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Homem já consome 25% a mais do que a Terra tem para oferecer

O homem está consumindo, anualmente, 25% mais recursos naturais do que a Terra é capaz de repor, de acordo com o Relatório Planeta Vivo 2006, lançado recentemente pela Rede WWF. Se a situação insustentável do planeta continuar como está atualmente, levando-se em conta o crescimento populacional, a evolução tecnológica e o desenvolvimento econômico, serão necessários, já em 2050, dois planetas Terra para suprir a demanda da humanidade, de acordo com a projeção do documento. Essa situação pode comprometer a sustentabilidade da vida no planeta como conhecemos hoje, inclusive da vida humana.

Os dados, obtidos com base no cálculo da “pegada ecológica”, indicam que o Brasil está na média de consumo anual do mundo – o que não significa que seja bom. A pegada ecológica é uma ferramenta que estima a quantidade de recursos naturais necessária para produzir os bens e serviços que um indivíduo ou comunidade consomem e o espaço necessário para absorver os resíduos que produzem. Segundo a WWF, o equilíbrio seria mantido caso a média mundial de pegada ecológica fosse de 1,8 hectares por pessoa ao ano. O Brasil já consome 2,2 hectares, ou seja, cerca de 22% a mais do que a capacidade da Terra de se renovar.

Já nos EUA, por exemplo, a pegada ecológica é de 9,6 hectares por pessoa ao ano. O país é o segundo colocado na lista dos maiores “consumidores” de recursos naturais, atrás dos Emirados Árabes Unidos, com 11,9 hectares anuais per capita. Nesta lista, estão também Finlândia, Canadá, Estônia, Suécia, Kuait (país com menos de um milhão de habitantes), Nova Zelândia e Noruega. Esses países estão nas posições do topo principalmente pela queima em excesso de combustíveis fósseis, que libera gás carbônico (CO2) na atmosfera, o principal causador do aquecimento global.

Todo consumo causa impacto que pode ser positivo ou negativo. Esse impacto afeta a natureza, as relações sociais, a economia e o próprio indivíduo. O consumidor consciente pode minimizar os danos causados à Terra ao ter consciência dos impactos que seus hábitos de consumo têm sobre o planeta e ao buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos, dando, por exemplo, preferências a produtos certificados, cuja produção minimiza os impactos ambientais.

CO2 na pegada ecológica

No cálculo da pegada ecológica é computado também a área necessária para absorção do gás carbônico (CO2) emitido pelas atividades do homem como, por exemplo, a partir da queima de combustíveis fósseis.

Algumas ações simples podem ser realizadas no dia-a-dia para reduzir a emissão de gás carbônico, cooperando para minimizar o aquecimento global e também para reduzir a pegada ecológica. Entre essas ações, o consumidor pode, por exemplo, usar menos o carro, optando por transporte público, como trem, ônibus ou metrô, andar de bicicleta ou a pé e ainda praticar a carona solidária entre pessoas que fazem itinerários semelhantes.

Se, uma vez por semana, um indivíduo deixar o carro em casa para ir ao trabalho, considerando um trajeto de 20 quilômetros, ao longo de um ano inteiro, deixará de lançar para a atmosfera 440 quilos de gás carbônico, como resultado da queima do combustível. Pode parecer pouco, mas essa mesma quantidade de gás carbônico que um homem levou apenas 52 dias para emitir demora 20 anos para ser absorvida pelo processo de fotossíntese por uma árvore de grande porte.

A região latino-americana é apontada pelo relatório como a que, aparentemente, está mais próxima da sustentabilidade. Com uma média de pegada ecológica de 2 hectares per capita ao ano, acima da capacidade média da Terra (1,8 hectare per capita ao ano), a América Latina alcança esse status por não superar a biocapacidade de sua própria região, de 5,4 hectares disponíveis por habitante ao ano. O bloco latino-americano fica, assim, em melhores condições que a África, que tem baixo consumo energético e sua pegada é de 1,1 hectare por pessoa, mas é muito subdesenvolvido. (Instituto Akatu)

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