{"id":11892,"date":"2013-03-04T15:00:28","date_gmt":"2013-03-04T17:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=11892"},"modified":"2013-03-04T15:00:28","modified_gmt":"2013-03-04T17:00:28","slug":"transgenicos-crescimento-sem-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/transgenicos-crescimento-sem-limites\/","title":{"rendered":"Transg\u00eanicos: crescimento sem limites"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/farm9.staticflickr.com\/8484\/8250350952_c2c24f08df.jpg\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p><strong>Hoje, a soja dos brasileiros cont\u00e9m 50 vezes mais veneno do que em 1998<\/strong><\/p>\n<p>O aumento expressivo do uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o clara de que estes \u00faltimos e os transg\u00eanicos fazem parte de um mesmo modelo, onde a domina\u00e7\u00e3o do mercado de sementes e insumos est\u00e1 nas m\u00e3os de um pequeno grupo de grandes corpora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies geneticamente modificadas no Brasil tem como tra\u00e7o marcante a chancela oficial. Come\u00e7ando no governo Fernando Henrique Cardoso, ganhou vigor durante a gest\u00e3o Lula com a legaliza\u00e7\u00e3o da soja contrabandeada, atingindo seu \u00e1pice com a aprova\u00e7\u00e3o do milho transg\u00eanico da Bayer, da Monsanto e da Syngenta \u2013 medida tomada contra o entendimento t\u00e9cnico da Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis). No lugar de definir estruturas e procedimentos de biosseguran\u00e7a, o Estado vem agindo no sentido de autorizar libera\u00e7\u00f5es sem a adequada an\u00e1lise de riscos ambientais e \u00e0 sa\u00fade, desconsiderando impactos socioecon\u00f4micos, recusando o debate com a sociedade e evitando a transpar\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Da aprova\u00e7\u00e3o da primeira Lei de Biosseguran\u00e7a, em 1995, at\u00e9 junho de 2010, sob a vig\u00eancia de nova Lei, foram autorizadas 21 plantas transg\u00eanicas: 11 variedades de milho, 4 de soja e 6 de algod\u00e3o, sendo 80% da Monsanto, Syngenta e Bayer, e 90,4% foram aprovadas entre 2008 e 2010.<\/p>\n<p>Fica dif\u00edcil compreender 19 libera\u00e7\u00f5es comerciais em t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo, quando mais e mais pesquisas revelam as mentiras que foram contadas para convencer agricultores e governos dos benef\u00edcios dos transg\u00eanicos. Mas parece que quanto mais evid\u00eancias contumazes dos problemas associados ao uso de transg\u00eanicos surgem, mais trabalha o governo para garantir, a qualquer custo, as autoriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Aos fatos!<\/strong><\/p>\n<p>Os transg\u00eanicos aumentam o uso de agrot\u00f3xicos, ao contr\u00e1rio do que alegavam as empresas de biotecnologia, e, por isso (e por outras raz\u00f5es tamb\u00e9m), s\u00e3o prejudiciais ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade. A soja transg\u00eanica (Roundup Ready) \u00e9 resistente ao herbicida Roundup, tamb\u00e9m fabricado pela Monsanto e cuja base \u00e9 o glifosato1. Depois que foi autorizada no Brasil, o crescimento das vendas de glifosato foi significativo, saltando de 60 mil para mais de 110 mil toneladas do ingrediente ativo, entre 2004 e 2007, segundo a Anvisa, enquanto, no mesmo per\u00edodo, a \u00e1rea plantada de soja diminuiu cerca de 8%, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O aumento do uso de glifosato tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 comprovado nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Hoje, a soja dos brasileiros cont\u00e9m 50 vezes mais veneno (glifosato) do que em 1998. Naquele ano, \u00e0s v\u00e9speras da pretendida libera\u00e7\u00e3o da soja transg\u00eanica no Brasil, s\u00f3 n\u00e3o ocorrida por decis\u00e3o judicial, a Anvisa permitiu que a soja que comemos tivesse 10 vezes mais res\u00edduo de glifosato, passando de 0,2 ppm (partes por milh\u00e3o) para 2,0 ppm. Em 2004, ap\u00f3s a autoriza\u00e7\u00e3o, virou \u201cfesta\u201d: o \u00f3rg\u00e3o ampliou o limite para 10 ppm (ou seja, 50 vezes a \u201cdose\u201d inicial).