Projeto promove o cultivo de hortaliças em lajes de Paraisópolis

Projeto Horta na Laje em ParaisópolisHortas: os moradores poderão fazer cursos de cultivo de hortaliças (Marina Demartini/EXAME.com)

O “Horta na Laje” tem como objetivo incentivar a alimentação saudável, a sustentabilidade e a economia dentro da comunidade paulistana

O cinza do concreto e o marrom dos tijolos estão prestes a ganhar o verde das plantas em Paraisópolis, comunidade na zona sul paulistana. As lajes dos cerca de 120 mil habitantes que lá vivem devem ganhar hortaliças em breve, graças ao projeto “Horta na Laje”.

A iniciativa teve início nesta semana com a implantação de uma horta comunitária na laje da União dos Moradores de Paraisópolis. Criado a partir de uma parceria entre o Instituto Stop Hunger e a Associação das Mulheres de Paraisópolis, o “Horta na Laje” terá a participação direta de 500 pessoas no cultivo das hortaliças na União dos Moradores.

O objetivo final é oferecer cursos de técnicas de plantio em vasos para que moradores da comunidade cultivem alimentos em suas casas. “Não temos espaço na horizontal, mas temos muito espaço de sobra na vertical, são milhares de quilômetros de lajes na comunidade”, falou a EXAME.com o presidente do Instituto Escola do Povo Gilson Rodrigues. Que tal montar uma mini-horta em casa? A Casa Verde te ensina o passo a passo. Confira! Patrocinado

A ideia, segundo Fernando Cosenza, presidente do Instituto Stop Hunger, ligado a Sodexo, é formar e capacitar os moradores para que tenham uma alimentação mais saudável. “Muitas pessoas não se alimentam bem na comunidade não só porque falta dinheiro para comprar hortaliças, que geralmente são caras, mas também pela falta de acesso a esses produtos”, explica Cosenza em entrevista a EXAME.com.

Projeto "Horta na Laje" em Paraisópolis

A inspiração para a criação do “Horta na Laje” veio de outro projeto do Instituto, o “Programa Hortaliças”. Nessa iniciativa, estudantes de agronomia da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp) ganham bolsas de estudo para trabalharem em hortas comunitárias. Todos os alimentos produzidos são doados para outras organizações sociais.

A Unesp, aliás, irá auxiliar o projeto na comunidade com o oferecimento de cursos de técnicas de plantio aos moradores. As aulas serão realizadas bimestralmente e serão ministradas por Arthur Bernardes, professor de agronomia da universidade. A EXAME.com, Bernardes conta que os cursos irão englobar assuntos relacionados ao cultivo de hortaliças, como adubação, irrigação e todo o cronograma de plantio.

Para o professor, o “Horta na Laje” traz os princípios da segurança alimentar e da integração familiar. “Ao plantar em suas lajes, as famílias irão se alimentar do que plantam, o que facilita o acesso e diminui gastos”, explica. “Além disso, tem a ideia do trabalho coletivo, em que cada um tem que fazer um pouco para as hortaliças crescerem saudáveis.”

Economia sustentável

Outro foco do projeto é transformar Paraisópolis em uma comunidade sustentável. “Queremos reaproveitar o que já foi usado, como água e terra”, diz Rodrigues, do Instituto Escola do Povo. No futuro, o projeto deve trabalhar com a compostagem.

Rodrigues adiciona que a promoção da sustentabilidade também está relacionada com a aproximação da comunidade com a natureza. “Paraisópolis é uma comunidade de origem nordestina, um povo acostumado a mexer com a terra. Queremos que essas pessoas voltem a ter um contato mais próximo com a natureza a partir do plantio.”

Já Fernando Cosenza espera que, em breve, os moradores criem uma economia própria dentro da comunidade com a troca dos alimentos que serão cultivados nas lajes. “Enquanto um planta apenas alface, outro irá cultivar apenas agrião, permitindo a rotação desses alimentos entre as pessoas e promovendo o trabalho coletivo.”

Projeto Horta na Laje em Paraisópolis

Empoderamento feminino

Para Elizandra Cerqueira, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, o projeto vai além da sustentabilidade ou da alimentação saudável. “O ‘Horta na Laje’ é uma oportunidade para as mulheres da comunidade gerarem renda a partir da troca ou venda alimentos”, diz em entrevista a EXAME.com.

Segundo Cerqueira, a associação promove um projeto de gastronomia, em que as mulheres são ensinadas a cozinhar para buffets e incentivadas a empreender no ramo. “Com as hortas, elas poderão utilizar os alimentos colhidos para a criação de pratos. Assim, as moradoras poderão oferecer um serviço sem precisar gastar com a matéria-prima”, explica. Por dentro do assunto: É mais difícil empreender sendo mulher?

Atualmente, 53% da população de Paraisópolis é composta por mulheres, sendo que 20% delas são chefes de família, de acordo com a associação. “Por isso, o projeto deve beneficiar as mulheres que precisam sustentar seus filhos, ao mesmo tempo que providencia uma alimentação saudável”, diz a presidente. “Além disso, uma mulher que tem educação, trabalho e se sente empoderada, dificilmente irá aceitar viver em uma situação de violência.”

Fonte – Marina Demartini, Exame de 02 de junho de 2017

Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celular

Foto: divulgação Friends of the Earth

Há poucas coisas que os britânicos gostem tanto do que cuidar de seus jardins. Nesta época do ano, quando o sol finalmente dá a graça nesta ilha do Hemisfério Norte, lojas de plantas ficam lotadas e moradores passam mais tempo no quintal, regando e admirando as cores e aromas da primavera.

Junto com o desabrochar das flores, chegam os animais selvagens. Ou o que ainda restou deles, já que muitos foram levados quase à extinção nos últimos séculos, devido à urbanização desenfreada, até então, sinônimo de desenvolvimento e progresso econômico.

Hoje em dia os ingleses tentam recuperar o que foi perdido. Trazer de volta a vida selvagem para o quintal de suas casas. Por isso mesmo, abelhas, borboletas, ouriços e esquilos (somente os nativos) são muito bem-vindos e há campanhas, estimulando e ensinando a população a atraí-los.

E fazer a contagem anual destas espécies é uma das muitas iniciativas promovidas pelas organizações que trabalham pela proteção e conservação da fauna e flora no Reino Unido.

