{"id":14604,"date":"2015-07-06T11:00:32","date_gmt":"2015-07-06T14:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=14604"},"modified":"2016-10-25T10:39:00","modified_gmt":"2016-10-25T12:39:00","slug":"o-mundo-esta-cada-vez-mais-contaminado-por-plasticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-mundo-esta-cada-vez-mais-contaminado-por-plasticos\/","title":{"rendered":"O mundo est\u00e1 cada vez mais contaminado por pl\u00e1sticos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/314\/19278465720_8cbe6e4dae_o.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"307\" \/><\/p>\n<p><strong>Planeta Terra, um ecossistema complexo onde milh\u00f5es de seres vivos coabitam em \u201cquase\u201d perfeita harmonia. Quase, porque existe um que para viver necessita de explorar recursos naturais e criar subprodutos derivados, como o pl\u00e1stico. Estaremos, sem perceber, a plastificar o nosso planeta? Mas que produto t\u00e3o v\u00e1lido e \u00fatil \u00e9 este que \u00e9 tamb\u00e9m um problema dif\u00edcil de descartar?<\/strong><\/p>\n<p>O pl\u00e1stico \u00e9 um componente org\u00e2nico de pol\u00edmeros sint\u00e9ticos, produzido com base no petr\u00f3leo, que serve de mat\u00e9ria-prima para o fabrico dos mais variados objetos e com uma durabilidade elevada, mas tamb\u00e9m com elevados riscos ambientais, sendo os oceanos uma das potenciais v\u00edtimas deste produto.<\/p>\n<p>Cerca de 70 por cento da superf\u00edcie do nosso planeta \u00e9 coberta por oceanos &#8211; um ecossistema que suporta grande variedade de habitats e biodiversidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, o meio marinho \u00e9 utilizado extensivamente como um local onde os despojos de lixo dom\u00e9stico e industrial s\u00e3o canalizados atrav\u00e9s dos rios ou mesmo de forma direta, provocando fortes impactos negativos nos ecossistemas e na economia.<\/p>\n<p>Segundo estudos realizados pela comunidade cient\u00edfica que analisa este fen\u00f3meno global, s\u00e3o lan\u00e7ados anualmente nos oceanos cerca de oito milh\u00f5es de toneladas de lixo pl\u00e1stico e seus derivados.<\/p>\n<p>Uma quantidade que daria para cobrir 34 vezes toda a \u00e1rea da ilha norte americana de Manhattan, com uma camada de lixo \u00e0 altura dos joelhos de uma pessoa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/561\/19278438358_304e7554c8_b.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>O estudo apresentado recentemente \u00e9 considerado um dos melhores esfor\u00e7os para quantificar o pl\u00e1stico despejado, queimado ou arrastado para o mar.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, a an\u00e1lise tamb\u00e9m pode ajudar a descobrir a quantidade total de pl\u00e1stico existente hoje no oceano \u2013 n\u00e3o apenas o material que \u00e9 encontrado na superf\u00edcie ou mesmo nas praias.<\/p>\n<p>Estima-se que grandes quantidades de res\u00edduos pl\u00e1sticos, cerca de 70 por cento, podem estar depositadas no fundo dos oceanos, muitos deles fragmentados em peda\u00e7os t\u00e3o pequenos (pellet e fibras sint\u00e9ticas) que n\u00e3o s\u00e3o captados pelas an\u00e1lises convencionais.<\/p>\n<p><strong>Fibras sint\u00e9ticas s\u00e3o micropart\u00edculas derivadas do pl\u00e1stico que est\u00e3o um pouco por todo o material sint\u00e9tico como por exemplo roupa poli\u00e9ster.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o Pellet? Pellet \u00e9 um granulado derivado do pl\u00e1stico depois da fragmenta\u00e7\u00e3o. Encontramos muitos destes fragmentos nos detritos marinhos que d\u00e3o \u00e0 costa provenientes do lixo que se encontra no mar.<\/strong><\/p>\n<p>O problema agrava-se quando se lhe associa a quest\u00e3o das cadeias alimentares marinhas, que depois entram no sistema de consumo humano.