Número de cidades que utilizam lixões aumenta pela primeira vez desde à implantação da Política de Resíduos Sólidos

lixao-ecod.jpgNo total, 59,8% das cidades brasileiras fazem uso de destinos considerados inadequados para descarte de lixo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um total de 1.559 municípios brasileiros (quase 30% do total) recorreram aos lixões a céu aberto em 2016, o que significa que pela primeira vez em sete anos, desde a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), houve aumento quanto à utilização dessas estruturas deficitárias. Os dados constam do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2016, divulgado na terça-feira, 29 de agosto, pela Associação Brasileiras das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Para efeito de comparação, 1.552 cidades utilizaram lixões em 2015. Atualmente, existem 2.976 lixões em operação em todo o território nacional. Outras 1.774 cidades enviaram os resíduos para outro destino inadequado: os aterros controlados, espaços que não possuem impermeabilização do solo ou sistemas de dispersão de gases e do chorume derivados da decomposição do lixo.

No total, 59,8% das cidades brasileiras fazem uso de destinos considerados inadequados para descarte de lixo.

“O estudo mostra que o brasileiro produziu, em 2016, 1,04 kg de lixo por dia”

Apesar de nove em cada 10 cidades brasileiras possuírem algum serviço de coleta de resíduos, houve queda de volume na destinação adequada no ano passado: de 58,7% para 58,4%. Por dia, cerca de 81 mil toneladas de resíduos foram enviadas para lixões ou aterros controlados.

Crise

O estudo mostra que o brasileiro produziu, em 2016, 1,04 kg de lixo por dia, queda de 2,9% quando comparado ao ano anterior. “Acreditamos que essa redução é fruto da crise econômica que reduziu o poder de compra da população”, avalia Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.

O dado seria animador se toda a gestão de coleta, destinação e recursos aplicados no segmento de limpeza também tivessem evoluído. O estudo estima que das 78,3 milhões de toneladas, 7 milhões de toneladas sequer tiveram coleta regular. “Todo esse lixo que não tem destinação adequada afeta a saúde de 100 milhões de brasileiros, é bem preocupante”, diz Carlos.

‘Meio Big Mac’

O presidente da Abrelpe vê com preocupação a diminuição dos recursos aplicados para custear os serviços e a extinção de postos de trabalhos em comparação ao ano anterior.

“Para custear todos os serviços de limpeza urbano no ano de 2016, em média os municípios gastaram R$9,92 por pessoa, valor equivalente ao preço de meio BigMac, quando o ideal para cumprir as metas básicas da política nacional seria um valor médio de R$16 por pessoa”.

Além do baixo investimento, houve redução de 17.700 postos de trabalhos diretos. “Percebemos que de um lado não há um grau de conscientização elevado por parte dos gestores e do o outro não há investimento suficiente. A PNRS ainda carece de aplicação prática em vários pontos”, afirma o presidente da Abrelpe.

Aprovada em 2010, a PNRS estabelecia a extinção obrigatória dos lixões e a substituição dos mesmos por aterros sanitários até 2014, o que não se concretizou. A lei prevê, inclusive, que os municípios com menos recursos possam formar consórcios com cidades próximas a fim de compartilharem uma mesma estrutura. Hoje tramita no Congresso um projeto de lei que pretende prorrogar o prazo referente ao término dos lixões para a partir de 2018, a de pender do porte de cada prefeitura.

Fonte – EcoD de 30 de agosto de 2017

Rock in Rio: Querem salvar a Amazônia, mas não juntam o próprio lixo

O Rock in Rio 2017 se propôs, entre outras coisas, a ser um espaço em defesa da Amazônia.

Neste domingo (17) a cantora norte-americana Alicia Keys convidou ao palco a líder indígena e representante da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), Sonia Guajajara, para falar dos ataques à Amazônia promovidos pelo governo de Michel Temer.

O ‘Fora Temer’ também foi entoado por diversas vezes, notadamente quando a modelo internacional Gisele Bündchen lançou a campanha global Believe, uma proposta com soluções para questões sociais e ambientais.

O drástico é ver que após os shows, a plateia, teoricamente entusiasta e simpatizante da ideia, foi incapaz de juntar o próprio lixo, destoando às completas de qualquer iniciativa voltada para uma proposta de inspiração ambiental.

Lamentável.

Fonte – Jornal da Cidade de 18 de setembro de 2017

É o mesmo caso das pessoas abaladas ao verem a tartaruga com um canudo no nariz, todos preocupados com o novo continente gerado por plásticos jogados no mar e mesmo assim são incapazes de usar sacolas retornáveis, parar de usar PET, long neck, canudos, copos, pratos e talhares descartáveis. Hipocrisia! É bonito dizer que se é ecologicamente engajado, mas na hora de mudar seus péssimos hábitos…

Isto é o quanto de plástico o mundo já produziu (e não é bonito)

Montanha de lixo plásticoMontanha de lixo plástico se acumulando na natureza. (Press Digital/Thinkstock)

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade desse material já produzida na história, revelando urgência de se pensar uma nova economia do plástico

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade de plásticos já produzidos na história da humanidade. E o resultado é um tanto quanto assustador: foram 8,3 bilhões de toneladas desde que a produção em larga escala de materiais sintéticos começou, no início da década de 1950.  É tanto plástico que  equivale a cerca de 25 mil vezes o peso do Empire State Building, em Nova York.

A parte assustadora é que a maioria de todo esse material tem como destino aterros sanitários ou, mais grave, o próprio ambiente natural, de acordo com o estudo publicado na revista Science Advances. Se as tendências atuais continuarem, cerca de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos terão o mesmo destino impróprio até 2050.

O estudo é fruto do trabalho conjunto de cientistas da Universidade da Geórgia, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara e Sea Education Association. Na ponta do lápis, os pesquisadores descobriram que das 8,3 bilhões de toneladas de plásticos geradas até 2015, 6,3 bilhões já se tornaram resíduos, ou seja, foram descartadas.