Agora, por exemplo, acontece um censo nacional para a contagem de abelhas, o The Great British Bee Count, realizado pela ONG Friends of the Earth. No ano passado, milhares de pessoas participaram e quase 400 mil abelhas foram contabilizadas.

O censo começou no último dia 19 de maio e vai até 30 de junho. Este é o pico da primavera, quando as flores atraem mais abelhas nesta parte do mundo.

Censo de abelhas mobiliza britânicos em aplicativo no celularFoto: divulgação Friends of the Earth

Para participar, como eu estou, já que moro perto de Londres atualmente,
basta fazer o download gratuito de um aplicativo no celular. Aí, toda vez que você avistar uma abelha, tira uma foto, identifica qual sua espécie (há uma opção entre duas delas, com ilustrações bem explicativas), informa a quantidade e onde foi observada. Simples assim! Divertido, rápido e muito bacana.

O objetivo da campanha britânica é auxiliar especialistas a entender o comportamento e situação atual das diferentes espécies, como elas estão se adaptando às mudanças climáticas e à perda de habitat.

No mundo todo, há um declínio da população de abelhas. Cientistas apontam o uso de pesticidas na lavoura como sendo um dos principais responsáveis pelo desaparecimento destes insetos, essenciais para a polinização e consequente, produção de alimentos no planeta. Só no Reino Unido, 20 espécies de abelhas já estão extintas e outras 35 ameaçadas de desaparecer.

Estudos mostram que jardins urbanos e parques são tão importantes para insetos polinizadores quanto o campo, porque na cidade, eles encontram uma maior variedade de plantas e flores. O aplicativo do censo das abelhas também dá dicas do que cultivar no jardim para atrair mais insetos. Flores de cor roxa são as que as abelhas mais enxergam.

Então, quando chegar a primavera no Brasil, que tal deixar seu quintal ou sacada mais convidativos também para estes insetos?

Um dos registros do censo de 2016, quando quase 400 mil abelhas foram registradas. Foto: divulgação Friends of the Earth

Abaixo, algumas das fotos enviadas pelos participantes do The Great British Bee Count

Suzana Camargo – Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Fonte – Conexão Planeta de 24 de maio de 2017

A PhD catadora de lixo que revolucionou coleta e inspirou reciclagem no Líbano

Zeinab Mokalled

Uma mulher de 81 anos que organizou uma equipe feminina de coletoras de lixo em sua cidade no Líbano agora vive ouvindo perguntas sobre como fez isso.

O acúmulo de lixo e a falta de aterros sanitários são um sério problema no país. Durante nove meses em 2015 e 2016, pilhas de lixo foram espalhadas pelas ruas da capital, Beirute, e até hoje a solução tem sido jogar parte do lixo no mar.

Zeinab Mokalled provou que, quando o governo falha, iniciativas locais no estilo “faça você mesmo” podem funcionar.

“Havia sujeira por todo canto e as crianças estavam imundas”, diz.

Ela está relembrando os anos 1980 e 1990, quando Israel ocupou parte do sul do país, por 15 anos, e o recolhimento de resíduos foi interrompido em sua cidade, Arabsalim.

Com o passar dos anos, o lixo foi se acumulando e Mokalled foi pedir ajuda ao governador da região.

“Por que você se importa? Não somos Paris”, respondeu ele.

“Eu soube naquele dia que eu tinha que fazer algo eu mesma.”

Mokalled chamou as mulheres de seu vilarejo para ajudar – em parte porque queria empoderá-las e também porque acreditava que elas fariam um trabalho melhor.

Khadija FarhatKhadija Farhat comprou um caminhão para coletar itens recicláveis

Além disso, organizar a reciclagem doméstica e colocar o lixo para fora eram tarefas que já vinham sendo realizadas por mulheres.

Mokalled precisava, então, de voluntárias para bater de porta em porta e falar sobre a iniciativa – e colocar homens para fazer isso em uma comunidade libanesa muçulmana em meados dos anos 1990 não seria apropriado.

Elas não tinham equipamentos nem infraestrutura. Então por onde começar?

Uma amiga de Mokalled, Khadija Farhat, comprou um pequeno caminhão com dinheiro de seu próprio bolso. Mokalled ofereceu seu próprio jardim como depósito de lixo reciclável.

Não parecia provável que os 10 mil moradores da cidade pagariam para ter seu lixo coletado, então as voluntárias resolveram arcar com esse custo. E 19 anos depois, elas continuam fazendo o mesmo – cada uma dos 46 membros da equipe paga cerca de US$ 40 (R$ 130) por ano.

“A reciclagem caseira era a melhor solução”, diz Mokalled, que chamou a organização de “Chamado da Terra”.

Elas começaram reciclando vidro, papel e plástico. Recentemente, começaram a coletar lixo eletrônico e contrataram um pesquisador para descobrir a melhor forma de fazer compostagem nas condições secas e quentes do sul do Líbano.

A única ajuda que as catadoras de lixo receberam das autoridades locais, após três anos de trabalho, foram 300 cestas de plástico e um terreno de presente, o que permitiu que Mokalled recuperasse seu jardim.

Ao mesmo tempo, elas começaram a alugar um pequeno caminhão além do de Farhat, e contrataram um motorista homem – apesar de sempre acompanhá-lo para garantir que ele não se aproxime de mulheres sozinho.

Depois de 10 anos, elas ganharam uma doação da embaixada italiana para construir um depósito, que é onde Mokalled agora recebe visitantes – crianças, estudantes e ativistas – que vêm estudar como o Chamado da Terra funciona.

Os problemas relacionados a lixo aumentaram no país desde o fechamento do principal aterro de Beirute em 2015, o que levou à concentração de resíduos na cidade e na área no entorno do Monte Líbano.

Um Um “rio de lixo” em Beirute antes de sua remoção para um aterro em março de 2016

As tentativas de encontrar um novo local para despejar o lixo da cidade foram infrutíferas. Nenhum dos grupos étnicos que tradicionalmente disputam o poder no país – cristãos, sunitas ou xiitas – quis receber o aterro. O governo, então, anunciou que exportaria o lixo – mas reverteu a decisão meses depois.

