Plástico deve ser banido de copos, pratos, bandejas e talheres descartáveis

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou nesta terça-feira (17) o projeto (PLS 92/2018) que prevê a retirada gradual do plástico da composição de pratos, copos, bandejas e talheres descartáveis. Pelo texto, no prazo de dez anos, o plástico deverá ser substituído por materiais biodegradáveis em itens destinados ao acondicionamento de alimentos prontos para o consumo.

Segundo o texto aprovado, o plástico deverá ser substituído em 20% dos utensílios no prazo de dois anos após a eventual vigência da lei. Esta exigência subirá para 50% após 4 anos; para 60%, após 6 anos; e para 80%, após 8 anos. O plástico deverá ser totalmente banido após dez anos.

Justificativa

Na justificativa do projeto, a autora Rose de Freitas (PMDB-ES) afirma que “os destinos finais de grande parte dos itens que ingenuamente usamos ao fazer um lanche num fast-food ou tomar uma bebida são os rios, lagos, mares e oceanos, comprometendo o equilíbrio ecológico de maneira extremamente grave”.

Rose acrescenta que mesmo amostras de água tratada, em diversos países do mundo, demonstram a contaminação por microplásticos. “Isto significa que os sistemas convencionais não são eficazes em retirar resíduos de plástico e que, portanto, estamos ingerindo plástico diariamente, sem saber as consequências disto para a saúde humana”.

Relatoria

Durante a análise na CMA nesta terça-feira, o relator da proposta, senador José Medeiros (Pode-MT), ressaltou os danos ao meio ambiente, considerando a extração do petróleo (matéria-prima) e o refino e descarte do plástico:

— Os impactos das refinarias vão desde as consequências dos estudos sísmicos na exploração, até o consumo de grandes quantidades de água e energia, geração de quantias absurdas de despejo líquido, liberação de diversos gases nocivos na atmosfera, produção de resíduos sólidos de difícil tratamento, além dos frequentes vazamentos de petróleo em ambiente marinho, como ocorreu com a Chevron no Brasil — disse Medeiros.

O senador pontuou que o tempo de degradação dos materiais de origem petroquímica chega a centenas de anos. Isto faz com que a vida útil de aterros, destino final de toneladas de sacolas e embalagens plásticas, se reduza sensivelmente, com graves consequências econômicas.

A análise deste projeto segue agora para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Fonte – Agência Senado de 17 de abril de 2018

Opinião: Chega de plástico!

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A cada ano, produzimos toneladas de resíduos que não podem ser decompostos de forma natural. Uma insanidade: é hora de algo mudar, especialmente na mente das pessoas, opina Lukas Hansen.

Supermercados que oferecem produtos sem embalagem – que impressionante! Restaurantes “zero-waste”, que desperdiçam o menos possível – isso parece ótimo! Com tais tendências, pode-se pensar que estamos vivendo com consciência ambiental. Que nada! Mais de 8 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas por nós nos últimos 80 anos, afirmam pesquisadores americanos na revista Science Advances. E, a cada ano, a quantidade aumenta.

As montanhas de resíduos estão só crescendo, especialmente em países em desenvolvimento asiáticos como a Indonésia. Durante milênios, usou-se ali produtos degradáveis, como folhas de bananeira, como embalagem. Então veio o plástico e, com ele, o lixo. Quase não há leis que regulam o tema, e são poucas as empresas privadas que lidam com o lixo. Muitas vezes, o lixo plástico acaba em rios ou é simplesmente enterrado.

A China, apesar de ser um dos principais produtores de resíduos, comprava o lixo europeu e, assim, fez um negócio milionário. Mas os chineses pararam de importar resíduos plásticos – eles já produzem, sozinhos, lixo o suficiente. A justificativa oficial é que os chineses querem proteger o meio ambiente.

E isso é uma vergonha para a Europa e a Alemanha, da qual a China comprou, em 2016, 1,5 milhão de toneladas de resíduos plásticos. E o que fazemos agora? Em caso de dúvida, queimamos – o que não é muito sustentável. Mas reciclar custaria muito mais caro. Afinal, as empresas de tratamento de lixo estão interessadas somente no dinheiro.

Agora, novas leis deverão ajudar nessa questão. No início do ano, a Comissão Europeia apresentou uma estratégia para reduzir a montanha de resíduos plásticos até 2030: menos plástico e mais reciclagem. Os países-membros do bloco europeu deverão criar leis concretas, por exemplo, proibindo embalagens desnecessárias. Afinal, há empresas que descascam ovos cozidos apenas para, depois, colocá-los em plásticos.

Alguns países africanos estão à frente – e Ruanda ainda mais. Desde 2004, os sacos plásticos são proibidos no país. E quem joga uma garrafa de plástico no chão paga multa. A nação na África Central é considerada a mais limpa do continente. E no Quênia há regras ainda mais duras: quem for pego com uma sacola plástica tem que pagar uma multa de até 37 mil euros – ou, no pior dos casos, quatro anos de prisão.

Agora, a UE corre atrás do prejuízo. Em breve, não teremos mais sacolas plásticas em supermercados europeus. Copos de café para viagem serão, “se possível”, abolidos. Mas já devemos comemorar? Cedo demais. Isso porque, com ou sem regulamentos, a mudança deve começar nas mentes das pessoas: elas devem estar preparadas para renunciar ao supérfluo que, no melhor dos casos, serve apenas a seu próprio conforto.

