Energias Renováveis ganham isenção de ICMS em todo Brasil

Amazonas, Paraná e Santa Catarina formalizaram na última semana adesões ao Convênio ICMS nº 16/2015, que autoriza os governos estaduais a isentarem o ICMS sobre a energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural, por meio da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica.

A adesão foi oficializada por meio do Convênio ICMS nº 42/2018, publicado no Diário Oficial da União do dia 17 passado. Agora, a medida passará a beneficiar todos os Estados da Federação, abrangendo 100% da população, empresas e produtores rurais do País.

O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, saudou os Governos dos Estados recém-integrados ao Convênio pela medida.

“A adesão do Amazonas, Paraná e Santa Catarina demonstra o interesse e o comprometimento dos governos amazonense, paranaense e catarinense em acelerar o uso da energia solar fotovoltaica no estado. Este passo só foi possível graças à mobilização e ao apoio do setor solar fotovoltaico brasileiro e de lideranças parlamentares das Assembleias Legislativas do Paraná e de Santa Catarina, respectivamente”, comentou.

“Trata-se de uma medida estratégica para incentivar a população e as empresas a reduzirem custos de energia elétrica pela geração de sua própria energia limpa, renovável e sem emissões de gases de efeitos estufa a partir do sol e de outras fontes renováveis. Esta decisão promoverá novos investimentos privados, movimentará a economia dos estados, atrairá mais empresas e gerará novos empregos locais de qualidade em suas regiões”, acrescentou.

Na visão de Sauaia, a adesão dos três estados representa um marco histórico relevante, pois completa a participação de todos os Estados do País ao Convênio ICMS nº 16/2015, medida defendida pela entidade desde a criação do Convênio e que demandou mais de três anos de trabalho em conjunto com diversos atores governamentais, parlamentares, agentes privados e entidades da sociedade civil até sua concretização.

Apesar do avanço, o executivo alerta que, devido a ajustes regulatórios ocorridos em 2015 e 2017 na Resolução Normativa nº 482/2012 da Aneel, são necessárias correções ao Convênio ICMS nº 16/2015, para atualizá-lo e padronizá-lo às novas regras em vigor.

“A Aneel identificou barreiras e aprimorou a sua Resolução Normativa para este segmento de mercado, abrindo espaço para novos modelos de negócio e novas faixas de potência na geração distribuída. Infelizmente, o Convênio não reflete estas novas condições e está defasado frente à regulamentação da agência, o que provoca uma nova barreira tributária para o avanço das fontes renováveis nos estados”, explicou.

Para superar este desafio, a Absolar propõe duas alternativas: (i) a atualização do Convênio ICMS nº 16/2015; ou (ii) o estabelecimento de um novo Convênio, autorizativo e por adesão, alinhado à regra atual da Aneel e que permita aos estados apoiadores das fontes renováveis corrigir este problema e recuperar a atração de novos investimentos privados e empregos para suas regiões.

Fontes – Ambiente Energia / Neo Mondo de 29 de maio de 2018

Podemos obter 100% da nossa energia a partir de fontes renováveis? Sim, dizem cientistas internacionais em novo artigo

energia 'verde'

Existe espaço suficiente para que todas as turbinas eólicas e painéis solares forneçam todas as nossas necessidades energéticas? O que acontece quando o sol não brilha e o vento não sopra? Não renováveis podem desestabilizar a rede e causar apagões? Um novo artigo reúne as evidências para responder a essas perguntas.

Em um artigo de revisão [https://doi.org/10.1016/j.rser.2017.03.114] no ano passado, no periódico de renome Renewable and Sustainable Energy Reviews, Benjamin Heard e seus colegas apresentaram seu caso contra sistemas 100% de eletricidade renovável. Eles duvidaram da viabilidade de muitos dos cenários recentes para altas parcelas de energia renovável, questionando desde sistemas baseados em renováveis que podem sobreviver a eventos climáticos extremos com baixo sol e vento fraco, até a capacidade de manter a rede estável com geração tão variável.

Agora os cientistas reagiram com a resposta aos pontos levantados por Heard e seus colegas. Os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, o Conselho Sul-Africano de Pesquisa Científica e Industrial, Universidade de Tecnologia de Lappeenranta, Delft University of Technology e Universidade Aalborg analisaram centenas de estudos de toda a literatura científica para responder cada uma das questões aparentes. Eles demonstram que não há barreiras no caminho para um futuro 100% renovável.

“Embora várias das questões levantadas pelo estudo do Heard sejam importantes, é preciso perceber que existem soluções técnicas para todos os pontos levantados, usando a tecnologia de hoje”, diz o principal autor da resposta, Dr. Tom Brown, do Karlsruhe. Instituto de Tecnologia. “Além disso, essas soluções são absolutamente acessíveis, especialmente tendo em conta os custos reduzidos da energia eólica e solar”, diz o professor Christian Breyer, da Universidade de Tecnologia de Lappeenranta, que é co-autor da resposta.

