraga na geladeira ou é deixada no prato. Porcelijn calculou também esse impacto: se não desperdiçássemos nenhum alimento, nossa pegada ecológica diminuiria cerca de 15% para comida em geral e até 17% considerando só os vegetais.

Uma das dicas da designer industrial é fazer um calendário com as frutas, legumes e verduras de cada estação e procurar comprá-los de produtores locais – localizados a até 2 mil quilômetros de distância, para diminuir o impacto do transporte. Se quiser algum que esteja fora de época, cujo impacto para produzir é maior, prefira a conserva.

Outra boa ideia, segundo Porcelijn, é comprar produtos que estejam perto do vencimento e consumi-los rapidamente, para evitar que o supermercado jogue no lixo. E vale a pena ficar de olho em embalagens excessivas.

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Os meios de transporte também foram computados no cálculo de Porcelijn, com mais uma revelação surpreendente: caso a intenção seja diminuir realmente o seu impacto negativo no mundo, vale reduzir as viagens longas de avião.

Apesar de, no total, carros poluírem mais por quilômetro rodado que aviões, os especialistas consultados pela designer ressaltam que a possibilidade de viajar de avião aumentou as distâncias que percorremos.

Por isso, eles fizeram uma comparação entre diferentes meios de transporte para uma viagem de 6,5 horas. O resultado: aviões poluem mais, pelo menos em viagens mais longas. Para outro estado pode valer a pena. Mas férias em Dubai? Pense no impacto, sugere Babette Porcelijn.

Caso você realmente não queira abrir mão das férias em outro continente, vale calcular o plantio de árvores necessário para compensar as emissões pela duração do voo, ou apoiar alguma organização que faça esse trabalho.

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Por onde começar?

A designer holandesa também se especializou em dar dicas para tentar mitigar a pegada ecológica de cada um, sem que isso tenha que significar adotar uma vida “ecoréxica”, segundo ela.

“Para mim, é importante começar pelas coisas grandes, que causam mais impacto. Mudá-las é mais eficiente”, afirma.

Desde que se debruçou sobre o tema, Porcelijn inseriu algumas dessas mudanças na rotina de sua família.

“Só compro o que realmente preciso e, se eu puder, de segunda mão, especialmente roupas; parei de comer carne e também não tenho mais carro e não pego aviões, a não ser que isso seja para fazer mais bem do que mal. Estou indo de avião para São Paulo porque acho que alcançar pessoas aí e eventualmente ajudá-las a mudar suas vidas faz mais bem do que mal”, afirma.

“Nas férias, viajamos muito de bicicleta. É uma aventura incrível e nossos filhos também adoram. A família ficou mais próxima.”

A designer acredita que deixar de comer carne – o alimento mais poluente – pode ser mais prioritário para o meio ambiente do que deixar de ter um carro.

“Na Holanda certamente esse é o caso, e pelo que ouço do Brasil, também”, diz.

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O primeiro passo, segundo ela, é tornar-se sustentável e reduzir o impacto relativo aos seus hábitos pessoais.

De acordo a ONU, a população da Terra será de cerca de 10 bilhões de pessoas em 2050, caso o ritmo de crescimento se mantenha.

Já a economia global em 2050 será 2,7 vezes maior do que hoje, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. E, de acordo com a ONG Global Footprint Network, a população atual vive como se tivesse os recursos de 1,6 planeta Terra.

De acordo com o cálculo de Porcelijn, usando as duas estatísticas, chegaríamos a 2050 precisando de 4,3 Terras para sustentar nosso estilo de vida.

“Se vivermos de acordo com os limites do nosso planeta, já seremos sustentáveis”, afirma.

No caso do Brasil, cuja população vive como se tivesse 1,8 planeta Terra, viver no limite seria reduzir o impacto médio total para cerca de metade do que ele é atualmente.

Para quem pretende ir mais além, ser “econeutro” envolve fazer compostagem, plantar árvores, investir em energia renovável e apoiar financeiramente organizações ambientais, por exemplo.

O nível três, “ecopositivo”, significa trabalhar para que sua influência na mudança de hábitos das pessoas ao seu redor – em casa, no trabalho e em outros grupos – seja maior do que seu impacto no mundo como consumidor.

Menos é mais

O impacto negativo está, inevitavelmente, em todos os produtos que consumimos e atividades que praticamos. A holandesa ressalta, no entanto, que a mudança não deve assustar.

