Embalagens de takeaway de esferovite proibidas em ilha do Havai

embalagem de esferovite polui jardimFoto: C. K. Koay

O Condado de Maui, no Havai, proibiu a venda e utilização de embalagens e copos de esferovite para o café e comida takeaway em todo o condado.

O Conselho do Condado de Maui, no Havai, aprovou uma proposta de lei que proíbe a venda e a utilização de embalagens e copos de esferovite para bebidas e comida takeaway.

A proibição entrará em vigor no dia 31 de dezembro de 2018 e está, atualmente, à espera da assinatura do presidente Alan Arakawa, que se encontra no Japão. As multas por incumprimento podem chegar aos 900€ por dia.

Robert Carrol, um dos membros do Conselho que votou a favor da medida, declarou que os impactos ambientais da espuma de poliestireno, ou esferovite, “são inegáveis”.

As caixas térmicas, placas e flocos de esferovite, usados para proteger e acondicionar produtos embalados, assim como o plástico e o poliestireno sólido não estão incluídos na proibição. Os artigos do talho e da peixaria também poderão continuar a ser vendidos em embalagens de esferovite.

Fonte – The UniPlanet de 01 de junho de 2017

STF restabelece lei de que obriga uso de sacolas biodegradáveis

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu provimento a Recurso Extraordinário (RE 729726) do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e reformou decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que havia julgado inconstitucional lei municipal de Rio Claro que determinou a obrigatoriedade de utilização de embalagens plásticas biodegradáveis nos estabelecimentos comerciais locais. Para o relator, a matéria tratada na lei é de interesse do município, por estar relacionada à gestão dos resíduos sólidos produzidos na localidade, “especificamente das sacolas plásticas, que parecem ser um problema para os municípios paulistas”.

A inconstitucionalidade da Lei municipal 3.977/2009, de Rio Claro, foi declarada pelo TJ-SP em ação ajuizada pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico de São Paulo (Sindiplast). Além de determinar a substituição das sacolas plásticas por oxibiodegradáveis, biodegradáveis e compostáveis, a lei prevê ainda a fiscalização da medida pelo Executivo e a aplicação de multa aos infratores. Para o Tribunal estadual, a lei, de iniciativa parlamentar, traduz ingerência na competência exclusiva do prefeito pelo Poder Legislativo e cria despesa sem indicação de fonte de receita.

No recurso ao STF, o MP-SP sustentou que a lei local não trata da gestão administrativa do município, mas da defesa do meio ambiente, não sendo, portanto, matéria de iniciativa privativa do Executivo.

No exame do inteiro teor da lei, o ministro Toffoli observou que o normativo trata, essencialmente, de política de proteção ao meio ambiente direcionada aos estabelecimentos da localidade que utilizem embalagens. A determinação relativa à participação do Poder Executivo restringe-se à tarefa de, ao seu critério, aplicar sanções em caso de descumprimento das obrigações impostas pela lei municipal. “Veja-se que não foram criados cargos, funções ou empregos públicos ou determinado o aumento de sua remuneração, nem mesmo criado, extinto ou modificado órgão administrativo, ou sequer conferida nova atribuição a órgão da administração pública, a exigir iniciativa legislativa do chefe do Executivo”, assinalou. “Em síntese, nenhuma das matérias sujeitas à iniciativa legislativa reservada do chefe do Poder Executivo, contidas no artigo 61, parágrafo 1º, da Constituição, foi objeto de positivação na norma”.

O ministro acrescentou ainda que, recentemente, em julgamento submetido ao rito da repercussão geral (RE 586224), o STF reconheceu a competência dos municípios para legislar sobre direito ambiental quando se tratar de assunto de interesse predominantemente local.

Fonte – Justiça em Foco de  19 de junho de 2017

E agora, máfia do plástico? Agora calar a boca, né? A máfia do plástico sabia da constitucionalidade da lei, logicamente. Só queria adiar a aplicação da lei para ganhar dinheiro vendendo seu veneno.

