Pronto para o impacto? 5 ameaças da mudança climática ao Brasil

Imagem conceitual sobre mudanças climáticasImagem conceitual sobre mudanças climáticas (BenGoode/Thinkstock)

Em novo relatório, cientistas brasileiros mostram que impactos que o país sofrerá não são poucos, mas ainda dá tempo de agir para evitar o pior

As cidades são, ao mesmo tempo, vítimas e vilãs das mudanças climáticas. Elas concentram mais da metade da população mundial e a maioria das atividades econômicas, consomem 70% da energia gerada no mundo e emitem 40% das emissões de gases efeito estufa, que esquentam o Planeta.

Para agravar, a maior parte do crescimento populacional esperado para os próximos anos ocorrerá em cidades  de países em desenvolvimento, que sofrem rápida urbanização sem planejamento adequado, a exemplo do Brasil.

Atento a essas vulnerabilidades, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), organismo científico nacional, divulgou nesta terça-feira (08), durante a COP22, no Marrocos, um relatório inédito mostrando os impactos que o Brasil sofrerá por causa das mudanças climáticas e os esforços necessários para reduzir os efeitos sobre o meio ambiente e a população.

As cidades brasileiras fazem parte da solução — mas não estão preparadas

Segundo estimativas do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), o Brasil terá 90% de sua população vivendo em áreas urbanas até 2020. Dependendo de como a política para o planejamento urbano for implementada, este aspecto poderá tanto ser positivo com modelos de urbanização modernos e sustentáveis ou negativo, com a continuidade do crescimento caótico das cidades.

Diante desse cenário, o PBMC avalia que poucas cidades brasileiras têm políticas direcionadas para sustentabilidade, e precisam se apressar para se adaptarem às mudanças já sentidas pelos fenômenos climáticos, como aumento de temperatura e nível do nível do mar, ilhas de calor, inundações, escassez de água e alimentos, acidificação dos oceanos e eventos extremos.

Veja abaixo as principais conclusões do relatório:

1. Qualidade da água potável em xeque

As mudanças climáticas reservam novos desafios para a gestão dos recursos hídricos nas cidades. Mais períodos de seca e mudanças nos padrões de chuva poderão afetar a disponibilidade de água em quantidade e qualidade.

Chuvas mais intensas em um curto espaço de tempo poderão piorar as enchentes e alagamentos tão comuns hoje em dia, além de carregar poluentes para os cursos de água. Resultado: mais danos à infraestrutura da cidade e custos mais elevados para o tratamento da água que é servida à população.

Já as secas extremas golpearão sem piedade lugares que já sofrem com a falta d´água. Pelas previsões do Painel, o nível de chuvas no Nordeste poderá diminuir cerca de 22% até 2100, uma previsão preocupante para o já deficitário Semiárido Nordestino.

Diante desse cenário, os cientistas brasileiros recomendam maior atenção dos políticos para os problemas de abastecimento. Um estudo com 5.565 municípios brasileiros sobre oferta hídrica e demanda urbana mostrou que cerca de 55% e 35% das capitais e conglomerados “requerem novo manancial” ou “requerem novo sistema de produção”, respectivamente.

Pelas estimativas do Painel, entre 2005 e 2025, as cidades precisarão aumentar sua capacidade de produção para atender um aumento esperado de 28% na demanda média do abastecimento urbano, o que demandará investimentos da ordem dos R$ 22 bilhões. Claro que quanto mais tempo demorar, mais cara ficará essa conta.

2. Produção de energia em risco

As mudanças climáticas também deverão afetar a geração de energia no Brasil. Em 2015,  75,5% da energia elétrica produzida no país foi de origem renovável (64% hidrelétricas, 8% biomassa, 3,5% eólica e 0,01% solar).

Mas a ocorrência de dias mais quentes e secos, e de chuvas mais fracas e esparsas, inevitavelmente ameaçará o volume de água nas bacias brasileiras, e, por tabela, a geração de energia nas hidrelétricas.

Para se ter uma ideia da gravidades do problema, o Painel prevê que na região Nordeste, a queda na vazão do rio São Francisco pode chegar a a 24,6%, e consequente, reduzir em 7% na produção de energia hidráulica. No território nacional, estima-se redução entre 1% a 2,2% na produção.

No caso da energia solar, eólica e biomassa, temperaturas extremas podem impactar desde os padrões dos ventos até o surgimento de mais nuvens, afetando todo o processo de geração de energia.

De acordo com o Painel, até o final do século, o potencial eólico no país pode cair até 60% devido à redução na ocorrência de ventos superiores a seis metros por segundo, velocidade mínima necessária para geração eólica.

3. Edificações devem sofrer graves danos

A segurança e estabilidade das infraestruturas das cidades (rodovias, pontes, aeroportos, sistemas de comunicação, hospitais e serviços de emergência) também são colocadas em xeque diante de uma clima imprevisível.

Um ponto de preocupação aqui são os domicílios brasileiros construídos em encostas, com material inadequado, e sujeitos à inundações. Os mais pobres acabam sendo o grupo mais atingido por desastres naturais, cujos efeitos são intensificados pela falta de planejamento urbano.

Conforme o estudo, entre 2008 e 2012, 37,1% dos municípios brasileiros foram atingidos por alagamentos, enquanto que 895 registraram desabamentos no mesmo período.

Para enfrentar esses desafios, o Painel destaca a importância de rever políticas públicas, incorporando a redução de riscos de desastres e os impactos das mudanças climáticas aos planos e regulamentos de uso e de ocupação do solo, e também os materiais utilizados na construção civil, considerados “sensíveis” às alterações climáticas, o que acaba por comprometer a estrutura das edificações.

4. Alerta vermelho para o sistema de saúde

Ao afetarem meio ambiente, os eventos climáticos também causam impactos negativos sobre a saúde de seus habitantes.

Segundo os cientistas do Painel, considerando o aumento de 25% no regime de chuvas na região sudeste da América do Sul, cidades situadas no Sul do Brasil poderão registrar crescimento de doenças como malária e dengue.

As intensas ondas de calor também podem ter impacto nas doenças crônicas, como problemas cardiovasculares.

5. Parceria é chave para enfrentar o problema

O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas destaca algumas medidas de adaptação fundamentais para as cidades enfrentarem esses desafios. Vai ser preciso agir em várias frentes, como recursos hídricos, gestão de risco aos desastres naturais,  infraestrutura, indústria, zonas costeiras, saúde, entre outros.

Todos os esforços têm como ênfase o cenário nacional, embora o relatório ressalte a necessidade de gestores municipais e do setor privado assumirem as diretrizes para adaptação em nível local.

Para o setor de energia, por exemplo, o Painel recomenda a melhoria da infraestrutura de energia, realocação de linhas de distribuição, mudanças nos projetos e substituição e adequação de estruturas. Diversificação das fontes renováveis por conta de riscos na oferta de energia também é chave aqui.

Para o setor de transporte, recomenda-se realocação de estradas e vias, mudanças nos projetos e substituição e adequação de estruturas, como pontes, estradas e pavimentos.

Em relação ao uso do solo, o estudo recomenda construir parques lineares localizados na margem de córregos para minimizar os impactos de cheias, aumentar a cobertura de árvores urbanas e vegetação para reduzir as ilhas de calor e, ainda, alterar códigos de construção civil para reduzir o consumo de energia para aquecimento e resfriamento.

Quanto aos recursos hídricos, a recomendação dos cientistas brasileiros é aumentar a eficiência do uso da água, como a implementação de projetos de reúso, por exemplo, e aumentar a capacidade de armazenamento e captação de cursos de água, além de recuperar bacias hidrográficas.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 08 de novembro de 2016

Ibama multa o Santander por financiar plantio de grãos na Amazônia

Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.

Ibama multa o Santander em R$ 47,5 milhões

Banco financiou plantio de grãos em áreas da Amazônia embargadas pelo órgão ambiental

O banco Santander foi multado em R$ 47,5 milhões pelo Ibama por financiar o plantio de grãos em áreas da Amazônia que já estavam embargadas pelo órgão de fiscalização, por serem áreas de proteção ambiental.

Em operação feita em parceria com o Ministério Público Federal de Mato Grosso, a fiscalização constatou que recursos do banco financiaram a plantação de milhares de toneladas de milho e soja em áreas já bloqueadas por causa de plantações irregulares anteriores. Em vez de serem revitalizadas, essas terras continuaram a ser exploradas.

