Cinco gráficos que explicam como a poluição por plástico ameaça a vida na Terra

Chinês com garrafas de plásticoEstima-se que uma média de 10 milhões de toneladas de resíduos de plástico vão parar no mar todos os anos. GETTY IMAGES

A vida marinha corre o risco de sofrer danos irreparáveis em decorrência de milhões de toneladas de resíduos de plástico que vão parar no mar todos os anos.

“É uma crise planetária. Estamos acabando com o ecossistema oceânico”, afirmou à BBC Lisa Svensson, diretora de oceanos do programa da ONU para o Meio Ambiente.

Diante do alerta, a BBC preparou cinco gráficos para explicar como o plástico se transformou em uma ameaça ao meio ambiente e mostrar a dimensão do estrago que ele pode causar ao ser descartado no oceano.

Por que o plástico é problemático?

O plástico da forma que conhecemos existe há cerca de 70 anos. E, desde então, o uso desse material tem transformado muitas áreas – da confecção de roupas à culinária, passando pela engenharia, design e até o comércio varejista.

gráfico sobre a quantidade de plástico espalhada pela terra

Uma das grandes vantagens de muitos tipos de plástico é o fato de que são projetados para durar mais – por muitos e muitos anos.

Praticamente todo plástico já produzido continua existindo, mesmo que não esteja em seu formato original.

Em artigo publicado na revista acadêmica Science Advances, em julho, o pesquisador Roland Geyer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, estima em 8,3 bilhões de toneladas a quantidade de plástico já produzida no mundo.

Desse total, cerca de 6,3 bilhões de toneladas são classificadas como resíduos – e 79% estariam em aterros ou na natureza. Ou seja, pouco material é reciclado ou reaproveitado.

A grande quantidade de resíduos de plástico é resultado do estilo de vida moderno, em que o plástico é usado como matéria-prima para diversos itens descartáveis ou “de uso único”, como garrafas de bebida, fraldas, cotonetes e talheres.

Mapa indicando a alta concentração de plástico em diferentes oceanos

4 bilhões de garrafas de plástico

Garrafas de bebida são um dos tipos mais comuns de resíduos de plástico.

Estima-se que 480 bilhões de garrafas tenham sido vendidas em todo o mundo até 2016 – o que representa 1 milhão de garrafas por minuto.

Somente a Coca-Cola foi responsável por produzir 110 bilhões de garrafas de plástico.

Alguns países têm discutido maneiras de diminuir o consumo do material. O Reino Unido, por exemplo, debate oferecer água potável de graça nas grandes cidades e criar unidades para devolução de plástico.

Gráfico sobre garrafas plásticas

Que quantidade de plástico vai para o mar?

Calcula-se que 10 milhões de toneladas de plástico vão parar no mar todos os anos.

Em 2010, pesquisadores do Centro de Análises Ecológicas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, contabilizaram 8 milhões de toneladas – e estimaram 9,1 milhões de toneladas para 2015.

O mesmo estudo, publicado na revista acadêmica Science em 2015, analisou 192 países com território à beira-mar que estão contribuindo para o lançamento de resíduos de plástico nos oceanos. E descobriu que 13 dos 20 principais responsáveis pela poluição marinha são nações asiáticas.

Enquanto a China está no topo da lista, os Estados Unidos aparecem na 20ª posição.

O Brasil ocupa, por sua vez, o 16º lugar do ranking, que leva em conta o tamanho da população vivendo em áreas costeiras, o total de resíduos gerados e o total de plástico jogado fora.

O lixo plástico costuma acumular em áreas do oceano onde os ventos provocam correntes circulares giratórias, capazes de sugar qualquer detrito flutuante. Há cinco correntes desse tipo no mundo, mas uma das mais famosas é a do Pacífico Norte.

Gráfico mostra o que pode acontecer com cotonetes

Os detritos da costa dos Estados Unidos levam, em média, seis anos para atingir o centro dessa corrente. Já os do Japão podem demorar até um ano.

As cinco correntes apresentam normalmente uma concentração maior de resíduos de plástico do que outras partes do oceano. Elas promovem ainda um fenômeno conhecido como “sopa de plástico”, que faz com que pequenos fragmentos do material fiquem suspensos abaixo da superfície da água.

Além disso, a decomposição da maioria dos resíduos de plástico pode levar centenas de anos.

Existem, no entanto, iniciativas para limpar a corrente do Pacífico Norte. Uma operação liderada pela organização não-governamental Ocean Cleanup está prevista para começar em 2018.

Por que é prejudicial à vida marinha?

Para aves marinhas e animais de maior porte – como tartarugas, golfinhos e focas -, o perigo pode estar nas sacolas de plástico, nas quais acabam ficando presos. Esses animais também costumam confundir o plástico com comida.

Tartarugas não conseguem diferenciar, por exemplo, uma sacola de uma água-viva. Uma vez ingeridas, as sacolas de plástico podem causar obstrução interna e levar o animal à morte.

Gráfico indicando o tempo de decomposição de cada tipo de material

Pedaços maiores de plástico também causam danos ao sistema digestivo de aves e baleias – e são potencialmente fatais.

