Até onde se vai com resíduos de agrotóxicos nas plantas

agrotóxidos: pulverização aérea

MIRANDA e BORGES (2014) fazem avaliação da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos no distrito federal, entre 2009 e 2012, encontrando médias entre 20 e 40% de amostras insatisfatórias em relação ao total analisado. Nas amostras insatisfatórias foram encontrados 08 ingredientes ativos de agrotóxicos que estão em reavaliação toxicológica ou em fase de descontinuidade programada pela ANVISA.

Adicionalmente, em todas as amostras insatisfatórias foram encontrados diversos agrotóxicos não autorizados para aquelas culturas em avaliação. Diante dos resultados, houve diagnosticar a necessidade de ampliação e detalhamento do programa nas unidades federativas, um maior controle e fiscalização do uso e consumo de agrotóxicos e a implantação de sistemas agroecológicos como alternativa ao uso de agrotóxicos na produção agrícola.

MIRANDA e BORGES (2014) asseveram que a segurança alimentar e nutricional é um direito humano que consiste no “acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente”, devendo ser garantido “sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais” por intermédio de práticas que promovam a saúde e a sustentabilidade (BRASIL, 2006).

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo conforme GASQUES et al., 2010, mas por causa da pobreza de uma grande parcela da população segundo HOFFMANN, 2008, e do uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos registrada por LONDRES, 2011, se constata no país um quadro preocupante de insegurança alimentar. Em relação aos agrotóxicos, o poder público vem tomando uma série de medidas para minimizar os danos causados pelo seu uso abusivo.

Uma delas é a implantação do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), em operação desde 2001, o qual vem cumprindo um importante papel na divulgação de informações sobre a qualidade dos alimentos que o brasileiro consome, principalmente sobre a quantidade e qualidade dos agrotóxicos presentes. O PARA tem por objetivo diagnosticar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos comercializados no varejo em relação a quantidade de resíduos, se ocorre enquadramento destes estão dentro dos “Limites Máximos de Resíduos” estabelecidos para cada cultura pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), e se os resíduos encontrados são de agrotóxicos registrados e autorizados para a cultura no país (ANVISA, 2013).

No Distrito Federal (DF), o programa “PARA” atua desde sua criação. Nestes anos, a repercussão das análises foi decisiva para que houvesse uma maior pressão da sociedade sobre a fiscalização da atividade agropecuária, especialmente o uso de agrotóxicos. É importante ressaltar que a legislação do distrito federal sobre agrotóxicos é considerada uma das mais avançadas do país. Entre outras peculiaridades, a pulverização aérea foi proibida no território entre 1994 e 1998, mas a lei nº 2.124/98 flexibilizou a atividade, permitindo a ação em casos excepcionais (DISTRITO FEDERAL, 1998)

MIRANDA e BORGES (2014) destacam que o objetivo de seu trabalho foi avaliar os dados disponíveis do PARA no Distrito Federal entre os anos de 2009 e 2010, refletindo sobre os obstáculos para assegurar a segurança alimentar e nutricional da população e o papel do poder público na fiscalização da atividade agropecuária.

É importante mencionar que, embora não seja detectada amostra insatisfatória em determinada cultura, isto não quer dizer que o alimento está isento de agrotóxicos. Nestes casos, a quantidade de resíduos encontra-se dentro dos limites máximos estabelecidos (ANVISA, 2013).

Outro fator limitante é a capacidade dos laboratórios credenciados, com poucos ingredientes ativos passiveis de detecção (LONDRES, 2011). Segundo o Decreto Federal nº 4.074 (BRASIL, 2002), no âmbito de suas respectivas áreas de competência, cabe aos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Saúde e do Meio Ambiente “promover a reavaliação de registros de agrotóxicos, seus componentes e afins” sempre que surgirem indícios de riscos ou irregularidades no processo de registro (BRASIL, 2002). Desde 2002 a ANVISA realiza diversos procedimentos de reavaliação. Em 2008 foram colocados 14 ingredientes ativos em análise, em geral por apresentarem indícios de elevada toxidade e potencial dano à saúde ou ao meio ambiente.

Considerando somente as culturas com amostras insatisfatórias no Distrito Federal, foram encontrados os seguintes ingredientes ativos na situação citada, Abamectina, Acefato, Carbofurano, Endossulfam, Fosmete, Metamidofós, Parationa-metílica e Triclorfom. OTriclorfom já havia sido banido do país quando foi encontrado em amostras de laranja em 2012 conforme registro de LONDRES, 2011.

Em todas as amostras consideradas insatisfatórias foram encontrados agrotóxicos não autorizados para a cultura. Segunda a ANVISA (2009) agrotóxicos com ingredientes ativos em reavaliação continuam sendo importados e utilizados em larga escala, o que pode ser atribuído a incerteza de seu aproveitamento em um futuro próximo. Esta prática ilegal é lesiva ao direito à segurança alimentar e nutricional.

O uso de agrotóxicos não autorizados tem uma segunda consequência considerada grave que é o aumento do risco de consumo dos resíduos através dos alimentos, tendo em vista que não foram feitos os testes de segurança necessários para a utilização nas culturas (ANVISA, 2009). Pelo que se tem se depreendido de reflexões aqui explicitadas, já são testes passíveis de grandes contestações. Não são menos importantes, mas seguem raciocínios lineares nem sempre adotados por sistemas naturais.

Por outro lado, a presença de agrotóxicos não autorizados pode ser parcialmente explicada em culturas com suporte fitossanitário insuficiente, que possuem poucos ou nenhum dos ingredientes ativo autorizado para ela (ANVISA, 2009). Se não tem veneno apropriado se usa qualquer substância e aconteça o que houver. Bela forma de raciocínio.

MIRANDA e BORGES (2014) asseveram que existe um esforço dos órgãos responsáveis pela avaliação e controle dos agrotóxicos no Brasil para que haja mais registros de agrotóxicos para estas culturas, em ação que não é recomendada (LONDRES, 2011).

Segundo ALTIERI (2012), a melhor forma de produzir alimentos saudáveis é através da agroecologia, a qual fornece soluções viáveis para o controle de “pragas” na produção agrícola. Diante dos resultados do PARA, diversos governos estatuais e municipais vem implantando programas de avaliação próprios e realizando ações para identificar a origem das amostras que subsidiaram as análises.

No Distrito Federal, embora ainda não tenha sido criado um programa específico para controle eficaz e eficiente dos agrotóxicos, a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural lançou o programa “Produzir”, no qual consta a implantação do monitoramento de resíduos de agrotóxicos em hortaliças (SEAGRI, 2011).

Em outro material da Secretaria (SEAGRI, 2012), é informado que, em resposta aos resultados do PARA no DF, o Núcleo de Fiscalização de Insumos Agrícolas vem realizando diversas ações “para coibir o uso irregular de agrotóxicos e substâncias afins”. São atividades fiscalizatórias em estabelecimentos e em áreas de produção de alimentos. No entanto, desde 2011, não há mais informações públicas sobre as ações do Núcleo.

MIRANDA e BORGES (2014) registram que pela sua comprovada importância, o PARA deve ser ampliado e detalhado para as unidades federativas, de forma que sejam tomadas as medidas cabíveis para solucionar os problemas encontrados.

Os resultados obtidos no programa “PARA” no Distrito Federal são alarmantes, com alimentos apresentando altos índices de resíduos de agrotóxicos, o que implica na necessidade de maior controle e fiscalização do uso e consumo de agrotóxicos no território. Bem como execução de esforço governamental e da sociedade para implantar soluções agroecológicas ao invés do uso de agrotóxicos na produção agrícola, criando condições efetivas para a segurança alimentar e nutricional da população.

Cabe encerrar realizando reflexão e questionando. Se aguarda a ocorrência de uma tragédia para adotar soluções adequadas para solucionar esta situação cotidiana?

Referências

ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Rio de Janeiro: Expressão Popular, 2012. 400p.

ANVISA – AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. PARA – relatório de atividades de 2011 e 2012. Brasília:

ANVISA, 2013. 44p. ______. PARA – relatório de atividades de 2010. Brasília:

ANVISA, 2011. 26p. ______. PARA – relatório de atividades de 2009. Brasília:

ANVISA, 2010. 22p. ______. PARA – nota técnica para divulgação dos resultados do PARA de 2008. Brasília: ANVISA, 2009. 12p.

BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Diário Oficial da União, Brasília, 18 set. 2006.

BRASIL. Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, 8 jan. 2002

DISTRITO FEDERAL. Lei nº 2.124, de 12 de novembro 1998. Diário Oficial do Distrito Federal, Brasília, 29 dez. 1998.

GASQUES, J. G.; VIEIRA FILHO, J. E. R.; NAVARRO, Z. (orgs.). A agricultura brasileira: desempenho, desafios e perspectivas. Brasília: IPEA, 2010.

HOFFMANN, R. Determinantes da insegurança alimentar no Brasil: análise dos dados da PNAD de 2004. Segurança Alimentar e Nutricional, v.15, p.49-61, 2008.

LONDRES, F. Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa da vida. Rio de Janeiro: AS-PTA, 2011. 200p.

SEAGRI – SECRETARIA DE AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA. (2012). Disponível em: Acesso em: 28 jun. 2014.

SEAGRI – SECRETARIA DE AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL. Produzir. (2011). Disponível em: Acesso em: 28 jun. 2014.

SESA – SECRETÁRIA DE ESTADO DE SÁUDE. Resolução nº 0217, de 2 de setembro de 2011. Diário Resumos do IV Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno – Brasília/DF – 07 a 09/10/2014 Cadernos de Agroecologia – ISSN 2236-7934 – Vol. 9, No. 3, 2014 Oficial do Estado do Paraná, n° 8550, 16 set. 2011; SESA –

SECRETÁRIA DE ESTADO DE SÁUDE. Portaria, nº 6.462, de 20 de novembro de 2009. Diário Oficial do Estado do Ceará, 27 nov. 2009. p.52, cad.2.

MIRANDA, Fábio dos Santos; BORGES, Barbara Loureiro, Resíduos de agrotóxicos em alimentos: onde vamos parar? Resumos do IV Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno – Brasília/DF – 07 a 09/10/2014 Cadernos de Agroecologia – ISSN 2236-7934 – Vol. 9, No. 3, 2014

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte – EcoDebate de 04 de abril de 2017

Sinais e Sintomas de Envenenamento por Agrotóxicos

Sempre ocorre lembrar que as pessoas leigas e que exercem as mais variadas atividades, não podem ser expostas a reflexão similar a sintomatologia encontrada em sites especializados em medicina.

Mas buscar determinar a ação dos agrotóxicos sobre a saúde humana, que costuma ser deletéria e muitas vezes fatal, provocando desde náuseas, tonteiras, dores de cabeça ou alergias até lesões renais e hepáticas, cânceres, alterações genéticas e doença de Parkinson, merece abordagem, ainda que pareça catastrofista.

Essa ação pode ser sentida logo após o contato com o produto, os chamados efeitos agudos ou após semanas ou até anos, quando são os efeitos crônicos que muitas vezes requerem exames sofisticados para a sua identificação.

Sintomas de intoxicação podem não aparecer de imediato. Deve-se prestar atenção à possível ocorrência desses sintomas, para que possam ser relatados com precisão. O agricultor intoxicado pode apresentar irritação ou nervosismo; ansiedade e angústia; fala com frases desconexas; tremores no corpo; indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, alterações visuais e salivação e sudorese aumentados.

Podem ser afetado por náuseas, vômitos, cólicas abdominais; respiração difícil, com dores no peito e falta de ar; queimaduras e alterações da pele; dores pelo corpo inteiro, em especial nos braços, nas pernas, no peito; irritação de nariz, garganta e olhos, provocando tosse e lágrimas; urina alterada, seja na quantidade ou cor e convulsões ou ataques.

A pessoa cai no chão, soltando saliva em grande quantidade, com movimentos desencadeados de braços e pernas, sem entender o que está acontecendo.

Todos os indivíduos estão expostos ao consumo de resíduos de agrotóxicos e sempre, de alguma forma, se determinam riscos, ainda que muito reduzidos.