<\/p>\n<p><strong>Estamos a plastificar o mar<\/strong><\/p>\n<p>O lixo marinho \u00e9 todo o material \u201cn\u00e3o org\u00e2nico\u201d e duradouro que \u00e9 descartado, eliminado ou abandonado na costa ou no mar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/476\/18843504854_bc4ed2bf6e_o.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"517\" \/><\/p>\n<p>Trata-se de um problema global em constante crescimento e de uma amea\u00e7a direta para o ecossistema marinho, que atraiu uma maior aten\u00e7\u00e3o do mundo, ap\u00f3s a descoberta de uma grande \u201cilha de lixo\u201d (garbage patch) no Giro do Pac\u00edfico Norte.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o ambiental n\u00e3o existe apenas no Pacifico Norte, porque segundo estudos e an\u00e1lises feitas por investigadores e cientistas ligados \u00e0 vida marinha, j\u00e1 foram identificadas pelo menos cinco \u201dilhas\u201d de detritos no mar nos designados giros marinhos ou oce\u00e2nicos: dois no Pacifico, dois no Atl\u00e2ntico e um no \u00cdndico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/455\/19440189096_5cb0e48c5c_o.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"334\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar com exactid\u00e3o a \u00e1rea que ocupam estas \u201cilhas de lixo\u201d, j\u00e1 que, como explica Paula Sobral, da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT\/UNL) os pl\u00e1sticos est\u00e3o constantemente a fragmentar-se e os valores variam bastante. Estima-se, no entanto, que s\u00f3 30 por cento destes detritos se encontram \u00e0 superf\u00edcie, estando a maior parte na coluna de \u00e1gua e no fundo dos oceanos.<\/p>\n<p>Lia Vasconcelos, investigadora da FCT\/UNL, alerta para o facto de, por estes aglomerados de lixo estarem \u201clonge da vista\u201d, est\u00e3o tamb\u00e9m \u201clonge da preocupa\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 por isso importante chamar a aten\u00e7\u00e3o das pessoas para esse problema.<\/p>\n<p><strong>Um giro marinho ou oce\u00e2nico \u00e9 um sistema de correntes marinhas rotativas, particularmente as que est\u00e3o relacionadas com os grandes movimentos do vento. Os giros s\u00e3o causados pelo efeito da for\u00e7a de Coriolis. O termo giro pode ser usado para referir-se a qualquer tipo de v\u00f3rtice, tanto no ar como no mar, e inclusive para aqueles produzidos pelo homem, mas \u00e9 mais comumente usado em oceanografia para referir-se aos maiores sistemas oce\u00e2nicos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>O lixo que vemos nas nossas praias \u00e9 apenas uma pequena percentagem de todo o lixo que existe nos oceanos (15 por cento). De acordo com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio-Ambiente (UNEP), 15 por cento do lixo marinho flutua \u00e0 superf\u00edcie ou est\u00e1 na coluna de \u00e1gua (a mais de 40 cent\u00edmetros de profundidade). Os restantes 70 por cento est\u00e3o nos fundos marinhos, fora da nossa vista.<\/p>\n<p>O lixo marinho \u00e9 constitu\u00eddo por uma grande diversidade de materiais, especialmente materiais que se degradam lentamente, o que torna a situa\u00e7\u00e3o cada vez mais grave. Mesmo que deix\u00e1ssemos de produzir lixo hoje, os problemas associados ao lixo marinho permaneceriam durante muitos anos.<\/p>\n<p>Paula Sobral explica que, apesar de ainda haver muito desconhecimento em rela\u00e7\u00e3o aos impactos do pl\u00e1stico nos diferentes compartimentos do ecossistema, sublinha que h\u00e1 \u201cv\u00e1rios relatos de casos de animais que ingerem micropl\u00e1sticos com consequ\u00eancias nefastas para os organismos\u201d.