O lixo, no entanto, tinha que ir para algum lugar, e acabou sendo despejado perto do aeroporto. Só que isso atraiu bandos de gaivotas, que viraram um perigo para os aviões. Iniciativas de matar as gaivotas a tiros provocaram ondas de protesto, então foram usadas máquinas para tocar música alta e assustá-las. Uma decisão da Justiça exigiu o fechamento do local, mesmo assim, as gaivotas continuam circulando sobre a área.

Para piorar, um antigo aterro sanitário foi reaberto. Além de trazer novos resíduos, caminhões estão levando lixo velho – em parte, contaminado por químicos – e jogando o entulho no mar Mediterrâneo.

Caminhões transportam lixo antigo até o mar MediterrâneoCaminhões transportam lixo antigo até o mar Mediterrâneo

A longo prazo, o governo diz que quer queimar o lixo e gerar eletricidade a partir dele. Mas críticos temem que eles não lidem com a questão direito e que os plásticos e outros materiais capazes de criar fumaça tóxica sejam queimados junto a resíduos orgânicos limpos.

Por isso, talvez não seja tão surpreendente que o simples esquema de reciclagem pela comunidade, bolado por Zeinab Mokalled, atraia tanta atenção.

As mulheres do vilarejo vizinho de Kaffaremen recentemente começaram sua própria iniciativa, que é parecida com a de Mokalled, a única diferença é que é mantida pelo dinheiro dos moradores, não das voluntárias. Outra cidade próxima, Jaarjoua, também decidiu seguir o mesmo modelo.

“Quando olho para elas, é como olhar para nós mesmas há 20 anos”, diz Mokalled.

Quando criança, ela dava aulas de literatura árabe para algumas das voluntárias de Kaffaremen. Agora, ela é sua mentora em questões ambientais.

“Vocês vão enfrentar muitos desafios, mas é tudo uma questão de paciência e determinação”, diz a elas.

Wafaa, uma das ex-alunas de Mokalled, aperta com firmeza sua mão e diz: “Ela é um exemplo para mim. Ela nunca desistiu”.

Além de garantir que Arabsalim esteja limpa, Mokalled ainda arranjou tempo para fazer um doutorado em Estudos Árabes, conquistado quando tinha 70 anos.

Um aterro temporário chamado Costa Brava, bem ao lado do mar no aeroporto de BeiruteUm aterro temporário chamado Costa Brava, bem ao lado do mar no aeroporto de Beirute

Do que ela mais se orgulha?

“Plantar a ideia na cabeça das pessoas de que cuidar do planeta é nossa responsabilidade nesta parte do mundo. Se o fizermos ou não, os políticos não vão se importar. Depende de nós. Se todos fizessem o que fizemos em Arabsalim, o Líbano não teria problemas com lixo.”

Fonte – Nidale Abou Mrad, BBC Brasil de 08 de junho de 2017

Esse lixo é um luxo

Separar lixo na Alemanha requer conhecimento e habilidade. Quando chegamos aqui, levei uma bronca – atitude normal alemã –  da dona do hotel em que moramos nos primeiros quarenta dias, por ter jogado uma tetrapack no lixo de papel. Depois disso, a agente de recolocação nos forneceu um roteiro com a separação correta do lixo e me senti fazendo um curso de especialização em reciclagem.
Já instalados em nossa casa, compramos uma lixeira com 3 separações para facilitar a seleção do lixo: uma divisão para metais e plásticos, outra para papel e outra para restos domésticos em geral . Em nosso prédio, até dois meses atrás, não tínhamos o contêiner para lixo biológico  não processado- restos de verduras, legumes, frutas, cascas de ovos e plantas, então, não fazíamos essa separação e agora precisamos de mais um recipiente para esse tipo de lixo; as garrafas pet são retornáveis e as de vidro devem ser jogadas em contêineres espalhados pela cidade, prestando atenção na cor das garrafas para fazer a separação correta;  e a coleta de isopor e baterias é feita nos supermercados e lojas que vendem estes tipos de produtos. Com a coleta seletiva, passamos a perceber a quantidade de lixo que produzimos por dia. É um absurdo! Então, tentamos, sempre que possível, escolher produtos pela embalagem, de forma que não produzamos tanto lixo.
Não justificaria tanto trabalho em micro escala se não houvesse uma logística para recolhimento e tratamento pós-coleta deste lixo. E aqui, seja rico ou seja pobre ou seja governo, tem-se que respeitar o processo do principio ao fim (igualzinho no Brasil, buáá ). No começo do ano, recebemos pelo correio um plano de coleta de lixo, que é super importante para residências, pois o morador tem que colocar o respectivo contêiner na rua, no dia da coleta. Já, a maioria dos prédios possuem contêineres enoooormes onde aos poucos depositamos a nossa caca diária. Eles são colocados em áreas de fácil acesso aos caminhões de lixo e são feitos de forma a se encaixarem no caminhão, evitando que os coletores  manuseiem o lixo diretamente.
E o que fazer com as quinquilharias, como roupas, aparelhos eletrônicos e móveis?
Quatro vezes por ano, acontece a coleta do lixo que não é lixo, ou melhor, do que é lixo pra mim mas pode não ser para outrem (want not waste not). É o chamado Sperrmüll (nosso “bota-fora”), que é o lixo que pelo seu tamanho ou tipo não pode ser jogado no lixo comum. Neste dia, pode-se colocar gentilmente na rua, sem atrapalhar o trajeto dos transeuntes nas calçadas, tudo que você não quer mais e não cabe nos lixos citados acima. Pela regra, não poderiam ser jogados roupas ou aparelhos eletrônicos. Mas não é só brasileiro que não segue regra, não. Pela regra também, o lixo só poderia ser colocado na rua a partir das 7 horas da manhã do dia da coleta. Mas todo mundo coloca na noite anterior.
Essa “estratégia” é para que se jogue tudo, inclusive o que não pode, pois dá tempo das pessoas passarem pela rua e escarafunchar o lixo que não é lixo pra ver se encontram algo que interesse. Uma pessoa aqui perto jogou uma coleção de Matchbox com centenas de carrinhos. Crianças e adultos se acotovelaram pra pegar o quanto podiam. A minha amiga brasileira adora olhar o que está em oferta nas calçadas e já chegou a encontrar mais de 3 metros de lã pura. Fez um casacão lindo. Eu mesminha tenho um quadro que ela pegou no lixo e me deu. Tinha uma foto de uma paisagem escocesa e ela pegou só por causa da moldura. Quando abri para limpar, encontrei uma gravura por trás da foto e agora ela está na minha parede. Existem vários casos de gente que encontrou coisas valiosíssimas em Sperrmüll por aqui.  Por conta disso, tem pessoas que tem por hobby caçar  coisas nestes dias. Eu pus uma cadeira de carro da Lara no lixo e tão logo a coloquei, parou uma Mercedes prata linda, desceu uma mulher e carregou a cadeira embora. Será que era pra ela usar? Pode até ser.  Mas ela pode ser uma daquelas pessoas que adoram participar de Flohmarkt , feiras espalhadas pela cidade que são uma febre por aqui e que conhecemos como bazares de segunda mão ou, literalmente, Mercado de Pulgas (este é um assunto para outro post).Outros fregueses deste tipo de lixo são os que moram ou tem parentes na Europa Oriental. Eles normalmente vem de van e carregam tudo que possa servir pra vender na terra deles. E por que será que tem tanta gente que joga tanta coisa que tem conserto fora?
Uma das dicas que o folheto do Sperrmüll dá é  “ao comprar móveis e aparelhos domésticos, preste atenção nas possibilidades de conserto e longevidade dos mesmos. Assim, eles não irão tão rápido para o lixo(“achten Sie beim Kauf von Möbeln und Haushaltsgeräten auf Reparaturfreundlichkeit und Langlebigkeit. Dann werden sie nicht so schnell zu Müll”). Ou seja, devemos evitar comprar produtos de baixa qualidade ou que não precisamos mas compramos porque  tá barato, porque certamente eles irão parar no lixo em pouco tempo. Esse tipo de conselho procede porque o barato sai realmente caro. Serviços e consertos custam os olhos da cara e, na maioria das vezes, o custo é mais alto do que comprar um novo produto. Eu mesminha já tive este tipo de problema com micro-ondas, torradeira, aspirador portátil, secador de cabelos e um notebook (da HP, que não era de baixa qualidade): o preço do conserto era mais alto do que comprar outro. Com exceção do notebook, foi tudo pro Sperrmüll.
Roupas e sapatos não devem ser jogados no “bota-fora”. Eles podem ser depositados em contêineres de instuições beneficentes espalhados pela cidade, ser entregues nas sedes dessas instituições ou ainda vendidos nas garage sales ou Flohmärkte.
A minha mãe, dona Dercy do Baeta, iria se deliciar com o esquema de reciclagem daqui, pois o passatempo preferido dela é mexer no lixo dos outros e catar o que as pessoas não querem mais. E aí ela enche a casa dela de cacareco e móvel velho e as coisas ficam lá até aparecer alguém que queira ou, então, ela faz um bazar para arrecadar dinheiro e comprar comida para os pedintes – é o que eu chamo de “Dercyclagem”, versão baetense do Sperrmüll e do Flohmarkt.
Fonte – blog Tudo de Bonn de 21 de fevereiro de 2010
Está na hora de inspirar nossos gestores ambientais.

