{"id":16417,"date":"2016-06-16T09:00:49","date_gmt":"2016-06-16T12:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=16417"},"modified":"2025-10-15T09:18:19","modified_gmt":"2025-10-15T12:18:19","slug":"estamos-sofrendo-o-transtorno-de-deficit-de-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/estamos-sofrendo-o-transtorno-de-deficit-de-natureza\/","title":{"rendered":"Estamos sofrendo o transtorno de d\u00e9ficit de natureza"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/CJ5kEI7KOJOg7rWTIn03yOchLtU=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/06\/09\/louv5_josh_endres-garden.jpg\" alt=\"Richard Luov em um jardim. Ele defende que o contato com a natureza \u00e9 essencial para a sa\u00fade (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Josh Endres-Garden)\" \/><\/p>\n<p><em>Richard Louv numa \u00e1rea natural. Ele defende que o contato com a natureza \u00e9 essencial para a sa\u00fade (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Josh Endres-Garden)<\/em><\/p>\n<p><strong>O americano Richard Louv re\u00fane pesquisas e argumentos para mostrar que qualquer humano \u2013 especialmente na inf\u00e2ncia \u2013 precisa de contato com a natureza para se desenvolver e ficar saud\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Nossa vida urbana cercada por cimento e asfalto. Ou pior, trancada dentro de garagens, escrit\u00f3rios e shoppings. Com cada vez menos contato com seres que fazem fotoss\u00edntese e outras esp\u00e9cies de animais (al\u00e9m da nossa). Isso n\u00e3o pode ser saud\u00e1vel, voc\u00ea imagina. E n\u00e3o \u00e9 mesmo. O escritor americano Richard Louv cunhou o termo transtorno de d\u00e9ficit de natureza para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o conjunto de problemas f\u00edsicos e mentais derivados de uma vida desconectada do mundo natural. Ele re\u00fane pesquisas e argumentos para mostrar que o ser humano precisa de experi\u00eancias na natureza. Segundo Louv, crian\u00e7as em contato com a natureza melhoram o desempenho na escola e podem at\u00e9 reduzir os sintomas de dist\u00farbio de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Louv tem argumentos para justificar, com fins m\u00e9dicos, a manuten\u00e7\u00e3o de mais unidades de conserva\u00e7\u00e3o e de \u00e1reas verdes urbanas. Para ele, precisamos modernizar nosso conceito de urbanismo e incorporar a natureza do lado de casa, no meio da metr\u00f3pole. Doses de natureza s\u00e3o fundamentais, diz Louv, para compensar os efeitos mentais e f\u00edsicos de nossa imers\u00e3o tecnol\u00f3gica. Ele conta tudo isso em seu livro A \u00faltima crian\u00e7a na natureza (The last child in the woods), que j\u00e1 vendeu mais de 500 mil exemplares e foi traduzido em 15 idiomas. A tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas ser\u00e1 lan\u00e7ada no Semin\u00e1rio crian\u00e7a e natureza, que acontecer\u00e1 nos dias 13 e 15 de junho, respectivamente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. Tanto o semin\u00e1rio quanto a tradu\u00e7\u00e3o s\u00e3o organizados pelo Instituto Alana. (<a href=\"https:\/\/drraisdentalavenue.com\/generic-ambien-online\/\">drraisdentalavenue.com<\/a>)  O semin\u00e1rio acontecer\u00e1 no dia 13 de junho, no audit\u00f3rio da Bienal, em S\u00e3o Paulo, e no dia 15 no Teatro Tom Jobim, no Rio.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Por que as crian\u00e7as precisam de contato com a natureza?<\/p>\n<p><strong>Richard Louv &#8211;<\/strong> O professor de Harvard Edward O. Wilson tem uma teoria chamada biofilia. Ele sugere que os seres humanos t\u00eam atra\u00e7\u00e3o inata pela natureza. E que precisamos de experi\u00eancias na natureza para nossa sa\u00fade mental e f\u00edsica. A pesquisa, a experi\u00eancia e o bom-senso sugerem que nossa atra\u00e7\u00e3o e necessidade de ambientes naturais e envolvimento com outras esp\u00e9cies s\u00e3o fundamentais para nossa sa\u00fade, nossa sobreviv\u00eancia e nosso esp\u00edrito. Essa conex\u00e3o \u00e9 parte de nossa humanidade.