MIT usa tronco de árvore para produzir filtro altamente eficiente

MIT usa tronco de árvore para produzir filtro altamente eficienteOs pesquisadores usaram pedaços de pinheiro branco com pequenas tubulações de plástico. | Foto: MIT

O produto pode ser a solução para comunidades rurais e lugares remotos que não dispõem de água potável

Será que o segredo de tudo está na natureza? Mais uma vez, cientistas encontraram no meio ambiente a solução para um problema cotidiano. Desta vez, a descoberta deu origem a um sistema simples de filtragem de água a partir de troncos de árvores.

Desenvolvido por uma equipe do MIT, a tecnologia de baixo custo é capaz de filtrar até quatro litros de água por dia, removendo até 99% da bactéria E. Coli, que é comum em humanos e animais, porém pode causar problemas em grandes quantidades – infecção intestinal e urinária são os mais comuns.

Para isso, foi utilizado um pedaço de alburno, que é a parte logo abaixo da “casca” da madeira e é constituída por células vivas responsáveis por conduzir água e nutrientes para as folhas. Os pesquisadores usaram pedaços de pinheiro branco com pequenas tubulações de plástico para criar o filtro de água, mas outras árvores estão sendo testadas para quem sabe descobriram maneiras de eliminar outros tipos de contaminantes. Detalhes do processo podem ser conferidas no estudo publicado no Plos One.

Existe uma enorme variação entre as plantas. Poderia haver plantas muito melhores lá fora, que são adequados para este processo. Idealmente, um filtro seria uma fatia fina de madeira que você poderia usar por alguns dias, em seguida, jogá-la fora e substituí-la sem quase nenhum custo”, explica Rohit Karnik, professor de engenharia mecânica no MIT.

O produto pode ser a solução para comunidades rurais ou lugares remotos que, por falta de saneamento básico, são abastecidos por água contaminada. Não é intenção do grupo criar algo para o mercado, a ideia é justamente ser uma alternativa de baixo custo e feita em pequena escala.

Fonte – CicloVivo de 26 de abril de 2017

Estudantes criam embalagem de papel reciclado para o plantio de mudas

Aluno segura um dos copos de papel reciclado no laboratório (Foto: Divulgação )Aluno segura um dos copos de papel reciclado no laboratório (Foto: Divulgação)

O material substitui o plástico, que não se degrada no solo. A ideia surgiu como forma de aproveitar o excedente de papel usado na escola

A ideia surgiu durante uma atividade em princípio pouco educativa da escola: uma guerra de bolinhas de papel. A turma do aluno Nycholas Turela Pereira estava entretida com a guerra de bolinhas num dos intervados entre as aulas da Escola Estadual Técnica Agricola Desidério Finamor, em Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul. Em algum momento, um deles teve a ideia de usar papel molhado, que se desmanchava ao atingir o oponente. A estratégia balística deu origem a um insight ecológico para os alunos do 2º ano do ensino médio. (Nooossa, a turma do fundão tinha um aluno inspirado)

“Jogando o papel molhado, percebemos que aquele material se desmanchava e degradava rápido”, conta Nycholas. “Ele podia ser usado para resolver um problema no plantio de mudas.” Na verdade, a escola tinha dois problemas não relacionados. O primeiro era como dar um fim ecologicamente saudável a todo o papel usado e jogado fora. O segundo era como substituir as sacolas plásticas usadas para embalar as mudas plantadas na horta da escola. Como o plástico não é biodegradável, o material das embalagens permanecia na terra. A solução pensada pelos estudante foi simples: aproveitar o papel excedente e com ele fazer uma embalagem para as mudas. Como o papel é biodegradável, eliminariam um possível poluente no solo.

Orientado pela professora Simone Elenice Castelan, o grupo de Nycholas, com os colegas Leonardo Oliveira, Mateus Camargo, Anderson Riva e Matheus Bernardi, foi para o laboratório e desenvolveu um copinho feito com papel reciclado. O copo tem o tamanho certo para a brotação de mudas de plantas. No copo, as mudas podem ser cultivadas até ficarem prontas para o plantio direto no solo. Aí basta cavar um buraco na terra e plantar com o copo de papel e tudo. O copo de papel se desmancha em cerca de cinco dias. Não deixa nenhum resíduo.  “O plástico também atrapalhava o crescimento da raiz da planta na terra”, diz Nycholas. “Já o papel se rompe facilmente para o desenvolvimento das raízes. E a celulose do papel ainda vira nutriente para a muda.”

