{"id":12370,"date":"2013-07-22T09:00:31","date_gmt":"2013-07-22T11:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=12370"},"modified":"2013-07-22T09:00:31","modified_gmt":"2013-07-22T11:00:31","slug":"desertificacao-ja-atinge-uma-area-de-230-mil-km%c2%b2-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/desertificacao-ja-atinge-uma-area-de-230-mil-km%c2%b2-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Desertifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 atinge uma \u00e1rea de 230 mil km\u00b2 no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/farm3.staticflickr.com\/2627\/3707355574_5ef5e70b43.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p><strong>Mapeamento feito por sat\u00e9lite feito pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites da Universidade Federal de Alagoas lan\u00e7a alerta para o fen\u00f4meno<\/strong><\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse a falta de chuvas, o Brasil v\u00ea se alastrar no Nordeste um fen\u00f4meno ainda mais grave: a desidrata\u00e7\u00e3o do solo a tal ponto que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pode torn\u00e1-lo imprest\u00e1vel. Um novo mapeamento feito por sat\u00e9lite pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites da Universidade Federal de Alagoas (Lapis), que cruzou dados de presen\u00e7a de vegeta\u00e7\u00e3o com \u00edndices de precipita\u00e7\u00e3o ao longo dos \u00faltimos 25 anos, at\u00e9 abril passado, mostra que a regi\u00e3o tem hoje 230 mil km\u00b2 de terras atingidas de forma grave ou muito grave pelo fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>A \u00e1rea degradada ou em alto risco de degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 maior do que o estado do Cear\u00e1. Hoje, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente reconhece quatro n\u00facleos de desertifica\u00e7\u00e3o no semi\u00e1rido brasileiro. Somados, os n\u00facleos de Irau\u00e7uba (CE), Gilbu\u00e9s (PI), Serid\u00f3 (RN e PB) e Cabrob\u00f3 (PE) atingem 18.177 km\u00b2 e afetam 399 mil pessoas.<\/p>\n<p>Num artigo assinado por cinco pesquisadores do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (Insa), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, s\u00e3o listados seis n\u00facleos, o que aumenta a \u00e1rea em estado mais avan\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o para 55.236 km\u00b2, afetando 750 mil brasileiros.<\/p>\n<p>Os dois n\u00facleos identificados pelos pesquisadores do Insa s\u00e3o o do Sert\u00e3o do S\u00e3o Francisco, na Bahia, e o do Cariris Velhos, na Para\u00edba, estado que tem 54,88% de seu territ\u00f3rio classificado em alto n\u00edvel de desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de um prolongamento que une o n\u00facleo do Serid\u00f3 \u00e0 microrregi\u00e3o de Patos, passando pela dos Cariris Velhos. Apenas na microrregi\u00e3o de Patos, 74,99% das terras est\u00e3o em alto n\u00edvel de desertifica\u00e7\u00e3o, segundo dados do Programa Estadual de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca da Para\u00edba.<\/p>\n<p>&#8211; A degrada\u00e7\u00e3o do solo \u00e9 um processo silencioso \u2013 afirma Humberto Barbosa, professor do Instituto de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas e coordenador do Lapis, respons\u00e1vel pelo estudo. \u2013 No monitoramento por sat\u00e9lite fica evidente que as \u00e1reas onde o solo e a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o respondem mais \u00e0s chuvas est\u00e3o mais extensas. Em condi\u00e7\u00f5es normais, a vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga brota entre 11 e 15 dias depois da chuva. Nestas \u00e1reas, n\u00e3o importa o quanto chova, a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o responde, n\u00e3o brota mais.<\/p>\n<p>Est\u00e3o em \u00e1reas mapeadas como cr\u00edticas de desertifica\u00e7\u00e3o munic\u00edpios como Petrolina, em Pernambuco, que tem mais de 290 mil habitantes, e Paulo Afonso, na Bahia, com 108 mil moradores. Barbosa explica que a desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo longo e a seca agrava a situa\u00e7\u00e3o. Segundo ele, em alguns casos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de reverter.<\/p>\n<p>Na Bahia, numa extens\u00e3o de 300 mil km\u00b2 no Sert\u00e3o do S\u00e3o Francisco, os solos j\u00e1 n\u00e3o conseguem reter \u00e1gua. Na regi\u00e3o de Rodelas, no Norte do estado, formou-se, a partir dos anos 80, o deserto de Surubabel.<\/p>\n<p>Numa \u00e1rea de 4 km\u00b2, ergueram-se dunas de at\u00e9 5 metros de altura. Segundo pesquisadores, a \u00e1rea foi abandonada depois da cria\u00e7\u00e3o da barragem da hidrel\u00e9trica de Itaparica, usada para o pastoreio indiscriminado de caprinos e, por fim, desmatada. O solo virou areia. O rio, que era estreito, ficou largo, e o grande espelho d\u2019\u00e1gua deixou caminho livre para o vento.