Desse total, apenas 9% foram recicladas, 12% foram incineradas e 79% se acumularam em aterros sanitários ou simplesmente ficaram pelo caminho poluindo o meio ambiente.

O que preocupa é que a maioria dos plásticos não se biodegrada na natureza de forma significativa, de modo que os descarte incorreto no presente se torna um problema que perdura por centenas e até milhares de anos.

Com o levantamento, os cientistas esperam chamar atenção para a necessidade de pensar sobre o uso que fazemos desse material e as práticas de gerenciamento de resíduos. É essencial, portanto, desenvolver uma nova economia do plástico, que seja mais responsável e sustentável.

Para o estudo, eles compilaram estatísticas da produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o tipo de setor e consumo.

Entre 1950 e 2015, a produção global de plásticos aumentou de 2 milhões de toneladas para mais de 400 milhões de toneladas, de acordo com o estudo, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções ​​são alguns materiais amplamente utilizados no setor de construção, como aço e cimento.

Mas enquanto o aço e o cimento são usados ​​principalmente na construção, o mercado de plásticos é majoritariamente voltado para a produção de embalagens, que em geral são usadas apenas ​​uma vez e descartadas. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”, diz Roland Geyer, principal autor do estudo.

Os pesquisadores alertam, porém, que não se deve buscar a remoção total de plástico do mercado, mas sim repensar o uso que fazemos desse material. “Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse a coautora Kara Lavender Law. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos em algumas situações e perguntar se ele faz sentido”.

A mesma equipe de pesquisadores liderou um estudo publicado em 2015 na revista Science que calculou a quantidade de resíduos plásticos no oceano. Eles estimaram que 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos entraram nos oceanos em 2010.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 20 de julho de 2017

1 milhão de garrafas plásticas são vendidas a cada minuto

Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China.Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China. (China Photos / Stringer/Getty Images)

Novas estatísticas divulgadas pelo The Guardian revelam o quão assombroso o problema se tornou

Versáteis e econômicos, os plásticos facilitaram muitos avanços da sociedade ao longo do século passado. No entanto, alguns de seus usos atuais atingem números que beiram o insustentável.

A demanda global por garrafas de plástico, estimulada pela indústria de bebidas, é exemplo disso: a cada minuto, um milhão de garrafas plásticas são vendidas em todo o mundo; por ano, consumimos cerca de 500 bilhões delas. Os dados são de um levantamento da Euromonitor feito a pedido do jornal britânico The Guardian.

Embora seja verdade que muitas dessas embalagens poderiam e deveriam ser recicladas, está cada vez mais difícil acompanhar o grande volume de resíduo plástico produzido. O que acontece quando a equação não fecha? Grande parte do lixo indigesto acaba poluindo o meio ambiente, onde demora centenas de ano para se decompor.

Em 2016, o mundo comprou mais de 480 bilhões de garrafas plásticas de água. Menos da metade disso foi coletado e enviado para reciclagem. E apenas 7% delas encontraram uma segunda vida como garrafas novas. O resto ou seguiu para lixões e aterros sanitários ou foi poluir terra e mar.

Não faltam estudos recentes sobre a poluição dos oceanos por lixo plástico e seus efeitos nocivos sobre a vida marinha. O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que, em 2050, os oceanos terão mais detritos desse material do que peixes, alertou um relatório da Fundação Ellen MacArthur no Fórum Econômico Mundial no ano passado.

Em 2021, segundo estimativas da Euromonitor, o uso de garrafas plásticas de água aumentará para 583,5 bilhões de unidades. “Este aumento está sendo impulsionado por uma maior urbanização”, disse Rosemary Downey, chefe de embalagem da Euromonitor ao  jornal. Em 2015, os consumidores na China, que puxam essa alta, compraram 68,4 bilhões de garrafas de água e em 2016 essa taxa aumentou para 73,8 bilhões.

“Existe um desejo de vida saudável e há preocupações contínuas sobre a contaminação das águas subterrâneas e a qualidade da água da torneira, que contribuem para o aumento do uso de água na garrafa”, disse ela.  Índia e Indonésia também estimulam esse crescimento.

Inevitavelmente, o enfrentamento do problema das garrafas plásticas também exigirá melhorias na gestão hídrica no mundo, o que não reduz a importância de se repensar hábitos de consumo e produção envolvidos.

A maioria das garrafas de plástico usadas para refrigerantes e água são feitas de tereftalato de polietileno (Pet), que é altamente reciclável. Nos últimos anos, ativistas ambientais têm pressionado as empresas produtoras a usarem Pet reciclado para confeccionar novas garrafas, mas segundo a reportagem do The Guardian, há uma grande resistência à ideia por questões estéticas — garrafas recicladas não são tão transparentes quanto as produzidas com matéria-prima virgem.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 03 de julho de 2017

Um planeta literalmente coberto de plástico

calculating plastic waste

O ecologista industrial Roland Geyer mede a produção, o uso e o destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas

Mais de 8 bilhões de toneladas métricas. Essa é a quantidade de plásticos, de origem humana, criados desde que a produção em grande escala de materiais sintéticos começou no início dos anos 50. É suficiente para cobrir todo o país da Argentina e a maioria do material agora reside em aterros sanitários ou no ambiente natural.

Tais são os resultados de um novo estudo liderado pelo ecologista industrial Roland Geyer, da UC Santa Barbara. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, fornece a primeira análise global da produção, uso e destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas.

“Não podemos continuar com o negócio como de costume, a menos que queremos um planeta literalmente coberto de plástico”, disse o autor principal, Geyer, professor associado da Escola Bren de Ciências e Gestão Ambiental da UCSB. “Este artigo fornece dados rígidos, não apenas quanto ao plástico que fizemos ao longo dos anos, mas também a sua composição e a quantidade e tipo de aditivos que o plástico contém. Espero que essa informação seja usada pelos formuladores de políticas para melhorar estratégias de gerenciamento de finais de vida para plásticos “.

