Le Monde: as práticas irregulares da Monsanto

Le Monde: as práticas irregulares da Monsanto

Já fomos atacados no passado, já sofremos campanhas de difamação, mas somos desta vez o alvo de uma campanha orquestrada, de amplitude e duração inéditas.” Essas foram as palavras iniciais de Christopher Wild  diretor do Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC).

Christopher Wild pesou cada palavra com uma gravidade à altura da situação. Há dois anos, inúmeros ataques foram feitos à instituição que ele dirige: a credibilidade e a integridade de seu trabalho são desafiadas, seus especialistas difamados, pressionados por meio de advogados, seus financiamentos fragilizados. Encarregada há cerca de meio século, sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS), de fazer o inventário das substâncias cancerígenas, a venerável agência começa a vacilar sob o assalto.

As hostilidades foram iniciadas numa data bem precisa: 20 de março de 2015. Naquele dia, o CIRC anunciou as conclusões de sua pesquisa que deixou o mundo todo chocado. Ao contrário da maioria das agências regulamentares, o CIRC julga genotóxico – pois prejudica o DNA –, cancerígeno para o animal e  “provavelmente cancerígeno” para o homem, o pesticida mais utilizado do planeta. Este pesticida é o glifosato, principal componente do Roundup, o produto farol de uma das empresas mais célebres do mundo: a Monsanto.

É também o Leviatã da indústria agroquímica. Utilizado há mais de quarenta anos, o glifosato entra na composição de nada menos de 750 produtos comercializados por uma centena de empresas, em mais de 130 países.

O glifosato, pedra angular da Monsanto

Entre 1974, data em que foi posto no mercado, e 2014, seu uso passou de 3.200 toneladas por ano a 825.000 toneladas. Um aumento espetacular, devido à adoção maciça de sementes geneticamente modificadas para tolerá-lo. De todas as empresas agroquímicas que poderiam ser atingidas por medidas de restrição ou de proibição do produto, há uma que arrisca sua própria sobrevivência. Monsanto, que o criou, fez do glifosato a pedra angular de seu modelo econômico. Ela fez sua fortuna vendendo o Roundup e as sementes que o suportam.

Então, quando o CIRC anuncia que o glifosato é “provavelmente cancerígeno”, a empresa americana reage com uma brutalidade inacreditável. Em um comunicado, ela vilipendia a “junk science” (a “ciência podre”) do CIRC: uma “seleção viesada” de “dados limitados”, estabelecida em função de “motivações ocultas”, levando a uma decisão tomada depois de apenas “algumas horas de discussão no decorrer de uma reunião de uma semana”. Jamais uma empresa questionara em termos tão crus a integridade de uma agência situada sob a responsabilidade das Nações Unidas. A ofensiva estava lançada. Pelo menos aquela que se desenvolve a céu aberto.

Um ano de trabalho para avaliar o pesticida

Internamente, a Monsanto toca uma música totalmente diferente. Esta avaliação do glifosato, como ela sabe muito bem, foi realizada por um grupo de especialistas que, depois de um ano de trabalho, reuniu-se durante vários dias em Lyon para deliberar. Os procedimentos do CIRC requerem que os industriais afetados pelo produto examinado tenham o direito de comparecer a esta reunião final.

Para a avaliação do glifosato, a Monsanto tinha, portanto, enviado um “observador”, o epidemiologista Tom Sorahan, professor da Universidade de Birmingham (Reino Unido) que ela utiliza em missões de consultoria. O informe que ele dirigiu, em 14 de março de 2015, a seu comanditários, confirma isso: tudo se passou de acordo com as regras. “Achei o presidente [do grupo de trabalho], os copresidentes e os especialistas convidados muito amigáveis e dispostos a responder a todos os comentários que eu fiz”, escreve Sorahan, em uma carta dirigida a um quadro da Monsanto e que integra os “Monsanto papers” – um conjunto de documentos internos da empresa que a justiça americana começou a tornar públicos no início de 2017, no contexto do processo em curso.

“A reunião realizou-se de acordo com os procedimentos do CIRC, acrescenta o observador da empresa americana. O Dr. Kurt Straif, diretor das monografias, tem um conhecimento íntimo das regras em vigor e insistiu em que elas fossem respeitadas”.

Contra-ataque

O cientista – que não respondeu às solicitações do Le Monde– parece, aliás, muito constrangido com a ideia de que seu nome seja associado ao ataque da Monsanto: “Não desejo aparecer em nenhum dos documentos de seus comunicadores”, escreve ele, ao mesmo tempo em que oferece sua “ajuda para formular elementos de linguagem” do contra-ataque, inevitável, que o grupo está preparando.

Alguns meses mais tarde, os cientistas não americanos que eram membros do grupo de especialistas do CIRC sobre o glifosato recebem todos a mesma carta. Enviada por Hollingsworth, o escritório de advogados da Monsanto, esta os intima a liberar a totalidade dos arquivos relacionados a seu trabalho sobre a pesquisa batizada de “monografia 112”. Rascunhos, comentários, planilhas de dados… tudo que tenha passado pelo sistema de informática do CIRC. “Caso o senhor recuse, advertem os advogados, solicitamos expressamente que tomem imediatamente todas as medidas razoáveis de que dispõem para preservar esses arquivos intactos, aguardando uma demanda formal formulada por um tribunal americano.”

“Sua carta é intimidatória e deletéria, insurge-se um dos cientistas em sua resposta, datada de 4 de novembro de 2016. Considero sua iniciativa repreensível e carente da cortesia habitual, mesmo segundo os parâmetros contemporâneos.” O patologista Consolato Maria Sergi, professor na universidade de Alberta (Canadá), prossegue: “Sua carta é perniciosa, pois busca instilar, com maldade, ansiedade e apreensão no seio de um grupo independente de especialistas.”

Manobras de intimidação

As pressões exercidas sobre os membros americanos do grupo do CIRC deram-se por outros meios, ainda mais intimidatórios. Nos Estados Unidos, as leis sobre a liberdade de informação (Freedom of Information Act, ou FOIA) permitem a todo cidadão, sob certas condições, solicitar acesso aos documentos produzidos pelos órgãos públicos e seus funcionários: memorandos, cartas, relatórios internos etc.

Segundo nossas informações, o escritório Hollingsworth e Sidley Austin entrou com cinco demandas, a primeira já em novembro de 2015, só junto aos National Institutes of Health (NIH), aos quais estão vinculados dois dos especialistas. No que se refere aos outros cientistas, as demandas destinam-se à Agência Californiana de Proteção ao Meio Ambiente (CalEPA), à Texas A & M University ou ainda à Universidade do Estado do Mississipi. Algumas dessas instituições foram mesmo designadas pelos advogados da Monsanto no contexto de procedimentos judiciais em curso, envolvendo o glifosato, sendo assim obrigadas a fornecer alguns de seus documentos internos.

Seria o objetivo dessas manobras de intimidação fazer calar a crítica? Cientistas de renome mundial, em geral abertos às solicitações dos meios de comunicação, não responderam às solicitações do Monde, mesmo quanto a conversas informais. Ou, em alguns casos, com a condição de falar por uma linha privada, fora do horário de trabalho.

Os parlamentares americanos, por sua vez, não precisam lançar mão do FOIA para pedir contas às instituições científicas federais. Membro da Câmara de representantes, onde preside a comissão de controle e reforma do Estado, o republicano Jason Chaffetz escreve ao diretor dos NIH, Francis Collins, em 26 de setembro de 2016.

As escolhas do CIRC “suscitaram numerosas controvérsias”, escreve ele. E, apesar de seu “histórico de polêmicas, de retratações e de incoerências”, o CIRC recebe “financiamentos significativos dos contribuintes” americanos por meio das subvenções dadas pelos NIH. De fato, 1,2 milhões de euros sobre os 40 milhões do orçamento anual do CIRC provêm de uma subvenção dos NIH. A seu diretor, pois, Jason Chaffetz, solicita detalhes e justificativa de toda a despesa dos NIH relacionada ao CIRC.

Personagens quase saídos de um romance policial

Esta iniciativa foi aplaudida no mesmo dia pelo American Chemistry Council (ACC). A poderosa organização de lobby da indústria química americana, de que a Monsanto é membro, “espera que a luz será feita sobre a relação estreita e um tanto opaca” entre o CIRC e as instituições científicas americanas.

O lobby da indústria química encontrou no Sr. Chaffetz um aliado precioso. Já um março, o eleito republicano escrevia à direção de um outro órgão de pesquisa federal – o National Institute of Environmental Health Sciences –, para pedir-lhe contas sobre as pesquisas que financia sobre os efeitos nocivos do bisfenol A, um composto muito difundido em certos plásticos.

Que melhor meio de neutralizar uma instituição do que cortar seus víveres? Nos meses que se seguiram à publicação da «monografia 112 «, Croplife International, a organização que defende os interesses dos industriais dos pesticidas e das sementes em nível mundial procura os representantes de alguns dos 25 Estados membros do conselho de governança do CIRC para queixar-se da qualidade do trabalho da agência. Ora, estes “Estados participantes” contribuem com cerca de 70% para o orçamento total do CIRC. Pelo menos três deles – Canadá, Países Baixos e Austrália – foram procurados, segundo o CIRC.  Nenhum dos representantes desses Estados respondeu ao Monde.

No decorrer de 2016, personagens quase saídos de um romance apareceram na saga do glifosato. Em junho, um homem que se apresenta como jornalista mas não se anuncia nem se inscreve como tal, participa do encontro que o CIRC organiza em Lyon por ocasião de seu 50º aniversário.

O estranho Sr. Watts

Transitando de cientista a funcionário internacional, o indivíduo interroga uns e outros sobre o funcionamento do CIRC, seu financiamento, seu programa de monografias, etc. “Ele me fez pensar nessas pessoas dúbias que a gente cruza nos meios humanitários – nunca se sabe quem são, mas a gente adivinha que buscam informações”, testemunha uma participante do encontro, que deseja guardar o anonimato.

Alguns meses mais tarde, no fim de outubro de 2016, o homem reaparece. Desta vez no encontro anual organizado pelo Instituto Ramazzini, um célebre órgão de pesquisa independente e respeitado sobre o câncer, instalado perto de Bolonha, na Itália. Mas por que, diabo, o Ramazzini? Um relatório, talvez, com o anúncio, feito alguns meses antes pelo instituto italiano, de que ia levar adiante seu próprio estudo sobre cancerogeneticidade do glifosato?

Christopher Watts – é seu nome – faz perguntas sobre a independência do instituto, suas fontes de financiamento. Como utilizou um endereço de email que terminava por “@economist.com”, seus interlocutores não duvidaram de seu vínculo com o prestigiado hebdomadário britânico The Economist. Aos cientistas que lhe pedem detalhes, diz trabalhar para a Economist Intelligence Unit (EIU), uma empresa de consultoria filial do grupo de imprensa britânico.

Na EIU, confirmam que o Sr. Watts de fato produziu vários relatórios, mas disseram “não poder dizer porque ele participara” dos dois encontros. “Não foi publicado”, acrescentam. Surpreendente, pois na redação do jornal, declaram não ter “nenhum jornalista com esse nome”.

Só a denominação de uma empresa cuja criação o Sr. Watts mencionou, no final de 2014, parece clara: Corporate Intelligence Advisory Company (companhia de consultoria em informação para as empresas). O Sr.Watts, cujo endereço pessoal fica, segundo os documentos administrativos, na Albânia, não quis responder às perguntas do Monde.

Guerrilha burocrática

Em alguns meses, foram pelo menos cinco indivíduos que se apresentaram como jornalista, pesquisador independente ou assistente de escritórios de advocacia procurando cientistas do CIRC e pesquisadores associados a seus trabalhos. Todos buscando informações muito específicas sobre os procedimentos e os financiamentos da agência.