“O truque é: mesmo que você ainda faça tudo o que normalmente faz, faça menos. Por exemplo, pode comer a metade de uma porção de carne, e não essas enormes. Ou não comer todo dia, mas só uma vez por semana”, diz.

“Depois de começar a adotar essas reduções, pode escolher opções que tenham menos impacto. No caso da carne, por exemplo, a bovina tem o maior impacto. Frango já seria melhor.”

Para Porcelijn, também é preciso combater o mito de que “tudo o que é orgânico é melhor” na hora de mudar o estilo de vida.

“A carne orgânica, por exemplo, nem sempre é a melhor escolha. Os dados que recolhi mostram que os animais vivem mais, mas geralmente têm um rendimento menor e necessitam de mais espaço e mais alimento, que é o fator mais poluente”, explica.

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“Ainda precisamos fazer com que a produção de orgânicos seja algo muito mais eficiente do que é. E também melhorar a agricultura e pecuária intensivas. Acho que os dois processos deveriam ser combinados e teríamos um bom resultado. Até lá, tenha cuidado.”

A escolha do material das roupas também é importante.

“Eu achava que roupas sintéticas seriam melhores, porque a produção delas é menos poluente do que as de algodão, lã ou seda. Mas o problema é que, quando você lava, os tecidos sintéticos liberam microplásticos na água”, explica.

“Se você sabe que determinado tecido é produzido de maneira menos poluente, ótimo. Mas é melhor comprar menos roupas, do que simplesmente mudar para roupas orgânicas.”

Críticos afirmam que a ideia de abrir mão de tantos produtos e atividades ainda é elitista – já que, em sua maioria, produtos orgânicos ou sustentáveis costumam ser mais caros.

A autora diz, no entanto, que são as pessoas com maior renda que devem, de fato, se preocupar mais com seus hábitos.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais impacto pode comprar. Então os ricos devem estar mais atentos a isso do que os pobres. E, de modo geral, percebo que minha vida é bem mais barata com o novo estilo que adotei.”

“Tento dizer quais mudanças seriam as mais eficientes. Mas não julgo o comportamento das pessoas. Só acho que não temos tempo a perder.”

Fonte – Camilla Costa, BBC Brasil de 27 de novembro de 2017

Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisas

Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisasHábitos que olharíamos com profundo preconceito no Brasil, fazem parte do dia-a-dia de uma das maiores potências do mundo.

Um dos grandes prazeres de uma viagem está em observar e aprender com o outro. “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”, disse uma vez o escritor norte-americano Henry Miller.

Na última viagem que fiz para a Alemanha, considerei uma cena emblemática: um sujeito bem vestido, terno e grava, aparentando seus 30 e poucos anos, entrando em um supermercado com uma bolsa de tecido repleta de garrafas pet vazias e pacientemente as inserindo em uma máquina, uma a uma, em troca de alguns centavos.

Algo de “errado” na cena? Evidentemente que não. Para os demais alemães presentes no supermercado, era uma cena comum. Para mim, como brasileiro, o primeiro pensamento foi que dificilmente poderia presenciar algo do tipo no Brasil.

Uma realidade bem diferente da nossa

No Brasil, o ato de economizar quase sempre é associado a um momento temporário de escassez de recursos ou a um objetivo de consumo específico. Final do mês, faltou dinheiro? Economiza. A pasta de dentes está no fim e não tem outra? Economiza. Foi demitido? Hora de rever os gastos. Quer viajar no fim do ano? Junta dinheiro para gastar tudo na viagem.

Fora desses cenários, a pessoa que para pra pensar antes de fazer um gasto costuma ser rotulada como “mão de vaca”, “muquirana” ou “sovina” – termos pejorativos associados ao sujeito que não “gosta” de gastar dinheiro.

Quem racionaliza os impactos de seus gastos muitas vezes é colocado na mesma categoria de um sujeito que não gasta com nada. O modelo vigente é: Se tenho dinheiro, compro; se não tenho, não compro – ou até compro, mas parcelado a perder de vista.

Os alemães e sua relação com o consumo – um aspecto cultural

Na Alemanha, o “modo de viver” econômico é uma característica cultural do povo alemão, e está totalmente dissociado do quanto você tem (ou não tem) de dinheiro – simplesmente são conceitos distintos.

