Solvente usado no fabrico de plásticos pode causar cancro

Conclusão foi avançada por um grupo de trabalho da Agência Internacional para a Investigação do Cancro da OMS. Getty images

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), no qual participou o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), mostra que o estireno, um solvente orgânico utilizado no fabrico de plásticos reforçados, pode causar cancro.

Segundo um comunicado do ISPUP a que a agência Lusa teve hoje acesso, os resultados deste trabalho demonstram que o estireno – usado no fabrico de polímeros e de plásticos reforçados -, a quinolina (solvente) e o 7,8 óxido de estireno são “provavelmente carcinogénicos para os humanos”.

Esta conclusão foi avançada por um grupo de trabalho da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), da OMS, composto por 23 cientistas de 12 países, que, em Março passado, se reuniram em Lyon (França), para ajudar a identificar substâncias químicas, usadas na indústria, com potencial de aumentar o risco de cancro no ser humano.

Apesar dos benefícios associados à utilização do estireno, o grupo reconhece que o aumento da sua produção e utilização e a disseminação da sua aplicação, “poderão potenciar efeitos adversos na saúde humana, dadas as suas características físico-químicas e toxicológicas”, explicou o investigador do ISPUP João Paulo Teixeira, que integrou a equipa.

De acordo com o próprio, apesar da “limitada evidência científica”, resultados de estudos epidemiológicos em humanos, estudos laboratoriais com animais e outros dados relevantes apontam para a probabilidade de o estireno ser carcinogénico para os humanos, pertencendo, assim, ao grupo 2A da classificação da IARC (classificação que divide os agentes em diferentes grupos, desde carcinogénicos a não carcinogénicos).

João Paulo Teixeira, referido na nota informativa, indicou que se deve evitar ou reduzir a utilização desses agentes a nível laboral, substituindo-os por produtos, misturas ou processos que “não sejam perigosos” ou que “impliquem menor risco para a segurança e a saúde dos trabalhadores”.

De acordo com o investigador, a organização do trabalho, técnicas de concecção, utilização e controlo, bem como sistemas e equipamentos de protecção são outras das medidas preventivas (ou correctivas) que podem ser aplicadas.

Neste contexto, continuou, a monitorização biológica, que consiste na quantificação e avaliação do agente químico ou do seu metabolito em meios biológicos, tais como o sangue, a urina ou o ar expirado, “assume particular relevância”.

“A monitorização ambiental pode e deve ser complementada com a monitorização biológica para alguns dos agentes químicos”, frisou.

O investigador disse ainda que esta informação poderá ser utilizada pelas agências nacionais de saúde como suporte científico ou referencial de orientação das suas acções, no sentido de prevenir a exposição a agentes nocivos para a saúde.

Periodicamente, são analisados e discutidos novos dados acerca da exposição ao estireno e outras substâncias, os seus efeitos na saúde humana e animal, bem como os mecanismos que estão na base destes efeitos, sendo essa reavaliação “essencial para uma análise e gestão do risco em matéria de saúde”, acrescenta o comunicado no ISPUP.

Os resultados deste estudo, que deu origem a um artigo recentemente publicado na revista científica The Lancet Oncology, integrarão o volume 121 da Monografia da IARC.

As monografias da IARC identificam factores ambientais que podem aumentar o risco de cancro nos humanos, como compostos químicos, agentes físicos e biológicos ou misturas complexas, lê-se ainda na nota.

Desde 1971, a IARC avaliou acima de mil agentes, dos quais mais de 400 foram identificados como carcinogénicos, provavelmente carcinogénicos ou possivelmente carcinogénicos para humanos.

Fonte – Sábado.pt de 13 de junho de 2018

Dia Mundial dos Oceanos: consciência é saída para evitar catástrofe

Beleza de recife no litoral de Honduras disputa espaço com as grandes quantidades de plástico: globalização da poluição (Foto: Luciano Candisani)Beleza de recife no litoral de Honduras disputa espaço com as grandes quantidades de plástico: globalização da poluição (Foto: Luciano Candisani)

De acordo com a ONU, se não houver mudanças no descarte de lixo, em 2050 planeta terá mais plástico do que peixes nas águas

Eles cobrem cerca de 70% da superfície da Terra e são um importante elo que permite o equilíbrio da vida em nosso planeta. Mesmo assim, têm suportado toneladas diárias de lixo em forma de desrespeito, falta de educação e consciência sobre o futuro. Tudo em nome de um progresso que busca a praticidade e o conforto. No Dia Mundial dos Oceanos, o site do Terra da Gente abre espaço para o fotógrafo brasileiro Luciano Candisani, que há duas décadas percorre o mundo registrando os incríveis pontos de resistência da natureza e os cada vez mais comuns problemas com a poluição das águas.

“Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais. As partículas de microplástico hoje presentes no oceano superam as estrelas de nossa galáxia”, António Guterres, secretário-geral da ONU

“Sou testemunha ocular de que não temos muito o que comemorar. Atualmente, não há lugar no mundo que não tenha problemas com o plástico, por exemplo”, afirma o fotógrafo. “Por outro lado, podemos enaltecer a resiliência dos oceanos que, mesmo com as graves consequências dos nossos atos, ainda apresentam lugares de grande riqueza natural que mantêm o seu cenário original. Gosto de registrar esses locais para mostrar que ainda podemos ter esperança em mudar essa história”, diz.

População de baleias jubartes que buscam a costa brasileira para a reprodução aumenta a cada ano: refúgio precisa ser protegido (Foto: Luciano Candisani)População de baleias jubartes que buscam a costa brasileira para a reprodução aumenta a cada ano: refúgio precisa ser protegido (Foto: Luciano Candisani)

O plástico é o principal vilão dos mares que banham os continentes e representam 97,5% do total de água existente no planeta, abrigando 29% da biodiversidade conhecida até o momento. Levantamentos da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, por ano, são consumidas até 5 trilhões de sacolas plásticas em todo o mundo. Também anualmente, 8 milhões de toneladas de garrafas plásticas vão parar nos oceanos, prejudicando 600 espécies marinhas, das quais 15% estão ameaçadas de extinção. Para se ter uma ideia do problema, a cada minuto, são compradas 1 milhão de garrafas plásticas.

Mas o drama vai além da água, outro triste dado é que 90% das aves marinhas já ingeriram plástico pelo menos uma vez na vida, de acordo com o mesmo estudo internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, é ainda mais enfático: “Se as tendências atuais continuarem, em 2050 nossos oceanos terão mais plástico do que peixes”.