É preciso salientar que sintomas inespecíficos como dor de cabeça, vertigens, falta de apetite, falta de forças, nervosismo e dificuldade para dormir, presentes em diversas patologias, frequentemente são as únicas manifestações da intoxicação por agrotóxicos, razão pela qual raramente se estabelece esta suspeita diagnóstica.

A presença desses sintomas em pessoas com história de exposição a agrotóxicos deve conduzir à investigação diagnóstica de intoxicação. É importante lembrar também que enfermidades podem ter outras causas, além dos produtos envolvidos. Um tratamento equivocado pode piorar as condições da pessoa enferma.

As hortaliças e as culturas do tomate, morango, batata e fumo utilizam agrotóxicos conhecidos como organofosforados e ditiocarbamatos, que são considerados como os prováveis causadores das doenças neuro-comportamentais como depressão e o consequente suicídio.

As intoxicações podem causar lesões cerebrais e consequentes problemas de locomoção e comportamento, além de depressão profunda e sintomas de esquizofrenia, que tem sido relatada na literatura como um dos desfechos de intoxicação crônica por organofosforado, segundo o epidemiologista Lenine A. Carvalho.

As contaminações por organoclorados podem se iniciar logo após o acidente ou em curto espaço de tempo. Em casos de inalação, podem ocorrer sintomas específicos, como tosse, rouquidão, irritação de garganta, coriza, dificuldade respiratória, hipertensão arterial, pneumonia por irritação química, edema pulmonar.

Em casos de intoxicação aguda, por atuarem no sistema nervoso central, impedindo a transmissão nervosa normal.

Podem ocorrer estimulações do sistema nervoso central e hiperirritabilidade, cefaleia que não cede aos analgésicos comuns, sensação de cansaço, mal estar, náuseas e vertigens com confusão mental passageira e transpiração fria, redução da sensibilidade na língua, lábio, face e mãos, contrações musculares involuntárias, perdas de apetite e peso, tremores, lesões hepáticas e renais e crise convulsiva com coma.

Não há intenção de ser catastrofista, mas todos os indivíduos estão expostos e podem ser vitimados por estas intoxicações. Ainda que se determinem riscos reduzidos de ocorrência destas efemérides.

A confirmação de exposição aos organoclorados poderá ser feita através de dosagem do teor de resíduos no sangue, utilizando cromatografia em fase gasosa. A simples presença de resíduos no sangue não indica intoxicação, mas é a concentração que confirma os resultados.

Os organofosforados e carbamatos causam suor e salivação abundante, lacrimejamento, debilidade, cefaleia, tontura e vertigens, perda de apetite, dores de estômago, visão turva, tosse com expectoração clara, possíveis casos de irritação na pele por organofosforados.

Com pupilas contraídas e não reativas à luz, geram náuseas, vômitos e cólicas abdominais, diarreia e dificuldade respiratória. Os carbamatos produzem contraturas musculares e cãibras, opressão torácica, confusão mental, perda de sono, redução da frequência cardíaca e crises convulsivas e nos casos graves, estados de coma e paradas cardíacas, que são causas frequentes de óbitos.

No Sul do País os agrotóxicos são largamente utilizados na cultura do fumo e estão associados ao elevado índice de suicídios na cidade de Venâncio Aires no Rio Grande do Sul, que chegou a atingir 37 casos para cem habitantes, quando no Estado, o índice é de 8 para cem mil.

Estudos conduzidos no Rio Grande do Sul mostraram que os agrotóxicos organofosforados causam sequelas neurológicas após intoxicação aguda ou devido a exposição crônica.
Causam síndromes intermediárias, como paralisia dos músculos do pescoço, perna e pulmão, além de diarreia intensa que ocorre de um a quatro dias após o envenenamento e apresenta risco de morte devido a depressão respiratória associada. São causadas por Fenthion, Dimethoate, Monocrotophos e Metamidophos.

Os piretróides, embora pouco tóxicos do ponto de vista agudo, são irritantes para os olhos e mucosas, causando tanto alergias de pele como coceira intensa e manchas. Também como crises de asma brônquica ou dificuldade respiratória, espirros, secreção e obstrução nasal.

Em exposições ocupacionais a altas concentrações, algumas pessoas relatam sensação de adormecimento ou “formigamento” das pálpebras e ao redor da boca. Uma sensação semelhante à do anestésico usado por dentistas, que desaparece espontaneamente em poucas horas. Não existem provas laboratoriais específicas para dosar resíduos ou efeitos de piretróides no organismo humano ou animal.

Então mais do que nunca, é lícita a preocupação com os chamados agrotóxicos e a busca de uma alimentação isenta destas substâncias deletérias.

Dosagens reduzidas de agrotóxicos, defensivos agrícolas ou outras substâncias químicas em proporções ou concentrações reduzidas, parecem apenas incapazes de produzir malefícios detectáveis.

Conforme conta a lenda ou a mitologia grega, a ninguém ocorreu perguntar ao filósofo Sócrates qual é a dosagem segura de cicuta, depois que sua vida se extinguiu.

Referência

http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/vene3.htm

Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte – EcoDebate de 25 de abril de 2017

Suprema Corte dos EUA revela que gerente da Monsanto encobriu provas relacionando o câncer ao uso de glifosato e PCBs

George Levinskas, antigo gerente da Monsanto, o mesmo que ajudou a esconder o potencial carcinogênico do DDT na década de 1970, parece ter também influenciado a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) em relação ao herbicida mais utilizado no mundo – o glifosato – nos anos 80, segundo documentos revelados pelo tribunal da Califórnia, nesta terça-feira (19).

Em março de 2015, o site Sustainable Pulse descobriu que, durante 30 anos, tanto a Monsanto quanto a EPA esconderam o provável potencial carcinogênico do herbicida mais utilizado no mundo – o glifosato. Esta omissão foi agora confirmada por documentos divulgados pelo Tribunal do Distrito dos EUA em São Francisco.

O US Right to Know (USRTK) informou nesta quarta-feira que mais de 50 ações judiciais contra a Monsanto estão pendentes no Tribunal de São Francisco, apresentadas por pessoas que alegam que a exposição ao Roundup, um herbicida à base de glifosato, causou a eles ou a seus familiares o linfoma não-Hodgkin, e dizem que a Monsanto encobriu os riscos.

No dia 13 de março de 2017, o juiz distrital dos Estados Unidos, Vince Chhabria, determinou –– sob as objeções da Monsanto – que os documentos obtidos nesta descoberta pudessem ser revelados.

Os documentos divulgados evidenciam como a Monsanto influenciou a EPA a alterar a classificação de 4 de março de 1985, do glifosato como carcinogênico de Classe C – mostrando potencial sugestivo de potencial carcinogênico – para a classe E, que sugere “não-carcinogenicidade para humanos”, em 1991.

Esta alteração na classificação do glifosato ocorreu durante o mesmo período em que a Monsanto desenvolvia suas primeiras colheitas transgênica de sementes resistentes ao glifosato – Roundup-Ready.

Logo após a descoberta, por parte da Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC), de que o glifosato causa câncer, em março de 2015, o Sustainable Pulse descobriu documentos da EPA de 1991 que mostram como a Monsanto financiou um estudo de segurança a longo prazo com glifosato em camundongos, que, segundo os especialistas da EPA, revelava o alto risco de uso da substância, foi “revisado” inúmeras vezes até que misteriosamente não mostrasse nenhum potencial cancerígeno.

A razão para a revisão e à mudança na classificação do glifosato em 1991, por parte da EPA, era desconhecida até esta semana. Agora, porém, ficou claro que a EPA foi fortemente influenciada pela Monsanto durante o processo de reclassificação.

O Homem da omissão da Monsanto: Dr. George Levinskas

O Dr. George Levinskas, começou a trabalhar na Monsanto em 1971 e tornou-se Diretor de Avaliação Ambiental e Toxicologia, foi um dos principais agentes na cobertura do potencial carcinogênico dos DDTs proibidos na década de 1970.

A Monsanto começou a encomendar estudos de toxicidade animal em PCBs no início dos anos 70, mas os resultados não foram bem. “Nossa interpretação é que os PCBs estão exibindo um maior grau de toxicidade neste estudo do que tínhamos previsto”, escreveu um executivo.

Em 1975, um laboratório apresentou seus resultados de um estudo usando ratos. Um esboço antecipado dizia que, em alguns casos, os PCBs haviam causado tumores. O Dr. Levinskas escreveu ao diretor do laboratório: “Podemos solicitar que o relatório seja alterado para dizer ‘não parece ser cancerígeno’”. O relatório final retirara todas as referências a tumores.

O agora falecido Dr. Levinskas parece ter sido também protagonista em esconder o potencial carcinogênico de glifosato. Ele escreveu uma carta interna na empresa, em 1985, afirmando o seguinte: “A alta administração da EPA está revisando uma proposta para classificar o glifosato como uma classe C “possível carcinogênico humano” por causa de adenomas renais em camundongos machos. O Dr. Marvin Kuschner irá rever as seções renais e apresentar a sua avaliação para a EPA em um esforço de persuadir a agência de que os tumores observados não estão relacionados com glifosato”.

Os 30 anos de omissão do câncer decorrente do uso do glifosato vão ficar na história como mais um fracasso – do governo dos EUA, da EPA e dos reguladores mundiais –, no que tange a colocar a saúde do público em geral antes da necessidade de proteger e expandir os lucros das empresas.

Fontes – Sustainable Pulse / Lila Almendra, Contra os agrotóxicos de 19 de maio de 2017

Glifosato, a OMS e a saúde nas mãos de quem?

“Este documentário viaja pelo mundo, mostrando a realidade de um país que apostou no cultivo de soja, em detrimento da saúde, contaminando indiscriminadamente os alimentos e a água, além de estar destruindo a diversidade do antigo celeiro do mundo, após uma desertificação verde tóxica. Danos colaterais que não puderam ser ignorados nem pela OMS, nem por aqueles que tentam saná-los, e cujas causas seguirão gerando vítimas, ao mesmo passo que as doações, para ocultá-las”.

Quase nenhuma organização no mundo tem uma tarefa mais importante do que a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estão aos seus cuidados a saúde das pessoas e a sua prevenção contra doenças. Os críticos, no entanto, acusam a OMS, que muitas vezes agem em favor da economia e menos pelo bem da humanidade. Esta crítica se justifica?

Quando uma epidemia ameaça propagar um vírus perigoso é da Organização Mundial de Saúde (OMS) que se exige. Seus sucessos são indiscutíveis, pois apenas com seus programas de vacinação já salva milhões de vidas. Mas uma e outra vez, a Autoridade também falha, por exemplo, durante a crise de Ebola.

Mais de 11 mil pessoas morreram em decorrência do vírus.

A OMS levou a sério as advertências e inicialmente respondeu rapidamente. O que agora está acontecendo de maneira inversa com a autoridade. Mas chegamos a aprender com o Ebola? As recomendações da OMS também levantam questões acerca da luta contra a tuberculose.

O mesmo se aplica à avaliação dos riscos dos agentes de controle de plantas daninhas com o uso de glifosato, considerado “provavelmente cancerígeno“. Outro problema é a atitude quando se trata de energia nuclear, em virtude de um acordo entre a OMS e a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão que obviamente é obrigado a coordenar a investigação acerca das consequências da radiação para a saúde humana com os interesses da indústria nuclear.

Muitos especialistas em saúde exigem uma reforma fundamental. Em particular, o financiamento da OMS era um problema devido à crescente participação de doadores privados, de maneira que a sua independência pudesse ser ameaçada. Um dos maiores financiadores é a Fundação Bill e Melinda Gates.

Com campanhas de vacinação de base ampla os fundadores têm contribuído muito para a saúde das pessoas, mas as suas doações também influenciam fortemente na orientação da Organização Mundial da Saúde.

A OMS, assim como os críticos, agora depende de um gotejamento da Fundação Gates. Existe alguma verdade na acusação? Os autores Jutta Pinzler e Tatjana Mischke falaram com os críticos e apoiadores da política da OMS, além de realizarem entrevistas com os doadores e com os povos da África, América do Sul e Europa, que são diretamente afetados pelas decisões de Genebra.

