Ilha remota tem maior densidade de lixo plástico do mundo

Lixo numa praia da ilha HendersonLixo plástico se acumula pelas praias da ilha Henderson

Localizada no meio do Pacífico, ilha Henderson acumula quase 38 milhões de peças plásticas trazidas pelas correntes marítimas a suas praias. Pesquisadores dizem que é urgente repensar uso do material.

Pesquisadores afirmaram que a maior densidade mundial de lixo plástico de que se tem conhecimento fica numa pequena ilha inabitada do Oceano Pacífico. Eles estimaram haver 37,7 milhões de peças plásticas, ou 17,6 toneladas, nas praias da ilha Henderson, que é parte do território ultramarino britânico Pitcairn, localizado entre a Nova Zelândia e o Chile.

Segundo o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, há de 21 a 671 itens plásticos por metro quadrado nas areias da ilha, incluindo uma ampla variedade de objetos, como brinquedos, escovas de dente, capacetes e isqueiros, nas mais variadas cores.

Para chegar a esses números, os pesquisadores limparam uma parte da praia e acompanharam o acúmulo diário de lixo. Segundo eles, a estimativa é de que mais de 13 mil objetos alcancem a ilha todos os dias.

“A quantidade de plástico lá é realmente alarmante”, declarou a principal autora do estudo, Jennifer Lavers, da Universidade da Tasmânia, na Austrália, à agência de notícias Associated Press. “Temos de repensar drasticamente nossa relação com o plástico. É algo feito para durar para sempre, mas usado por alguns instantes e depois jogado fora”, acrescentou.

Karte Henderson Island ENGLocalização da ilha Henderson, no Oceano Pacífico

Segundo Lavers, é a localização da ilha que faz com que o plástico se acumule nas suas praias. Com 3.700 hectares, a ilha Henderson fica na beira de um vórtice de correntes oceânicas conhecido como Giro do Pacífico Sul, o que faz com que o oceano expila o lixo jogado por navios ou vindo da América do Sul nas suas praias.

O consumo de sacolas plásticas pelo mundo

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Alemanha – O uso de sacolas de pano ou de papelão para carregar compras é hábito de boa parte da população alemã. Sacolas plásticas são vendidas nos supermercados por 0,05 e 0,10 euros. Ainda assim, somente em Berlim, 30 mil sacolinhas deixam lojas e mercados por hora. Em toda a Alemanha, em torno de 17 milhões de sacolas plásticas são consumidas por dia – ou 6 bilhões por ano.

Argentina – Assim como na Alemanha, é hábito de muitos portenhos levar sacolas próprias para carregar as compras. Em setembro de 2008, o governo da Província de Buenos Aires (território à parte da capital, mas com quase 40% da população do país) aprovou lei para banir o uso e a comercialização das sacolas plásticas. A intenção é eliminá-las completamente até 2016.

Bangladesh – O país asiático foi o primeiro do mundo a banir completamente a utilização e a comercialização de sacolas plásticas, em 2002. A exemplo de outros países em desenvolvimento, como Quênia e Ruanda, Bangladesh baniu as sacolas plásticas depois que resíduos originários delas ajudaram a inundar até dois terços do país em enchentes que ocorreram em 1988 e 1998.

China – A China baniu o uso de sacolas plásticas em 1º de junho de 2008. Quatro anos depois, o governo chinês declarou que o país economizou 4,8 milhões de toneladas de petróleo, o equivalente a 6,8 milhões de toneladas de carvão, sem contar as 800 mil toneladas de plástico não utilizadas.

Espanha – O governo espanhol aprovou o Plano Nacional Integrado de Resíduos, em 2010. Uma série de regras pretendia diminuir e possivelmente banir o uso de sacolas plásticas até o fim de 2015. Com isso, supermercados começaram a planejar ações para reduzir o consumo, como dar desconto aos cliente para cada sacola não consumida.

Estados Unidos – São Francisco foi a primeira cidade americana a banir sacolas plásticas, em 2007. Seguindo a linha, o estado da Califórnia aprovou, no ano passado, uma lei que proíbe a distribuição gratuita – e consequente utilização – das sacolas. Problema: o lobby industrial. A medida só será aprovada em referendo em novembro de 2016.

França – Para frear a poluição e reduzir a produção de lixo, em junho de 2014 o governo francês resolveu agir rumo ao banimento das sacolas plásticas. Nos supermercados franceses, elas devem desaparecer a partir de janeiro de 2016. Não será a primeira vez que os comerciantes vão encarar uma drástica redução no consumo de sacolas: em 2002, elas eram 10,5 bilhões; em 2011, 700 milhões.

Irlanda – Em 2002 a Irlanda introduziu uma taxa de 15 centavos de libra por sacola plástica e, com isso, diminuiu em até 94% o consumo do produto. Em 2007, a taxa ainda subiu para 22 centavos de libra.

Itália – Desde junho de 2013, a Itália obriga estabelecimentos comerciais a vender sacolas plásticas biodegradáveis. A medida levou a uma disputa com o Reino Unido, que questiona a validade da lei perante as regras no mercado interno da União Europeia. Especialistas criticam ainda o real benefício dessas sacolas para o meio ambiente.

Mauritânia – O país do noroeste da África proibiu, no início de 2013, a comercialização e utilização de sacolas plásticas. O principal motivo é nobre: a preservação ambiental e proteção dos animais. Até o fim de 2012, constatou-se que pelo menos 70% das mortes acidentais de bois e ovelhas no país ocorriam devido à ingestão de plástico.

Reino Unido – Desde setembro de 2013, o Reino Unido cobra 5 centavos de libra por sacola do consumidor. O motivo é óbvio: apenas em 2013, os supermercados distribuíram gratuitamente mais de 8 bilhões de sacolas plásticas, o que significa 130 sacolas por pessoa. Mais: o número equivale a 57 mil toneladas de sacolas plásticas durante um ano.

Fontes – AS/ap/afp/ DW de 16 de maio de 2017

No link acima assista ao vídeo.

 

Brasil tem quase 3 mil lixões ou aterros irregulares

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Apesar da lei que acabou com lixões, vazadouros funcionam normalmente.
Lixões impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros.

O Brasil ainda despeja 30 milhões de toneladas de lixo por ano, de forma inadequada, expondo os cidadãos ao risco de doenças. E isso apesar da lei que determinou o fim dos lixões.

Corta, descasca, abre a embalagem, joga fora os restos, espreme, corta mais, descasca mais, abre outra embalagem. Quantas vezes essas cenas se repetem por dia em milhões de lares brasileiros? Como na casa de dona Rita. Depois de preparar o almoço da família, ela coloca o lixo para fora.

“A minha responsabilidade é de colocar de casa para fora. Depois que tiver na rua, a responsabilidade já é do carro do lixo, de pegar e levar”, diz a dona de casa Rita Amélia da Silva.

O problema é que dona Rita mora em Alagoas, o estado recordista em volume de lixo no lugar errado. Mais de 95% dos resíduos produzidos em Alagoas são abandonados a céu aberto.

Na Bahia, o recorde é no número de lixões, o maior do país: são mais de 300 vazadouros em situação irregular.

Brasília só tem um lixão: a 20 quilômetros do centro da capital do país, que recebe quase 80% do lixo produzido no Distrito Federal.

Em São Paulo, o estado mais populoso e rico do Brasil, a maior parte do lixo vai para o lugar certo: os aterros sanitários. Mas 14 mil toneladas de resíduos sólidos ainda vão para lixões diariamente.

Em um dos maiores lixões do estado do Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, tem uma extensa área coberta de lixo e entulho nas proximidades da Baía de Guanabara e dos rios que atravessam a região. Todo esse despejo é irregular. Há ainda o agravante desse material ir se acumulando sobre a vegetação de mangue, que é protegida por lei.

