{"id":13467,"date":"2014-09-04T12:00:07","date_gmt":"2014-09-04T15:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=13467"},"modified":"2025-11-25T11:40:18","modified_gmt":"2025-11-25T14:40:18","slug":"avancando-nas-medicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/avancando-nas-medicoes\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7ando nas medi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Com objetivo de reduzir riscos e garantir a sobreviv\u00eancia do neg\u00f3cio a longo prazo, empresas adotam m\u00e9tricas para aferir o valor econ\u00f4mico de recursos naturais e o grau de depend\u00eancia dos bens e servi\u00e7os prestados pela natureza<\/strong><\/p>\n<p>Para alguns, o ponto central est\u00e1 na regula\u00e7\u00e3o do clima e uso de biomassa combust\u00edvel. Para outros, no controle da eros\u00e3o, na qualidade da \u00e1gua e at\u00e9 no potencial de recrea\u00e7\u00e3o e turismo em \u00e1reas naturais. Quem estava naquela manh\u00e3 ensolarada de inverno no sal\u00e3o nobre do pr\u00e9dio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), em S\u00e3o Paulo, sabia que o momento era de busca por algo novo que est\u00e1 na fronteira do conhecimento e tem potencial de mudar a contabilidade das corpora\u00e7\u00f5es e o modo de tomar decis\u00f5es, em horizonte de tempo n\u00e3o muito distante. No encontro, debru\u00e7ados sobre planilhas, profissionais de sustentabilidade de empresas atentas ao futuro de suas opera\u00e7\u00f5es diante da degrada\u00e7\u00e3o dos recursos do planeta tinham um objetivo comum: avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de um modelo capaz de medir em cifr\u00f5es e reportar ao mercado o custo de impactos socioambientais e da depend\u00eancia do neg\u00f3cio em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os prestados pela natureza.<\/p>\n<p>O grupo integra a iniciativa Tend\u00eancias em Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (TeSE), mantida desde o ano passado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da FGV-Eaesp, reunindo hoje 20 empresas que est\u00e3o na linha de frente no processo de romper barreiras culturais e enxergar o custo das externalidades como fator estrat\u00e9gico, na perspectiva de um mundo com graves dilemas sociais e recursos naturais cada vez mais escassos e caros. \u201cQueremos medir o valor das fontes h\u00eddricas para a empresa, considerando os riscos associados a outros usu\u00e1rios abastecidos por elas\u201d, revela Maira Almeida, da ger\u00eancia de projetos corporativos da AES Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA demanda por um mecanismo de valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais quantitativa, inclusive em termos monet\u00e1rios, partiu das pr\u00f3prias empresas, porque \u00e9 \u00fatil \u00e0 gest\u00e3o interna e subsidia a decis\u00e3o de novos investimentos\u201d, afirma Renato Armelin, coordenador da TeSE. Com apoio da academia, as empresas calibram a nova ferramenta, a partir de projetos piloto, com prop\u00f3sito de chegar a um c\u00e1lculo simples, acess\u00edvel e replic\u00e1vel. A iniciativa permite comparar valores ao longo do tempo para ado\u00e7\u00e3o de melhorias cont\u00ednuas e comunic\u00e1-los de forma clara e objetiva.<\/p>\n<p>A metodologia abrange nove servi\u00e7os ecossist\u00eamicos (Provis\u00e3o de \u00e1gua; provis\u00e3o de biomassa combust\u00edvel; regula\u00e7\u00e3o da qualidade do recurso h\u00eddrico; assimila\u00e7\u00e3o de efluentes l\u00edquidos; clima global (desmatamento e recupera\u00e7\u00e3o florestal); poliniza\u00e7\u00e3o; eros\u00e3o do solo; vaz\u00e3o de cursos d\u2019\u00e1gua (preven\u00e7\u00e3o de enchentes); al\u00e9m de recrea\u00e7\u00e3o e turismo (grupo dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos culturais)), considerando tr\u00eas aspectos: o uso de recursos naturais pela empresa, os impactos decorrentes das varia\u00e7\u00f5es em quantidade ou qualidade do servi\u00e7o ecossist\u00eamico e as externalidades, ou seja, os efeitos causados a terceiros e \u00e0 sociedade em geral. A l\u00f3gica muitas vezes \u00e9 a do \u201ccusto evitado\u201d, com base, por exemplo, no investimento necess\u00e1rio para prevenir impactos ou repor perdas causadas a terceiros. \u201cO foco \u00e9 estimar o custo da preven\u00e7\u00e3o ou do impacto potencial, subsidiando decis\u00f5es para que danos n\u00e3o ocorram\u201d, explica Armelin, com uma ressalva: \u201cIsso n\u00e3o implica que os valores econ\u00f4micos da repara\u00e7\u00e3o, relativos a passivos ambientais ou ao conserto de impactos j\u00e1 ocorridos, sejam subestimados ou descartados pelas empresas\u201d.