A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral

ONU lança campanha contra poluição dos oceanos provocada por consumo de plástico. Foto: ONU Brasil

A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral

Introdução

As correntes oceânicas têm vindo a desenvolver durante décadas detritos flutuantes em todos os cinco principais giros oceânicos (do Atlântico Norte, do Atlântico Sul, do Índico, do Pacífico Norte e do Pacífico Sul). Um giro oceânico é um grande sistema de correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento, e é causado pelo efeito da força de Coriolis (Heinemann et al., 1998). As correntes rotativas criam grandes manchas e redemoinhos de lixo, sendo muito dele constituído por resíduos de plástico (Jeftic et al., 2009).

No entanto, a quantidade exata de plástico que continua a ser encaminhado para os oceanos do mundo continua a não ser suficientemente conhecida. Um estudo de 2015 do grupo de trabalho sobre resíduos marinhos do National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, publicado na revista Science estima que a quantidade de resíduos de plástico que são despejados no mar ronda os 8 milhões de toneladas anualmente (Jambeck et al., 2015). O grupo de trabalho NCEAS prevê que o impacto cumulativo nos oceanos poderá ser tão elevado como 155 milhões de toneladas em 2025.

Contudo, o planeta não vai chegar ao “pico de resíduos” global antes de 2100 (Hoornweg et al., 2013), o que tenderá a agravar ainda mais a situação. “Estamos, deste modo, a ser dominados pelos nossos resíduos, mas o problema não é insuperável”, segundo Jambeck.

Naturalmente, que a inversão desta tendência alarmante passa pela redução do crescimento de plástico industrial e doméstico de uso único e por estratégias de gestão e recuperação, a par de responsabilidade alargada do produtor.

A poluição plástica (polímeros sintéticos) está distribuída globalmente em todo o ambiente marinho devido às suas propriedades de flutuabilidade e durabilidade, portanto, com potencial para se tornar amplamente dispersa no ambiente marinho através da hidrodinâmica e correntes oceânicas.

Através de foto-degradação (ação da luz solar) e outros processos atmosféricos, nomeadamente, biodegradação (ação de organismos vivos normalmente micróbios), degradação térmica (resultado da exposição prolongada a radiações UV) ou hidrólise (reação com água), os fragmentos plásticos dispersam-se no oceano, vindo a convergir nos giros. A geração e acumulação de poluição de plástico também ocorre em baías fechadas, golfos e mares cercados por linhas costeiras e bacias hidrográficas densamente povoadas (Barnes et al., 2009).

A absorção de substâncias tóxicas do plástico durante o seu percurso através do ambiente levaram alguns investigadores a afirmar que polímeros sintéticos no oceano devem ser considerados como resíduos perigosos (Rochman et al., 2013).

O presente trabalho aborda os perigos da poluição de microplásticos existentes e emergentes no Atlântico Norte, procurando sensibilizar para o problema e contribuir para os esforços em curso para desenvolver soluções para a poluição plástica.

O problema

Muitos autores definem microplásticos como partículas menores que 5 mm (e.g. NOAA, 2009), enquanto outros colocam o limite superior em 1 mm (e.g. Claessens et al., 2011), sendo, no entanto, o valor de 5 mm o mais utilizado. Este (5 mm) é o tamanho usado pelo norte-americano National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) para o Programa Lixo Marinho.

Estas partículas têm vindo a ser detetadas, de forma crescente no seio do biota aquático, afetando o zooplâncton de alimentação dos peixes, aumentado assim a preocupação com potenciais efeitos sobre os organismos aquáticos e a potencial influência sobre a toxicidade de outros contaminantes do meio marinho.

Os plásticos, fabricados a partir de recursos não renováveis como petróleo, carvão e gás natural são indispensáveis na sociedade moderna e são amplamente utilizados nos mais variados tipos de indústria. Trata-se de um material omnipresente na civilização contemporânea e encontramo-lo sob as mais variadas formas. As propriedades dos plásticos levaram a inúmeros avanços tecnológicos, economia de energia, melhoria da saúde dos consumidores e redução dos custos de transporte.

Devido à sua muito baixa taxa de degradação, quebrando apenas gradualmente, através de ação mecânica, persistem por séculos. Os plásticos de tamanhos variados acumulam-se tanto em ecossistemas terrestres como aquáticos.

Dada a sua importância na nossa sociedade, é também um dos materiais mais descartados no ambiente como lixo, muito do qual não recebe o destino correto e acaba, invariavelmente, nos mares, transportados por rios, cheias, e outros fatores humanos, tornando-se um dos fatores de impacto mais drásticos e observáveis no ambiente.

No meio marinho, os plásticos acumulam-se tanto em áreas costeiras baixas como no oceano aberto e encontram-se desde os trópicos aos mares polares, cuja acumulação no giro oceânico, juntamente com vários outros resíduos, incluindo produtos químicos, tem despertado crescente preocupação, o que representa um grande desafio para a sua remediação (Zarfl et al., 2011).

Apesar da sua jovem idade, os plásticos já invadiram a maioria dos habitats marinhos incluindo a Antártida (Zarfl & Matthies, 2010) e até mesmo o mais puro e intocado: o fundo do mar Ártico como Bergmann & Klages (2012) demonstraram recentemente.

No entanto, apesar da consciência crescente do problema da poluição de plástico, ele continua a ser produzido, consumido e descartado a uma taxa crescente, o que constitui um problema para a biosfera como um todo, em animais marinhos que por sua vez afeta negativamente a biodiversidade (Rochman et al., 2013). Em 2011, a produção mundial de plásticos aumentou para cerca de 280 milhões de toneladas, continuando um padrão de crescimento de cerca de 9% ao ano desde 1950 (Plastics Europe, 2012).

O fundo do mar é considerado como um esgoto para grande parte dos plásticos marinhos. Interferem fisicamente no ambiente por acumulação, soterrando seres vivos que vivem no fundo do oceano ou bloqueando parte da superfície quando flutuam em grandes maciços, libertando substâncias tóxicas.

Origem da poluição plástica

Grande parte da poluição de plástico tem origem terrestre (80%), não só a partir do uso doméstico em áreas urbanas e industriais, como de estações de tratamento de água que usam técnicas limitadas e ineficientes para eliminar microplásticos, sendo normalmente transportados pelo escoamento da água e do vento para o oceano.

Os restantes 20% são de origem marítima (Jeftic et al., 2009), resultantes do despejo do lixo não regulamentado ou ilegal da atividade de transporte marítimo ou, por variadas razões ter de perder a totalidade ou parte da sua carga, e ainda a poluição originada pelas atividades industriais baseadas no mar, como por exemplo a pesca que, nas últimas décadas se acentuou devido ao aperfeiçoamento de técnicas e equipamentos, à expansão das frotas e à introdução das linhas e redes de plástico. Segundo Allsopp et al. (2007) observações informais indicam que são descartadas até 30 km de redes em cada viagem de navio pesqueiro no Atlântico Norte, situação que, muito provavelmente, se deve repetir noutros oceanos. Linhas, cordas e redes enredam-se em hélices de navios, danificando-as, obstruem tubulações e sistemas de bombeamento de água, provocam entrelaçamento da fauna marinha que a leva à morte por estrangulamento e afogamento, complicando a própria atividade pesqueira e a navegação em geral, tornando-se um problema de todos.

As plataformas petrolíferas são também grandes fontes da quantidade de plásticos derivados dos tubos de perfuração, capacetes de proteção, luvas, uso como abrasivos em aplicações de limpeza (também em uso doméstico) entre outros.

A aquicultura também pode ser um contribuinte significativo de detritos plásticos nos oceanos.

A situação no Atlântico Norte

Os resíduos de plástico, são uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos. Depois de decompostos em fragmentos microscópicos, o que pode durar séculos, libertam substâncias tóxicas, misturam-se com o plâncton, são confundidos com alimento por várias espécies e por serem indigeríveis, causam obstruções no seu aparelho digestivo matando-os ou ferindo-os, acabando assim infiltrados em toda a cadeia alimentar oceânica, que mais tarde contaminará a alimentação humana. Afetando os ecossistemas e espécies, muitas delas de valor econômico, naturalmente que o Homem acaba prejudicado também, como a ciência já comprovou. As grandes vítimas são tartarugas (espécie ameaçada), aves, focas e outros grandes animais marinhos.

