{"id":16781,"date":"2016-07-18T09:00:31","date_gmt":"2016-07-18T12:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=16781"},"modified":"2016-07-19T17:57:37","modified_gmt":"2016-07-19T20:57:37","slug":"a-urgencia-de-estudos-cientificos-em-torno-das-pegadas-ecologicas-no-turismo-em-porto-seguro-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-urgencia-de-estudos-cientificos-em-torno-das-pegadas-ecologicas-no-turismo-em-porto-seguro-bahia\/","title":{"rendered":"A urg\u00eancia de estudos cient\u00edficos em torno das Pegadas Ecol\u00f3gicas no Turismo em Porto Seguro-Bahia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160712-1.png\" alt=\"Fonte: foto modificada a partir do livro \u201cPegada ecol\u00f3gica: qual \u00e9 a sua?\u201d, INPE.\" \/><\/p>\n<p>Nos artigos \u201cSugest\u00e3o de pesquisa em torno das a\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis e d\u00e9ficits socioambientais no turismo de Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d, \u201cA\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis no turismo de Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d e \u201cCaminhos poss\u00edveis para um turismo sustent\u00e1vel em Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d, o primeiro, publicado na Revista Letrando e os segundo e terceiro no Portal Ecodebate, s\u00e3o feitas discuss\u00f5es importantes em torno das principais a\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis praticadas nas atividades tur\u00edsticas na cidade de Porto Seguro desencadeadoras de d\u00e9ficits socioambientais.<\/p>\n<p>No primeiro artigo mencionado, dentre outras quest\u00f5es, pontuou-se que o turismo em Porto Seguro est\u00e1 alicer\u00e7ado em moldes hegem\u00f4nicos de desenvolvimento em dissocia\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, atrav\u00e9s de modelos de produzir sob o efeito da arquitetura aristot\u00e9lica bipolar n\u00e3o complexa que maturou o cartesianismo de causa e efeito da modernidade.<\/p>\n<p>No que tange ao artigo \u201cA\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis no turismo de Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d apresentam-se partes das a\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis operadas a partir do turismo cartesiano na cidade. No referido trabalho, afirma-se que frente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas fr\u00e1geis, os atores sociais envolvidos com o turismo em Porto Seguro desenvolveram pr\u00e1ticas explorat\u00f3rias do capital natural e essa concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece no discurso do turista que concebe a regi\u00e3o como pacote-objeto a ser consumido. A partir do consumo\/explora\u00e7\u00e3o, o que deveria ser espa\u00e7o de troca cultural, hist\u00f3rica e de conviv\u00eancia com a natureza, converte-se em rela\u00e7\u00f5es depredat\u00f3rias que v\u00e3o desde a polui\u00e7\u00e3o de praias e rios com res\u00edduos s\u00f3lidos, \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o de recifes em decorr\u00eancia da presen\u00e7a n\u00e3o controlada de pessoas nessas \u00e1reas de ampla biodiversidade marinha, \u00e0 irresponsabilidade de gestores p\u00fablicos em rela\u00e7\u00e3o a lacunas no tangente a pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m da aus\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o ambiental, planejamento e zoneamento ambiental para a cidade.<\/p>\n<p>No que concerne ao artigo \u201cCaminhos poss\u00edveis para um turismo sustent\u00e1vel em Porto Seguro, Bahia\u201d, de forma otimista, diferente dos artigos anteriores, externa-se que outro turismo \u00e9 poss\u00edvel, mas, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental na cidade, com vistas \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o socioambiental n\u00e3o somente dos cidad\u00e3os que atuam diretamente no turismo, mas, tamb\u00e9m, dos moradores da cidade e, principalmente, dos turistas que visitam Porto Seguro e toda a Costa do Descobrimento.