29 baleias cachalotes são encontradas mortas na Alemanha com estômagos cheios de lixo plástico

29 baleias cachalotes são encontradas mortas na Alemanha com estômagos cheios de lixo plástico

 

1, 2, 3… V-I-N-T-E E N-O-V-E. Esse foi o número de baleias cachalotes encontradas mortas em praias da Alemanha, na região do Mar do Norte. A quantidade expressiva de animais intrigou os pesquisadores. Afinal, o que matou tantas baleias de uma vez só?

A resposta chegou há poucos dias, com o resultado das necrópsias: os 29 animais – todos jovens e do sexo masculino – tinham (MUITO!) lixo plástico no estômago. De pequenos a grandes fragmentos, os cientistas encontraram de tudo dentro deles. Inclusive uma rede de pesca de 13 metros de comprimento e uma peça de carro de 70 centímetros.

Ainda segundo a necrópsia, as baleias tiveram insuficiência cardíaca por conta da ingestão de plástico. “Depois de ingerir tanto lixo, elas não são capazes de suportar o próprio peso. Os órgãos internos entram em colapso e elas encalham em águas rasas, sendo levadas pela correnteza até as praias”, explicaram os especialistas à National Geographic.

Pesquisas apontam que o ser humano descarta cerca de oito milhões de toneladas de plástico nos oceanos todos os anos. É tanto lixo tóxico à vida marinha que, se continuarmos nesse ritmo, até 2050 haverá mais plástico do que peixes em nossos mares.

Parabéns aos envolvidos…

Fonte – Débora Spitzcovsky, The Greenest Post

Boletim do Instituto Ideais de 15 de agosto de 2017

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Cada um de nós é culpado, ao usarmos sacolas plásticas de uso único ao invés de sacolas retornáveis, tomarmos água de garrafa descartável, ao invés de usarmos garrafas permanentes e reenchermos, mesmo tomando bebidas em garrafas de pet, vidro ou alumínio individuais, aceitarmos um copo de plástico ou canudo, ao invés de tomarmos na própria garrafa… Cada uma de nossas atitudes preguiçosas, egoístas, está levando a humanidade e todas as outras espécies à extinção.

 

Bilhões de toneladas de lixo plástico se acumulam na Terra

Bilhões de toneladas de lixo plástico se acumulam na TerraMais de 9,1 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas na Terra até hoje, e a maior parte desse material foi jogada em aterros ou nos oceanos

Sua embalagem plástica está ali? Se fosse de plástico biodegradável provavelmente não.

Mais de 9,1 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas na Terra, e a maior parte desse material está em aterros ou nos oceanos, advertiram pesquisadores americanos nesta quarta-feira.

Este estudo, publicado na revista científica Science Advances, é descrito como “a primeira análise global de todo o plástico produzido” no mundo, e alerta que um cenário ainda mais preocupante nos espera.

Com base no ritmo atual, “mais de 13 bilhões de toneladas de lixo plástico serão descartadas em aterros ou no meio ambiente até 2050”, aponta a pesquisa.

Esta quantidade, o equivalente a 12 bilhões de toneladas métricas, representa 35.000 vezes o peso do edifício Empire State de Nova York.

“A maioria dos plásticos não é biodegradável, de modo que pode permanecer conosco por centenas ou inclusive milhares de anos”, disse Jenna Jambeck, coautora do estudo e professora de engenharia na Universidade da Geórgia.

Os pesquisadores compilaram informações de produção de resinas, fibras e aditivos utilizando várias fontes da indústria.

O estudo revelou que até 2015 quase sete bilhões de toneladas de lixo plástico foram geradas no nosso planeta, e que 79% desta quantidade se acumulava em lixões ou no meio ambiente, incluindo os oceanos.

Apesar de todos os esforços que são feitos em termos de reutilização, apenas 9% do lixo plástico foi reciclado, e 12% foi incinerado, um processo que também pode ser prejudicial para o meio ambiente.