Geyer e sua equipe compilaram estatísticas de produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o setor de tipo e consumo. Eles descobriram que a produção global de resinas e fibras plásticas aumentou de 2 milhões de toneladas em 1950 para mais de 400 milhões de toneladas em 2015, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções notáveis são aço e cimento. Embora esses materiais sejam usados principalmente para construção, o maior mercado de plásticos é a embalagem, que é usada uma vez e depois descartada.

“Aproximadamente metade de todo o aço que fabricamos entra em construção, por isso terá décadas de uso; O plástico é o oposto “, disse Geyer. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”.

E o ritmo da produção de plástico não mostra sinais de desaceleração. Da quantidade total de resinas plásticas e fibras produzidas de 1950 a 2015, cerca de metade foi produzida nos últimos 13 anos.

“O que estamos tentando fazer é criar as bases para o gerenciamento sustentável de materiais”, acrescentou Geyer. “Simplesmente, você não consegue gerenciar o que você não mede, e então pensamos que as discussões sobre políticas serão mais informadas e com base em fatos, agora que temos esses números”.

Os pesquisadores também descobriram que, até 2015, os seres humanos produziram 6,3 milhões de toneladas de resíduos de plástico. Desse total, apenas 9% foram reciclados; 12 por cento foram incinerados e 79 por cento acumulados em aterros sanitários ou no ambiente natural. Se as tendências atuais continuam, observou Geyer, cerca de 12 bilhões de toneladas métricas de resíduos de plástico – pesando mais de 36 mil que o edifício Empire State Buildings – estarão em aterros sanitários ou no ambiente natural em 2050.

“A maioria dos plásticos não se biodegrada em nenhum sentido significativo, de modo que o desperdício de plástico, que os seres humanos geraram, poderia estar conosco por centenas ou mesmo milhares de anos”, disse a coautora Jenna Jambeck, professora associada de engenharia da Universidade da Geórgia. “Nossas estimativas ressaltam a necessidade de pensar criticamente sobre os materiais que usamos e nossas práticas de gerenciamento de resíduos”.

Dois anos atrás, a mesma equipe de pesquisa publicou um estudo na revista Science que mediu a magnitude dos resíduos de plástico no oceano. Eles descobriram que dos 275 milhões de toneladas métricas de resíduos de plástico gerados em 2010, cerca de 8 milhões entraram nos oceanos do mundo. Esse estudo calculou a quantidade anual de resíduos de plástico usando dados de geração de resíduos sólidos; A nova pesquisa usa dados de produção de plástico.

“Mesmo com dois métodos muito diferentes, obtivemos praticamente o mesmo número de resíduos – 275 milhões de toneladas métricas – para 2010, o que sugere que os números são bastante robustos”, disse Geyer.

“Há pessoas vivas hoje que se lembram de um mundo sem plásticos”, disse Jambeck. “Mas os plásticos tornaram-se tão onipresentes que você não pode ir a qualquer lugar sem encontrar resíduos de plástico em nosso meio, incluindo nossos oceanos”.

Os pesquisaores são rápidos em avisar que eles não procuram eliminar o plástico do mercado, mas defendem um exame mais crítico do uso de plástico.

“Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse o coautor Kara Lavender Law, professor de pesquisa da Sea Education Association em Woods Hole, Massachusetts. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos e perguntar se ele faz sentido”.

Production, use, and fate of all plastics ever made
Roland Geyer,*, Jenna R. Jambeck and Kara Lavender Law
Science Advances 19 Jul 2017:
Vol. 3, no. 7, e1700782
DOI: 10.1126/sciadv.1700782
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full.pdf

Fonte – Julie Cohen, University of California, Santa Barbara / Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate de 24 de julho de 2017

Somente 9% do plástico produzido pela humanidade foi reciclado

Lixo plásticoMais de 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas pela humanidade entre 1950 e 2015; pelo menos 6,3 bilhões de toneladas já se tornaram lixo e, desse total, 79% foram parar em aterros sanitários ou no ambiente natural.  Foto: Tiago Queiroz / Estadão

Cientistas calcularam que 8,3 bilhões de toneladas foram fabricadas de 1950 a 2015; 79% do total foi para aterros ou meio ambiente

Uma nova pesquisa mostra que o ser humano produziu 8,3 bilhões de toneladas de plástico, desde o início a produção em massa desse material, em 1950, até 2015. A maior parte já virou lixo e quase 80% do material está agora em aterros sanitários ou no meio ambiente.

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 19, na revista Science Advances, foi liderado por cientistas das universidades da Geórgia, da Califórnia e da organização oceanográfica Sea Education Association (SEA) – todas dos Estados Unidos. Segundo os autores, a pesquisa faz “a primeira análise global da produção, uso e destino de todo o plástico já fabricado”.

Das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas até 2015, cerca de 6,3 bilhões já foram descartados.  De todo esse lixo, apenas 9% foi reciclado, 12% foi incinerado e 79% está acumulado em aterros ou poluindo o ambiente natural.

O estudo também mostra que a produção de plástico acelerou nos últimos anos: metade da produção de 8,3 bilhões de toneladas ocorreu nos últimos 13 anos do período estudado, isto é, entre 2002 e 2015.

Nesse ritmo, segundo os cientistas, a quantidade de plástico jogada em aterros ou no ambiente chegará a 13 bilhões de toneladas até 2050. A quantidade atual, em 2017, é estimada em 9,1 bilhões de toneladas.

“A maior parte do plástico não é bidegradável em nenhum sentido, portanto o lixo plástico gerado pelos humanos poderá permanecer conosco por centenas ou até milhares de anos”, disse uma das autoras do estudo, Jenna Jambeck, professora da Universidade da Geórgia.

Para realizar a pesquisa, os cientistas compilaram estatísticas de produção de resinas, fibras e aditivos de diversas fontes industriais e sintetizaram os dados de acordo com tipo e setor de consumo.

