{"id":15282,"date":"2015-11-06T12:00:45","date_gmt":"2015-11-06T15:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=15282"},"modified":"2015-11-06T09:18:37","modified_gmt":"2015-11-06T12:18:37","slug":"producao-alada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/producao-alada\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o alada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/6\/5693\/22824566625_4911a9207f_z.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"407\" \/><\/p>\n<p><strong>Empresas desenvolvem m\u00e9todos de cria\u00e7\u00e3o de insetos para poliniza\u00e7\u00e3o e combate a pragas<\/strong><\/p>\n<p>Ninhos da abelha nativa mamangava devem estar dispon\u00edveis nos pr\u00f3ximos meses para venda a produtores de maracuj\u00e1. Quando presente na planta\u00e7\u00e3o, essa abelha aumenta o n\u00famero de frutos nos maracujazeiros por meio da poliniza\u00e7\u00e3o. Os insetos est\u00e3o sendo produzidos ainda em escala-piloto pela empresa Florilegus, de S\u00e3o Paulo, que iniciou as atividades em 2013 com o objetivo de produzir e vender ninhos de mamangava da esp\u00e9cie do g\u00eanero Xylocopa. <strong>\u201cEm v\u00e1rios pa\u00edses, as pessoas e os governos est\u00e3o se mobilizando para aumentar a presen\u00e7a de polinizadores, essenciais na cadeia produtiva agr\u00edcola, que muitas vezes s\u00e3o afetados com o uso intensivo de inseticidas na lavoura\u201d,<\/strong> explica a zootecnista Paola Marchi, fundadora da Florilegus. \u201cO Brasil, por exemplo, \u00e9 um dos maiores produtores de maracuj\u00e1 e a presen\u00e7a das abelhas de grande porte, como as mamangavas, \u00e9 essencial porque as flores n\u00e3o polinizadas n\u00e3o geram frutos. Essas abelhas est\u00e3o cada vez mais escassas nos cultivos e existe uma demanda crescente pelos servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os produtores poder\u00e3o adquirir ninhos contendo os insetos rec\u00e9m-emergidos, que poder\u00e3o ser liberados nos cultivos em florescimento. \u201cA quantidade adequada por \u00e1rea e o tempo indicado de perman\u00eancia nas planta\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o sendo ajustados\u201d, conta Paola. O que se sabe \u00e9 que essa esp\u00e9cie frequentemente reutiliza seus ninhos antigos e, por isso, pode permanecer nas \u00e1reas cultivadas com maracuj\u00e1 por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio que haja condi\u00e7\u00f5es adequadas para sua sobreviv\u00eancia, como a exist\u00eancia de outras plantas das quais elas possam coletar o p\u00f3len, fonte de prote\u00edna, porque as flores de maracuj\u00e1 fornecem a ela apenas o n\u00e9ctar, que \u00e9 a fonte de energia.<\/p>\n<p>Para desenvolver a tecnologia de cria\u00e7\u00e3o das mamangavas, a pesquisadora estuda aspectos reprodutivos desses insetos, como a capacidade das f\u00eameas em gerar descendentes. \u201cAl\u00e9m disso, o armazenamento e o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos imaturos est\u00e3o sendo testados com diferentes temperaturas para prever e manipular o surgimento das mamangavas\u201d, diz Paola. \u201cEstamos desenvolvendo e aperfei\u00e7oando t\u00e9cnicas para multiplicar os ninhos, como tamb\u00e9m seu transporte e instala\u00e7\u00e3o nos cultivos.