Além do Santander, as multas da atingiram algumas “tradings” de pequeno porte e outras empresas que atuam na cadeia produtiva. O total das infrações, que começaram a ser aplicadas ontem, deve chegar a cerca de R$ 170 milhões.

A identificação das irregularidades é resultado de um cruzamento de informações realizado nos últimos meses por agentes do Ibama e do MPF. A Operação Shoyo mapeou as áreas embargadas, o histórico de imagens por satélite e, finalmente, a emissão de “cédulas de produto rural”, as chamadas CPRs – um tipo de título usado por produtores para tomar crédito. Como as CPRs são registradas em cartório, bastou aos fiscais solicitar essas informações e cruzar os dados.

“A lista de terras embargadas pelo Ibama é pública. É uma exigência básica que qualquer agente interessado em realizar ou financiar plantio verifique se aquela localização não tem irregularidades”, disse Jair Schmitt, coordenador-geral de fiscalização ambiental do Ibama.

Justificativa

No caso do Santander, a multa se baseia na conclusão de que o banco intermediou a plantação de 95 mil sacas de milho na safra de 2015, em uma área de 572 hectares. As irregularidades foram encontradas nas cidades de Porto dos Gaúchos, Feliz Natal e Gaúcha do Norte, próximos a Sinop (MT), um dos principais polos de produção de grãos do País.

Procurado pela reportagem, o Santander informou que ainda não tinha sido notificado e que, por isso, ainda não podia se manifestar. “O banco ressalta que, além de cumprir rigorosamente a legislação vigente, adota as melhores práticas do mercado no que diz respeito às políticas socioambientais”, declarou, em nota.

A autuação milionária imposta a empresas que financiam irregularmente o agronegócio em áreas de proteção ambiental marca uma mudança de estratégia do Ibama, que tradicionalmente concentra esforços nas atividades dos produtores rurais. A ordem agora é envolver nas operações, sempre que possível, todos os agentes que atuam no negócio, sufocando seu financiamento e punindo os elos da cadeia produtiva do desmatamento ilegal.

Com a mudança, o órgão espera também que o mercado passe a ter um melhor controle sobre a origem dos produtos. “Quem adquire, financia, transporta, comercializa ou intermedeia produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente também é responsável pela devastação da floresta, inclusive bancos, tradings, transportadoras e empresas de beneficiamento”, disse Jair Schmitt, coordenador-geral de fiscalização ambiental do Ibama.

Além das autuações do órgão de fiscalização ambiental, o Ministério Público Federal de Mato Grosso vai analisar a responsabilização civil pelos danos causados nas áreas embargadas. “Em matéria de dano, a responsabilização é compartilhada, independentemente se houve ou não intenção de provocar o dano. Quem participa do negócio tem que adotar mecanismos para evitar problemas”, comentou o procurador do MPF no Mato Grosso Marco Antônio Ghannage Barbosa. “Existe a possibilidade de apresentarmos ações na Justiça para responsabilização civil.”

Outra extensão da investigação vai tentar trilhar o caminho da produção irregular, que chegou a 160 mil sacas de grãos. “Essa foi a primeira fase dessa investigação. Já notificamos a Secretaria da Fazenda no Mato Grosso para tentar trilhar para onde foi essa produção”, disse Lívia Martins, superintendente do Ibama em Mato Grosso.

Liderança

O Estado é líder nacional na produção de soja e milho. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, em dez anos, entre as safras de 2004/2005 e de 2014/2015, a área de soja plantada no Mato Grosso cresceu 46,4%, enquanto que a área plantada de milho apresentou um expansão superior a 300%. Para a safra 2015/2016, a previsão é que as áreas plantadas de soja e milho, juntas, atinjam a marca de 13 milhões de hectares, equivalente a 25% de toda área de soja e milho plantada no País.

Fonte – André Borges, O Estado de S.Paulo de 22 Outubro 2016

Podemos aprender a odiar os sacos plásticos?

Em 8 de novembro, os californianos votarão em um referendo que vai decidir sobre a entrada em vigor da controversa proibição dos sacos plásticos não degradáveis de uso único.

38,8 milhões de residentes podem tornar a Califórnia um vasto campo de provas para a ideia de que os americanos podem viver sem o símbolo máximo da conveniência do consumidor.

Do outro lado do país, Nova Iorque está pensando em se juntar a dezenas de outros municípios em todo o país com restrições aos sacos plásticos através da implementação de uma taxa de 5 centavos por saco de plástico ou de papel, a partir de fevereiro.

Se os legisladores da Califórnia não inviabilizarem a medida – como já fizeram em junho e esta possibilidade não está descartada – significa que quase 50 milhões de americanos poderão passar a conviver com algum tipo de proibição ou sobretaxa sobre os sacos de plástico em um futuro próximo.

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Paper or plastic? We were once taught to love plastic shopping bags. Can we now learn to hate them?

Nota da FUNVERDE – Nós devemos, em respeito ao planeta e a cada ser vivo, aprender a odiar e recusar sacos plásticos de uso único e qualquer embalagem que não puder ser e não for reciclada.

Paper or save a tree?” Given the dominance of plastic shopping bags today, it’s hard to believe that 30 years ago grocery-store clerks not only needed to convince skeptical consumers to use the flimsy, newfangled sacks, but also touted them as the environmentally friendly choice. It’s even harder to wrap your mind around the notion that the people who made paper bags thought they stood a fighting chance. “We aren’t going to roll over and give up on this,” David Carleton, a spokesman for the American Paper Institute Inc., told the Miami Herald in 1983. At that point, paper supplied about 95% of the U.S. grocery bag market; by the middle of the decade, it had dropped to 75%. By the mid-’90s, plastic accounted for 80% of the market, where it remains today.

Now, the momentum might be going the other way — and away from throwaway bags made of any material. On Nov. 8, Californians will vote on a referendum that will decide whether the state’s contentious ban on single-use plastic bags will go into effect. California’s 38.8 million residents make it a vast proving ground for the idea that Americans can live without the ultimate symbol of consumer convenience. On the other side of the country, New York CIty is planning on joining dozens of other municipalities around the nation with bag restrictions by implementing a 5-cent charge for plastic and paper bags, beginning in February. If state lawmakers don’t derail the measure — they almost did in June and still haven’t ruled it out — that means that nearly 50 million Americans could be living with some kind of ban or surcharge on plastic bags in the near future.

The groundwork for plastic’s rise to world dominance was laid in more innocent times by a Swedish engineer named Sten Thulin. It was he who, upon seeing a tube of lightweight polyethylene plastic, had the idea of stamping out sections of it in a simple pattern and closing one end to make it into a bag, with “a handle (or handles)…made of one piece with the remaining bag portion and provided at its upper end with a transverse welding seam,” as the 1962 patent application put it. The drawing for the bag revealed a shape resembling a sleeveless T-shirt; hence, the industry name for the now ubiquitous item: T-shirt bag.

It was an ingenious design, although its adoption was, in hindsight, surprisingly slow. The bag first gained a small hold in Europe, but it wasn’t until the 1970s, when the oil industry got involved — polyethylene can be derived from natural gas or crude oil — that plastic grocery bags began making its presence in the American market. According to “Plastic, A Toxic Love Story,” Susan Freinkel’s 2011 history of our infatuation with the modern miracle material, executives at Mobil recognized an opportunity in Thurlin’s invention and went all in. Some of the first bags to show up in stores had patriotic red, white and blue designs in honor of the nation’s bicentennial in 1976.

Plastic bags came into fashion just as the United States was starting to come to grips with the dawning cost of environmental disregard, including litter. In 1971, the nation was moved and shamed by the “Crying Indian,” a craggy-faced Native American who served as the central figure in a commercial produced by the anti-littering group Keep America Beautiful. In it, the character paddles a canoe down a pristine wilderness river that gives way to floating trash and smoke-belching factories. He hauls out on a littered shoreline, then makes his way to a nearby highway where he stands stoically as a passing driver tosses trash out the window and at his feet. As he turns to the camera, a single tear trickles down his cheek. The tagline: “People Start Pollution. People Can Stop It.”

The commercial, released on the second Earth Day, successfully brought awareness of litter to a mass audience. The irony, detailed in a 2008 article by Ginger Strand in Orion magazine, was that almost everything about it was misleading or fake. The “Indian” was an Italian-American actor, Espera Oscar de Corti, who, under the name of Iron Eyes Cody, had been playing Native Americans for four decades in Hollywood. The tear was glycerin. Most telling, perhaps, was the fact that it was the beverage industry, trying to prevent states from enacting bottle-deposit laws, that bankrolled the anti-litter campaign and put the onus on consumers to modify their behavior.