Fonte – Lukas Hansen, DW de 03 de abril de 2018

‘Sopa de lixo’ no Pacífico tem três vezes tamanho da França

Cientistas começaram a mapear a região em 2015, com 18 embarcações que recolheram amostras de lixo – Divulgação/The Ocean Cleanup Foundation

Região que concentra detritos no oceano também é conhecida como ‘ilha de plástico’

Numa área remota do Oceano Pacífico, entre a costa da Califórnia e o Havaí, o movimento das correntes marinhas concentra grande parte do lixo descartado em rios e mares. E a quantidade é tamanha que a região foi apelidada como Grande Mancha de Lixo do Pacífico ou, como ficou popularmente conhecida, “ilha de plástico”. Mesmo a centenas de quilômetros de qualquer grande cidade, ela reúne garrafas, brinquedos, carcaças de produtos eletrônicos e redes de pesca abandonadas, entre outros objetos. A estimativa é que existam 1,8 trilhão de detritos — o equivalente a 250 para cada ser humano no planeta —, que se espalham por 1,6 milhão de quilômetros quadrados, três vezes o tamanho da França continental.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico foi descrita pela primeira vez em 1997, mas estimativas sobre seu tamanho e composição eram falhas devido à dificuldade na coleta de informações. Apesar do apelido “ilha de plástico”, não existe uma superfície na qual se possa caminhar. O lixo fica misturado à água, como numa sopa, e a maioria dos detritos é tão pequena que eles não podem ser observados por satélites.

Para contornar essa barreira, uma equipe internacional de cientistas liderada pela ONG The Ocean Cleanup Foundation, com apoio de pesquisadores de seis universidades, executou o mais abrangente levantamento in loco. Entre julho e setembro de 2015 eles realizaram 652 coletas de materiais com redes de superfície, num esforço que envolveu 18 embarcações. No ano seguinte, duas missões aéreas cobriram uma área de 311 quilômetros quadrados, formando um mosaico com 7.298 fotografias tiradas a apenas 400 metros de altitude.

Os resultados foram publicados nesta semana na revista “Scientific Reports”. Ao todo, a expedição coletou 1.136.145 amostras de lixo, sendo 99,9% peças plásticas. Extrapolando para a área total, os cientistas estimaram a existência de 1,8 trilhão de fragmentos plásticos de diversos tamanhos, sendo 94% deles classificados como microplásticos, com menos de 5 milímetros de diâmetro. O peso estimado do lixo na região é de 79 mil toneladas — entre quatro e 16 vezes o estimado anteriormente por outros estudos —, mas os microplásticos representam apenas 8% da massa total. As redes de pesca abandonadas, conhecidas como “redes fantasmas”, respondem por 46% da massa total de lixo.

— Fomos surpreendidos pela quantidade de grandes objetos de plástico que encontramos — disse Julia Reisser, cientista-chefe da expedição. — Nós pensávamos que a maior parte dos detritos fosse de pequenos fragmentos, mas essa análise joga nova luz sobre o escopo do lixo.

O problema, dizem os cientistas, é que com o tempo esses pedaços maiores, que representam 92% da massa total de plástico na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, tendem a se fragmentar em microplásticos. Estudos demonstram que essas pequenas partículas provocam graves danos à vida marinha.

— Resíduos grandes são ingeridos apenas por animais de grande porte, mas peixes pequenos e grandes se alimentam dos microplásticos, afetando uma gama muito maior da biodiversidade. Essa ingestão pode machucar o trato digestivo e abrir caminho para infecções, ou dar ao animal a impressão de que o estômago está cheio, dando uma falsa sensação de saciedade — explicou Alexander Turra, professor do Instituto de Oceanografia da USP. — E peças grandes de plástico podem ser facilmente removidas da água, mas limpar o microplástico, com a tecnologia que temos hoje, é impossível. Por isso, é infinitamente melhor prevenir, evitando o descarte de plástico no mar, que remediar. Até porque remediar pode não ser uma possibilidade.

Existem estudos em andamento que tentam avaliar os riscos à saúde humana pelo consumo de carne de peixe contaminada por microplástico, mas ainda não existem evidências que comprovem essa tese. O motivo, explica Turra, é que nós não comemos os órgãos do trato digestivo dos peixes, onde os microplásticos se acumulam. Apenas uma pequena quantidade é passada para a carne.

— Mas se os peixes começarem a morrer, vai faltar peixe para as pessoas — alertou o pesquisador.

Redemoinho ‘aprisiona’ a sujeira

E os grandes fragmentos também geram consequências graves ao meio ambiente marinho. As redes descartadas por pescadores aprisionam peixes e outros animais, levando-os à morte. Fragmentos menores, como tampas de garrafas, copos e outros, podem provocar sufocamento caso ingeridos. A ONG The Ocean Cleanup Foundation está trabalhando no desenvolvimento de uma tecnologia capaz de remover o microplástico da água.

— Para sermos capazes de resolver um problema, acreditamos ser essencial compreendê-lo primeiro — comentou Boyan Slat, fundador da ONG e coautor do estudo. — Esses resultados nos fornecem dados importantes para desenvolvermos e testarmos a nossa tecnologia, mas também destacam a urgência em resolver o problema da poluição por plástico.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico é formada pelo transporte dos detritos pelas correntes marinhas que formam o Giro do Pacífico Norte. Basicamente, trata-se de um redemoinho formado pelas correntes do Pacífico Norte, da Califórnia, Equatorial Norte e de Kuroshio. O lixo carregado das áreas costeiras da América do Norte e da Ásia ou jogado ao mar por embarcações é transportado para essa região, onde fica aprisionado.