Um deles, Miguel Santos-Neves, que trabalha para a Ergo, uma empresa de inteligência econômica sediada em Nova York, foi pinçado pela justiça americana por usurpação de identidade. Como relatou o New York Times em julho de 2016, o Sr. Santos-Neves pesquisava em nome da empresa Uber sobre uma personalidade em litígio com a empresa, e tinha interrogado seu entorno profisssional sob falsos pretextos. A Ergo não deu sequência às solicitações do Monde. Como Christopher Watts, duas organizações gêmeas, de reputação sulfurosa se interessam não só pelo CIRC, mas também pelo Instituto Ramazzini. Energy And Environmental Legal Institute (E &E Legal) se apresenta como uma organização sem fins lucrativos, sendo uma de suas missões ‘pedir contas àqueles que desejam uma regulamentação governamental excessiva e destruidora, baseada em decisões políticas de intenções ocultas, na ciência podre e na histeria”.

Quanto à Free Market Environmental Law Clinic, “busca ser um contrapeso ao movimento em defesa do meio ambiente, que promove um regime regulamentar economicamente destruidor nos Estados Unidos”. Segundo os elementos de que dispõe Le Monde, elas iniciaram não menos de dezessete demandas de acesso aos documentos junto aos NIH e à Agência americana de proteção ao meio ambiente. Engajadas em uma guerrilha jurídica, burocrática, intrusiva, exigem as correspondências de vários funcionários americanos “contendo os termos “CIRC”, “glifosato”, “Guyton”” (como Kathryn Guyton, a cientista do CIRC responsável pela «monografia 112»). Solicitam os mínimos detalhes sobre bolsas, subvenções e outras relações, financeiras ou não, entre esses órgãos americanos, o CIRC, certos cientistas e o Instituto Ramazzini.

“Não deixe nada passar”

As duas organizações são dirigidas por David Schnare, um cético declarado em relação ao aquecimento global, conhecido por ter pressionado climatólogos. Em novembro de 2016, o Schnare deixou temporariamente a E & E Legal para unir-se à equipe de transição de Donald Trump. Encontra-se também, entre os dirigentes da organização, Steve Milloy, uma figura célebre da propaganda financiada pela indústria do fumo. Às perguntas sobre suas motivações e fontes de financiamento, o presidente da E & E Legal respondeu por email: “Saudações, não estamos interessados.”

O eco dessas demandas de acesso aos documentos é amplificado pelas matérias publicadas em certos meios de comunicação. Especialmente The Hill, um site político de leitura obrigatória para todo ator da vida parlamentar em Washington. Seus autores: um esquadrão de propagandistas, cuja associação US Right to Know (USRTK) documentou os laços de longa data com os industriais da agroquímica ou dos think tanks conservadores, como o Heartland Institute ou o George C. Marshall Institute, conhecidos pelo papel preponderante na maquinária “climatocética”. Os mesmos argumentos aparecem em vários textos. E às vezes, os mesmos sintagmas de um autor a outro: fustiga-se a«ciência feita nas coxas» de um CIRC que, corroído pelos conflitos de interesses, seria “amplamente criticado” – sem que jamais seja dito por quem.

Os advogados implicados nos procedimentos jurídicos americanos revelaram que a Monsanto empregava também meios mais discretos. Respondendo sob juramento às questões dos advogados de pessoas enfermas que atribuem seu câncer ao Roundup, responsáveis pela firma relataram a implantação de um programa confidencial batizado de “Let Nothing Go” (Não deixe nada passar», destinado a responder a todas as críticas.

As transcrições dessas audições permanecem confidenciais. Mas, memorandos transmitidos pelos escritórios de advogados implicados nas perseguições permitem saber um pouco mais. Segundo eles, a Monsanto recorre a empresas terceirizadas, que “empregam indivíduos, aparentemente sem conexões com a indústria, para fazer comentários positivos à margem dos artigos publicados, e posts no Facebook, a fim de defender a Monsanto, seus produtos químicos e os OGM”.

A máquina parece acelerar-se com a chegada do Sr. Trump

No decorrer dos últimos meses, a coalizão contra o CIRC ampliou-se. No final de janeiro de 2017, alguns dias apenas depois da entronização de Donald Trump na Casa Branca, o American Chemistry Council somou-se a suas fileiras.

O lobby americano da química abriu uma frente sobre as redes sociais na forma de uma campanha pela exatidão na pesquisa em saúde pública. Objetivo anunciado: obter uma “reformulação” do programa das monografias do CIRC. Em um site e pelo Twitter, a poderosa organização de lobby aperta o cerco: “Um pedaço de bacon ou um pedaço de plutônio? É a mesma coisa, segundo o CIRC” O texto é acompanhado de uma fotomontagem mostrando duas barras verdes fluorescentes que mergulham em ovos fritos. O CIRC de fato classificou, em outubro de 2015, os embutidos “cancerígenos” com certeza e a carne vermelha como “provavelmente cancerígena”, como o glifosato.

Talvez seu acesso direto ao círculo mais próximo ao presidente Trump dê a esses industriais da química e da agroquímica um sentimento de grande poder? A mais alta responsável pelo lobby do American Chemistry Council, Nancy Beck, não acaba de assumir suas funções como diretora adjunta do serviço encarregado da regulamentação dos produtos químicos e dos pesticidas na Agência americana de proteção ao meio ambiente, o serviço que, precisamente, completa o reexame do dossier glifosato? E Donald Trump em pessoa não confiou a Andrew Liveris, dono da Dow Chemical, empresa membro do American Chemistry Council, a direção de sua Manufacturing Jobs Initiative (Iniciativa para o emprego industrial)?

A máquina parece acelerar-se com a chegada da era Trump. No final de março, o republican texano Lamar Smith, presidente da comissão da Câmara dos representantes sobre a ciência, o espaço e a tecnologia, interpela o novo ministro da saúde, Tom Price. Ele concentra suas questões nos laços financeiros entre o National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) e o Instituto Ramazzini a fim, escreve ele, de “assegurar-se que os beneficiários das subvenções aderem aos mais altos parâmetros de integridade científica”.

Ignorância e mentira

Publicada pouco depois na National Review, a tribuna ataca pessoalmente Linda Birnbaum, a diretora do NIEHS, acusada de promover um programa “quimiofóbico”, e Christopher Portier, seu antigo diretor adjunto, que acompanhou os trabalhos do CIRC como especialista convidado,aqui qualificado como “militante anti-glifosato bem conhecido”, e ambos membros do Ramazzini.  Eis, segundo eles, “um exemplo mais sobre a maneira como a ciência foi politizada”. A informação é igualmente, e entre outras, retomada pelo Breitbart News, o site de extrema direita fundado por Steve Bannon, o conselheiro estratégico do presidente Trump.

Qualificar o instituto ou o collegium Ramazzini (os dois são confundidos) “de obscura organização” aqui, ou de “espécie de Rotary Club para cientistas militantes” em outros locais, é na melhor das hipóteses, ignorância e, na pior, mentira. Fundado em 1982 por Irving Selikoff e Cesare Maltoni, duas grandes figuras da saúde pública, o Collegium Ramazzini é uma academia de 180 cientistas especializados em saúde profissional e relacionada ao meio ambiente.

Linda Birnbaum e Christopher Portier são fellows (membros). É também o caso do diretor do programa das monografias do CIRC, Kurt Straif, e de quatro especialistas do grupo de trabalho da monografia 112. Cada um em sua especialidade, cientistas de alto nível.

“Não temos medo”

O lançamento, pelo Instituto Ramazzini, em maio de 2016, de um estudo de toxicologia a longo prazo sobre o glifosato concentrou os tiros sobre o órgão, reputado por sua competência em matéria de câncer. A diretora de pesquisa do instituto, Fiorella Belpoggi, foi uma das raras cientistas que aceitou falar com o Monde: “Nós não somos muitos, temos pouco dinheiro, mas somos bons cientistas e não temos medo”.

Os ataques contra o Ramazzini e o CIRC certamente não vão parar tão cedo. Pois, depois do glifosato, outros produtos químicos estratégicos figuram na lista das prioridades do CIRC para o período 2014-2019. Pesticidas, ainda, mas também o biofenol A (BPA) e o aspartame. Ora, é justamente o NIEHS um dos principais financiadores no mundo da pesquisa sobre a toxicidade do BPA. Quanto ao aspartame, o estudo que alertou sobre as propriedades cancerígenas do edulcorante foi realizada há vários anos… pelo Instituto Ramazzini.

“Eu não tinha consciência, antes de tudo isso, murmura Fiorella Belpoggi, mas, se se livrarem do CIRC, do NIEHS e do Instituto Ramazzini, livrar-se-ão de três símbolos da independência da ciência”. De uma ciência que se tornou uma ameaça para interesses econômicos calculados em centenas de bilhões de euros.

Fonte – Stéphane Foucart e Stéphane Horel/ Tradução: Ana Corbusier, Desacato de 06 de junho de 2017

Suprema Corte dos EUA revela que gerente da Monsanto encobriu provas relacionando o câncer ao uso de glifosato e PCBs

George Levinskas, antigo gerente da Monsanto, o mesmo que ajudou a esconder o potencial carcinogênico do DDT na década de 1970, parece ter também influenciado a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) em relação ao herbicida mais utilizado no mundo – o glifosato – nos anos 80, segundo documentos revelados pelo tribunal da Califórnia, nesta terça-feira (19).

Em março de 2015, o site Sustainable Pulse descobriu que, durante 30 anos, tanto a Monsanto quanto a EPA esconderam o provável potencial carcinogênico do herbicida mais utilizado no mundo – o glifosato. Esta omissão foi agora confirmada por documentos divulgados pelo Tribunal do Distrito dos EUA em São Francisco.

O US Right to Know (USRTK) informou nesta quarta-feira que mais de 50 ações judiciais contra a Monsanto estão pendentes no Tribunal de São Francisco, apresentadas por pessoas que alegam que a exposição ao Roundup, um herbicida à base de glifosato, causou a eles ou a seus familiares o linfoma não-Hodgkin, e dizem que a Monsanto encobriu os riscos.

No dia 13 de março de 2017, o juiz distrital dos Estados Unidos, Vince Chhabria, determinou –– sob as objeções da Monsanto – que os documentos obtidos nesta descoberta pudessem ser revelados.

Os documentos divulgados evidenciam como a Monsanto influenciou a EPA a alterar a classificação de 4 de março de 1985, do glifosato como carcinogênico de Classe C – mostrando potencial sugestivo de potencial carcinogênico – para a classe E, que sugere “não-carcinogenicidade para humanos”, em 1991.

Esta alteração na classificação do glifosato ocorreu durante o mesmo período em que a Monsanto desenvolvia suas primeiras colheitas transgênica de sementes resistentes ao glifosato – Roundup-Ready.

Logo após a descoberta, por parte da Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC), de que o glifosato causa câncer, em março de 2015, o Sustainable Pulse descobriu documentos da EPA de 1991 que mostram como a Monsanto financiou um estudo de segurança a longo prazo com glifosato em camundongos, que, segundo os especialistas da EPA, revelava o alto risco de uso da substância, foi “revisado” inúmeras vezes até que misteriosamente não mostrasse nenhum potencial cancerígeno.

A razão para a revisão e à mudança na classificação do glifosato em 1991, por parte da EPA, era desconhecida até esta semana. Agora, porém, ficou claro que a EPA foi fortemente influenciada pela Monsanto durante o processo de reclassificação.

O Homem da omissão da Monsanto: Dr. George Levinskas

O Dr. George Levinskas, começou a trabalhar na Monsanto em 1971 e tornou-se Diretor de Avaliação Ambiental e Toxicologia, foi um dos principais agentes na cobertura do potencial carcinogênico dos DDTs proibidos na década de 1970.

A Monsanto começou a encomendar estudos de toxicidade animal em PCBs no início dos anos 70, mas os resultados não foram bem. “Nossa interpretação é que os PCBs estão exibindo um maior grau de toxicidade neste estudo do que tínhamos previsto”, escreveu um executivo.

Em 1975, um laboratório apresentou seus resultados de um estudo usando ratos. Um esboço antecipado dizia que, em alguns casos, os PCBs haviam causado tumores. O Dr. Levinskas escreveu ao diretor do laboratório: “Podemos solicitar que o relatório seja alterado para dizer ‘não parece ser cancerígeno’”. O relatório final retirara todas as referências a tumores.

