Parlamento aprova projeto-lei para sistema de depósito de garrafas de plástico, vidro e latas

Garrafa de plástico

O parlamento aprovou, na generalidade, o projeto de lei do PAN para implementar um sistema de incentivo e depósito de embalagens de bebidas de plástico, vidro e alumínio.

O parlamento aprovou hoje, dia 15 de junho, na generalidade, o projeto de lei do PAN para implementar um sistema de incentivo e depósito de embalagens de bebidas de plástico, vidro e alumínio.

O projeto de lei do PAN teve votos a favor de todos os partidos, à exceção do PCP e PEV, que se abstiveram, e baixará ao trabalho de especialidade na 11.ª comissão parlamentar, a de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

“O plástico é uma calamidade mundial, problema para o qual Portugal contribui diariamente porque não adota os melhores mecanismos em matéria de gestão de resíduos”, afirmou André Silva, deputado do PAN.
A medida do PAN “visa garantir a retoma e reciclagem da quase totalidade das embalagens de bebidas de plástico, alumínio e vidro”, através de um “sistema de depósito de embalagens que garante a redução de deposição de resíduos no ambiente”. “Neste sistema, que propomos faseado, é atribuído um valor ao consumidor após a devolução de embalagens, através de equipamentos de retoma”, explicou.

A iniciativa do PEV foi aprovada por unanimidade, na forma de um projeto de resolução que recomenda ao Governo a realização de “campanhas de sensibilização para redução de resíduos e para deposição seletiva adequada à reciclagem”.

Fonte – The UniPlanet de 16 de junho de 2018

Avançar é preciso

Meio ambiente. No Brasil, condomínios são protagonistas em implantação de coleta seletiva e reciclagem

Em meio a um mar de desinformação, a coleta seletiva e a reciclagem, lentamente, avançam no Brasil, principalmente em condomínios. Mas, na opinião de especialistas, é preciso muito mais. O cenário já foi bem pior, antes da lei de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Após duas décadas de tramitação, ela se encontra em fase de implementação. “A regulamentação destravou investimentos e ações do setor público e privado”, diz Erich Burger, diretor da Recicleiros, que trabalha com a implantação de sistemas de gestão de resíduos.

“Por mais que existam críticas ao que está sendo feito e sobre a efetividade dos investimentos, hoje em dia existe um mecanismo para forçar tanto o setor público (municípios) quanto a iniciativa privada (setor empresarial que comercializa produtos em embalagens) a efetivar investimentos na estruturação dos sistemas de coleta, transporte, processamento e destinação final dos resíduos”, observa Burger. Segundo ele, as mudanças, embora tímidas, criaram um movimento que atinge desde a educação ambiental até a destinação final para reciclagem.

A parcela mais expressiva dessa nova onda vem dos condomínios, afirma Alexandre Furlan Braz, fundador do instituto Muda, empresa de gestão de coleta seletiva em prédios da cidade de São Paulo. Ele acredita que os números da capital paulista refletem os contornos do problema no país. “De 20 mil toneladas diárias de lixo, 80% vêm das residências. Desse total, 2% é reciclado”. Ele acrescenta que no universo de 30 mil condomínios existentes na cidade, a prefeitura estima em 3 mil os pontos onde há coleta seletiva e reciclagem.

Entraves

Uma questão que não quer calar é, afinal, por que no Brasil a coleta seletiva ainda engatinha? Para Erich Burger, da Recicleiros, é um problema sistêmico. “Faltam comunicação, fiscalização para o fortalecimento das práticas, e um serviço mais bem estruturado e eficiente por parte da administração pública”.

Estrutura e remuneração precárias para quem realiza a triagem e destinação desses materiais são também empecilhos que impedem o avanço e eficiência do sistema, na análise de Burger.

“Faltam orientação, campanhas de engajamento e fiscalização”. Um “combo” que não estimula cumprimento da lei e boas práticas. No caso da coleta seletiva nas casas, as mudanças devem demorar ainda mais, porque é mais cara do que a convencional. “Isso tende a inibir a prática e o incentivo por parte dos gestores públicos.”

Quem recicla?

Dos 1.320 municípios que possuem coleta seletiva, apenas 2,0% dos resíduos são de fato separados para reciclagem, de acordo com dados de
levantamento do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento, do Ministério do Meio Ambiente.