A expedição coletou 50 itens de plástico com data de fabricação. O mais antigo era de 1977, sete eram da década de 1980, 17, dos anos 1990, 24, da década de 2000, e um, dos anos 2010. Os pesquisadores também encontraram 386 objetos com palavras ou sentenças reconhecíveis em nove línguas diferentes. Um terço desses objetos tinha inscrições em japonês e outro terço, em chinês. O local de produção pôde ser lido em 41 dos objetos, indicando que foram fabricados em 12 nações diferentes.

Existem no mundo outros quatro giros oceânicos, mas o do Pacífico Norte é o maior deles. Entre a América do Sul e a África está o Giro do Atlântico Sul, que concentra o lixo descartado na costa dos dois continentes, mas não existem estudos detalhados sobre sua dimensão e composição.

O problema do lixo jogado no mar é grave, tanto que recebeu atenção especial na Conferência sobre os Oceanos das Nações Unidas, realizada no ano passado em Nova York. Durante o evento, o governo brasileiro se comprometeu a elaborar o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar.

— A gente tem que fazer com que esse lixo não chegue ao mar — afirmou Turra. — Fechar a torneira é o primeiro passo, mas isso não significa simplesmente banir o plástico. Se esse material, em vez de ir para o mar, for para usinas de reciclagem, ele se torna ambientalmente vantajoso em relação a outros.

Fonte – Sérgio Matsuura, O Globo

Boletim do Instituto IDEAIS de 03 de abril de 2018

 

Moradores das Ilhas Galápagos combatem a maré de plástico

Residentes coletam lixo em ilha de Galápagos. Foto: Parque Nacional de GalápagosResidentes coletam lixo em ilha de Galápagos. Foto: Parque Nacional de Galápagos

Quando os voluntários de uma operação de limpeza costeira nas Ilhas Galápagos encontraram uma lata de refrigerante de uma marca proveniente da Indonésia, não se surpreenderam. Há meses estavam recolhendo toneladas de plásticos vindas de outras regiões do planeta e que chegavam a essas praias remotas, localizadas a 1 mil quilômetros do Equador.

O país é parte da campanha global Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, o movimento mais ambicioso das Nações Unidas contra o lixo marinho. A campanha promove a aliança entre governos, setor privado e cidadãos para deter a poluição por plástico.

Quando os voluntários de uma operação de limpeza costeira nas Ilhas Galápagos encontraram uma lata de refrigerante de uma marca proveniente da Indonésia, não se surpreenderam. Há meses estavam recolhendo toneladas de plásticos vindas de outras regiões do planeta e que chegavam a essas praias remotas, localizadas a 1 mil quilômetros do Equador.

O emblemático arquipélago equatoriano, que inspirou Charles Darwin para sua teoria da evolução das espécies, não está alheio à maré de plástico que inunda o globo. O lixo que acaba nas ilhas ameaça as espécies vulneráveis da região, assim como seus habitantes, que dependem dos recursos marinhos de Galápagos para sua alimentação e sustento.

Com uma extensão de 138 mil quilômetros quadrados de reserva marinha — uma das maiores do mundo — e 8 mil quilômetros quadrados de reserva terrestre, Galápagos abriga 2.017 espécies que só vivem nesse local: 86% dos répteis das ilhas são endêmicos, assim como 27% dos mamíferos e 25% das aves. Corvos e iguanas marinhas, pinguins, lobos marinhos, os fringilídeos de Darwin e as tartarugas gigantes estão entre as espécies icônicas do arquipélago.

Devido à sua enorme riqueza ecológica, cultural e econômica, estas áreas protegidas se tornaram Patrimônio Natural da Humanidade em 1978.

Mas a atividade humana está alterando este ecossistema antigo: restos de plástico foram recentemente encontrados em ninhos de fringilídeos de Darwin e nos estômagos de tartarugas marinhas e albatrozes, durante uma investigação em curso conduzida em conjunto pela Direção do Parque Nacional de Galápagos e pela Universidade San Francisco de Quito.

O plástico se desintegra em micropartículas que são impossíveis de coletar, de modo que é inevitável sua entrada na cadeia alimentar. “Muitos animais as confundem com ovos de espécies marinhas das quais normalmente se alimentam”, explica Jorge Carrión, diretor encarregado do Parque Nacional Galápagos.

Calcula-se que anualmente sejam jogadas nos mares do mundo até 13 milhões de toneladas de plástico. Ao menos 50% desse lixo é composto por plástico descartável, que pode permanecer no meio ambiente por até 500 anos.

As autoridades de Galápagos tomaram medidas significativas para controlar a contaminação por plásticos nas ilhas. Inclusive declararam 2018 o ano da guerra contra a poluição por plásticos, unindo os esforços de governos, cientistas e cidadãos.

Um programa de gestão de resíduos em Santa Cruz, a ilha mais povoada, conseguiu uma recuperação de 45% dos resíduos sólidos recicláveis, porcentagem mais alta no Equador. Produtos como garrafas plásticas e latas foram enviadas à parte continental equatoriana para reciclagem, enquanto outros, como as garrafas de vidros, são reutilizadas localmente. Em uma resolução de 2014, o Conselho de Governo do Regime Especial de Galápagos proibiu que sacolas plásticas entrassem nas ilhas, e as autoridades esperam introduzir restrições para outros produtos plásticos descartáveis.

Os residentes se uniram a esses esforços e frequentemente participam de limpezas costeiras. Em fevereiro passado, em uma iniciativa de limpeza de praias remotas, os voluntários retiraram 2,5 toneladas de rejeitos durante uma travessia de oito dias.

