Supermercado terá maior usina de energia solar em edifício da região Sul

Loja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: DivulgaçãoLoja que será inaugurada amanhã (27) tem 1.422 painéis fotovoltaicos instalados na cobertura. Imagem: Divulgação

Painel fotovoltaico com cinco mil metros é um dos destaques da unidade no Santa Quitéria

A nova loja da rede de supermercados Condor que será inaugurada no dia 27 de setembro no bairro Santa Quitéria terá a maior usina de energia solar em edifício da região Sul do Brasil. São 1.422 painéis instalados na cobertura da loja, gerando mais de mais de 50 mil k/Wh  – o equivalente ao consumo de cerca de 200 famílias. (A maior usina de energia solar do Brasil fica em Tubarão (SC) e tem 19.424 painéis em uma área de 10 hectares às margens da BR-101.)

A rede investiu R$ 40 milhões na nova loja que tem área total de 12 mil m², sendo 3.500 m² de área de vendas. Foram R$ 2 milhões destinados à tecnologia de geração própria de energia.

Nova unidade apresenta várias soluções sustentáveis, como energia solar, captação de água da chuva e aproveitamento de iluminação natural. Imagem: Divulgação

Waldeny S. Fiuza, arquiteto do escritório Doria Lopes Fiuza Arquitetos Associados, explica que desenvolve o projeto há dois anos e colocou alguns painéis de energia solar no portão de entrada da loja, sem funcionalidade, mas com a intenção de destacar o uso desse tipo de energia no local.

Utilizar um painel fotovoltaico com cinco mil metros foi um dos principais desafios do projeto, segundo o arquiteto. “Primeiro tivemos que orientar o telhado na posição correta, de maneira a otimizar o uso dos painéis, mas não queríamos perder a iluminação natural dentro da loja”, conta.

Domus prismáticos permitem a entrada da luz externa no interior da loja. Foto: Waldeny S. Fiuza

O sistema de iluminação dimerizável, que ajusta a intensidade luminosa de acordo com a luz natural, foi outra solução para economia de energia elétrica. Também foram instalados na cobertura do estabelecimento os domus prismáticos que filtram os raios ultravioletas em até 98% e permitem a entrada da luz externa no ambiente. “A iluminação natural através dos domus permite que não se use praticamente nada de iluminação artificial durante o dia”, explica Fiuza.

Sustentabilidade

O Condor Santa Quitéria, que será a 44ª unidade da rede de supermercados, tem um sistema de captação de água da chuva para ser usada na irrigação de jardins, limpeza de pisos e descarga de sanitários.

Outra tecnologia sustentável aplicada no local foi a instalação de lâmpadas LED em todo o estabelecimento, reduzindo em 50% o consumo de energia elétrica e o descarte no meio ambiente.

Fonte – Gazeta do Povo de 26 de setembro de 2017

Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de IsraelEspelhos podem ser controlados remotamente e ficam próximos a torres de wi-fi, para garantir conexão sem interrupção | Foto: Felipe Wolokita

A Usina de Ashalim, em construção, em IsraelUsina de Ashalim ficará pronta no primeiro trimestre de 2018 | Foto: Divulgação

Na paisagem das areias do deserto do Negev, no sul de Israel, uma torre de 250 metros de altura – o equivalente a um prédio de 50 andares – se destaca. Trata-se da torre da usina solar de Ashalim, parte do esforço das autoridades israelenses para produzir, até 2020, 10% de sua energia através de fontes renováveis; hoje, este porcentual é de 2,5%.

A mais alta do mundo em um projeto de energia solar térmica concentrada (Concentrating Solar Power – CSP, em inglês), a torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos controlados por computador (heliostatos), distribuídos por uma área de 3 km². Esses espelhos acompanharão a movimentação do sol de modo a refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da torre, durante o maior tempo possível ao longo do dia.

A radiação solar infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará um processo térmico de vapor que moverá enormes turbinas, gerando energia elétrica “limpa”. Quando pronta, no primeiro trimestre de 2018, a usina de Ashalim produzirá 121 megawatts de energia solar, suficientes para iluminar 125 mil casas, evitando a emissão anual de 110 mil toneladas de dióxido de carbono.

“A eletricidade será gerada a partir do vapor da mesma forma que geraria uma usina de gás ou de carvão, mas a energia não vem de combustíveis fósseis e sim do sol. É uma obra de porte para quem quer investir em energia limpa”, diz o engenheiro uruguaio Jacinto Durán-Sanchez, diretor-geral da usina solar.

Espelhos e torre da Usina de Ashalim ao fundoEspelhos podem ser controlados remotamente e ficam próximos a torres de wi-fi, para garantir conexão sem interrupção | Foto: Felipe Wolokita

Conexão 24h

Os espelhos serão controlados remotamente até mesmo por telefones celulares dos engenheiros e diretores. Diariamente, a areia do deserto acumulada sobre eles terá de ser retirada.

“Os heliostatos vão estar inclinados, levando os raios de sol e o calor até a caldeira para levar a água a um vapor de 600 graus. Cada heliostato tem seu comando individual e remoto. Entre os espelhos há torres de wi-fi para assegurar que estejam conectados 24h por dia”, explica o engenheiro argentino Claudio Nutkiewicz, outro latino-americano envolvido no projeto.