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o existam dados concretos que indiquem que h\u00e1 consequ\u00eancias negativas para o ser humano, a possibilidade de isso acontecer atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de organismos marinhos que filtrem o lixo que est\u00e1 no mar \u00e9 grande.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das poss\u00edveis consequ\u00eancias para a sa\u00fade, tem de se ter em conta tamb\u00e9m o impacto que o lixo marinho tem a um n\u00edvel socioecon\u00f3mico.<\/p>\n<p><strong>Cerca de 70 por cento de todo o lixo marinho \u00e9 constitu\u00eddo por pl\u00e1sticos. Os restantes 30 correspondem a outros materiais como vidro, papel, metal, t\u00eaxteis entre outros.<\/strong><\/p>\n<p>Existem, contudo, diferen\u00e7as significativas entre regi\u00f5es no tipo e quantidade de lixo que entra no mar, que normalmente est\u00e3o associadas a fatores socioecon\u00f3micos como o urbanismo, turismo e atividades de pesca.<\/p>\n<p><strong>Praias em Portugal est\u00e3o cheias de micropl\u00e1sticos<\/strong><\/p>\n<p>As praias nacionais est\u00e3o sujas apesar do trabalho de limpeza que muitas autarquias e concession\u00e1rios fazem para eliminar este problema.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que apesar de as praias serem e parecerem limpas, est\u00e3o mesmo isentas de lixo? A resposta \u00e9 \u201cn\u00e3o\u201d. Isto porque muitos dos produtos est\u00e3o j\u00e1 incorporados e dissimulados nas areias balneares, como por exemplo os \u201cmicropl\u00e1sticos\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm4.staticflickr.com\/3923\/19278465660_eee9fdc64f_o.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"461\" \/><\/p>\n<p>Segundo um trabalho acad\u00e9mico elaborado para uma disserta\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o do grau de Mestre em Engenharia do Ambiente, Perfil Engenharia, por Joana Veiga Ferreira Martins em 2011, na Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT\/UNL), muitas das praias analisadas por esta acad\u00e9mica est\u00e3o contaminadas com v\u00e1rios tipos de lixo e com especial destaque para a quest\u00e3o dos micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Neste trabalho acad\u00e9mico com o t\u00edtulo \u201cCaracteriza\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos Pl\u00e1sticos na Costa Portuguesa \u2013 ser\u00e1 um Microproblema?\u201d, \u00e9 referido que \u201ca polui\u00e7\u00e3o marinha por res\u00edduos pl\u00e1sticos constitui um enorme desafio \u00e0 integridade dos oceanos, a uma escala global\u201d.<\/p>\n<p>O estudo revela que devido \u00e0 elevada persist\u00eancia do material pl\u00e1stico, bem como \u00e0s med\u00edocres estrat\u00e9gias de gest\u00e3o do ciclo de vida e consequente elevado volume de res\u00edduos descartados que entra nas massas de \u00e1gua, se promove a acumula\u00e7\u00e3o de lixos \u201cn\u00e3o biodegrad\u00e1veis\u201d ao longo dos rios, mares e oceanos e linhas de costa.<\/p>\n<p>Neste trabalho foi feita uma monitoriza\u00e7\u00e3o em algumas praias nacionais e a an\u00e1lise do pl\u00e1stico recolhido denota evid\u00eancias preocupantes: efeitos f\u00edsicos e ecotoxicol\u00f3gicos na fauna marinha, resultantes da ingest\u00e3o de pl\u00e1sticos devido \u00e0 absor\u00e7\u00e3o de poluentes org\u00e2nicos persistentes (POP) e outros compostos qu\u00edmicos, bem como o transporte de esp\u00e9cies invasoras e outros impactos econ\u00f3micos e sociais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm4.staticflickr.com\/3840\/19278438878_cc5d49f988_o.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"458\" \/><\/p>\n<p>Segundo Joana Martins da FCT\/UNL, autora do estudo: \u201cA costa portuguesa \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de res\u00edduos pl\u00e1sticos no mar e nas praias. Por conseguinte o estudo teve como objectivos: realizar um programa de amostragem e trabalho laboratorial para identificar as principais categorias de pl\u00e1sticos acumulados (micro a macro-dimens\u00f5es) em praias espec\u00edficas, e determinar concentra\u00e7\u00f5es de POP em pellet e avaliar o estado da costa\u201d.