Árvore solar será instalada em Maringá

Projeto pioneiro na região Noroeste do Paraná é uma opção para energia renovável

A evolução tecnológica é evidente a cada dia. Isso se estende à produção de energia, em especial a solar (fotovoltaica), que ganhou espaço em muitas propriedades rurais ou urbanas. Na próxima sexta-feira, será instalada em Maringá uma “Árvore Solar”.

A estrutura tem seis metros de altura, semelhante a de uma grande árvore. Ela terá dez placas solares para a captação de energia. A iniciativa é da concessionária de rodovias VIAPAR que vai instalar o equipamento no jardim de sua sede, na PR 317, em Maringá.

O engenheiro eletricista da Solus Energias, Guilherme Marzolla, empresa responsável pela implantação do projeto, explicou que a estrutura vai gerar 75 KW/h mês, volume suficiente para abastecer uma casa popular. “Também consta no plano a instalação de quatro bancos [formato cata-vento] na base da árvore, bem como tomadas, onde as pessoas vão poder usá-las para diversos fins, inclusive o carregamento do telefone celular”, disse. “O ambiente ainda vai contar com wiffi”.

Projetos semelhantes já existem na França e Alemanha, inclusive em espaços públicos. A estrutura da árvore suporta ventos de até 120 km/h. Vale lembrar ainda que está será a primeira estrutura do gênero na região de Maringá. “O principal objetivo deste projeto é incentivar a produção de energia renovável. O excedente será distribuído para a rede da empresa”, destacou o supervisor de T.I Administrativo da VIAPAR, Humberto Casicava.

Dentre os inúmeros benefícios deste sistema de produção, destaque para o baixo impacto ao meio ambiente, manutenção mínima das centrais, redução de investimento nas linhas de transmissão e a rápida instalação. Em países tropicais, como o Brasil, a energia solar é viável em todo o território.

Inauguração da Árvore Solar – Sexta, dia 30/06, 16 horas, no jardim da sede da Viapar  – PR 317 – n.7246 – Saída para Campo Mourão, perto do Aeroporto Regional de Maringá.

Fonte – Assessoria de comunicação da VIAPAR de 27 de junho de 2016

Aumento de geração de energia por consumidor pode mudar perfil de distribuidoras

Placas de energia solarInstalação de placas para geração de energia solarSoninha Vill/GIZ

O cenário da distribuição de energia no Brasil vem sofrendo uma revolução silenciosa. Uma das faces que provocam essas mudanças é a produção energética pelo próprio consumidor. Desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) modernizou a Resolução 482/2012 – que regulamenta o setor – e flexibilizou algumas normas, o número desse tipo de ligação às redes de distribuição cresceu consideravelmente: em dezembro de 2015 eram 1.731 conexões. O número passou para quase 10,5 mil em maio de 2017.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, esse crescimento logo vai se destacar na matriz elétrica, e, por essa razão, é necessário um debate desde agora, para que haja tempo de desenvolver um planejamento para as mudanças que estão por vir. Ele acredita, por exemplo, que o monopólio de comercialização de energia pelas empresas de distribuição deixará de existir. “A evolução tecnológica vai levar para que a gente tenha uma separação. A parte de comercialização fica com uma determinada empresa, ou várias empresas, e a parte de fio, para você não ter dois postes concorrendo, vai continuar com um monopólio”, explica.

Para o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energias, Carlos Alexandre Pires, é necessário associar o estímulo para geração distribuída a mecanismos legais que garantam a manutenção do sistema de distribuição, inclusive para que a complementação da energia gerada pelo consumidor chegue até ele. “Isso está acontecendo em todos os lugares do mundo, onde a energia eólica e a solar estão ganhando importância, porque ao extremo você não teria distribuidora de energia.”

Mário Menel explica que em países como Portugal esse modelo que separa distribuição e comercialização de eletricidade já é uma realidade. “Mesmo que você não queira colocar energia no seu telhado, você escolhe o seu fornecedor de energia. E esse fornecedor, que é uma empresa com expertise em colocar, olha para o seu caso e diz: eu vou botar o painel em cima do teu telhado e você vai comprar energia de mim, mas essa energia é minha”, projeta. Para ele, o caminho é inevitável. “São arranjos comerciais que vão surgindo em função do avanço tecnológico, que não tem como você ser contra”, afirma.

No Brasil, grandes consumidores como redes de hotelaria e indústrias já escolhem seus fornecedores de eletricidade. O presidente da Abiap explica que em cerca de cinco anos esse modelo chegará ao consumidor residencial. Para que a transição entre os modelos ocorra de forma tranquila, ele explica, que é necessário haver planejamento desde agora. “Não podemos esquecer que quem lastreou a expansão do sistema como nós conhecemos hoje, em contratos de longo prazo, foram as distribuidoras, o mercado cativo. Agora vão deixar de lastrear, então, o sistema financeiro vai ter que entrar no setor elétrico e oferecer produtos que nos deem capacidade para financiar essa expansão.”

Atualmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o único que financia o setor elétrico brasileiro, com linhas de crédito de até 80% para energia fotovoltaica (solar), por exemplo. Devido a projetos de eficiência energética no Ministério de Minas e Energia e na Aneel, desde o ano passado, a geração de energia a partir de fontes não renováveis não está mais entre as opções de financiamento para o setor. No entanto, para Mário é necessário ir além e atrair outros bancos, criando um funding, ou seja, uma captação de recursos para investimento, que poderá ser saudável para o setor. “Naturalmente, isso vai implicar em custos reais. Pode ter um aumento no começo? Pode. Mas a competição acaba diminuindo os custos.”

