{"id":16823,"date":"2016-07-22T13:00:37","date_gmt":"2016-07-22T16:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=16823"},"modified":"2016-07-19T12:05:52","modified_gmt":"2016-07-19T15:05:52","slug":"o-custo-ambiental-de-comer-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-custo-ambiental-de-comer-carne\/","title":{"rendered":"O custo ambiental de comer carne"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/foto\/carne01.jpg\" alt=\"O custo ambiental de comer carne\" \/><\/p>\n<p>Na medida em que as ci\u00eancias ambientais avan\u00e7am, \u00e9 cada vez mais evidente que o apetite humano por carne animal agrava a maioria dos problemas ambientais, como o desmatamento, a eros\u00e3o, a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e da \u00e1gua, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a perda de biodiversidade, a injusti\u00e7a social, a desestabiliza\u00e7\u00e3o das comunidades e a expans\u00e3o das doen\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gostemos ou n\u00e3o, comer carne \u00e9 um problema para todos no planeta.<\/strong><\/p>\n<p>Pergunte se comer carne \u00e9 um assunto de preocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e ver\u00e1 que a maioria das pessoas fica surpresa. Comer ou n\u00e3o carne (ou o quanto) \u00e9 um tema pessoal, dir\u00e3o. Talvez haja algumas implica\u00e7\u00f5es para o seu cora\u00e7\u00e3o, especialmente se voc\u00ea tem sobrepeso. No entanto, n\u00e3o \u00e9 um tema p\u00fablico importante que se espera que os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia ou o parlamento abordem, como a educa\u00e7\u00e3o, a economia e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inclusive, se voc\u00ea \u00e9 um dos poucos que reconhecem que comer carne tem importantes implica\u00e7\u00f5es ambientais, estas podem parecer relativamente pequenas. Sim, houve relat\u00f3rios sobre a derrubada da mata tropical para favorecer os latifundi\u00e1rios, e as pastagens nativas est\u00e3o sendo destru\u00eddas pela pecu\u00e1ria. Mas, at\u00e9 pouco tempo, poucos ambientalistas tinham apontado que comer carne tem a mesma import\u00e2ncia que os assuntos abordados pelo Greenpeace ou Amigos da Terra.<\/p>\n<p>Na medida em que as ci\u00eancias ambientais avan\u00e7am, \u00e9 cada vez mais evidente que o apetite humano por carne animal agrava a maioria dos problemas ambientais, como o desmatamento, a eros\u00e3o, a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e da \u00e1gua, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a perda de biodiversidade, a injusti\u00e7a social, a desestabiliza\u00e7\u00e3o das comunidades e a expans\u00e3o das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que um tema aparentemente pequeno como o consumo individual de carne passou t\u00e3o rapidamente das margens da discuss\u00e3o sobre a sustentabilidade ao centro do debate? Em primeiro lugar, porque o consumo de carne per capita mais do que duplicou no \u00faltimo meio s\u00e9culo, apesar do aumento da popula\u00e7\u00e3o mundial. Por conseguinte, a demanda de carne se multiplicou por cinco. O que aumentou a press\u00e3o sobre a disponibilidade de \u00e1gua, terras, pastos, fertilizantes, energia, a capacidade de tratamento de res\u00edduos (nitratos), e a maior parte dos limitados recursos do planeta.<\/p>\n<p><strong>Desmatamento<\/strong><\/p>\n<p>O desmatamento foi o primeiro dano ambiental importante causado pelo desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o. Grandes superf\u00edcies de matas foram cortadas para dedic\u00e1-las \u00e0 agricultura, que inclu\u00eda a domestica\u00e7\u00e3o tanto de plantas comest\u00edveis como de animais. Os animais dom\u00e9sticos requerem muito mais superf\u00edcies que as planta\u00e7\u00f5es para produzir a mesma quantidade de calorias, mas isso n\u00e3o importou realmente durante os 10.000 anos em que sempre existiram mais terras para descobrir e expropriar. Em 1990, no entanto, <strong>o Programa de Fome no mundo, da Brown University, calculou que as planta\u00e7\u00f5es mundiais, se fossem distribu\u00eddas equitativamente e sem destinar uma porcentagem importante ao gado, poderiam fornecer uma dieta vegetariana para 6 bilh\u00f5es de pessoas, ao passo que uma dieta abundante em carne, como a dos moradores dos pa\u00edses ricos, podia alimentar somente 2,6 bilh\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Em outras palavras, com uma popula\u00e7\u00e3o atual de 6,4 bilh\u00f5es, isso quer dizer que j\u00e1 padecemos de um d\u00e9ficit de terras, agravado pela sobre-explora\u00e7\u00e3o pesqueira dos oceanos, que est\u00e3o sendo rapidamente arruinados. A curto prazo, a \u00fanica maneira de alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o mundial, se continuarmos comendo carne na mesma porcentagem ou se a popula\u00e7\u00e3o mundial continuar crescendo ao ritmo previsto (8,9 bilh\u00f5es em 2050), \u00e9 derrubar mais matas. <strong>A partir de agora, a quest\u00e3o se obtemos nossas prote\u00ednas de calorias de animais ou de plantas tem implica\u00e7\u00f5es diretas sobre a quantidade de mata restante que precisamos arrasar.