{"id":11527,"date":"2012-12-04T13:00:41","date_gmt":"2012-12-04T15:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=11527"},"modified":"2012-12-04T13:00:41","modified_gmt":"2012-12-04T15:00:41","slug":"a-civilizacao-do-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-civilizacao-do-lixo\/","title":{"rendered":"A civiliza\u00e7\u00e3o do lixo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/farm9.staticflickr.com\/8060\/8243973759_0892431ecc_o.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm9.staticflickr.com\/8060\/8243973759_d87114f46f.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"366\" \/><\/a><br \/>\n\u201cO Brasil vivencia nos \u00faltimos 20 anos uma escalada na desova de descartes de uma forma que n\u00e3o t\u00eam precedentes. <strong>Entre 1991 e 2000 a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu 15,6%. Por\u00e9m, o descarte de res\u00edduos aumentou 49%. Sabe-se que em 2009 a popula\u00e7\u00e3o cresceu 1%, mas a produ\u00e7\u00e3o de lixo cresceu 6%\u201d,<\/strong> constata o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cAdmite-se que <strong>atualmente exista um descarte mundial de 30 bilh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano.<\/strong> Seria merit\u00f3rio advertir que os lixos j\u00e1 assumiram os contornos de uma calamidade civilizat\u00f3ria. Em termos mundiais, apenas a quantidade de refugos municipais coletados \u2013 estimada em 1,2 bilh\u00f5es de toneladas \u2013 supera nos dias de hoje a produ\u00e7\u00e3o global de a\u00e7o, or\u00e7ada em 1 bilh\u00e3o de toneladas. Por sua vez, as cidades ejetam rejeitos \u2013 2 bilh\u00f5es de toneladas \u2013 que superam no m\u00ednimo em 20% a produ\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria de cereais, demonstrando que o mundo moderno gera mais refugo que carboidrato b\u00e1sico. Contudo, mesmo esta not\u00e1vel volumetria de res\u00edduos parece n\u00e3o satisfazer a obsess\u00e3o em maximiz\u00e1-los. O resultado disso \u00e9 uma aut\u00eantica cascata de lixos\u201d. Os dados impressionantes s\u00e3o trazidos pelo consultor ambiental Maur\u00edcio Waldman, na entrevista que concedeu por e-mail \u00e0 IHU On-Line.<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Waldman (foto) \u00e9 escritor, professor universit\u00e1rio, pesquisador e consultor ambiental. Tem gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia, mestrado em Antropologia e doutorado em Geografia pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. \u00c9 p\u00f3s-doutor pelo Departamento de Geografia do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Estadual de Campinas \u2013 Unicamp. Atualmente desenvolve, com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 Fapesp, seu segundo p\u00f3s-doutorado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, na FFLCH-USP. Foi chefe da coleta seletiva de lixo da capital paulista e coordenador do meio ambiente em S\u00e3o Bernardo do Campo. \u00c9 autor e\/ou coautor de 15 livros, um dos quais \u00e9 Lixo: cen\u00e1rios e desafios (S\u00e3o Paulo: Cortez Editora, 2010).<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> De modo geral, como voc\u00ea define o problema do lixo na sociedade moderna?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> H\u00e1 um problema mundial relacionado ao lixo que \u00e9 ineg\u00e1vel. Neste prisma, um dado que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 fornecido pela literatura t\u00e9cnica relacionada com o tema. Admite-se que atualmente exista um descarte mundial de 30 bilh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano. Seria merit\u00f3rio advertir que os lixos j\u00e1 assumiram os contornos de uma calamidade civilizat\u00f3ria. Em termos mundiais, apenas a quantidade de refugos municipais coletados \u2013 estimada em 1,2 bilh\u00f5es de toneladas \u2013 supera nos dias de hoje a produ\u00e7\u00e3o global de a\u00e7o, or\u00e7ada em 1 bilh\u00e3o