{"id":15782,"date":"2016-02-10T12:00:06","date_gmt":"2016-02-10T15:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=15782"},"modified":"2016-02-10T13:38:17","modified_gmt":"2016-02-10T16:38:17","slug":"poluicao-uma-nova-economia-do-plastico-e-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/poluicao-uma-nova-economia-do-plastico-e-urgente\/","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o: Uma nova economia do pl\u00e1stico \u00e9 urgente"},"content":{"rendered":"<div class=\"issuuembed\" style=\"width: 610px; height: 410px;\" data-configid=\"4622892\/33059403\"><\/div>\n<p><script src=\"\/\/e.issuu.com\/embed.js\" async=\"true\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<p><strong>\u201cNo mundo todo, mais de 70% do pl\u00e1stico produzido \u00e9 depositado em aterros ou lan\u00e7ado em cursos d\u2019\u00e1gua\u201d, alerta o professor e especialista em Ci\u00eancias Ambientais.<\/strong><\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o provocada pelo descarte inadequado do excedente gerado pela l\u00f3gica do consumo exacerbado, inerente ao sistema capitalista, que alimenta a obsolesc\u00eancia e incentiva a substitui\u00e7\u00e3o incessante de bens de todo tipo, \u00e9 um problema conhecido. As consequ\u00eancias desse comportamento tamb\u00e9m s\u00e3o sabidas, por\u00e9m ele continua recorrente. A situa\u00e7\u00e3o se agrava quando ao examinamos o material do qual \u00e9 formada a maior parte desses produtos descartados: o pl\u00e1stico. Pesquisas revelam que as diversas formas assumidas pelo pl\u00e1stico, seja a presente em garrafas PET ou nas fraldas descart\u00e1veis, levam cerca de 450 anos para se decompor na natureza. O pior \u00e9 que a maior parte de todo o pl\u00e1stico produzido no mundo n\u00e3o \u00e9 reutilizada e \u00e9 descartada de forma inadequada, poluindo aterra e principalmente a \u00e1gua, tanto rios como oceanos. <span style=\"color: #ff6600;\">Esqueceram de citar uma&nbsp;fonte de polui\u00e7\u00e3o importante de pl\u00e1stico, a sacola pl\u00e1stica de uso \u00fanico.<\/span><\/p>\n<p>Em entrevista por e-mail \u00e0 IHU On-Line, o professor e especialista em Ci\u00eancias Ambientais, Reinaldo Dias, chama a aten\u00e7\u00e3o para os dados divulgados recentemente pelo relat\u00f3rio \u201cA nova economia do pl\u00e1stico: repensando o futuro\u201d, elaborado pela Consultoria McKinsey &amp; Co. e a Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental Ocean Conservancy e apresentado neste ano no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos, na Su\u00ed\u00e7a. Para o pesquisador, o estudo \u00e9 \u201cum alerta para a humanidade de que estamos inviabilizando a vida marinha, sua diversidade e o enorme potencial que os oceanos possuem de produzir alimentos que amenizariam o problema da fome no mundo\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o professor, atualmente <strong>\u201ch\u00e1 cinco grandes manchas de lixo nos oceanos que podem ser vistas do espa\u00e7o e que cont\u00eam cerca de 90% de res\u00edduos pl\u00e1sticos. A ilha de lixo situada entre o Hava\u00ed e a Calif\u00f3rnia tem uma extens\u00e3o de 1,4 milh\u00e3o de km2. A mancha menos conhecida \u00e9 a do Oceano \u00cdndico, mas acredita-se que \u00e9 enorme, podendo chegar a uma extens\u00e3o de 5 milh\u00f5es de km2\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil, atrav\u00e9s da Lei 12.305\/2010 busca regulamentar a quest\u00e3o do descarte de lixo instituindo a Pol\u00edtica Nacional dos Res\u00edduos S\u00f3lidos. Por\u00e9m, da mesma forma que outras tantas leis no pa\u00eds, tais normas n\u00e3o s\u00e3o cumpridas. Dias aponta que <strong>\u201ca lei havia dado prazo at\u00e9 agosto de 2014 para que as cidades acabassem com os lix\u00f5es e aterros sem condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, no entanto at\u00e9 hoje menos de 40% dos munic\u00edpios atingiram a meta estabelecida e se mantiver a m\u00e9dia de crescimento do setor, o objetivo somente