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Especialistas defendem o consumo consciente de água

O Brasil possui cerca de 15% dos recursos hídricos disponíveis para o uso humano no mundo. Entretanto, os especialistas afirmam que é preciso mudar a cultura de valorizar essa abundância – até mesmo porque o volume de água disponível para consumo humano é de cerca de 3% de toda a água existente no mundo. Para eles, a água deve ser vista como um recurso natural indispensável à existência da humanidade, porém limitado – o que torna ainda mais essencial a necessidade de uma gestão eficiente dos recursos hídricos para garantir o seu acesso a todos. O tema foi abordado durante o primeiro Fórum Brasileiro da Água, realizado em São Paulo, que reuniu cerca de 300 lideranças do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil.

Durante o painel de debates “Uso eficiente dos recursos hídricos nos três grandes usuários”, José Maurício Maia, diretor do programa de Uso Racional da Água da Sabesp, lembrou da importância das ações individuais para a economia de água. No fim de 2003, a Região Metropolitana de São Paulo sofreu com a escassez de água nos reservatórios por questões climáticas. Segundo Maia, após a campanha da Sabesp pela redução do consumo, já foi possível notar a diferença. “Das 3,2 milhões de ligações (locais onde chega a água distribuída pela companhia) da Sabesp, 1,6 milhão atingiram a meta. Boa parte do restante não atingiu, mas obteve redução do consumo”. Das ligações que conseguiram reduzir seu gasto de água, 87,5% eram residenciais.

A questão da água tem ganhado a atenção de todos. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Unicef, mais de 1,5 milhão de crianças morreram no ano passado por problemas relacionados à água – seja por falta dela ou pela ingestão de água de má qualidade. A ingestão de água imprópria pode causar diarréia crônica ou outras doenças trazidas por outros parasitas, prejudicando o desenvolvimento social e econômico das comunidades que sofrem deste problema. Outro relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela que cerca de 1 bilhão de pessoas, especialmente na África, usa fontes de água impróprias para o consumo. Enquanto isso, em países ricos, o consumo de água é exagerado.

No caso do Brasil, segundo o IBGE, são 22 milhões de pessoas que não têm acesso à água potável e que acabam suprindo suas necessidades com água imprópria para o consumo. Consumir água com exagero em um lugar é contribuir para que falte em outro ponto da rede de abastecimento, o que prejudica a todos, direta ou indiretamente. Por isso, o consumo consciente é uma oportunidade de mudar um cenário de escassez no futuro por meio de ações simples do dia-a-dia, como reduzir o tempo do banho.

Economia de água

Para Maia, a população já está adquirindo maior consciência a respeito do problema da limitação dos recursos hídricos. Segundo ele, o consumo médio de água no Estado de São Paulo em 1997 era da ordem de 20m³ (20 mil litros de água) por unidade consumidora ao mês. Hoje, ele diz que a demanda é de 14m³ (14 mil litros) mensais por unidade.

No entanto, isso não significa que as ações no sentido de economizar a água já tenham bastado. Segundo Maia, ao mesmo tempo em que houve uma queda de 30% no consumo, houve também um aumento do número ligações, para 5 milhões de unidades cadastradas, o que continua exigindo uma gestão da água que evite desperdícios. (Instituto AKATU)

 

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