de toneladas. Por sua vez, as cidades ejetam rejeitos \u2013 2 bilh\u00f5es de toneladas \u2013 que superam no m\u00ednimo em 20% a produ\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria de cereais, demonstrando que o mundo moderno gera mais refugo que carboidrato b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Contudo, mesmo esta not\u00e1vel volumetria de res\u00edduos parece n\u00e3o satisfazer a obsess\u00e3o em maximiz\u00e1-los. O resultado disso \u00e9 uma aut\u00eantica cascata de lixos. Exemplificando, a popula\u00e7\u00e3o norte-americana cresceu quase 2,5 vezes entre 1960 e o ano 2000. Por\u00e9m, o j\u00e1 magn\u00e2nimo descarte dos Estados Unidos praticamente triplicou desde 1960.<\/p>\n<p>Adicionalmente, outras peritagens mostram que no ano 2020 a Uni\u00e3o Europeia estar\u00e1 descartando 45% mais rebotalhos do que em 1995. Na Uni\u00e3o Europeia, um pormenor candente \u00e9 que o lixo domiciliar se expandiu inclusive em pa\u00edses com evolu\u00e7\u00e3o populacional pouco expressiva. No caso espanhol, sete anos (1996-2003), foram suficientes para incrementar os refugos em 40%.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> E no Brasil, como se situa este problema?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Malgrado uma nebulosa pe\u00e7a acusat\u00f3ria culpabilizar os pa\u00edses do Norte pela gera\u00e7\u00e3o do lixo, o Brasil \u2013 ao lado de outras na\u00e7\u00f5es do hemisf\u00e9rio Sul \u2013 ocupa uma inc\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o dos refugos. No caso, tanto pelas propor\u00e7\u00f5es como pela m\u00e9dia per capita. Na verdade, o lixo brasileiro supera a maioria das na\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas. N\u00e3o seria demasiado sinalizar, que conquanto corresponda a 3,06% da popula\u00e7\u00e3o mundial e 3,5% do PIB global, o Brasil seria, por outro lado, origem de um montante estimado entre 5,5% do total mundial dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. Dito de outro modo: o pa\u00eds \u00e9 um grande gerador mundial de lixo e deve assumir sua responsabilidade em contribuir para com a resolu\u00e7\u00e3o do problema.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quais os principais e mais urgentes desafios a serem enfrentados?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o admite vacila\u00e7\u00e3o e precisamos adotar de verdade os famosos quatro \u201cRs\u201d: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. A ordem de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente essa, come\u00e7ando com repensar e terminando com reciclar. Repensar a sistem\u00e1tica de eje\u00e7\u00e3o dos lixos \u00e9 fundamental, pois o problema, apesar de normalmente visto como uma problem\u00e1tica econ\u00f4mica, \u00e9, em larga escala, um tema tamb\u00e9m pavimentado por injun\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e culturais. <span style=\"color: #ff6600;\">Faltou o quinto R \u00a0de recusar sobreembalagens e embalagens desnecess\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p>No caso brasileiro, o pa\u00eds vivencia nos \u00faltimos 20 anos uma escalada na desova de descartes de uma forma que n\u00e3o t\u00eam precedentes. Entre 1991 e 2000 a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu 15,6%. Por\u00e9m, o descarte de res\u00edduos aumentou 49%. Sabe-se que em 2009 a popula\u00e7\u00e3o cresceu 1%, mas a produ\u00e7\u00e3o de lixo cresceu 6%. Essas dessimetrias s\u00e3o tamb\u00e9m evidentes em <strong>dados como os que indicam a metr\u00f3pole paulista como o terceiro polo gerador de lixo no globo. Perde apenas para Nova York e T\u00f3quio.<\/strong> Mas devemos reter que S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 a terceira economia metropolitana do planeta. \u00c9 a 11a ou 12a. Ou seja, gera-se muito mais lixo do que seria admiss\u00edvel a partir de um par\u00e2metro eminentemente econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual a rela\u00e7\u00e3o entre a quest\u00e3o do lixo e o consumo (e a consequente gera\u00e7\u00e3o de lixo) como indicativo de desenvolvimento?