A equipe de filmagem alemã visitou a Argentina, em dezembro de 2015, para a primeira reportagem, feita em La Criolla, na província de Santa Fé. O caso de Sofía Vargas, que foi publicado em 2014 faz parte do documentário de 90 minutos em alemão e francês. No caminho para a província de Santa Fé, recebemos a triste notícia da morte de meu amigo e guia, o pediatra Dr. Rodolfo Páramo, de Malabrigo, cidade que era o próximo destino da equipe de filmagem para entrevistá-lo.

Com profunda dor, voltei a Buenos Aires, e os jornalistas continuaram até Resistencia Chaco para filmar com o Dr. Horacio Lucero, um dos mais respeitados cientistas, grande amigo e companheiro de lutas, com uma ampla cronologia de casos de malformações de pacientes próprios afetados pela pulverização de agrotóxicos.

O último destino era Mercedes, em Buenos Aires, onde nos esperavam Pepe Milesi e sua família, para contar a história de Estanislao “Tani”, banhado por pesticidas de um avião que não fechou os seus bicos de pulverização ao sair do campo, ao lado da casa de Milesi. Sua história foi publicada em 2011.

Com grande alegria atualmente podemos ver esses casos de ampla repercussão em nosso país e que são parte de uma ação apresentada perante a Corte Suprema, que hoje ainda está em processo de julgamento no Tribunal Distrital Federal, nos Assuntos Administrativos Nº 3 da Capital Federal, a cargo da Dr. Claudia Rodríguez Vidal.

Este documentário viaja pelo mundo, mostrando a realidade de um país que apostou no cultivo de soja, em detrimento da saúde, contaminando indiscriminadamente os alimentos e a água, além de estar destruindo a diversidade do antigo celeiro do mundo, após uma desertificação verde tóxica. Danos colaterais que não puderam ser ignorados nem pela OMS, nem por aqueles que tentam saná-los, e cujas causas seguirão gerando vítimas, ao mesmo passo que as doações, para ocultá-las.

Fonte – Graciela Vizcay Gomez, Alai / tradução Henrique Denis Lucas, IHU de 19 de abril de 2017

Resíduos de Agrotóxicos em frutos e hortaliças, parte 3/3

REIS (2013) mostra que resíduos de 16 organoclorados (OCP) foram investigados em 39 amostras de farinha de trigo, óleo de girassol, açúcar branco e subprodutos de beterraba adquiridos na província de Vojvodina, na Sérvia, entre 2002 e 2004. O inseticida 4,4-DDT (diclorodifeniltricloroetano) foi detectado com maior frequência (76,9 %) em relação ao total das amostras analisadas, seguido pelo lindano (66,7 %), β-HCH (beta-hexaclorocicloexano) (48,7 %), e endosulfan II (41,0 %) (ŠKRBIC e PREDOJEVIC´, 2008).

Segundo os autores, os resíduos de agrotóxicos determinados no estudo foram menores do que os respectivos LMR estabelecidos pela União Europeia nos anos de 2002 e 2004.

WANG et al. (2013) avaliaram 33 agrotóxicos comumente utilizados em vegetais de área agrícola da China. Verificaram que o inseticida ometoato, do grupo químico dos organofosforados, foi o mais frequente nas amostras analisadas (concentrações médias de 0,3230 mg/kg), principalmente nas culturas de pimentão verde, feijão, alho-poró e espinafre.

A utilização do inseticida ometoato foi proibida na china a partir de 2007 e no Brasil desde 1985, porém ainda é encontrado de forma ilegal principalmente na cultura do abacaxi.

SINHA, et al. (2012) analisaram 18 agrotóxicos organo-fosforados em diferentes amostras de vegetais (berinjela, quiabo, couve-flor, repolho, tomate e pimentão) e verificaram que quase todas continham principalmente resíduos de clorpirifós, fosalona, acefato e triazofós.

No Brasil, não é permitida a aplicação do inseticida fosalona em culturas agrícolas (BRASIL, 2012b). De acordo com os resultados de Sinha, Rao e Vasudey (2012), a cultura de quiabo apresentou as maiores irregularidades e a de pimentão as menores em relação aos produtos hortícolas analisados na cidade de Hyderab na Índia.

No estudo de BAKORE et al. (2004), amostras de grãos de trigo obtidas na cidade de Jaipur, na Índia, apresentaram altos teores de resíduos de agrotóxicos do grupo dos organoclorados acima dos LMR permitidos: até 36 μg g-1 de heptacloro; 10 μg g-1 de β-HCH; 8 μg g-1 para γ-HCH; 6 μg g-1 para heptacloro epóxido; 2 μg g-1 para aldrin; 0,8 μg g-1 para 4,40-DDD (Diclorodifenildicloroetano); e 0,3 μg g-1 para 4,40-DDE (Dicloroetileno).

É cansativo, mas se não for desta forma, os venenotófagos põe em dúvida os dados e a seriedade da situação.

Segundo os autores, os elevados teores de resíduos decorre da grande utilização desses produtos durante o armazenamento de grãos, prática comum na Índia, devido ao baixo custo e versatilidade contra várias pragas de grãos armazenados. No estudo realizado na cidade de Lucknow na Índia, não foi detectada a presença dos agrotóxicos organoclorados aldrin e DDT em 20 amostras de produtos hortícolas (SRIVASTAVA et al., 2011).

Os ingredientes ativos do grupo químico dos organoclorados, aldrin, DDT, HCH e heptacloro foram proibidos no Brasil para uso agropecuário em 1985 (BRASIL, 1985). O endosulfan está em fase de descontinuidade de comercialização e uso até o cancelamento de sua monografi a, previsto para o dia 31 de julho de 2013 (BRASIL, 2010b).

Esse composto é muito aplicado nas culturas de soja, algodão, café, cacau e cana-de-açúcar (SILVA et al., 2010; GEBARA et al., 2005) e utilizado de forma ilegal e indiscriminada, principalmente nas culturas de pepino e pimentão (BRASIL, 2011b; 2010a).

A proibição dos organoclorados fundamenta-se na persistência dos ingredientes ativos ou dos seus metabólitos no ambiente e sua grande capacidade de dispersão e de acúmulo em tecidos gordurosos, o que os tornam bio-acumulativos na cadeia alimentar, além de apresentarem grande estabilidade físico-química (ALMEIDA et al., 2007).

AMOAH et al. (2006) avaliaram 180 amostras de vegetais folhosos (alface, repolho e cebolinha) em supermercados de três grandes cidades de Gana (África), Accra, Kumasi e Tamale. Os resíduos dos agrotóxicos avaliados excederam os LMR permitidos para as culturas, com predominância do inseticida organofosforado clorpirifós amplamente utilizado por produtores de hortaliças em Gana.

Segundo WANG et al. (2013) tornou-se comum encontrar maior concentração de resíduos de organofosforados em vegetais folhosos pelo fato dessas culturas serem mais propensas ao ataque de insetos.

KHOURI (2007) analisou a ocorrência dos herbicidas atrazina e simazina em amostras de cultura convencional e orgânica de abacaxi no estado de Goiás. As amostras consideradas do grupo orgânico apresentaram resíduos de atrazina e simazina com valores superiores ao permitido pela legislação (0,02 mg/kg). Os abacaxis cultivados em sistema convencional não apresentaram resíduo desses agrotóxicos, o que pode indicar que as exigências de controle de qualidade nesses sistemas estão sendo seguidas com mais rigor, enquanto nos abacaxis ditos orgânicos parece faltar inspeção por parte dos órgãos competentes.

BAKER et al. (2002) analisaram resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal, cultivados por meio dos sistemas convencionais, produção integrada e orgânico nos Estados Unidos da América e verificaram a presença de resíduos nos alimentos cultivados pelos três sistemas, mas as maiores quantidades de resíduos foram detectadas nas amostras procedentes do sistema convencional com 73%.

As amostras de salsão, pera, maçã, pêssego e morango mostraram os maiores teores de resíduos em aproximadamente 90 % das amostras analisadas. A presença de múltiplos resíduos de agrotóxicos foi observada em 46 % das amostras do cultivo convencional, 24 % do sistema integrado e 7 % do cultivo orgânico, sugerindo que esse último não pode ser considerado alimento orgânico.

A presença de múltiplos resíduos de agrotóxicos em sistema orgânico pode ser devido ao fato do solo de produção ainda apresentar contaminação ambiental (produtos persistentes) ou as barreiras vegetais não foram suficientes para evitar a passagem de produtos químicos provenientes do sistema convencional.

A degradação dos resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos ocorre por mecanismos oxidativos. Em alimentos ricos em compostos antioxidantes, como o tomate, pimentão, citrus e seus sucos, a oxidação pode ser mais lenta, aumentando a persistência dos resíduos desses compostos (PICÓ e KOZMUTZA, 2007). Os produtos de degradação dos agrotóxicos podem ser mais tóxicos que o composto original.

O inseticida organofosforado parationa, por exemplo, sofre biotransformação quando absorvido, formando metabólito ativo (denominado paraoxona) por meio da oxidação das ligações tiofosfato a ortofosfato. Sob essa forma, os organo-fosforados aumentam e prolongam os efeitos de inibição da enzima acetilcolinesterase do princípio ativo (BRASIL, 2012a).

Operações como a lavagem e o descasque podem não contribuir totalmente para a redução da ingestão de resíduos de agrotóxicos contidos nos alimentos. A lavagem auxilia a redução de resíduos presentes na superfície dos vegetais, principalmente dos produtos polares. Como exemplo tem-se o inseticida carbaril, do grupo químico metilcarbamato de naftila, comumente aplicado nas culturas de abacaxi, alho, banana, batata, feijão, maçã e tomate.

Os produtos apolares tendem a permanecer nas camadas lipofílicas de frutos e vegetais. Os agrotóxicos quando aplicados diretamente nas plantações mostram difusão limitada à cutícula, sendo passíveis de remoção mediante descasque (KAUSHIK et al., 2009).

As Boas Práticas Agrícolas (BPA) são pré-requisitos importantes na produção de alimentos vegetais de qualidade, possibilitando decisões regulatórias comerciais a fi m de garantir a segurança alimentar e a utilização racional e cuidadosa dos agrotóxicos.

Os agrotóxicos têm sido amplamente utilizados na agricultura para assegurar alta produtividade pela redução de perdas de culturas e garantir a qualidade dos produtos. No entanto, agrotóxicos quando usados de forma inadequada são responsáveis por graves consequências aos seres humanos, tanto aos que lidam diretamente com o produto, quanto à população em geral mediante ingestão de alimentos de origem vegetal.

Os padrões e regulamentos buscam garantir o uso seguro dos agrotóxicos, mas seus objetivos não podem ser alcançados sem a efetiva implementação de monitoramento periódico e consciente. Isso exige instalações apropriadas, profissionais capacitados e legislação devidamente estruturada.

A utilização das BPA, a certificação e a punição com multas podem contribuir para a diminuição da exposição do consumidor e do aplicador a essas substâncias tóxicas, responsáveis por sérias doenças, bem como minimizar seus efeitos adversos aos ecossistemas, se isto for possível.

*AMOAH, P.; DRECHSEL, P.; ABAIDOO, R.C.; NTOW, W.J. Pesticide and pathogen contamination of vegetables in Ghana’s urban markets. Archives of Environmental Contamination and Toxicology, v.50, n.1, p.1-6, 2006.

*BAKER, B.P.; BENBROOK, C.M.; GROTH, E.; BENBROOK, K.L. Pesticide residues in conventional, integrated pest management (IPM) – grown and organic foods: insights from three US data sets. Food Additives and Contaminants, v.19, n.5, p.427-446, 2002.

*BAKORE, N.; JOHN, P.J.; BHATNAGAR, P. Organochlorine pesticide residues in wheat and drinking water samples from Jaipur, Rajasthan, India. Environmental Monitoring and Assessment, v.98, n.1-3, p.381–389, 2004.