De acordo com o levantamento inédito feito pela Abrelpe, Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública, o Brasil tem hoje quase 3 mil lixões ou aterros irregulares que impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros.

“Num momento de crise, os municípios precisam ter a inteligência e a criatividade de dar uma solução para esta questão da gestão de resíduos sólidos, que é uma questão diária”, destaca o diretor presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

Sessenta e cinco por cento dos municípios não têm receita específica para cuidar do lixo, uma atribuição das prefeituras.

“Eu acho que cabe a cada gestor público um debate com a sua comunidade local mostrando a importância de se ter uma verba adequada para poder fazer a destinação final do lixo”, afirma o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette.

O Congresso Nacional está discutindo um novo prazo para acabar com os lixões no Brasil.

Fonte – Jornal Nacional de 08 de maio de 2017

Coca-Cola produz mais de 100 bilhões de garrafas plásticas descartáveis por ano

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A Coca-Cola fabrica mais de 100 bilhões de garrafas plásticas descartáveis por ano — ou 3.400 por segundo — e está falhando no combate aos danos ambientais de sua produção, segundo acusação do Greenpeace, como mostra reportagem publicada pelo jornal britânico “The Independent”.

Em março, a ONG publicou um relatório com a produção de plástico das seis maiores fabricantes de bebidas do mundo. A Coca-Cola, no entanto, teria se recusado a divulgar os números. Assim, o Greenpeace fez um cálculo da produção de garrafas plásticas descartáveis a partir dos dados de vendas de determinadas linhas de produtos. O estudo chegou a um montante entre 108 bilhões e 128 bilhões de garrafas descartáveis por ano.

Segundo o levantamento, quase 60% de todas as embalagens usadas pela Coca-Cola agora são descartáveis. E o número piorou entre 2008 e 2015, com aumento de 12%. Neste domingo, manifestantes colaram cartazes na sede europeia da Coca-Cola com a mensagem: “Não deixem a Coca-Cola sufocar nossos oceanos”. Nos mares e rios, as garrafas e tampas plásticas podem ser engolidos por animais de grande porte, como tubarões e aves marinhas, e serem quebradas em pequenos pedaços, o que acaba prejudicando animais de toda a cadeia marinha, segundo o Greenpeace.

Em 2013, a Coca-Cola definiu uma meta de aumentar para 75% as taxas de reciclagem em países desenvolvidos até 2020. De acordo com a ONG, no entanto, a taxa vem se reduzindo.

Na reportagem do jornal “The Guardian”, um porta-voz da Coca-Cola revelou desapontamento com o relatório do Greenpeace. “A Coca-Cola é uma das poucas empresas de bens de consumo com 100% das embalagens recicláveis. No Reino Unido, reduzimos o uso de embalagens em 15% desde 2007. Globalmente, continuamos a aumentar o uso de garrafas recicláveis em países onde isso é possível e permitido. Também estamos ativamente envolvidos em conversas com legisladores e outros especialistas sobre o que mais pode ser feito para reduzir lixo e ampliar a reciclagem”, disse o porta-voz.

Fontes – GuardianIndependent / Extra de 10 de abril de 2017

Chega de tanto lixo! Capital da Índia proíbe comércio de qualquer tipo de descartável

Chega de tanto lixo! Capital da Índia proíbe comércio de qualquer tipo de descartável

Colheres, facas, garfos, pratos, sacolas… Em breve, qualquer tipo de artigo plástico descartável não será mais visto nas prateleiras de Nova Déli, capital da Índia.

Isso porque o Tribunal Verde Nacional, órgão de regulação ambiental da região, institui a proibição da venda desses produtos. Agora, para ser comercializado em Nova Déli, o artigo deverá ser biodegradável e, pelo menos, 50% constituído por materiais de origem vegetal – como amido de milho, amido de batata, fibras têxteis ou de celulose e bambu.

A lei vai começar a valer em 2020, para que indústria e comércio tenham tempo hábil de se adaptar às mudanças, e faz parte de um plano maior da Índia para diminuir a poluição nos oceanos.

Estudo divulgado recentemente apontou que 60% do lixo plástico despejado nos mares (cerca de 8,8 milhões de toneladas por ano) são provenientes de países asiáticos. Se continuar no ritmo que está, só a Ásia despejará 160 milhões de toneladas de plástico nos oceanos em 2025.

Fonte –  Débora Spitzcovsky, The Greenest Post de 30 de janeiro de 2017

O império dos lixões e o custo Brasil do lixo

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A notícia divulgada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo – TCE, de que uma em quatro cidades paulistas tem lixões a céu aberto, evidencia que “estamos diante de um problema estrutural e institucional de gestão, demonstrando a inoperância do Estado em nível local, regional e nacional, à qual eu também agrego a perpetuação das práticas omissivas, sempre com a lógica em protelar qualquer solução para este problema”, diz Maurício Waldman à IHU On-Line.

Waldman informa ainda que somente “3,11% das prefeituras conseguem selecionar entre 75% e 100% dos itens encontrados nas lixeiras”, e o resultado da não adesão à Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS “é uma calamidade que, por sinal, tendencialmente segue no rumo de agravar ainda mais a situação sanitária e ambiental vivida pelo estado de São Paulo e pelo país como um todo”.

Para Maurício Waldman, a má gestão do lixo no país pode ser atribuída ao fato de que “a discussão do lixo é quase sempre uma narrativa fragmentada, baseada em pressupostos absolutamente falsos, inverídicos e inadequados, frequentemente resvalando para o autoritarismo ou para a folclorização do debate”.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, Waldman comenta as propostas da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS e critica a proposta de substituir os lixões por aterros sanitários. “Propor os aterros sanitários como contraponto não constitui, no meu entendimento – à parte materializarem alguns ganhos na comparação com os lixões -, uma proposta contemporânea para acabar com o problema. (…) Aterros sanitários utilizam vastas áreas de terrenos e envolvem investimentos consideráveis para enterrar materiais passíveis de reutilização ou compostagem”, diz.

Maurício Waldman é graduado em Sociologia, mestre em Antropologia e doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo – USP. Waldman é autor de Lixo: Cenários e Desafios (Cortez Editora, 2010), a primeira obra sobre lixo finalista do Prêmio Nacional Jabuti (edição de 2011). No final deste mês, está lançando um novo livro, intitulado A Civilização do Lixo, um dos quatro que publicou em 2016 pela Editora Kotev, publicadora digital sediada em São Paulo.

IHU On-Line – Recentemente o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo – TCE divulgou que uma em cada quatro cidades de SP tem lixões a céu aberto. Como o senhor interpreta esse dado?

Maurício Waldman – Este dado é em si mesmo aterrador se lembrarmos que o estado de São Paulo é a unidade da federação que desponta como polo dinâmico da economia nacional, principal agregador de massa cinzenta no país e que, em princípio, dispõe de um aparato estatal adequado para dar conta de uma questão tão séria como esta. Este panorama ganha cores mais preocupantes quando se considera que num plano geral há um cenário jurídico delineado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. Recorde-se que a PNRS, em curso legal a partir de 2 de agosto de 2010, consistiu um esforço em rever, estatuir e ampliar o escopo das legislações anteriores com foco ou que mantinham conexão orgânica com a problemática dos resíduos sólidos. A PNRS propôs a criação de canais institucionais que viessem a normatizar e detalhar o funcionamento da lei, garantindo a juridicidade da proposta no referente às normatizações específicas na aplicação dos diferentes aspectos abarcados por esta legislação. Contudo, não seria demasiado mencionar que o próprio preâmbulo da PNRS evoca a Lei nº 9.605, relativa a crimes ambientais, que veio à luz aos 12 de fevereiro de 1998. Isto é: doze anos antes já se criminalizava o uso de lixões para a desova dos resíduos urbanos.