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> A cultura organizacional da modernidade, cuja mola mestra s\u00e3o ritmos cada vez mais velozes impostos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, obrigatoriamente tem na reposi\u00e7\u00e3o constante dos bens uma meta estrat\u00e9gica da sua reprodu\u00e7\u00e3o material. Dito de outro modo: <strong>trata-se de conduzir o consumo para a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades que n\u00e3o se justificam em si mesmas, mas prioritariamente constituem pressuposto para a produ\u00e7\u00e3o.<\/strong> No seu entrosamento mais literal, validar o dinamismo do mercado implica promover o descarte cont\u00ednuo dos bens, ejetados pelo carrossel do consumo.<\/p>\n<p>Na perspicaz argumenta\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo Abraham Moles, <strong>vivemos numa civiliza\u00e7\u00e3o consumidora que produz para consumir e cria para produzir, um ciclo onde a no\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 a de acelera\u00e7\u00e3o. Consequentemente, quanto mais r\u00e1pida for a substitui\u00e7\u00e3o das mercadorias, tanto mais encorpado ser\u00e1 o giro do capital. Quando antes e quanto mais os produtos se tornarem in\u00fateis, tanto maiores ser\u00e3o os lucros. Ainda que a contrapartida seja sobre-explorar os recursos naturais e, \u00e9 claro, maximizar a gera\u00e7\u00e3o de lixo.<\/strong> Como seria poss\u00edvel arrematar, este conceito de economia \u00e9 caduco, ambientalmente irrespons\u00e1vel e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o nenhuma de manter continuidade. N\u00e3o hesitaria em afirmar que ele se tornou uma amea\u00e7a para o futuro da esp\u00e9cie humana. Urge redirecionar a economia para outras vertentes: qualidade de vida, preserva\u00e7\u00e3o ambiental, utiliza\u00e7\u00e3o racional dos recursos naturais, revis\u00e3o do estilo de vida e da economia dos materiais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> O que deveria fazer parte de um plano de gest\u00e3o de res\u00edduos municipal ideal?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Essa \u00e9 uma pergunta muito comum. O interessante \u00e9 que as pessoas imaginam que seja poss\u00edvel criar um \u201cplano padr\u00e3o\u201d para a gest\u00e3o dos res\u00edduos. Isto \u00e9, um programa capaz de ser aplicado em qualquer contexto. Para citar um exemplo, chegaram a entrar em contato comigo solicitando um plano para uma cidade de 200 mil habitantes. Como \u00e9 que pode? Claro que o conhecimento do perfil demogr\u00e1fico importa para a confec\u00e7\u00e3o de um plano de gest\u00e3o de res\u00edduos. Todavia, esse dado por si s\u00f3 \u00e9 insuficiente. Por exemplo, as cidades de Marab\u00e1 (Par\u00e1), Presidente Prudente (S\u00e3o Paulo) e S\u00e3o Leopoldo (Rio Grande do Sul) possuem contingente populacional semelhante, em torno de 200 mil habitantes. Mas isso n\u00e3o significa que uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o bem sucedida em S\u00e3o Leopoldo possa ser repetida em Marab\u00e1 ou em Presidente Prudente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 importante primeiramente obter dados do perfil do lixo de cada cidade, pa\u00eds ou regi\u00e3o, assim como as din\u00e2micas respons\u00e1veis pela eje\u00e7\u00e3o de descartes e, na sequ\u00eancia, trabalhar com os aspectos sociais, econ\u00f4micos e culturais envolvidos naquilo que se joga fora. N\u00e3o existe lixo: existem lixos. Express\u00e3o plural e n\u00e3o singular.