Fonte – Fabíola Sinimbu – A repórter viajou a convite da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), edição Talita Cavalcante, Agência Brasil de 05 de junho de 2017

A aposta da Alemanha em energia solar

Painéis de energia solar na Alemanha (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Os alemães estão em meio a uma transição energética para abandonar o carvão e as usinas nucleares. A estratégia colocou o país na liderança da energia solar, mas ainda há desafios a serem superados

Em um pequeno vilarejo no leste da Alemanha, o líder comunitário Karl-Heinz Handreck explica a um grupo de jornalistas internacionais que estamos com sorte. Como o vento está soprando em outra direção, não escutamos os barulhos da operação da gigantesca mina de carvão a céu aberto nas redondezas. Mas sorte é uma palavra que está longe de descrever a comunidade, formada por quase 150 pessoas, a maioria já em idade de aposentadoria. Há planos para expandir as operações de carvão por todos os lados, deixando a pequena Taubendorf cercada. “Em cinco anos, a mina estará a menos de 100 metros de nossas casas”, diz Handreck.

Estamos no leste da Alemanha, praticamente na fronteira com a Polônia. Aqui estão depositadas as maiores reservas de carvão existente no país. Essas reservas deixaram sua marca na cultura local. O time de futebol da cidade mais próxima, Cottbus, não por acaso se chama Energie FC. Quando o país estava dividido em dois, antes de 1989, era daqui que saía toda a energia que abastecia a comunista Alemanha Oriental.

Nos últimos anos, no entanto, todo esse legado energético vem sendo colocado em xeque. Pelo menos duas áreas previstas para exploração de carvão na região foram canceladas recentemente. A termelétrica de Jaenschwalde, abastecida pelas minas que cercam Taubendorf, pode não ter vida útil para além de 2025. E a pressão da sociedade alemã – e de ativistas como Handreck – para gradativamente abandonar o carvão como fonte de energia só aumenta.

Um fenômeno semelhante acontece com a fonte de energia que iluminou as casas “no outro lado do muro” quando o país estava dividido. Historicamente, o lado ocidental da Alemanha apostou no átomo como principal fonte de eletricidade. Hoje, um terço de toda a energia elétrica gerada no país vem de usinas nucleares. Mas elas também estão com os dias contados.

Passado um quarto de século desde que o Muro de Berlim caiu e a Alemanha se unificou, o país olha para trás e decide abandonar as suas duas principais fontes de energia. Mas como manter uma das economias mais fortes do planeta – o quarto maior PIB do mundo – funcionando dia e noite sem as usinas nucleares e a carvão? O país aposta numa grande revolução. Ou, como eles dizem em alemão, numa Wende.

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local devem dar lugar a uma operação de mineração (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local deverá dar lugar ao cinza das escavações (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

A transição

A palavra alemã Wende significa transição. Politicamente, é usada como uma mudança sistemática, radical, benigna e não violenta. A palavra foi popular nos anos 1990, usada para se referir à maior transição pacífica que o país já viveu – a queda do muro. Nos últimos anos, ela passou a ser usada ao lado de outra palavra: Energie. Com a política batizada de Energiewende, a Alemanha promete fazer uma transição profunda em suas fontes de energia, abandonando fontes fósseis e colocando todas as forças nas energias renováveis.

O principal alvo da Energiewende é a energia nuclear. Há um sentimento antinuclear muito forte na sociedade alemã, espalhado pela sociedade civil e encampado por partidos políticos. O acidente no reator nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, foi o estopim da nova política. Em menos de seis meses, o governo da chanceler alemã Angela Merkel conseguiu colocar em lei a Energiewende com uma estratégia extensa e compreensiva para encerrar a operação das nucleares, substituindo-as por energia renovável.

A Energiewende prevê desligar reatores nucleares que, juntos, geram 22 mil megawatts de energia. Para fazer uma comparação, é como se o Brasil tivesse um plano para desligar suas duas maiores hidrelétricas, Itaipu e Tucuruí. O plano começa fechando as usinas mais antigas e com vida útil menor. Há previsão de compensação para empresas. Em alguns casos, as empresas simplesmente fecharam, em outros, buscaram se reinventar no mercado investindo em fontes diferentes de energia. Também há empresas que buscaram reparação na Justiça.

Apesar de amplo apoio interno, o abandono da nuclear foi vista com ceticismo pela comunidade internacional. Afinal, ela não emite gases de efeito estufa e é vista como uma forma economicamente viável de produzir eletricidade. Esses argumentos não sensibilizaram o governo alemão. “Nós não acreditamos que a energia nuclear é uma boa alternativa”, diz Thomas Meister, chefe da divisão de Clima do Ministério de Relações Exteriores do governo da Alemanha. “Essa crença foi reforçada por Fukushima, mas há outros bons motivos. Os custos são altos, e não há uma solução para o problema do depósito de lixo radiativo.” O governo alemão segue à risca seu cronograma para acabar com a nuclear no país. Após Fukushima, sete usinas foram desligadas. Uma oitava foi desligada em 2015, e restam outras oito usinas que estarão desativadas até dezembro de 2022.

A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em  dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)

Solar decola num país de pouco sol

Desativar usinas, seja da fonte que for, impõe um risco para qualquer país: como evitar um apagão? Por isso a Energiewende prevê também investimentos em energias renováveis como solar e eólica. A meta é atingir 80% de renováveis – o que significa se livrar não só das nucleares, como também do carvão e petróleo. Atualmente, a Alemanha já está perto dos 30% de renováveis. Como ela chegou a esse patamar?