Os alunos testaram a técnica com tomateiros, tulipas, alfaces e roseiras. As mudas ficaram cerca de 18 dias se desenvolvendo nos copinhos de papel antes do plantio no solo. Nas experiências, as mudas ficaram no laboratório, em uma área seca de cimento. Um dos limites para o uso da técnica é o local onde ficam as mudas. Se for úmido, o papel desmancha. Se tiver muito solo, pode rachar. Mas os copinhos de papel tiram de cena os plásticos que acabam enchendo o solo nas áreas de plantio.

O trabalho foi um dos premiados pelo Projeto Criativos da Escola, do Instituto Alana, em 2016. Segundo a professora Simone, a técnica dos copinhos ainda está em fase artesanal. “Hoje faz mais sentido para pequenas comunidades ou hortas comunitárias”, afirma. Mas ela acredita que os copinhos podem ser adaptados para produção industrial e usados em larga escala na agricultura. Agora, os alunos transferiram o projeto para uma nova turma da escola. O novo grupo está planejando patentear a ideia. “A gente espera que a técnica seja usada em larga escala. A gente quer ver isso na mão de todo mundo”, diz Nycholas.

Para Simone, a primeira vitória já foi ver os alunos pensando em inovações com fundo ecológico numa escola de técnica agrícola. “Se você dá liberdade para eles pensarem livremente, vem muita ideia. A gente precisa incentivar os alunos e explorar esse potencial”, diz.

Da esquerda para a direita, a professora Simone com os alunos Nycholas, Mateus, Leonardo, Matheus, Anderson (Foto: divulgação )

Da esquerda para a direita, a professora Simone com os alunos Nycholas, Mateus, Leonardo, Matheus e Anderson (Foto: divulgação )

Fonte – Alexandre Mansur, Blog do Planeta de 01 de março de 2017

E sobre o enovelamento ou espelhamento das raizes?

Todos os trens da Holanda já são movidos a energia eólica

Todos os trens da Holanda já são movidos com energia eólicaFoto: divulgação NS

Desde o começo de janeiro, 100% dos trens que circulam pela Holanda estão sendo abastecidos exclusivamente com energia produzida por turbinas eólicas. A notícia foi divulgada pela companhia NS, que administra a rede ferroviária do país.

Em setembro de 2015, antecipamos aqui o anúncio do acordo firmado entre a NS e a empresa de energia Eneco, que previa que todos os trens holandeses funcionariam movidos somente com energia gerada pelo vento até o final de 2018.

Acontece que, com a inauguração de novas plantas eólicas (tanto onshore como offshore, ou seja, na costa), foi possível cumprir a meta um ano antes do previsto.

Cerca de 600 mil passageiros usam este sistema de transporte público diariamente. São aproximadamente 5.500 viagens por dia. É utilizada 1,4 TWh de eletricidade para poder suprir a demanda dos trens holandeses. É um volume gigantesco, o equivalente ao consumido por todas as residências dos Países Baixos.

Segundo os engenheiros da Eneco, uma turbina eólica funcionando por uma hora tem capacidade para gerar eletricidade para que um trem percorra 200 quilômetros.

O próximo objetivo da companhia é reduzir a demanda de energia dos trens – por passageiro -, em 35%, até 2020.

Todos os países escandinavos têm investido fortemente em fontes renováveis de energia: mais limpas e sustentáveis. Todavia, nesta região, a eólica é mais eficiente, já que o clima e geografia locais são mais favoráveis a ela. Em julho do ano passado, a Dinamarca bateu um novo recorde mundial, quando divulgou que 42% da energia produzida no país foi gerada a partir de usinas eólicas (leia mais neste outro post).

Estas e outras iniciativas comprovam como a dependência aos combustíveis fósseis, como óleo, gasolina, carvão e petróleo – extremamente poluentes – está com os dias contados. Diversos países mostram, na prática, como o uso de energias limpas é viável, econômico e eficaz.

Fonte – Suzana Camargo, Conexão Planeta de 30 de janeiro de 2017

Bioplástico produzido a partir de biogás rico em Metano

Bioplastic from BiogasBioplastic from Biogas

A empresa VTT desenvolveu uma solução para converter até mesmo pequenas fontes de biogás rico em metano em matérias-primas para alimentação animal ou bioplástico em fazendas, aterros sanitários e estações de tratamento de águas residuais.

Esta solução de redução de emissões baseia-se na capacidade das bactérias metanotróficas a crescer em metano em fermentadores de gás.

New Approach by VTT to Convert Methane-rich Biogas into Bioplastics

VTT has developed a solution for converting even small sources of methane-rich biogas into raw materials for animal feed or bioplastic on farms, landfills and wastewater treatment plants. This emission-reducing solution is based on the ability of methanotrophic bacteria to grow on methane in gas fermenters.