Segundo o estudo, em 1950, a produção de plástico era de 2 milhões de toneladas anuais. Em 2015, ela já era de 400 mihões de toneladas por ano. Com isso, dizem os cientistas, o plástico ultrapassou vários outros materiais no ranking dos mais produzidos pela humanidade. Atualmente, os mais produzidos são os materiais relacionados à construção civil, como aço e cimento.

Os cientistas afirmam, porém, que o aço e o cimento são usados principalmente para construção, enquanto o plástico tem seu maior mercado nas embalagens, que na maior parte das vezes são utilizadas uma só vez e descartadas.

“Mais ou menos metade de todo o aço que é produzido vai para a construção, e por isso terá décadas de uso. Com o plástico acontece o contrário. Metade do que é produzido se torna lixo com quatro anos ou menos de uso”, disse o autor principal da pesquisa, Roland Geyer, também da Universidade da Geórgia.

Segundo Geyer, o estudo tem o objetivo de criar os fundamentos para uma gestão sustentável de materiais. “Dito de forma simples, não é possível fazer a gestão do que não foi medido. Então, achamos que as discussões sobre políticas públicas ficarão mais informadas e baseadas em fatos agora que temos esses números”, disse Geyer.

Plástico nos mares e oceanos

A mesma equipe de pesquisadores publicou em 2015, na revista Science, um estudo que calculou a quantidade de plástico no ambiente marinho. A estimativa é de que só no ano de 2010, mais de 8 milhões de toneladas de plástico foram jogadas nos oceanos.

“Existe gente viva atualmente que ainda se lembra de um mundo sem plástico. Mas esse material já se tornou tão onipresente que não conseguimos ir em lugar algum sem encontrar lixo plástico no ambiente, incluindo os oceanos”, disse Jenna.

Os autores do estudo destacaram que não têm a pretensão de remover o plástico do mercado, mas de incentivar um exame mais crítico do uso do material.

“Há áreas nas quais o plástico é indispensável, especialmente em produtos desenhados para a durabilidade. Mas acho que precisamos olhar com mais cuidado para o nosso caro uso dos plásticos e devemos nos perguntar quando o uso desses materiais fazem ou não fazem sentido”, afirmou outra das autoras do estudo, Kara Lavender Law, da SEA.

Fonte – Fábiod e Castro, O Estado de S. Paulo de 19 de julho de 2017

River of plastic trash is flooding our oceans

Plastik Müll im Meer (Getty Images/M.Clarke)

Plastic is useful – for packaging, tires, clothing, and much else. But 2 percent of plastics produced end up in the ocean. It enters the food chain – even reaching us. A new analysis highlights the scale of the problem.

From a historical perspective, plastics are a very new phenomenon. Total global plastics production in 1950 was just over 2 tonnes (2.2 tons) – that’s less than the weight of a single Dodge Durango sport utility vehicle. In 2015, just 65 years later – that is, over the span of less than a single human lifetime – global production amounted to 448 million tonnes.

We currently use a global average of about 60 kilograms (132 pounds) of plastic per year per person. In the most industrialized regions – North America, western Europe and Japan – that figure is more than 100 kilograms.

In a new study, researchers have estimated that about 8.3 billion tonnes of plastic have been manufactured out of crude oil since 1950. Of that total, about 30 percent remains in use – in households, cars or factories. A further 10 percent has been burned.

That leaves 60 percent of the total amount of plastic produced to date leading a twilight existence as rubbish, either tucked away in garbage dumps or discarded more haphazardly. Globally, this means there’s about 650 kilograms of plastic garbage per person – out there, somewhere.

And that somewhere is often the world’s oceans. The International Union for the Conservation of Nature (IUCN) estimates that 2 percent of total plastics production ends up in ocean waters.

Once there, plastic persists for years, since it’s not biodegradable or digestible. It typically fragments into ever-smaller pieces. Some of that is swallowed by marine organisms, entering into food webs – which is not good for marine ecosystems. Nor is it good for people who eat fish.

Infografik Global Ideas Plastik EN (DW)

“We’re heading toward a plastic planet,” said University of California researcher Roland Geyer, who co-authored the new paper. They are calling for more attention to the problem. He added that the global growth in plastics production is “extraordinary – and it doesn’t look like it’s going to slow down anytime soon.”

Researchers estimate that if present trends continue, by 2050 there will be around 12 billion tonnes of plastic garbage present in the world.

Plastics from textiles, traffic and cosmetics

Microplastics are plastic particles with a size in the micrometer or nanometer range (0.0001 to 0.0000001 of a centimeter).

Abrasion and disintegration of plastic waste into the sea is one source of microplastics. Another is the abrasion of plastics on land. Most microplastics are released by synthetic textiles, as lint. Around 60 percent of clothing contains synthetic fibers – and this proportion is expected to increase, in part because synthetic fibers are cheap to produce.

That makes for a lot of plastic lint worldwide. Studies have shown that from a single fleece jacket in a single wash cycle, up to a million tiny fiber fragments are released into a washing machine’s wastewater.

According to a current EU study, in Europe alone, washing machines rinse some 30,000 tonnes of synthetic fibers into the sewage system each year.

And as they wind their way downstream, some of those fibers end up in the sea.

Infografik Woher kommt das Mikroplastik in den Weltmeeren ENG

Paints for road-marking and to prevent ships from rotting also contribute to the entry of microplastics into oceans. Tiny bits of plastic abraded from tires and road markings are transported by wind and water into creeks and rivers. Eventually, some of this ends up in the sea.

More garbage than fish in the oceans?

Unless trends shift, within three more decades, the total mass of plastic junk swimming in the oceans may be greater than the total mass of fish.

Microplastic are too small to be seen with the naked eye. Mussels, marine worms and fish take in some of these tiny fragments as they go about feeding. Since plastics cannot be digested, this accumulates in such organisms – when predators feed on these smaller organisms, they also get the plastics. Like other pollutants, microplastics become more concentrated higher up the food web.

Studies have shown ingestion of microplastics can have adverse effects on various marine animals. These effects include reduced reproductive success, slower growth, and more sluggish movement, as well as greater tendency toward inflammation and increased mortality.

