Cooperativas de catadores: exemplo de economia solidária e preservação do meio ambiente em São Leopoldo

Imagine que você precisa ir ao supermercado fazer as compras dos produtos básicos para poder passar o mês. Uma situação comum, que é vivida por grande parte da população de todo o mundo. Agora pense: será que você vai lembrar de todos os itens que precisa ou vai acabar esquecendo aquele produto essencial? Melhor fazer uma lista, não? Você pega um papel, escreve tudo o que precisa comprar e pronto. Tudo certo, você joga fora a folha que usou para anotar.

Talvez você não tenha se dado conta, mas ao descartar esse papel, se ele não for para o lugar certo, ele pode ficar de três a seis meses na natureza até se decompor. Seis meses é quase o tempo completo que leva a gestação de um ser humano, e aquele pequeno pedaço de papel continuou ocupando um espaço sem ter uma real utilidade.

Para que o papel possa retornar para as prateleiras e ser utilizado novamente, é preciso que ele seja reciclado. Por isso é importante estarmos atentos à destinação correta dos resíduos sólidos e, também, conhecermos mais sobre o caminho que este material percorre até chegar de novo às nossas mãos. O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, comprometido com a sistematização, análise e o debate sobre as realidades e as políticas públicas na região do Vale do Sinos, fez a aproximação com as cooperativas de catadores, com o propósito de dar vistas ao seu protagonismo nos processos de garantia ambiental e das políticas na cidade de São Leopoldo.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lançada em 2010 através da Lei nº 12.305/10, cada município deve implementar o seu próprio Plano Municipal de Resíduos Sólidos – PMRS e, a partir disso, colocar a operação da coleta seletiva na mão, preferencialmente, das cooperativas de catadores. Isto ficou definido pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR como Coleta Seletiva Solidária. Mas, conforme dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, apenas 33% das cidades do Brasil haviam elaborado o próprio PMRS até o ano de 2014.

Um entrave que também acontece com a desvalorização do trabalho de coleta dos catadores individuais. Existe a necessidade de conscientizá-los e inseri-los nas cooperativas, mas de uma maneira inclusiva e gradativa. Essa é uma das afirmativas e das lutas a que se propõe o membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR, Alex Cardoso. Em entrevista concedida ao IHU, ele revela a problemática dos catadores de Porto Alegre e tenta fomentar uma discussão mais aberta entre os interessados e a prefeitura.

Já no município de São Leopoldo existem sete cooperativas que realizam a coleta seletiva. Elas são formadas por grupos de colaboradores que se dividem em diversas funções dentro do ambiente da associação. O princípio de tudo se dá através da ida do caminhão da coleta até os endereços em que cada associação é responsável. Esse roteiro é dividido por bairros para facilitar o atendimento ao público. Os resíduos sólidos do bairro Centro e também das empresas que se cadastraram para fazer parte da coleta seletiva são recolhidos por todas as cooperativas, em dias intercalados e com o rodízio organizados por eles, já que o volume de material é muito grande e assim fica mais justo para que todos possam aproveitar esse material eventualmente.

Depois de recolhido, o material é levado para os galpões das cooperativas e entregue para os trabalhadores que farão a triagem do material. Eles devem selecionar aquilo que é possível ser vendido em grande escala, já que nem todos os resíduos recolhidos irão realmente para a reciclagem. Para a analista de Ação Social do Programa Tecnosociais/CCIAS, da Unisinos, Renata Hahn, é importante salientar que nem todo o material consegue ser aproveitado pelos catadores. “O material que tem serventia para eles é somente aquele que é possível comercializar, infelizmente. Tem coisas que eles não têm como estocar e materiais que eles não têm o maquinário para transformar de um modo que possa ser vendido. Isso acaba se tornando rejeito e indo parar no aterro sanitário”.

Renata é uma das responsáveis pelo Programa Tecnosociais da Unisinos, que funciona como incubadora de empreendimentos econômicos solidários de geração de trabalho e renda. A equipe trabalha para auxiliar na criação e apoio desses tipos de organizações, que sozinhos não teriam uma assessoria especializada e não conseguiriam formalizar assuntos mais técnicos, como a transição de associação para cooperativa, por exemplo. Sobre a formação das cooperativas de catadores, Renata explica: “Os empreendimentos de economia solidária, principalmente no segmento de reciclagem, são geralmente formados por pessoas que não conseguiram se inserir no mercado de trabalho formal e acabaram ingressando na reciclagem”.

A segunda etapa da operação da coleta seletiva acontece após a triagem do material e consiste em aglutinar os resíduos iguais em grandes sacolas e levar para a prensa. Esses recipientes são chamados de “big bags” e é preciso cinco deles para fazer um fardo de 150 kg de garrafa pet ou três para fazer um fardo de 130 kg de plástico comum, por exemplo. Somente depois de prensado e separado corretamente é que o material será estocado para a venda posterior.