No mundo, existem atualmente apenas 10 usinas heliotérmicas com capacidade superior a 121 MW. A maior é a de Ivanpah, no deserto do Mojave (EUA), inaugurada em 2014, com capacidade projetada de 392 MW. Mas ela conta com três torres de 190 metros de altura cada uma (40 andares), que recebem luz de 173.500 heliostatos.

As turbinas da usina solarUsina de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões | Foto: Daniela Kresch

O projeto de Israel é mais humilde no número de espelhos (um terço), mas inova ao contar com apenas uma torre dez andares mais alta – que teria potencial maior na produção energética com custo menor do que o de erguer diversas torres. Novos megaprojetos com torres altíssimas (ao invés de várias mais baixas) estão em andamento. Uma delas, na Austrália, chegará perto da de Ashalim. A Aurora Solar Energy terá uma torre de 227 metros de altura (48 andares).

A usina solar (ou heliotérmica) de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões e, faz parte de um projeto mais amplo, o Megalim, uma joint-venture entre a General Electric (GE), a BrightSource (empresa americana de energia solar que também construiu a usina de Ivanpah) e o fundo israelense Noy (que investe em infraestrutura, com participação do Banco Hapoalim, o maior do país).

No total, o projeto é estimado, em US$ 820 milhões, incluindo mais duas obras complementares: uma para armazenamento de energia solar de noite e outra de uma usina com tecnologia fotovoltaica para produzir ainda mais energia. Juntos, os três projetos solares gerarão cerca de 310 MW – cerca de 2% das necessidades de Israel.

Mas as usinas heliotérmicas também têm críticos. Nos Estados Unidos, ambientalistas apontam para o fenômeno de aves mortas encontradas nas proximidades dessas centrais elétricas. Eles afirmam os pássaros são incinerados pela luz refletida pelos espelhos, que pode alcançar 600° centígrados.

Fonte – Daniela Kresch, BBC Brasil de 07 de setembro de 2017

A França quer proibir toda a produção de combustível fóssil até 2040

Imagem de topo: AP / Matthieu Alexandre

No que seria uma novidade no mundo, o governo do presidente Emmanuel Macron quer eliminar progressivamente toda a exploração e produção de petróleo e gás na França e seus territórios externos até 2040. Parece dramático, mas a nação da União Europeia tem muito pouco a perder enquanto visa um futuro mais verde.

Como o The New York Times relatou, o governo de Macron irá introduzir a legislação proposta para o gabinete francês mais tarde hoje, com esperanças de que o projeto seja aprovado até o final do ano. O governo francês está se esforçando para tornar o país neutro em carbono até 2050, ativando os freios das emissões de gases do efeito estufa, apontado como principal responsável pela mudança climática causada pelo homem.

Sob a nova lei, a França deixaria de emitir quaisquer licenças de exploração de petróleo e gás, e todos os subsídios atuais seriam gradualmente controlados e exauridos ao longo dos próximos 22 anos. Nenhuma licença de gás de xisto seria emitida, seja para exploração ou extração (atualmente, fraturamento hidráulico (ou fracking, como também é conhecido) é ilegal na França, mas o projeto de lei leva isso além, proibindo todos os métodos, tanto os existentes quanto os especulativos).

O ano alvo coincide com o plano do país para acabar com a venda de veículos a gasolina e diesel  até 2040. A legislação também está em sintonia com os compromissos do governo francês no âmbito do Acordo Climático de Paris, e seus esforços para promover a energia renovável. O país está esperando uma queda da dependência da energia nuclear para 50 por cento até 2025, dos atuais 75 por cento.

Este projeto de lei será histórico caso seja aprovado, e a França está em uma posição muito boa para fazer isso agora, já que o movimento é visto, em grande parte, como um ato simbólico. Ao contrário das economias dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, vários países do Oriente Médio e outros, a dependência da França da extração de combustíveis fósseis é muito baixa. A França só produz cerca de seis milhões de barris de hidrocarbonetos por ano, a classificando como 71ª no mundo. A Rússia, por outro lado, produz 10,5 milhões de barris por dia. Além do mais, a produção de petróleo e gás francesa representam apenas um por cento do seu consumo total. A França vai continuar a importar e até mesmo a refinar o óleo após o prazo de 2040.

A petrolífera principal da França, Total, tem permissão para procurar depósitos de petróleo em territórios externos do país, como a Guiana Francesa. Não é imediatamente claro como a legislação pendente irá afetar a empresa, e ela ainda está para apresentar uma declaração sobre a medida proposta.

Simbólico ou não, este movimento da França deve deixar as grande petrolíferas pelo menos um pouco nervosas. O futuro dos combustíveis fósseis está começando a parecer cada vez mais sombrio. E damos graças por isso.

Fontes – New York Times, Associated Press via Washington Post / George Dvorsky, Gizmodo de 6 de setembro de 2017

Ministro anuncia para breve portaria sobre energia solar em imóveis populares

Placas de energia solar instaladas para gerar eletricidadeEnergia solar reduzirá valor de contas de luz de imóveis do Minha Casa, Minha Vida, diz ministro. Soninha Vill/GIZ

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, informou hoje (10) que será lançada em breve a portaria que prevê a instalação de energia solar nos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Na tarde desta quinta-feira, o ministro recebeu o resultado de um estudo para a implementação da energia solar nos empreendimentos do programa habitacional.