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Quando o senhor fala de contato com a natureza est\u00e1 se referindo a parques ou jardins urbanos ou a \u00e1reas naturais selvagens como as de parques nacionais?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Idealmente, o que chamamos de natureza deveria ser uma incubadora de biodiversidade. Devia servir para restabelecer a sa\u00fade e o bem-estar dos humanos. Devia ser um santu\u00e1rio para a vida selvagem e plantas nativas. Mas qualquer espa\u00e7o verde oferece benef\u00edcios para o bem-estar f\u00edsico e mental das crian\u00e7as. A conex\u00e3o com a natureza deve ser ocorr\u00eancia di\u00e1ria. Se projetarmos as cidades para funcionar em harmonia com a natureza e a biodiversidade, essa conex\u00e3o ser\u00e1 um padr\u00e3o comum. Uma novidade interessante agora \u00e9 a popularidade crescente da natureza nas pr\u00e9-escolas. \u00c9 l\u00e1 que as crian\u00e7as aprendem sobre vida selvagem, enquanto aprendem a ler. Nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, os desafios ambientais exigir\u00e3o mudan\u00e7as fundamentais em nossas vidas e nas institui\u00e7\u00f5es. Precisaremos de l\u00edderes que entendam como o mundo natural funciona e como os humanos s\u00e3o parte da natureza.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> A maioria da popula\u00e7\u00e3o vive em cidades. No Brasil, isso significa metr\u00f3poles com pouca conex\u00e3o com a natureza. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias para as crian\u00e7as que crescem cercadas por cimento e asfalto com pouco ou nenhum contato com a natureza?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> \u00c0 medida que as crian\u00e7as passam menos tempo em \u00e1reas naturais, seus sentidos ficam limitados, no sentido fisiol\u00f3gico e psicol\u00f3gico. Acrescente a isso uma inf\u00e2ncia exageradamente organizada e a desvaloriza\u00e7\u00e3o das brincadeiras espont\u00e2neas. Isso tem enormes consequ\u00eancias para as capacidades de a crian\u00e7a se autorregular. Isso reduz a riqueza das experi\u00eancias humanas e contribui para uma condi\u00e7\u00e3o que chamo de \u201ctranstorno de d\u00e9ficit de natureza\u201d. Criei esse termo como uma express\u00e3o forte para descrever o que muitos de n\u00f3s acreditam que sejam os custos da aliena\u00e7\u00e3o da natureza. Entre esses preju\u00edzos est\u00e3o um menor uso dos sentidos, dificuldades de aten\u00e7\u00e3o, \u00edndices elevados de doen\u00e7as mentais, maior taxa de miopia, obesidade adulta e infantil, defici\u00eancia de vitamina D e outros problemas. A ci\u00eancia estabeleceu correla\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancias no mundo natural e melhoras em todas essas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 \u00f3bvio que o transtorno de d\u00e9ficit de natureza n\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico m\u00e9dico. Mas podemos consider\u00e1-lo como uma doen\u00e7a da sociedade. Hoje, crian\u00e7as e adultos que trabalham e estudam num mundo cada vez mais dominado pelo ambiente digital gastam grande energia bloqueando muitos dos sentidos humanos, inclusive alguns que nem sabemos que temos. Fazem isso para concentrar de forma estreita o foco na tela diante dos olhos. Essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o exata de estar menos vivo. Qual pai quer que seus filhos estejam menos vivos? Quem dentre n\u00f3s quer estar menos vivo? A quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 ser contra a tecnologia, que nos oferece muitos benef\u00edcios, mas encontrar um equil\u00edbrio. Precisamos oferecer a n\u00f3s e nossas crian\u00e7as uma vida rica e um futuro rico em natureza.