Looking at the Crying Indian ad today, one detail jumps out: There are no plastic bags. Anywhere. If the ad raised awareness about the harmfulness of littering, it failed to anticipate the increasing use of plastic, which would turn litter into a permanent blot on the planet. Compared to the number of plastic bags we find snagged on riverbanks today, the soggy newspapers seen in the Crying Indian spot seem almost quaint.

“There are a lot of things: paper cups, cutlery and other things that are problems for fish. So why the bags? Who decides the bags?”
— New York state senator Simcha Felder

When plastic bags first started appearing in American stores, shoppers needed to be educated to their value. THE SACK OF THE FUTURE IS HERE FOR YOU TODAY! was the optimistic message stamped on bags from the California-based Ralphs grocery chain. It touted the T-shirt bag’s virtues (EASIER TO CARRY, STRONGER THAN PAPER!) and suggested a hodgepodge of uses in a randomly capitalized list: Great for School Books…Ideal for beach parties or picnics…Use as a sewing or a knitting bag…Makes a great liner for small garbage cans.

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GET A GRIP Shoppers at California-based Ralphs supermarkets were given easy operating instructions for the newfangled sacks. Jerid Cat via Flickr

Grocers liked them because they were much cheaper than paper — a plastic bag costs about 1 cent to produce, compared to 5 cents for paper — but their use was not intuitive. According to Freinkel, bag manufacturers actually held training sessions for supermarket baggers on how to pack the new sacks to achieve an orderly result.

Still, some people disliked the innovation. My wife, who was a preteen when plastic bags were introduced in her part of the country, recalls feeling slightly ashamed when carrying the groceries in plastic. “They just seemed trashy,” she says.

The paper manufacturers tried to leverage such sentiments in their doomed battle against plastic’s coming hegemony. Industry flacks pointed out that plastic bags flopped over in your car trunk, and could bang against your legs when you were walking. They reminded the public that paper bags are good for protecting book covers (again with the school books!) and making Halloween masks. They — along with many environmental and civic groups — made the case that plastic bags were bad for the environment.

But the environmental case wasn’t airtight: Plastic-bag manufacturers countered such claims, arguing that the widespread use of paper bags destroyed trees (hence, the grocery clerk’s entreaty to “save a tree”), created vast quantities of pollution and consumed far more energy, during the manufacturing process as well as in transport.

Americans gradually became customized to the upstart receptacle. Sure, some people continued to opt for the familiar brown paper bag, but for a steadily increasing number, the answer — as so famously foretold in Mike Nichols’ 1967 classic, “The Graduate” — was plastic. The bags, it turned out, were simply too convenient to resist.

Every morning, like the faithful son he is, New York state Sen. Simcha Felder telephones his mother. They chat about everything — her health, the weather, the family, current events or whatever may be troubling her. It was on one of these calls, a few years back when he was still serving on the New York City Council, that Mrs. Felder directed her son’s attention to what she perceived to be an injustice in the making: a plan to start making consumers pay for plastic bags in New York City.

“When this started, this discussion about the bags, she says, ‘Can you imagine? They want to do something with the plastic bags,’ ” says Felder, a Brooklyn Democrat who caucuses with Republicans in Albany. “When my mother says, ‘Can you imagine,’ it’s like the earth is going to open up and swallow everyone. That, to me, was like the beginning of a fire.”

The proposal that Felder’s mother was talking about, to levy a fee on single-use plastic shopping bags, was first floated by the administration of then-mayor Michael Bloomberg in 2008 to reduce litter by encouraging the use of reusable alternatives. To protest the plan, which Felder maintains places undue financial burden on ordinary New Yorkers, he staged a dramatic appearance before the Council’s Budget Committee, where he ceremoniouslyuncrinkled three different-sized plastic bags and displayed them for the committee’s edification.

“Mark Page, the budget director, who rarely smiles, let alone laughs — he laughed,” Felder recalls. “So I accomplished something.” But after the laughter subsided, Felder’s presentation turned solemn. “People are suffering,” he told the committee. “For them to be nickel-and-dimed…I don’t think it’s fair.”

skeletonBAG MAN New York state senator Simcha Felder is leading the charge to preserve plastic sacks, which he characterizes as a “tax” on the poor. Go Nakamura for New York Daily News

The Bloomberg bag fee went nowhere, and Felder and his mom may have thought they could rest easy. But now, eight years later, the issue is gaining steam. More and more cities across the country — including San Francisco, Los Angeles, Washington, D.C., and Austin, Tex. — have responded to pleas from environmental groups and enacted limits on single-use bags. In May of this year, the New York City Council finally took action, passing a bill that had been grinding through the system since 2013, and began preparing for October implementation of a 5-cent fee on paper as well as plastic shopping bags, despite intense lobbying efforts by the plastic-bag industry.

“We see California as creating a spark, just like San Francisco did for local ordinances. And obviously New York City, on the Eastern Seaboard, is going to be key.”
— Angela Howe, Surfrider Foundation

Felder, elected to the state Senate in 2012, found himself making a last stand against what he continues to characterize as a tax on the poor. (The measure does not meet the definition of a tax because the money would go to the retailer rather than the government; City Council is prohibited by law from levying taxes.) Perhaps with his mother’s words still echoing in his ears, Felder introduced legislation in June that would have voided the city law and prevented any municipality in the state from passing anything similar. The bill passed the Senate easily, and looked like it would swiftly reach Gov. Andrew Cuomo’s desk until legislative leaders agreed to delay implementation until February 2017. The backroom deal leaves the door open for the bill to be modified, weakened or blocked outright, depending on which way the political winds blow after November.

Felder casts the issue as a straightforward battle between common folk and elites, another example of lawmakers interfering with people’s personal choices to discourage behaviors deemed harmful to them. Such so-called “nanny state” measures were a hallmark of the Bloomberg administration, which imposed steep surcharges on tobacco products, outlawed the use of transfats by restaurants and, unsuccessfully, sought to limit the sale of sugary beverages and charge a “congestion fee” for motorists who drive into parts of Manhattan. “I really despise government intervening with people’s lives unless there’s an extraordinary, compelling reason,” Felder says. “There are certain comforts that no matter how little you have financially, you (still) have. You go to the grocery and you get a bag. People struggle, they have a hard time surviving. A bag makes people’s lives easier, no one would question that.

“One has to figure out,” he continues, “why in the world did the City Council decide bags were the things? Why did they choose this and nothing else? There are a lot of other things: paper cups, cutlery and other things that, by far — it’s not even close — are problems for fish, for turtles, for other things. So why the bags? Who decides the bags?”

BLOWIN’ IN THE WIND In “American Beauty,” a swirling plastic bag serves as a metaphor for the bereft American soul. Or something.

Today, plastic bags fly out of stores around the world by the trillions every year. They serve a fleeting purpose, and sometimes they are recycled or reused — or, as in households everywhere, stuffed by the dozen under the kitchen sink. But they are often discarded carelessly. Uniquely aerodynamic because of their lightweight and air-catching design, they blow out of garbage cans, sanitation trucks and landfills and easily reach streams, rivers and, eventually, oceans. They flutter from trees, bushes and fences, sad banners of our planet’s wasteful culture. In the 1999 film “American Beauty,” an end-of-the-millennium lamentation on suburban alienation and angst, a sensitive teen uses video footage of a windblown plastic bag in a bid to win the affections of a girl. The aimless sack makes a return as the movie ends, a metaphor for the bereft American soul (or something like that).

A decade later, Ramin Bahrani’s film “Plastic Bag” gives another windblown bag a human voice. Not just any voice, either, but that of Werner Herzog, the eccentric German director. The 18-minute short delivers a fairly pedestrian message — plastic bags are essentially indestructible and end up getting blown into the ocean, which is bad — but Herzog’s musing narration in his distinct near-monotone lends the message a particularly surreal edge.

Plastic bag de Ramin Bahrani from Cortos Sabrosos on Vimeo.

The bag falls in love with his “maker,” who obtains him at the store and later fills him with ice to soothe a sports injury (he really digs that) before she deploys him to pick up dog-doo and discards him without a backward glance. He finds fleeting love with another wayward bag before he ends up permanently snagged on a coral reef, lamenting the eternal purgatory to which he’s condemned.