Municípios preocupados com o planeta (mais de 40) do estado de São Paulo, agora aplicar a lei para deixar suas cidades mais limpas.

Só falta agora os outros 600 municípios criarem e aplicarem a lei para, se forem distribuídas sacolas plásticas de uso único, que ao menos sejam biodegradáveis para não ficarem mais de 5 séculos poluindo o planeta.

Se bem que, o ideal é sempre usar sacola retornável, que dura por décadas e cada uma substitui ao menos cinco sacolas plásticas de uso único em cada compra.

Aproveitando, que tal estes municípios decretarem lei banindo canudo de plástico, isopor, proibir embalagens descartáveis de bebidas em restaurantes e bares, porque se o consumo é interno deve ser feito com embalagens retornáveis.

A plastificação do planeta

Cada vez mais estamos plastificado o planeta.

Em tudo que compramos está lá ele, o plástico.

Nos supermercados tem a seção de frutas “plastificadas”, que são aquelas selecionadas, lavadas e cortadas para facilitar a vida de quem não tem muito tempo disponível.

O que ninguém vê e o impacto que essa praticidade trás ao meio ambiente.

Hoje no supermercado vi entre essas frutas plastificadas, uma embalagem plástica com bananas.

Agora me digam porque as bananas precisam estar em embalagens plásticas.

As bananas são perfeitas, protegidas com suas cascas fortes e ao mesmo tempo muito fáceis de abrir.

Acho que o exagero está tomando conta e precisamos por medida em nossas escolhas para garantir um planeta sustentável para próximas gerações.

Fonte – Charles Zanetti, FUNVERDE de 22 de junho de 2017

Fotos chocantes mostram o que o nosso lixo plástico faz aos animais

Se soubesse que os sacos e garrafas de plástico que usa poderão acabar nos estômagos de uma ave marinha ou de uma baleia, ainda os usava?

Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar aos nossos oceanos. A cada minuto é despejado no mar o equivalente a um camião de lixo cheio de plástico. Até 2030, passarão a ser dois camiões por minuto e, em 2050, quatro.

Quando os animais marinhos encontram os detritos de plástico a flutuar no mar ou depositados no fundo do mar, sejam eles tampas de garrafas, cotonetes, sacos, palhas ou redes de pesca, podem comê-los por os confundirem com comida. De facto, as aves marinhas não só os ingerem como também alimentam as suas crias com eles.

O resultado? O plástico que vão ingerindo ao longo do tempo vai-se acumulando no seu aparelho digestivo, o que dá aos animais uma falsa sensação de saciedade e pode levar a que morram de fome. Há muitos mais problemas ligados à ingestão de plástico: lesões nos órgãos internos, obstrução intestinal e acumulação de químicos dos plásticos nos seus tecidos, entre outros.

Mas o plástico não precisa de ser ingerido para ser uma ameaça. Os animais ficam presos nas redes de nylon abandonadas no mar e nas nossas embalagens de plástico, o que os fere, impede de nadar normalmente, leva à exaustão e pode resultar na sua morte.

Não se sabe ao certo quantos animais são vítimas da poluição de plástico nos oceanos anualmente. Um estudo de 2015 descobriu 44 mil casos de animais presos ou que tinham ingerido detritos plásticos desde 1960, o que, segundo os autores do estudo, é um número que “subestima” o problema.

Tartaruga presa nos anéis de plástico usados para juntar as latas de bebidas. Foto: Departamento de Conservação de Missouri

Uma cria de albatroz alimentada pelos seus progenitores com plástico. Já foram encontradas crias com mais de 275 peças de plástico no estômago, o que, numa pessoa, seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico. Foto: Chris Jordan

Ave que se estrangulou com a fita de um balão. Foto: Pamela Denmon / USFWS

Leão marinho com plástico à volta do seu pescoço.