Bioplastic from Biogas

Methane-rich biogas is generated on farms, landfills and wastewater treatment plants in anaerobic digestion of biological material. Until now, the processing of such gas into biomethane has only been viable on large biogas-producing sites; small biogas sources such as farms have remained largely unexploited.

The method developed by VTT would reduce emissions, increase the use of biogas and improve protein self-sufficiency.

Process

It is based on the ability of methanotrophic bacteria to grow in aerobic conditions in gas fermenters, using methane as the source for carbon and energy. The process is as follows:

  • The methane gas generated by anaerobic digestion is fed into a gas fermenter.
  • A growth medium containing the methanotrophic bacteria circulates through the pipes of the gas fermenter, creating a single-cell protein biomass with a protein content of around 60%.
  • The cell mass is filtered, pasteurized and dried.

The methanotrophic bacteria and (depending on the growth conditions) cell mass may also contain polyhydroxybutyrate plastic (PHB) – a natural substance in the cells that enables them to store conserve energy. For example, PHB can be used as a raw material for biodegradable packaging material, instead of oil-based and non-biodegradable plastics such as polypropylene (PP).

  • The cell mass may contain 50% half of the PHB, in which case the protein content is around 30%.
  • Extraction is used to separate the PHB and protein fractions from the dried cell mass.

The production rate of VTT’s method needs to be improved: a couple of years of development work lie ahead. In addition, the protein fraction’s suitability as a feed component needs to be tested.

Based on previous studies, single-cell proteins produced using micro-organisms can be substituted for ingredients such as meat, soya, egg whites or fish in food and feed. Finland is import-dependent with respect to soya: a fluctuating worldwide crop causes price fluctuations and uncertainty about the availability of this foodstuff.

In Europe and Finland, attempts are being made to meet the challenge of protein feed for domesticated animals by improving protein self-sufficiency. This mainly involves promoting the production of vegetable protein. The production of single-cell proteins represents a good opportunity to improve our protein self-sufficiency.

About VTT Technical Research Centre

VTT Technical Research Centre of Finland Ltd is one of the leading research and technology companies in the Nordic countries. VTT has a national mandate in Finland. It uses its research and knowledge to provide expert services for our domestic and international customers and partners.

Fonte – Omnexus Specialchem

Boletim do Instituto IDEAIS de 05 de dezembro de 2016

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Água de neblina: tecnologia para mudar regiões semi-áridas

Projeto de captação de água inovador busca transformar a vida de comunidades e da fauna e flora de regiões semi-áridas

Que água dá em nuvem, todo mundo sabe. Mas o que nem todos conhecem é a possibilidade de conseguir essa água antes mesmo de chover. Um estudo desenvolvido pela ONG Dar Si Hmad, em parceria com universidades ao redor do globo, traz a possibilidade de coletar água a partir de neblina e transformar regiões semi-áridas, dando nova vida à vegetação e às comunidades.

A prática, chamada de “fog harvesting” (fog, em inglês, significa neblina e harvest significa colheita), foi desenvolvida inspirada em mecanismos naturais. A água das neblinas se condensa e forma o orvalho nas folhas de árvores e sua coleta era uma prática cultural em comunidades antigas, onde hoje se desenvolvem os estudos. De forma parecida, o aparelho utilizado atualmente, que recebe o nome de CloudFisher, fica posicionado de forma perpendicular ao vento e capta a água das nuvens de neblina. Depois, quando ela se condensa, é direcionada para canos que levam para consumo ou irrigação.

A água obtida, no geral, é potável e pode ser bebida se for de regiões sem poluição. Mas contém uma quantidade pequena de minerais, o que não é ideal para consumo humano durante toda a vida. Por isso, ela é misturada com água de mananciais, bombeada do subsolo. O gasto energético para todo o processo é suprido por placas solares e os materiais são completamente sustentáveis.

Apresentação da ONG Dar Si Hmad na COP22

Existe um projeto em andamento, denominado Morocco 2017. O objetivo é implantar 31 CloudFisher em regiões marroquinas e criar o maior coletor de neblina do mundo, de 1700 metros quadrados. Ele conseguirá captar 22 litros por metro quadrado por dia, em média, e beneficiará 13 comunidades próximas a região de Boutmezguida.

A ciência por trás das nuvens

María Victoria Marzol, pesquisadora do Departamento de Geografía e Historia da Universidad de La Laguna, trabalha com a prática desde a década de 90 na região de Tenerife. Ela explica que existem dois tipos de nuvens: verticais são aquelas que possuem muitos pingos de grande dimensão e são as que formam chuva, já as nuvens horizontais têm pingos menores e são as utilizadas como fonte de água nesse sistema.