ser\u00e1 atingido em 150 anos\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador afirma que a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o papel individual de cada cidad\u00e3o, se responsabilizando pelo descarte correto do lixo que produz, e uma mudan\u00e7a na mentalidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reutiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o os caminhos mais promissores em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a desse cen\u00e1rio. \u201cA quest\u00e3o da reciclagem, de pl\u00e1stico e de outros materiais, deve ser vista dentro do contexto de forma\u00e7\u00e3o de uma economia verde, de maior efici\u00eancia energ\u00e9tica e na perspectiva do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Nesse caso, deve ser considerada um novo nicho industrial, de transforma\u00e7\u00e3o do lixo em riqueza\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Reinaldo Dias \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Sociais, mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e doutor em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Estadual de Campinas \u2013 UNICAMP. \u00c9 especialista em Ci\u00eancias Ambientais pela Universidade S\u00e3o Francisco \u2013 USF e atualmente leciona no curso de Administra\u00e7\u00e3o do Centro de Ci\u00eancias Sociais e Aplicadas \u2013 CCSA da Universidade Presbiteriana Mackenzie.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> O que representam os dados do relat\u00f3rio \u201cA nova economia do pl\u00e1stico: repensando o futuro\u201d, elaborado pela Consultoria McKinsey &amp; Co. e a ONG Ocean Conservancy e apresentado no F\u00f3rum de Davos?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Representa em primeiro lugar um alerta para a humanidade de que estamos inviabilizando a vida marinha, sua diversidade e o enorme potencial que os oceanos possuem de produzir alimentos que amenizariam o problema da fome no mundo. Em segundo lugar representa uma reafirma\u00e7\u00e3o da cultura do desperd\u00edcio que afeta as empresas, mas tamb\u00e9m os cidad\u00e3os. \u00c9 a incapacidade de pensar que os recursos s\u00e3o limitados e escassos, e que os espa\u00e7os p\u00fablicos devem ser tratados com os mesmos cuidados com que tratamos as \u00e1reas particulares.<\/p>\n<p><strong>Um terceiro ponto diz respeito \u00e0 incipiente compreens\u00e3o humana da nossa depend\u00eancia do mundo natural, do qual dependemos totalmente, n\u00e3o havendo um \u00fanico material em nossas casas e cidades que n\u00e3o tenha origem natural. Esse aparente distanciamento da cultura humana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza deve ser combatido, pois n\u00e3o criamos um mundo artificial que independe do natural, eles s\u00e3o interdependentes e temos que realizar um intenso trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental para que todos os humanos compreendam isso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual \u00e9 o impacto, em termos de quantidade e potencial poluente, causado hoje ao meio ambiente pelo uso e descarte inadequado do pl\u00e1stico?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> No mundo todo, mais de 70% do pl\u00e1stico produzido \u00e9 depositado em aterros ou lan\u00e7ado em cursos d\u2019\u00e1gua resultando em perdas enormes para alguns setores como o turismo, navega\u00e7\u00e3o e pesca. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 um custo significativo para o poder p\u00fablico, que se v\u00ea \u00e0s voltas com problemas causados pelo descarte inadequado desses materiais, como entupimento de redes de \u00e1gua e esgoto nas grandes cidades, causando alagamentos e destrui\u00e7\u00e3o dos equipamentos p\u00fablicos e a mortandade de peixes e outros animais de \u00e1gua doce e marinhos. Muitos animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, como as diversas esp\u00e9cies de tartaruga, morrem em grande n\u00famero asfixiados pela ingest\u00e3o de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Que caminho em geral o pl\u00e1stico faz antes de chegar aos oceanos? De onde prov\u00e9m a maior parte desse material?