Um levantamento realizado em praias da Espanha, França e Itália revelou em média a existência de 1 935 objetos diversos por km2 da faixa costeira: 77% deles eram de plástico, e destes, 93% eram sacos utilizados nas compras domésticas (Madan & Madan, 2009).

Estudos recentes efetuados na Escócia (Murray & Cowie, 2011) demonstraram que 83,0% dos lagostins recolhidos no Mar de Clyde ingeriram plástico, incluindo linhas de monofilamento e fragmentos de sacos de plástico. Num outro estudo realizado no Canal da Mancha (Lusher et al., 2013), das 504 amostras examinadas em 10 espécies de peixe foram observados plásticos no trato gastrointestinal de 36,5%. Todas as cinco espécies pelágicas e as cinco demersais (que vivem no fundo do mar) tinham ingerido plástico, a sua maioria constituído pelos polímeros rayon (57,8%), poliamida (35,6%), muito usados na indústria pesqueira, não existindo diferenças significativas entre a ingestão de microplásticos pelos peixes pelágicos (38%) e demersais (35%). A maioria do plástico ingerido era constituída por fibras sintéticas (68,3%), seguido de fragmentos plásticos (16,1%), pellets e “microbeads” (11,5%), ocupando os microplásticos 92,4% do total.

O Mar do Norte e, particularmente, o lodaçal das marés do Mar de Wadden é um ecossistema diversificado, complexo, que atua como um valioso habitat para a vida marinha com um alto grau de biodiversidade. Ao mesmo tempo, o Mar do Norte está rodeado pelas densamente povoadas nações industrializadas do norte da Europa. Aproximadamente 185 milhões de pessoas vivem em estados ribeirinhos, e milhões de turistas visitam a área do Mar do Norte todos os anos para recreação (OSPAR, 2010). Várias indústrias e grandes portos estão localizados em baías ou estuários dos grandes rios como o Reno, o Elba e o Tamisa.

No que diz respeito à exploração humana offshore, o Mar do Norte é afetado pela pesca intensiva e o tráfego marítimo de navios comerciais, de passageiros, de embarcações de recreio e militares. Alguns programas regionais, como a Convenção OSPAR promovem e gerem ações e medidas potenciais, para evitar maior degradação do meio ambiental marinho.

No estuário do rio Tamar (Sudoeste do Reino Unido) designado em 2013 como Zona de Conservação Marinha pela sua biodiversidade e habitats variados para proteger os habitats estuarinos, os microplásticos e potencialmente, também à escala nanométrica representam mais de 80% de plásticos retidos (Browne et al., 2007).

Muitos países já registaram declínio na pesca por causa do lixo, e o problema afeta também o turismo. Os impactos econômicos ainda não foram estimados com precisão, e só se dispõe de estudos pontuais, mas a partir deles é fácil projetar a dimensão global dos prejuízos.

Nas ilhas Shetland (Reino Unido) os detritos marinhos dão prejuízos para a pesca que chegam a mais de 3 milhões de euros anuais na danificação de equipamentos e prejuízo nos peixes. No Reino Unido, em 1998 foram registados 200 incidentes envolvendo motores de barcos danificados por detritos, e alguns portos britânicos gastam até 33 mil euros anuais por problemas relacionados (Jeftic et al., 2009).

Os impactos dos detritos plásticos a longo prazo, combinados com outras formas de agressão, como a crescente poluição química por fertilizantes e esgotos, o aquecimento das águas devido ao aquecimento global, o declínio da biodiversidade marinha e outros fatores terão repercussões, sem dúvida à escala global, afetando profundamente o Homem.

As zonas costeiras são as regiões mais produtivas do mundo, tanto biológica como economicamente, mas são também altamente vulneráveis, sobretudo em zonas mais densamente povoadas. Deve ter-se em conta que grande parte da população mundial vive no litoral, recebendo impactos diretos da poluição por detritos marinhos, plásticos e outros.

Esforços para regular a poluição marinha

Desde a Convenção MARPOL (1973), a principal Convenção que abrange a prevenção da poluição do meio marinho por navios, causada de forma operacional ou acidental, muitos esforços nacionais e transnacionais têm procurado compreender melhor e regular a poluição marinha.

Estes esforços têm conduzido a resultados tangíveis nas formas de melhorar a cultura ambiental, através de acordos internacionais e legislação, nomeadamente, (i) o Protocolo de MARPOL a partir de 1978, atualizado ao longo dos anos com sucessivas alterações (ii) a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Econômico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre uma política marítima integrada para a União Europeia (COM(2007) 574) (iii) a Diretiva 2008/56/CE do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de ação comunitária no domínio da política para o meio marinho (Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”) em que os Estados-membros devem desenvolver atividades para alcançar “um bom estado ambiental” nos mares europeus até 2020 (iv) a Convenção OSPAR (Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste), um instrumento legislativo vigente desde 1998, que regula a cooperação internacional em matéria de proteção ambiental no Atlântico Nordeste. Combina e atualiza a Convenção de Oslo de 1972 sobre o despejo de resíduos no mar e a Convenção de Paris adotada em 1974 sobre fontes de poluição marinha terrestres (v) a Public Law 109 – 449, de dezembro 2006 (EUA) com vista ao estabelecimento de um programa para ajudar a identificar, determinar as fontes, avaliar, reduzir e evitar detritos marinhos e os seus efeitos adversos sobre o ambiente marinho e segurança da navegação.

Estes esforços legislativos refletem a sensibilização da sociedade para com a poluição costeira e de mar aberto.

Possíveis soluções

A UNEP, a agência das Nações Unidas que coordena as suas atividades ambientais e ajuda os países em desenvolvimento na implementação de políticas e práticas ambientalmente saudáveis recomenda, entre outras, as seguintes medidas para minimizar o impacto negativo dos detritos marinhos, enfatizando que a prevenção é mais efetiva e mais barata do que o combate a um problema já instalado (Jeftic et al., 2009):

Reforço e melhoria internacional da legislação sobre o lixo e sua fiscalização;

Estabelecimento de programas de monitorização;

Educação do público em larga escala conduzindo à mudança de hábitos, fazendo-o entender a importância do problema, seu papel nas causas, e ensinando formas de preveni-lo e mitigá-lo, dirigindo-se especialmente ao público que vive no litoral e aos turistas;

Reestruturação do setor pesqueiro, introduzindo métodos e materiais de pesca menos danosos ao ambiente;

Incrementar a eficiência e segurança dos sistemas de manuseamento de lixo dos navios de transporte de carga e passageiros;

Incentivar a pesquisa e o intercâmbio de informações, a cooperação global, preparando mais pessoal técnico;

Dedicar mais incentivos e recursos a infraestruturas sanitárias e a programas de redução do lixo e de manuseamento correto dos resíduos.

Conclusões

Os primeiros relatos de lixo plástico nos oceanos no início dos anos 70 (Colton et al., 1974) chamaram a mínima atenção da comunidade científica. Atualmente, apesar do reconhecimento generalizado do problema, a quantidade de detritos de plástico encontrada no meio ambiente continua a aumentar, resultado da sua crescente utilização.

Na sociedade contemporânea, o plástico alcançou um estatuto fundamental, com vasta aplicação comercial, industrial e medicinal. A procura é considerável.

As tendências de produção, padrões de uso e as mudanças demográficas e a natureza descartável de artigos de plástico resultará num aumento da incidência de plásticos e detritos microplásticos, no ambiente marinho.

O meio marinho é um patrimônio precioso que deve ser protegido, preservado e, quando exequível, recuperado com o objetivo último de manter a biodiversidade e de possibilitar a existência de oceanos e mares diversos e dinâmicos, limpos, sãos e produtivos. Os detritos marinhos, em especial os plásticos, são um desafio de grandes proporções que cresce a cada dia, é uma das mais omnipresentes formas de poluição e tem dado enormes prejuízos, e por isso tem chamado a atenção internacional, mas as medidas até agora adotadas têm sido insuficientes para a reversão de um quadro que é muito preocupante e cuja repercussão é de longo prazo.

De acordo com Jambeck et al. (2015), a “remoção em grande escala de detritos marinhos de plástico não vai ser rentável e muito provavelmente simplesmente inviável”. “Isso significa que precisamos para evitar plástico de entrar nos oceanos, em primeiro lugar de uma melhor gestão dos resíduos, mais reutilização e reciclagem, melhor design de produto e materiais de substituição”.

