{"id":13057,"date":"2014-05-28T08:00:37","date_gmt":"2014-05-28T11:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=13057"},"modified":"2014-05-28T10:19:44","modified_gmt":"2014-05-28T13:19:44","slug":"uma-alimentacao-viciada-em-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/uma-alimentacao-viciada-em-petroleo\/","title":{"rendered":"Uma alimenta\u00e7\u00e3o viciada em petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm4.staticflickr.com\/3682\/14095973939_1039bf78dc_o.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Comemos petr\u00f3leo, ainda que n\u00e3o pare\u00e7a. O atual modelo de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos \u00e9 viciado em \u201couro negro\u201d. Sem petr\u00f3leo, n\u00e3o poder\u00edamos comer como o fazemos. Num cen\u00e1rio onde vai ser cada vez mais dif\u00edcil extrair petr\u00f3leo e este ficar\u00e1 mais caro, como nos vamos alimentar?<\/p>\n<p>A agricultura industrial tornou-nos dependentes do petr\u00f3leo. Precisamos dele, desde o cultivo, \u00e0 colheita, passando pela comercializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o consumo. A revolu\u00e7\u00e3o verde, as pol\u00edticas que nos disseram que modernizariam a agricultura e acabariam com a fome, e que foram implementadas entre os anos 40 e 70, converteram-nos em \u201cyonquis\/(viciados e dependentes)\u201d deste combust\u00edvel f\u00f3ssil, em parte gra\u00e7as ao seu pre\u00e7o relativamente barato. A mecaniza\u00e7\u00e3o dos sistemas agr\u00edcolas e o uso intensivo de fertilizantes e pesticidas qu\u00edmicos s\u00e3o o melhor exemplo. Estas pol\u00edticas significaram a privatiza\u00e7\u00e3o da agricultura, deixando-nos, camponeses e consumidores, nas m\u00e3os de um punhado de empresas do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Apesar da revolu\u00e7\u00e3o verde ter prometido que aumentaria a produ\u00e7\u00e3o de comida e, em consequ\u00eancia, acabaria com a fome, a realidade n\u00e3o foi assim. Por um lado, \u00e9 verdade que a produ\u00e7\u00e3o por hectare cresceu. Segundo dados da FAO, entre os anos 70 e 90, o total de alimentos per capita a n\u00edvel mundial subiu cerca de 11%. No entanto, isto n\u00e3o se repercutiu, como assinala Jorge Riechmann na sua obra \u2018Cuidar a (T)terra\u2019, numa diminui\u00e7\u00e3o real da fome, j\u00e1 que o n\u00famero de pessoas famintas no planeta, nesse mesmo per\u00edodo e sem contar com a China, cuja pol\u00edtica agr\u00edcola se regia por outros par\u00e2metros, ascendeu, tamb\u00e9m, em 11%, passando de 536 milh\u00f5es para 597.<\/p>\n<p><strong>Por outro lado, a revolu\u00e7\u00e3o verde teve consequ\u00eancias muito negativas para pequenos e m\u00e9dios camponeses e para a seguran\u00e7a alimentar a longo prazo. Em concreto, aumentou o poder das empresas agroindustriais em toda a cadeia produtiva, provocou a perda de 90% da agro e da biodiversidade, reduziu massivamente o n\u00edvel fre\u00e1tico, aumentou a salinidade e a eros\u00e3o do solo, deslocou milh\u00f5es de agricultores do campo para os bairros de lata urbanos, desmantelando os sistemas agr\u00edcolas tradicionais, e converteu-nos em dependentes do petr\u00f3leo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma agricultura \u2018yonqui\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o de maquinaria agr\u00edcola em grande escala foi um dos primeiros passos. Nos Estados Unidos, por exemplo, <strong>em 1850,<\/strong> como indica o relat\u00f3rio <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.populationmatters.org\/documents\/food_energy.pdf?phpMyAdmin=e11b8b687c20198d9ad050fbb1aa7f2f\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Food, Energy and Society,<\/span><\/a><\/span> a tra\u00e7\u00e3o animal era a principal fonte de energia no campo, representava cerca de 53% do total, seguida da for\u00e7a humana, com cerca de 13%. Cem anos mais tarde, em 1950, ambas somavam apenas 1%, devido \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas de combust\u00edvel f\u00f3ssil.