{"id":12460,"date":"2013-09-17T10:00:28","date_gmt":"2013-09-17T12:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=12460"},"modified":"2013-09-17T10:00:28","modified_gmt":"2013-09-17T12:00:28","slug":"ciclo-de-vida-berco-a-berco-eterno-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ciclo-de-vida-berco-a-berco-eterno-retorno\/","title":{"rendered":"Ciclo de vida ber\u00e7o a ber\u00e7o &#8211; Eterno retorno"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/farm4.staticflickr.com\/3539\/3323418413_9ea482412d.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p><strong>Objeto de sedu\u00e7\u00e3o e muitas vezes determinante na escolha do produto, a embalagem tornou-se o maior n\u00f3 para a destina\u00e7\u00e3o correta de res\u00edduos e demandar\u00e1 mudan\u00e7as mais profundas do que estruturar cadeias de recolhimento e reciclagem<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o faz muito tempo, \u00edamos ao supermercado levando os chamados cascos de refrigerante e cerveja. Eram embalagens retorn\u00e1veis, pelas quais pag\u00e1vamos apenas na primeira compra. Ent\u00e3o vieram as embalagens one way (sem retorno), que encheram aterros e lix\u00f5es de mat\u00e9ria-prima pass\u00edvel de ser reintroduzida nos ciclos produtivos[Das cerca de 183 mil toneladas di\u00e1rias de lixo produzido no Pa\u00eds, 73 mil s\u00e3o res\u00edduos recicl\u00e1veis, de acordo com o estudo Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais Urbanos para a Gest\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos, lan\u00e7ado em 2010 pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), e equivalem \u00e0 perda de R$ 8 bilh\u00f5es por ano em mat\u00e9rias primas n\u00e3o aproveitadas].<\/p>\n<p>A sedu\u00e7\u00e3o da embalagem entre os consumidores incrementa a renda das ag\u00eancias de publicidade e \u00e9 fator que costuma influenciar na escolha do produto. Com a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS), a rela\u00e7\u00e3o com as embalagens ter\u00e1 de ser repensada e requalificada em novas bases. A conta do res\u00edduo gerado pelo consumo reflete-se no custo da estrutura necess\u00e1ria para implantar sistemas eficientes de coleta seletiva, separa\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o adequada desse material. A pergunta que n\u00e3o quer calar \u00e9: \u201cQuem assume esses custos?\u201d<\/p>\n<p><strong>Para consultora, o acordo setorial para embalagens deve ser assinado este ano e a expectativa \u00e9 que o MMA apresente algo concreto durante a Confer\u00eancia Nacional do Meio Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O modelo da responsabilidade compartilhada p\u00f3s-consumo adotado pela PNRS (mais em quadro abaixo) traz muitas quest\u00f5es para a reintegra\u00e7\u00e3o das embalagens originais ao ciclo de produ\u00e7\u00e3o das empresas. Depois de tramitar durante duas d\u00e9cadas no Congresso, o marco em res\u00edduos s\u00f3lidos foi aprovado em 2010. Fabio Feldmann, autor do projeto de lei original, de 1992, avalia que a defini\u00e7\u00e3o sobre responsabilidade \u2013 e os custos a ela relacionados \u2013 pela destina\u00e7\u00e3o correta das embalagens foi o que mais contribuiu para esse atraso.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o atribui \u00e0s empresas a responsabilidade pela implanta\u00e7\u00e3o dos processos de log\u00edstica reversa, garantindo que embalagens p\u00f3s-consumo sejam reintegradas \u00e0 cadeia produtiva ou depostas em lugar seguro. Mas todos s\u00e3o respons\u00e1veis pela gest\u00e3o do res\u00edduo. Concatenar tantas responsabilidades e atribui\u00e7\u00f5es \u00e9 uma engenharia complexa, que exige capacita\u00e7\u00e3o de gestores municipais, engajamento do consumidor, estabelecimento de coleta seletiva nos munic\u00edpios, exterm\u00ednio de lix\u00f5es, incentivos credit\u00edcios e