“Cada clique é uma manifestação do meu encantamento por esses pontos nos oceanos que ainda possuem uma riqueza natural. Mas, como fotógrafo, vivo um questionamento: trabalho para falar de conservação, mas o meu próprio deslocamento pelo planeta gera impacto”, Luciano Candisani, fotógrafo de natureza

Barbeador no ninho

O fotógrafo Candisani viu de perto os efeitos maléficos da indústria do consumo. Até mesmo na Ilha da Trindade, localizada no Oceano Atlântico, a cerca de 1,2 mil quilômetros da costa brasileira, o lugar habitado mais remoto do País, ele encontrou resíduos de plástico na água. “A quantidade de lixo plástico vista ali, naquele lugar tão distante de tudo, foi impressionante. Ao ler os rótulos das embalagens foi possível perceber que aquilo vinha de várias partes do mundo. As pessoas descartam em qualquer ponto e não têm noção do quão distante o oceano pode carregar aquilo”, lamenta o brasileiro.

Vida silvestre no arquipélago dos Alcatrazes, no Litoral Norte de São Paulo: paraísos ameaçados  (Foto: Luciano Candisani)Vida silvestre no arquipélago dos Alcatrazes, no Litoral Norte de São Paulo: paraísos ameaçados (Foto: Luciano Candisani)

Outra experiência ruim foi na Reserva Biológica Atol das Rocas, também no Atlântico – localizada a pouco mais de 260 quilômetros de Natal (RN). O fotógrafo estava registrando andorinhas do mar quando percebeu algo de estranho nos ninhos desses pássaros. Eram objetos plásticos que haviam sido recolhidos para compor o lugar que receberia os ovos. Tubos de canetas esferográficas, canudos e até barbeadores descartáveis foram vistos ali.

“Não tem um lugar que eu tenha visitado, por mais remoto que seja, que não tenha os reflexos do nosso modo de vida. O primeiro passo para uma mudança é ver que todas as nossas atitudes têm impacto porque estamos inseridos nesse sistema de consumo constante. Precisamos estabelecer outra relação com a prosperidade. Muitos dos nossos confortos são insustentáveis. As pessoas estão muito dependentes de uma forma artificial de sobrevivência”, reforça o fotógrafo, levantando uma importante discussão.

“(A poluição nos mares) É o resultado do nosso modo de vida, são os efeitos colaterais. Todos fazemos parte do mesmo ecossistema e precisamos perceber que tudo o que é descartado vai para algum lugar. O que jogamos fora acaba indo para o estômago de muitas espécies”, Luciano Candisani.

Numa viagem a Honduras, Candisani registrava uma comunidade de pescadores que tiravam o seu sustento com muito respeito ao meio ambiente. Durante as fotos, porém, uma surpresa desagradável: uma onda de lixo espalhou pedaços de plástico pela praia. “Por mais que existam ações locais responsáveis (como a dos pescadores hondurenhos), de nada adianta se não mudarmos a mentalidade globalmente. Precisamos mostrar para as pessoas que uma reação precisa envolver a todos”, acredita o brasileiro.

Palestras

Na tentativa de dar a sua contribuição para essa mudança, o fotógrafo costuma apresentar palestras em escolas. Ali, ele repassa o seu encantamento pela natureza para os jovens estudantes e, ao mesmo tempo, planta sementes de boas práticas. Orientar as futuras gerações a respeitarem os oceanos pode ser a solução para minimizar os impactos que hoje ameaçam toda a vida dentro e fora deles. Candisiani tem dado a sua gotinha de esforço para oceanos mais limpos. Cabe, agora, a cada um de nós aumentar essa onda.

Fonte – Fábio Gallacci, Terra da Gente

Boletim do Instituto IDEAIS de 08 de junho de 2018

O mundo à beira de uma calamidade global causada por excesso de plásticos

Um bloco de garrafas plásticas comprimidas é visto em um centro de lixo plástico, nos arredores de Pequim, na China  (Foto: Fred Dufour/AFP)Um bloco de garrafas plásticas comprimidas é visto em um centro de lixo plástico, nos arredores de Pequim, na China (Foto: Fred Dufour/AFP)

Na lanchonete, pedi a lata de refrigerante e, junto, veio o canudo.

Eu iria pegá-lo, rasgar a embalagem de papel fino, jogar no lixo. Iria usá-lo só um pouco porque, de verdade, não gosto de beber refrigerante no canudo. Seria só por hábito mesmo, ou para não deixar de aceitar algo que me deram. E iria abandoná-lo logo depois, também no lixo. Seria quase um ato reflexo.

Mas, desta vez, a imagem da baleia morta entalada com plástico na Tailândia novamente veio à minha cabeça e eu desisti. Disse à moça que não queria o canudo, que também não queria copinho. Limpei a borda da lata e saí bebendo.

Naquele momento, senti-me capaz de responder às pessoas que criticam o fato de a mídia propalar notícias ambientais tão pungentes e tristes quanto a da baleia morta. Associar a imagem de algo ruim a uma mudança de hábito para evitar que a situação piore, eis o bom resultado da notícia espraiada. Não serei a única a ter abandonado de vez o canudo e a priorizar o não uso do copo plástico, tenho certeza.

Até porque, se vocês repararem bem, estão cada vez mais finos e imprestáveis os tais copinhos, não?

Por coincidência, quando cheguei em casa, nesta mesma tarde, fiz contato com o texto publicado pelo diretor executivo da agência da ONU para o meio ambiente (Unep, na sigla em inglês), Erik Solheim, no jornal britânico “The Guardian”, como parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente nesta terça-feira (5).

Solheim usa palavras fortes para descrever a falta de cuidados da humanidade ao descartar de qualquer jeito uma quantidade quase incomensurável de plástico que passou a usar em um século, desde que este produto foi criado. O planeta está, segundo ele, à beira de uma calamidade global dos plásticos.

“Estamos adictos. Passar um dia sem encontrar alguma forma de plástico é quase impossível. Criamos a expectativa, quando o plástico apareceu, de termos um produto que poderia tornar a vida mais barata, mais rápida e mais fácil. Agora, depois de um século de produção e consumo descontrolados, a conveniência se transformou em crise. Não é mais só uma mera comodidade material. Hoje se encontra plástico onde menos se espera, incluindo os alimentos que comemos, a água que bebemos e os ambientes em que vivemos. Uma vez no ambiente, entra em nossa cadeia alimentar onde, cada vez mais, partículas de microplásticos estão aparecendo em nossos estômagos, sangue e pulmões. Os cientistas estão apenas começando a estudar os possíveis impactos na saúde”, escreve ele.