Para começar, o país precisou adotar uma tarifa subsidiada para energia limpa – uma estratégia para fazer com que as renováveis pudessem competir com tecnologias já estabelecidas. Essa tarifa é paga não pelo contribuinte, mas pelo consumidor, com uma sobretaxa determinada na conta de luz. Outra medida adotada foi a desregulamentação do setor, permindo que qualquer empresa que queira comercializar energia possa ter acesso à rede para vender eletricidade. Isso abriu as portas do mercado para pequenas e médias empresas, além de cooperativas de famílias e agricultores. Por fim, a Energiewende determinou que a preferência para entrar na rede é das energias renováveis. Isso significa que o governo só começa a consumir energia gerada nas usinas fósseis após ter consumido, primeiro, a produzida pelo sol e vento.

Essas regras tiveram o efeito colateral de aumentar a conta de luz em cerca de € 2 por quilowatt/hora. Mas esse aumento não parece ter provocado grandes impactos no orçamento familiar da população – a Alemanha tem a menor taxa de inadimplência no pagamento de eletricidade da União Europeia. Além disso, essa sobretaxa tem data de validade. A legislação determina que ela seja progressivamente reduzida de acordo com o preço das energias renováveis – e os preços estão em queda. Nos últimos dez anos, o preço da energia solar caiu 74%.

Hoje, a Alemanha é o país que mais gera energia solar per capita e o segundo maior produtor de solar do mundo em números absolutos, atrás apenas da China. Em dias úteis, a solar chega a atender a um terço da demanda de energia do país. Os resultados impressionam, ainda mais se considerarmos que a Alemanha é um país de baixa incidência solar. Regiões brasileiras que menos recebem sol, por exemplo, têm mais luz solar do que a média alemã.

Menos verde do que gostaria

O governo alemão se vangloria de ser verde. A chanceler alemã, Angela Merkel, já foi ministra do Meio Ambiente e se apresenta como líder de um país pró-natureza. Seu governo apresentou metas mais ambiciosas que seus vizinhos europeus no Acordo de Paris – o tratado assinado na capital francesa e ratificado por mais de 140 países com metas para reduzir poluição emitida por fábricas, veículos e desmatamento e, desta forma, limitar o aumento da temperatura do planeta. Merkel se comprometeu a reduzir 40% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, e chegar a uma redução de 95% em 2050.

Os números de 2016, no entanto, ligaram o sinal de alerta nas credenciais verdes do governo alemão. Em um ano, as emissões do país aumentaram em 0,9%. É pouco, mas qualquer pequena variação pode comprometer uma meta apertada como a alemã, já que há pouco espaço de manobra até 2020. O aumento das emissões no ano passado foi creditado a um inverno mais rigoroso, que fez com que os alemães utilizassem mais gás natural, e a um aumento no uso de combustível no setor de transporte. Mas o debate público a respeito das metas acabou expondo uma contradição da Energiewende: a benevolência com o carvão. Enquanto os planos da transição energética contam com um cronograma rígido de desligamento de usinas nucleares, não há o mesmo empenho em fechar as usinas a carvão.

“As emissões alemãs não estão caindo por causa do carvão. Podemos atuar com eficiência energética, reduzir emissões na agricultura, mas não há jeito. Se não pararmos de queimar carvão, não cumpriremos a meta”, diz Lutz Weischer, ativista da ONG Germanwatch. Segundo ele, o país precisa encontrar uma forma politicamente aceitável e economicamente viável para o desligamento progressivo das usinas a carvão, como faz com a energia nuclear. Mas abandonar o carvão é mais complicado do que parece. O crescimento gigantesco das renováveis está suprindo, por enquanto, a energia que as usinas nucleares deixaram de gerar. Mas não chegou ainda a substituir as energias fósseis. O carvão ainda representa 40% da matriz energética alemã, com forte participação nos sistemas de aquecimento das casas. Além disso, há a questão social – é difícil realocar no mercado de trabalho pessoas que passaram a vida toda trabalhando nas minas e indústrias de carvão.

O dilema interno do carvão embute o risco de sujar a construção da diplomacia climática de Angela Merkel. A Alemanha vem se esforçando a assumir um papel diplomático mais forte no mundo em relação às negociações de mudanças climáticas. O governo de Merkel tentou de várias formas manter os Estados Unidos no Acordo de Paris, por exemplo, e quando não conseguiu se colocou como uma das principais vozes em defesa do tratado internacional sobre mudanças climáticas, ao lado de França, China e Canadá. Se não conseguir liderar pelo exemplo, a Alemanha pode ter problemas para preencher o buraco deixado pelo presidente americano Donald Trump.

Um acerto de contas com a história

No sul de Berlim, um grande cilindro cercado por uma estrutura de metal chama a atenção na paisagem. Trata-se de um gasômetro há muito desativado. Estamos num campus chamado Euref, um lugar que mistura uma universidade, empresas já estabelecidades e startups. “Aqui costumava ser uma importante unidade de armazenamento de gás para iluminação. Era uma construção do século XIX, que foi abandonada na década de 1990”, diz Mauricio Rojas, engenheiro da Schneider Electric. Hoje, o local é um grande laboratório de tecnologias de mobilidade urbana e energia.

Em um passeio pelo campus, Rojas mostra algumas das invenções e inovações do local. No topo dos prédios, é possível ver aerogeradores que usam o vento para produzir energia. No estacionamento, os carros elétricos são reabastecidos com energia gerada por painéis fotovoltaicos instalados nos telhados. Um protótipo de um carro autônomo, que se move sem a necessidade de um motorista, circula pelo campus, exibindo um design construído, em parte, usando impressoras 3D.

Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

O próprio trabalho de Rojas tem o potencial de ser tão disruptivo quanto essas tecnologias. Ele pesquisa a criação e viabilidade de smart grids, as redes de energia inteligentes. Atualmente, um dos grandes problemas das energias renováveis é que elas não podem ser ligadas a qualquer hora do dia. Elas dependem de vento ou luz solar para poder funcionar. Enquanto isso, carvão e gás podem queimar faça chuva ou faça sol. As redes inteligentes, em tese, podem resolver isso. Um computador (ou vários) com um potente algoritmo, ligado em rede com as usinas e alimentado por dados com a previsão do tempo, pode definir, com velocidade e qualidade muito maior do que um operador humano, quando ligar ou desligar usinas e para onde transmitir eletricidade, dependendo da oferta e demanda de cada região. Aliada ao desenvolvimento de baterias elétricas mais potentes, essa tecnologia pode maximizar de tal forma a distribuição de eletricidade que não haveria mais necessidade de usar fósseis como energia de backup.

Se esse tipo de tecnologia vingar, a Alemanha pode dar o passo que falta para abandonar de vez o carvão e abraçar 100% de energias renováveis. É curioso que ela esteja sendo desenvolvida justamente num lugar que foi o símbolo da energia do passado. É como se o país procurasse, com a sua transição energética, acertar as conta deixadas pelas fontes mais poluentes para poder criar um sistema que ilumine casas e indústrias sem sujar o planeta. “Estamos usando a herança energética do país para desenvolver as tecnologias do futuro”, diz Rojas.

Fonte – Bruno Calixto (O repórter viajou a Berlim em maio de 2017 a convite da Embaixada da Alemanha), Blog do Planeta de 13 de junho de 2017

Renováveis batem novo recorde, mesmo com queda em investimento

Otávio Almeida/Greenpeace Brasil

Capacidade instalada cresceu 9% em 2016 e foi maior do que a soma de todas as fontes fósseis e já dispensa a necessidade de “energia firme” na matriz elétrica

O principal relatório anual sobre o estado das energias renováveis no mundo foi publicado nesta quinta-feira (7), e tem números para justificar todos os estados de ânimo da humanidade em relação à crise do clima.

Quem quer ver o copo meio cheio gostará de saber que, em 2016, o mundo adicionou 161 gigawatts – o equivalente a mais de dez usinas de Itaipu – de energia renovável à matriz, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

O preço da geração renovável em alguns países caiu para menos de 5 centavos de dólar o quilowatt/hora; mesmo em nações pobres, essas fontes hoje frequentemente são as opções mais baratas. Aliás, os investimentos em renováveis, de US$ 250 bilhões, representaram mais do que o dobro dos investimentos em todos os fósseis somados (US$ 114 bilhões). O crescimento mais espetacular foi o da energia fotovoltaica: a cada hora de 2016 foram instalados 31 mil painéis solares no mundo.

Quem prefere ver o copo meio vazio argumentará que os investimentos em renováveis caíram 23% no ano passado, o maior tombo em uma década. E dirá também que, mesmo com um crescimento espetacular neste século, duas vezes maior que o da demanda, as novas renováveis, como a solar e a eólica, ainda são anãs: respondem por menos de 2% do consumo total de energia no mundo, contra 78,4% dos combustíveis fósseis. Pior: com US$ 4 gastos em subsídios a combustíveis fósseis para cada dólar de subsídio a renováveis, a transição não está acontecendo em velocidade suficiente para cumprir o objetivo do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global abaixo de 2oC.

As informações vêm do Ren21, relatório produzido anualmente pela organização homônima que monitora as tendências das energias renováveis, o marca-passo da descarbonização da economia global.

Mesmo diante do desafio de alcançar e ultrapassar os fósseis na matriz global, as energias renováveis em 2016 desmontaram mais uma vez a linha de raciocínio, se é que se pode chamar assim, usada por Donald Trump para abandonar o Acordo de Paris, na semana passada.

Além de adicionar mais megawatts à economia mundial que todos os fósseis somados, o setor de renováveis também gera empregos. Hoje no mundo há 9,8 milhões de pessoas empregadas no setor, 777 mil nos EUA – onde somente a geração de energia solar e eólica tiveram um aumento de 16% na geração de empregos. A China é de longe o maior empregador, com 3,9 milhões de trabalhadores na indústria das renováveis, seguida pelo Brasil, com 1 milhão de empregos – mantidos em grande parte pelo segmento de biocombustíveis.

Dentre todos os renováveis, quem mais emprega é a energia solar, que também lidera a expansão mundial dentre todas as renováveis. No ano passado, 75 gigawatts foram instalados, o equivalente à potência somada das usinas hidrelétricas do Madeira e do Teles Pires. A China respondeu por quase metade da capacidade instalada, 34 gigawatts, seguida por EUA (sim, Donald!) e Japão. O Brasil nem sequer aparece na lista dos países com adições dessa fonte.

Outra conclusão do relatório, que deveria ser lida pelos planejadores energéticos brasileiros, é que a expansão vertiginosa das renováveis está tornando obsoleta a proclamada necessidade de “energia firme” ou “energia de base” na matriz elétrica para compensar a intermitência das renováveis.

Esse argumento tem sido usado pela eletrocracia nacional para justificar a necessidade de grandes hidrelétricas na Amazônia. A ex-presidente Dilma Rousseff, por exemplo, gostava de dizer que “não dá para estocar vento” – ou seja, sem hidrelétricas, o país teria de construir térmicas fósseis para garantir a energia durante os períodos em que hão houvesse sol nem vento.

O Ren21 afirma que isso é um “mito”.

Em 2016, a Dinamarca chegou a fornecer eletricidade apenas com renováveis num pico de demanda 140% maior que a geração; a Alemanha teve um pico de 86% atendido apenas por fontes como vento e sol. Isso acontece por causa de sistemas interligados com outros países e por causa de redes grandes, nas quais a geração de uma fonte sempre compensa a intermitência de outra. Mesmo sem capacidade adicional de estocar energia, países como Portugal, Irlanda e Chipre estão conseguindo ter 20% a 30% de sua eletricidade fornecida por renováveis (excluindo grandes hidrelétricas).