O agora falecido Dr. Levinskas parece ter sido também protagonista em esconder o potencial carcinogênico de glifosato. Ele escreveu uma carta interna na empresa, em 1985, afirmando o seguinte: “A alta administração da EPA está revisando uma proposta para classificar o glifosato como uma classe C “possível carcinogênico humano” por causa de adenomas renais em camundongos machos. O Dr. Marvin Kuschner irá rever as seções renais e apresentar a sua avaliação para a EPA em um esforço de persuadir a agência de que os tumores observados não estão relacionados com glifosato”.

Os 30 anos de omissão do câncer decorrente do uso do glifosato vão ficar na história como mais um fracasso – do governo dos EUA, da EPA e dos reguladores mundiais –, no que tange a colocar a saúde do público em geral antes da necessidade de proteger e expandir os lucros das empresas.

Fontes – Sustainable Pulse / Lila Almendra, Contra os agrotóxicos de 19 de maio de 2017

Monsanto usa táticas de desinformação

Monsanto usa táticas de desinformação

Monsanto usa táticas de desinformação para minar a ligação entre o Glifosato e o Câncer

E-mails não selados em uma ação na Califórnia em Março deste ano revelaram que a gigante do agronegócio Monsanto se envolveu em atividades destinadas a minar os esforços para avaliar uma possível ligação entre o glifosato – o ingrediente ativo do popular herbicida Roundup da empresa – e o câncer.

Os documentos revelam os planos da empresa para semear na literatura científica através de um de seus escritos para atrasar e prevenir o governo dos EUA nas avaliações da segurança do produto.

Muitos atores corporativos, incluindo a indústria do açúcar, as indústrias de petróleo egás e a indústria do tabaco, usaram táticas para negar provas científicas, atacar cientistas individuais, interferir nos processos de tomada de decisão do governo e fabricar falsificações de ciência através de seus escritos para convencer os políticos

Este caso ressalta a urgente necessidade de maior transparência e proteções mais apertadas para evitar esses tipos de táticas de desinformação corporativa que poderiam colocar o público em risco.

Monsanto usa táticas de desinformação ! Alto Risco : Glifosato X Câncer

O caso centra-se na questão científica de saber se o glifosato provoca um tipo de câncer conhecido como linfoma não-Hodgkin. Na ação na Califórnia, em que os documentos chave da empresa foram desprotegidos, os queixosos com linfoma não-Hodgkin afirmam que sua doença está relacionada à exposição ao glifosato.

Linfoma não Hodgkin

A ciência ainda não é clara sobre esta questão. O documento de emissão da EPA sobre este tópico disse que o glifosato é “provavelmente cancerígeno “, mas alguns de seus membros do Painel Científico Assessor (SAP) apontam lacunas de dados críticos e até sugerem que há “evidência limitada mas sugestiva de uma associação positiva” entre Glifosato e linfoma não Hodgkin.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) e a Agência Europeia dos Produtos Químicos concluíram que as evidências científicas não suportam a classificação do glifosato como cancerígeno.

Mais de 94 cientistas de instituições em todo o mundo pediram mudanças no processo de avaliação científica da EFSA.

É complexo. O que é claro, no entanto, é que os organismos científicos independentes devem estar conduzindo suas avaliações sobre o glifosato sem interferência de jogadores externos com participação na determinação final.

As apostas para a saúde pública e para a linha de fundo da Monsanto são enormes

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados nos EUA (E no Brasil também!). Vendido pela Monsanto sob o nome comercial Roundup, é o produto principal da empresa. Os agricultores dos EUA pulverizam cerca de 300 milhões de libras dele em milho, soja e uma variedade de outras culturas todos os anos para matar ervas daninhas.

Também é comumente usado nos EUA para o cuidado do gramado residencial. Como resultado da sua utilização generalizada, traços de Roundup foram encontrados em córregos e outras vias navegáveis e em nossos alimentos e os agricultores e trabalhadores agrícolas estão em risco de exposição potencialmente pesada para o produto químico.

(Mais sobre as ramificações de seu uso agrícola e da aceleração relacionada de ervas daninhas resistentes a herbicidas aqui).

Definindo a Cena para Manipulação da Ciência

Em 2009, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) iniciou uma avaliação compulsória do risco de glifosato como parte de seu processo de registro de pesticidas. O processo da agência arriscou a possibilidade de que o produto químico poderia estar listado como um possível cancerígeno, já que a agência é obrigada a analisar novas evidências desde sua última revisão em meados da década de 1990 e determinar se causará efeitos adversos não razoáveis ​​ao meio ambiente e à saúde humana .

Do ponto de vista da Monsanto, essa mudança de classificação representou uma clara ameaça para seu lucrativo produto, possivelmente resultando em mudanças nos rótulos e na percepção pública da segurança do produto que poderia manchar a imagem da marca.

Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), patrocinada pela Organização das Nações Unidas, divulgou uma avaliação concluindo que o glifosato era um provável cancerígeno  humano após avaliar a pesquisa científica disponível sobre a ligação do glifosato ao linfoma não Hodgkin e Mieloma.

O IARC recomendou que o glifosato fosse classificado como um cancerígeno 2A, juntamente com pesticidas como DDT e malatião.

O IARC era uma determinação baseada em ciência, não de natureza regulatória. Mas a avaliação do IARC, a revisão pendente da EPA e uma avaliação programada por outra agência dos Estados Unidos – a Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças (ATSDR) nos Centros de Controle de Doenças (CDC) – estimularam a Monsanto a usar pelo menos quatro Táticas separadas para influenciar inapropriadamente a percepção pública e o processo de avaliação.

 

Tática 1 : Suprimir a Ciência

Em uma revelação perturbadora, os e-mails sugerem que os representantes da Monsanto tiveram comunicações freqüentes com um funcionário do governo dos EUA: Jess Rowland, ex-diretor associado da Seção de Efeitos de Saúde do Escritório de Programas de Pesticidas da EPA.

Os e-mails internos da Monsanto indicam que Rowland derrubou a empresa para a avaliação do IARC antes do seu lançamento. Os e-mails também citam Rowland dizendo que ele iria trabalhar para anular o estudo da ATSDR sobre o glifosato, segundo as informações ditas oficiais da Monsanto:

Se eu posso matar isso eu deveria ter uma medalha.

Os e-mails sugerem que a Monsanto estava trabalhando com funcionários dentro de uma agência governamental dos Estados Unidos, fora das áreas estabelecidas de contribuição do público para os processos de tomada de decisão, de uma maneira completamente inadequada.

Tática 2 : Ataque o Mensageiro

Imediatamente após a avaliação do IARC, a Monsanto não só contestou as descobertas, mas atacou a credibilidade do IARC, tentando desacreditar a agência de renome internacional, alegando que tinha caído muito depressa no “viés orientado pela agenda“.

Os membros do grupo de trabalho do IARC ficaram chocados com as alegações da Monsanto questionando sua credibilidade. O IARC baseia-se em dados que estão no domínio público e segue critérios para avaliar a relevância e independência de cada estudo que ele cita.

Como um membro do IARC, o epidemiologista Francesco Forastiere, explicou: “… nenhum de nós tinha uma agenda política, simplesmente atuamos como cientistas, avaliando o corpo de evidências, de acordo com os critérios”. Apesar dos ataques da Monsanto, o IARC continua apoiando as conclusões de sua avaliação de 2015.

Tática 3 : Fabricação Falsificada da Ciência

E talvez a revelação mais preocupante, foram os e-mails que mostram que em fevereiro de 2015, a Monsanto discutiu a fabricação de uma falsificação da ciência em um estudo para a literatura científica que minimizaria os impactos do glifosato sobre a saúde humana  e deturpando a sua independência.

Monsanto usa táticas de desinformação

William Heydens, um executivo da Monsanto, sugeriu que a empresa poderia manter os custos baixos, escrevendo um artigo sobre a toxicidade do glifosato e ainda pagar para acadêmicos “editar e assinar seus nomes por assim dizer” e recomendou que a revista críticas Toxicology fosse contatada , pois já  “tinha feito tal publicação no passado” naquele jornal.

O artigo de Heydens referenciado em 2000, cujo autor principal é um membro do corpo docente do New York Medical College (NYMC), cita estudos da Monsanto, agradece a Monsanto pelo “apoio científico”, mas não divulga o financiamento da Monsanto ou outro envolvimento direto em sua publicação. Esse artigo concluiu que “o herbicida Roundup não representa  risco para a saúde humana”.

Tática 4 : prejudicar a avaliação científica independente

Os e-mails de outros documentos judiciais também documentam as maneiras pelas quais a Monsanto trabalhou para evitar que o EPA use um Painel Científico Consultivo (SAP) para revisar o documento de emissão da agência sobre o risco de câncer por glifosato.

Composição do painel. Dentro dos e-mails não selados, a Monsanto mencionou que se opunha ao plano do EPA para criar um SAP para analisar o glifosato porque “o escopo é mais provável do que não ser mais abrangente do que apenas IARC … SAPs iriam adicionar atrasos significativo, criar vulnerabilidades legais e seriam um processo falho. E que provavelmente  resultaria em um painel com determinações que são cientificamente questionáveis ​​e só resultaria em maior incerteza “.

Esta é uma afirmação falsa. Os painéis consultivos científicos, quando são totalmente independentes, são uma fonte crítica de aconselhamento científico.

As reuniões da EPA sobre o glifosato, programadas para começar em outubro de 2016, foram adiadas poucos dias antes de serem programadas para começar.

Isso ocorreu após um intenso lobby de CropLife America, uma organização de comércio agroquímico que representa a Monsanto e outros fabricantes de pesticidas ( Seus membros incluem a maior biotecnologia agrícola  do mundo dos Pesticidas, nomeadamente a BASF , a Bayer CropScience , a Dow AgroSciences , a DuPont , a FMC Corp. , a Monsanto , aSumitomo e a Syngenta ), onde questionou os motivos do SAP ao analisar os impactos do glifosato sobre a saúde.

CropLife enviou vários comentários ao EPA, incluindo um que atacou a integridade de um cientista nomeado da SAP. A agência anunciou subsequentemente a remoção do cientista do painel em novembro de 2016, um mês antes das reuniões reprogramadas para ocorrer.

Simultaneamente, a Monsanto criou seu próprio “painel de peritos” em julho de 2015 composto de 16 indivíduos, alguns cientistas e alguns lobistas, dos quais apenas quatro nunca foram empregados ou consultados pela Monsanto.

Quem precisa de avaliações independentes quando você tem cientistas do agronegócio prontos, dispostos e substancialmente financiados que se autodenominam “independentes”?

Defendendo o Processo Científico

As revelações dos e-mails da Monsanto não selados sublinham a necessidade vital de uma ciência independente de transparência para garantir a credibilidade, fomentar a confiança do público em nosso sistema de formulação de políticas científicas e impedir entidades como a Monsanto de minar as avaliações científicas objetivas.

Claramente, são necessários melhores controles e supervisão para salvaguardar o processo científico de táticas para desinformar e mais transparência e responsabilidade serão necessários para garantir que os organismos científicos sejam capazes de avaliar adequadamente os riscos e benefícios de um dado produto.

Dado  o que se sabe agora sobre as ações da Monsanto, a necessidade de pesquisas conduzidas independentemente e avaliações científicas imparciais sobre a segurança doglifosato é mais importante do que nunca.

Genna Reed é analista de ciência e política no Centro de Ciência e Democracia da União de Cientistas Preocupados. Em seu papel, ela investiga as influências políticas e corporativas sobre a tomada de decisões com base na ciência – trabalhando para informar o público sobre questões onde a ciência é sufocada ou obscurecida e para garantir que as políticas federais, estaduais e locais sejam baseadas em ciência rigorosa e independente. Veja a biografia completa de Genna.

Fontes – EcoWatch / Nosso Foco de 18 de abril de 2017

 

 

Glifosato: o veneno da monsanto está em todo lugar

Altas doses do herbicida da Monsanto foram encontradas em alimentos nos EUA e consumidos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil

O primeiro teste em alimentos para resíduos de glifosato realizado por laboratório registrado na Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) encontrou níveis alarmantes de contaminação em produtos dos mais tradicionais no país e mostrou o quão inadequada é a regulação dos resíduos de pesticidas. O estudo Glifosato: inseguro em qualquer prato, feito pelo laboratório de testes de segurança alimentar Aresco por solicitação do Food Democracy Now! e The Detox Project, reuniu também pesquisas independentes, realizadas em outros países, que chegaram aos mesmos resultados.

