{"id":13462,"date":"2014-09-04T09:00:41","date_gmt":"2014-09-04T12:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=13462"},"modified":"2014-09-04T13:27:44","modified_gmt":"2014-09-04T16:27:44","slug":"parece-mas-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/parece-mas-nao-e\/","title":{"rendered":"Parece, mas n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>Empres\u00e1rios, pesquisadores e governos buscam formas de trazer \u00e0 luz as externalidades \u2013 reflexos negativos ou positivos de uma atividade que s\u00e3o sentidos por aqueles que pouco ou nada contribu\u00edram para ger\u00e1-los. Precific\u00e1-las significa mostrar a economia em seu tamanho mais real<\/strong><\/p>\n<p>Quanto custariam a televis\u00e3o, o t\u00eanis e o carro que compramos se neles estivessem contados todos os custos que implicam, e n\u00e3o s\u00f3 o que seus fabricantes gastaram? Se a constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios fechados elimina o com\u00e9rcio de rua e inibe a circula\u00e7\u00e3o de pedestres de uma cidade, por que esse impacto negativo n\u00e3o aparece no pre\u00e7o dos apartamentos? Se uma multinacional do agroneg\u00f3cio exporta, com sua soja, nutrientes do solo e quantidades cavalares de \u00e1gua, por que ela n\u00e3o tem de pagar por isso?<\/p>\n<p>Essas perguntas t\u00eam ganhado espa\u00e7o cada vez maior. Com a crise ambiental e seus efeitos para a sociedade, empres\u00e1rios, pesquisadores e governos buscam formas de incorporar aos pre\u00e7os as chamadas externalidades, que at\u00e9 hoje permanecem \u00e0 margem da precifica\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas mobilizar as ferramentas da ci\u00eancia e da economia, mas tamb\u00e9m mudar o vocabul\u00e1rio e o modo de encarar a natureza.<\/p>\n<p>Diversas organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 se adiantam para ocupar um espa\u00e7o nesse novo mundo. Companhias como a brit\u00e2nica Trucost oferecem a grandes e pequenas corpora\u00e7\u00f5es uma base de dados com a qual podem estimar seu impacto sobre a natureza; no Brasil, a Bolsa Verde do Rio de Janeiro (BVRio) abre espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos ambientais. A empresa Biof\u00edlica, de S\u00e3o Paulo, comercializa servi\u00e7os ambientais (Designam o fluxo de benef\u00edcios que o capital natural fornece ao ser humano), com vistas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de florestas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m as tentativas de calcular os custos escondidos resultam em n\u00fameros assustadores. Uma equipe liderada pelo economista australiano Robert Costanza, da Australian National University, estimou que a superexplora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais j\u00e1 causou uma perda nos servi\u00e7os ambientais de US$ 20,2 trilh\u00f5es, entre 1997 e 2011. Essa mesma pesquisa estima em US$ 124,8 trilh\u00f5es por ano o valor de tudo que a natureza oferece sem cobrar ao ser humano, o que corresponde, aproximadamente, ao dobro do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ou seja: a d\u00e1diva da Terra para n\u00f3s \u00e9 cada vez menor, e a culpa \u00e9 nossa <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0959378014000685\" target=\"_blank\"><strong>[Leia mais].<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u201cNossas estimativas econ\u00f4micas deixam de fora os presentes da natureza que, hoje, valem mais do que todo o capital instalado e toda a atividade econ\u00f4mica no mundo. \u00c9 um erro enorme\u201d, afirma Costanza. \u201cN\u00e3o queremos transacionar, vender ou privatizar esses ativos, mas temos de reconhecer seu valor e come\u00e7ar a tomar medidas urgentes para proteg\u00ea-los e restaur\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de ampliar a contabilidade de custos para al\u00e9m do que aparece no business as usual est\u00e1 enriquecendo a linguagem de tomadores de decis\u00e3o com termos como servi\u00e7os ambientais e capital natural (\u00c9 o c\u00e1lculo do valor monet\u00e1rio de toda a terra, \u00e1gua, ar e biodiversidade do planeta). Se o ar, os rios, os nutrientes da terra e o subsolo s\u00e3o insumos de toda produ\u00e7\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o da vida, ent\u00e3o o planeta pode ser encarado como um gigantesco estoque de capital.