Ter dinheiro suficiente para comprar algo não significa que você vá de fato comprar sem antes analisar uma série de fatores: isso vale o quanto estão me cobrando? Quanto eu preciso realmente disso?

Costuma-se atribuir essa cultura ao período de grande escassez de recursos vivido pelo povo alemão ao longo das duas grandes Guerras Mundiais.

Independente das razões, fato é que a maior parte dos alemães tem incutido em seu modelo mental o hábito de ser econômico e analisar seus gastos e hábitos de consumo. Uma ótima forma de ilustrar isso é voltar ao exemplo do supermercado para analisar alguns hábitos e comportamentos dos alemães.

Receber troco em balas? Nos supermercados da Alemanha, isso simplesmente não existe!

Lembra do sujeito de terno devolvendo garrafas em uma máquina? O nome dessas máquinas é “Pfandautomat“, e a função delas é justamente receber embalagens (pet ou vidro) vazias. O nome é por conta do “Pfand“, um valor cobrado pelas embalagens no ato da compra e que pode ser recebido de volta quando a pessoa se dá ao trabalho de devolver essas embalagens em uma “Pfandautomat“.

Os alemães e sua relação com o consumo - Uma nova forma de olhar as coisasPfandautomat

E aqueles centavos de troco que aqui no Brasil a gente acaba deixando pra lá ou recebendo em balas? Nos supermercados da Alemanha isso simplesmente não existe. Se a pessoa tem direito a um troco de 1 centavo, vai receber sua moeda sem precisar brigar por isso. Para o alemão, cada centavo que seja seu por direito é importante.

É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag

Outro hábito interessante que observei por lá é que no Brasil ainda estamos engatinhando: o uso de ecobags, aquelas sacolas de tecido que podem ser reutilizadas. É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag ou sem um carrinho de compras para minimizar o uso das sacolinhas de plástico – que são cobradas à parte.

No Brasil, esse modelo já foi implementado em muitas redes de supermercados, mas a maior parte das pessoas continua preferindo pagar pelas sacolas de plástico do que levar a sua própria de casa.

Nessa cultura do “ser econômico”, o dinheiro é somente uma das pontas. Direta e indiretamente, todo o modelo de consumo e de aproveitamento dos recursos é impactado por essa característica. Não por acaso, a Alemanha é pioneira em diversas iniciativas de políticas sustentáveis.

A Alemanha recicla 65% dos resíduos produzidos

Para começar, o país possui uma legislação específica para tratar da maneira como os alemães devem separar seu lixo doméstico para descarte, separando os produtos recicláveis em categorias. Se alguém é pego descumprindo a regra, a multa é pesada. Isso explica a Alemanha ser o país que mais recicla em todo o mundo, atingindo incríveis 65% dos resíduos produzidos.

“The Good Food”  ao invés de jogar alimentos no lixo e supermercado sem embalagens

Em Colônia, na Alemanha, a loja “The Good Food” é especializada em vender alimentos que iriam para o lixo por serem “feios” ou por estarem próximos a data de vencimento (ou até recentemente vencidos). Em alguns casos, o preço do produto é definido pelo comprador, que paga o quanto acha que vale.

O Original Unverpackt, em Berlim, foi o primeiro supermercado do mundo com a proposta de não gerar resíduos. Os produtos são vendidos a granel e não fazem uso das embalagens tradicionais – o cliente é quem leva de casa seus potes e sacolas para acomodar suas compras.

O “Sperrmüll”

Há ainda um “evento” dedicado ao reaproveitamento de produtos descartados por outras pessoas, o “Sperrmüll“:

Em diversas datas definidas ao longo do ano, o alemão pega tudo que não quer mais – móveis, sofás, colchões e afins – e coloca do lado de fora da casa.

Outras pessoas simplesmente passam e pegam aquilo que precisam para suas casas – e não são moradores de rua ou mendigos, são pessoas com dinheiro que optam por uma solução mais sustentável. O que não é reaproveitado por outras pessoas é recolhido pela administração municipal e levado para centros de reciclagem.

Sperrmüll na Alemanha“Sperrmüll” em rua na Alemanha – Por 3268zauber (Trabalho próprio) – CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Uma nova forma de olhar as coisas

Cuidar do seu lixo; comprar produtos que estão pra vencer; levar seus próprios potes e sacolas para as compras; vasculhar naquilo que o outro descartou a procura de algo que sirva para você. Hábitos que no Brasil olharíamos com profundo preconceito, mas que fazem parte do dia-a-dia dos cidadãos de uma das maiores e mais ricas potências do mundo.