*BRASIL. Ministério da Agricultura. Portaria n. 329, de 2 de setembro de 1985. Proibe em todo território nacional a comercialização, o uso e a distribuição dos produtos agrotóxicos organoclorados destinados a agropecuária dentre outros Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 3 de setembro de 1985.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2001 – 2007. Brasília, 2008. 21 p. 1

*BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Instrução Normativa n. 42, de 31 de dezembro de 2008. Institui o Plano nacional de controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem vegetal (PNCRC/ Vegetal). Brasília, 2009.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Nota Técnica para divulgação dos resultados do PARA de 2008. Brasília, 2009. 12 p.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2009. Brasília, 2010. 22 p.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC n. 28, de 09 de agosto de 2010. Regulamento técnico para o ingrediente ativo endossulfam em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2011.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC n. 1, de 14 de janeiro de 2011. Regulamento técnico Pesticidas: r. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013 57 para o ingrediente ativo metamidofós em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2011.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2010. Brasília, 2011. 26 p.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Consulta pública n. 8, de 19 de janeiro de 2012. Proposta de regulamento técnico para o ingrediente ativo parationa metílica em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2012.

*BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Instrução Normativa n. 27, de 11 de dezembro de 2012. Tabela de agrotóxicos monitorados e limites máximos de resíduos. Brasília, 2012.

*GEBARA, A.B.; CISCATO, C.H.P.; FERREIRA, M.S.; MONTEIRO, S.H. Pesticide residues in vegetables and fruits monitored in São Paulo city, Brazil, 1994–2001. Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, v.75, n.1, p.163-169, 2005.

*KAUSHIK, G.; SATYA, S.; NAIK, S.N. Food processing a tool to pesticide residue dissipation – a review. Food Research International, v.42, n.1, p.26-40, 2009.

KHALILI-ZANJANI, M.R.; YAMINI, Y.; YAZDANFAR, N.; SHARIATI, S. Extraction and determination of organophosphorus pesticides in water samples by a new liquid phase microextraction–gas chromatography–fl ame photometric detection. Analytica Chimica Acta, v.606, n.2, p.202-208, 2008.

*KHOURI, A.G. Análise de resíduos de atrazina e simazina em abacaxi no estado de Goiás. 2007. 72 p. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Produção Sustentável) – Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2007.

*PICÓ, Y.; KOZMUTZA, C. Evaluation of pesticide residue in grape juices and the effect of natural antioxidants on their 58 Pesticidas: r. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013 degradation rate. Analytical and Bioanalytical Chemistry, v.389, n.6, p.1805-1814, 2007.

*SILVA, F.A.; LOURENCETTI, C.; DORES, E.F.G.C. Infl uência da temperatura, umidade e profundidade do solo na persistência do diurom e sulfato de endossulfam em um solo tropical. Química Nova, v.33, n.7, p.1457-1463, 2010.

*SINHA, S.N.; RAO, M.V.V.; VASUDEY, K. Distribution of pesticides in different commonly used vegetables from Hyderabad, India. Food Research International, v.45, n.1, p.161-169, 2012.

*ŠKRBIC, B.; PREDOJEVIC´, Z. Levels of organochlorine pesticides in crops and related products from Vojvodina, Serbia: estimated dietary intake. Archives of Environmental Contamination and Toxicology, v.54, n.4, p.628-636, 2008.

*SRIVASTAVA, A.K.; TRIVEDI, P.; SRIVASTAVA, M.K.; LOHANI, M.; SRIVASTAVA, L.P. Monitoring of pesticide residues in market basket samples of vegetable from Lucknow City, India: Quechers method. Environmental Monitoring and Assessment, v.176, n.1-4, p.465–472, 2011.

*WANG, S.; WANG, Z.; ZHANG, Y.; WANG, J.; GUO, R. Pesticide residues in market foods in Shaanxi Province of China in 2010. Food Chemistry, v.138, n.2-3, p.2016-2025, 2013.

RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS DE ORIGEM VEGETAL: REVISÃO PASSOS, Flávia Regina, REIS, Marcelo Rodrigues dos. R. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

FOnte – EcoDebate de 18 de abril de 2017

Resíduos de Agrotóxicos em frutos e hortaliças, parte 2/3

REIS (2013) assevera que a crescente demanda por alimentos, acompanhada pelo aumento da área cultivada, propiciou maior utilização de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal para compensar os problemas do processo produtivo, principalmente relacionados à infestação de pragas (GAMA et al., 2013).

Assim, os alimentos são considerados a principal fonte de exposição dos seres humanos aos agrotóxicos (GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ et al., 2008; RIVAS et al., 2007). Os agrotóxicos podem ser bioacumulados na cadeia alimentar, atuando sobre os sistemas biológicos vitais dos seres vivos, como o sistema nervoso (inibição da enzima acetilcolinesterase), o sistema respiratório e a inibição do transporte de elétrons nas mitocôndrias, tornando-se potencialmente tóxicos para os seres humanos (MATSADIQ et al., 2011).

Para minimizar a exposição humana aos resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos de origem vegetal e assegurar a saúde pública, agências reguladoras de vários países têm estabelecido Limites Máximos de Resíduos (LMR) cada vez menores e criados programas de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos (ŠKRBIC e PREDOJEVIC´, 2008).

Isto pode causar conflitos, pois níveis de resíduos aceitáveis em um país são inaceitáveis em outro. No Brasil, esses limites variam entre 0,01 e 10 mg/kg, dependendo da espécie vegetal e do produto (BRASIL, 2012).

Em 2010, o PARA monitorou os seguintes alimentos de origem vegetal: abacaxi, alface, arroz, batata, beterraba, cebola, cenoura, couve, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pepino, pimentão, repolho e tomate. Todos foram selecionados de acordo com sua disponibilidade nos supermercados das 26 Unidades Federativas do Brasil, gerando o total de 2.488 amostras.

De acordo com os resultados obtidos no monitoramento, 28 % das amostras foram consideradas insatisfatórias por apresentarem resíduos de pesticidas não autorizados ou teores de resíduos acima do permitido pela legislação brasileira.

Foram constatados agrotóxicos não autorizados para as culturas analisadas em 24,3 % das amostras e a presença de resíduos em níveis acima dos LMR permitidos em 1,9 % do total das amostras (BRASIL, 2011).

Os resultados encontrados por cultura analisada pelo PARA em 2009 foram semelhantes ao do PARA 2010, sendo que 29 % das 3.130 amostras analisadas foram consideradas insatisfatórias. Em 2008, o percentual de irregularidades foi menor em relação aos anos de 2010 e 2009. Das 1.685 amostras avaliadas, 16 % foram consideradas insatisfatórias (BRASIL 2010)

As irregularidades encontradas nos alimentos vegetais estão relacionadas, principalmente, ao uso indiscriminado de agrotóxicos não autorizados para as culturas (BRASIL, 2008). As culturas que mais despertaram a atenção das agências reguladoras foram o pimentão e o morango. Entre 2008 a 2010, os resultados insatisfatórios dessas culturas aumentaram, aproximadamente em 27 % do total das amostras.

A contaminação ocorreu principalmente por produtos não autorizados para essas culturas, destacando-se o fungicida carbendazim do grupo químico benzimidazol. Esse fungicida também foi encontrado nas culturas de abacaxi, alface, beterraba, couve e repolho para as quais sua aplicação não é permitida legalmente. A aplicação desse fungicida é autorizada apenas nas culturas de grãos, citrus e maçã (BRASIL, 2012).

Os inseticidas clorpirifós, metamidofós e acefato, pertencentes ao grupo químico dos organofosforados, também contribuíram para o aumento do número amostras insatisfatórias nas culturas analisadas, devido aplicação não autorizada e/ou detecção de teores de resíduos acima do permitido (BRASIL, 2011b).

A ANVISA determinou por meio da RDC 01/2011, a proibição do uso do metamidofós no mercado nacional a partir do dia 30 de junho de 2012 pelo fato de seu ingrediente ativo apresentar características neurotóxicas, imunotóxicas e provocar toxicidade sobre o sistema endócrino e o desenvolvimento embriofetal (BRASIL, 2011).

O tomate, no ano de 2007, apresentou irregularidades em 44,72 % das amostras (BRASIL, 2008). Mesmo ocupando a 10ª posição no último relatório do PARA, em razão da redução da quantidade de agrotóxicos, essa cultura ainda apresenta irregularidades (BRASIL, 2011).

De acordo com a ANVISA (Brasil, 2009) foram encontrados vários resíduos de agrotóxicos não autorizados na cultura do tomate, tais como aldicarbe, aletrina, clorpirifós metílico, metamidofós, ciproconazol e folpete. O aldicarbe, inseticida do grupo químico metilcarbamato de oxima, tem sua venda restrita nos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo por ser considerado o ingrediente ativo com a maior toxicidade aguda para mamíferos.

Sua reavaliação torna-se necessária no contexto de uso irregular e indiscriminado como raticida e agente abortivo, bem como em tentativas de homicídio e suicídio, acarretando grave problema de saúde pública.

Resíduos de agrotóxicos dos grupos químicos dos organoclorados, organofosforados, carbamatos e piretroides foram monitorados na cidade de São Paulo em frutas e vegetais por GEBARA et al. (2005). A pesquisa envolveu 2.223 amostras, sendo 700 vegetais e 1.523 frutas coletadas e analisadas para 100 resíduos de agrotóxicos. Em relação à amostragem geral, em 67,4% das amostras foram detectados resíduos desses compostos.

As amostras de frutas apresentaram maior teor de resíduos de agrotóxicos com 34,2% que os vegetais com 29,0% de forma semelhante ao observado por BAKER et al. (2002). As amostras de frutas analisadas continham maior teor de resíduos de agrotóxicos em relação às amostras vegetais, com diferença de 17 %. De acordo com GEBARA et al. (2005), entre todas as hortaliças, os LMR foram superiores na cultura de vagem e tomate, e dentre as frutas nas culturas de pêssego e morango.

Os produtos frequentemente encontrados foram captana, clorotalonil, endosulfan e procimidona, além de agrotóxicos banidos no Brasil desde 1985, como dieltrin, predominante na cultura de melão (0,01 mg/kg) e hexaclorocicloexano (HCH) dominante na cultura de morango (0,09 mg/kg).

Os fungicidas do grupo ditiocarbamatos (DTC) figuram entre os agrotóxicos mais detectados na União Europeia e que ultrapassam com maior frequência os LMR, conforme o programa de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em produtos de origem vegetal na União Europeia, desenvolvido em 2005 (EC, 2007).

Resíduos dos fungicidas mancozebe, manebe e propinebe, do grupo químico dos ditiocarbamatos, foram determinados em amostras de tomate, alface, pimentão, maçã, uva e morango procedentes das quatro províncias de Galícia (noroeste da Espanha).

O pimentão foi o vegetal com mais amostras positivas com 96,9 % para resíduos de DCT, seguido pelo tomate com 87,5 %, alface com 71,9 %, uva com 33,3 % e maçã com 15,6 %, não sendo encontradas no morango. Além disso, 6% das amostras analisadas de alface e pimentão excederam os LMR. No Brasil, não é permitida a aplicação do fungicida mancozeb na cultura de alface. O uso do fungicida propinebe não é permitido nas culturas de alface e morango (BRASIL, 2012).

Referências

*BAKER, B.P.; BENBROOK, C.M.; GROTH, E.; BENBROOK, K.L. Pesticide residues in conventional, integrated pest management (IPM) – grown and organic foods: insights from three US data sets. Food Additives and Contaminants, v.19, n.5, p.427-446, 2002.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2001 – 2007. Brasília, 2008. 21 p. 1

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*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Nota Técnica para divulgação dos resultados do PARA de 2008. Brasília, 2009. 12 p.

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*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2010. Brasília, 2011. 26 p.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Consulta pública n. 8, de 19 de janeiro de 2012. Proposta de regulamento técnico para o ingrediente ativo parationa metílica em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2012.

*BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Instrução Normativa n. 27, de 11 de dezembro de 2012. Tabela de agrotóxicos monitorados e limites máximos de resíduos. Brasília, 2012.

*European Commission (EC). Monitoring of pesticide residues in products of plant origin in the European Union, Norway, Iceland and Lichtenstein, 2005. Brussels, Belgium, 2007.