“Com esse estudo apresentado hoje, vamos trabalhar esta sexta-feira, segunda-feira e terça-feira, para transformar esse trabalho em uma portaria, uma determinação, para que o programa Minha Casa, Minha Vida comece estabelecendo [essa instalação]”, disse Bruno Araújo, ao participar de evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Semana que vem, seguramente, vamos ter notícia sobre essa nova regra se incorporando ao programa habitacional brasileiro”, afirmou.

Mais cedo, em evento na prefeitura de São Paulo, o ministro disse esperar que, no ano que vem, as unidades habitacionais do programa possam ser entregues à geração de energia alternativa. “Nós elaboramos um protocolo com a Fiesp e com Furnas – hoje receberemos o resultado desse estudo, avaliaremos e transformaremos isso numa portaria. E vamos determinar que, a partir de 2018, o programa Minha Casa, Minha Vida possa começar a gerar energia solar, o que vai baratear as contas dos beneficiários do programa.”

Segundo Araújo, o projeto vai “impulsionar a indústria nacional, reduzir custos, viabilizar a redução da conta de energia das famílias de baixa renda e ajudar a tirar uma carga dos demais sistemas tradicionais de geração de energia”.

O estudo

De acordo com o estudo, o custo das moradias não sofrerá alteração com a implantação da tipo de energia solar, que será instalado no telhado das edificações. Apresentando o estudo, o vice-presidente do Conselho Superior da Construção, Manuel Rossitto, explicou como o sistema de produção de energia solar seria custeado pelos beneficiários da Faixa 1 do programa. “O proprietário da residência adquire o sistema fotovoltaico junto com a unidade habitacional, com o valor embutido nas prestações que serão pagas pelo imóvel, possuindo o incentivo natural para manutenção e conservação do sistema.”

A implementação de energia solar fotovoltaica no programa foi proposta pela Fiesp em dezembro do ano passado e é resultado de um protocolo de intenções entre a entidade e os ministérios das Cidades e do Trabalho. No sistema fotovoltaico, a energia elétrica é gerada por meio da radiação solar.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, explicou que o beneficiário do programa gastar menos com a conta de luz, ao usar a energia solar. “Conforme as estimativas que foram apresentadas hoje, um consumidor da Faixa 1 do programa tem consumo na faixa de 100 Kwh [quilowatts/hora] por mês de energia elétrica. Esse consumidor, com o sistema projetado com a energia solar, poderá gerar, em sua própria residência, 70 Kwh por mês. Isso significa que ele está tendo uma economia de 70% no gasto de energia elétrica que ele tem no seu dia a dia.”

De acordo com Sauaia, a energia solar não vai substituir a energia tradicional. “Ele [beneficiário do programa] continua aproveitando a energia da rede elétrica. O sistema fotovoltaico complementa, gerando energia limpa. E a energia adicional [de] que a habitação precisar poderá ser obtida da rede”, explicou.

Fonte – Elaine Patricia Cruz, colaborou Ludmilla Souza, edição Nádia Franco, Agência Brasil de 10 de agosto de 2017

INPE lança segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar

No dia 4/8, às 10 horas, o lançamento o Atlas Brasileiro de Energia Solar foi um dos destaques da comemoração do aniversário de 56 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Realizada na sede, em São José dos Campos (SP), a cerimônia teve a participação de cientistas e gestores do INPE e outras instituições de pesquisa, empresários e autoridades regionais, representantes de entidades nacionais e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, entre outras personalidades.

Para o novo estudo, que indica um enorme potencial ainda pouco explorado em energia solar, foram empregados 17 anos de dados de satélites que permitiram vários avanços nos modelos de transferência radiativa, além de análises sobre a variabilidade espacial e temporal deste recurso renovável, bem como cenários de emprego de várias tecnologias solares.

O Atlas foi apresentado durante a cerimônia que homenageia servidores de diversas áreas, em reconhecimento a seus anos de trabalho e dedicação ao INPE, instituto criado em 3 de agosto de 1961.

O INPE tem como missão produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial (Ciências Espaciais e Atmosféricas, Engenharia e Tecnologia Espacial e Observação da Terra por satélites) e do ambiente terrestre (Previsão de Tempo e Clima e Ciência do Sistema Terrestre), e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.

É reconhecido no mundo todo por seus sistemas de monitoramento do meio ambiente, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais e atmosféricas, engenharia de satélites e pela excelência de seus cursos de pós-graduação. O INPE deu ao Brasil a capacidade de desenvolver satélites, produzir ciência espacial de qualidade, monitorar nosso território, ter uma previsão de tempo moderna, entender as mudanças globais e fazer com que o Espaço seja compreendido pela sociedade brasileira.

Como executor de atividades do Programa Espacial Brasileiro, o INPE fomenta a inovação e o fortalecimento do setor aeroespacial no país. No Instituto, são construídos satélites para produção de dados sobre o planeta Terra e desenvolvidas pesquisas que transformam esses dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo.

