Os desertos recebem em seis horas mais energia do que a humanidade consome em um ano

desertec

O futuro será renovável, ou não haverá futuro”

A Terra é um planeta sem luz própria e depende totalmente dos raios do sol. Toda a vida na Terra depende da luz solar. A energia do sol é a fonte da maior parte da riqueza disponível na Terra e de toda a base alimentar. Mas, infelizmente, a humanidade desprezou a energia solar nos primeiros 200 anos da Revolução Industrial e preferiu queimar os combustíveis fósseis para impulsionar a economia, o que aumenta o efeito estufa, a acidificação dos oceanos e o aquecimento global.

Um cálculo elementar, feito em 1986, pelo físico alemão Gerhard Knies, mostra que os desertos recebem em seis horas mais energia do que a humanidade consome em um ano. Pequenas áreas de deserto utilizadas permanentemente poderiam fornecer a energia renovável suficiente para movimentar a economia.

O sonho de captar a energia solar que está disponível nos desertos pode se tornar realidade com a redução do custo da energia renovável e com a construção de linhas de transmissão com base nos conectores de corrente contínua de ultra-alta tensão (UHVDC) que são mais adequados para a transmissão em grandes extensões de produção energética. Estas ligações de alta capacidade não só tornam a rede elétrica mais verde, mas também as torna mais estáveis, equilibrando a oferta e a demanda.

Por exemplo, uma pequena área do deserto do Saara, menor do que a área de Alagoas, seria o suficiente para abastecer toda a Europa e o Oriente Médio e o Norte da África (MENA). O consócio Desertec Industrial Initiative (DII), criado em 2009, foi criado exatamente para implementar usinas solares e eólicas no norte da África e no Oriente Médio, visando fornecer 15% da energia consumida na Europa por volta de 2050 e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.

Embora existam dúvidas sobre a viabilidade do projeto, a fase inicial já começou no Marrocos, em 2013, com a construção de uma usina solar de 500 megawatts perto da cidade marroquina de Ouarzazate (a proximidade com a Espanha facilita a entrada da energia na rede europeia). Outras iniciativas estão sendo implementadas no Marrocos, na Argélia e na Tunísia. Numa etapa posterior, devem ser incluídos a Líbia, o Egito, e os países da Península Arábica, da costa asiática do Mediterrâneo e do Iraque. Cabos de transmissão extras instalados no Mediterrâneo e na Turquia poderiam dar sustentação financeira à iniciativa ao redor de 2035.

A primeira parte do projeto Desertec é orçada em € 400 bilhões e conta com o apoio de empresas do porte da Siemens. Apesar do alto custo, o projeto de captar energia renovável no deserto pode ficar mais barato do que a exploração de combustíveis fósseis, além de ajudar os países europeus e da MENA a cumprir com as metas de descarbonização da economia, estabelecidas pelo Acordo de Paris, de 2015.

A crise econômica europeia e a instabilidade política do norte da África e do Oriente Médio são fatores limitadores. Evidentemente, investimentos de longo prazo como proposto pelo consórcio Desertec requerem o envolvimento do Estado e estabilidade das instituições políticas. Mas os ganhos para ambos os lados do Mediterrâneo poderão ser tão grandes que convençam os países a investir em energia renovável e no aproveitamento do potencial solar.

Mas enquanto o potencial solar do deserto do Saara avança a passos lentos – mesmo diante de um futuro brilhante – a China já tem vários projetos para incrementar as usinas solares no deserto de Gobi e na Mongólia interior. Com a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (OBOR – One Belt, One Road), a China pretende levar a energia solar para a Eurásia e a África, interligando as usinas com uma rede de transmissão inteligente (com os conectores de corrente contínua de ultra-alta tensão – UHVDC).