<\/p>\n<p>O estudo efetuado em dez praias nacionais veio a revelar diferentes amostras de sedimentos pl\u00e1sticos entre muitos, material pertencente a redes de pesca, vasilhames pl\u00e1sticos, derivados m\u00faltiplos e micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>De entre as amostras recolhidas, cerca 90 por cento do total eram pellets pl\u00e1sticos, poliestireno e fragmentos pl\u00e1sticos com tamanhos entre 50 \u00b5m e 20 cm, e quanto mais pequenas as part\u00edculas, maior a abund\u00e2ncia (90 por cento destas com di\u00e2metro inferior a 10 mm), devido aos processos de degrada\u00e7\u00e3o promovidos pelo tempo e pela a\u00e7\u00e3o erosiva do mar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/557\/19278465380_7029704a0b_o.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"406\" \/><\/p>\n<p>Destaca-se neste trabalho que entre o lixo pl\u00e1stico a categoria mais encontrada na maioria das praias em estudo foi o pl\u00e1stico de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, correspondendo a 67 por cento do total, muito representado pela classe de poliestireno com 37 por cento e fragmentos pl\u00e1sticos 18 por cento, sendo o restante lixo pl\u00e1stico (33 por cento do total) correspondente a pl\u00e1stico de pr\u00e9-consumo, mais precisamente pellet.<\/p>\n<p>Segundo a autora do estudo, Joana Martins, \u201cos resultados comprovam que os res\u00edduos pl\u00e1sticos na costa portuguesa s\u00e3o um problema particularmente nas dimens\u00f5es mais pequenas, considerado o facto de 72 por cento do pl\u00e1stico amostrado nas praias (identificado visualmente) ter dimens\u00f5es correspondentes \u00e0s de micropl\u00e1sticos, para al\u00e9m da grande quantidade detectada ao microsc\u00f3pio. Contudo, n\u00e3o \u00e9 um microproblema na perspectiva de ser um problema pequeno, mas ser sim um problema de grande dimens\u00e3o disseminado pela costa portuguesa\u201d.<\/p>\n<p>Este estudo, apesar de ser um trabalho acad\u00e9mico e sem resultados diretos pr\u00e1ticos no terreno, foi inovador, no sentido em que, face a um conhecimento deficit\u00e1rio do estado da costa portuguesa no que diz respeito a este tipo de polui\u00e7\u00e3o, apresentou uma perspetiva do atual problema, recorrendo a metodologias simples mas eficazes.<\/p>\n<p><strong>China e pa\u00edses emergentes no topo da lista dos mais poluidores<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em 2010 os detalhes divulgados no encontro anual da Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Avan\u00e7o da Ci\u00eancia eram alarmantes.<\/p>\n<p>V\u00e1rios especialistas analisaram dados populacionais com informa\u00e7\u00f5es sobre a quantidade de lixo gerado e gerenciado (ou n\u00e3o gerenciado) tendo elaborado alguns cen\u00e1rios da quantidade de pl\u00e1stico despejado nos oceanos.<\/p>\n<p>Dados referentes ao ano de 2010, colocavam cen\u00e1rios de produ\u00e7\u00e3o de lixo a variar entre os 4,8 milh\u00f5es a 12,7 milh\u00f5es de toneladas, situando-se a m\u00e9dia nos oito milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/258\/19278465200_4efecb3b22_o.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"333\" \/><\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio equivale, em termos de massa, \u00e0 quantidade de atum pescado anualmente nos oceanos.<\/p>\n<p>Segundo Kara Lavender Law, coautora da pesquisa e porta-voz da Associa\u00e7\u00e3o Educacional do Mar de Woods Hole, no Estado norte-americano de Massachussetts, &#8220;isto significa que estamos a tirar o atum do mar e a colocar pl\u00e1stico no seu lugar&#8221;.