The bizarre movie illustrates the qualities that make plastic bags particularly troublesome for so many activists. Bags in the water resemble jellyfish and squid, and endanger sea turtles and other marine animals that mistake them for food. One sperm whale found floating dead in the Aegean Sea had a stomach full of plastic debris that included about 100 bags, one of which was imprinted with the address and phone number of a restaurant in Thessaloniki, Greece, some 300 miles away.

Plastic bags clog storm drains and sewage-treatment plants. They drift down city streets and suburban subdivisions. And they never really disappear; eventually, they break into tiny pieces, becoming part of the plastic masses swirling through our oceans, which have now been detected all the way to the South Pole. Each year, as much as 12 million metric tons of plastic — of which bags represent about 2% — washes out to sea. We don’t even know where 99% of it ends up.

SEA CHANGE Each year, 12 million metric tons of plastic wash out to our oceans; plastic bags account for roughly 2% of this flotsam mass. Greenpeace

Average consumers have no way of limiting the amount of industrial-scale plastic pollution but they can control their own use of plastic bags. The problem is, they don’t. Americans use approximately 100 billion plastic shopping bags per year (that number doesn’t include other types of plastic bags), and researchers estimate that as many as 50 million of those end up as litter. On average, a bag’s useful life lasts only 20 minutes. The omnipresence of these bags in daily life has put them in the crosshairs of environmental groups since the early 2000s and, as such, have become the obvious place to begin changing the way we use and think about plastic.

“Plastic bags are this ubiquitous consumer item, because they’re just given away for free at the checkout, and people don’t think of them,” says Angela Howe, legal director of the California-based Surfrider Foundation, a coastal advocacy group that has been a major force pushing for anti-bag legislation. Howe makes the case that plastic bags are the perfect place to start changing overall consumer dependence on plastic. “All plastic is bad for the ocean, but plastic bags are something that we all know and deal with every day. And there is such an easy alternative, a reusable alternative. We need to start thinking about our consumer behaviors and how to change them, and this is potentially the easiest change that everyone can make and can start thinking about.”

Banning single-use plastic bags, or making people pay a per-bag surcharge to discourage their use, is an idea that has gained traction worldwide. China and Bangladesh have nationwide bans in place, as do states and provinces in other countries; in Rwanda, the policy is so strict that they search your luggage for plastic bags when you come into the country, resulting in significantly cleaner streets. The laws are not always effective — enforcement can be spotty — but when they work, the results are unequivocal: In Ireland, which put a 15-cent fee on plastic bags in 2002, the government estimated a 90% reduction in their use in the first year.

California, as is often the case in environmental issues, has led the nation with its anti–plastic-bag policies. San Francisco was the first U.S. city to pass a ban, in 2007, and some 138 municipalities and counties across the Golden State, including Los Angeles and San Jose, followed suit. Then, in 2014, Gov. Jerry Brown signed legislation banning plastic bags statewide. “We’re the first to ban these bags,” Brown said at the time. “And we won’t be the last.”

In Suffolk County, N.Y., lawmakers hope to see plastic-bag use reduced by as much as 70% in 2018, when a 5-cent plastic bag surcharge is slated to take effect. The eastern Long Island county would be the fifth jurisdiction in the state (after three Westchester towns and New York City) to take action, although it would be voided if Senator Felder’s legislation ever makes it through the legislative process.

skeletonPLASTIC PEOPLE A resident of Long Beach, NY, covered himself in plastic sacks (representing the average number an individual uses annually) at a city council meeting to illustrate their environmental impact. Ben Strack/Herald

In most of the United States, however, efforts to ban or charge for single-use plastic bags have been relatively rare, in part thanks to vigorous lobbying efforts by the industry’s advocacy organization, the American Progressive Bag Alliance (APBA). The group has done everything from creating an anthropomorphic bag character that wants you to know that plastic bags can be recycled, to pumping $3.2 million into an effort to get a statewide referendum on the ballot in California to veto the ban, which has been in limbo since Gov. Brown signed the bill in 2014.

Plastic-bag advocates have deftly exploited the politics of individual states to prevent or delay bag bans. Florida and Indiana have passed laws preventing any county, city or town from enacting bag bans or fees. In Dallas, lobbying efforts and public outcry led to the reversal of that city’s 5-cent fee only a few months after it went into effect, and challenges to other Texas anti-bag legislation are currently before the state’s higher courts. Lawmakers in Michigan recently introduced legislation that will bar cities from banning or taxing plastic bags. The bill has passed the Senate and will now be taken up by the House.

Environmentalists, however, see the potential for momentum to shift if the California ban is upheld in November. “I really think we see California as creating a spark, just like San Francisco did for local ordinances,” says Howe of the Surfrider Foundation. “And obviously New York City, on the Eastern Seaboard, is going to be key.”

NYC’s 8.5 million residents use more than 9 billion plastic bags each year, and those featherweight sacks add up: They account for an astonishing 1,700 tons of residential garbage each week, according to estimates from the city’s sanitation department. Only a small fraction of the total are recycled, although larger stores are required to offer bins where shoppers can return the bags.

A plastic-bag fee in New York would be a serious trophy for the anti-bag crew. That’s why the APBA has lobbied so hard in the city, joining forces with a handful of unions and community groups and creating a slick website to dispel what it calls myths about the plastic bag.

skeletonSTUFF IT! Lobbyists for the beleaguered plastic bag want you to know that sacks have feelings too. Plastics Industry Trade Association

It looked like the lobbyists had lost the battle in May of this year when, after protracted debate and multiple revisions, the City Council passed its long-simmering bag bill. It places a 5-cent fee on both paper and plastic single-use bags, half of the originally proposed 10 cents. Consumers receiving governmental nutritional assistance would be exempted, as would restaurants, street vendors and pharmacies dispensing medication. The plan calls for distribution of thousands of free reusable bags to the general public.

Felder’s core message about nickel-and-diming working people, heartfelt though it may be, is drawn straight from the playbook of the APBA. The organization frequently paints bag fees as a regressive tax, and the anti-bag forces as elitists who are impractical, if not disingenuous and, in any case, out of touch with the concerns of everyday Americans. The trade organization delivers that message loudly and often in communities that are talking about bag restrictions, including in NYC, where, according to advocates for the bag charge, they were extremely active in talking to legislators.

“When a city debates the topic, we do want to go to public officials and talk to them and help to set the record straight,” says Phil Rozenski of the APBA. Among the arguments the lobbyist offers in opposition to a ban or surcharge on plastic bags: Plastic bags are an insignificant part of the litter stream. People don’t wash reusable bags enough, which can harbor potentially dangerous bacteria. Plastic-bag companies employ people. Charging for plastic bags disproportionately affects poor people.

The latter argument, of course, is Felder’s main opposition to what he calls the bag “tax.” State Sen. Liz Krueger, a Democrat from the Upper East Side of Manhattan, debated him for more than an hour on the Senate floor. Krueger doesn’t buy the idea that people are deeply attached to the “comfort” of free plastic bags. “I don’t want to speak for low-income people,” she says. “But I worked on low-income issues for 20 years in low-income communities of New York (City). I could make a very long list of creature comforts the poor of New York are in need of and articulate about. I never heard anyone put on their list the comfort of the plastic bag.”

“I could make a very long list of creature comforts the poor of New York are in need of and articulate about. I never heard anyone put on their list the comfort of the plastic bag.”
— New York state senator Liz Krueger

Supporters of the bag fee are warily hoping that, come February, the largest city in the United States will finally start doing something about its 9-billion-a-year bag habit. “It has certainly been far harder than I expected it to be,” says Councilman Brad Lander, a Brooklyn Democrat who sponsored the bill. “While I knew there would be some resistance, I have definitely been surprised at how strong the opposition is. I think New Yorkers are just passionate people. I don’t know.”

For his part, Felder won’t rule out yet another end run around the bag fee before the February implementation date, a move that would be more likely to succeed if the Republicans retain control of the state’s legislature in November. “I think that as it gets closer — at the end of December, beginning of the new year — we are going to get more elected officials involved in petitions,” he says. “There will be hearings. I like making trouble, and this is for me a good excuse. I want to make sure that the mayor and the City Council don’t feel lonely — that they’re the only ones who could come up with something sly. I want to keep them company. I want to come up with something interesting.”

Plastic-bag manufacturers like to think of Americans as being incorrigibly attached to the convenience of the disposable plastic bag. The APBA’s Rozenski keeps coming back to it: People, he says, are either supportive of environmentally sustainable practices such as reusing their own bags, or not. And they’re not going to change. “What we are finding out when it comes to these products is that some people are 100% focused on it,” he says. Many more, however, only bother to bring a reusable bag a small percentage of the time. “The vast majority of people never use reusable bags enough in their life cycle to get the efficiency out of it.”