<\/p>\n<p><strong>Outro aspecto essencial \u00e9 mudar a vis\u00e3o tradicional que observa o lixo unicamente como um resultado. Na realidade, o lixo reporta a um processo, a um dinamismo cujo monitoramento n\u00e3o tem como ser bem sucedido atendo-se a ele enquanto um resultado final. Objetivamente, o importante \u00e9 pensar as causas, origem dos problemas \u2013 e n\u00e3o o fim da linha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quais s\u00e3o os principais fatores que envolvem o gerenciamento do lixo no plano municipal?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Entendo que existem duas diretrizes matriciais: uma de \u00edndole filos\u00f3fica, que seria o caso, por exemplo, dos quatro \u201cRs\u201d e outra, atinente aos aspectos log\u00edsticos de gest\u00e3o do lixo. De qualquer modo, assevere-se que nosso tem\u00e1rio \u00e9 o lixo brasileiro, que \u00e9 dotado de uma s\u00e9rie de especificidades que devem estar colocadas no centro das aten\u00e7\u00f5es. Em nome dessas peculiaridades que <strong>o trabalho dos catadores deve, por exemplo, ser protegido, incentivado e valorizado pelas administra\u00e7\u00f5es municipais.<\/strong> Mas isso \u00e9 o oposto do que acontece na maioria dos casos. Estigmatizados socialmente, <strong>o trabalho dos catadores \u2013 que corresponde a mais de 98% dos materiais encaminhados \u00e0s recicladoras<\/strong> \u2013 segue, a despeito do seu enorme valor social e ambiental, repudiado, quando n\u00e3o hostilizado abertamente, pelas administra\u00e7\u00f5es municipais. \u00c9 o que pondera nota oficial divulgada pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis em 2010. O manifesto recorda que <strong>apenas 142 munic\u00edpios em todo o pa\u00eds (2,5% do total) mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o de parceria com associa\u00e7\u00f5es e cooperativas de catadores.<\/strong> Tal situa\u00e7\u00e3o requer revis\u00e3o imediata.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Como estes fatores ent\u00e3o devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Entendo que o problema do lixo pode, ao menos, ser mitigado com o concurso de procedimentos inteligentes e pr\u00e1ticas ambientalmente corretas. Um exemplo bem concreto: dependendo da bibliografia,<strong> o volume de detritos org\u00e2nicos no lixo domiciliar brasileiro pende entre 52% a 69,6% do total.<\/strong> Qual seja: independentemente da fonte, o que ningu\u00e9m discute \u00e9 a magnitude da fra\u00e7\u00e3o \u00famida no lixo residencial. Normalmente, o sistema de limpeza urbana desova toda essa portentosa massa de sobras nos aterros. Mas existem outras solu\u00e7\u00f5es. Dever\u00edamos priorizar a educa\u00e7\u00e3o ambiental, trabalhar contra o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Afinal, um documento da FAO (\u00f3rg\u00e3o da ONU relacionado com a alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura), datado de 2004, revela que <strong>o Brasil est\u00e1 entre os dez pa\u00edses que mais jogam comida no lixo, com perda m\u00e9dia de 35% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/strong> Segundo levantamentos, <strong>cada fam\u00edlia brasileira desperdi\u00e7a cerca de 20% dos alimentos que adquire no per\u00edodo de uma semana e a Companhia Nacional de Abastecimento \u2013 Conab estima perdas em gr\u00e3os em torno de 10% da produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Outras avalia\u00e7\u00f5es indicam que <strong>praticamente 64% do que \u00e9 cultivado no pa\u00eds acaba lan\u00e7ado na lata de lixo.<\/strong> Isso \u00e9 um contrassenso manifesto numa na\u00e7\u00e3o rotineiramente assediada por campanhas de combate \u00e0 fome. Portanto, devemos atacar a raiz do problema e parar de pensar que gest\u00e3o dos res\u00edduos se resume a tirar saquinho da cal\u00e7ada. A gest\u00e3o dos res\u00edduos deve se situar antes do saquinho, e n\u00e3o depois dele.