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outros venenos mais t\u00f3xicos s\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rios nas planta\u00e7\u00f5es de soja, na medida em que as ervas daninhas j\u00e1 n\u00e3o se curvam mais ao glifosato; s\u00e3o estes o 2,4-D (que d\u00e1 origem \u00e0s dioxinas, conhecido grupo de compostos carcinog\u00eanicos e ingrediente do agente laranja usado na Guerra do Vietn\u00e3), o paraquat (associado ao aumento dos riscos de desenvolvimento de mal de Parkinson) e a atrazina (proibida na Europa). A CTNBio (Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a) j\u00e1 est\u00e1 at\u00e9 mesmo analisando um pedido de libera\u00e7\u00e3o de soja transg\u00eanica, da empresa Dow, resistente ao 2,4-D.<\/p>\n<p>Um par\u00eantese sobre o glifosato: em 2008, a mesma Anvisa, em atitude que merece aplausos, decidiu submeter diversos princ\u00edpios ativos (agrot\u00f3xicos) a reavalia\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s extensa pesquisa que revelou in\u00fameros impactos \u00e0 sa\u00fade e\/ou proibi\u00e7\u00e3o em diversos pa\u00edses. O glifosato faz parte desta rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, o atual presidente da CTNBio, Edilson Paiva, doutor em biologia molecular e, \u00e0 \u00e9poca, j\u00e1 membro da Comiss\u00e3o, fez uma defesa p\u00fablica do princ\u00edpio ativo, afirmando que \u201cos humanos poderiam at\u00e9 beber [glifosato] e n\u00e3o morrer, porque n\u00e3o t\u00eam a via metab\u00f3lica das plantas\u201d.2<\/p>\n<p><strong>Mercado concentrado<\/strong><\/p>\n<p>O aumento expressivo do uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o clara de que estes \u00faltimos e os transg\u00eanicos fazem parte de um mesmo modelo, em que a domina\u00e7\u00e3o do mercado de sementes e insumos est\u00e1 nas m\u00e3os de um pequeno grupo de grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia dos agricultores j\u00e1 \u00e9 sentida. Parte deles, que, inicialmente, apoiava de maneira incondicional o uso de transg\u00eanicos, n\u00e3o mais esconde suas cr\u00edticas e, agora, questiona a cobran\u00e7a de royalties indevidos3 e pre\u00e7os extorsivos de insumos.<\/p>\n<p>Os agricultores tamb\u00e9m t\u00eam enfrentado dificuldades para conseguir sementes convencionais, j\u00e1 que o mercado fica concentrado na m\u00e3o de poucas empresas \u2013 Monsanto, Dupont, Syngenta e Bayer. Relatos d\u00e3o conta que a oferta de gr\u00e3os vem casada: para conseguir 15% de soja convencional \u00e9 preciso tamb\u00e9m comprar 85% de transg\u00eanica. No caso do milho, hoje, em cada quatro novas sementes lan\u00e7adas no mercado, tr\u00eas s\u00e3o transg\u00eanicas.<\/p>\n<p>Para a Abrange (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtores de Gr\u00e3os N\u00e3o Geneticamente Modificados), esse cen\u00e1rio faz com o que o Brasil perca a vantagem comercial que tem diante de seus principais concorrentes no mercado da soja (EUA e Argentina): justamente oferecer gr\u00e3os n\u00e3o geneticamente modificados. Reunindo mais de 30 associados, entre os quais grandes produtores, como a Amaggi, Brejeiro, Caramuru e Imcopa, a Abrange acredita que \u201co mercado de gr\u00e3os n\u00e3o transg\u00eanicos seja uma realidade no Brasil e no exterior, pois vem gerando ganhos expressivos tanto para os agricultores quanto para o pr\u00f3prio pa\u00eds, e [portanto] deve ser preservado e cativado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Libera\u00e7\u00f5es \u00e0s cegas<\/strong><\/p>\n<p>Os fatos elencados acima sugerem que o governo deveria reavaliar sua posi\u00e7\u00e3o, submetendo a an\u00e1lise e a debate o que representa este modelo de agricultura, ponderando perdas, benef\u00edcios e alternativas existentes. Mas, diametralmente oposto \u00e0s suas posi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, Lula radicalizou na defesa dos OGMs.