Segundo a explicação da especialista em Gestão Ambiental e Social Joice P. Maciel e da socióloga e especialista em Políticas Públicas Kellen Pasqualeto, que representam o coletivo de técnicas que atuam em atividades no segmento ambiental e social, Apoena Socioambiental, o papel do catador era desvalorizado e limitado ao trabalho de coleta irregular e triagem em 2005. A remuneração vinha somente do pouco material que eles coletavam individualmente e conseguiam fazer a comercialização na época. No mesmo ano, a prefeitura de São Leopoldo deu início à coleta seletiva, mas deixou o serviço prestado por conta de uma empresa privada.

Durante o ano de 2005, os coletores individuais que se organizaram em associações ou cooperativas começaram a receber um valor trimestral de R$ 4.500,00. A partir de 2009, eles passaram a adquirir os resíduos reutilizáveis e recicláveis por uma empresa privada contratada pelo município de São Leopoldo. De acordo com as representantes da Apoena Socioambiental, há apenas três anos o trabalho da coleta seletiva passou totalmente para as cooperativas e, a partir disso, o valor recebido pelo trabalho prestado à prefeitura aumentou. “Somente a partir da proposta da implantação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS, em 2012, é que passaram a ser sete cooperativas de reciclagem conveniadas, as mesmas que a partir de 2014 e até o momento são contratadas para o serviço de coleta seletiva. Cada uma recebe em torno de R$ 24.000,00 mensais pelo serviço prestado”. Esse valor é referente ao contrato estabelecido com a prefeitura de São Leopoldo para que as cooperativas realizem o trabalho da coleta seletiva no município.

Segundo a analista de Ação Social Renata Hahn, essa quantia, atualmente, serve apenas para que as organizações consigam cobrir suas despesas com os gastos operacionais, e o dinheiro que eles conseguem obter como lucro é vindo da venda do resto do material separado para atravessadores. “O que as cooperativas estão lutando hoje é para que recebam também pelo material triado nas esteiras. Assim aumentaria o valor recebido e seria mais justo com os trabalhadores”, afirma Renata.

É isto o que acontece na CooperFeitoria, uma das cooperativas visitadas pelo ObservaSinos. Funcionando formalmente como uma cooperativa desde 2012, mas já existindo há 15 anos, ela possui 10 trabalhadores divididos entre os setores da coleta. É responsável pelo atendimento dos bairros Feitoria e Jardim América, em São Leopoldo. Como nas outras cooperativas, ela segue o modelo de autogestão, onde os próprios participantes da organização elegem um presidente para representá-los, mas todos têm influência nas decisões administrativas. O atual presidente da CooperFeitoria, Josué Carvalho, explica como o modelo funciona: “A cooperativa funciona assim: todos somos donos, mas todos temos que ter responsabilidades, tanto de funcionário como a de chefe. Cada um deve saber o seu papel e como executá-lo, sem esperar que outra pessoa fale. Temos que ter muito cuidado na disciplina e isso é um avanço que estamos fazendo”.

Josué foi catador individual por 15 anos e afirma que cada pessoa tem conhecimento do seu setor, da sua função e também do funcionamento da cooperativa como um todo. A partir disso, reuniões são programadas para que eles possam opinar e sugerir melhorias nos locais de trabalho. Perguntado sobre a importância do seu trabalho para o meio ambiente, ele responde de forma enfática: “Eu me preocupo em fazer um bom trabalho. A consequência dele é que vai ajudar a natureza e isso é muito importante para o meio ambiente, faz a diferença no nosso contexto. Mas infelizmente é muito pouco, é quase paliativo perto do todo”.

Mesmo assim, segundo as representantes da Apoena Socioambiental, Joice Maciel e Kellen Pasqualeto, depois da inclusão dos catadores na PMGIRS, algumas modificações na coleta puderam ser percebidas. Elas afirmam que a efetivação dos contratos de prestação de serviço trouxe um grande diferencial, pois além de garantir a execução da coleta pelos catadores, possibilitou ampliar o número de postos de trabalho em 40%, e a renda em 23%. “Esses dados também se revertem em benefícios ambientais. Aproximadamente sete mil toneladas que seriam enterradas no aterro sanitário, gerando um passivo ambiental e lucro para a empresa privada contratada, retornaram para a cadeia produtiva, revertendo-se em remuneração para os catadores e menos impactos negativos ao meio ambiente”, revelam.

Joice e Kellen também propõem uma análise mais aprofundada desses dados. Em entrevista concedida a elas pela Secretaria de Serviços Públicos de São Leopoldo no ano passado, os resultados dos resíduos encaminhados à reciclagem, no período de 2014 a 2016, de 7 mil toneladas, apontam um baixo impacto em relação ao montante de resíduos domiciliares que foram encaminhados ao aterro no mesmo período, que somaram 120 mil toneladas. Elas afirmam que, apesar dos números terem baixa influência no todo dos resíduos domiciliares, a importância da coleta é extremamente alta. “Porém, o impacto socioambiental torna-se significante, uma vez que atualmente essa política beneficia cerca de 90 famílias entre as sete cooperativas de catadores, que passam a ter melhores condições de trabalho e de remuneração; benefícios que se estendem para aproximadamente outros 340 beneficiários indiretos, familiares desses trabalhadores”.