Brown cita a solução de pior caso de hidrogênio ou gás sintético produzido com eletricidade renovável para os momentos em que as importações, a hidroeletricidade, as baterias e outros estoques não conseguem preencher a lacuna durante os períodos de baixa energia solar e solar durante o inverno. Para manter a estabilidade, há uma série de soluções técnicas, desde a rotação de estabilizadores de grade até novas soluções baseadas em eletrônica. Os cientistas coletaram exemplos de melhores práticas por operadores de rede de todo o mundo, da Dinamarca à Tasmânia.

A resposta dos cientistas apareceu agora no mesmo jornal que o artigo original de Heard e colegas.

“Existem alguns mitos persistentes de que 100% de sistemas renováveis não são possíveis”, diz o professor Brian Vad Mathiesen, da Universidade de Aalborg, que é co-autor da resposta. “Nossa contribuição lida com esses mitos um a um, usando as pesquisas mais recentes. Agora vamos voltar ao negócio de modelar cenários de baixo custo para eliminar os combustíveis fósseis do nosso sistema de energia, para que possamos enfrentar os desafios climáticos e de saúde que eles representam ”.

Referência

T.W. Brown, T. Bischof-Niemz, K. Blok, C. Breyer, H. Lund, B.V. Mathiesen, “Response to ‘Burden of proof: A comprehensive review of the feasibility of 100% renewable-electricity systems’,” Renewable and Sustainable Energy Reviews, DOI:10.1016/j.rser.2018.04.113, 2018. https://doi.org/10.1016/j.rser.2018.04.113

Fontes – Universidade de Aalborg / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 21 de maio de 2018

Microgeração de energia elétrica terá isenção de ICMS

A governadora Cida Borghetti encaminhou para a Assembleia Legislativa Projeto de Lei que visa a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o fornecimento de energia elétrica produzida por mini e microgeração. O documento foi assinado na tarde desta terça-feira (5), no Palácio Iguaçu, em Curitiba.Curitiba, 05/06/2018.Foto: Orlando Kissner/ANPr

A governadora Cida Borghetti encaminhou nesta terça-feira para a Assembleia Legislativa o Projeto de Lei que visa a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o fornecimento de energia elétrica produzida por mini e microgeração.

A governadora Cida Borghetti encaminhou para a Assembleia Legislativa Projeto de Lei que visa a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o fornecimento de energia elétrica produzida por mini e microgeração. O documento foi assinado na tarde desta terça-feira (5), no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

“Essa medida, além de incentivar toda a cadeia de produção de energia limpa no Estado, é benéfica também para o meio ambiente, pois vai ao encontro do nosso compromisso de redução dos gases do efeito estufa”, disse ela.

Histórico

– Para dar benefícios aos microgeradores de energia, em 2015 o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) criou o Convênio ICMS 16/15, que permite aos estados concederem isenção do imposto incidente sobre a eletricidade trocada entre o cliente e a distribuidora. O Paraná aderiu à proposta no dia 16 de maio deste ano, durante reunião no Confaz em Brasília.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Silvio Barros, disse que a adesão era uma demanda do setor produtivo estadual. “Com isso, estamos criando uma alternativa de geração de energia renovável limpa, onde o investimento para a geração é feito pelo contribuinte. Além disso, estamos, também, estimulando novos negócios, gerando empregos e turbinando nossa economia de uma forma ecologicamente correta”, disse.

Além do Paraná, os Estados de Santa Catarina e do Amazonas também aderiram ao mesmo convênio. Outras 20 unidades da federação já haviam feito adesão.

Meio ambiente

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Antônio Carlos Bonetti, o envio do projeto é um marco importante, pois cria segurança jurídica para a microgeração e dá ao Estado mais ferramentas para o combate aos efeitos das mudanças climáticas. “Temos cada vez mais convicção da importância da produção de energias limpas, e aqui no Paraná temos muitas possibilidades com a geração de energia solar, eólica, do biogás e do biometano”, afirmou ele.

A medida é válida para unidades que geram até 1 megawatt (MW) de potência instalada nas cidades ou em zonas rurais. O consumidor que optar por gerar a própria energia por meio de fontes renováveis poderá compartilhar a produção excedente na rede pública de abastecimento e obter descontos na conta de luz. O abatimento ocorre por meio da isenção do ICMS sobre a energia elétrica trocada entre consumidor e distribuidora.

Fonte – Agência de Notícias do Paraná de 05 de junho de 2018

Precisou mudar o governador para o estado ficar mais verde.

Agora temos um secretário de estado de desenvolvimento urbano, o Silvio Barros, ecologista de longa data, daqueles que tem clorofila correndo nas veias.