“Além do Estado, deve-se sinalizar para as responsabilidades de atores que orbitam na execução das chamadas políticas públicas, tais como as ONGs, parcelas do empresariado e para a falta de clareza da comunidade acadêmica nacional”

Problema estrutural

O que transparece com base nesta cronologia é que estamos diante de um problema estrutural e institucional de gestão, demonstrando a inoperância do Estado em nível local, regional e nacional, à qual eu também agrego a perpetuação das práticas omissivas, sempre com a lógica em protelar qualquer solução para este problema. Além do Estado, deve-se sinalizar para as responsabilidades de atores que orbitam na execução das chamadas políticas públicas, tais como as ONGs, parcelas do empresariado e para a falta de clareza da comunidade acadêmica nacional, que se tornam responsáveis, mesmo que indiretamente, por esta catástrofe, que ocorre até em contextos como o estado de SP, o estado líder da federação brasileira. Claro sinal do que estou colocando é tomar conhecimento de que, em 2016, seis anos após a suposta entrada em vigor da PNRS, a ação do TCE tenha trazido a público o inaceitável índice de 23,31% de municipalidades com lixões em funcionamento.

Mas existem outros dados igualmente constrangedores, pois os levantamentos indicam que apenas 51,54% dos municípios implantaram um Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos – PGIRS e que 19,63% sequer iniciaram a elaboração dos PGIRS. Para piorar, não existe nenhum tipo de Coleta Seletiva de Lixo – CSL em 36,20% das cidades paulistas. Ademais, a CSL abrange fração pouquíssimo substantiva do recolhimento dos refugos. Meramente 3,11% das prefeituras conseguem selecionar entre 75% e 100% dos itens encontrados nas lixeiras. Portanto o que se tem é uma calamidade que, por sinal, tendencialmente segue no rumo de agravar ainda mais a situação sanitária e ambiental vivida pelo estado de SP e pelo país como um todo.

IHU On-Line – O que estes percentuais representam em termos técnicos?

Maurício Waldman – É a continuidade da ciranda de horrores que tem comandado a gestão do lixo no país. Os lixões e os aterros ditos controlados são avatares do descaso do poder público para com um mínimo de qualidade de vida dos governados, que pagam impostos para terem contrapartida em serviços prestados tipo “lixo”. Se é que este termo pode ser utilizado dessa forma. No final das contas os resíduos sólidos merecem respeito. Note-se que mesmo destacar o aterro sanitário como política de excelência na gestão dos refugos é merecedor de apartes, correções e considerandos. Sendo fato consumado o avolumar incessante das sobras e, paralelamente, o fato de que lixões e aterros controlados permanecem como modelo em curso num grande número de municípios, propor os aterros sanitários como contraponto não constitui, no meu entendimento – à parte materializarem alguns ganhos na comparação com os lixões -, uma proposta contemporânea para acabar com o problema. O aterro sanitário como equipamento capaz de proporcionar destinação adequada aos refugos é controverso e sujeito a contestações, mesmo quando teoricamente funcionam bem.

IHU On-Line – Quais seriam os problemas dos aterros sanitários?

Maurício Waldman – Os aterros sanitários utilizam vastas áreas de terrenos e envolvem investimentos consideráveis para enterrar materiais passíveis de reutilização ou compostagem. Constituem verdadeiras usinas de miasmas, que liberam imensas quantidades de gás metano, poderoso gás de efeito estufa (GEE) e de chorume, este último um efluente com razão considerado, ao lado do plutônio e das dioxinas, como das três mais perigosas e mortais ameaças ao meio ambiente criadas pela civilização humana. Mesmo o suposto protagonismo dos aterros sanitários em garantir a degradabilidade dos rebotalhos não possui pleno respaldo técnico. Por exemplo, o grande pesquisador norte-americano William Bill Rathje, decano da lixologia, admirou-se ao escavar aterros nos Estados Unidos e Canadá, com a conservação de certos itens orgânicos encontrados nas camadas profundas dos monturos, alguns dos quais, apesar de décadas de clausura total, apresentavam notável estado de conservação. Materiais celulósicos como jornais e revistas, tidos como facilmente degradáveis, foram encontrados incólumes após décadas de sepultamento.

Rathje assinalou a existência de inúmeras causalidades incomuns que contribuem para estancar a degradação biológica, desde bolsões de gás, processos de mumificação naturais e ambientes quimicamente saturados. Tais condicionantes físicos são pouco estudados e pouco conhecidos pela comunidade acadêmica nacional, que, até por desconhecimento da literatura internacional, acumula décadas de atraso na pesquisa científica do lixo. Por isso mesmo Rathje classificou a biodegradação e o confinamento seguro nos aterros sanitários como sendo pura e simplesmente um mito, responsável, aliás, pela aniquilação de enormes massas de materiais úteis aos humanos.

IHU On-Line – Quais são as razões que fazem os problemas de gestão do lixo perdurarem no Brasil?

Maurício Waldman – Entendo que a discussão do lixo é quase sempre uma narrativa fragmentada, baseada em pressupostos absolutamente falsos, inverídicos e inadequados, frequentemente resvalando para o autoritarismo ou para a folclorização do debate, nesta última variável pespontando muitos dos ativistas dos resíduos sólidos. Não há como não colocar o Estado brasileiro no centro do debate, que no caso apresenta amplo leque de especificidades. O cientista político alemão Joachim Hirsch defende que, numa perspectiva mais ampla, a noção de Estado no momento atual de mundo pressagia contraposições políticas conotadas por injunções contraditórias que se atam aos humores da economia, das reivindicações sociais e reclamos dos cidadãos. Disto se coloca que a máquina estatal deveria, ao menos em tese, prestar-se a uma compatibilização considerada legítima e propiciadora de um mínimo de equilíbrio. Mas o quadro que se apresenta no Brasil é outro. Tal como em muitos outros países periféricos, o aparato de Estado está ancorado em fragilidades estruturais ditadas por acentuadas disritmias socioeconômicas, que em caráter permanente influenciam, corroem e questionam sua pretendida representatividade.

“O lixão é uma materialização da incúria, incompetência e da ausência de vínculos com o interesse público por parte do Estado brasileiro e dos gestores postados no comando deste”

Como assegurou o geógrafo brasileiro Milton Santos, o Estado no Brasil tem por meta um papel mistificador, propagador, ou mesmo gerador de uma ideologia de modernização, de paz social e de falsas esperanças, uma fabulação que nem de longe é capaz ou se mostra disposto a transferir para o mundo real. Dito de outro modo, o lixão é exatamente isto: uma materialização da incúria, incompetência e da ausência de vínculos com o interesse público por parte do Estado brasileiro e dos gestores postados no comando deste.

IHU On-Line – No que isto se associa aos lixões?

Maurício Waldman – No transcorrer do meu terceiro pós-doutoramento, desenvolvido nos anos 2014-2015 com aval do Programa Nacional de Pós-Doutorado – PNPD, vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, identifiquei em termos de uma cartografia política a atuação de um Diretorado do Lixo, articulação que na realidade é quem dá as cartas na gestão dos resíduos. Evidentemente, num organograma funcional a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos são de competência dos Serviços de Limpeza Urbanos – SLU. Mas não de um ponto de vista objetivo. Na realidade, os interesses das empresas de lixo consorciados à gestão “pública” formam concretamente uma soldadura que funciona tal como um único colegiado. Na prática é a voz e a ação de um único corpo. Portanto um Diretorado do Lixo.