Glifosato é o herbicida mais consumido no mundo. O ingrediente ativo do Roundup da Monsanto é o “mata mato” mais pesadamente utilizado na agricultura industrial na história da humanidade – consequência da adoção generalizada de culturas transgênicas, hoje cultivadas em mais de 80% dos 70 milhões de hectares nos EUA e mais de 120 milhões de hectares em escala global. O Brasil cultivou uma área de 44,2 milhões de hectares de transgênicos na safra 2015-2016.

No meio urbano, o glifosato é usado na manutenção de gramados em parques, praças e condomínios. O mercado do herbicida foi avaliado em US$ 5,46 bilhões em 2012 e tem como meta chegar a US$ 8,79 bilhões até 2019.

Ingestão “aceitável”

Os reguladores dos EUA consideram como Ingestão Diária Aceitável (IDA) de glifosato 1.75 miligramas por kilo do peso corporal (1.75 mg/kg/dia). Na União Europeia esse limite é de 0.3 mg/kg/dia. Esses níveis de tolerância foram definidos com base em estudos patrocinados pela próprias corporações fabricantes de agrotóxicos e mantidos em sigilo em nome do segredo industrial. Uma equipe de cientistas internacionais reclama um IDA muito mais baixo, de 0.025 mg/kg/dia – 12 vezes inferior ao definido atualmente na Europa e 70 vezes inferior ao permitido nos EUA.

A União Europeia aprovou sua comercialização até o fim de 2017, à espera das conclusões da Agência Europeia de Produtos Químicos, mas propôs restringir sua utilização em parques e outros espaços públicos. Uma campanha envolvendo organizações não governamentais de 15 países europeus luta para que essa permissão não seja renovada.

No Brasil o limite de ingestão é de 0.042 mg/Kg/dia, com um detalhe: o glifosato não está incluído nos testes da Anvisa para resíduos de agrotóxicos em alimentos, muito embora seja o mais consumido no país. Mais de 8 milhões de toneladas foram despejados nas terras brasileiras somente entre 2010 e 2014.

Novas evidências

As novas evidências científicas mostram que não há níveis seguros de glifosato para a saúde humana e animal. Os danos prováveis podem começar em níveis ultrabaixos, de 0.1 partes de glifosato por bilhão (ppb). Até mesmo 0.05 ppb podem provocam danos nos rins e fígado de ratos, pela alteração nas funções de 4.000 genes.

Os testes promovidos pela Food Democracy Now! revelaram que produtos alimentares muitos populares nos EUA e no mundo – como o salgadinho Doritos, da Pepsico, os flocos de milho da Kellogg’s e o biscoito Oreo, da Kraft Foods, por exemplo, muito consumidos também no Brasil – tiveram resultados entre 289,47 ppb e 1.125,3 ppb.

Danos causados pelo Glifosato/Roundup em números (ppb)

0,1 ppb: dano severo em órgãos de ratos
0,1 ppb: nível permitido de glifosato e todos os outros herbicidas na água de torneira na União Europeia
10 ppb: efeitos tóxicos no fígado de peixes
700 ppb: alterações em rins e fígado de ratos
700 ppb: nível permitido de glifosato na água de torneira dos EUA
11.900 ppb: encontrado em soja transgênica
1.125,3 ppb: encontrado na Cheerios da General Mills

As doenças

Desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, depressão, autismo, infertilidade, câncer, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, intolerância ao glúten. A lista dos males atribuídos à ingestão de glifosato não para de crescer. O estudo detalha algumas delas.

Câncer

A despeito da insistência da Monsanto de que o glifosato é perfeitamente seguro, “mais que sal de mesa”, um número crescente de estudos revisados pela comunidade científica está encontrando ligações entre glifosato e câncer. Em março de 2015, a Agência de Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês) da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou ser o glifosato “provável causador de câncer humano”. A decisão foi baseada em pesquisas de 17 especialistas em câncer de 11 países, que reuniu-se para avaliar a carcinogenicidade de cinco pesticidas. A revisão do glifosato levou o Parlamento Europeu a proibir seu uso não-comercial em áreas públicas e restringir seriamente o uso na agricultura. A Monsanto é alvo de várias ações judiciais nos EUA, com base em avaliações de que o glifosato é o agente causador de câncer em fazendeiros, trabalhadores rurais, aplicadores do pesticida e outras pessoas expostas a ele com frequência. Há preocupação especial com relação aos seguintes tipos de câncer: Linfoma Não Hodgkin, câncer de osso, câncer do cólon, câncer de rim, câncer de fígado, melanoma, câncer do pâncreas, câncer de tiroide.

Alterações hormonais

Um número crescente de evidências científicas aponta o glifosato como desregulador endócrino. Há mais de duas décadas estudos vêm mostrando que mesmo um baixo nível de exposição a certos produtos químicos, o glifosato entre eles, podem alterar a produção e recepção de hormônios vitais para o corpo, podendo causar problemas reprodutivos, aborto, reduzir a fertilidade e que a mudança nos níveis hormonais podem resultar no início prematuro da puberdade, obesidade, diabetes, problemas com a função imune e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade.

Efeito bactericida

Enquanto a Monsanto continua a negar qualquer impacto na saúde humana e animal, novas pesquisas geram crescente preocupação quanto aos prováveis efeitos do glifosato no equilíbrio do microbioma gastrointestinal, ou bactérias intestinais benéficas, enquanto aumenta o número de espécies patogênicas, podendo levar a problemas de saúde como a síndrome do intestino irritável e a intolerância a glúten. Um estudo pioneiro da Nova Zelândia descobriu, em 2015, que a exposição contínua ao Roundup pode levar bactérias a se tornar resistentes a antibióticos, um problema crescente para a saúde humana e animal.

Doenças crônicas

Cientistas descobriram que pessoas cronicamente doentes têm níveis “significativamente mais altos de glifosato na urina do que pessoas saudáveis”. Verificaram também que as pessoas com dieta convencional têm muito mais resíduos de glifosato do que aquelas que se alimentam com comida orgânica.

Imersos em veneno

O estudo da Food Democracy Now! mostra que o uso generalizado de glifosato nos EUA levou o veneno a espalhar-se livremente pelo ambiente. Nos últimos anos, foram descobertos resíduos do veneno na água e alimentos consumidos no dia a dia, na urina humana, no leite materno e na cerveja, entre outras substâncias. Vale lembrar que a contaminação dos alimentos não pode ser removida pela lavagem e não é eliminada com cozimento, congelamento ou processamento da comida.

Os níveis de Roundup e outros herbicidas com glifosato usados no agronegócio dos EUA são hoje tão altos que o órgão de Pesquisa Geológica dos EUA (U.S. Geological Survey – USGS) encontrou o veneno em mais de 75% das amostras de água da chuva no Meio-Oeste do país. A pulverização aérea de Roundup leva o herbicida às culturas e também aos corpos d’água e também às nuvens, pela evaporação, e elas podem precipitar-se em locais muito distantes da aplicação. O número crescente de “ervas daninhas” resistentes ao glifosato está levando fazendeiros a usar mais e mais herbicida contra as “superervas daninhas”.

Com base nos resultados desse estudo, o Food Democracy Now! está solicitando investigação federal sobre os prováveis danos causados à saúde humana e ambiental pelo herbicida glifosato e sobre a relação entre reguladores e indústrias reguladas – que resultou nos níveis alarmantes do herbicida a que a população está exposta, como demonstra crescente número de estudos científicos.

O relatório conclui afirmando que o único modo de evitar a contaminação por glifosato é comer alimentos cultivados organicamente. “Um estudo publicado em 2014 na Revista de Pesquisa Ambiental confirmou que famílias que adotaram uma dieta de orgânicos removeram, em não mais que uma semana, 90% dos pesticidas do seu corpo, o que foi comprovado por testes de urina”.

Fonte – Inês Castilho, De olho nos ruralistas de 06 de março de 2017

Glifosato: o veneno está em todo lugar

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Altas doses do herbicida da Monsanto foram encontradas em alimentos nos EUA e consumidos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil

O primeiro teste em alimentos para resíduos de glifosato realizado por laboratório registrado na Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) encontrou níveis alarmantes de contaminação em produtos dos mais tradicionais no país e mostrou o quão inadequada é a regulação dos resíduos de pesticidas. O estudo Glifosato: inseguro em qualquer prato, feito pelo laboratório de testes de segurança alimentar Aresco por solicitação do Food Democracy Now! e The Detox Project, reuniu também pesquisas independentes, realizadas em outros países, que chegaram aos mesmos resultados.

Glifosato é o herbicida mais consumido no mundo. O ingrediente ativo do Roundup da Monsanto é o “mata mato” mais pesadamente utilizado na agricultura industrial na história da humanidade – consequência da adoção generalizada de culturas transgênicas, hoje cultivadas em mais de 80% dos 70 milhões de hectares nos EUA e mais de 120 milhões de hectares em escala global. O Brasil cultivou uma área de 44,2 milhões de hectares de transgênicos na safra 2015-2016.

No meio urbano, o glifosato é usado na manutenção de gramados em parques, praças e condomínios. O mercado do herbicida foi avaliado em US$ 5,46 bilhões em 2012 e tem como meta chegar a US$ 8,79 bilhões até 2019.

Ingestão ‘inaceitável’

Os reguladores dos EUA consideram como Ingestão Diária Aceitável (IDA) de glifosato 1.75 miligramas por kilo do peso corporal (1.75 mg/kg/dia). Na União Europeia esse limite é de 0.3 mg/kg/dia. Esses níveis de tolerância foram definidos com base em estudos patrocinados pela próprias corporações fabricantes de agrotóxicos e mantidos em sigilo em nome do segredo industrial. Uma equipe de cientistas internacionais reclama um IDA muito mais baixo, de 0.025 mg/kg/dia – 12 vezes inferior ao definido atualmente na Europa e 70 vezes inferior ao permitido nos EUA.

A União Europeia aprovou sua comercialização até o fim de 2017, à espera das conclusões da Agência Europeia de Produtos Químicos, mas propôs restringir sua utilização em parques e outros espaços públicos. Uma campanha envolvendo organizações não governamentais de 15 países europeus luta para que essa permissão não seja renovada.

No Brasil o limite de ingestão é de 0.042 mg/Kg/dia, com um detalhe: o glifosato não está incluído nos testes da Anvisa para resíduos de agrotóxicos em alimentos, muito embora seja o mais consumido no país. Mais de 8 milhões de toneladas foram despejados nas terras brasileiras somente entre 2010 e 2014.

Novas evidências

As novas evidências científicas mostram que não há níveis seguros de glifosato para a saúde humana e animal. Os danos prováveis podem começar em níveis ultrabaixos, de 0.1 partes de glifosato por bilhão (ppb). Até mesmo 0.05 ppb podem provocam danos nos rins e fígado de ratos, pela alteração nas funções de 4.000 genes.

Os testes promovidos pela Food Democracy Now! revelaram que produtos alimentares muitos populares nos EUA e no mundo – como o salgadinho Doritos, da Pepsico, os flocos de milho da Kellogg’s e o biscoito Oreo, da Kraft Foods, por exemplo, muito consumidos também no Brasil – tiveram resultados entre 289,47 ppb e 1.125,3 ppb.

Danos causados pelo Glifosato/Roundup em números (ppb)
0,1 ppb: dano severo em órgãos de ratos
0,1 ppb: nível permitido de glifosato e todos os outros herbicidas na água de torneira na União Europeia
10 ppb: efeitos tóxicos no fígado de peixes
700 ppb: alterações em rins e fígado de ratos
700 ppb: nível permitido de glifosato na água de torneira dos EUA
11.900 ppb: encontrado em soja transgênica
1.125,3 ppb: encontrado na Cheerios da General Mills

As doenças

Desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, depressão, autismo, infertilidade, câncer, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, intolerância ao glúten. A lista dos males atribuídos à ingestão de glifosato não para de crescer. O estudo detalha algumas delas.