De acordo com a Administração Nacional de Energia da China, o país instalou um total de 52,8 GW de nova capacidade solar em 2017 (o equivalente a 4 usinas de Itaipu). Ou seja, somente no ano passado a China instalou mais capacidade de produção de energia solar que o Brasil em toda a sua história. No total a China já tem 130 GW de energia solar instalada, líder absoluta do mundo. A China adicionou um total de 133 GW de nova capacidade de geração de energia em 2017, incluindo 12,8 GW de energia elétrica e 45,78 GW de energia térmica. Isso significa que, pela primeira vez na história do país, a China instalou energia mais limpa do que a energia térmica.

Artigo de Angus McCrone, da Bloomberg New Energy Finance (BNEF, 16/01/2018), apresenta 10 previsões para a energia renovável em 2018 e mostra que a energia solar se tornou a fonte energética mais barata, a que mais cresceu em 2017 e a que vai apresentar os maiores avanços em 2018. A contínua queda nos custos, o barateamento das baterias de íons de lítio e os veículos elétricos vão impulsionar a instalação de nova capacidade que pode chegar a 107 GW em 2018 (equivalente a 8 usinas de Itaipu), coisa impensável há dois anos.

O que não falta no mundo é luz solar e áreas secas e ermas. Diversos outros países estão investindo em usinas solares no deserto, como o Chile que avança na produção solar no deserto de Atacama. O Nordeste e o semiárido brasileiro poderiam fornecer mas energia ao Brasil do que as jazidas do pré-sal, com a vantagem de ser uma fonte energética mais limpa, com potencial mais democrático e menos sujeita à corrupção.

Ou seja, as áreas desérticas do mundo, especialmente aquelas com alta incidência de insolação, podem fornecer um futuro de energia renovável e mais limpa que o mundo necessita. A despeito das dificuldades da intermitência e dos problemas da produção e do descarte, a energia solar é um dos caminhos indicados pelo Acordo Climático de Paris para a economia de baixo carbono.

Referências

ALVES, JED. A revolução da energia renovável e suas limitações, Ecodebate, 03/07/2015
http://www.ecodebate.com.br/2015/07/03/a-revolucao-da-energia-renovavel-e-suas-limitacoes-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A transição energética: da energia fóssil às renováveis, Ecodebate, 28/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/28/transicao-energetica-da-energia-fossil-as-renovaveis-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A China e a Rede Elétrica Inteligente global, renovável e UHVDC, Ecodebate, 13/03/2015 https://www.ecodebate.com.br/2017/03/13/china-e-rede-eletrica-inteligente-global-renovavel-e-uhvdc-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Desertec Industrial Initiative: http://www.desertec.org/

Angus McCrone. The Force Is With Clean Energy: 10 Predictions for 2018. Bloomberg New Energy Finance, January 16, 2018
https://about.bnef.com/blog/clean-energy-10-predictions-2018/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

Fonte – EcoDebate de 02 de fevereiro de 2018

Alemanha tinha tanta energia elétrica no Natal que precisou pagar às pessoas para elas usarem

Imagem Tony Webster/Flickr

Em tempos de bandeiras tarifárias, parece impossível existir um superávit de energia elétrica. No Brasil, realmente é um fato distante da realidade; mas, na Alemanha, a história é diferente: durante o final de semana do Natal, a produção de energia limpa no país superou a demanda de uso, e foi preciso pagar para as pessoas, em vez de cobrá-las. E não é a primeira vez que isso acontece.

Essa superprodução, no entanto, não é constante. Apesar da Alemanha ter investido US$ 200 bilhões em fontes de energia limpa nas últimas duas décadas, ainda existem muitas plantas energéticas nucleares e de carvão – e elas são parte fundamental para que os preços de energia renovável fiquem abaixo de zero em alguns momentos.

Como isso acontece?

Os preços chegaram abaixo de zero no final de semana do Natal por conta do clima quente e dos fortes ventos na região das usinas de energia solar e eólica da Alemanha. Além disso, muitas fábricas e empresas estavam inativas, o que derrubou drasticamente a demanda por energia.

Quando isso acontece, as plantas de energia renovável não conseguem armazenar o que é produzido, e os outros meios, como carvão e energia nuclear, não conseguem reduzir a produção a tempo – é difícil prever rapidamente quando a produção de energia limpa vai aumentar ou diminuir.