<\/p>\n<p>Os investigadores tamb\u00e9m fizeram uma lista dos pa\u00edses com maior responsabilidade na produ\u00e7\u00e3o e despejo destes res\u00edduos e conclu\u00edram que no mundo 20 na\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por 83 por cento do pl\u00e1stico mal armazenado ou reciclado que pode entrar nos oceanos.<\/p>\n<p>A China ocupa o topo da lista, produzindo mais de um milh\u00e3o de toneladas. Mas os estudos salvaguardam esta produ\u00e7\u00e3o com o \u00edndice populacional e a extens\u00e3o da sua costa.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos ocupam o 20.\u00ba lugar na lista; apesar de registarem altos n\u00edveis de consumo de pl\u00e1stico per capita, fazem uma boa gest\u00e3o destes res\u00edduos.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 analisada em bloco e ocupa o 18.\u00ba lugar.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es existem mas t\u00eam de ser encontradas a montante<\/strong><\/p>\n<p>O estudo recomenda algumas solu\u00e7\u00f5es para o problema. Afirma que as na\u00e7\u00f5es ricas precisam de reduzir o seu consumo de produtos descart\u00e1veis e embalagens de pl\u00e1stico, \u00e0 imagem do que se passa em Portugal, com a implementa\u00e7\u00e3o de medidas dissuasoras ao consumo deste tipo de embalagens. J\u00e1 nos pa\u00edses em desenvolvimento, a solu\u00e7\u00e3o passa por melhor informa\u00e7\u00e3o e melhoramento no tratamento do lixo.<\/p>\n<p>A equipa de investigadores internacionais estima que a quantidade de pl\u00e1stico anualmente lan\u00e7ada ou enviada inadvertidamente nos mares pode alcan\u00e7ar 17,5 milh\u00f5es de toneladas at\u00e9 2025. Este valor pode significar cerca de 155 milh\u00f5es de toneladas de lixo pl\u00e1stico nos nossos oceanos.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de uma quest\u00e3o ambiental como esta tem sempre de passar pelos v\u00e1rios atores no terreno, quer ind\u00fastria, quer popula\u00e7\u00e3o, quer medidas governamentais. O problema \u00e9 transversal e ter\u00e1 sempre melhores resultados se o trabalho for feito a montante, como explica Paula Sobral.<\/p>\n<p><strong>Projeto Marlisco<\/strong><\/p>\n<p>O Projeto MARLISCO (Marine Litter in European Seas: Social Awareness and CO-Responsibility) \u00e9 um projeto europeu financiado pela Comiss\u00e3o Europeia e pretende aumentar a consci\u00eancia social sobre os impactos do lixo marinho e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para o problema, de forma a inspirar mudan\u00e7as de atitude e comportamento na sociedade.<\/p>\n<p>Este programa, que conta com a participa\u00e7\u00e3o da FCT\/UNL, quer envolver todos os setores relacionados direta ou indiretamente com o lixo marinho, nomeadamente os utilizadores de \u00e1guas costeiras e marinhas, setor de gest\u00e3o de res\u00edduos e reciclagem, setor industrial, comiss\u00f5es regionais do mar e representantes da Uni\u00e3o Europeia, comunidade cient\u00edfica, munic\u00edpios locais, grupos de cidad\u00e3os, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais de ambiente, alunos e p\u00fablico em geral.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora tem conseguido a participa\u00e7\u00e3o de alguns elementos ligados ao desporto n\u00e1utico (surf) que tem interagido com algumas comunidades piscat\u00f3rias do litoral nacional, com resultados muito positivos a n\u00edvel de sensibiliza\u00e7\u00e3o para as pr\u00e1ticas de utiliza\u00e7\u00e3o de material nocivo ao ambiente marinho.<\/p>\n<p><strong>Ideias para salvar o mar<\/strong><\/p>\n<p>As ideias para limpar e salvar a fauna n\u00e3o faltam, mas a quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se resultam e s\u00e3o vi\u00e1veis. Quest\u00e3o que n\u00e3o desencorajou um jovem de 20 anos, Boyan Slat, que fixou a si pr\u00f3prio uma miss\u00e3o ambiciosa &#8211; livrar os oceanos do planeta dos pl\u00e1sticos flutuantes.