\u201d<\/p>\n<p>Em outra empresa, a Promip, de Engenheiro Coelho, na Regi\u00e3o Metropolitana de Campinas, est\u00e1 em desenvolvimento uma tecnologia para a cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas para poliniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma esp\u00e9cie sem ferr\u00e3o, conhecida como mandaguari (Scaptotrigona depilis), que vive em col\u00f4nias e pode polinizar culturas como morango, tomate e caf\u00e9, por exemplo. \u201cN\u00f3s come\u00e7amos o projeto em 2010\u201d, conta o s\u00f3cio-fundador Marcelo Poletti. \u201cEle foi dividido em tr\u00eas etapas: avalia\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio da produ\u00e7\u00e3o em massa, estudo da compatibilidade dos insetos com os produtos qu\u00edmicos usados na agricultura e da efic\u00e1cia no campo. Estamos na \u00faltima fase e devemos come\u00e7ar a venda dos ninhos em 2016.\u201d<\/p>\n<p>O que a Promip j\u00e1 tem no mercado s\u00e3o tr\u00eas esp\u00e9cies de \u00e1caros predadores (que n\u00e3o s\u00e3o insetos, mas aracn\u00eddeos como as aranhas e os carrapatos) microsc\u00f3picos, usados no controle biol\u00f3gico de pragas. Duas das esp\u00e9cies, a Phytoseiulus macropilis e a Neoseiulus californicus, combatem outro tipo de \u00e1caro, o rajado (Tetranychus urticae), que causa danos a hortali\u00e7as, frutas, flores e outras plantas cultivadas. A terceira, Stratiolaelaps scimitus, \u00e9 usada no controle do fungus gnats (Bradysia matogrossensis). Mesmo com esse nome, trata-se de um inseto que se alimenta de fungos e ataca as ra\u00edzes de v\u00e1rias culturas, principalmente durante a forma\u00e7\u00e3o das mudas. \u201cProduzimos cerca de 100 milh\u00f5es de indiv\u00edduos por m\u00eas dessas tr\u00eas esp\u00e9cies na nossa biof\u00e1brica\u201d, informa Poletti. \u201cEles s\u00e3o vendidos aos produtores e revendedores.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estabelecida no mercado est\u00e1 a Bug, empresa de Piracicaba, que cria quatro esp\u00e9cies de pequenas vespas parasitoides, al\u00e9m dos hospedeiros nos quais elas s\u00e3o multiplicadas. Trichogramma galloi e Trichogramma pretiosum s\u00e3o utilizadas no controle dos ovos da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), uma pequena mariposa que, em sua fase larval, ataca canaviais (ver Pesquisa FAPESP n\u00ba 195). \u201cSe o n\u00edvel de infesta\u00e7\u00e3o da broca-da-cana chegar a 10% da lavoura, o preju\u00edzo \u00e9 de mais de R$ 1.000,00 por hectare\u201d, diz Alexandre de Sene Pinto, s\u00f3cio e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D) da empresa. A empresa cria, ainda, a Telenomus podisi, que parasita os ovos do percevejo-marrom (Euschistus heros), causador de estragos em culturas como soja, feij\u00e3o e arroz. A vespinha Bracon hebetor, por sua vez, elimina as larvas de tra\u00e7as de produtos armazenados, como fumo e amendoim.<\/p>\n<p>Todas as vespinhas s\u00e3o multiplicadas por meio de outras esp\u00e9cies de insetos, criadas na empresa especialmente para essa fun\u00e7\u00e3o. As duas do g\u00eanero Trichogramma e a B. hebetor, por exemplo, s\u00e3o multiplicadas em ovos e larvas da tra\u00e7a Anagasta kuehniella. Telenomus podisi \u00e9 criada em ovos de seu hospedeiro natural, o percevejo-marrom. \u201cA esp\u00e9cie Trichogramma galloi come\u00e7ou a ser criada em 2001, em pequena escala, mas hoje produzimos cerca de 250 milh\u00f5es delas por dia, o que \u00e9 suficiente para tratar 7 mil hectares de cana-de-a\u00e7\u00facar no controle de ovos da broca\u201d, conta Sene Pinto.<\/p>\n<p><strong>Moscas na fruta<\/strong><\/p>\n<p>A Moscamed, de Juazeiro (BA), uma organiza\u00e7\u00e3o social sem fins lucrativos, tem uma estrat\u00e9gia diferente de controle biol\u00f3gico de pragas. Sua biof\u00e1brica produz machos est\u00e9reis da mosca-da-fruta-do mediterr\u00e2neo (Ceratitis capitata) que s\u00e3o liberados nas planta\u00e7\u00f5es de frutas (manga, uva, goiaba, acerola, laranja), principalmente na regi\u00e3o Nordeste, para competir com seus cong\u00eaneres selvagens <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2007\/03\/01\/biofabrica-no-sertao\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>(ver Pesquisa FAPESP n\u00ba 133).