{"id":16414,"date":"2016-06-15T15:00:58","date_gmt":"2016-06-15T18:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=16414"},"modified":"2016-06-15T16:11:52","modified_gmt":"2016-06-15T19:11:52","slug":"como-a-economia-circular-pode-transformar-lixo-em-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/como-a-economia-circular-pode-transformar-lixo-em-ouro\/","title":{"rendered":"Como a economia circular pode transformar lixo em ouro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/LQ5f00ITHKhO2oXl5JwrPzdxQIE=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/03\/ed_mg_9588888.jpg\" alt=\"Alex Pereira presidente da  Coopermit (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)\" width=\"610\" height=\"381\" \/><\/p>\n<p><em>Alex Pereira, presidente da Coopermiti (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)<\/em><\/p>\n<p><strong>Empresas e governos se preparam para a economia circular, que usa tecnologia e responsabilidade para acabar com o lixo gerado pela sociedade. Nada se perde<\/strong><\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2012, Alex Luiz Pereira estava decidido a fechar as portas da primeira cooperativa de lixo eletr\u00f4nico de S\u00e3o Paulo. Dois anos antes, ele tinha fundado a empresa, chamada Coopermiti, para gerar empregos e aproveitar os componentes dos aparelhos que seriam desperdi\u00e7ados. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava f\u00e1cil. Os dirigentes do projeto abandonaram a iniciativa porque a venda dos res\u00edduos eletr\u00f4nicos n\u00e3o dava dinheiro suficiente. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ajudava: o lixo eletr\u00f4nico n\u00e3o estava chegando aos postos de reciclagem.<\/p>\n<p>Alex n\u00e3o teve coragem de fechar a empresa, \u00fanica fonte de sustento de 20 fam\u00edlias de cooperados. Resolveu tentar pela \u00faltima vez. Dessa vez, assumiu a gest\u00e3o diretamente. Fez conv\u00eanios com empresas e prefeituras. Para sua surpresa, o projeto andou. No galp\u00e3o da cooperativa, na Zona Norte de S\u00e3o Paulo, ele mostra as carca\u00e7as de monitores, as placas-m\u00e3es de laptops e uma infinidade de produtos descartados. \u201cAqui, por exemplo, tem uma pequena quantidade de ouro\u201d, diz, mostrando uma placa verde e cheia de circuitos. \u201cN\u00f3s a exportamos para o Jap\u00e3o. Com 70 toneladas dessa placa, eles conseguem fazer uma barra de ouro de 13 quilos.\u201d<\/p>\n<p>A Coopermiti \u00e9 uma das poucas unidades no Brasil a fazer um trabalho crucial: devolver ao processo produtivo aquilo que \u00e9 considerado lixo. No caso dos eletr\u00f4nicos, \u00e9 uma tarefa mais complicada. A ONU estima que o Brasil gera 1,4 milh\u00e3o de tonelada de lixo eletr\u00f4nico por ano. Esse ac\u00famulo de produtos descartados evidencia um dos grandes problemas de nosso atual modelo econ\u00f4mico: ele \u00e9 linear. N\u00f3s retiramos a mat\u00e9ria-prima da Terra, como os min\u00e9rios. Transformamos esses materiais, por meio do processo industrial, em computadores, geladeiras ou celulares. Quando, tr\u00eas anos depois, nosso iPhone deixa de funcionar, ele \u00e9 simplesmente descartado em aterros, na melhor das hip\u00f3teses, ou nos gigantescos lix\u00f5es que insistem em existir no pa\u00eds. Junto com nossos eletr\u00f4nicos, v\u00e3o para o lix\u00e3o min\u00e9rios raros e nobres. Estamos jogando ouro no lixo.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7ou na pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o industrial dos s\u00e9culos XVIII e XIX. A sociedade saiu de uma economia basicamente agr\u00e1ria (onde nada se perde, tudo se recicla, como na natureza) para a manufatura e, mais tarde, para a linha de montagem que leva ao mercado de consumo e \u00e0 lata de lixo. O desperd\u00edcio come\u00e7ou a ser detectado por economistas e naturalistas ainda na d\u00e9cada de 1980. Trabalhos de pesquisadores como Michael Braungart e William McDonough, autores de Cradle to cradle (&#8220;Do ber\u00e7o ao ber\u00e7o&#8221;, traduzido no Brasil como Cradle to Cradle: criar e reciclar ilimitadamente), mostraram que, se os produtos n\u00e3o voltarem \u00e0 origem do processo produtivo, a conta n\u00e3o vai fechar. As cidades chegar\u00e3o ao limite, abarrotadas de lixo e sem recursos valiosos para criar novos produtos. Eles prop\u00f5em uma mudan\u00e7a brusca na forma de produzir. Sugerem um modelo econ\u00f4mico em que os produtos, ap\u00f3s chegarem ao fim de sua vida \u00fatil, n\u00e3o viram lixo, e sim mat\u00e9ria-prima para gerar novos produtos.