{"id":13477,"date":"2014-09-05T08:00:04","date_gmt":"2014-09-05T11:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=13477"},"modified":"2014-09-05T10:15:02","modified_gmt":"2014-09-05T13:15:02","slug":"o-fim-da-era-do-desperdicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-fim-da-era-do-desperdicio\/","title":{"rendered":"O fim da era do desperd\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4076\/4933759016_373e00cd20_z.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Em duas d\u00e9cadas, diz o economista Gesner Oliveira, em boa parte do planeta faltar\u00e1 \u00e1gua. Para evitar que isso ocorra, h\u00e1 apenas dois caminhos: diminuir o desperd\u00edcio e aumentar a reutiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Grandes regi\u00f5es metropolitanas do mundo podem enfrentar problemas graves de falta de \u00e1gua. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 livre desse risco. Para o economista Gesner Oliveira, Ph.D. pela Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley e presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, h\u00e1 duas medidas urgentes a ser tomadas para evitar que a situa\u00e7\u00e3o atinja o n\u00edvel de calamidade. A primeira \u00e9 combater o desperd\u00edcio. No Brasil, 37% da \u00e1gua tratada \u00e9 desperdi\u00e7ada e nem sequer chega \u00e0s torneiras. A segunda \u00e9 ampliar a reutiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, pr\u00e1tica comum nos pa\u00edses que s\u00e3o modelo em abastecimento.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 inevit\u00e1vel que o mundo sofra com a escassez de \u00e1gua no futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Se medidas urgentes n\u00e3o forem tomadas, \u00e9 quase certo que tenhamos um problema de saneamento e de abastecimento muito grande j\u00e1 daqui a duas d\u00e9cadas. N\u00e3o que a \u00e1gua do planeta v\u00e1 acabar, claro, mas haver\u00e1 problemas s\u00e9rios de falta de mananciais utiliz\u00e1veis nas regi\u00f5es urbanas. O planeta vive um ritmo de urbaniza\u00e7\u00e3o intenso, em especial na \u00c1sia e na \u00c1frica. Para lidar com isso, \u00e9 preciso reduzir a perda de \u00e1gua tratada e reutiliz\u00e1-la cada vez mais. Temos de romper com aquele paradigma da Antiguidade, quando os povos polu\u00edam rios e a\u00e7udes e iam buscar \u00e1gua cada vez mais longe. Essa pr\u00e1tica, que deu origem a lindos aquedutos que ficaram para a hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel em um planeta habitado por mais de 7 bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><strong>O crescimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a principal amea\u00e7a ao abastecimento?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. O que ocorre \u00e9 que, de um lado, vemos uma urbaniza\u00e7\u00e3o crescente, com o surgimento de macrometr\u00f3poles formadas sem o devido planejamento. De outro, observamos o aumento da popula\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia nas economias emergentes. Isso significa que quem n\u00e3o consumia passou a consumir, o que aumenta a press\u00e3o sobre o sistema energ\u00e9tico e de abastecimento. Existe ainda a quest\u00e3o ambiental. Desmatamentos \u00e0s margens dos rios contribuem para que estes sequem. E h\u00e1 \u00e1reas onde os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos foram t\u00e3o sobrecarregados que elas agora correm o risco de se tornar des\u00e9rticas. Na Cidade do M\u00e9xico, onde a \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 muito usada, isso j\u00e1 \u00e9 uma realidade.<\/p>\n<p><strong>Em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m se vive um temor de racionamento. O governo falhou em seu planejamento? Subestimou a estiagem?<\/strong><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da estiagem tem sido t\u00e3o intenso que dificilmente estaria no radar de qualquer governo ou empresa de saneamento. Mas, olhando as dificuldades clim\u00e1ticas que v\u00eam ocorrendo na Calif\u00f3rnia e na \u00c1frica, por exemplo, \u00e9 fundamental que comecemos a pensar numa mudan\u00e7a para valer &#8211; e n\u00e3o me refiro aqui a um plano de dois ou tr\u00eas anos. Falo de mudan\u00e7as profundas, para os pr\u00f3ximos vinte ou trinta anos.