Pouco mais de duas toneladas de plástico foram produzidas em nível global em 1950, quando começou a produção em massa do material, afirma o estudo.

Em 2015, esse número tinha escalado a mais de 440 milhões de toneladas, ultrapassando a maioria dos materiais, com exceção do aço e do cimento. Cerca de metade de todo o plástico produzido entre 1950 e 2015 foi fabricado nos últimos 13 anos desse período.

Enquanto o aço e o cimento são utilizados durante anos, a maior parte do plástico é usado para embalar coisas, e é jogado no lixo após um único uso, como acontece com as garrafas de água e refrigerante.

“Metade dos plásticos se transforma em lixo após quatro ou menos anos de uso”, diz Roland Geyer, autor principal do estudo e professor da Universidade da Califórnia.

A porcentagem de plástico no lixo passou de menos de 1% em 1960 a mais de 10% em 2005 em países desenvolvidos.

Fonte – Isto É

Boletim do Instituto Ideais de 08 de agosto de 2017

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Mais um município decidiu proteger o meio ambiente com sacolas biodegradáveis

A imagem pode conter: céu, nuvem e atividades ao ar livre

Agora é a vez de Campina Grande – PB dar um passo na direção da preservação do nosso planeta sem prejudicar a indústria plástica e seus empregos e garantir que o comércio continue a distribuir um produto impermeável, reutilizável, resistente, reciclável, e daqui para a frente, biodegradável.

Não esqueça de pedir a certificação de conformidade com a ABNT PE 308.01 para o aditivo oxibiodegradável utilizado na produção das sacolas.

Boletim do Instituto IDEAIS de 01 de agosto de 2017

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Isto é o quanto de plástico o mundo já produziu (e não é bonito)

Montanha de lixo plásticoMontanha de lixo plástico se acumulando na natureza. (Press Digital/Thinkstock)

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade desse material já produzida na história, revelando urgência de se pensar uma nova economia do plástico

Pela primeira vez, cientistas calcularam a quantidade de plásticos já produzidos na história da humanidade. E o resultado é um tanto quanto assustador: foram 8,3 bilhões de toneladas desde que a produção em larga escala de materiais sintéticos começou, no início da década de 1950.  É tanto plástico que  equivale a cerca de 25 mil vezes o peso do Empire State Building, em Nova York.

A parte assustadora é que a maioria de todo esse material tem como destino aterros sanitários ou, mais grave, o próprio ambiente natural, de acordo com o estudo publicado na revista Science Advances. Se as tendências atuais continuarem, cerca de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos terão o mesmo destino impróprio até 2050.

O estudo é fruto do trabalho conjunto de cientistas da Universidade da Geórgia, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara e Sea Education Association. Na ponta do lápis, os pesquisadores descobriram que das 8,3 bilhões de toneladas de plásticos geradas até 2015, 6,3 bilhões já se tornaram resíduos, ou seja, foram descartadas.

Desse total, apenas 9% foram recicladas, 12% foram incineradas e 79% se acumularam em aterros sanitários ou simplesmente ficaram pelo caminho poluindo o meio ambiente.

O que preocupa é que a maioria dos plásticos não se biodegrada na natureza de forma significativa, de modo que os descarte incorreto no presente se torna um problema que perdura por centenas e até milhares de anos.

Com o levantamento, os cientistas esperam chamar atenção para a necessidade de pensar sobre o uso que fazemos desse material e as práticas de gerenciamento de resíduos. É essencial, portanto, desenvolver uma nova economia do plástico, que seja mais responsável e sustentável.

Para o estudo, eles compilaram estatísticas da produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o tipo de setor e consumo.

Entre 1950 e 2015, a produção global de plásticos aumentou de 2 milhões de toneladas para mais de 400 milhões de toneladas, de acordo com o estudo, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções ​​são alguns materiais amplamente utilizados no setor de construção, como aço e cimento.