Tubarão com plástico na boca. Foto: Aaron ODea / Marine Photobank

Ave imobilizada por um detrito de plástico. Foto: David Cayless / Marine Photobank

Tartaruga presa em redes de pesca fantasma. Foto: Jordi Pujol

Tartaruga que ingeriu um balão. Foto: Blair Witherington / NOAA

Foca presa em redes fantasma. Foto: NOAA

Sacos de plástico retirados dos intestinos de uma baleia que deu à costa na Noruega. Christoph Noever / Universidade de Bergen

Cria de albatroz morta com o estômago cheio de lixo plástico. Foto: NOAA

Sabe o que pode fazer para ajudar?

Reduza a quantidade de plástico que consome. Compre produtos com embalagens de cartão ou vidro ou que têm embalagens maiores, em vez dos que trazem muitos pacotes individuais.

Faça compras a granel ou avulso e leve os seus próprios sacos de tecido. Pode pesar os legumes ou frutas em sacos de rede.

Diga não aos plásticos descartáveis, como as palhas (canudos), os talheres e os pratos de plástico. Troque-os por artigos reutilizáveis.

Preste atenção à forma como descarta o plástico que não consegue eliminar do seu dia-a-dia. Não deite cotonetes na sanita e recicle o plástico no contentor amarelo.

Lembre-se: reduza e recuse primeiro. A reciclagem deve ser encarada como uma última opção.

“[Quando se recicla] não se está a fazer algo de positivo pelo ambiente. Só se está a fazer algo que é menos mau”, disse Adam Minter, escritor e ativista. “Se queremos mesmo lidar com o problema dos resíduos que estamos a enfrentar, precisamos de pensar melhor sobre a natureza do próprio consumo.”

Fonte – The UniPlanet de 12 de junho de 2017

ONU: o plástico está cobrindo e destruindo nosso planeta

Plástico é uma invenção maravilhosa porque dura bastante – e uma invenção terrível pelo mesmo motivo. Mais de 300 milhões de toneladas serão produzidas este ano. A maioria nunca é reciclada e permanece em nossa terra e nos nossos mares para sempre. Os detalhes nesse documentário.

No início de junho de 2017, a ONU realizou a Conferência sobre os Oceanos com o objetivo de apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; saiba como foi e acompanhe o tema em http://nacoesunidas.org/tema/ods14, #SaveOurOcean e #MaresLimpos.

Fonte – ONU 15 de junho de 2017

Engenheiro britânico usa plástico reciclado para criar asfalto 60% mais resistente

Engenheiro britânico usa plástico reciclado para criar asfalto 60% mais resistenteO asfalto é feito com materiais 100% reciclados. | Foto: Divulgação/MacRebur

O produto tem chamado atenção de grandes investidores, entre eles o bilionário Richard Branson

O uso de plástico reciclado tem sido cada vez mais testado na construção sustentável. Um dos exemplos mais recentes veio de um trio de empreendedores do Reino Unido. Trata-se do desenvolvimento de um asfalto de excelente qualidade produzido de uma maneira muito mais barata, uma vez que utiliza resíduos plásticos.

Batizado de MR6, o asfalto ecológico possui menos betume do que uma pavimentação tradicional. A empresa desenvolvedora, MacRebur, afirma que o resultado é um produto mais fácil de ser aplicado, em comparação com os outros. Também garante que o asfalto é mais 60% mais resistente, tendo melhores resultados em diversos quesitos – o que aumenta a vida útil da estrada.

Foto: MacRebur

Apresentado como um asfalto econômico e duradouro, ele é feito com materiais 100% reciclados, o processo é benéfico por diversas razões, entra eles ajuda a reduzir: o uso de combustíveis fósseis, a pegada de carbono e a quantidade de lixo que iria para o aterro sanitário. Além disso, ele não tem custos de infra-estrutura maiores do que um asfalto comum e ainda requer menor investimento em manutenção.

