{"id":15205,"date":"2015-10-28T13:00:27","date_gmt":"2015-10-28T16:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=15205"},"modified":"2015-10-28T12:19:58","modified_gmt":"2015-10-28T15:19:58","slug":"brasil-vive-extremos-de-calor-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/brasil-vive-extremos-de-calor-em-2015\/","title":{"rendered":"Brasil vive extremos de calor em 2015"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/1\/751\/22557952491_193852d23a_z.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"186\" \/><\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de Bras\u00edlia, que em outubro teve temperaturas at\u00e9 9 graus mais altas que a m\u00e9dia, Manaus e Belo Horizonte bateram recordes neste ano, mostra Instituto Nacional de Meteorologia<\/strong><\/p>\n<p>Junte um El Ni\u00f1o que j\u00e1 est\u00e1 sendo chamado por a\u00ed de \u201cGodzilla\u201d e uma tend\u00eancia discern\u00edvel de aquecimento global e voc\u00ea ganha o que os moradores de Bras\u00edlia ganharam neste m\u00eas de outubro: uma onda de calor com temperaturas at\u00e9 9oC mais altas do que a m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A capital federal teve no s\u00e1bado, 17 de outubro, seu dia mais quente desde que as medi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ser feitas sistematicamente. As temperaturas na esta\u00e7\u00e3o do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que funciona desde 1963, atingiram 35,9oC. A m\u00e9dia hist\u00f3rica para o m\u00eas \u2013 que costuma ser o mais quente do ano na cidade \u2013 \u00e9 de 27,5oC. O recorde anterior havia sido batido em 2008, com 35,8oC.<\/p>\n<p>As vendas de aparelhos de ar-condicionado dispararam. No s\u00e1bado, n\u00e3o havia condicionadores de ar para pronta entrega em nenhuma das lojas de eletrodom\u00e9sticos do Conjunto Nacional, um dos shopping centers mais tradicionais da cidade. E, justamente quando os brasilienses achavam que n\u00e3o podia ficar pior, o domingo, 18 de outubro, registrou 36,5oC, com term\u00f4metros de rua marcando 40oC ou mais. Bras\u00edlia atingiu a marca de duas m\u00e1ximas recorde em dois dias seguidos.<\/p>\n<p>As temperaturas m\u00ednimas \u2013 registradas na madrugada \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o as maiores para o m\u00eas desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, embora n\u00e3o tenham batido o recorde, que ainda pertence \u00e0 d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea s\u00f3 pode considerar onda de calor um per\u00edodo de um certo n\u00famero de dias com temperaturas 5oC ou mais acima da m\u00e9dia m\u00e1xima. E \u00e9 isso o que estamos verificando\u201d, afirmou Mamede Melo, meteorologista do Inmet.<\/p>\n<p>O instituto est\u00e1 monitorando o fen\u00f4meno desde o come\u00e7o de outubro, o que nos d\u00e1 21 dias de onda de calor (e contando). Mas o per\u00edodo quente e seco vem de antes: segundo o calend\u00e1rio \u201coficial\u201d da meteorologia, a esta\u00e7\u00e3o \u00famida em Bras\u00edlia come\u00e7a na segunda quinzena de setembro. Quando come\u00e7arem a cair, o que est\u00e1 previsto para o dia 23 ou 24, as chuvas no DF estar\u00e3o mais de um m\u00eas atrasadas. \u201cE vir\u00e3o com tudo\u201d, completa Ingrid Peixoto, colega de Melo no Inmet.<\/p>\n<p><strong>Bolha do inferno<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para o calor\u00e3o. A mais imediata \u00e9 o que os meteorologistas chamam de \u201cbloqueio atmosf\u00e9rico\u201d, uma massa de ar quente estacionada sobre uma determinada regi\u00e3o e que n\u00e3o permite a entrada de frentes frias, que trazem umidade. Al\u00e9m de Bras\u00edlia, partes de Goi\u00e1s e Mato Grosso est\u00e3o debaixo dessa bolha do inferno.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, Cuiab\u00e1 foi vitimada por uma onda de calor extremo. A capital mato-grossense teve 15 dias seguidos com m\u00e1ximas maiores ou iguais a 40oC, afirma Francisco de Assis Diniz, meteorologista do Inmet que vem compilando dados de extremos de temperatura no pa\u00eds. \u201cSetembro deste ano est\u00e1 sendo considerado o mais quente no Brasil\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os bloqueios atmosf\u00e9ricos s\u00e3o favorecidos pelo El Ni\u00f1o, o aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico no litoral da Am\u00e9rica do Sul. O El Ni\u00f1o, um fen\u00f4meno c\u00edclico e natural, perturba o padr\u00e3o de ventos e enlouquece o clima no mundo inteiro: O oeste-sudeste dos Estados Unidos se acaba em chuvas, a Amaz\u00f4nia pega fogo e a regi\u00e3o do Prata tem tempestades. A Am\u00e9rica do Sul, a Austr\u00e1lia, a Calif\u00f3rnia e a \u00c1frica veem os term\u00f4metros subir em anos de El Ni\u00f1o. O deste ano est\u00e1 sendo considerado especialmente forte, compar\u00e1vel ao de 1998.<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o, por sua vez, n\u00e3o est\u00e1 fazendo suas travessuras sozinho. \u201cEste El Ni\u00f1o aparece sob um ru\u00eddo de fundo de aquecimento global\u201d, afirma o climatologista Jos\u00e9 Marengo, do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). \u201cAinda que este El Ni\u00f1o seja um pouco mais quente que o normal se compararmos a 1998, a [temperatura] normal em 1998 era menor que em 2015.