Com o tempo, os resíduos de plástico são degradados, dividindo-se em pequenos fragmentos. O processo, que é lento, também preocupa os cientistas.

Uma pesquisa da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, mostrou que resíduos de plástico foram encontrados em um terço dos peixes capturados no Reino Unido, entre eles o bacalhau.

Além de resultar em desnutrição e fome para os peixes, os pesquisadores dizem que, ao consumir frutos do mar, os seres humanos podem estar se alimentando, por tabela, de fragmentos de plástico. E os efeitos disso ainda são desconhecidos.

Em 2016, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar alertou para o crescente risco à saúde humana, dada a possibilidade de micropartículas de plástico estarem presentes nos tecidos dos peixes comercializados.

Fonte – BBC Brasil de 16 de dezembro de 2017

Nesse verão, dispense o canudinho

Hoje começa oficialmente o verão e o WWF-Brasil te convida a fazer uma reflexão: o que cada um de nós pode fazer para reduzir o plástico nos oceanos?

A poluição marinha é um problema global, que afeta pelo menos 267 espécies marinhas em todo o mundo. Empresas e Governo têm suas responsabilidades, mas nós, a sociedade civil, também podemos – e devemos – fazer algo para mudar esse cenário.

O WWF-Brasil atua com o tema desde 2016, através do projeto Plástico Vale Ouro, que busca reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.

E você? Que tal ajudar também com um simples gesto: diga não aos canudinhos!

Se você é dono de um negócio, também pode diminuir a geração de resíduos plásticos no seu estabelecimento ou zerar completamente a geração deste tipo de lixo, juntando-se ao projeto Straw Wars (Guerra aos Canudos, em tradução livre).

Fontes

Relatório de 2016 do Fórum Econômico Mundial de Davos + Fundação Ellen MacArthur
Livro Plastiki, Across the Pacific on Plastic: An Adventure to Save Our Oceans, de David de Rothschild

Matéria de 2015 do Daily Mail entrevistando o pesquisador Richard Thompsom da Universidade de Plymout

Taís Meireles, WWF Brasil de 21 de dezembro de 2017

Fibras plásticas na água encanada de todo o mundo

Microplastico

Testes mostram que bilhões de pessoas globalmente estão bebendo água contaminada por partículas plásticas, com 83% das amostras detectadas estarem poluídas.

 

Woman filling a glass of water from a stainless steel or chrome tap or faucetO número médio de fibras detectadas em cada 500ml de amostra de água fica entre 4,8 nos EUA a 1,9 na Europa. Photograph: Michael Heim/Alamy

A contaminação com microplásticos detectada na água encanada das residências vem sendo observada em todo o mundo, levando a despertar nos cientistas a necessidade urgente de pesquisas de sua implicação sobre a saúde humana.

Os resultados das amostras de água encanada de mais de uma dezena de nações, foram analisadas por cientistas para uma investigação promovida pela organização midiática Orb Media (investigation by Orb Media), que compartilhou as descobertas com o The Guardian. No geral, 83% de todas as amostras estavam contaminadas com fibras plásticas.

A análise: Nós estamos vivendo num planeta plástico. Mas o que significará isso para nossa saúde?

Novos estudos revelam que minúsculas partículas, fibras, plásticas estão por todos os lugares. Não só nos nossos oceanos, mas na terra, além dos aterros também. Precisamos agora, urgentemente, descobrir como elas entram em nosso comida, estão em suspensão na atmosfera e na água encanada que bebemos. E, destacadamente, quais os efeitos que têm sobre todos nós.

Os EUA tem a contaminação com a taxa mais elevada: 94%. Fibras plásticas foram encontradas em água encanada, em locais amostrados como os prédios do Congresso Nacional, nos escritórios centrais da US Environmental Protection Agency/EPA (nt.: ou seja, na sede da agência que deveria ser a de proteção ambiental dos EUA!) e na Trump Tower em New York. Líbano e Índia vêm depois com as taxas mais altas.

As nações europeias incluindo o Reino Unido, Alemanha e França têm as taxas mais baixas de contaminação, mas elas estão ainda assim nos 72%. O número médio de fibras detectados em cada 500 ml de amostras fica entre 4,8 nos EUA e 1,9 na Europa (Europe).

Novas análises indicam a ubiquidade da extensão da contaminação com os microplásticos (microplastic contamination) no ambiente global. Trabalhos anteriores vêm focando especificamente sobre a poluição dos oceanos pelos plásticos, sugerindo de que as pessoas estariam literalmente comendo microplástico via contaminação dos frutos do mar.

“Temos dados suficiente pela observação da vida selvagem e os impactos que isso está trazendo a todos os seres do planeta, demonstrando ser preocupantes,” disse a Dra. Sherri Mason, especialista em microplásticos junto à State University of New York em Fredonia, e que supervisionou as análises para a entidade Orb. “Se isso está impactando [a vida selvagem], como não imaginar o quanto isso tudo não está impactando a todos nós?”