But a less convenient truth for bag manufacturers is that people’s behavior can be changed. People were taught to love plastic bags; they could almost certainly be taught to hate them. “When they’ve implemented (bag legislation) in other American cities with a similar model, there’s a 70% change in behavior,” Sen. Krueger says. “When you get people to grasp why it’s a win-win not to use plastic bags — a win for the environment, a win for your pocketbook — and just not that big a deal to change your behavior, you can do so in a very short time frame.”

For both sides of the bag debate, the legislation in New York and California represents a turning point, a potential to permanently influence the way tens of millions of people carry goods home from the store. “I think the dominoes are going to fall either way,” says Howe of the Surfrider Foundation. “We’re coming from generations of this consumer throwaway culture. We are just realizing we can’t do that anymore. Our landfills are filling up, our ocean is filling up with plastic. We have to make that change. Once people start understanding there’s a consequence for where these products go after they’re in your hands for 10 minutes, we’ll get people thinking more about how to consume and how to live more sustainably.”

The war on bags

If voters uphold the California ban at referendum in November and the New York City bag fee goes through as scheduled in February, 13 of the 50 most populous cities in the United States will have some form of restriction, in the form of bans and/or charges, on single-use bags:

City, population
New York City, 8,550,405
Los Angeles, 3,971,883
San Diego, 1,394,928
San Jose, 1,026,908Austin, 931,830
San Francisco, 864,816
Seattle, 684,451
Washington, D.C., 672,228
Portland, Ore., 632,309
Fresno, Calif., 520,052
Sacramento, 490,712
Long Beach, Calif., 474,140
Oakland, 419,267
Sources: Earth Policy Institute, Surfrider Foundation, U.S. Census Bureau

Fonte: Sarah GoodyearDailyNews

Boletim do Instituto IDEAIS  de 24 de outubro de 2016

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Manual grátis dá todas as dicas para criar e usar hortas educativas em escolas

Manual grátis dá todas as dicas para criar e usar hortas educativas em escolas

As hortas podem promover a alimentação saudável, vinculando isso à educação e aos novos hábitos. | Foto: Rafael Silva/Cohab

Com uma horta escolar, os alunos podem aprender conteúdos das salas de aula de forma lúdica e prática

O manual “A Escola promovendo hábitos alimentares saudáveis”, feito por pesquisadoras da Universidade de Brasília, a pedido do Ministério da Saúde, traz o passo-a-passo para a introdução de uma horta às atividades escolares. As instruções e aplicações são eficientes para qualquer tipo de instituição e podem ser aplicadas com alunos das mais diversas idades.

A primeira preocupação de projetos que inserem as hortas em escolas é promover a alimentação saudável, vinculando isso à educação e aos novos hábitos. Mas, este tipo de atividade vai muito além disso. Ao mesclar a prática do cultivo de alimentos com conteúdos trabalhados em sala de aula, os alunos podem aprender novos conceitos de forma lúdica e prática, reforçando o conhecimento teórico adquirido e fazendo a ligação entre os livros e a vida real. Segundo o manual, “a horta pode ser um laboratório vivo para diferentes atividades didáticas”, que ainda trazem outras vantagens à comunidade.

Para começar, os primeiros cuidados são com a escolha do local que receberá a horta e com a preparação deste espaço. Apesar de ser uma tarefa simples, o ideal é contar com a ajuda de alguém que já tem experiência nisso. Como nem sempre isso é possível, o manual traz diretrizes para ajudar a escolher o melhor local, bem como as ferramentas usadas na criação do espaço, os cuidados com o canteiro e o preparo das covas.

Na sequência, o guia apresenta as informações sobre o período ideal para o plantio de diversos alimentos e sobre os cuidados necessários para que a horta tenha uma produção abundante e bastante diversificada. O material também mostra quais são as épocas ideais para as colheitas e quais relações os alimentos têm com a saúde, de acordo com os nutrientes próprios de cada um.
Por fim, o guia de hortas escolares dá algumas sugestões de como preparar os alimentos produzidos na horta e quais atividades práticas podem ser feitas com os alunos, coo a aplicação de conteúdos de ciência e matemática, por exemplo.

Fonte – CicloVivo de 15 de agosto de 2016

Itália aprova lei contra desperdício de comida e espera economizar 12 bilhões de euros por ano

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O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano e distribuí-la para a caridade

Um projeto de lei contra o desperdício alimentar foi aprovado no Senado italiano no dia 2 de agosto. O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano. Isso significa uma economia de cerca de 12 bilhões de euros anualmente, ou seja, o equivalente a 1% do PIB do país. Cada italiano joga no lixo, em média, 76 quilos de alimentos por ano, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Cultivadores Diretos (Coldiretti). “É um dado inaceitável”, ressalta o ministro da Agricultura, Maurizio Martina, em entrevista à agência Ansa.

Mas o que fazer com a comida que seria desperdiçada? O plano dos italianos é promover a doação desses alimentos para setores mais vulneráveis da população. Hoje a taxa de desemprego no país está em 20% e milhões de pessoas vivem na pobreza.

E quais alimentos poderiam ser doados? Há alguns pré-requisitos: os que mantiverem os padrões de segurança e higiene mas que por algum motivo não forem vendidos, os que tiverem com o prazo de validade para vencer, e aqueles que não foram colocados no comércio por erro no rótulo.

Restaurantes e supermercados que desejarem ceder seus excedentes à caridade devem apresentar uma declaração cinco dias antes. Também terão incentivos fiscais e descontos em impostos para doarem comida e remédios. Já os agricultores poderão dar o que não for vendido para instituições beneficentes, sem incorrer em custos adicionais.

O ministro explicou para a agência Ansa que o projeto se trata de uma herança da Exposição Universal de Milão, realizada em 2015, cujo tema foi “Alimentando o Planeta, energia para a Vida”.

A França também aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o desperdício de alimentos, mas é mais severa do que a legislação italiana, pois prevê punições para os responsáveis. Os donos de estabelecimentos com mais de 400 m², por exemplo, são obrigados a assinar contratos de doação com instituições beneficentes, do contrário podem pagar multas em até 75 mil euros e ter uma pena de dois anos de prisão.

Esse problema não é só da Itália e da França. Segundos dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada e este número sobe para os 40% no caso da Europa. Todos esses alimentos jogados fora poderiam alimentar cerca de 200 milhões de pessoas.

O desperdício de alimentos deve ser evitado ao máximo, já que a produção consome muitos recursos do ambiente. E a redução do desperdício deve ser buscada não somente no consumo final, mas também nas etapas de plantio, armazenagem, processamento e distribuição de alimentos. Cada consumidor pode fazer a sua parte, com pequenas mudanças em suas práticas cotidianas. Adotar como critérios para a compra não só o preço, mas também a qualidade, a origem, as informações sobre os impactos sociais e ambientais causados pela empresa fabricante, pode trazer grandes benefícios para sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente. E nunca jogar comida no lixo, mas procurar reaproveitar as sobras em outras receitas saudáveis ou doá-las.

Fonte – Akatu de 05 de agosto de 2016

San Diego aprova o banimento de sacos plásticos

Trash, including plenty of plastic bags, overflows from bins at Belmont Park in Mission Beach on July 5. — Peggy Peattie

San Diego é a cidade número 150 no Estado da Califórnia a banir os sacos plásticos não degradáveis de uso único

City is 150th municipality in California to eliminate single-use plastic bags in certain stores, food retailers

The San Diego City Council on Tuesday voted 6-3 to ban single-use plastic bags at large grocery stores, pharmacies and corner markets — becoming one of the last major cities in California to limit the disposable products.

“Citizen across the state have demonstrated the ability to transition to more sustainable, reusable bags, and I’m confident that the citizens of San Diego will quickly adopt this beneficial practice,” City Council President Sherri Lightner said during the council’s afternoon meeting.

“I strongly believe that now is the time to demonstrate local leadership on this issue and make a clear statement that we value our environment,” she added.

Mayor Kevin Faulconer said he plans to sign the ordinance, which would make San Diego the 150th municipality in California with a ban on plastic checkout bags, which often end up in landfills or as litter in storm drains, rivers, canyons and beaches.

Councilmen Mark Kersey, Scott Sherman and Chris Cate voted in opposition, citing broad concerns about local government overreach.