Fonte – Metro de 09 de julho de 2018

Acordo de embalagens de SP prevê triagem de lixo comum

Embalagens de plástico lotam prateleira de supermercadoEmbalagens de plástico lotam prateleira de supermercado – Johanna Nublat – 23.set.16/Folhapress

Logística reversa vai gerar Certificados de Economia Circular no estado

Na última quarta-feira (23), foi firmado em São Paulo um Termo de Compromisso de Logística Reversa de Embalagens entre a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) e cerca de 200 empresas de alimentos, bebidas e brinquedos.

O acordo foi também assinado pela Fiesp (Federação das Indústrias) e pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe).

O sistema estabelece nova etapa no fluxo do lixo comum. Hoje, os sacos de lixo não reciclável são recolhidos nas casas pelas empresas concessionárias de limpeza de cada cidade e enviados por essas empresas aos aterros ou lixões.

Segundo esse novo desenho, depois de coletados nas casas, esses sacos seriam enviados para sistemas de triagem, pilotados pelas mesmas concessionárias. Nessa nova triagem, seriam caçados os recicláveis que não tenham sido separados na origem.

Os materiais recicláveis seriam então pesados, registrados e vendidos para as recicladoras. Os registros fiscais seriam contabilizados por uma empresa certificadora e gerariam Certificados de Economia Circular (CEC). Eles comprovariam a comercialização e a restituição das embalagens ao ciclo produtivo.

Os CECs seriam comprados pelas empresas que usam embalagens e que precisam atingir metas de reciclagem obrigatória desses materiais. O sistema foi batizado de Renove+.

Os recursos obtidos pelas concessionárias com a venda desses créditos de economia circular seriam abonados da conta das prefeituras.

Para as prefeituras, além desse abatimento, haveria a diminuição de volume do material enviado aos aterros, o que também diminui a conta a ser paga a essas áreas de destinação final.

O modelo aprovado no termo de compromisso para o estado de São Paulo é mais uma alternativa para que as empresas cumpram as metas que foram estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010. Segundo nota da Fiesp, ele se destina principalmente às pequenas e médias empresas. Com ele, poderão também se adequar a uma regulamentação da Cetesb publicada em 4 de abril.

Essa norma da Cetesb condiciona a emissão ou renovação de licenciamento ambiental de operação de diversos tipos de empreendimento ao cumprimento de metas de reciclagem.

Quando noticiaram a nova medida, em abril, a Cetesb e a SMA indicaram que o condicionamento das licenças pretendia atingir as empresas que não haviam ainda aderido de forma voluntária aos sistemas à disposição.

Entre os benefícios anunciados do Renove+ estariam o investimento proporcional à massa de embalagens colocadas no mercado e a rastreabilidade de dados sobre massas recicladas, possibilitando relatórios para controle.

A norma da Cetesb também estabeleceu metas. Para as embalagens, foi usada a mesma meta estabelecida nacionalmente desde 2015, que são 22% para 2018. A adesão a algum modo de logística começa a ser exigida 60 dias depois de publicação, em 4 de abril, e os prazos para adequação das empresas são estipulados de acordo com o tamanho das instalações.

Até 180 dias (contados de 4 de abril) para aquelas que têm área construída acima de 10 mil m2, o ano de 2019 para empreendimentos que possuam instalação com área construída acima de mil m2 e 2021 para todos os empreendimentos sujeitos ao licenciamento ordinário.

Acordo nacional

A PNRS é que tornou obrigatória a logística reversa para todas as empresas, de acordo com mecanismos que viriam a ser firmados entre elas em suas áreas de atuação.

No caso das embalagens, foi assinado em 2015 um acordo setorial nacional que regulamenta as ações das empresas que fabricam, importam, distribuem e comercializam embalagens.

Os moldes do acordo foram propostos por um grupo de formado por 28 associações, lideradas pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). Entre as signatárias estão Braskem, Cargill, Coca-Cola, Colgate-Pamolive, Danone, Heineken Brasil, Hp, Klabin, McDonald’s, Mondelez, Nestlé, Pão De Açúcar, Pepsico do Brasil, Suzano, Tetra Pak, Unilever Brasil e Vigor. O grupo se chama Coalizão.