*GAMA, A.F.; OLIVEIRA, A.H.B.; CAVALCANTE, R.M. Inventário de agrotóxicos e risco de contaminação química dos recursos hídricos no semiárido cearense. Química Nova, v.36, n.3, p.462-467, 2013.

*GEBARA, A.B.; CISCATO, C.H.P.; FERREIRA, M.S.; MONTEIRO, S.H. Pesticide residues in vegetables and fruits monitored in São Paulo city, Brazil, 1994–2001. Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, v.75, n.1, p.163-169, 2005.

*GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ, R.M.; RIAL-OTERO, R.; CANCHO-GRANDE, B.; SIMAL-GÁNDARA, J. Occurrence of fungicide and insecticide residues in trade samples of leafy vegetables. Food Chemistry, v.107, n.3, p.1342-1347, 2008.

*MATSADIQ, G.; HU, H.; REN, H.; ZHOU, Y.; LIU, L.; CHEN, J. Quantifi cation of multi-residue levels in peach juices, pulps and peels using dispersive liquid–liquid microextraction based on fl oating organic droplet coupled with gas chromatography-electron capture detection. Journal of Chromatography B, v.879, n.22, p.2113-2118, 2011.

*RIVAS, A.; CERRILLO, I.; GRANADA, A.; MARISCAL-ARCAS, M.; OLEA-SERRANO, F. Pesticide exposure of two age groups of women and its relationship with their diet. Science of the Total Environment, v.382, n.1, p.14-21, 2007.

*ŠKRBIC, B.; PREDOJEVIC´, Z. Levels of organochlorine pesticides in crops and related products from Vojvodina, Serbia: estimated dietary intake. Archives of Environmental Contamination and Toxicology, v.54, n.4, p.628-636, 2008.

RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS DE ORIGEM VEGETAL: REVISÃO PASSOS, Flávia Regina, REIS, Marcelo Rodrigues dos. R. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013

Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte – EcoDebate de 13 de abril de 2017

Agrotóxicos: Al costo del ambiente contaminado se suma la muerte de 1,7 millones de niños por año

“El informe de la ONU afirma inequívocamente que el argumento perpetuado por compañías como Monsanto, la que dice que necesitamos pesticidas para alimentar al mundo, es un mito. Y es catastrófica en eso”, escribe Graciela Vizcay Gomez, abogada argentina.

Dos nuevos informes publicados en las últimas semanas agregan a la ya grande y convincente evidencia acumulada durante más de medio siglo de que los pesticidas agrícolas y otros productos químicos tóxicos nos están envenenando.

Ambos informes emiten acusaciones mordaces de los sistemas de regulación estadounidenses y globales que coluden con las compañías químicas para esconder la verdad del público, mientras que llenan sus arcas con ganancias mal recibidas.

Según la Organización Mundial de la Salud (OMS), cuyo informe se centra en una serie de riesgos ambientales, el costo de un medio ambiente contaminado se suma a la muerte de 1,7 millones de niños cada año.

Un informe del Relator Especial sobre el Derecho a la Alimentación, presentado al Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas, se centró más estrechamente en los productos químicos agrícolas. El informe de la ONU afirma inequívocamente que el argumento perpetuado por compañías como Monsanto, la que dice que necesitamos pesticidas para alimentar al mundo, es un mito. Y es catastrófica en eso.

El hecho de que ambos informes fueran titulares, en puntos de venta como el Washington Post y el Guardian, es por un lado una buena noticia. Por otro lado, es un comentario triste y desalentador sobre nuestra incapacidad de controlar la codicia corporativa.

En el diario Guardián manifiestan que:

“Un nuevo informe, presentado el miércoles ante el Consejo de Derechos Humanos de la ONU, es muy crítico con las corporaciones globales que fabrican plaguicidas, acusándolas de “negación sistemática de los daños“, “tácticas de marketing agresivas y poco éticas” Ha “obstruido las reformas y ha paralizado las restricciones mundiales de plaguicidas”.

El informe dice que los pesticidas tienen “impactos catastróficos en el medio ambiente, la salud humana y la sociedad en su conjunto”, incluyendo unas 200.000 muertes anuales por intoxicación aguda. Sus autores dijeron: “Es hora de crear un proceso global para la transición hacia alimentos más seguros y saludables y la producción agrícola”.

El informe de la ONU fue redactado por Hilal Elver, relatora especial sobre el derecho a la alimentación y Baskut Tuncak, relator especial sobre los tóxicos. El informe indicó que la exposición crónica a los plaguicidas se ha relacionado con el cáncer, las enfermedades de Alzheimer y Parkinson, la alteración hormonal, los trastornos del desarrollo y la esterilidad. Dijo que las poblaciones más expuestas son los agricultores y los trabajadores agrícolas, las comunidades que viven cerca de las plantaciones, las comunidades indígenas y las mujeres embarazadas y los niños, que son especialmente vulnerables a la exposición a los pesticidas y requieren protecciones especiales.

La Asociación de Protección de Cultivos (Crop Protection Association), un grupo de presión que representa a la industria agroquímica, devolvió el informe con su afirmación falsa estándar de que los pesticidas “desempeñan un papel clave para asegurar que tengamos acceso a un suministro saludable de alimentos.” Pero Elver le dijo al Guardián: “Es un mito El uso de más plaguicidas no tiene nada que ver con la eliminación del hambre”.

Fontes – Zero Biocidas / IHU de 04 de maio de 2017

Resíduos de Agrotóxicos em frutos e hortaliças, parte 1/3

REIS (2013) apresenta discussões provenientes de pesquisas sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal, com enfoque na determinação dos Limites Máximos de Resíduos (LMR) desses produtos em frutas e hortaliças.

Foram abordados também o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) e o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes de Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal) criados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Foi concluído que o uso seguro de agrotóxicos, objetivo de padrões e regulamentos, somente poderá ser alcançado mediante implementação efetiva de monitoramento periódico e consciente.

A utilização das Boas Práticas Agrícolas (BPA), a certificação e a punição com multas podem contribuir para a diminuição da exposição do consumidor e do aplicador a essas substâncias tóxicas, responsáveis por sérias doenças, bem como minimizar seus efeitos adversos ao ecossistema.

O crescimento da população mundial e, consequentemente, o aumento da demanda por alimentos têm impulsionado o desenvolvimento de sistemas agrícolas cada vez mais eficientes (SHARMA et al., 2010).

O uso de agrotóxicos tem sido a principal estratégia de controle e prevenção de pragas durante o cultivo e após a colheita, melhorando a produtividade e a qualidade da produção agrícola (GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ et al., 2008).

Sem a sua utilização podem ocorrer perdas signifi cativas dos produtos agrícolas, aumento de doenças infecciosas e devastação de habitats por pragas invasoras (RICE et al., 2007). Mais de 800 compostos, pertencentes a cerca de 100 classes químicas, estão registrados como ingredientes ativos de agrotóxicos comercializados no mundo (BOTITSI, ECONOMOU e TSIPI, 2007).

Os agrotóxicos abrangem inseticidas, fungicidas, herbicidas, acaricidas, nematicidas, substâncias destinadas para uso como reguladores de crescimento, feromônios, desfolhantes e protetores de sementes (BAKIRCI e HI?IL, 2012; EL-SHAHAWI et al., 2010).

A utilização de agrotóxicos proporciona vários benefícios, mas sua aplicação inadequada pode resultar na acumulação desses produtos químicos na água, solos e sedimentos, com permanência nas culturas (GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ et al. 2011; SRIVASTAVA et al., 2011; JARDIM et al., 2009; BAI, et al., 2006). Dessa forma, podem chegar aos seres humanos por meio da cadeia alimentar e ocasionar danos à saúde (KHALILI-ZANJANI et al., 2008).

Muitos agrotóxicos, principalmente da classe dos organo-clorados e organo-fosforados, tiveram seu uso proibido devido a alta toxicidade, atividade residual e grande poder bio-acumulativo (GALLI et al., 2006).

O monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal constitui ferramenta importante para assegurar o cumprimento de Boas Práticas Agrícolas (BPA) (BRASIL, 2011) em razão das frutas e hortaliças serem consumidas in natura ou processadas e ingeridas por pessoas de todas as idades (BAKIRCI e HI?IL, 2012).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou, em 2003, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), visando disponibilizar diagnósticos das concentrações de resíduos desses produtos em alimentos através dos Limites Máximos de Resíduos (LMR) (BRASIL, 2011b).

Um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos, segundo análises realizadas pelo PARA de amostras coletadas nas 26 Unidades Federativas do Brasil. O estado de São Paulo tem seu próprio Programa de Análise Fiscal de Alimentos, denominado Programa Paulista (BRASIL, 2011b).

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no ano de 2008 foram lançadas 674 mil toneladas de agrotóxicos no meio ambiente e, em 2011, esse índice pode ter alcançado 853 mil toneladas, incluindo produtos proibidos em outros países.

Segundo CARNEIRO et al. (2012), o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos representando 19 % do uso mundial. Objetivou-se nesta revisão apresentar discussões centradas em pesquisas sobre os resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal, com enfoque na determinação dos Limites Máximos de Resíduos desses produtos em frutas e hortaliças.

Os vários tipos de agrotóxicos podem provocar contaminações de alimentos em função da capacidade tóxica de seus componentes e das peculiaridades de cada produto. Porém, a contaminação de alimentos por esses agroquímicos pode ser minimizada por meio de regulamentação rigorosa e treinamento adequado dos aplicadores (COOPER e DOBSON, 2007).

Os agrotóxicos somente podem ser utilizados se forem registrados em órgão federal competente, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura (BRASIL, 2011b; 2010a; 2009b).

O Decreto 4.074, de 4 de janeiro de 2002, que regulamentou a Lei 7.802 sobre agrotóxicos e afins, de 11 de julho de 1989, estabelece as competências de registro de agrotóxicos no Brasil para três órgãos, a saber o Ministério da Saúde (MS), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O Ministério da Saúde (MS), por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é o responsável pela avaliação e classificação toxicológica dos produtos além de estabelecer seus LMR com o objetivo de manter a segurança alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador rural.

Coordenado pela ANVISA, o PARA foi implementado em conjunto com os órgãos de Vigilância Sanitária estaduais e municipais (BRASIL, 2011b). No âmbito internacional, os LMR são determinados pelo Comitê para Resíduos de Pesticidas do Codex Alimentarius (CCPR), seguindo recomendações da “Food and Agriculture Organization” (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os países que não dispõem de sistema organizado de registro de agrotóxico adotam os limites instituídos pelo Codex Alimentarius (BRASIL, 2011b). Os LMR correspondem a maior concentração que o agrotóxico pode estar presente nos alimentos sem causar malefícios à saúde humana, sendo expressos em mg kg-1 de alimento (COOPER e DOBSON, 2007).

Esses limites são garantidos ao se aplicar a dose recomendada pelo fabricante utilizando o número correto de aplicações, devendo ser respeitado o intervalo de segurança entre a última aplicação e a colheita da cultura (SRIVASTAVA et al., 2011).

Várias leis foram aprovadas em diversos países, inclusive no Brasil, visando estabelecer os LMR em alimentos de origem vegetal (ŠKRBIC e PREDOJEVIC´, 2008). Esses procedimentos, em geral, visam minimizar os riscos de intoxicação crônica ou aguda pela ingestão de alimentos contaminados pelos agrotóxicos e a regulamentação do comércio externo (MARQUES et al., 2010; JARDIM et.al., 2009).

A classificação dos produtos químicos em relação à toxicidade aguda se baseia na dose letal 50 (DL50), que representa a dose capaz de matar 50 % dos indivíduos da população em teste. Quanto menor a DL50, maior a toxicidade do produto. Além disso, a toxicidade crônica dos agrotóxicos pode ser avaliada mediante a Ingestão Diária Aceitável (IDA) (CARNEIRO et al., 2012). A IDA indica a quantidade do produto que pode ser ingerida diariamente, durante toda a vida do indivíduo, sem que haja riscos à sua saúde.

REIS (2013) assevera que o Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes de Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal) em 2008, com o objetivo de inspecionar e fiscalizar a qualidade dos compostos produzidos em todo o território nacional em relação à ocorrência de resíduos de agrotóxicos e contaminantes químicos e biológicos, destinados ao mercado interno e à exportação.