“No Equador, promovemos um novo paradigma de desenvolvimento, baseado em um equilíbrio entre o ser humano e a natureza. Os moradores de Galápagos são um exemplo de como uma cidadania informada entende que a biodiversidade é um recurso estratégico e, portanto, tem o impulso de lutar ativamente contra a poluição marinha”, disse Tarsicio Granizo, ministro do Meio Ambiente do Equador.

Os pescadores, que dependem do mar para sobreviver, não ficaram de braços cruzados. Por exemplo, participam de limpezas submarinas e geram incentivos para que seus companheiros não abandonem no mar os sacos plásticos nos quais compram gelo.

Alberto Andrade, membro de um grupo de pescadores artesanais, participou das limpezas e encontrou garrafas plásticas da China, mas também lixo marinho proveniente da América Central, do México ou do Peru. Ele é testemunha dos efeitos malignos do plástico: viu centenas de animais presos em redes fantasmas de pesca, e acredita que a situação é alarmante. Mas tem esperança, porque “a conservação está no DNA de quem vive em Galápagos”.

As redes sociais ajudaram Andrade a mobilizar seus colegas e vizinhos a favor do meio ambiente. Seu grupo, a Frente Insular Reserva Marinha de Galápagos, defende a proibição de todos os plásticos descartáveis no arquipélago e está pressionando para que os restaurantes deixem de oferecer canudos. “Agora estão começando a usar alternativas, como os canudos de metal”, disse.

“Ainda estamos em tempo de liberar o arquipélago do lixo marinho, manter uma biodiversidade saudável e preservar Galápagos como um laboratório de evolução”, disse Jorge Carrión. “Mas ainda temos um longo caminho a percorrer”.

O Equador é parte da campanha global Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, o movimento mais ambicioso das Nações Unidas contra o lixo marinho. A campanha promove a aliança entre os governos, o setor privado e os cidadãos para deter a poluição por plástico.

Um planeta sem poluição por plásticos é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2018.

Iguana marinha na ilha de Santa Cruz, em Galápagos. Foto: ONU Meio AmbienteIguana marinha na ilha de Santa Cruz, em Galápagos. Foto: ONU Meio Ambiente

Comércio local em Puerto Ayora, em Galápagos, usa canudos de metal para evitar a poluição por plásticos. Foto: ONU Meio AmbienteComércio local em Puerto Ayora, em Galápagos, usa canudos de metal para evitar a poluição por plásticos. Foto: ONU Meio Ambiente

Clique aqui para saber mais sobre o trabalho da ONU Meio Ambiente nos oceanos e nos mares.

Fonte – ONU BR de 27 de março de 2018

Bares e restaurantes de Curitiba declaram guerra aos canudos de plástico

Canudo de inox utilizado no Coletivo Alimentar. Foto: ReproduçãoCanudo de inox utilizado no Coletivo Alimentar. Foto: Reprodução

Estabelecimentos priorizam opções mais ecológicas, como inox e papel, ou até eliminam o uso do objeto

O movimento mundial contra o uso de canudos de plástico chegou aos bares e restaurantes de Curitiba. Impactados por um vídeo que mostra uma tartaruga marinha com o objeto preso às narinas, que viralizou nas redes sociais (e sempre volta à tona), alguns estabelecimentos da cidade extinguiram os canudos de plásticode coqueteis e outras bebidas e agora oferecem opções mais ecológicas para os clientes, como canudos de papel ou inox.

Cosmos G/astrobar foi um dos primeiros bares da cidade a deixar de utilizar o objeto de plástico nos drinks da casa. Como opção aos clientes que rejeitam a mudança de hábito, a proprietária Jana Santos e o bartender Álan Rechetélo oferecem opções de papel, que demoram menos tempo para se decompor no meio ambiente.

“Os canudos de plástico são mais baratos, mas poluem o meio ambiente por muitos anos. Como o Cosmos é inspirado no universo, pensar no que estamos deixando para trás se tornou um pensamento natural”, afirma Jana. O bar não oferece canudos de plástico aos clientes desde 27 de fevereiro.

Cosmos G/astrobar

A gente queria te chamar para um papo sobre algo muito simples: canudinhos. (desculpa o textão)

Aqui nós nos inspiramos no universo e entendemos que tudo que somos vem de alguma forma do Cosmos. Então tudo que comemos e bebemos também tem pedacinhos desse universo todo. É uma ideia maravilhosa e encantadora pensar que um drink tem a mesma substância das estrelas que olhamos no céu ou dos planetas que não conseguimos enxergar e apenas imaginamos.

Não poderíamos também deixar de pensar no que estamos deixando para o universo. E quando paramos para pensar, os canudos são alguns desses pequenos grandes problemas.

Um canudo plástico existe por apenas 20 minutos. Mas seu resíduo dura 200 anos em média. Por serem pequenos e baratos, a maioria dos canudos existentes são feitos de plásticos não-biodegradáveis. Não precisamos deixar as lembranças dos nossos bons drinks por aí por tanto tempo, não é mesmo?

A gente sabe que mudar um hábito leva tempo. Então pensando nisso, estamos usando somente canudos de papel a partir de agora. Sabemos também que eles não duram tanto e podem se desintegrar. Se precisar, peça mais um. Se puder, não peça nenhum.

Nos comprometemos também a tomar outras medidas para reduzir nosso lixo. Há muito a ser feito ainda, mas qualquer passo é importante e esperamos ter você com a gente. Que a gente possa deixar um planeta bacana para que as futuras gerações possam curtir gin tônicas (ou cosmo collins!)