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Mas ainda assim existir\u00e3o sobras\u2026<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Sem d\u00favida alguma. Inclusive aproveito o momento para questionar o conceito de Lixo Zero. Isso \u00e9 uma mitologia, uma verdadeira pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o. Toda atividade humana consome \u00e1gua, solicita energia e gera lixo. Essa pondera\u00e7\u00e3o vale inclusive para a atividade recicladora. Mas se eliminar lixo \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o insensata, por outro lado \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel pautar a redu\u00e7\u00e3o dos rejeitos.<\/p>\n<p>Retomando o caso do lixo culin\u00e1rio, o meio ambiente e as cidades lucrariam muito mais na hip\u00f3tese de se universalizar a compostagem dom\u00e9stica do que ficar investindo em caros sistemas de log\u00edstica de coleta de res\u00edduos, em aterros e incineradores. Com a ado\u00e7\u00e3o de minhoc\u00e1rios dom\u00e9sticos, a redu\u00e7\u00e3o do lixo org\u00e2nico pode alcan\u00e7ar a propor\u00e7\u00e3o de 95% do total. Isso significa que os gastos com coleta de lixo urbano podem retrair em at\u00e9 50%. Consequentemente, haveria grande economia para o er\u00e1rio p\u00fablico, propiciando mais verba para sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Mesmo que apenas uma parcela da popula\u00e7\u00e3o adote o sistema, ainda assim os ganhos seriam consider\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Que tipo de lixo \u00e9 o grande vil\u00e3o? O domiciliar \u00e9 um dos maiores?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> O lixo jamais constitui vil\u00e3o. Ele \u00e9 transformado em um estorvo em raz\u00e3o do papel que os res\u00edduos assumiram na nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Como recorda o ge\u00f3grafo franc\u00eas Jean Gottman, vivemos um per\u00edodo que poderia ser definido como a Era do Lixo. Esta \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que os res\u00edduos passaram a ocupar um nexo central nas preocupa\u00e7\u00f5es humanas. Trata-se de um fato in\u00e9dito cuja origem \u00e9 o ineditismo de como os rejeitos s\u00e3o trabalhados pela modernidade.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o do lixo domiciliar faz-se importante lembrar \u2013 no que causaria esp\u00e9cie a um difuso senso comum \u2013 que os rejeitos residenciais perfazem n\u00e3o mais que 2,5% do total do lixo mundial. Na realidade, o que \u00e9 descartado pelas resid\u00eancias \u00e9 suplantado de longe, em ordem de import\u00e2ncia, pelos rejeitos da minera\u00e7\u00e3o, da ind\u00fastria e da agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Note-se que esses tr\u00eas segmentos s\u00e3o respons\u00e1veis pela gera\u00e7\u00e3o de aproximadamente 91% do lixo planet\u00e1rio, cabendo tanto para a pecu\u00e1ria quanto para a minera\u00e7\u00e3o algo mais que a ter\u00e7a parte do total, e para a agricultura cerca de 20%. Na sequ\u00eancia, temos o lixo industrial, com 4%, o entulho, com 3%, e os res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, com 2,5%.<\/p>\n<p>Entretanto, caberia sublinhar que, embora o lixo domiciliar seja 2,5% nessa conta, processualmente \u00e9 o mais importante de todos. Isso porque tudo ou quase tudo que se produz no mundo acaba descartado no saquinho que colocamos na cal\u00e7ada ou na lixeira do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>O lixo domiciliar \u00e9 o \u00faltimo elo de uma longa cadeia de gera\u00e7\u00e3o de lixos. Segundo a ativista de sustentabilidade norte-americana, Annie Leonard, professora da Universidade Cornell, atr\u00e1s de cada saquinho colocado na cal\u00e7ada existem 60 outros sacos de lixo descartados no processo da produ\u00e7\u00e3o. Em resumo, o lixo domiciliar \u00e9 o \u00faltimo avatar na ciranda da gera\u00e7\u00e3o de lixos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quanto lixo \u00e9 gerado nos munic\u00edpios brasileiros e o que \u00e9 feito com ele?