There isn’t enough information available yet to allow researchers to definitively pin down the nature and severity of such effects.

Infographic origin of plastic in oceans ENG

Scientists don’t yet know in detail which chemical toxins are transferred from plastics to the environment, or into the flesh of marine organisms. Research into the environmental and biological impacts of marine microplastics remains in its infancy.

What is known is that some small amount of microplastic is inevitably absorbed by human beingswhen we eat fish or crustaceans.

The United Nations Environment Program (UNEP) has issued a statement saying microplastics are not currently considered a significant risk to human health. Yet at the same time, it acknowledges that little data are available, and that further research is needed.

Problem recognized?

Ocean pollution is now on the international agenda. In early June in New York, the United Nations in its Oceans Conference aimed to encourage member countries to put forward projects and programs for protecting the health of ocean ecosystems.

A Greenpeace activist shows the flag at the G20 Marine Litter Conference in Bremen, Germany, June 2017 (Greenpeace/Daniel Müller )

Environmentalists are sounding the alarm about plastics in our oceans

The G20, or group of the world’s most weighty economies, has similarly put ocean pollution on their agenda with a shared action plan to reduce marine garbage, also agreed in June.

Does that mean the problem is on its way to being solved?

“If our Earth is to stay the blue planet, then we have to stop choking the oceans with garbage,” said German Environment minister Barbara Hendricks. “The dimension of the global flood of garbage has become inconceivably huge. So I’m very glad about the agreement of the G20 on a common action plan. This brings the protection of our oceans a big step forward in global consciousness.”

“We have to take action on a broad international basis.”

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Environmental groups have welcomed this agreement as a good step. Yet the G20 action plan pays insufficient attention to the causes, some say.

“Governments too often look for answers in recycling, but they should go at the root of the problem: Unnecessary plastic packaging and products shouldn’t be produced in the first place,” according to Thilo Maack, a marine biologist who works for  Greenpeace in Germany.

Yet Maack acknowledged that reuse and recycling of plastic products are important too.

In Maack’s view, a key measure to get a grip on the growing flood of plastic garbage would be economic instruments that put environmental costs into the price: “If those costs are priced into plastic products from the beginning, then plastic will be used more sparingly, reused and recycled more.

“And more environmentally friendly alternatives [like biodegradable packaging] would become cheaper in comparison,” Maack told DW.

Fighting the plastic flood

Plastikmüll am Strand Hawaii

Tons of trash – At least 8 million tons of plastic waste ends up in the world’s oceans every year, according to a report by the Ellen MacArthur Foundation. The report warns plastic trash will outweigh fish by 2050 unless drastic action is taken. Much of the floating trash collects in several large ocean vortices far from land. Beaches, like this one on Midway Island in the remote Pacific Ocean, also suffer.

Mola mola Sonnenfisch Plastiktüte

Addicted to plastic – The floating plastic isn’t just an eyesore: as it breaks down into smaller pieces, marine animals mistake it for food. A recent study by Uppsala University showed ingesting plastic can have devastating effects on fish, including stunted growth and increased mortality rates. Surprisingly, some fish even seem to prefer plastic. Plastic in fish is also suspected of posing health risks for humans.

Möwe mit Plastikmüll im Schnabel

Edible alternatives – The Ocean Conservancy estimates more than 690 species of marine animals have been affected by plastic pollution. In an effort to reduce the impact of all that waste, some companies have come up with alternatives. The Delray Beach craft brewery, in Florida, has developed edible six-pack rings from wheat and barley left over from the brewing process. It hopes to begin production in October.

Bran Teller Polen Teller aus Kleie essbar kompostierbar

Biodegradable packaging – As an alternative to single-use plastic packaging – which makes up a significant portion of the waste found in oceans – some companies have come up with biodegradable alternatives. At a plant in Poland, wheat bran is being used. According to inventor Jerzy Wysocki, the Biotrem packaging can be used in the oven or freezer, and will decompose in 30 days – or can simply be eaten. Extra fiber!

Chinesische Arbeiterinnen montieren Computermäuse aus Holz Bambus

Bamboo to the rescue? – Fast-growing bamboo is also an alternative to plastic – used to make everything from toothbrushes, shower curtains, utensils and even computer parts. Work at the Tonggu Jiangqiao Bamboo & Wood Industry Company, pictured here, started mass production of bamboo keyboards, mice and monitor casings in 2008.

Barriere im Meer Plastikmüll

Ocean skimmer – Alternatives may help reduce waste, but millions of tons of plastic still float around the world’s oceans – and will remain for centuries, slowly breaking down. Dutch foundation Ocean Cleanup aims to collect the trash with a 100-kilometer (60-mile) floating dam system that is supposed to trap plastic waste without harming fish and other sea creatures. It aims to install one in the Pacific by 2020.

Spanien, Unternehmen Ecoalf stellt Kleidung aus Plastikmüll her

From trash to fashion – Some of that plastic could be recycled and reused in other forms, becoming flower pots, home insulation or – in the case of Spanish firm Ecoalf – clothing. The Madrid-based clothing line takes plastic waste collected by 200 fishing boats in the Mediterranean, crushes it into flakes, and then creates polyester fibers – which in turn become fashionable jackets, backpacks and other items.

Ein aus Plastikflaschen gefertigter Fisch Brasilien Rio de Janeiro

Reduce, recycle … and reuse – Plastic waste can also be reused in its original form. At the United Nations Conference on Sustainable Development Rio +20 in 2012 – 20 years after the first World Oceans Day – giant fish made from plastic bottles were exhibited along the waterfront in Rio de Janeiro.

Fonte – Gero Rueter / Martin Kuebler, DW de 26 de julho de 2017

Catadora mostra erros na separação e no descarte de lixo; veja dicas – parte 4 de 5

Catadora mostra erros na separação e no descarte de lixo; veja dicas

Roselaine Mendes Ferreira, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis, mostra os problemas mais graves quando se joga resíduos fora

A catadora Roselaine Mendes Ferreira, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis (MNCR), mostrou os principais erros na separação e no descarte de lixo, a pedido do G1.