Parabéns, ao novo governo do estado. O Paraná estava precisando de vocês para proteger o ecossistema e pensar nas gerações futuras.

***

Institui benefícios para incentivar o aproveitamento de energia elétrica produzida por microgeradores e minigeradores de energia distribuída e adota outras providências.

Art. 1º É isento o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente sobre a energia elétrica fornecida pela distribuidora à unidade consumidora, na quantidade correspondente à soma da energia elétrica injetada na rede de distribuição pela mesma unidade consumidora com os créditos de energia ativa originados na própria unidade consumidora no mesmo mês, em meses anteriores ou em outra unidade consumidora do mesmo titular, nos termos do Sistema de Compensação de Energia Elétrica estabelecido por normas regulamentadoras da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel.

§ 1º O benefício previsto no caput deste artigo:

I – se aplica somente à compensação de energia elétrica produzida por microgeração e minigeração definidas na Resolução Normativa da Aneel nº 482, de 17 de abril de 2012, ou enunciado normativo que a substituir, cuja potência instalada seja, respectivamente, menor ou igual a 75 Kw (setenta e cinco quilowatts) e superior a 75 kW (setenta e cinco quilowatts) e menor ou igual a 1MW (um megawatt);

II – não se aplica ao custo de disponibilidade, à energia reativa, à demanda de potência, aos encargos de conexão ou uso do sistema de distribuição e a quaisquer outros valores cobrados pela distribuidora;

III – será concedido pelo prazo máximo de 48 (quarenta e oito) meses.

§ 2º Não se exigirá o estorno do crédito do imposto relativo às operações anteriores.

§ 3º O benefício previsto nesta Lei fica condicionado:

I – à observância pelas distribuidoras e pelos microgeradores e minigeradores dos procedimentos previstos em Ajuste Sinief (Sistema Nacional de Informações Econômico-Fiscais);

II – a que as operações estejam contempladas com desoneração das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins.

Art. 2º A concessão do benefício fiscal previsto no art. 1º desta Lei depende da observância das normativas estabelecidas pela Aneel sobre compensação de energia elétrica.

Art. 3º O Poder Executivo regulamentará o disposto nos artigos 1º e 2º desta Lei no prazo de sessenta dias.

Art. 4º O § 5º do art. 30 da Lei nº 11.580, de 14 de novembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:

§ 5º Nas hipóteses do § 4º deste artigo e do § 1º do art. 31 desta Lei, sobrevindo decisão contrária irrecorrível, o contribuinte ou responsável, no prazo de quinze dias da respectiva notificação, procederá ao estorno dos créditos lançados, também devidamente atualizados, com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis.

Art. 5º Renumera para § 1º o atual parágrafo único do art. 31 da Lei nº 11.580, de 1996.

Art. 6º Acrescenta os §§ 2º a 4º ao art. 31 da Lei nº 11.580, de 1996, com a seguinte redação:

§ 2º Caso o fato gerador presumido se realize por valor diverso daquele que serviu de base de cálculo para retenção do imposto devido por substituição tributária, caberá ao contribuinte substituído, na forma, no prazo e nas condições previstos em ato do Poder Executivo:

I – a restituição da diferença na hipótese do fato gerador se realizar por valor inferior;

II – recolher a diferença, na hipótese de se realizar por valor superior.

§ 3º No cálculo do imposto devido de que trata o § 2º deste artigo deverão ser consideradas todas as operações do estabelecimento realizadas no período de apuração.

§ 4º A complementação e a restituição de que trata o § 2º deste artigo aplicam-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 20 de outubro de 2016.

Art. 7º A Ementa da Lei nº 19.477, de 25 de abril de 2018, passa a vigorar com a seguinte redação:

Estabelece que os programas de habitação popular financiados pelo Poder Público poderão prever em seus projetos de construção a instalação de sistemas de geração de energia renovável.

Art. 8º O caput do art. 1º da Lei nº 19.477, de 2018, passa a vigorar com a seguinte redação:

Art. 1º As unidades residenciais dos programas de habitação popular financiados pelo Poder Público poderão prever em seus projetos de construção a instalação de sistemas de geração de energia renovável.

Art. 9º O art. 2º da Lei nº 19.477, de 2018, passa a vigorar com a seguinte redação:

Art. 2º Para efeitos desta Lei, a definição dos equipamentos referentes ao sistema de geração de energia renovável a ser utilizado nas instalações seguirá as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com eficiência comprovada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO.

Parágrafo único. As empresas fabricantes, revendedoras ou instaladoras dos equipamentos referentes ao sistema de energia renovável possuem responsabilidade exclusiva sobre a qualidade e funcionamento dos referidos aparelhos.

Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

BNDES muda regra e pessoas físicas podem investir em sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração

telhado solarFoto: EBC

Fundo Clima permite financiar 80% dos itens apoiáveis ao custo final de 4,03% ao ano para pessoas físicas e jurídicas com renda até R$ 90 milhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou mudanças no Programa Fundo Clima. A partir de agora, no subprograma Máquinas e Equipamentos Eficientes, pessoas físicas terão acesso a financiamentos para a instalação de sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração (placas fotovoltaicas, aerogeradores, geradores a biogás e equipamentos necessários).

Trata-se de mais uma ação do BNDES para incentivar o cidadão brasileiro a investir em sustentabilidade e economia de energia. Os recursos poderão ser contratados em operações indiretas somente por meio de bancos públicos.

Economia

A implantação de sistemas de geração de energia solar permitirá aos consumidores reduzirem gastos com a conta de luz, já que passarão a comprar menos energia da concessionária e poderão, dependendo de sua região, fazer até uma conta corrente de energia vendendo o excedente para a distribuidora. Além disso, a geração distribuída traz um benefício para o sistema elétrico, já que conta com vários pontos de geração espalhados por residências e comércio, reduzindo o risco de interrupção do fornecimento de energia

Condições

Os limites do Fundo Clima alcançam 80% dos itens financiáveis, podendo chegar a R$ 30 milhões a cada 12 meses por beneficiário. Tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas (empresas, prefeituras, governos estaduais e produtores rurais), o custo financeiro do Fundo Clima é reduzido: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 0,9% ao ano. Para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 1,4% ao ano.

A remuneração dos agentes financeiros é limitada até 3% ao ano. Uma vez aplicada a remuneração máxima definida pelos bancos públicos, as taxas finais passam a ser as seguintes: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo final é de 4,03% ao ano; para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo final é de 4,55% ao ano. O programa permite carência de 3 a 24 meses, com prazo máximo de 144 meses. A vigência para adesão vai até 28 de dezembro de 2018.

Fundo

O Fundo Clima é destinado a projetos de Mobilidade Urbana, Cidades Sustentáveis, Resíduos Sólidos, Energias Renováveis, Máquinas e Equipamentos Eficientes e outras iniciativas inovadoras. O objetivo é financiar produções e aquisições com altos índices de eficiência energética ou que contribuam para redução de emissão de gases de efeito estufa.

Itens financiáveis

Podem ser financiados os seguintes itens, desde que novos e nacionais, cadastrados e habilitados para o subprograma no Credenciamento de Fornecedores Informatizados – CFI do BNDES: máquinas e equipamentos cadastrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) ou com o selo Procel (considerando os itens para os quais o PBE fornece a certificação de eficiência energética, serão aceitos apenas os de classificação A ou B); sistemas geradores fotovoltaicos, aerogeradores até 100kw, motores movidos a biogás, inversores ou conversores de frequência e coletores/aquecedores solares; ônibus e caminhões elétricos, híbridos e outros modelos com tração elétrica; e ônibus movidos a etanol.

Fontes – BNDES / EcoDebate de 06 de junho de 2018

Isenção de ICMS para Energia Solar – Infográfico Supremo

Estados com Isenção de ICMS para Energia Solar

Quais estados possuem Isenção de ICMS para a Mini ou Microgeração de Energia Solar?

Ao todo, no Brasil, o número de estados que possuem isenção de ICMS para energia solar (micro ou minigeração) é de 23 estados + Distrito Federal. Somente o Amazonas, Paraná e Santa Catarina ainda não aderiram ao Convênio ICMS 16/2015

Lista dos Estados que Possuem Isenção de ICMS para Energia Solar?

  1. Acre
  2. Amapá
  3. Alagoas
  4. Bahia
  5. Ceará
  6. Distrito Federal
  7. Espírito Santo
  8. Goiás
  9. Maranhão
  10. Mato Grosso
  11. Mato Grosso do Sul
  12. Minas Gerais
  13. Pará
  14. Paraíba
  15. Pernambuco
  16. Piauí
  17. Rio de janeiro
  18. Rio Grande do Norte
  19. Rio Grande do Sul
  20. Rondônia
  21. Roraima
  22. São Paulo
  23. Sergipe
  24. Tocantins

Infográfico dos estados brasileiros com Isenção de ICMS na Geração de Energia Solar

isencao-de-icms-para-energia-solar-_-infografico

Fonte – BlueSol de 13 de fevereiro de 2017

Energias Renováveis ganham isenção de ICMS em todo Brasil

Energias Renováveis ganham isenção de ICMS em todo Brasil

Amazonas, Paraná e Santa Catarina formalizaram na última semana adesões ao Convênio ICMS nº 16/2015, que autoriza os governos estaduais a isentarem o ICMS sobre a energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural, por meio da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica.