Desmatamento no Cerrado faz desaparecer plantas usadas há séculos pela medicina popular

Desmatamento no Cerrado faz desaparecer plantas usadas há séculos pela medicina popularO barbatimão é um poderoso cicatrizante que anda escasso. Seu princípio atua em processos inflamatórios. | Foto: Eurico Zimbres/CC BY-SA 3.0

Apenas 8% do território do bioma estão sob regime de conservação

O desmatamento que, nas últimas décadas, consumiu mais da metade da cobertura vegetal do Cerrado está levando à extinção plantas que poderiam ajudar a curar uma infinidade de doenças. As plantas medicinais são vítimas do avanço desenfreado de monoculturas de soja, sorgo e milho que dominam a paisagem do Brasil central.

Se continuar o ritmo atual de desmatamento do Cerrado, o bioma poderá ter até 2050 a maior extinção de plantas no mundo desde 1500. Seriam pelo menos 450 espécies que em um primeiro momento poderiam sumir do mapa. O alerta veio a partir do trabalho de um grupo de pesquisadores brasileiros publicado em março deste ano na revista Nature Ecology and Evolution.

Com isso, o país está em vias de perder ativos da biodiversidade que deveriam, por lei, serem protegidos, mas que sucumbem à força do agronegócio e de práticas de uso do solo incompatíveis com a ideia de conservação do bioma.

Junto com as plantas, vai embora também uma cultura milenar de uso dessas plantas medicinais pelos povos e comunidades tradicionais que habitam a região há milhares de anos.

O conhecimento sobre o uso das plantas de cura do Cerrado é um acervo cultural acumulado pelos povos originários do Cerrado, depois compartilhado com as populações negras e os europeus que vieram junto com a colonização, uma transferência de cultura que soma, segundo alguns estudiosos, mais de 10 mil anos.

Raizeiros, benzedeiras, pajés e parteiras que detém esse saber tradicional já interpretaram os sinais que os cientistas estão confirmando e estão temerosos quanto à sobrevivência de suas práticas, ameaçadas também pelo preconceito alimentado pelos grandes laboratórios farmacêuticos.

Tudo fruto da ausência crônica de políticas públicas que poderiam integrar o uso das plantas medicinais e os conhecimentos tradicionais ao sistema nacional de saúde pública.

Reunidos no último final de semana no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, as comunidades e povos tradicionais que usam regularmente as plantas nativas para sua medicina confirmam na prática o desaparecimento dessas espécies. E clamam pela proteção do Cerrado.

Morador do município de Alto Paraíso de Goiás, Tom das Ervas, como é conhecido na região, cita o caso do velame branco, uma espécie nativa do Cerrado utilizada tradicionalmente como depurativo do sangue.

“É preciso ir cada vez mais longe para encontrar os remédios. Estamos cercados por lavouras de soja, que além avançarem sobre a vegetação nativa também trazem os agrotóxicos que contaminam as plantas das regiões vizinhas pelo uso de pulverizadores com veneno”, explica.

Na opinião de Marineide Pereira Moreira da Silva, erveira do município de Pirenópolis, o barbatimão, poderoso cicatrizante, também anda escasso. Pelo mesmo caminho, conta, segue a planta denominada agoniada, cujo princípio atua em processos inflamatórios dos órgãos de reprodução femininos.