A questão é que o uso do plástico se tornou algo efêmero para nós, que dura pouco tempo, mas cujo impacto vai ficar reverberando muitos anos ainda, não só na terra, como no mar.

“Em seu carrinho de compras, um saco plástico será usado por menos de uma hora, mas quando ele chega ao oceano, matam mais de cem mil animais marinhos por ano. São 13 milhões de toneladas de lixo plástico que acabam no oceano a cada ano”, explica Solheim.

É hora de trabalhar para aumentar a consciência dos cidadãos comuns e estimulá-los a pensar duas vezes, pelo menos isso, antes de usar sacolas plásticas, canudos, copinhos e afins. Até porque, projeções atuais mostram que a indústria de plásticos não vai arrefecer a produção, pelo contrário: pretende aumentar bastante e jogar ainda mais desses produtos no mercado nos próximos 10, 15 anos.

Não dá para vilanizar a indústria antes de medirmos nossa própria responsabilidade. Podemos pensar em conseguir um meio termo ideal, baixando a produção e o consumo, mas posso apostar que os leitores julgam utópico este pensamento, e não posso criticá-los por isso. Porque, sempre que penso desse jeito, me dá a sensação de que estou falando sobre o impossível. É cada vez mais forte a sensação de que o valor maior, a vida, está sendo rebaixado em nome do lucro.

Se o setor privado não se sentir estimulado a colaborar, que se exija do governo atitudes fortes. E sabem de onde vem um exemplo que deu certo? Do Quênia, país africano de baixo desenvolvimento humano, segundo relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). O Quênia costeia o Oceano Índico e se tornou um grande exportador de sacos plásticos, e não é difícil imaginar que isso não deu certo. Eram milhares de sacolinhas jogadas nas praias, parques, em todos os lugares.

O governo do Quênia baixou um decreto proibindo o uso delas, sob pena de multa e até prisão. A lei entrou em vigor em agosto do ano passado e uma reportagem feita pelo site da ONU em dezembro mostrou que os resultados já podiam ser observados no parque marinho Melinde.

Se foi possível que os supermercados quenianos passassem a fornecer bolsas de pano para os consumidores, é possível que o mesmo possa acontecer em qualquer outro lugar do mundo. Em vez disso, o que se vê com frequência em supermercados do Rio e de São Paulo é a venda de sacolas chamadas de reutilizáveis. E cobram, por isso, preços até bem salgados.

Solheim, em seu artigo, lembra aos céticos de plantão que este é, sim, um problema sério que deve ser atacado com força para que se possa diminuir os impactos ao meio ambiente.

“Aqueles que dizem que há crises ambientais mais importantes para enfrentar estão equivocados. No mundo atual, proteger nosso meio ambiente não é escolher um problema acima do outro. Os sistemas estão profundamente interconectados, o que desafia uma abordagem tão limitada. Diminuir a poluição causada pelo uso abusivo dos plásticos é uma atitude que ajudará a preservar os ecossistemas, mitigará as mudanças climáticas, protegerá a biodiversidade e, de fato, a saúde humana”, escreve ele.

Lembro-me bem que, quando eu editava o “Razão Social” e este tema começou a ser ventilado aqui no Brasil, surgiu em 2007 a lei que proibia o uso de sacolas plásticas. Mas foi mais uma lei que não vingou. Houve, na época, uma grita geral da indústria de plásticos, com o discurso de sempre: a produção é alta, sim, mas gera emprego e renda.

Seria necessário um debate, de preferência com a participação da parte afetada da sociedade civil, que pudesse concluir o que, de fato, é melhor ou pior. Mas, aí, lá estou eu de novo flertando com a utopia…

Fonte – Amelia Gonzalez, G1 de 06 de junho de 2018

Em dia dos oceanos, ONU celebra compromisso para proteger 62% dos litorais contra poluição plástica

Baleias-jubarte. Foto: Flickr (CC)/Christopher MichelBaleias-jubarte. Foto: Flickr (CC)/Christopher Michel

No Dia Mundial dos Oceanos, lembrado neste 8 de junho, o chefe da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, comemorou a adesão nesta semana de oito novos países à campanha Mares Limpos, iniciativa para proteger as águas salgadas do mundo contra a poluição plástica. Com isso, chegou a 51 o número de nações envolvidas com a estratégia das Nações Unidas, lançada em fevereiro de 2017. Juntos, países respondem por 62% de todas as costas do planeta.

Segundo o Solheim, a Mares Lipmos é agora o maior pacto global para combater o lixo marinho. Entre os novos apoiadores, está a Índia, sede oficial das celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), que teve o tema #AcabeComAPoluiçãoPlástica. O gigante asiático se comprometeu a banir todos os plásticos descartáveis até 2022. A nação também prometeu fazer uma inspeção de todo seu litoral, com o apoio da campanha da ONU.

Na Nigéria, um dos dez países que mais polui a natureza com plástico, serão criadas 26 centros de reciclagem do material. A medida é parte das metas firmadas pela nação africana junto à Mares Limpos. Solheim se encontrará hoje com oficiais do governo nigeriano, para discutir futuras ações conjuntas.

Argentina, Costa do Marfim, Emirados Árabes Unidos, Honduras, Guiana e Vanuatu também se uniram à campanha da ONU.

“Existe agora mais impulso do que nunca para acabar com a poluição plástica e proteger os oceanos que todos compartilhamos contra a maré de plástico descartável”, afirmou Solheim.

“Ver tantos países se apresentando para a luta, unindo-se à campanha Mares Limpos, significa que estamos todos caminhando rumo a oceanos mais saudáveis, que sejam livres de poluição e cheios de vida.”

A ONU Meio Ambiente lembrou que, também nesta semana, os chefes de Estado dos países do G7 estão reunidos no Canadá para sua cúpula anual. Na pauta das potências, estão os problemas relacionados aos oceanos, como a poluição plástica, a sobrepesca, a elevação do nível do mar e a resiliência de comunidades costeiras.