***

Foi na mesma época que o Veg e Lev, rede de restaurantes de comida leve com duas unidades em Curitiba, aboliu o uso de qualquer tipo de canudo. “Fizemos um cálculo e percebemos que nossa produção de lixo chegava a 20 mil canudos por ano, isso sem contar o invólucro”, afirma Almiro Neto, proprietário do restaurante. Por lei, restaurantes, lanchonetes, bares e até ambulantes são obrigados a usar apenas canudos de plástico embalados individualmente, sob pena de multa.

Canudo de papel usado no Cosmos G/astrobar. Foto: DivulgaçãoCanudo de papel usado no Cosmos G/astrobar. Foto: Divulgação

O empório vegetariano Veg Veg, no Centro, está substituindo aos poucos o uso de canudos de plástico por inox. O canudo lavável de inox também é a opção utilizada no Coletivo Alimentar, espaço de experimentações culinárias também no Centro da cidade. Ao contrário dos demais estabelecimentos, os canudos de plástico nunca entraram no Coletivo.

A preocupação dos idealizadores do espaço é manter um processo sério em relação à higienização dos canudos, preocupação comum de quem não está acostumado com o uso do objeto. Primeiro os canudos usados são lavados com detergente, com o uso de uma pequena escova própria para isso. Depois eles passam por um molho de hipoclorito, para depois passarem por uma última lavagem.

Impacto para os clientes

No Cosmos, a maioria dos clientes até agora foi receptiva com o uso de canudos de papel. “Imaginamos que teríamos que lidar com uma recepção negativa pelo uso dos canudos de papel que tem alguns problemas, já que eles amolecem depois de um certo tempo. Mas percebemos que é só explicar o porquê que as pessoas são super receptivas”, afirma Jana.

Veg e Lev

Não é só na alimentação que pensamos no meio ambiente, mas nas nossas atitudes também. O canudo é um grande poluidor, porque o polipropileno e o poliestireno, materiais dos quais geralmente são feitos os canudos, não são biodegradaveis. Quando descartados, tendem a ficar no ambiente, desintegrando em pedaços menores, que acabam sendo comidos por animais. Nossa parte é abolir o uso nos nossos restaurantes e contamos com vocês para compreender e nos ajudar em busca de um mundo melhor.

Fonte – Talita Boros Voitch, Gazeta do Povo de 04 de abril de 2018

Mancha de lixo do Pacífico é 16 vezes maior do que se supunha

Estima-se que em 2050 a quantidade de resíduos de plástico no mar seja maior do que a de peixes vivos. Foto: The Ocean Cleanup

Novo mapeamento indica que mar de plástico equivale a três vezes o tamanho da França e pesa o mesmo que 500 aviões Boeing 747

Uma enorme coleção de plástico flutuando no oceano, também conhecida como Grande Mancha de Lixo do Pacífico, está crescendo mais rápido do que se previa. A maior concentração de plástico do mar de todo o planeta, localizada entre o Havaí e a Califórnia, é hoje até 16 vezes maior do que se tinha notícia e pesa cerca 80 mil toneladas, revela um estudo publicado na revista Scientific Reports.

“A situação está pior a cada dia, encontramos uma quantidade de plástico impressionante e precisamos de medidas urgentes para acabar com o plástico que ocupa 1,6 milhão de quilômetros quadrados”, afirmou o líder do estudo, o oceanógrafo Laurent Lebreton, da fundação holandesa The Ocean Cleanup, que desenvolve tecnologias para extrair a poluição plástica dos oceanos. De acordo com Lebreton, cerca de 20% do lixo pode ter chegado após o terremoto e tsunami de 2011 no Japão.

Para analisar a extensão da Mancha de Lixo, a equipe de pesquisadores realizou o maior esforço realizado até hoje na região, com o apoio de aeronaves e imagens tridimensionais e 30 navios, que fizeram a coleta de 1,2 milhão de amostras de plástico.

Entre os 50 itens da amostra selecionados com data de fabricação legível havia plástico de 1977, sete itens da década de 1980, 17 da década de 1990, 24 da década de 2000 e um de 2010. Eram garrafas, pratos, boias, cordas, embalagens, um contêiner e até um assento de privada, de acordo com a equipe de cientista.

A análise também revelou que os plásticos pequenos, que medem menos de meio centímetro, compõem a maior parte do 1,8 trilhão de peças que flutuam na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, embora respondam por 8% da massa suspensa no mar. As redes de pesca descartadas são responsáveis por quase metade do peso do lixo.

Cerca de 8 milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos, o que tornou o plástico uma grande praga ambiental nas últimas cinco décadas.

Uma série de desequilíbrios são causados pela presença de plástico no oceano: ele pode ser ingerido por animais como tartarugas, baleias, leões marinhos e peixes; além de liberar uma grande quantidade de substâncias químicas.

The Ocean Cleanup está desenvolvendo um sistema de grandes barreiras flutuantes com telas subaquáticas com o objetivo de coletar cinco toneladas de lixo por mês a partir dos próximos anos.

“O esforço pode ser inócuo diante de um aumento desenfreado da produção de plástico que, segundo pesquisas, pode triplicar na próxima década”, disse Lebreton. Segundo ele, é preciso reduzir o desperdício, criar opções biodegradáveis alternativas ao plástico e, principalmente, mudar a forma como usamos e descartamos os produtos plásticos.