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Predominantemente do descarte feito pelas pessoas, garrafas pets est\u00e3o entre os mais encontrados, entre outros objetos de uso pessoal. Esse pl\u00e1stico das resid\u00eancias vai para os rios e da\u00ed para os oceanos. O aumento da conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas de que sua a\u00e7\u00e3o individual causa esse impacto no mundo natural \u00e9 fundamental para combater o problema.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Qual \u00e9 a \u00e1rea mais polu\u00edda dos oceanos? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>\u201cH\u00e1 cinco grandes manchas de lixo nos oceanos que podem ser vistas do espa\u00e7o\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/c2.staticflickr.com\/2\/1656\/24306513304_61ca58eff5_z.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"349\" \/><\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Todos os mares apresentam correntes que se movem-se na forma de uma espiral e, na medida que avan\u00e7am, v\u00e3o concentrando todos os res\u00edduos que encontram no caminho, formando ilhas ou manchas de lixo marinho, constitu\u00eddo principalmente de material pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco grandes manchas de lixo nos oceanos que podem ser vistas do espa\u00e7o e que cont\u00eam cerca de 90% de res\u00edduos pl\u00e1sticos. A ilha de lixo situada entre o Hava\u00ed e a Calif\u00f3rnia tem uma extens\u00e3o de 1,4 milh\u00e3o de km2. A mancha menos conhecida \u00e9 a do Oceano \u00cdndico, mas acredita-se que \u00e9 enorme, podendo chegar a uma extens\u00e3o de 5 milh\u00f5es de km2.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> De que forma o Brasil trata da quest\u00e3o do descarte adequado do lixo? Como est\u00e3o as pol\u00edticas para este setor? E em outros pa\u00edses, quais tratam desse tema de maneira melhor e pior no planeta?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> O Brasil possui a Lei 12.305 de 2010 que instituiu a Pol\u00edtica Nacional dos Res\u00edduos S\u00f3lidos, que se fosse cumprida estar\u00edamos numa situa\u00e7\u00e3o bem melhor do que estamos agora. A lei havia dado prazo at\u00e9 agosto de 2014 para que as cidades acabassem com os lix\u00f5es e aterros sem condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, no entanto at\u00e9 hoje menos de 40% dos munic\u00edpios atingiram a meta estabelecida e se mantiver a m\u00e9dia de crescimento do setor, o objetivo somente ser\u00e1 atingido em 150 anos. O problema somente ser\u00e1 resolvido com vontade pol\u00edtica e amadurecimento da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de destina\u00e7\u00e3o correta do lixo.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica p\u00fablica da destina\u00e7\u00e3o de lixo no Brasil deveria dar um enfoque central na educa\u00e7\u00e3o ambiental ampla, precisa ser uma pol\u00edtica efetiva de Estado, sem improvisos. Um dos pa\u00edses que enfrenta melhor o problema \u00e9 a Alemanha, em termos de efici\u00eancia e sendo considerada a campe\u00e3 da reciclagem. Nesse pa\u00eds, dos res\u00edduos gerados, 45% s\u00e3o reciclados, 38% queimados e 17% s\u00e3o destinados \u00e0 compostagem. A pol\u00edtica europeia para o lixo est\u00e1 focada no slogan \u201clixo pode virar ouro\u201d, que incentiva a cria\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios relacionados com o reaproveitamento dos res\u00edduos descartados.