Também é importante frisar a participação das cooperativas na educação ambiental, direta ou indiretamente, através da coleta e destinação dos resíduos recicláveis. “Muitas cooperativas possuem ótimo relacionamento com a comunidade do entorno onde operam, bem como realizam palestras em escolas municipais e participam de eventos relacionados aos temas ambientais da cidade”, afirmam Joice e Kellen.

Conforme o atual diretor de resíduos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – Semmam, Mario Celi, os catadores são os agentes principais da coleta. “Eles são os protagonistas do processo. A prefeitura dá os meios, através de convênios e contratos, e eles fazem a própria gestão”. Mario também fala da importância das cooperativas em relação ao meio ambiente e ao município. “As cooperativas são fundamentais para a melhoria da saúde do meio ambiente e também são o carro-chefe da educação ambiental. Todo esse material que não seria aproveitado, agora volta para nós com um novo uso. Isso é excelente. Além disso, com a evolução das cooperativas, teremos o fim dos aterros sanitários, o que reduzirá o custo da prefeitura em 60% a 70%”, revela.

Incêndio e recomeço na CooperFeitoria

Recentemente a CooperFeitoria sofreu um revés grande em suas instalações. Um dos galpões da cooperativa foi atingido por um incêndio em novembro de 2016, afetando o galpão que funcionava para receber o material e também onde ficava o escritório administrativo. De acordo com Josué, o local recebia em média 30 toneladas de material por mês. Mesmo assim, ele e os companheiros de cooperativa não se deixaram abater e continuaram trabalhando no outro galpão disponível. “Com a destruição do outro local, nós aproveitamos o momento de tragédia para organizar esse galpão e centralizar o trabalho. Agora vamos avançar no beneficiamento do material. Também pretendo construir uma horta comunitária no terreno onde pegou fogo para compartilhar com a comunidade do bairro Feitoria”.

O beneficiamento de material é uma das melhores técnicas disponíveis no mercado e é utilizada para transformar os resíduos sólidos de uma forma que eles possam ser reutilizados. Para realizar essa atividade, é necessário um equipamento diferente do que as cooperativas já possuem e o custo de compra é elevado. A CooperFeitoria conseguiu adquirir o equipamento através de um projeto em parceria com outras empresas e já em 2017 pretende começar a trabalhar nesta nova etapa. “O que nós fazemos hoje não é reciclagem. A gente faz coleta, triagem e fardamento. Reciclagem é transformar. A partir do beneficiamento do material é que isso vai acontecer”, afirma Josué.

Galpão de triagem da CooperFeitoria (Foto: Lucas Schardong)
Com este avanço na tecnologia da cooperativa, os materiais coletados pela CooperFeitoria serão vendidos diretamente para as empresas que têm interesse, ao invés de fazer isso para um atravessador ou para cooperativas de fora do município, como funciona atualmente. Assim, o valor do material se elevará, trazendo diversos benefícios para todos os trabalhadores. Hoje, uma embalagem simples de arroz é vendida a R$ 0,30 o quilo, por exemplo. Após o beneficiamento do material, ele poderá ser vendido diretamente para um comprador por até R$ 2,70, dependendo da qualidade do material. Isso daria um aumento de quase 800% no valor inicial, sendo que possibilitaria pagar os custos de operação e sobraria ainda 63% do valor final da venda para dividir entre os trabalhadores.

Mas apesar de todo o trabalho realizado pelas cooperativas, Josué afirma que muita coisa precisa ser melhorada. “Hoje, a CooperFeitoria, nos setores que ela faz, ela atinge mais de 12 mil pessoas por semana. Ela não tira 5% do material reciclável que é produzido pela população”, revela. Isso se deve, conforme o presidente da CooperFeitoria, à falta de estrutura que as cooperativas possuem. Assim, elas não conseguem aumentar a produção e manter o processo com qualidade. Ele também afirma que não bastaria só melhorar os equipamentos e os locais de trabalho, mas também é necessário se preocupar com a qualificação das pessoas que trabalham na reciclagem. “É preciso profissionalizar as cooperativas. Elas precisam ser vistas como empresas e funcionar como tais. Com o apoio do governo, que precisa cobrar resultados em contrapartida. Assim o sistema se tornaria melhor e mais eficiente”, explica.

Fonte – Lucas Schardong e Marilene Maia, IHU de 17 Março 2017

Imagem – ccPixs.com

Parceria entre condomínio e cooperativa é modelo de reciclagem

Moradores separam papel, papelão, vidro, sucata eletrônica e plástico em recipientes específicos

Um condomínio de Maringá é exemplo em reciclagem. No local, que conta com 155 apartamentos e aproximadamente 600 moradores, é feita a separação do lixo: papel, papelão, vidro, sucata eletrônica e plástico são colocados em recipientes específicos e, semanalmente, são recolhidos por uma cooperativa. Além de separar os produtos, os moradores evitam que os recicláveis estejam molhados e com resíduos orgânicos, garantindo a venda dos materiais pela cooperativa a indústrias de reciclagem.