O acordo setorial de embalagens tem metas de reciclagem relativas ao volume do embalagens vindas de algum tipo de coleta seletiva, que as empresas se comprometem a desviar dos aterros, e também relativas ao apoio financeiro e institucional para cooperativas de catadores e para a criação de Postos de Entregas Voluntários (PEVs) no âmbito nacional.

O decreto 9.177/2017, publicado em outubro passado, prevê fiscalização e cumprimento das obrigações relacionadas à logística reversa de forma isonômica, ou seja, mesmo empresas que não assinaram os acordos setoriais ou termos de compromisso com a União são obrigadas a estruturar e implementar sistemas de logística reversa.

O termo de compromisso estadual estabelecido agora em São Paulo atua no lixo não separado, cria uma nova janela de atuação para as concessionárias de serviços de limpeza e oferece potenciais vantagens financeiras para as prefeituras.

Carlos Silva Filho, da Abrelpe, defende a atuação dos serviços de limpeza regular no novo fluxo. “A maior parte das embalagens vai para o lixo normal, não é separada pelos consumidores”, diz. “O estado tem 645 municípios e não é possível imaginar um sistema diferente para cada um. O modelo estabelecido no termo de compromisso coloca as concessionárias de limpeza como interface.”

Fonte – Mara Gama, Folha de S. Paulo de 23 de maio de 2018

Portugueses colocam nos ecopontos o equivalente a 12 elefantes por hora

Resultado de imagem para Portugueses colocam nos ecopontos o equivalente a 12 elefantes por horaEmbalagens de plástico e de metal no ecoponto amarelo; garrafas, boiões e frascos de vidro no verde e embalagens de papel cartão, jornais e revistas no azul PÚBLICO

Sete em cada dez lares já fazem a separação das embalagens. Actualmente, a meta de reciclagem é de 44%, mas vai aumentar para 65% até 2030.

Os portugueses colocam nos ecopontos embalagens usadas equivalentes ao peso de 12 elefantes, por hora, evitando que sejam depositadas em aterro, sendo antes recicladas, segundo a Sociedade Ponto Verde (SPV).

“Graças a esse empenho e ao acto de separar as embalagens usadas em casa, encaminhando-as para reciclagem, [os portugueses] tornam possível que, a cada hora que passa, uma quantidade de resíduos, equivalente ao peso de 12 elefantes, seja desviada de aterro”, refere uma informação da SPV, uma das três entidades gestoras deste tipo de resíduos.

Para marcar o Dia Internacional da Reciclagem, que hoje se assinala, a SPV realça o “gesto simples” de colocar as embalagens de plástico, vidro e papel no local adequado, o primeiro passo para encaminhar o lixo para o tratamento correcto e posterior reaproveitamento como matéria-prima.

Este é o princípio da economia circular, cuja concretização é uma prioridade do Ministério do Ambiente.

A economia circular baseia-se na redução do uso dos materiais primários e na aposta na reciclagem e reutilização de produtos, ao contrário da actual economia linear, em que são extraídos recursos à natureza, usados e deitados fora.

Segundo um exemplo da SPV, cada 100 toneladas de plástico reciclado evitam a extracção de uma tonelada de petróleo.

No balanço de 20 anos de actividade, refere que já foram reciclados 7,5 milhões de toneladas de resíduos de embalagens, equivalente ao peso de três pontes Vasco da Gama, em resultado dos sete em cada dez lares que já fazem a separação das embalagens.

No entanto, reconhece, “existe ainda um considerável potencial de crescimento ao nível da adopção do hábito de separação em casa e fora de casa”.

As embalagens de plástico e de metal devem ser colocadas no ecoponto amarelo, as garrafas, boiões e frascos de vidro no ecoponto verde e as embalagens de papel cartão, jornais e revistas no azul.

A SPV aproveita para esclarecer algumas dúvidas dos consumidores: não é necessário lavar as embalagens nem retirar rótulos antes de as colocar no ecoponto, as latas de conserva devem ir para o ecoponto amarelo, tal como os pacotes de bebidas e o esferovite.

O lixo indiferenciado ainda é o sítio certo para guardanapos e papel de cozinha, assim como para copos de vidro partidos.