Foto: MacRebur

A ideia da tecnologia veio do engenheiro Toby McCartney quando trabalhava no sul da Índia com uma instituição de caridade que ajudava trabalhadores de um aterro sanitário. Quando voltou ao Reino Unido ele se juntou a dois amigos para criar uma mistura de resíduos de plásticos que pode ser adicionada ao material base da produção de asfalto e assim surgiu o MR6.

Foto: MacRebur

“Após 18 meses de testes e testes, tivemos o nosso produto que é dentro dos padrões britânicos e europeus e é um aditivo de alto desempenho que melhora as estradas que conduzimos hoje”, explica a companhia.

O produto tem chamado atenção de grandes investidores, entre eles o bilionário Richard Branson que premiou a MacRebur com o primeiro lugar em uma competição de startups promovida pela sua empresa.

Fontes – ONE2030 / CicloVivo de 01 de junho de 2017

Cientistas veem entrada de plástico na cadeia alimentar terrestre

Garrafas PETPlástico: a pesquisadora indicou que as minhocas, ao digerirem o plástico, ajudam também a fracioná-lo e essa substância depois passa às galinhas que se alimentam delas (foto/Getty Images)

Apesar de há anos existirem estudos sobre a entrada do plástico na cadeia alimentar marinha, este seria o 1º a documentar o fenômeno no entorno terrestre

Uma equipe de cientistas mexicanos e holandeses documentou pela primeira vez a entrada de microplásticos na cadeia alimentar terrestre, graças a um estudo de campo desenvolvido na reserva da biosfera de Los Petenes (México).

Apesar de há anos existirem estudos sobre a entrada do plástico na cadeia alimentar marinha, este seria o primeiro a documentar o fenômeno no entorno terrestre, segundo explicou nesta terça-feira à Agência Efe a cientista mexicana Esperanza Huerta.

Huerta, do centro de pesquisa El Colégio da Fronteira Sul, em Campeche, apresentou hoje em Viena na reunião da União Europeia de Geociências o resultado do estudo desenvolvido junto à Universidade de Wageningen, de Holanda.

A pesquisadora expôs que devido à falta de recolhimento e gestão dos plásticos, os habitantes da zona de Los Petenes os queimam e enterram no chão de suas hortas, o que aumenta o risco de microfragmentação.

Para avaliar a situação, os pesquisadores analisaram em setembro o solo, as minhocas, bem como as fezes e as moelas de galinhas domésticas de dez hortas nessa reserva mexicana.

Assim, foi possível documentar a presença de plásticos de diminuto tamanho na terra, dentro das minhocas e nas fezes e moelas das galinhas analisadas, o que pode supor um risco para a saúde humana.

“Este é o primeiro trabalho feito em sistemas terrestres que mostra como o plástico entra na cadeia alimentar”, explicou Huerta.

“Não sei por que não foi feito antes, acredito que talvez não houve consciência para fazê-lo”, acrescentou a pesquisadora, que considerou que as pessoas não sabiam de seu potencial perigo.

Huerta indicou que as minhocas, ao digerirem o plástico, ajudam também a fracioná-lo e essa substância depois passa às galinhas que se alimentam delas.

As galinhas se contaminam diretamente porque beliscam plásticos que estão aderidos restos de comida, segundo expôs.

Huerta assegurou que, dado que Los Petenes é uma reserva da biosfera e seus habitantes recebem educação ambiental, é possível que em outros entornos a situação seja inclusive pior.

O grande problema para a pesquisadora é o costume de queimar os plásticos, o que agrava a contaminação.

“Pensam que ao queimá-lo resolveram o problema. Mas a situação é que então é acessível aos invertebrados do chão e se for acessível para eles, é também para o resto da cadeia alimentar. Para as galinhas, por exemplo. E as pessoas comem galinhas”, resumiu.