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o da soja da Monsanto por Medida Provis\u00f3ria (MP), duas vezes em 2003, quando assumiu a presid\u00eancia, Lula ainda reduziu o qu\u00f3rum para facilitar as libera\u00e7\u00f5es comerciais: antes, a autoriza\u00e7\u00e3o para comercializa\u00e7\u00e3o e consumo dependia do voto favor\u00e1vel de dois ter\u00e7os dos 27 membros da CTNBio; depois da MP 327, apenas 14 votos favor\u00e1veis passaram a ser suficientes. A partir de ent\u00e3o, os apontamentos fundamentados de cientistas, relacionados \u00e0 precariedade da an\u00e1lise de risco, s\u00e3o ignorados solenemente e as aprova\u00e7\u00f5es acontecem a despeito dos votos contr\u00e1rios (minorit\u00e1rios) dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e do Meio Ambiente, al\u00e9m dos outros especialistas e representantes da sociedade civil.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica que guia as decis\u00f5es \u00e9 a da biotecnologia, e n\u00e3o a da biosseguran\u00e7a. As plantas j\u00e1 autorizadas foram \u201cavaliadas\u201d com base no princ\u00edpio da equival\u00eancia substancial, muito criticado no meio cient\u00edfico por restringir sobremaneira o escopo da avalia\u00e7\u00e3o. De acordo com este princ\u00edpio, j\u00e1 apelidado de pseudocient\u00edfico, a soja transg\u00eanica Roundup Ready \u00e9 equivalente \u00e0 soja natural, e assim por diante.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos processos \u00e9 prec\u00e1ria. A Comiss\u00e3o vale-se t\u00e3o somente dos estudos encaminhados (e muitas vezes produzidos) pelas pr\u00f3prias empresas, n\u00e3o publicados nem submetidos \u00e0 peer review4. Dentre os transg\u00eanicos autorizados, v\u00e1rios cont\u00eam genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3tico, cujo uso n\u00e3o \u00e9 recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) e por outros conselhos cient\u00edficos, a exemplo da Comiss\u00e3o Europeia, como o Conselho Internacional para a Ci\u00eancia (Paris), a Royal Society (Londres), o Conselho Belga de Biosseguran\u00e7a (Bruxelas), a Academia Nacional de Ci\u00eancias (Washington DC) e o Conselho de Bio\u00e9tica de Nuffield (Londres). Mas isso \u00e9 irrelevante para a CTNBio. Ademais, as novas evid\u00eancias que surgem e s\u00e3o publicadas nunca s\u00e3o suficientes para sensibilizar o colegiado a reavaliar suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o opaca \u00e9 outra marca do colegiado. Foi preciso a Justi\u00e7a intervir para que as reuni\u00f5es oficiais ocorressem a portas abertas e audi\u00eancias p\u00fablicas passassem a existir. E a sombra que recai sobre os processos (p\u00fablicos!) para os quais a Comiss\u00e3o nega acesso5 vai deixar de existir, por mais uma determina\u00e7\u00e3o judicial dada em 26 de julho deste ano.<\/p>\n<p>Os conflitos de interesse s\u00e3o outro assunto delicado. Os membros s\u00f3 assinaram um tipo de \u201cdeclara\u00e7\u00e3o de conduta\u201d depois de uma recomenda\u00e7\u00e3o formal do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. A opini\u00e3o manifestada publicamente por uma cientista, ex-integrante da Comiss\u00e3o, revela um pouco mais e melhor o que \u00e9 a CTNBio. Segundo Lia Giraldo da Silva Augusto, \u201ca CTNBio est\u00e1 constitu\u00edda por pessoas com t\u00edtulo de doutorado, a maioria especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento. H\u00e1 poucos especialistas