Portugal tem mais de 43 mil ecopontos, 71% dos portugueses fazem diariamente separação de embalagens e a SPV investiu mais de 50 milhões de euros em comunicação e sensibilização, um milhão de euros em responsabilidade social e dois milhões em investigação e desenvolvimento, segundo os dados da entidade.

Actualmente, a meta de reciclagem é de 44%, mas vai aumentar para 65% até 2030.

As medidas para prevenção dos resíduos, concepção ecológica de produtos e reutilização são algumas das alternativas que podem resultar em poupanças de cerca de 600 mil milhões de euros nas empresas europeias, ou seja, cerca de 8% do total do seu volume de negócios anual, na criação de 170 mil empregos directos no sector e na redução de 2% a 4% das emissões de gases de efeito de estufa.

Fontes – Lusa / Público de 17 de maio de 2018

Quase todo lixo eletrônico do Brasil é descartado de maneira errada

 (Foto: documol / Creative Commons)(Foto: Documol / Creative Commons)

Cada um de nós produz, em média, 8,3 quilogramas de e-lixo por ano; só 3% segue para centros de reciclagem

br>Dezoito meses é o tempo médio de vida de um novo smartphone. Conforme um novo aparelho chega às lojas, outros tantos são aposentados e, assim, o que era um artigo quase fundamental, vira um problema.

O mesmo acontece com computadores, televisões, videogames e câmeras fotográficas: no final, sobram 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico todo ano, o equivalente a 4,5 mil torres Eiffel.

estimativa é que, em média, sejam descartados 6,7 quilos de lixo eletrônico para cada habitante do nosso planeta. No Brasil, o problema não é menor. Sétimo maior produtor do mundo, com 1,5 mil toneladas por ano, estima-se que em 2018 cada um de nós jogará fora pelo menos 8,3 quilos de eletrônicos.

Apesar de um estudo com números de 2016 ter demonstrado que o reaproveitamento do material descartado naquele ano poderia render R$ 240 bilhões de reais em todo planeta, apenas 20% do lixo eletrônico do planeta é reciclado. Por aqui, somente 3% são coletados da forma adequada.

Foi justamente para chamar atenção para essa situação que surgiu o movimento Greenk, que em 2018 realiza a segunda edição do Greenk Tech Show, entre os dias 25 e 27 de maio, que une a tecnologia à sustentabilidade.

Com diversas atrações, o evento contará com campeonatos de videogame, uma arena para batalhas de drones, concursos de cosplay, e diversas palestras. A GALILEU participa na sexta-feira, em um painel sobre a comunicação da tecnologia na educação.

Mas, já que o assunto é lixo eletrônico, no mesmo dia ocorre um painel que pode servir de exemplo. O governo da Noruega explica como consegue dar um destino apropriado para 74% dos equipamentos descartados, mesmo sendo um dos líderes mundiais na produção relativa desse tipo de resíduo, com 27 quilogramas por habitante/ano

Não existe segredo. Até a metade da década de 1990, 90% do lixo eletrônico era alocado em aterros sanitários, incinerado ou reutilizado sem tratamento, expondo as pessoas aos perigosos produtos químicos.

Isso começou a mudar no final daquela década, quando o governo local começou a implementar regulamentações que obriga a indústria e importadores, maioria por lá, a coletar baterias e eletrônicos velhos dos consumidores que não os querem mais, sem custos.

Para isso, as companhias firmam parcerias com empresas especializadas, que são minuciosamente reguladas e inspecionadas pelo órgão ambiental norueguês. Junto com os municípios, são os responsáveis por instalar pontos de coletas, comunicar à população, cuidar do armazenamento, e encaminhar para a reciclagem.

A ideia é que o ciclo se complete, sendo reaproveitado como matéria-prima seja dentro ou fora do país. “Os resíduos mais perigosos, como mercúrio e chumbo, nós tratamos dentro do país. O que não é, é vendido para todo o mundo”, afirma Ole Thomas Thommesen, conselheiro sênior para Resíduos e Reciclagem na Agência Norueguesa para o Meio Ambiente.

Apesar do sucesso, é importante considerar que toda a Noruega, com seus cinco milhões de habitantes, tem metade da população da cidade de São Paulo. No Brasil a questão é abordada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, considerada uma das mais avançadas do mundo, por se apoiar na responsabilidade compartilhada em que cada um dos envolvidos, do consumidor ao fabricante, são encarregados por uma parte da logística reversa.