fiscais, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, defini\u00e7\u00e3o das responsabilidades proporcionais de cada setor no processo da log\u00edstica, entre outras muitas vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para estabelecer os processos de log\u00edstica reversa, a lei conta com tr\u00eas instrumentos: os acordos setoriais; os regulamentos expedidos pelo poder p\u00fablico; e os termos de compromisso [Acordos setoriais s\u00e3o contratos entre o poder p\u00fablico, fabricantes, distribuidores e importadores ou comerciantes com a finalidade de implantar a log\u00edstica reversa compartilhada. O governo pode ainda editar legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas ou firmar termos de compromisso estabelecendo prazos e metas para a\u00e7\u00f5es previstas na PNRS] . O governo federal instalou grupos t\u00e9cnicos para cinco cadeias priorit\u00e1rias: descarte de medicamentos; embalagens em geral; embalagens de \u00f3leos lubrificantes e seus res\u00edduos; l\u00e2mpadas \u0019fluorescentes, de vapor de s\u00f3dio e merc\u00fario e de luz mista; e eletroeletr\u00f4nicos. Cabe aos setores propor modelos de log\u00edstica reversa, por meio de editais de chamamento divulgados pelo governo federal \u2013 que, se aprovados pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), ter\u00e3o car\u00e1ter de contrato, estabelecendo-se metas, responsabilidades e san\u00e7\u00f5es em cada caso.<\/p>\n<p>As embalagens em geral s\u00e3o o caso mais complexo de administrar para a log\u00edstica reversa, porque na pr\u00e1tica s\u00e3o os res\u00edduos coletados porta a porta. As demais cadeias priorit\u00e1rias, por serem compostas de res\u00edduos perigosos ou que implicam risco de contamina\u00e7\u00e3o, atendem a outra din\u00e2mica.<\/p>\n<p>\u201cA avalia\u00e7\u00e3o e tramita\u00e7\u00e3o do acordo setorial para o setor de embalagens em geral est\u00e3o adiantadas. A ideia \u00e9 que haja assinatura desse acordo ainda este ano\u201d, diz Patr\u00edcia Faga Iglecias Lemos, consultora ambiental da Viseu Advogados, que participou da elabora\u00e7\u00e3o de uma proposta [A proposta foi encaminhada por uma coaliz\u00e3o que inclui 28 entidades, entre as quais o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Embalagem (Abre), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Reciclagem (Recibr\u00e1s) e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis (MNCR)] encaminhada ao MMA no \u001fm de 2012. Patr\u00edcia espera que o minist\u00e9rio apresente algo concreto em outubro, durante a Confer\u00eancia Nacional do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><strong>Pela proposta, o transporte, a triagem e a classifica\u00e7\u00e3o do res\u00edduo \u001fficariam a cargo das cooperativas ou do com\u00e9rcio atacadista de materiais recicl\u00e1veis.<\/strong> A log\u00edstica reversa seria implantada em duas fases. A primeira englobaria as 12 cidades sede da Copa de 2014 e busca ampliar o n\u00famero e\/ou a capacidade das cooperativas, capacitar catadores, consolidar Pontos de Entrega Volunt\u00e1ria (PEVs), promover a compra deste material pelas empresas e investir em campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o ao consumidor.<\/p>\n<p>Somente a partir dos resultados dessa primeira fase \u00e9 que seriam tra\u00e7adas estrat\u00e9gias de implementa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional \u2013 a fase dois. Entre as atribui\u00e7\u00f5es propostas para o MMA est\u00e1 a garantia da abrang\u00eancia nacional desse acordo e sua preval\u00eancia sobre os acordos em n\u00edvel regional, estadual, municipal.