<\/strong> A depend\u00eancia da maquinaria agr\u00edcola (tratores, ceifeiras-debulhadoras, caminh\u00f5es\u2026) \u00e9 enorme, e ainda \u00e9 mais necess\u00e1ria tratando-se de grandes planta\u00e7\u00f5es e monoculturas. Desde a produ\u00e7\u00e3o, a agricultura est\u00e1 \u201cdependente\u201d do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O sistema agr\u00edcola atual com o cultivo de alimentos em grandes estufas, independentemente da sazonalidade e do clima, aumenta tamb\u00e9m a necessidade de derivados do petr\u00f3leo e o elevado consumo energ\u00e9tico. Desde mangueiras passando por contentores, acolchoados, redes at\u00e9 tetos e coberturas, tudo \u00e9 pl\u00e1stico. O Estado espanhol, <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.alecoconsult.com\/index.php?id=espana-cuenta-con-66000-hectareas-de-cultivos-de-invernaderos-de-plastico\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">segundo dados do Minist\u00e9rio da Agricultura e do Meio Ambiente,<\/span><\/a><\/span><\/strong> est\u00e1 \u00e0 cabe\u00e7a do cultivo sob pl\u00e1stico na Europa mediterr\u00e2nica com 66 mil hectares cultivados, a maior parte na Andaluzia, e em particular em Almeria, seguida, a dist\u00e2ncia, de M\u00farcia e Can\u00e1rias. E, que fazer com tanto pl\u00e1stico uma vez acabada a sua vida \u00fatil?<\/p>\n<p>O uso intensivo de adubos e pesticidas qu\u00edmicos s\u00e3o mais um exemplo de como o modelo alimentar \u00e9 viciado em petr\u00f3leo.<strong> A comercializa\u00e7\u00e3o de adubos e pesticidas aumentou 18% e 160%, respectivamente, entre os anos 1980 e 1998,<\/strong> segundo o relat\u00f3rio <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.sustainweb.org\/pdf\/eatoil_sumary.PDF\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Eating oil: food suply in a changing climate.<\/span><\/a><\/span> O sistema agr\u00edcola dominante precisa de elevadas doses de adubos fabricados a partir do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural, como amon\u00edaco, ureia, etc., que substituem os nutrientes do solo.<\/strong> Multinacionais petrol\u00edferas, como Repsol, Exxon Mobile, Shell, Petrobras contam na sua carteira com investimentos na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de fertilizantes agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Os pesticidas qu\u00edmicos sint\u00e9ticos s\u00e3o outra fonte importante da depend\u00eancia deste combust\u00edvel f\u00f3ssil. A revolu\u00e7\u00e3o verde, como analis\u00e1vamos, generalizou o uso de pesticidas e, em consequ\u00eancia, a necessidade de petr\u00f3leo para os fabricar. E tudo isto, sem mencionar o impacto ambiental do uso desses agrot\u00f3xicos, a contamina\u00e7\u00e3o e esgotamento de solo e \u00e1guas, e o impacto na sa\u00fade de camponeses e consumidores.<\/p>\n<p><strong>Alimentos viajantes<\/strong><\/p>\n<p>A necessidade de petr\u00f3leo notamo-la, tamb\u00e9m, nas longas viagens que os alimentos percorrem desde onde s\u00e3o cultivados at\u00e9 ao lugar em que s\u00e3o consumidos. <strong>Calcula-se que a comida viaje em m\u00e9dia cerca de 5 mil quil\u00f4metros do campo at\u00e9 ao prato,<\/strong> segundo um <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/amigosdaterra.net\/info\/080513_adt\/images\/documentos\/03_doc-a.cooperacion\/120428_informe_alimentoskm.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">relat\u00f3rio de Amigos da Terra,<\/span><\/a><\/span><\/strong> com a consequente necessidade de hidrocarbonetos e com o impacto ambiental. <strong>Estes \u201calimentos viajantes\u201d, segundo esse relat\u00f3rio, geram quase 5 milh\u00f5es de toneladas de CO2 por ano, contribuindo para o agravamento das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A globaliza\u00e7\u00e3o alimentar na corrida ao m\u00e1ximo lucro, deslocaliza a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, como fez com tantos outros ramos da economia produtiva. Produz-se em grande escala nos pa\u00edses do Sul, aproveitando as condi\u00e7\u00f5es laborais prec\u00e1rias e uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental inexistente, e vende-se a mercadoria, posteriormente aqui a um pre\u00e7o competitivo. Ou produz-se no Norte, gra\u00e7as a subven\u00e7\u00f5es \u00e0 agricultura nas m\u00e3os de grandes empresas, para depois se comercializar essa mercadoria subvencionada na outra ponta do planeta, vendendo abaixo do pre\u00e7o de custo e fazendo concorr\u00eancia desleal \u00e0 produ\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone. Aqui reside o porqu\u00ea dos alimentos quilom\u00e9tricos: m\u00e1ximo lucro para uns poucos; m\u00e1xima precariedade, pobreza e contamina\u00e7\u00e3o ambiental para a maioria.