Mais de 30 agências da ONU contra o plástico descartável

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que 80% da poluição marinha vem do continente — incluindo 8 milhões de toneladas de plástico por ano. Para o dirigente máximo das Nações Unidas, isso “entope cursos d’água, prejudica comunidades que dependem da pesca e do turismo, mata tartarugas e pássaros, baleias e golfinhos, e encontra meios de chegar às áreas mais remotas do planeta e a toda a cadeia alimentar de que em última análise nós dependemos”.

Guterres convocou todos os cidadãos a se mobilizar pelo fim do lixo plástico.

“Ações começam em casa e falam mais alto do que palavras. As Nações Unidas visam dar o exemplo, e mais de 30 das nossas agências agora já começaram a trabalhar para acabar com o uso de plástico descartável. Mas todos precisam fazer a sua parte”, afirmou o secretário-geral.

“Você pode fazer a diferença hoje — e todos os dias — fazendo coisas simples, carregando sua própria garrafa de água, caneca de café e sacolas de compras, reciclando o plástico que você compra, evitando os produtos que contêm microplásticos e se voluntariando para limpezas (de praia) locais”, completou Guterres.

Oceanos absorveram 93% do excesso de calor do efeito estufa

Também por ocasião do dia internacional, a chefe da UNESCO, Audrey Azoulay, lembrou que os mares são essenciais para a manutenção da vida no planeta. Os oceanos fornecem mais de 60% dos “serviços ecossistêmicos”, a começar pela produção da maior parte do oxigênio e pela regulação do clima. Nos últimos 50 anos, as águas salgadas do mundo absorveram 93% do excesso de calor ligado ao agravamento do efeito estufa.

Mas a saúde dos mares está em risco, enfatizou a dirigente, devido à superexploração de recursos, como a sobrepesca, à poluição e ao aumento da absorção de gás carbônico. “Aquecimento global, acidificação, zonas mortas, proliferação de algas nocivas e degradação do ecossistema são fenômenos que refletem o impacto das atividades humanas no oceano”, afirmou Audrey.

A diretora-geral da UNESCO chamou atenção para a descoberta em 2018 de uma nova zona morta, no Golfo de Omã. A área é maior do que a Escócia e continua se expandindo. O fenômeno ocorre quando a vida marinha sofre um processo de asfixia, com níveis dramaticamente baixos de oxigênio.

Audrey também alertou para o despejo de plástico nos mares. Atualmente, esse tipo de resíduo é lançado no oceano a uma taxa de um caminhão cheio por minuto. São 8 milhões de toneladas pro ano. “Parte desse lixo se concentra em áreas do oceano chamadas de giros, ocasionados pela circulação das correntes oceânicas”, explicou a chefe da agência da ONU.

“Apesar disso, existem soluções para combater tais desastres. Lugares nos quais a destruição foi interrompida voltaram a ter vida. O meio ambiente marinho é capaz de demonstrar resiliência, se nós permitirmos a sua recuperação das pressões antropogênicas, por meio da boa gestão de seus ecossistemas.”

Audrey elogiou a resolução da Assembleia Geral da ONU que proclama a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, em 2021-2030. Aprovada no ano passado, medida visa ampliar investimentos destinados a essa área de pesquisa, que recebe somente 4,5% dos recursos públicos disponibilizados para as ciências naturais.

“Nenhum país sozinho é capaz de mensurar as mudanças que ocorrem no oceano, nem de limpá-lo e protegê-lo. Por meio da cooperação internacional, da transferência de tecnologia e do compartilhamento de conhecimentos, nós podemos ter sucesso no desenvolvimento de políticas favoráveis ao meio ambiente, que promovam o crescimento sustentável com base no oceano”, completou a chefe da UNESCO.

Fonte – ONU Brasil

Boletim do Instituto IDEAIS de 08 de junho de 2018

Mundo está sendo ‘inundado’ por lixo plástico

Moradores de Watamu, no Quênia, trabalham coletando plástico nas praias. Foto: ONU Meio Ambiente/Cyril VillemainMoradores de Watamu, no Quênia, trabalham coletando plástico nas praias. Foto: ONU Meio Ambiente/Cyril Villemain

O mundo deve se unir para “vencer a poluição por plástico”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrando que as partículas de microplástico hoje presentes no oceano “superam as estrelas de nossa galáxia”.

Em sua mensagem para 5 de junho, Guterres disse que um planeta saudável é essencial para um futuro próspero e pacífico, explicando que: “todos nós temos um papel a desempenhar na proteção de nossa única casa”.

“Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais”, afirmou. “Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas acabam nos oceanos”.

Apontando a surpreendente comparação entre as estrelas no cosmos e os plásticos no oceano, o secretário-geral da ONU ressaltou que “das ilhas remotas ao Ártico, nenhum lugar está intocado”.

Se as tendências atuais continuarem, em 2050 nossos oceanos terão mais plástico do que peixes, disse ele.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Guterres pediu que todos interrompam o uso de plásticos descartáveis, como garrafas. “Recuse o que você não pode reutilizar”, declarou.

“Juntos, podemos traçar um caminho para um mundo mais limpo e mais verde”, concluiu o secretário-geral da ONU.

Desde a sua primeira comemoração, em 1974, o Dia Mundial do Meio Ambiente ajudou a aumentar a conscientização e gerar impulso político em torno de preocupações ambientais globais, como o esgotamento do ozônio, a desertificação e o aquecimento global.

A ONU Meio Ambiente lançou na segunda-feira (4) o REN21, ou “Relatório de Status Global Renewables 2018“, que mostra um quadro positivo do setor de energia renovável, caracterizado por queda de custos, aumento de investimento, instalação recorde e modelos de negócio inovadores que estão gerando mudanças rápidas.

A Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século 21, ou REN21 — apoiada pela ONU Meio Ambiente — é uma rede global de políticas de energia renovável que visa facilitar troca de conhecimento, desenvolvimento de políticas e ação conjunta para uma rápida transição global para energia renovável.

Após anos de apoio político ativo — impulsionado por avanços tecnológicos, crescimento rápido e reduções drásticas de custos em energia solar e eólica — a eletricidade renovável é agora mais barata do que a geração de energia nuclear e fóssil recém-instalada em muitas partes do mundo.

Mas nem todas as notícias são boas. Há um progresso desigual entre os setores e entre as diferentes regiões geográficas e uma “desconexão fundamental” entre os compromissos e a ação real na prática.

O setor de energia por si só não fornecerá as reduções de emissões exigidas pelo Acordo de Paris para o Clima ou as aspirações do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 (ODS 7) de garantir acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos, segundo o relatório.