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de mudan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil desperdi\u00e7a muita \u00e1gua tratada. Nossa perda m\u00e9dia \u00e9 de 37%. Se o pa\u00eds fosse uma padaria, significaria que, de cada dez p\u00e3ezinhos assados, estaria jogando 3,7 fora. \u00c9 muita coisa, sobretudo para uma mercadoria t\u00e3o vital. H\u00e1 estados com taxas piores. No Amazonas, as perdas chegam a 70%. No Recife, em Manaus e nos munic\u00edpios paulistas de Cajamar, Caieiras e Francisco Morato, o desperd\u00edcio \u00e9 superior a 40%. A perda m\u00e9dia da Sabesp \u00e9 de 26%, bem menor que a m\u00e9dia nacional. Para 2019, a meta \u00e9 reduzir a taxa para 17%. Ainda assim, ficar\u00edamos acima do padr\u00e3o internacional considerado bom, entre 10% e 15%.<\/p>\n<p><strong>O que causa tanto desperd\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois motivos principais. Um \u00e9 f\u00edsico. Quando ocorre vazamento em uma adutora, ou mesmo na rua, a \u00e1gua at\u00e9 \u00e9 reabsorvida pelo solo, mas a um custo muito alto, uma vez que j\u00e1 havia sido tratada, transportada e foi perdida. Jogam-se fora os produtos qu\u00edmicos, a m\u00e3o de obra e a energia que ela consumiu. Vai tudo literalmente pelo ralo. O outro motivo \u00e9 comercial. O chamado &#8220;gato&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica destinada a furtar s\u00f3 energia el\u00e9trica. Existe o &#8220;gato&#8221; hidr\u00e1ulico tamb\u00e9m. Vemos com muita frequ\u00eancia uma tubula\u00e7\u00e3o batizada de &#8220;macarr\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em geral, \u00e9 um sistema muito malfeito e perme\u00e1vel, portanto contamin\u00e1vel, e que \u00e0s vezes cruza o esgoto. Essa estrutura permite roubar \u00e1gua das companhias fornecedoras. Em alguns casos, esse tipo de furto chega a representar metade das perdas das empresas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel chegar ao desperd\u00edcio zero?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 vantajoso, \u00e9 antiecon\u00f4mico. Zerar o desperd\u00edcio tem um custo que n\u00e3o justifica a economia feita. No Jap\u00e3o, dado o custo e a escassez da \u00e1gua, vale a pena investir em perda zero &#8211; em T\u00f3quio, menos de 5% da \u00e1gua tratada vai embora sem ser usada. Quando eu estava na presid\u00eancia da Sabesp, ficava constrangido ao conversar com t\u00e9cnicos japoneses sobre os n\u00fameros brasileiros. Mas o Brasil tem uma enorme margem para melhorias, devido ao tamanho da sua inefici\u00eancia. \u00c9 natural que estejamos discutindo o uso da reserva t\u00e9cnica do Sistema Cantareira, em S\u00e3o Paulo, e se vai chover ou n\u00e3o. Tudo isso \u00e9 importante, s\u00e3o quest\u00f5es urgentes. O grande m\u00e9rito desse debate, por\u00e9m, \u00e9 que ele vai contribuir para discutir estrat\u00e9gias de longo prazo.<\/p>\n<p><strong>E quais s\u00e3o as medidas fundamentais para garantir que n\u00e3o faltar\u00e1 \u00e1gua no futuro?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o duas. A primeira \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das perdas, por meio do aumento da efici\u00eancia. Ao abrirem a torneira, as pessoas precisam saber que est\u00e3o usando um bem valioso. H\u00e1 muito descaso com a \u00e1gua, talvez porque, das utilidades p\u00fablicas, ela seja a mais barata. A segunda medida fundamental \u00e9 ampliar a reciclagem da \u00e1gua que \u00e9 consumida.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 feita essa reciclagem?