Talvez seja mais do que hora de buscarmos essa “nova forma de olhar as coisas”. Se tem algo que podemos aprender com os alemães é esse modo de consumir mais consciente, baseado em uma gestão mais responsável dos recursos.

Fonte – Augusto Lohmann, blog Alemanha para Brasileiros de 05 de junho de 2017

Adepto do minimalismo garante: você só precisa de uma unidade de cada objeto que tem em casa. Faça o exercício!

Adepto do minimalismo garante: você só precisa de uma unidade de cada objeto que tem em casa. Faça o exercício!Foto: Rubén Pérez Planillo/Creative Commons

Eu sou fã do minimalismo! Já escrevi aqui, aqui e aqui no The Greenest Post sobre isso. E o assunto continua me instigando. Afinal, quanto do meu precioso tempo já ganhei por não precisar ficar muito tempo na frente do armário escolhendo minha roupa – pelo simples fato de não ter muita roupa? Ou quanto espaço já não economizei em casa por ter poucos objetos?

O autor do blog Becoming Minimalist, Joshua Becker, tem uma teoria muito bacana sobre o minimalismo: tudo que você precisa é apenas uma unidade. Dizer isso pode ser “chover no molhado”, mas colocar em prática é um exercício mais difícil do que parece nos dias de hoje, em que o consumo ainda dita muitas regras e, muitas vezes, nos define como pessoas.

A teoria de Joshua vai contra quase todo instinto humano, de marcação e conquista de território. A sociedade de consumo reforça a nossa necessidade intrínseca de ter. Ficamos vidrados com tudo isso. Colocamos culpa na facilidade e satisfação que isso nos traz, mas será mesmo?

Recentemente mudei de apartamento junto com meu namorado. Eu pensava que era minimalista e que tinha poucas coisas, mas precisei de algumas viagens com carro para conseguir – finalmente! – levar tudo para a casa nova. Com filho, a mudança ficou ainda mais desafiadora, já que ele, apesar de pequeno, tem muito mais roupas do que eu, uma vez que suja muito mais peças do que um adulto.

O meu namorado, entretanto, fez toda sua mudança em apenas uma viagem de carro. E isso me levou a muita reflexão. O que são as tantas coisas que eu precisava transportar e ele não? Será que eu realmente precisava de tudo aquilo?

Segundo Joshua, não. A alegria está na simplicidade de ter apenas uma unidade. “Quando começamos a limpar nossa casa, percebemos uma tendência preocupante: repetições. Temos repetições de tudo: roupas de cama, jaquetas, tênis, velas, televisões e até mesmo controles remoto para um mesmo aparelho!”, revela.

Costumamos pensar: se ter um objeto é bom, ter mais que um é melhor ainda. Mas não é bem assim que funciona. Bens materiais acabam enchendo sua vida e cabeça de coisas que não importam tanto. O que um dia foi sinal de fartura para mim, hoje já perdeu totalmente o sentido.

A família de Joshua adotou a filosofia e conseguiu encontrar prazer em possuir apenas uma televisão, um casaco de frio, um cinto, uma garrafa d’água, um shampoo, etc. – sem backups! Assim, com menos “tranqueiras” em casa vou passa a achar suas coisas mais importantes, cuida mais delas e, consequentemente, precisa repô-las com menos frequência. Quer mais? Ao economizar com o supérfluo você pode passar a investir nas coisas que, de fato, te trazem bem-estar, como viagens, alimentação e lazer em geral. E aí, topa o desafio?

Fonte – Jéssica Miwa, The Greenest Post de 01 de maio de 2017

No Dia das Mães (e sempre), o melhor presente é estar presente

Crédito da foto: Carlos Bento/Creative Commons

Antes de atender ao reflexo automático de correr para o shopping center, pare e pense no que realmente importa para a sua mãe – use a criatividade para surpreendê-la e busque uma transformação no seu comportamento que faça a diferença para ela

Você é um bom filho ou uma boa filha e por isso vai comprar um presente caro para a sua mãe, à altura da sua gratidão. Ela vai se sentir valorizada e te dar um abraço, emocionada e sorridente. Com a proximidade do Dia das Mães (14/5), essa narrativa é repetida de diversas formas nos anúncios publicitários para convencer as pessoas a fazerem compras generosas. Mas será que é disso que as mães precisam?