Esse conjunto de fatores fez com que algumas pessoas e empresas (que conseguissem gastar muita energia) ganhassem um crédito de US$ 60 por megawatt-hora.

Diversos países europeus já passaram por situações similares, incluindo Bélgica, França, Reino Unido, Holanda e Suíça. Mas a Alemanha é campeã de superprodução, tanto que, de vez em quando, vende o excesso para países vizinhos – em um final de semana de outubro de 2017, por exemplo, os preços ficaram abaixo de zero por 31 horas, chegando a gerar um crédito de US$ 98 por megawatt-hora para os grandes consumidores.

Os consumidores não recebem nenhum dinheiro na conta bancária, nem mesmo deixam de receber a conta de luz. Isso porque a geração de energia representa, em média, apenas 15% dos custos de uma conta de eletricidade por lá. O restante do valor inclui impostos, taxas de financiamento para investimento em energia limpa e encargos pelo uso da rede. Às vezes, os preços sobem, também. Em compensação, quando ocorre esse superávit, os cidadãos recebem um desconto diluído.

Estima-se que, no mundo todo, a energia limpa crescerá mais do que qualquer outra fonte nos próximos cinco anos. Enquanto isso, no Brasil está rolando uma proposta na Câmara para cobrar royalty sobre o vento – seríamos pioneiros nesta cobrança.

Fontes – New York Times / Alessandro Junior, Gizmodo Brasil de 04 de janeiro de 2017

Energia renovável no Brasil: análise das principais fontes energéticas renováveis brasileiras

O livro “Energia Renovável no Brasil” apresenta as principais fontes de energia renovável que possuem grande potencial de participação na matriz elétrica brasileira: Energia Hidrelétrica, Solar, Eólica e Biomassa.

Estabelecendo um panorama nacional e internacional, o livro realiza uma análise sobre as tecnologias e desafios relacionados ao aproveitamento de cada uma dessas fontes. Os leitores poderão aumentar sua percepção sobre os principais impactos ambientais, econômicos e sociais envolvidos na exploração dessas energias; conhecer o funcionamento, os fundamentos do dimensionamento e os principais componentes de cada sistema; se familiarizar com os incentivos governamentais e legislação pertinente; e conhecer o grande potencial que o Brasil possui com relação ao aproveitamento de suas fontes de energia renovável.

Frederico Fábio Mauad – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo
Luciana da Costa Ferreira – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo
Tatiana Costa Guimarães Trindade – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo

Fonte – Portal de Livros Abertos da USP

Células solares transparentes prontas para envelopar o mundo

Este módulo captura a energia solar fora do espectro visível, o que o torna altamente transparente, não interferindo com a iluminação dos edifícios. [Imagem: Michigan State University]

Painéis solares transparentes

As células solares transparentes já estão prontas para fazer a diferença na geração de energia renovável.

É o que defende uma equipe da Universidade do Estado de Michigan, nos EUA, que afirma que painéis solares instalados em janelas e vidraças, juntamente com os painéis solares tradicionais, instalados nos telhados, podem virtualmente atender a toda a demanda de energia de um país.

“As células solares altamente transparentes representam a onda do futuro para novas aplicações solares. Nós analisamos o potencial delas e mostramos que, ao colher somente a luz invisível, esses dispositivos podem fornecer um potencial de geração de eletricidade semelhante ao dos painéis solares dos telhados, oferecendo funcionalidades adicionais para aumentar a eficiência de edifícios, automóveis e dispositivos móveis,” confirma o professor Richard Lunt.

O pesquisador se refere às células solares de película fina feitas de materiais plásticos – orgânicos – e que são capazes de capturar fótons em comprimentos de onda acima ou abaixo da luz visível.

Esses materiais podem ser ajustados para capturar os comprimentos de onda ultravioleta e infravermelho próximo, por exemplo, convertendo em eletricidade essa energia que é tipicamente desperdiçada pelas células solares cristalinas de silício.