A presidente da cooperativa, Nilza Mantovani, destaca o envolvimento dos condôminos. “Os moradores têm o cuidado em não deixar garrafas de vidro quebradas e latas abertas para evitar ferimento aos cooperados. Em uma coleta que realizei fora do condomínio acabei cortando minha mão e ficando 15 dias sem trabalhar”, afirma, lembrando que o objetivo é profissionalizar o negócio e romper com o estigma assistencialista que envolve as cooperativas. “Queremos ser reconhecidos como profissionais. Se toda população participar nossa renda será bem maior”, afirmou.

Atualmente o município conta com sete cooperativas: Cooperpalmeiras, Coopermaringá, Coopernorte, Associação Coopercicla e Cooperambiental, além da Coopercanção (sucatas eletrônicas) e Coopervidros (coleta de vidros). A administração mantém contrato de prestação de serviços com as cooperativas e além de oferecer apoio técnico, destina recursos conforme a produção.

A síndica do condomínio, Maria de Fátima Sano, lembra que a separação dos recicláveis é feita desde 2012. Mas a partir de 2015, com a participação da cooperativa que o envolvimento dos moradores aumentou. “Temos uma relação muito boa com a Nilza. Morei vários anos no Japão e vi como esse cuidado com o meio ambiente faz bem para a cidadania”, afirmou.

O secretário de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Jaime Dallagnol, ressalta que o projeto é um bom exemplo de fidelidade entre a cooperativa e o condomínio e explica que a relação estimula a separação dos recicláveis. “Os cooperados ficam contentes com o grande número de produtos para separar e vender. Esse vínculo entre os cooperados e os moradores é ideal pois dificulta a ação de atravessadores e mais, ao invés da administração pagar R$ 100 por tonelada para aterrar produtos, a coleta seletiva é fonte de recursos para diversas famílias de baixa renda”, destaca.

A diretora de Apoio às Cooperativas da Sema, Vera Lúcia Tasca, lembra que a Cooperambiental é uma das cooperativas mais organizadas do município. “A Nilza é uma empreendedora que paga em dia e dá toda assistência aos cooperados. Queremos desenvolver esse profissionalismo também com outras cooperativas”, afirmou.

Fonte – O Diário do Norte do Paraná de 03 de março de 2017

Prefeitura quer criar ecopontos

Estudo para definir locais onde podem ser implantadas as unidades está sendo feito pela Secretaria de Serviços Públicos e deve ficar pronto até o fim da próxima semana. Prefeitura quer, com os ecopontos e as operações bota-fora, realizadas nos fins de semana, evitar o descarte clandestino de materiais, como acontece no Jardim Alvorada (Foto acima)

Está em fase de estudos na Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SEMUSP) a implantação dos primeiros ecopontos de Maringá. De acordo com o Secretário da pasta, Vagner de Oliveira, o levantamento com a definição dos locais para o descarte regular de recicláveis e objetos usados deve ficar pronto até o fim da semana que vem.

Ao lado das operações bota-fora, já realizadas nos fins de semana nos bairros, a instalação dos ecopontos é defendida por ambientalistas como o melhor caminho para acabar com os descartes irregulares. Hoje, sem os ecopontos, sofás, fogões velhos, colchões e toda sorte de objetos acabam sendo despejados nos canteiros centrais, fundos de vale, terrenos baldios e próximo aos contornos Norte e Sul – potencializando a proliferação do mosquito da dengue pela água parada.

“Num ecoponto, os objetos descartados poderiam ser aproveitados por outras pessoas”, diz Ana Domingues, presidente da ONG FUNVERDE. Ela defende a instalação de pelo menos quatro ecopontos e que eles sejam cobertos e vigiados.

A instalação, diz Ana, deve ser seguida pela intensificação na fiscalização. A medida já e cogitada pela prefeitura para coibir que o descarte continue ocorrendo de forma irregular. “Em conjunto com a Secretaria de Fazenda, vamos fazer uma fiscalização intensa para penalizar quem insistir no descarte irregular”, explica Oliveira, que planeja contar com câmeras de vigilância na fiscalização.

Bota-fora

Segundo a SEMUSP, os ecopontos vão coexistir com o bota-fora, que permite às pessoas deixar utensílios que não querem mais em frente às residências, em datas pré-agendadas. Apenas em duas ações, realizadas em fevereiro no Jardim Alvorada e no Conjunto Requião, foram recolhidas 220 toneladas de entulhos.

O bota-fora deste fim de semana será realizado em três locais: Vila Esperança e Vila Nova, no sábado, às 9h; e Avenida Brasil, no domingo.

Fonte – Luiz Fernando Cardoso, O Diário do Norte do Paraná de 04 de março de 2017

Coleta seletiva tem novos horários a partir desta semana

Clique nas imagens para visualizar em tamanho maior.

Serviço, que antes era terceirizado, passa a ser executado pela prefeitura de Maringá. Coleta será ampliada, com mudanças de datas nos bairros já atendidos.

A Secretaria de Serviços Públicos (SEMUSP) está reorganizando a coleta seletiva em Maringá. Nos últimos anos, a coleta era realizada por uma empresa terceirizada e, segundo a prefeitura, cobria meta dos bairros.

A partir desta semana, 12 caminhões da SEMUSP – sete caminhões compactadores e cinco furgões próprios para a reciclagem – começam a coletar materiais recicláveis em toda zona urbana, incluindo os distritos de Iguatemi e Floriano.