Ilton Pereira da Silva, que há 46 anos prepara medicamentos e trata com base nas plantas do Cerrado lista ainda que a dispersão do capim braquiária pela pecuária convencional está tirando espaço da vegetação nativa. “Onde tem esse capim invasor, não cresce mais nada”. O fogo descontrolado, segundo ele, também é um inimigo das plantas medicinais.

Ampliar para proteger

Para os povos e comunidades tradicionais do Cerrado, uma das maneiras de conter o avanço da degradação é aumentar as áreas de proteção ambiental, dando chance para que as plantas de aplicação medicinal fiquem resguardadas para as futuras gerações.

O Cerrado, segundo maior bioma da América do Sul abrange 12 estados do país, mas apenas 8% do seu território estão sob regime de conservação. Uma das área protegidas mais emblemáticas nesta imensa região é o Parque Nacional dos Veadeiros, onde acontece o encontro dos raizeiros.

Com cerca de 65 mil hectares, o parque está em vias de ser ampliado. A proposta de ampliação, já acertada entre o governo de Goiás e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, triplicaria a área do parque.

Trata-se de uma área de proteção integral onde não se permite a coleta de espécies, a não ser com autorização para pesquisas científicas. Mesmo assim, os participantes do encontro abraçaram a causa da ampliação.

Eles entendem que quanto mais áreas nativas houver, mais chance haverá para as plantas nativas.“Se o parque aumentar, podem vir mais recursos para a região”, espera Josué Faustino de Souza, de Terezina de Goiás.

A flora existente no parque nacional é o que mais atrai os cientistas. Das mais de 400 pesquisas desenvolvida na unidade, 83% referem-se à botânica”, explica o chefe da unidade, Fernando Tatagiba. Segundo ele, ampliar o parque significa uma chance para que, pelo menos esta área, possa servir de banco genético para o futuro.

wwf-raizes-ciclovivoDona Fiota: Quilombolas cuidam do Cerrado e têm nele fonte de recursos. © Foto: Jaime Gesisky

Tom das Ervas, de Alto Paraíso: cada dia mais difícil encontrar as plantas para os remédios. © Foto: Jaime GesiskyTom das Ervas, de Alto Paraíso: cada dia mais difícil encontrar as plantas para os remédios. © Foto: Jaime Gesisky

Pir'ka, pajé da etnia Krahô: conhecimentos milenares associados à biodiversidade. © Foto: Jaime GesiskyPir’ka, pajé da etnia Krahô: conhecimentos milenares associados à biodiversidade. © Foto: Jaime Gesisky 

Fontes – WWF/CicloVivo de 30 de maio de 2017

O que você precisa saber sobre o sistema de reciclagem na Alemanha

O que você precisa saber sobre o sistema de reciclagem na Alemanha

Não tem como se mudar para a Alemanha e não perceber como esse negócio de reciclagem é sério por aqui. Para se ter uma ideia, a Alemanha é o número 1 no mundo quando o assunto é reciclagem, de acordo com informação fornecida pela OECD. É um assunto muito importante no país e como turista e principalmente como expatriados, você precisa saber como o sistema de reciclagem funciona.

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Na verdade, saber como esse sistema funciona é essencial para o seu dia a dia morando no país. Certamente irá te ajudar a economizar tempo e dinheiro e a manter a paz com seus vizinhos. Sim, seus vizinhos, porque as pessoas aqui não só fazem a parte delas, elas também se importam se você está fazendo a sua.

Através da minha experiência morando na Alemanha há 4 anos e com uma pesquisa por sites oficiais, fiz um pequeno guia sobre o que você precisa saber sobre o sistema de reciclagem na Alemanha. O assunto é vasto, dá para escrever um livro inteiro sobre isso, então me perdoem se eu não mencionar cada detalhe nesse post. De qualquer forma, espero que seja útil para muita gente que mora ou está vindo morar por aqui, ou que estão apenas de passagem.

As garrafas retornáveis (Pfand)

Uma das primeiras coisas que você notará na Alemanha é que dá para receber dinheiro de volta pelas garrafas retornáveis. Dependendo da garrafa (as que são recicladas somente uma vez,Einweg ou as que podem ser recicladas mais vezes, as Mehrweg) você pode receber entre 0,08 e 0,25 centavos de volta.

Essas garrafas que podem ser de plástico, metal ou de vidro, são devolvidas nos supermercados e em qualquer Geträkemarkt (depósito de bebidas). Há umas máquinas nesses locais, onde dá para depositar as garrafas e receber um recibo com o valor que você tem direito a receber. Esse recibo pode ser trocado por dinheiro ou usado como desconto na sua compra no local.

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Nem todas as garrafas são retornáveis: garrafas de vinho, geleia, as que indicam Pfandfrei, entre outras.

As retornáveis: garrafas de cerveja, refrigerantes, água, suco, e até mesmo as latinhas de refrigerantes e energéticos.

Em cidades grandes como Munique, é de costume deixar garrafas retornáveis encostadas em lugares pelas ruas para que mendigos possam pegá-las e devolvê-las.

Os containers

3Vai logo se acostumando com eles. Dependendo da cidade em que você mora, terá esses em sua casa/prédio:

Preto

Para o lixo geral, o que significa tudo que não é reciclável.

Exemplos: resto de comida, poeira, pontas de cigarro, fraldas de bebê, cocô de cachorro, etc.

Não inclui: lixo orgânico, tudo que é reciclável, lixo especial como pilhas, etc.

Coleta: normalmente a cada 2 semanas.

Azul

Para papel.

Exemplos: jornais, caixas de papelão (sapatos, pizza, etc), sacolas de papel, panfletos, lenços de papel limpos, etc.

Não inclui: papel sujo, sacolas de plástico, adesivos, papel carbono, papel de fotografia, etc.

Coleta: mensalmente

Amarelo

Para embalagens de plástico e metal leves. Dependendo da cidade, pode ser que sacolas amarelas sejam usadas ao invés do container. Em outros casos, é necessário levar esse lixo até os grandes containers encontrados nas ruas.

Exemplos: latinhas, materiais plásticos, embalagens de alumínio, caixas de leite, etc.

