{"id":13209,"date":"2014-07-14T08:00:35","date_gmt":"2014-07-14T11:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=13209"},"modified":"2014-07-12T11:03:09","modified_gmt":"2014-07-12T14:03:09","slug":"o-nebuloso-cenario-dos-agrotoxicos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-nebuloso-cenario-dos-agrotoxicos-no-brasil\/","title":{"rendered":"O nebuloso cen\u00e1rio dos agrot\u00f3xicos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/e.issuu.com\/embed.html#4622892\/8590373\" width=\"525\" height=\"746\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o a ser gerada para que consigamos ter uma posi\u00e7\u00e3o mais assertiva sobre a condi\u00e7\u00e3o do meio ambiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos no Brasil\u201d, adverte o engenheiro agr\u00f4nomo Robson Barizon.<\/p>\n<p>Apesar de o Brasil ser o maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo desde 2008, \u00e9 preciso \u201cgerar muito mais informa\u00e7\u00e3o para entender como est\u00e1 o cen\u00e1rio de uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds\u201d, diz Robson Barizon, um dos autores do estudo \u201cPanorama da contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos e nitrato de origem agr\u00edcola no Brasil: cen\u00e1rio 1992\/2011\u201d, realizado pela Embrapa neste ano. Segundo ele, ainda s\u00e3o produzidas poucas pesquisas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s implica\u00e7\u00f5es do uso de fertilizantes na agricultura.<\/p>\n<p>\u201cA restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda n\u00e3o temos programas de monitoramento, como seria o ideal. Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as mol\u00e9culas mais utilizadas na regi\u00e3o, e a partir das conclus\u00f5es dos monitoramentos regionais\/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos\u201d, pontua, em entrevista por telefone \u00e0 IHU On-Line.<\/p>\n<p>Entre as preocupa\u00e7\u00f5es envolvendo o uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds, Barizon chama a aten\u00e7\u00e3o para a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, \u201cj\u00e1 que a falta de saneamento de esgoto \u00e9 um problema s\u00e9rio no Brasil. Esse esgoto tem n\u00edveis altos de nitrato, al\u00e9m de outros problemas microbiol\u00f3gicos, e n\u00edveis altos de nitrog\u00eanio. Em pontos pr\u00f3ximos \u00e0s \u00e1reas urbanas, \u00e9 poss\u00edvel observar n\u00edveis maiores de nitrog\u00eanio, mas em bacias hidrogr\u00e1ficas, onde a influ\u00eancia maior \u00e9 s\u00f3 da \u00e1rea agr\u00edcola, os n\u00edveis de nitrog\u00eanio ainda s\u00e3o considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contamina\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o constatamos um problema que leve a a\u00e7\u00f5es maiores\u201d. Entre as culturas que contaminam a \u00e1gua, est\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de arroz irrigado. \u201cPelo fato de o arroz irrigado ser produzido com l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua, a qual retorna aos corpos d\u2019\u00e1gua, existe, sim, um risco maior de contamina\u00e7\u00e3o nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que n\u00f3s levantamos. Ent\u00e3o, nesse sentido, h\u00e1, sim, uma preocupa\u00e7\u00e3o com a cultura do arroz e deve ser dada mais aten\u00e7\u00e3o ao manejo desse produto\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Robson Barizon \u00e9 graduado em Engenharia Agr\u00f4noma pela Universidade Federal do Paran\u00e1 \u2013 UFPR e doutor em Solos e Nutri\u00e7\u00e3o de Plantas pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. Atualmente \u00e9 pesquisador da Embrapa Meio Ambiente de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quais s\u00e3o as principais conclus\u00f5es do estudo sobre contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos no Brasil, intitulado \u201cPanorama da contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos e nitrato de origem agr\u00edcola no Brasil: cen\u00e1rio 1992\/2011\u201d? \u00c9 poss\u00edvel dar um parecer sobre o uso de agrot\u00f3xico nas regi\u00f5es analisadas? Os n\u00edveis de uso de agrot\u00f3xicos s\u00e3o aceit\u00e1veis ou ultrapassam o limite permitido?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> A principal conclus\u00e3o a que chegamos com esse trabalho foi a de que ainda h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o a ser gerada para que consigamos ter uma posi\u00e7\u00e3o mais assertiva sobre a condi\u00e7\u00e3o do meio ambiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n<p>Pelos trabalhos que conseguimos levantar [1], os n\u00edveis de res\u00edduos ainda s\u00e3o considerados aceit\u00e1veis e est\u00e3o de acordo com os padr\u00f5es internacionais estabelecidos. De todo modo, n\u00e3o foi poss\u00edvel uma conclus\u00e3o assertiva sobre o panorama do uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds, considerando a quantidade restrita de trabalhos encontrados sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quais s\u00e3o os avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise da toxicologia dos agrot\u00f3xicos?