A magnified image of clothing microfibres from washing machine effluent.Uma imagem magnífica de microfibras de roupas lavadas originárias do efluente de uma máquina de lavar roupas. Uma pesquisa detectou que uma jaqueta de ‘fleece‘ pode liberar mais do que 250.000 fibras por lavagem. Photograph: Cortesia do Rozalia Project

Uma pequena pesquisa separada feita na República da Irlanda, liberada em junho, também detectou contaminação de microplásticos em muitas amostras de água encanada e mesmo em poços. “Não sabemos que impacto tem sobre a saúde e por esta razão devemos perseguir o princípio da precaução e colocar muitos esforços nisso agora, imediatamente, assim poderemos ainda descobrir quais são os riscos reais, disse a Dra. Anne Marie Mahon do Galway-Mayo Institute of Technology, que conduziu a pesquisa.

A poluição de plásticos periga ‘estar muito próxima de ser uma contaminação permanente do ambiente natural’

A Dra. Mahon disse haver duas preocupações principais: o tamanho minúsculo das partículas plásticas e as substâncias químicas ou patógenos que os microplásticos possam albergar. “Se as fibras estão lá, é bem possível que as nanopartículas também estejam aderidas a elas, sendo difícil medi-las,” diz ela. “Uma vez que elas estão no padrão nanométrico, elas podem realmente penetrar em uma célula e isso significa que elas podem penetrar em órgãos e isso será preocupante.” As análises da Orb capturaram partículas com mais de 2,5 mícrons de tamanho, 2.500 vezes maiores que um nanômetro.

Microplásticos podem atrair bactérias encontradas nos esgotos, sobre o que a Dra. Mahon diz: “Alguns estudos têm mostrado haver mais patógenos prejudiciais sobre os microplásticos nos fluxos das águas tratadas nas estações de tratamento de esgotos.”

 

Os microplásticos também são conhecidos por conterem e absorverem moléculas de substâncias tóxicas e pesquisas sobre animais selvagens mostram que elas são liberadas no organismo. O Prof Richard Thompson, da Plymouth University, Reino Unido, conta à Orb: “Muito cedo já tinha ficado claro que o plástico liberaria esses produtos químicos e que, na verdade, as condições no intestino facilitariam uma liberação bastante rápida.” Sua pesquisa mostrou que os microplásticos são encontrados em um terço dos peixes capturados no Reino Unido.

A escala global da contaminação por microplástico somente começa a se tornar clara com as pesquisas alemãs quanto à presença de fibras e fragmentos em todas 24 marcas de cerveja que analisaram (fibres and fragments in all of the 24 beer brands), bem das que fizeram sobre mel e açúcar (honey and sugar). Em 2015, em Paris, pesquisadores descobriram microplástico caindo do ar (microplastic falling from the air). Foi estimado estar sendo depositado numa variação entre três a 10 toneladas (nt.: que ‘chove’) sobre a cidade a cada ano, estando também presente na atmosfera da casa das pessoas (also present in the air in people’s homes).

A pequisa liderada por Frank Kelly, professor de saúde ambiental do King’s College London, responde ao inquérito proposto no parlamento do Reino Unido (tell a UK parliamentary inquiry) em 2016: “Se os inspirarmos, poderão liberar potencialmente, substâncias químicas nas partes inferiores de nossos pulmões e talvez penetrem em nosso organismos via o sistema circulatório.” Analisando os dados geradas pelo trabalho da Orb, Kelly diz ao ‘The Guardian” que pesquisas precisam urgentemente ser feitas para determinarem se a ingestão de partículas plásticas são um risco sobre a saúde de todos.

Uma nova pesquisa testou 159 amostras usando uma técnica padrão para eliminar contaminações de outras fontes e foi feita pela Universidade de Minnesota, na Escola de Saúde Pública (Health). As amostra vieram de todo o mundo, incluindo Uganda, Equador e Indonésia.

Do mar para o prato: como o plástico se introjeta em nosso peixe

Como os microplásticos terminam na água potável é, por enquanto, um mistério. No entanto, a atmosfera é uma fonte óbvia, com as fibras se desprendendo pelo desgaste de cada roupa e dos carpetes. Secadores de roupas são outra fonte potencial, com quase 80% das residência tendo este equipamento nos EUA, e que usualmente têm sua ventoinha voltada para o ar exterior.

“Pensamos que os lagos [e outros mananciais hídricos] possam estar contaminados pelas contribuições cumulativas oriundas da atmosfera,” diz Johnny Gasperi, da Universidade Paris-Est Créteil, que fez as pesquisas em Paris. “O que observamos nesta cidade tende a demonstrar quão imensa é a quantidade de fibras que estão presentes nas precipitações atmosféricas.”

As fibras plásticas podem também ser carreadas para os sistemas hídricos, depois das constatações feitas em recente estudo, onde se viu que cada ciclo da máquina de lavar roupa pode liberar 70.000 fibras (cycle of a washing machine could release 700,000 fibres) para o ambiente. As chuvas podem carrear também a poluição dos microplásticos, que pode ser percebida porque nas fontes e poços caseiros, na Indonésia, constatou-se estarem contaminados.