Não inclui: embalagens ainda com conteúdo, fraldas de bebê, vidros, embalagens de papel, etc.

Coleta: mensalmente para as sacolas e pequenos containers, e duas vezes no mês para os containers grandes.

Marrom e verde

São para lixo orgânico.

Exemplos: frutas e verduras, cascas de ovo, plantas, folhas, etc.

Não inclui: restos de comida, carne, cinzas, poeira, etc.

Coleta: a cada 2 semanas.

Os Vidros

As garrafas de vidro que não são retornáveis são divididas entre transparentes, verdes e marrons. Elas podem ser depositadas nos grandes containers das ruas.

Os volumosos

São os móveis de casa, como sofás, mesas, prateleiras, etc. O lugar para se desfazer dos mesmos se chama wertstoffhof, que é basicamente uma estação de lixo.

Não inclui: partes de carro, roupas velhas, aparelhos eletrônicos, etc.

Lixo especial

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Aparelhos eletrônicos pequenos e grandes, como geladeiras, torradeiras, fornos microondas, etc. Pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, tinta, etc. Devem ser levados ao wertstoffhof. Em alguns supermercados é possível se desfazer de pilhas, por exemplo.

O Wertstoffhof

É basicamente uma central, encontrada em praticamente todo bairro da cidade. Ir lá vale a pena quando se tem grande quantidade de lixo ou aqueles que estão na categoria especiais. Árvores de Natal, móveis, muito plástico e papelão, aparelhos eletrônicos, etc.

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Os containers das ruas

São encontrados nas ruas das cidades (nem todas). Entre esses containers, há alguns para plástico e alumínio, outros para os vidros (marrom, verde e transparente). Se em seu prédio/casa não há esses containers, é lá para onde você deverá levar esse lixo.

Entre eles também há um onde é possível doar roupas.

Note que existe um certo horário que é permitido jogar lixo nesses containers: das 07:00 até às 19:00 em dias da semana. Mas para ser sincera vejo gente jogando todo dia e à qualquer hora. Essa regra existe para não fazer barulho para a vizinhança.

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Vocabulário útil

Restmüll: lixo geral
Papier: papel
Kompost: composto orgânico
Plastik: lixo de plástico
Kunststoffe: plástico
Flaschen: garrafas
Glas: vidro
Dosen: latas

Fonte – Allane Milliane, Alemanha para brasileiros de 11 de maio de 2017

Um pouquinho de inspiração para nossos gestores.

76 árvores brasileiras que atraem aves

Figura 1 - Post ÁrvoresSaíra-sete-cores (Tangara seledon) uma das mais belas aves da Mata Atlântica, se alimenta principalmente de frutos. Foto: Sandro Von Matter

Nas palestras que realizo, como também nos passeios pelas praças com grupos iniciantes em observação de aves, quase sempre falo sobre o conceito de floresta. Talvez você não saiba, mas florestas são compostas por interações que vão muito além do que nossos olhos podem ver, muito além de árvores e animais simplesmente ocupando um mesmo lugar.

Para exemplificar, costumo comparar uma floresta a uma TV, que é feita de centenas de peças, cada qual especificamente criada para uma função. Mas o que acontece quando jogamos esta TV no chão? Se todas as peças continuam ali, por que a TV para de funcionar? Bem, como sabemos, para que um aparelho funcione, cada peça deve estar precisamente conectada em um local específico.

Exatamente como a TV, florestas, ou qualquer outro bioma, são compostos por centenas de espécies que não apenas ocupam um mesmo lugar, mas estão conectadas, interagindo entre si. É o que nós, cientistas, chamamos de interações ecológicas.

Estas interações são resultado de milhares de anos de seleção natural. Elas são os fios invisíveis que conectam todas as partes do ecossistema e tornam possível o funcionamento de uma floresta. A força destas interações é tão poderosa que, em muitos casos, impulsiona a evolução e leva ao surgimento de novas espécies.

Entre as incontáveis interações presentes na natureza, uma sempre foi alvo da admiração de naturalistas e cientistas. Na verdade, ela é tão importante para o entendimento do funcionamento de ecossistemas tropicais, que inspirou alguns estudos científicos clássicos em ecologia.

Em 1971, David Snow, renomado pesquisador do Museu Britânico de História Natural, publicou na revista Ibis os resultados de uma pesquisa tão genial que, até hoje, é leitura obrigatória para ecólogos de todo o mundo. O estudo Evolutionary aspects of fruit-eating by birds (Aspectos Evolutivos da Alimentação das Aves por Frutos, em tradução livre) foi um dos primeiros a investigar as consequências evolutivas das interações entre aves e plantas abrindo caminho para gerações de cientistas interessados no tema.

Desde então o conhecimento científico sobre o tema quadruplicou e, hoje sabemos que, não é mera coincidência que algumas árvores que produzem os frutos mais apreciados por algumas aves, são também aquelas que nascem naturalmente em praças e canteiros, como é o caso das pitangueiras. Isto ocorre por que muitas espécies de árvores e de aves evoluíram lado a lado, se tornando especializados uns nos outros.

Enquanto as árvores fornecem alimento e moradia, as aves, em contrapartida, polinizam suas flores e espalham suas sementes, e todos se beneficiam dessa aliança que já dura milhões de anos. De fato, há cerca de 50 milhões de anos, o extinto Septentrogon madseni, parente distante dos Trogons atuais e, uma das primeiras espécies de aves frugívoras (que se alimentam de frutos), já voava pelos céus do planeta Terra.

A maioria das aves brasileiras possui relação tão íntima com as árvores que, em alguns casos como o do Palmito-juçara, nativo da Mata Atlântica, o desaparecimento de espécies de aves de grande porte – que não apenas agem na dispersão de suas sementes como também selecionam os frutos maiores – pode causar, em poucas décadas, mudanças drásticas na biodiversidade e no equilíbrio do ecossistema..

Mesmo em áreas urbanas, árvores e aves são parceiros inseparáveis, por isso, a arborização urbana é essencial para a vida das aves em nossas cidades. Assim, quanto mais árvores plantarmos, mais aves habitarão praças e avenidas.

Sem falar que as árvores são extremamente benéficas também para a nossa saúde: absorvem o gás carbônico (CO2) e liberam oxigênio, melhorando a qualidade e a umidade do ar, além de reduzir o barulho e regular a temperatura, funcionando como um ar condicionado natural.