Para este campo político-funcional não interessam tipos de solução minimamente decentes para a gestão dos refugos, nisto incluídos os aterros sanitários. Reciclagem e apoio aos catadores então, nem pensar. Para muitos gestores o lixo é visto como uma miscelânea de itens imprestáveis, repugnantes e daninhos à saúde, o que justificaria uma opção preferencial por estratégias simplesmente estéticas e eliminatórias. Em linhas gerais, a cultura de jogar o lixo longe dos olhos do cidadão tem-se revelado mais poderosa do que a consciência quanto aos danos causados pela destinação inadequada. Além disso, desovar refugo num lixão é um procedimento coerente com uma burocracia pouco afeita a formas de gestão complexas.

O lixão é simples, exigindo pouco de máquinas administrativas viciadas em rotinas repetitivas, na nojenta disputa por cargos, azeitadas pelo mandonismo político, pelo corporativismo e pela aguda falta de visão social e de preparo técnico. No geral, o aparato de Estado tem por meta sancionar intervenções que o coloquem a salvo de interpolações e do trato com segmentos que, como os catadores, são antes entendidos como um estorvo do que como parceiros na gestão do lixo. Naturalmente a isto se soma a ação das empreiteiras, que se consorciam no esforço por perpetuar os lixões, em especial por serem remuneradas por tonelada de lixo coletada, invariavelmente reportando a custos extremamente altos para o cidadão, que paga caríssimo por serviços simplesmente jurássicos.

IHU On-Line – Qual é o custo desta política?

Maurício Waldman – No âmbito do meu terceiro pós-doutoramento, fiz uso da noção de um “Custo Brasil do Lixo”. Em outras palavras, o alto custo da máquina de Estado voltada para gerenciar os refugos. Muito imposto de um lado e péssimos serviços prestados de outro. Certo é que em face das contradições e desigualdades que marcam a economia nacional, seria inútil comparar a gestão do lixo no Brasil com os países afluentes. Daí que uma avaliação mais oportuna seria com a América Latina, cuja realidade é ao menos semelhante à brasileira.

“O Brasil é campeão latino-americano em geração de resíduos”

Pois bem, o que as estatísticas mostram é assombroso. No custo unitário para aremuneração da limpeza por km, para coleta e disposição final do lixo, os valores brasileiros são todos, sem exceção, os mais altos. Isto para abduzir refugos que evoluem numa escala ímpar. O Brasil é campeão latino-americano em geração de resíduos. Mesmo com os batalhões de catadores, a recuperação do total de materiais permanece abaixo da média regional. Um dado significativo são os recursos humanos absorvidos pelos SLU. Brasil, República Dominicana e Colômbia lideram, na América Latina, em funcionários. Em média são 30 para cada 10.000 habitantes, as maiores taxas da região. Para planos de manejo do lixo, o Brasil apresenta índices constrangedores. Apenas Nicarágua e Jamaica apresentam resultados piores que o nosso. Mais: o Brasil empata com o Peru no primeiro lugar em ausência de planos para aglomerações metropolitanas. Isso sem contar que a existência de planos não garante qualidade do serviço prestado, nem sua aplicação ou mesmo a possibilidade de execução. No geral, os planos nada mais são que peças publicitárias exibidas durantes as eleições. Executá-los é outra discussão. O pior é perceber que a reação mais sanguínea dos burocratas dos resíduos, amparados pelo Diretorado do Lixo, quando pressionados por melhorias no atendimento e nas formas de gerenciamento dos SLU, desemboca invariavelmente na demanda por mais numerários, seja propondo taxas para o lixo, ou então, arrebanhando mais arrecadação via aumento dos impostos urbanos.

IHU On-Line – Outro apontamento feito pelo TCE diz respeito à coleta seletiva dos resíduos urbanos. Segundo as informações do órgão, somente 63,8% dos municípios oferecem esse serviço. Quais são as dificuldades de se implantar a coleta seletiva?

Maurício Waldman – Note-se que muitos dos supostos programas de CSL funcionam quase que exclusivamente como peça de marketing institucional das prefeituras, iniciativas meramente figurativas, propagandeadas como ações de educação ambiental e de compromisso com a sustentabilidade. No geral, estão restritos a reluzentes “ilhas recicladoras” plotadas em locais coerentemente à vista de todos, cujos contêineres são visitados de tempos em tempos por caminhões coletores. Mas, apesar de irrelevantes, são úteis para os bons ofícios do Diretorado do Lixo, pois inflam e adereçam as estatísticas, na prática uma fabulação, pois permite que muitos municípios com inexpressiva, ficcional ou tecnicamente nula atuação na reciclagem – daí a utilização do conceito de algum tipo de serviço de reciclagem – sejam contabilizados na somatória dos que executam programas de recuperação dos materiais, demonstrando assim “progressos” alcançados pela CSL. É o que se observa nos levantamentos. Exemplo bem conhecido, relatórios da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe acusavam, para o ano de 2009, a existência de programas de CSL em 56,6% dos então 5.565 municípios brasileiros, em especial no Sul e Sudeste do país, onde respectivamente 76,2% e 78,7% das localidades confirmavam a execução, note-se bem, de algum tipo de serviço de CSL.

Muito embora a inconsistência desta informação tenha sido objeto de contestação por parte de pesquisadores e especialistas, o relatório mais recente da mesma entidade esclarece, no tocante à CSL para o ano de 2014, que aproximadamente 65% dos municípios registravam alguma iniciativa neste sentido. Portanto a situação vigente em São Paulo não contesta no essencial o dramático quadro nacional de mau desempenho da reciclagem. Isto sem contar que a compostagem do lixo, relacionada à recuperação da fração orgânica do lixo, patina em índices aviltantes. O mesmo parecer do TCE assinala que, no estado de SP, tão somente 2,47% dos municípios levam adiante ações de compostagem dos resíduos urbanos. E claro está que os números da reciclagem são mais uma demonstração da força inercial dos modelos tradicionais, conservadores e descompromissados com o meio ambiente que tipificam a gestão do lixo no país.

IHU On-Line – Em quais regiões de São Paulo há predominância dos lixões?

Maurício Waldman – Existem duas regiões particularmente problemáticas: a região do Oeste Paulista, assim entendendo o espaço geográfico magnetizado pela cidade de Presidente Prudente, e o vale do Ribeira do Iguape, no Sul do estado de São Paulo, sendo que das duas a que exibe contornos mais acintosos é o Oeste Paulista, área na qual tive atuação presencial durante minha terceira investigação de pós-doutoramento.

IHU On-Line – Por que Presidente Prudente seria um caso mais grave?

Maurício Waldman – Não diria mais grave, mas sim mais representativo da problemática dos lixões, tal como esta desponta no território nacional. Isto porque as contradições sociais e as dessimetrias econômicas transparecem com nitidez cristalina nesta região. A cidade de Presidente Prudente constitui um polo regional importante, “pivoteando” todas as demais cidades do entorno geográfico. É um centro urbano com aproximadamente 200.000 habitantes e que constitui a maior expressão urbana num raio de dezenas de quilômetros. A área magnetizada por Presidente Prudente constitui uma constelação de cidades muito inferiores em população e em expressão econômica. Neste senso, Presidente Prudente seria virtualmente uma “ilha”, tanto num olhar antropológico como no econômico. Porém, uma ilha dotada de portentoso protagonismo urbano. Muitos analistas indicam Presidente Prudente dentre as seis melhores cidades para se viver no estado de SP e a 29ª como cidade mais apropriada para seguir uma carreira no universo urbano brasileiro. Ao mesmo tempo, é a cidade polo de uma região pauperizada para os padrões do estado de SP, e os refugos da região são depositados basicamente em lixões, todos privados de acompanhamento geotécnico com todos os problemas sociais e ambientais gerados por este tipo de instalação.

