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Plástico: engodo contra quem?

 

Reporter diário de 17 de janeiro de 2008 

Aos poucos, parece que começa a surgir um consenso contrário à utilização das sacolinhas de plástico distribuídas no comércio. Tem gente indo ao supermercado com sacolas de pano à tiracolo, resgatando um hábito antigo da população. Mas não são apenas os consumidores que decidiram dar um fim às sacolas plásticas, uma praga que demora mais de 100 anos para se decompor no ambiente.

O plástico pode demorar até 500 anos para se decompor.

Muitos comerciantes optam por perguntar sobre o interesse pelo plástico, ao invés de empurrá-lo adiante na hora de uma venda.

Finalmente os comerciantes estão ficando espertos, afinal, a cada sacola entregue é dinheiro gasto pelo comerciante.

Se ele fizer uma simples pergunta VOCÊ PRECISA DE SACOLA PARA LEVAR SUAS COMPRAS? para cada cliente, certamente o cliente irá acordar para o problema da plastificação do planeta e muitas vezes irá recusar a sacola plástica.

Só quem ainda não despertou para a importância da abolição desse composto é o Poder Público. Em agosto do ano passado, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo anunciou o veto ao projeto de lei que obrigava os comerciantes a substituir essas sacolas de plástico-filme por material oxi-biodegradável. Esse composto, acredite, acelera a decomposição do plástico comum em até cem vezes, eliminando-o do ambiente para sempre.

O plástico oxi-biodegradável acelera a decomposição do plástico em até 500 vezes.

Em suas justificativas para o veto, o secretário Xico Graziano disse que “o plástico oxi-biodegradável provoca só um efeito visual, não ecológico. É um truque químico. Seus aditivos são séria ameaça ao ambiente”. Mais: em um artigo, chamou o projeto aprovado pela maioria na Assembléia Legislativa de “Engodo plastificado”.

Uma empresa detentora da tecnologia do plástico oxi-biodegradável sentiu-se incomodada e cobrou explicações do secretário. A resposta veio em papel timbrado, com brasão do governo. Graziano dá a nítida impressão de que sua reação contrária à proposta se deu menos por razões técnicas e mais por se tratar de iniciativa de um deputado petista, que faz oposição ao governo Serra.

Transcrevo trechos do documento enviado pela maior autoridade em meio ambiente do Estado ao empresário, no dia 4/9/2007. “Os artigos de minha autoria não se referiram ao produto de vossa empresa, destacado como o aditivo oxi-biodegradável d2w©. Os argumentos levantados pela Secretaria do Meio Ambiente para o veto ao projeto (…) foram pautados na precaução da utilização de materiais oxi-biodegradáveis e (…) em nenhum momento teve contato com o aditivo d2w©. (…) Quando foi enviado texto para publicação no jornal, a secretaria não havia recebido a documentação acerca do aditivo d2w©, tão menos de laboratórios estrangeiros referentes a testes sobre o mesmo aditivo.”

A conclusão de Graziano foi ainda mais taxativa: “Aproveito para salientar que não existem pesquisas no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente sobre plásticos oxi-biodegradáveis”. Sendo assim, quem, afinal, produziu um engodo contra a sociedade se, em seus argumentos anteriores, o secretário do Meio Ambiente dizia que vários estudos comprovavam a ineficácia e os malefícios do plástico oxi-biodegradável?

Até compreendo que a indústria petroquímica se coloque contrariamente a um projeto que estimule a utilização do plástico oxi-biodegradável. Mas ainda não entendi por que o veto ao projeto foi determinado pelo governo sem estudos técnicos mais apurados em torno de sua utilização. Em Piracicaba, um prefeito do PSDB, ex-braço direito de José Serra no Ministério da Saúde, sancionou lei de mesmo teor, ignorando o veto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

O plástico oxi-biodegradável não será a solução para o problema do lixo. Mas é uma alternativa à escassez de idéias no Estado mais poluidor do país, que deposita milhões de toneladas de plástico diariamente nos lixões e aterros sanitários. Com esse composto, se poderia agilizar o processo, aumentando a vida útil dos aterros.

A luta a favor do composto oxi-biodegradável ainda não terminou. A Assembléia Legislativa pode derrubar esse veto do governo do Estado quando bem entender. Depende só de vontade política e do apoio da sociedade. O importante é que essa alternativa colocou a questão do plástico em debate. E vem fazendo muita gente evitar as famigeradas sacolas plásticas.

Sebastião Almeida é deputado estadual, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e presidente da comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa de São Paulo.

A população de São Paulo tem que se posicionar a favor desta lei, para que o deputado derrube este veto imbecil do serra, para que o problema dos plásticos tenha uma solução.

Todas as leis que estão pipocando no país para utilização de sacolas e sacos de lixo oxi-biodegradáveis para o governo e o comércio são copiadas – com nossa permissão – e esperamos que brevemente todos os estados e cidades tenham sua lei para utilização de plástico oxi-biodegradável e sacola retornável até que o governo federal acorde finalmente e faça uma lei federal para resolver a plastificação do país.

Nosso projeto nasceu em 2005 e está caminhando a passos largos, apesar da oposição dos bandidos das petroquímicas, graças a políticos sérios – sim gente, eu também não acreditava neles mas tive que dar o braço a torcer – que estão muito preocupados com o futuro da humanidade e estão agindo, fazendo leis para proibir a montanha de plástico que cobre nosso país todos os dias.

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