<\/p>\n<p>Outra express\u00e3o que a cada dia se populariza \u00e9 a pegada ecol\u00f3gica, pela qual se busca medir o quanto uma atividade, uma empresa, um pa\u00eds ou mesmo uma pessoa geram de impacto no meio ambiente. A Global Footprint Network, uma ONG sediada na Calif\u00f3rnia (EUA), desenvolve, desde 2003, metodologias que buscam aperfei\u00e7oar a contabiliza\u00e7\u00e3o do impacto humano sobre o planeta <a href=\"http:\/\/footprintnetwork.org\/en\/index.php\/GFN\/\" target=\"_blank\"><strong>[Para saber mais, acesse].<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Anualmente, a ONG celebra o Earth Overshoot Day, dia em que o uso dos recursos naturais pela atividade humana ultrapassa a capacidade de renova\u00e7\u00e3o do planeta, e que vem recuando a cada ano. Em 2012, esse dia foi 22 de agosto. Em 2013, dia 20 de agosto e, este ano, dia 19. Dessa marca at\u00e9 31 de dezembro, a humanidade consome al\u00e9m das possibilidades do planeta, hipotecando o futuro.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da pegada ecol\u00f3gica toma, como base de c\u00e1lculo, o capital ecol\u00f3gico definido como \u201cestoque de ativos ecol\u00f3gicos vivos que fornecem bens e servi\u00e7os continuamente\u201d, ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de recursos (como cereais e animais de cria\u00e7\u00e3o), a assimila\u00e7\u00e3o de rejeitos (como a absor\u00e7\u00e3o de CO2), e servi\u00e7os necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia (como a prote\u00e7\u00e3o contra raios ultravioleta, biodiversidade, limpeza da \u00e1gua e estabilidade do clima).<\/p>\n<p>A partir de 2008, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente alem\u00e3o, a Comiss\u00e3o Europeia e o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) desenvolveram o The Economics of Ecosystems and Biodiversity (Em portugu\u00eas: A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade), ou apenas <a href=\"http:\/\/www.teebweb.org\/\" target=\"_blank\"><strong>Relat\u00f3rio Teeb.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O documento se prop\u00f5e a ser \u201cuma grande iniciativa internacional para chamar aten\u00e7\u00e3o para os benef\u00edcios econ\u00f4micos globais da biodiversidade, expressar os custos crescentes da degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, e para aproximar conhecimentos de ci\u00eancia, economia e pol\u00edticas p\u00fablicas, permitindo o avan\u00e7o de a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas\u201d. A <a href=\"http:\/\/www.trucost.com\/published-research\/127\/TEEB-Brazil-natural-capital-report\" target=\"_blank\"><strong>vers\u00e3o brasileira do relat\u00f3rio<\/strong><\/a> foi lan\u00e7ada este ano.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edticas \u00e0 monetiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, a ideia de tratar a natureza inteira como ativo ou patrim\u00f4nio, no sentido mais estritamente financeiro do termo, tem estimulado tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de cr\u00edticas acerbas, cujo principal argumento \u00e9 que se est\u00e1 aplicando \u00e0 salva\u00e7\u00e3o do planeta a mesma l\u00f3gica e a mesma linguagem que conduziram \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisadores como a alem\u00e3 Barbara Unm\u00fc\u00dfig, da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, alertam para a troca de conceitos como \u201cbem coletivo\u201d e \u201cresponsabilidade social\u201d por um idioma centrado em dinheiro e capital.<\/p>\n<p>Recentemente, o jornalista ingl\u00eas George Monbiot, em discurso na Universidade de Sheffield, no Reino Unido, resumiu esses argumentos, afirmando que a l\u00f3gica do capital natural \u201c\u00e9 plaus\u00edvel e respeit\u00e1vel, mas \u00e9 a via para a ru\u00edna, uma ru\u00edna ainda maior do que a atual\u201d. Para Monbiot, al\u00e9m de \u201cempurrar o mundo natural ainda mais para o fundo do sistema que o est\u00e1 devorando vivo\u201d, a no\u00e7\u00e3o de capital natural produz a ilus\u00e3o de que algumas grandezas s\u00e3o comensur\u00e1veis, quando n\u00e3o s\u00e3o: a beleza de uma paisagem, o valor da \u00e1gua limpa, o tempo de lazer.<\/p>\n<p>Monbiot lembra tamb\u00e9m que n\u00e3o se podem ignorar os desequil\u00edbrios de poder que p\u00f5em em xeque a conserva\u00e7\u00e3o ambiental: um exemplo \u00e9 o sistema de negocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono na Europa, que falhou, segundo o jornalista, porque empresas muito poluidoras conseguiram obter cr\u00e9ditos al\u00e9m do devido, gra\u00e7as a seu poder de lobby (mais na reportagem \u201cSaindo das sombras\u201d).