Definitivamente, o oceano tem de deixar de ser o principal sumidouro de plásticos.

Referências

Allsopp, M., Walters, A., Santillo, D. & Johnston, P. (2007). Plastic Debris in the World’s Oceans. Greenpeace.

Barnes, D. K. A., Galgani, F., Thompson, R. C., & Barlaz, M. (2009). Accumulation and fragmentation of plastic debris in global environments. Philosophical Transactions of the Royal Society B, 364, 1985–1998.

Bergmann, M., & Klages, M. (2012). Increase of litter at the Arctic deep-sea observatory HAUSGARTEN. Marine Pollution Bulletin, 64, 27342741.

Browne, M. A., Galloway, T., & Thompson, R. (2007). Microplastic – an emerging contaminant of potential concern?Integrated Environmental Assessment and Management, 3(4), 559–561.

Claessens, M., De Meester S., Van Landuyt L., De Clerck K., Janssen C.R. (2011). Occurrence and distribution of microplastics in marine sediments along the Belgian coast. Marine Pollution Bulletin, 62(10), 2199-204.

Colton, J. B., Knapp, F. D., & Burns, B. R. (1974). Plastic particles in surface waters of the northwestern Atlantic.Science, 185(4150), 491–497.

Heinemann, B. and the Open University (1998). Ocean circulation. Oxford University Press.

Hoornweg, D., Bhada-Tata, P., & Kennedy, C. (2013). Waste production must peak this century. Nature, 502(7473), 615-617.

Jambeck, J. R., Geyer, R., Wilcox, C., Siegler, T. R., Perryman, M., Andrady, A., Narayan, R., & Law, K. L. (2015).Plastic waste inputs from land into ocean. Science, 347(6223), 768-771. DOI: 10.1126/science.1260352

Jeftic, L., Sheavly, S. & Adler, E. (2009). Marine litter: a global challenge. United Nations Environment Programme: Nairobi.

Lusher, A. L., McHugh, M., & Thompson, R. C. (2013). Occurrence of microplastics in the gastrointestinal tract of pelagic and demersal fish from the English Channel. Marine Pollution Bulletin, 67, 94- 99.

Madan, S. & Madan, P. (2009). Marine Debris. Global Encyclopaedia of Environmental Science, Technology and Management. Global Vision Publishing House.

Murray, F., & Cowie, P. R. (2011). Plastic contamination in the decapod crustacean Nephrops norvegicus (Linnaeus, 1758). Marine Pollution Bulletin, 62(6), 1207-1217.

NOAA (2009). Proceedings of the International Research Workshop on the Occurrence, Effects and Fate of Microplastic Marine Debris. NOAA Marine Debris Programme, NOAA Technical Memorandum NOS-OR&R-30.

OSPAR (2010). Quality Status Report 2010. London, United Kingdom.

Plastics Europe (2012). An Analysis of European Plastics Production, Demand and Waste Data for 2011. Plastics Europe, Brussels.

Rochman, C. M., Browne, M. A., Halpern, B. S., Hentschel, B. T., Hoh, E., Karapanagioti, H. K., Rios-Mendoza, L. M.,Takada, H.,Teh, S. & Thompson, R. C. (2013). Classify plastic waste as hazardous. Nature, 494, 169-171.

Zarfl, C., Fleet, D., Fries, E., Galgani, F., & Gerdts, G. (2011). Microplastics in oceans. Marine Pollution Bulletin, 62(8), 1589-1591.

Zarfl, C., & Matthies, M. (2010). Are marine plastic particles transport vectors for organic pollutants to the Arctic?Marine Pollution Bulletin, 60(10), 1810–1814.

Alexandra Leitão é Professora Auxiliar na Católica Porto Business School, onde foi Diretora das Licenciaturas em Economia e Gestão de 2011 a 2013. Doutorada em Economia, com especialização em Economia do Ambiente, pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Finanças, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Tem interesses de investigação e publicações em Economia do Ambiente e dos Recursos Naturais, com comunicações em diversas conferências internacionais. Publicou na Ecological Economics. Referee em revistas científicas internacionais.

Fonte – EcoDebate de 13 de março de 2017

Este post é dedicado àquela empresa que polui o planeta com plástico indestrutível e que prega que “o plástico é fantástico!”.

Da diabetes ao câncer: quais são os itens do dia a dia que alteram seus hormônios silenciosamente

garrafa de águaGarrafas de plástico são produzidas com bisfenol A, que podem provocar distúrbios hormonais. THINKSTOCK

Eles provocam distúrbios hormonais, mas estão escondidos em cosméticos, embalagens de alimentos e até em brinquedos. Por isso é quase impossível escapar deles no dia a dia.

Existem cerca de 800 compostos químicos suspeitos de interferir no sistema hormonal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A maioria ainda está sendo submetida a mais estudos, mas a Comissão Europeia garante que pelo menos 66 destes compostos, como bisfenol A (BPA), dioxina, atrazina e vários ftalatos (BBP, DEHP, DOP e DBP), têm “clara evidência de pertubação da atividade endócrina”.

Esse alerta fez parte de uma proposta divulgada ano passado pela OMS com o objetivo de regular seu uso.

Cada vez mais pesquisas com animais vinculam compostos como esses a prejuízos à saúde que vão desde a infertilidade ao risco de câncer.

Ainda faltam evidências em humanos. Por isso, essas substâncias continuam presentes em centenas de produtos de consumo diário. Veja aqui a lista dos compostos citados pela Comissão Europeia

Lata CampbellA marca Campbell busca alternativas para substituir o bisfenol A. THINKSTOCK

Os ftalatos são usados, por exemplo, em produtos coloridos, como brinquedos infantis e sexuais, produtos de limpeza, como detergente, embalagens de alimento, produtos de beleza, como esmalte de unhas, sprays para o cabelo, loções de barbear, sabonetes, xampus, perfumes e outros produtos com fragrância.

Outro exemplo é o bisfenol A (BPA), presente em garrafas de plástico ou latas, cosméticos, brinquedos, CDs e, até há pouco tempo, em mamadeiras.

Alguns compostos perderam o uso, como o ftalato DBP, que era um plastificante usado em vernizes de unha ou tintas de impressão. Mesmo assim, continuam provocando riscos à saúde, uma vez que, segundo a OMS, seus efeitos podem afetar várias gerações.

Exposição precoce gera risco para toda vida

Tanto animais como humanos são mais vulneráveis a esses compostos durante certos períodos do desenvolvimento como dentro do útero da mãe e na puberdade.

A OMS diz que os efeitos da exposição precoce ao composto podem se manifestar em qualquer momento da vida, através de câncer de mama e de próstata, infertilidade, puberdade precoce, obesidade, transtornos metabólicos e diabetes tipo 2.

Protesta contra los ftalatos en los juguetesLos juguetes con ftalatos están prohibidos en muchos países. GETTY IMAGES

Como minimizar a exposição

Hoje é difícil saber qual é a composição exata dos produtos que consumimos. Em 2015, a Agência Química Sueca analisou 112 brinquedos no país e descobriu que 15% deles tinham substâncias químicas proibidas.

No caso de produtos cosméticos e de higiene, os fabricantes não precisam incluí-los na lista de ingredientes dos produtos. Por isso, com frequência, o ftalatos estão “escondidos” atrás da palavra “fragrância”.

Algumas dicas para evitar substâncias maléficas:

  • Escolher cremes, detergentes e produtos “livres de fragrância” pode reduzir a exposição aos ftalatos.
  • Priorizar materiais alternativos ao plástico, como a madeira, quando comprar brinquedos para as crianças.
  • No caso de embalagens de comida, preferir vidro sobre latas, que costumam ser forradas com BPA, e plásticos.

Mas, segundo especialistas, há pouco a se fazer em nível individual. As principais mudanças deveriam surgir, dizem eles, da regulação da indústria, como restringindo o uso desses compostos químicos e buscando alternativas.

Fonte – BBC Brasil de 12 de fevereiro de 2017

Usar o Princípio da Precaução e da Prevenção nas escolhas pessoais, sempre!

Leiam mais, informem-se, porque a os plastificadores do planeta não querem que você saiba a verdade e tenha uma escolha.