Câncer. A despeito da insistência da Monsanto de que o glifosato é perfeitamente seguro, “mais que sal de mesa”, um número crescente de estudos revisados pela comunidade científica está encontrando ligações entre glifosato e câncer. Em março de 2015, a Agência de Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês) da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou ser o glifosato “provável causador de câncer humano”. A decisão foi baseada em pesquisas de 17 especialistas em câncer de 11 países, que reuniu-se para avaliar a carcinogenicidade de cinco pesticidas. A revisão do glifosato levou o Parlamento Europeu a proibir seu uso não-comercial em áreas públicas e restringir seriamente o uso na agricultura. A Monsanto é alvo de várias ações judiciais nos EUA, com base em avaliações de que o glifosato é o agente causador de câncer em fazendeiros, trabalhadores rurais, aplicadores do pesticida e outras pessoas expostas a ele com frequência. Há preocupação especial com relação aos seguintes tipos de câncer: Linfoma Não Hodgkin, câncer de osso, câncer do cólon, câncer de rim, câncer de fígado, melanoma, câncer do pâncreas, câncer de tiroide.

Alterações hormonais. Um número crescente de evidências científicas aponta o glifosato como desregulador endócrino. Há mais de duas décadas estudos vêm mostrando que mesmo um baixo nível de exposição a certos produtos químicos, o glifosato entre eles, podem alterar a produção e recepção de hormônios vitais para o corpo, podendo causar problemas reprodutivos, aborto, reduzir a fertilidade e que a mudança nos níveis hormonais podem resultar no início prematuro da puberdade, obesidade, diabetes, problemas com a função imune e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade.

Efeito bactericida. Enquanto a Monsanto continua a negar qualquer impacto na saúde humana e animal, novas pesquisas geram crescente preocupação quanto aos prováveis efeitos do glifosato no equilíbrio do microbioma gastrointestinal, ou bactérias intestinais benéficas, enquanto aumenta o número de espécies patogênicas, podendo levar a problemas de saúde como a síndrome do intestino irritável e a intolerância a glúten. Um estudo pioneiro da Nova Zelândia descobriu, em 2015, que a exposição contínua ao Roundup pode levar bactérias a se tornar resistentes a antibióticos, um problema crescente para a saúde humana e animal.

Doenças crônicas. Cientistas descobriram que pessoas cronicamente doentes têm níveis “significativamente mais altos de glifosato na urina do que pessoas saudáveis”. Verificaram também que as pessoas com dieta convencional têm muito mais resíduos de glifosato do que aquelas que se alimentam com comida orgânica.

Imersos em veneno

O estudo da Food Democracy Now! mostra que o uso generalizado de glifosato nos EUA levou o veneno a espalhar-se livremente pelo ambiente. Nos últimos anos, foram descobertos resíduos do veneno na água e alimentos consumidos no dia a dia, na urina humana, no leite materno e na cerveja, entre outras substâncias. Vale lembrar que a contaminação dos alimentos não pode ser removida pela lavagem e não é eliminada com cozimento, congelamento ou processamento da comida.

Os níveis de Roundup e outros herbicidas com glifosato usados no agronegócio dos EUA são hoje tão altos que o órgão de Pesquisa Geológica dos EUA (U.S. Geological Survey – USGS) encontrou o veneno em mais de 75% das amostras de água da chuva no Meio-Oeste do país. A pulverização aérea de Roundup leva o herbicida às culturas e também aos corpos d’água e também às nuvens, pela evaporação, e elas podem precipitar-se em locais muito distantes da aplicação. O número crescente de “ervas daninhas” resistentes ao glifosato está levando fazendeiros a usar mais e mais herbicida contra as “superervas daninhas”.

Com base nos resultados desse estudo, o Food Democracy Now! está solicitando investigação federal sobre os prováveis danos causados à saúde humana e ambiental pelo herbicida glifosato e sobre a relação entre reguladores e indústrias reguladas – que resultou nos níveis alarmantes do herbicida a que a população está exposta, como demonstra crescente número de estudos científicos.

O relatório conclui afirmando que o único modo de evitar a contaminação por glifosato é comer alimentos cultivados organicamente. “Um estudo publicado em 2014 na Revista de Pesquisa Ambiental confirmou que famílias que adotaram uma dieta de orgânicos removeram, em não mais que uma semana, 90% dos pesticidas do seu corpo, o que foi comprovado por testes de urina”.

Inês Castilho – Jornalista e cineasta, estudou Ciências Sociais na USP e foi editora de meio ambiente da revista “Visão”, editora do semanário “Shopping News”, editora do jornal “Mulherio” e cofundadora do “Nós Mulheres”. Realizadora dos curtas-metragens “Histerias” e “Mulheres da Boca”, integra desde 2012 a equipe do “Outras Palavras”. É repórter, redatora e tradutora em “De Olho Nos Ruralistas”.

Fonte – De olho nos ruralistas de 06 de março de 2017

Os riscos à saúde causados pelo milho transgênico NK603

Em 2008, a CTNBio aprovou o transgênico milho inseticida 1507 da Pioneer (Du Pont). Esse milho contém os transgenes Cry1F e PAT. O transgene PAT possibilita a planta ser resistente ao herbicida glifosinato de amonio enquanto a inserção do transgene Cry1F deixa a planta produzir o seu próprio inseticida. [4,5] O inseticida já vem embutido na própria planta. Consequentemente, todo pedaço que o seu filho comer numa esfira de milho, ele estará comendo inseticida. Como a ANVISA disse anteriormente sobre esse assunto quando avaliando um outro milho transgênico(Bt11), que também contém um inseticida embutido nela, “No caso de plantas geneticamente modificadas, como o milho Bt 11 em questão, a toxina responsável pela ação inseticida é um componente integral do alimento, não podendo ser removida. [9] Enquanto a toxina Cry1F é produzida durante todo o tempo por todas as células da planta do milho Herculex, as formulações comerciais contendo B. thuringiensis são aplicadas esporadimaente sobre plantas e se degradam rapidamente no meio ambiente. [5]

Os defensores dos OGM afirmam que a tóxina Bt em plantas GM é quebrada no trato digestivo e por isso não pode entrar no sangue ou tecidos do corpo para causar efeitos tóxicos para além do sistema digestivo. Mas, esta afirmação é falsa. No que diz respeito à suposta total degradação das proteínas Bt durante o processo de digestão em mamíferos, vários trabalhos mostraram uma realidade diferente, onde partes significativas da proteína sobrevivem à digestão em animais alimentados com milho GM (Chowdury et al., 2003; Lutz et al., 2005; Paul et al., 2010). Em laboratório, um estudo recente que buscou reproduzir as condições reais de acidez gástrica observou uma alta resistência em quebrar a proteína recombinante Cry1Ab (Guimaraes et al., 2010). [16] Essa toxina cry foi até encontrada em fetos de mulheres grávidas no Canada (Aris & Leblanc, 2011). [16]

Além do risco a saúde por esse transgênico produzir o seu próprio inseticida, a transformação genética dessa planta saiu toda deformada. No caso do TC1507, o método de transformação confirma sua imprecisão. Conforme mencionado pelos proponentes, o evento de transformação contém, além das sequências alvo, mais outras 14 sequências, cujas implicações não foram adequadamente estudadas até o momento (Sumário das Sequências Inseridas – Tabela 3, p. 46). [4]

Os estudos da requerente sobre a segurança desse transgênico também foram pobres e afirmam que “não foram apresentados em mais de 30 anos de usado comercial do B. Thuringiensis, nenhuma informação concretas de alerginidade”. Essa afirmativa não tem nenhuma base cientifica como não leva em consideração os estudos recentes que comprovaram respostas imunes à proteínas Cry, como o estudo de Kroghsbo et al. (2007) no caso de Cry1Ab e os estudos de Moreno-Fierros et al. (2002), Vazquez et al. (1999) e de Vazquez-Padron et al. (2000) no caso de Cry1Ac. [5]

Esse agrotóxico é resistente ao glufosinato de amômio. No site da Pioneer (Du Pont), diz para usar o herbicida Liberty da Bayer para o transgênico Herculex. Esse Liberty contém o GA. O GA, princípio ativo do herbicida Liberty, será incorporado em algum teor às cadeias alimentares humana e animal; o GA tem sido associado a problemas cardiovasculares (Matsumura et al., 2001 ), neurotóxicos (Watanabe, 1997), teratogenicos (Fujii, 1997) e reprotoxicos. Recentemente, o GA tem sido apresentado como eficiente perturbador endócrino (Bénachour & Séralini, 2008). [10]
No caso do glufosinato de amômio, também são várias as pesquisas que constataram toxicidades diversas associadas ao herbicida, tais como neurotoxicidade e teratogenicidade (Watanabe & Iwase, 1996; Fuji 1997; Koyama et al., 1997; Matsumura et al., 2001). [11]

Fracasso no Campo

O transgênico TC1507 produz o inseticida Cry1F. Recentemente, Farias et al. (2014) oficializaram a presença de populações de insetos resistentes as proteínas Cry1F no Brasil. [6]

Cabe mencionar que a Agrosoja-MT acabou de divulgar os nomes das cultivares que motivaram a notificação as empresas Monsanto, DuPont, Dow e Syngenta por propaganda enganosa—sendo as Herculex, que sintetiza proteína Cry1F, e Yieldgard, que sintetiza Cry1Ab, envolvida no evento piramitado em avaliação aqui alegando, “ quebra da resistência” na technologia transgênica. [6]

Fracasso também nos EUA [7,8]

Poucas informações dada pela requerente sobre a segurança desse transgênico

O dossiê nada informa sobre “possíveis efeitos deletérios do OGM em animais prenhes e seu potencial teratogênico”, contrariando exigência da RN 05. De fato, as proteínas Cry deveriam ser testadas em acordo com os métodos usados atualmente no domínio da pesquisa sobre as proteínas príons, como injeções intra-craniais (IC) e intra-peritoneais (IP), sobre ratos neonatais, seguidas de observações durante pelo menos 120-300 dias (Liberski & Brown, 2007; Unterberger & Voigtlander, 2007). [4]

No vetor utilizado, há presença do promotor CaMV 35S como promotor da seqüência genômica pat. Consideramos que a resposta que diz respeito aos hospedeiros do promotor CaMV 35S é incompleta, e não revela dados importantes de biossegurança. Esta escrito no dossiê (p.39 e p.68): “O CaMV é um caulimovírus de DNA de dupla hélice com uma gama de hospedeiros muito limitado restringindo-se principalmente à planta crucíferas.” No entanto, desde há muitos anos é cientificamente comprovado que o promotor 35S CaMv se expressa em outras células que não sejam células de espécies crucíferas, inclusive em E. coli (Jacob et al., 2002), algas verdes, rãs e mamíferos (Ho et al., 2000b), inclusive em células humanas (Traavik et al., 2005; Steinbrecher, 2002). Portanto, estando a CTNBio encarregada de realizar a análise cientifica do dossiê, é nítida a falta de robustez cientifica empregada pela empresa proponente nesta questão. [5]

Poucas informações foram incluídas referentes a possíveis efeitos pleiotrópicos. No caso do dossiê do Milho MON810 ocorreu o mesmo. Contudo estudos recentes tem demonstrado efeitos pleiotrópicos em nível molecular. A análise proteômica de duas gerações subseqüentes (denominadas de T05 e T06) do milho transgenico (evento MON 810) tendo como controle as suas respectivas linhas isogênicas (WT05 e WT06) resultou na identificação de 43 proteínas que tiveram sua regulação aumentada ou reduzida comparativamente as linhas isogênicas parentais, o que está especificamente relacionado com o transgene inserido no genoma do milho pelo bombardeamento de partículas. Destas 43 proteínas, 14 tiveram sua expressão reduzida, 13 com expressão aumentada, 7 foram produtos novos e 9 deixaram de expressar seus produtos (Zolla et al., 2008).