Que tal atrair mais aves para a sua região?

Para ajudá-lo, fiz uma pequena lista de espécies de árvores brasileiras que produzem flores e frutos muito apreciados pelas aves. Mas peço que não se esqueça de que, cada árvore, possui características próprias que as tornam mais ou menos adequadas para o plantio em uma ou outra área, além disso prefira espécies que são nativas do bioma em que sua cidade está inserida. Por isso, pesquise um pouco mais sobre cada árvore antes de fazer sua escolha.

11 ÁRVORES CUJAS FLORES ATRAEM AVES
– Paineira-rosa (Ceiba speciosa)
– Chuva-de-ouro (Cassia ferrugínea)
– Diadema (Sttiffia chrysantha)
– Embiraçu (Pseudobombax grandiflorum)
– Ingá-feijão (Inga marginata)
– Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
– Eritrina (Erythrina falcata)
– Mulungu (Erythrina mulungu)
– Mulungu-do-litoral (Erythrina speciosa)
– Eritrina (Erythrina verna) e
– todas as espécies de Ipê nativos do Brasil.

65 ÁRVORES CUJOS FRUTOS ATRAEM AVES
– Aroeira-brava (Lithraea molleoides)
– Abiu (Pouteria spp.)
– Abricó-de-praia (Labramia bojeri)
– Açaízeiro (Euterpe oleracea)
– Acuri (Scheelea phalerata)
– Araçá (Psidium cattleianum)
– Araticum (Annona coriacea)
– Bacaba (Oenocarpus bacaba)
– Boleiro (Alchornea iricurana)
– Buriti (Mauritia flexuosa)
– Cajuaçu (Anacardium giganteum)
– Canela-amarela (Nectandra lanceolata)
– Canjerana (Cabralea canjerana)
– Cambuí (Myrcia selloi)
– Capororoca (Myrsine coriacea e Myrsine ferrugiena)
– Cambuí (Myrciaria tenella)
– Canela-amarela (Nectandra lanceolata)
– Canelinha (Nectandra megapotamica)
– Canela-preta (Ocotea sanctaecatharinae)
– Candiúba (Trema micrantha)
– Calicarpa (Callicarpa reevesii)
– Cerejeira-do-rio-grande (Eugenia involucrata)
– Chal-Chal (Allophylus edulis)
– Chichá (Sterculia chicha)
– Embaúba (Cecropia pachystachya)
– Embaúba-prateada (Cecropia hololeuca)
– Embaúba-vermelha (Cecropia glaziovii)
– Fedegoso (Senna macranthera)
– Figueira (Ficus guaranitica)
– Fruta-do-sabiá (Acnistus arborescens)
– Guabiroba (Campomaneisa xanthocarpa)
– Grandiúva-d’anta (Psychotria nuda)
– Guaçatonga (Casearia sylvestris)
– Guaburiti (Pinia rivularis)
– Grumixama (Eugenia brasiliensis)
– Jabuticaba (Myrciaria cauliflora)
– Jacatirão (Miconia cinnamomifolia)
– Jatobá (Hymenaea spp.)
– Jerivá (Syagrus romanzoffiana)
– Licuri (Syagrus coronata)
– Licurana (Hyeronima alchorneoides)
– Macaúba (Acrocomia aculeata)
– Macucurana (Hirtella hebeclada)
– Mamica-de-porca (Zanthoxylon riedelianum)
– Manduvi (Sterculia apetala)
– Marinheiro (Licania Kunthiana)
– Mataíba (Matayba elaegnoides)
– Murici (Byrsonima crassifolia)
– Miconia (Miconia prasina)
– Palmito-juçara (Euterpe edulis)
– Pau-de-corvo (Citronella paniculata)
– Pau-formiga (Triplaris americana)
– Pau-magro (Cupania oblongifolia)
– Pau-rosa (Aniba rosaeodora)
– Pau-de-viola (Citharexylum myrianthum)
– Pitanga-vermelha (Eugenia uniflora)
– Pixirica (Leandra cardiophylla)
– Porangaba (Cordia ecalyculata)
– Quixabeira (Sideroxylon obtusifolium)
– Sapotizeiro (Manilkara achras / Achras zapota)
– Sete-capotes (Britoa sellowiana),
– Tapiá (Crateva tapia)
– Tapiriba (Tapirira guianensis)
– Tamanqueira (Aegiphila sellowiana)
– Uvaia (Eugenia pyriformis)

aves-na-janela-periquito-rico-800x445Periquito-rico (Brotogeris tirica), se alimentando de flores de uma das muitas espécies de árvores nativa, a Eritrina (Eritrina speciosa). Foto: Sandro Von Matter

Sandro Von Matter – Pesquisador em ecologia e conservação, jornalista ambiental e fotógrafo de natureza, investiga questões sobre o topo das florestas tropicais e as fascinantes interações entre animais e plantas. Hoje, à frente do Instituto Passarinhar, é um dos pioneiros em ciência cidadã no Brasil, e desenvolve projetos em conservação da biodiversidade e restauração ecológica, criando soluções para tornar os centros urbanos mais verdes,

Fonte – Conexão Planeta

Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisas

Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisasHábitos que olharíamos com profundo preconceito no Brasil, fazem parte do dia-a-dia de uma das maiores potências do mundo.

Um dos grandes prazeres de uma viagem está em observar e aprender com o outro. “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”, disse uma vez o escritor norte-americano Henry Miller.

Na última viagem que fiz para a Alemanha, considerei uma cena emblemática: um sujeito bem vestido, terno e grava, aparentando seus 30 e poucos anos, entrando em um supermercado com uma bolsa de tecido repleta de garrafas pet vazias e pacientemente as inserindo em uma máquina, uma a uma, em troca de alguns centavos.

Algo de “errado” na cena? Evidentemente que não. Para os demais alemães presentes no supermercado, era uma cena comum. Para mim, como brasileiro, o primeiro pensamento foi que dificilmente poderia presenciar algo do tipo no Brasil.

Uma realidade bem diferente da nossa

No Brasil, o ato de economizar quase sempre é associado a um momento temporário de escassez de recursos ou a um objetivo de consumo específico. Final do mês, faltou dinheiro? Economiza. A pasta de dentes está no fim e não tem outra? Economiza. Foi demitido? Hora de rever os gastos. Quer viajar no fim do ano? Junta dinheiro para gastar tudo na viagem.