<\/p>\n<p>Feitas as considera\u00e7\u00f5es acima, torna-se imprescind\u00edvel mencionar que o turismo \u00e9 o principal elemento da matriz de produ\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda em Porto Seguro, no entanto, sua explora\u00e7\u00e3o na cidade ancora-se em pilares insustent\u00e1veis de uso dos espa\u00e7os dos quais se vale. Consoante a tal fator, Santana (2016) pontua o seguinte: a cidade alicer\u00e7a-se em perspectivas explorat\u00f3rias com a natureza, o que \u00e9 paradoxal, haja vista que em vez de conservar e preservar os recursos naturais dos quais se serve, apropria-se, de forma inadequada, dos ambientes naturais e culturais. Essas apropria\u00e7\u00f5es propiciam insustentabilidades que v\u00e3o desde a transfigura\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de lazer, dos espa\u00e7os de cultura e hist\u00f3ria, concentra\u00e7\u00e3o de riquezas, especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, segrega\u00e7\u00f5es espaciais, degrada\u00e7\u00e3o de matas ciliares ao longo de rios e riachos, dep\u00f3sito de res\u00edduos s\u00f3lidos em praias, despejo de esgotos no mar, destrui\u00e7\u00e3o de express\u00f5es culturais e hist\u00f3ricas, explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, distanciamentos sociais e viol\u00eancia.<\/p>\n<p>As transfigura\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os pelo turismo na cidade servem como ponto de partida para an\u00e1lises em torno das pegadas ecol\u00f3gicas da atividade tur\u00edstica no munic\u00edpio. A compreens\u00e3o desse fen\u00f4meno possibilitar\u00e1 um mapeamento das pr\u00e1ticas tur\u00edsticas e de seu modus operandi permitindo avaliar at\u00e9 que ponto os espa\u00e7os utilizados no munic\u00edpio se d\u00e3o de forma racional e equitativa.<\/p>\n<p>As pegadas ecol\u00f3gicas n\u00e3o se d\u00e3o somente no \u00e2mbito da destrui\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os utilizados para a explora\u00e7\u00e3o das atividades tur\u00edsticas, mas em toda a arquitetura de pensar o turismo e como isso se concretiza no cotidiano dos estabelecimentos e empresas que exploram o potencial tur\u00edstico da cidade e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para medir as pegadas ecol\u00f3gicas do turismo, um dos mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 analisar a pegada h\u00eddrica. No que concerne a essa pegada ambiental, por exemplo, al\u00e9m de outras tipologias de pegadas, h\u00e1 que se levar em conta n\u00e3o somente o consumo real dos recursos h\u00eddricos em estabelecimentos como restaurantes, hot\u00e9is, parques aqu\u00e1ticos, espa\u00e7os naturais como rios, lagos, lagoas e praias, mas, tamb\u00e9m, o consumo virtual da \u00e1gua pelo turismo. Al\u00e9m do consumo h\u00eddrico direto, h\u00e1 o consumo virtual, que vem embutido nos elementos f\u00edsicos por tr\u00e1s dos processos na fabrica\u00e7\u00e3o dos utens\u00edlios que s\u00e3o usados pelos estabelecimentos tur\u00edsticos na cidade. Esse consumo virtual nos estabelecimentos atinge desde a comida at\u00e9 os utens\u00edlios de higiene, dentre outros. Na fabrica\u00e7\u00e3o das toalhas que s\u00e3o disponibilizadas pelos hot\u00e9is, pousadas e outros estabelecimentos, por exemplo, s\u00e3o gastos muitos litros de \u00e1gua. Em um quilo de carne bovina, elemento aliment\u00edcio bastante utilizado nos estabelecimentos tur\u00edsticos, dado que o brasileiro possui a cultura do consumo de carne bovina, s\u00e3o gastos, pelo menos, 15.400 litros de \u00e1gua, segundo dados da Water Footprint Network.