Fonte – Observatório do Clima de 07 de junho de 2017

Aumento de geração de energia por consumidor pode mudar perfil de distribuidoras

joncallas

O cenário da distribuição de energia no Brasil vem sofrendo uma revolução silenciosa. Uma das faces que provocam essas mudanças é a produção energética pelo próprio consumidor. Desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) modernizou a Resolução 482/2012 – que regulamenta o setor – e flexibilizou algumas normas, o número desse tipo de ligação às redes de distribuição cresceu consideravelmente: em dezembro de 2015 eram 1.731 conexões. O número passou para quase 10,5 mil em maio de 2017.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, esse crescimento logo vai se destacar na matriz elétrica, e, por essa razão, é necessário um debate desde agora, para que haja tempo de desenvolver um planejamento para as mudanças que estão por vir. Ele acredita, por exemplo, que o monopólio de comercialização de energia pelas empresas de distribuição deixará de existir. “A evolução tecnológica vai levar para que a gente tenha uma separação. A parte de comercialização fica com uma determinada empresa, ou várias empresas, e a parte de fio, para você não ter dois postes concorrendo, vai continuar com um monopólio”, explica.

Para o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energias, Carlos Alexandre Pires, é necessário associar o estímulo para geração distribuída a mecanismos legais que garantam a manutenção do sistema de distribuição, inclusive para que a complementação da energia gerada pelo consumidor chegue até ele. “Isso está acontecendo em todos os lugares do mundo, onde a energia eólica e a solar estão ganhando importância, porque ao extremo você não teria distribuidora de energia.”

Mário Menel explica que em países como Portugal esse modelo que separa distribuição e comercialização de eletricidade já é uma realidade. “Mesmo que você não queira colocar energia no seu telhado, você escolhe o seu fornecedor de energia. E esse fornecedor, que é uma empresa com expertise em colocar, olha para o seu caso e diz: eu vou botar o painel em cima do teu telhado e você vai comprar energia de mim, mas essa energia é minha”, projeta. Para ele, o caminho é inevitável. “São arranjos comerciais que vão surgindo em função do avanço tecnológico, que não tem como você ser contra”, afirma.

No Brasil, grandes consumidores como redes de hotelaria e indústrias já escolhem seus fornecedores de eletricidade. O presidente da Abiap explica que em cerca de cinco anos esse modelo chegará ao consumidor residencial. Para que a transição entre os modelos ocorra de forma tranquila, ele explica, que é necessário haver planejamento desde agora. “Não podemos esquecer que quem lastreou a expansão do sistema como nós conhecemos hoje, em contratos de longo prazo, foram as distribuidoras, o mercado cativo. Agora vão deixar de lastrear, então, o sistema financeiro vai ter que entrar no setor elétrico e oferecer produtos que nos deem capacidade para financiar essa expansão.”

Atualmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o único que financia o setor elétrico brasileiro, com linhas de crédito de até 80% para energia fotovoltaica (solar), por exemplo. Devido a projetos de eficiência energética no Ministério de Minas e Energia e na Aneel, desde o ano passado, a geração de energia a partir de fontes não renováveis não está mais entre as opções de financiamento para o setor. No entanto, para Mário é necessário ir além e atrair outros bancos, criando um funding, ou seja, uma captação de recursos para investimento, que poderá ser saudável para o setor. “Naturalmente, isso vai implicar em custos reais. Pode ter um aumento no começo? Pode. Mas a competição acaba diminuindo os custos.”

Fabíola Sinimbu – A repórter viajou a convite da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), edição Talita Cavalcante,  Agência Brasil de 05 de junho de 2016

Energias renováveis e eficiência energética são metas para o Brasil

usina hidrelétricaEm relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas são as principais forças, responsáveis por quase 65% da produção. Divulgação/Usina Hidrelétrica de Mauá

Em meio a danos ambientais cada vez mais aparentes no mundo, especialistas defendem o uso de energias renováveis para diminuir impactos como a emissão de gases de efeito estufa e o aquecimento global. Um dos meios para isso é a substituição do petróleo como elemento principal da matriz energética global por formas de maior eficiência, como solar e eólica. Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Carlos Alexandre Pires, essa é uma das principais linhas de investimento do governo federal em geração de energia.

O Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas são as principais forças, responsáveis por 64% da produção. No entanto, a matriz ainda pouco diversificada não garante segurança energética, resultando muitas vezes em problemas de abastecimento, como a crise enfrentada pelo Brasil em 2015.

O país ainda caminha lentamente para disseminação de fontes alternativas de energia, ao contrário de países da Europa como a Alemanha, onde a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o pouco potencial para gerar algumas energias renováveis levaram ao desenvolvimento de uma matriz renovável, como a fotovoltaica (solar) ou a eólica. Segundo Carlos Alexandre, essas são o futuro da geração de energia no mundo, e o Brasil também caminha para expandi-las. “É aquela velha história de não colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Em termos de administração e de operação de uma rede tão complexa como é a de energia, você precisa ter várias fontes ofertando em diversos momentos do dia e se complementando, quando necessário”, afirma.

A lógica da complementariedade seria parecida com a que já funciona hoje no sistema integrado: nos períodos de seca, em que as hidrelétricas operam com menos capacidade, a geração de eletricidade acaba sendo suplementada pelas termelétricas. A intenção é que cada vez mais as formas de energia renovável ganhem espaço.