Mas enquanto o aço e o cimento são usados ​​principalmente na construção, o mercado de plásticos é majoritariamente voltado para a produção de embalagens, que em geral são usadas apenas ​​uma vez e descartadas. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”, diz Roland Geyer, principal autor do estudo.

Os pesquisadores alertam, porém, que não se deve buscar a remoção total de plástico do mercado, mas sim repensar o uso que fazemos desse material. “Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse a coautora Kara Lavender Law. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos em algumas situações e perguntar se ele faz sentido”.

A mesma equipe de pesquisadores liderou um estudo publicado em 2015 na revista Science que calculou a quantidade de resíduos plásticos no oceano. Eles estimaram que 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos entraram nos oceanos em 2010.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 20 de julho de 2017

As mentiras sobre a reciclagem das embalagens plásticas

photovide.com

Apesar de recicláveis, raramente as embalagens plásticas são recicladas.

Todos nós sempre ouvimos histórias sobre a reciclagem de embalagens plásticas. E muitos de nós sempre acreditamos nelas.

Afinal, eram indústrias renomadas dizendo que suas embalagens eram recicladas e os impactos ambientais eram mínimos.

A mentira acaba de ser mais uma vez confrontada com a realidade dos números.

Já pensou que apenas 9% das embalagens plásticas vão ser recicladas de verdade?

Quanto isso representa na foto dos produtos à venda num típico supermercado? Talvez os espaços vazios nas prateleiras?

Estudo publicado pela Science Advances revela que 79% de todos os resíduos plásticos estão se acumulando nos aterros e no meio ambiente. Somente 9% dos plásticos são de fato reciclados e o restante 12% foram incinerados.

Levando em conta que no Brasil não existe incineração de plásticos, imagine onde também vão parar mais estes 12%.

É verdade que o plástico é quase insubstituível no dia a dia. E é um dos melhores, mais versáteis e baratos materiais para embalagem.

O problema pode ser resolvido com o uso de plásticos biodegradáveis. Não descarte essa ideia. Os produtos já existem, é uma realidade para você usar agora.

Boletim do Instituto IDEAIS de 25 de julho de 2017

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1 milhão de garrafas plásticas são vendidas a cada minuto

Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China.Garrafas de plástico se acumulam em uma fábrica de reciclagem na China. (China Photos / Stringer/Getty Images)

Novas estatísticas divulgadas pelo The Guardian revelam o quão assombroso o problema se tornou

Versáteis e econômicos, os plásticos facilitaram muitos avanços da sociedade ao longo do século passado. No entanto, alguns de seus usos atuais atingem números que beiram o insustentável.

A demanda global por garrafas de plástico, estimulada pela indústria de bebidas, é exemplo disso: a cada minuto, um milhão de garrafas plásticas são vendidas em todo o mundo; por ano, consumimos cerca de 500 bilhões delas. Os dados são de um levantamento da Euromonitor feito a pedido do jornal britânico The Guardian.

Embora seja verdade que muitas dessas embalagens poderiam e deveriam ser recicladas, está cada vez mais difícil acompanhar o grande volume de resíduo plástico produzido. O que acontece quando a equação não fecha? Grande parte do lixo indigesto acaba poluindo o meio ambiente, onde demora centenas de ano para se decompor.

Em 2016, o mundo comprou mais de 480 bilhões de garrafas plásticas de água. Menos da metade disso foi coletado e enviado para reciclagem. E apenas 7% delas encontraram uma segunda vida como garrafas novas. O resto ou seguiu para lixões e aterros sanitários ou foi poluir terra e mar.

Não faltam estudos recentes sobre a poluição dos oceanos por lixo plástico e seus efeitos nocivos sobre a vida marinha. O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que, em 2050, os oceanos terão mais detritos desse material do que peixes, alertou um relatório da Fundação Ellen MacArthur no Fórum Econômico Mundial no ano passado.