<\/strong><\/span><\/a> O presidente da Moscamed, Jair Fernandes Virg\u00ednio, explica que a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 feita a partir da variedade Vienna 8, desenvolvida pela Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, que, ao contr\u00e1rio das linhagens selvagens, tem pupas de machos e f\u00eameas de cores diferentes. Assim, \u00e9 poss\u00edvel saber nessa fase o sexo do inseto que emergir\u00e1.<\/p>\n<p>A empresa se aproveita disso para eliminar as f\u00eameas ainda na fase de ovo com tratamento hidrot\u00e9rmico. A \u00e1gua a 34\u00b0C mata todos os ovos com f\u00eameas, sobrando apenas os machos, que depois s\u00e3o esterilizados com radia\u00e7\u00e3o (raios X ou gama) e soltos na natureza. Antes \u00e9 feito um monitoramento para estimar o n\u00famero de moscas existentes no local. \u201cLiberamos de um a nove machos est\u00e9reis para cada selvagem\u201d, explica Virg\u00ednio. \u201cEles v\u00e3o competir pelas f\u00eameas. Depois que um macho est\u00e9ril copula com uma delas, elas v\u00e3o colocar seus ovos nas frutas que n\u00e3o geram descendentes. Com o tempo e a libera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de machos est\u00e9reis, a popula\u00e7\u00e3o das moscas se reduz at\u00e9 um n\u00edvel em que n\u00e3o causa danos econ\u00f4micos.\u201d<\/p>\n<p>Princ\u00edpio semelhante ser\u00e1 testado pela Embrapa Uva e Vinho, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria em Bento Gon\u00e7alves (RS), mas para outra esp\u00e9cie de mosca-da-fruta, a sul-americana (Anastrepha fraterculus), que danifica frutas cultivadas na regi\u00e3o, principalmente ma\u00e7\u00e3 e p\u00eassego. A diferen\u00e7a \u00e9 que ser\u00e3o esterilizados machos e f\u00eameas, porque nesse inseto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar o g\u00eanero na fase de pupa. Por isso, no in\u00edcio dos experimentos de soltura poder\u00e3o ser observados alguns danos externos em frutos. Mesmo com ovos inf\u00e9rteis, elas continuam a fazer a postura. A proposta \u00e9 que, com as libera\u00e7\u00f5es dos insetos est\u00e9reis, as popula\u00e7\u00f5es da mosca sejam reduzidas.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Adal\u00e9cio Kovaleski, da \u00e1rea de entomologia da Embrapa Uva e Vinho, as pupas ser\u00e3o produzidas na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Fruticultura de Clima Temperado (EFCT) da unidade, em Vacaria (RS), e levadas semanalmente para o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em Piracicaba, onde ser\u00e3o expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o para serem esterilizadas. \u201cDe volta ao Rio Grande do Sul, as moscas adultas est\u00e9reis ser\u00e3o liberadas em \u00e1reas experimentais, com tamanhos que variam de 50 a 100 hectares\u201d, diz. \u201cParalelamente, no mesmo projeto, vamos testar o controle biol\u00f3gico, usando a vespinha Diachasmimorpha longicaudata, que se alimenta da larva da mosca-da-fruta-sul-americana. Essas vespinhas ser\u00e3o liberadas em \u00e1reas com presen\u00e7a de frutas nativas.