“All this trash, all this litter was put there by somebody or carelessly left behind because they were too lazy to haul this stuff home,” Sherman said at the meeting. “We need to start dealing with those laws that are on the books, the littering, the dumping, and making those fines and those penalties so people think twice.”

A second reading of the ordinance is expected within a few weeks. Once finalized, the rules would give large food stores about six months to comply and approximately a year for smaller drug and convenience stores.

The proposed ban drew wide support from the audience in council chambers Tuesday, which included advocacy organizations such as the Surfrider Foundation’s San Diego County chapter and San Diego Coastkeeper to business-minded groups such as the San Diego Regional Chamber of Commerce and the Equinox Project.

“The vast majority of plastic bags we see are entangled in the brushes next to our rivers and streams,” said Kristin Kuhn, community engagement manager for Coastkeeper. “After every rain event, these bags clog and choke our city’s already damaged waterways.”

The stated goal of the new ordinance is to encourage shoppers to bring their own reusable sacks in order to decrease the roughly 700 million plastic checkout bags distributed locally every year. Only 3 percent of those bags are recycled, according to the city.

Like most plastic-bag bans in the state, San Diego’s policy requires grocery stores and other food retailers to charge at least 10 cents for each paper bag or for a sturdier reusable bag, which often costs considerably more.

“Stakeholders have worked tirelessly with local jurisdictions throughout the state to find a solution that makes sense for both the environment and businesses,” Sophie Barnhorst, policy coordinator for the chamber of commerce, said at the council meeting. “A ban on plastic and a charge for paper has the potential to achieve maximal environment gain with minimal business disruption.”

The city’s policy comes a few months ahead of a referendum vote in this fall’s general election on whether to uphold a statewide prohibition on single-use checkout bags.

After California in 2014 passed the nation’s only statewide ban on such products, the plastics industry launched a signature drive to overturn the law, criticizing it as a tax on shoppers and an ineffective way to fight pollution.

The American Progressive Bag Alliance has raised more than $6.4 million — funded largely by out-of-state bag manufacturers — to overturn the statewide ban in November. If that ban is voided, the municipal ones — including San Diego’s — would remain in place.

“Like other local bag ordinances in California, this law will do nothing to benefit the environment or residents while letting grocers make millions annually in new bag fees,” said Lee Califf, executive director of the bag alliance.

Bag manufacturers also have spearheaded another ballot measure this fall that would require stores to redirect money from bag sales to a fund administered by the Wildlife Conservation Board. The bag fees are estimated to bring in tens of millions of dollars annually, according to the Independent Legislative Analyst’s Office.

“While San Diego residents should have been given the opportunity to vote to repeal the bag ban, they will still be able to vote in November to allow their local government to redirect bag fees to the environment,” Califf said.

Supporters of eliminating single-use plastic bags see the San Diego council’s vote as a boon for the campaign to uphold the statewide ban.

“Polling has shown that people already living under a ban are more likely to support the statewide effort because they realize that it’s not that big of a deal,” said Genevieve Abedon, waste prevention campaign coordinator with Californians Against Waste, which is part of a coalition that has raised about $1.6 million to defeat the overturn referendum.

San Diego officials said based on statistics from the county of Los Angeles, which adopted its ban in 2010, customers will eventually bring their own reusable bags for about 65 percent of purchases at grocery stores and other retailers — eliminating about 95 percent of all single-use plastic bags distributed in the city.

San Diego stores subject to the new ordinance could be forced to pay up to $2,500 for each day they’re not in compliance. In addition, they would have to track for three years the number of paper bags they provide to customers each month and provide that data to the city upon request.

The city’s ban doesn’t extend to smaller disposable bags used for meat, produce and other loose perishable items. Restaurants and department stores also aren’t covered by the measure.

In anticipation of the ordinance, San Diego has distributed about 40,000 reusable shopping bags, focusing on low-income neighborhoods, food banks, schools and libraries, according to city officials.

San Diego’s ban requires that paper bags be provided for free to customers who are receiving government food assistance, including through the California Special Supplemental Food Program for Women, Infants and Children.

In this region, Solana Beach, Encinitas and Del Mar had passed similar bans. Oceanside is poised to vote on such a measure as early as next month.

About 40 percent of Californians now live in areas with some type of restriction on plastic bags, including Long Beach, San Jose, Sacramento and Oakland, as well as San Francisco, the city that led the push against single-use bags in 2007.

Last year, Huntington Beach became the only city in the state so far to repeal a plastic-bag ban — after its elected leaders and many residents expressed concerns over government overreach.

Fonte – The San Diego Union-Tribune

Boletim do Instituto IDEAIS de 15 de agosto de 2016

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Responsabilidade compartilhada no combate à poluição

O comércio de bens, serviços e turismo precisa estar atento para minimizar ou mitigar a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população.

Toda atividade humana, produtiva ou não, impacta o meio ambiente e pode causar poluição. Assim, o comércio de bens, serviços e turismo também precisa ficar atento para minimizar ou mitigar a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades socioeconômicas; comprometam desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente e lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.

Um dos pontos relevantes diz respeito às emissões veiculares provenientes das frotas para a entrega de variados produtos nas casas dos consumidores. Sempre que possível, é importante usar combustíveis renováveis em substituição aos fósseis; traçar rotas que minimizem o trajeto a ser percorrido, manter carros e caminhões regulados, a fim de racionalizar o consumo de combustível, reduzindo a emissão de fumaça preta proveniente da combustão do diesel e promovendo a melhoria da qualidade do ar. Pois, nos grandes centros urbanos, a principal causa da poluição local é o transporte, provocando doenças cardiovasculares e respiratórias, além de cansaço, fadiga e irritação nos olhos e nariz. E tudo se agrava no inverno, com a dificuldade da dispersão dos poluentes e a inversão térmica.

Outro ponto importante, que os estabelecimentos comerciais podem contribuir no combate à poluição é na correta gestão dos resíduos sólidos gerados nos próprios comércios e aqueles provenientes de sistemas de logística reversa.

No primeiro caso, o empresário precisa verificar se seu estabelecimento é considerado um grande gerador pela legislação municipal local e seguir todas as regras, a começar pela elaboração de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos que atenda ao plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos e que minimamente contenha a descrição da atividade e do empreendimento; o diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados: origem, volume e caracterização; definição dos procedimentos operacionais e das etapas do gerenciamento de resíduos sólidos incluindo controle da disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, medidas saneadoras para os passivos ambientais; identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores; ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou acidentes; metas e procedimentos para minimização da geração, reutilização e reciclagem de resíduos sólidos; periodicidade de revisão do plano e quando pertinente as ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

A empresa deve designar um responsável técnico devidamente habilitado para a elaboração do plano, para sua implementação, operacionalização, monitoramento e para fazer a manutenção das informações atualizadas e disponíveis às autoridades competentes. A aprovação do plano de gerenciamento de resíduos sólidos cabe à autoridade municipal competente, sendo que tal plano ainda é parte integrante do processo de licenciamento ambiental.

Uma forma excelente de combater a poluição, é participar dos sistemas de logística reversa de produtos que, após o consumo, resultam em resíduos de significativo impacto ambiental. Por resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), há obrigatoriedade do comércio receber de volta as embalagens de agrotóxicos e de óleos lubrificantes, pilhas e baterias e os pneus, no caso do consumidor efetuar a troca. Já a Política Nacional de Resíduos Sólidos (legislação federal), trouxe a obrigação também da logística reversa de embalagens em geral, lâmpadas, medicamentos, óleos lubrificantes usados ou contaminados e produtos eletroeletrônicos.

No Estado de São Paulo, foram incluídos ainda óleo comestível, filtro de óleo lubrificante automotivo e as embalagens em geral são separadas por produto em quatro grupos: alimentos, bebidas, produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos e produtos de limpeza.

Assim, em alguns casos o comércio precisa ser ponto de coleta dos produtos após o consumo e em outros pode optar por aderir a um sistema existente, assinando um acordo setorial (federal) ou termo de compromisso estadual, atuando como ponto de coleta ou na divulgação do sistema.

O importante é participar e fazer parte da cadeia de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na qual fabricantes, importadores, distribuidores, varejistas, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos têm responsabilidades individualizadas e encadeadas, para minimizar a geração de resíduos sólidos e rejeitos, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental, combatendo a poluição.