Referências

*BAI, Y.; ZHOU, L.; WANG, J. Organophosphorus pesticide residues in market foods in Shaanxi area, China. Food Chemistry, v.98, n.2, p.240-242, 2006.

*BAKIRCI, G.T.; HI?IL, Y. Fast and simple extraction of pesticide residues in selected fruits and vegetables using tetrafl uoroethane and toluene followed by ultrahigh-performance liquid chromatography/tandem mass spectrometry. Food Chemistry, v.135, n.3, p.1901-1913, 2012.

*BOTITSI, H.; ECONOMOU, A.; TSIPI, D. Development and validation of a multi-residue method for the determination of pesticides in processed fruits and vegetables using liquid chromatography-electrospray ionization tandem mass spectrometry. Analytical and Bioanalytical Chemistry, v.389, n.6, p.1685-1695, 2007.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2009. Brasília, 2010. 22 p.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC n. 28, de 09 de agosto de 2010. Regulamento técnico para o ingrediente ativo endossulfam em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2011.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC n. 1, de 14 de janeiro de 2011. Regulamento técnico Pesticidas: r. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013 57 para o ingrediente ativo metamidofós em decorrência da reavaliação toxicológica. Brasília, 2011.

*BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA). Relatório de atividades de 2010. Brasília, 2011. 26 p.

*CARNEIRO, F.F.; PIGNATI, W.; RIGOTTO, R.M.; AUGUSTO, L.G.S.; RIZOLLO, A.; MULLER, N.M.; ALEXANDRE, V.P.; FRIEDRICH, K.; MELLO, M.S.C. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2012. 98 p. Parte 1.

*COOPER, J.; DOBSON, H. The benefi ts of pesticides to mankind and the environment. Crop Protection, v.26, n.9, p.1337-1348, 2007. 20 CRUZ, A.G.; CENCI, S.A.; MAIA, M. C. A. Good agricultural practices in a Brazilian produce plant. Food Control, v.17, n.10, p.781-788, 2006.

*EL-SHAHAWI, M.S.; HAMZA, A.; BASHAMMAKH, A.S.; AL-SAGGAF, W.T. An overview on the accumulation, distribution, transformations, toxicity and analytical methods for the monitoring of persistent organic pollutants. Talanta, v.80, n.5, p.1587-1597, 2010.

*GALLI, A.; SOUZA, D.; GARBELLINI, G.S.; COUTINHO, C.F.B.; MAZO, L.H.; AVACA, L.A.; MACHADO, S.A.S. Utilização de técnicas eletroanalíticas na determinação de pesticidas em alimentos. Química Nova, v.29, n.1, p.105-112, 2006.

*GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ, R.M.; RIAL-OTERO, R.; CANCHO-GRANDE, B.; SIMAL-GÁNDARA, J. Occurrence of fungicide and insecticide residues in trade samples of leafy vegetables. Food Chemistry, v.107, n.3, p.1342-1347, 2008.

*GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ, R.M.; CANCHO-GRANDE, B.; SIMAL-GÁNDARA, J. Decay of fungicide residues during vinifi cation of white grapes harvested after the application of some new active substances against downy mildew. Food Chemistry, v.125, n.2, p.549–560, 2011.

*JARDIM, I.C.S.F.; ANDRADE, J.A.; QUEIROZ, S.C.N. Resíduos de agrotóxicos em alimentos: uma preocupação ambiental global – um enfoque às maçãs. Química Nova, v.32, n.4, p.996-1012, 2009.

*KHALILI-ZANJANI, M.R.; YAMINI, Y.; YAZDANFAR, N.; SHARIATI, S. Extraction and determination of organophosphorus pesticides in water samples by a new liquid phase microextraction–gas chromatography–fl ame photometric detection. Analytica Chimica Acta, v.606, n.2, p.202-208, 2008.

*MARQUES, C.R.G.; NEVES, P.M.O.J.; VENTURA, M.U. Diagnóstico do conhecimento de informações básicas para o uso de agrotóxicos por produtores de hortaliças da Região de Londrina. Semina: Ciências Agrárias, v.31, n.3, p.547- 556, 2010.

*RICE, P.J.; RICE, M.P.; ARTHUR, E.L.; BAREFOOT, A.C. Advances in pesticide environmental fate and exposure assessments. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v.55, n.14, p.5367-5367, 2007.

*SHARMA, D.; NAQPAL, A.; PAKADE, Y.B.; KATNORIA, J.K. Analytical methods for estimation of organophosphorus pesticide residues in fruits and vegetables: a review. Talanta, v.82, n.4, p.1077-1089, 2010.

*ŠKRBIC, B.; PREDOJEVIC´, Z. Levels of organochlorine pesticides in crops and related products from Vojvodina, Serbia: estimated dietary intake. Archives of Environmental Contamination and Toxicology, v.54, n.4, p.628-636, 2008.

*SRIVASTAVA, A.K.; TRIVEDI, P.; SRIVASTAVA, M.K.; LOHANI, M.; SRIVASTAVA, L.P. Monitoring of pesticide residues in market basket samples of vegetable from Lucknow City, India: Quechers method. Environmental Monitoring and Assessment, v.176, n.1-4, p.465–472, 2011.

RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS DE ORIGEM VEGETAL: REVISÃO PASSOS, Flávia Regina, REIS, Marcelo Rodrigues dos. R. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 23, jan./dez. 2013

Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte – EcoDebate de 10 de abril 2017

Brasil tem 517 tipos de agrotóxicos liberados pela Anvisa

Brasil tem 517 tipos de agrotóxicos liberados pela Anvisa

Uma das substâncias liberadas no Brasil é o glifosato, que é apontado por pesquisadores como grande causador de câncer e autismo. | Foto: iStock by Getty Images

Dentre 614 ingredientes ativos mencionados pela agência, apenas 97 são proibidos no país

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Como se isso não fosse o bastante, a fiscalização sobre o uso desses defensivos abrange uma quantidade muito pequena de culturas, o que coloca a saúde da população e os recursos naturais em risco.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista com 614 tipos de substâncias utilizadas na agricultura como defensivos agrícolas, dentre elas, apenas 97 são proibidas no país. Segundo a agência, o uso destas substâncias não apresentam “risco agudo” para a saúde. O risco agudo está relacionado às intoxicações que podem ocorrer dentro de um período de 24 horas após o consumo do alimento que contenha resíduos.

Porém, diversos estudos e pesquisas apontam que o uso de agrotóxicos têm aumentado o índice de doenças cardiovasculares, câncer, Alzheimer, autismo, entre outras. Uma das substâncias liberadas no Brasil é o glifosato, que é apontado por pesquisadores como grande causador de câncer e autismo. Diversos países no mundo, como a Colômbia e a Holanda, já proibiram o uso da substância, que durante um estudo norte-americano foi encontrada até mesmo no leite materno.

Em maio de 2015, após alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) o Ministério Público Federal enviou documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que fosse reavaliado urgentemente o uso da substância no país e que fosse banido do mercado nacional. O que não aconteceu até o momento.

Entre 2013 e 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliou amostras de apenas 25 tipos de alimentos. No entanto,  os Estados Unidos e a União Europeia contaram com uma lista de mais de 300 análises, feitas pela Food and Drugs Administration (FDA), nos EUA, e pela European Food Safety Authority, na Europa. Além disso, 22 dos agrotóxicos mais comuns em território nacional são proibidos pelos dois órgãos estrangeiros.

A Anvisa também divulgou as monografias, um compilado de informações químicas, com sua classificação toxicológica e informações agronômicas, tais como as culturas agrícolas com uso autorizado, e seus respectivos limites máximos de resíduo vigentes. Apesar disso, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), avaliou que diversas substâncias excedem o valor de ingestão diária aceitável de acordo com limites estabelecidos pela própria Anvisa (veja mais aqui). Todo ano a agência divulga uma lista com as frutas e vegetais mais contaminados no Brasil (veja aqui a de 2016).

Abaixo serão apresentadas a lista de Ingredientes Ativos de Uso Autorizado No Brasil, seguida pela Lista dos Ingredientes Ativos Banidos.