Fonte – Observatório do Clima de 23 de março de 2018

Países que baniram o plástico já são mais de dez

imagem de gráfico mostrando plástico ingerido por peixes e aves marinhasilustração: SurfinSantos

Países que baniram o plástico

Atualmente são mais de dez países que baniram o plástico, entre eles Índia, Bélgica, Costa Rica, França, Grenada, Indonésia, Noruega, Panamá, Santa Lúcia, Serra Leoa e Uruguai.

Por que banir o plástico?

Porque o material é um dos maiores inimigos do meio ambiente. Para começar, a produção do material exige petróleo (5%). Mesmo que seja pouco, para extraí-lo e refiná-lo é necessário todo o processo que envolve práticas que poluem excessivamente o meio ambiente. Outro problema grave, é que o material demora mais de 100 anos para se decompor e, segundo a ONU, entre 22% a 43% do total produzido, 310 milhões de toneladas/ano, vão parar em aterros. E por lá ficam quase um século! Finalmente, de acordo com pesquisa da Ellen MacArthur Foundation, no mundo apenas 14% das embalagens plásticas é recolhida para reciclagem.

O plástico e os oceanos: mais de 150 milhões de toneladas

A mais confiável pesquisa, atualmente disponível, estima que atualmente haja mais de 150 milhões de toneladas de material plástico nos oceanos. Pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico – equivalentes a um caminhão de lixo por minuto, vazam para os oceanos anualmente. E ainda não existe tecnologia capaz de retirar este material dos oceanos.

Algumas idéias para reaproveitar, ou mitigar, o plástico dos oceanos

Não são muitas, e algumas são complexas. Mas existem desde bactérias que estão sendo desenvolvidas para comerem plástico, como outras que sugerem pavimentar estradas com o plástico dos oceanos. Mas ainda não existem tecnologias capazes de retirar o incrível montante do material que já está nos oceanos matando aves, tartarugas e mamíferos marinhos. No futuro, com o avanço da tecnologia talvez seja possível a retirada do material do mar. Mas as sugestões que hoje circulam ainda não conseguiram unanimidade entre pesquisadores.

Índia, e dez outros países que baniram o plástico

A  Índia, e dez outros países, vão banir plástico. No caso da Índia, a lei vale para Nova Delhi. A lei  foi publicada em junho de 2017. O país não está só. Este é um problema mundial. Trinta e dois por cento dos 78 milhões de toneladas de embalagens plásticas produzidas anualmente vão parar nos oceanos. Isso equivale a um caminhão de lixo (de plástico) a cada minuto nos mares do planeta.

Índia: responsável por 60% do plástico despejado nos oceanos

De acordo com o India Times, a Índia é responsável por surpreendentes 60% do plástico despejados nos oceanos  todos os anos. O país tornou-se tão preocupado com o problema  que o Tribunal Verde Nacional introduziu uma proibição de plástico descartável na capital. Agora não é permitido usar sacolas de plástico, xícaras de chá e talheres em Delhi.

França aprova lei para banir plástico que não seja degradável

A lei francesa, aprovada em julho deste ano, vai proibir a venda de talheres, copos e pratos de plástico que não sejam biodegradáveis a partir de 2020. O jornal Les Echos diz que no país são jogados fora, por ano, 4,7 bilhões de copos de plástico o que “constitui uma pirâmide tão alta como 25 torres Eiffel”.

Segundo o jornal, o problema da lei para a transição verde, em francês ‘loi de transition énergétique pour la croissance verte’, é o custo mais alto dos novos copos e outros materiais que, em vez de plástico, serão produzidos por celulose. Eles custarão três vezes mais caro.

Costa Rica segue exemplo e propõe banir plástico até 2021

A medida vale para sacolas, garrafas, talheres, tampas, tem como objetivo diminuir a poluição de plásticos principalmente nos oceanos. Ainda não se sabe qual material será usado no lugar do plástico. O governo  vai investir em pesquisas e oferecer incentivo para o desenvolvimento de novos materiais.
O Brasil bem que poderia seguir estes exemplos.
ONU lança o #CleanSeas

No mês passado o Programa do Meio Ambiente da ONU lançou #CleanSeas, uma grande campanha global para impedir ou diminuir o lixo  plástico nos oceanos. Dez países já se juntaram.

Até 2050 é estimado que 99% das aves marinhas terão ingerido plástico. O lixo plástico prejudica mais de 600 espécies marinhas.

Fontes – weforum.org / hypeness.com.br / lesechos.fr / Blog Mar sem Fim de 05 de setembro de 2017

Você está bebendo plástico? OMS investigará efeitos na saúde após análise achar partículas em água engarrafada

Tampas de garrafas de água

Teste realizado com as principais marcas de água engarrafadas do mundo mostrou que há micropartículas de plásticos no líquido

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai iniciar uma análise sobre os potenciais riscos da presença de plástico na água que bebemos.

Ela levará em conta as últimas pesquisas sobre a disseminação e o impacto dos chamados microplásticos – partículas que são pequenas o bastante para serem ingeridas.

Isso ocorre após um teste feito com 250 garrafas de água de 11 marcas líderes do mercado, incluindo a brasileira Minalba, ter mostrado que havia micropartículas de plástico em 93% delas.

Não há evidências de que microplásticos podem afetar a saúde humana, mas a OMS quer avaliar o quanto realmente se sabe sobre isso.

Bruce Gordon, coordenador do trabalho global da OMS em água e saneamento, disse à BBC que a questão principal é se o fato de ingerir partículas de plástico ao longo da vida poderia ter algum efeito. “O público está obviamente preocupado se isso vai deixá-los doentes no curto prazo e no longo prazo”, afirmou.