em biosseguran\u00e7a, capazes de avaliar riscos para a sa\u00fade e para o meio ambiente\u201d. E prossegue: \u201cO que vemos na pr\u00e1tica cotidiana da CTNBio s\u00e3o votos pr\u00e9concebidos e uma s\u00e9rie de artimanhas obscurantistas no sentido de considerar as quest\u00f5es de biosseguran\u00e7a como dificuldades ao avan\u00e7o da biotecnologia. A raz\u00e3o colocada em jogo na CTNBio \u00e9 a racionalidade do mercado, que est\u00e1 protegida por uma racionalidade cient\u00edfica da certeza cartesiana, em que a fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento, dominado por diversos t\u00e9cnicos com t\u00edtulo de doutor, impede a prioriza\u00e7\u00e3o da biosseguran\u00e7a e a perspectiva da tecnologia em favor da qualidade da vida, da sa\u00fade e do meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, que \u00e9 notoriamente um dos aspectos mais debatidos nos meios acad\u00eamicos, para a CTNBio nem sequer \u00e9 uma quest\u00e3o de biosseguran\u00e7a. L\u00e1 prevalece o entendimento de que, se a planta foi por eles considerada segura, n\u00e3o h\u00e1 problema que ocorra a contamina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 meramente uma quest\u00e3o de mercado. \u00c0s favas a biodiversidade e a preserva\u00e7\u00e3o de sementes crioulas, o direito de consumidores e agricultores a alimentos livres de transg\u00eanicos. Tanto \u00e9, que as primeiras libera\u00e7\u00f5es de milho vieram sem nenhuma medida para evitar a contamina\u00e7\u00e3o. Mas a Justi\u00e7a acatou pedido das ONGs (ANPA, AS-PTA, Idec e Terra de Direitos) e suspendeu os efeitos das libera\u00e7\u00f5es at\u00e9 que fossem criadas regras de coexist\u00eancia. \u00c0 determina\u00e7\u00e3o, a CTNBio respondeu \u00e0s pressas com uma regra p\u00edfia de \u201cisolamento do milho\u201d.<\/p>\n<p>Com as novas sementes dispon\u00edveis para os agricultores, o estado do Paran\u00e1, maior produtor do cereal, colocou seus t\u00e9cnicos em campo para testar a efic\u00e1cia da norma. O estudo in\u00e9dito comprovou, por dois m\u00e9todos diferentes, que a contamina\u00e7\u00e3o ocorre mesmo quando a regra de isolamento \u00e9 cumprida \u2013 ou seja, ela n\u00e3o serve. CTNBio e Minist\u00e9rio da Agricultura responderam dizendo que o estudo n\u00e3o valia, entre outras raz\u00f5es, porque o ent\u00e3o governador Roberto Requi\u00e3o \u00e9 sabidamente contr\u00e1rio aos transg\u00eanicos(!).<\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeitos, Walter Colli, Edilson Paiva e outros tr\u00eas integrantes da Comiss\u00e3o divulgaram texto, com logomarca do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, afirmando que \u201cseria uma temeridade para o pa\u00eds, no s\u00e9culo XXI, e com a agricultura intensiva como base importante do PIB, que a diversidade de qualquer planta de grande interesse econ\u00f4mico estivesse na depend\u00eancia de agricultores que n\u00e3o t\u00eam a mais vaga ideia de gen\u00e9tica\u201d; e que \u201co plantio de gr\u00e3os no lugar de sementes pode ser antigo, como a coivara ou o h\u00e1bito de defecar nos rios e cole\u00e7\u00f5es de \u00e1guas, mas nenhum deles \u00e9 adequado nem compat\u00edvel com o conv\u00edvio entre cidad\u00e3os de uma sociedade moderna\u201d, referindo-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e uso pr\u00f3prio de sementes crioulas pelos agricultores familiares. Lembremos que, para infelicidade de alguns, a atividade \u00e9 de tamanha relev\u00e2ncia que consta de dois acordos internacionais dos quais o Brasil \u00e9 parte: o de Recursos Gen\u00e9ticos para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura, da FAO, e a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica, da ONU.