Em 2021, segundo estimativas da Euromonitor, o uso de garrafas plásticas de água aumentará para 583,5 bilhões de unidades. “Este aumento está sendo impulsionado por uma maior urbanização”, disse Rosemary Downey, chefe de embalagem da Euromonitor ao  jornal. Em 2015, os consumidores na China, que puxam essa alta, compraram 68,4 bilhões de garrafas de água e em 2016 essa taxa aumentou para 73,8 bilhões.

“Existe um desejo de vida saudável e há preocupações contínuas sobre a contaminação das águas subterrâneas e a qualidade da água da torneira, que contribuem para o aumento do uso de água na garrafa”, disse ela.  Índia e Indonésia também estimulam esse crescimento.

Inevitavelmente, o enfrentamento do problema das garrafas plásticas também exigirá melhorias na gestão hídrica no mundo, o que não reduz a importância de se repensar hábitos de consumo e produção envolvidos.

A maioria das garrafas de plástico usadas para refrigerantes e água são feitas de tereftalato de polietileno (Pet), que é altamente reciclável. Nos últimos anos, ativistas ambientais têm pressionado as empresas produtoras a usarem Pet reciclado para confeccionar novas garrafas, mas segundo a reportagem do The Guardian, há uma grande resistência à ideia por questões estéticas — garrafas recicladas não são tão transparentes quanto as produzidas com matéria-prima virgem.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 03 de julho de 2017

Aumenta risco de proibição de EPS no McDonald’s

Proposta foi aprovada por acionistas convencidos por grupo ambientalista

O grupo ambientalista norte- americano As You Sow afirma ter convencido 32,3% dos acionistas da McDonald’s Corp. a apoiar sua proposta de banir  embalagens de poliestireno expansível (EPS) da rede global da grife de fast food.

Conforme divulgou a publicação Packaging World, a decisão foi tomada em reunião anual dos controladores da empresa em maio último e o resultado da votação, frisa o As You Sow,  ultrapassou a parcela de 20% estipulada para a aprovação de propostas sociais e ambientais.

Segundo a mesma fonte na mídia, McDonald’s já varreu EPS, material citado como de reciclagem complexa, de seus copos nos EUA, mas mantém esse recipiente.

Fonte – Plásticos em Revista

Nota do IDEAIS: O problema não se restringe a embalagens do material popularmente conhecido como Isopor.

Quando vai acontecer das redes de fast food substituírem artigos de plásticos não degradáveis (copos, pratos, sacos, canudos e embalagens em geral) por soluções mais ecológicas, por exemplo, plásticos biodegradáveis certificados em conformidade com normas brasileiras e internacionais?

Boletim do Instituto IDEAIS de 18 de julho 2017

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Um planeta literalmente coberto de plástico

calculating plastic waste

O ecologista industrial Roland Geyer mede a produção, o uso e o destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas

Mais de 8 bilhões de toneladas métricas. Essa é a quantidade de plásticos, de origem humana, criados desde que a produção em grande escala de materiais sintéticos começou no início dos anos 50. É suficiente para cobrir todo o país da Argentina e a maioria do material agora reside em aterros sanitários ou no ambiente natural.

Tais são os resultados de um novo estudo liderado pelo ecologista industrial Roland Geyer, da UC Santa Barbara. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, fornece a primeira análise global da produção, uso e destino de todos os plásticos já fabricados, incluindo fibras sintéticas.

“Não podemos continuar com o negócio como de costume, a menos que queremos um planeta literalmente coberto de plástico”, disse o autor principal, Geyer, professor associado da Escola Bren de Ciências e Gestão Ambiental da UCSB. “Este artigo fornece dados rígidos, não apenas quanto ao plástico que fizemos ao longo dos anos, mas também a sua composição e a quantidade e tipo de aditivos que o plástico contém. Espero que essa informação seja usada pelos formuladores de políticas para melhorar estratégias de gerenciamento de finais de vida para plásticos “.

