{"id":10971,"date":"2012-08-16T10:00:38","date_gmt":"2012-08-16T13:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=10971"},"modified":"2012-08-16T10:00:38","modified_gmt":"2012-08-16T13:00:38","slug":"mudancas-climaticas-antropogenicas-lixo-e-exploracao-submarina-ameacam-fauna-e-flora-do-fundo-dos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/mudancas-climaticas-antropogenicas-lixo-e-exploracao-submarina-ameacam-fauna-e-flora-do-fundo-dos-oceanos\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas antropog\u00eanicas, lixo e explora\u00e7\u00e3o submarina amea\u00e7am fauna e flora do fundo dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #008000;\">Fauna e a flora do fundo dos oceanos est\u00e3o amea\u00e7adas \u2013 Os impactos negativos da a\u00e7\u00e3o humana nos ecossistemas ultrapassaram a parte vis\u00edvel do planeta. Setenta e um por cento da Terra \u00e9 formada pelos oceanos e, apesar de metade dos mares terem profundidade acima de 3 mil metros, esse mundo distante e pouco conhecido j\u00e1 sofre amea\u00e7as \u00e0 fauna e \u00e0 flora. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas antropog\u00eanicas, lixo e explora\u00e7\u00e3o submarina s\u00e3o as principais causas da degrada\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, de acordo com um estudo internacional <a href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2011\/08\/08\/a-proposed-deep-ocean-road-map\/\" target=\"_blank\">[Deep-Water Chemosynthetic Ecosystem Research during the Census of Marine Life Decade and Beyond: A Proposed Deep-Ocean Road Map]<\/a> baseado em dados do Censo da Vida Marinha e publicado neste m\u00eas pelo site especializado PloS One. Reportagem de Paloma Oliveto, no Correio Braziliense.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u201cAs pessoas n\u00e3o veem o fundo do mar, por isso, sua degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema com o qual n\u00e3o se preocupam. Isso tem incentivado, ao longo dos s\u00e9culos, o despejo de todo tipo de res\u00edduo no oceano\u201d, observa, em entrevista ao Correio, Eva Ramirez-Llodra, bioge\u00f3grafa do Instituto de Ci\u00eancias do Mar, em Barcelona, principal autora do artigo. \u201cA\u00e7\u00f5es como essa trazem efeitos ainda desconhecidos para os h\u00e1bitats e suas faunas. E, embora jogar lixo no mar seja uma atividade proibida, o problema persiste por causa do ac\u00famulo hist\u00f3rico em oceanos de todo o mundo\u201d, diz a pesquisadora, que tamb\u00e9m integrou a equipe do Censo da Vida Marinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">De acordo com Ramirez-Llodra, a explora\u00e7\u00e3o do fundo do mar come\u00e7ou h\u00e1 150 anos, incentivada por debates sobre a exist\u00eancia de vida a profundidades a partir de 300m. Em 1818, sir John Ross, almirante escoc\u00eas, descreveu a estrela-marinha Gorgonocephalus caputmedusae, capturada a 1,6 mil metros na Passagem Noroeste, uma rota mar\u00edtima entre os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, localizada na costa da Am\u00e9rica do Norte. S\u00f3 em 1850, contudo, surgiram provas contundentes de flora e da fauna nas partes mais profundas do mar, nos fiordes da Noruega. Pouco tempo depois, a expedi\u00e7\u00e3o oceanogr\u00e1fica HMS Ghallenger, ocorrida entre 1872 e 1876, encontrou animais em todos os abismos marinhos investigados, mesmo resultado obtido em 1952, quando foi encerrada a expedi\u00e7\u00e3o dinamarquesa Galathea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u201cAo fim desse per\u00edodo de explora\u00e7\u00f5es pioneiras, a compreens\u00e3o que se tinha do oceano profundo era a de um local com baixa biodiversidade. Um ambiente escuro, tranquilo e invari\u00e1vel\u201d, diz o artigo. Com base nessa informa\u00e7\u00e3o, em 1972 foi assinada a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar, documento que considerava o fundo das \u00e1guas profundas, incluindo os minerais depositados no solo, como explor\u00e1vel. \u201cMas essa vis\u00e3o mudou substancialmente nas d\u00e9cadas seguintes\u201d, conta Ramirez-Llodra.