Satélites de observação da Terra, como os da família CBERS, desenvolvidos pelo INPE em cooperação com a China, e o Amazonia-1, o primeiro totalmente nacional, são fundamentais para um país de dimensões continentais como o Brasil. São inúmeras as suas aplicações, com destaque para o monitoramento de florestas, previsão de safras agrícolas, monitoramento de queimadas, análise de usos da terra, cadastro territorial urbano e rural, entre outras.

Não só as imagens de satélites e dados brutos estão disponíveis a qualquer cidadão, mas também os resultados obtidos em seus estudos e projetos. No INPE, há um compromisso com a transparência sobre informações que são de interesse da sociedade como, por exemplo, dados sobre qualidade do ar, raios, tempo e clima, níveis de reservatórios e desmatamentos.

O estabelecimento e a manutenção das competências científico-tecnológicas são apoiados pelo programa de pós-graduação realizado pelo INPE desde o final da década de 1960. Outra característica que fortalece o Instituto é o relacionamento com outras organizações para o intercâmbio científico e tecnológico, acesso e fornecimento de dados e desenvolvimento de serviços, tecnologias e sistemas espaciais.

Presente em todas as regiões do Brasil, o INPE tem sua sede em São José dos Campos (SP) e possui centros regionais em Belém (PA), Natal (RN) e Santa Maria (RS), além de unidades em Cuiabá (MT) e Cachoeira Paulista (SP).

Fonte – INPE de 02 de agosto de 2017

Índia cancela planos para centrais a carvão graças à “queda livre” dos preços da energia solar

trabalhadores numa central de energia solar na ÍndiaFoto: Reuters/Amit Dave

Índia cancelou os planos para a construção das centrais a carvão que iriam gerar quase 14 gigawatts de energia, devido à descida dos preços da energia solar, que estão a atingir níveis recorde.

Pela primeira vez, a energia solar é mais barata do que a do carvão, na Índia, e as implicações que isso tem para a transformação dos mercados globais no sector energético são profundas”, comentou Tim Buckley, analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis.

Até 2022, a Índia tem como objetivo conseguir gerar 175 gigawatts de energia a partir da solar fotovoltaica, da biomassa e da eólica.

“As medidas tomadas pelo governo indiano para melhorar a eficiência energética, em conjunto com as metas ambiciosas no domínio das energias renováveis e a queda livre do preço da energia solar, produziram um impacto nas centrais elétricas a carvão já existentes, assim como nas propostas, tornando um número cada vez maior destas financeiramente inviáveis.”

“Os preços da energia solar na Índia têm estado, literalmente, em queda livre nos últimos meses”, disse o analista.

Fonte – The UniPlanet de 05 de junho de 2017

Árvore solar será instalada em Maringá

Projeto pioneiro na região Noroeste do Paraná é uma opção para energia renovável

A evolução tecnológica é evidente a cada dia. Isso se estende à produção de energia, em especial a solar (fotovoltaica), que ganhou espaço em muitas propriedades rurais ou urbanas. Na próxima sexta-feira, será instalada em Maringá uma “Árvore Solar”.

A estrutura tem seis metros de altura, semelhante a de uma grande árvore. Ela terá dez placas solares para a captação de energia. A iniciativa é da concessionária de rodovias VIAPAR que vai instalar o equipamento no jardim de sua sede, na PR 317, em Maringá.

O engenheiro eletricista da Solus Energias, Guilherme Marzolla, empresa responsável pela implantação do projeto, explicou que a estrutura vai gerar 75 KW/h mês, volume suficiente para abastecer uma casa popular. “Também consta no plano a instalação de quatro bancos [formato cata-vento] na base da árvore, bem como tomadas, onde as pessoas vão poder usá-las para diversos fins, inclusive o carregamento do telefone celular”, disse. “O ambiente ainda vai contar com wiffi”.

Projetos semelhantes já existem na França e Alemanha, inclusive em espaços públicos. A estrutura da árvore suporta ventos de até 120 km/h. Vale lembrar ainda que está será a primeira estrutura do gênero na região de Maringá. “O principal objetivo deste projeto é incentivar a produção de energia renovável. O excedente será distribuído para a rede da empresa”, destacou o supervisor de T.I Administrativo da VIAPAR, Humberto Casicava.

Dentre os inúmeros benefícios deste sistema de produção, destaque para o baixo impacto ao meio ambiente, manutenção mínima das centrais, redução de investimento nas linhas de transmissão e a rápida instalação. Em países tropicais, como o Brasil, a energia solar é viável em todo o território.

Inauguração da Árvore Solar – Sexta, dia 30/06, 16 horas, no jardim da sede da Viapar  – PR 317 – n.7246 – Saída para Campo Mourão, perto do Aeroporto Regional de Maringá.