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Estamos ensinando nossas crian\u00e7as a valorizar a natureza?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Nos Estados Unidos \u2013 e, pelo que sei, no Brasil \u2013, o mundo natural foi desvalorizado na m\u00eddia e na educa\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o de alguma \u00eanfase em esp\u00e9cies carism\u00e1ticas. Mas estamos vendo algum progresso. Um n\u00famero crescente de homeschoolers [crian\u00e7as que estudam em casa] e escolas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias independentes est\u00e3o incorporando experi\u00eancias naturais no ensino. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ler sobre natureza, mas usar os h\u00e1bitats naturais como ambiente para v\u00e1rias atividades. Algumas escolas de vanguarda tamb\u00e9m est\u00e3o fazendo isso. Estou otimista que isso continue a se expandir \u00e0 medida que educadores e pais aprendam mais sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a natureza e o desenvolvimento infantil. Num cen\u00e1rio ideal, novas escolas ser\u00e3o projetadas com a natureza em mente. E as escolas antigas ser\u00e3o reformadas com espa\u00e7os de recrea\u00e7\u00e3o que incorporam a natureza no projeto central. Outra abordagem \u00e9 usar as reservas naturais para trabalhos escolares ou a inclus\u00e3o de fazendas e s\u00edtios como parte dessas novas instala\u00e7\u00f5es escolares. Precisamos incorporar a educa\u00e7\u00e3o da natureza, e o conhecimento dos efeitos positivos, no treinamento de todo professor. Precisamos dar cr\u00e9dito aos muitos professores que insistiram em expor seus alunos \u00e0 natureza, apesar da tend\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o oposta rumo a um mergulho na tecnologia e na desvaloriza\u00e7\u00e3o das atividades ao ar livre. Os professores e escolas n\u00e3o podem fazer isso sozinhos. Os pais, pol\u00edticos e toda a comunidade precisam participar. Esse tema precisa ser inclu\u00eddo nas faculdades de pedagogia.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> O contato com a natureza \u00e9 instrumento pedag\u00f3gico?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Fala-se muito de tecnologia nas escolas. Mas a grande vanguarda em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o tablets nem computadores, mas pomares, hortas e jardins. Pesquisas sugerem que o contato com a natureza \u00e9 elemento fundamental para nossa habilidade de pensar e criar. Precisamos da natureza como ant\u00eddoto para alguns dos efeitos negativos da tecnologia. A maior capacidade multitarefa \u00e9 viver simultaneamente no mundo digital e no f\u00edsico. Quanto mais hi-tech nossa vida fica, de mais natureza precisamos. Na educa\u00e7\u00e3o, para cada d\u00f3lar investido em tecnologia virtual, precisamos investir o mesmo no mundo real \u2013 especialmente criando mais ambientes de aprendizagem em \u00e1reas naturais. Se fizermos isso, as crian\u00e7as ficar\u00e3o bem. Recentemente, visitei uma escola com ensino baseado na natureza numa regi\u00e3o pobre. A escola tem conseguido mais avan\u00e7o acad\u00eamico do que qualquer outra no local.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Os pr\u00f3prios pais e professores tamb\u00e9m perderam suas conex\u00f5es com o mundo natural. O que podemos fazer?