A adesão foi oficializada por meio do Convênio ICMS nº 42/2018, publicado no Diário Oficial da União do dia 17 passado. Agora, a medida passará a beneficiar todos os Estados da Federação, abrangendo 100% da população, empresas e produtores rurais do País.

O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, saudou os Governos dos Estados recém-integrados ao Convênio pela medida.

“A adesão do Amazonas, Paraná e Santa Catarina demonstra o interesse e o comprometimento dos governos amazonense, paranaense e catarinense em acelerar o uso da energia solar fotovoltaica no estado. Este passo só foi possível graças à mobilização e ao apoio do setor solar fotovoltaico brasileiro e de lideranças parlamentares das Assembleias Legislativas do Paraná e de Santa Catarina, respectivamente”, comentou.

“Trata-se de uma medida estratégica para incentivar a população e as empresas a reduzirem custos de energia elétrica pela geração de sua própria energia limpa, renovável e sem emissões de gases de efeitos estufa a partir do sol e de outras fontes renováveis. Esta decisão promoverá novos investimentos privados, movimentará a economia dos estados, atrairá mais empresas e gerará novos empregos locais de qualidade em suas regiões”, acrescentou.

Na visão de Sauaia, a adesão dos três estados representa um marco histórico relevante, pois completa a participação de todos os Estados do País ao Convênio ICMS nº 16/2015, medida defendida pela entidade desde a criação do Convênio e que demandou mais de três anos de trabalho em conjunto com diversos atores governamentais, parlamentares, agentes privados e entidades da sociedade civil até sua concretização.

Apesar do avanço, o executivo alerta que, devido a ajustes regulatórios ocorridos em 2015 e 2017 na Resolução Normativa nº 482/2012 da Aneel, são necessárias correções ao Convênio ICMS nº 16/2015, para atualizá-lo e padronizá-lo às novas regras em vigor.

“A Aneel identificou barreiras e aprimorou a sua Resolução Normativa para este segmento de mercado, abrindo espaço para novos modelos de negócio e novas faixas de potência na geração distribuída. Infelizmente, o Convênio não reflete estas novas condições e está defasado frente à regulamentação da agência, o que provoca uma nova barreira tributária para o avanço das fontes renováveis nos estados”, explicou.

Para superar este desafio, a Absolar propõe duas alternativas: (i) a atualização do Convênio ICMS nº 16/2015; ou (ii) o estabelecimento de um novo Convênio, autorizativo e por adesão, alinhado à regra atual da Aneel e que permita aos estados apoiadores das fontes renováveis corrigir este problema e recuperar a atração de novos investimentos privados e empregos para suas regiões.

Fonte – Neo Mondo de 29 de maio de 2018

Califórnia: nova lei exige que todas as habitações estejam equipadas com energia solar

Resultado de imagem para CALIFÓRNIA: NOVA LEI EXIGE QUE TODAS AS HABITAÇÕES ESTEJAM EQUIPADAS COM ENERGIA SOLARFoto: via Creative Commons

A partir de 1 de Janeiro de 2020, todas as novas casas construídas no estado da Califórnia terão de estar equipadas com energia solar. A medida que define os novos padrões de construção no estado norte-americano foi aprovado esta semana pela Comissão de Energia da Califórnia.

A nova legislação tem como objectivo a redução de emissões poluentes do estado californiano, com as estimativas a indicarem que os novos padrões energéticos podiam significar o equivalente à retirada de cerca de 115 mil carros movidos a combustíveis fósseis das estradas.

Cálculos divulgados pela Comissão de Energia da Califórnia, indicam que o custo de construção irá sofrer um aumento, na ordem dos 10 mil dólares. Valores que, no entanto, se traduzirão, numa elevada poupança com custos de energia e manutenção ao longo de várias décadas, sendo possível perto de 19 mil dólares com esta opção.

O documento agora aprovado contempla mais algumas alterações nos padrões de construção em vigor neste estado norte-americano. Assim, habitações construídas depois de 1 de Janeiro de 2020 terão de estar equipadas com melhor isolamento térmico, ventilação e iluminação natural.

Medidas aprovadas tendo em vista um uso mais eficiente da energia, para que o uso do ar-condicionado, aquecedores ou iluminação artificial desnecessária seja a excepção e não a regra nas habitações da Califórnia.

Fonte – Green Savers de 11 de maio de 2018

Grupo de São Paulo terá frota de 200 caminhões elétricos

ctv-bed-bydImportado. Valente (à esq.) e Roma com o novo caminhão Foto: André Akio Shinozuka

Corpus Saneamento, que atua em cidades de SP e ES, fechou encomenda com a chinesa BYD e terá a maior número de veículos fora da China

INDAIATUBA – A Corpus Saneamento e Obras, empresa que atua na coleta, transporte e destinação de resíduos em seis municípios de São Paulo e em Vitória (ES), encomendou 200 caminhões elétricos para substituir, gradualmente, parte de sua frota movida a diesel. Além de não emitirem poluição, os veículos são mais silenciosos e econômicos.