Ela é uma das líderes de uma cooperativa no bairro Boqueirão, em Curitiba, e diz que o cuidado em casa e nas empresas faz toda a diferença para o reaproveitamento dos materiais e também na proteção dos catadores de ferimentos e doenças graves.

Saiba mais sobre o descarte correto e incorreto do lixo na reportagem muitas famílias ainda não descartam corretamente o lixo.

Veja os principais problemas clicando aqui: Caixa de leite, lixo de banheiro, alimentos, material hospitalar, tubo de televisão, isopor, pneus, lâmpadas e pilhas, vidro, remédios.

Lixo tóxico

Pilhas, baterias, toner de impressão, embalagens de inseticidas, tintas, medicamentos vencidos, lâmpadas fluorescestes (até 10 unidades), óleos de origem animal e vegetal (embalados em garrafas PET de 2 litros) devem ser levados a locais específicos, determinados pelas prefeituras. Para saber para onde levar no município em que mora, basta procurar a administração municipal.

Fonte – G1 PR de 03 de agosto de 2017

Poluição ameaça ‘tornar a Terra um ‘Planeta de plástico’

Plástico em praia do CaribeNo ritmo atual, será preciso esperar até 2060 para que a reciclagem de plástico supere sua ida para aterros sanitários. GETTY IMAGES

Cientistas americanos calcularam a quantidade total de plástico já produzida pela humanidade, e afirmam que ela chega a 8,3 bilhões de toneladas.

E essa massa impressionante de material foi criada apenas nos últimos 65 anos.

A quantidade de plástico pesa tanto quanto 25 mil edifícios Empire State Building, em Nova York, ou um bilhão de elefantes.

A questão, no entanto, é que itens plásticos, como embalagens, costumam ser usados por curtos períodos de tempo antes de serem descartados.

Mais de 70% da produção total de plástico está em esgotos, que vão principalmente para aterros sanitários – apesar de que a maior parte dela é acumulada nos ambientes abertos, incluindo os oceanos.

“Estamos caminhando rapidamente para um ‘Planeta de plástico’, e se não quisermos viver neste mundo, teremos que repensar a maneira como usamos alguns materiais”, disse à BBC o especialista em ecologia industrial Roland Geyer.

Homem coleta plástico das águas do mar nas FilipinasPelo menos 4 bilhões de toneladas de plástico foram fabricadas apenas nos últimos 13 anos. GETTY IMAGES

O estudo sobre o plástico feito por Geyer e seus colegas da Universidade de Califórnia, nos Estados Unidos foi divulgado pela publicação científica Science Advances.

Trata-se da primeira estimativa global de quanto plástico foi produzido, como o material é usado em todas as suas formas e aonde ele parar. Estes são alguns dos principais dados.

  • 8,3 milhões de toneladas de plástico virgem foram produzidas nos últimos 65 anos
  • Metade deste material foi produzido apenas nos últimos 13 anos
  • Cerca de 30% da produção histórica continua sendo usada até hoje;
  • Do plástico descartado, apenas 9% foi reciclado;
  • Cerca de 12% foi incinerado, mas 79% terminou em aterros sanitários;
  • Os itens de menos uso são embalagens, utilizadas por menos de um ano;
  • Os produtos plásticos com uso mais longo estão nas áreas de construção civil e maquinaria;
  • Tendências atuais apontam para a produção de 12 bilhões de toneladas de lixo plástico até 2050;
  • Em 2014, a Europa teve o maior índice de reciclagem de plástico: 30%. A China veio em seguida com 25% e os EUA reciclaram apenas 9%.

Gráfico

Resíduo

Não há dúvida de que o plástico é um material impressionante. Sua adaptabilidade e durabilidade fizeram com que a produção e uso ultrapassasse a maior parte dos materiais feitos pelo homem, com a exceção de aço, cimento e tijolos.

Desde o começo da produção em massa do plástico nos anos 1950, os polímeros estão em toda parte – incorporados a tudo, desde embalagens até roupas, de partes de aviões a retardadores de chamas. Mas são justamente essas qualidades maravilhosas do plástico que representam um problema crescente.

Nenhum dos plásticos normalmente usados são biodegradáveis. A única forma de se desfazer de seus resíduos é destrui-los através de um processo de decomposição conhecido como pirólise ou por simples incineração – apesar de que este último é mais complicado, por causa de preocupações com as emissões de gases poluentes.

Enquanto não se desenvolve uma maneira eficiente e sustentável, o resíduo se acumula. Atualmente, segundo Geyer e seus colegas, há restos de plástico suficientes no mundo para cobrir um país inteiro do tamanho da Argentina.

A expectativa da equipe é que o novo levantamento dê impulso ao diálogo sobre como lidar com a questão.

“Nosso mantra é: não dá para administrar o que não dá pra medir. Então queremos divulgar esses números sem dizer ao mundo o que ele deveria estar fazendo, mas para começar uma discussão real”, afirma o pesquisador.

Os índices de reciclagem no mundo estão aumentando e a química moderna trouxe alternativas biodegradáveis ao plástico, mas fabricá-lo continua sendo tão barato que é difícil deixar de lado o produto.

A mesma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Barbara já havia produzido, em 2015, um levantamento do total de resíduos plásticos que vai para os oceanos a cada ano: 8 milhões de toneladas.

Resíduos de plástico preparados para a reutilizaçãoCerca de 90% do plástico que foi reciclado no mundo foi reutilizado apenas uma vez, segundo pesquisadores. GETTY IMAGES

‘Tsunami’

A ida dos resíduos plásticos para o mar, em particular, é o principal alvo da preocupação dos cientistas nos últimos anos, por causa da comprovação de que parte deste material vai para a cadeia alimentar dos peixes e de que outras criaturas marinhas ingerem pequenos fragmentos de polímeros.