Mais lugares onde o Sol brilha

Em termos de potencial gerador de eletricidade, a equipe calculou que há de 5 a 7 bilhões de metros quadrados de superfícies envidraçadas apenas nos Estados Unidos. E, com tanto vidro para cobrir, as tecnologias solares transparentes têm o potencial de fornecer cerca de 40% da demanda de energia do país – mais ou menos o mesmo potencial que os painéis solares de telhado.

“A implantação complementar de ambas as tecnologias poderia nos aproximar de 100% da nossa demanda se também melhorarmos o armazenamento de energia,” disse Lunt.

As células solares altamente transparentes estão registrando eficiências de apenas cerca de 5%, enquanto os painéis solares de silício normalmente têm de 15% a 18% de eficiência. Embora as tecnologias solares transparentes provavelmente nunca se tornem mais eficientes do que suas equivalentes opacas, elas contam com a vantagem de poderem ser aplicadas em muito mais área – não apenas nos telhados, mas também nas laterais inteiras de edifícios e casas, além dos veículos e outros equipamentos.

“As aplicações solares tradicionais têm sido pesquisadas ativamente por mais de cinco décadas, mas começamos a trabalhar nessas células solares altamente transparentes há apenas cerca de cinco anos. Em última análise, esta tecnologia oferece uma rota promissora para a adoção solar econômica e barata em larga escala em superfícies pequenas e grandes que anteriormente eram inacessíveis,” finalizou Lunt.

Bibliografia

Emergence of highly transparent photovoltaics for distributed applications
Christopher J. Traverse, Richa Pandey, Miles C. Barr, Richard R. Lunt
Nature Energy
DOI: 10.1038/s41560-017-0016-9

Fonte – Inovação Tecnológica de 26 de outubro de 2017

Supermercado terá maior usina de energia solar em edifício da região Sul

Loja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: DivulgaçãoLoja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: Divulgação

Painel fotovoltaico com cinco mil metros é um dos destaques da unidade no Santa Quitéria

A nova loja da rede de supermercados Condor que será inaugurada no dia 27 de setembro no bairro Santa Quitéria terá a maior usina de energia solar em edifício da região Sul do Brasil. São 1.422 painéis instalados na cobertura da loja, gerando mais de mais de 50 mil k/Wh  – o equivalente ao consumo de cerca de 200 famílias. (A maior usina de energia solar do Brasil fica em Tubarão (SC) e tem 19.424 painéis em uma área de 10 hectares às margens da BR-101.)

A rede investiu R$ 40 milhões na nova loja que tem área total de 12 mil m², sendo 3.500 m² de área de vendas. Foram R$ 2 milhões destinados à tecnologia de geração própria de energia.

Nova unidade apresenta várias soluções sustentáveis, como energia solar, captação de água da chuva e aproveitamento de iluminação natural. Imagem: Divulgação

Waldeny S. Fiuza, arquiteto do escritório Doria Lopes Fiuza Arquitetos Associados, explica que desenvolve o projeto há dois anos e colocou alguns painéis de energia solar no portão de entrada da loja, sem funcionalidade, mas com a intenção de destacar o uso desse tipo de energia no local.

Utilizar um painel fotovoltaico com cinco mil metros foi um dos principais desafios do projeto, segundo o arquiteto. “Primeiro tivemos que orientar o telhado na posição correta, de maneira a otimizar o uso dos painéis, mas não queríamos perder a iluminação natural dentro da loja”, conta.

Domus prismáticos permitem a entrada da luz externa no interior da loja. Foto: Waldeny S. Fiuza

O sistema de iluminação dimerizável, que ajusta a intensidade luminosa de acordo com a luz natural, foi outra solução para economia de energia elétrica. Também foram instalados na cobertura do estabelecimento os domus prismáticos que filtram os raios ultravioletas em até 98% e permitem a entrada da luz externa no ambiente. “A iluminação natural através dos domus permite que não se use praticamente nada de iluminação artificial durante o dia”, explica Fiuza.