Geyer e sua equipe compilaram estatísticas de produção de resinas, fibras e aditivos de várias fontes da indústria e sintetizaram-nas de acordo com o setor de tipo e consumo. Eles descobriram que a produção global de resinas e fibras plásticas aumentou de 2 milhões de toneladas em 1950 para mais de 400 milhões de toneladas em 2015, superando a maioria dos outros materiais artificiais. Exceções notáveis são aço e cimento. Embora esses materiais sejam usados principalmente para construção, o maior mercado de plásticos é a embalagem, que é usada uma vez e depois descartada.

“Aproximadamente metade de todo o aço que fabricamos entra em construção, por isso terá décadas de uso; O plástico é o oposto “, disse Geyer. “Metade de todos os plásticos se tornam resíduos após quatro ou menos anos de uso”.

E o ritmo da produção de plástico não mostra sinais de desaceleração. Da quantidade total de resinas plásticas e fibras produzidas de 1950 a 2015, cerca de metade foi produzida nos últimos 13 anos.

“O que estamos tentando fazer é criar as bases para o gerenciamento sustentável de materiais”, acrescentou Geyer. “Simplesmente, você não consegue gerenciar o que você não mede, e então pensamos que as discussões sobre políticas serão mais informadas e com base em fatos, agora que temos esses números”.

Os pesquisadores também descobriram que, até 2015, os seres humanos produziram 6,3 milhões de toneladas de resíduos de plástico. Desse total, apenas 9% foram reciclados; 12 por cento foram incinerados e 79 por cento acumulados em aterros sanitários ou no ambiente natural. Se as tendências atuais continuam, observou Geyer, cerca de 12 bilhões de toneladas métricas de resíduos de plástico – pesando mais de 36 mil que o edifício Empire State Buildings – estarão em aterros sanitários ou no ambiente natural em 2050.

“A maioria dos plásticos não se biodegrada em nenhum sentido significativo, de modo que o desperdício de plástico, que os seres humanos geraram, poderia estar conosco por centenas ou mesmo milhares de anos”, disse a coautora Jenna Jambeck, professora associada de engenharia da Universidade da Geórgia. “Nossas estimativas ressaltam a necessidade de pensar criticamente sobre os materiais que usamos e nossas práticas de gerenciamento de resíduos”.

Dois anos atrás, a mesma equipe de pesquisa publicou um estudo na revista Science que mediu a magnitude dos resíduos de plástico no oceano. Eles descobriram que dos 275 milhões de toneladas métricas de resíduos de plástico gerados em 2010, cerca de 8 milhões entraram nos oceanos do mundo. Esse estudo calculou a quantidade anual de resíduos de plástico usando dados de geração de resíduos sólidos; A nova pesquisa usa dados de produção de plástico.

“Mesmo com dois métodos muito diferentes, obtivemos praticamente o mesmo número de resíduos – 275 milhões de toneladas métricas – para 2010, o que sugere que os números são bastante robustos”, disse Geyer.

“Há pessoas vivas hoje que se lembram de um mundo sem plásticos”, disse Jambeck. “Mas os plásticos tornaram-se tão onipresentes que você não pode ir a qualquer lugar sem encontrar resíduos de plástico em nosso meio, incluindo nossos oceanos”.

Os pesquisaores são rápidos em avisar que eles não procuram eliminar o plástico do mercado, mas defendem um exame mais crítico do uso de plástico.

“Existem áreas onde os plásticos são indispensáveis, como a indústria médica”, disse o coautor Kara Lavender Law, professor de pesquisa da Sea Education Association em Woods Hole, Massachusetts. “Mas eu acho que precisamos examinar cuidadosamente o uso de plásticos e perguntar se ele faz sentido”.