National Institute of Environmental Health Sciences.

WHO – International Programme on Chemical Safety.

Para saber mais é só googlear por endocrine disruptors, endocrine disrupting, disruptores endócrinos…

Projeto analisa poluição por microplástico


Crescimento da produção mundial de plástico / Fonte: www.weforum.org

A poluição nas praias por derivados sólidos de petróleo revela uma das consequências do atual modelo de produção e consumo das sociedades modernas e expressa o total descuido das populações e gestores públicos com o descarte adequado de resíduos entendidos como lixo.

De acordo com o artigo 1º da Convenção das Nações Unidas sobre o Direto do Mar (CNUDM) a poluição marinha é definida como a introdução pelo homem, direta ou indiretamente, de substâncias ou de energia no meio marinho, incluindo os estuários, sempre que a mesma provoque ou possa vir provocar efeitos nocivos, tais como danos aos recursos vivos e à vida marinha, riscos à saúde do homem, entrave às atividades marítimas, incluindo a pesca e as outras utilizações legítimas do mar, alteração da qualidade da água do mar, no que se refere à sua utilização, e deterioração dos locais de recreio (CNUDM, 1982).

Essa poluição tem se tornado uma crescente ameaça aos ambientes costeiros e marinhos por causa do aumento de materiais não degradáveis, principalmente material plástico. Eles são os mais comuns e persistentes nos oceanos e praias de todo mundo, devido à degradação mais lenta do plástico ocorrer no oceano do que em terra (GOLIK & GARTNER, 199; MOORE, 2008 apud BISI et al., 2011).

Todos os anos entre 8 e 12 milhões de toneladas de plástico ingressam nos oceanos. Esse material é gerados tanto a partir de atividades marítimas, quanto terrestres como a pesca, o turismo e a precária gestão de resíduos. Embora a quantidade total no oceano seja desconhecida o plástico já é encontrado em todo o mundo, incluindo as regiões polares, longe de sua fonte de geração (UNEP 2014).

A pesquisa realizada no litoral paulista, denominada “Projeto Microplástico“, que está sendo desenvolvida pela Ecosurf, desde 2o15, realizou um estudo de análise e quantificação do microplástico distribuído na Praia dos Pescadores na cidade de Itanhaém.

O estudo durou cerca de 180 dias e contou com saídas de campo, processo de quantificação e classificação do material plástico recolhido, no laboratório da Escola Técnica Estadual de Itanhaém (ETEC).


Área de estudo na Praia dos Pescadores / Imagem: Google Maps

Tipicamente os plásticos são definidos como: pedaços de plástico ou de fibras e podem ser divididos em dois grandes grupos: macroplásticos (fragmentos > que 5 mm) e microplásticos (< que 5 mm), (ARTHUR et al., 2009; HIDALGO-RUZ et al., 2012 apud PEREIRA, Flávia Cabral, 2014, p. 5).

Partículas microplásticas também consistem em material plástico manufaturado de tamanho microscópico, como abrasivos utilizados em produtos de limpeza industrial e domésticos (DERRAIK, 2002), além de matérias-primas industriais utilizadas para produção de plásticos (pellets), (OGATA et al., 2009 apud VEDOLIM, M, 2014, p.2) e fragmentos e fibras de plásticos derivados da quebra de produtos plásticos maiores (MOORE, 2008 apud PEREIRA, Flávia Cabral, 2014, p. 5).

Atualmente, produtos de higiene pessoal e cosméticos possuem em suas fórmulas micropartículas feitas de resinas sintéticas (polietileno (PE), polipropileno (PP), polietileno tereftalato (PET), polimetilmetacrilato (PMMA)).


Microplástico retirado de creme dental / Foto: João Malavolta

Os microplásticos são formados por fontes geradoras primárias e secundárias. As fontes primárias são aquelas que possuem microplásticos em sua composição, como cosméticos – cremes esfoliantes e produtos de higiene pessoal – pasta de dentes. As fontes secundárias geram o microplástico a partir do processo da fragmentação e/ou sua decomposição pelos raios solares ultravioletas (UV).

Área de estudo

Em Itanhaém a Praia dos Pescadores foi escolhida para o estudo por possuir características geomorfológicas peculiares. O ambiente possui o total de 22.341 m2 de área.

A pesquisa considerou como amostragem ideal a investigação 5.395m2 do total da praia, o que equivale a cerca de 25% da faixa de areia (1/4 do total).

A metodologia aplicada pelo estudo utilizou o sistema de isolamento de área através de transectos. Dessa forma foi possível determinar uma linha padrão para a coleta das amostras.


Transectos na área de estudo / Imagem: Google Maps

Foram montados 18 transectos (T01 ao T18) e distribuídos ao longo de toda extensão dos 22.341m2 da praia. Cada ponto foi definido com o auxilio de uma trena, estaca e barbante, estabelecendo um transecto de 5 mt de largura, que se estendia (cumprimento) da área da face da praia na maré mais baixa no momento da coleta, até a primeira barreira natural ou ocupação urbana.


Divisão do transecto em quadrantes de análise / Foto: Vinícius Patrocínio

Cada transecto teve três pontos de coleta (sub-transectos) definidos, sendo estes descritos como quadrantes do transecto (Q1, Q2 e Q3), que correspondem a 33,3% da metragem do total de cada transecto, localizados entre zonas da praia.

Os 18 pontos analisados demonstraram que os transectos divididos em grupos de seis áreas, nos três setores amostrados da praia (norte, centro e sul), totalizaram 5.395 mt2, o que representou 24,1% da área total do ambiente mostraram-se confiáveis como método representativo da área.

Devido ao tamanho do microplástico a equipe de pesquisa permaneceu realizando a coleta durante 60 minutos, em cada transecto, o que permitiu maior possibilidade e padrão de recolha dos resíduos.


Microplástico na areia da Praia dos Pescadores / Foto: João Malavolta

Conforme análise, os microplásticos mais encontrados foram nas medidas entre < 5 mm a < 2,5 mm, representando 86% do total de 4.770 unidades de fragmentos plástico, como demonstra a Tabela abaixo e o Gráfico 03.

Destacou-se nessa categoria os pellets, (Gráfico 03) que correspondem a maior abundancia de itens descobertos em todo ambiente, cerca de 55% do total. Já itens < 2,5 mm, representaram 14% do material achado pela pesquisa.

No setor norte da praia foi contabilizado a menor quantidade de fragmentos, 714 itens de microplástico, distribuídos nos seis transectos – 01 a 06. Nesta área a pesquisa analisou 1.845m2, que corresponde a 08,25% do total.


Coleta manual de microplástico / Foto: Caio César

No caso do setor centro, na análise dos transectos: 07 a 12 houve um acréscimo de 1.058 fragmentos de microplástico em comparação ao setor norte, totalizando 1.772 itens encontrados em 2.040 m2 de praia. O que evidencia o aumento da sujidade do local nessa região.

A distribuição da poluição ao longo da praia mostrou uma tendência de aumento no sentido norte – sul. O setor sul totalizou 2.284 itens de microplástico encontrados.

Nos três setores amostrados ao longo da distribuição de 18 transectos na praia foi possível observar um gradiente da repartição do microplástico em maior quantidade na área de pós-praia, onde os fragmentos mais leves são depositados pela corrente de deixa de detritos, em cada fluxo de maré alta.


Divisão da praia sem setores / Imagem: Google Maps

O setor sul foi a área mais poluída da praia representando 48% do total de toda distribuição de resíduos.

Vale destacar que em todos os gráficos de quantidade apresentados os campos localizados no Quadrante 03 de cada transecto, próximos ao primeiro obstáculo na área urbanizada da praia, foram os locais com maior deposição de material plástico.


Vegetação na areia facilita a retenção do microplástico / Foto: João Malavolta

Resultados

A Praia dos Pescadores apresentou uma quantidade extremamente alta de poluição por microplástico. Segundo os dados amostrais produzidos pela pesquisa é possível afirmar que 88% da área total estudada da praia tem resíduos sólidos de plástico de baixa densidade, < 5mm, depositados em suas areias. Ainda, conforme os dados sistematizados, o padrão de sujidade da areia, quando extrapolados espacialmente para o total da praia mantém a mesma proporção devido a homogeneidade do ambiente.