Fora desses cenários, a pessoa que para pra pensar antes de fazer um gasto costuma ser rotulada como “mão de vaca”, “muquirana” ou “sovina” – termos pejorativos associados ao sujeito que não “gosta” de gastar dinheiro.

Quem racionaliza os impactos de seus gastos muitas vezes é colocado na mesma categoria de um sujeito que não gasta com nada. O modelo vigente é: Se tenho dinheiro, compro; se não tenho, não compro – ou até compro, mas parcelado a perder de vista.

Os alemães e sua relação com o consumo – um aspecto cultural

Na Alemanha, o “modo de viver” econômico é uma característica cultural do povo alemão, e está totalmente dissociado do quanto você tem (ou não tem) de dinheiro – simplesmente são conceitos distintos.

Ter dinheiro suficiente para comprar algo não significa que você vá de fato comprar sem antes analisar uma série de fatores: isso vale o quanto estão me cobrando? Quanto eu preciso realmente disso?

Costuma-se atribuir essa cultura ao período de grande escassez de recursos vivido pelo povo alemão ao longo das duas grandes Guerras Mundiais.

Independente das razões, fato é que a maior parte dos alemães tem incutido em seu modelo mental o hábito de ser econômico e analisar seus gastos e hábitos de consumo. Uma ótima forma de ilustrar isso é voltar ao exemplo do supermercado para analisar alguns hábitos e comportamentos dos alemães.

Receber troco em balas? Nos supermercados da Alemanha, isso simplesmente não existe!

Lembra do sujeito de terno devolvendo garrafas em uma máquina? O nome dessas máquinas é “Pfandautomat“, e a função delas é justamente receber embalagens (pet ou vidro) vazias. O nome é por conta do “Pfand“, um valor cobrado pelas embalagens no ato da compra e que pode ser recebido de volta quando a pessoa se dá ao trabalho de devolver essas embalagens em uma “Pfandautomat“.

Os alemães e sua relação com o consumo - Uma nova forma de olhar as coisasPfandautomat

E aqueles centavos de troco que aqui no Brasil a gente acaba deixando pra lá ou recebendo em balas? Nos supermercados da Alemanha isso simplesmente não existe. Se a pessoa tem direito a um troco de 1 centavo, vai receber sua moeda sem precisar brigar por isso. Para o alemão, cada centavo que seja seu por direito é importante.

É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag

Outro hábito interessante que observei por lá é que no Brasil ainda estamos engatinhando: o uso de ecobags, aquelas sacolas de tecido que podem ser reutilizadas. É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag ou sem um carrinho de compras para minimizar o uso das sacolinhas de plástico – que são cobradas à parte.

No Brasil, esse modelo já foi implementado em muitas redes de supermercados, mas a maior parte das pessoas continua preferindo pagar pelas sacolas de plástico do que levar a sua própria de casa.

Nessa cultura do “ser econômico”, o dinheiro é somente uma das pontas. Direta e indiretamente, todo o modelo de consumo e de aproveitamento dos recursos é impactado por essa característica. Não por acaso, a Alemanha é pioneira em diversas iniciativas de políticas sustentáveis.

A Alemanha recicla 65% dos resíduos produzidos

Para começar, o país possui uma legislação específica para tratar da maneira como os alemães devem separar seu lixo doméstico para descarte, separando os produtos recicláveis em categorias. Se alguém é pego descumprindo a regra, a multa é pesada. Isso explica a Alemanha ser o país que mais recicla em todo o mundo, atingindo incríveis 65% dos resíduos produzidos.

“The Good Food”  ao invés de jogar alimentos no lixo e supermercado sem embalagens

Em Colônia, na Alemanha, a loja “The Good Food” é especializada em vender alimentos que iriam para o lixo por serem “feios” ou por estarem próximos a data de vencimento (ou até recentemente vencidos). Em alguns casos, o preço do produto é definido pelo comprador, que paga o quanto acha que vale.

O Original Unverpackt, em Berlim, foi o primeiro supermercado do mundo com a proposta de não gerar resíduos. Os produtos são vendidos a granel e não fazem uso das embalagens tradicionais – o cliente é quem leva de casa seus potes e sacolas para acomodar suas compras.

O “Sperrmüll”

Há ainda um “evento” dedicado ao reaproveitamento de produtos descartados por outras pessoas, o “Sperrmüll“:

Em diversas datas definidas ao longo do ano, o alemão pega tudo que não quer mais – móveis, sofás, colchões e afins – e coloca do lado de fora da casa.

Outras pessoas simplesmente passam e pegam aquilo que precisam para suas casas – e não são moradores de rua ou mendigos, são pessoas com dinheiro que optam por uma solução mais sustentável. O que não é reaproveitado por outras pessoas é recolhido pela administração municipal e levado para centros de reciclagem.

Sperrmüll na Alemanha“Sperrmüll” em rua na Alemanha – Por 3268zauber (Trabalho próprio) – CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Uma nova forma de olhar as coisas

Cuidar do seu lixo; comprar produtos que estão pra vencer; levar seus próprios potes e sacolas para as compras; vasculhar naquilo que o outro descartou a procura de algo que sirva para você. Hábitos que no Brasil olharíamos com profundo preconceito, mas que fazem parte do dia-a-dia dos cidadãos de uma das maiores e mais ricas potências do mundo.

Talvez seja mais do que hora de buscarmos essa “nova forma de olhar as coisas”. Se tem algo que podemos aprender com os alemães é esse modo de consumir mais consciente, baseado em uma gestão mais responsável dos recursos.

Fonte – Augusto Lohmann, blog Alemanha para Brasileiros de 05 de junho de 2017

Site divulga pontos de descarte de lixo

Já está no ar o site www.maringadescarta.com.br, criado pelo vereador Homero Marchese (PV).

Lá é possível conferir os locais destinados a receber resíduos
sólidos como móveis, eletrodomésticos, metal, vidro,
entre outros.

Ao clicar sobre o endereço o internauta verá o mapa respectivo
com a indicação de rotas. No final da página, será possível contribuir indicando outros locais de descarte.

Fonte – Jornal Metro de 12 de junho de 2017