<\/p>\n<p>Apesar da idade, nos \u00faltimos anos a sua t\u00e9cnica j\u00e1 convenceu entusiastas e patrocinadores dispostos a financiar os seus projetos.<\/p>\n<p>A ideia de limpar o lixo marinho surgiu quando tinha 16 anos, em 2011, ao praticar mergulho na Gr\u00e9cia. Relata que viu mais sacos de pl\u00e1stico do que peixes.<\/p>\n<p>E agora elaborou um sistema de recolha que consiste numa s\u00e9rie de barreiras flutuantes, ancoradas no leito do mar, que primeiro capturam e concentram os detritos flutuantes. Depois, o pl\u00e1stico \u00e9 canalizado ao longo das barreiras no sentido de uma plataforma, onde seria, ent\u00e3o, extra\u00eddo de forma eficiente.<\/p>\n<p>A corrente oce\u00e2nica passaria por baixo das barreiras, levando toda a vida marinha flutuante com ela. N\u00e3o haveria emiss\u00f5es nem redes para a vida marinha se enroscar. O pl\u00e1stico recolhido no oceano seria reciclado e transformado em produtos ou em \u00f3leo.<\/p>\n<p>Este projeto j\u00e1 foi premiado como Melhor Projeto T\u00e9cnico da Universidade de Tecnologia Delft, mas o que Slat n\u00e3o est\u00e1 a contar \u00e9 que 70 por cento dos lixos pl\u00e1sticos j\u00e1 se encontram nos fundos oce\u00e2nicos.<\/p>\n<p><strong>Maior por\u00e7\u00e3o dos lixos pl\u00e1sticos no fundo oce\u00e2nico<\/strong><\/p>\n<p>Um dos primeiros racioc\u00ednios de quem est\u00e1 a ler este artigo poder\u00e1 ser este: mas o pl\u00e1stico flutua e estas \u201cilhas\u201d de lixo podem ser apanhadas com m\u00e9todos criados para o efeito. Infelizmente n\u00e3o \u00e9 bem assim. O pesquisador Roland Geyer, da Universidade da Calif\u00f3rnia, que tamb\u00e9m participou no estudo, disse \u00e0 BBC que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel limpar o pl\u00e1stico dos oceanos.<\/p>\n<p>Isto explica-se porque grande parte dos materiais pl\u00e1sticos j\u00e1 n\u00e3o se encontra \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>&#8220;Como \u00e9 que voc\u00ea recolheria o pl\u00e1stico do fundo dos oceanos considerando que a sua profundidade m\u00e9dia \u00e9 de 4,2 mil metros? Temos antes que evitar que o pl\u00e1stico chegue aos oceanos&#8221;, afirma Geyer.<\/p>\n<p>&#8220;A falta de sistemas de tratamento de lixo alimenta a entrada de pl\u00e1stico no oceano e a solu\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria neste momento \u00e9 ajudar todos os pa\u00edses a desenvolver estruturas de tratamento de produtos pl\u00e1sticos e seus derivados&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Nuno Patr\u00edcio, Pedro A. Pina, Sara Piteira &#8211; RTP\u00a0Not\u00edcias \u2013 Portugal<\/p>\n<p>Boletim do Instituto IDEAIS de 06 de julho de 2015 Fonte: RTP<\/p>\n<p><strong>Instituto Ideais<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.i-ideais.org.br\/\" target=\"_blank\">www.i-ideais.org.br<\/a><\/strong><br \/>\ninfo@i-ideais.org.br<br \/>\n+ 55 (19) 3327 3524<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm9.staticflickr.com\/8385\/8471733382_734d6b67ed.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"86\" \/><\/p>\n<p>A mat\u00e9ria original\u00a0tem v\u00e1rios v\u00eddeos. Para acessar, <a href=\"http:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/index.php?article=841198&amp;tm=7&amp;layout=121&amp;visual=49\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>clique aqui.<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planeta Terra, um ecossistema complexo onde milh\u00f5es de seres vivos coabitam em \u201cquase\u201d perfeita harmonia. 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