<\/strong><\/p>\n<p>No ano de 2007, importaram-se mais de 29 milh\u00f5es de toneladas de alimentos no Estado espanhol, 50% mais do que em 1995. Tr\u00eas quartos foram cereais, preparados de cereais e ra\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o industrial de gado, a maior parte provindos de Europa e Am\u00e9rica Central e do Sul, como indica o <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/amigosdaterra.net\/info\/080513_adt\/images\/documentos\/03_doc-a.cooperacion\/120428_informe_alimentoskm.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">relat\u00f3rio Alimentos quilom\u00e9tricos<\/span><\/a>.<\/span><\/strong> Inclusive alimentos t\u00edpicos, como o gr\u00e3o de bico ou o vinho, acabamos por consumi-los a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. 87% do gr\u00e3o de bico que comemos aqui vem do M\u00e9xico, no Estado espanhol o seu cultivo caiu abruptamente. Que sentido tem esta viagem internacional de alimentos de um ponto de vista social e ambiental? Nenhum.<\/p>\n<p><strong>Uma comida t\u00edpica dominical da Gr\u00e3-Bretanha com batatas de It\u00e1lia, cenouras da \u00c1frica do Sul, feij\u00f5es da Tail\u00e2ndia, carne de vaca da Austr\u00e1lia, br\u00f3colis da Guatemala e sobremesa com morangos da Calif\u00f3rnia e mirtilos da Nova Zel\u00e2ndia gera, segundo o relat\u00f3rio <span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.sustainweb.org\/pdf\/eatoil_sumary.PDF\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Eating oil: food suply in a changing climate<\/span><\/a>,<\/span> 650 vezes mais gases de efeito de estufa, devido ao transporte, que se esta comida tivesse sido cultivada e comprada localmente. O n\u00famero total de quil\u00f4metros que o conjunto destes \u201calimentos viajantes\u201d somam do campo at\u00e9 \u00e0 mesa \u00e9 de 81 mil, o equivalente a duas voltas inteiras ao planeta terra. Algo irracional, se tivermos em conta que muitos destes produtos s\u00e3o cultivados no territ\u00f3rio. A Gr\u00e3-Bretanha importa grandes quantidades de leite, porco, borrego e outros alimentos b\u00e1sicos, apesar de exportar quantidades semelhantes dos mesmos. Aqui, em Espanha, passa-se o mesmo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comendo pl\u00e1stico<\/strong><\/p>\n<p><strong>E quando os alimentos chegam ao supermercado, que sucede? Pl\u00e1stico e mais pl\u00e1stico, com derivados do petr\u00f3leo. Assim, encontramos uma embalagem prim\u00e1ria que cont\u00e9m o alimento, um pacote secund\u00e1rio que permite uma atraente exibi\u00e7\u00e3o no estabelecimento e, finalmente, sacos para o levar do \u201csuper\u201d a casa. Na Catalunha, por exemplo, dos 4 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos anuais, <span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.residusiconsum.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=226:analisi-de-la-produccio-de-residus-associada-a-la-cistella-estandard-de-la-compra&amp;catid=35:estudis-2010&amp;Itemid=62\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">25% correspondem a embalagens de pl\u00e1stico<\/span><\/a>.<\/span> Os supermercados empacotam tudo, a venda a granel passou \u00e0 hist\u00f3ria.<\/strong> Um estudo encomendado pela <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/premsa.gencat.cat\/pres_fsvp\/AppJava\/notapremsavw\/detall.do?id=36307\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Ag\u00eancia Catal\u00e3 do Consumo<\/span><\/a> <\/span><\/strong>concluiu que <strong>comprar no com\u00e9rcio de proximidade gera menos 69% de res\u00edduos, do que fazendo-o num supermercado<\/strong> ou numa grande superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Uma est\u00f3ria pessoal ilustra bem esta tend\u00eancia. Em pequena, em minha casa comprava-se \u00e1gua engarrafada em grandes garrafas de vidro de oito litros, hoje quase toda a \u00e1gua que se comercializa \u00e9 engarrafada em embalagens de pl\u00e1stico. E tornou-se moda, inclusive, compr\u00e1-la em embalagens de seis unidades de litro e meio. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, pois, que dos 260 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos de pl\u00e1stico do mundo, a maior parte sejam embalagens de garrafas de \u00e1gua ou leite, como indica a Funda\u00e7\u00e3o Terra. O Estado espanhol, segundo essa fonte, \u00e9 o principal produtor na Europa de sacos de pl\u00e1stico de um s\u00f3 uso e o terceiro consumidor. <strong>Calcula-se que a vida \u00fatil de um saco de pl\u00e1stico \u00e9 de 12 minutos em media, mas a sua decomposi\u00e7\u00e3o pode demorar 400 anos.