Mas falta combinar com todo mundo. Faltam dados sobre origem e destino desses resíduos, tornando difícil o gerenciamento do volume. Do que é coletado, porém, grande parte deste descarte é feito em armazéns e locais sem o devido licenciamento ambiental, ignorando as necessárias medidas para reduzir os riscos de contaminação ambiental.

Thommesen reconhece que em seu país é bem mais fácil aplicar tal política pois, segundo ele, a corrupção é baixa e é fácil para o governo impor regulamentações. “Mas não é impossível fazer nos outros países, só precisa conseguir forçar as companhias a fazerem o que devem fazer”, diz. “As empresas não querem fazer, por que isso custa dinheiro, então você tem que encontrar meios para isso. Essa é a parte mais difícil.”

Enquanto isso o Movimento Greenk tenta fazer sua parte. Em uma parceria com a prefeitura de São Paulo e o governo do principado de Mônaco, serão instalados quinze pontos de coleta, sendo 14 em parques da cidade e um na sede da prefeitura. O material será enviado para os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs), que integram programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Além disso, durante o Greenk Tech Show quem levar algum tipo de lixo eletrônico para descartar paga meia entrada. O objetivo é coletar dez toneladas, bem mais que na primeira edição do evento, em 2017, em que foram coletadas 2,7 toneladas de e-lixo.

Fonte – Felipe Floresti, Galileu de 24 de maio de 2018

Termo de Logística Reversa para embalagens recicláveis é assinado em SP

O acordo entre indústrias e órgãos públicos determina que as empresas recolham e reciclem as embalagens dos próprios produtos.

Na última quarta-feira (23), foi assinado na FIESP o Termo de Compromisso de Logística Reversa (TCLR) que regulamenta que as embalagens sejam recicladas pelas próprias indústrias fabricantes. 22 associações e empresas de embalagens assinaram o termo, assim como a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) e a própria FIESP/CIESP.

Na prática, o termo determina que as embalagens que possam ser reaproveitadas sejam retornadas às indústrias fabricantes para que o material seja reciclado ou reaproveitado. O objetivo desse acordo é diminuir a quantidade de resíduo que é encaminhado para os aterros sanitários.

Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos da ABRELPE informam que, no Estado de São Paulo, a coleta de resíduos sólidos urbanos tem cobertura de quase 100%. No entanto, 26% desse lixo ainda têm destinação inadequada para lixões (4,9 mil toneladas/dia) ou aterros controlados (9,1 mil toneladas/dia). As outras 46,9 mil toneladas por dia de resíduos (76,9%) são encaminhadas para aterros sanitários.

Outro benefício do cumprimento do termo é a previsão de aumento na renda dos trabalhadores responsáveis pela separação de materiais recicláveis. As empresas que utilizarem o sistema de LR para reutilizar as embalagens retornáveis de produtos também economizarão com material.

Logística Reversa

O sistema utilizado para o retorno dessas embalagens será o de Logística Reversa, que está contido na Lei de Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS – Lei 12.305/2010) de 2010. Essa mesma lei tem indicação para adoção de instrumentos de implementação, como o termo assinado no encontro.

A adoção desse sistema pelas empresas e indústrias pode ser a solução para alguns dos problemas que o excesso de resíduos com potencial reciclável causa no meio ambiente. Além disso, a utilização de LR pode resultar na homologação de empresas que precisar da licença de funcionamento, e o contrário também pode acontecer.

Um ponto importante para a funcionalidade do termo é a garantia de transparência e confiabilidade nos resultados apresentados pelas empresas, por isso será importante o trabalho de fiscalização da aplicação da lei que será feita pelo CETESB.

Para a informação da população sobre o funcionamento do sistema de LR, será disponibilizado futuramente o Portal da Economia Circular, onde será possível encontrar informações e dados relacionados à Logística Reversa, reciclagem de materiais e destinação de resíduos sólidos.