Em Beirute, Líbano, os suprimentos de água são oriundos de fontes naturais, no entanto 94% das amostras estavam contaminadas. “Esta pesquisa somente toca na superfície desta realidade, mas parece já fazer muita comichão,” diz Hussam Hawwa, da organização de consultoria ambiental Difaf, que coletou as amostras para a Orb.

This planktonic arrow worm, Sagitta setosa, has eaten a blue plastic fibre about 3mm long.Este zoo plâncton, Sagitta setosa, ingeriu uma fibra plástica azul de mais ou menos uns 3 mm. Os plânctons sustentam toda a cadeia alimentar marinha. Photograph: Richard Kirby/Courtesy of Orb Media

O atual sistema padrão dos sistemas de tratamento de água não filtram todos os microplásticos, diz a Dra. Mahon: “Não há nenhum lugar onde se possa dizer que foram 100% retidos. Em termos de fibras, o diâmetro é de 10 microns e seria muito raro encontrar este nível de detecção de filtragem em nossos sistemas de tratamento de água potável.”

Água engarrafada pode não resolver esta alternativa de ser livre de microplásticos ao ser comparada com a água encanada já que nela também foram encontrados pela Orb em poucas amostras de águas comerciais nos EUA.

38 milhões de pequenos pedaços de lixo plástico foram detectados em uma ilha inabitada do Pacífico Sul

Quase 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano. Com exatos 20% reciclado ou incinerado, muito dele acaba indo para o ar, terra e água. Um relatório de julho deste ano, 2017, (report in July) detectou que 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas desde os anos 50, com o que os pesquisadores ficam receosos de que os lixo plástico se torne ubíquo em todo o ambiente global.

“Estamos cada vez mais sufocando os ecossistemas com o plástico e estou realmente muito preocupado que poderá haver todo o tipo de consequências não intencionadas e adversas que somente descobriremos quando já for tarde demais,” diz o Prof. Roland Geyer, da Universidade da Califórnia e Santa Bárbara, e quem conduziu a pesquisa.

A Dra. Mahon disse que as novas análises da água potável levantou a bandeira vermelha, mas que é necessário mais pesquisas para se replicar os resultados, encontrar as fontes de contaminação e avaliar os possíveis impactos sobre a saúde (nt.: o nosso website propõe aos leitores que cada um e todos façam o se deve fazer: IMEDIATA INTERRUPÇÃO DE QUAISQUER USOS DE PLÁSTICO QUANDO PUDERMOS OPTAR!! É a visão da ação de precaução e não de remediação. Este é o nosso convite!).

Ela diz que os plásticos são muito úteis, mas o manejo dos resíduos (nt.: no que se tornam por esta visão de uso único e descartável desta sociedade) deve ser dramaticamente melhorado: “Precisamos do plástico em nossa vida, mas somos nós que estamos gerando o dano por descartá-lo de maneiras muito descuidadas.” (nt.: colocamos em cheque este posicionamento técnico porque não esta posta a questão dos plastificantes e dos aditivos que tornam todos os plásticos extremamente perigosos e prejudiciais. Como tirar estas substâncias que dão a ‘qualidade’ a estas resinas??).

Nota da tradução – materiais anteriores publicados pelo website, dentre eles:

Nossos corpos estão se impregnando com plásticos e Festas, Yoga e Outras Vestimentas)

We are living on a plastic planet. What does it mean for our health?

Plastic fibres found tap water around world study reveals

Fonte – Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, Nosso Futuro Roubado de dezembro de 2017.

Efeitos da proibição de sacolas plásticas já são percebidos no litoral do Quênia

Efeitos da proibição de sacolas plásticas já são percebidos no litoral do Quênia

O objetivo é aumentar os esforços de conservação ambiental ao longo do litoral

Funcionários do parque marinho Melinde, no Quênia, elogiaram a recente proibição do uso de sacolas plásticas imposta pelo governo do país com o objetivo de aumentar os esforços de conservação ambiental ao longo do litoral. De acordo com eles, a quantidade de lixo plástico que chega ao oceano já caiu drasticamente dez semanas após o banimento.

“A proibição realmente ajudou nossa equipe na conservação do parque marinho e das praias de areia. Esperamos que a NEMA (Autoridade Nacional de Gestão Ambiental, na sigla em inglês) estenda a proibição às garrafas plásticas descartáveis ou limite seu uso”, disse a conselheira sênior do parque, Jane Gitau.

Durante uma ação de limpeza ao longo da praia de Coco, em Watamu, a equipe coletou 534 quilos de lixo plástico, um número muito menor do que havia sido coletado há dois meses.

Gitau afirmou que a maior parte dos resíduos coletados eram garrafas plásticas, provavelmente de visitantes da praia. “Sacolas plásticas são a principal causa da morte de tartarugas, elas confundem sacos plásticos com medusas, enquanto as garrafas plásticas costumam prendê-las até a morte”, disse ela.