Fonte – Assessoria de comunicação da VIAPAR de 27 de junho de 2016

Aumento de geração de energia por consumidor pode mudar perfil de distribuidoras

Placas de energia solarInstalação de placas para geração de energia solarSoninha Vill/GIZ

O cenário da distribuição de energia no Brasil vem sofrendo uma revolução silenciosa. Uma das faces que provocam essas mudanças é a produção energética pelo próprio consumidor. Desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) modernizou a Resolução 482/2012 – que regulamenta o setor – e flexibilizou algumas normas, o número desse tipo de ligação às redes de distribuição cresceu consideravelmente: em dezembro de 2015 eram 1.731 conexões. O número passou para quase 10,5 mil em maio de 2017.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, esse crescimento logo vai se destacar na matriz elétrica, e, por essa razão, é necessário um debate desde agora, para que haja tempo de desenvolver um planejamento para as mudanças que estão por vir. Ele acredita, por exemplo, que o monopólio de comercialização de energia pelas empresas de distribuição deixará de existir. “A evolução tecnológica vai levar para que a gente tenha uma separação. A parte de comercialização fica com uma determinada empresa, ou várias empresas, e a parte de fio, para você não ter dois postes concorrendo, vai continuar com um monopólio”, explica.

Para o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energias, Carlos Alexandre Pires, é necessário associar o estímulo para geração distribuída a mecanismos legais que garantam a manutenção do sistema de distribuição, inclusive para que a complementação da energia gerada pelo consumidor chegue até ele. “Isso está acontecendo em todos os lugares do mundo, onde a energia eólica e a solar estão ganhando importância, porque ao extremo você não teria distribuidora de energia.”

Mário Menel explica que em países como Portugal esse modelo que separa distribuição e comercialização de eletricidade já é uma realidade. “Mesmo que você não queira colocar energia no seu telhado, você escolhe o seu fornecedor de energia. E esse fornecedor, que é uma empresa com expertise em colocar, olha para o seu caso e diz: eu vou botar o painel em cima do teu telhado e você vai comprar energia de mim, mas essa energia é minha”, projeta. Para ele, o caminho é inevitável. “São arranjos comerciais que vão surgindo em função do avanço tecnológico, que não tem como você ser contra”, afirma.

No Brasil, grandes consumidores como redes de hotelaria e indústrias já escolhem seus fornecedores de eletricidade. O presidente da Abiap explica que em cerca de cinco anos esse modelo chegará ao consumidor residencial. Para que a transição entre os modelos ocorra de forma tranquila, ele explica, que é necessário haver planejamento desde agora. “Não podemos esquecer que quem lastreou a expansão do sistema como nós conhecemos hoje, em contratos de longo prazo, foram as distribuidoras, o mercado cativo. Agora vão deixar de lastrear, então, o sistema financeiro vai ter que entrar no setor elétrico e oferecer produtos que nos deem capacidade para financiar essa expansão.”

Atualmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o único que financia o setor elétrico brasileiro, com linhas de crédito de até 80% para energia fotovoltaica (solar), por exemplo. Devido a projetos de eficiência energética no Ministério de Minas e Energia e na Aneel, desde o ano passado, a geração de energia a partir de fontes não renováveis não está mais entre as opções de financiamento para o setor. No entanto, para Mário é necessário ir além e atrair outros bancos, criando um funding, ou seja, uma captação de recursos para investimento, que poderá ser saudável para o setor. “Naturalmente, isso vai implicar em custos reais. Pode ter um aumento no começo? Pode. Mas a competição acaba diminuindo os custos.”

Fonte – Fabíola Sinimbu – A repórter viajou a convite da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), edição Talita Cavalcante, Agência Brasil de 05 de junho de 2017

A aposta da Alemanha em energia solar

Painéis de energia solar na Alemanha (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Os alemães estão em meio a uma transição energética para abandonar o carvão e as usinas nucleares. A estratégia colocou o país na liderança da energia solar, mas ainda há desafios a serem superados

Em um pequeno vilarejo no leste da Alemanha, o líder comunitário Karl-Heinz Handreck explica a um grupo de jornalistas internacionais que estamos com sorte. Como o vento está soprando em outra direção, não escutamos os barulhos da operação da gigantesca mina de carvão a céu aberto nas redondezas. Mas sorte é uma palavra que está longe de descrever a comunidade, formada por quase 150 pessoas, a maioria já em idade de aposentadoria. Há planos para expandir as operações de carvão por todos os lados, deixando a pequena Taubendorf cercada. “Em cinco anos, a mina estará a menos de 100 metros de nossas casas”, diz Handreck.

Estamos no leste da Alemanha, praticamente na fronteira com a Polônia. Aqui estão depositadas as maiores reservas de carvão existente no país. Essas reservas deixaram sua marca na cultura local. O time de futebol da cidade mais próxima, Cottbus, não por acaso se chama Energie FC. Quando o país estava dividido em dois, antes de 1989, era daqui que saía toda a energia que abastecia a comunista Alemanha Oriental.

Nos últimos anos, no entanto, todo esse legado energético vem sendo colocado em xeque. Pelo menos duas áreas previstas para exploração de carvão na região foram canceladas recentemente. A termelétrica de Jaenschwalde, abastecida pelas minas que cercam Taubendorf, pode não ter vida útil para além de 2025. E a pressão da sociedade alemã – e de ativistas como Handreck – para gradativamente abandonar o carvão como fonte de energia só aumenta.