Os autores ainda verificaram que uma das novas proteínas expressadas (SSP 6711) corresponde a 50 kDa gama zeina, uma proteína alergênica bem conhecida. Além disso, várias proteínas de sementes de armazenamento (como globulinas e outras similares às vicilinas expressas no embrião) exibiram formas truncadas, apresentando massas moleculares significativamente menores que as proteínas nativas. [5]

Dois estudos de toxicidade oral aguda foram feitos em ratos (Kuhn, 1998 e Brooks, 2000), além de um estudo de alimentação de frangos (Zeph, 2000). No entanto, nenhum desses estudos foi publicado. O dossiê ainda não fornece “os resultados da avaliação da nutrição em animais experimentais por duas gerações”, bem como não foi informado “a duração dos experimentos”, como exigido pela RN 05. [5]

Não foi mencionado no dossiê nenhuma “conclusão de analises imunológicas” nos animais testados, conforme exigido pela RN 05. No que diz respeito as “analises histológicas”, não foi mencionado no dossiê quais tecidos foram analisados. [5]

Não foi apresentado no dossiê dados que dizem respeito ao metabolismo do glufosinato de amônio na PGM, considerando que essa PGM foi modificada para acumular o herbicida sem morrer. [5]

A analise de similaridade dos produtos de expressão do OGM com alérgenos conhecidos foi feita na base de busca de homologia de aminoácidos contíguos. Assim, podemos ler no dossiê, p. 86, que “Uma homologia significativa é aquela que registra uma identidade de seqüência de 8 ou mais aminoácidos contíguos”. Entretanto, essa afirmação não esta sustentada por nenhuma referencia bibliográfica ou por estudos. Desde há 7 anos atrás, as organizações internacionais WHO/FAO recomendaram que a análise comparativa deve ser feita 6 aminoácidos (WHO/FAO, 2001). Esta recomendação é advinda de evidências científicas (Spök et al., 2005; Metcalfe et al., 1996; Taylor & Hefle, 2002). [5]

Nesse mesmo ponto, que diz respeito aos riscos de alergenicidade, deve-se complementar também algumas informações importantes ligadas a biossegurança. Assim, está escrito no dossiê que “Em mais de 30 anos de uso comercial, não foram apresentados informações concretas de alergenicidade do B. Thuringiensis, incluindo alergias ocupacionais relacionadas com a fabricação de produtos que contém B. thuringiensis (EPA, 1995a)”. Esta afirmativa igualmente não tem base cientifica. Em primeiro lugar, provavelmente devido a antiguidade da referencia bibliográfica (já com 13 anos), essa afirmação não leva em consideração os estudos recentes que comprovaram respostas imunes à proteínas Cry, como o estudo de Kroghsbo et al. (2007) no caso de Cry1Ab e os estudos de Moreno-Fierros et al. (2002), Vazquez et al. (1999) e de Vazquez-Padron et al. (2000) no caso de Cry1Ac. Além disso, as formulações comerciais são totalmente diferentes da única toxina produzida pelo milho Herculex. Também é diferente o uso, pois enquanto a toxina Cry1F é produzida durante todo o tempo por todas as células da planta do milho Herculex, as formulações comerciais contendo B. thuringiensis são aplicadas esporadimaente sobre plantas e se degradam rapidamente no meio ambiente. [5]

Votação pela liberalização comercial do milho 1507 na CTNBio

Pessoas que votaram contra

Dra. Kenny Bonfim (Representante do Ministério da Saúde), Dra. Graziela Almeida da Silva ( Especialista na Area de Saúde do Ministério da Saúde), Dr. Leonardo Melgarejo (Representante do MDA), Dr. José Maria Gusman Ferraz (Ministério do Meio Ambiente), Dr. Rodrigo Roubach (Ministério da Pesca e Aquicultura).

Algumas pessoas que votaram a favor:

Maria Lúcia Zaidan Dagli– Recebeu o premio I PIC – Prêmio Impacto Científico da FMVZ – USP, 2005-2006, patrocinado por Bayer Saúde Animal e Novartis Saúde Animal Ltda, entre outros. [12]

João Lucio de Azevedo– O pesquisador é responsável docente pelo projeto de pesquisa sobre Microrganismos Endofíticos: Genética e Biologia Molecular, financiado pela empresa Monsanto. Prestou consultoria técnica à Monsanto em 1999. [12]

Giancarlo Pasquali, especialista na área de meio ambiente (UFRGS) Representa a URGS na Rede Genolyptus, constituída por universidades e empresas como Aracruz Celulose S.A., Klabin, Veracel Celulose S.A., Votorantim Celulose e Papel S.A., entre outros (a CTNBio já liberou 12 experimentos de campo com variedades transgênicas de eucalipto). Foi consultor técnico do Guia do Eucalipto, do CIB (que tem entre seus sócios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda), sobre eucalipto geneticamente modificado. O nome dele ainda consta como consultor da CIB. [12]

Luiz Antônio Barreto de Castro foi um dos coordenadores da equipe que celebrou o Contrato de Cooperação Técnica para desenvolvimento de cultivares de soja tolerante ao herbicida Roundup, em 1997, cujas instituições promotoras/financiadoras foram Embrapa e Monsanto. Em 2002, foi reeleito membro do conselho científico da Anbio, que tem entre seus sócios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda. [12]

Paulo Paes de Andrade– Consultor da ILSI no Brasil e faz parte da diretoria da AMBIO. A ILSI e AMBIO são financiados pela Monsanto, Dow, Syngenta, Bayer, etc.

Alexandre Lima Nepomuceno, especialista em biotecnologia (UEL), É co-autor do livro “Savanas, desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade, agronegócio e recursos naturais”, co-patrocinado pela Syngenta. É membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB, que tem entre seus sócios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda). [12]

Walter Colli– Consultor da ILSI no Brasil. A ILSI é financiada pela Monsanto, Dow, Syngenta, Bayer, etc.

Edilson Paiva—Pesquisador de transgênia da EMBRAPA. A EMBRAPA tem parcerias com a Monsanto, Syngenta, BASF, etc. [12] Ele disse aos jornais no passado que uma das vantagens da soja da Monsanto é que as pessoas podem até beber o veneno nela aplicado que não irão morrer. [13] Ele está se referindo ao herbicida Round up da Monsanto que hoje a Organização Mundial de Saúde considera como provavelmente cancerígeno aos humanos. [14,15] Ele também é contra a rotulagem de produtos contendo transgênicos e o princípio da precaução. [13]

Problemas Toxicológicos

A Pioneer apresentou inicialmente um estudo de ratos alimentados por 90 dias. A EFSA aceitou, mas tinha séria deficiências. Um pré-requisito para a realização de ensaios de alimentação apropriada é a utilização de linhas isogênicas como comparador. A EFSA disse que a empresa apenas usou uma variedade com semelhanças genéticas. Ensaios alimentares sem a possibilidade de comparar diretamente as plantas geneticamente modificadas com linhas isogênicas podem ser usados para esconder efeitos indesejados (Lorch & Cotter, 2005). O segundo problema desse estudo foi o baixo número de ratos usados. Eles usaram apenas cinco grupos de ratos (12 animais/sexo/grupo). O resultado não é válido a partir de um ponto de vista estatístico. (BAC, 200). O próprio governo holandês criticou o baixo número de ratos usado no experimento. O estudo mostrou uma queda significativa de certos tipos de células brancas que não foram analisados propriamente pela EFSA.

Depois a EFSA menciona um segundo estudo de 90 dias commisionado pela Pioneer (Mackenzie et al. 2007). O resultado deste estudo é interpretado pela EFSA como prova válida da segurança do milho 1507; EFSA aceitando assim pressupostos da Pioneer. Mas, Dona & Arvanitoyannis (2009), que fez uma análise mais aprofundada dos dados e cujo estudo foi revisado por pares (peer reviewed), apresenta resultados diferentes:

1. efeitos nas enzimas hepáticas: “Alterações também têm sido observadas em enzimas hepáticas após o consumo de arroz cru expressando lectina GNA (Poulsen et al., 2007), GM Bt com o gene de proteína insecticida vegetativo (Peng et al., 2007) e em estudo de alimentação subcrônico da DuPont em ratos alimentados com dietas contendo milho GM 1507 (MacKenzie et al., 2007). “ Estas alterações em células de hepatócitos e enzimas pode ser indicativo de dano hepatocelular “.

2. rins menores: “rins menores foram desenvolvidos no estudo da DuPont em ratos alimentados com dietas contendo milho GM 1507 (MacKenzie et al., 2007)”.

3. a diminuição do número de glóbulos vermelhos e um hematócrito alterado: O estudo da DuPont em ratos alimentados com dietas contendo milho GM 1507 mostraram uma diminuição na contagem de glóbulos vermelhos e hematócrito das fêmeas” “(MacKenzie et al, 2007).

4. a diminuição do número de determinados glóbulos brancos: “estudo de alimentação subcrônico da DuPont em ratos alimentados com dietas contendo milho GM 1507, mostrou que a concentração de eosinófilos no sexo feminino foi diminuída (MacKenzie et al., 2007)”.

As autoridades austríacas também questionaram a interpretação dos resultados de MacKenzie et al, 2007. [1]

Problemas Genéticos

No caso do TC1507, o método de transformação confirma sua imprecisão. Conforme mencionado pelos proponentes, o evento de transformação contém, além das sequências alvo, mais outras 14 sequências, cujas implicações não foram adequadamente estudadas até o momento (Sumário das Sequências Inseridas – Tabela 3, p. 46). [4]

Sabe-se que a engenharia genética faz com que fragmentos de genes adicionais sejam inseridos e rearranjos de porções do próprio DNA da planta. Na verdade, existem vários fragmentos adicionais não intencionais em TC1507 (EFSA, 2005), incluindo:

• Fragmento do gene Cry1F localizado no início (extremidade 5 ‘) do inserto pretendido.

• Fragmentos de outras partes dos genes inseridos incluindo fragmentos do plasmídeo, o gene pat, o promotor de ubiquitina de milho e a sequência de terminação.

• Fragmentos de DNA do cloroplasto. Desconhece-se onde esses fragmentos de genes não intencionais adicionais estão localizados dentro do genoma da planta, ou se eles interrompem os próprios genes da planta ou elementos reguladores. Estes fragmentos não pretendidos resultam em dois ORFs, que podem produzir RNA não intencional ou proteína nova ou alterada. A possibilidade de que estes fragmentos sejam expressos não foi descontada como um sinal fraco, indicando a presença de RNA não pretendido: “A análise de Northern não revelou expressão de ORF4, mas foi detectado um sinal fraco utilizando RT-PCR, o que também indicou que o RNAm detectado origina-se de um produto de leitura do gene cry1F. “(EFSA, 2005)

A EFSA considera que é” muito improvável “que qualquer proteína possa ser expressa a partir deste ORF. Entretanto, declarações semelhantes sobre a expressão dos fragmentos em soja Roundup Ready foram feitas em 2000 (Monsanto, 2000), mas posteriormente foram encontradas transcritas (Monsanto, 2002a, b). As consequências de cópias e fragmentos adicionais do gene inserido, sendo estes fragmentos expressos tanto quanto RNA, ou sendo expressos em conjunto com outros genes é extremamente difícil de prever. Potencialmente, qualquer RNA não intencional ou proteína nova ou alterada é uma consequência grave das irregularidades moleculares em 1507. A EFSA (2005) considera que qualquer proteína expressa a partir deste ORF não teria efeitos adversos porque não teria qualquer semelhança com “alergênicos conhecidos , tóxicas ou sensíveis ao glúten proteínas relacionadas com enteropatia”. No entanto, recentemente foi demonstrado que apenas pequenas alterações estruturais na estrutura das proteínas são necessárias para causar efeitos significativos na toxicidade (Prescott et al., 2005). Assim, qualquer proteína não intencional (ou proteína vegetal alterada) pode ser alergênica, mesmo que não tenha semelhança com alérgenos conhecidos. [2]

• A presença de uma cópia adicional do gene Cry1F foi detectada usando Southern blotting, mas não foi localizada ou caracterizada: “A digestão HindIII e a hibridação com a sonda cry1F resultaram em duas bandas: uma com tamanho de 3890 pb e uma segunda, representando um adicional cópia que é maior e estimada em ~ 4000 pb em tamanho. A hibridação do digestão HindIII com a sonda ubi resultou numa banda com um tamanho de 3890 pb e falhou de revelar o fragmento de ~ 4000 pb. De acordo com o requerente, isto indica que a região promotora está ausente nesta cópia adicional ou não está intacta. “Não é aceitável que uma cópia adicional de 4000 pb deste gene tenha sido detectada e que nenhum outro comentário é feito– apenas mencionando a sua presença e que lhe falta o promotor ubiquitina. Não é dada informação sobre a sua localização nem a sua possível interrupção da expressão de genes endógenos. [3]

Tóxina Cry1F inserida

O dossiê também informa que o gene pat inserido no TC1507 é uma versão sintética da seqüência do gene pat natural da bactéria Streptomyces viridochromogenes (Eckes et al., 1989), e que vários dos testes de toxicidade (mamíferos, organismos aquáticos, peixes, aves…) utilizaram proteínas Cry1F sintetizadas a partir de sua expressão natural (obtida de Bacillus thuringiensis var. azawai e da proteína completa Cry1F microbiana, MR872, expressa em Pseudomonas fluorescens) ao invés daquela encontrada no milho GM, que está sendo avaliado para fins de liberação comercial.