Sustentabilidade

O Condor Santa Quitéria, que será a 44ª unidade da rede de supermercados, tem um sistema de captação de água da chuva para ser usada na irrigação de jardins, limpeza de pisos e descarga de sanitários.

Outra tecnologia sustentável aplicada no local foi a instalação de lâmpadas LED em todo o estabelecimento, reduzindo em 50% o consumo de energia elétrica e o descarte no meio ambiente.

Fonte – Gazeta do Povo de 26 de setembro de 2017

Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de IsraelEspelhos podem ser controlados remotamente e ficam próximos a torres de wi-fi, para garantir conexão sem interrupção | Foto: Felipe Wolokita

A Usina de Ashalim, em construção, em IsraelUsina de Ashalim ficará pronta no primeiro trimestre de 2018 | Foto: Divulgação

Na paisagem das areias do deserto do Negev, no sul de Israel, uma torre de 250 metros de altura – o equivalente a um prédio de 50 andares – se destaca. Trata-se da torre da usina solar de Ashalim, parte do esforço das autoridades israelenses para produzir, até 2020, 10% de sua energia através de fontes renováveis; hoje, este porcentual é de 2,5%.

A mais alta do mundo em um projeto de energia solar térmica concentrada (Concentrating Solar Power – CSP, em inglês), a torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos controlados por computador (heliostatos), distribuídos por uma área de 3 km². Esses espelhos acompanharão a movimentação do sol de modo a refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da torre, durante o maior tempo possível ao longo do dia.

A radiação solar infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará um processo térmico de vapor que moverá enormes turbinas, gerando energia elétrica “limpa”. Quando pronta, no primeiro trimestre de 2018, a usina de Ashalim produzirá 121 megawatts de energia solar, suficientes para iluminar 125 mil casas, evitando a emissão anual de 110 mil toneladas de dióxido de carbono.

“A eletricidade será gerada a partir do vapor da mesma forma que geraria uma usina de gás ou de carvão, mas a energia não vem de combustíveis fósseis e sim do sol. É uma obra de porte para quem quer investir em energia limpa”, diz o engenheiro uruguaio Jacinto Durán-Sanchez, diretor-geral da usina solar.

Espelhos e torre da Usina de Ashalim ao fundoEspelhos podem ser controlados remotamente e ficam próximos a torres de wi-fi, para garantir conexão sem interrupção | Foto: Felipe Wolokita

Conexão 24h

Os espelhos serão controlados remotamente até mesmo por telefones celulares dos engenheiros e diretores. Diariamente, a areia do deserto acumulada sobre eles terá de ser retirada.

“Os heliostatos vão estar inclinados, levando os raios de sol e o calor até a caldeira para levar a água a um vapor de 600 graus. Cada heliostato tem seu comando individual e remoto. Entre os espelhos há torres de wi-fi para assegurar que estejam conectados 24h por dia”, explica o engenheiro argentino Claudio Nutkiewicz, outro latino-americano envolvido no projeto.

No mundo, existem atualmente apenas 10 usinas heliotérmicas com capacidade superior a 121 MW. A maior é a de Ivanpah, no deserto do Mojave (EUA), inaugurada em 2014, com capacidade projetada de 392 MW. Mas ela conta com três torres de 190 metros de altura cada uma (40 andares), que recebem luz de 173.500 heliostatos.

As turbinas da usina solarUsina de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões | Foto: Daniela Kresch

O projeto de Israel é mais humilde no número de espelhos (um terço), mas inova ao contar com apenas uma torre dez andares mais alta – que teria potencial maior na produção energética com custo menor do que o de erguer diversas torres. Novos megaprojetos com torres altíssimas (ao invés de várias mais baixas) estão em andamento. Uma delas, na Austrália, chegará perto da de Ashalim. A Aurora Solar Energy terá uma torre de 227 metros de altura (48 andares).