“Quando pensamos sobre a composição do plástico, se pode haver toxinas nele, em que medida elas seriam nocivas e o que realmente as partículas podem fazer no corpo, não há uma pesquisa para nos responder”, explicou.

“Geralmente temos um limite ‘seguro’, mas para definir isso precisamos entender se essas coisas são perigosas e em quais concentrações são perigosas.”

Gordon enfatizou, no entanto, que uma ameaça muito maior na água vem de países onde ela pode estar contaminada pelo esgoto.

Segundo especialistas consultados pela BBC, pessoas que vivem em países onde a água da torneira pode ser poluída devem continuar a tomar água engarrafada.

Garrafas do mundo todo

O teste realizado na Universidade Estadual de Nova York e liderado pela Orb Media, organização jornalística sem fins lucrativos, examinou garrafas compradas em nove países diferentes, de cinco continentes, e descobriu uma média de dez partículas de plástico por litro, cada uma maior do que a espessura de um fio de cabelo.

Anualmente são produzidos 300 bilhões de litros de água engarrafada.

“Os números não são catastróficos, mas é algo preocupante”, disse à BBC Sherri Mason, professora de química da Universidade de Nova York, que conduziu a análise.

“Encontramos plástico em todas as garrafas e marcas”, diz. “O teste mostra que o plástico tornou-se um material tão presente na nossa sociedade que agora está até passando para a água.”

Gráfico sobre análise de partículas de plásticos

As empresas avaliadas afirmam que seus produtos atendem aos mais altos padrões de segurança e de qualidade. E dizem que falta regulamentação sobre microplásticos e que não há métodos padronizados para testes.

No ano passado, Mason encontrou partículas de plástico em amostras de água da torneira. Outros estudos também as detectaram em frutos do mar, cerveja, sal marinho e até no ar.

Para a pesquisadora, os cientistas agora precisam ser capazes de responder se os microplásticos podem ser prejudiciais à saúde.

“O que sabemos é que algumas dessas partículas são suficientemente grandes e, que uma vez ingeridas, provavelmente são expelidas. Mas antes elas podem liberar produtos químicos que prejudiquem à saúde”, diz.

“Algumas dessas partículas são tão incrivelmente pequenas que podem atravessar o revestimento do trato gastrointestinal e serem levadas para todo o corpo, e não sabemos as implicações que terão nos órgãos e tecidos.”

Filtragem de partículasAs marcas amarelas indicam microplásticos na água após a filtragem | Foto: Orb Media

Como foi o teste

A pesquisa com água engarrafada envolveu a compra de embalagens de 11 marcas globais e de países escolhidos por suas grandes populações ou seu consumo relativamente alto de água engarrafada.

As marcas avaliadas foram:

– Aquafina

– Aqua

– Bisleri

– Dasani (coca-cola)

– Epura

– Evian

– Gerolsteiner

– Minalba

– Nestlé Pure Life

– San Pellegrino

– Wahaha

Para realizar o teste, a equipe de Mason impregnou a água das garrafas com um corante chamado Nile Red, uma técnica recentemente desenvolvida por cientistas britânicos para a rápida detecção de plástico na água do mar.

Estudos anteriores estabeleceram como o corante adere a pedaços de plástico que flutuam de forma livre e os torna fluorescentes sob certos comprimentos de onda da luz.

No teste, os cientistas filtraram as amostras tingidas e depois contaram cada pedaço maior que 100 mícrons – aproximadamente 0,1 milímetro.

Algumas dessas partículas, grandes o suficiente para serem manipuladas individualmente, foram então analisadas por espectroscopia infravermelha, confirmadas como plásticas e identificadas como tipos específicos de polímero.

Gráfico sobre análise de partículas de plásticos em garrafas de água

As partículas menores que 100 mícrons eram muito mais numerosas (uma média de 314 por litro), e foram contadas usando uma técnica desenvolvida na Astronomia para totalizar o número de estrelas no céu noturno.

Algumas foram consideradas resíduos plásticos por expectativa racional, segundo Mason.

Isso ocorre porque, embora o tintura de Nile Red possa se ligar a outras substâncias que não o plástico – como fragmentos de conchas ou algas que contenham lipídios -, seria pouco provável que eles estivessem presentes na água engarrafada.

De onde vem o plástico?

Uma vez que o estudo não passou do processo usual de revisão e de publicação de pares em um periódico científico, a BBC pediu a especialistas que o comentassem.

Andrew Mayes, da Universidade de East Anglia, do Reino Unido, e um dos pioneiros na técnica do Nile Red, disse que o teste é uma “análise química de alta qualidade” e que os resultados são “bastante conservadores”.

Michael Walker, consultor do Government Chemisty (unidade de pesquisa que atua em disputas na área de regulamentação de alimentos no Reino Unido) e membro do conselho Food Standards Agency, que responde pela segurança alimentar no país, disse que o trabalho foi “bem conduzido”.

Ambos enfatizaram que as partículas abaixo de 100 mícrons não foram identificadas como plásticas, mas disseram que, uma vez que as outras opções não seriam esperadas em água engarrafada, poderiam ser descritas como “provavelmente de plástico”.

Uma questão óbvia é de onde esse plástico vem. Dada a quantidade de polipropileno, usado nas tampinhas de garrafa, uma teoria é que o ato de abrir uma garrafa pode derramar essas partículas lá dentro.