Provavelmente a prioridade dela nesta data não é ganhar um presente, mas estar perto das pessoas de quem gosta. Para mais de 60% da população brasileira, felicidade é ter saúde e bom convívio social com a família e amigos, segundo a pesquisa “Rumo à Sociedade do Bem-Estar”, do Instituto Akatu. Apenas 3 em cada 10 brasileiros associa o sentimento a questões financeiras.

Por isso, a proposta do Akatu nesse Dia das Mães é te desafiar a refletir sobre as verdadeiras necessidades e os desejos da sua mãe para, assim, oferecer uma experiência inesquecível e, melhor ainda, uma mudança permanente no seu comportamento que a beneficie todos os dias.

Dicas para oferecer um momento especial no Dia das Mães:

Cozinhe a comidinha preferida dela

Você sabe qual é o prato preferido da sua mãe? Se não sabe, é hora de descobrir. Mesmo que você não saiba cozinhar, prepare você mesmo a receita – busque ajuda de alguém, se for necessário. Caso se sinta muito inseguro, talvez seja melhor convocar todo mundo para a cozinha – pode ser divertido se todos se empenharem na produção da refeição. Só não vale deixar todo o trabalho (e a louça suja) para ela!

Encontre fotos antigas e organize uma “exposição”

Que tal resgatar aquelas velhas fotos de família? Você pode fazer um “varal” para que todos se lembrem dos bons momentos ou preparar uma sessão nostalgia na tela da TV ou do computador.

Propicie um momento de relaxamento e bem-estar

Dedique algumas horas do dia para cuidar do corpo e do bem-estar da sua mãe. Em um SPA ou mesmo em casa, ofereça uma massagem relaxante, um escalda-pés com essência ou uma máscara de hidratação para os cabelos dela.

Faça uma seleção das músicas que ela gosta

Qual é a trilha sonora da sua história com a sua mãe? Que música vocês costumavam ouvir juntos desde a infância? Fazer esse resgate pode ser divertido e acabar em dança!

Organize um programa cultural

Música, teatro, dança, exposições, cinema. Seja lá qual for a preferência da sua mãe, faça uma pesquisa e providencie as entradas – se a grana estiver curta, pesquise opções gratuitas.

Faça um piquenique no parque ou ao ar livre

Se o tempo estiver bom, prepare as comidinhas, escolha um parque ou local agradável e estenda a toalha sob a sombra de uma árvore. Divirtam-se!

Dicas de mudança de comportamento para melhorar definitivamente a vida das mães:

Prepare as refeições (ou ajude na cozinha)

No papel de companheiro ou filho (a), divida com a mãe as tarefas. Uma pesquisa do Instituto Qualibest, divulgada em 2016, revelou que 63% das entrevistadas confessam considerar a vida de mãe hoje em dia “difícil e exaustiva” pelo excesso de tarefas no dia a dia. Por isso, não espere a comida pronta. Seja ativo e ajude no preparo das refeições, nem que seja como aprendiz – um dia você chega lá.

Mantenha a limpeza doméstica

Todos moram na casa, todos sujam, então todos limpam. Mesmo que a mãe se dedique totalmente às tarefas domésticas, cabe a todos colaborar para manter a casa limpa.

Vá à feira ou ao mercado

Manter a geladeira e a despensa cheia dá trabalho. Portanto, participe do processo de “abastecimento” da casa. Há várias maneiras de ajudar: você pode ir às compras ou organizar uma lista com o que está faltando na casa, por exemplo.

Combine praticar um esporte ou atividade cultural em dupla ou em grupo

Seja um incentivador da vida ativa, convidando-a para praticar alguma atividade física ou cultural que seja do seu interesse. Às vezes uma boa caminhada, além de ser um bom exercício, é uma boa oportunidade para colocar o assunto em dia.

Permita que ela desfrute dos amigos e tenha um tempo para si

A vida familiar é importante, mas é essencial que as mães tenham tempo para suas necessidades pessoais como manter hobbies, sair com os amigos, cuidar do corpo e da saúde, entre outras.