A própria cidade de Presidente Prudente desova seus resíduos num lixão pavoroso, localizado em meio a nascentes de água, ainda em funcionamento em 2014, quando estive na cidade pela última vez. Isto 14 anos após uma palestra que dei na Unesp, ocasião em que já tinha visitado este lixão, praticamente num momento em que a fase operacional encetava os primeiros passos. Mas não é o único caso aberrante. Note-se que o único aterro sanitário em operação na região, situado na cidade de Presidente Venceslau, é um verdadeiro filme de terror. Um jovem pesquisador de resíduos da região, o engenheiro Lucas Osco, filmou neste “aterro sanitário” algo que eu nunca vi: um autêntico gêiser de chorume. Uma coisa inacreditável. Mais incrível ainda, no que comprova o cinismo descarado dos gestores municipais e dos órgãos ambientais, este verdadeiro lixão é, nas narrativas institucionais, considerado referência regional em disposição final de resíduos. E insisto em lembrar que se trata oficialmente de um aterro sanitário. Imagina se não fosse. Assim, seguramente a situação regional explicita contrastes que estruturalmente conectam o Oeste Paulista a um padrão, digamos assim, nacional, marcado por cidades modernas adereçadas com o que há de discrepante em conjunturas de atraso socioeconômico e de controle desagregador perpetrado pelo aparato de Estado. Todavia, marcado por fortes especificidades, as quais se associam a um variado leque de ambiguidades e contradições, expressão de vários dos obstáculos que a gestão do lixo enfrenta em todo o país.

IHU On-Line – Em que sentido o Oeste Paulista seria demonstrativo do problema nacional dos lixões?

Maurício Waldman – De vários modos, a começar pelo fato de que não existem neste mundo dois lixões iguais. Durante minha carreira como lixólogo, visitei 63 lixões, inclusive no exterior. Isto até agora. Mas o suficiente para dizer sem pestanejar que cada lixão é diferente de qualquer outro. Em visitas técnicas aos lixões do Oeste Paulista, chamaram-me a atenção vários detalhes, desde a utilização de tração animal nas carroças dos catadores, inexistentes nos grandes centros brasileiros em virtude da proibição de circulação de cavalos e muares nas ruas e logradouros públicos até a presença de esqueletos de fauna silvestre no meio dos monturos, resíduos da caça ilegal. Ao mesmo tempo, no Lixão de Pirapozinho, também no Oeste Paulista, eis que em meio a uma carcaça de tatu-bola e sabugos de milho, encontro um emaranhado de fios de computador e garrafas de vodka importada, claro sinal dos vínculos de um universo espacial específico com a globalização, regrada por formas de inserção desigual na economia estadual.

Ao mesmo tempo, mantive conversas com os trabalhadores dos lixões e indaguei sobre o preço dos materiais recicláveis. Fácil constatar que a remuneração do material recuperado era menor do que nas áreas concentradoras de capital. Este seria um dos muitos dados que exemplificam as trocas desiguais que regem a economia brasileira como um todo, que no caso do Oeste Paulista calçam uma abdução permanentemente da renda regional, encaminhada para os polos urbanos mais importantes, tais como a capital paulista. Trata-se de um movimento geográfico, de uma moldura econômica e de tratos culturais a demonstrar a diversidade de problemáticas evidenciadas pelos lixões, fato que infelizmente não está claro de modo algum para a imensa maioria dos acadêmicos, inclusive os da própria região e os que pesquisam os resíduos do Oeste Paulista, que teimam em repetir fórmulas divorciadas da vida regional. Um dos múltiplos impedimentos, inadequações e agravos que pavimentam a perpetuação do modelo nacional capenga de gestão do lixo.

IHU On-Line – Quais são as dificuldades de erradicar os lixões num país como o Brasil e de aplicar a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS?

Maurício Waldman – Entenda-se antes de tudo que a gestão do lixo, até por estatuto legal, é uma atribuição do Estado, daí que centrarmos nossas atenções no vai e vem da política é essencial. Isto posto, temos que no Brasil a juridicidade das legislações não constitui uma factualidade a priori, com o que comumente os procedimentos omissivos, em especial dos poderes públicos, podem simplesmente revogar a vigência das leis. Neste sentido a Lei nº 10.635 é uma das muitas legislações brasileiras que “não pegaram”. A principal medida inserida na lei, a erradicação dos lixões — uma determinação central da PNRS e prevista para acontecer em agosto de 2014 —, foi sumariamente postergada em julho de 2015. O dispositivo legal que previa a data para fechar estas instalações foi prorrogado pelo Senado brasileiro para ser levado a cabo [teoricamente] apenas em junho de 2021. Alegou-se, para tanto, a existência de obstáculos administrativos e financeiros.

“Mesmo metrópoles ricas, como Brasília, mantêm lixões em funcionamento, inclusive o famoso lixão Estrutural, situado a apenas 15 quilômetros do Planalto”

Nas considerações da Senadora Vanessa Grazziotin (PC do B), relatora do Projeto de Lei em favor da prorrogação, a PNRS não teria sido “realista”, em especial por prever um prazo que no seu entendimento era demasiado “exíguo” para que os municípios, em particular os menores e mais carentes, assumissem tal responsabilidade. Isto a despeito de que mesmo metrópoles ricas, como Brasília, mantêm lixões em funcionamento, inclusive o famoso lixão Estrutural, situado a apenas 15 km do Planalto. Neste particular, alerte-se que, nos momentos em que a aplicação da legislação era brutalizada, parecer da Confederação Nacional dos Municípios – CNM indicava que 61,7% dos municípios não se adequavam às exigências da PNRS. Note-se que apesar do indecente volume de verbas que os SLU gulosamente devoram, não faltaram alegações por parte dos representantes municipais de que a PNRS seria inviável e impossível de ser cumprida. Contudo, ao menos em termos do que a vontade política destes gestores tem demonstrado, afirmações como estas seriam absolutamente credíveis. No final das contas, um cálculo simples revelaria que, na hipótese de a média anual de encerramento dos lixões em operação ser mantida no ritmo do último quinquênio, o país somente poderia estar livre dos lixões em 150 anos.

IHU On-Line – Dado que os municípios não conseguiram pôr em prática a determinação da PNRS de erradicar os lixões até 2016, como avalia a prorrogação do fim dos lixões para 2021?

Maurício Waldman – O cenário que se descortina é dramático. Uma vez que o fechamento dos lixões foi sepultado pela conduta omissiva dos municípios, sem dúvida alguma uma das principais metas da PNRS, torna-se perfeitamente factível entender que os problemas relacionados à gestão dos resíduos sólidos se agravem ainda mais nos próximos anos, inclusive com prejuízos para a implantação da compostagem, emperramento dos serviços de CSL, maior morosidade nas negociações dos sistemas de logística reversa, ampliação de municípios em dissintonia com a PNRS, criação de novos lixões e persistência dos agravos que pesam sobre os catadores e suas entidades. Estes prognósticos ganham coloração mais sombria quando se sabe que, entre 2010 e 2014 – período em que a PNRS em tese começou a ser aplicada -, a geração de refugos no Brasil cresceu 10,36%.

Presumivelmente, ninguém pode prever o que está por acontecer e, tampouco, como se tornará exequível gerenciar a multiplicação de montanhas de lixo e os desdobramentos perversos de uma gestão irresponsável e contrária aos interesses nacionais. Com estes múltiplos dados desabonadores à mão, como que respaldadas por sentimentos de revolta e de frustração, duas indagações se desenhariam na mente sem pedir licença: Quem na época do lançamento da PNRS acreditou que, de fato, a lei “pegaria”? E hoje, quem acredita que ela “pegará” em 2021?