A prefeitura pede que os moradores fiquem atentos aos dias e horários em que os caminhões farão a coleta, que será realizada em períodos e dias especiais para cada bairro. As regiões que já eram atendidas tiveram rota alterada.

O que separar

A SEMUSP orienta a população que a coleta se restringe a plástico, papel, papelão, metal e vidro, devendo este ser embalado para que evitem cortes nos coletores.

Para os imóveis que não tem contêiner ou local específico para a destinação dos recicláveis, é importante que os materiais estejam separados das lixeiras onde são depositados o lixo orgânico.

Os recicláveis coletados pela SEMUSP serão repassados às sete cooperativas de Maringá. São mais de 150 cooperados que separam e comercializam os materiais para as indústrias de reciclagem.

A diretora de apoio a cooperativas de reciclagem da secretaria de meio ambiente, Vera Lucia Tasca, explica que as cooperativas precisam do material e que a população pode ajudar. “Além de propagar a sustentabilidade ambiental, os maringaenses contribuirão para a geração de renda de diversas famílias”, afirma.

Outras alternativas para destinação desses recicláveis são os ecopontos instalados em órgãos públicos, paróquias, associações e no comércio.

Já medicamentos vencidos, lâmpadas fluorescentes, pneus, óleos lubrificantes, pilhas e baterias deverão ser destinados aos revendedores, conforme legislação da logística reversa.

Fonte – O Diário do Norte do Paraná de 14 de fevereiro de 2017

Só uma correção: desde o ano passado, quando venceu o contrato com a empresa terceirizada, a coleta já era realizada pela prefeitura, já com esses 12 caminhões que eram da coleta convencional e que foram adaptados pela SEMUSP e os 5 caminhões baú, que foram adquiridos em agosto de 2016.

Nova rota da coleta seletiva em Maringá

Clique na imagem para visualizar no tamanho original.

Clique na imagem para visualizar no tamanho original.

Fique de olho, mudaram os dia de coleta seletiva em Maringá. Veja no mapa acima o dia da semana e o horário em que o caminhão da coleta seletiva irá passar em sua rua.

Outra mudança é que os caminhões irão passar no período diurno e noturno. Na tabela acima “D” representa coleta diurna das 7:30 às 16:30 e “N” representa coleta noturna das 17:30 às 02:30.

Multinacionais assinam compromisso para reciclagem de 70% das embalagens plásticas

Multinacionais assinam compromisso para reciclagem de 70% de embalagens plásticasFoto: Ingrid Taylar/Creative Commons/Flickr

Reunidas esta semana no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, 40 das maiores empresas mundiais de bens de consumo e alimentos, como Unilever, Proctor and Gamble, Coca-Cola e Danone assinaram um acordo em que se comprometem a fazer o reúso e reciclagem de 70% de suas embalagens plásticas.

A iniciativa chamada de New Plastics Economy é coordenada pela Ellen Macarthur Foundation, entidade que tem como missão principal acelerar a transição para uma economia circular, que extraia menos recursos naturais do planeta para produzir bens e gere menos lixo, e desta maneira, foque num futuro mais sustentável.

Um estudo divulgado há poucos dias pela iniciativa revelou que atualmente somente 14% das embalagens plásticas utilizadas pela indústria são recicladas. Outro ponto levantado pelo relatório é que 30% das embalagens usadas hoje – o equivalente a 10 bilhões de sacos de lixos por ano! -, precisam passar por um processo de inovação e redesign, pois elas simplesmente não podem ser recicladas. Caso contrário, elas continuarão tendo como destino aterros sanitários e lixos ou ainda, sendo incineradas.

Vale lembrar que no processo de fabricação do plástico consome muita energia, provocando assim a emissão de gases de efeito estufa, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Além disso, um dos principais componentes da matéria-prima é o petróleo, um combustível fóssil.

No ano passado, outro documento preparado pela New Plastics Economy mostrava que se nada for feito pelas indústrias, poderá haver mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050.

Fabricante de alimentos e produtos de limpeza, a multinacional Unilever afirmou que, até 2025, todas suas embalagens serão recicladas, reutilizadas ou produtivas com material compostável (que se decompõem naturalmente no meio ambiente).

“Precisamos transformar urgentemente as embalagens que usamos, se quisermos continuar a colher os benefícios deste material versátil, que é o plástico. Esta é uma oportunidade incrível para inovarmos e assim, podermos reutilizar e reciclar. Agora cabe a todos nós fazer isso”, afirmou Paul Polman, CEO da Unilever.

“Embalagens têm um impacto gigantesco em nosso planeta. Como uma empresa global de bens de consumo, precisamos encontrar maneiras de reduzir drasticamente os danos ambientais, bem como econômicos, de nossas embalagens de plástico”, disse Barry Parkin, diretor de sustentabilidade da Mars.

As empresas não revelaram entretanto, qual será o prazo que terão para se ajustar ao novo compromisso.