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, existe no mundo um n\u00edvel de tratamento tal que, ao fim dele, \u00e9 poss\u00edvel beber a \u00e1gua que saiu da esta\u00e7\u00e3o de tratamento de esgoto, ou seja, que passou pelo vaso sanit\u00e1rio. Pode parecer repugnante para muita gente, mas \u00e9 como funciona em diversos pa\u00edses. E o m\u00e9todo n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com crises h\u00eddricas, tra\u00adta-se de uma medida usual em Israel, por exemplo. Fui l\u00e1 conhecer essa experi\u00eancia e posso dizer que n\u00e3o \u00e9 uma tecnologia de outro planeta. No caso dos israelenses, compensa. Eles n\u00e3o t\u00eam muitas op\u00e7\u00f5es de capta\u00e7\u00e3o e est\u00e3o no meio do deserto. Mas pense no Brasil. Muito da \u00e1gua que bebemos vem de mananciais relativamente polu\u00eddos e que passam por tratamento. Algumas capta\u00e7\u00f5es, como as dos rios Jundia\u00ed ou Juqueri, e mesmo as das represas Billings e Guarapiranga, trazem uma \u00e1gua bruta, que faria passar mal quem a tomasse. Mas, depois de tratada, fica perfeita.<\/p>\n<p><strong>Qual a qualidade da \u00e1gua que chega pela torneira no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Posso dizer que, em S\u00e3o Paulo, se a sua caixa-d\u00e1gua for bem cuidada, n\u00e3o h\u00e1 nenhum risco ao tomar \u00e1gua da torneira. Pode n\u00e3o ser muito agrad\u00e1vel porque ela talvez n\u00e3o tenha a mesma limpidez da \u00e1gua engarrafada, que cria no consumidor a ideia de que ele est\u00e1 tomando algo mais puro. Pode haver diferen\u00e7a de colora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de cheiro, mas, tecnicamente, trata-se de uma \u00e1gua boa. Embora seja levada muito em conta, a apar\u00eancia n\u00e3o \u00e9 importante. Em muitas localidades dos Estados Unidos, por exemplo, a \u00e1gua atende a todas as exig\u00eancias de sa\u00fade, mas n\u00e3o tem colora\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Se a \u00e1gua da torneira pode ser bebida, o fato de a usarmos nos banheiros, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um desperd\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. A \u00e1gua adequada ao consumo humano \u00e9 a mesma que usamos no banheiro ou para lavar a rua depois de uma feira. Mas para essas finalidades, digamos, menos nobres, a Sabesp mant\u00e9m caminh\u00f5es de \u00e1gua de re\u00faso, que \u00e9 \u00e1gua reciclada. Para lavar a rua, por exemplo, ela n\u00e3o precisa ter as caracter\u00edsticas qu\u00edmicas exigidas para o consumo humano. O Metr\u00f4 tem um contrato para a lavagem dos vag\u00f5es que tamb\u00e9m estabelece o emprego do mesmo tipo de \u00e1gua. No tratamento-padr\u00e3o, a \u00e1gua passa por desinfec\u00e7\u00e3o, para que microrganismos sejam retirados; coagula\u00e7\u00e3o, para que impurezas sejam removidas e deixadas em suspens\u00e3o; e depois pelas fases de flocula\u00e7\u00e3o, decanta\u00e7\u00e3o, filtra\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o do pH. No Brasil, ainda se adiciona fl\u00faor, muito eficaz para controlar c\u00e1ries. Claro que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar fl\u00faor \u00e0 \u00e1gua usada para lavar as ruas. Essas medidas de re\u00faso s\u00e3o fundamentais, mas ainda est\u00e3o em fase inicial. Temos muito que avan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Seria poss\u00edvel fazer uma divis\u00e3o do sistema de abastecimento, com uma rede de \u00e1gua nobre e outra menos nobre?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Isso reduziria os gastos com produtos qu\u00edmicos, energia e m\u00e3o de obra. Por outro lado, seria preciso investir na constru\u00e7\u00e3o dessa outra rede. O Brasil n\u00e3o chegou a esse ponto porque a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de re\u00faso ainda \u00e9 de menos de 1%. Seria razo\u00e1vel que na pr\u00f3xima d\u00e9cada ao menos um quarto da \u00e1gua consumida no pa\u00eds fosse de re\u00faso.<\/p>\n<p><strong>O senhor falou que a \u00e1gua \u00e9 a mais barata das utilidades p\u00fablicas. Aumentar a tarifa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passa menos por aumentar tarifas e mais por estabelecer regras de uso que obede\u00e7am a crit\u00e9rios t\u00e9cnicos, e n\u00e3o a conveni\u00eancias pol\u00edticas. \u00c9 preciso que o assunto seja regulamentado por um \u00f3rg\u00e3o independente e com excel\u00eancia t\u00e9cnica para estimular o investimento e inibir o populismo. Vale o trip\u00e9: boa regula\u00e7\u00e3o, bom planejamento e boa gest\u00e3o. Sem esses pilares, \u00e9 dif\u00edcil imaginar cidades saud\u00e1veis e recursos h\u00eddricos bem aproveitados. Para atrapalhar um pouco, h\u00e1 um racioc\u00ednio pol\u00edtico muito perverso que diz que esse tipo de investimento n\u00e3o tem visibilidade e, portanto, os dividendos pol\u00edticos que ele gera n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o grandes quanto os que rendem a constru\u00e7\u00e3o de um viaduto, por exemplo. O grande segredo \u00e9 mudar esse racioc\u00ednio e criar dividendos pol\u00edticos investindo no saneamento. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso estabelecer penalidades para pol\u00edticos que deixarem a quest\u00e3o de lado.<\/p>\n<p><strong>A escassez de \u00e1gua traz tamb\u00e9m o medo do racionamento de energia, j\u00e1 que nossa matriz \u00e9 hidrel\u00e9trica. Como evitar que isso aconte\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Algumas medidas sinalizam poss\u00edveis caminhos a seguir. Um deles \u00e9 reduzir o gasto energ\u00e9tico do pr\u00f3prio sistema de abastecimento, j\u00e1 que o bombeamento \u00e9 uma das coisas que mais consomem energia. Outra possibilidade \u00e9 aproveitar a engenharia de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para gerar energia. Os diferentes n\u00edveis entre as represas permitem a cria\u00e7\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas. H\u00e1 uma no Sistema Cantareira. Ela gera 7 megawatts, o que \u00e9 pouco, mas indica um caminho. No tratamento de esgoto h\u00e1 gera\u00e7\u00e3o de gases \u00fateis na produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como o metano. Al\u00e9m disso, o lodo originado nesse processo pode ser usado nas termel\u00e9tricas e tamb\u00e9m como mat\u00e9ria-prima na constru\u00e7\u00e3o ci\u00advil, por exemplo, na fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel produzir \u00e1gua em laborat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 onde conhe\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 um grande investimento. Os cientistas t\u00eam se voltado mais para as pesquisas de dessaliniza\u00e7\u00e3o, cujo custo vem diminuindo. Em alguns pa\u00edses, como a Espanha, esse tipo de abastecimento j\u00e1 \u00e9 um importante plano B. Nas \u00e9pocas do ano em que chove menos, utiliza-se mais essa \u00e1gua dessalinizada.<\/p>\n<p><strong>Existe algum pa\u00eds que sirva de modelo para o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>As peculiaridades s\u00e3o tantas que \u00e9 dif\u00edcil dizer, mas acho que esse pa\u00eds seria o Canad\u00e1, por ter a mesma dimens\u00e3o continental e uma hidroeletricidade importante. Israel, Jap\u00e3o, Espanha, Austr\u00e1lia e Singapura tamb\u00e9m poderiam servir de inspira\u00e7\u00e3o &#8211; t\u00eam experi\u00eancias muito positivas de saneamento e re\u00faso.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um limite de vezes em que a mesma \u00e1gua pode ser reaproveitada?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, veja que maravilha. A n\u00e3o ser que os mananciais estejam muito polu\u00eddos. Nesse ponto, come\u00e7am os problemas. Eles se tornam in\u00fateis e h\u00e1 um processo de desertifica\u00e7\u00e3o. Ou ent\u00e3o o solo perde a capacidade de absor\u00e7\u00e3o e ocorrem enchentes. Na China, j\u00e1 \u00e9 um problema s\u00e9rio. O consumo explodiu e a preocupa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o acompanhou a economia. J\u00e1 a Coreia do Sul venceu a polui\u00e7\u00e3o e teve experi\u00eancias bem interessantes ao desenterrar rios e c\u00f3rregos antes canalizados. Foi uma esp\u00e9cie de reurbaniza\u00e7\u00e3o, cujo s\u00edmbolo \u00e9 o Rio Han, que renasceu.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Mariana Barros, Planeta Sustent\u00e1vel de 06 de agosto de 2014<\/p>\n<p>Imagem &#8211;\u00a0<a style=\"color: #0063dc;\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/brj_bringin_the_shit_up_in_here_bitches\/\">BRJ INC.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em duas d\u00e9cadas, diz o economista Gesner Oliveira, em boa parte do planeta faltar\u00e1 \u00e1gua. 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