José Goldemberg é presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP. Doutor em Física, foi presidente da SBPC e da Cesp, além de reitor da USP. Atuou como secretário das pastas de Ciência e Tecnologia de São Paulo e do Meio Ambiente da Presidência da República. Também foi ministro da Educação e professor da Universidade de Paris (França) e Princeton (Estados Unidos).

Cristiane Cortez é assessora do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP. Integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Coordenadora do Grupo Técnico da Gestão da Demanda deste Comitê. Professora dos cursos de Engenharia da FAAP. Bacharel e Mestre em Engenharia Química. Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Energia (PPGE) da USP.

Fonte – Envolverde de 03 de agosto de 2016

Haddad planeja pagar para paulistano trocar ônibus ou carro por bicicleta

Foto EMBARQ Brasil | WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Bilhete mobilidade, que substituirá o bilhete único, passará a acumular créditos para quem fizer parte do trajeto diário de bike; Paris adota modelo semelhante

A gestão Fernando Haddad (PT) planeja recompensar financeiramente o paulistano que trocar o carro ou o ônibus pela bicicleta, por meio da criação do bilhete mobilidade, que substituirá o atual bilhete único. Segundo a Prefeitura, quem fizer parte do percurso diário de bike passará a acumular créditos. Eles serão calculados de acordo com a distância, o local e o horário percorridos, e poderão ser resgatados em dinheiro ou consumidos em uma rede credenciada de serviços.

A ideia é estimular o uso da bicicleta como meio de locomoção até o trabalho e integrar os diferentes tipos de modais. Para isso, a Prefeitura promete dar “descontos” na passagem de ônibus, na viagem de táxi ou nos percursos realizados em carros compartilhados, como o Uber. Todos passariam a aceitar os créditos acumulados pelos ciclistas, assim como estabelecimentos credenciados, como em um programa de milhagem. Também está previsto o resgate em dinheiro de créditos, a exemplo da Nota Fiscal Paulista. Se essa for a opção, o reembolso deverá ser liberado a cada quatro meses ou duas vezes ao ano, em conta bancária.

Segundo prevê o projeto, desenvolvido em parceria com o vereador José Police Neto (PSD), a verba para o pagamento dos ciclistas sairia do montante repassado às empresas de ônibus como subsídio – por ano, são cerca de R$ 2 bilhões. O valor é necessário porque a tarifa, hoje de R$ 3,80, não cobre todos os custos do sistema. De acordo com a empresa que presta o serviço e a quantidade de viagens dentro de três horas (período do bilhete único), esse valor pode alcançar até R$ 5.

“Subsídio não deve ser repassado apenas para o transporte coletivo. Temos de mudar essa lógica e usar melhor esse dinheiro. Ao incentivar o uso da bicicleta, tiram-se carros das ruas e passageiros dos ônibus superlotados”, afirma Police Neto. O projeto de lei proposto originalmente por ele já foi aprovado em primeira discussão e, com o apoio da gestão Haddad, deve ter o aval definitivo da Câmara Municipal até o fim do ano. A previsão é de adotar o bilhete mobilidade já em 2017.

Valores

Os valores dos créditos não estão definidos. Mas, segundo a SP Negócios, empresa municipal responsável pela implementação , deverão ser calculados de modo a atrair o paulistano no horário de pico. “É quando os ônibus já são muito explorados, então, faz mais sentido fazermos um incentivo mais forte nesse período”, diz o diretor-presidente, Rodrigo Pirajá. “Dessa forma, racionalizamos mais o transporte como um todo, com base no uso de vários modais.”

Subsecretário do Tesouro Municipal, Luiz Felipe Vidal Arellano reforça que o valor dos créditos deve ser suficiente para estimular as pessoas a andar de bicicleta. “Se for muito baixo ninguém se sentirá incentivado a aderir, mas, por outro lado, não pode representar uma elevação dos gastos da Prefeitura”, diz, referindo-se ao custo dos subsídios.

Formatos semelhantes já funcionam em outras cidades do mundo. Em Paris, por exemplo, o ciclista recebe cerca de R$ 0,90 (€ 0,25) por quilômetro rodado. “Em São Paulo, acho que oferecer de R$ 4 a R$ 8 por dia em créditos resolveria. Esse seria um valor significativo para atrair e para ajudar a bancar a manutenção da bicicleta, o seguro, os equipamentos. Quem aceita o desafio de ajudar a cidade deve ser reconhecido e recompensado”, diz Police Neto.

Aplicativos

Para participar do programa, o ciclista deverá adquirir o bilhete mobilidade (ou continuar usando seu bilhete único) e baixar um aplicativo indicado pela Prefeitura. A checagem do percurso feito pelo ciclista poderá ser feita com a ajuda da tecnologia, via celular, ou mesmo por meio de pontos de medições – em terminais, estações de metrô ou de aluguel de bicicleta.

O foco será o trabalhador, que tem 6% de seu salário descontado para o complemento do transporte – o restante é pago pelo empregador. A estimativa é de que o modelo de créditos seja vantajoso para quem recebe até R$ 3 mil mensais. Acima disso, o reembolso em créditos não compensará o desconto na folha salarial.

Quatro perguntas para Rodrigo Pirajá, diretor-presidente da SP Negócios

1. Só o ciclista poderá receber créditos da Prefeitura ou também o pedestre?

A mesma sistemática poderá servir, no futuro, para quem prefere caminhar para o trabalho.

2. No caso da bicicleta, para dar certo, o programa demanda também investimento em infraestrutura?

Sim, temos de alimentar essa infraestrutura. Não basta a gente dar crédito financeiro porque a infraestrutura pode ser tão precária que o dinheiro não compensa a dificuldade que o ciclista vai ter. A ideia é investir em novos bicicletários e vestiários em terminais públicos, mas também incentivar o que chamamos de mercado secundário.

3. O que significa isso?

Nesse mercado, o ciclista poderá gastar os créditos. São estabelecimentos credenciados que oferecerão, por exemplo, período para estacionamento de bicicleta, compra de equipamentos, conserto, manutenção. Parte da estrutura será pública, mas outra parte virá do mercado.

4. Como a Prefeitura repassará os créditos dos ciclistas para os comerciantes?

Por celular ou pelo próprio sistema de recarga do bilhete, por exemplo.
Muitos estabelecimentos já estão capacitados a oferecer esse serviço na cidade. A partir disso, faremos a transferência dos créditos.

Fonte – Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo de 18 de julho de 2016

Economia de acumulação

Humanidade já está usando 30% a mais do limite suportável do planeta
Foto: Ian Britton/Flickr/CC

É preciso estar atento, ao menos, para dois pontos específicos vindos da economia, que atuam no sentido de promover intensa pressão sobre o meio ambiente: 1) a dinâmica do capitalismo industrial é consolidada mediante mais produção e consumo, portanto, mais crescimento econômico; 2) o nível de extração de recursos naturais para “alimentar” o processo produtivo não pode, sob nenhuma circunstância, exceder o de regeneração, uma vez que sua ultrapassagem implica no completo esgotamento da base física que serve de suporte à atividade econômica.

Dito isso, o enunciado a seguir é verossímil: a economia mundial não pode mais “funcionar” – do jeito que vem funcionando – sob o paradigma do crescimento/acumulação. Tal assertiva leva a conclusão de que o desafio colocado à frente, caso haja o interesse em preservar as condições de vida no planeta, é um só: procurar “encaixar” a atividade econômica dentro dos limites ecossistêmicos.

O desrespeito a esses limites, a partir do momento em que a atividade econômica se apropria da natureza, desequilibra o meio ambiente, gerando como “produto final” poluição (veja especialmente o caso chinês, com mais de 700 mil mortes ao ano) e aquecimento global.

A relação produção-consumo-crescimento econômico-emissão de gases de efeito estufa (GEE)-perda ambiental e ecológica está intimamente interligada

Essa é a questão central da crise ambiental. Não por acaso, a humanidade já está usando 30% a mais do limite suportável do planeta – lamentavelmente, já assimilamos o overshoot (transbordamento) com certa naturalidade.

Hoje, são extraídas 60 bilhões de toneladas de recursos anualmente; 30 anos atrás, essa extração não passava de 30 bilhões de toneladas.

Nesses últimos 30 anos de intensa extração de recursos, “conseguimos”, sem muita habilidade, mas com tamanha agressividade, chegar próximo ao esgotamento de 60% dos principais serviços ecossistêmicos; basta atentar para a situação atual dos pesqueiros (das 17 reservas pesqueiras conhecidas, 11 delas possuem taxas de retirada maior do que a capacidade de reposição.