Huerta indicou que nas moelas de galinha analisadas encontraram concentrações de microplásticos e que esse órgão é utilizado em diferentes pratos mexicanos.

A pesquisadora apontou que as pessoas com as quais falou confessaram não limpar as moelas por dentro, que somente as lavavam por fora e depois as coziam, uma prática que tem efeito preocupante.

Sobre o possível efeito do consumo de plástico que entrou na cadeia alimentar na saúde humana, a pesquisadora indicou que são necessários mais estudos a respeito, mas o considerou um “grande risco”.

Huerta, que é especialista no estudo de minhocas, expôs que, dependendo da concentração e do tempo de exposição ao plástico, a mortalidade desses invertebrados aumenta de forma clara e sua fertilidade se reduz.

A pesquisadora concluiu sublinhando que, embora o acesso ao plástico melhorou a vida das pessoas, sua escassa degradação é um grande problema e deveria haver algum tipo de regulamento internacional para evitar doenças.

Fontes EFE / Exame de 25 de abril de 2017

Microplásticos não biodegradáveis já começam a ser detectados no sal que tempera nossa comida

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Os resultados das análises 17 marcas de sal oriundos de 8 países diferentes não mostrou ainda uma presença significativa de microplásticos, mas com o crescente uso do plástico e seu descarte incorreto podem levar a um acúmulo de microplásticos nos oceanos e lagos e por consequência nos produtos que consumimos dos ambientes aquáticos, como sal e peixes

Plásticos meramente fragmentáveis – como é o caso de plásticos biodegradáveis sem certificação (ex. ABNT, AFNOR, BS, ASTM etc) – também são responsáveis pela geração de microplásticos, assim como os plásticos não biodegradáveis de origem fóssil e os de origem renovável, por exemplo, o denominado plástico verde.

As pessoas tem que tomar conhecimento deste grave problema e parar de descartar resíduos no meio ambiente, inclusive os plásticos.
Se o estado é incapaz de promover políticas públicas de educação ambiental e incentivo a reciclagem resta à sociedade assumir e conduzir o processo com o objetivo de atrair para a reciclagem os resíduos que geramos no nosso dia a dia.

Para o problema dos plásticos a solução passa obrigatoriamente pela redução, reutilização, descarte seletivo e reciclagem. Porém, todos sabem ser impossível coletar e reciclar todos os resíduos plásticos que são indevidamente descartados ou que escapam da coleta.

Para resolver este grave problema a ciência desenvolveu os plásticos biodegradáveis por processo de oxibiodegradação produzidos com aditivos (norma ABNT PE-308.01, por exemplo).

Estes plásticos são recicláveis e não geram microplásticos durante seu processo de biodegradação biótica pelo fato de não serem mais plásticos, e sim um material totalmente diferente, repleto de oxigênio nas suas cadeias moleculares, hidrófilos e que atraem microorganismos que são os responsáveis pela sua total biodegradação ao final.

Veja o trabalho sobre microplásticos não biodegradáveis (em inglês) publicado em Abril pelo jornal Scientific Reports.

Fonte – Boletim do Instituto IDEAIS de 30 de maio de 2017

Ilha remota tem maior densidade de lixo plástico do mundo

Lixo numa praia da ilha HendersonLixo plástico se acumula pelas praias da ilha Henderson

Localizada no meio do Pacífico, ilha Henderson acumula quase 38 milhões de peças plásticas trazidas pelas correntes marítimas a suas praias. Pesquisadores dizem que é urgente repensar uso do material.

Pesquisadores afirmaram que a maior densidade mundial de lixo plástico de que se tem conhecimento fica numa pequena ilha inabitada do Oceano Pacífico. Eles estimaram haver 37,7 milhões de peças plásticas, ou 17,6 toneladas, nas praias da ilha Henderson, que é parte do território ultramarino britânico Pitcairn, localizado entre a Nova Zelândia e o Chile.