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses com a situa\u00e7\u00e3o mais deplor\u00e1vel no que diz respeito ao tratamento do lixo s\u00e3o in\u00fameros, sendo imposs\u00edvel identificar o pior. \u00c9 importante destacar a contribui\u00e7\u00e3o negativa dos pa\u00edses desenvolvidos ao descartarem seu lixo em pa\u00edses em desenvolvimento, principalmente localizados na \u00c1frica e na \u00c1sia, neste \u00faltimo caso com destaque para Bangladesh, que recebe em suas praias grande quantidade de material depositado por navios originados de pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> No caso do Brasil, h\u00e1 dados sobre a situa\u00e7\u00e3o dos rios quanto \u00e0 polui\u00e7\u00e3o com lixo?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Os dados s\u00e3o espec\u00edficos para determinados rios que chamam mais aten\u00e7\u00e3o, como o Tiete ou Pinheiros em S\u00e3o Paulo, mas a situa\u00e7\u00e3o se repete em todo o pa\u00eds, principalmente nas cidades. \u00c9 facilmente encontr\u00e1vel na Internet cenas de ac\u00famulo de milhares de garrafas PET e outros materiais em determinados pontos dos rios. Alguns cursos d\u2019\u00e1gua se assemelham mais a esgotos a c\u00e9u aberto irradiando mau cheiro, fen\u00f4meno comum em todas as capitais brasileiras. Infelizmente esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o, que somente ser\u00e1 resolvida com a a\u00e7\u00e3o efetiva do poder p\u00fablico, punindo empresas que contaminam e aumentando o n\u00edvel de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o problema.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> \u00c9 poss\u00edvel encontrar uma alternativa ao uso do pl\u00e1stico? Quais s\u00e3o as vari\u00e1veis envolvidas nesse processo?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> O pl\u00e1stico tornou-se um componente essencial na nossa vida, \u00e9 dif\u00edcil encontrar no ambiente humano algum lugar onde n\u00e3o haja esse tipo de material. O que pode ser feito sempre \u00e9 um melhor uso, com a responsabilidade compartilhada do seu descarte entre fabricantes, comerciantes e consumidores. Outro movimento deve ser a ado\u00e7\u00e3o, em alguns produtos, de pl\u00e1sticos formados por material biodegrad\u00e1vel, que ameniza seus impactos ao meio ambiente, como por exemplo, nas sacolas utilizadas no com\u00e9rcio. <span style=\"color: #ff6600;\">Ou ainda, o uso de embalagens&nbsp;retorn\u00e1veis, substituindo sacolas pl\u00e1sticas de uso \u00fanico por sacolas retorn\u00e1veis e a substitui\u00e7\u00e3o de embalagens pet por embalagens de vidro retorn\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> No mundo, o Brasil \u00e9 o campe\u00e3o na reciclagem de latas, reciclando 98% do total produzido no pa\u00eds. Por que ainda n\u00e3o se tem \u00edndices de reutiliza\u00e7\u00e3o como estes para o pl\u00e1stico?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Este \u00e9 um bom exemplo de como pode ser encontrada uma solu\u00e7\u00e3o no contexto do atual modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que \u00e9 o vigente. A reciclagem das latas de alum\u00ednio foi transformada num bom neg\u00f3cio, sendo menor o custo de sua reciclagem do que a sua obten\u00e7\u00e3o diretamente na natureza.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico deve trilhar o mesmo caminho, tem que viabilizar neg\u00f3cios rent\u00e1veis que gerar\u00e3o empregos e contribuir\u00e3o para o meio ambiente. A quest\u00e3o \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio est\u00e1 desfavor\u00e1vel para que isto aconte\u00e7a, pois a principal mat\u00e9ria-prima para o pl\u00e1stico, que \u00e9 o petr\u00f3leo, est\u00e1 em queda livre, com pre\u00e7os cada vez menores, o que barateia o seu custo de produ\u00e7\u00e3o. Neste caso, a solu\u00e7\u00e3o seria a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de incentivo ao setor, maior profissionaliza\u00e7\u00e3o dos empreendedores com a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de gest\u00e3o adequados para o setor e gera\u00e7\u00e3o de empregos decentes, pois ocorre neste campo muita explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, com a justificativa de que se est\u00e1 oferecendo trabalho para pessoas necessitadas. Isso tudo deve ser