<\/p>\n<p>No caso de grandes obras, a constru\u00e7\u00e3o civil demanda expressiva quantidade de insumos naturais (\u00e1gua, brita, areia, madeira etc.) que n\u00e3o se renovam no ritmo do consumo e, em raz\u00e3o disso, dever\u00e3o ficar mais caros. (<a href=\"https:\/\/drraisdentalavenue.com\/generic-ambien-online\/\">drraisdentalavenue.com<\/a>)  \u201cHoje s\u00f3 arcamos com o custo da extra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do recurso em si\u201d, diz Ricardo Sampaio, coordenador de meio ambiente da Camargo Corr\u00eaa, ao lembrar que no futuro \u201cpagaremos o valor referente ao \u2018trabalho\u2019 da natureza para produzi-lo\u201d. Em sua an\u00e1lise, o primeiro passo \u00e9 buscar conhecimento para chegar a algo consistente e conscientizar o alto escal\u00e3o. \u201cN\u00e3o adianta ficar s\u00f3 no drama\u201d, enfatiza Sampaio.<\/p>\n<p>A construtora come\u00e7ou a testar a valora\u00e7\u00e3o neste ano na obra de uma refinaria em Ipojuca (PE), regi\u00e3o onde h\u00e1 problema de escassez de \u00e1gua, e o lan\u00e7amento de efluentes \u00e9 proibido. O objetivo \u00e9 calcular o valor monet\u00e1rio do recurso h\u00eddrico nessas condi\u00e7\u00f5es, chegando a um n\u00famero pr\u00f3ximo ao que vigorar\u00e1 no futuro, superior aos custos atuais, restritos \u00e0 capta\u00e7\u00e3o no rio e tratamento. Os dados subsidiar\u00e3o iniciativas de inova\u00e7\u00e3o para uso de materiais que demandam menos recursos naturais. \u201cAt\u00e9 2017, a contabilidade dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos dever\u00e3o compor o capital da empresa\u201d, informa Sampaio.<\/p>\n<p>\u201cSem valor de mercado, os benef\u00edcios naturais s\u00e3o negligenciados ou subvalorizados\u201d, completa Denise Alves, diretora de sustentabilidade da Natura. Para uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel de longo prazo, a empresa reconhece a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e os impactos sobre recursos do planeta, tanto na provis\u00e3o de \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos como no uso de recursos gen\u00e9ticos. Como integrante da TeSE, a Natura tem como objetivo demonstrar o valor ambiental da produ\u00e7\u00e3o nas comunidades que fornecem insumos da biodiversidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a Natura se engajou em diferentes plataformas internacionais de valora\u00e7\u00e3o de impactos socioambientais. Uma delas foi a The Economics of Ecosystem and Biodiversity (Teeb) (O primeiro e mais completo estudo global sobre os cursos econ\u00f4micos da perda da biodiversidade e da degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. No Brasil, foi desenvolvida uma vers\u00e3o espec\u00edfica para o setor de neg\u00f3cios, sob coordena\u00e7\u00e3o da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional) para o setor de neg\u00f3cios, cuja metodologia foi aplicada na busca de alternativas mais sustent\u00e1veis para a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de palma (dend\u00ea) na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O resultado foi divulgado em mar\u00e7o deste ano: o valor ambiental total fornecido pelo sistema agroflorestal \u00e9 superior ao triplo do obtido pela monocultura \u2013 R$ 410 mil por hectare, comparados com R$ 122 mil por hectare, durante a vida \u00fatil de 25 anos da planta\u00e7\u00e3o. Isso ocorre porque o cultivo consorciado com a floresta oferece mais servi\u00e7os ecossist\u00eamicos (provis\u00e3o de alimentos, \u00e1gua e madeira; regula\u00e7\u00e3o do clima global e fertilidade do solo) e tem impactos ambientais mais baixos (emiss\u00f5es de gases de efeito estufa pelo uso de combust\u00edvel e fertilizante).