<\/p>\n<p>Merece lembran\u00e7a ainda a coroa\u00e7\u00e3o do ex-presidente da CTNBio, Walter Colli, m\u00e9dico que encerrou o seu mandato em 2009, propondo acabar com o monitoramento dos impactos dos transg\u00eanicos na sa\u00fade ap\u00f3s sua introdu\u00e7\u00e3o no mercado. Em sua opini\u00e3o, o monitoramento \u00e9 \u201clixo\u201d e que \u201cfez muito bem\u201d a ind\u00fastria aliment\u00edcia de n\u00e3o se submeter \u00e0 regra e reclamar.6 A medida est\u00e1 prevista na lei, na Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica e no Protocolo de Cartagena, e tem por objetivo acompanhar os impactos n\u00e3o avaliados e adotar as medidas necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Colli deu lugar a Edilson Paiva, que, alheio \u00e0s fortes cr\u00edticas p\u00fablicas geradas pela iniciativa, criou um grupo para, possivelmente, p\u00f4r fim ao monitoramento. Mais alheio que ele, s\u00f3 mesmo o Conselho de Ministros, que ainda em 2008 aprovara orienta\u00e7\u00e3o para que fossem realizados \u201cestudos de seguimento de m\u00e9dio e longo prazo dos eventuais efeitos no meio ambiente e na sa\u00fade humana, dos OGM e seus derivados\u201d, mas silenciou diante da iniciativa lament\u00e1vel da CTNBio.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia do Conselho Nacional de Biosseguran\u00e7a (CNBS), composto por 11 ministros e presidido at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo por Dilma Rousseff, revela ast\u00facia. Deixa as libera\u00e7\u00f5es correrem soltas ao jogar para a CTNBio todas as atribui\u00e7\u00f5es (inclusive as que n\u00e3o lhe cabem) e o foco das aten\u00e7\u00f5es, esquivando-se do seu papel.<\/p>\n<p>E \u00e9 esta a Comiss\u00e3o que decide o destino dos transg\u00eanicos no Brasil. \u00c9 esta Comiss\u00e3o que agora tem em suas m\u00e3os a decis\u00e3o sobre o arroz transg\u00eanico da Bayer \u2013 que n\u00e3o \u00e9 plantado em nenhum pa\u00eds e cujo agrot\u00f3xico usado (glufosinato de am\u00f4nio) est\u00e1 com os dias contados para ser banido na Europa.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o desprezada<\/strong><\/p>\n<p>Uma \u00faltima nota sobre a rotulagem de transg\u00eanicos. Para o Idec, que acompanha este assunto desde 1997 e tem como uma de suas prioridades a luta pelo direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, o descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o que obriga a rotulagem de transg\u00eanicos por parte da ind\u00fastria aliment\u00edcia, com a coniv\u00eancia do governo, \u00e9 inaceit\u00e1vel \u2013 al\u00e9m de crime diante do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n<p>Paralelamente, o per\u00edodo de maior n\u00famero de libera\u00e7\u00f5es e plantio de transg\u00eanicos no Brasil marca tamb\u00e9m o de iniciativas legislativas para impedir o consumidor de saber o que consome, n\u00e3o obstante as pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica apontarem que a esmagadora maioria dos cidad\u00e3os quer saber se o alimento \u00e9 ou n\u00e3o transg\u00eanico.<\/p>\n<p>Em manifesto desprezo \u00e0 vontade dos consumidores, os deputados Luiz Carlos Heinze (PP\/RS), C\u00e2ndido Vacarezza (PT\/SP) e a senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO), por meio dos Projetos de Lei 4148\/98 e 5575\/09 e do Projeto de Decreto Legislativo 90\/2007, respectivamente, puxam a frente \u201canti-informa\u00e7\u00e3o\u201d. As propostas buscam restringir a rotulagem para os alimentos em que for detect\u00e1vel a presen\u00e7a de OGM, omitindo a informa\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos e muitos outros g\u00eaneros aliment\u00edcios; excluir o s\u00edmbolo \u201cT\u201d, que hoje identifica tais produtos, e a informa\u00e7\u00e3o dos alimentos de origem animal; al\u00e9m de permitir o uso de sementes transg\u00eanicas est\u00e9reis, do que ainda cuidou Vaccareza.