“Estamos enfrentando um tsunami de resíduos plásticos e precisamos lidar com isso”, disse à BBC o oceanógrafo Erik van Sebille, da Universidade de Utrecht, na Holanda, que monitora a presença do plástico nos oceanos.

“Precisamos de uma mudança radical na maneira como lidamos com os restos do plástico. Mantendo os padrões atuais, teremos que esperar até 2060 para que mais plástico seja reciclado do que jogado em aterros e no meio ambiente. É devagar demais, não podemos esperar tanto”, afirmou.

Outro motivo pelo qual a reciclagem de plástico ainda pode estar avançando lentamente é o design dos produtos, segundo Richard Thompson, professor de biologia marinha na Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“Se os produtos de plástico fossem criados com a reciclagem em mente, eles poderiam ser reutilizados muitas vezes. Uma garrafa, segundo alguns estudos, poderia ser reciclada até 20 vezes. Isso seria uma redução significativa dos resíduos”, disse à BBC.

Para Rolando Geyer, o ideal da reciclagem “é manter o material circulando pelo maior tempo possível”.

“No entanto, percebemos no nosso levantamento que 90% do material que de fato foi reciclado – cerca de 600 milhões de toneladas – só foi reciclado uma vez”, explica.

Contra lei, 98 municípios do Paraná mantêm lixões ou aterros irregulares

Descartável: prazo para o fim dos lixões a céu aberto está vencido desde 2014

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Política Nacional dos Resíduos Sólidos determinou que prefeituras mandassem lixo para aterros sanitários até 2014. Três anos depois, porém, situação ainda está longe do ideal.

Noventa e oito municípios do Paraná ainda enviam lixo para locais irregulares e, com isso, descuprem a lei federal da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, conforme dados do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) obtidos com exclusividade pelo G1.

O conjunto de normas determinou que todas as prefeituras integrassem à política municipal um plano de gerenciamento de resíduos sólidos até 2012 e extinguissem lixões ou aterros inadequados até 2014. Três anos depois, porém, ainda falta muito a percorrer para resolver o problema.

“A gestão de resíduos é de responsabilidade dos municípios. Eles devem ter um planejamento de coleta e destinação: quem vai coletar, como vai ser feita a coleta, a separação dos recicláveis, tudo isso cabe à prefeitura. O grande objetivo é a erradicação dos lixões. Já temos uma situação bem melhor, mas para chegar no ‘lixão zero’ falta um pedaço”, afirma Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP.

Entre as 399 cidades do estado, 24 mantêm lixões municipais — lugares abertos, sem controle ambiental, onde pessoas têm livre acesso para entrar e cavoucar o que os outros jogam fora sem cuidado sanitário algum. Para especialistas, é o pior cenário ambiental e social quando se fala em resíduos.

“Os lixões são muitas vezes mal operados. O que isso pode trazer? Doenças, pessoas que se dispõem do lixo pra alimentação. Isso tem que ser erradicado. Outra questão é a do chorume, que vai atingir corpos hídricos e o próprio solo. Se não for adequado, vai atingir corpos de água subterrâneos, onde muitas vezes há depósitos que as pessoas usam para abastecimento”, explica Ivonete.

Municípios devem enviar o lixo para aterros sanitários, como o de Fazenda Rio Grande, na região de Curitiba (Foto: Weliton Martins/RPC)Municípios devem enviar o lixo para aterros sanitários, como o de Fazenda Rio Grande, na região de Curitiba (Foto: Weliton Martins/RPC)

Outros 74 municípios paranaenses têm aterros controlados, sem a gestão adequada — muitos deles são apenas lixões com acesso restrito, segundo o IAP. Os 301 restantes, por consequência, levam seus resíduos a aterros sanitários que seguem as normas estipuladas pela Polícia Nacional.

Aos inadequados, cabe ao Ministério Público e aos órgãos de fiscalização do estado, como o próprio IAP, cobrarem providências e estipularem metas e prazos às prefeituras, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Se o acordo não for cumprido, o município sofre punições, como a aplicação de multas ou o embargo de recursos.

“É fundamental que os municípios cumpram a Legislação, mas é necessário dar estrutura. Muitos deles não têm recursos para fazer o que a Política Nacional determina. Portanto, eu nem falo em multar os municípios, em embargar. O ideal seria o órgão ambiental ou o Ministério Público constituir grupos de trabalhos para, de forma cooperada, ver qual a previsão, qual seria a possibilidade e, aos poucos, implementar esses aterros sanitários”, diz o professor e advogado Alessandro Panasolo, especialista em direito ambiental.

Para o especialista, prefeituras pequenas, com menos de 20 mil habitantes, deveriam se unir no uso de um mesmo aterro. “No caso dos municípios pequenos, uma saída é fazer consórcio. Não tem necessidade de cada município ter seu aterro sanitário. Dois, três, quatro municípios podem constituir consórcios e dividir seus custos”, sugere o professor.

Projeto quer esticar o prazo

Um projeto de lei elaborado pela Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos do Senado, em 2014, tenta a prorrogação do prazo aos municípios para a erradicação dos lixões. A ideia é colocar datas limites de forma escalonada, levando em conta o tamanho da população.

Veja as escalas e os prazos propostos:

  1. Capitais e municípios de regiões metropolitanas, até 31 de julho de 2018
  2. Municípios de fronteira ou com mais de 100 mil habitantes, até 31 de julho de 2019
  3. Municípios com 50 a 100 mil habitantes, até 31 de julho de 2020
  4. Municípios com menos de 50 mil habitantes, até 31 de julho de 2021

Em 2015, o Senado aprovou o projeto e enviou à Câmara dos Deputados, onde está parado na Mesa Diretora desde o parecer do relator, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), em novembro de 2015.

Requerimentos das deputadas Gorete Pereira (PR-CE) e Conceição Sampaio (PP-AM), em 2016 e 2017, respectivamente, tentaram levar a discussão a plenário, mas foram indeferidos pela própria Mesa Diretora.