Microplástico separado, quantificado e classificado por tamanho / Foto: João Malavolta

No entanto, estudos complementares são necessários para ampliar ainda mais o conhecimento sobre as informações e dados estatísticos produzidos pela pesquisa.

Portanto, a poluição da praia pelo microplástico reflete um problema global de poluição marinha e reforça a ideia do relatório, “A Nova Economia do Plástico: Repensando o Futuro dos Plásticos”, produzido pela Fundação Ellen MacArthur e apresentado no último Fórum Econômico Mundial, em 2015, na Suíça, onde existe a afirmação, que nos próximos 34 anos, a quantidade de lixo plástico no oceano vai superar, em peso, a de peixes.


O mundo do plástico / Imagem: www.weforum.org

A solução para os problemas ambientais visando à diminuição do consumo de plástico e seu descarte inadequado deve passar por um amplo trabalho de educação para a sustentabilidade junto aos povos, e um novo pacto entre os governos, indústrias, sociedade civil e demais tomadores de decisão, para a busca de soluções conjuntas, que consigam criar cenários que favoreçam a diminuição do consumo de embalagens descartáveis, a economia circular e o uso racional dos bens naturais.


Pesquisadores: Caio César, João Malavolta, Felipe Nogueira, Alisson Antônio e Vinícius Patrocínio

Para saber mais sobre a pesquisa, acesse: www.facebook.com/ProjetoMicroplasti… ou entre em contato através do e-mail: joaomalavolta@ecosurf.org.br

Referências bibliográficas

BRASIL, Decreto Nº 1.530, de 22 de junho de 1995.Declara a entrada em vigor da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, concluída em Montego Bay, Jamaica, em 10 de dezembro de 1982. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_0…. Acesso em: 24/02/2016
DERRAIK, J. G. B. The polluition of marine enviroment by plastic debris: a review. Mar. Pollut. Bull, v. n. 9, p. 842-852.2002. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/scienc…. Acesso: 24/02/2016
FALCÃO, P, M. Panorama da poluição costeira por pellets de plástico em praias de SP (Brasil): uma contribuição aos estudos de geografia do litoral. 2015. Tese (Doutorado em Geografia Física) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/dispo…>. Acesso em: 24/02/2016.
Fernandino, G. Análise Quali-Quantitativa de Poluição por Plástico na Praia de Itaquitanduva-SP, Brasil. Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, 2012. Disponível em: http://www.portalseer.ufba.br/index…. Acesso em: 24/02/2016.
GREGORINI, R, A. Caracterização do lixo marinho das praias do Guaraú e Arpoador em Peruíbe-SP. (Graduação em Gestão Ambiental) – Universidade de São Paulo, 2010. Disponível em: http://pt.slideshare.net/RafaelAugu…. Acesso em: 24/02/2016.
HOEFEL, FG. 1998. Morfodinâmica de praias arenosas – uma revisão bibliográfica. Editora da Univali, Itajaí, SC.92.
NY-NJ Harbor Estuary Plastic Collection Report. NY/NJ Baykeeper, February, 2016. Disponível em: http://nynjbaykeeper.org/wp-content…. Acesso em: 24/02/2016
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, 10 de dezembro de 1982. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conve…. Acesso em: 24/02/2016
PEREIRA, F,C. Microplásticos no ambiente marinho: mapeamento de fontes e identificação de mecanismos de gestão para minimização da perda de pellets plásticos. 2014. Dissertação (Mestrado em Oceanografia Biológica) – Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/dispo…>. Acesso em: 24/02/2016
Neves, R. C et al. Análise Qualitativa da Distribuição de Lixo na Praia da Barrinha (Vila Velha – ES). Universidade Federal do Espírito Santo. Departamento de Oceanografia, Espírito Santo, 2010. Disponível em: http://www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-19…. Acesso em: 24/02/2016
REVISTA O PLÁSTICO NO PLANETA, Planeta Sustentável, Brasken, 2015. Disponível em: https://www.braskem.com.br/download…. Acesso em: 24/02/2016
SIMÕES, B. G, SANTOS, L, J. Análise Qualitativa dos Detritos Acumulados na Praia do Cuiúba, Guarujá, SP. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Santa Cecília, 2010. Disponível em: http://sites.unisanta.br/revistacec…. Acesso em: 24/02/2016
VEDOLIN, M, C. Estudo da distribuição de metais em plásticos no litoral de São Paulo: avaliação da poluição por meio de análise de pellets. 2014. Dissertação (Mestrado em Oceanografia Química) – Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/dispo…>. Acesso em: 24/02/2016
World Economic Forum, Ellen MacArthur Foundation and McKinsey & Company, The New Plastics Economy — Rethinking the future of plastics, 2016. Disponível em: http://www3.weforum.org/docs/WEF_Th…. Acesso em: 24/02/2016
Fonte – João Maravolta, Ecosurf / Envolverde de 20 de fevereiro de 2017

 

Johnson & Johnson troca plástico por papel nos cotonetes

Os cotonetes agora serão de papel(Reprodução | switchthestick)

A troca das hastes de plástico por tubinhos de papelão pode diminuir sensivelmente a poluição nos oceanos.

Boa parte do plástico que jogamos no lixo acaba no oceano. É tanto material descartável que as correntes marítimas do Pacífico fizeram o favor de varrer tudo para um canto só: há 100 milhões de toneladas de garrafas e embalagens concentradas em uma região de mar aberto de 700 mil km2 — duas vezes a área dos EUA — à leste do litoral da Califórnia.  O valor é só uma boa estimativa feita pelo oceanógrafo Charles Moore, que tropeçou na camada concentrada de lixo flutuante, com dez metros de espessura, em 1999 — 14 anos depois de sua presença ter sido detectada, entre 1985 e 1988, por pesquisadores de órgãos públicos americanos.

Pior: o plástico é uma espécie de esponja de poluição, e qualquer substância tóxica derramada no oceano entra na cadeia alimentar e volta para o ser humano eventualmente. Um tiro no pé que ocorre até no banheiro. Segundo a Marine Conservation Society (em português, “Sociedade de Conservação Marinha”), os cotonetes foram a sexta forma de poluição mais encontrada nas praias britânicas em 2016.

Boa parte dos cotonetes usados na Europa são jogados na privada depois de usados. O algodão e a cera de ouvido vão embora, mas a haste de plástico azul resiste e acaba no mar. A opção é usar tubinhos de papel biodegradável, medida anunciada no ano passado pela empresa farmacêutica americana Johnson & Johnson – a maior fabricante de hastes flexíveis com pontas de algodão, a ponto de o nome de sua haste flexível com ponta de algodão, o Cotonete, ter batizado todos os cotonetes.

Enfim. Os primeiros cotonetes ecológicos começaram a chegar a lojas da Inglaterra no começo do mês, e logo vão dominar o mundo. “O tempo que vai demorar para os cotonetes de papel estarem disponíveis em países e regiões específicas vai variar”, explicou Carol Goodrich, da Johnson & Johnson, à SUPER. “Mas nós queremos completar a transição até o final deste ano.”

Até lá, não precisa ficar de ouvido sujo — basta jogar o cotonete no lixo seco, e não no encanamento.

A medida vem no encalço de uma campanha ecológica inusitada: a #SwitchTheStick (em português, algo como #TroqueOPalito), que no final do ano passado pressionou os nove maiores varejistas do Reino Unido a não aceitarem cotonetes feitos de plástico.

Fonte – Bruno Vaiano, SuperInteressante de 21 de fevereiro de 2017

Microplástico: poluição invisível que ameaça oceanos

Partículas microscópicas liberadas por roupas sintéticas e pneus passam por sistemas de tratamento de água e vão parar no mar. Relatório revela material como perigo ambiental maior do que se pensava.

Assista aqui a matéria.

De pneus a roupas e cosméticos, o microplástico se encontra praticamente em todos os objetos do dia a dia. E seu impacto sobre as águas do planeta é catastrófico: calcula-se que, dos 9,5 milhões de toneladas de matéria plástica que flutuam nos mares, até 30% sejam compostos por partículas minúsculas. Invisíveis a olho nu, elas constituem uma fonte de poluição mais grave do que se pensava, como mostra o mais recente relatório da International Union for Conservation of Nature (IUCN).