Inicialmente os veículos serão importados da matriz da BYD, na China, mas o grupo estuda a fabricação local em sua filial de Campinas (SP), onde produz ônibus elétricos desde 2015. Os primeiros 21 caminhões serão entregues em setembro. Outros 60 chegarão em 2019 e os demais ao longo dos quatro anos seguintes.

“Com essa aquisição a Corpus será a maior frotista de caminhões elétricos fora da China”, diz o diretor de vendas da BYD, Carlos Roma. Segundo ele, a empresa aguarda a nova política industrial para o setor automotivo, chamada de Rota 2030, para definir se produzirá os veículos no País futuramente.

Hoje, o veículo importado é isento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas recolhe 35% de Imposto de Importação (II). O transporte é feito de navio e leva cerca de 30 dias para chegar ao Brasil.

O presidente da Corpus, Cineas Feijó Valente, não divulga o investimento na compra dos caminhões, chamados de eT8A, mas informa que, no mercado, cada um custa R$ 1,5 milhão. A versão movida a diesel custa entre R$ 250 mil e R$ 300 mil. O contrato com a BYD prevê o pagamento de 20% de entrada e o restante será financiado pela própria montadora.

A Corpus testou um exemplar do caminhão nos últimos dois anos na coleta de lixo em Indaiatuba, onde está a sede da empresa. Com a economia de combustível de 65% por km rodado em relação ao modelo a diesel, além de custos menores em manutenção (a pastilha de freio, por exemplo, dura quatro vezes mais), o grupo calcula que o retorno do investimento ocorre em até sete anos.

“Vamos tentar reduzir esse prazo para cinco anos, que é o tempo de retorno para um veículo a diesel”, diz João Francisco Paschoalini, diretor operacional da Corpus

A própria empresa desenvolveu o compactador de lixo acoplado ao caminhão e também movido a eletricidade, “bem mais silencioso do que o comum”. A solução, diz Roma, será inclusive adotada pela BYD.

A Corpus foi fundada em 1987 por Valente, hoje com 87 anos. Tem frota de 400 veículos, sendo 300 caminhões, e emprega 8 mil pessoas. O nome da empresa aparece em investigação por fraude em licitações do Consórcio Soma, do qual tem 18% de participação. O grupo informa que “trabalha dentro dos critérios da legalidade”.

Várias montadoras disputam segmento de caminhões elétricos

No Brasil, a MAN, da Volks, mostrou no ano passado caminhão leve elétrico desenvolvido em Resende (RJ)

Várias montadoras, entre as quais Volvo e Tesla, trabalham no desenvolvimento de caminhões elétricos, a maioria para início de produção na Europa e Estados Unidos em 2019. No Brasil, a MAN – fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen –, mostrou no ano passado um caminhão leve elétrico, o e-Delivery, desenvolvido na fábrica de Resende (RJ). A previsão do grupo é iniciar operação em frotas piloto ainda neste ano.

A maioria das empresas aguarda a publicação do programa Rota 2030, prevista para os próximos dias, para decidir políticas locais para elétricos e híbridos.

No caso dos automóveis, é esperada uma redução de 25% para 7% na alíquota do IPI. No primeiro quadrimestre foram vendidos no País 1.260 veículos elétricos e híbridos, 70% a mais ante igual período de 2017.

A BYD tem capacidade anual para 300 ônibus elétricos na fábrica de Campinas, em um turno, e espera vender este ano 100 unidades. A empresa também produz módulos solares fotovoltaicos e vai inaugurar, no fim do ano, uma fábrica de baterias de lítio em Manaus (AM). Também vende rebocadores e automóveis elétricos, como o sedã e6. “Além dos caminhões, também avaliamos a produção local de automóveis”, informa Tyler Li, presidente da BYD do Brasil.

Outra iniciativa de uso de veículos elétricos em São Paulo vem do grupo Urbano, que opera com compartilhamento há seis meses. A empresa tem 65 automóveis, dos quais cinco elétricos da BMW. “A previsão era ter 20, mas não há disponibilidade no mercado”, informa Vini Romano, diretor de marketing. “Agora aguardamos o Rota 2030 para importar 100 unidades do Smart elétrico”, diz.

A Elektra, importadora de carros da Tesla desde o fim de 2016, vendeu oito modelos S e X, que custam entre R$ 450 mil e R$ 1,2 milhão. Em até dois meses chegarão ao País dois Model 3, último lançamento da marca, também na faixa de R$ 450 mil.

Fonte – Cleide Silva, O Estado de S. Paulo de 12 de maio de 2018

Clique no link da matéria para assistir ao vídeo do caminhão em funcionamento.