<\/p>\n<p>Ao falar com \u00c9POCA por telefone, Braungart foi ainda mais radical. \u201cO conceito de sustentabilidade \u00e9 ultrapassado\u201d, disse. A ideia de reduzir o consumo de recursos naturais, de modo a n\u00e3o comprometer a sobreviv\u00eancia das gera\u00e7\u00f5es futuras \u2013 central no conceito de sustentabilidade \u2013, \u00e9 pouco ambiciosa. Braungart e sua equipe de cientistas tentam encontrar solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para produzir objetos que, ao se degradar, sejam reabsorvidos pela biosfera na forma de nutrientes, ou que possam ser facilmente reincorporados ao ciclo produtivo. \u201cTemos de encarar os humanos como um recurso capaz de trazer benef\u00edcios para o planeta, e n\u00e3o como um fardo cujo impacto deve ser minimizado.\u201d<\/p>\n<p>A ideia de que tudo o que produzimos pode voltar para a produ\u00e7\u00e3o em vez de virar lixo ganhou o nome de economia circular. Nessa economia, nada \u00e9 desperdi\u00e7ado \u2013 todos os produtos devem passar por reaproveitamento, transforma\u00e7\u00e3o e reciclagem. A chave para que isso ocorra n\u00e3o \u00e9 a tecnologia da reciclagem, mas sim o design inicial do produto, levando em considera\u00e7\u00e3o o que acontecer\u00e1 com ele quando perder seu valor de uso. Imagine um celular que, quando deixa de funcionar, \u00e9 f\u00e1cil de desmontar e s\u00f3 utiliza recursos pass\u00edveis de ser reciclados. Esse celular poderia voltar completamente para a ind\u00fastria, suas partes se transformariam em novos produtos. N\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos a necessidade de poluir e explorar ainda mais os recursos da Terra.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, esse conceito inovador passou a ser adotado, entusiasticamente, pelo empresariado. \u201cA economia circular faz uma cr\u00edtica profunda sobre como o sistema contempor\u00e2neo funciona. E o interessante \u00e9 que essa postura, vamos dizer radical, est\u00e1 sendo adotada por organiza\u00e7\u00f5es empresariais\u201d, diz o economista Ricardo Abramovay, da Universidade de S\u00e3o Paulo, autor do livro Muito al\u00e9m da economia verde. O conceito come\u00e7ou a ganhar adeptos. A velejadora brit\u00e2nica Ellen MacArthur, que circum-navegou o mundo sem produzir lixo, criou uma funda\u00e7\u00e3o para promover a ideia. A influente revista cient\u00edfica Nature destinou uma edi\u00e7\u00e3o completa para o assunto em mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p>Por que as empresas adotaram t\u00e3o entusiasticamente as ideias da economia circular? Primeiro, por sobreviv\u00eancia. Se continuarmos com um modelo predat\u00f3rio, em algumas d\u00e9cadas, recursos minerais e mat\u00e9rias-primas ficar\u00e3o mais escassos e caros. Al\u00e9m disso, a tend\u00eancia \u00e9 que os consumidores passem a valorizar mais empresas sustent\u00e1veis e que o poder p\u00fablico exija a\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias. Isso j\u00e1 ocorre em alguns pontos da Pol\u00edtica Nacional dos Res\u00edduos S\u00f3lidos. Ela determina que \u00e9 papel da ind\u00fastria oferecer meios para o consumidor destinar corretamente os res\u00edduos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 oportunidades de neg\u00f3cios. Um relat\u00f3rio produzido pela Funda\u00e7\u00e3o Ellen MacArthur calcula que a ado\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios da economia circular pode garantir que as empresas europeias faturem \u20ac 900 bilh\u00f5es a mais at\u00e9 2030. Esses ganhos vir\u00e3o do desenvolvimento de tecnologias mais avan\u00e7adas, usadas para transformar res\u00edduos em mat\u00e9ria-prima; da economia financeira gerada pela redu\u00e7\u00e3o no uso de recursos naturais; e do ganho de competitividade promovido por esses dois fatores.