O plástico nos oceanos

O volume de resíduos plásticos jogado no mar já é tão grande, que há imensas ilhas de detritos e micropartículas plásticas boiando pelos oceanos dos cinco continentes. O impacto ambiental deste lixo sobre a vida marinha é catastrófico.

A cada ano, a produção de plástico aumenta no mundo. Em 1964, eram 15 milhões de toneladas. Em 2014, este número pulou para 311 milhões de toneladas.

A indústria alimentícia e de bens de consumo é a principal responsável por estes números. A iniciativa New Plastics Economy é bem-vinda, mas o consumidor também precisa fazer escolhas mais conscientes e colocar pressão sobre o mercado. Se a embalagem não é reciclável, não compre!

Outra mudança de comportamento essencial por parte do varejo é acabar com a distribuição de sacolas plásticas gratuitas, o que já acontece em muitos países, principalmente da Europa. Na Inglaterrra, em apenas seis meses, houve redução de 80% no uso de sacolas de plástico, depois que entrou uma lei em vigor cobrando 5 centavos de pound pela mesma. Os ingleses deixaram de usar 6 bilhões  de sacolas em seis meses! (leia matéria completa aqui). O resultado surpreendeu a todos: consumidores, supermercados, ambientalistas e principalmente, aqueles que criticavam a decisão do governo.

Fonte – Suzana Camargo, Conexão Planeta de 20 de janeiro de 2017

Brasil perde R$ 120 bilhões por ano ao não reciclar lixo

wCustos. Natura investe em refil, desenvolvimento de produtos e negociação com fornecedores para ser ambientalmente responsável

País gera quase 80 milhões de toneladas de rejeitos anualmente e só reaproveita 3% do total

A economia brasileira perde cerca de R$ 120 bilhões por ano em produtos que poderiam ser reciclados, mas são deixados no lixo. “Geramos no país quase 80 milhões de toneladas de rejeitos por ano, e reciclamos apenas 3%”, diz o especialista em economia circular e sustentabilidade e coordenador do grupo de resíduos sólidos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Paulo Da Pieve.

Em Belo Horizonte, a reciclagem atinge 1,5% do lixo gerado, segundo o empresário Ronaldo Carvalho, da Tecscan, que produz equipamentos para processamento de resíduos sólidos. Esse é um dos desafios que as empresas brasileiras enfrentam para se tornarem mais sustentáveis ambientalmente. “Falta investimento na indústria de reciclagem. A oferta pequena acaba encarecendo o produto”, diz Da Pieve.

Outro problema é a queda do preço do petróleo no mundo, o que faz com que a matéria prima nova fique tão ou mais barata que o produto reciclado. “A dispersão dos materiais pós-consumo onera a etapa de logística reversa, prejudicando ainda mais a competitividade desses materiais. Para piorar, os plásticos derivados de insumos petroquímicos ficaram mais competitivos com a queda do preço do barril de petróleo, o que torna menos vantajoso o uso de material reciclado”, explica o gerente de sustentabilidade da Natura, Keyvan Macedo.

Em outros países, como a Alemanha – que desde 2010 já recicla mais de 50% do seu lixo –, existem subsídios para as empresas que utilizam material reciclado. “No Brasil não tem incentivo. Pelo contrário, tem uma tributação que o encarece. O imposto incide no produto quando ele é matéria prima e depois, quando é reciclado”, diz Da Pieve. Segundo Carvalho, no caso do plástico, chegam a incidir oito impostos. “Não existe o incentivo fiscal necessário para estimular o desenvolvimento dessa cadeia de materiais”, diz Macedo. A alta dos custos atinge também o papel reciclado, que chega a custar até três vezes mais do que o convencional.

Para Da Pieve, o consumidor brasileiro ainda tem pouca consciência da importância ambiental de consumir produtos com material reciclado e acaba focando apenas no preço. O diretor comercial da Fleurity, que produz coletores menstruais, Carlos Dieter, concorda. “Uma parte dos consumidores busca o coletor por causa da questão ambiental, mas a grande maioria quer economizar”, afirma Dieter. Um coletor menstrual, comparado com o uso do absorvente convencional, se paga em cerca de seis meses e reduz, em um ano, até 4 kg de lixo gerado por uma única pessoa.

O gerente da Natura, porém, pondera. “O consumidor brasileiro está cada vez mais atento à origem dos materiais e aos modos de produção daquilo que consome”, diz o gerente.

NÚMEROS

US$ 102,5 custo médio da tonelada na coleta seletiva

US$ 25 custo médio da tonelada de lixo regular, diz o Cempre

Indústria – Reciclagem é mais difícil com lixões

O desrespeito à Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei nº 12.305/10), que prevê o fim dos lixões nos municípios, dificulta o desenvolvimento da indústria de reciclados no Brasil. “Hoje, apenas metade do lixo produzido no Brasil vai para aterros sanitários”, conta o empresário Ronaldo Carvalho, da empresa de equipamentos de trituração de resíduos sólidos Tecscan.

A construção dos aterros sanitários facilita a reciclagem do produto descartado. Porém, muitas prefeituras não se adaptaram à lei, que previa o descarte de todo o lixo do país em aterros sanitários até 2014. Com isso, o Senado, em 2015, prorrogou o prazo de adaptação à lei. Os municípios passaram a ter de 2018 a 2021 para se adequarem à lei, de acordo com o seu tamanho.