Os desertos recebem em seis horas mais energia do que a humanidade consome em um ano

desertec

O futuro será renovável, ou não haverá futuro”

A Terra é um planeta sem luz própria e depende totalmente dos raios do sol. Toda a vida na Terra depende da luz solar. A energia do sol é a fonte da maior parte da riqueza disponível na Terra e de toda a base alimentar. Mas, infelizmente, a humanidade desprezou a energia solar nos primeiros 200 anos da Revolução Industrial e preferiu queimar os combustíveis fósseis para impulsionar a economia, o que aumenta o efeito estufa, a acidificação dos oceanos e o aquecimento global.

Um cálculo elementar, feito em 1986, pelo físico alemão Gerhard Knies, mostra que os desertos recebem em seis horas mais energia do que a humanidade consome em um ano. Pequenas áreas de deserto utilizadas permanentemente poderiam fornecer a energia renovável suficiente para movimentar a economia.

O sonho de captar a energia solar que está disponível nos desertos pode se tornar realidade com a redução do custo da energia renovável e com a construção de linhas de transmissão com base nos conectores de corrente contínua de ultra-alta tensão (UHVDC) que são mais adequados para a transmissão em grandes extensões de produção energética. Estas ligações de alta capacidade não só tornam a rede elétrica mais verde, mas também as torna mais estáveis, equilibrando a oferta e a demanda.

Por exemplo, uma pequena área do deserto do Saara, menor do que a área de Alagoas, seria o suficiente para abastecer toda a Europa e o Oriente Médio e o Norte da África (MENA). O consócio Desertec Industrial Initiative (DII), criado em 2009, foi criado exatamente para implementar usinas solares e eólicas no norte da África e no Oriente Médio, visando fornecer 15% da energia consumida na Europa por volta de 2050 e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.

Embora existam dúvidas sobre a viabilidade do projeto, a fase inicial já começou no Marrocos, em 2013, com a construção de uma usina solar de 500 megawatts perto da cidade marroquina de Ouarzazate (a proximidade com a Espanha facilita a entrada da energia na rede europeia). Outras iniciativas estão sendo implementadas no Marrocos, na Argélia e na Tunísia. Numa etapa posterior, devem ser incluídos a Líbia, o Egito, e os países da Península Arábica, da costa asiática do Mediterrâneo e do Iraque. Cabos de transmissão extras instalados no Mediterrâneo e na Turquia poderiam dar sustentação financeira à iniciativa ao redor de 2035.

A primeira parte do projeto Desertec é orçada em € 400 bilhões e conta com o apoio de empresas do porte da Siemens. Apesar do alto custo, o projeto de captar energia renovável no deserto pode ficar mais barato do que a exploração de combustíveis fósseis, além de ajudar os países europeus e da MENA a cumprir com as metas de descarbonização da economia, estabelecidas pelo Acordo de Paris, de 2015.

A crise econômica europeia e a instabilidade política do norte da África e do Oriente Médio são fatores limitadores. Evidentemente, investimentos de longo prazo como proposto pelo consórcio Desertec requerem o envolvimento do Estado e estabilidade das instituições políticas. Mas os ganhos para ambos os lados do Mediterrâneo poderão ser tão grandes que convençam os países a investir em energia renovável e no aproveitamento do potencial solar.

Mas enquanto o potencial solar do deserto do Saara avança a passos lentos – mesmo diante de um futuro brilhante – a China já tem vários projetos para incrementar as usinas solares no deserto de Gobi e na Mongólia interior. Com a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (OBOR – One Belt, One Road), a China pretende levar a energia solar para a Eurásia e a África, interligando as usinas com uma rede de transmissão inteligente (com os conectores de corrente contínua de ultra-alta tensão – UHVDC).

De acordo com a Administração Nacional de Energia da China, o país instalou um total de 52,8 GW de nova capacidade solar em 2017 (o equivalente a 4 usinas de Itaipu). Ou seja, somente no ano passado a China instalou mais capacidade de produção de energia solar que o Brasil em toda a sua história. No total a China já tem 130 GW de energia solar instalada, líder absoluta do mundo. A China adicionou um total de 133 GW de nova capacidade de geração de energia em 2017, incluindo 12,8 GW de energia elétrica e 45,78 GW de energia térmica. Isso significa que, pela primeira vez na história do país, a China instalou energia mais limpa do que a energia térmica.

Artigo de Angus McCrone, da Bloomberg New Energy Finance (BNEF, 16/01/2018), apresenta 10 previsões para a energia renovável em 2018 e mostra que a energia solar se tornou a fonte energética mais barata, a que mais cresceu em 2017 e a que vai apresentar os maiores avanços em 2018. A contínua queda nos custos, o barateamento das baterias de íons de lítio e os veículos elétricos vão impulsionar a instalação de nova capacidade que pode chegar a 107 GW em 2018 (equivalente a 8 usinas de Itaipu), coisa impensável há dois anos.