Promova um encontro inusitado em um lugar marcante

Sabe aquele amigo de juventude da sua mãe que ela não encontra faz tempo? Talvez seja interessante organizar esse encontro, de preferência em algum lugar que eles estavam habituados a frequentar juntos.

Fonte – Akatu de 02 de maio de 2017

Estudo mostra que consumidor sabe pouco sobre a origem do que compra

Estudo mostra que consumidor sabe pouco sobre a origem do que compraNove entre cada dez brasileiros acreditam que um sistema de bem-estar produz uma carne de melhor qualidade. | Foto: iStock by Getty Images

Dois em cada três brasileiros declaram desconhecer a forma como se cria os animais cuja carne é por eles consumida.

A World Animal Protection lançou na semana passada o relatório “Consumo às cegas: percepção do consumidor sobre bem-estar animal na América Latina”. O relatório, confeccionado a partir de pesquisa encomendada à Ipsos, contextualiza a produção e o consumo de proteína animal no Brasil, analisa os principais resultados de uma pesquisa nos quatro países latino-americanos consultados (Brasil, Chile, Colômbia e México) e compila uma série de recomendações e de ações que podem ser tomadas com finalidade de conscientização.

De forma geral, aponta-se que o consumidor latino-americano pouco sabe sobre a origem do que consome. Dois em cada três brasileiros declaram desconhecer a forma como se cria os animais cuja carne é por eles consumida (66% dos respondentes). Esse índice é semelhante nos demais países latino-americanos consultados, variando de 57% dos entrevistados no México, 64% com a mesma resposta no Chile e 66% dos respondentes na Colômbia.

O atributo “produção com bem-estar animal” figura em 6ª posição nos quesitos de exigência dos consumidores entrevistados no Brasil, Chile e no México e sobe para 5º lugar na Colômbia. Isso significa que nesses três países, com exceção da Colômbia, a “marca” é mais importante do que a “produção com bem-estar animal” (ainda que algumas marcas possam estar relacionadas à ideia de bem-estar animal).

Um dos dados mais relevantes encontrados está relacionado aos produtos com selo de bem-estar animal e intenção de compra: um 82% dos brasileiros compraria esses produtos se existissem no mercado. E um 72% compraria apenas esses produtos, sempre que o preço fosse o mesmo que os produtos sem a certificação. Nove entre cada dez brasileiros acreditam que um sistema de bem-estar produz uma carne de melhor qualidade; e jovens de 18 a 29 anos, no geral, têm maior preocupação com os métodos de abate.

carne_vermelha_consumoFoto: iStock by Getty Images

Dos dados coletados, conclui-se que o consumo de proteína animal é alto no Brasil: 68% dos entrevistados consomem carne quatro vezes ao longo da semana. A carne bovina é a favorita, mas frango e ovos são os mais consumidos (possivelmente por conta da acessibilidade ao produto). Quando questionados sobre a importância do bem-estar dos animais de fazenda, apenas 3% respondeu que não era nada importante. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos consumidores sabem muito pouco sobre os métodos de criação dos animais, muitas vezes com uma visão bucólica da situação na década de 50, assim como sobre o bem-estar e como este se aplica aos animais de fazenda.

Os resultados do Brasil elucidam vários aspectos relacionados ao hábito de compra e visão sobre o bem-estar dos animais de fazenda. Fica evidente que, na visão dos brasileiros, o bem-estar dos animais está intimamente relacionado à qualidade do produto. Para eles também o fator mais importante no momento da compra é qualidade, seguido por preço e aparência da carne.

Quando questionadas sobre o valor agregado ao produto oriundo de animais com um bom bem-estar, os entrevistados dizem acreditar que esses seriam mais caros simplesmente por serem mais éticos do que os outros. Sabemos hoje que isso não necessariamente é verdade: é possível produzir com bem-estar sem aumentar o custo de produção.

“Um elo importante desta cadeia é o consumidor, que ainda não descobriu a força que possui para mover o sistema de produção. Faltam educação e conscientização sobre a produção ética e sustentável e sobre a acessibilidade deste tipo de produto”, afirma José Ciocca, Gerente de Campanhas da World Animal Protection do Brasil.

Fonte – CicloVivo de 20 de dezembro de 2016

Comprar roupas está ficando fora de moda no Reino Unido

Uma tendência chamada “Novo Consumismo” está crescendo cada vez mais e fazendo com que as pessoas comprem de forma mais consciente do que antes. Em vez de comprarem roupas, as pessoas no Reino Unido estão preferindo investir em viagens de férias e idas a restaurantes. O lucro das maiores varejistas do país despencou porque suas vendas caíram 4,4% em cinco dos últimos seis meses. As vendas entraram em declínio pela primeira vez em mais de 20 anos.