Fenômeno do mar de nuvens em Tenerife, nas Ilhas Canárias

Nas Ilhas Canárias, existe uma região próxima às montanhas onde se forma um fenômeno natural conhecido como mar de nuvens. Esse fenômeno está presente também em outras regiões onde é possível executar “fog harvesting”, como o Chile e Peru. As nuvens se formam entre as montanhas e, ao se deslocarem pela área, podem ser captadas pelos aparelhos. No Brasil, não é possível observar esse tipo de fenômeno pois é necessário que a costa seja banhada por correntes oceânicas frias.

Atualmente, a pesquisa procura definir quais os melhores materiais para usar e a eficiência de diferentes modelos. Os primeiros modelos foram implementados em 2015 e os mais usados são teflon e aço. As regiões em que há coleta de água de neblina têm o clima marcado pela maioria dos dias sem chuva, mas as condições de coleta podem variar de acordo com a altitude ou época do ano.

A rede das CloudFishers aguentam ventos de até 120 quilômetros por hora

Valor ecológico da água de neblina

As nuvens de neblina que se formam em regiões de florestas ficam conhecidas entre os especialistas da área como “cloud forests”. Elas são responsáveis pelo aumento significativo da biodiversidade e do endemismo de espécies. Em áreas próximas de encostas de colina, as partes que apresentam nuvens de neblina em contato com as árvores têm estágios mais complexos do desenvolvimento da floresta, porque as plantas têm mais acesso a água.

Além disso, a água coletada pode ser usada para reabilitar ecossistemas. Um caso de êxito foi observado no Peru, a partir de 1996. Uma região que estava praticamente inóspita passou por uma sucessão ecológica, que é quando áreas sem floresta voltam a ter biodiversidade e se desenvolvem até o último estágio, quando tem a presença de grandes árvores. Nesse caso, ocorreu um processo completo de reabilitação da área, graças a irrigação feita atráves de água coletada das neblinas.

Empoderamento feminino pela água

A pesquisadora social do Instituto Tifawin, Leslie Dodson, explica que quando uma comunidade recebe água encanada sua relação com o líquido muda. O acesso mais fácil cria novas necessidades e novos usos, inclusive para atitudes que podem parecer básicas para os que têm esse bem natural de forma constante.

Na maioria das comunidades tradicionais do norte africano, onde o estudo foi realizado, as mulheres eram as responsáveis por conseguir água. Em média, mulheres adultas e crianças passavam cerca de três a quatro horas por dia em busca deste recurso. Com a água encanada vinda dos aparelhos de coleta de neblina, as meninas das comunidades beneficiadas puderam se dedicar aos estudos, já que não tinham mais que fazer esse trabalho. Além de poupar a força física das mulheres, também possibilita seu desenvolvimento cultural e a busca por outras funções dentro da comunidade.

Mas, mesmo com essas mudanças, Leslie reforça a importância de que as mulheres continuem com o papel de “guardiãs da água”, determinando o destino de uso e instruindo a comunidade sobre medidas adequadas para controle do recurso.

Water School

O uso da água de neblina, além do valor ecológico, também possui um valor social. A ONG, desde sua atuação nas comunidades, dobrou o número de crianças presentes nas escolas, totalizando 132. O aprendizado extracurricular explora conhecimentos científicos para que os jovens tomem consciência da captação e da manutenção do recurso hídrico. Os líderes do projeto acreditam que, com educação ambiental feita desde cedo para as crianças, elas conseguirão passar os ensinamentos para o restante de suas vilas.

Além disso, são ensinadas técnicas de higiene pessoal e limpeza dos ambientes. Antes, sem o acesso a água encanada, eram muito mais difíceis de serem executadas pelos habitantes dessas comunidades, que com o projeto podem “gastar” a água também com essas necessidades, ao invés de só para matar a sede.

O processo educativo se estende também às mulheres. Elas são alfabetizadas de diferentes maneiras, não só voltadas para a leitura. A escola as ensina como usar celulares e se comunicar com os técnicos das estações de coleta, reconhecer letras e números e também a usar ferramentas que possibilitem executar a manutenção dos canos e do sistema hidráulico que chega às comunidades. Uma parte importante deste projeto é que a tecnologia usada é aquela que se tem à mão, para que mesmo depois do apoio direto das universidades, as comunidades consigam se manter. “A água flui assim como as oportunidades”, resume Leslie.

Fonte – Carolina de Barros e Alexandre Gonçalves Jr, de Marrakech, Projeto Cásper Líbero/ Envolverde para a COP22 de 11 de novembro de 2016

Sabão “perfeito” é origem vegetal e polui menos

Sabão Bolhas de ar sobre uma mistura de água e do novo sabão – ele espuma mesmo em água fria ou em água dura. Imagem: Paul J. Dauenhauer

Sabão vegetal

Químicos sintetizaram uma nova molécula de sabão que eles batizaram de “sabão perfeito”.