O que não falta no mundo é luz solar e áreas secas e ermas. Diversos outros países estão investindo em usinas solares no deserto, como o Chile que avança na produção solar no deserto de Atacama. O Nordeste e o semiárido brasileiro poderiam fornecer mas energia ao Brasil do que as jazidas do pré-sal, com a vantagem de ser uma fonte energética mais limpa, com potencial mais democrático e menos sujeita à corrupção.

Ou seja, as áreas desérticas do mundo, especialmente aquelas com alta incidência de insolação, podem fornecer um futuro de energia renovável e mais limpa que o mundo necessita. A despeito das dificuldades da intermitência e dos problemas da produção e do descarte, a energia solar é um dos caminhos indicados pelo Acordo Climático de Paris para a economia de baixo carbono.

Referências

ALVES, JED. A revolução da energia renovável e suas limitações, Ecodebate, 03/07/2015
http://www.ecodebate.com.br/2015/07/03/a-revolucao-da-energia-renovavel-e-suas-limitacoes-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A transição energética: da energia fóssil às renováveis, Ecodebate, 28/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/28/transicao-energetica-da-energia-fossil-as-renovaveis-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A China e a Rede Elétrica Inteligente global, renovável e UHVDC, Ecodebate, 13/03/2015 https://www.ecodebate.com.br/2017/03/13/china-e-rede-eletrica-inteligente-global-renovavel-e-uhvdc-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Desertec Industrial Initiative: http://www.desertec.org/

Angus McCrone. The Force Is With Clean Energy: 10 Predictions for 2018. Bloomberg New Energy Finance, January 16, 2018
https://about.bnef.com/blog/clean-energy-10-predictions-2018/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

Fonte – EcoDebate de 02 de fevereiro de 2018

Alemanha tinha tanta energia elétrica no Natal que precisou pagar às pessoas para elas usarem

Imagem Tony Webster/Flickr

Em tempos de bandeiras tarifárias, parece impossível existir um superávit de energia elétrica. No Brasil, realmente é um fato distante da realidade; mas, na Alemanha, a história é diferente: durante o final de semana do Natal, a produção de energia limpa no país superou a demanda de uso, e foi preciso pagar para as pessoas, em vez de cobrá-las. E não é a primeira vez que isso acontece.

Essa superprodução, no entanto, não é constante. Apesar da Alemanha ter investido US$ 200 bilhões em fontes de energia limpa nas últimas duas décadas, ainda existem muitas plantas energéticas nucleares e de carvão – e elas são parte fundamental para que os preços de energia renovável fiquem abaixo de zero em alguns momentos.

Como isso acontece?

Os preços chegaram abaixo de zero no final de semana do Natal por conta do clima quente e dos fortes ventos na região das usinas de energia solar e eólica da Alemanha. Além disso, muitas fábricas e empresas estavam inativas, o que derrubou drasticamente a demanda por energia.

Quando isso acontece, as plantas de energia renovável não conseguem armazenar o que é produzido, e os outros meios, como carvão e energia nuclear, não conseguem reduzir a produção a tempo – é difícil prever rapidamente quando a produção de energia limpa vai aumentar ou diminuir.

Esse conjunto de fatores fez com que algumas pessoas e empresas (que conseguissem gastar muita energia) ganhassem um crédito de US$ 60 por megawatt-hora.

Diversos países europeus já passaram por situações similares, incluindo Bélgica, França, Reino Unido, Holanda e Suíça. Mas a Alemanha é campeã de superprodução, tanto que, de vez em quando, vende o excesso para países vizinhos – em um final de semana de outubro de 2017, por exemplo, os preços ficaram abaixo de zero por 31 horas, chegando a gerar um crédito de US$ 98 por megawatt-hora para os grandes consumidores.

Os consumidores não recebem nenhum dinheiro na conta bancária, nem mesmo deixam de receber a conta de luz. Isso porque a geração de energia representa, em média, apenas 15% dos custos de uma conta de eletricidade por lá. O restante do valor inclui impostos, taxas de financiamento para investimento em energia limpa e encargos pelo uso da rede. Às vezes, os preços sobem, também. Em compensação, quando ocorre esse superávit, os cidadãos recebem um desconto diluído.

Estima-se que, no mundo todo, a energia limpa crescerá mais do que qualquer outra fonte nos próximos cinco anos. Enquanto isso, no Brasil está rolando uma proposta na Câmara para cobrar royalty sobre o vento – seríamos pioneiros nesta cobrança.

Fontes – New York Times / Alessandro Junior, Gizmodo Brasil de 04 de janeiro de 2017