Segundo o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, há de 21 a 671 itens plásticos por metro quadrado nas areias da ilha, incluindo uma ampla variedade de objetos, como brinquedos, escovas de dente, capacetes e isqueiros, nas mais variadas cores.

Para chegar a esses números, os pesquisadores limparam uma parte da praia e acompanharam o acúmulo diário de lixo. Segundo eles, a estimativa é de que mais de 13 mil objetos alcancem a ilha todos os dias.

“A quantidade de plástico lá é realmente alarmante”, declarou a principal autora do estudo, Jennifer Lavers, da Universidade da Tasmânia, na Austrália, à agência de notícias Associated Press. “Temos de repensar drasticamente nossa relação com o plástico. É algo feito para durar para sempre, mas usado por alguns instantes e depois jogado fora”, acrescentou.

Karte Henderson Island ENGLocalização da ilha Henderson, no Oceano Pacífico

Segundo Lavers, é a localização da ilha que faz com que o plástico se acumule nas suas praias. Com 3.700 hectares, a ilha Henderson fica na beira de um vórtice de correntes oceânicas conhecido como Giro do Pacífico Sul, o que faz com que o oceano expila o lixo jogado por navios ou vindo da América do Sul nas suas praias.

O consumo de sacolas plásticas pelo mundo

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Alemanha – O uso de sacolas de pano ou de papelão para carregar compras é hábito de boa parte da população alemã. Sacolas plásticas são vendidas nos supermercados por 0,05 e 0,10 euros. Ainda assim, somente em Berlim, 30 mil sacolinhas deixam lojas e mercados por hora. Em toda a Alemanha, em torno de 17 milhões de sacolas plásticas são consumidas por dia – ou 6 bilhões por ano.

Argentina – Assim como na Alemanha, é hábito de muitos portenhos levar sacolas próprias para carregar as compras. Em setembro de 2008, o governo da Província de Buenos Aires (território à parte da capital, mas com quase 40% da população do país) aprovou lei para banir o uso e a comercialização das sacolas plásticas. A intenção é eliminá-las completamente até 2016.

Bangladesh – O país asiático foi o primeiro do mundo a banir completamente a utilização e a comercialização de sacolas plásticas, em 2002. A exemplo de outros países em desenvolvimento, como Quênia e Ruanda, Bangladesh baniu as sacolas plásticas depois que resíduos originários delas ajudaram a inundar até dois terços do país em enchentes que ocorreram em 1988 e 1998.

China – A China baniu o uso de sacolas plásticas em 1º de junho de 2008. Quatro anos depois, o governo chinês declarou que o país economizou 4,8 milhões de toneladas de petróleo, o equivalente a 6,8 milhões de toneladas de carvão, sem contar as 800 mil toneladas de plástico não utilizadas.

Espanha – O governo espanhol aprovou o Plano Nacional Integrado de Resíduos, em 2010. Uma série de regras pretendia diminuir e possivelmente banir o uso de sacolas plásticas até o fim de 2015. Com isso, supermercados começaram a planejar ações para reduzir o consumo, como dar desconto aos cliente para cada sacola não consumida.

Estados Unidos – São Francisco foi a primeira cidade americana a banir sacolas plásticas, em 2007. Seguindo a linha, o estado da Califórnia aprovou, no ano passado, uma lei que proíbe a distribuição gratuita – e consequente utilização – das sacolas. Problema: o lobby industrial. A medida só será aprovada em referendo em novembro de 2016.

França – Para frear a poluição e reduzir a produção de lixo, em junho de 2014 o governo francês resolveu agir rumo ao banimento das sacolas plásticas. Nos supermercados franceses, elas devem desaparecer a partir de janeiro de 2016. Não será a primeira vez que os comerciantes vão encarar uma drástica redução no consumo de sacolas: em 2002, elas eram 10,5 bilhões; em 2011, 700 milhões.