<\/p>\n<p>A Natura participou da primeira fase da Parceria Empresarial pelos Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (Pese), destinada a identificar riscos e oportunidades em rela\u00e7\u00e3o ao uso de recursos naturais, com \u00eanfase qualitativa, com base no modelo desenvolvido no mundo pelo World Resources Institute (WRI).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 dados suficientes para a monetiza\u00e7\u00e3o da natureza e, diante da urg\u00eancia socioambiental, n\u00e3o podemos aguard\u00e1-los para s\u00f3 depois agir\u201d, argumenta Fernanda Gimenes, coordenadora da assessoria t\u00e9cnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS). A institui\u00e7\u00e3o conduz hoje a segunda etapa de aplica\u00e7\u00e3o da ferramenta, voltada para a tomada de decis\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o de Petrobras, Basf, Votorantim e Vale. A mineradora avaliou 13 sistemas de mensura\u00e7\u00e3o de custos socioambientais existentes no mundo, com objetivo de mapear riscos e desenvolver estrat\u00e9gias de uso sustent\u00e1vel. Em paralelo, a companhia utiliza uma m\u00e9trica que caracteriza passivos ambientais, e os recursos financeiros para remedia\u00e7\u00e3o do problema s\u00e3o expressos nos demonstrativos cont\u00e1beis.<\/p>\n<p><strong>Cidades medem a \u201cpegada\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A cidade de S\u00e3o Paulo tem aproximadamente 1,5 mil quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea. Mas necessitaria de pelo menos 600 mil para suprir o atual consumo da popula\u00e7\u00e3o e garantir a reposi\u00e7\u00e3o dos recursos pela natureza. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do estudo de \u201cpegada ecol\u00f3gica\u201d realizado pelo WWF Brasil em munic\u00edpios brasileiros como aux\u00edlio \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o popular, ao planejamento urbano e a pol\u00edticas p\u00fablicas para redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo, desenvolvido mundialmente pelo Global Footprint Network (GFN), cruzou n\u00fameros do IBGE sobre consumo familiar com dados sobre \u00e1rea constru\u00edda, pesca, fibras, pastagens, energia, transporte e outros segmentos mais associados ao uso de recursos naturais e emiss\u00f5es de carbono. \u201cA l\u00f3gica \u00e9 transmitir a dimens\u00e3o da escassez e o conceito de limite planet\u00e1rio\u201d, explica Michael Becker, superintendente de conserva\u00e7\u00e3o da ONG.<\/p>\n<p>Em Campo Grande (MS), onde \u00e9 forte o agroneg\u00f3cio, o consumo de carne e outros g\u00eaneros aliment\u00edcios teve um peso significativo na conta. Como desdobramento da pesquisa, foi criado na cidade um grupo gestor para articular medidas que reduzam a pegada. Entre as prioridades, al\u00e9m da pecu\u00e1ria org\u00e2nica, est\u00e1 o est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local de hortifrutigranjeiros. Hoje grande parte desses produtos consumidos na capital sul-mato-grossense chega de S\u00e3o Paulo e por isso est\u00e1 associada \u00e0 maior emiss\u00e3o de carbono no transporte.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio de responsabilidades<\/strong><\/p>\n<p>Mais que isso, empresas come\u00e7am a assimilar a tend\u00eancia de passivos \u201cmorais\u201d se transformarem em \u201clegais\u201d, \u00e0 medida que a sociedade evolui e novos elementos s\u00e3o vistos como inaceit\u00e1veis. O estudo The Changing Landscape of Liability, divulgado globalmente pela Swiss Re, mostra que o tema gera reflexos no mundo dos seguros: \u201cO cen\u00e1rio das responsabilidades \u2013 e, portanto, dos riscos para as empresas e para os acionistas \u2013 est\u00e1 mudando rapidamente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo o conhecimento \u00e9 de ponta, a estrat\u00e9gia mais segura \u00e9 participar de iniciativas na academia, juntamente com v\u00e1rios setores empresariais\u201d, pondera Marcelo Galo, gerente de meio ambiente da unidade de n\u00edquel, ni\u00f3bio e fosfatos da Anglo American, em Barro Alto (GO). O objetivo atual \u00e9 a mensura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do desmatamento evitado e emiss\u00f5es de carbono por meio de plantio de florestas para fins energ\u00e9ticos na regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o adianta vender o peixe para a alta dire\u00e7\u00e3o da companhia sem t\u00ea-lo na m\u00e3o para demonstrar que \u00e9 poss\u00edvel transformar passivo em produto e benef\u00edcio\u201d, explica Galo.