Fonte – Patricia Fachin, IHU de 30 de novembro de 2016

O lixo ainda a passos lentos

“Os cidadãos e políticos continuam muito distantes do problema. “Cuidar do lixo não dá voto”, dizem os políticos. “Eu só não quero lixo diante da porta da minha casa”, dizem os cidadãos comuns”.

Teria sido importante que o relatório Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado no início do mês pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), houvesse alcançado maior divulgação no País todo. É um documento importante para ampliar a consciência de todas as pessoas sobre a geração, coleta e destinação do lixo, já em situação muito delicada. O total de resíduos sólidos urbanos produzidos no País de 2014 a 2015 aumentou 1,78%, passou de 78,6 milhões de toneladas para 79,9 milhões – cresceu 1,7%, mais do que a população brasileira, que aumentou 0,8%, e do que a atividade econômica (PIB), que caiu 3,8%. Ou seja, aumentamos a geração de lixo mais que a produção econômica e mais que a população (que cresceu menos de 1%). Por dia, passamos a gerar um total de 218.874 toneladas. E por pessoa, 1,071 kg.

É muito lixo, que cresceu mais de 26% na década. Com a agravante de mais de um terço da população ainda sofrer com destinação inadequada, já que 30 milhões de toneladas foram depositadas em lixões ou “aterros controlados”, que apresentam os mesmos problemas. Mais de 3.300 municípios continuam a usar instalações inadequadas e lixões. Na média, os serviços de coleta chegam a uma cobertura nacional de 90%, mas há muita diferença entre Norte e Nordeste (80%), menos que a das Regiões Sul, Sudeste eCentro-Oeste (mais de 90%). No total, coletamos 198.750 toneladas diárias em 2015. Muito? Pouco? Foram 391 quilos por habitante/ano, mais que o Japão ou a Coreia do Sul, que têm PIB per capita de quase três a quatro vezes maior que o do Brasil. Ou aIslândia, a Bélgica, a Suécia, com PIBs per capita ainda mais altos.

Aumentaram as iniciativas municipais de coleta seletiva. Nas Regiões Sul e Sudeste, em mais de 85% dos municípios, superiores à média nacional de 70% dos municípios. E quanto custa o avanço? R$ 10,15 por mês a cada habitante. Já na área de resíduos da construção civil e resíduos de serviços de saúde, os municípios recolheram 125 milhões de toneladas, “suficientes para encher 1.450 estádios do Maracanã”, como diz o relatório. Muitos especialistas têm opinado que novos avanços dependerão principalmente da passagem dos orçamentos de limpeza urbana dos governos municipais para os estaduais.

Estudiosos como Marcos Cunha têm lembrado (3/8) que há 25 anos se dizia nas faculdades de Engenharia Sanitária que em média a geração de resíduos sólidos domésticos era de 400 gramas por pessoa a cada dia – dependendo do perfil socioeconômico e cultural em cada lugar. Hoje, os dados atualizados apontam uma geração média por pessoa acima de um quilo, um aumento superior a 100%. Mas a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda não chegou perto de seus objetivos. A queixa principal é a da falta de recursos financeiros. E com isso quase a metade dos resíduos sólidos tem destinação inadequada ou incorreta.

Já se chegou a apresentar no Congresso Nacional projeto de medida provisória para propor que o prazo para o fim dos lixões no País passasse para 2018. Foi aprovada, mas vetada pela Presidência da República. Porém continuam tramitando outros projetos para prorrogar até 2018 a data para acabar com os lixões; dando novo prazo a municípios de fronteira ou com mais de 100 mil habitantes para instalar aterros sanitários.

Tudo isso precisa de uma discussão forte e permanente com a sociedade. Por exemplo: casas e condomínios geram mais lixo reciclável do que lixo orgânico; mas tudo é descartado como lixo orgânico. Desperdício. Além disso, não se aceita que esse lixo seja coletado por cooperativas de catadores: desperdício de renda possível.

Quando se vai para o plano global, o panorama também é assombroso. Diz a ONU-Habitat (O Popular, 7/8) que 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos é gerado por ano no planeta – produtos têxteis, plásticos não recicláveis, resíduos de madeira, lixo “comum” ou embalagens sujas de alimentos. Um dos aproveitamentos é a transformação em etanol, o que já é feito também em outros 63 países. Mas o desperdício é gigantesco.

Não fazem licenciamento ambiental 70% dos municípios brasileiros (Observatório das Metrópoles e O Estado de S. Paulo, 15,4/16). E concorrem para que o desperdício não seja minimizado com o aproveitamento em obras. O lixo eletroeletrônico não para de crescer, acompanhando o consumo: no ano passado foram 41 milhões de toneladas desse tipo de resíduos no mundo; no Brasil, 1,2 milhão de toneladas, comercializadas ilegalmente (90%) ou descartadas, para aumentar o lixo urbano – mesmo assim, há propostas para prorrogar o prazo de fechamento de lixões, embora a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos já tenha completado seis anos e haja 22 associações e mais de 500 empresas aliadas. Cresceu 138% o número de cidades que desenvolvem programas de coleta seletiva; os postos de entrega voluntária já são 1.666, ou 255% mais que a meta estipulada para 2015. Apesar disso tudo, continua-se a atirar lixo na Baía de Guanabara; às vésperas da Olimpíada, este ano, foi retirada uma tonelada por dia – sem resolver o problema.

Os cidadãos e políticos continuam muito distantes do problema. “Cuidar do lixo não dá voto”, dizem os políticos. “Eu só não quero lixo diante da porta da minha casa”, dizem os cidadãos comuns.

O Ministério das Cidades assegura que a coleta seletiva caminha bem. E que a compactação e o isolamento em bolsas de propileno assegura destinação adequada e permanente. Muitas pessoas depositam sua esperança num sistema de transporte e descarte de resíduos da construção civil que permite à limpeza urbana monitorar e fiscalizar por meio de georreferenciamento onde está o lixo. Coordenadas dos pontos onde está cada caçamba permitem localizar por meio eletrônico qualquer porção do lixo.

Mas ainda falta muito.

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo / IHU de 14 de outubro de 2016

Volume de lixo produzido no Brasil aumentou 1,7% em 2015

Resultado da pesquisa da Abrelpe coloca o país como o quarto maior gerador de resíduos sólidos do planeta

O Brasil se tornou o quarto maior gerador de resíduos sólidos no mundo, mesmo com toda a crise econômica impactando sobre o poder de compra da população. A quantidade de lixo urbano produzida no país em 2015 atingiu 79,9 milhões de toneladas, 1,7% a mais do que no ano anterior. Nesse mesmo período, foi observado também crescimento de 0,8% na geração per capita de resíduos sólidos: de 1,06 quilo (kg) ao dia em 2014, para 1,07 kg ao dia em 2105. Esses números fazem parte de um levantamento divulgado no dia 4 de outubro pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

De acordo com a pesquisa, houve uma pequena melhora nos números sobre a destinação final dos resíduos sólidos. No ano passado, 58,7% do lixo produzido foi destinado para locais adequados, como aterros sanitários. Em 2014, esse índice foi 58,4%. Mas os dados indicam que cerca de 60% das cidades brasileiras ainda destinam seu lixo de forma inadequada, ou seja, para lixões ou para os aterros controlados. Um dos piores casos é Brasília, que tem o maior lixão da América Latina, a apenas 15 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.

O estudo a Abrelpe mostra também que os serviços de coleta mantiveram o alto índice observado nacionalmente nos anos anteriores, de 90,8%. No entanto, ainda persistem as diferenças regionais: no Sudeste, 97,4% do lixo produzido é coletado; em seguida vêm as regiões Sul (94,3%); Centro-Oeste (93,7%); Norte (80,6%); e Nordeste (78,5%).