Lista de Ingredientes Ativos de Uso Autorizado No Brasil

A02 – Acefato
A04 – Ácido Giberélico
A05 – Acifluorfem
A05.1 – Acifluorfem-sódico
A06 – Alacloro
A07 – Aldicarbe
A08 – Aletrina
A11 – Ametrina
A12 – Asulam
A14 – Atrazina
A15 – Anilazina
A16 – Ácido Bórico
A16.1 – Bórax
A16.2 – Octaborato dissódio tetrahidratado
A18 – Abamectina
A19 – Azociclotina
A20 – Azametifós
A22 – Acrinatrina
A23 – Amitraz
A24 – Acetocloro
A26 – Azoxistrobina
A27 – Alanicarbe
A29 – Acetamiprido
A30 – Azinsulfurom
A31 – Ácido 4-indol-3-ilbutírico
A32 – Aclonifem
A33 – Acetato de (E,Z,Z)-3,8,11-tetradecatrienila
A34 – Acetato de (Z,E)-9,12-tetradecadienila
A35 – Acetato de (E,Z)-3,8-tetradecadienila
A36 – Acetato de (Z)-9-hexadecenila
A37 – Acetato de (E,Z)-3,5-dodecadienila
A38 – Acibenzolar-S-Metílico
A39 – Acetato de (E)-8-dodecenila
A40 – Acetato de (Z)-8-dodecenila
A41 – Amicarbazona
A43 – Acetato de (Z)-11-hexadecenila
A44 – Acetato de (Z)-7-dodecenila
A45 – Acetato de (Z)-9-tetradecenila
A46 – Álcool Laurílico
A47 – Acetato de (Z)-9-dodecenila
A48 – Aviglicina
A48.1 – Cloridrato de Aviglicina
A49 – D-Aletrina
A50 – Acetato de (E,Z,Z)-4,7,10-tridecatrienila
A51 – Acetato de (E,Z)-4,7-tridecadienila
A52 – Álcool isoesterearílico etoxilado
A53 – Aminopiralide
A54 – Azadiractina
A55 – Acetato de (Z)-5-dodecenil
A56 – Ácidos Graxos
A57 – Aspergillus flavus
A58 – Azadirachta Indica
A59 – Acetato de (E,Z) – 7,9-Dodecadienila
B01 – Bacillus thuringiensis
B03 – Bentazona
B07 – Bioaletrina
B08 – Bioresmetrina
B10 – Brodifacum
B11 – Bromacila
B12 – Bromofós
B15 – Bromoxinil
B19 – Bendiocarbe
B20 – Bromopropilato
B22 – Brometo de Metila
B24 – Bitertanol
B25 – Butralina
B26 – Bifentrina
B27 – Bromadiolona
B29 – Buprofenzina
B30 – Baculovirus anticarsia
B31 – Bacillus sphaericus
B32 – Bromuconazol
B33 – Bispiribaque
B33.1 – Bispiribaque-sódico
B34 – Butroxidim
B35 – Benfuracarbe
B37 – Bicarbonato de Potássio
B38 – Benalaxil
B39 – Benziladenina
B40 – Beauveria Bassiana
B41 – Boscalida
B42 – Bentiavalicarbe Isopropílico
B43 – Bacillus pumilus
B44 – Bacillus subtilis
B45 – Baculovirus condylorrhiza vestigialis
B46 – Benzovindiflupir
B47 – Baculovirus helicoverpa zea
B48 – Baculovirus helicoverpa armigera
B49 – Bacillus amyloliquefaciens
B50 – Bacillus methylotrophicus
B51 – Baculovirus spodoptera frugiperda
B52 – Bacillus firmus
C02 – Captana
C03 – Carbaril
C05 – Carboxina
C06 – Carbofurano
C07 – Casugamicina
C08 – Cianazina
C09 – Cimoxanil
C10 – Cipermetrina
C15 – Clormequate
C15.1 – Cloreto de clormequate
C18 – Clorotalonil
C20 – Clorpirifós
C21 – Clortal-dimetílico
C23 – Cumacloro
C24 – Carbendazim
C25 – Cartape
C25.1 – Cloridrato de cartape
C26 – Carbosulfano
C29 – Clorimurom
C29.1 – Clorimurom-etílico
C30 – Ciflutrina
C31 – Clofentezina
C32 – Cletodim
C33 – Cumafeno
C34 – Cifenotrina
C35 – Clomazona
C36 – Ciproconazol
C37 – Ciromazina
C38 – Clorfluazurom
C39 – Cianamida
C40 – Clorfenapir
C41 – Clorfacinona
C43 – Cumatetralil
C44 – Ciclanilida
C45 – Ciclossulfamurom
C47 – Ciprodinil
C48 – Cinetina
C49 – Carfentrazona-etílica
C50 – Cloransulam-metílico
C51 – Codlelure
C52 – Cloretos de Benzalcônio
C53 – Cadusafós
C54 – Cialofope Butílico
C55 – Compostos a Base de Cobre
C55.1 – Hidróxido de cobre
C55.2 – Oxicloreto de cobre
C55.3 – Óxido cuproso
C55.4 – Sulfato de cobre
C55.5 – Oxina-Cobre
C56 – Cresoxim-Metílico
C58 – Alfa-Cipermetrina
C59 – Beta-Cipermetrina
C60 – Zeta-Cipermetrina
C61 – Beta-Ciflutrina
C62 – Carpropamida
C63 – Lambda-Cialotrina
C64 – Clotianidina
C65 – Gama-Cialotrina
C66 – Ciazofamida
C67 – Cromafenozida
C68 – Clodinafope
C68.1 – Clodinafope-Propargil
C69 – Cuelure
C70 – Clorantraniliprole
C71 – Cotesia Flavipes
C72 – Ceratitis capitata
C73 – Ciflumetofem
C74 – Ciantraniliprole
C75 – Cryptolaemus montrouzieri
D04 – Dazomete
D06 – Deltametrina
D10 – Diazinona
D11 – Dicamba
D12 – Diclofope
D12.1 – Diclofope-metílico
D13 – Diclorvós
D17 – Diflubenzurom
D18 – Dimetoato
D21 – Diquate
D21.1 – Dibrometo de diquate
D23 – Dissulfotom
D24 – Ditianona
D25 – Diurom
D26 – Dodina
D27 – 2,4-D
D27.1 – 2,4-D-dimetilamina
D27.2 – 2,4-D-trietanolamina
D27.3 – 2,4-D-butílico
D27.4 – 2,4-D-triisopropanolamina
D29 – Diclorana
D34 – Daminozida
D35 – Decanol
D36 – Difenoconazol
D37 – Dimetenamida
D38 – Difetialona
D39 – Dimetomorfe
D40 – Difenacuma
D41 – Diafentiurom
D42 – Dinocape
D43 – Diclosulam
D44 – Diflufenicam
D45 – 5,9-dimetilpentadecano
D46 – (E)-8-dodecenol
D47 – (Z)-8-dodecenol
D48 – Difacinona
D49 – 4,8-dimetildecanal
D50 – Diachasmimorpha longicaudata
D51 – Dimetenamida -P
D52 – 1,4-Dimetoxibenzeno
D53 – Dimoxistrobina
E01 – Edifenfós
E04 – Enxofre
E05 – Etefom
E06 – Etoprofós
E07 – Etiona
E11 – Etridiazol
E16 – Empentrina
E17 – Esbiol
E18 – Esfenvalerato
E19 – Etofenproxi
E20 – Esbiotrim
E22 – Epoxiconazol
E23 – Etoxissulfurom
E24 – Espinosade
E25 – Espirodiclofeno
E26 – Espiromesifeno
E27– Etanol
E28 – Eugenol-metílico
E29 – Etiprole
E30 – Etoxazol
E31 – Ecklonia maxima
E32 – Espinetoram
F02 – Fenamifós
F03 – Fenarimol
F04 – Fenclorfós
F05 – Fenitrotiona
F07 – Fentiona
F09 – Fenvalerato
F14 – Folpete
F17 – Fosalona
F18 – Fosetil
F20 – Fosfina
F20.1 – Fosfeto de Alumínio
F20.2 – Fosfeto de Magnésio
F21 – Fosmete
F23 – Fluasifope-P
F23.1 – Fluasifope-P-butílico
F24 – Fenpropimorfe
F25 – Fluvalinato
F26 – Fomesafem
F28 – Fenpropatrina
F29 – Ftalida
F32 – Fenoxaprope-P
F32.1 – Fenoxaprope-P-etílico
F33 – Fentoato
F34 – Flocumafeno
F35 – Fenotrina
F36 – Flutriafol
F37 – Fenpiroximato
F38 – Flumetralina
F39 – Flumetsulam
F40 – Formetanato
F40.1 – Cloridrato de Formetanato
F41 – Furatiocarbe
F42 – Fluroxipir
F42.1 – Fluroxipir-Meptílico
F43 – Fipronil
F44 – Flufenoxurom
F45 – Flumicloraque-pentílico
F46 – Flumioxazina
F47 – Fluazinam
F48 – Flazassulfurom
F49 – Fludioxonil
F50 – Fostiazato
F51 – Fluquinconazol
F53 – Famoxadona
F54 – Foransulfurom
F55 – Fenamidona
F56 – Fluridona
F57 – Fenotiol
F58 – Foxim
F59 – Fentina
F59.1 – Acetato de Fentina
F59.2 – Hidróxido de Fentina
F60 – Flufenpir
F60.1 – Flufenpir-Etílico
F62 – Flonicamida
F63 – Fluoreto de sódio
F64 – Fosfato Férrico
F65 – Fluopicolida
F66 – Flubendiamida
F67 – Flutolanil
F68 – Fluxapiroxade
F69 – Flupiradifurone
G01 – Glifosato
G01.1 – Glifosato-sal de isopropilamina
G01.2 – Glifosato-sal de potássio
G01.3 – Glifosato-sal de amônio
G03 – Grandlure
G05 – Glufosinato
G05.1 – Glufosinato-sal de amônio
G06 – Gossiplure
G07 – Geraniol
H02 – Hexazinona
H03 – Hidrazida Malêica
H04 – Hidrametilnona
H05 – Hexitiazoxi
H07 – Haloxifope-P
H07.1 – Haloxifope-P-Metílico
H08 – Halossulfurom
H08.1 – Halossulfurom-metílico
H09 – Hexaconazol
H10 – Hexaflumurom
H11 – E -11-hexadecenol
H14 – (Z)-11-Hexadecenal
H15 – (Z)-9-Hexadecenal
H16 – (Z)-7-Hexadecenal
I03 – Iodofenfós
I05 – Iprodiona
I08 – Imazaquim
I10 – Imazetapir
I12 – Imazapir
I13 – Imidacloprido
I15 – Imazamoxi
I16 – Imibenconazol
I17 – Imiprotrim
I18 – Isoxaflutol
I19 – Imazalil
I20 – Imazapique
I21 – Indoxacarbe
I22 – Iodossulfurom-Metílico-Sódico
I23 – IPBC
I24 – Iprovalicarbe
I25 – Iminoctadina
I25.1 – Iminoctadina tris(albesilato) I26 – Ipconazol I27 – Indaziflam
I26 – Ipconazol
I27 – Indaziflam
L02 – Linurom
L03 – Lactofem
L05 – Lufenurom
M01 – Malationa
M02 – Mancozebe
M04 – MCPA
M04.1 – MCPA-dimetilamônio
M09 – Metaldeído
M14 – Metidationa
M15 – Metiram
M16 – Metolacloro
M17 – Metomil
M19 – Metribuzim
M20 – Mevinfós
M21 – Molinato
M24 – MSMA
M25 – Metopreno
M26 – Metsulfurom
M26.1 – Metsulfurom-Metílico
M27 – Miclobutanil
M28 – Metam
M28.1 – Metam-sódico
M29 – Metil Neodecanamida
M30 – Metiocarbe
M31 – Metalaxil-M
M32 – Metoxifenozida
M33 – Metamitrona
M34 – Metconazol
M35 – Metilciclopropeno
M36 – N-2’S-metilbutil-2-metilbutilamida
M37 – Mepiquate
M37.1 – Cloreto de Mepiquate
M38 – Milbemectina
M39 – Metarhizium anisopliae
M40 – Mesotriona
M43 – Metanol
M44– Metoflutrina
M45– Mandipropamida
M46 – Mesossulfurom-metílico
M47- Melaleuca Alternifolia
M48- METAFLUMIZONE
N01 – Nalede
N02 – Napropamida
N07 – Niclosamida
N08 – Nicossulfurom
N09 – Novalurom
N10 – Neoseiulus californicus
O01 – Óleo Vegetal
O02 – Óleo Mineral
O04 – Orizalina
O06 – Oxadiazona
O07 – Oxicarboxina
O09 – Óxido de Fembutatina
O10 – Oxifluorfem
O14 – Oxassulfurom
O15 – Óleo Creosoto
O16 – Oxadiargil
O17 – Octanoato de ioxinila
O18 – (Z)-13-Octadecenal
O19 – Ortossulfamurom
P01 – Paraquate
P01.1 – Dicloreto de Paraquate
P03 – Parationa-metílica
P05 – Pendimetalina
P06 – Permetrina
P07 – Picloram
P09 – Pirazofós
P10 – Pirimicarbe
P12 – Pirimifós-metílico
P13 – Profenofós
P15 – Prometrina
P16 – Propanil
P17 – Propargito
P19 – Propoxur
P21 – Propiconazol
P22 – Piretrinas
P23 – Propamocarbe
P23.1 – Cloridrato de Propamocarbe
P26 – Piroquilona
P27 – Procloraz (mantida até 31.12.2017 apenas para monitoramento de resíduos em alimentos.)
P29 – Pirazossulfurom
P29.1 – Pirazossulfurom-etílico
P30 – Praletrina
P31 – Propaquizafope
P32 – Piridafentiona
P33 – Procimidona
P34 – Piriproxifem
P35 – Piridabem
P36 – Pencicurom
P38 – Protiofós
P39 – Piritiobaque
P39.1 – Piritiobaque-Sódico
P41 – Propinebe
P43 – Pirimetanil
P45 – Paclobutrazol
P46 – Piraclostrobina
P47 – Profoxidim
P48 – Perfluorooctano sulfonato de lítio
P49 – Piraflufem
P49.1 – Piraflufem-etílico
P50 – Picoxistrobina
P51 – Penoxsulam
P52 – Pimetrozina
P53 – Protioconazol
P54 – Proexadiona cálcica
P55 – Phytoseiulus macropilis
P56 – Paecilomyces lilacinus
P57 – Piroxsulam
P58 – Pochonia chlamydosporia
P59 – Pasteuria Nishizawae
Q01 – Quinometionato
Q02 – Quintozeno
Q04 – Quincloraque
Q05 – Quizalofope-P
Q05.1 – Quizalofope-P-etílico
Q05.2 – Quizalofope-P-tefurílico
R01 – Resmetrina
R02 – Rincoforol
R03– Reynoutria Sachalinensis
S02 – Setoxidim
S03 – Simazina
S05 – Sumitrina
S06 – Serricornim
S07 – Sulfluramida
S08 – Sulfosato
S09 – Sulfentrazona
S11 – Sulfometurom-metílico
S13 – S-Metolacloro
S14 – Sordidim
S15 – Steinernema Puertoricense
S16 – Saflufenacil
S17 – Sophora Flavescens
S18 – Stratiolaelaps scimitus
T05 – Tebutiurom
T06 – Temefós
T10 – Tetradifona
T11 – Tetrametrina
T12 – Tiabendazol
T13 – Tidiazurom
T14 – Tiofanato-metílico
T16 – Tiram
T17 – Triadimefom
T18 – Triazofós
T19 – Triciclazol
T24 – Trifluralina
T25 – Triforina
T27 – Tridemorfe
T28 – Triclopir
T28.1 – Triclopir-butotílico
T29 – Tiobencarbe
T30 – Tiodicarbe
T31 – Triadimenol
T32 – Tebuconazol
T33 – Teflubenzurom
T34 – Triflumurom
T36 – Triflumizol
T37 – Terbufós
T38 – Tolifluanida
T39 – Terbutilazina
T40 – Triticonazol
T41 – Tebufenozida
T42 – Transflutrina
T43 – Terra diatomácea
T45 – Tiazopir
T46 – Tetraconazol
T47 – Tribromofenol
T47.1 – Tribromofenóxido de sódio
T48 – Tiametoxam
T49 – Tiacloprido
T50 – Tepraloxidim
T51 – Trimedlure
T52 – Tifluzamida
T53 – (Z,Z,Z)-3,6,9-Tricosatrieno
T54 – Trifloxistrobina
T55 – Trifloxissulfurom
T55.1 – Trifloxissulfurom-sódico
T56 – Trinexapaque-etílico
T57 – Tebupirinfós
T58 – D-Tetrametrina
T59 – Taninos
T60 – Trichoderma Harzianum
T61 – Tembotrione
T62 – Trichogramma galloi
T63 – Tephrosia candida
T64 – Trichoderma Asperelum
T65 – Trichoderma Stromaticum
T66 – Trichogramma pretiosum
Z04 – Zoxamida