Um fenômeno semelhante acontece com a fonte de energia que iluminou as casas “no outro lado do muro” quando o país estava dividido. Historicamente, o lado ocidental da Alemanha apostou no átomo como principal fonte de eletricidade. Hoje, um terço de toda a energia elétrica gerada no país vem de usinas nucleares. Mas elas também estão com os dias contados.

Passado um quarto de século desde que o Muro de Berlim caiu e a Alemanha se unificou, o país olha para trás e decide abandonar as suas duas principais fontes de energia. Mas como manter uma das economias mais fortes do planeta – o quarto maior PIB do mundo – funcionando dia e noite sem as usinas nucleares e a carvão? O país aposta numa grande revolução. Ou, como eles dizem em alemão, numa Wende.

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local devem dar lugar a uma operação de mineração (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local deverá dar lugar ao cinza das escavações (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

A transição

A palavra alemã Wende significa transição. Politicamente, é usada como uma mudança sistemática, radical, benigna e não violenta. A palavra foi popular nos anos 1990, usada para se referir à maior transição pacífica que o país já viveu – a queda do muro. Nos últimos anos, ela passou a ser usada ao lado de outra palavra: Energie. Com a política batizada de Energiewende, a Alemanha promete fazer uma transição profunda em suas fontes de energia, abandonando fontes fósseis e colocando todas as forças nas energias renováveis.

O principal alvo da Energiewende é a energia nuclear. Há um sentimento antinuclear muito forte na sociedade alemã, espalhado pela sociedade civil e encampado por partidos políticos. O acidente no reator nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, foi o estopim da nova política. Em menos de seis meses, o governo da chanceler alemã Angela Merkel conseguiu colocar em lei a Energiewende com uma estratégia extensa e compreensiva para encerrar a operação das nucleares, substituindo-as por energia renovável.

A Energiewende prevê desligar reatores nucleares que, juntos, geram 22 mil megawatts de energia. Para fazer uma comparação, é como se o Brasil tivesse um plano para desligar suas duas maiores hidrelétricas, Itaipu e Tucuruí. O plano começa fechando as usinas mais antigas e com vida útil menor. Há previsão de compensação para empresas. Em alguns casos, as empresas simplesmente fecharam, em outros, buscaram se reinventar no mercado investindo em fontes diferentes de energia. Também há empresas que buscaram reparação na Justiça.

Apesar de amplo apoio interno, o abandono da nuclear foi vista com ceticismo pela comunidade internacional. Afinal, ela não emite gases de efeito estufa e é vista como uma forma economicamente viável de produzir eletricidade. Esses argumentos não sensibilizaram o governo alemão. “Nós não acreditamos que a energia nuclear é uma boa alternativa”, diz Thomas Meister, chefe da divisão de Clima do Ministério de Relações Exteriores do governo da Alemanha. “Essa crença foi reforçada por Fukushima, mas há outros bons motivos. Os custos são altos, e não há uma solução para o problema do depósito de lixo radiativo.” O governo alemão segue à risca seu cronograma para acabar com a nuclear no país. Após Fukushima, sete usinas foram desligadas. Uma oitava foi desligada em 2015, e restam outras oito usinas que estarão desativadas até dezembro de 2022.

A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em  dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)

Solar decola num país de pouco sol

Desativar usinas, seja da fonte que for, impõe um risco para qualquer país: como evitar um apagão? Por isso a Energiewende prevê também investimentos em energias renováveis como solar e eólica. A meta é atingir 80% de renováveis – o que significa se livrar não só das nucleares, como também do carvão e petróleo. Atualmente, a Alemanha já está perto dos 30% de renováveis. Como ela chegou a esse patamar?

Para começar, o país precisou adotar uma tarifa subsidiada para energia limpa – uma estratégia para fazer com que as renováveis pudessem competir com tecnologias já estabelecidas. Essa tarifa é paga não pelo contribuinte, mas pelo consumidor, com uma sobretaxa determinada na conta de luz. Outra medida adotada foi a desregulamentação do setor, permindo que qualquer empresa que queira comercializar energia possa ter acesso à rede para vender eletricidade. Isso abriu as portas do mercado para pequenas e médias empresas, além de cooperativas de famílias e agricultores. Por fim, a Energiewende determinou que a preferência para entrar na rede é das energias renováveis. Isso significa que o governo só começa a consumir energia gerada nas usinas fósseis após ter consumido, primeiro, a produzida pelo sol e vento.

Essas regras tiveram o efeito colateral de aumentar a conta de luz em cerca de € 2 por quilowatt/hora. Mas esse aumento não parece ter provocado grandes impactos no orçamento familiar da população – a Alemanha tem a menor taxa de inadimplência no pagamento de eletricidade da União Europeia. Além disso, essa sobretaxa tem data de validade. A legislação determina que ela seja progressivamente reduzida de acordo com o preço das energias renováveis – e os preços estão em queda. Nos últimos dez anos, o preço da energia solar caiu 74%.

Hoje, a Alemanha é o país que mais gera energia solar per capita e o segundo maior produtor de solar do mundo em números absolutos, atrás apenas da China. Em dias úteis, a solar chega a atender a um terço da demanda de energia do país. Os resultados impressionam, ainda mais se considerarmos que a Alemanha é um país de baixa incidência solar. Regiões brasileiras que menos recebem sol, por exemplo, têm mais luz solar do que a média alemã.