Fonte – Emily Santos, CicloVivo de 24 de maio de 2018

Edital vai ajudar municípios brasileiros a desenvolverem programas de coleta seletiva

Os projetos resultarão em sistemas municipais coleta seletiva e reciclagem eficientes

Em uma iniciativa inédita no Brasil, a SIG e a Recicleiros lançaram no Dia Internacional da Reciclagem (17 de Maio), o primeiro edital público para que municípios brasileiros, com até 50 mil habitantes, se candidatem para receber apoio técnico para criar ou ampliar seus programas de coleta seletiva. Como explica Ricardo Rodriguez, Presidente Américas da SIG e entusiasta do projeto, “não se trata mais de trabalhar em uma agenda de proteção. Estamos dando um passo à frente e convidando os municípios brasileiros a trabalharem em uma agenda de construção de políticas públicas que efetivamente tenham um impacto positivo na sociedade, na economia e no meio ambiente das regiões em questão”.

Esta abordagem inovadora vem sendo trabalhada há alguns anos pela Recicleiros com o objetivo de alavancar, de maneira estruturada e sustentável, as práticas de coleta seletiva e logística reversa de embalagens em todo o Brasil e chamou a atenção da SIG pelo alinhamento com a sua estratégia de sustentabilidade – Way Beyond Good (www.sig.biz/responsability/way-beyond-good), que reforça o seu compromisso em ser uma empresa de impacto positivo, ou seja, devolver para a sociedade e para a natureza mais do que recebe. “A efetivação da coleta seletiva em municípios de pequeno porte é uma ótima alternativa para gerar oportunidades de trabalho e renda ao mesmo tempo em que se gera um impacto ambiental positivo e se sensibiliza a população local. Para nós isso é sustentabilidade na veia”, comenta Erich Burger, um dos diretores da Recicleiros. “Qualificar os programas municipais de coleta seletiva é o passo fundamental para atrair investimentos e viabilizar sua implementação em alto nível”, complementa Rafael Henrique, outro diretor da organização.

Este edital vai ao encontro a um posicionamento que vem sendo adotado pelo Ministério do Meio Ambiente acerca da necessidade de sinergia entre as ações da iniciativa privada em logística reversa e municípios em coleta seletiva, uma ação que pode trazer benefícios para ambos os lados.

Atualmente os sistemas de coleta seletiva das cidades brasileiras, principalmente das pequenas, enfrentam dificuldades técnicas e econômicas que muitas vezes inviabilizam sua operação. O alto nível de materiais não recicláveis, os chamados “rejeitos”, que chegam às centrais de triagem impactam diretamente na produtividade e na viabilidade dessas organizações. Orientação do público, associada à regulamentação, estruturas e processos adequados, são fundamentais e formam a base metodológica desse trabalho que será realizado com os municípios.

“Temos comprovado com as nossas experiências que existem gestores e servidores públicos altamente comprometidos com as questões de sustentabilidade e qualidade de vida e que esse incentivo pode ser a chave para a mudança nesses territórios”, comenta Isabela De Marchi, coordenadora de sustentabilidade da SIG.

Alguns importantes princípios estabelecidos pela PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305/10), como os da “responsabilidade compartilhada” entre governo, população e empresas, e da “logística reversa de embalagens” que obriga o setor empresarial a investir no retorno de parte de suas embalagens para a cadeia produtiva, propõem um cenário propício para a criação de modelos inovadores com participação dos municípios e da iniciativa privada, gerando benefícios múltiplos e difusos. A inteligência que a SIG e a Recicleiros oferecerão aos municípios visa criar também essas zonas de convergência, tendo em vista a melhor relação custo-benefício.

O edital público da SIG e da Recicleiros para os municípios está disponível no site http://cidademais.recicleiros.org.br/. Nesta primeira fase serão selecionadas três cidades. A SIG e a Recicleiros já trabalham em projetos semelhantes nos municípios de Bom Jesus dos Perdões (SP), Xanxerê (SC) e Jijoca de Jericoacoara (CE).

Fonte – Dal Marcondes, Envolverde de 28 de maio de 2018

Entenda a definição de reciclagem primária, secundária e terciária

O processo de reciclagem pode ser feito de diversas formas, permitindo a classificação entre reciclagem primária, secundária e terciária. Imagem: iStock / Getty Images Plus / LightFieldStudios

A busca por um mundo mais sustentável é uma pauta presente em todos os países do mundo, uma vez que está mais do que provado que o planeta deve ter uma vida muito curta se o ser humano continuar a consumir recursos naturais de maneira desenfreada e manter as práticas poucos sustentáveis que existem hoje.