<\/p>\n<p><strong>Neg\u00f3cios naturais<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de capital natural tem gerado novos neg\u00f3cios no Brasil e no mundo. Richard Mattison \u00e9 presidente da empresa brit\u00e2nica Trucost, que oferece servi\u00e7os a empresas que querem conhecer e reduzir seu impacto ambiental. Um exemplo de empresa que investe em ganhos de imagem com responsabilidade ambiental \u00e9 a fabricante alem\u00e3 de artigos esportivos Puma, que desde 2011 publica um relat\u00f3rio do impacto ambiental de toda a sua cadeia de produ\u00e7\u00e3o (mais na reportagem \u201cAvan\u00e7ando nas medi\u00e7\u00f5es\u201d). A metodologia foi desenvolvida pela Trucost e outras consultorias.<\/p>\n<p>Outro exemplo s\u00e3o os \u201ct\u00edtulos verdes\u201d (Os chamados green bonds s\u00e3o projetados para captar recursos para projetos com baixa emiss\u00e3o de carbono), emitidos por empresas como GDF-Suez e Unilever, um mercado que tem crescido 60% ao ano. Segundo o banco HSBC, em 2013 foram lan\u00e7ados US$ 11 bilh\u00f5es nesses t\u00edtulos e, no primeiro semestre de 2014, US$ 18,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Contrariando o senso comum de que a introdu\u00e7\u00e3o de novos custos torna os produtos necessariamente mais caros, Mattison lembra que as externalidades negativas s\u00e3o quase sempre arcadas pelas sociedades. Isso significa que a incorpora\u00e7\u00e3o desses custos \u00e0 contabilidade tornaria, ao longo do tempo, os bens e servi\u00e7os mais baratos, em vez de mais caros. \u201cPagar\u00edamos menos impostos, ter\u00edamos menos gastos com sa\u00fade e transporte. Se reduzirmos a destrui\u00e7\u00e3o no futuro, deixaremos de pagar o que pagamos por haver inunda\u00e7\u00f5es e secas\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Estudo da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) calculou que, sem o metr\u00f4, doen\u00e7as respirat\u00f3rias causariam um custo adicional de US$ 18 bilh\u00f5es a S\u00e3o Paulo. A pesquisa mediu a frequ\u00eancia em hospitais em dias de greve do metr\u00f4. Saiba mais.<\/p>\n<p>Segundo Mattison, a transi\u00e7\u00e3o para uma economia mais sustent\u00e1vel n\u00e3o se dar\u00e1 de maneira suave e tranquila. Ser\u00e3o necess\u00e1rias mais crises ambientais para que se torne evidente a urg\u00eancia de internalizar as externalidades sociais e ambientais. Costanza faz o mesmo progn\u00f3stico.<\/p>\n<p>O executivo diz compreender as cr\u00edticas feitas por Monbiot, Barbara Unm\u00fc\u00dfig e outros, mas afirma que \u00e9 preciso falar na mesma l\u00edngua que os investidores e empres\u00e1rios. Os custos, ele diz, sempre existiram, mas nunca foram incorporados na avalia\u00e7\u00e3o de atividades econ\u00f4micas, porque n\u00e3o havia maneira de introduzi-los na contabilidade.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 uma externalidade?<\/strong><\/p>\n<p>Externalidade \u00e9, originalmente, um conceito da teoria econ\u00f4mica. Reflete os efeitos das atividades de produ\u00e7\u00e3o e consumo que n\u00e3o se apresentam diretamente no mercado. Fala-se em \u201cexternalidades de produ\u00e7\u00e3o\u201d quando as decis\u00f5es de uma empresa s\u00e3o afetadas pelas de outra. Economistas gostam de citar como exemplo o caso de um api\u00e1rio localizado ao lado de um pomar: ambas as empresas se beneficiam, porque as abelhas produzem mais mel, e as \u00e1rvores s\u00e3o mais fecundadas. \u00c9 uma externalidade positiva. Ao contr\u00e1rio, uma f\u00e1brica de cerveja tem de lidar com externalidades negativas se, rio acima, est\u00e1 localizada uma f\u00e1brica que polui: a \u00e1gua que lhe chegar\u00e1 ser\u00e1 impr\u00f3pria para um produto de qualidade. Carlos Eduardo Frickmann Young, professor da UFRJ, explica que a externalidade negativa \u00e9 \u2018socializada\u201d entre aqueles que pouco ou nada contribu\u00edram para ger\u00e1-la (mais em Entrevista).N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber como, a rigor, as externalidades est\u00e3o em toda parte: poder\u00edamos dizer que o mundo inteiro \u00e9 uma enorme rede de externalidades, sejam ambientais, sociais, de produ\u00e7\u00e3o, sejam de consumo. Quando a economia se torna oligopolizada, produz-se uma externalidade negativa de cunho social: a desigualdade e, com ela, mis\u00e9ria e doen\u00e7as. Quando as cidades se entopem de autom\u00f3veis, por falta de meios p\u00fablicos de transporte, surge uma externalidade negativa de cunho ambiental e bem conhecida: a polui\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m produz doen\u00e7as e diminui a qualidade de vida. Este \u00faltimo exemplo envolve tamb\u00e9m uma externalidade negativa social: os congestionamentos, que reduzem o tempo de lazer e aumentam o n\u00edvel de estresse.