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Os dados compilados mais recentes s\u00e3o de 2008. Constam na Pesquisa Nacional de Saneamento B\u00e1sico \u2013 PNSB, um trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE. Segundo este levantamento, em 2008 eram coletados 183,5 mil toneladas\/dia de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. Importa esclarecer que para o PNSB a categoria lixo urbano subentende os refugos procedentes do \u00e2mbito domiciliar e do com\u00e9rcio e atividades de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>De qualquer modo \u2013 para al\u00e9m dos dados impressionantes dos n\u00fameros do IBGE \u2013, a situa\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o do lixo preocupa no aspecto qualitativo. Por exemplo, na capital paulista cerca de 35% do lixo obtido pela coleta seletiva da administra\u00e7\u00e3o municipal \u2013 que sendo materiais j\u00e1 segregados deveriam ser 100% reaproveitados \u2013 \u00e9 encaminhado para aterros devido a falhas operacionais e log\u00edsticas do sistema.<\/p>\n<p>Mesmo Curitiba \u2013 cidade ic\u00f4nica em termos de reciclagem \u2013 60% dos materiais desovados nos aterros seriam itens pass\u00edveis de reciclabilidade. Em termos t\u00e9cnicos, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma cidade de porte no Brasil com reciclagem em termos de excel\u00eancia. Ademais, no pa\u00eds 60,5% dos munic\u00edpios descartam lixo de modo inadequado. Para complicar, mais de 6,4 milh\u00f5es de toneladas sequer s\u00e3o coletadas, sendo despejadas irregularmente ao longo das vias urbanas, em c\u00f3rregos, praias, etc.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea rural, a coleta alcan\u00e7a apenas 33% dos domic\u00edlios. Ainda com base no PNSB, o documento revela que em 80% do territ\u00f3rio nacional existem lix\u00f5es e aterros controlados (na verdade, \u201clix\u00f5es melhorados\u201d), sendo que isso acontece justamente nas \u00e1reas de maior interesse ambiental: Amaz\u00f4nia, Pantanal, \u00e1reas de mangue, cerrado, etc.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual sua opini\u00e3o sobre os aterros sanit\u00e1rios como destino do lixo? \u00c9 a melhor alternativa?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> \u00c9 \u00f3bvio que, sendo imposs\u00edvel existir uma sociedade sem res\u00edduos, h\u00e1 um momento no qual o lixo deve ser encaminhando para algum tipo de disposi\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>\u00c9 importante frisar que o aterro sanit\u00e1rio ao menos atenua alguns dos agravantes relacionados com a disposi\u00e7\u00e3o irregular dos detritos.<\/p>\n<p>Reconhecidamente, o lixo domiciliar origina efluentes l\u00edquidos (chorume) e gasosos (metano), que constituem complicadores ambientais de monta. O chorume \u00e9 200 vezes mais impactante que o esgoto quanto \u00e0 demanda bioqu\u00edmica de oxig\u00eanio (DBO). Em suma, atua como poderoso elemento destrutivo das \u00e1guas doces. Quanto ao metano, trata-se de item crucial da agenda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ainda que as emiss\u00f5es de metano sejam inferiores \u00e0s do di\u00f3xido de carbono (tido como carro-chefe do efeito estufa), seu efeito \u00e9 consideravelmente maior: cerca de 20 vezes mais. A discuss\u00e3o relacionada com o metano conquista relev\u00e2ncia especial pelo fato deste g\u00e1s ser dotado de preocupante implica\u00e7\u00e3o quanto ao aquecimento global. Acredita-se que no Brasil o lixo domiciliar, devido ao elevado teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica, represente 12% das emiss\u00f5es brasileiras do g\u00e1s, sendo que a disposi\u00e7\u00e3o final responde por 84% desse valor. Ora, ao menos os aterros sanit\u00e1rios drenam o metano e coletam o chorume. Outro detalhe importante \u00e9 que as \u00e1reas eleitas para acolherem aterros sanit\u00e1rios requisitam estudos geot\u00e9cnicos e medidas de implanta\u00e7\u00e3o precisas e rigorosas.