Menos verde do que gostaria

O governo alemão se vangloria de ser verde. A chanceler alemã, Angela Merkel, já foi ministra do Meio Ambiente e se apresenta como líder de um país pró-natureza. Seu governo apresentou metas mais ambiciosas que seus vizinhos europeus no Acordo de Paris – o tratado assinado na capital francesa e ratificado por mais de 140 países com metas para reduzir poluição emitida por fábricas, veículos e desmatamento e, desta forma, limitar o aumento da temperatura do planeta. Merkel se comprometeu a reduzir 40% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, e chegar a uma redução de 95% em 2050.

Os números de 2016, no entanto, ligaram o sinal de alerta nas credenciais verdes do governo alemão. Em um ano, as emissões do país aumentaram em 0,9%. É pouco, mas qualquer pequena variação pode comprometer uma meta apertada como a alemã, já que há pouco espaço de manobra até 2020. O aumento das emissões no ano passado foi creditado a um inverno mais rigoroso, que fez com que os alemães utilizassem mais gás natural, e a um aumento no uso de combustível no setor de transporte. Mas o debate público a respeito das metas acabou expondo uma contradição da Energiewende: a benevolência com o carvão. Enquanto os planos da transição energética contam com um cronograma rígido de desligamento de usinas nucleares, não há o mesmo empenho em fechar as usinas a carvão.

“As emissões alemãs não estão caindo por causa do carvão. Podemos atuar com eficiência energética, reduzir emissões na agricultura, mas não há jeito. Se não pararmos de queimar carvão, não cumpriremos a meta”, diz Lutz Weischer, ativista da ONG Germanwatch. Segundo ele, o país precisa encontrar uma forma politicamente aceitável e economicamente viável para o desligamento progressivo das usinas a carvão, como faz com a energia nuclear. Mas abandonar o carvão é mais complicado do que parece. O crescimento gigantesco das renováveis está suprindo, por enquanto, a energia que as usinas nucleares deixaram de gerar. Mas não chegou ainda a substituir as energias fósseis. O carvão ainda representa 40% da matriz energética alemã, com forte participação nos sistemas de aquecimento das casas. Além disso, há a questão social – é difícil realocar no mercado de trabalho pessoas que passaram a vida toda trabalhando nas minas e indústrias de carvão.

O dilema interno do carvão embute o risco de sujar a construção da diplomacia climática de Angela Merkel. A Alemanha vem se esforçando a assumir um papel diplomático mais forte no mundo em relação às negociações de mudanças climáticas. O governo de Merkel tentou de várias formas manter os Estados Unidos no Acordo de Paris, por exemplo, e quando não conseguiu se colocou como uma das principais vozes em defesa do tratado internacional sobre mudanças climáticas, ao lado de França, China e Canadá. Se não conseguir liderar pelo exemplo, a Alemanha pode ter problemas para preencher o buraco deixado pelo presidente americano Donald Trump.

Um acerto de contas com a história

No sul de Berlim, um grande cilindro cercado por uma estrutura de metal chama a atenção na paisagem. Trata-se de um gasômetro há muito desativado. Estamos num campus chamado Euref, um lugar que mistura uma universidade, empresas já estabelecidades e startups. “Aqui costumava ser uma importante unidade de armazenamento de gás para iluminação. Era uma construção do século XIX, que foi abandonada na década de 1990”, diz Mauricio Rojas, engenheiro da Schneider Electric. Hoje, o local é um grande laboratório de tecnologias de mobilidade urbana e energia.

Em um passeio pelo campus, Rojas mostra algumas das invenções e inovações do local. No topo dos prédios, é possível ver aerogeradores que usam o vento para produzir energia. No estacionamento, os carros elétricos são reabastecidos com energia gerada por painéis fotovoltaicos instalados nos telhados. Um protótipo de um carro autônomo, que se move sem a necessidade de um motorista, circula pelo campus, exibindo um design construído, em parte, usando impressoras 3D.

Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

O próprio trabalho de Rojas tem o potencial de ser tão disruptivo quanto essas tecnologias. Ele pesquisa a criação e viabilidade de smart grids, as redes de energia inteligentes. Atualmente, um dos grandes problemas das energias renováveis é que elas não podem ser ligadas a qualquer hora do dia. Elas dependem de vento ou luz solar para poder funcionar. Enquanto isso, carvão e gás podem queimar faça chuva ou faça sol. As redes inteligentes, em tese, podem resolver isso. Um computador (ou vários) com um potente algoritmo, ligado em rede com as usinas e alimentado por dados com a previsão do tempo, pode definir, com velocidade e qualidade muito maior do que um operador humano, quando ligar ou desligar usinas e para onde transmitir eletricidade, dependendo da oferta e demanda de cada região. Aliada ao desenvolvimento de baterias elétricas mais potentes, essa tecnologia pode maximizar de tal forma a distribuição de eletricidade que não haveria mais necessidade de usar fósseis como energia de backup.

