{"id":15758,"date":"2016-02-05T08:00:02","date_gmt":"2016-02-05T11:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=15758"},"modified":"2016-02-05T09:24:01","modified_gmt":"2016-02-05T12:24:01","slug":"a-europa-comeca-a-girar-em-torno-da-economia-circular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-europa-comeca-a-girar-em-torno-da-economia-circular\/","title":{"rendered":"A Europa come\u00e7a a girar em torno da economia circular"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/pt.euronews.com\/embed\/322047\/\" width=\"610\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Reutilizar recursos para garantir o futuro \u2013 a Europa est\u00e1 a mobilizar-se em torno da economia circular. Mas o que \u00e9 preciso para alterarmos o nosso modo de vida?<\/strong><\/p>\n<p>O lixo que todos produzimos pode tornar-se muito valioso. E estamos a falar de muito mais do que a simples reciclagem.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a economia circular?<\/strong><\/p>\n<p>Na economia linear em que vivemos, os produtos s\u00e3o fabricados, utilizados e deitados fora. Para fazer, por exemplo, uma m\u00e1quina de lavar roupa, 90% das mat\u00e9rias-primas s\u00e3o desperdi\u00e7adas ao longo da elabora\u00e7\u00e3o, ou seja, apenas 10% chegam ao produto final<\/p>\n<p>As grandes empresas conseguem revender quase metade desses res\u00edduos, as PME muito menos. A grande maioria acaba por ir parar aos aterros, tal como 80% de todos os bens produzidos e que t\u00eam um tempo m\u00e9dio de vida de apenas seis meses.<\/p>\n<p>Na economia circular muda-se todo o circuito. Todos os componentes dos produtos s\u00e3o criados para poderem vir a ser reutilizados. E o emprego de energias renov\u00e1veis significa que n\u00e3o temos de esgotar recursos naturais que s\u00e3o limitados e dispendiosos. Mais: calcula-se que, desta forma, as empresas europeias possam poupar at\u00e9 600 mil milh\u00f5es de euros e reduzir consideravelmente a emiss\u00e3o de gases com efeito de estufa.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia adotou um pacote de medidas para incrementar a economia circular. Os fundos estruturais e de coes\u00e3o prev\u00eaem a aplica\u00e7\u00e3o de milhares de milh\u00f5es de euros na gest\u00e3o ambiental de recursos, na investiga\u00e7\u00e3o, nos objetivos de baixo carbono e na adapta\u00e7\u00e3o das PME. As normas sobre a gest\u00e3o de res\u00edduos v\u00e3o sofrer altera\u00e7\u00f5es para levar os fabricantes a reutilizarem os materiais.<\/p>\n<p><strong>Os que j\u00e1 h\u00e1 muito aplicam este modelo<\/strong><\/p>\n<p>No modelo da economia circular, as empresas podem poupar drasticamente na or\u00e7amenta\u00e7\u00e3o dos materiais, na redu\u00e7\u00e3o dos custos energ\u00e9ticos e nas emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>A reciclagem \u00e9 um conceito j\u00e1 adotado por muita gente. Mas a Comiss\u00e3o Europeia pretende alavancar todo um paradigma econ\u00f3mico atrav\u00e9s da conce\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de produtos, do aumento da garantia destes e do combate \u00e0 chamada obsolesc\u00eancia programada, isto \u00e9, quando um produto \u00e9 fabricado para n\u00e3o durar muito tempo e ser rapidamente substitu\u00eddo por outro. Estes s\u00e3o os pilares da economia circular. E, na verdade, j\u00e1 fazem parte do ADN de algumas empresas.<\/p>\n<p>A f\u00e1brica da Renault em Choisy produz pe\u00e7as autom\u00f3veis desde 1949. \u00c0 chegada, as pe\u00e7as s\u00e3o separadas entre as demasiado danificadas e que ter\u00e3o de ser derretidas, e as que podem ser reutilizadas. No final, s\u00e3o como pe\u00e7as novas. Isto significa desperd\u00edcio zero. Foi o objetivo em mente logo desde o in\u00edcio e todo o sistema produtivo da f\u00e1brica foi concebido nesse sentido.<\/p>\n<p>O diretor, Philippe Loisel, afirma que \u201ca economia circular come\u00e7a na conce\u00e7\u00e3o do sistema. Pensamos e repensamos nos mecanismos para facilitar a desmontagem e reciclagem, de forma a maximizar a recupera\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Tudo isto implica custos. Mas, se tivermos em conta que os grandes grupos se est\u00e3o a lan\u00e7ar neste modelo, provavelmente ser\u00e1 seguro pensar que \u00e9 rent\u00e1vel. Os consumidores exigem, cada vez mais, produtos amigos do ambiente e mais de 80% afirmam mesmo que \u00e9 um crit\u00e9rio na altura de comprar. No ano passado, esta empresa poupou 80% em energia, 88% em \u00e1gua e 4 mil toneladas de metal.