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> A ci\u00eancia e os m\u00e9todos est\u00e3o avan\u00e7ando, inclusive a sensibilidade anal\u00edtica dos equipamentos est\u00e1 evoluindo com o tempo. Ent\u00e3o, mol\u00e9culas que antes n\u00e3o eram detectadas passam a ser detectadas com m\u00e9todos mais modernos e com equipamentos mais sens\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Um dos objetivos do estudo foi identificar e avaliar o cen\u00e1rio de uso e presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos e fertilizantes nitrogenados no Brasil. Quais s\u00e3o as principais constata\u00e7\u00f5es acerca desse ponto? Quais as ocorr\u00eancias de agrot\u00f3xicos e de nitrato nas cinco regi\u00f5es brasileiras analisadas e em quais culturas esse fertilizante \u00e9 utilizado?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Hoje a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira \u00e9 quase que completamente pautada pelo uso desse insumo. Nesse trabalho n\u00e3o foi abordada a intensidade de uso de cada uma das culturas produzidas no Brasil, mas de forma geral podemos dizer que os gr\u00e3os utilizam agrot\u00f3xicos em uma intensidade menor, e culturas com valor agregado maior, como hortali\u00e7as e esp\u00e9cies frut\u00edferas, usam agrot\u00f3xicos com uma intensidade maior.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao nitrato, os n\u00edveis encontrados em \u00e1reas agr\u00edcolas foram baixos e n\u00e3o eram preocupantes. Talvez a preocupa\u00e7\u00e3o maior seja realmente com a fonte urbana de contamina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o esgoto n\u00e3o tratado. Ent\u00e3o, no que se refere ao nitrato, h\u00e1 tens\u00e3o com a fonte urbana de contamina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a falta de saneamento de esgoto \u00e9 um problema s\u00e9rio no Brasil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Ent\u00e3o o problema n\u00e3o est\u00e1 na quantidade de nitrato utilizado nas culturas agr\u00edcolas, mas na falta de tratamento da \u00e1gua?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Sim, porque como os esgotos no Brasil t\u00eam um percentual de tratamento muito baixo, uma parte do esgoto gerado \u00e9 lan\u00e7ada diretamente nos rios. Esse esgoto tem n\u00edveis altos de nitrato, al\u00e9m de outros problemas microbiol\u00f3gicos, e n\u00edveis altos de nitrog\u00eanio. Em pontos pr\u00f3ximos \u00e0s \u00e1reas urbanas, \u00e9 poss\u00edvel observar n\u00edveis maiores de nitrog\u00eanio, mas em bacias hidrogr\u00e1ficas, onde a influ\u00eancia maior \u00e9 da \u00e1rea agr\u00edcola, os n\u00edveis de nitrog\u00eanio ainda s\u00e3o considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contamina\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o constatamos um problema que leve a a\u00e7\u00f5es maiores.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Quais s\u00e3o as principais observa\u00e7\u00f5es a serem feitas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de agrot\u00f3xicos na cultura de arroz, por exemplo, no RS? H\u00e1 risco de contamina\u00e7\u00e3o dos corpos d\u2019\u00e1gua que recebem a \u00e1gua da lavoura?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Pelo fato de o arroz irrigado ser produzido com l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua, a qual retorna aos corpos d\u2019\u00e1gua, existe, sim, um risco maior de contamina\u00e7\u00e3o nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que n\u00f3s levantamos. Ent\u00e3o, nesse sentido, h\u00e1, sim, uma preocupa\u00e7\u00e3o com a cultura do arroz e deve ser dada mais aten\u00e7\u00e3o ao manejo desse produto.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> \u00c9 alto o \u00edndice de uso de agrot\u00f3xicos na produ\u00e7\u00e3o de arroz?