<\/p>\n<p>Enquanto a PNRS tramitava no Congresso, estados e munic\u00edpios editaram uma mir\u00edade de legisla\u00e7\u00f5es. O advogado Fabricio Soler, da Felsberg Advogados, aponta que s\u00f3 em 2012 foram publicadas 100 normas regulamentando esse assunto no Pa\u00eds, com metas e prazos diversos, e que a compatibiliza\u00e7\u00e3o desse arcabou\u00e7o jur\u00eddico seria em si um grande desa\u001ffio. As legisla\u00e7\u00f5es municipais, estaduais e regionais podem por lei ser mais exigentes do que a PNRS, mas n\u00e3o menos.<\/p>\n<p>A proposta da coaliz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 centralizada como o modelo de reciclagem de embalagens de agrot\u00f3xicos, considerado muito eficaz, cujo setor criou o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV) [O InpEV foi criado antes da PNRS, atendendo \u00e0 Lei n\u00ba 9.974\/2000, que coloca a responsabilidade pela destina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e embalagens vazias em quem produz e em toda a cadeia envolvida na comercializa\u00e7\u00e3o e no uso. Hoje 94% das embalagens pl\u00e1sticas prim\u00e1rias (que entram em contato direto com o produto) e 80% das embalagens vazias de defensivos agr\u00edcolas comercializados t\u00eam destino certo] para gerenciar o processo de coleta e destina\u00e7\u00e3o em fins de 2011. S\u00e3o projetos das diversas empresas e\/ou associa\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o auditados para atender o objetivo da meta: reduzir em torno de 22% do volume de embalagens depostas em aterros at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>As medidas implementadas pelas empresas durante o ano de 2012, ou seja, antes da assinatura do acordo, seriam contempladas para fins de c\u00e1lculo da meta.<\/p>\n<p>Segundo levantamento do Ipea, o n\u00famero de munic\u00edpios que desenvolvem programas de coleta seletiva de materiais recicl\u00e1veis aumentou 120% entre 2000 e 2008, chegando a 994 cidades. Esse marco, entretanto, ainda n\u00e3o ultrapassa 18% dos munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>A PNRS estabelece que a organiza\u00e7\u00e3o da coleta seletiva \u00e9 responsabilidade dos munic\u00edpios e condiciona a libera\u00e7\u00e3o de recursos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de <strong>planos de gerenciamento de res\u00edduos. Apenas 10% das cidades conseguiram entregar seus planos.<\/strong> Isso revela outro problema: a <strong>qualifica\u00e7\u00e3o deficiente do quadro t\u00e9cnico das prefeituras<\/strong> para lidar com o assunto. Os valores s\u00e3o tamb\u00e9m significativos: <strong>o custo m\u00e9dio do servi\u00e7o estruturado \u00e9 de R$ 424 por tonelada, enquanto o convencional custa R$ 95<\/strong> [Dados da Pesquisa Ciclosoft\/Cempre 2012].<\/p>\n<p><strong>O artigo 12 do Decreto n\u00ba 7.404\/2010 define que \u201ca coleta seletiva poder\u00e1 ser implementada sem preju\u00edzo da implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de log\u00edstica reversa\u201d. O artigo 18 aponta que \u201cna implementa\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o do sistema de log\u00edstica reversa\u201d \u2013 atribui\u00e7\u00e3o das empresas \u2013, \u201cpoder\u00e3o ser institu\u00eddos postos de entrega de res\u00edduos reutiliz\u00e1veis e recicl\u00e1veis, devendo ser priorizada, especialmente no caso de embalagens p\u00f3s-consumo, a participa\u00e7\u00e3o de cooperativas ou outras formas de associa\u00e7\u00f5es de catadores de materiais recicl\u00e1veis ou reutiliz\u00e1veis\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abramovay aponta que a implanta\u00e7\u00e3o da PNRS exigir\u00e1 aumento de pre\u00e7o, ou redu\u00e7\u00e3o da margem de lucro, ou um pouco das duas coisas<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9 Vilhena, diretor-executivo do Cempre, reconhece que h\u00e1 d\u00e9\u001fficit de capacita\u00e7\u00e3o nas prefeituras, e avalia que \u00e9 preciso preparar os t\u00e9cnicos para que possam assumir com compet\u00eancia sua atribui\u00e7\u00e3o. Segundo ele, hoje existem mais recursos \u2013 por meio de agentes como BNDES, Funasa e Caixa Econ\u00f4mica Federal \u2013 do que capacidade de gastar. Mas, para que os administradores p\u00fablicos acessem os recursos, \u00e9 preciso ter os planos de gerenciamento. \u201cA responsabilidade pela coleta seletiva \u00e9 do gestor local. O setor empresarial pode ajudar, mas n\u00e3o substituir o papel\u201d, afi\u001frma.