As proteínas Cry1F sintetizadas em bactérias não têm a mesma sequência primária das proteínas Cry1F sintetizadas no milho Herculex, exceto para os primeiros 605 amino-ácidos. Além disto, a proteína sintetizada no Herculex pode ser modificada com adição de fosfatos, N-acetylglucosamine e hexoses, o que pode modificar tanto a conformação da proteína (Ahmad et al., 2006) como suas características funcionais, inclusive no que diz respeito a seu potencial patogênico (Wang et al., 2007; Pang et al., 2007; Chen et al., 2006; Wells et al., 2004; Lüdemann et al., 2005). A situação é distinta no caso da proteína natural sintetizada em bactérias, que é incapaz de efetuar modificações pós-translacionais (Dennis et al., 2006).

As conseqências de uma modificação na proteína incluem a possibilidade de levar esta proteína a assumir outras funções, com implicações que neste momento não são conhecidas. Em outras palavras, o relevante aqui é que no caso dos genes Pat e Cry1F incorporados ao evento TC1507, estamos diante de proteínas distintas daquelas comumente encontradas no ambiente, se considerarmos sua condição natural. [4]

Referências

1) Testbiotech opinion concerning the application for market approval of genetically modified maize 1507 (DAS-Ø15Ø7-1)
https://www.testbiotech.org/…/Opinion%20Testbiotech%201507%…

2) EFSA fails again: insect resistant GM Bt maize 1507 (C/ES/01/01) should not be grown in Europe.
http://www.greenpeace.org/…/…/2008/10/pioneer-1507-maize.pdf

3) Assessment of the renewal of the current approval in EU under 1829/2003/EF of EFSA/GMO/RX-001 1507 maize
http://genok.no/wp-content/uploads/2015/…/GenOk_H_RX_001.pdf

4) Pedido de vista do Milho Herculex (evento 1507)– Dr. Melgarejo (membro da CTNBio)
http://ctnbio.mcti.gov.br/…/d14b7bbf-a680-47bc-acbf-0a7e50d…

5) Pedido de vista do Milho Herculex (evento 1507)– Dr. Paulo Kageyama (membro da CTNBio)

6) Parecer de pedido de vistas dos relatores Drs. Antonio Andriolli, Daniela Sanches Frozi, Suzi Barletto Cavalli (membros da CTNBio) para MIR604 e Bt11XMIR162XMIR604XGA21.

7) Dow-DuPont’s modified corn fails to control pest, scientists say
http://www.stltoday.com/…/article_cd6e2a18-74c3-5442-bff9-0…

8) Cry1F Crisis: Herculex Trait Fails Against Western Bean Cutworm
https://www.dtnpf.com/…/05/herculex-trait-fails-western-bea…

9) Recurso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA ao CNBS em face do Parecer Técnico nº 1255/2008, que aprovou a liberação comercial de milho transgênico, Bt 11, que expressa o gene cry1A(b), e o gene pat, publicada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio.

10) PARECER TÉCNICO– PROCESSO 012000.006065/2007-50 , Soja LL, Evento A2704-12
http://ctnbio.mcti.gov.br/…/fb8464cf-1c0a-4020-a4d7-e0c60eb…

11) Parecer de Pedido de Vistas do evento NK603XT25—Dr. Nodari

12) A ciência segundo a CTNBio
http://aspta.org.br/campanha/a-ciencia-segundo-a-ctnbio/

13) CTNBio estreia em 2010 de presidente novo e liberando tudo
http://terradedireitos.org.br/…/ctnbio-estreia-em-2010-de-…/

14) Ação da Monsanto cai em NY após agência da OMS alertar sobre glifosato
http://revistagloborural.globo.com/…/acao-da-monsanto-cai-e…

15) MPF/DF reforça pedido para que glifosato seja banido do mercado nacional
http://www.mpf.mp.br/…/mpf-df-reforca-pedido-para-que-glifo…

16) Gilles FERMENT. Levantamento e análise de estudos e dados técnicos referentes ao consumo de plantas transgênicas: o caso do NK603. Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. Julho/2013
http://aspta.org.br/…/08/Riscos-saude-NK603-gilles-jul2013.…

Fonte – AS.PTA

China deve aumentar supervisão sobre setor de sementes e lavouras transgênicas

A China irá aumentar a supervisão sobre o setor de sementes do país em 2017 após investigações terem encontrado no ano passado produção ilegal de sementes transgênicas de milho, disse o Ministério da Agricultura nesta sexta-feira.

A China não permite o plantio de nenhuma variedade transgênica de culturas de alimentos básicos, mas no ano passado o governo admitiu que diversos produtores haviam sido descobertos cultivando milho transgênico ilegalmente.

Em resposta, o governo exterminou quase 600 acres de milho transgênico da província de Shaanxi no ano passado, e destruiu mais de 1000 mu (163 acres) de milho em Xinjiang e Gansu.

Apesar de grandes campanhas para combater o problema, a produção das sementes ilegais e falsificadas ainda existe, ameaçando o desenvolvimento saudável da indústria, alertou o ministério em nota no seu site.

O governo pediu mais inspeções de amostras de sementes neste ano e maior cooperação entre as províncias para combater a venda de sementes falsas.

A supervisão e o teste de sementes deverão aumentar em importantes regiões produtoras de sementes como Gansu e Xinjiang, em especial, para prevenir o plantio ilegal de sementes transgênicas, acrescentou o ministério.

Fonte – Por Dominique Patton, Reuters de 10 de fevereiro de 2016

Maíz transgénico rompe con tradición de más de 4 mil años

Foto: Saúl López/ Cuartoscuro

Enrique Florescano, escritor homenajeado en la Feria Internacional del Libro de Guadalajara, comentó que las afectaciones del maíz transgénico no sólo son biológicas sino culturales.

En entrevista para Aristegui CNN, comentó que los transgénicos ponen al maíz “totalmente en riesgo desde el punto de vista biológico como alegan y sostienen muchos, de que biológicamente es un cambio radical en la estructura molecular y alimenticia del grano, pero culturalmente, porque ya no van a repetirse todos estos ciclos que estamos hablando de la misma manera, es decir, esa invasión externa rompe con toda la tradición de cuatro mil años de cultivo del maíz en Mesoamérica y naturalmente rompe con las tradiciones, la identidad que el campesino tiene con su planta, hay un dicho que dice ‘yo no vivo, del maíz, vivo para el maíz’, dicen los campesinos del centro de México”.

Al comentar sobre su libro “¿Cómo se hace un dios?”, destacó la relevancia del Dios del Maíz en gran parte del territorio mexicano y Centroamérica. “El maíz es uno de los factores de cultura y de identidad más profundamente arraigados en la sociedad mexicana de todos los tiempos”, afirmó.

Recordó que históricamente a nivel mundial “la religión ha sido desde siempre, desde los tiempos más antiguos, uno de los elementos más importantes de espiritualidad, de fe, de creencia y también de desatinos”.

“La religión ocupa un lugar primordial en la historia del pensamiento humano y está conectada indudablemente con la normatividad de la vida, la religión nos dicta normas, nos dicta prácticas de vida y nos dicta a quién y cuando debemos adorar, hacer el culto, bendecir y obedecer, por eso es tan importante y tan significativa porque norma la vida de todos los creyentes y les pone reglas fijas para conducirse en su interior, en el interior de su familiaridad y fuera de ella, así que por eso es tan importante la religión mundialmente y ha sido un fenómeno general”, agregó.

Florescano destacó que “en México lo tenemos desde los tiempos más antiguos, los olmecas empezaron a crear dioses, a inventar las formas como deben representarse” y que al principio eran seres celestes sin embargo poco a poco fueron adoptando formas humanas.

Comentó que la historia del Dios del Maíz se repite en varias culturas, “el Dios del maíz nace, muere en el inframundo con los dioses de Xibalbá, lo matan, lo asesinan, van, los hijos gemelos divinos, lo rescatan y aquí está saliendo del inframundo, gozoso bailando y cargando con él las mazorcas del maíz (…) este ciclo del Dios del Maíz, muerte y renacimiento y salida a la superficie terrestre es la parte que todas las culturas siguientes van a repetir y van a mostrar en pintura, escultura, grabado”.

El escritor relató los ritos que envuelven al Dios del Maíz. El rito de la siembra que congrega a toda la población campesina, se hace un hoyo en la tierra, sacrifican animales y después siembran ahí los primeros granos de maíz (…) En el rito del cultivo, la apisonan, la fortalecen, primera mazorca hay una gran fiesta, se hacen tamales y hay una celebración colectiva”.

Finalmente comentó que “el descubrimiento más importante del siglo XX, de los historiadores que estudian a la antigüedad mexicana, es descubrir que estos mitos, ritos del Dios del maíz siguen hoy vivos en los campesinos de toda la costa, desde Tuxpan por toda la costa del Golfo de México, entrando a la península de Yucatán y siguiendo hasta el interior de Guatemala, Belice, se repite exactamente el ciclo de muerte, lucha del Dios con los enemigos y triunfo final ayudado por los héroes gemelos para que el Dios renazca y surja en la superficie de la tierra convertido en planta y hay cantos y mitos y ritos que repiten exactamente pero como un espejo lo que se contaba, pintaba y relataba en la época clásica”.

Fonte – Aristegui Noticias de 12 de dezembro de 2016

EEUU: fracaso del maíz transgénico Herculex de Dow-Dupont

Dave Hensley

Los cultivos llamados Bt son capaces de producir ciertos tipos de toxinas (que en la naturaleza produciría una bacteria del suelo) con propiedades insecticidas. A diferencia de la utilización puntual de estos productos, mediante el uso de cultivos transgénicos Bt la toxina se está produciendo constantemente en todas las partes de la planta, por lo que los insectos acaban estando expuestos durante más tiempo y se acelera la aparición de resistencias. Esto es lo que lleva ocurriendo varios años con distintas plagas en EEUU (en maíz) e India (algodón): la apuesta de las empresas está siendo sacar al mercado variedades que acumulan cada vez más tipos distintos de insecticidas, lo que empeora el problema y hace a los agricultores cada vez más dependientes de sus productos.

En esta ocasión ha sido el maíz Herculex, de la empresa Dow Dupont, el que ha empezado a fallar, haciendo que productores de maíz de varios estados norteamericanos sufran pérdidas en sus cosechas de maíz. Seis entomólogos de distintas universidades han contactado con agricultores de estas regiones, recogiendo sus conclusiones en una carta abierta a las empresas semilleras.

Según un grupo de expertos en insectos, Dow Chemical Co. y DuPont Co. no están siendo capaces de cumplir las promesas que hicieron al comenzar a comercializar su nuevo maíz transgénico, que, según decían, evitaría que un tipo de gusano dañino para el maíz se alimentara de este.

Estos seis entomólogos procedentes de Michigan, Indiana, Ohio, Nueva York y Pensilvania afirman que el maíz que contiene el rasgo Herculex no es capaz de controlar al gusano cortador occidental del frijol (Striacosta albicosta). Es por esto que han escrito una carta abierta a la industria semillera”, publicada la semana pasada en la página web de la Universidad Purdue. Los investigadores urgen a las empresas semilleras a dejar de publicitar el Herculex como método de control de esta plaga, para evitar engañar a los agricultores con una falsa sensación de seguridad.

“La gente está frustrada y enfadada y, lo que es más importante, se ha perdido la producción” escribieron en el Purdue’s Pest & Crop Newsletter. “Antes de que los agricultores tomen decisiones para 2017, instamos una vez más a la industria semillera a reconocer la realidad de lo que está pasando en el campo.”