Garrafas plásticas de águaAs micropartículas de plástico podem sair das tampinhas das garrafas. GETTY IMAGES

Empresas negam

A BBC contatou todas as empresas envolvidas – a maioria delas respondeu.

A brasileira Minalba disse que seu processo de extração e envase da água da fonte mineral Água Santa, localizada em Campos do Jordão (SP), segue todos os padrões de qualidade e segurança exigidos pela legislação brasileira, “refletindo, com rigor, a manutenção das propriedades minerais vindas da natureza”.

A Nestlé disse que seus próprios testes internos para microplásticos começaram há mais de dois anos e não detectaram nenhum vestígio de partículas acima do mínimo esperado.

Um porta-voz acrescentou que o estudo da professora Mason falhou nas principais etapas para evitar “falsos positivos” e convidou o Orb Media para comparar métodos.

A marca Gerolsteiner também disse que estava testando a quantidade de microplásticos havia vários anos e que os resultados mostraram níveis “significativamente abaixo dos limites para partículas” estabelecidos para empresas farmacêuticas. E que não conseguiu entender as conclusões do teste, já que as micropartículas estão “em todo lugar”, podendo entrar nos produtos pelo ar ou pelos materiais de embalagem durante o processo de engarrafamento.

Gáfico sobre aumento no uso de plástico

A Coca-Cola, dona da Dasani, disse ter alguns dos mais rigorosos padrões de qualidade na indústria e usou um” processo de filtração multipasso”. E também afirmou que os microplásticos “parecem ser onipresentes e, portanto, podem ser encontrados em níveis mínimos mesmo em produtos altamente tratados”.

A Danone, fabricante da Aqua e da Evian, disse que não poderia comentar o estudo porque “a metodologia utilizada não é clara”, mas acrescentou que suas garrafas tinham qualidade de embalagem alimentar.

A empresa ressaltou que não há regulamentos sobre microplásticos ou um consenso científico sobre testes, e também destacou um estudo alemão muito menor, realizado no ano passado, que encontrou partículas de plástico em garrafas de uso único, mas não acima de uma quantidade estatisticamente significante.

A PepsiCo disse que sua marca Aquafina tem “medidas rigorosas de controle de qualidade, práticas de fabricação sanitária, filtração e outros mecanismos de segurança alimentar que produzem um produto confiável e seguro”. Descreveu ainda o estudo dos microplásticos como um campo emergente e que requer análise científica adicional.

Fonte – 

União Europeia insinua que se avizinha proibição dos plásticos de uso único

O vice-presidente da Comissão Europeia deu a entender, no Twitter, que está para breve uma proibição dos plásticos de uso único na UE.

Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, deu a entender, por meio de uma publicação no Twitter, que poderá estar para breve uma proibição dos artigos de plástico de uso único na União Europeia.

Michael Gove, secretário para o Ambiente do Governo britânico e proponente do Brexit, sugeriu que a permanência na UE tornaria mais difícil a proibição de produtos descartáveis como as palhinhas de plástico (canudos, no Brasil) no Reino Unido.

“As palhinhas de plástico são um flagelo”, contou Michael Gove à Sky News. “São um dos exemplos das formas como poluímos os oceanos e prejudicamos a vida marinha. Quero fazer tudo o que estiver no nosso poder para restringir o uso deste produto e estamos atualmente a ponderar se o podemos proibir.”

“Existe alguma preocupação de que, devido às leis da UE, não possamos proibir as palhinhas de momento, mas estou a fazer tudo para garantir que acabamos com este flagelo”, disse.

A isto, Frans Timmermans respondeu, via Twitter:

“Estamos um passo à vossa frente. Vem aí uma legislação da UE sobre os plásticos de uso único antes do Verão.” 

Entretanto, a Escócia antecipou-se aos planos da UE e de Gove e anunciou que pretende banir as palhinhas até 2019.

As palhinhas estão frequentemente no top 10 dos resíduos mais encontrados nas praias. Embora os usemos durante apenas alguns minutos, estes tubinhos podem demorar centenas de anos a decomporem-se.

Enquanto anunciava os planos da UE para assegurar que todos os plásticos sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2030, Timmermans mencionou especificamente as palhinhas de plástico como algo que ele queria erradicar.

“Se as crianças soubessem quais são os efeitos das palhinhas de plástico usadas para beber refrigerantes ou outra bebida qualquer, poderiam reconsiderar e utilizar palhinhas de papel ou optar por não usar nada”, defendeu Timmermans.

“Se não fizermos nada em relação a isto, vamos asfixiar em plástico. Quantos milhões de palhinhas usamos todos os dias na Europa? Queria que as pessoas deixassem de utilizar estes produtos. Só precisei de explicar uma vez aos meus filhos. E agora (…) eles procuram palhinhas de papel ou simplesmente não as usam.” 

Fonte – The UniPlanet de 06 de março de 2018

Pão de Açúcar reduz embalagens com venda a granel

Parte de uma série de ajustes que o Pão de Açúcar tem feito em suas lojas, a área de venda de alimentos a granel teve ainda o efeito colateral de reduzir o uso de embalagens.

A rede disse ter evitado o uso de 18 mil embalagens no último ano ao oferecer a granel itens como grãos, frutas desidratadas, chocolates e chás. Nas 15 lojas da rede que ofertam o serviço, clientes podem levar seus próprios potes ou comprar um na hora.

O Pão de Açúcar tem reformado uma série de lojas e os alimentos a granel são parte de um esforço para reforçar a área de produtos naturais e perecíveis, setor que costuma gerar maior margem para o negócio.

Fonte – Newtrade de 27 de fevereiro de 2018