permeado sempre, e fundamentalmente, pelo aumento da conscientiza\u00e7\u00e3o, o que implica em pol\u00edticas p\u00fablicas amplas de educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> De que maneira a reciclagem, al\u00e9m de contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente, pode tamb\u00e9m exercer uma fun\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> Como havia mencionado anteriormente, temos que enfrentar o problema de que muitos programas de reciclagem de pl\u00e1stico envolvem uma explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, buscando neste caso a redu\u00e7\u00e3o de custos. Isto contraria frontalmente a proposta de sustentabilidade que envolve a reciclagem e a forma\u00e7\u00e3o de uma economia circular, pois se foca somente no aspecto econ\u00f4mico e marginalmente no ambiental e social. A reciclagem pode exercer um importante papel social, como mostra o exemplo da Uni\u00e3o Europeia onde o tratamento de res\u00edduos emprega mais de dois milh\u00f5es de pessoas e com uma receita estimada em mais de 145 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p><strong>\u201cO preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao manuseio do lixo deve dar lugar a uma abordagem de m\u00e1xima reutiliza\u00e7\u00e3o dos materiais descartados\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> Deseja acrescentar algo?<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Dias \u2013<\/strong> A quest\u00e3o da reciclagem, de pl\u00e1stico e de outros materiais, deve ser vista dentro do contexto de forma\u00e7\u00e3o de uma economia verde, de maior efici\u00eancia energ\u00e9tica e na perspectiva do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Nesse caso, deve ser considerada um novo nicho industrial, de transforma\u00e7\u00e3o do lixo em riqueza. Acontece que para que isto ocorra deve haver uma mudan\u00e7a de mentalidade, que pode come\u00e7ar nas universidades, incentivando a cria\u00e7\u00e3o de startups voltadas para a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais descartados como neg\u00f3cio vi\u00e1vel. Os estudantes devem aprender a ver o lixo como uma mina de m\u00faltiplos materiais que foram retirados da natureza e que podem ser reutilizados com diminui\u00e7\u00e3o de custo de fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um bom exemplo ocorreu na reuni\u00e3o do clima, a COP21 que aconteceu em Paris em dezembro de 2015. Nesse evento a Adidas e a \u201cParley for the Oceans\u201d, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que visa a prote\u00e7\u00e3o dos oceanos, apresentaram um cal\u00e7ado esportivo inovador que possui sua parte superior e uma sola impressa em 3D, fabricadas com res\u00edduos pl\u00e1sticos dos oceanos. A iniciativa, al\u00e9m de contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o nos oceanos, cria um produto que j\u00e1 nasce com uma imagem positiva sancionada pela sociedade.<\/p>\n<p>O preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao manuseio do lixo deve dar lugar a uma abordagem de m\u00e1xima reutiliza\u00e7\u00e3o dos materiais descartados. Cabe aos empreendedores tornar o neg\u00f3cio vi\u00e1vel adotando solu\u00e7\u00f5es criativas para cada caso: pl\u00e1sticos, alum\u00ednio, papel, metais, produtos eletr\u00f4nicos etc. O desafio \u00e9 este para as universidades: gera\u00e7\u00e3o de empreendedores que veem o lixo como fonte de riqueza, um dos componentes de um sistema circular e n\u00e3o como um produto final de um sistema linear que ainda \u00e9 predominante em nossa economia.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Leslie Chaves,&nbsp;EcoDebate \/ IHU de 08 de fevereiro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNo mundo todo, mais de 70% do pl\u00e1stico produzido \u00e9 depositado em aterros ou lan\u00e7ado em cursos d\u2019\u00e1gua\u201d, alerta o professor e especialista em Ci\u00eancias Ambientais. 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