“Na Europa, muitos países proibiram a construção de novos aterros sanitários porque reciclam até 90% do seu resíduo. Nós ainda não conseguimos a adoção deles”, diz Carvalho.

Alternativas – Embalagem reduzida corta custos

Para garantir a responsabilidade ambiental, a Natura busca diminuir as embalagens. “Dentro do processo de desenvolvimento de produtos, reduzimos o consumo de materiais de embalagens e incorporamos o material reciclado pós-consumo”, conta o gerente de sustentabilidade da companhia, Keyvan Macedo.

Outras soluções envolvem a negociação com fornecedores e o uso de refil. “Buscamos melhorar os custos das embalagens que utilizam material reciclado trabalhando em parceria com nossos fornecedores para construir cadeias de fornecimento. Também disponibilizamos refil desde 1983. Com isso, o consumidor tem acesso a produtos com custo mais acessível, já que o refil utiliza menos material de embalagem”, conclui.

Fonte – Ludmila Pizarro, Jornal O Tempo de 16 de janeiro de 2017

Prefeitura inicia projeto para aumentar número de cooperados e volume de coleta seletiva no município


Servidores da secretaria visitam as sete cooperativas de materiais recicláveis para diagnosticar a estrutura e as atuais condições de trabalho dos 20 cooperados, em média, de cada uma delas. CRÉDITO: Divulgação/Sema

Dobrar o volume de coleta de materiais recicláveis, melhorar o fluxo e a qualidade dos produtos coletados, aumentar o número de trabalhadores no setor, elevar a renda e promover melhor qualidade de vida para os cooperados. Estas são algumas das propostas que constam no projeto de educação ambiental que vem sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Apoio à Cooperativas de Reciclagem, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente de Maringá.

De acordo com a diretora Vera Lúcia Menegoti Tasca, nesta primeira etapa do projeto, servidores da secretaria estão realizando visitas às sete cooperativas de materiais recicláveis para diagnosticar a estrutura e as atuais condições de trabalho dos 20 cooperados, em média, de cada uma delas. Na sequência será feita a distribuição de um material gráfico simples, objetivo e enxuto mostrando a proposta para os cooperados e lideranças dos bairros, em reuniões envolvendo representantes de igrejas, escolas e outras instituições locais.

O processo de treinamento com o pessoal das cooperativas será realizado em parceria com a Sala do Empreendedor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. “Nesse treinamento será proposto o desenvolvimento do sistema de auto-gerenciamento entre os cooperados, com noções de empreendedorismo, criatividade e correta segregação dos materiais coletados para obtenção de melhor qualidade e, consequentemente, melhor preço de venda”, explica.

Harmonia no trabalho

Outro fator importante do projeto prevê melhorias no relacionamento interpessoal dos cooperados para a realização de um trabalho em equipe e que possa resultar na conquista de um objetivo comum: melhor qualidade de vida e de meio ambiente para toda a comunidade.

Numa etapa futura, de aprimoramento, o projeto propõe se estender para outras áreas – como a industrial, comercial e outros segmentos de geradores – em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim).

“Nossa proposta é fazer com que vá para o Aterro Sanitário apenas o que é considerado rejeito. Para isso, procuramos sensibilizar a questão da responsabilidade pós-consumo do setor produtivo, fazendo com que todos façam o descarte correto de embalagens e invistam na coleta adequada de materiais recicláveis, conforme determina a lei federal da Política Nacional de Resíduos”, assinala a diretora.

Atualmente a coleta de materiais recicláveis em Maringá é feita pelas cooperativas Cooperpalmeiras, Coopermaringá, Coopernorte, Associação Coopercicla e Cooperambiental, além da Coopercanção (sucatas eletrônicas) e Coopervidros (Coleta de Vidros).

Fonte – SEMA de 17 de janeiro de 2017

Excesso de fungos em lixo reciclável coloca em risco saúde de catadores

Trabalho coletaAo fazer o descarte, é recomendável limpar as embalagens e deixá-las sem restos de alimentos, pois isso leva à proliferação de fungos – Foto: Reprodução

Para tirar sua renda do lixo, catadores de recicláveis precisam revirar sacos contendo plásticos, papelões, latas de alumínio e vidros e separar esses materiais por tipo, para depois vender a empresas especializadas. Durante esta manipulação, porém, eles podem acabar expostos a substâncias e organismos prejudiciais à saúde humana. Entre as ameaças estão altas concentrações de fungos que causam doenças respiratórias e de pele.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina como limite para a presença de fungos em ambiente fechado a medida de 750 Unidades Formadoras de Colônia por Metros Cúbicos (UFC/m3). Ao analisar o ar circulante em cinco ambientes de três cooperativas de reciclagem da cidade de São Paulo, a farmacêutica Gisele Ferreira de Souza chegou a encontrar 751 UFC/m3 em uma das esteiras (local onde os materiais passam durante a triagem de materiais).