A usina solar (ou heliotérmica) de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões e, faz parte de um projeto mais amplo, o Megalim, uma joint-venture entre a General Electric (GE), a BrightSource (empresa americana de energia solar que também construiu a usina de Ivanpah) e o fundo israelense Noy (que investe em infraestrutura, com participação do Banco Hapoalim, o maior do país).

No total, o projeto é estimado, em US$ 820 milhões, incluindo mais duas obras complementares: uma para armazenamento de energia solar de noite e outra de uma usina com tecnologia fotovoltaica para produzir ainda mais energia. Juntos, os três projetos solares gerarão cerca de 310 MW – cerca de 2% das necessidades de Israel.

Mas as usinas heliotérmicas também têm críticos. Nos Estados Unidos, ambientalistas apontam para o fenômeno de aves mortas encontradas nas proximidades dessas centrais elétricas. Eles afirmam os pássaros são incinerados pela luz refletida pelos espelhos, que pode alcançar 600° centígrados.

Fonte – Daniela Kresch, BBC Brasil de 07 de setembro de 2017

A França quer proibir toda a produção de combustível fóssil até 2040

Imagem de topo: AP / Matthieu Alexandre

No que seria uma novidade no mundo, o governo do presidente Emmanuel Macron quer eliminar progressivamente toda a exploração e produção de petróleo e gás na França e seus territórios externos até 2040. Parece dramático, mas a nação da União Europeia tem muito pouco a perder enquanto visa um futuro mais verde.

Como o The New York Times relatou, o governo de Macron irá introduzir a legislação proposta para o gabinete francês mais tarde hoje, com esperanças de que o projeto seja aprovado até o final do ano. O governo francês está se esforçando para tornar o país neutro em carbono até 2050, ativando os freios das emissões de gases do efeito estufa, apontado como principal responsável pela mudança climática causada pelo homem.

Sob a nova lei, a França deixaria de emitir quaisquer licenças de exploração de petróleo e gás, e todos os subsídios atuais seriam gradualmente controlados e exauridos ao longo dos próximos 22 anos. Nenhuma licença de gás de xisto seria emitida, seja para exploração ou extração (atualmente, fraturamento hidráulico (ou fracking, como também é conhecido) é ilegal na França, mas o projeto de lei leva isso além, proibindo todos os métodos, tanto os existentes quanto os especulativos).

O ano alvo coincide com o plano do país para acabar com a venda de veículos a gasolina e diesel  até 2040. A legislação também está em sintonia com os compromissos do governo francês no âmbito do Acordo Climático de Paris, e seus esforços para promover a energia renovável. O país está esperando uma queda da dependência da energia nuclear para 50 por cento até 2025, dos atuais 75 por cento.

Este projeto de lei será histórico caso seja aprovado, e a França está em uma posição muito boa para fazer isso agora, já que o movimento é visto, em grande parte, como um ato simbólico. Ao contrário das economias dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, vários países do Oriente Médio e outros, a dependência da França da extração de combustíveis fósseis é muito baixa. A França só produz cerca de seis milhões de barris de hidrocarbonetos por ano, a classificando como 71ª no mundo. A Rússia, por outro lado, produz 10,5 milhões de barris por dia. Além do mais, a produção de petróleo e gás francesa representam apenas um por cento do seu consumo total. A França vai continuar a importar e até mesmo a refinar o óleo após o prazo de 2040.

A petrolífera principal da França, Total, tem permissão para procurar depósitos de petróleo em territórios externos do país, como a Guiana Francesa. Não é imediatamente claro como a legislação pendente irá afetar a empresa, e ela ainda está para apresentar uma declaração sobre a medida proposta.

Simbólico ou não, este movimento da França deve deixar as grande petrolíferas pelo menos um pouco nervosas. O futuro dos combustíveis fósseis está começando a parecer cada vez mais sombrio. E damos graças por isso.