“Nossas atividades diárias, como lavar roupas e andar de carro, contribuem significativamente para a poluição que sufoca os nossos oceanos, tendo efeitos potencialmente desastrosos para a rica diversidade que vive neles e para a saúde humana”, afirma a diretora geral da IUCN, Inger Andersen.

Assista abaixo “A história das microfibras”, mais um vídeo do projeto “A história das coisas“. No site, os outros vídeos.

Segundo o estudo da organização, cerca de dois terços do microplástico encontrado nos oceanos são originados dos pneus de automóveis e das microfibras liberadas na lavagem de roupa. Outras fontes poluidoras são a poeira urbana, marcações rodoviárias e os barcos.

Perigo invisível

As imagens de tartarugas presas em redes de pescar e pássaros com anéis de latas de cerveja em volta do pescoço há muito correm mundo. O problema do microplástico, contudo, é invisível, só tendo sido recentemente detectado como tal. Assim, ainda se sabe relativamente pouco sobre sua escala e verdadeiro impacto ambiental.

Ao contrário do lixo plástico convencional, que se degrada na água, o microplástico já é lançado no ambiente em partículas tão microscópicas que driblam os sistemas de filtragem das estações de tratamento de água. É exclusivamente nesse tipo de dejeto que o relatório da IUCN se concentra.

A atual quantidade de microplástico nas águas é de 212 gramas por ser humano, o equivalente a se cada pessoa do planeta jogasse uma sacola plástica por semana no oceano. Ingeridos por peixes e outros animais marinhos, os minigrãos podem ter sério impacto sobre seus sistemas digestivos e reprodutivos, e há sérias suspeitas de que acabem chegando aos humanos, cadeia alimentar acima.

Platik Vogel MeerPinguim estrangulado por embalagem de latas de bebida

Maus hábitos de consumo

Como lembra João de Sousa, diretor do Programa Marinho Global do IUCN, as estratégias globais de combate à poluição marítima se concentram em reduzir o tamanho dos fragmentos do lixo plástico convencional. No entanto essa concepção precisa ser revista.

“As soluções devem incluir design de produtos e de infraestrutura, assim como o comportamento do consumidor. Pode-se projetar roupas sintéticas que liberem menos fibras, por exemplo, e os consumidores também podem agir, optando por tecidos naturais, em vez de sintéticos.”

Segundo outros especialistas, contudo, essa estratégia não tem o alcance necessário, e se precisa também abordar outros hábitos de consumo. Para Alexandra Perschau, da campanha “Detox” da organização ambiental Greenpeace na Alemanha, o real problema não é o tipo de casaco que se compra, mas sim quantos.

“O sistema de moda como um todo é o problema, é excesso de consumo”, comentou à DW. “Em diversos levantamentos, seja na Ásia ou na Europa, grande parte dos consumidores admite possuir mais roupas no armário do que precisam, mas continua comprando mais e mais.”

A produção mundial de vestuário dobrou a partir do ano 2000, excedendo os 100 bilhões de peças em 2014, de acordo com uma sondagem da Greenpeace. Além disso, atualmente as peças de vestuário tende a ser de difícil reciclagem.

“Temos cada vez mais peças confeccionadas com fibras mistas de poliéster e algodão, portanto nem temos como reciclá-las devidamente. No momento a tecnologia não está tão avançada que possamos separar esses tipos de fibras”, explica Perschau.

Symbolbild Verschmutzung der MeereMacrolixo visível é apenas parte da ameaça aos oceanos

Entre a moda e meio ambiente

O relatório da IUCN saúda os esforços para banir as microesferas de plástico dos produtos cosméticos, inspirados por relatórios recentes. Trata-se de uma “iniciativa bem-vinda”, porém com impacto restrito, uma vez que esse tipo de material só responde por 2% da poluição com microplástico.

Em vez disso, seria necessária uma investida mais ampla e de impacto real contra as atividades geradoras das minúsculas partículas, segundo Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup Foundation, que luta para que se pare de despejar matéria plástica no oceano.

“Somos todos responsáveis: é a ciência, a indústria, são os legisladores – e os consumidores. Todos nós precisamos fazer algo. Todos estamos usando plástico e todos o jogamos fora”, pleiteia Westerbos, sugerindo o desenvolvimento de tecidos que não desfiem e a adoção de novos filtros nas máquinas de lavar roupa – que só devem ser usadas com carga completa e de preferência com sabão líquido.

Perschau, da Greenpeace, acrescenta a importância de aumentar a vida útil das roupas. Em vez de jogar fora as que não se deseja mais, faria mais sentido trocá-las por outras ou entregá-las nas lojas de segunda mão. “Não estamos dizendo que não se deva usar roupa da moda, mas sim ser mais inteligente, vivendo de acordo com os próprios desejos sem comprometer os recursos do planeta.”

Com 7 bilhões de seres humanos e uma população crescente, será preciso mudar nossas atitudes em relação ao plástico, se quisermos salvar os oceanos, observa Westerbos.

“Não compre maçãs embaladas em plástico, não use sacolas plásticas descartáveis, nem canudinhos para descarte imediato. Há um monte de modos de evitar usar plástico, vamos começar por aí.”

Alarmantes mortes em massa de animais

Dead fish in Rodrigo de Freitas Lagoon, Rio de Janeiro (Photo: picture-alliance/dpa/Scorza)

Tragédia no Rio de Janeiro – Somente este ano já foram registrados pelo menos 35 incidentes isolados de mortandade de peixes. Mais de 33 toneladas de peixes mortos foram retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro (foto), locação dos Jogos Olímpicos de 2016. A poluição priva os animais do oxigênio de que necessitam para sobreviver.

Dead seabirds in Alaska, 2016 (Photo: picture-alliance/AP Photo/M. Thiessen)

Pássaros famintos – A costa oeste da América do Norte registrou morte sem precedentes de pássaros marinhos em 2015. Foram contadas até 10 mil aves tombadas. Depois de descartados doenças e traumas, o aquecimento global foi responsabilizado. Em fevereiro de 2016, recolheram-se por volta de 8 mil aves marinhas mortas no Alasca. Elas morreram de fome – embora seu alimento principal seja peixe.

Green sea turtle infected by deadly herpes (Photo: cc-by-Peter Bennett & Ursula Keuper-Bennett)

Herpes mortal em tartarugas – A ameaçada tartaruga-verde é uma das maiores tartarugas marinhas do mundo. Um vírus fatal do herpes – que impede a visão, a alimentação e o movimento – está afetando um crescente número desses animais. Os especialistas ainda estão investigando por que e como o vírus está se espalhando. Mais uma vez, a poluição e o aquecimento global parecem ser os principais culpados.

Saiga antelope resting on the ground (Photo: Imago/blickwinkel)

Antílopes quase extintos – No início do ano passado, cientistas estimaram que mais da metade de todos os antílopes saiga, uma espécie seriamente ameaçada, tenham morrido em menos de duas semanas. Os pesquisadores advertiram que a espécie estava sofrendo as consequências das mudanças climáticas e poderia se extinguir no prazo de um ano. Até agora, não houve relatos sobre novas mortes em massa.

Dead giant squids on Chilean coast, 2016 (Photo: Getty Images/AFP/Stringer)

Lulas em decomposição – No início de 2016, milhares de lulas gigantes foram encontradas mortas na costa do Chile – para a preocupação dos moradores e de cientistas. Embora esse fenômeno não seja novo na área, a enorme escala em que ocorreu é. Mais uma vez, o aquecimento global e o El Niño parecem ser os mais prováveis responsáveis pelas mortes.

Dead bat in India, 2015 (Photo: Berlinale)

Calor demais para morcegos – Em 2015, milhares de morcegos caíram do céu em Bhopal, na Índia. Um ano antes, por volta de 100 mil dessas criaturas foram encontrada mortas no estado de Queensland, na Austrália. As ruas, árvores e quintais estavam cobertos com morcegos mortos ou moribundos. Esses mamíferos voadores são muito sensíveis ao calor e não conseguem suportar temperaturas elevadas.

Dead sperm whales on the German Baltic Sea coast in February 2016 (Photo: picture alliance/dpa/C. Charisius)

Baleias cometem suicídio – As baleias naturalmente encalham e morrem, mas a poluição e as mudanças climáticas estão causando, provavelmente, um aumento desse fenômeno. Está acontecendo em todo o mundo: na Alemanha, nos EUA, na Nova Zelândia. No Chile, ao menos 400 baleias encalhadas foram registradas em 2015. Na foto, veem-se algumas das 29 cachalotes que foram encontradas mortas no norte europeu desde o início deste ano.