<\/p>\n<p>Para entender os d\u00e9ficits socioambientais provocados pelo turismo em Porto seguro, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma ponte com o que afirmam SANCHO et al. 2001; ANDRADE; BELLEN, 2006 apud Feitosa e G\u00f3mez (2012): como alerta aos atores sociais que d\u00e3o \u00eanfase apenas a aspectos positivos do turismo, a exemplo do crescimento econ\u00f4mico decorrente do mesmo, destacam-se tamb\u00e9m os impactos negativos provenientes do uso imprudente dos recursos naturais. O desenvolvimento da atividade tur\u00edstica provoca os seguintes efeitos negativos no meio ambiente: impactos est\u00e9ticos e paisag\u00edsticos causados pela polui\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica; problemas com recolhimento, dep\u00f3sito e tratamento de lixo e esgoto; defici\u00eancia nos sistemas de tratamento de \u00e1gua; polui\u00e7\u00e3o sonora e atmosf\u00e9rica originada pela satura\u00e7\u00e3o das vias de tr\u00e2nsito e eros\u00e3o decorrentes da pr\u00e1tica de esporte nos destinos.<\/p>\n<p>Conforme HUNTER, 2002 apud Feitosa e G\u00f3mez (2012): os impactos ambientais do turismo n\u00e3o est\u00e3o vinculados apenas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da atividade tur\u00edstica no destino, mas iniciam ainda no local de onde o turista prov\u00e9m, transcorrendo durante o percurso da viagem e se intensificando ap\u00f3s a chegada ao destino tur\u00edstico. Nesse sentido, o impacto do turismo pode ser visualizado desde a zona emissora, passando pela zona de tr\u00e2nsito, at\u00e9 chegar \u00e0 zona receptora.<\/p>\n<p>Ainda segundo HUNTER, 2002 apud Feitosa e G\u00f3mez (2012): a partir do momento em que o turista decide viajar, come\u00e7a a gerar impactos nos recursos naturais, visto que d\u00e1 in\u00edcio ao consumo de produtos e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. Nessa perspectiva, Hunter (2002) exemplifica dizendo que, ao decidir realizar uma viagem, o turista compra alimentos e roupas, sapatos, c\u00e2mera fotogr\u00e1fica etc. Al\u00e9m disso, se desloca em autom\u00f3vel at\u00e9 o aeroporto\/porto\/rodovi\u00e1ria, para embarcar no avi\u00e3o\/navio\/\u00f4nibus.<\/p>\n<p>Partindo-se das posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas apresentadas at\u00e9 este ponto, para continuidade textual, ser\u00e3o feitas an\u00e1lises em torno de algumas pegadas ecol\u00f3gicas que o turismo deixou, deixa e deixar\u00e1 em porto Seguro. No entanto, antes de apresentar uma an\u00e1lise das pegadas ecol\u00f3gicas do turismo no munic\u00edpio, \u00e9 oportuno elaborar uma discuss\u00e3o conceitual e exemplificativa acerca do que seria essa tal Pegada Ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Segundo Scarpa e Soares (2012), Pegada Ecol\u00f3gica \u00e9 uma medida da \u00e1rea (em hectares globais, que abrangem terra e mar) que ocupamos para a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios e rodovias e para o consumo da \u00e1gua, do solo para plantio agr\u00edcola, da vida marinha e de outros elementos que comp\u00f5em a biodiversidade do planeta.<\/p>\n<p>A partir de Scarpa e Soares, \u00e9 poss\u00edvel perceber que para a obten\u00e7\u00e3o da Pegada Ecol\u00f3gica devem ser consideradas a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (principalmente o g\u00e1s carb\u00f4nico CO2) na atmosfera e a presen\u00e7a de poluentes no ar, na \u00e1gua e no solo. Conforme tais te\u00f3ricos, os resultados nos d\u00e3o uma ideia de como um indiv\u00edduo, cidade ou pa\u00eds utiliza os recursos naturais, conforme os h\u00e1bitos de consumo e estilos de vida. Esse uso de recursos deve ser compat\u00edvel com a capacidade natural do planeta em regener\u00e1-los.<\/p>\n<p>Ainda segundo eles, geralmente n\u00e3o nos damos conta, mas h\u00e1bitos aparentemente simples consomem grandes quantidades de recursos naturais. Para explicarem os tais h\u00e1bitos, apresentam os seguintes dados:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160712a.png\" alt=\"160712a\" \/><\/p>\n<p>Levando-se em considera\u00e7\u00e3o te\u00f3ricas apresentadas acima, \u00e9 poss\u00edvel inferir que, para uma an\u00e1lise acerca da pegada ecol\u00f3gica de uma determinada pessoa, cidade ou, at\u00e9 mesmo, de uma determinada atividade, h\u00e1 que se verificar o seguinte: consumo de \u00e1gua, preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, consumo de energia, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, produ\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o do lixo, dentre outros fatores.