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Pesquisa descobre para onde lixo jogado nos oceanos é arrastado

Pesquisadores suíços fizeram primeiro mapeamento global sobre poluição nos oceanos. Estudo mostra que 10% de todo o lixo produzido para no mar.

Pesquisadores suíços fizeram o primeiro mapeamento global sobre a poluição nos oceanos.

Ilha de Koror, Oceano Pacífico. Área de proteção ambiental. Um paraíso de água transparente e praia limpa – mas é só de longe. De perto, o que se vê é lixo, principalmente plástico. Os bichos que se alimentam no mar podem confundir: o que é saco plástico e o que é água viva?

Longe dali, no Havaí, um lixão no mar. São as correntes marítimas que levam a sujeira produzida a milhares e milhares de quilômetros de lá.

Os redemoinhos formados pela circulação oceânica acabam recebendo esse material e o lixo circula, sem ter como sair. Os lixões dos cinco oceanos, reunidos, cobririam duas vezes o território brasileiro.

O roteiro de poluição foi traçado pela expedição Race for Water, a “corrida pela água”. O grupo suíço está fazendo o primeiro mapeamento global da sujeira nos cinco oceanos do planeta.

O barco saiu de Bordeaux, na França, em março de 2015 e chega ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira (4), 300 dias depois da partida. Serão mais de 40 mil milhas náuticas, o que corresponde a mais que uma volta inteira ao mundo.

O cenário que os pesquisadores encontraram até agora é muito mais grave do que se imaginava. Além do plástico inteiro, partículas misturadas à areia foram encontradas em todas as praias, e representam um dos maiores perigos para a fauna marinha.

O comandante da tripulação explica que o plástico leva até cinco anos para chegar a lugares distantes e vai se partindo em pequenos pedaços que acabam sendo engolidos por peixes e pássaros.

E nem é preciso ir tão longe para flagrar cenas tristes: em São Vicente, no litoral paulista, a gaivota sai com um pedaço de plástico preso ao bico. Depois, engole. A ingestão de material plástico mata um milhão de aves marinhas a cada ano.

Quem vir o local mostrado no vídeo pode achar que está num aterro sanitário. É praticamente isso. Mas o lugar é cercado de água – é o mangue no litoral de Santos, em São Paulo. O lixão que se formou ali é o resultado de anos e anos de sobe e desce das marés que trazem lixo e depositam.

Lá é o lugar onde as aves costeiras marinhas se alimentam. Além de se contaminarem, elas ainda transportam a sujeira pra região oceânica em áreas preservadas.

No Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, imagens feitas pelo Projeto Albatroz: perigo no ninho dos filhotes de aves em risco de extinção: plástico levado por bichos que voaram até ali.

“Além de liberar essas substâncias tóxicas dentro do organismo das aves, ela vai deixar de se alimentar do que ela realmente precisa. Esse animal ou morre sufocado, pode acontecer a obstrução do intestino, isso quando ela não alimenta um filhote com esse resto de plástico achando que está levando comida de verdade”, afirmou Juliana Yuri Saviolli, veterinária do Projeto Albatroz.

Como proteger nossos bichos? Como lidar definitivamente com o lixo que é de todo mundo, que vem de todas as partes e que se espalha sem controle? Por enquanto, são perguntas sem respostas.

Na chegada ao Rio, a fundação Race for Water e o governo suíço começam uma campanha nacional de conscientização: mar sem lixo, mar da gente. O resultado da expedição pelos oceanos vai ser levado à Conferência das Mudanças Climáticas, em Paris, em dezembro.

Veja aqui a matéria no Jornal Nacional.

Fonte – G1 de 03 de novembro de 2015

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