Os setores de aquecimento, resfriamento e transporte, que juntos respondem por cerca de 80% da demanda mundial total de energia, também estão atrasados. Simplificando, a transição global de energia renovável está progredindo muito lentamente.

PNUD

Para o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, proteger o meio ambiente e deixar um planeta mais próspero para futuras gerações está nas mãos de todos – literalmente.

“Você deve imaginar que esses objetivos são imensos ou muito complicados para você resolver sozinho, mas, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, você pode fazer um compromisso pessoal bem simples para combater a poluição gerada por plásticos, ao deixar de utilizar plásticos descartáveis”, disse ele, em comunicado para a data.

“Talvez você não saiba o que são plásticos descartáveis, mas você provavelmente os utilizou recentemente quando tomou água em garrafa ou refrigerante, usou um canudo, carregou verduras em um saquinho de supermercado ou mexeu seu café.”

O administrador do PNUD lembrou que o equivalente a uma imensa ilha de plástico, de três vezes o tamanho da França, flutua neste instante entre a Califórnia e o Havaí, e uma sacola de plástico foi encontrada recentemente em uma profundidade de 36 mil pés na Fossa das Marianas (local mais profundo dos oceanos, situado no Pacífico).

“E está ficando cada vez pior: 83% da nossa água da torneira contém partículas de plástico, e seus químicos tóxicos podem ser encontrados em nossa corrente sanguínea.”

“Com 1 milhão de garrafas d’água, feitas de plástico, compradas a cada minuto e até 5 trilhões de sacolas de plástico descartáveis usadas por ano, a poluição por plástico está ameaçando nosso ecossistema, nossa biodiversidade e nossa saúde, em um ritmo e escala nunca vistos”, declarou.

“Junte-se ao movimento global e faça um compromisso pessoal para ‘recusar o que você não pode reutilizar’. A Terra não é um planeta descartável. Suas ações podem fazer a diferença”, concluiu.

UNESCO

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, também pediu o fim da poluição por plástico no Dia Mundial do Meio Ambiente.

“Durante mais de 40 anos, o Dia Mundial do Meio Ambiente tem nos lembrado sobre a nossa responsabilidade quanto à preservação do nosso planeta”, declarou em mensagem para a data.

Ela lembrou que, por iniciativa da Índia, que irá sediar o principal evento do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, o tema da data é “Acabe com a poluição por plástico”, uma preocupação ambiental, social e econômica.

“Hoje, aproximadamente um terço das embalagens de plástico que nós usamos escapa dos sistemas de coleta e termina por poluir o nosso meio ambiente. Essa poluição afeta em especial os nossos oceanos”, declarou.

“Transportados pelas correntes marítimas, bilhões de fragmentos de plástico se juntam nos oceanos. Ao longo das últimas quatro décadas, a quantidade desse tipo de resíduo aumentou em 100 vezes no Oceano Pacífico, a ponto de formar o que se chama agora de ‘sétimo continente’ de plástico, uma vasta massa de lixo à deriva no Pacífico Norte, com uma área que corresponde a um terço dos Estados Unidos.”

“Enquanto a poluição plástica dos oceanos é primordialmente uma ameaça aos ecossistemas marinhos, ela também oferece perigo à saúde humana, uma vez que os resíduos plásticos entram na cadeia alimentar. Em anos recentes, esses riscos têm atraído cada vez mais a atenção de formuladores de políticas, do setor privado, de ONGs ambientais, dos meios de comunicação e da comunidade científica”, disse.

Azoulay lembrou que a UNESCO está totalmente comprometida com a reflexão e a ação em apoio ao desenvolvimento sustentável para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 por meio de seus programas de ciência, educação e cultura.

Neste esforço, a poluição plástica representa um desafio importante. Por exemplo, a Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe (São Tomé e Príncipe) e o Programa O Homem e a Biosfera (Man and the Biosphere – MAB) lançaram uma campanha de conscientização e mobilização intitulada “Plástico não: um pequeno gesto que está em nossas mãos”.

“Trata-se sobretudo de transformar comportamentos e atitudes. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vamos compartilhar nossas ideias e soluções sobre #AcabeComAPoluição. Juntos, nós podemos mudar nossos hábitos e acabar com esse problema.”

Fonte – ONU Brasil de 05 de junho de 2018

Fundo dos mares europeus tem espécies vulneráveios e cada vez mais plástico

O plástico representa 95% dos resíduos que flutuam no Mar Mediterrâneo

O fundo dos mares e oceanos europeus, como o Atlântico, Mediterrâneo ou Báltico, têm algumas das espécies mais vulneráveis, como os tubarões, mas também uma “quantidade crescente” de resíduos plásticos, alertou hoje a organização Oceana.

A assinalar o Dia Mundial dos Oceanos, que hoje se comemora, a organização científica salienta a “crescente quantidade de plásticos que afectam as espécies de profundidade vulneráveis”.

Nas suas actividades de exploração dos oceanos, os investigadores filmaram resíduos em áreas até mil metros de profundidade nas águas europeias.

Em comunicado, a Oceana recorda que, a cada minuto, se vende um milhão de garrafas de plástico e cada uma delas “demora cerca de 450 anos a desintegrar-se”.

Segundo estimativas existentes, referidas pela organização, há mais de cinco mil milhões de fragmentos de plástico a flutuar nos oceanos, com um peso superior a 250 mil toneladas, e todos os anos chegam ao mar oito milhões de toneladas daquele material.

Alerta para os “graves danos” provocados por este tipo de poluição nos organismos marinhos e no ecossistema do oceano já que, “ao se deteriorarem em pequenos bocados, as micropartículas de plástico entram na cadeia alimentar”.

“O maior impacto do lixo no mar é aquele que não vemos: os microplásticos e a contaminação das profundezas”, realça o director executivo da Oceana Europa, Lasse Gustavsson, citado no comunicado.

Os responsáveis políticos europeus, como os portugueses, estão alertados para este problema e a Comissão Europeia apresentou uma proposta de estratégia visando, nomeadamente, a proibição de determinados produtos de plástico não reutilizáveis, a qual é apoiada pela Oceana.

“Muitas pessoas perguntam o que podem fazer para preservar os oceanos, e todos temos um papel a desempenhar: os governos devem limitar a produção e os cidadãos reciclar e reutilizar os utensílios de plástico para que não cheguem às praias e ao estômago dos peixes e aos frágeis habitats de profundidade”, refere Lasse Gustavsson.