O composto é feito a partir de fontes renováveis, o que permitirá reduzir drasticamente o número de produtos químicos em produtos de higiene e limpeza, diminuindo seu impacto sobre o meio ambiente.

O sabão também funcionou melhor do que os sabões comerciais em condições difíceis, como sob água fria e água dura – água dura é aquela que possui sais de cálcio, magnésio e ferro, que são insolúveis em água e reagem com os sabões, produzindo compostos insolúveis.

“Esta pesquisa pode ter um grande impacto sobre a indústria multibilionária dos produtos de limpeza,” prevê o professor Paul Dauenhauer, da Universidade de Minnesota, nos EUA.

Soja, coco e milho

Os sabões e detergentes convencionais são vistos como prejudiciais ao meio ambiente porque são feitos a partir de combustíveis fósseis. Quando entram na formulação de xampus, sabonetes ou detergentes, esses sabões são misturados com inúmeros outros compostos químicos que acabam indo pelo ralo.

A equipe desenvolveu um processo químico que consegue combinar os ácidos graxos da soja ou do coco com anéis derivados de açúcares do milho, formando uma molécula surfactante renovável chamada óleo-furano-tensoativo.

O sabão de origem vegetal também forma partículas – chamadas micelas – necessárias para a limpeza mesmo em baixas concentrações, o que reduzirá o impacto ambiental dos produtos de limpeza, garantem os pesquisadores.

A equipe patenteou o processo de fabricação do sabão e já está licenciando a tecnologia para uma empresa privada.

Bibliografia

Tunable Oleo-Furan Surfactants by Acylation of Renewable Furans
Dae Sung Park, Kristeen E. Joseph, Maura Koehle, Christoph Krumm, Limin Ren, Jonathan N. Damen, Meera H. Shete, Han Seung Lee, Xiaobing Zuo, Byeongdu Lee, Wei Fan, Dionisios G. Vlachos, Raul F. Lobo, Michael Tsapatsis, Paul J. Dauenhauer
ACS Central Science
Vol.: Article ASAP
DOI: 10.1021/acscentsci.6b00208

Fonte – Inovação Tecnológica de 28 de outubro de 2016

Bioplástico é produzido a partir de resíduos da produção de queijo

AINIA heads up a project to create bioplastic from surplus cheese whey.

O bioplástico a partir de poli-hidroxibutirato ( PHB ) é obtido do processo de fermentação do soro do leite, um sub produto da indústria do queijo.

O produto bioplástico evita o descarte de cerca de 40% do soro de leite e pode ser usado como embalagem do próprio queijo. Além disso, plástico produzido com PHB é biodegradável.

***

Researchers create bioplastic ‘Wheypack’ from cheese waste

Researchers led by AINIA technology center in Spain, have created a bioplastic ‘Wheypack’ from surplus cheese whey.

The bioplastic, polyhydroxybutyrate (PHB) is created following a fermentation bioprocess of whey, a by­product from the cheese industry.

European Commission’s Circular Economy

The research is part of the European Commission’s Circular Life Wheypack project in response to concerns in the dairy industry about what to do with whey surplus from cheese.

In Europe, 75m tons of whey is produced every year from cheesemaking and around 40% of that is disposed of and managed as waste.

The PHB obtained from the whey surplus of cheese manufacturer, Central Quesera Montesinos, in Spain, could replace traditional plastics in the packaging of its own dairy products.

Miguel Alborch, project coordinator, AINIA, told DairyReporter, most commercial plastics are synthetic polymers derived from petrochemicals, and are difficult to biodegrade. PHB is biodegradable, from renewable sources (bio­based) and represents a significant step towards achieving more sustainable packaging.

He said to develop the bioplastic the team had to identify and characterize the types of whey coming from the production processes of the different varieties of cheeses of Central Quesera Montesinos.

They then selected the ones with the best aptitudes to carry out the fermentative bioprocess.

“The Life Wheypack project shows the dairy industry can make a profit by production of PHB biodegradable packaging tailored to the needs of their products,” he said.

“AINIA’s partners include Central Quesera Montesinos, Aimplas (Spain) and Embalnor (Portugal), who all have experience in food technologies and production, bioprocess technologies, polymer technology and food packaging manufacturing.

“Embalnor is designing and developing the final package with this bioplastic material. The PHB packages will have the same features of traditional petroleum­based plastic packages, but with a smaller carbon footprint.”