<\/p>\n<p>Partindo-se dos quesitos acima para a an\u00e1lise das pegadas ecol\u00f3gicas do turismo de Porto Seguro, podem ser levantados os seguintes problemas na cidade:<\/p>\n<ul>\n<li>Explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais sem preocupa\u00e7\u00e3o socioambiental, visando-se, em maior medida, ao capital;<\/li>\n<li>Crescimento no n\u00famero de turistas, que somado aos mais de 143.000 moradores locais, acarreta consumo maior de \u00e1gua;<\/li>\n<li>Esgotamento dos recursos h\u00eddricos, fato que pode ser comprovado a partir da falta de \u00e1gua em alguns bairros da cidade durante datas festivas que atraem visitantes do Brasil e do mundo;<\/li>\n<li>Aumento da frota de ve\u00edculos na cidade, por conta do n\u00famero de turistas, fator que dificulta a mobilidade urbana;<\/li>\n<li>Aus\u00eancia de pol\u00edticas no que concerne \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de mobilidade urbana que atenda aos moradores locais e comporte tamb\u00e9m os per\u00edodos de crescimento populacional com a chegada de turistas;<\/li>\n<li>Explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de recifes sem um controle ambiental mais eficiente;<\/li>\n<li>Oferta prec\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico de transporte coletivo urbano, fator que estimula o aumento da frota de carros particulares e, consequentemente, mais lan\u00e7amento de gases poluentes, viol\u00eancia e desorganiza\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito, tendo em vista que as ruas, avenidas e travessas da cidade n\u00e3o foram projetadas para o crescimento atual da frota e da popula\u00e7\u00e3o que circulam na cidade;<\/li>\n<li>Al\u00e9m do aumento da frota automobil\u00edstica por parte dos moradores locais, para agravar a situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o aumento de lan\u00e7amento de CO2, bem como de outros gases de efeito estufa com o crescimento da frota automobil\u00edstica por conta dos turistas que chegam \u00e0 cidade com carro pr\u00f3prio pelas vias terrestres;<\/li>\n<li>Precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os na \u00e1rea de alimentos (com o aumento no n\u00famero de pessoas nos supermercados da cidade), na sa\u00fade (com o incha\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de atendimento \u00e0 sa\u00fade, em decorr\u00eancia do consumo de bebidas alc\u00f3olicas e viol\u00eancia em dias festivos), filas longas na travessia de balsas do centro da cidade para o Arraial d\u2019Ajuda e para outros distritos, dentre outros;<\/li>\n<li>Especula\u00e7\u00e3o em torno dos pre\u00e7os dos produtos e servi\u00e7os nos supermercados e estabelecimentos comerciais da cidade, o que \u00e9 injusto socialmente, tanto para os visitantes, como, principalmente, para os moradores locais;<\/li>\n<li>Aumento do consumo de energia, tendo em vista o acr\u00e9scimo populacional a partir da popula\u00e7\u00e3o flutuante;<\/li>\n<li>Arquitetura mental n\u00e3o ecol\u00f3gica de muitos turistas ancorados em concep\u00e7\u00f5es da cidade como um pacote, objeto a ser consumido;<\/li>\n<li>Crescimento populacional permanente da cidade, em decorr\u00eancia da imagem de para\u00edso que a m\u00eddia tradicional projeta nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e nas ag\u00eancias de turismo;<\/li>\n<li>Aumento da viol\u00eancia com o crescimento populacional desordenado;<\/li>\n<li>As pessoas oriundas de outras cidades da Bahia, ao chegarem \u00e0 cidade, na maior