Dados do Boletim de Capacidade Instalada de Geração Elétrica – Brasil e Mundo 2016, do Ministério de Minas e Energia, ainda não demonstram esse movimento. Embora 90% do total dos 9,5 GW de potência instalada tenham sido de fontes renováveis, as fontes hidráulica e de biomassa permanecem liderando essa expansão.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, embora o setor tenha um planejamento indicativo, é difícil controlar essa expansão, já que em um leilão prevalece a fonte que oferece o menor custo. Ele explica que a matriz elétrica brasileira comporta todas as fontes e tem bastante variedade, mas fatores como o baixo custo e facilidade de estocagem ainda favorecem as hidrelétricas.

“A melhor forma que nós temos de armazenar energia é nos reservatórios das hidrelétricas. Se eu tenho um vento favorável e estou gerando muita energia eólica, eu economizo água, então aumento o volume do reservatório e estoco energia, praticamente dentro do meu reservatório. Enquanto parou o vento, eu libero essa água para produzir energia elétrica”, diz Menel.

Esse cenário, no entanto, também vem sofrendo mudanças devido a outros fatores como a questão ambiental, que limita cada vez mais a construção das hidrelétricas e também a seca severa que algumas regiões vêm sofrendo. “O Nordeste, por exemplo, que sofre com falta de água nos últimos dois, três anos, só não teve um racionamento na região graças à [energia] eólica que está fornecendo hoje cerca de 30% da necessidade da região.”

Para o Ministério de Minas e Energia, os principais desafios com a entrada dessas fontes são econômicos e operacionais. Carlos Alexandre explica que a questão das intermitências de fortes como a eólica, que não é gerada quando falta vento, e da solar, que também fica parada durante a noite, impactam diretamente no preço da energia elétrica ofertada. “Nosso Operador Nacional de Sistema precisa, a cada instante, balancear o quanto é demandado de energia e o quanto é despachado.”

Fonte – Fabíola Sinimbu – A repórter viajou a convite da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), edição Talita Cavalcante, Agência Brasil de 05 de junho de 2017

Laudato si’ e o compromisso dos católicos: adeus aos combustíveis fósseis

Mover os investimentos financeiros dos combustíveis fósseis, como carvão, gás, petróleo, para outros setores dos mercados de ações, compatíveis com a sustentabilidade ambiental, de acordo com uma estratégia de finanças responsáveis e éticas. Esse é um dos projetos que está sendo trabalhado há alguns anos pelo Movimento Católico Global pelo Clima (The Global Catholic Climate Movement), órgão nascido em 2014, que, depois, cresceu com o impulso da encíclica do Papa Francisco Laudato si’ e do qual fazem parte mais de 400 organizações.

Um tema particularmente sensível às vésperas do próximo “G7” sobre o ambiente, que será realizado em Bolonha, de 10 a 12 de junho, mas que será precedido e acompanhado por muitas iniciativas, dentre as quais não faltam as de caráter religioso e inter-religioso, porque a salvaguarda da Criação – como indica o próprio pontífice – também é uma questão em que se encontram as diversas fés e tradições.

De fato, é nesse campo que as diversas Igrejas cristãs podem dialogar entre si e, depois, com o Islã e o judaísmo, assim como ocorrerá nos próximos dias em Bolonha, por iniciativa da Conferência Episcopal Italiana, do arcebispo, Dom Matteo Zuppi, e da FOCSIV (Federação de Órgãos Cristãos do Serviço Internacional Voluntário, na sigla em italiano).

Além disso, é também nesse campo que as finanças podem se tornar um instrumento virtuoso, ainda mais à luz do acordo de Paris de 2015 (Conferência do Clima, COP 21), com base no qual foram feitos compromissos importantes internacionais em nível internacional para a redução das emissões poluentes, a fim de diminuir o ritmo e pôr uma barreira ao aquecimento climático.

Por outro lado, o fenômeno já está influenciando negativamente diversas regiões do planeta, atingindo em particular os países africanos e asiáticos mais pobres, alimentando fenômenos migratórios e crises agrícolas e alimentares.

Nos últimos dias, além disso, causou espanto na opinião pública mundial a decisão da Casa Branca de sair do acordo de Paris, escolha criticada por diversos governos e pelo próprio Vaticano. No entanto, assinalam as organizações católicas envolvidas na campanha para deter o aquecimento global, “a decisão de Trump fez surgir uma espécie de efeito contrário: nunca se falou tanto dos acordos de Paris quanto nesse período”.

De fato, dizem os organizadores da campanha pelo desinvestimento em combustíveis fósseis, drenar recursos financeiros para esse setor significa aproximar a obtenção dos objetivos estabelecidos pelos acordos de Paris, embora não se trate de uma operação fácil.

No caso das organizações católicas – como as ordens religiosas – que começam a aderir à campanha, o objetivo é mover os recursos investidos para o fundo de pensões ou para as obras de caridade e de solidariedade, dos combustíveis fósseis a investimentos éticos; o que significa seguir um código ético (com base no qual, dentre outras coisas, evita-se destinar recursos ao comércio de armas) capaz de orientar a transferência dos próprios bens móveis.

Foram identificadas 200 companhias de extração de minérios que devem ser evitadas, uma espécie de lista negra dos maiores poluidores globais. É uma operação que pode levar tempo (para evitar também que se torne perdedora sob o perfil econômico). Por isso, foi estabelecido um período de cinco anos para completar a operação.

A iniciativa pode parecer pouca coisa, mas não é: o movimento de desinvestimento é global e envolve, além da rede católica, muitos organismos e investidores leigos; centenas deles já aderiram à campanha, e o peso de tal ação ética coordenada em âmbito financeiro cresce rapidamente ao som de bilhões de dólares desinvestidos e se torna um modelo que faz prosélitos.

Assim aconteceu que ordens religiosas masculinas e femininas, universidades católicas, dioceses, associações, um pouco de cada vez, estão tentando desinvestir para investir novamente com base em determinados parâmetros éticos.