Production, use, and fate of all plastics ever made
Roland Geyer,*, Jenna R. Jambeck and Kara Lavender Law
Science Advances 19 Jul 2017:
Vol. 3, no. 7, e1700782
DOI: 10.1126/sciadv.1700782
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full
http://advances.sciencemag.org/content/3/7/e1700782.full.pdf

Fonte – Julie Cohen, University of California, Santa Barbara / Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate de 24 de julho de 2017

Uso desenfreado de plástico ameça oceanos e saúde humana

Sacola de plástico no marUICN estima que 2% da produção total de plásticos acaba nas águas oceânicas

Desde 1950, 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas no mundo. Cada pessoa utiliza, em média, 60 quilos do material por ano. Parte disso vai parar nos mares e entra na cadeia alimentar.

Do ponto de vista histórico, o plástico é um fenômeno muito novo. Em 1950, a produção global total do material foi de pouco mais de 2 toneladas. Em 2015, ou seja, apenas 65 anos depois, a produção foi de 448 milhões de toneladas.

Atualmente, utilizamos uma média global de aproximadamente 60 quilos de plástico por ano por pessoa. Nas regiões mais industrializadas – América do Norte, Europa Ocidental e Japão – a média é de mais de 100 quilos per capita.

Em um novo estudo, pesquisadores estimaram que cerca de 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram fabricadas a partir de petróleo bruto desde 1950. Desse total, cerca de 30% permanecem em uso – em lares, carros ou fábricas. Outros 10% foram queimados.

Isso significa que 60% da quantidade total de plástico produzido até o momento leva uma existência obscura, seja em lixões ou descartado ao acaso. Globalmente, isso significa que existem cerca de 650 quilos de lixo plástico inutilizados.

Frequentemente esse plástico descartado vai parar nos oceanos. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) estima que 2% da produção total de plásticos acaba nas águas oceânicas.

Uma vez nos mares, o plástico permanece ali por anos, já que não é biodegradável ou digerível. Normalmente, ele se fragmenta em pedaços cada vez menores. Alguns deles são engolidos por organismos marinhos, entrando em cadeias alimentares – algo prejudicial tanto para ecossistemas marinhos quanto para as pessoas que comem peixe.

“Estamos caminhando em direção a um planeta plástico”, disse o pesquisador da Universidade da Califórnia, Roland Geyer, coautor do novo estudo. Ele acrescenta que o crescimento global na produção de plásticos é “extraordinário e não dá sinais de que vá abrandar no curto prazo”.

Os pesquisadores estimam que, se as tendências atuais continuarem, até 2050 haverá cerca de 12 bilhões de toneladas de lixo plástico no mundo.

Fontes de microplásticos

Os microplásticos são partículas de plástico com um tamanho na faixa de micrômetros ou nanômetros (0.0001 a 0.0000001 centímetro). Abrasão e decomposição de resíduos plásticos no mar são fontes de microplásticos. Outra é a abrasão de plásticos em terra.

A maioria dos microplásticos é liberada por tecidos sintéticos, como fiapos. Cerca de 60% das roupas contêm fibras sintéticas, e essa proporção deverá aumentar, em parte porque as fibras sintéticas são baratas de se produzir.

Isso significa uma quantidade enorme de fiapos de plástico no mundo todo. De acordo com um estudo atual da União Europeia (UE), somente na Europa, as máquinas de lavar despejam cerca de 30 mil toneladas de fibras sintéticas no sistema de esgoto a cada ano. E algumas acabam no mar.

Tintas usadas para a marcação de rodovias e para evitar que os navios apodreçam também contribuem para o acúmulo de microplásticos nos oceanos. Pequenos pedaços de plástico desgastado de pneus e marcações rodoviárias são transportados pelo vento e pela água para córregos e riachos. Eventualmente, parte deles termina no mar.

Infografik Woher kommt das Mikroplastik in den Weltmeeren POR Infografik Woher kommt das Mikroplastik in den Weltmeeren POR

Ingestão de plástico

A menos que haja uma mudança, dentro das próximas três décadas a massa total de lixo plástico nos oceanos pode ser maior do que a de peixes. Os microplásticos são muito pequenos para serem vistos a olho nu. Mexilhões, vermes marinhos e peixes absorvem alguns desses pequenos fragmentos ao se alimentarem.