<\/p>\n<p>Em 2008, existiam 1.723 destes equipamentos em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, recebendo 110 mil toneladas\/dia de lixo: 58,3% do total nacional. Contudo, advirta-se que, apesar do rigor t\u00e9cnico sugerido pelos aterros sanit\u00e1rios, o modelo incorpora diversos questionamentos, a come\u00e7ar por obrigar a sele\u00e7\u00e3o de vastas \u00e1reas de terreno \u2013 cada vez mais escassas em todo o mundo \u2013 exclusivamente para confinar rejeitos. Outro dado \u00e9 que a pontua\u00e7\u00e3o do aterro depende de pessoal t\u00e9cnico qualificado, o que n\u00e3o necessariamente est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Por fim, <strong>os aterros reclamam verbas pesadas para enterrar materiais cuja produ\u00e7\u00e3o requisitou \u00e1gua, energia, recursos naturais e trabalho humano, um contrassenso a toda prova.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> E o que dizer dos chamados vazadouros a c\u00e9u aberto, ou simplesmente lix\u00f5es? Quais os danos que eles provocam ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Sem meias palavras, o lix\u00e3o \u00e9 um verdadeiro caso de pol\u00edcia. As \u00e1reas de lix\u00e3o no pa\u00eds exibem o que de pior existe na \u201cn\u00e3o gest\u00e3o\u201d dos rebotalhos. Entre outros problemas temos emiss\u00f5es de chorume e de g\u00e1s metano sem controle, insetos e toda uma fauna transmissora de doen\u00e7as, amea\u00e7as ao meio ambiente e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. Essa \u00e9 a sintomatologia de um lix\u00e3o. <strong>H\u00e1 aproximadamente 12 mil lix\u00f5es em atividade ou desativados no territ\u00f3rio nacional.<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, importaria assinalar que a t\u00e3o propalada Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos \u2013 PNRS de 2010, embora tenha por meta a extirpa\u00e7\u00e3o do lix\u00e3o como \u201cequipamento\u201d para confinamento dos res\u00edduos, foi antecedida neste mister pela Lei de Crimes Ambientais de 1998. Para esta legisla\u00e7\u00e3o, a deposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos a c\u00e9u aberto j\u00e1 era considerada ilegal. Mas pelo jeito, foi uma lei que \u201cn\u00e3o pegou\u201d.<\/p>\n<p>Para complicar, n\u00e3o obstante a apologia que muitos t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente teceram com abnega\u00e7\u00e3o inconsequente ao longo de 2010 quanto ao PNRS, existe o fato concreto de que at\u00e9 este momento, <strong>apenas 10% dos munic\u00edpios elaboraram planos de gest\u00e3o de res\u00edduos.<\/strong> \u00c9 um fato que preocupa, e muito, todos os especialistas da \u201clixologia\u201d. Em especial, os que querem ver a erradica\u00e7\u00e3o final dos lix\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual a import\u00e2ncia da reciclagem do lixo como alternativa para o problema?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Essa pergunta \u00e9 instigante, tanto pelo fato da reciclagem ser uma estrat\u00e9gia matricial na minimiza\u00e7\u00e3o dos impactos provocados pela verdadeira avalanche de lixo que est\u00e1 dominando o planeta quanto pelas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es da atividade recicladora \u2013 no que pode surpreender muitos leitores desta entrevista.<\/p>\n<p>Importa esclarecer os seguintes fatos: primeiro, que nas condi\u00e7\u00f5es como a sociedade e a economia globais est\u00e3o hoje estruturadas a reciclagem n\u00e3o tem como deter a dissemina\u00e7\u00e3o do lixo e tampouco impor recuos na expans\u00e3o dos rebotalhos; segundo, a reciclagem tem se articulado com a din\u00e2mica maior do sistema de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias respons\u00e1vel pela deple\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e gerador de rejeitos.