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, n\u00e3o d\u00e1 para acreditar no presidente da CTNBio, que diz que \u201cn\u00e3o existe press\u00e3o econ\u00f4mica\u201d.7 A introdu\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos no Brasil, como no seu \u201cber\u00e7o\u201d, os EUA, e em outros pa\u00edses, \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o do poder das grandes corpora\u00e7\u00f5es. Aqui, os fatos, que incluem mudan\u00e7a de lei, edi\u00e7\u00e3o de medidas provis\u00f3rias e outras decis\u00f5es oficiais, mostram que o poder n\u00e3o escolhe mesmo partido: de 1995, quando a Lei de Biosseguran\u00e7a foi aprovada no governo FHC, para 2010, no final do governo Lula, a cavalgada rumo \u00e0 libera\u00e7\u00e3o geral de transg\u00eanicos s\u00f3 tem crescido. E n\u00e3o adianta achar que a culpa \u00e9 s\u00f3 da CTNBio.<\/p>\n<p>Andrea Lazzarini Salazar \u00e9 advogada e consultora jur\u00eddica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor); acompanha o assunto desde 1998.<\/p>\n<p>1 O glifosato \u00e9 um herbicida n\u00e3o seletivo (mata qualquer tipo de planta) desenvolvido para matar ervas, principalmente perenes. \u00c9 o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto. Muitas plantas culturais geneticamente modificadas s\u00e3o simplesmente modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para resistir ao glifosato. A Monsanto vende sementes dessas plantas com o marca RR (Roundup Ready).<br \/>\n2 Jornal Valor Econ\u00f4mico, 23\/04\/07.<br \/>\n3 A forma de cobran\u00e7a de royalties sobre a soja da Monsanto tem sido duramente criticada. A cobran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 feita apenas no momento da compra da semente. Este agricultor ainda dever\u00e1 pagar 2% sobre o excedente da produ\u00e7\u00e3o estimada, se ocorrer esta situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m desse agricultor que fez a op\u00e7\u00e3o pela soja transg\u00eanica, os que cultivarem soja convencional ou org\u00e2nica tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitos a pagar royalties e multa, se sua produ\u00e7\u00e3o tiver sido contaminada. Ao entregar sua produ\u00e7\u00e3o para venda, o agricultor deve informar se usou ou n\u00e3o soja transg\u00eanica. Se n\u00e3o tiver utilizado, mas o teste de detec\u00e7\u00e3o acusar a presen\u00e7a de soja transg\u00eanica, o agricultor fica obrigado a pagar uma multa, al\u00e9m dos 2% sobre o valor da produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n4 Revis\u00e3o por pares, em que a pesquisa \u00e9 submetida a avaliadores independentes capacitados.<br \/>\n5 Posi\u00e7\u00e3o oficial, de acordo com Parecer Conjur\/MCT 054\/2008.<br \/>\n6 Folha de S.Paulo, 09\/12\/09.<br \/>\n7 Cidades e Solu\u00e7\u00f5es, Globonews, 16\/06\/10.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Andrea Lazzarini Salazar, Le Monde Diplomatique Brasil de 01 de Agosto de 2010<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Percebam que a mat\u00e9ria \u00e9 de 2010 e agora imagine quanto veneno estamos comendo hoje.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, a soja dos brasileiros cont\u00e9m 50 vezes mais veneno do que em 1998 O aumento expressivo do uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o clara de que estes \u00faltimos e os transg\u00eanicos fazem parte de um mesmo modelo, onde a domina\u00e7\u00e3o do mercado de sementes e insumos est\u00e1 nas m\u00e3os de um pequeno grupo de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[5,90,72],"post_series":[],"class_list":["post-11892","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-agricultura","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-transgenico-ogmgmo","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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