<\/strong><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Central, 40% das matas tropicais foram cortadas ou queimadas nos \u00faltimos 40 anos, principalmente para pastagens do gado para o mercado de exporta\u00e7\u00e3o, muitas vezes para a carne dos hamb\u00fargueres dos Estados Unidos. A carne \u00e9 muito cara para os pobres nos pa\u00edses exportadores de carne, mas, no entanto, em muitos casos, os pastos para o gado substitu\u00edram as formas de agricultura tradicional muito produtivas.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios do <strong><a href=\"http:\/\/www.cifor.org\/\" target=\"_blank\">Center for International Forestry Research<\/a><\/strong> destacam que o r\u00e1pido crescimento nas vendas de carne bovina brasileira acelerou a destrui\u00e7\u00e3o da mata tropical da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o das campinas foi acelerada com a expans\u00e3o das manadas de animais domesticados, e o meio ambiente no qual viviam os animais selvagens como bisontes e ant\u00edlopes foi pisoteado e replantado com monoculturas de plantas forrageiras para o gado.<\/p>\n<p><strong>As reservas de \u00e1gua doce<\/strong><\/p>\n<p>A \u00e1gua doce, da mesma maneira que a terra, parecia inesgot\u00e1vel durante os primeiros 10 mil\u00eanios da civiliza\u00e7\u00e3o. Desse modo, parecia n\u00e3o importar a quantidade de \u00e1gua que uma vaca consumia. Por\u00e9m, h\u00e1 alguns anos, os especialistas calcularam que <strong>n\u00f3s, seres humanos, consumimos a metade da \u00e1gua doce dispon\u00edvel no planeta, deixando a outra metade para ser dividida entre um milh\u00e3o ou mais de esp\u00e9cies.<\/strong> Em raz\u00e3o de dependermos de muitas dessas esp\u00e9cies para a nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia (fornecem todo o alimento que comemos e o oxig\u00eanio que respiramos, entre outros servi\u00e7os), esse monop\u00f3lio da \u00e1gua apresenta um dilema. Se analisarmos em detalhe, esp\u00e9cie por esp\u00e9cie, descobrimos que o uso mais significativo da \u00e1gua se deve aos animais que criamos para carne. Uma das maneiras mais f\u00e1ceis para reduzir a demanda de \u00e1gua \u00e9 consumir menos carne.<\/p>\n<p><strong>A dieta comum de uma pessoa no ocidente requer 16.000 litros de \u00e1gua por dia (para dar de beber aos animais, irrigar as planta\u00e7\u00f5es, processar, lavar e cozinhar, entre outros usos). Uma pessoa com uma dieta vegetariana requer somente 1.100 litros di\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio do <a href=\"http:\/\/www.iwmi.cgiar.org\/\" target=\"_blank\">Instituto Internacional de Gest\u00e3o da \u00c1gua<\/a>, ap\u00f3s assinalar que 840 milh\u00f5es de pessoas no mundo sofrem desnutri\u00e7\u00e3o, recomenda produzir mais alimentos com menos \u00e1gua. O relat\u00f3rio destaca que <strong>s\u00e3o necess\u00e1rios 550 litros de \u00e1gua para produzir suficiente farinha para uma ra\u00e7\u00e3o de p\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento, mas at\u00e9 7.000 litros de \u00e1gua para produzir 100 gramas de carne bovina.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se voc\u00ea toma banho uma vez por dia, e cada banho dura uma m\u00e9dia de sete minutos, utilizando oito litros por minuto, gastar\u00e1 19.300 litros por ano para um banho di\u00e1rio. Quando voc\u00ea compara esse n\u00famero com a quantidade que a Funda\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o da \u00c1gua calcula que \u00e9 utilizada na produ\u00e7\u00e3o de cada quilo de carne bovina (20.515 litros), perceber\u00e1 algo extraordin\u00e1rio. Hoje, voc\u00ea poderia poupar mais \u00e1gua n\u00e3o comendo um quilo de carne que deixando de tomar banho durante um ano inteiro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manejo de res\u00edduos<\/strong><\/p>\n<p>O aterro de res\u00edduos, da mesma maneira que a oferta de \u00e1gua, parecia que n\u00e3o tinha limites. Sempre havia novos lugares onde jogar o lixo, e durante s\u00e9culos a maior parte dos dejetos se decompuseram convenientemente ou desapareceram de vista. Assim como n\u00e3o nos preocupou a quantidade de \u00e1gua que uma vaca consome, tampouco a quantidade que excreta. Mas, hoje, os res\u00edduos de nossos colossais est\u00e1bulos superam a capacidade de absor\u00e7\u00e3o do planeta. <strong>Os rios que recebem res\u00edduos pecu\u00e1rios vertem tal quantidade de nitrog\u00eanio em bahias e golfos que j\u00e1 contaminaram grandes \u00e1reas do mundo marinho.