Se esse tipo de tecnologia vingar, a Alemanha pode dar o passo que falta para abandonar de vez o carvão e abraçar 100% de energias renováveis. É curioso que ela esteja sendo desenvolvida justamente num lugar que foi o símbolo da energia do passado. É como se o país procurasse, com a sua transição energética, acertar as conta deixadas pelas fontes mais poluentes para poder criar um sistema que ilumine casas e indústrias sem sujar o planeta. “Estamos usando a herança energética do país para desenvolver as tecnologias do futuro”, diz Rojas.

Fonte – Bruno Calixto (O repórter viajou a Berlim em maio de 2017 a convite da Embaixada da Alemanha), Blog do Planeta de 13 de junho de 2017

Renováveis batem novo recorde, mesmo com queda em investimento

Otávio Almeida/Greenpeace Brasil

Capacidade instalada cresceu 9% em 2016 e foi maior do que a soma de todas as fontes fósseis e já dispensa a necessidade de “energia firme” na matriz elétrica

O principal relatório anual sobre o estado das energias renováveis no mundo foi publicado nesta quinta-feira (7), e tem números para justificar todos os estados de ânimo da humanidade em relação à crise do clima.

Quem quer ver o copo meio cheio gostará de saber que, em 2016, o mundo adicionou 161 gigawatts – o equivalente a mais de dez usinas de Itaipu – de energia renovável à matriz, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

O preço da geração renovável em alguns países caiu para menos de 5 centavos de dólar o quilowatt/hora; mesmo em nações pobres, essas fontes hoje frequentemente são as opções mais baratas. Aliás, os investimentos em renováveis, de US$ 250 bilhões, representaram mais do que o dobro dos investimentos em todos os fósseis somados (US$ 114 bilhões). O crescimento mais espetacular foi o da energia fotovoltaica: a cada hora de 2016 foram instalados 31 mil painéis solares no mundo.

Quem prefere ver o copo meio vazio argumentará que os investimentos em renováveis caíram 23% no ano passado, o maior tombo em uma década. E dirá também que, mesmo com um crescimento espetacular neste século, duas vezes maior que o da demanda, as novas renováveis, como a solar e a eólica, ainda são anãs: respondem por menos de 2% do consumo total de energia no mundo, contra 78,4% dos combustíveis fósseis. Pior: com US$ 4 gastos em subsídios a combustíveis fósseis para cada dólar de subsídio a renováveis, a transição não está acontecendo em velocidade suficiente para cumprir o objetivo do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global abaixo de 2oC.

As informações vêm do Ren21, relatório produzido anualmente pela organização homônima que monitora as tendências das energias renováveis, o marca-passo da descarbonização da economia global.

Mesmo diante do desafio de alcançar e ultrapassar os fósseis na matriz global, as energias renováveis em 2016 desmontaram mais uma vez a linha de raciocínio, se é que se pode chamar assim, usada por Donald Trump para abandonar o Acordo de Paris, na semana passada.

Além de adicionar mais megawatts à economia mundial que todos os fósseis somados, o setor de renováveis também gera empregos. Hoje no mundo há 9,8 milhões de pessoas empregadas no setor, 777 mil nos EUA – onde somente a geração de energia solar e eólica tiveram um aumento de 16% na geração de empregos. A China é de longe o maior empregador, com 3,9 milhões de trabalhadores na indústria das renováveis, seguida pelo Brasil, com 1 milhão de empregos – mantidos em grande parte pelo segmento de biocombustíveis.

Dentre todos os renováveis, quem mais emprega é a energia solar, que também lidera a expansão mundial dentre todas as renováveis. No ano passado, 75 gigawatts foram instalados, o equivalente à potência somada das usinas hidrelétricas do Madeira e do Teles Pires. A China respondeu por quase metade da capacidade instalada, 34 gigawatts, seguida por EUA (sim, Donald!) e Japão. O Brasil nem sequer aparece na lista dos países com adições dessa fonte.

Outra conclusão do relatório, que deveria ser lida pelos planejadores energéticos brasileiros, é que a expansão vertiginosa das renováveis está tornando obsoleta a proclamada necessidade de “energia firme” ou “energia de base” na matriz elétrica para compensar a intermitência das renováveis.

Esse argumento tem sido usado pela eletrocracia nacional para justificar a necessidade de grandes hidrelétricas na Amazônia. A ex-presidente Dilma Rousseff, por exemplo, gostava de dizer que “não dá para estocar vento” – ou seja, sem hidrelétricas, o país teria de construir térmicas fósseis para garantir a energia durante os períodos em que hão houvesse sol nem vento.

O Ren21 afirma que isso é um “mito”.

Em 2016, a Dinamarca chegou a fornecer eletricidade apenas com renováveis num pico de demanda 140% maior que a geração; a Alemanha teve um pico de 86% atendido apenas por fontes como vento e sol. Isso acontece por causa de sistemas interligados com outros países e por causa de redes grandes, nas quais a geração de uma fonte sempre compensa a intermitência de outra. Mesmo sem capacidade adicional de estocar energia, países como Portugal, Irlanda e Chipre estão conseguindo ter 20% a 30% de sua eletricidade fornecida por renováveis (excluindo grandes hidrelétricas).

Fonte – Observatório do Clima de 07 de junho de 2017