Nessa luta por um mundo mais sustentável, a reciclagem se destaca como uma das ações chave. Isso porque o processo permite a redução dos impactos ambientais associados aos processos produtivos, uma vez que minimiza a necessidade de extrair recursos naturais.

Embora o Brasil seja referência na reciclagem de latinhas de alumínio, ainda há muito o que fazer quando o assunto é reciclagem de maneira geral: de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 13% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados. Esse número aponta a necessidade de que cidadãos e autoridades se conscientizem mais a respeito dessa prática e das diferenças entre reciclagem primária, secundária e terciária.

Reciclagem primária, secundária e terciária

Antes de qualquer coisa, vale esclarecer que a reciclagem corresponde à transformação de um material previamente utilizado para que possa ser empregado em outros fins. Para isso, são empregados processos físicos, químicos e/ou biológicos — diferentemente do reaproveitamento, que é um processo que não envolve esse tipo de alteração.

O processo de transformação por meio da reciclagem pode ser feito de diversas maneiras. Na reciclagem primária, os produtos transformados são aqueles produzidos na própria indústria ou empresa, e são utilizados para outros fins. Como exemplo, podem ser citadas as sobras de matérias-primas, rebarbas advindas do processo de produção e peças defeituosas. Isso significa que os materiais utilizados na reciclagem primária têm as mesmas características dos produtos originais.

Outra maneira de realizar a transformação é a partir dos produtos já usados, advindos principalmente dos resíduos sólidos urbanos, correspondendo à reciclagem secundária. Nela, os resíduos precisam ser separados e possuem qualidade inferior quando comparados aos utilizados na reciclagem primária, uma vez que vêm contaminados como resíduo orgânico, como sobre de comida.

Por fim, na reciclagem terciária, os produtos originais são transformados por meio de diversos processos — como no caso do plástico, que é transformado em hidrocarbonetos ou monômeros, podendo ser utilizado na produção de novos plásticos ou mesmo de produtos químicos. Quer saber tudo sobre a reciclagem do plástico? Clique no link!

Fonte – Pensamento Verde de 24 de abril de 2018

Inglaterra vai criar tara recuperável para latas e garrafas de plástico e vidro

1ª foto: Richard Lochhead, ministro escocês dos Assuntos Rurais, usa uma máquina automática de recolha de garrafas e latas em Edimburgo (Cate Gillon)

Os consumidores ingleses terão de pagar um depósito quando compram bebidas, que lhes será restituído quando devolverem as garrafas e latas

Para promover a reciclagem e reduzir a quantidade de resíduos que poluem os espaços naturais, a Inglaterra vai criar uma tara recuperável para as garrafas e latas de bebidas, quer elas sejam de plástico, vidro ou metal.

Isto significa que os consumidores terão de pagar um depósito quando compram as bebidas, o qual lhes será restituído quando devolverem a embalagem da bebida.

Cerca de 40 países – incluindo a Alemanha, a Suécia e Israel – e 21 estados norte-americanos têm sistemas semelhantes. As taxas variam consoante o tamanho da garrafa ou lata e muitos utilizam máquinas automáticas de recolha das embalagens que devolvem o dinheiro aos utilizadores.

“Na Alemanha, a política de tara recuperável foi implementada em 2003 e 99% das garrafas de plástico são recicladas, uma percentagem que contrasta marcadamente com a taxa de reciclagem no Reino Unido, onde se reciclam apenas 43% das cerca de 13 mil milhões de garrafas de plástico vendidas anualmente.”

“Não tenhamos dúvidas de que o plástico está a ter um impacto devastador no nosso ambiente marinho”, disse o secretário para o Ambiente do Governo britânico, Michael Gove.

“Já proibimos as micropartículas de plástico e reduzimos o uso de sacos deste material, e agora queremos tomar medidas relativamente às garrafas de plástico de forma a ajudar a limpar os nossos oceanos”, defendeu. “Precisamos de ver uma mudança nas atitudes e nos comportamentos. E está provado que estes sistemas são um poderoso agente de mudança.”

As informações detalhadas sobre o novo esquema estão sujeitas a consulta, não sendo ainda claro se todos os retalhistas terão de participar.

A Escócia já tinha anunciado planos para a criação de uma tara recuperável em setembro de 2017 e o País de Gales quer implementar um sistema que abranja todo o Reino Unido. Os ministros da Irlanda do Norte também estão a considerar esta medida.