<\/p>\n<p>A economia circular j\u00e1 virou pol\u00edtica p\u00fablica em alguns pa\u00edses, em especial na Uni\u00e3o Europeia e na China. No final de 2015, a Comiss\u00e3o Europeia aprovou metas como a obriga\u00e7\u00e3o de reciclar 65% de todo o lixo inorg\u00e2nico gerado pelos pa\u00edses at\u00e9 2030 e o compromisso de reduzir o desperd\u00edcio de comida em 30% no mesmo per\u00edodo. Estabelece tamb\u00e9m normas v\u00e1lidas para a produ\u00e7\u00e3o de objetos diversos, para garantir que eles durem mais e sejam facilmente recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>A Europa re\u00fane exemplos pioneiros de iniciativas em economia circular encabe\u00e7adas pelo capital privado. No come\u00e7o dos anos 1980, a cidade de Kalundborg, no litoral da Dinamarca, tornou-se famosa ao gestar aquilo que os dinamarqueses chamaram de \u201csimbiose industrial\u201d. A antiga aldeia medieval come\u00e7ou a atrair ind\u00fastrias no final dos anos 1950, quando o governo criou uma usina termel\u00e9trica na regi\u00e3o. Hoje, o parque industrial da cidade inclui empresas de setores diversos \u2013 h\u00e1 uma fabricante de enzimas, uma f\u00e1brica de pl\u00e1stico e uma refinaria de petr\u00f3leo, al\u00e9m de outras sete companhias, p\u00fablicas e privadas. No modelo estabelecido em Kalundborg, os res\u00edduos gerados pelas atividades de uma empresa se tornam mat\u00e9ria-prima para outra. A coopera\u00e7\u00e3o entre as ind\u00fastrias de Kalundborg come\u00e7ou por acaso no in\u00edcio dos anos 1980, quando a farmac\u00eautica Novo Nordisk passou a comprar o vapor excedente liberado pela termel\u00e9trica da cidade. Ao longo dos 20 anos seguintes, a rela\u00e7\u00e3o entre as empresas se estreitou. Hoje, as companhias de Kalundborg compartilham, al\u00e9m de vapor, uma s\u00e9rie de recursos que, em outras partes do mundo, seriam liberados no ambiente: a \u00e1gua doce, usada pela refinaria de petr\u00f3leo para resfriar m\u00e1quinas, \u00e9 vendida para a termel\u00e9trica. A termel\u00e9trica tamb\u00e9m compra os gases liberados pela refinaria, que s\u00e3o reaproveitados para gera\u00e7\u00e3o de calor. A empresa farmac\u00eautica purifica seu res\u00edduo industrial e transforma em fertilizante, vendido aos fazendeiros da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O sucesso em proteger o meio ambiente tornou a cidade caso de estudo em todo o mundo e inspirou iniciativas parecidas em outros pa\u00edses. O parque industrial do distrito de Nova Suzhou, na China, tenta reproduzir \u2013 em escala muito maior \u2013 a experi\u00eancia bem-sucedida de Kalundborg. Nova Suzhou re\u00fane 4 mil empresas em uma \u00e1rea de 52 quil\u00f4metros quadrados. A maioria das companhias ali se dedica a produzir aparelhos eletr\u00f4nicos, realizar pesquisas em biotecnologia e produzir rem\u00e9dios. Em 2005, o distrito foi selecionado para participar de um plano do governo chin\u00eas para formar parques industriais que obedecessem aos princ\u00edpios da economia circular. Em Nova Suzhou, as empresas produtoras de equipamentos eletr\u00f4nicos montam circuitos com cobre rejeitado por outras ind\u00fastrias do parque, e as empresas de papel usam a am\u00f4nia gerada pelos processos produtivos das ind\u00fastrias qu\u00edmicas. O governo chin\u00eas tinha a ambi\u00e7\u00e3o de, at\u00e9 o final de 2015, criar 100 parques semelhantes a Nova Suzhou espalhados pelo pa\u00eds. Os resultados desses esfor\u00e7os ainda n\u00e3o foram divulgados, mas observadores internacionais atestam que a China se sai bem. \u201cA China lidera o mundo nesse processo de transformar parques industriais tradicionais em parques ecoindustriais, que incorporam princ\u00edpios da economia circular\u201d, disse a \u00c9POCA Hao Tan, professor de neg\u00f3cios internacionais da Universidade Newcastle. \u201cNessa \u00e1rea, o governo chin\u00eas parece ter tanto o desejo quanto os meios para promover mudan\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/cFwKEJos6VOoNZ1X7IRPuXmmoQA=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/03\/035_pau10830_03.jpg\" alt=\"Pr\u00e9dios