Ainda em relação aos peixes, 75% dos estoques mundiais das espécies mais vendidas no mundo estão no limite da sua capacidade de recuperação ou além desse limite. Entre 1995 e 2005, algumas espécies como o bacalhau, o hadoque, o badejo e o linguado caíram 95% no Atlântico Norte), o encolhimento de florestas (a cada minuto a Terra perde 21 hectares de florestas, equivalente a 42 campos de futebol), a deterioração de pradarias e terras firmes (das terras firmes conhecidas do mundo, 4 bilhões de hectares encontram-se esgotados. Por ano, perde-se mais de 7 milhões de hectares.

São 20 mil hectares por dia, o que equivale a uma superfície diária que corresponde a duas vezes o tamanho de Paris), a contaminação de reservatórios de água, a elevação acintosa dos níveis de dióxido de carbono (a cada minuto 10 mil toneladas de dióxido de carbono são lançadas na atmosfera) e o constante desaparecimento de espécies (defaunação – a União Internacional para a Conservação da Natureza estima que, no mundo, por volta de 11% das espécies de aves, 25% dos mamíferos, 25% dos anfíbios, 20% dos répteis, 34% dos peixes e 12% das plantas estão ameaçadas de desaparecer para sempre nos próximos cem anos).

Portanto, a relação produção-consumo-crescimento econômico-emissão de gases de efeito estufa (GEE)-perda ambiental e ecológica está intimamente interligada.

Sendo a produção econômica termodinâmica – ainda que para os arautos da economia neoclássica isso possa parecer absurdo – simplesmente torna-se impossível dissociar crescimento econômico da emissão de GEE e, evidentemente, do resultado disso tudo: desequilíbrio climático e ambiental.

Agravando mais ainda essa situação, a humanidade parece que redobrou seu voraz apetite pelo consumo de mercadorias (a dinâmica da acumulação capitalista, puxada essencialmente pelos norte-americanos, tem se concentrado na esfera financeira fazendo do crédito e do endividamento familiar elementos fundamentais para a “elevação” do poder aquisitivo), uma vez que, claramente, estamos vivendo na era da economia de acumulação, posto que a produção econômica, nesse último século, “não se baseia no capital do planeta, mas em seu estoque”, para usarmos as palavras da ambientalista francesa Dominique Voynet.

Engolidos pelo consumo, vamos cada vez mais pisando firme no acelerador do crescimento econômico, sem, contudo, nos darmos conta que, logo mais à frente, pela “estrada” em que trafegamos, encontraremos um enorme abismo que sugará a todos, ricos e pobres, desenvolvidos ou emergentes, uma vez que essa “estrada” é a mesma para todos, com um único sentido de direção.

Fonte – Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do Unifieo, em São Paulo, EcoD de 23 de outubro de 2016

Por que aceitamos os dramas do lixo?

Foto – daniel e thayla

Essa questão já foi longe demais, o poder público deve criar novas regras, novos formatos.

Entra ano, sai ano e o panorama não muda. Há poucas semanas foi divulgado o índice de sustentabilidade em limpeza urbana para os municípios brasileiros. E a conclusão é melancólica: o número de aterros sanitários inadequados aumentou 52% no Estado de São Paulo em 2015, na comparação com o ano anterior, segundo a Companhia Ambiental do Estado. O Índice de Qualidade de Aterros de Resíduos mostrou descartes inadequados em 41 municípios paulistas (em 2015 eram 27).

Não se muda. Não se introduz a coleta seletiva, não se transforma, via compostagem, o lixo orgânico em adubo, não se economizam espaços com aterros. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são reciclados, de um total de 76,8 milhões de toneladas produzidas – apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelecer há anos prioridade para esse objetivo. Continua-se a esperar que o poder público municipal destine recursos para a área. Já os governantes querem que os munícipes paguem pela coleta, pela reciclagem e pelo aterramento. Mas os cidadãos não aceitam pagar, acham que o custo dessa tarefa já está embutido nos impostos municipais. E não se avança.

Em todo o mundo só se consegue solução se o gerador do lixo o separar (seco e orgânico) e pagar por coleta, destinação e reciclagem. Por aqui aceitamos que 3 mil municípios dos mais de 5.500 ainda mantenham lixões.

O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana para os Municípios Brasileiros, que veio a público agora (PWC , Sindicato de Empresas de Limpeza Urbana do Estado de São Paulo e ABLP), afirma que “não há referências quantitativas capazes de sintetizar as metas esperadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos em um cenário de vinte anos para os municípios brasileiros” – o que dificulta a formulação de políticas, financiamentos, monitoramento da qualidade de serviços, prioridades. Por isso se criou o novo índice, que foi avaliado em 3.500 municípios.

Os problemas mais frequentes não surpreendem: inadimplência de prefeituras no pagamento de serviços contratados; ausência de coleta seletiva; manutenção de lixões; descaso ou ignorância das populações quanto às políticas da área; proliferação de doenças no setor. A Região Sul é a que tem os melhores índices de sustentabilidade, em seus três Estados. Nenhum município de porte maior se classificou entre os 50 com melhores índices. Menos de 50% dos municípios analisados têm arrecadação específica na área de limpeza urbana.

Há capítulos especialmente preocupantes na área. O site meioambiente.mg.gov.br divulga diagnóstico da Fundação Estadual de Meio Ambiente segundo o qual 57,24% do lixo gerado pelos estabelecimentos de saúde de 524 municípios mineiros (19,5 mil toneladas) vão indevidamente para aterro sanitário; o restante, para incineração (8,6 mil toneladas) ou para autoclavagem – 5,9 mil toneladas passaram por tratamento térmico seguido de destinação para aterro sanitários. Nas 524 cidades mineiras incluídas foram produzidas, no período analisado, 34,4 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde. Apenas cinco municípios mineiros têm unidade de tratamento e destinação final dos resíduos desses serviços na própria cidade, o restante vai para outras localidades. Mas 95% dos municípios, a maioria de pequeno porte, “preferem enviar parte dos resíduos ou todos para a incineração”.

Área que merece cuidados extremos no Brasil – e da qual pouco se fala – é a dos resíduos eletrônicos, que, segundo órgãos da ONU (retoquejor, 5/7), gerou 1,4 milhão de toneladas de resíduos em 2015. Sem falar em que, segundo associação de empresas de tratamento de resíduos, mais de 500 milhões de aparelhos eletrônicos sem uso permanecem nas residências – podendo até causar problemas de saúde. São Paulo é o Estado que mais produz resíduos eletrônicos (448 mil toneladas anuais), seguido do Rio de Janeiro (165 mil) e de Minas Gerais (127 mil).

Não há ainda um acordo setorial amplo para o setor de resíduos eletrônicos – ao contrário, por exemplo, do setor de pneus. O acordo neste setor fez surgir a ONG Reciclamp, que coleta cerca de mil toneladas de pneus inservíveis em 900 pontos de 26 Estados. Na área de embalagens de óleo o primeiro acordo setorial foi assinado em 2012.

São áreas que merecem muito cuidado, uma vez que continua a desenvolver-se o chamado “colonialismo da imundície”, em que países do Primeiro Mundo exportam para países pobres seus resíduos eletrônicos. No Terceiro Mundo – como na Nigéria, por exemplo – formam-se gigantescos depósitos desses resíduos, que são separados e coletados pela população mais pobre, que os vende a preços ínfimos a empresas transformadoras.

O Brasil não está longe do problema. Várias publicações têm noticiado, por exemplo, que “o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina está no Distrito Federal”, a 15 quilômetros do Palácio do Planalto, e sustenta mais de 2 mil pessoas – é o “lixão da Estrutural”, uma área de 174 hectares. Na época em que foi secretário de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia no Distrito Federal, o autor destas linhas preparou um plano para dar fim ao lixão, implantar um depósito exemplar onde trabalhassem na separação do lixo, com salários dignos, aquelas 2 mil pessoas; a 500 metros de distância, uma usina de reciclagem moderna, administrada por uma cooperativa de catadores. Foi bombardeado por vários setores que tinham interesse na comercialização do lixo obtido a custos quase negativos. Nada foi para a frente. Não é diferente de muitos outros setores em que prevalece a exploração de trabalho quase escravo.

Mas no lixo as questões já foram longe gemais. É preciso que o poder público crie novas regras, novos formatos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos deveria ter sido implantada até 2010, foi prorrogada e nada adiantou.

Fonte – Washington Novaes é jornalista, O Estado de S. Paulo de 29 de julho de 2016