<\/strong> Tirem conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Vivemos num planeta de pl\u00e1stico, como retratava brilhantemente o austr\u00edaco Werner Boote no seu filme <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.terra.org\/categorias\/peliculas\/plastic-planet\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">\u2018Plastic Planet\u2018<\/span><\/a><\/span><\/strong> (2009), onde afirmava: <strong>\u201cA quantidade de pl\u00e1stico que produzimos desde o princ\u00edpio da idade do pl\u00e1stico \u00e9 suficiente para envolver at\u00e9 seis vezes o planeta com sacos\u201d.<\/strong> E n\u00e3o s\u00f3 isso, que impacto tem na sa\u00fade a sua omnipresen\u00e7a na nossa vida quotidiana? Um depoimento nesse filme dizia: <strong>\u201cComemos e bebemos pl\u00e1stico\u201d.<\/strong> E, como denuncia o document\u00e1rio, <strong>tarde ou cedo, pagaremos a fatura.<\/strong><\/p>\n<p>A grande distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 generalizou o consumo de enormes quantidades de pl\u00e1stico, mas tamb\u00e9m o uso do carro para ir \u00e0s compras. A prolifera\u00e7\u00e3o de hipermercados, grandes armaz\u00e9ns e centros comerciais fora das cidades obrigou ao uso do carro privado para a desloca\u00e7\u00e3o at\u00e9 estes estabelecimentos. Se tomarmos como exemplo a Gr\u00e3-Bretanha, como indica o relat\u00f3rio <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.sustainweb.org\/pdf\/eatoil_sumary.PDF\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Eating oil: food suply in a changing climate<\/span><\/a>,<\/span><\/strong> entre os anos 1985\/86 e 1996\/98 o n\u00famero de viagens de carro por semana e por pessoa para fazer compras passou de 1,7 para 2,4. O total da dist\u00e2ncia percorrida, tamb\u00e9m, aumentou, dos 14 km por pessoa por semana para 22 km, uma subida de 57%. Mais quil\u00f4metros, mais petr\u00f3leo e mais CO2, em detrimento, al\u00e9m disso, do com\u00e9rcio local. Se no ano de 1998, existiam no Estado espanhol 95 mil lojas, <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/esthervivas.com\/2007\/11\/21\/la-distribucion-moderna-la-invasion-de-los-supermercados\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">em 2004 este n\u00famero tinha-se reduzido para 25 mil.<\/span><\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Que fazer?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/crashoil.blogspot.com.es\/2010\/11\/la-agencia-internacional-de-la-energia.html\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Ag\u00eancia Internacional da Energia,<\/span><\/a><\/span><\/strong> a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo convencional atingiu o seu pico em 2006. Num mundo, onde o petr\u00f3leo escasseia, o que vamos comer e como? Em primeiro lugar, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta que quanto mais agricultura industrial, intensiva, quilom\u00e9trica, globalizada, maior depend\u00eancia do petr\u00f3leo. Ao contr\u00e1rio, um sistema campon\u00eas, agroecol\u00f3gico, local, sazonal, menos \u201cdepend\u00eancia\u201d dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. A conclus\u00e3o, creio, \u00e9 clara.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente apostar num modelo de agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o antag\u00f4nico ao dominante, que ponha no centro as necessidades da maioria e o ecossistema. N\u00e3o se trata de uma volta rom\u00e2ntica ao passado, mas sim da imperiosa necessidade de cuidar da terra e garantir comida para todos. Ou apostamos na mudan\u00e7a ou quando n\u00e3o houver mais rem\u00e9dio sen\u00e3o mudar, outros, como tantas vezes, v\u00e3o fazer neg\u00f3cio com a nossa mis\u00e9ria. N\u00e3o deixemos que se repita a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; <strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/esthervivas.com\/portugues\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">Esther Vivas<\/span><\/a>,<\/span><\/strong> Publico.es em \/ Esquerda.net de 05 de maio de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemos petr\u00f3leo, ainda que n\u00e3o pare\u00e7a. O atual modelo de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos \u00e9 viciado em \u201couro negro\u201d. Sem petr\u00f3leo, n\u00e3o poder\u00edamos comer como o fazemos. Num cen\u00e1rio onde vai ser cada vez mais dif\u00edcil extrair petr\u00f3leo e este ficar\u00e1 mais caro, como nos vamos alimentar? 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