<\/p>\n<p>O especialista em ambiente Matthieu Orphelin n\u00e3o hesita em dizer que \u201cuma empresa que se adapte \u00e0 economia circular vai aumentar a sua rentabilidade. H\u00e1 dois motivos que explicam isso: primeiro, poupa nos gastos com as mat\u00e9rias-primas e nos custos do tratamento de res\u00edduos; segundo, porque os produtos ecol\u00f3gicos vendem-se melhor.\u201d<\/p>\n<p><strong>O exemplo de Amesterd\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O princ\u00edpio pode levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de 580 mil empregos na Europa. E cada agregado familiar poder\u00e1 poupar 500 euros por ano em energia. Da\u00ed que cidades como Amesterd\u00e3o estejam a mergulhar neste modelo econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Estima-se que a economia circular possa gerar 7 mil milh\u00f5es de euros por ano na Holanda e criar mais de 50 mil postos de trabalho. O vice-presidente da C\u00e2mara de Amesterd\u00e3o, Abdeluheb Choho, explica-nos porque \u00e9 que a circularidade funciona aqui: \u201c\u00c0 medida que as cidades v\u00e3o crescendo, os est\u00edmulos para a inova\u00e7\u00e3o e para a transi\u00e7\u00e3o do linear para o circular podem ser muito significativos. Se n\u00e3o se sentir um impacto econ\u00f3mico, n\u00e3o vamos assistir \u00e0 mudan\u00e7a que pretendemos ou, pelo menos, n\u00e3o vai acontecer t\u00e3o rapidamente quanto o desejado.\u201d<\/p>\n<p>Ao integrar o setor da constru\u00e7\u00e3o na economia circular, Amesterd\u00e3o prev\u00ea um retorno de 85 milh\u00f5es de euros por ano e um crescimento de 3% na produtividade. Um exemplo: o Parque 2020. Em teoria, n\u00e3o h\u00e1 desperd\u00edcio poss\u00edvel na constru\u00e7\u00e3o deste complexo empresarial. Cada edif\u00edcio foi concebido para que os seus componentes possam vir a ser readaptados noutro local.<\/p>\n<p>Cada habitante de Amesterd\u00e3o produz, em m\u00e9dia, 370 quilos de lixo por ano. 27% dos res\u00edduos s\u00e3o separados e v\u00e3o parar a uma central de tratamento para serem incinerados. As cinzas que ficam ainda cont\u00eam metais e outros materiais que s\u00e3o valiosos. \u00c9 poss\u00edvel filtr\u00e1-los para serem reutilizados. Segundo um dos respons\u00e1veis, Loek van Poppel, \u201ctodos os anos, a central produz 300 mil toneladas de cinzas. Cerca de 10% s\u00e3o recicladas como metais; as restantes 90%, como minerais para fazer ladrilhos que utilizamos para construir pavimentos, entre outros.\u201d<\/p>\n<p>O objetivo de Amesterd\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar j\u00e1 em 2020 a meta europeia de reciclagem de 65% dos res\u00edduos definida para dez anos mais tarde. Todo o pa\u00eds est\u00e1 tamb\u00e9m a adiantar-se ao objetivo europeu de reduzir progressivamente o n\u00famero de aterros.<\/p>\n<p><strong>A vis\u00e3o de David Palmer-Jones, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Europeia de Gest\u00e3o de Res\u00edduos (FEAD) e diretor executivo do grupo Suez no Reino Unido<\/strong><\/p>\n<p>Maithreyi Seetharaman, euronews: Como se convencem as ind\u00fastrias e as PME a embarcarem na economia circular?<\/p>\n<p>David Palmer-Jones: H\u00e1 dois tipos de ind\u00fastrias. H\u00e1 aquelas que j\u00e1 entenderam o que est\u00e1 em jogo. Existem grandes ind\u00fastrias que est\u00e3o a mudar e a planear o futuro. Mas h\u00e1 outro grupo que n\u00e3o, que ainda vive no passado. Tem de haver uma esp\u00e9cie de catalisador. Algu\u00e9m tem de dar o exemplo. Por isso \u00e9 que a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas \u00e9 t\u00e3o importante. Basta ver a economia atual, o mercado das mat\u00e9rias-primas, que por acaso agora at\u00e9 est\u00e1 em baixa. Mas sabemos que n\u00e3o podemos continuar da mesma forma, os recursos naturais s\u00e3o limitados. H\u00e1 uma altura em que isto tem de parar.<\/p>\n<p>euronews: Como \u00e9 que se generaliza o princ\u00edpio da reciclagem para o tornar naturalmente numa prioridade?