Fontes – New York Times, Associated Press via Washington Post / George Dvorsky, Gizmodo de 6 de setembro de 2017

Ministro anuncia para breve portaria sobre energia solar em imóveis populares

Placas de energia solar instaladas para gerar eletricidadeEnergia solar reduzirá valor de contas de luz de imóveis do Minha Casa, Minha Vida, diz ministro. Soninha Vill/GIZ

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, informou hoje (10) que será lançada em breve a portaria que prevê a instalação de energia solar nos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Na tarde desta quinta-feira, o ministro recebeu o resultado de um estudo para a implementação da energia solar nos empreendimentos do programa habitacional.

“Com esse estudo apresentado hoje, vamos trabalhar esta sexta-feira, segunda-feira e terça-feira, para transformar esse trabalho em uma portaria, uma determinação, para que o programa Minha Casa, Minha Vida comece estabelecendo [essa instalação]”, disse Bruno Araújo, ao participar de evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Semana que vem, seguramente, vamos ter notícia sobre essa nova regra se incorporando ao programa habitacional brasileiro”, afirmou.

Mais cedo, em evento na prefeitura de São Paulo, o ministro disse esperar que, no ano que vem, as unidades habitacionais do programa possam ser entregues à geração de energia alternativa. “Nós elaboramos um protocolo com a Fiesp e com Furnas – hoje receberemos o resultado desse estudo, avaliaremos e transformaremos isso numa portaria. E vamos determinar que, a partir de 2018, o programa Minha Casa, Minha Vida possa começar a gerar energia solar, o que vai baratear as contas dos beneficiários do programa.”

Segundo Araújo, o projeto vai “impulsionar a indústria nacional, reduzir custos, viabilizar a redução da conta de energia das famílias de baixa renda e ajudar a tirar uma carga dos demais sistemas tradicionais de geração de energia”.

O estudo

De acordo com o estudo, o custo das moradias não sofrerá alteração com a implantação da tipo de energia solar, que será instalado no telhado das edificações. Apresentando o estudo, o vice-presidente do Conselho Superior da Construção, Manuel Rossitto, explicou como o sistema de produção de energia solar seria custeado pelos beneficiários da Faixa 1 do programa. “O proprietário da residência adquire o sistema fotovoltaico junto com a unidade habitacional, com o valor embutido nas prestações que serão pagas pelo imóvel, possuindo o incentivo natural para manutenção e conservação do sistema.”

A implementação de energia solar fotovoltaica no programa foi proposta pela Fiesp em dezembro do ano passado e é resultado de um protocolo de intenções entre a entidade e os ministérios das Cidades e do Trabalho. No sistema fotovoltaico, a energia elétrica é gerada por meio da radiação solar.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, explicou que o beneficiário do programa gastar menos com a conta de luz, ao usar a energia solar. “Conforme as estimativas que foram apresentadas hoje, um consumidor da Faixa 1 do programa tem consumo na faixa de 100 Kwh [quilowatts/hora] por mês de energia elétrica. Esse consumidor, com o sistema projetado com a energia solar, poderá gerar, em sua própria residência, 70 Kwh por mês. Isso significa que ele está tendo uma economia de 70% no gasto de energia elétrica que ele tem no seu dia a dia.”

De acordo com Sauaia, a energia solar não vai substituir a energia tradicional. “Ele [beneficiário do programa] continua aproveitando a energia da rede elétrica. O sistema fotovoltaico complementa, gerando energia limpa. E a energia adicional [de] que a habitação precisar poderá ser obtida da rede”, explicou.

Fonte – Elaine Patricia Cruz, colaborou Ludmilla Souza, edição Nádia Franco, Agência Brasil de 10 de agosto de 2017

INPE lança segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar

No dia 4/8, às 10 horas, o lançamento o Atlas Brasileiro de Energia Solar foi um dos destaques da comemoração do aniversário de 56 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Realizada na sede, em São José dos Campos (SP), a cerimônia teve a participação de cientistas e gestores do INPE e outras instituições de pesquisa, empresários e autoridades regionais, representantes de entidades nacionais e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, entre outras personalidades.

Para o novo estudo, que indica um enorme potencial ainda pouco explorado em energia solar, foram empregados 17 anos de dados de satélites que permitiram vários avanços nos modelos de transferência radiativa, além de análises sobre a variabilidade espacial e temporal deste recurso renovável, bem como cenários de emprego de várias tecnologias solares.