<\/p>\n<p>\u00c9 quase um trabalho de \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, tocado nas empresas por profissionais mais jovens e antenados com o tema, que tende a chegar \u00e0 gest\u00e3o de marcas. \u201cO mundo pede novas formas de atribuir valor \u00e0s coisas e as m\u00e9tricas que avaliam custos devem se adaptar a isso, sem cair no greenwashing\u201d(\u00c9 a apropria\u00e7\u00e3o de atributos de sustentabilidade sem que eles existam, com \u00eanfase no marketing, objetivando criar uma imagem positiva para empresas e produtos), pondera Igor Botelho, gestor de novos neg\u00f3cios da <a href=\"http:\/\/asboasnovas.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ag\u00eancia AsBoasNovas.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Com mestrado em pensamento sist\u00eamico pela London Metropolitan University e experi\u00eancia em projetos globais da Nike, GM, Pepsi e Microsoft, o estrategista admite a exist\u00eancia de um processo de mudan\u00e7a, mas v\u00ea uma grande barreira: \u201cA vis\u00e3o de curto prazo que ainda prevalece juntamente com a mentalidade conformista, resistente ao novo\u201d.<\/p>\n<p>As exce\u00e7\u00f5es despontam como refer\u00eancias. \u00c9 o caso do pioneirismo da Puma, empresa mundial de artigos esportivos que mexeu corajosamente nos padr\u00f5es convencionais de gest\u00e3o e investigou a cadeia de fornecedores para concluir que seus custos ambientais \u2013 n\u00e3o contabilizados no caixa \u2013 corresponderam a 70% do faturamento l\u00edquido, em 2010. Em s\u00edntese: 145 milh\u00f5es de euros, que n\u00e3o entraram na conta nem nos pre\u00e7os, foram referentes ao uso de recursos como \u00e1gua, solo e biodiversidade, pelos quais empresa, fornecedores e clientes nada pagaram. \u201cO mundo da contabilidade j\u00e1 entende a valora\u00e7\u00e3o socioambiental como uma necessidade, mas \u00e9 preciso padronizar a r\u00e9gua\u201d, analisa Carlos Rossin, l\u00edder de sustentabilidade da PwC Brasil.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma corrida por m\u00e9tricas, cada vez mais demandadas, para se definir investimentos. No Brasil, o setor florestal est\u00e1 entre os de maior potencial. \u201cA fronteira n\u00e3o \u00e9 discutir impactos, que j\u00e1 s\u00e3o conhecidos, mas instrumentaliz\u00e1-los\u201d, afirma Roberto S. Waack, presidente da Amata, empresa florestal que se prepara para investir algo em torno de R$ 10 milh\u00f5es no plantio de esp\u00e9cies nativas em \u00e1reas degradadas por pastagens na Mata Atl\u00e2ntica da Bahia (leia artigo de Waack na P\u00e1gina 22 de setembro de 2014). O empreendimento, previsto para in\u00edcio no pr\u00f3ximo ano, nascer\u00e1 marcado por um novo modelo de gest\u00e3o. Externalidades positivas e negativas foram mapeadas para an\u00e1lise da viabilidade do projeto, dentro de uma modelagem econ\u00f4mica que envolve elementos estranhos aos balan\u00e7os convencionais das empresas, como o capital natural e o social \u2013 al\u00e9m do financeiro propriamente dito.<\/p>\n<p>O mercado de madeira com origem legal e sustent\u00e1vel est\u00e1 aquecido, com demanda maior que oferta, e a produ\u00e7\u00e3o a partir de plantio de \u00e1rvores \u00e9 vista como op\u00e7\u00e3o capaz de reduzir press\u00f5es ambientais, como o desmatamento. Pelo padr\u00e3o, seria mais seguro e rent\u00e1vel plantar eucalipto do que esp\u00e9cies nativas, porque h\u00e1 pouco conhecimento t\u00e9cnico sobre estas. \u201cMas o salto positivo dos impactos mapeados aponta para oportunidades e ganhos que compensam os riscos e tornam o neg\u00f3cio atraente\u201d, explica Waack.