Fonte – Louise Osborne, DW de 27 de fevereiro de 2017

Fotos – Irene Banos Ruiz

Declarada guerra ao plástico nos oceanos

A maior limpeza de praias do mundo em Versova, na cidade indiana de Mumbai. Foto: Pnuma

A Organização das Nações Unidas (ONU) declara guerra aos plásticos que inundam os oceanos: mais de oito milhões de toneladas acabam em suas águas a cada ano, como se fosse despejado um caminhão desse material por minuto, o que causa estragos na vida marinha, na pesca e no turismo, e tem custo de aproximadamente US$ 8 bilhões.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sede em Nairóbi, capital do Quênia, lançou ontem uma campanha mundial para eliminar, até 2022, as principais fontes de contaminação marinha, como os microplásticos existentes em produtos cosméticos, e o desperdício de artigos descartados usados apenas uma vez.

Apresentada na Cúpula Mundial dos Oceanos, organizada pela revista The Economist, na cidade de Bali, na Indonésia, a campanha #MaresLimpos pede urgência aos governos no sentido de criarem políticas para reduzir o uso de plásticos, especialmente dirigidas à indústria, a fim de minimizar os envoltórios desse material e redesenhar suas embalagens, e aos consumidores para mudar seus hábitos de descarte, antes que haja um dano irreversível.

“Já é hora de encararmos o problema do plástico que arruína nossos oceanos”, ressaltou Erik Solheim, diretor executivo do Pnuma. “A poluição por plásticos navega pelas praias indonésias depositando-se no solo oceânico do Polo Norte, e regressa por meio da cadeia alimentar para se instalar em nossa mesa. Esperamos muito tempo e o problema piorou. Precisa acabar”, enfatizou.

No contexto da campanha serão anunciadas novas medidas ambiciosas dos países, mas também das empresas, para a eliminação dos microplásticos dos produtos de higiene pessoal, proibição ou taxação dos sacos plásticos com apenas um uso e redução drástica de outros artigos plásticos descartáveis. A iniciativa mundial procura sensibilizar os governos, a indústria e os consumidores para que reduzam urgentemente a produção e o abuso de plásticos, que contaminam os oceanos, atentam contra a vida marinha e ameaçam a saúde humana.

O Pnuma procura transformar todas as esferas: hábitos, práticas, padrões e políticas em todo o mundo, com o objetivo de reduzir radicalmente o lixo marinho, bem como suas consequências negativas. Dez países já se uniram à campanha: Bélgica, Costa Rica, França, Granada, Indonésia, Noruega, Panamá, Santa Lúcia, Serra Leoa e Uruguai. A Indonésia se comprometeu a diminuir seu lixo marinho em 70% até 2025, o Uruguai anunciou que este ano taxará os sacos plásticos descartáveis, e a Costa Rica tomará medidas para reduzi-los rapidamente por meio de uma melhor gestão dos resíduos e da educação.

“Proteger os mares e a vida marinha do plástico é uma questão urgente para a Noruega”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente desse país, Vidar Helgesen. “O lixo marinho aumenta rapidamente os riscos para a vida marinha, a segurança dos mariscos e peixes, e afeta de forma negativa a vida das populações costeiras de todo o mundo. Os oceanos já não podem esperar”, destacou.

Por sua vez, a ministra de Habitação, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente do Uruguai, Eneida de León declarou: “Nosso objetivo é desestimular o uso de sacos plásticos mediante regulamentações, oferecer alternativas aos trabalhadores do setor do lixo e desenvolver planos de educação sobre o impacto do uso dos sacos plásticos em nosso ambiente”.

Nos banheiros de todo o mundo há pastas de dentes e esfoliantes faciais envasados com microplásicos, que ameaçam a vida marinha. Foto: Pnuma

No ritmo em que descartamos garrafas, sacos e copos plásticos, as estimativas revelam que até 2050 os oceanos terão mais plástico do que peixes e que aproximadamente 99% das aves marinhas terão consumido plástico. São esperados mais anúncios no contexto dessa campanha na Conferência sobre os Oceanos, que acontecerá na sede da ONU, em Nova York, entre os dias 5 e 9 de junho, bem como na Assembleia Geral da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi no mês de dezembro.

Além dos oito milhões de toneladas de plástico lançados nos oceanos todos os anos, estes também sofrem sobrepesca, acidificação e elevação da temperatura da água devido à mudança climática. A ONU organizou uma reunião nos dias 15 e 16 deste mês em Nova York para preparar a Conferência de junho, no sentido de “contribuir para salvaguardar os oceanos e recuperar os problemas causados pelas atividades humanas”.

A ministra do Clima da Suécia, Isabela Lövin, afirmou em um vídeo postado no Twitter que a Conferência seria uma “oportunidade única na vida” para salvar os oceanos que sofrem um enorme estresse. Ela argumentou que “não precisamos negociar nada novo, só temos que agir para implantar o que já acordamos”, basicamente resumindo o sentimento da maioria da comunidade científica, ambientalistas e organizações da sociedade civil.

Lövin se referia à esperada “chamada à ação”, que surgirá da Conferência no que diz respeito à sobrepesca, à contaminação marinha e às circunstâncias especiais dos pequenos Estados insulares. No tocante ao objetivo de conseguir oceanos sustentáveis e preservar a vida debaixo da água, a ministra disse em entrevista à IPS que “o mundo avança em uma direção totalmente equivocada”.

“Se observarmos as tendências, vemos cada vez mais sobrepesca, cada vez mais contaminação, lixo plástico que chega aos oceanos, e também vemos o estresse que sofrem os oceanos por causa da mudança climática, da acidificação e do aquecimento da água e pela elevação do nível do mar. Tudo isso exerce uma tremenda pressão sobre nossos oceanos”, enfatizou a ministra.

Na reunião de Nova York, a ONU pediu compromissos voluntários para implantar o 14º dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e, no dia 15 deste mês, lançou um registro de compromisso online, que já tem três compromissados: o governo da Suécia, o Pnuma e a organização não governamental Peaceboat. O site estará pronto ao final da Conferência, que começará em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a qual também será celebrado o Dia Mundial dos Oceanos, três dias mais tarde.

Os compromissos voluntários “destacam a necessidade de ação e soluções urgentes”, pontuou o secretário-geral adjunto para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Wu Hongbo, que será o secretário-geral da Conferência.

Fonte – Baher Kamal, Envolverde/IPS de 24 de fevereiro de 2017

A odisseia de uma garrafa | PNUMA

Uma garrafa de plástico jogada ao chão começa uma odisseia épica até encontrar o caminho de volta para o seu dono.

O filme, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é dirigido por Nik Kleverov.

Saiba mais sobre as ações ambientais e de desenvolvimento sustentável em http://www.unep.org/portuguese/wed/ e http://www.pnuma.org.br/

Procon-SP autua 100% das lojas de material de construção fiscalizadas

Procon-SP autua 100% das lojas de material de construção fiscalizadas

A venda de produtos para construção e reforma aumentam nesta época do ano e o consumidor deve estar atento no momento da compra ou recebimento dos materiais que adquirir quanto ao prazo de validade, informações em língua portuguesa e a origem do fabricante.

Em operação de fiscalização, a Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, 100% das lojas fiscalizadas desrespeitaram o Código de Defesa do Consumidor e foram autuadas.

A maioria dos materiais de construção, especialmente os de acabamento, têm validade que precisa ser respeitada para a segurança e durabilidade da obra. Quando não houver vencimento o produto deverá constar ‘Prazo de Validade Indeterminado’.

Para assegurar os direitos do comprador de materiais de construção, o Procon-SP vai realizar em todo o Estado operações regulares de fiscalização desses produtos nas lojas especializadas.

“O objetivo dessas operações é observar o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor quanto a prazo de validade, origem e informações em língua portuguesa”, informa Bruno Stroebel, supervisor de planejamento de fiscalização operacional do Procon-SP.