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Riqueza provada<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Gra\u00e7as a tecnologias mais sofisticadas, pesquisas da macrofauna demonstraram que o oceano profundo era muito mais diverso biologicamente do que se imaginava. Em uma \u00fanica amostra, uma equipe de cientistas encontrou 365 esp\u00e9cies diferentes. Na d\u00e9cada de 1990, foi estimado que 10 milh\u00f5es de pequenos invertebrados \u2014 o dobro do encontrado em florestas tropicais \u2014 habitavam o fundo do mar. \u201cMesmo assim, poucos foram os esfor\u00e7os para pesquisar e analisar esse ambiente\u201d, lamenta a bioge\u00f3grafa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Somente no fim do s\u00e9culo 21, o oceano profundo foi reconhecido como o maior ambiente da Terra, contendo numerosos sub-h\u00e1bitats, com caracter\u00edsticas \u00fanicas e uma alta biodiversidade. \u201cAinda assim, o fundo do mar continua mais do que remoto na consci\u00eancia p\u00fablica\u201d, comenta Odd Aksel Bergstad, pesquisador do Instituto de Pesquisas Marinhas da Noruega e coautor do artigo publicado no PloS One. \u201cO oceano profundo foi e continua sendo percebido como um provedor de servi\u00e7os em dois n\u00edveis: serviu como um local conveniente para o dep\u00f3sito de lixo, principalmente onde as op\u00e7\u00f5es terrestres n\u00e3o eram politicamente e \u2018eticamente\u2019 atraentes; e como fonte potencial de minerais e riquezas biol\u00f3gicas\u201d, critica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em 1972, uma conven\u00e7\u00e3o ambiental em Londres proibiu que os navios despejassem lixo no mar. Na pr\u00e1tica, entretanto, pouca coisa mudou e, al\u00e9m disso, os efeitos de d\u00e9cadas de ac\u00famulo de detritos ainda n\u00e3o foram apagados, segundo os pesquisadores. Navios graneleiros, petroleiros, barcos de pesca, ferryboats e iates depositam diversos tipos de entulho no oceano profundo, e estima-se que 636 mil toneladas de lixo sejam jogadas no mar todos os anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">As amostras recolhidas por cientistas exibem a variedade de detritos: pesca descartada, \u00f3leo, material naval, pl\u00e1stico, redes de arrast\u00e3o, madeira, cascas e frutas, entre outros. \u201cEm uma pesquisa, encontramos 20 redes de arrast\u00e3o em uma \u00e1rea de apenas 1km\u00b2\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">\u201cPesca fantasma\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O lixo, por\u00e9m, \u00e9 apenas um dos problemas. Desde 1960, a pesca de arrast\u00e3o \u00e9 realizada em profundidades superiores a 200m. Segundo Eva Ramirez-Llodra, cada vez mais os barcos pesqueiros se afastam da costa, em busca de \u00e1guas mais profundas. \u201cEsse tipo de pesca provoca impacto nas popula\u00e7\u00f5es de peixes at\u00e9 3,1 mil metros abaixo do n\u00edvel do mar. Esp\u00e9cies que vivem nessas profundidades geralmente t\u00eam crescimento lento e maturidade tardia, por isso, a captura por redes pode levar ao colapso de algumas popula\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201cO arrast\u00e3o tamb\u00e9m reduz a diversidade de invertebrados, principalmente dos corais de \u00e1guas frias.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">No Mar Mediterr\u00e2neo, h\u00e1 pelo menos seis d\u00e9cadas o camar\u00e3o vermelho Aristeus antennatus \u00e9 perseguido por pescadores, que lan\u00e7am suas redes a 900m de profundidade. \u201cEstudos recentes sobre a biodiversidade nessas \u00e1reas sugerem que houve mudan\u00e7as significativas na estrutura da popula\u00e7\u00e3o local, com diminui\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas do camar\u00e3o, mas de corais, esponjas e equinodermes do fundo do mar, que acabam sendo capturados tamb\u00e9m\u201d, conta Ramirez-Llondra. Al\u00e9m disso, muitas redes se perdem ou s\u00e3o descartadas no oceano, acumulando-se no fundo e resultando em um problema conhecido como \u201cpesca fantasma\u201d: animais caem nessas armadilhas abandonadas e n\u00e3o conseguem se desvencilhar. Os impactos, sugerem os autores do artigo, perduram anos a fio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Outras atividades econ\u00f4micas de risco s\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, que contamina as \u00e1guas, al\u00e9m do risco de provocar acidentes, como o ocorrido no ano passado nos Estados Unidos, e a bioprospec\u00e7\u00e3o. Por causa da grande biodiversidade do fundo do mar, esse ecossistema tem sido uma fonte de busca de recursos biol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos para serem usados em medicamentos e cosm\u00e9ticos. \u201cPesquisas importantes t\u00eam sido feitas, como a busca da produ\u00e7\u00e3o de sangue artificial e agentes anticancer\u00edgenos, mas o problema \u00e9 que a tecnologia usada n\u00e3o \u00e9 adequada e coloca todo o ecossistema em risco\u201d, alerta a bioge\u00f3grafa espanhola.