Lista de ingredientes ativos banidos no Brasil

A03 – Acetato de Dinoseb
A09 – Aldrin
A10 – Aloxidim
A13 – Azinfós-Etílico
A17 – Ácido Indolil Acético
A25 – Anidrido Naftálico
A28 – Azafenidina
B02 – Benomil
B04 – BHC
B05 – Bifenoxi
B06 – Binapacril
B13 – Bromofós-etílico
B18 – Butacloro
B21 – Butilato
B23 – Bensulide
C01 – Captafol
C04 – Carbofenotiona
C11 – Clorambem
C14 – Clorfenvinfós
C16 – Clorobenzilato
C27 – Cihexatina
C28 – Clorprofan
C42 – Cifenotrina (Racêmico)
D01 – 2,4DB
D02 – Dalapon
D05 – DEF
D07 – DDT
D08 – Demetom-S-metílico
D09 – Dialifós
D14 – Dicofol
D15 – Dicrotofos
D16 – Difenamida
D20 – Dinoseb
D28 – Diclobenil
D30 – Diclobutrazol
E02 – Endossulfam
E03 – Endrin
E10 – EPTC
E12 – Etidimuron
E13 – Etrinfos
E14 – Etiofencarb
E15 – Estreptomicina
F06 – Fensulfotiona
F11 – Flucitrinato
F16 – Formotiom
F19 – Fosfamidona
F27 – Fenmedifan
F30 – Fyomone
F52 – Fenogrego
G04 – Guazatina
H01 – Heptacloro
H06 – Haloxifope-metílico
I01 – IBP
I06 – Isoprocarbe
I07 – Isoxationa
I11 – Isourom
I14 – Isazofós
K01 – Karbutilate
L01 – Lindano
M03 – Manebe
M07 – Merfos
M08 – Metalaxil
M10 – Metamidofós
M18 – Metoxicloro
M22 – Monocrotofós
M41 – Macex
M42 – Metil eugenol
N03 – Nitralin
N04 – Norflurazona
N06 – Naptalam
O03 – Ometoato
O11 – Oxitetraciclina
O12 – Oxamil
O13 – Oxadixil
P02 – Paration
P04 – Pebulato
P08 – Piracarbolida
P14 – Prometon
P25 – Prime
P28 – Piridato
P37 – Pirifenoxi
P44 – Pentaclorofenol
Q03 – Quinalfos
S04 – Sulprofós
T03 – TCA
T07 – Terbacila
T15 – Tiometona
T20 – Triciclo-hexil-estanho
T21 – Triclorfom
T26 – Tiocarbazil
T35 – Tiamina
T44 – Tolclofós-metílico
V01 – Vamidotiona
V02 – Vernolato
V04 – Vinclozolina – Tolclofós-metílico
Z01 – Zineb
Z02 – Ziram

Fonte – CicloVivo de 05 de abril de 2017

Não existe controle do Estado sobre a venda de agrotóxicos no Brasil

Em 2016, a venda de agrotóxicos rendeu US$ 9,56 bilhões, levemente abaixo dos US$ 9,6 bilhões recebidos em 2015 - Créditos: Reprodução/YoutubeEm 2016, a venda de agrotóxicos rendeu US$ 9,56 bilhões, levemente abaixo dos US$ 9,6 bilhões recebidos em 2015 / Reprodução/Youtube

“A única fonte de informação sobre o mercado de agrotóxicos são os próprios donos”

Nesta segunda-feira (3), o jornal Valor Econômico noticiou nova queda no faturamento das empresas de agrotóxicos no Brasil. Fontes do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) afirmam que, em 2016, a venda de agrotóxicos rendeu US$ 9,56 bilhões, levemente abaixo dos US$ 9,6 bilhões recebidos em 2015.

Mas o que será que este dado tem a nos revelar? Que uma avassaladora onda de consciência vem assaltando as mentes do agronegócio brasileiro e levando os fazendeiros a desistirem dos agrotóxicos e apostarem numa produção limpa? Difícil de acreditar…

Quem manda nos dados?

Em primeiro lugar, é fundamental entender como ocorre a dinâmica de produção e divulgação dos dados sobre a comercialização de agrotóxicos no Brasil. Ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, que tinham por dever legal fiscalizar a venda cobrar os dados das empresas, não o fazem. O Ibama, que até pouco tempo divulgava (com anos de atraso) as informações sobre vendas de ingredientes ativos, depois do golpe mudou seu portal e não disponibiliza mais estes dados [1].

O CREA, que poderia disponibilizar um sistema de informações com dados sobre o receituário agronômico, nunca demonstrou o menor interesse em fazê-lo a nível nacional. Seria o melhor dos mundos, já que a receita contém informações sobre a substância utilizada, a forma de aplicação, o alvo, a área de aplicação, entre outros.

Assim, nossa única fonte de informação sobre a dinâmica do mercado de agrotóxicos são os próprios donos deste mercado, representados pelo Sindiveg. Pelos idos de 2009, este mesma entidade então com outro nome (Sindag) alardeou aos quatro cantos a informação de que o Brasil seria o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com 1 bilhão de litros de veneno por ano. A expectativa de exaltar o mercado nacional acabou saindo pela culatra, e o mantra “O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo” segue sendo repetido por todos e todas que se identificam com a luta contra os agrotóxicos, como sinônimo de absurdo e sinal de uma situação que chegou ao seu limite.

Até o ano de 2011, o Sindiveg divulgava em seu site e enviava por e-mail uma planilha contendo dados detalhados sobre venda de agrotóxicos por cultura, estado e classe, em relação ao ingrediente ativo, produto formulado e valor. De 2012 até 2014, as planilhas murcharam, mas ainda exibiram o faturamento e a quantidade comercializada para cada cultura. Em 2015, tivemos acesso apenas ao faturamento, o que parece estar se repetindo para o ano de 2016.

Mais veneno ou menos veneno?

Retornando ao resultado de 2016, é importante analisar a série histórica do faturamento da indústria de agrotóxicos em nosso país. Os dados a que temos acesso começam em 2000, com míseras 313.824 toneladas vendidas, e um faturamento de US$ 2,5 bilhões. Até 2014, o crescimento foi praticamente ininterrupto, alcançando 914.220 toneladas vendidas, e um faturamento de US$ 12,2 bilhões nesse ano. Ou seja, em 15 anos o volume comercializado aumentou 191% (quase 3 vezes) e o faturamento em dólares aumentou 388% (multiplicado por quase cinco). São números estarrecedores, que não encontram paralelo em nenhuma outra atividade comercial.

Em 2015, uma conjunção da fatores fez com o faturamento (em dólares) levasse um grande tombo de 21,6%. Um dos fatores mais relevantes foi justamente a alta do dólar, que encareceu o preço de importação. Não custa lembrar que cerca de metade do agrotóxicos consumido aqui é importado, e mesmo aquele produzido aqui é dominado pela multinacionais. Há dois elementos curiosos nesta “queda” observada entre 2014 e 2015:

1) O Sindiveg não divulgou amplamente, mas apesar do faturamento em dólares ter caído 21,6%, a quantidade de produtos formulados vendidos caiu apenas 3% [2]. E, pasmem os senhores e as senhoras, a quantidade de ingredientes ativos vendidos aumentou 12,3%! Ou seja: o peso do produto formulado (aquele que chega ao consumidor final) vendido foi menor, mas a quantidade de ingrediente ativo, que é a substância que faz o efeito tóxico, foi maior.

2) Quando convertemos os faturamentos de 2014 e 2015 para reais, ao preço médio do câmbio (R$ 2,35 e R$ 3,33, respectivamente), encontramos uma surpresa: o “tombo” de 20% em dólares se transforma em um crescimento de 14%.

Mercado poderoso demais

A partir do que vimos acima, podemos buscar compreender melhor as implicações do recente anúncio do Sindiveg.

A média de cotação do dólar em 2016 foi R$ 3,48, ou seja, ainda mais alta do que em 2015. Assim, fazendo uma aproximação em reais, temos que o faturamento de 2014 foi de R$ 28 bilhões, que sobe em 2015 para R$ 32 bilhões e, finalmente, alcança 2016 com R$ 33,2 bilhões.

Este não é um valor com o qual lidamos todos os dias. Para entender sua magnitude, talvez seja útil fazer algumas comparações:

Com R$ 33,2 bilhões, poderíamos, por exemplo, multiplicar o Programa Nacional de Alimentação Escolar por quatro, melhorando a qualidade do alimento fornecido às crianças. Fosse esse valor aplicado no Ministério da Saúde, este teria seu orçamento de R$ 42 bi quase dobrado. O valor faturado pelas empresas de agrotóxicos em 2016 equivale a 85 vezes o orçamento do Instituto Nacional do Câncer..

Como conclusão desta rápida análise, temos que:

1) Não existe controle do Estado sobre a venda de agrotóxicos no Brasil. Caso houvesse, teríamos dados confiáveis sobre a comercialização destes produtos em nosso país. Hoje, a única fonte de informação são as próprias empresas, que divulgam apenas parte delas, e ultimamente somente para um público bem selecionado.

2) A suposta queda no faturamento calculado em dólar não significa que houve queda do faturamento em reais, e muito menos que houve queda no uso de agrotóxico. Pelo contrário, houve um aumento da concentração de ingredientes ativos, deixando os venenos ainda mais perigosos para quem lida com eles no campo e quem come os alimentos que chegam à mesa.

3) O faturamento da indústria de agrotóxicos é exorbitante. Enquanto os vendedores de venenos faturaram R$ 33 bi em 2016, o total de gastos diretos do governo federal com o Ministério da Agricultura foi de apenas R$ 13,5 bi, e na Anvisa foram investidos apenas R$ 682 milhões. Ambos deveriam fiscalizar os agrotóxicos, mas obviamente não tem verba nem força política para isso.

4) A recente introdução no Brasil de sementes transgênicas resistentes a mais de um tipo de agrotóxico mostra como funciona a “espiral química”: mais agrotóxicos geram mais plantas resistentes, que necessitam de mais agrotóxicos e novas sementes transgênicas resistentes a mais agrotóxicos. Isso explica também a maior concentração dos agrotóxicos notada acima.

5) Finalmente, não custa lembrar que o mercado de agrotóxicos também é concentrado. Estão em curso três grandes fusões, que devem fazer as antigas seis grandes virarem apenas três gigantes – Bayer-Monsanto, Dow-Dupont e Sygenta-ChemChina.

Diante deste cenário, não nos resta outra alternativa senão resistir. Conheça a plataforma chegadeagrotoxicos.org.br e se some a nós nesta luta!

[1] Graças a um esforço de sistematização da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, estes dados ainda podem ser acessados em http://dados.contraosagrotoxicos.org/group/comercializacao

[2] O dado consta em um relatório do Instituto de Economia Agrícola de SP: http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=14033. Curioso é que a Figura 2, que traz os dados completos de 2015, aponta como fonte uma página que não mostra os dados indicados.

Fonte – Alan Tygel, Brasil de Fato de 05 de abril de 2017