De acordo com a conselheira do parque, as sacolas plásticas são, em parte, responsáveis pela diminuição das populações de peixes ao longo do litoral do Quênia. Ela lembrou que esses produtos “geralmente sufocam recifes de corais destinados a gerar alimentos para peixes, além de atuar como assentamento”.

Hoteleiros e trabalhadores da região também participaram da ação de limpeza organizada pelo Kenya Wildlife Service (KWS) com o objetivo de livrar as praias da poluição plástica.

Fonte – CicloVivo de 07 de dezembro de 2017

Proibir microplásticos em cosméticos e IVA mais alto para plásticos descartáveis são as propostas da Quercus

A Quercus quer a proibição dos microplásticos nos cosméticos e que se passe a aplicar uma taxa de IVA de 23% nos materiais descartáveis

A Quercus pediu ao ministro do Ambiente que se passe a aplicar uma taxa de IVA de 23% para todos os produtos em plástico descartável e uma taxa de IVA mais reduzida de 13% para todos os materiais reutilizáveis, para além da proibição dos microplásticos nos produtos cosméticos e de higiene pessoal, a partir de janeiro de 2021.

Estas propostas foram lançadas durante a Semana Europeia da Prevenção de Resíduos (The European Week for Waste Reduction), que decorre do dia 18 a 26 de novembro.

O consumo de produtos descartáveis tem vindo a aumentar, de acordo com a Quercus, estudos recentes mostraram que em Portugal se consome por ano 259 milhões de copos de café, 10 biliões de beatas de cigarros, 40 milhões de embalagens de take-away, 1 bilião de palhinhas de plástico (suficientes para dar a volta ao planeta cinco vezes) e 721 milhões de garrafas descartáveis.

Os microplásticos (pequenas partículas de plástico com menos 5 mm) são um ingrediente comum em muitos cosméticos e produtos de higiene pessoal (em esfoliantes do rosto, corpo, cabelo e em pastas de dentes) ou são o resultado da degradação de objetos maiores (cotonetespalhinhassacos de plástico descartáveis). Estes materiais podem ser também usados em processos industriais, onde são lançados sob alta pressão para remover os depósitos e resíduos, acabando por ser lavados para uma rede de esgotos. Estas partículas são demasiadamente pequenas para serem completamente filtradas nos sistemas de tratamento e acabam no mar.

Estas partículas ameaçam a biodiversidade marinha, e ao entrarem na cadeia alimentar dos animais, acabam também por entrar na cadeia alimentar humana através do consumo de peixe, o que constitui um risco para a saúde. As micropartículas de plástico já foram encontradas no sal, algas, peixes e aves.

No início de junho de 2017, a Ministra do Ambiente da Suécia, Karolina Skog, anunciou a proibição da venda dos produtos cosméticos que contêm microplásticos na sua composição.

A associação apela a que haja uma maior preocupação com os produtos que adquirimos, através de medidas que permitam ajudar na mudança de hábitos de consumo, contribuindo para a proteção do ambiente marinho e da saúde.

A Quercus propõe a regulação das seguintes categorias de descartáveis:

Plástico:

  • Talheres e copos de plástico;
  • Tampas;
  • Copos e taças rígidas;
  • Caixas de plástico para alimentos;
  • Sacos (< 50 microns);
  • Filme (película);
  • Palhinhas.

Esferovite:

  • Copos, contentores e pratos de espuma;
  • Caixas e contentores (pesca);
  • Artes de pesca.

Artigos de festa:

  • Balões (Latex) (alternativa: balões de resina biodegradável);
  • Confettis, serpentinas de plástico e de papel plastificado (alternativas: confettis e serpentinas de papel).

Fonte – The UniPlanet de 19 de novembro de 2017

Poluímos tanto o ambiente com plástico que ele já está presente no ar que respiramos

Fragmentos de plástico na praia

A poluição causada pelos plásticos que usamos está tão disseminada que já há fibras deste material no pó das casas e no ar que respiramos

A poluição causada pelos plásticos que usamos está de tal forma disseminada que já há partículas deste material no pó das nossas casas e no ar que respiramos. Segundo os investigadores, uma das grandes fontes do plástico no ar são as fibras das roupas de tecidos sintéticos.

Outras fontes incluem os detritos deste material, os resíduos levados dos aterros pelo vento, os cones de sinalização e as lombas rodoviárias, que se vão deteriorando e fragmentando em pedaços minúsculos com a luz do Sol, o vento e a água.

Muitas destas partículas vão parar aos cursos de água, mas, graças ao seu tamanho reduzido, podem ser arrastadas para o ar, entrando na atmosfera e sendo posteriormente depositadas pela chuva, por exemplo, na poeira urbana.

