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Que se vai fazer com os sacos plásticos?

É esta imagem que queremos para nossos descendentes,  vivendo em meio ao plástico – como se fosse normal – nas próximas gerações?

por jna876

Imperdoável.

A única matéria em um grande jornal que não está demonizando o plástico oxi-biodegradável e eu esqueço de postar.

Gostei muito do Cícero Bley, que faz plano diretor de limpeza urbana, porque ele deixou a briga das petroquímicas x ambientalistas e deu uma opinião de quem resolve o problema do lixo e deu parecer favorável ao plástico oxi-biodegradável.

Claro que sabemos que a sacola de compras oxi-biodegradável não é uma solução mágica, mas é mais uma contribuição para diminuir a montanha de plástico que cresce dia-a-dia nas cidades.

Se estas sacolas fossem para o aterro, seria menos pior, mas elas acabam entupindo bueiros, em cima de árvores, emporcalhando as ruas, criando também poluição visual, deixando nosso mundo mais feio.

Então, enquando não mudarmos as leis que permitem que os estabelecimentos comerciais distribuam sacolas a vontade, que as pessoas tragam suas sacolas permanentes de casa, a melhor solução para a sacola plástica de uso único é a sacola oxi-biodegradável.

O Estado de São Paulo de 10 de agosto de 2007

Washington Novaes

A controvérsia está sobre a mesa. O governador José Serra vetou projeto aprovado pela Assembléia Legislativa que exigia a adoção, pelo comércio, de sacolas plásticas oxibiodegradáveis, que, segundo o deputado Sebastião Almeida, autor da proposição, aceleram a decomposição do material numa velocidade até cem vezes maior (o plástico comum levaria dezenas de anos para se degradar).

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, tratava-se de um ‘engodo plastificado e uma marotice política’ (Folha de S.Paulo, 27/7), também já vetado antes pelo prefeito paulistano. Porque, diz ele, a tecnologia que produz essas sacolas, se permite que o plástico modificado se degrade mais rapidamente que o plástico comum, em contrapartida contamina o meio ambiente ‘de forma agressiva, em razão dos catalisadores empregados, derivados de metais pesados como níquel, cobalto e manganês’; e as partículas produzidas no processo de decomposição, quando atacadas ‘pela ação de microorganismos, irão liberar, além de gases do efeito estufa, como CO2 e metano, metais pesados e outros compostos inexistentes no plástico comum; pigmentos de tintas, utilizados nos rótulos, também se misturarão ao solo’. Já os fabricantes das sacolas usadas atualmente acrescentam que as partículas do plástico fragmentado ‘infiltram-se no solo e contaminam lençóis freáticos’. Segundo eles, há outros plásticos que poderiam ser utilizados em substituição aos atuais sacos – mas são mais caros.

O autor do projeto vetado retruca que o plástico oxi-biodegradável já é utilizado em mais de 40 países, entre eles Inglaterra, França e Portugal. Que o argumento da liberação de gases não pode ser invocado, já que o plástico comum, derivado do petróleo, também se decompõe em moléculas de carbono e hidrogênio no solo. E que o preço mais alto dos oxibiodegradáveis é compensado por suas vantagens, já que eles economizam aterro – e os sacos plásticos seriam hoje responsáveis por 18% do lixo paulistano, segundo o secretário do Meio Ambiente (e menos de 1% desse lixo é reciclado em usinas).

Mas a controvérsia não é só paulista. No mês passado, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou projeto semelhante. Na discussão, lembrou-se que o Estado do Paraná consome 80 milhões de sacos de plástico por mês (que equivaleriam a ‘uma montanha de 20 toneladas’). No Rio de Janeiro, o secretário estadual de Meio Ambiente já enviou ao governador projeto da mesma natureza (com substituição gradativa dos sacos pelo comércio, que em princípio não se opõe a ela). Também lá um dos argumentos mais fortes é numérico: o Estado consome 1 bilhão de sacos plásticos por ano e 900 milhões de garrafas PET; o governo gasta R$ 15 milhões por ano para dragar rios entupidos por lixo, grande parte de sacos plásticos. No Rio Grande do Sul, a prefeitura de Lajeado lançou, com apoio do comércio, campanha para substituir o plástico por sacolas de pano.

Nem é só brasileiro o tema. Em São Francisco, nos Estados Unidos, foi proibida a utilização desses sacos em supermercados e farmácias. Igual caminho está sendo discutido em Boston, Oakland, Portland, Santa Mônica, Annapolis. Na Europa, vários países – Alemanha e Dinamarca, entre outros – já evitam a entrega gratuita de sacos pelos supermercados à clientela.

Segundo estimativas, o consumo anual de plásticos no Brasil está em 19 quilos por habitante (100 nos Estados Unidos, 70 na Europa). Diz o deputado autor do projeto vetado pelo governador paulista que o consumo do País está em 210 mil toneladas de plástico filme por ano, a matéria-prima dos sacos, que representariam 10% do lixo total do País.

O ex-superintendente do Meio Ambiente do Paraná, Cícero Bley Jr., autor dos planos diretores de limpeza urbana de várias cidades (Vitória, Brasília e Angra dos Reis, entre outras), uma das pessoas que mais entendem do tema no País, acha que os sacos oxibiodegradáveis podem ser vantajosos, já que ao material hoje usado – polietileno de alta densidade – se adicionam agentes primários que aumentam a resistência, mas impedem a reciclagem. A nova tecnologia não abre caminho para a reciclagem, mas permite que o plástico se degrade muito mais rapidamente. E quanto aos metais pesados que se espalhariam na decomposição, diz ele que ‘só se forem usados nas tintas; se usar tinta solúvel ou não usar tinta nenhuma, o problema não existirá’.

Seja como for, é um tema muito relevante para São Paulo. A capital paulista está gerando 13 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial (fora lixo industrial, resíduos da construção, lixo de estabelecimentos de saúde, lixo tecnológico e outros). Só não está em situação mais grave graças aos catadores de lixo, que, segundo as estimativas, encaminham às recicladoras 30% do papel e papelão e 20% dos plásticos e dos vidros.

Se o plástico de fato significar 18% do lixo total, evitar que vá para os aterros (graças a sacolas degradáveis) significará uma economia significativa. Não apenas de aterros, mas do próprio custo da coleta. Mesmo com a atual disputa entre a Prefeitura e as concessionárias da limpeza urbana, o poder público está pagando R$ 16 milhões por mês pela coleta (quase R$ 40 por tonelada), ou cerca de R$ 500 mil por dia (Estado, 23/3); 18% disso significará quase R$ 100 mil economizados por dia.

E, no final das contas, ainda será apenas uma pequena contribuição para que se reduza o incrível total de sacos plásticos descartados no mundo – 1 milhão por minuto, ou quase 1,5 bilhão por dia, mais de 500 bilhões por ano. Que são um dos fortes componentes do entupimento da drenagem urbana e dos rios e córregos. Além de contribuírem poderosamente para a formação de zonas mortas de até 70 mil quilômetros quadrados no fundo dos oceanos.

This Post Has One Comment
  1. o lixo ñ é oum problema so meu mas se de todos aqueles q contribui com a poluicao esso e crimi mas poucos ligam pra isso, nem se importao com o mal q estao fazendo a eles mesmo

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