Uma vez que o plástico não pode ser digerido, ele se acumula nesses pequenos organismos, e quando predadores se alimentam deles, também ingerem o plástico. Assim como outros poluentes, os microplásticos ficam mais concentrados no topo da cadeia alimentar.

Estudos mostram que a ingestão de microplásticos pode ter efeitos adversos em vários animais marinhos. Esses efeitos incluem: chances reduzidas de reprodução; crescimento e locomoção mais lentos; bem como uma maior tendência à inflamação e maior mortalidade.

Cientistas ainda não sabem ao certo quais toxinas químicas são transferidas de plásticos para o meio ambiente ou para a carne de organismos marinhos. A pesquisa sobre os impactos ambientais e biológicos dos microplásticos marinhos continua engatinhando. O que se sabe é que uma pequena quantidade de microplástico é inevitavelmente absorvida por seres humanos quando comemos peixes ou crustáceos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) emitiu uma declaração dizendo que os microplásticos não são considerados atualmente um risco significativo para a saúde humana. Ao mesmo tempo, no entanto, reconhece que poucos dados estão disponíveis e que mais pesquisas são necessárias.

Infografik Karte Woher kommt der Plastikmüll in den Weltmeeren? POR

Problema na agenda internacional

A poluição oceânica está agora na agenda internacional. No início de junho, em Nova York, a Conferência dos Oceanos da ONU tentou encorajar países-membros a apresentarem projetos e programas para proteger a saúde dos ecossistemas oceânicos.

O G20, grupo das maiores economias do mundo, também colocou a poluição oceânica em sua agenda com um plano de ação conjunta para reduzir o lixo marinho, também acordado em junho. Significaria isso que o problema está a caminho de ser resolvido?

“Se é para a Terra continuar sendo o planeta azul, temos que parar de sufocar os oceanos com lixo”, disse a ministra alemã do Meio Ambiente, Barbara Hendricks.

“A dimensão da inundação global de lixo se tornou inconcebivelmente enorme. Então, estou muito feliz com o acordo do G20 sobre um plano de ação conjunta”, comemorou. “Isso leva faz a proteção de nossos oceanos dar um grande passo adiante em termos de consciência global.”

Grupos ambientais apontaram o acordo como um bom começo. No entanto, o plano de ação do G20 não presta atenção suficiente às causas, dizem alguns.

“Os governos procuram respostas demais na reciclagem, mas deveriam ir até a raiz do problema: embalagens e produtos plásticos desnecessários não devem sequer ser produzidos”, diz Thilo Maack, biólogo marinho que trabalha para o Greenpeace na Alemanha.

Maack reconhece, contudo, que a reutilização e a reciclagem de produtos plásticos também são importantes. Na opinião dele, uma medida-chave para controlar o crescente fluxo de lixo plástico seriam instrumentos econômicos que incluem os custos ambientais no preço final.

“Se esses custos forem inseridos no preço final de produtos plásticos desde o início, o plástico será usado mais moderadamente, reutilizado e mais reciclado. E alternativas mais ecológicas [como embalagens biodegradáveis] se tornariam mais baratas em comparação”, afirma o biólogo.

Fonte – Gero Rueter, DW de 31 de de julho de 2017

Clique aqui para ler a matéria original e assistir os dois vídeos.

Somente 9% do plástico produzido pela humanidade foi reciclado

Lixo plásticoMais de 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas pela humanidade entre 1950 e 2015; pelo menos 6,3 bilhões de toneladas já se tornaram lixo e, desse total, 79% foram parar em aterros sanitários ou no ambiente natural.  Foto: Tiago Queiroz / Estadão

Cientistas calcularam que 8,3 bilhões de toneladas foram fabricadas de 1950 a 2015; 79% do total foi para aterros ou meio ambiente

Uma nova pesquisa mostra que o ser humano produziu 8,3 bilhões de toneladas de plástico, desde o início a produção em massa desse material, em 1950, até 2015. A maior parte já virou lixo e quase 80% do material está agora em aterros sanitários ou no meio ambiente.