As maiores lojas da Grã-Bretanha estão sofrendo como resultado. Marks and Spencer , o maior varejista de roupas com 10% do mercado, está cortando postos de trabalho depois de relatar a sua maior queda trimestral em vendas de roupas há mais de uma década, em julho. French Connection não tem reportado aumento do lucro desde 2012. Mesmo algumas das marcas de rua mais famosas parecem estar lutando para enfrentar a pressão da concorrência e fazer constantes descontos.

A rede de lojas John Lewis teve uma queda nos lucros semestrais de 75%, e a rede de fast fashion Primark , cujas lojas de rua são as mais visitadas, informou a primeira queda em vendas em suas lojas no Reino Unido em 16 anos. A empresa culpou o Outono quente no ano passado e a primavera fria deste ano. Segundo uma pesquisa de consumo feita com 15.000 britânicos pela empresa Kantar Worldpanel, os consumidores acreditam que o tempo está se tornando menos previsível, o que significa que eles estão esperando que o frio do inverno ou a onda de calor do verão se materializem antes de comprar qualquer coisa.

Comprar roupas está ficando fora de moda no Reino Unido stylo urbano

Mas essa mudança de consumo de moda acontece em outros países, como a França e os EUA, que estão experimentando uma desaceleração semelhante nas vendas de roupas, embora não tão grande como no Reino Unido, sugerindo que a mudança climática pode ser apenas uma parte do todo. As razões pelas quais a compra de roupas pode estar ficando fora de moda:

• Diante de um clima imprevisível, as pessoas estão esperando para comprar roupas de verão ou inverno até que precisem realmente delas;
• Os clientes agora esperam pelas liquidações antes de comprar para não pagar o preço cheio das peças;
• Desde o lançamento do jeans skinny há dez anos, os varejistas dizem que não houve nenhuma grande tendência varrendo a moda nos últimos anos para forçar os consumidores conscientes a mudarem seus guarda-roupas;
• Os consumidores da Geração Y estão economizando seu dinheiro com experiências, tais como férias ou jantares, em vez de gastá-lo com moda. “A comida é a nova moda. As lojas de varejo podem parecer chatas, ao passo que existem muitos restaurantes com conceitos alimentares inspiradores.”

Mas outro fator importante que poderia estar influenciando essa mudança, é que as pessoas estão cansadas de gastar tanto tempo e dinheiro com coleções de moda que só remixam estilos do passado. Era uma questão de tempo para que os compradores fizessem uma pausa. Em 2016, no Reino Unido, um consumidor médio comprou 60 peças de roupa nova, a primeira queda em sete anos, de acordo com analistas de mercado. Vendas agora acontecem mensalmente, por isso é fácil para os compradores esperarem por pechinchas. Há descontos em abundância.

O consumo de moda está perdendo sua influência sobra a geração Y

É justamente na geração do milênio ou geração Y, que houve uma queda perceptível no consumo de roupas. Os consumidores menores de 25 anos estão comprando menos enquanto as pessoas mais velhas, de 45 a 50 anos, aumentaram a quantidade de gastos com roupas para os seus filhos, filhas e assim por diante. Alguns varejistas têm culpado a indústria da moda. No início deste ano, Richard Hayne, presidente-executivo da Urban Outfitters, disse que a última grande tendência da moda aconteceu há 10 anos com o jeans skinny.

“Desde então nós tivemos todas as variedades de skinny: de cintura baixa a cintura alta, mas hoje, o cliente está com o armário cheio desses modelos skinny. Sem uma nova moda para impulsionar as compras, os clientes podem facilmente adiar seus gastos” disse ele ao site The Independent. Richard Hayne acredita que a moda pode ter “perdido um pouco de sua magia com a geração do milênio.”