<\/p>\n<p>Ou seja, foi cooptada pela l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o incessante; terceiro, a reciclagem n\u00e3o contesta a espiral de consumo e apenas a apresenta sob nova roupagem, agora adornada com afeta\u00e7\u00f5es ambientais e beatificada pelo evangelho do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Em s\u00edntese, a reciclagem, conforme j\u00e1 sugeri, \u00e9 somente o \u00faltimo dos quatro Rs. \u00c9 antecedida em ordem de import\u00e2ncia por repensar, reduzir e reutilizar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> \u00c9 vi\u00e1vel apostar nela, considerando a sociedade capitalista em que vivemos, onde tudo deve gerar lucro, at\u00e9 o lixo?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Vi\u00e1vel ela \u00e9 e deve ser incentivada. Outra coisa \u00e9 transform\u00e1-la no \u00edcone da defesa do meio ambiente, o que simplesmente n\u00e3o \u00e9 correto. \u00c9 preciso rubricar que a ciranda do sistema produtivo, articulada com o que denominei no meu livro Lixo: cen\u00e1rios e desafios, como \u201ccornuc\u00f3pia dos lixos\u201d, tem objetivamente nivelado a zero os ganhos advindos com a recupera\u00e7\u00e3o dos materiais.<\/p>\n<p>Exemplificando, embora no caso do papel a atividade recicladora tenha imposto certa desacelera\u00e7\u00e3o no crescimento da demanda por polpa de madeira, ela serviu bem mais como complemento do que substituto para a fibra virgem. Sabidamente, nunca se produziu tanta celulose na hist\u00f3ria humana quanto nos dias atuais. O consumo de materiais celul\u00f3sicos cresce num n\u00edvel t\u00e3o r\u00e1pido que suplanta a poss\u00edvel poupan\u00e7a de recursos promovida pela recupera\u00e7\u00e3o dos papeis.<\/p>\n<p>Outros itens de res\u00edduos repetem o mesmo tipo de desempenho no contexto maior da engenharia econ\u00f4mica. Exemplificando, no Jap\u00e3o, entre 1966 e o ano 2000 a reciclagem do pl\u00e1stico PET cresceu 40%. Todavia, neste mesmo lapso de tempo o consumo duplicou, cancelando o quinh\u00e3o de benef\u00edcios providos pela recupera\u00e7\u00e3o desta sucata. O resgate de metal das lixeiras tamb\u00e9m n\u00e3o consegue acompanhar o ritmo alucinante de consumo de cargas sequestradas do reino mineral.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o secund\u00e1rio (metal refundido proveniente da reciclagem) atinge 35% da produ\u00e7\u00e3o mundial total.<\/p>\n<p>Mas os n\u00fameros globais n\u00e3o param de crescer. Assim, se em 1950 as sider\u00fargicas produziam 189 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7o, em 2008 a produ\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou 1,3 bilh\u00f5es de toneladas, quase sete vezes mais. Em tempo, precisamos acima de tudo repensar o conjunto da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Gostaria de acrescentar mais algum coment\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Sim. Gostaria de destacar que a discuss\u00e3o do lixo p\u00f5e em xeque a civiliza\u00e7\u00e3o do lixo, impondo uma revolu\u00e7\u00e3o completa da forma como s\u00e3o produzidas as coisas, como s\u00e3o consumidas e como s\u00e3o descartadas. Cada um de n\u00f3s deve fazer sua parte sabendo que toda contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e indispens\u00e1vel. \u00c9 uma tarefa dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. Atentemos para as palavras do ambientalista Paul Hawken: \u201cN\u00e3o se deixem dissuadir por pessoas que n\u00e3o sabem o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Fa\u00e7am o que precisa ser feito, e verifiquem se era imposs\u00edvel exclusivamente depois que tiverem terminado\u201d. \u00c9 isso: sigamos em frente!<\/p>\n<p>Fonte &#8211; IHU On-Line de 03 de dezembro de 2012<\/p>\n<p>Imagem &#8211; Ideias Green<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Brasil vivencia nos \u00faltimos 20 anos uma escalada na desova de descartes de uma forma que n\u00e3o t\u00eam precedentes. Entre 1991 e 2000 a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu 15,6%. Por\u00e9m, o descarte de res\u00edduos aumentou 49%. 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