em Nova  Suzhou,na China (Foto: Zhang Wei\/AFP)\" width=\"610\" height=\"381\" \/><\/p>\n<p><em>Pr\u00e9dios em Nova Suzhou, na China (Foto: Zhang Wei\/AFP)<\/em><\/p>\n<p>Desde 2010, a China inclui medidas de incentivo \u00e0 economia circular nos Planos Quinquenais, o documento que estabelece as prioridades da pol\u00edtica econ\u00f4mica para os cinco anos seguintes. O governo criou incentivos fiscais para empresas que promovam o reaproveitamento de res\u00edduos e pretende que distritos planejados, como Nova Suzhou, sirvam de modelo para novos experimentos. Como a maior parte das f\u00e1bricas chinesas est\u00e1 organizada em parques industriais, nos quais h\u00e1 proximidade f\u00edsica entre as empresas, solu\u00e7\u00f5es que envolvam a colabora\u00e7\u00e3o entre diferentes ind\u00fastrias podem ser simples de implementar. H\u00e1 um componente de urg\u00eancia nessa guinada chinesa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 economia circular. Segundo n\u00fameros compilados por Tan, as ind\u00fastrias chinesas produzem muito, mas produzem mal \u2013 para criar US$ 1 do PIB, os chineses usam cerca de 2 quilos a mais de mat\u00e9ria-prima que a m\u00e9dia dos pa\u00edses desenvolvidos da Europa. Estima-se que, em 2025, o pa\u00eds vai gerar 25% de todo o res\u00edduo s\u00f3lido urbano do mundo. Em parte, a ideia dessas novas pol\u00edticas \u00e9 reduzir a polui\u00e7\u00e3o gerada pelas empresas chinesas. O objetivo \u00e9 evitar que a economia do pa\u00eds se torne mais dependente da importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>No Brasil, tamb\u00e9m h\u00e1 iniciativas em economia circular. O pesquisador Regi Magalh\u00e3es, ph.D. em ci\u00eancia ambiental da Plural Consultoria e Pesquisa em Neg\u00f3cios e Sustentabilidade, estuda exatamente o est\u00e1gio de desenvolvimento da economia circular em empresas brasileiras. \u201cAs ideias de economia circular n\u00e3o est\u00e3o vindo da \u00e1rea de sustentabilidade das empresas. Elas est\u00e3o nascendo na \u00e1rea de neg\u00f3cios. \u00c9 uma perspectiva crescente de que se preocupar com isso \u00e9 bom para os neg\u00f3cios.\u201d Ele cita alguns casos concretos de empreendimentos lucrativos operando em territ\u00f3rio nacional. A Flex, por exemplo, que monta as impressoras HP, criou uma startup interna em Sorocaba, S\u00e3o Paulo, que usa alta tecnologia para fazer reciclagem de pe\u00e7as de impressora. A Embraco, empresa que produz m\u00e1quinas de refrigera\u00e7\u00e3o, abriu uma unidade de neg\u00f3cios chamada Nat.Genius, que tem o objetivo de reaproveitar res\u00edduos para criar novas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Um caso interessante de economia circular no Brasil \u00e9 a Votorantim. Ela ganha dinheiro para receber lixo gerado por outras ind\u00fastrias e usa esses res\u00edduos em suas f\u00e1bricas. A empresa criou, no ano passado, uma unidade de neg\u00f3cios para sua produ\u00e7\u00e3o de cimento. Essa unidade desenvolveu uma tecnologia para substituir o coque de petr\u00f3leo, usado na produ\u00e7\u00e3o do cimento, por res\u00edduos \u2013 pneus velhos, papel, papel\u00e3o, \u00f3leos, produtos qu\u00edmicos, res\u00edduos industriais e at\u00e9 urbanos. O neg\u00f3cio \u00e9 duplamente vantajoso: ela \u00e9 paga por empresas para receber o lixo e usa esses res\u00edduos em seus processos, n\u00e3o precisando comprar mais petr\u00f3leo. \u201c\u00c9 uma unidade de neg\u00f3cios que ao mesmo tempo presta um servi\u00e7o e produz um impacto positivo na produ\u00e7\u00e3o do cimento, reduzindo a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d, diz Andr\u00e9 Leit\u00e3o, diretor de Gest\u00e3o de Res\u00edduos na Votorantim.