<\/p>\n<p><strong>O lado legal<\/strong><\/p>\n<p>Como demonstra a lentid\u00e3o no avan\u00e7o das iniciativas globais e governamentais, uma moldura institucional e legal \u00e9 imprescind\u00edvel para que a precifica\u00e7\u00e3o das externalidades tenha efeito. Mauricio de Moura Costa, s\u00f3cio-fundador da Bolsa Verde do Rio de Janeiro, cita o caso brasileiro, com o C\u00f3digo Florestal e a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS), mas ressalva que essas leis ainda n\u00e3o est\u00e3o plenamente regulamentadas.<\/p>\n<p>\u201cO papel das leis, nos mercados ambientais, \u00e9 relacionado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da demanda\u201d, explica Moura Costa. Com a instaura\u00e7\u00e3o, pelo C\u00f3digo Florestal, de reservas legais que os propriet\u00e1rios rurais s\u00e3o obrigados a manter, estabelece-se um novo mercado, por meio do qual podem ser negociadas as Cotas de Reserva Ambiental (CRA) (T\u00edtulos que representam um excedente de \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o natural em rela\u00e7\u00e3o ao exigido na lei). Propriedades com reservas abaixo da cota podem escolher: ou recomp\u00f5em a mata ou compram cr\u00e9ditos excedentes de propriedades com floresta acima da cota. Estas \u00faltimas s\u00e3o remuneradas para manter sua mata de p\u00e9.<\/p>\n<p>J\u00e1 a PNRS trata de produtos e embalagens que, na falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, poderiam terminar em lix\u00f5es e aterros. O trabalho dos catadores, que realizam cerca de 90% da log\u00edstica reversa (Consiste em retornar embalagens e outros res\u00edduos ao setor produtivo, para reutiliza\u00e7\u00e3o ou descarte adequado) no Pa\u00eds, segundo Moura Costa, pode ser considerada uma externalidade positiva, um servi\u00e7o ambiental.<\/p>\n<p>A BVRio, explica o empres\u00e1rio, trabalha com cr\u00e9ditos de log\u00edstica reversa. Os catadores de lixo negociam o registro, em nota fiscal, de embalagens enviadas para reciclagem; quem o compra s\u00e3o empresas que precisam cumprir as cotas do PNRS.<\/p>\n<p>Outros instrumentos semelhantes est\u00e3o em compasso de espera, segundo Moura Costa, citando a Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima, que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um mercado de carbono dom\u00e9stico. H\u00e1 ainda externalidades negativas para as quais n\u00e3o h\u00e1 marco legal ou mecanismos de mercado. O executivo cita a mobilidade urbana: \u201cEm S\u00e3o Paulo, j\u00e1 existem cotas limitando o direito de se locomover em ve\u00edculos particulares\u201d, afirma. \u201cA cria\u00e7\u00e3o de um sistema de flexibiliza\u00e7\u00e3o dessas cotas criaria um mercado, trazendo mais efici\u00eancia ao sistema.\u201d Segundo Costanza, um instrumento de direito econ\u00f4mico muito promissor para tratar de externalidades ambientais, \u201cadministrando o ambiente como um ativo comum, em vez de servi\u00e7o ou bem privado\u201d, \u00e9 a figura do trust. Ausente da matriz jur\u00eddica brasileira, o trust exige que o ativo em si (um investimento ou uma propriedade fundi\u00e1ria) seja mantido intacto, e somente seus rendimentos sejam usados.<\/p>\n<p>\u201cPodemos pensar na atmosfera como um ativo comum, que seria mantido em trust para a atual gera\u00e7\u00e3o e as futuras\u201d, explica o economista. \u201cCom um trust atmosf\u00e9rico, aqueles que gastam o ativo s\u00e3o cobrados por esse gasto, por exemplo, com impostos sobre o carbono, mas aqueles que melhoram o ativo s\u00e3o pagos, por exemplo, com cr\u00e9ditos de carbono.\u201d Costanza ressalva que n\u00e3o se trata de um mercado comum, mas de um instrumento jur\u00eddico no nome de toda a comunidade global. Se deixar de contar as externalidades \u00e9 negligenciar os servi\u00e7os ambientais fornecidos pelo planeta, os c\u00e1lculos de Costanza, Mattison e outros mostram que o bolso onde d\u00f3i essa neglig\u00eancia \u00e9 o bolso da humanidade como um todo.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Diego Viana, P\u00e1gina 22 de setembro de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empres\u00e1rios, pesquisadores e governos buscam formas de trazer \u00e0 luz as externalidades \u2013 reflexos negativos ou positivos de uma atividade que s\u00e3o sentidos por aqueles que pouco ou nada contribu\u00edram para ger\u00e1-los. 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