No site da Câmara, a informação é de que, atualmente, o projeto aguarda a criação de uma comissão temporária pela Mesa para seguir adiante. O G1 não conseguiu contato com os deputados responsáveis pelo andamento do processo até a publicação desta reportagem.

Vila Santa Maria, em Paranaguá, se desenvolveu no entorno de um lixão (Foto: Weliton Martins/RPC)Vila Santa Maria, em Paranaguá, se desenvolveu no entorno de um lixão (Foto: Weliton Martins/RPC)

Logística reversa

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos também instituiu a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa. Conforme o regulamento, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes que colocam produtos no mercado têm o dever de retirá-los de circulação.

“A logística reversa é uma questão que está no início. Para funcionar, tem que ter fiscalização. Exemplo: uma lata de condimento, tempero, você sabe que quem produz não é do Paraná, é de outro estado. Como nós vamos autuar o produtor se não é do Paraná? Então, a devolução das embalagens que tem que ser tratada a nível nacional. Se a gente quer reduzir nosso volume de resíduos e resolver o problema dos aterros, a logística reversa é um grande passo”, comenta a diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP.

Segundo Saint-Clair Honorato Santos, procurador do Núcleo de Meio Ambiente do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o trabalho que as empresas teriam que fazer sobra para os municípios, que deveriam ser pagos por isso.

Responsabilidade da retirada do lixo é, em grande parte, das empresas que o produzem (Foto: Weliton Martins/RPC)Responsabilidade da retirada do lixo é, em grande parte, das empresas que o produzem (Foto: Weliton Martins/RPC)

“A nossa logística reversa não está funcionando adequadamente. Como as empresas são as grandes colocadoras desse material, quando vendem os seus produtos, também têm que participar do modelo, o que não tem acontecido. Nós entendemos que as empresas devem ressarcir os municípios pela coleta, já que não retiram tudo que colocam no mercado”, sugere o procurador.

Dinheiro no lixo

Cada paranaense produz em média 1 quilo de lixo por dia, de acordo com o IAP. Levando em conta a população de 11 milhões de habitantes, conforme o Censo, o estado fecha o mês com 11 mil toneladas de resíduos para tratar, o que gera um alto custo.

Em Curitiba, por exemplo, o lixo custa perto de R$ 19 milhões por mês aos cofres públicos, estima o Ministério Público. Como o valor é diluído nos impostos, muitas vezes deixa o bolso dos cidadãos de forma imperceptível.

“É uma conta alta. Como vem diluída no imposto, as pessoas não sabem que esse valor é tão alto. Certamente, se soubessem que o valor é esse, iríamos começar a discutir melhor o modelo para saber se podemos aperfeiçoá-lo, como devemos, se estamos gastando o que é certo ou se esse preço é irrisório. Essas contas têm que aparecer bem decompostas para que o cidadão possa analisar”, recomenda Saint-Clair.

Procurador diz que a participação direta dos moradores no ciclo do lixo é o melhor caminho (Foto: Weliton Martins/RPC)Procurador diz que a participação direta dos moradores no ciclo do lixo é o melhor caminho (Foto: Weliton Martins/RPC)

Para o procurador, o caminho para melhorar o modelo de gestão de resíduos é justamente envolver diretamente o cidadão no ciclo do lixo. Uma das ideias é a de instalar “estações de sustentabilidade”, um modelo europeu em que o próprio cidadão leva os resíduos que produz em contêineres instalados nas esquinas de casa.

“Nós podemos fazer um modelo em que o cidadão colabore mais na coleta. São as estações de sustentabilidade, onde o próprio cidadão pode ir lá levar os seus recicláveis ou aquilo que ele tira de casa, como um fogão, uma geladeira. Ele pode levar a contêineres, onde você vai depositando e não cria problemas para frente. Se houver essa separação adequada, já no primeiro momento, tudo vai melhorar, porque, quanto mais você mistura o lixo, mais problemas você cria”, diz Saint-Clair.

O que diz o governo federal

O Ministério do Meio Ambiente afirma que está realizando avaliações sobre os avanços da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) nos municípios brasileiros, “sobretudo acerca da disposição final/destinação ambientalmente adequada de rejeitos/resíduos, identificando os principais desafios e propondo prioridades para o país”.

Contudo, o governo relata uma dificuldade constitucional para que os órgãos responsáveis fiscalizem as prefeituras.

Governo federal relata dificuldade na fiscalização de municípios (Foto: Gesli Franco/RPC)Governo federal relata dificuldade na fiscalização de municípios (Foto: Gesli Franco/RPC)

“A situação fica um pouco mais difícil do ponto de vista constitucional quando uma lei não pode obrigar outro ente federado a cumprir um prazo, quando este implica em gastos financeiros. Também há o aspecto político, quando o não cumprimento ocorre por parte de um órgão público, como é o caso de uma administração municipal, quem seria o outro órgão público que autuaria a prefeitura e fecharia o lixão?”, questionou a pasta, em nota.

O governo federal ressaltou que, para erradicar os lixões, tem dado apoio à elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos, ao fortalecimento dos Consórcios Públicos, à negociação dos acordos setoriais da logística reversa e na coordenação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos e Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (SINIR).

Além disso, também disse que envia aos municípios recursos financeiros para a construção de aterros por meio do Ministério das Cidades e da Fundação Nacional de Saúde.

Lixo é despejado em local inapropriado em Mandaguaçu, no norte do estado (Foto: Ederson Hising/G1)Lixo é despejado em local inapropriado em Mandaguaçu, no norte do estado (Foto: Ederson Hising/G1)

Série especial – Desta segunda (31) até a sexta-feira (4), G1 e Bom Dia Paraná exibem uma série de reportagens sobre os problemas do lixo no estado. Os principais temas abordados são o contexto estadual de gestão de resíduos, os modelos de destinação, as doenças causadas, a situação de quem sobrevive do lixo e os possíveis caminhos para resolução dos problemas.

Fonte – Erick Gimenes, G1 PR de 31 de julho de 2017