“A maioria das pessoas não terá conhecimento de que há partículas minúsculas de plástico no pó das estradas e no ar. Estas são conclusões preliminares e ainda não foi realizada qualquer investigação aprofundada para determinar se existe algum risco significativo para a saúde humana”, disse Tamara Galloway, professora e especialista em ecotoxicologia da Universidade de Exeter.
Embora ainda não se conheçam os impactos na saúde da presença de plástico na atmosfera, um estudo realizado por cientistas iranianos analisou a poeira urbana e constatou que as crianças e os adultos poderão ingerir, respetivamente, mais de 3200 e 1000 partículas de plástico, por ano. “A poeira das ruas pode ser uma fonte importante da contaminação de microplásticos no ambiente urbano”, concluíram os cientistas.

Estes trabalhos de investigação demonstram que a ingestão de peixe e marisco contaminado com microplásticos não é a única forma de estas partículas entrarem no corpo humano.

Tamara Galloway culpou a “eliminação inadequada” dos plásticos pela presença de partículas deste material na atmosfera.

“Nesta fase, parece crítico que se realizem pesquisas financiadas a 100% para explorar esta questão e para determinar de que forma a exposição através da poeira e dos detritos terrestres se compara à exposição através da ingestão de peixe e marisco contaminado, por exemplo”, declarou a professora, durante a apresentação do seu relatório numa conferência da ONU. “O plástico em si só não é tóxico e a maioria das estimativas sugere que a quantidade a que estamos expostos é provavelmente demasiado baixa para ter algum efeito, mas simplesmente não sabemos.”

Em 2016, Frank Kelly, professor de saúde ambiental do King’s College de Londres, avisou o Comité para a Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns de que podemos estar a inalar partículas de plástico.

“Se as inalarmos, elas poderão trazer químicos para as partes inferiores dos nossos pulmões e talvez até para a nossa circulação”, afirmou, comparando este problema a “todas as outras emissões” de poluentes dos veículos.

Recentemente, uma equipa de investigadores franceses estimou, a partir de um estudo atmosférico, que entre três e dez toneladas de fibras sintéticas são despejadas, anualmente, numa cidade do tamanho de Paris.

Fonte – The UniPlanet de 07 de novembro de 2017

Criaturas dos abismos mais profundos dos oceanos têm plástico no estômago

Criaturas dos abismos mais profundos dos oceanos têm plástico no estômago

Nem um lugar mais do mundo está protegido dos impactos da ação humana. Nem as áreas mais remotas e distantes do planeta. Localizadas no Oceano Pacífico, por exemplo, a leste das Ilhas Marianas, as Fossas Marianas ficam entre placas tectônicas e têm uma profundidade de quase 11 mil metros.

Pois cientistas da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, examinaram 90 criaturas marinhas retiradas das Fossas Marianas e de outros cinco abismos ao longo do Oceano Pacífico: Japão, Izu-Bonin, Peru-Chile, Novas Hébridas e Kermadec.

A análise revelou que 100% dos organismos vivos coletados nas Fossas Marianas tinham fibras artificiais e plástico em seus estômagos.

O levantamento faz parte do projeto Sky Ocean Rescue, uma iniciativa que tem como objetivo alertar sobre a poluição dos resíduos plásticos nos oceanos.

Em fevereiro, a equipe de pesquisadores da Universidade de Newcastle já tinha divulgado outro estudo, que revelava que índices inacreditáveis de poluição tinham sido encontrados nas Fossas Marianas, conforme noticiamos aqui.

Na época, o que mais chocou os pesquisadores foi o altíssimo nível de contaminação química encontrado nos crustáceos do local. Testes feitos com anfípodes, um tipo de camarão minúsculo, demonstraram que eles apresentavam contaminação de poluentes orgânicos persistentes (POPs, na sigla em inglês) 50 vezes superior a de caranguejos que habitam um dos rios mais poluídos da China.

Esta espécie da poluente não se dispersa no meio ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e biológica. É altamente tóxica para organismos vivos, incluindo o homem.

Nesta nova pesquisa, foram detectados fragmentos de fibras de celulose semi-sintéticas, como rayon, lyocell e ramie. Todos eles são microfibras utilizadas na fabricação de produtos têxteis, como nylon e polietileno, entre outros.

“Este é o registro mais profundo possível da ocorrência e ingestão de micropartículas plásticas, indicando que é altamente provável que não haja mais nenhum ecossistema marinho que não esteja impactado por detritos antropogênicos (produzidos pelo homem)”, afirma Alan Jamieson, pesquisador chefe do estudo.

Estima-se que haja 300 milhões de toneladas de plástico nos oceanos. São aproximadamente 5 trilhões de pequenas partículas plásticas boiando pela água. Apesar de muitas poderem ser vistas na superfície, após a lenta degradação e fragmentação destes resíduos, eles vão parar no fundo do mar, o que torna ainda mais difícil sua dispersão.

“Os organismos das águas profundas dependem de alimentos que caem da superfície”, explica Jamieson. “A pesquisa nos mostra que microfibras artificiais estão se acumulando em um ecossistema habitado por espécies que mal conhecemos”.

Fonte – Suzana Camargo, Conexão Planeta de 17 de novembro de 2017

SOS Terra? Corais desenvolvem gosto perigoso por…plástico!