A vulnerabilidade destes ecossistemas está relacionada com vários factores como o seu crescimento lento, como os corais, ou a sua limitada procriação, como é o caso dos tubarões de profundidade.

ONG denuncia que plástico contamina 95% do Mar Mediterrâneo

O plástico representa 95% dos resíduos que flutuam no Mar Mediterrâneo, que alcançam “níveis recordes de contaminação” a maior parte de países, como a Turquia e a Espanha, indica um estudo da World Wide Fund for Nature (WWF).

A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, a Organização Não Governamental chama a atenção para a poluição no Mediterrâneo e pede às instituições, empresas e cidadãos que se comprometam com a luta contra a contaminação marinha.

Segundo o relatório, os turistas de um conjunto de países onde se inclui a Turquia, Espanha, Itália, Egipto e França, provocam um aumento da poluição marinha em cerca de 40% em cada Verão.

O Mar Mediterrâneo está, segundo a WWF, a converter-se numa perigosa lixeira, com níveis recorde de contaminação de microplásticos que ameaçam várias espécies marinhas e a saúde dos seres humanos quando estes produtos entram na cadeia alimentar.

As Nações Unidas lembram que 80% da poluição dos oceanos é proveniente das pessoas.

Na sua página oficial, a ONU lembra também que oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos em cada ano, prejudicando a vida selvagem, mas igualmente a pesca ou o turismo.

E acrescenta que a poluição por plásticos custa a vida a um milhão de aves marinhas e a 100 mil mamíferos, também em cada ano.

E é também em cada ano que o plástico causa oito mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros) de danos nos ecossistemas marinhos.

Fonte – Sábado.pt

Imagens – Reuters

Voletim do Instituto IDEAIS de 08 de junho de 2018

Um desafio do século: o que fazer do plástico

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No Dia Mundial do Meio Ambiente, Nações Unidas chamam a atenção para a crise do lixo.

Uma baleia-piloto morreu neste domingo, 3, na Tailândia com 80 sacos plásticos entalados em seu estômago. O jovem cetáceo, não muito maior do que um golfinho comum, foi mais uma vítima daquilo que muitos especialistas consideram ser um dos maiores desafios de desenvolvimento sustentável do século 21: a poluição plástica – tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2018, celebrado nesta terça-feira, 4.

O problema é global e onipresente. Cerca de 75% das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas pelo ser humano desde a invenção do plástico já viraram lixo; e só 20% desses resíduos foram incinerados ou reciclados de algum modo, segundo um estudo publicado em 2017.

Os outros 80% (cerca de 5 bilhões de toneladas) estão espalhados por aí, contaminando o solo, os rios, os oceanos, a atmosfera e até a água mineral que compramos no supermercado – ironicamente, embalada em garrafas plásticas que, um dia, seguirão o mesmo caminho.

“Estamos acumulando plástico no planeta de tal forma que essa ficará conhecida como a era geológica do plástico”, disse ao Estado a gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente no Brasil, Fernanda Daltro. “O impacto é colossal.”

Derivado do petróleo, o plástico nunca se degrada por completo na natureza. O material apenas se quebra em pedaços cada vez menores, em um processo de decomposição que pode levar centenas de anos. Mesmo os plásticos chamados biodegradáveis não “desaparecem”; apenas se quebram mais rapidamente.

O ambiente mais afetado são os oceanos. Cientistas estimam que há mais de 5 trilhões de pedaços de plástico flutuando nos mares, e outras 8 milhões de toneladas do material são despejadas no oceano todos os anos, na forma de garrafas, embalagens e outros resíduos plásticos carregados pelos rios e pela chuva. Uma grande parte é arrastada para alto-mar e fica circulando durante anos, até encalhar em alguma praia ou se juntar a uma das seis gigantescas “manchas de lixo” que existem nas regiões centrais dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

As vítimas mais óbvias são milhares de tartarugas, baleias, golfinhos, aves e outros animais marinhos que morrem pela ingestão de plástico ou presas em redes de pesca descartadas – as chamadas “redes fantasmas”, que também são feitas de plástico e levam centenas de anos para se decompor.

Mas essa é só a ponta do iceberg. A parte mais problemática do lixo plástico é invisível a olho nu: são as partículas microscópicas, conhecidas como “microplástico”, que se misturam ao plâncton e contaminam a cadeia alimentar marinha, podendo chegar ao homem, com efeitos ainda desconhecidos sobre a saúde humana. Estão misturadas à água e à areia de todas as praias do mundo.

As pesquisas sobre o tema no Brasil são pontuais, mas uma coisa é certa: “Em qualquer lugar que você procurar, você vai encontrar”, diz a pesquisadora Monica Costa, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em oceanografia química e poluição marinha. “O microplástico está literalmente em todo lugar.”

Soluções

O problema precisa ser atacado em várias frentes, dizem os pesquisadores; tanto na produção quanto no consumo, no reaproveitamento e no gerenciamento de resíduos. Cerca de 40% do plástico produzido hoje é descartável – ou seja, feito para ser usado uma única vez, como copinhos, canudos, embalagens e sacolas.

O primeiro passo, segundo Fernanda, é eliminar os excessos, substituindo o que pode ser substituído e deixando de consumir aquilo que é desnecessário. “Precisamos rever o uso desse material que é tão importante nas nossas vidas”, diz.

A União Europeia está discutindo neste momento uma série de medidas legais de combate ao lixo plástico, entre elas o banimento de produtos descartáveis para os quais há uma alternativa viável, como canudos e cotonetes plásticos.

“O problema do lixo no mar é extremamente complexo”, destaca o pesquisador Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo(USP).

“Não há uma solução única para tudo.” A mudança nos padrões de consumo, segundo ele, é uma ação necessária de longo prazo, mas que não resolve a crise imediata, relacionada principalmente à má gestão dos resíduos sólidos.

No Brasil, o governo federal aderiu à campanha Mares Limpos, da ONU, e assumiu um compromisso voluntário de redução da poluição marinha. Nesta terça deve ser publicada uma portaria do Ministério do Meio Ambiente, criando uma comissão multissetorial que será encarregada de coordenar a elaboração de um Plano Nacional de Combate ao Lixo nos Mares – do qual até 90% é plástico.

Evite no dia a dia

– Café e água

É o mais fácil. Basta manter uma caneca ou garrafa na mesa do escritório ou dentro da bolsa.