<\/p>\n<p>Outra proposta de acordo foi encaminhada ao MMA por mais de sete entidades, entre elas a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Munic\u00edpios (ABM), a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de \u00d3rg\u00e3os Municipais de Meio Ambiente (Anamma) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP).<\/p>\n<p>Por esse modelo, seria criada uma gestora nacional, tal como o InpEV. Essa gestora seria respons\u00e1vel pelo gerenciamento dos recursos dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes \u2013 a serem arrecadados para remunerar os munic\u00edpios pelos servi\u00e7os prestados pela coleta seletiva \u2013 e pela recupera\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos de embalagens em geral. Proporia ainda a cria\u00e7\u00e3o de fundos municipais para remunera\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de coleta seletiva e de recupera\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos.<\/p>\n<p>P\u00c1GINA\u001d\u001c\u001b\u001a22 tentou ouvir o MMA por telefone e email a respeito das propostas, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Base de nova riqueza<\/strong><\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o da PNRS prop\u00f5e chacoalhar a pr\u00f3pria maneira de conceber, desenhar, usar e descartar os bens e os servi\u00e7os (mais na reportagem \u201cTapete M\u00e1gico\u201c). Os res\u00edduos, sempre que poss\u00edvel, dever\u00e3o ser base para a produ\u00e7\u00e3o de nova riqueza. Ou seja, o desa\u001ffio central estaria na implanta\u00e7\u00e3o de modelos que permitam agregar valor aos materiais remanescentes do consumo \u2013 o que pode ser definido como upcycle \u2013 e n\u00e3o que levem \u00e0 sua deprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil dos produtos manufaturados e o design para facilitar a recupera\u00e7\u00e3o e reciclagem devem ser priorizados nos processos de desenvolvimento e de inova\u00e7\u00e3o, defende Eloisa Garcia, pesquisadora e gerente de sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea). No caso da ind\u00fastria de embalagem, os desafios est\u00e3o em especial na otimiza\u00e7\u00e3o da quantidade por volume de produto acondicionado, sem comprometer seu desempenho e sua fun\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o, e em sua contribui\u00e7\u00e3o para fortalecer a ind\u00fastria da reciclagem.<\/p>\n<p>Entre as estrat\u00e9gias apontadas por ela, algumas j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no mercado: redu\u00e7\u00e3o do peso de todo tipo de embalagem (tecnologia que permite manter a mesma performance usando menos material), o desenvolvimento dos chamados produtos refil (a embalagem muitas vezes n\u00e3o tem alto \u00edndice de reciclabilidade, mas a quantidade de material por volume de produto \u00e9 menor), embalagens de grande volume (a quantidade de embalagem por quantidade de produto \u00e9 mais otimizada), produtos concentrados (pela e\u001fci\u00eancia e efic\u00e1cia, o volume de embalagem \u00e9 menor) [A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Embalagem (Abre) lan\u00e7ou este ano a cartilha Meio Ambiente e a Ind\u00fastria de Embalagem, esclarecendo conceitos e processos para reintegra\u00e7\u00e3o dos diversos materiais \u00e0 cadeia produtiva].