No período de 3/6/2016 até 2/9/2016 o Procon-SP fiscalizou 25 lojas das grandes redes de material de construção e todas apresentaram irregularidades e foram notificadas e autuadas, a multa também foi emitida para os fabricantes que não atenderam a legislação. Veja a lista das lojas autuadas.

A loja através de seus funcionários e promotores do fabricante devem conferir a validade dos produtos em exposição nas gôndolas. Selantes, rejuntes e alguns tipos de cimentos têm validade e o uso após o seu vencimento podem ocasionar avarias na obra e causar acidentes, como desprendimento de revestimentos de fachadas, entre outros.

Irregularidades

Segundo Bruno, as irregularidades encontradas nas lojas de materiais de construção, em especial a venda de produtos vencidos, ocorrem também com comerciantes de outros tipos de produtos nacionais e importados. Incluem ainda preços distintos para o mesmo item, cobrança no caixa de valor diferente do anunciado na prateleira e falta informação claras sobre preços, formas de pagamento e trocas.

Com relação às mercadorias, os desrespeitos mais comuns ao CDC são a ausência de dados obrigatórios na embalagem, como composição e informações sobre o fabricante. E mais, falta de prazo de validade, falta da data de fabricação para o cálculo da validade, etiqueta apagada, falta de informações claras no rótulo, grafia em língua estrangeira e ainda, não ter instruções de uso e eventuais restrições. Em alguns tipos de produtos, também é conferido o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

(…) Em operação de fiscalização, a Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, 100% das lojas fiscalizadas desrespeitaram o Código de Defesa do Consumidor e foram autuadas.(…)

Alertamos que é crime distribuir sacolas e sacos plásticos com propaganda impressa de proteção ambiental do tipo “Respeito ao Meio Ambiente”, “Sacola Biodegradável, Sacola Oxibiodegradável” entre outros apelos sem a devida comprovação e certificação do atributo divulgado. É crime de publicidade enganosa previsto no Código de Defesa do Consumidor.

São consideradas crime e proibidas (art.66, 67, CDC) a publicidade enganosa e a abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor. Leia a página 31 do CDC acima. Art. 66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços: Pena – Detenção de três meses a um ano e multa

A seção IV do Código de Defesa do Consumidor “Das Práticas Abusivas” considera abusiva (grifo nosso):

VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas 8 Lei no 8.884/94, Lei no 9.008/95 e Lei no 9.870/99. 24 Código de Proteção e Defesa do Consumidor específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Conmetro;

Todo o cidadão tem o direito de exigir a certificação em conformidade com as normas e marcos regulatórios quando recebe um produto com apelo ecológico, mesmo que seja uma simples sacola. Qualquer um pode acionar os órgãos de fiscalização e apresentar denúncia de propaganda enganosa e/ou abusiva.

Evite ser autuado pelo crime de propaganda enganosa e prática abusiva. Exija a apresentação de certificado emitido pela ABNT, acreditado pelo INMETRO/Conmetro, de conformidade com a norma ABNT PE-308.01 para aditivos plásticos oxibiodegradáveis. Assim como imprima nas sacolas o selo ecológico verde de qualidade ambiental, autorizado e numerado pela ABNT.

Plástico biodegradável (oxibio e/ou hidrobio, compostável ou não) é solução para acabar com a poluição dos plásticos descartados pelas pessoas no meio ambiente.

Mas de nada adianta serem falsos e sem certificação. A ausência de certificação ilude o consumidor, e o plástico que não atendeu a norma vai se espalhar pelo planeta em pedaços não biodegradáveis. A partir do momento que existem normas brasileiras relacionadas a biodegradação ou compostagem de plásticos estas normas servem como referência nos casos de fiscalização e cumprimento de leis sobre embalagens plásticas biodegradáveis como é realidade em diversos estados e municípios do Brasil.

A certificação e o selo ecológico numerado impresso nas sacolas é a garantia do comerciante no caso de fiscalizações relacionadas ao cumprimento do Código de Defesa do Consumidor.

Fonte – Portal Newtrade

Boletim do Instituto IDEAIS – BI 09/02/2017

Baleia doente encalhada tinha 30 sacos de plástico no estômago

Pesquisador exibe sacos de plástico encontrados no estômago de baleias de 2 toneladas AP

Tendência é que material não reciclável seja mais presente nos oceanos do que vida marinha em 2050

Zoólogos noruegueses descobriram esta sexta-feira cerca de 30 sacos de plástico e outros resíduos plásticos no estômago de uma baleia-bicuda-de-cuvier que havia encalhado na costa sudoeste do país.

Segundo Terje Lislevand, pesquisador da Universidade de Bergen, a baleia, que pesava 2 toneladas e sofreu eutanásia, estava visivelmente doente. Seu intestino “não tinha comida, apenas alguns restos de cabeça de lula, além de uma fina camada de gordura”.

Lislevand avalia que os resíduos não-biodegradáveis foram “provavelmente a razão” para que a baleia tenha encalhado no último sábado nas águas rasas de uma ilha localizada a oeste de Bergen, a cerca de 200 quilômetros a noroeste de Oslo. A espécie não costuma ser encontrada em águas norueguesas.

A Organização das Nações Unidas estima que 8 milhões de toneladas de lixo plástico são despejadas nos oceanos a cada ano.

No início do ano passado, especialistas alertaram que haverá mais plástico do que vida marinha nos oceanos até 2050.

Pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico são despejados anualmente no oceano — o equivalente a um caminhão de lixo a cada minuto, de acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial. A tendência é que este índice aumente cada vez mais, especialmente em países de economia emergente com regimes fracos de reciclagem.

A ONU estima que 8 milhões de toneladas de lixo plástico são despejadas nos oceanos a cada ano.

Plástico biodegradável em conformidade com normas é a solução para plásticos que dificilmente são reciclados e com grande chance de serem incorretamente descartados no meio ambiente.

Plástico verde não degradável de origem renovável e os plásticos convencionais serão encontrados em maior quantidade e serão mais abundantes nos oceanos do que a vida animal.

Além disto, os falsos plásticos biodegradáveis que não atendem normas, por exemplo ABNT PE-308.01, BS 8472, entre outras, são iguais aos plásticos convencionais ou verdes de origem renovável, com um aspecto ainda pior: Enganam o consumidor e autoridades.

Fonte – O Globo de 03 de fevereiro de 2017

Boletim do Instituto IDEAIS de 13 de fevereiro de 2017

Baleia com comportamento estranho tinha 30 sacos plásticos no estômago

Uma baleia passou a rondar a cidade de Bergen, na Noruega neste mês de janeiro. Várias tentativas foram feitas de guiar o animal de volta para águas profundas, mas a baleia voltava e engalhou três vezes. Aparentando exaustão e problemas de saúde, especialistas em vida marinha da região optaram por sacrificá-la. A baleia-bicuda-de-cuvier tinha seis metros de comprimento.

O animal foi examinado depois da morte para determinar o que havia de errado com ele. “O estômago estava cheio de plástico. Foram encontrados cerca de 30 sacos de plástico, grandes pedaços de plástico e muitas peças pequenas de plástico. Isso não é bom, é incrivelmente triste”, diz o zoólogo e professor Terje Lislevand, da Universidade de Bergen.

O pesquisador acredita que todo o material encontrado no sistema digestivo da baleia esteja por trás do comportamento estranho do animal. Tudo indica que ela estivesse sentindo muita dor.

“Esta baleia não foi feliz. O plástico formou uma grande bola em seu estômago e o encheu completamente. Pode ser que o plástico tenha entupido o sistema”, afirmou ele para o jornal Bergens Tidende.

Outro fator estranho sobre a baleia é que ela foi o primeiro exemplar a ser registrado na Noruega. “Esse tipo de baleia está presente em todo o mundo, mas com a gente é uma raridade. Eu certamente já ouvi rumores de um outro exemplar nas águas norueguesas, mas esta é provavelmente a primeira baleia-bicuda-de-cuvier e primeiro encalhado neste país”.

Ele explica que ela provavelmente comeu os plásticos acreditando que fossem lulas. “Plástico não é apenas um problema para a baleia, mas também para aves e tartarugas”, aponta.

Os ossos da baleia e os plásticos serão colocados em exposição no Museu de História Natural do país, provavelmente no verão de 2019, segundo o professor.

Fontes – Bergens Tidende / Hypescience de 03 de fevereiro de 2017