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o existe d\u00favida de que o processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 grave e continua aumentando \u2013 desabafa Aldrin Martin Perez, coordenador de pesquisas do Insa. \u2013 A popula\u00e7\u00e3o aumentou, o consumo aumentou. H\u00e1 consequ\u00eancias pol\u00edticas, sociais e ambientais. Se falassem do problema de um banco, todos estariam unidos para salv\u00e1-lo. Como n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed.<\/p>\n<p>No Sul do Piau\u00ed, onde fica o n\u00facleo de Gilbu\u00e9s, s\u00e3o 15 os munic\u00edpios atingidos. Nos sete em situa\u00e7\u00e3o mais grave, segundo dados do governo do estado, a desertifica\u00e7\u00e3o atinge 45% do territ\u00f3rio de cada um.<\/p>\n<p>Em Gilbu\u00e9s, uma fazenda modelo implantada pelo governo do estado conseguiu recuperar o solo e fazer florescer milho. Todos os anos se comemora ali a festa do milho, mas a experi\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada. Hoje, 10,95% das terras do Sul do estado apresentam graus variados de desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Alagoas, estudos apontam que 62% dos munic\u00edpios apresentam \u00e1reas em processo de desertifica\u00e7\u00e3o, sendo os n\u00edveis mais graves registrados nos munic\u00edpios de Ouro Branco, Maravilha, Inhapi, Senador Rui Palmeira, Carneiros, Pariconha, \u00c1gua Branca e Delmiro Gouveia.<\/p>\n<p>A cobertura florestal do estado \u00e9 t\u00e3o baixa que Francisco Campello, respons\u00e1vel pelo programa de combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, chegou a dizer que, se fosse uma propriedade, Alagoas n\u00e3o teria os 20% de reserva legal.<\/p>\n<p><strong>Degrada\u00e7\u00e3o intensa<\/strong><\/p>\n<p>A seca no Nordeste sempre existiu. O que est\u00e1 em jogo agora n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a falta de chuva, mas a degenera\u00e7\u00e3o da terra. O solo fr\u00e1gil exige preserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o de caatinga e t\u00e9cnicas de manejo, inclusive de pastoreio.<\/p>\n<p>Mas 30% da energia consumida no Nordeste vem da lenha, e o que queima \u00e9 a mata nativa. Segundo relat\u00f3rio do governo do Rio Grande do Norte, que divide com a Para\u00edba o n\u00facleo de desertifica\u00e7\u00e3o do Serid\u00f3, al\u00e9m da retirada de lenha, a degrada\u00e7\u00e3o vem do desmate para abrir espa\u00e7o para agricultura, pecu\u00e1ria, minera\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de argila do leito de rios para abastecer a ind\u00fastria de cer\u00e2mica.<\/p>\n<p>Ao comparar estudos de 1982 e 2010, os especialistas chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que se passaram 28 anos de intensa degrada\u00e7\u00e3o sem que a situa\u00e7\u00e3o se alterasse. A ind\u00fastria de cer\u00e2mica segue como principal fonte de renda e emprego.<\/p>\n<p>Pelo menos 104 empresas competem pela argila para fabricar telhas e tijolos. Dos seis munic\u00edpios do N\u00facleo de Desertifica\u00e7\u00e3o, cinco fazem parte do Polo Ceramista do Serid\u00f3 e abrigam 59 empresas do setor.<\/p>\n<p>&#8211; O Brasil ainda trata a seca como se fosse o Zimb\u00e1bue ou outros pa\u00edses muito pobres da \u00c1frica \u2013 afirma Barbosa. \u2013 Isso n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel. Temos pesquisa, t\u00e9cnicas e ferramentas para evitar que a degrada\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. Os pol\u00edticos tratam a seca em ciclos de quatro anos, que \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o de seus mandatos. Se nada acontecer, as pessoas dos munic\u00edpios atingidos pela desertifica\u00e7\u00e3o v\u00e3o migrar para grandes centros, gerando outros problemas.<\/p>\n<p>Em Gilbu\u00e9s, as crateras abertas no solo, conhecida como vo\u00e7orocas, comp\u00f5em uma paisagem chocante. Mas os locais onde n\u00e3o surgem fendas na terra expostas s\u00e3o ainda mais preocupantes.<\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, as pessoas n\u00e3o percebem que a vida do solo est\u00e1 se esvaindo. Somente ao cavar fendas \u00e9 que se percebe que o solo est\u00e1 cada vez mais raso e a camada de vida, que s\u00e3o os 5 cm mais pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie, est\u00e1 mais estreita ou quase inexiste.<\/p>\n<p>A perda de fertilidade se alastra tamb\u00e9m por parte de Minas Gerais e por \u00e1reas do Rio Grande do Sul, onde h\u00e1 o fen\u00f4meno denominado areniza\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 desertifica\u00e7\u00e3o porque esta pressup\u00f5e escassez de chuva e aridez, o que n\u00e3o ocorre por l\u00e1.