Imagem da Duke University mostra um pólipo do coral com um pedaço de plástico.Imagem da Duke University mostra um pólipo do coral com um pedaço de plástico. (Alex Seymour, Duke Univ./Divulgação)

Estudo mostra como a poluição plástica tem ganhado contornos cada vez mais sombrios. Veja no vídeo

A ingestão de lixo plástico é uma das maiores ameaças à vida marinha na atualidade. Quando plásticos chegam aos oceanos, eles se quebram em minúsculos pedaços, que são facilmente confundidos por alimentos pelos animais,  acarretando em uma série de problemas de saúde – asfixia, ferimentos internos, desnutrição – podendo até levar à morte. Mas nem sempre a ingestão acidental é o problema.

Pesquisadores da Duke University descobriram que, em se tratando dos corais, a ingestão de microplásticos pode se dar por outro motivo: eles “gostam” do sabor. Como os plásticos podem liberar centenas de compostos químicos em seus corpos e no ambiente circundante, a suspeita é de que os corais tenham um apetite especial por algumas dessas substâncias, mas os cientistas ainda não sabem dizer quais.

Os efeitos biológicos desse “fast-food” de compostos químicos para os corais ainda são desconhecidos, mas alguns, como os ftalatos, são conhecidos estrogênios e androgênios ambientais, hormônios que afetam a determinação do sexo. O estudo foi publicado no periódico Marine Pollution Bulletin.

Para o experimento, os pesquisadores coletaram corais na costa da Carolina do Norte, nos EUA, e os colocaram num tanque de água salgada. Na hora de alimentá-los, eles deixavam cair pedaços de plástico e de areia do mesmo tamanho perto dos pólipos, aquelas estruturas cilíndricas em forma de saco que formam o corpo do coral e em cuja extremidade superior se encontra a boca.

No primeiro experimento, eles usaram oito tipos diferentes de microplásticos e grãos de areia limpos. Quando reconheciam os grãos de areia, a boca dos pólipos se fechava. Já os plásticos…”Descobrimos que os corais comeram todos os tipos de plástico que oferecemos e praticamente ignoraram a areia”, disse o pesquisador Austin S. Allen, em comunicado da universidade. “Isso sugere que o próprio plástico contém algo que o torne saboroso”.

O coral não tem olhos, o que significa que eles procuram alimentos usando sensores químicos, que seriam a versão da língua. Essencialmente, eles devem provar algo para decidir se é comida. O coral comeu 80% do plástico oferecido, mas comeu areia apenas uma vez em 10 tentativas, o que significa que eles podem perceber uma diferença entre os dois.

No segundo experimento, eles dividiram os corais em câmaras de alimentação separadas. A cada grupo foi oferecida a mesma quantidade de “alimentos” plásticos durante um período de 30 minutos, mas alguns grupos receberam apenas partículas microplásticas puras e limpas, enquanto outros receberam microplásticos cobertos por um biofilme bacteriano, que máscara o “sabor” do plástico.

Dessa vez, os pesquisadores verificaram que os corais comeram os dois tipos de plástico, mas preferiram o tipo puro por uma margem de três a um, talvez porque os plásticos novos possuem carga química mais alta do que aqueles que já estão em fases avançadas de degradação. Além disso, cerca de 8% do plástico ingerido ficava retido nos sistemas digestórios dos corais por 24h ou mais.

Os pesquisadores esperam que suas descobertas incentivem mais pesquisas para explorar o papel que o “gosto” do plástico desempenha e por que os organismos marinhos ingerem os microplásticos, procurando formas de contornar esse problema.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame

Boletim do Instituto Ideais de 07 de dezembro de 2017

Instituto IDEAIS
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Onde foram parar as 1,1 bilhão de garrafas plásticas produzidas pela Coca-Cola no ano passado?

Onde foram parar as 1,1 bilhão de garrafas plásticas produzidas pela Coca-Cola no ano passado?

3.400 garrafas de plástico por segundo. Este número impressionante foi estimado pela organização Greenpeace sobre a quantidade de PETs fabricadas, em 2016, pela gigante multinacional de refrigerantes Coca-Cola. A empresa divulgou que houve crescimento da produção e com isso, no ano passado, ela despejou no mercado 110 bilhões de garrafas, um aumento de 1 bilhão de unidades, em relação ao ano anterior.

Todavia, apenas uma pequena fração destas garrafas é reciclada. Acredita-se que menos de 50% delas teve destinação correta, como centros de reciclagem, e somente 7% foi transformada em novas garrafas.

Os números acima fazem parte de uma nova campanha liderada pelo Greenpeace do Reino Unido, que lançou uma petição para pressionar a Coca-Cola a se posicionar de maneira mais sustentável e responsável em relação ao meio ambiente. A iniciativa local, agora se transforma numa ação global.

A organização acusa a multinacional de estar sufocando os oceanos com plástico. Como é a maior fabricante de refrigerantes do mundo, a Coca-Cola precisa tomar uma atitude.