Crise econômica x volume de resíduos

Para os pesquisadores foi uma surpresa o resultado do aumento do volume de lixo em ano de recessão econômica. Geralmente, gera-se mais resíduos toda vez que o PIB cresce o e consumo aumenta. Desta vez, foi diferente. Pela primeira vez, em 13 anos de estudo, a quantidade de lixo cresceu (+1,7%) no mesmo período em que o PIB despencou (-3,8%).

De acordo com o relatório, há duas causas principais. Primeira: o crescimento da população. Segundo: a crise não interrompeu o consumo de materiais descartáveis, mas o brasileiro optou por produtos mais baratos.

Consumo consciente é produzir menos lixo

Um dos maiores desafios dos prefeitos eleitos no Brasil será o gerenciamento de resíduos sólidos urbanos. Iniciativas que reduzem o descarte inapropriado de lixo devem ser implantadas para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Para orientar o consumidor, o Instituto Akatu indica seguir os 4R’s: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar. REDUZIR significa consumir menos produtos e preferir aqueles que ofereçam menor potencial de geração de resíduos e tenham maior durabilidade. REUTILIZAR é estender a vida útil dos produtos, evitando que sejam descartados rapidamente. RECICLAR envolve a transformação dos materiais para a produção de matéria-prima para outros produtos. Também é importante REPENSAR, refletir sobre os seus atos de consumo e os impactos que eles provocam sobre você mesmo, a economia, as relações sociais e a natureza.

Fonte – Akatu de 05 de outubro de 2016

A FUNVERDE acrescenta mais um R, de recusar, recusar o que não precisa, a exemplo de sacolas plásticas para embalar seus produtos, sobreembalagens, recusar o que não for essencial. 5 Rs – Recusar, Repensar, Reduzir, Reutilizar e finalmente Reciclar.

Quem paga pelo desperdício?

A quantidade de ouro em lixões pode ser maior do que em minas de onde ele é extraído

Relatório divulgado há poucos dias na Europa informa que o velho continente poderia economizar mais de US$ 1,8 trilhão por ano com avanços na gestão do lixo. E um terço disso seria resultado apenas da economia no consumo de recursos naturais. O Brasil, segundo a empresa consultora (McKinsey), também poderia ganhar muito, já que cada pessoa produz em média 330 quilos anuais de resíduos.

Um dos exemplo apontados de desperdício no lixo é o da quantidade de ouro em lixões, que pode ser maior que a existente em minas de onde o metal é extraído. A vantagem poderia ser ainda maior para recicladores se se reduzisse a carga tributária sobre produtos reciclados, em alguns casos maior que a aplicada a materiais virgens.

É um sinal de avanço, por isso a apresentação em Santa Catarina do primeiro documento declaratório de resíduos industriais, por um acordo entre a Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes e a Fundação do Meio Ambiente. Já aderiram ao sistema 18 mil empresas da região. E foram emitidos 328,7 mil manifestos de transporte de resíduos (retoquejor.com.br). Com isso, é possível acompanhar todas as etapas da cadeia de destinação de resíduos sólidos no Estado – influenciando a produção, o transporte, o destino e o aproveitamento desses resíduos.

A iniciativa é importante por muitos ângulos. Por exemplo: as emissões de gases do efeito estufa no Brasil provenientes do setor de resíduos sólidos continuam a crescer e, segundo o relatório lançado em setembro, atingiram o maior número nos últimos 44 anos, com 68,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalentes – com aumento de 80% entre 2000 e 2014 e de 500% desde 1970. Embora essas emissões representem apenas 3,7% do total dos vários setores geradores (mudanças no uso da terra, energia, agropecuária e processos industriais), têm grande impacto na atmosfera por causa da geração de gases com maior potencial de aquecimento, como o metano (21 vezes mais potente que o dióxido de carbono) e o óxido nitroso (310 vezes mais potente).

Curiosamente, diz o estudo, as emissões de gases de efeito estufa em 2014 no País permaneceram estáveis em relação ao período anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento na Amazônia. O Brasil emitiu 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente – uma redução de 0,9% em relação a 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013. As razões ainda não foram explicitadas.

É possível que mais à frente os cientistas se deparem com dificuldades diante das taxas de desmatamento na Amazônia entre 2014 e 2015, que aumentaram 24%, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe (amazonia.org, 27/9). São dados a serem divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente na primeira semana de outubro.

De agosto de 2014 a junho de 2015 foram desmatados 6.207 quilômetros quadrados, ou 6,45% acima do estimado em fins de novembro. Os Estados que mais desmataram, pela ordem, foram Pará, Mato Grosso e Rondônia. Uma das hipóteses é a de que os sistemas de controle já não funcionem com a mesma eficácia – embora haja diferenças entre alguns Estados e outros.

Uma revisão recente realizada pelo Inpe mostra que a perda florestal, com base nos dados de 2015, é de 6.207 quilômetros quadrados, quando em novembro se calculava em 5.835 km2 (16% mais que em 2014). O novo número é 4,1 vezes a área da cidade de São Paulo (Observatório do Clima, 27/9). Um exemplo mais das altas taxas de desperdício de patrimônios valiosos.

Há poucos dias foram publicados (Folha de S.Paulo, 26/9, texto de Leão Serva) dados sobre o desperdício num setor como o de veículos. Segundo o texto, “a propaganda de carros continua oferecendo virilidade e glamour, enquanto entrega congestionamento, estresse, doenças e aquecimento global”. E por isso mesmo “metade dos moradores da maior cidade do Brasil buscam jeitos de usar menos o automóvel”, diante das “irracionalidades deste: gasta cerca de 95% do combustível para ‘levar a si mesmo’; um veículo médio pesa cerca de 1,5 mil quilos, o motorista 75 kg (5%); e os carros levam geralmente só uma pessoa: quer coisa mais irracional?” E segue “o desfile de irracionalidades”: o carro só é usado para rodar 20 km diários; a desvalorização é rápida; são altos os custos com IPVA obrigatório, seguro, manutenção – um total de 10%, fora a desvalorização de 20%. Ainda é possível falar em incentivos fiscais. E outro estudo assegura que a gasolina deveria custar cinco vezes mais que seu preço.

Para quem achar que são os únicos desperdícios, depois de não ter êxito na venda de suas empresas de energia térmica (altamente poluidoras) a Petrobrás está tentando agora (Folha de S.Paulo, 27/9) agrupar todas as unidades numa única empresa, “para oferecer depois uma participação a outro investidor”. O plano prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões nos próximos cinco anos e estabelece nova metade vendas de ativos, de US$ 19,5 bilhões entre 2017 e 2018. Nesse processo, deixará de atuar nos segmentos de petroquímica, fertilizantes e biocombustíveis. Mas continuará com a energia térmica, “para usar quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas estiver baixo”.

Mais desperdício? A Fundação Getúlio Vargas mostra que “46% das 851 obras contratadas com recursos do FGTS no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foram concluídas, estão paralisadas” ou nem sequer foram iniciadas (Danielle Nogueira, O Globo, 26/9). Dos R$ 28,6 bilhões em financiamentos, R$ 17,5 bilhões foram para 398 contratos cujas obras estão pendentes.

Desmatamento, destinação do lixo sem nada pagar ao poder público, nenhum pagamento de custos pela poluição do ar, etc., etc. – assim vamos, desperdiçando sem cobrar custos. O poder público paga, transfere para quem não tem poder.

Fonte – Washington Novaes,  O Estado de S. Paulo de 30 de setembro de 2016

US President Barack Obama proposes ban on single-use plastic bags

FILE - Plastic trash on the shoreline of cocoa beach in India.FILE – Plastic trash on the shoreline of cocoa beach in India.