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Muitos adultos est\u00e3o dando mau exemplo. Eles ficam cada vez mais dentro de espa\u00e7os fechados. Passam mais tempo com os eletr\u00f4nicos e, como seus filhos, sofrem problemas de sa\u00fade relacionados a isso. O aumento da obesidade para adultos e jovens \u00e9 um sintoma. A maioria das crian\u00e7as e jovens simplesmente n\u00e3o sabe o que est\u00e1 perdendo. Nunca \u00e9 cedo demais \u2013 ou tarde demais \u2013 para ensinar crian\u00e7as e adultos a apreciar e se conectar com atividades ao ar livre. Pessoalmente, acho que passar tempo ao ar livre \u00e9 vital para todas as idades. Certamente \u00e9 verdade que l\u00edderes em conserva\u00e7\u00e3o tiveram experi\u00eancias na natureza que mudaram suas vidas durante a inf\u00e2ncia. Logo, as crian\u00e7as de hoje que tiverem essas experi\u00eancias positivas na natureza v\u00e3o dar uma grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade como cuidadores da Terra. Se a hip\u00f3tese de biofilia de E.O. Wilson estiver correta, n\u00f3s, como esp\u00e9cie, estamos geneticamente programados para termos afinidade com o resto da natureza. Se isso for verdade, ent\u00e3o nunca ser\u00e1 tarde e voc\u00ea nunca estar\u00e1 velho demais para destravar essa conex\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Em algumas partes do Brasil, distanciar-se da natureza \u00e9 uma medida de ascens\u00e3o social. Por alguma raz\u00e3o parecida, as cidades pequenas, mais pr\u00f3ximas de \u00e1reas rurais, t\u00eam menos cobertura florestal urbana do que cidades em regi\u00f5es mais industrializadas. A natureza \u00e9 vista como sinal de pobreza e subdesenvolvimento. Como o senhor v\u00ea isso nos Estados Unidos?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Isso \u00e9 um problema geral. Os sub\u00farbios nos Estados Unidos se desenvolveram com o corte de todas as \u00e1rvores da paisagem. Um ant\u00eddoto para os que pensam na natureza como algo do passado \u00e9 adotar esta cren\u00e7a: n\u00e3o \u00e9 hora de voltar para a natureza, mas avan\u00e7ar para a natureza. O futuro da nossa conex\u00e3o com a natureza n\u00e3o \u00e9 antiurbano e nem antitecnol\u00f3gico. Podemos criar novos ambientes naturais no interior e no entorno de nossas casas, escolas, bairros, centros comerciais, cidades e sub\u00farbios. Precisamos imaginar um futuro em que nossas vidas estejam mergulhadas na natureza em cada pr\u00e9dio, em cada quarteir\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Se as pessoas t\u00eam tantos bons sentimentos associados \u00e0 natureza, por que tantos aceitam o desmatamento para a expans\u00e3o urbana?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Uma raz\u00e3o \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica baseada na falsa premissa de que a natureza e a vida humana s\u00e3o coisas separadas. No entanto, muitas pessoas est\u00e3o percebendo que criar mais natureza nas imedia\u00e7\u00f5es \u00e9 um bom investimento. Os benef\u00edcios de \u00e1reas naturais nas proximidades pode ser sentido pelos sistemas de sa\u00fade. Tamb\u00e9m t\u00eam efeitos positivos no sistema de educa\u00e7\u00e3o, para a qualidade de vida, para o valor das propriedades e nos \u00edndices de criminalidade.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> O senhor acredita que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza pode reduzir o uso de Ritalina para tratamento de s\u00edndrome de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> V\u00e1rias pesquisas relacionam a experi\u00eancia na natureza com a redu\u00e7\u00e3o dos sintomas de s\u00edndrome de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Alguns dos trabalhos mais importantes nessa \u00e1rea foram feitos no Laborat\u00f3rio de Pesquisa de Humanos e Ambiente da Universidade de Illinois por Andrea Faber Taylor, Ming Kuo e William Sullivan. Em uma s\u00e9rie de estudos, eles descobriram que espa\u00e7os ao ar livre estimulam brincadeiras criativas, melhoram o acesso da crian\u00e7a \u00e0 intera\u00e7\u00e3o positiva com adultos e reduzem os sintomas de s\u00edndromes relativas a d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Quanto mais verde for o ambiente, maior o benef\u00edcio. Em compensa\u00e7\u00e3o, atividades internas ou atividades ao ar livre em \u00e1reas pavimentadas prejudicam as crian\u00e7as. Os pesquisadores descobriram que contato com \u00e1reas verdes durante a