<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Quando ser\u00e1 que os fabricantes ter\u00e3o que apresentar o design de seus produtos antes da fabrica\u00e7\u00e3o para serem aprovados? \u00c9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia para licenciar todo e qualquer produto para este n\u00e3o escapar da cadeia de reciclagem e efici\u00eancia. E s\u00f3 ser\u00e3o aprovados se comprovarem que todas as partes do produto s\u00e3o baseados no ciclo de vida ber\u00e7o a ber\u00e7o, 100% recicl\u00e1veis. E, ainda mais, sem sobreembalagem. Ser\u00e1 que est\u00e3o ensinando isso nos cursos de design de embalagem?<\/span><\/p>\n<p><strong>Mas a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica deve mirar al\u00e9m. \u00c9 poss\u00edvel melhorar produtos por meio do \u201cpensar no ciclo de vida\u201d (lifecyclethinking), com an\u00e1lise critica dos efeitos adversos secund\u00e1rios (trade-offs), inclusive das decis\u00f5es. A troca de material de um componente do produto visando a redu\u00e7\u00e3o da massa de res\u00edduos no p\u00f3s-consumo, por exemplo, sem avaliar se na fabrica\u00e7\u00e3o do novo material a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos n\u00e3o supera a do material convencional, \u00e9 um\u00a0exemplo disso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ponto sens\u00edvel em toda essa cadeia de valor de mat\u00e9rias-primas reutilizadas e recicladas s\u00e3o os instrumentos credit\u00edcios e tribut\u00e1rios para incentivar o cumprimento das diretrizes da PNRS. Vilhena lembra, em especial, da necessidade de revisar os tributos, uma vez que hoje as obriga\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas para quem recicla e para quem utiliza mat\u00e9ria-prima virgem. Assim, sobre o produto reciclado acaba incidindo uma bitributa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso suspender o ICMS para material reciclado e recicl\u00e1vel. Com isso a gente combate a informalidade no setor\u201d, diz.<\/strong><\/p>\n<p>A conscientiza\u00e7\u00e3o do consumidor tamb\u00e9m entra na conta. Para especialistas em sustentabilidade, a comunica\u00e7\u00e3o do custo do processo e de seu eventual repasse aos pre\u00e7os das mercadorias \u00e9 instrumento importante de educa\u00e7\u00e3o ambiental e pode ajudar na ado\u00e7\u00e3o de outra din\u00e2mica em rela\u00e7\u00e3o ao consumo. Ricardo Abramovay aponta que a implanta\u00e7\u00e3o da PNRS exigir\u00e1 aumento de pre\u00e7o, ou redu\u00e7\u00e3o da margem de lucro, ou um pouco das duas coisas, e o consumidor precisar\u00e1 entender essa conta como parte do processo de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A gerente de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil [A Coca-Cola, por meio do Instituto Coca-Cola Brasil, planeja deixar a reciclagem como um legado da Copa 2014. Segundo informa\u00e7\u00f5es da empresa, hoje s\u00e3o 300 cooperativas apoiadas, e a meta \u00e9 chegar a 500 at\u00e9 o fim do ano que vem. O relat\u00f3rio de sustentabilidade 2010\/2011 registra que, nos \u00faltimos anos, a propor\u00e7\u00e3o de res\u00edduos reciclados em rela\u00e7\u00e3o aos gerados pela companhia chegou a 76% em 2010 e a 82% em 2011], Fl\u00e1via Neves, avalia que primeiramente \u00e9 preciso saber se de fato a conta vai aumentar, j\u00e1 que o empoderamento das cooperativas pode baixar o valor que as empresas hoje pagam pelo quilo do pet reciclado e trazer maior retorno financeiro aos cooperados: \u201cO pet \u00e9 vendido em m\u00e9dia a R$ 0,60 o quilo por um catador aut\u00f4nomo a uma cooperativa, que por sua vez vende a aproximadamente R$ 0,90 para um intermedi\u00e1rio, que repassa por R$ 2. No \u001ffim, a empresa paga cerca de R$ 4. O valor triplica. Quanto mais o cooperado beneficia esse material, mais ele lucra\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>S\u00f3 vamos saber se essa conta fecha daqui a alguns anos. Fabio Feldmann vislumbra que haver\u00e1 uma vis\u00e3o radicalmente distinta sobre os res\u00edduos daqui a duas d\u00e9cadas. \u201cEssa legisla\u00e7\u00e3o cria uma pol\u00edtica e um processo. N\u00e3o encerra um assunto e, sim, come\u00e7a\u201d, a\u001ffirma.