Project title: Reduction of CO2 emissions by the PHB use obtained from whey: demonstration in dairy products packaging

Project policy area: Climate change

Programme: Life programme ­ LIFE13 ENV/ES/000608

­ Project coordinator: AINIA (Spain), Miguel Alborch project coordinator

Partners: AINIA, Aimplas, Embalnor and Central Quesera Montesinos

Duration: 01/06/2014­30/11/2016

Budget: €1,188,777

Acies Bio Whey2Value technology

In other news, Acies Bio in Slovenia, has received a €1.7m ($1.9m) grant from the EU Horizon 2020 SME INST program for its Whey2Value (W2V) technology.

Horizon 2020 funds SMEs to develop groundbreaking innovative ideas for products, services or processes that are ready to face global market competition.

The money will go towards setting up a prototype processing plant to launch production of organic vitamin B12. W2V will utilize waste whey as a primary ingredient for microbial fermentation to produce the vitamin for the animal feed additives industry.

“The innovation W2V is a perfect example of how the Circular Economy should work,” a spokesman said.

“The Whey2Value technology requires a low­cost processing facility, which can be installed on site, and minimal maintenance costs.

“It represents a unique opportunity to create a huge and disruptive impact on dairy industry, particularly for the competitiveness of small and medium sized European dairy companies, generating high­value products from waste material, and at the same time creating a sustainable solution with a greatly reduced burden to the environment.

“The objective of this project proposal is to prepare a thorough business plan and feasibility study in the scope of Phase 1, followed by scaling­up and demonstration of operational technology in industrial setting with a local dairy company in the scope of Phase 2.

“The technology is ready for industrial demonstration, which will be followed by EU and global commercialization of Whey2Value. We expect a rapid worldwide market adoption of this disruptive eco­biotechnology.”

Project Acronym: WHEY2VALUE

EU Contribution: 1.781.938

Project duration: 01/11/2015 to 31/10/2017

Call ID: H2020­SMEINST­2­2015

Beneficiary: ACIES BIO

Fonte – Jenny Eagle, DairyReporter

Boletim do Instituto IDEAIS DE 10 de outubro de 2016

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A encruzilhada do lítio: a chave do futuro ou uma nova escravidão para a América do Sul?

O mundo atravessa uma transição energética que está desencadeando uma nova disputa global. A matriz elétrica irá ganhando preeminência e, nesse plano, entre outros elementos, o lítio cobrará uma singular importância. 80% mais rentável e mais fácil de extrair estão no Chile, na Bolívia e na Argentina, um novo desafio que já inquieta a região.

Bruno Fornillo, Doutor em Ciências Sociais, pesquisador do Conicet e autor do livro “Sudamérica Futuro”, explicou o que significarão, nas próximas décadas, as mudanças na matriz energética. Para Fornillo, existe a possibilidade de um novo jogo geopolítico onde os países centrais busquem como aconteceu no passado, um novo tipo de dominação sobre os países subdesenvolvidos (muitas vezes, donos dos recursos em questão), desta vez, baseado no mercado das energias não renováveis. Neste contexto, o especialista se referiu, ademais, ao papel que exerce a China nesta chamada “terceira revolução industrial”. “Junto com Alemanha e com Os Estados Unidos, China está na vanguarda de tudo o que signifique desenvolvimento verde”, admitiu.

Por outro lado, o jornalista David Brooks, correspondente do jornal mexicano La Jornada, em Nova Iorque, explicou as sérias dificuldades que possuem os partidos não tradicionais para concorrerem nas eleições presidenciais estadunidenses. “Os partidos Democrata e Republicano desenharam as regras do jogo, de tal modo que mantêm o controle do poder”, afirmou. Segundo Brooks, nestas eleições – “as mais desprestigiadas pelos cidadãos na história recente”–, a carta principal que jogam tanto Clinton como Trump é a do ódio contra o outro.

Neste programa, também se analisou a decisão da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai de assumirem, por decreto, a presidência rotativa do bloco MERCOSUL, que está exercendo e lhe corresponde, a Venezuela, desde julho passado. Os quatro países advertiram que se a Venezuela não adota as regras de compatibilidade faltantes pode ficar suspensa. Caracas relembrou que os estatutos do MERCOSUL informam que qualquer decisão deve ser tomada por consenso e que “a Tríplice Aliança viola a legalidade do MERCOSUL”. Esta crise é interpretada por muitos especialistas como um ataque dos novos governos de direita contra a Venezuela por suas políticas socialistas.