inf\u00e2ncia \u2013 mesmo que olhando uma paisagem verde pela janela \u2013 reduz especificamente os sintomas de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Como eles escreveram na revista cient\u00edfica Environment and Behavior, atividades ao ar livre em geral ajudam, mas \u201catividades em ambientes naturais t\u00eam maiores chances de melhorar o foco e a concentra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com s\u00edndrome de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\u201d. O estudo mais recente de Taylor e Kuo mostra que o grau de aten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as sem medica\u00e7\u00e3o diagnosticadas com a s\u00edndrome era mais alto depois de uma caminhada de 20 minutos num parque com cen\u00e1rio natural do que depois de um passeio numa \u00e1rea urbana. Outros estudos na Su\u00e9cia e nos Estados Unidos refor\u00e7am essas descobertas. Alguns pediatras americanos mapearam as \u00e1reas naturais, mesmo parques urbanos, na regi\u00e3o onde atendem. Assim, eles passaram a receitar doses de natureza para os pacientes. Eles indicam os lugares aonde as pessoas podem levar as crian\u00e7as para ter esse contato.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Se os humanos s\u00e3o parte da natureza, n\u00e3o podemos dizer que os ambientes urbanos cinzentos criados pelos humanos tamb\u00e9m s\u00e3o, de certa forma, parte da natureza?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> Sim. As cidades s\u00e3o parte da natureza. Mas qualquer \u00e1rea natural, inclusive as florestas e as instala\u00e7\u00f5es urbanas, pode perder o equil\u00edbrio. Pode se autodestruir por doen\u00e7as ou excesso de uso. Em 2008, pela primeira vez na hist\u00f3ria, mais de metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vivia em cidades. A urbaniza\u00e7\u00e3o continua. A tend\u00eancia significa que os humanos perder\u00e3o sua conex\u00e3o di\u00e1ria com o mundo natural. Ou significar\u00e1 o in\u00edcio de um novo tipo de cidade. Se enxergarmos apenas um futuro apocal\u00edptico, \u00e9 o que teremos. Mas precisamos imaginar uma sociedade onde nossas vidas fiquem imersas na natureza, assim como hoje est\u00e3o mergulhadas em tecnologia. No ano passado, a Liga Nacional de Cidades e a Rede Crian\u00e7a &amp; Natureza criaram uma iniciativa de tr\u00eas anos para ajudar 19 mil prefeitos americanos a deixar suas cidades melhores para as crian\u00e7as e a natureza. Vemos a emerg\u00eancia de projetos biof\u00edlicos em nossas casas e ambientes de trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u00c9POCA &#8211;<\/strong> Podemos mesmo estabelecer uma linha divis\u00f3ria entre o mundo natural e o ambiente artificial?<\/p>\n<p><strong>Louv &#8211;<\/strong> \u00c9 uma quest\u00e3o dif\u00edcil. A ci\u00eancia tem dificuldade para definir a natureza. \u00c9 uma das raz\u00f5es pelas quais a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e natureza tem sido t\u00e3o pouco estudada. Mas, para mim, os humanos est\u00e3o presentes na natureza onde quer que tenham alguma rela\u00e7\u00e3o de afinidade com outras esp\u00e9cies. Por defini\u00e7\u00e3o, um ambiente natural pode ser encontrado em espa\u00e7os selvagens ou numa cidade. Sabemos que \u00e9 natureza quando vemos. A natureza \u00e9 inclusiva. Todos s\u00e3o igualmente bem-vindos e cart\u00f5es de cr\u00e9dito n\u00e3o s\u00e3o exigidos. Podemos contar com a perman\u00eancia, com a const\u00e2ncia dos cen\u00e1rios naturais para fazer nossos problemas pessoais encolher para uma dimens\u00e3o realista. A natureza oferece uma linguagem universal que qualquer pessoa no planeta compreende.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Alexandre Mansur, \u00c9poca de 09 de junho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Richard Louv numa \u00e1rea natural. 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