Irlanda – Em 2002 a Irlanda introduziu uma taxa de 15 centavos de libra por sacola plástica e, com isso, diminuiu em até 94% o consumo do produto. Em 2007, a taxa ainda subiu para 22 centavos de libra.

Itália – Desde junho de 2013, a Itália obriga estabelecimentos comerciais a vender sacolas plásticas biodegradáveis. A medida levou a uma disputa com o Reino Unido, que questiona a validade da lei perante as regras no mercado interno da União Europeia. Especialistas criticam ainda o real benefício dessas sacolas para o meio ambiente.

Mauritânia – O país do noroeste da África proibiu, no início de 2013, a comercialização e utilização de sacolas plásticas. O principal motivo é nobre: a preservação ambiental e proteção dos animais. Até o fim de 2012, constatou-se que pelo menos 70% das mortes acidentais de bois e ovelhas no país ocorriam devido à ingestão de plástico.

Reino Unido – Desde setembro de 2013, o Reino Unido cobra 5 centavos de libra por sacola do consumidor. O motivo é óbvio: apenas em 2013, os supermercados distribuíram gratuitamente mais de 8 bilhões de sacolas plásticas, o que significa 130 sacolas por pessoa. Mais: o número equivale a 57 mil toneladas de sacolas plásticas durante um ano.

Fontes – AS/ap/afp/ DW de 16 de maio de 2017

No link acima assista ao vídeo.

 

O Ártico está virando um “aterro marinho” de lixo plástico

Não se engane: esta colagem "artística" é feita de detritos plástico encontrados no Oceano Ártico.Não se engane: esta colagem “artística” é feita de detritos plásticos encontrados no Oceano Ártico. (Andrés Cózar/Reprodução)

Estudo demonstra a escala global que a poluição por detritos plásticos alcançou

Nem os lugares mais remotos do Planeta estão a salvo da poluição. Um novo estudo surpreendente encontrou altas concentrações de lixo plástico nos mares do Ártico.

Segundo uma nova pesquisa, publicada na revista Science Advance, a região está virando uma espécie de “aterro marinho” para centenas de toneladas de detritos envelhecidos, que incluem linhas de pesca, filmes plásticos e fragmentos.

Os detritos viajam longas distâncias — possivelmente, desde as costas do noroeste da Europa, do Reino Unido e da costa leste dos Estados Unidos — e se acumulam nos mares da Groenlândia e de Barents, considerados pelos cientistas “becos sem saída” para o lixo.

Toda essa poluição chega lá através da chamada “circulação termohalina no Atlântico Norte”, uma corrente que transporta partículas plásticas para área.

A carga total de plástico flutuante na águas livres de gelo do Oceano Ártico foi estimada em torno de 1200 toneladas, sendo 400 toneladas compostas de cerca de 300 bilhões de itens de plástico, segundo uma estimativa de médio alcance feita pelo estudo.

Mapa mostra a distribuição de lixo plástico nos mares do ÁrticoMapa mostra a distribuição de lixo plástico nos mares do Ártico. As áreas com maior concentração aparecem em vermelho escuro. (ANDRES COZAR/Reprodução)

As descobertas “enfatizam a importância de gerenciar corretamente o lixo plástico na sua fonte, porque uma vez que ele entra no oceano, seu destino pode ser imprevisível”, destacam os cientistas.

Por ora, os detritos no Ártico representam menos de três por cento do total global, mas essa taxa pode aumentar nos próximos anos, expondo a região a novas ameaças.

Segundo o estudo, a singularidade do ecossistema do Ártico levanta preocupações a respeito das implicações ecológicas potenciais da exposição a detritos plásticos.

“O crescente nível de atividade humana em um Ártico cada vez mais quente e isento de gelo, com áreas abertas mais amplas disponíveis para a propagação de microplásticos, sugere que altas cargas de poluição plástica marinha podem se tornar prevalentes no Ártico no futuro”, alerta a pesquisa.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 22 de abril de 2017