Parece pouco, mas a pesquisadora adverte: é preciso rever os índices da legislação nacional. “As legislações internacionais são atualizadas regularmente e apresentam limites bem inferiores aos da Anvisa. A Organização Mundial de Saúde determina 500 UFC/m3. E a American Conference of Governmental Industrial Hygienists determina 250 UFC/m³. Ou seja, a quantidade de fungos encontrada na esteira de uma das cooperativas de São Paulo foi três vezes maior que o permitido”, alerta Gisele. Das 15 amostras analisadas, 14 apresentaram resultados superiores a 250 UFC/m3.

ColetaCatadores recebem da Prefeitura de São Paulo equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscara, bota e luva, mas nem todos se adaptam ao uso – Foto: Reprodução

Os dados foram obtidos durante a tese de doutorado Avaliação ambiental nas cooperativas de materiais recicláveis, defendida por Gisele em 2015 na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob a orientação do professor Nelson da Cruz Gouveia.

A quantidade de fungos encontrada na esteira de uma das cooperativas de São Paulo foi três vezes maior que o permitido em legislações internacionais.

Monitoramento do ar

Foram visitadas 11 cooperativas e em três delas foi realizado o monitoramento do ar: a Cooperação, na Vila Leopoldina, a Cooper Viva Bem, na Água Branca, e a Coopere, no Centro. A pesquisadora utilizou um aparelho chamado amostrador, que suga o ar do ambiente, e que foi colocado em cinco pontos nas três cooperativas, sempre na altura dos narizes dos catadores (cerca de 1,5 metros do solo): cozinha, escritório, prensa, esteira e sala de resíduos eletroeletrônicos.

As coletas foram realizadas de agosto de 2013 a julho de 2014. Após exposição por 10 minutos, durante cinco dias, as amostras foram fechadas e enviadas ao Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP para análise. O procedimento foi executado por profissionais, em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Fundação Jorge Duprat e Figueiredo (Fundacentro) e o Instituto Adolfo Lutz.

Foi constatada a presença dos fungos Aspergillus spp., Fusarium spp., Penicillium spp., Cladosporium ssp., Nigrospora ssp., Rhizopus ssp., Mucor spp., e fungos não esporulados. Os três primeiros são toxigênicos (ao decompor um alimento, eles podem liberar micotoxinas, substâncias químicas tóxicas para o ser humano). O mais tóxico é o Aspergillus spp. e foi exatamente este o fungo mais encontrado nas amostras: ele causa arpergilose, doença que gera problemas respiratórios e na pele. Já o Mucor spp. não é toxigênico.

Gisele explica que as cooperativas são associadas à Prefeitura de São Paulo e todas recebem equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscara, bota e luva. Mas os catadores não se adaptam e poucos utilizam. “Eles falam que a luva e a máscara são quentes, que a luva faz perder a sensibilidade do tato, o que os leva a produzir menos e, com isso, ganhar menos. Mas a bota ainda conseguem utilizar”, informa.

A pesquisadora também analisou a presença de metais na poeira depositada no solo de alguns pontos das cooperativas mas os resultados indicaram baixíssima presença desses metais. Todas essas cooperativas participaram do curso Eco-Eletro, desenvolvido pelo Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Escola Politécnica (Poli) da USP em parceria com o Instituto GEA Ética e Meio Ambiente, e que ensina a desmontagem segura e rentável de eletroeletrônicos. “Acredito que esses resultados são decorrentes do curso Eco-eletro. Os catadores não quebram e nem aquecem os eletroeletrônicos, somente desmontam os equipamentos.”

Gisele também aplicou questionários em que os catadores responderam sobre dados gerais, hábitos alimentares, condição de saúde (presença de prurido ou alergias), etc. “Constatamos muita dermatite de contato e problemas respiratórios, como tosse e coriza”, conta. O estudo identificou uma população na faixa etária dos 40 anos, com escolaridade de nível básico e maior participação de mulheres. As doenças mais referidas foram as relacionadas ao sistema respiratório e doenças crônicas não transmissíveis.

Para a pesquisadora, é preciso melhorar a iluminação e a ventilação das cooperativas e estimular o uso de EPIs. Medicamentos nunca devem ser descartados para reciclagem e sim em pontos de coleta como descarte consciente. As embalagens devem ser limpas, sem restos de alimentos, pois isso leva à proliferação de fungos. “Vale lembrar que os ambientes das cooperativas são muito quentes e úmidos, condições essenciais para o crescimento de muitos fungos que são normalmente encontrados em alimentos”, enfatiza.

Micotoxinas

Gisele recomenda que a população se evite o descarte de alimentos junto com os recicláveis, pois podem estar contaminados com micotoxinas derivadas de fungos. Em um outro estudo, realizado durante o mestrado defendido na Universidade Estadual de Maringá, a farmacêutica analisou o plantio, a colheita e o armazenamento de duas safras de amendoim, constatando que muitas amostras estavam contaminadas por fungos já no armazenamento.

Atualmente, a pesquisadora busca financiamento coletivo (crowfunding) para desenvolver o protótipo de um aparelho capaz de eliminar as micotoxinas.

Fontes – Valéria Dias, TV USP, IHU de 06 de janeiro de 2017