“Estou muito satisfeita pelo facto de irmos finalmente ver os muitos benefícios que um sistema de depósito trará ao país, dos quais o menor não será a ausência de embalagens de bebidas a poluirem as nossas belas zonas rurais”, disse Samantha Harding, da Campanha para Proteger a Inglaterra Rural, uma organização que já defendia a necessidade de se criar uma tara recuperável no país há uma década.

“O que é importante é que os produtores pagarão agora a totalidade dos custos das suas embalagens, reduzindo o ónus dos contribuintes e criando um forte precedente para outros esquemas, nos quais o poluidor é que paga”, afirmou.

Elena Polisano, da Greenpeace, avisou contudo que o “governo deve ter o cuidado de evitar um esquema voluntário que só se aplica a alguns retalhistas”.

Fonte – The UniPlanet de 02 de abril de 2018

Lixo na escola: qual a importância e como podemos reciclar os materiais gerados neste ambiente?

É fundamental que as escolas mostrem para os seus alunos o caminho percorrido pelo lixo e a importância da reciclagem desses resíduos. Imagem: AVAVA / iStock / Getty Images Plus

As escolas descartam uma grande quantidade de lixo, sendo que a maior parte deste montante é reciclável. Investir em ações que incentivem a reciclagem desses materiais é importante não apenas par ao meio ambiente, mas também para envolver e conscientizar os alunos e a comunidade escolar a respeito da sustentabilidade ambiental.

Vale destacar que o debate a respeito do lixo é fundamental, e deve estar presente nas salas de aula para dar exemplo aos alunos e fazer com que eles aprendam a cuidar do meio ambiente de maneira prática. O aprendizado dos alunos não se restringe à teoria, e é essencial que eles se envolvam com os assuntos discutidos na sala.

O que ensinar aos alunos sobre lixo?

Uma escola é capaz de gerar uma grande quantidade de lixo por dia: além de papéis e materiais, há a hora do recreio, em que alunos e professores descartam restos de alimentos e itens como sacos plásticos, embalagens, guardanapos e copos. O final do intervalo para o recreio, portanto, pode ser um excelente momento para mostrar aos alunos a quantidade de detritos que são descartados.

Aulas teóricas a respeito do caminho que o lixo percorre ao ser descartado também são importantes, de modo a ensinar como as ações cotidianas levam ao acúmulo de resíduos nos lixões. Também é importante destacar a importância de separar os materiais recicláveis e não recicláveis, encaminhando todos de maneira adequada.

Para as crianças pequenas, aprender a jogar seu lixo em uma lixeira já é um grande aprendizado. Porém, é preciso ir além e ensinar como podemos fazer a diferença no impacto que ele causa ao meio ambiente. Uma dessas ações é separar o lixo em lixeiras apropriadas, como as de materiais orgânicos, plásticos, papeis, vidros, eletrônicos e o restante do lixo.

Outro fundamento essencial é mostrar para os alunos como eles podem diminuir a quantidade de lixo gerada por meio de ações simples como reduzir o uso de copos plásticos ou reaproveitar garrafas PET.

A importância da reciclagem

A união das aulas teóricas com a prática da coleta de lixo seletivo permite ao aluno refletir sobre a realidade mundial a respeito da poluição. O mundo não tem recursos infinitos, embora sejam abundantes. Por isso, se não houver cuidado no manejo de fontes animais, vegetais e minerais, simplesmente se extinguirá.

O lixo é um dos principais causadores dos danos ambientais. Materiais como uma sacola plástica, quando jogados diretamente na natureza, demoram no mínimo cem anos para se degradar. Enquanto isso não acontece, pode até mesmo matar espécies e contaminar rios. Mas se esse material for coletado e reciclado, ele não irá para a natureza e voltará a ser reutilizado em sua função anterior ou de outras formas.

Crianças e adolescentes tem uma tendência natural a se engajar por causas transformadoras, desde que incentivados adequadamente. Eles, inclusive, tendem a copiar comportamentos e a repercuti-los em seus grupos sociais — o que aumenta ainda mais a responsabilidade de envolvê-los em valores importantes.

Fonte – Pensamento Verde de 02 de abril de 2018