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO planeta est\u00e1 passando por um per\u00edodo quente, e esse aquecimento tem provocado ondas de calor com muito mais frequ\u00eancia. O Brasil, devido \u00e0 sua dimens\u00e3o territorial, n\u00e3o esta fora desse contexto\u201d, afirmou Assis Diniz.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, essa situa\u00e7\u00e3o tem sido mais evidente desde o come\u00e7o do s\u00e9culo. Todos os 15 anos mais quentes da hist\u00f3ria no planeta foram registrados a partir do ano 2000. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente 1998, por causa do El Ni\u00f1o. At\u00e9 agora, 2014 foi o ano mais quente da hist\u00f3ria, mas dever\u00e1 ser desbancado por 2015.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo 21, continua Assis, em v\u00e1rios locais no Brasil, das regi\u00f5es Centro-Oeste, Sudeste e parte da Norte, t\u00eam ocorrido recordes de temperaturas de 50 anos, 70 anos a 100 anos, de acordo<br \/>\ncom a s\u00e9rie hist\u00f3rica das medi\u00e7\u00f5es de cada esta\u00e7\u00e3o do Inmet.<\/p>\n<p>Dados das s\u00e9ries hist\u00f3ricas apresentados por Diniz recentemente em S\u00e3o Paulo d\u00e3o uma dimens\u00e3o do calor, com os recordes registrados em algumas cidades brasileiras \u2013 v\u00e1rios deles batidos em 2015:<\/p>\n<p>Manaus: 38,2oC (1982), 38,3oC (2010), 38,6oC (2015), 39oC (2015)<br \/>\nCuiab\u00e1: 42,3oC (2010)<br \/>\nBras\u00edlia: 35,8oC (2008), 35,8oC (2015), 36,4oC (2015)<br \/>\nGoi\u00e2nia: 39,6oC (2014),<br \/>\nGoi\u00e1s (GO): 42,5oC (2015)<br \/>\nPalmas: 41,9oC (2013)<br \/>\nBelo Horizonte: 37,1oC (2012), 37,4oC (2015)<br \/>\nRondon\u00f3polis (MT): 42,3oC (2014)<br \/>\nIndaial (SC): 41,2o C (2014)<br \/>\nVit\u00f3ria: 39,6oC (2006)<br \/>\nOs gr\u00e1ficos de temperaturas m\u00e1ximas extremas em Bras\u00edlia e em Manaus, duas das cidades que quebraram seus recordes neste ano, tamb\u00e9m indicam uma tend\u00eancia a aquecimento.<\/p>\n<p>\u201cDe 1960 at\u00e9 1988, tivemos no pa\u00eds tr\u00eas invernos quentes. De 1988 a 2015 foram 12. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de 4 para 1\u201d, afirmou o meteorologista do Inmet \u2013 que, no entanto, mostrou-se cauteloso ao conjecturar sobre o futuro dessa tend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Quanto mais quente, mais pobre<\/strong><\/p>\n<p>E o calor extremo n\u00e3o faz mal apenas para a sa\u00fade de quem est\u00e1 mergulhado nele. Um estudo publicado nesta quarta-feira no peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature mostra que calor demais tamb\u00e9m faz mal ao PIB.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores liderado pelo economista Marshall Burke, da Universidade Stanford (EUA), mostrou que o capitalismo tem uma temperatura ideal de funcionamento: 13oC de m\u00e9dia anual. A produtividade dos trabalhadores e da agricultura cai quando as temperaturas m\u00e9dias ficam muito abaixo disso, mas despenca quando elas sobem demais al\u00e9m dessa m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Numa compara\u00e7\u00e3o feita com 166 pa\u00edses, inclusive o Brasil, com dados desde 1960, Burke e colegas mostraram que o decl\u00ednio \u00e9 n\u00e3o-linear, ou seja, a produtividade despenca a altas temperaturas. \u201cEssa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 generaliz\u00e1vel para o globo, inalterada desde 1960 e aparente em atividades ligadas ou n\u00e3o \u00e0 agricultura, em pa\u00edses ricos e pobres\u201d, escreveram os cientistas.<\/p>\n<p>No caso de um aquecimento global desenfreado, no pior cen\u00e1rio do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica), o PIB mundial sofreria uma redu\u00e7\u00e3o de 23%. Nada menos que 77% dos pa\u00edses teriam perdas, com o mundo tropical liderando a marcha para o abismo por ser mais quente \u2013 e, no geral, mais pobre \u2013 j\u00e1 hoje, mas com problemas grandes tamb\u00e9m para pa\u00edses ricos relativamente quentes, como EUA e China.<\/p>\n<p>\u201cSe as sociedades continuarem a funcionar como funcionaram no passado, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deve reformatar a economia mundial ao reduzir substancialmente a produ\u00e7\u00e3o e possivelmente amplificar desigualdades econ\u00f4micas globais j\u00e1 existentes\u201d, escreveram os autores.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Claudio Angelo, Observat\u00f3rio do Clima de 21 de outubro de 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de Bras\u00edlia, que em outubro teve temperaturas at\u00e9 9 graus mais altas que a m\u00e9dia, Manaus e Belo Horizonte bateram recordes neste ano, mostra Instituto Nacional de Meteorologia Junte um El Ni\u00f1o que j\u00e1 est\u00e1 sendo chamado por a\u00ed de \u201cGodzilla\u201d e uma tend\u00eancia discern\u00edvel de aquecimento global e voc\u00ea ganha o que os&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,12],"post_series":[],"class_list":["post-15205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-aquecimento-global-global-warming-global-climate-change","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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