Garrafas e tampas plásticas sufocando os oceanos

Entre as ações já realizadas pelo Greenpeace estão o envio de 90 mil e-mails para o CEO europeu da Coca-Cola, pedindo para que a empresa reduza sua produção (sem reciclagem) de plástico e a colocação de adesivos em máquinas de bebidas alertando a responsabilidade da empresa na poluição dos oceanos, trocando a palavra Coke por choke, sufocar em inglês.

No Reino Unido, a Coca-Cola respondeu à pressão do Greenpeace anunciando que teria contratado um novo escritório de assessoria de imprensa e afirmando que aumentaria o uso de plástico reciclado em suas garrafas em 25%. A organização ambiental respondeu que isso não é suficiente.

“Sendo uma companhia multibilionária e global, a Coca-Cola têm o dinheiro e os recursos necessários para criar sistemas de distribuição diferentes, usar mais plástico reciclado e encontrar soluções inovadoras para reduzir o impacto que está causando” , afirma o Greenpeace.

O impacto das garrafas plásticas

Calcula-se que um milhão de garrafas plásticas são vendidas por minuto no planeta, algo em torno de 20 mil compradas a cada segundo.

Deu para entender agora o tamanho do problema que enfrentamos? Um levantamento divulgado pelo jornal britânico The Guardian revelou que, apenas em 2016, foram comercializadas 480 bilhões de garrafas feitas com plástico. E se este consumo já não fosse suficientemente alarmante, ele deve crescer mais 20% até 2021, chegando a 583 bilhões de unidades. Os dados são da pesquisa Global Packaging Trends Report da consultoria Euromonitor International.

Especialistas afirmam que o impacto ambiental provocado pelo lixo plástico no planeta, sobretudo nos oceanos, deverá ser pior do que aquele causado pelas mudanças climáticas.

O plástico surgiu como uma das grandes invenções da humanidade. Leve, prático e barato, serve como embalagem para tudo. E com isso, sua produção deu saltos gigantescos ao longos das últimas décadas.  Em 1964, foram 15 milhões de toneladas fabricadas. Em 2015, este número pulou para 322 milhões de toneladas.

Mas é o uso do plástico para a fabricação de garrafas de água e outros tipos de bebidas que tem gerado o maior impacto sobre a natureza. O estudo publicado pelo The Guardian destaca que o consumo do produto para estes fins por países asiáticos, principalmente a China, importando a cultura ocidental de “comprar água na rua”, está piorando ainda mais a situação já catastrófica.

Apesar de grande parte das garrafas serem feitas com polietileno tereftalato (PET), um polímero termoplástico, e perfeitamente passível de reciclagem, a quantidade monstruosa de unidades produzidas por segundo no planeta torna esta tarefa praticamente impossível. Estima-se que menos da metade das garrafas compradas no ano passado foram recicladas. O que sobra desta montanha enorme de lixo plástico vai parar em aterros sanitários ou nos oceanos.

Fonte – Suzana Camargo, Conexão Planeta de 03 de outubro de 2017

Fotos – Divulgação Greenpeace UK

Ranking aponta as 10 empresas mais responsáveis pela poluição plástica nos oceanos

Ranking aponta as 10 empresas mais responsáveis pela poluição plástica nos oceanos

Foto: John Schneider/Creative Commons

Estima-se que, até 2017, terá mais plástico do que peixes no oceano. Muitas marcas já se mostram preocupadas com esse dado e tentam reduzir o impacto causado por suas operações ao produzir peças feitas com o lixo que vem do oceano. Até uma máquina que recolhe esse tipo de resíduo dos mares já foi construída por um bilionário. Toda iniciativa é válida!

Agora uma ação do Greenpeace e da ONG #breakfreefromplastic estudou as praias da Filipinas e rankeou as 10 principais empresas responsáveis pela poluição dos oceanos mundo afora. Isso porque o país é o terceiro que mais recebe plástico de todos os lugares do mundo, segundo o Greenpeace.

Abaixo, você confere a lista:

  1. Nestle
  2. Unilever
  3. PT Torabika Mayora
  4. Universal Robina Corporation
  5. Procter & Gamble
  6. Nutri-Asia
  7. Monde Nissin
  8. Zesto
  9. Colgate Palmolive
  10. Liwayway

A lista deixa claro o grande impacto que multinacionais estão causando no planeta por conta de suas operações. “Eles poderiam, por exemplo, praticar uma responsabilidade estendida, onde empresas substituem embalagens não reutilizáveis e não recicláveis por novos sistemas, como os refis”, explica Abigail Aguilar, ativista do Greenespeace na Filipinas.

O estudo foi realizado ao longo de uma semana, quando um grupo de pessoas limpou a praia e auditou o lixo encontrado. No total, foram quase 55 mil resíduos recolhidos e estudados. Sapatos, canudos, sacolas, garrafas… a natureza do lixo variou bastante, mas o material era quase sempre o mesmo: plástico.

Isso prova uma máxima importante: quando jogamos algo fora, não há “fora”, esse material irá permanecer em nosso planeta e, uma hora ou outra, irá impactar nosso meio ambiente. E você, como anda consumindo?

Fonte – Jéssica Miwa, The Greenest Post de 25 de outubro de 2017