<\/p>\n<p>DPJ: Hoje em dia, h\u00e1 800 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos desperdi\u00e7ados nos aterros. Estamos a enterrar energia no solo. Antes de mais, temos de criar infraestruturas locais que sirvam quer as popula\u00e7\u00f5es, quer as ind\u00fastrias, ao recolher devidamente esse material. Depois, temos a quest\u00e3o do design ecol\u00f3gico: a forma como concebemos os produtos determina a sua sustentabilidade. Isto diz respeito a 80% do problema da pegada ecol\u00f3gica. A seguir, o princ\u00edpio do poluidor-pagador, a responsabilidade alargada do produtor que paga os danos ambientais que provoca. Ou seja, a Europa est\u00e1 a direcionar v\u00e1rias pol\u00edticas novas para as ind\u00fastrias. E estas v\u00e3o ter de reagir, porque se implicar pagar penaliza\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o os processos podem ser rapidamente modificados.<\/p>\n<p>euronews: O pacote europeu da economia circular tem o alcance necess\u00e1rio?<\/p>\n<p>DPJ: \u00c9 um bom ponto de partida. Est\u00e3o a tentar realmente que esses 800 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos sejam reciclados para fins energ\u00e9ticos e uma nova circula\u00e7\u00e3o no futuro. Aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio fazer tamb\u00e9m \u00e9 encontrar um mercado ativo e vi\u00e1vel para todos esses materiais. Neste momento, os pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas oscilam muito. O pre\u00e7o do petr\u00f3leo est\u00e1 agora em baixa e \u00e9 mesmo dif\u00edcil fazer previs\u00f5es a curto prazo. Mas se pensarmos a longo prazo, em tomar medidas para desenvolver a procura, podemos encontrar de facto mercado para esses materiais, de forma a criar a din\u00e2mica circular.<\/p>\n<p>euronews: O exemplo dado por Amesterd\u00e3o \u00e9 realista, nomeadamente na cria\u00e7\u00e3o de emprego?<\/p>\n<p>DPJ: \u00c9 extremamente realista, sobretudo porque h\u00e1 cada vez mais gente a viver nas cidades, o que gera uma quantidade enorme de material dispon\u00edvel. Para haver circularidade, tem de haver escala. Em Amesterd\u00e3o, a escala \u00e9 grande, tem muita popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que pode funcionar como uma esp\u00e9cie de montra deste conceito para o mundo. \u00c9 preciso mostrar que o modo urbano de vida que temos \u00e9 sustent\u00e1vel. A express\u00e3o \u2018simbiose industrial\u2019 \u00e9 muito pomposa, mas significa simplesmente que o lixo de algu\u00e9m pode ser mat\u00e9ria-prima para outra pessoa. Temos de pegar em todo o material que est\u00e1 para a\u00ed espalhado nas cidades e remet\u00ea-lo \u00e0s ind\u00fastrias, de forma a fechar o c\u00edrculo e criar os empregos que mencionou.<\/p>\n<p>euronews: De um ponto de vista empresarial, que sugest\u00f5es pode deixar em termos de medidas a implementar?<\/p>\n<p>DPJ: Neste per\u00edodo inicial, \u00e9 preciso solicitar ajudas, criar condi\u00e7\u00f5es para que exista um mercado e conceber os produtos de forma ecol\u00f3gica. A popula\u00e7\u00e3o mundial continua a crescer, temos de encontrar respostas. Na minha opini\u00e3o, isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da inova\u00e7\u00e3o e da tecnologia.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Euronews de 25 de janeiro de 2016<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Finalmente, ap\u00f3s uma d\u00e9cada de discuss\u00e3o na academia, veio para o mundo real.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\">Dois coment\u00e1rios: primeiro que a utiliza\u00e7\u00e3o das cinzas da incinera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica perigos\u00edssima, principalmente ao se utilizar para pavimenta\u00e7\u00e3o,&nbsp;tendo sido comprovada a contamina\u00e7\u00e3o por metais pesados do solo e len\u00e7ol fre\u00e1tico e segundo, quando se fala sobre a humanidade crescer descontroladamente. Est\u00e1 mais do que na hora de uma discuss\u00e3o mundial sobre frear o crescimento populacional. Quantos passageiros cabem nesta nave?<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reutilizar recursos para garantir o futuro \u2013 a Europa est\u00e1 a mobilizar-se em torno da economia circular. Mas o que \u00e9 preciso para alterarmos o nosso modo de vida? O lixo que todos produzimos pode tornar-se muito valioso. E estamos a falar de muito mais do que a simples reciclagem. 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