Banning the use of plastic bags is a major step to reduce the usage of plastic but not a great impact on the big problem of colossal disposal of plastics on the oceans

One of the ideas that was being considered during last week’s oceans conference, as President Barack Obama has proposed a ban on single-use plastic bags. This is a major blow in a small but growing fight against the ‘disposable society’ as referred by the environmentalists. At present, only 12 cities or countries in the United States have barred the usage of plastic bags. But those include three of the nation’s largest cities: News York, Los Angeles, Chicago.

If you doubt that this is a real problem, here’s the most sobering statistic you’ll hear today: According to research published in 2015 in the journal Science, “4.8 to 12.7 million metric tons of plastic” end up in the world’s oceans every year.

Here’s a reference point for just how much plastic that is: A Nimitz class super carrier, the largest warship ever built, weighs a measly 100,000 metric tons. Dump 48 of those just offshore, and that equals the low-end estimate of the plastic that is washing into the world’s oceans every year. A lot of this plastic ends up accumulating in circular currents, called gyres, throughout the world’s oceans.

Think of them as giant whirlpools where all this plastic is spinning toward the center of the pool. But these trash gyres, which have made headlines over the past few years, aren’t necessarily visible to the naked eye. “Much of the debris is actually small pieces of floating plastic …” NOAA says. “It is possible to sail through the ‘garbage patch’ area and see very little or no debris on the water’s surface.”

One word, plastics

It’s impossible to say just how much of that plastic debris is in the form of bags, but we do know that sea turtles often mistake bags for jellyfish — one of their favorite foods. And all too often the plastic they eat ends up lodging in their digestive systems, which can kill them. But the bigger problem is that plastic of all kinds is incredibly durable and long lasting. The lifespan of plastic is measured in hundreds of years, and if it ends up in landfills, covered by dirt or other garbage, it can be almost immortal.

And even if it does degrade, it does so in a way that causes even more problems to the environment. Eventually, larger plastics degrade into what the National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) calls microplastics, smaller than 5mm in size.

The research on what all this plastic, big and little, is doing to the environment is still being conducted, but some environmental groups suggest that 100,000 sea creatures are killed every year because they get tangled up in plastic, and an estimated 1 million seabirds die every year of starvation because their stomachs are filled with plastic debris.

NOAA calls these kinds of plastic problems “direct impacts.”

Plastic and what’s in it

Another element of the plastic problem still being researched is what NOAA calls “indirect impacts.” These come from the chemicals that plastics have in them, and the chemicals they absorb as they degrade.

Emma Tonge from NOAA told VOA that plastic “can accumulate pollutants, such as PCBs [polychlorinated biphenyls] up to 100,000 to 1,000,000 times the levels found in sea water.” And while these chemicals were banned in 1971, they’re still floating around.

New research in the past few years suggests these dangerous chemicals are also leeching into the bodies of the fish that eat the plastics. And once in the fish, they can stress and damage the fish, as well as us if we catch and eat them.

Banning single-use plastic bags won’t come anywhere near solving the problem because of the wide range of plastics — everything from “common domestic material [bags, Styrofoam cups, bottles, balloons] to industrial products [strapping bands, plastic sheeting, hard hats] to lost or discarded fishing gear [nets, buoys, traps, lines],” all of which NOAA says it is finding in the oceans.

But a bag ban would help, and NOAA says the agency is continuing to “support a number of projects across the country that use outreach and education as a means to prevent marine debris.” These programs focus on prevention, or keeping plastic from getting into the ocean through what NOAA calls “changes that incorporate the three R’s [reduce, reuse, recycle].” It’s a start that could benefit not only the sea life that is steadily ingesting plastic, but carnivores like us at the top of the food chain who may be eating contaminated seafood.

Fonte – NewsGram de 18 de setembro de 2016

Banir uma só coisa não irá resolver o problema, mas começou com as sacolas plásticas de uso único, isopor, agora descartáveis… A solução final virá dessas iniciativas combinadas.

Emissão por resíduos tem recorde em 2014

Estimativa é do SEEG, que lançou nesta terça-feira relatório com a análise da trajetória dos gases de efeito estufa no setor desde 1970 tendência de alta se consolida.

As emissões de gases de efeito estufa provenientes do setor de resíduos sólidos continuam sua trajetória de crescimento no Brasil e atingiram, em 2014, seu maior número absoluto nos últimos 44 anos, segundo as estimativas divulgadas pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), nesta terça-feira. Foram lançadas 68,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera naquele ano, o que representa um crescimento de 80% entre 2000 e 2014 e de 500% desde 1970.

Enquanto o setor de resíduos representa a menor parcela de contribuição de emissões com relação aos demais setores (mudança de uso da terra, energia, agropecuária e processos industriais), cerca de 3,7% do total verificado em 2014, ele possui grande impacto na atmosfera devido à geração de gases com maior potencial de aquecimento global, como o metano (CH4), 21 vezes mais potente que o CO2, e o óxido nitroso (N2O), 310 vezes mais potente.

Dentre os quatro principais subsetores – disposição de resíduos, tratamento de efluentes industriais, tratamento de efluentes domésticos e incineração de resíduos -, o descarte ainda é o mais expressivo em termos de emissões, representando 66,1% em média da origem das emissões nos últimos 44 anos.

Com o crescimento do número de municípios que se adequam à Política Nacional de Resíduos Sólidos, verificou-se o aumento das emissões, uma vez que o descarte exigido em aterros sanitários propicia maior geração de metano (decomposição anaeróbica da matéria orgânica). “É importante ressaltar que a quantidade de resíduos gerada no Brasil aumentou significativamente nos últimos anos, tanto em termos absolutos quanto na produção per capita”, afirmou Igor Reis de Albuquerque, gerente de Mudanças Climáticas do ICLEI- Governos locais pela sustentabilidade e coordenador do setor no SEEG.

Acompanhado do crescimento na produção dos resíduos, o seu reaproveitamento ainda é extremamente baixo e o descarte não ocorre de forma ambientalmente adequada. De acordo com dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2014, destacados no Relatório Analítico do Setor de Resíduos do SEEG, 58,4% dos resíduos sólidos urbanos coletados tiveram destinação adequada (Aterros Sanitários). Os outros 41,6%, equivalentes a 81 mil toneladas diárias, ainda são destinados para aterros controlados e lixões. Esse conjunto de fatores pode estar associado ao impacto crescente as emissões de GEE no setor de resíduos, além do crescimento demográfico e da atividade industrial, explicou Albuquerque.

Uma das alternativas para a redução das emissões seria o aproveitamento dos gás metano para geração de energia. “Aterros sanitários, sendo obras planejadas, podem conter sistemas de captação de metano para aproveitamento energético ou para conversão do mesmo em dióxido de carbono por meio de flare [queima], podendo assim reduzir o impacto na atmosfera”, explicou Igor de Albuquerque.

Tanto com relação ao tratamento dos efluentes domésticos quanto o de efluentes industriais, as emissões apresentaram tendências de contínuo crescimento nas últimas décadas. Para o subsetor industrial, identificou-se um avanço mais acelerado após 1996, com picos de emissões em dois períodos de intensificação da urbanização e maior desenvolvimento industrial (1994-1998 e 2007-2010), segundo informações do SEEG.

Análise global dos dados

As emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2014 permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia. Segundo os dados do SEEG 2015, o Brasil emitiu 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (t CO2e), uma redução de 0,9% em relação ao 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013 (emissões brutas).

Em sua terceira edição, o Relatório Síntese do SEEG apresenta as estimativas para o ano de 2014, bem como a revisão dos dados da série histórica de 1970 a 2014 para os padrões metodológicos do 3º Inventário Nacional de Emissões Antrópicas e Remoções por Sumidouro de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal. Para o setor de Mudanças de Uso da Terra seguiu-se a metodologia do 2o Inventário.

Fontes – Observatório do Clima/Envolverde de 14 de setembro de 2016