– Canudinho

Tome direto do copo. Mas, se precisar mesmo de canudinho, procure usar um de papel (que, apesar de descartável, dissolve mais facilmente no ambiente) ou ter o próprio canudo reutilizável, como de bambu ou metal. Há opções à venda na internet.

– Comida

Que tal levar os próprios potes para comprar frios e produtos a granel? Além de evitar as embalagens plásticas e de isopor, ainda facilita na hora de guardar.

Fontes – Herton Escobar, O Estado de S.Paulo / IHU de 06 de junho de 2018

Novo relatório oferece perspectivas globais sobre os esforços para combater a poluição por plásticos

poluição por plásticosFoto: ONU Brasil

  • Um novo relatório da ONU Environment analisa o estado da poluição de plástico em 2018.
  • O relatório oferece a primeira avaliação global abrangente de ações do governo contra a poluição por plásticos.
  • A análise apresenta as melhores práticas e lições aprendidas em estudos de casos sobre proibições de uso único, impostos e outras formas de intervenção governamental.
  • Especialistas da ONU sugerem um roteiro de dez passos para os formuladores de políticas.

Lançado ontem, um novo relatório da ONU Ambiental encontra um impulso crescente nos esforços globais para combater a poluição por plásticos. A primeira contabilidade desse tipo indica que os governos estão aumentando o ritmo de implementação e o escopo de ação para restringir o uso de plásticos descartáveis.

No que é enquadrado como a primeira revisão abrangente do “estado dos plásticos”, a UN Environment reuniu experiências e avaliações das várias medidas e regulamentos para superar a poluição do plástico em um relatório : “Single-use Plastics: A roadmap for Sustainability” [Plásticos descartáveis: um roteiro para a sustentabilidade].

Essa visão global, desenvolvida em cooperação com o governo indiano e o Ministério do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas, apresenta estudos de caso de mais de 60 países. O relatório analisa as relações complexas em nossa economia de plásticos e oferece uma abordagem para repensar como o mundo produz, utiliza e gerencia plásticos de uso único.

Entre as recomendações estão ações específicas que os formuladores de políticas podem adotar para melhorar a gestão de resíduos, promover alternativas ecológicas, educar consumidores, permitir estratégias voluntárias de redução e implementar com sucesso proibições ou impostos sobre o uso e a venda de plásticos descartáveis. O relatório foi lançado hoje em Nova Delhi pelo Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, e pelo Chefe do Ambiente da ONU, Erik Solheim, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente.

“A avaliação mostra que a ação pode ser indolor e lucrativa – com enormes ganhos para as pessoas e o planeta, que ajudam a evitar os onerosos custos da poluição”, disse Erik Solheim, Chefe de Meio Ambiente da ONU, no prefácio do relatório. “Plástico não é o problema. É o que fazemos com isso.

Entre as principais conclusões, o relatório afirma que as cobranças e proibições do governo – quando adequadamente planejadas e aplicadas – têm estado entre as estratégias mais eficazes para limitar o uso excessivo de produtos plásticos descartáveis. No entanto, o relatório cita a necessidade fundamental de uma cooperação mais ampla entre as partes interessadas do setor empresarial e privado, oferecendo um roteiro para as soluções upstream, incluindo a responsabilidade ampliada do produtor e incentivos para a adoção de uma abordagem mais circular da economia na produção e consumo de plástico.

O relatório reconhece que as práticas de gerenciamento de resíduos e geração de lixo plástico de uso único diferem entre as regiões. Embora nenhuma medida isolada contra a poluição seja igualmente eficaz em todos os lugares, os autores descrevem 10 medidas universais para os formuladores de políticas abordarem a questão em suas comunidades.

Sob o tema: “Beat Plastic Pollution”, o Dia Mundial do Meio Ambiente 2018 fez um apelo para que indivíduos, governos, o setor público e privado examinem soluções conjuntas para reduzir o pesado fardo da poluição plástica em nossos lugares naturais. e nossa própria saúde.

Fontes – ONU Environment / EcoDebate de 06 de junho de 2018

Bruxelas quer banir venda de cotonetes e palhinhas em plástico

Resultado de imagem para Bruxelas quer banir venda de cotonetes e palhinhas em plásticoLUSA/CLEMENS BILAN

A proposta apresentada pela Comissão Europeia pretende banir a venda de alguns produtos de plástico descartáveis que tenham equivalentes amigos do ambiente e responsabilizar as empresas produtoras pelos resíduos.

Cotonetes, palhinhas, balões e garrafas de plástico. Todos estes objectos são usados uma só vez e depois descartados. Uma grande percentagem acaba nos oceanos, onde compromete toda a cadeia alimentar. É com base neste argumento que a Comissão Europeia apresentou uma proposta, nesta segunda-feira, de proibição da venda de alguns produtos de plásticos descartáveis. Para além da redução do lixo marinho, o objectivo é responsabilizar as empresas produtoras de plásticos pelos resíduos.

Focando-se nos produtos que costumam aparecer nas praias, vindos dos oceanos, Bruxelas vai declarar guerra aberta a cotonetes (excepto os que forem utilizados por motivos médicos), pauzinhos de balões, palhinhas, pratos e talheres de plástico, que serão substituídos pelos seus equivalentes sustentáveis.

A proposta apresentada pela Comissão Europeia pretende que os plásticos descartáveis que tenham uma alternativa ambientalmente sustentável sejam banidos das prateleiras das lojas dos Estados-membros. Em paralelo, Bruxelas pretende que pelo menos 90% das garrafas de plástico descartáveis sejam recolhidas pelos Estados-membros até 2025, escreve a Reuters.

O documento inclui também novas obrigações para os fabricantes de recipientes de plástico, copos, garrafas, invólucros de doces, cigarros, toalhitas, e balões. Essas empresas devem gerir os cursos de limpeza de uma parte dos resíduos, promover a sua reciclagem nos casos em que seja possível e participar em campanhas de consciencialização junto da população, explica o El País.

O plano também se dirige aos fabricantes de utensílios de pesca, que originam 27% dos resíduos que aparecem nas praias. A esses fabricantes, Bruxelas pede que assumam uma parte dos custos da sua recolha nos portos, assim como o transporte e o tratamento posterior.

Esta proposta ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu para avançar. Mas a Comissão quer dar-lhe luz verde antes das eleições europeias de Maio de 2019.

“Os resíduos de plástico acabam no nosso ar, nos nossos solos, nos nossos oceanos e na nossa comida”, argumentou o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, nesta segunda-feira durante a apresentação da proposta.