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 19, na revista Science Advances, foi liderado por cientistas das universidades da Geórgia, da Califórnia e da organização oceanográfica Sea Education Association (SEA) – todas dos Estados Unidos. Segundo os autores, a pesquisa faz “a primeira análise global da produção, uso e destino de todo o plástico já fabricado”.

Das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas até 2015, cerca de 6,3 bilhões já foram descartados.  De todo esse lixo, apenas 9% foi reciclado, 12% foi incinerado e 79% está acumulado em aterros ou poluindo o ambiente natural.

O estudo também mostra que a produção de plástico acelerou nos últimos anos: metade da produção de 8,3 bilhões de toneladas ocorreu nos últimos 13 anos do período estudado, isto é, entre 2002 e 2015.

Nesse ritmo, segundo os cientistas, a quantidade de plástico jogada em aterros ou no ambiente chegará a 13 bilhões de toneladas até 2050. A quantidade atual, em 2017, é estimada em 9,1 bilhões de toneladas.

“A maior parte do plástico não é bidegradável em nenhum sentido, portanto o lixo plástico gerado pelos humanos poderá permanecer conosco por centenas ou até milhares de anos”, disse uma das autoras do estudo, Jenna Jambeck, professora da Universidade da Geórgia.

Para realizar a pesquisa, os cientistas compilaram estatísticas de produção de resinas, fibras e aditivos de diversas fontes industriais e sintetizaram os dados de acordo com tipo e setor de consumo.

Segundo o estudo, em 1950, a produção de plástico era de 2 milhões de toneladas anuais. Em 2015, ela já era de 400 mihões de toneladas por ano. Com isso, dizem os cientistas, o plástico ultrapassou vários outros materiais no ranking dos mais produzidos pela humanidade. Atualmente, os mais produzidos são os materiais relacionados à construção civil, como aço e cimento.

Os cientistas afirmam, porém, que o aço e o cimento são usados principalmente para construção, enquanto o plástico tem seu maior mercado nas embalagens, que na maior parte das vezes são utilizadas uma só vez e descartadas.

“Mais ou menos metade de todo o aço que é produzido vai para a construção, e por isso terá décadas de uso. Com o plástico acontece o contrário. Metade do que é produzido se torna lixo com quatro anos ou menos de uso”, disse o autor principal da pesquisa, Roland Geyer, também da Universidade da Geórgia.

Segundo Geyer, o estudo tem o objetivo de criar os fundamentos para uma gestão sustentável de materiais. “Dito de forma simples, não é possível fazer a gestão do que não foi medido. Então, achamos que as discussões sobre políticas públicas ficarão mais informadas e baseadas em fatos agora que temos esses números”, disse Geyer.

Plástico nos mares e oceanos

A mesma equipe de pesquisadores publicou em 2015, na revista Science, um estudo que calculou a quantidade de plástico no ambiente marinho. A estimativa é de que só no ano de 2010, mais de 8 milhões de toneladas de plástico foram jogadas nos oceanos.

“Existe gente viva atualmente que ainda se lembra de um mundo sem plástico. Mas esse material já se tornou tão onipresente que não conseguimos ir em lugar algum sem encontrar lixo plástico no ambiente, incluindo os oceanos”, disse Jenna.

Os autores do estudo destacaram que não têm a pretensão de remover o plástico do mercado, mas de incentivar um exame mais crítico do uso do material.

“Há áreas nas quais o plástico é indispensável, especialmente em produtos desenhados para a durabilidade. Mas acho que precisamos olhar com mais cuidado para o nosso caro uso dos plásticos e devemos nos perguntar quando o uso desses materiais fazem ou não fazem sentido”, afirmou outra das autoras do estudo, Kara Lavender Law, da SEA.

Fonte – Fábiod e Castro, O Estado de S. Paulo de 19 de julho de 2017