parte das vezes, n\u00e3o se inserem no mercado de trabalho;<\/li>\n<li>Crescimento no n\u00famero de condom\u00ednios na cidade, a partir da l\u00f3gica do desmatamento, acarretando na morte de rios, riachos e perda de biodiversidade em geral; surgimento de condom\u00ednios em \u00e1reas verdes pr\u00f3ximas \u00e0s aldeias de ind\u00edgenas;<\/li>\n<li>Crescimento urban\u00edstico horizontal desordenado;<\/li>\n<li>Pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica de parte da cidade sem estudos profundos de impacto ambiental no que tange \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de ilhas de calor na cidade;<\/li>\n<li>Descaracteriza\u00e7\u00e3o do urbanismo hist\u00f3rico revelador de mem\u00f3rias dos primeiros processos de forma\u00e7\u00e3o da cidade;<\/li>\n<li>O incha\u00e7o do setor hoteleiro, \u00e1rea que mais emprega m\u00e3o de obra na cidade, pois este n\u00e3o consegue absorver nem a popula\u00e7\u00e3o local e, tampouco, os contingentes populacionais procedentes de outras partes do Estado;<\/li>\n<li>A n\u00e3o inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho dos moradores e das pessoas de outras partes do Estado e do pa\u00eds que desencadeia uma s\u00e9rie de problemas como viol\u00eancia, fome e mis\u00e9ria;<\/li>\n<li>Com o crescimento populacional, vem o crescimento urban\u00edstico, com a destrui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais;<\/li>\n<li>Lacunas em torno do zoneamento urbano em conson\u00e2ncia com os novos estudos urban\u00edsticos sustent\u00e1veis;<\/li>\n<li>Plano de Desenvolvimento Urbano Municipal que n\u00e3o permite o crescimento vertical, o que contribui, indiretamente, para que o crescimento horizontal seja elaborado a partir da degrada\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais;<\/li>\n<li>Surgimento de bairros perif\u00e9ricos, sem as condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanico-sanit\u00e1rias e de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais \u00e0 dignidade dos moradores locais;<\/li>\n<li>Outros fatores.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Todos os fatores apresentados acima s\u00e3o preocupantes, pois, ao longo do tempo, podem ser ampliados. Diante disso, s\u00e3o necess\u00e1rios estudos cient\u00edficos que mapeiem e analisem, com profundidade, as consequ\u00eancias socioambientais originadas a partir do turismo insustent\u00e1vel que vem sendo praticado e pensado na cidade. Alguns dos problemas verificados em Porto Seguro e regi\u00e3o, ainda que n\u00e3o possuam rela\u00e7\u00e3o direta com o turismo insustent\u00e1vel praticado na cidade, possuem intersec\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que o turismo n\u00e3o \u00e9 o problema em si, mas a l\u00f3gica projetada para a pr\u00e1tica desse tipo de turismo na regi\u00e3o, pois, da forma como est\u00e1, se assemelha, de forma profunda, com as pr\u00e1ticas predat\u00f3rias da natureza dos primeiros visitantes europeus, que aportaram na cidade e na regi\u00e3o em 1500.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio e urgente repensar as pr\u00e1ticas em torno do turismo na cidade, para que, assim, toda a sociedade e o meio ambiente no qual ela se insere saiam ganhando. O Turismo, principal atividade econ\u00f4mica da cidade, precisa descolonizar-se em suas bases, pois somente na aus\u00eancia de pr\u00e1xis e de a\u00e7\u00f5es descolonizadas ser\u00e1 poss\u00edvel possibilitar a justi\u00e7a socioambiental, a partir de um turismo para todos e n\u00e3o somente para os donos do capital que exploram as atividades tur\u00edsticas na regi\u00e3o sem as compensa\u00e7\u00f5es socioambientais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 que \u00e9 preciso diversificar as atividades de produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento econ\u00f4mico na regi\u00e3o, pois diante da explora\u00e7\u00e3o somente de uma atividade, pode-se esgotar a \u00fanica matriz de produ\u00e7\u00e3o. Enfim, reiterando-se o que afirma Santana (2016), outro turismo \u00e9 poss\u00edvel, mas, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental na cidade, para a conscientiza\u00e7\u00e3o socioambiental n\u00e3o somente dos cidad\u00e3os que atuam diretamente no turismo, mas, tamb\u00e9m, dos moradores da cidade e, principalmente, dos turistas que visitam Porto Seguro e toda a Costa do Descobrimento.