<\/p>\n<p>H\u00e1 650 mil hectares degradados, aptos para restaura\u00e7\u00e3o, com ganhos econ\u00f4micos, sociais e ambientais. \u201cAs a\u00e7\u00f5es precisam terminar em pol\u00edticas p\u00fablicas, com participa\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, destaca Marcelo Furtado, diretor do Instituto Arapya\u00fa, funda\u00e7\u00e3o privada parceira do projeto, que integra uma estrat\u00e9gia maior de desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O setor financeiro est\u00e1 impelido a incorporar os valores das externalidades, a partir da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 4.327 (Publicado em 25 de abril deste ano, o documento disp\u00f5e sobre as diretrizes que devem ser observadas no estabelecimento da Pol\u00edtica de Responsabilidade Socioambiental pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil), publicada este ano pelo Banco Central, determinando a ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios socioambientais em opera\u00e7\u00f5es como a concess\u00e3o de cr\u00e9dito. \u201cEmpresas avan\u00e7am mais r\u00e1pido que governos em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para mudan\u00e7a da contabilidade\u201d, avalia Marcus Frank, diretor de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas da consultoria McKinsey no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cDo campo \u00e0 mesa do consumidor, dependemos do clima, \u00e1gua, biomassa e outras vari\u00e1veis que devem ser mensuradas para reduzir riscos\u201d, atesta Michel Santos, gerente de sustentabilidade da Bunge.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, propriamente, uma ideia nova. H\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, a Carta da Terra, um dos mais importantes documentos da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92), trazia entre seus objetivos \u201cincluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e servi\u00e7os no pre\u00e7o de venda\u201d e \u201cadotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e a subsist\u00eancia material num mundo finito\u201d. Demorou, mas o mundo parece estar acordando. A corrida para medir custos socioambientais e incorporar o capital natural nas contas \u00e9 prova disso.<\/p>\n<p><strong>O novo jeito de reportar as contas<\/strong><\/p>\n<p>A ideia surgiu sob a lideran\u00e7a mundial do Pr\u00edncipe de Gales, ap\u00f3s incentivar economistas e profissionais de contabilidade e finan\u00e7as ao engajamento na quest\u00e3o da sustentabilidade \u2013 desafio para o qual j\u00e1 n\u00e3o eram suficientes bi\u00f3logos, bot\u00e2nicos ou veterin\u00e1rios. O movimento resultou, em 2010, na cria\u00e7\u00e3o do The International Integrated Reporting Council (IIRC), uma coaliz\u00e3o global de companhias, investidores, ONGs e grandes empresas de auditoria dedicada a tornar padr\u00e3o um novo modo de organizar e reportar ao mercado dados financeiros e socioambientais, com amplia\u00e7\u00e3o de valor para as organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio Integrado (IR, na sigla em ingl\u00eas) hoje se consolida como m\u00e9todo que promove o di\u00e1logo e harmoniza mensagens de balan\u00e7os e outros relatos empresariais muitas vezes contradit\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o a dados financeiros e de sustentabilidade. \u201cSomos uma trilha, n\u00e3o um modelo constru\u00eddo em laborat\u00f3rio\u201d, afirma o professor Nelson Carvalho, da FEA\/USP, integrante do conselho internacional da iniciativa, da qual faz parte o Global Reporting Initiative (GRI).<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em dezembro de 2013 ap\u00f3s ampla consulta internacional, o IR tem hoje a ades\u00e3o de 280 organiza\u00e7\u00f5es. No Brasil, 15 empresas participam de iniciativas piloto com a metodologia, apoiada em seis categorias de \u201ccapital\u201d que traduzem a tradicional dimens\u00e3o financeira e produtiva, mas tamb\u00e9m a intelectual, humana, natural e a de relacionamento social.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; S\u00e9rgio Adeodato, P\u00e1gina 22 de setembro de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com objetivo de reduzir riscos e garantir a sobreviv\u00eancia do neg\u00f3cio a longo prazo, empresas adotam m\u00e9tricas para aferir o valor econ\u00f4mico de recursos naturais e o grau de depend\u00eancia dos bens e servi\u00e7os prestados pela natureza Para alguns, o ponto central est\u00e1 na regula\u00e7\u00e3o do clima e uso de biomassa combust\u00edvel. 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