Em Voces del Mundo se informou sobre outras duas questões de importância. A primeira foi a apresentação do Ministério Público Brasileiro contra o ex-presidente Lula da Silva e sua esposa. Ele é acusado de ser “o principal comandante da corrupção na PETROBRAS” em um momento em que certos setores judiciais estão contra os governos progressistas da região. A segunda foi a decisão do novo presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, de adotar uma política “independente” dos interesses de Washington. Por esta razão, cancelou os exercícios conjuntos com o Pentágono no estratégico Mar da China, solicitou a retirada das tropas norte-americanas da base militar em Mindanao e pôs fim à dependência das Filipinas em relação à indústria de armas dos EUA, anunciando a compra de armas da Rússia e da China, em condições mais favoráveis.

Fonte – Telma Luzzani, Voces de Mundo, tradução de Elissandro dos Santos Santana para FUNVERDE

Maior termelétrica com combustível renovável é inaugurada em São Paulo

A usina Termoverde Caieiras - Divulgação/TermoverdeA usina Termoverde Caieiras – Divulgação/TermoverdeTermoverde Caieiras/Divulgação

A maior termelétrica do Brasil movida a combustível renovável – gás procedente de aterro sanitário – será inaugurada na manhã de hoje (16), na cidade de Caieiras, na Grande São Paulo. A Termoverde Caieiras tem potência instalada de 29,5 megawatts (MW) e gera energia renovável a partir do lixo depositado em aterro, que libera o gás metano, usado como combustível para a termelétrica.

O gás metano, também encontrado como combustível fóssil, é chamado biogás quando obtido a partir da decomposição de alguns tipos de matéria orgânica como resíduos agrícolas, madeira, bagaço de cana-de-açúcar, esterco, cascas de frutas e restos animais e vegetais.

Considerando possíveis perdas, a média para a geração de energia deve chegar a 26 MW por hora, o que é o mesmo consumido por uma cidade de 300 mil habitantes, como o Guarujá, Taubaté ou Limeira.

Os aterros sanitários geram muito metano, que é um dos gases do efeito estufa. Antes da utilização para a geração de energia, esse metano era queimado em flare, que é um sistema de queima controlada capaz de transformá-lo em gás carbônico (CO2), com potencial de aquecimento global cerca de 20 vezes menor que o metano. Agora, com a termelétrica, além de evitar que o metano seja liberado na atmosfera, ele será transformado em energia elétrica.

“O primeiro processo, que é o de evitar a emissão de gás de efeito estufa, já estava sendo garantido. Mas faltava um fim mais nobre nesse processo”, disse Carlos Bezerra, diretor da Termoverde Caieiras, do grupo Solvi. Segundo ele, o projeto só foi possível com o incentivo dos governos federal, por meio do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), e estadual, pela isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“É sustentável, é uma excelente opção. Na medida em que você está captando biogás e queimando, de alguma forma, para não jogar na atmosfera, esse biogás já é absolutamente sustentável. Melhor ainda quando você está usando para um fim energético”, afirmou a professora Suani Teixeira Coelho, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioenergia (Gbio), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP).

Ela acrescentou que a técnica é pouco utilizada por falta de viabilidade econômica. “Os empreendedores, muitas vezes, acham que o custo dessa eletricidade não é baixo que ele consiga depois comercializar”, disse.

Geração descentralizada

“Se olharmos só para esse número – 30 megawatts -, as pessoas podem achar pequeno, porque têm [a usina hidrelétrica de] Itaipu, que gera 11 mil MW, mas é justamente a nova proposta energética, em termos até mundiais, da chamada geração descentralizada, quer dizer, são feitas pequenas gerações em vários produtores, que têm uma logística muito mais fácil”, explicou Suani.

Para transmitir a energia gerada em Itaipu, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, há uma grande linha até a cidade de São Paulo. A professora ressaltou que, se há algum problema nessa enorme linha de transmissão, toda a cidade fica no escuro. “Como já aconteceu no passado, nós tivemos um blecaute em São Paulo, de três horas, na cidade toda, porque caiu o ´linhão´ de Itaipu inteiro”.

Segundo ela, uma geração de energia descentralizada, a partir de aterros ou de usinas deaçúcar que usam o bagaço da cana, evitariam um apagão como aquele. “Além disso, você está perto do ponto de carga [onde haverá consumo]. No Brasil, o maior consumo deenergia está na Região Sudeste, então, quando você está gerando energia elétrica aqui no Sudeste, você não precisa usar linhas de transmissão”, acrescentou.

Outra vantagem citada por Suani é a possibilidade de substituição da energia de origem fóssil pela renovável. A energia antes gerada por uma termelétrica a diesel ou a carvão poderá ser substituída por aquela gerada a biogás.

O diretor da termelétrica lembrou que a Termoverde gera crédito de carbono. “Eu gero crédito de carbono pela queima, pela destruição [do metano] e também por gerar umaenergia renovável e não uma fóssil. Estou colocando na matriz energética uma energiarenovável em vez da fóssil”.