DuPont modificó la evaluación de la eficacia del Herculex sobre este gusano cortador en su Guía de Uso de Productos, pasando de “muy buena” en la temporada 2016 a “moderada” en 2017. Según su portavoz Sharly Sauer, esta modificación se hizo antes de que la empresa supiese de la existencia de la carta de los científicos.

Las mayores infestaciones de insectos y la “reducción de la sensibilidad” al rasgo insecticida han hecho que los daños sobre el maíz aumenten recientemente, declaró Dow el pasado miércoles en un email. Los agricultores necesitan tomar medidas adicionales para controlar esta plaga, incluida la posible pulverización de otros insecticidas, indicaron tanto DuPont como Dow en comunicados separados.

Plagas resistentes

Hay otros cultivos modificados genéticamente que han perdido efectividad con los años. En el gusano de la raíz del maíz (Diabrotica virgifera) hace ya años que han aparecido también resistencias al maíz YieldGard de Monsanto. Y esta es sólo una de las cinco grandes plagas que han sido capaces de vencer a los insecticidas producidos por el maíz y algodón transgénicos. Estos cultivos producen proteínas insecticidas derivadas de Bacillus thuringiensis, o Bt, una bacteria del suelo capaz de reemplazar a los insecticidas de síntesis. La proteína Bt que está dando problemas en el maíz Herculex se llama Cry1F.

“Cry1F ha fracasado en nuestros estados”, escribieron los entomólogos. “Para los agricultores de estas regiones, los costes de monitorear y pulverizar el maíz Cry1F hacen que ya no tenga sentido haber comprado un híbrido que contuviera ese rasgo.”

Los autores de la carta investigaron la eficacia del rasgo mediante “docenas de e-mails y llamadas telefónicas”, afirmaron.

El gusano cortador occidental del frijol se alimenta del grano de maíz. Si no se tratan, pueden provocar el crecimiento de hongos y la aparición de niveles elevados de micotoxinas. Herculex se vende como método de control para otros ocho insectos.

Los que también están fallando son los cultivos Roundup Ready de Monsanto, diseñados para tolerar la pulverización con el herbicida Roundup (basado en glifosato). Como cada vez más malas hierbas son capaces de soportar también el Roundup, la empresa ha desarrollado cultivos que son también capaces de tolerar el herbicida dicamba, que compite con el patentado por Dow, basado en el herbicida 2,4-D.

Fontes – Jack Kaskey, Bloomberg / Observatorio OMG de 19 de outubro de 2016

Leia as matérias nos hiperlinks. Muita informação importante de como os transgênicos são uma enganação. Citando aquele filme de dinossauros, “a natureza sempre encontra um meio”.

Venenoso Cartel de OGM na Índia

Dr. Vandana Shiva - Diretora Executiva da Navdanya TrustDr. Vandana Shiva – Diretora Executiva da Navdanya Trust

A Índia é rica em sintetizar controvérsias criadas pela Monsanto na primeira safra de OGM, supostamente aprovada para comercialização.

Engajada em litígio em muitas frentes, a Monsanto  tentou subverter nossas leis de patentes: Protection of Plant Variety and Farmers Right Act, Essential Commodities Act e Competition Act.

Ela está se comportando como se não houvesse nenhum Parlamento, nenhuma democracia, nenhuma lei soberana na Índia a que se encontra sujeito. Ou ela, simplesmente, não demonstra  qualquer respeito por eles.

Em outro teatro, Monsanto e Bayer estão se fundindo. Eles serão como um MoBay (MonsantoBayer), parte do cartel veneno da I.G. Farben. As participações de controle de ambas as empresas se encontram com as mesmas empresas de private equity. A experiência dessas empresas está na guerra.

IG FarbenIG Farben

“A IG Farben foi um conglomerado de empresas formado em 1925  durante a Primeira Guerra Mundial: AGFA, Casella, BASF, Bayer, Hoechs e várias outras, menores.

Devido à gravidade dos crimes cometidos pela IG Farben durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa foi considerada demasiado corrupta para continuar a existindo. Os aliados ocidentais no entanto, em 1951, dividiram a empresa em sua versão original até as empresas constituintes. Atualmente só a Agfa, a BASF, Hoechst (Conglomerado Sanofi-Aventis) e a Bayer continuam existindo.”

I.G. Farben, potência econômica e pré-guerra da Alemanha maior fonte de divisas de Adolf Hitler, foi também uma operação de inteligência estrangeira. Hermann Schmitz foi presidente da I.G., o sobrinho de Schmitz, Max Ilgner foi diretor da I.G. Farben, enquanto o irmão de Max Rudolph Ilgner correu para o  braço de Nova York como vice-presidente da Chemnyco.

Paul Warburg, irmão de Max Warburg (conselho de administração, Farben Aufsichtsrat), fundou o Sistema da Reserva Federal dos EUA. Max Warburg e Hermann Schmitz desempenharam um papel central para o império Farben.

Outras “mãos orientadoras” da Farben Vorstand, incluiram Carl Bosch, Fritz ter Meer, Kurt Oppenheim e George von Schnitzler.

Cada um deles foi julgado  como “criminoso de guerra” após a Segunda Guerra Mundial, exceto Paul Warburg.

Monsanto e Bayer têm uma longa história. Eles fizeram explosivos e gases venenosos letalmente utilizando tecnologias compartilhadas e vendeu-os a ambos os lados nas duas guerras mundiais.

Os mesmos produtos químicos de guerra foram comprados pelos poderes Aliados e do Eixo, dos mesmos fabricantes, com dinheiro emprestado do mesmo banco.

Efeitos “devastadores” no corpo humano do Agente Laranja

“O Agente laranja é uma mistura de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T. Foi usado como desfolhante pelo exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.”

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MoBay [ Monsanto & Bayer ] forneciam ingredientes para o Agente Laranja na Guerra do Vietnã. Cerca de 20 milhões de galões de desfolhantes e herbicidas mobay foram pulverizados sobre o Vietnã do Sul.

As crianças ainda estão nascendo com defeitos congênitos, os adultos têm doenças e câncer crônico, devido à sua exposição a produtos químicos da Mobay.

A resistência ao Agente Laranja, arma licenciada da Monsanto e da Bayer, acabou desenvolvendo uma espécie de cruzada ao longo de décadas.

Guerras foram travadas, vidas perdidas, nações e terras devastadas  – deixando –as com fronteiras artificiais que se equiparam a colonização, enquanto Bayer e Monsanto vendiam produtos químicos, como bombas e venenos a seus irmãos, ao mesmo tempo que davam empréstimos aos outros para comprarem essas mesmas bombas.

Recentemente, a Bayer CropScience AG e a Monsanto entraram em uma relação comercial de longo prazo.

Isto dá a Monsanto e a Bayer acesso gratuito ao herbicida um do outro e, paralelamente, a tecnologia de resistência ao herbicida.

Através do licenciamento cruzado de acordos, fusões e aquisições, a indústria da biotecnologia tornou-se o I.G. Farben de hoje, com a Monsanto na cabine de comando.

A Global Química e GMO,   Bayer, Dow Agro, DuPont Pioneer, Mahyco, Monsanto e Syngenta  –  se uniram para formar um Cartel: a Federação da Indústria das Sementes da índia (FSII) tornando-se os maiores vilões neste assalto a agricultores da Índia, meio ambiente e as leis que protegem o público e o interesse nacional democraticamente-moldado.

Isto é, além da Associação de Biotecnologia-Led Enterprises (ABLE), que tentou desafiar o fim para o controle de preços de sementes na Índia, emitindo Commodities Essenciais e virando ação  no Tribunal Superior  de Karnataka. O caso foi arquivado.

O novo grupo não se trata de  “indústrias de sementes”; eles não produzem sementes.

Eles tentam esticar as patentes de produtos químicos para reclamar a propriedade sobre as sementes, mesmo em países onde as patentes sobre sementes e plantas não são permitidos.

Este é o caso da Índia, Argentina, Brasil, México e muitos outros países.

Todos os casos da Monsanto na Índia estão relacionados com a Monsanto científica, de forma ilegal e ilegitimamente reivindicando patentes de sementes, em desprezo as leis da Índia, tentando recolher royalties da indústria de sementes indiana e de seus agricultores.

O FSII (Federação da Indústria de Sementes da índia ) é uma espécie de “I.G. Reunião da família Farben – 100 anos”, uma junção de entidades independentes e autônomas.

O cartel químico da família Farben foi responsável pelo extermínio de pessoas nos campos de concentração. Ele representa um século de ecocídio e genocídio, levado a cabo em nome da experimentação científica e inovação.

Hoje, o cartel de veneno  usa roupas de Engenharia e canta o mantra de “inovação” – nauseam!

Os campos de concentração de Hitler eram uma “inovação” da morte; e quase um século mais tarde, a família Farben está realizando o mesmo extermínio: silenciosa e globalmente e de forma eficiente.

A “Inovação” da Monsanto de cobrar direitos ilegais – empurrando os agricultores indianos para o suicídio também é uma inovação em matar sem responsabilidade, indiretamente.

Só porque há uma nova maneira de matar não faz de matar ser algo direito.

“Inovação”, como qualquer atividade humana, tem limites-definidos pela ética, a justiça, a democracia, os direitos das pessoas e da natureza.

Não há razão para que a Índia  enfrente Fome, Commodities  e Suicídio !

O – I.G. Farben –  foi julgado em Nuremberg. Temos leis nacionais para proteger as pessoas, o seu direito à vida e à saúde pública e ao meio ambiente.

Leis de biossegurança e de patentes da Índia e Lei das Variedades Vegetais são projetadas para regular os proprietários gananciosos de corporações com uma história de crimes contra a natureza e a humanidade.

A indústria está se preparando para empurrar a sua próxima “experiência genética”, a mostarda OGM ou mostarda transgênica (DMH-11).

A mostarda  OGM/Transgênica, sendo promovida para o setor público como  “inovação”, é baseado no sistema / barstar (denominação da patente).

Gene barstar cria plantas masculinas estéreis e um gene bar para resistência ao glufosinato.

Em 2002, a aplicação da Pro-Agro (Bayer) para a aprovação do plantio comercial de mostarda OGM baseada no mesmo sistema foi recusado.

Embora proibido na Índia, a Bayer encontra maneiras de vender glufosinato ilegalmente para jardins de chá de Assam e os pomares de maçã de Himachal Pradesh.

Agentes de vendas mostram a venda de glufosinato sob a rubrica “outros” para evitar a regulamentação.

Estes produtos químicos estão encontrando seu caminho para os corpos de nossos filhos sem a aprovação do governo.

Essencialmente, todas as patentes-chave relacionadas com o gene bar são realizadas pela Bayer Crop Science, que adquiriu a Aventis Cropscience, que em si foi criada a partir das divisões de engenharia genética da Schering, Rhone Poulenc e Hoechst.

Então Bayer adquiriu Plant Genetic Systems e entrou em acordo de cooperação com Evogene, que tem patentes sobre mapeamento do genoma.

Antes de qualquer aprovação ser concedida a mostarda geneticamente modificada, a questão dos limites da patenteabilidade precisa ser resolvida com base em leis e patentes indianas sobre as plantas e sementes e métodos de agricultura que não são permitidos.

Deepak Pental não comercializará sementes de mostarda transgênicas. Já seus oficiais da Bayer / Monsanto MoBay  – irão.

Dada a nossa experiência com o algodão Transgênico, o Ministério do Meio Ambiente e Florestal está considerando a opção de colocar diretrizes para a avaliação sócio-econômica, para julgar as variedades de OGM (Transgênicos) e suas  propostas, com base em fatores como a economia, saúde, meio ambiente, sociedade e cultura.

O núcleo de avaliação socioeconômica será a questão dos monopólios e cartéis, e seu impacto sobre os pequenos agricultores.

Apesar de as patentes sobre as sementes não serem permitidas, há mais de uma década e meia, a Monsanto tem extraído royalties ilegais de agricultores indianos, aprisionando-os em dívidas e desencadeando uma epidemia de suicídios de agricultores.

A guerra da Monsanto está no pé da Índia entre  soldados-agricultores, uma guerra sendo travada pela família Farben, dentro da nossa família, chamada Terra!

Fontes – Vandana Shiva / ECOWATCH / Nosso Foco