Vários cientistas têm alertado para a acumulação de lixo nos oceanos e para os efeitos nocivos que pode ter na cadeia alimentar. Uma investigação publicada na revista Scientific Reports estima que a “ilha de plástico” do Oceano Pacífico atinja as 80 mil toneladas, constituídas quase na totalidade por embalagens de plástico, cordas e redes de pesca.

Mas o problema dos resíduos não é exclusivo do Oceano Pacífico. De acordo com o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, em 2016, 84% dos resíduos encontrados nas praias do “velho continente” eram plásticos. No mesmo ano, de acordo com os dados da PlasticsEurope, a produção de plástico chegou aos 335 milhões de toneladas. Apenas 30% dos resíduos plásticos são recolhidos anualmente para serem reciclados, de acordo com os dados fornecidos pela Comissão Europeia.

Zero acha as medidas “interessantes”

Os ambientalistas da Zero consideram interessantes as medidas europeias apresentadas, mas lamentam a falta de metas específicas para produtos como embalagens para alimentos.

Para os ambientalistas da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, “Bruxelas finalmente acordou para o problema” dos plásticos, mas “ainda que promissora”, a proposta (que ainda vai ser debatida e pode ser alterada pelo Conselho da UE e pelo Parlamento Europeu) “tem falhas importantes”.

Na explicação da sua posição, a Zero realça, em comunicado, que, a “ausência de metas de redução aplicáveis a nível nacional para as embalagens descartáveis para alimentos (por exemplo, take away) e copos é uma falha grave, bem como a proposta de revisão sobre esta matéria seis anos após a entrada em vigor”, já que “empurrará a revisão para 2027”. Por isso, espera que o Conselho da UE e o Parlamento Europeu alterem esta situação.

Fonte – Público de 28 de maio de 2018

Europa anuncia maior plano contra plásticos de uso único da história

 

Pessoas caminham e navegam ao lado de lixo acumulado às margens de rioPessoas caminham e navegam ao lado de lixo acumulado às margens de rio – Danilo Verpa – 25.ago.17/ Folhapress

Ideia é diminuir drasticamente produção de embalagens, canudinhos e garrafas

A Comissão Europeia propôs, na última segunda-feira (28), um conjunto de medidas para banir plásticos de uso único até 2030. O plano deve ser votado em até um ano no Parlamento Europeu. É o maior plano de resíduos já anunciado na história.

Está previsto investimento de 350 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão) em pesquisa para modernizar a produção desses itens e a reciclagem nos próximos 12 anos. Países da União Europeia serão obrigados a monitorar e reduzir o lixo marinho.

Além das medidas nas cadeias de produção e consumo de produtos, a comissão anunciou que promoverá o fácil acesso à água encanada nas ruas da Europa, para reduzir a demanda por água engarrafada.

Há várias iniciativas nacionais contra os plásticos descartáveis no continente. França e Itália determinaram o fim das sacolinhas leves em 2015 e 2016, respectivamente.

Porém, a recente decisão da China de suspender a importação de recicláveis colocou de volta o problema no colo dos europeus.

A Europa consome 46 bilhões de garrafas, 36 bilhões de canudos, 16 bilhões de copos de café e 2 bilhões de embalagens plásticas anualmente, segundo um relatório de 2017 da Seas at Risk, organização ambientalista europeia.

Segundo dados da UE, no total, são 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos, mas menos de 30% são recolhidos para reciclagem. Os plásticos representam 85% da poluição marinha. E a produção de plásticos hoje é 20 vezes maior do que na década de 1960.

As medidas também devem contribuir para o alcance das metas climáticas da UE, evitando cerca de 3,4 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono até 2030.

O plano tem propostas específicas para cada tipo de material. Quando existirem alternativas viáveis, os plásticos descartáveis devem ser banidos do mercado. Em outros casos, os países deverão estabelecer metas nacionais de redução. A Comissão Europeia estuda também uma forma específica de tributação dos plásticos de utilização única.

Entre as medidas do plano, estão também a rotulagem especial para indicar grau de dano ambiental, uma maior responsabilização dos fabricantes no tratamento de resíduos e a mudança de design ou matéria prima de produtos.

A proposta da comissão define, por exemplo, que todos os países serão obrigados a coletar 90% das garrafas descartáveis até 2025. A UE quer que 55% de todo o plástico seja reciclado até 2030 e que os países membros reduzam o uso de sacolas plásticas por pessoa: de 90 por ano para 40 em 2026.

Para absorventes, fraldas e balões, a orientação será incluir nos rótulos informações sobre o impacto ambiental negativo do descarte inadequado.

Há planos para proibir a adição de microplásticos a cosméticos e produtos para cuidados pessoais, medida que já foi tomada pelo governo do Reino Unido.

Novas instalações portuárias de recepção devem procurar agilizar a gestão de resíduos para diminuir o despejo nos oceanos.

Para artigos de pesca, os fabricantes serão obrigados a cobrir os custos de coleta e tratamento de resíduos. Para recipientes de bebidas, pacotes de alimentos, sacos de plástico leves e lenços umedecidos, também serão ampliados os esquemas de responsabilidade do produtor, o que significa que as grandes empresas terão de bancar a logística reversa.

Cotonetes de plástico, talheres, pratos, canudos e misturadores de bebida (que se alastraram pelo mundo junto com as redes de lojas de café) deverão ser feitos de materiais sustentáveis. Copos de café só serão permitidos no mercado com redesenho: suas tampas devem permanecer presas para facilitar coleta e reciclagem.

A comissão também propõe que cada país faça campanhas educativas de conscientização sobre o descarte de bitucas e que os produtores de cigarros arquem com custos do gerenciamento de resíduos. São consumidos anualmente 580 bilhões de cigarros —e suas bitucas descartadas— na UE.

Várias ONGs ambientalistas se manifestaram em apoio à iniciativa. Apontam porém a necessidade de estabelecimento de metas quantitativas e específicas de cada país e produto.

O plano é amplo e envolve muitas mudanças na indústria de embalagens, alimentos e bebidas, e na responsabilidade que produtores e governos devem assumir. Está previsto um ano de discussão no Parlamento Europeu. Não será um período tranquilo, mas as discussões e as decisões que saírem de lá podem influenciar o resto do mundo de forma definitiva.

Fonte – Mara Gama, Folha de S. Paulo de 01 de junho de 2018