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/CDeWcUfapZMywTYu92b491MqTdE=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/03\/ep392290.jpg\" alt=\"Funcion\u00e1rio da Votorantim  leva pneus para queimar nos fornos de cimento  (Foto: Alex Almeida\/ Editora Globo)\" width=\"610\" height=\"381\" \/><\/p>\n<p><em>Funcion\u00e1rio da Votorantim leva pneus para queimar nos fornos de cimento (Foto: Alex Almeida\/ Editora Globo)<\/em><\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, o Brasil ainda enfrenta problemas para adotar de forma ampla a economia circular. A dificuldade come\u00e7a na pr\u00f3pria Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos. Essa pol\u00edtica determina que \u00e9 responsabilidade das ind\u00fastrias criar formas para descartar res\u00edduos \u2013 a chamada log\u00edstica reversa. Por\u00e9m, a implementa\u00e7\u00e3o dessa log\u00edstica depende de que a pol\u00edtica seja regulamentada e sejam feitos acordos setoriais entre governo e ind\u00fastria. Em muitos setores, esses acordos n\u00e3o sa\u00edram at\u00e9 hoje. Para piorar, as metas da lei brasileira t\u00eam sido constantemente postergadas. A mais emblem\u00e1tica delas, que determina que todos os lix\u00f5es a c\u00e9u aberto sejam fechados no pa\u00eds, foi adiada para 2018.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 a falta de tecnologia que justifique reciclar alguns produtos. Um caso claro s\u00e3o as embalagens multilaminadas \u2013 como aquelas que embrulham chocolates e salgadinhos. N\u00e3o h\u00e1 tecnologia hoje que fa\u00e7a valer a pena reciclar esse tipo de embalagem. Ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 vantajoso economicamente substituir essas embalagens por outro tipo de material. \u201cAlgumas cadeias est\u00e3o mais desenvolvidas, outras menos. No caso das embalagens, faz todo o sentido reciclar as de alum\u00ednio ou garrafas PET. J\u00e1 para outros materiais, n\u00e3o h\u00e1 tecnologia ainda\u201d, diz Bruno Pereira, coordenador de sustentabilidade da empresa Dow e membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Embalagem (Abre). Segundo ele, a sociedade precisa pesar os pr\u00f3s e contras e, em alguns casos, pode valer mais a pena destinar um produto para o aterro que usar uma tecnologia ineficiente, que gaste muita energia e n\u00e3o resulte em bons produtos. \u201c\u00c9 justific\u00e1vel que a embalagem pare em um aterro sanit\u00e1rio? Sim, se essa for a alternativa mais eficiente considerando a tecnologia. L\u00f3gico que daqui a 100 anos pode n\u00e3o ser assim. Por isso, temos de trabalhar com pesquisa e desenvolvimento.\u201d<\/p>\n<p>O que fazer com nosso lixo enquanto n\u00e3o h\u00e1 tecnologia para resolver o problema? Os pr\u00f3prios consumidores \u2013 ou donos de casa \u2013 podem em seu dia a dia contribuir para reduzir o descarte de produtos. Para come\u00e7ar, o consumidor deve usar ao m\u00e1ximo os produtos antes de descartar. Muitos produtos podem ser reutilizados ou reaproveitados, vendidos ou doados para outras pessoas. Mesmo nos casos em que h\u00e1 tecnologia dispon\u00edvel para uma reciclagem ambiental e economicamente eficiente, ainda falta maior envolvimento por parte do cidad\u00e3o. O caso dos eletr\u00f4nicos \u00e9 um deles. A cooperativa dirigida por Alex Pereira est\u00e1 muito abaixo de sua capacidade. Ela, hoje, trabalha com apenas 25 toneladas de lixo eletr\u00f4nico por m\u00eas, enquanto tem capacidade para lidar com 100 toneladas por m\u00eas. Falta lixo para reciclar. \u201c\u00c9 verdade que o poder p\u00fablico e as empresas precisam fazer mais, mas em contrapartida n\u00f3s temos uma sociedade que \u00e9 muito passiva. O cidad\u00e3o fica esperando ao inv\u00e9s de ir atr\u00e1s. Aqui em S\u00e3o Paulo, tudo o que ele precisa fazer \u00e9 ligar para a prefeitura, que eles indicar\u00e3o onde descartar. A sociedade como um todo precisa ser mais engajada\u201d, diz. Quem sabe desta forma conseguiremos mudar a mentalidade de nossa sociedade e passar a transformar lixo em ouro.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Bruno Calixto e Rafael Ciscati, \u00c9poca de 05 de junho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alex Pereira, presidente da Coopermiti (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA) Empresas e governos se preparam para a economia circular, que usa tecnologia e responsabilidade para acabar com o lixo gerado pela sociedade. 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