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>SANTANA, Elissandro dos Santos. <strong>Sugest\u00e3o de pesquisa em torno das a\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis e d\u00e9ficits socioambientais no turismo de Porto Seguro-Bahia.<\/strong> Paripiranga: Revista Letrando ISSN 2317-0735, 2016.<\/p>\n<p>SCARPA, Fabiano. SOARES, Ana Paula. <strong>Pegada ecol\u00f3gica: qual \u00e9 a sua?<\/strong> S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP: INPE, 2012.<\/p>\n<p>HUNTER, C. <strong>Sustainable tourism and the touristic ecological footprint. Environment, Development and Sustainability,<\/strong> v. 04, n.01, p.07-20, 2002. In FEITOSA, Maria Jos\u00e9 da Silva. G\u00d3MEZ, Carla Regina Pasa. <strong>Pegada Ecol\u00f3gica do Turismo como Instrumento para Avalia\u00e7\u00e3o dos Impactos Ambientais em Territ\u00f3rios Insulares: Uma Proposta de Adapta\u00e7\u00e3o.<\/strong> XXXVI Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro: 2012.<\/p>\n<p>SANCHO P\u00c9REZ, A.; GARC\u00cdA MESANAT, G.; PEDRO BUENO, A; YAG\u00dcE PERALES, R.M. <strong>Auditoria de sostenibilidad en los destinos tur\u00edsticos.<\/strong> 97p. Valencia: Minim, Instituto de Economia Internacional. 2001. In FEITOSA, Maria Jos\u00e9 da Silva. G\u00d3MEZ, Carla Regina Pasa. <strong>Pegada Ecol\u00f3gica do Turismo como Instrumento para Avalia\u00e7\u00e3o dos Impactos Ambientais em Territ\u00f3rios Insulares: Uma Proposta de Adapta\u00e7\u00e3o.<\/strong> XXXVI Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro: 2012.<\/p>\n<p>Elissandro dos Santos Santana &#8211; Especialista em sustentabilidade, desenvolvimento e gest\u00e3o de projetos sociais, especialista em gest\u00e3o educacional, especialista em lingu\u00edstica e ensino de l\u00ednguas, especialista em metodologia de ensino de l\u00edngua espanhola, licenciado em letras, habilitado em l\u00ednguas estrangeiras modernas, espanhol e membro editorial da Revista Letrando, ISSN 2317-0735.<\/p>\n<p>Denys Henrique Rodrigues C\u00e2mara &#8211; Especialista em educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos; especialista em l\u00edngua portuguesa; licenciado em letras, l\u00edngua materna e l\u00edngua inglesa pela Universidade Federal da Bahia. Professor de ingl\u00eas da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia.<\/p>\n<p>Heron Duarte de Almeida &#8211; Licenciado em hist\u00f3ria e especialista em hist\u00f3ria do Brasil<\/p>\n<p>Rosana dos Santos Santana &#8211; Graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Fonte &#8211; EcoDebate de 14 de julho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos artigos \u201cSugest\u00e3o de pesquisa em torno das a\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis e d\u00e9ficits socioambientais no turismo de Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d, \u201cA\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis no turismo de Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d e \u201cCaminhos poss\u00edveis para um turismo sustent\u00e1vel em Porto Seguro \u2013 Bahia\u201d, o primeiro, publicado na Revista Letrando e os segundo e terceiro no Portal Ecodebate,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,33],"post_series":[],"class_list":["post-16781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-educacao-ambiental","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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