<\/p>\n<p><strong>Responsabilidade: compartilhada versus estendida<\/strong><\/p>\n<p>O modelo adotado pelo Pa\u00eds para gerenciar os res\u00edduos p\u00f3s-consumo \u00e9 o da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que prev\u00ea responsabilidades individualizadas e encadeadas de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos servi\u00e7os p\u00fablicos de limpeza urbana e manejo de res\u00edduos s\u00f3lidos, no caso, os munic\u00edpios. J\u00e1 a chamada responsabilidade estendida, adotada pela Uni\u00e3o Europeia, estabelece como responsabilidade do produtor tamb\u00e9m o est\u00e1gio p\u00f3s-consumo do produto que ele coloca no mercado.<\/p>\n<p>A responsabilidade do produtor, nesse segundo caso, pode assumir tr\u00eas formas b\u00e1sicas: take-back (obriga\u00e7\u00e3o de o fabricante\/ importador receber a devolu\u00e7\u00e3o do remanescente do produto, quando for descartado, que j\u00e1 \u00e9 praticada por empresas de eletroeletr\u00f4nicos como Dell e HP, por exemplo); dep\u00f3sito-retorno (taxa sobre o consumo, restitu\u00edda quando o produto fora de uso ou seu recipiente for devolvido \u2013 o caso das garrafas de vidro \u00e9 o mais conhecido e o sistema de dep\u00f3sito era praticado em larga escala at\u00e9 a ado\u00e7\u00e3o das garrafas one-way); coleta domiciliar (separa\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos por parte do produtor ou de uma organiza\u00e7\u00e3o que age em seu lugar). Os dados fazem parte do livro Lixo Zero: Gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos para uma sociedade mais pr\u00f3spera, de Ricardo Abramovay, Juliana Sim\u00f5es Speranza e C\u00e9cile Petitgand, lan\u00e7ado na Confer\u00eancia Ethos 2013.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia, os resultados da responsabilidade estendida, embora desiguais, s\u00e3o bastante impressionantes. Em 2008, foi aprovada uma diretriz pela qual 50% de todos os seus res\u00edduos dever\u00e3o ser reciclados at\u00e9 2020. Su\u00e9cia, Su\u00ed\u00e7a, Holanda, Alemanha, \u00c1ustria e Fran\u00e7a j\u00e1 ultrapassaram esse percentual. Merece destaque a Packaging Recovery Organisation Europe (PRO Europe), organiza\u00e7\u00e3o fundada em 1995 que congrega 35 produtores nacionais comprometidos com coleta seletiva e reciclagem de embalagens. A principal iniciativa do grupo \u00e9 o Green Dot \u2013 Ponto Verde \u2013, marca licenciada e adotada por ind\u00fastrias de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><\/p>\n<p>Bons exemplos mostram que implantar o lixo zero \u00e9 poss\u00edvel, em <a href=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/index.php\/2013\/09\/tapete-magico\/\" target=\"_blank\"><strong><span style=\"color: #ff6600;\">\u201cTapete m\u00e1gico\u201d<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Catadores precisam ser remunerados pelo servi\u00e7o prestado ao ambiente e \u00e0 sociedade, em <a href=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/index.php\/2013\/09\/vale-mais-do-que-pesa\/\" target=\"_blank\"><strong><span style=\"color: #ff6600;\">\u201cVale mais do que pesa\u201d<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Fonte &#8211; Revista P\u00e1gina 22 de setembro de 2013<\/p>\n<p>Imagem &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/11016633@N07\/\">worshiphim24_7<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objeto de sedu\u00e7\u00e3o e muitas vezes determinante na escolha do produto, a embalagem tornou-se o maior n\u00f3 para a destina\u00e7\u00e3o correta de res\u00edduos e demandar\u00e1 mudan\u00e7as mais profundas do que estruturar cadeias de recolhimento e reciclagem N\u00e3o faz muito tempo, \u00edamos ao supermercado levando os chamados cascos de refrigerante e cerveja. 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