“A reação dos católicos à mudança – disse Tomas Insua, diretor do Global Catholic Climate Movement – está avançando exponencialmente. Desde a recusa de investir em combustíveis fósseis à instalação de painéis solares nos telhados das igrejas, um número sempre maior de católicos está adotando ações concretas para proteger a criação e as pessoas vulneráveis em suas comunidades, mas não só.”

Além disso, despertou grande preocupação a situação criada no G7 realizado na Itália em maio passado, em Taormina, durante o qual não houve a unanimidade sobre a questão do aquecimento global, ao contrário.

“Diante desse impasse político – observou o presidente da FOCSIV Itália, Gianfranco Cattai – diversas organizações católicas se comprometem em nome da Laudato si’ a promover a justiça social e climática mediante compromissos concretos de desinvestimento nos combustíveis fósseis. Esperamos que tal ação possa ser um apelo aos líderes internacionais para se envolverem no combate das mudanças climáticas.”

Nesse contexto, entre as últimas adesões à campanha, encontramos a Arquidiocese de Pescara, a província italiana da Companhia de Jesus (que seguiu o exemplo da canadense), a rede interdiocesana Nuovi Stili di Vita, mas também as Irmãs Franciscanas dos Estados Unidos, a província de São José da Congregação da Paixão de Jesus Cristo (ou seja, a província inglesa dos passionistas; anteriormente também dos passionistas da Austrália, Nova Zelândia e Vietnã haviam aderido).

Já haviam feito parte do projeto as salesianas Filhas de Maria Auxiliadora de Milão e Nápoles, a FOCSIV, diversos órgãos australianos e ingleses, e ainda as universidades católicas estadunidenses de Georgetown e Dayton.

Fonte – Francesco Peloso, Vatican Insider / tradução Moisés Sbardelotto, IHU de 09 de junho de 2017

Cartilha apresenta usos com energia renovável para comunidades isoladas

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Quem trabalha com desenvolvimento de comunidades tradicionais reconhece os grandes desafios e dificuldades das populações em sobreviver em locais sem energia elétrica e isoladas dos centros urbanos, ou em locais com energia elétrica intermitente e proveniente de grupos geradores a gasolina ou a diesel. A matriz energética desses locais, normalmente dependente de combustíveis fósseis, onera a geração de energia em razão dos altos custos envolvidos no transporte desses combustíveis por grandes distâncias, além do elevado custo de operação, manutenção e da dificuldade logística para lidar com essas micro e miniusinas termoelétricas. Além disso, o funcionamento intermitente desses grupos geradores a diesel, normalmente das 18 às 22 horas, impede a operação de equipamentos para conservação de alimentos para agregação de valor aos produtos locais, tais como geladeiras e congeladores elétricos.

No caso de sistemas produtivos acionados por combustíveis fósseis, o elevado custo do combustível e da manutenção quase sempre não viabiliza a maioria dos negócios estruturados nessas pequenas cadeias de valor de base comunitária, seja no processamento de frutas, seja no de pescados, ou na produção de óleos essenciais.

Nesse sentido, a energia solar fotovoltaica e a solar térmica encontram um nicho de atuação muito importante em localidades isoladas onde o trabalho “braçal” é responsável pela produtividade e pela subsistência humana, principalmente considerando que existem cerca de 2 milhões de brasileiros na Amazônia Legal que ainda utilizam fontes de energia “suja” e não renovável para atender às suas necessidades básicas. Globalmente, dados das Nações Unidas e do Banco Mundial (Sustainable Energy for All – SE4ALL) apontam que cerca de 1,2 bilhão de seres humanos não tem acesso à energia limpa e moderna, e 2,5 bilhões de pessoas dependem da lenha ou da biomassa para cozinhar e aquecer suas residências.

É nesse contexto que o WWF-Brasil e seus parceiros, no âmbito do Projeto Resex Produtoras de Energia Limpa, apresentam a cartilha Usos de Sistemas Energéticos com Fontes Renováveis em Regiões Isoladas. A carência de informações reclamada pelas entidades representativas dos extrativistas impulsionou a iniciativa. A publicação traz alternativas mais viáveis para utilização de sistemas energéticos renováveis voltados para usos produtivos e agregadores de valor, melhorando a qualidade de vida das comunidades e a manutenção da floresta. Ela lista soluções testadas no Brasil e aprovadas pelas populações locais, como o uso de energia solar para refrigeração e fabricação de gelo, extração de óleo vegetal, beneficiamento de castanha, açaí e mandioca, bombeamento e purificação de água, iluminação portátil, telecentros em escolas e outros. A cartilha traz ainda especificações técnicas, custos médios para cada tipo de aplicação e tamanhos de sistemas e fontes de financiamento já disponíveis no Brasil.

O Lançamento da publicação ocorrerá na Universidade Estadual do Amazonas, Campus de Lábrea, no dia 27 de abril, a partir das 18 horas. É nesta cidade, onde há duas reservas extrativistas, que o WWF-Brasil está realizando com os mais de 5000 extrativistas moradores das reservas o projeto com energia solar para uso produtivo. O município registra os maiores índices de desmatamento do estado do Amazonas.

Fonte – WWF de 25 de abril de 2017

A maior usina solar flutuante do mundo é chinesa e já está em funcionamento

Está em funcionamento, na China, a maior usina solar flutuante do mundo, com capacidade de 40MW. Essa geração de energia é suficiente para abastecer uma cidade com 15 mil residências.

O projeto foi instalado a província de Anhui, num lago onde havia uma mina de carvão desativado. Com a usina, a China avança na produção de energia limpa – projetos flutuantes são vantajosos porque se aproveitam de água e terra que até então não tinham utilidade.