<\/p>\n<p>Em Minas, a \u00e1rea de maior risco envolve 69 mil km\u00b2 em 59 munic\u00edpios no Norte, Jequitinhonha e Mucuri. Em documento entregue ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o governo de Minas calculou em R$ 1,29 bilh\u00e3o o custo de projetos de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; O problema \u00e9 que os solos est\u00e3o sendo compactados \u2013 diz Afr\u00e2nio Righes, ex-chefe do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professor de engenharia ambiental do Centro Universit\u00e1rio Franciscano (Unifra), em Santa Maria (RS). \u2013 O solo j\u00e1 n\u00e3o age como uma esponja, absorvendo a chuva. Com o plantio direto, sem aragem da terra, e o uso de grandes m\u00e1quinas na lavoura, a \u00e1gua n\u00e3o infiltra, escorre sobre a superf\u00edcie e se perde. Os impactos da estiagem aumentam, porque h\u00e1 pouca \u00e1gua acumulada na terra. Por isso, \u00e9 preciso cavar sulcos na terra, a cada 10 metros, para for\u00e7ar a infiltra\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o existe m\u00e1quina adequada para isso, os agricultores n\u00e3o o fazem.<\/p>\n<p>Em Minas, vegeta\u00e7\u00e3o e terra sofrem com queimadas frequentes, destrui\u00e7\u00e3o de matas que protegem nascentes, assoreamento de rios e at\u00e9 irriga\u00e7\u00e3o, que capta \u00e1gua em excesso, comprometendo cursos d\u2019\u00e1gua e causando saliniza\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, a \u00e2nsia de unir cria\u00e7\u00e3o de gado e plantio de soja, em busca de lucros maiores, saturou o solo na regi\u00e3o de Alegrete, resultando na areniza\u00e7\u00e3o. Sobrou o \u201cdeserto de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; O solo n\u00e3o era prop\u00edcio para a soja e a camada org\u00e2nica se foi em pouco tempo \u2013 explica Righes. \u2013 Ficou areia pura e, com o vento, ela n\u00e3o parava de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada pelos ga\u00fachos para barrar o deserto surgido nos pampas foi plantar eucalipto no entorno da \u00e1rea, criando uma cortina de conten\u00e7\u00e3o dos ventos.<\/p>\n<p>&#8211; A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tem peso importante nos processos de desertifica\u00e7\u00e3o \u2013 afirma Manuel Otero, representante do Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura (IICA). \u2013 Mudou a sequ\u00eancia e intensidade das chuvas. H\u00e1 menos \u00e1gua dispon\u00edvel. E mais degrada\u00e7\u00e3o ambiental significa mais pobreza.<\/p>\n<p>Para Otero, a boa not\u00edcia \u00e9 que o ciclo vicioso pode ser quebrado. Com apoio da Uni\u00e3o Europeia, o instituto levou para o munic\u00edpio de Irau\u00e7uba t\u00e9cnicas e a\u00e7\u00f5es para impedir que a desertifica\u00e7\u00e3o se alastre. O coordenador de Recursos Naturais e Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do IICA, Gertjan Beekman, afirma que t\u00e9cnicas simples, como barramento da \u00e1gua, j\u00e1 deram resultado no munic\u00edpio de Canind\u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; Nascentes que estavam secas oito anos atr\u00e1s ressurgiram \u2013 comemora Beekman. \u2013 Isso mostra que \u00e9 poss\u00edvel reverter esse processo.<\/p>\n<p>Na Argentina, 70% a 80% da superf\u00edcie do pa\u00eds s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, principalmente ao Norte. No Brasil, toda a regi\u00e3o do semi\u00e1rido \u00e9 considerada \u00e1rea suscet\u00edvel. Segundo Perez, do Insa, n\u00e3o existe um \u00fanico modelo ou indicador padronizado para determinar a extens\u00e3o das terras em processo de desertifica\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 no Brasil monitoramento sist\u00eamico, apenas estudos pontuais \u2013 diz o pesquisador. \u2013 A sensibiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo imediato. \u00c9 preciso estimular as pessoas a olharem com outro olhar e reconstruir a mem\u00f3ria intergeracional. A pr\u00f3pria sede da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos das Secas fica na Alemanha, onde n\u00e3o h\u00e1 o problema.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Cleide Carvalho, O Globo de 09 de julho de 2013<\/p>\n<p>Fonte &#8211; <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/ercetumerk\/\">ercetumerk<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mapeamento feito por sat\u00e9lite feito pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites da Universidade Federal de Alagoas lan\u00e7a alerta para o fen\u00f4meno Como se n\u00e3o bastasse a falta de chuvas, o Brasil v\u00ea se alastrar no Nordeste um fen\u00f4meno ainda mais grave: a desidrata\u00e7\u00e3o do solo a tal ponto que, em \u00faltima&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[5,90],"post_series":[],"class_list":["post-12370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-agricultura","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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