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> \u00c9 alto, sim, o \u00edndice de uso de agrot\u00f3xico nessa cultura. Mas n\u00f3s s\u00f3 inclu\u00edmos na pesquisa os trabalhos que encontramos, os quais j\u00e1 mostram que existe um potencial de contamina\u00e7\u00e3o. Existem algumas iniciativas do Estado do Rio Grande do Sul para acompanhar a situa\u00e7\u00e3o, porque realmente \u00e9 necess\u00e1rio, uma vez que existe um uso intensivo de agrot\u00f3xicos na produ\u00e7\u00e3o de arroz e a \u00e1gua utilizada para a irriga\u00e7\u00e3o retorna aos rios, aos corpos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> O estudo aponta que na regi\u00e3o Nordeste o uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 intenso por conta da produ\u00e7\u00e3o de frutas para exporta\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o as frutas cultivadas a base de agrot\u00f3xicos? Nesse caso h\u00e1 um controle do uso de agrot\u00f3xico por conta da fiscaliza\u00e7\u00e3o do mercado externo?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> A produ\u00e7\u00e3o de frutas l\u00e1 \u00e9 praticamente feita de forma irrigada e basicamente \u00e9 feita no Vale do Rio S\u00e3o Francisco. As principais culturas ali cultivadas s\u00e3o mam\u00e3o, uva de mesa e mel\u00e3o. S\u00f3 que nesse caso os n\u00edveis de agrot\u00f3xico s\u00e3o bastante controlados porque os pa\u00edses importadores t\u00eam normas r\u00edgidas de controle. Ent\u00e3o, pelo menos nessas \u00e1reas existe um cuidado com o uso de agrot\u00f3xicos para que n\u00e3o ultrapassem os limites aceit\u00e1veis no fruto, porque os pa\u00edses que importam, geralmente pa\u00edses da Europa e do Hemisf\u00e9rio Norte, tamb\u00e9m fazem o controle.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Alguns aqu\u00edferos j\u00e1 apresentam ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o por conta do uso de agrot\u00f3xicos? A pesquisa menciona uma preocupa\u00e7\u00e3o com os aqu\u00edferos de Serra Grande e Poti-Piau\u00ed, no Piau\u00ed?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Nesse caso n\u00f3s levantamos a informa\u00e7\u00e3o e o cuidado preventivo que deve existir com esses aqu\u00edferos. Muitos aqu\u00edferos est\u00e3o protegidos por uma camada de rocha imperme\u00e1vel, que funciona como uma barreira, mas os de Serra Grande e Poti-Piau\u00ed s\u00e3o aqu\u00edferos livres, ou seja, eles chegam at\u00e9 a superf\u00edcie do solo, ent\u00e3o o potencial de contamina\u00e7\u00e3o deles \u00e9 alto. Por\u00e9m, isso n\u00e3o quer dizer que eles j\u00e1 estejam contaminados. Nas \u00e1reas desses aqu\u00edferos existe o uso de agrot\u00f3xicos, mas apenas o uso n\u00e3o indica que haja contamina\u00e7\u00e3o, porque se podem selecionar mol\u00e9culas \u2014 essa \u00e9 uma das formas de se evitar a contamina\u00e7\u00e3o \u2014 que tenham menor solubilidade em \u00e1gua.<\/p>\n<p>Existe uma variedade muito grande de mol\u00e9culas, de propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas de mol\u00e9culas. Se, nessas situa\u00e7\u00f5es, forem selecionadas mol\u00e9culas que n\u00e3o sejam muito sol\u00faveis em \u00e1gua, que n\u00e3o v\u00e3o ser transportadas junto com a \u00e1gua, que v\u00e3o ficar retidas na superf\u00edcie do solo, onde se precisa fazer o controle do fungo, da planta daninha, do inseto, ent\u00e3o o risco de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante reduzido. Portanto, trata-se mais de um alerta para que sejam tomadas medidas de preven\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos aqu\u00edferos. No Brasil ainda n\u00e3o h\u00e1 indicativo de que qualquer aqu\u00edfero esteja contaminado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Na regi\u00e3o Centro-Oeste, chama a aten\u00e7\u00e3o na pesquisa a redu\u00e7\u00e3o entre 40 e 50% dos teores de mat\u00e9ria org\u00e2nica dos solos cultivados em rela\u00e7\u00e3o aos solos virgens. Quais as implica\u00e7\u00f5es do uso de agrot\u00f3xico para o solo?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Principalmente onde a vegeta\u00e7\u00e3o natural era mata, com grande porte de biomassa, quando foi feita a retirada dessa mata e foi introduzida a atividade agr\u00edcola, os n\u00edveis de material org\u00e2nico diminu\u00edram. Isso aconteceu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paran\u00e1, quando se reduziu a Mata Atl\u00e2ntica para a expans\u00e3o da agricultura, ou seja, os n\u00edveis de carbono foram reduzidos. Como um dos mecanismos de reten\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos do solo \u00e9 a reten\u00e7\u00e3o pela mat\u00e9ria org\u00e2nica, se o n\u00edvel de mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 reduzido, a reten\u00e7\u00e3o \u00e9 menor.<\/p>\n<p>O plantio direto, que foi adotado a partir da d\u00e9cada de 1990 e se expandiu no Brasil, vai no caminho contr\u00e1rio; ele aumenta novamente os n\u00edveis de carbono. Ent\u00e3o, medidas como essa, utilizadas na agricultura onde houve decr\u00e9scimo dos n\u00edveis de mat\u00e9ria org\u00e2nica de carbono, possibilitam que se atinjam novamente os n\u00edveis iniciais de mat\u00e9ria org\u00e2nica ou, pelo menos, que se elevem esses n\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Como tem se dado o processo de recolhimento das embalagens de agrot\u00f3xicos? Qual a situa\u00e7\u00e3o do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 log\u00edstica reversa?