Os consumidores de hoje estão reavaliando suas prioridades e questionando o que eles realmente acham que tem valor. Isso se encaixa na tendência crescente de “Novo Consumismo“, um termo cunhado pela empresa de pesquisa Euromonitor para descrever um movimento generalizado que prioriza o consumo conscientes sobre o consumo impulsivo. Há oito principais tendências que compõem o Novo Consumismo:

1) A economia circular (onde tudo é utilizado e nada é desperdiçado)
2) A inovação frugal (significa eliminação de características não essenciais e muitas vezes dispendiosas de um produto ou serviço)
3) Negociação (os consumidores tornaram-se compradores mais inteligentes, não tem vergonha de procurar pechinchas e a tecnologia contribuiu para isso.)
4) A economia de compartilhamento (que liga a oferta e a procura, interrompendo a forma tradicional de condução de negócios)
5) Experiência (a priorização do fazer, ver e sentir sobre o “possuir mais coisas”)
6) Tempo para si próprio (um aumento das tarefas terceirizadas para se ter mais conveniência)
7) Reavaliar a própria utilização do espaço (ou seja, eu realmente preciso viver numa casa grande?)
8) A economia ‘gig’ (caracterizado por contratos de curto prazo de trabalho e freelancer, bem como a capacidade de se movimentar)

No mundo da moda, o Novo Consumismo se traduziu em demanda por maior transparência, valores de marca autêntica, processos de produção sustentáveis, economia de compartilhamento e experiências de varejo originais, entre outras coisas. Será que os jovens da geração do milênio estão se cansando do hiper consumismo do fast fashion e estão buscando algo melhor para si mesmos e para o mundo?

Fonte – Renato Cunha, Stylo Urbano de 12 de outubro de 2016

Itália aprova lei contra desperdício de comida e espera economizar 12 bilhões de euros por ano

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O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano e distribuí-la para a caridade

Um projeto de lei contra o desperdício alimentar foi aprovado no Senado italiano no dia 2 de agosto. O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano. Isso significa uma economia de cerca de 12 bilhões de euros anualmente, ou seja, o equivalente a 1% do PIB do país. Cada italiano joga no lixo, em média, 76 quilos de alimentos por ano, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Cultivadores Diretos (Coldiretti). “É um dado inaceitável”, ressalta o ministro da Agricultura, Maurizio Martina, em entrevista à agência Ansa.

Mas o que fazer com a comida que seria desperdiçada? O plano dos italianos é promover a doação desses alimentos para setores mais vulneráveis da população. Hoje a taxa de desemprego no país está em 20% e milhões de pessoas vivem na pobreza.

E quais alimentos poderiam ser doados? Há alguns pré-requisitos: os que mantiverem os padrões de segurança e higiene mas que por algum motivo não forem vendidos, os que tiverem com o prazo de validade para vencer, e aqueles que não foram colocados no comércio por erro no rótulo.

Restaurantes e supermercados que desejarem ceder seus excedentes à caridade devem apresentar uma declaração cinco dias antes. Também terão incentivos fiscais e descontos em impostos para doarem comida e remédios. Já os agricultores poderão dar o que não for vendido para instituições beneficentes, sem incorrer em custos adicionais.

O ministro explicou para a agência Ansa que o projeto se trata de uma herança da Exposição Universal de Milão, realizada em 2015, cujo tema foi “Alimentando o Planeta, energia para a Vida”.

A França também aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o desperdício de alimentos, mas é mais severa do que a legislação italiana, pois prevê punições para os responsáveis. Os donos de estabelecimentos com mais de 400 m², por exemplo, são obrigados a assinar contratos de doação com instituições beneficentes, do contrário podem pagar multas em até 75 mil euros e ter uma pena de dois anos de prisão.

Esse problema não é só da Itália e da França. Segundos dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada e este número sobe para os 40% no caso da Europa. Todos esses alimentos jogados fora poderiam alimentar cerca de 200 milhões de pessoas.

O desperdício de alimentos deve ser evitado ao máximo, já que a produção consome muitos recursos do ambiente. E a redução do desperdício deve ser buscada não somente no consumo final, mas também nas etapas de plantio, armazenagem, processamento e distribuição de alimentos. Cada consumidor pode fazer a sua parte, com pequenas mudanças em suas práticas cotidianas. Adotar como critérios para a compra não só o preço, mas também a qualidade, a origem, as informações sobre os impactos sociais e ambientais causados pela empresa fabricante, pode trazer grandes benefícios para sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente. E nunca jogar comida no lixo, mas procurar reaproveitar as sobras em outras receitas saudáveis ou doá-las.

Fonte – Akatu de 05 de agosto de 2016