\u201d<\/p>\n<p>As empresas produtoras de insetos est\u00e3o surgindo porque o uso deles na lavoura reduz ou elimina a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos como inseticidas. \u201cNo sul do pa\u00eds, a tra\u00e7a do fumo \u00e9 respons\u00e1vel pela perda de at\u00e9 10% do produto armazenado, al\u00e9m de levar o pequeno agricultor a aplicar inseticidas em ambientes frequentados por ele e sua fam\u00edlia, causando intoxica\u00e7\u00f5es\u201d, diz Kovaleski. Ainda no Rio Grande do Sul, ele informa que, apenas na cultura da ma\u00e7\u00e3, a mosca-da-fruta-sul-americana causa perdas anuais de cerca de R$ 30 milh\u00f5es, custo da aplica\u00e7\u00e3o dos inseticidas e dos danos na colheita, o que representa 2% da produ\u00e7\u00e3o. Quanto aos polinizadores, os preju\u00edzos s\u00e3o causados por sua aus\u00eancia. \u201cA falta deles numa planta\u00e7\u00e3o pode causar uma queda da produtividade de at\u00e9 40%\u201d, diz Poletti, da Promip.<\/p>\n<p><strong>Projetos<\/strong><\/p>\n<p>1. Cria\u00e7\u00e3o de abelhas solit\u00e1rias da esp\u00e9cie Xylocopa frontalis (Olivier) em ambiente protegido e em escala comercial para sua utiliza\u00e7\u00e3o na poliniza\u00e7\u00e3o de maracuj\u00e1 e outras culturas de interesse econ\u00f4mico <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/83271\/criacao-de-abelhas-solitarias-da-especie-xylocopa-frontalis-olivier-em-ambiente-protegido-e-em-esc\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>(n\u00ba 2013\/50035-5);<\/strong><\/span><\/a> Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisadora respons\u00e1vel Paola Marchi Cabral (Florilegus); Investimento R$ 91.246,97.<\/p>\n<p>2. Cria\u00e7\u00e3o massal e comercializa\u00e7\u00e3o dos parasitoides de ovos Trissolcus basalis e Telenomus podisi para o controle de percevejos da soja <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/642\/criacao-massal-e-comercializacao-dos-parasitoides-de-ovos-trissolcus-basalis-e-telenomus-podisi-para\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>(n\u00ba 2005\/60732-9);<\/strong><\/span><\/a> Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador respons\u00e1vel Alexandre de Sene Pinto (Bug); Investimento R$ 419.460,00.<\/p>\n<p>3. Cria\u00e7\u00e3o massal e comercializa\u00e7\u00e3o de Trichogramma Spp e Cotesia Flavipes para o controle de pragas agr\u00edcolas <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/6572\/criacao-massal-e-comercializacao-de-trichogramma-spp-e-cotesia-flavipes-para-o-controle-de-pragas-a\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>(n\u00ba 2004\/13825-9);<\/strong><\/span><\/a> Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador respons\u00e1vel Alexandre de Sene Pinto (Bug); Investimento R$ 474.041,00.<\/p>\n<p>4. Produ\u00e7\u00e3o massal de col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o e uso comercial para a poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/82266\/producao-massal-de-colonias-de-abelhas-sem-ferrao-e-uso-comercial-para-a-polinizacao-agricola\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong>(n\u00ba 2012\/51112-0);<\/strong><\/span><\/a> Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador respons\u00e1vel Cristiano Menezes (Promip); Investimento R$ 627.224,03 e US$ 3.913,46.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Evanildo da Silveira, FAPESP de outubro de 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas desenvolvem m\u00e9todos de cria\u00e7\u00e3o de insetos para poliniza\u00e7\u00e3o e combate a pragas Ninhos da abelha nativa mamangava devem estar dispon\u00edveis nos pr\u00f3ximos meses para venda a produtores de maracuj\u00e1. Quando presente na planta\u00e7\u00e3o, essa abelha aumenta o n\u00famero de frutos nos maracujazeiros por meio da poliniza\u00e7\u00e3o. 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