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Clima<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O aquecimento global n\u00e3o est\u00e1 afetando apenas as temperaturas em terra firme. Outra amea\u00e7a ao fundo do mar s\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, de acordo com o estudo publicado no PloS One. \u201cAltera\u00e7\u00f5es no clima ocorreram no passado depois de eventos catastr\u00f3ficos, que levaram a extin\u00e7\u00f5es em massa. Pela primeira vez na hist\u00f3ria da Terra, entretanto, as mudan\u00e7as t\u00eam sido for\u00e7adas pelo homem. E essas mudan\u00e7as afetam o ambiente marinho; o fundo do mar n\u00e3o est\u00e1 imune \u00e0s consequ\u00eancias\u201d, registra o artigo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nos h\u00e1bitats profundos, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica implica diversos processos, como a acidifica\u00e7\u00e3o, a altera\u00e7\u00e3o na temperatura e a expans\u00e3o das zonas hip\u00f3xicas, \u00e1reas onde o crescimento desordenado de algas sequestra todo o oxig\u00eanio dispon\u00edvel. De acordo com o estudo, metade do di\u00f3xido de carbono lan\u00e7ado pelas atividades humanas na atmosfera vai para o fundo do mar, o que muda o PH da \u00e1gua. Com isso, organismos como os corais s\u00e3o prejudicados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u201cA continuidade do aquecimento global poder\u00e1 causar o desaparecimento de recifes de coral\u201d, alerta o professor de biologia da Universidade de Penn State Jodd LaJeunesse, em entrevista ao Correio. O cientista, especialista no assunto, explica que os corais t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de simbiose com as algas, e qualquer altera\u00e7\u00e3o no meio ambiente pode prejudicar as duas esp\u00e9cies. Enquanto nas \u00e1guas de superf\u00edcie as algas t\u00eam demonstrado toler\u00e2ncia ao aumento da temperatura, nos h\u00e1bitats frios e profundos muito poucas suportam as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A equipe de LaJeunesse investigou o comportamento desses organismos no Oceano \u00cdndico e na regi\u00e3o da Grande Barreira de Corais, na Austr\u00e1lia. \u201cAlgumas esp\u00e9cies simbi\u00f3ticas conseguem suportar a \u00e1gua mais quente, mas se o aquecimento global aumentar, mesmo elas n\u00e3o v\u00e3o tolerar mais\u201d, acredita.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Panorama geral<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O estudo publicado no PloS One tem como base o Censo da Vida Marinha, um trabalho internacional que visa mapear a vida nos oceanos. Veja alguns dados do censo:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">* As \u00e1guas da Austr\u00e1lia e do Jap\u00e3o s\u00e3o as que apresentam maior biodiversidade, com 33 mil esp\u00e9cies<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * Mesmo as regi\u00f5es menos diversas, como o Mar B\u00e1ltico e o nordeste dos Estados Unidos, ainda t\u00eam 4 mil esp\u00e9cies desconhecidas<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * Os crust\u00e1ceos representam entre 22% e 35% das esp\u00e9cies marinhas do Brasil, do Alasca, da Ant\u00e1rtica, da Calif\u00f3rnia, do Caribe e da Corrente de Humboldt, mas s\u00e3o apenas 10% da biodiversidade do Mar B\u00e1ltico<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * Os moluscos representam 26% das esp\u00e9cies da Austr\u00e1lia e do Jap\u00e3o, mas apenas entre 5% e 7% das esp\u00e9cies do Mar B\u00e1ltico, da Calif\u00f3rnia, do \u00c1rtico e o leste e oeste canadense<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * Plantas e algas s\u00e3o um ter\u00e7o de todas as esp\u00e9cies do Mar B\u00e1ltico, do \u00c1rtico, da Europa e do Canad\u00e1. S\u00e3o escassas, contudo, na Ant\u00e1rtica, no Caribe, na China, na Corrente de Humboldt, no Pac\u00edfico tropical e no Atl\u00e2ntico tropical<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * Esp\u00e9cies end\u00eamicas compreendem metade das esp\u00e9cies marinhas da Nova Zel\u00e2ndia e da Ant\u00e1rtica, e um quarto das encontradas na Austr\u00e1lia e na \u00c1frica do Sul. As \u00e1guas do Caribe, da China, do Jap\u00e3o e do Mediterr\u00e2neo t\u00eam menos de 2 mil esp\u00e9cies, e o Mar B\u00e1ltico possui apenas um tipo de alga marinha<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * O local onde h\u00e1 mais esp\u00e9cies invasivas \u00e9 o Mediterr\u00e2neo, com 600 esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o t\u00edpicas daquele ambiente<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #008000;\"> * O percentual de esp\u00e9cies ainda n\u00e3o descritas \u00e9 estimado entre 39% e 58% na Ant\u00e1rtica, 38% na \u00c1frica do Sul, 70% no Jap\u00e3o, 75% no Mediterr\u00e2neo e mais de 80% na Austr\u00e1lia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Fonte &#8211; EcoDebate de 08 de agosto de 2011<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fauna e a flora do fundo dos oceanos est\u00e3o amea\u00e7adas \u2013 Os impactos negativos da a\u00e7\u00e3o humana nos ecossistemas ultrapassaram a parte vis\u00edvel do planeta. 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