A água esfria naturalmente o sistema e a temperatura ambiente, o que melhora a geração de energia e limita danos a longo prazo causados pelo calor. A opção por sistemas flutuantes também evita que se ocupe espaço em regiões densamente povoadas, o que, na China, é um problema em particular. Atualmente, o país abriga mais de cem cidades com populações de, pelo menos, um milhão de pessoas cada uma.

China na dianteira

Embora tenha sido, no passado, uma das maiores poluidoras em todo o mundo no âmbito das emissões de carbono e das mudanças climáticas, a China virou a página com seriedade. Agora, tornou-se um líder mundial na adoção de energias renováveis em busca de um futuro mais verde e sustentável. Esse tipo de compromisso deve ser estendido a todos os países; ao mesmo tempo em que se intensificam as mudanças climáticas, as tendências e mudanças prejudiciais também avançam. Os três últimos anos foram palco de variações de temperatura assustadoras.

O futuro da humanidade está ligado diretamente ao futuro das energias renováveis. Felizmente, inovações como esta – uma planta solar flutuante na China – provam que há incontáveis formas de abordar o problema e reverter a situação de forma prática e efetiva.

Fonte – Carolina Goetten, Futurism/Hypescience de 01 de junho de 2017

Energias renováveis empregam 9,8 milhões de pessoas no mundo

Energias renováveis empregam 9,8 milhões de pessoas no mundoA maior parte dos empregos se concentra na China, no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia, no Japão e na Alemanha. | Foto: Divulgação/IRENA

Novo relatório mostra números melhores do que os gerados pelo setor de combustíveis fósseis.

As energias renováveis empregavam mais de 9,8 milhões de pessoas em 2016, segundo o mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). Energia Renovável e Emprego – Revisão Anual 2017 acaba de ser divulgado na 13ª reunião do Conselho da IRENA e traz os dados mais recentes sobre empregos e análises sobre os fatores que afetam o mercado de trabalho em energias renováveis.

“A queda dos custos e políticas facilitadoras têm impulsionado o investimento e, por consequência, os empregos em energias renováveis em todo o mundo desde a primeira avaliação anual da IRENA em 2012, quando pouco mais de cinco milhões de pessoas trabalhavam no setor”, destaca Adnan Z. Amin, Diretor Geral da IRENA. “Nos últimos quatro anos, por exemplo, o número de empregos nos setores solar e eólico mais do que dobrou. As energias renováveis estão apoiando diretamente objetivos socioeconômicos mais amplos, com a geração de empregos cada vez mais reconhecida como um componente central da transição energética global. À medida que a balança continua a pender em favor das energias renováveis, esperamos que o número de pessoas trabalhando no setor de energias renováveis possa chegar a 24 milhões até 2030, mais do que compensando as perdas de postos de trabalho com combustíveis fósseis e se tornando um grande motor de desenvolvimento econômico em todo o mundo”, acrescentou.

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O relatório mostra que as energias renováveis empregavam 8,3 milhões de trabalhadores em todo o mundo em 2016, excluindo-se grandes hidrelétricas. Se contabilizarmos os empregos diretos gerados por estas, o número total de empregos em energias renováveis no mundo sobe para 9,8 milhões. A maior parte dos empregos se concentra na China, no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia, no Japão e na Alemanha. Na China, por exemplo, 3,64 milhões de pessoas trabalharam em energias renováveis em 2016, um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior.

O relatório da IRENA mostra ainda que, nesse setor, a energia solar fotovoltaica (PV) foi a maior empregadora em 2016, com 3,1 milhões de empregos – 12% a mais em relação a 2015 – principalmente na China, Estados Unidos e Índia. Nos Estados Unidos, os empregos na indústria solar aumentaram 17 vezes mais rápido do que a economia como um todo, crescendo 24,5% em relação ao ano anterior para mais de 260 mil. As novas instalações eólicas contribuíram para um aumento de 7% no emprego eólico global, que alcançou a marca de 1,2 milhão de postos de trabalho. O Brasil, a China, os Estados Unidos e a Índia também se revelaram mercados-chave de bioenergia, com os biocombustíveis respondendo por 1,7 milhão de empregos, a biomassa por 700 mil e o biogás 300 mil.

“Ao incluir dados de grandes hidrelétricas, este ano a IRENA traçou um quadro mais completo sobre os empregos no setor das energias renováveis. É importante reconhecer esses 1,5 milhão de trabalhadores, pois eles representam a maior tecnologia de energia renovável por capacidade instalada “, disse a Dra. Rabia Ferroukhi, Chefe da Unidade de Política da IRENA e Diretora Adjunta de Conhecimento, Política e Finanças.

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O relatório também informa que, globalmente, 62% dos postos de trabalho em renováveis estão localizados na Ásia. Empregos em instalação e manufatura continuam a migrar para aquela região, especialmente para Malásia e Tailândia, que se tornaram centro mundial de fabricação de energia solar fotovoltaica.

Na África, os avanços no uso das energias renováveis em concessionárias de serviços públicos foram grandes, gerando 62.000 empregos em renováveis no continente. “Em alguns países africanos, com recursos e infraestrutura adequados, estamos vendo postos de trabalho surgirem em fabricação e instalação para projetos com escala de serviços públicos. Para grande parte do continente, entretanto, as energias renováveis distribuídas, como a energia solar fora da rede, estão trazendo acesso à energia e desenvolvimento econômico. Estas soluções de mini-grid e off-grid estão dando às comunidades a chance de superar o gap de infra-estrutura de energia elétrica tradicional e criar novos postos de trabalho no processo “, disse Ferroukhi.

Fontes ONE2030 / CicloVivo de 25 de maio de 2017