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Esse \u00e9 um motivo de orgulho para o Brasil, porque o pa\u00eds \u00e9 refer\u00eancia mundial em log\u00edstica reversa. Foi criado o Instituto para o Desenvolvimento Social e Ecol\u00f3gico \u2013 Idese, o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o dessa atividade. O Brasil recolhe acima de 80, 90% das embalagens e \u00e9 o l\u00edder mundial nesse quesito, ou seja, \u00e9 o pa\u00eds que consegue recolher o maior \u00edndice de embalagens de agrot\u00f3xicos que, se ficarem na propriedade, no campo, t\u00eam um potencial alto de contamina\u00e7\u00e3o tanto para o trabalhador quanto para o meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Na pesquisa voc\u00eas mencionam que apesar de o uso de agrot\u00f3xico ter crescido consideravelmente no pa\u00eds, ainda h\u00e1 pouca pesquisa sobre o assunto. Quais as raz\u00f5es? E que tipo de estudo e monitoramento deveria ser feito para se ter um panorama do uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Esse \u00e9 um processo lento e gradual. A legisla\u00e7\u00e3o que trata da regulamenta\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil tem avan\u00e7ado, inclusive nos \u00faltimos 20 anos. Mas o acompanhamento acerca do uso de agrot\u00f3xicos exige investimento, porque s\u00e3o an\u00e1lises caras. Ent\u00e3o, a restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda n\u00e3o temos programas de monitoramento, como seria o ideal.<\/p>\n<p>Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as mol\u00e9culas mais utilizadas na regi\u00e3o, e a partir das conclus\u00f5es dos monitoramentos regionais\/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual \u00e9 a alternativa aos agrot\u00f3xicos? \u00c9 poss\u00edvel pensar no desenvolvimento agr\u00edcola sem o uso desses produtos?<\/p>\n<p><strong>Robson Barizon \u2013<\/strong> Uma agricultura sem o uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel; seria uma perspectiva ut\u00f3pica. Mas podemos avan\u00e7ar muito mais para reduzir o uso desses produtos. Nesse sentido, deve-se trabalhar em duas frentes: constatado o fato de que \u00e9 preciso fazer uso dessa subst\u00e2ncia, ent\u00e3o temos de control\u00e1-la e monitor\u00e1-la; al\u00e9m disso, podemos fazer o uso racional dessas subst\u00e2ncias, utilizando-as somente quando for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Temos muito a avan\u00e7ar, por exemplo, no controle biol\u00f3gico, no uso de agentes biol\u00f3gicos para controlar outras pragas, quer dizer, se usa um inseto para controlar outro inseto, se usa um microrganismo para controlar outro inseto. Esse tipo de pr\u00e1tica deveria ser mais estudado e desenvolvido no Brasil. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia de aplica\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante usar equipamentos com a regulagem correta para aquela condi\u00e7\u00e3o de uso, para que se evitem perdas para a atmosfera, para que se evite a contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas que n\u00e3o aquelas onde a lavoura est\u00e1 instalada. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas que podem reduzir a quantidade de agrot\u00f3xico utilizada.<\/p>\n<p>Hoje, o Brasil \u00e9 o maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo, tomando o posto que antes era ocupado pelos Estados Unidos, e a tend\u00eancia \u00e9 de alta. Ent\u00e3o, todas essas medidas poderiam reverter essa tend\u00eancia de aumento de consumo e trazer a agricultura brasileira para n\u00edveis mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nota &#8211; O estudo \u201cPanorama da contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos e nitrato de origem agr\u00edcola no Brasil: cen\u00e1rio 1992\/2011\u201d foi realizado com base na an\u00e1lise de pesquisas acad\u00eamicas sobre o uso de agrot\u00f3xicos no per\u00edodo de 1992 a 2011.<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0IHU On-Line de 07 de julho de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAinda h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o a ser gerada para que consigamos ter uma posi\u00e7\u00e3o mais assertiva sobre a condi\u00e7\u00e3o do meio ambiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos no Brasil\u201d, adverte o engenheiro agr\u00f4nomo Robson Barizon. 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