Protótipo

O Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio) do IEE-USP desenvolveu o mesmo projeto, porém em menor escala, entre 2006 e 2009, com financiamento do Ministério de Minas e Energia, com o objetivo de implementar um sistema de geração de energia elétrica e de iluminação a partir de biogás procedente do tratamento de resíduos sólidos urbanos em aterro sanitário.

O aterro sanitário selecionado foi o mesmo que hoje inaugura a termelétrica, com significativa potência instalada. Na época, o estudo concluiu o que atualmente a Termoverde vê na prática: “a geração de energia elétrica, proporcionando ao aterro economia em relação aos gastos com a energia elétrica adquirida da rede, proveniente da concessionária local, além de possibilitar a obtenção e comercialização dos créditos de carbono e receita com a venda da energia excedente”.

Um novo estudo, em que a professora está envolvida, calcula o potencial de geração deenergia elétrica no estado de São Paulo a partir do biogás de aterro. “Se conseguíssemos que todo o lixo de São Paulo fosse para aterros sanitários e todo esse lixo fosse usado para conversão de energia, a gente podia ter até cerca de 500 MW gerados com a população de 2016 no estado de São Paulo”, disse. Isso seria quase 17 vezes mais do que a Termoverde tem capacidade de gerar.

Resíduos sólidos

O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, vê a estratégia de transformação do metano em energia elétrica como medida paliativa para um problema maior, que é a destinação dos resíduos sólidos no país.

“A solução é a implementação dos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Há cinco anos ela deveria ter sido implementada, seria a melhoria da cadeia produtiva, reduzindo no final tudo aquilo que é produzido hoje como lixo e tudo, no fim da cadeia produtiva, passaria a ser passível de reciclagem”, argumentou.

A disposição de resíduos no Brasil e no mundo, de acordo com Bocuhy, tem que passar por uma transformação, impedindo que ocorram processos que gerem gás metano e que depois seja necessária sua queima. “É um problema estrutural. Estão utilizando a termelétrica como forma de amenizar o impacto daquilo que já foi feito”, acrescentou.

Fonte – Camila Boehm, Agência Brasil de 16 de setembro de 2016

Grupo de cientistas britânicos quer usar áreas desérticas para produzir alimentos, água limpa e energia renovável

Deserto produtivo: a idéia é utilizar a água do mar para irrigar e resfriar as estufas. Segundo os responsáveis, a técnica é 100% eficiente

Parece controverso, mas o deserto do Saara pode se tornar um dos celeiros do mundo em pouco tempo. Esta, pelo menos, é a idéia do cientista britânico Charlie Paton, que estuda há anos formas alternativas para a produção de alimentos em zonas extremamente secas. Depois de muitos experimentos, Paton e sua equipe finalmente apresentaram o Sahara Forest Project, uma técnica que permite utilizar a água do mar para irrigar e resfriar as estufas no meio do deserto. Segundo eles, a técnica é simples de ser adotada e 100% eficiente.

O projeto consiste na construção de grandes estufas equipadas com evaporadores, que convertem a água do mar em vapor. Este vapor resfria a estufa em até 15 graus, favorecendo o crescimento das plantas. Do outro lado da estufa, o vapor é condensado, transformando- se em água limpa, que pode ser usado tanto para a irrigação quanto para mover as turbinas acopladas aos painéis que captam a energia solar, gerando também uma quantidade razoável de energia elétrica.

“A falta de água potável deve ser um dos maiores problemas para o homem no século XXI. Sem água, a agricultura também será prejudicada, tornando o problema ainda maior”, afirma Paton. “Felizmente, o mundo ainda tem muita água. Ela só está longe e é muito salgada. A possibilidade de transformar a água do mar em água potável pode tornar regiões áridas em potências da agricultura”, continua o cientista.

Para provar sua teoria, Paton e sua equipe já mantêm “estufas inteligentes” em testes em Omã e nos Emirados Árabes. “A idéia é que os alimentos e energia produzidos abasteçam os moradores locais, mas o excedente pode ser enviado para a Europa”, diz ele, lembrando que a água gerada no processo também pode ser utilizada para a plantação do pinhão manso, que serve de base para a produção do biodiesel e se adapta bem às regiões áridas.

Atualmente existem mais de 200 mil hectares de estufas convencionais na região do Mediterrâneo. A maioria delas, no entanto, usa água proveniente de poços artesianos, o que encarece a operação. Com a utilização da nova técnica, este custo seria eliminado, reduzindo drasticamente o preço final dos alimentos.

Fonte – Nicholas Vital, Dinheiro Rural de 01 de setembro de 2016