O Atlas foi apresentado durante a cerimônia que homenageia servidores de diversas áreas, em reconhecimento a seus anos de trabalho e dedicação ao INPE, instituto criado em 3 de agosto de 1961.

O INPE tem como missão produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial (Ciências Espaciais e Atmosféricas, Engenharia e Tecnologia Espacial e Observação da Terra por satélites) e do ambiente terrestre (Previsão de Tempo e Clima e Ciência do Sistema Terrestre), e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.

É reconhecido no mundo todo por seus sistemas de monitoramento do meio ambiente, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais e atmosféricas, engenharia de satélites e pela excelência de seus cursos de pós-graduação. O INPE deu ao Brasil a capacidade de desenvolver satélites, produzir ciência espacial de qualidade, monitorar nosso território, ter uma previsão de tempo moderna, entender as mudanças globais e fazer com que o Espaço seja compreendido pela sociedade brasileira.

Como executor de atividades do Programa Espacial Brasileiro, o INPE fomenta a inovação e o fortalecimento do setor aeroespacial no país. No Instituto, são construídos satélites para produção de dados sobre o planeta Terra e desenvolvidas pesquisas que transformam esses dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo.

Satélites de observação da Terra, como os da família CBERS, desenvolvidos pelo INPE em cooperação com a China, e o Amazonia-1, o primeiro totalmente nacional, são fundamentais para um país de dimensões continentais como o Brasil. São inúmeras as suas aplicações, com destaque para o monitoramento de florestas, previsão de safras agrícolas, monitoramento de queimadas, análise de usos da terra, cadastro territorial urbano e rural, entre outras.

Não só as imagens de satélites e dados brutos estão disponíveis a qualquer cidadão, mas também os resultados obtidos em seus estudos e projetos. No INPE, há um compromisso com a transparência sobre informações que são de interesse da sociedade como, por exemplo, dados sobre qualidade do ar, raios, tempo e clima, níveis de reservatórios e desmatamentos.

O estabelecimento e a manutenção das competências científico-tecnológicas são apoiados pelo programa de pós-graduação realizado pelo INPE desde o final da década de 1960. Outra característica que fortalece o Instituto é o relacionamento com outras organizações para o intercâmbio científico e tecnológico, acesso e fornecimento de dados e desenvolvimento de serviços, tecnologias e sistemas espaciais.

Presente em todas as regiões do Brasil, o INPE tem sua sede em São José dos Campos (SP) e possui centros regionais em Belém (PA), Natal (RN) e Santa Maria (RS), além de unidades em Cuiabá (MT) e Cachoeira Paulista (SP).

Fonte – INPE de 02 de agosto de 2017

Índia cancela planos para centrais a carvão graças à “queda livre” dos preços da energia solar

trabalhadores numa central de energia solar na ÍndiaFoto: Reuters/Amit Dave

Índia cancelou os planos para a construção das centrais a carvão que iriam gerar quase 14 gigawatts de energia, devido à descida dos preços da energia solar, que estão a atingir níveis recorde.

Pela primeira vez, a energia solar é mais barata do que a do carvão, na Índia, e as implicações que isso tem para a transformação dos mercados globais no sector energético são profundas”, comentou Tim Buckley, analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis.

Até 2022, a Índia tem como objetivo conseguir gerar 175 gigawatts de energia a partir da solar fotovoltaica, da biomassa e da eólica.

“As medidas tomadas pelo governo indiano para melhorar a eficiência energética, em conjunto com as metas ambiciosas no domínio das energias renováveis e a queda livre do preço da energia solar, produziram um impacto nas centrais elétricas a carvão já existentes, assim como nas propostas, tornando um número cada vez maior destas financeiramente inviáveis.”

“Os preços da energia solar na Índia têm estado, literalmente, em queda livre nos últimos meses”, disse o analista.

Fonte – The UniPlanet de 05 de junho de 2017