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As enormes est\u00e2ncias de animais, que podem alojar centenas de milhares de porcos, frangos e bois, produzem quantidades imensas de res\u00edduos. Para dizer a verdade, ao menos nos Estados Unidos, estas \u201cF\u00e1bricas de Gado\u201d geram 130 vezes mais res\u00edduos que toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consumo energ\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>O consumo de energia, at\u00e9 h\u00e1 muito pouco, parecia um assunto dos frigor\u00edficos, que nada tinha a ver com a carne e o leite de seu interior. Contudo, quanto prestamos mais aten\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise do ciclo de vida dos objetos que compramos, \u00e9 evidente que a viagem do fil\u00e9 at\u00e9 chegar a nosso refrigerador consumiu quantidades surpreendentes de energia. Podemos come\u00e7ar o ciclo com a planta\u00e7\u00e3o dos cereais para alimentar o gado, que requer grandes quantidades de produtos qu\u00edmicos agr\u00edcolas derivados do petr\u00f3leo. Posteriormente, \u00e9 preciso acrescentar o combust\u00edvel requerido para transportar o gado aos matadouros e dali para os mercados. Hoje, a maior parte da carne consumida percorre milhares de quil\u00f4metros. E, em seguida, ap\u00f3s ser congelada ou posta no frigor\u00edfico, precisa ser cozinhada.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o necess\u00e1rios 8,3 litros de petr\u00f3leo para produzir um quilo de carne bovina alimentada com ra\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos.<\/strong> Parte da energia foi consumida no est\u00e1bulo ou nos transportes e armazenamento frigor\u00edfico, mas a maior parte foi consumida em fertilizantes de milho e na soja para ra\u00e7\u00e3o, com a qual s\u00e3o alimentadas as cabe\u00e7as de gado. <strong>O consumo m\u00e9dio anual de carne bovina de uma fam\u00edlia de quatro pessoas requer 983 litros de petr\u00f3leo.<\/strong><\/p>\n<p>Em termo m\u00e9dio, <strong>s\u00e3o necess\u00e1rias 28 calorias de energia de combust\u00edveis f\u00f3sseis para produzir uma caloria de prote\u00edna de carne para o consumo humano, ao passo que se fazem necess\u00e1rias 3,3 calorias de energia de combust\u00edveis f\u00f3sseis para produzir uma caloria de prote\u00edna de cereais para o consumo humano.<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o da agricultura mundial, de cereais para alimentos a cereais para ra\u00e7\u00e3o, representa uma nova forma de maldade humana, com consequ\u00eancias possivelmente maiores e mais prolongadas no tempo que qualquer das m\u00e1s a\u00e7\u00f5es anteriores infligidas pelos homens contra seus semelhantes. Hoje, <strong>mais de 70% dos cereais e da soja produzida nos Estados Unidos s\u00e3o destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o do gado,<\/strong> em sua maior parte para o gado. Alimentar com cereais os animais \u00e9 muito ineficiente e \u00e9 um uso absurdo dos recursos.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p><strong>O aquecimento do planeta se deve ao consumo de energia, na medida em que as principais fontes de energia cont\u00eam carbono que, ao se queimar, emitem di\u00f3xido de carbonos e outros gases contaminantes.<\/strong> Como j\u00e1 se destacou, a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o da carne precisam do consumo de grande quantidade de tais combust\u00edveis. No entanto, a gado tamb\u00e9m emite diretamente gases de efeito estufa, como um subproduto da digest\u00e3o. <strong>O gado emite importantes quantidades de metano, um potente g\u00e1s de efeito estufa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma tonelada de metano, o principal g\u00e1s de estufa emitido pela pecu\u00e1ria, tem um potencial de aquecimento do planeta de 23 toneladas de di\u00f3xido de carbono por cada tonelada de metano. Uma vaca leiteira produz aproximadamente 75 quilogramas de metano por ano, equivalentes a mais de 1,5 tonelada de di\u00f3xido de carbono.<\/strong> A vaca, \u00e9 claro, faz isto de forma natural. Mas, as pessoas tendem a esquecer, parece, que a pecu\u00e1ria \u00e9 uma ind\u00fastria. Derrubamos as matas, cultivamos as plantas forrageiras transg\u00eanicas e alimentamos o gado de forma industrial. \u00c9 uma empresa humana, n\u00e3o natural. Somos muito eficientes, e por isso <strong>as concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de metano aumentaram em 150% em rela\u00e7\u00e3o a 250 anos atr\u00e1s, ao passo que as concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono cresceram s\u00f3 30%.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre a dieta humana e as emiss\u00f5es de metano da pecu\u00e1ria. Ao crescer ou diminuir o consumo de carne bovina, tamb\u00e9m aumentar\u00e1 ou se reduzir\u00e1 o n\u00famero de cabe\u00e7as e as emiss\u00f5es de metano relacionadas. A Am\u00e9rica Latina registra as maiores emiss\u00f5es de metano per capita, atribu\u00edveis principalmente \u00e0s grandes quantidades de gado dos pa\u00edses exportadores de carne, como Brasil e Argentina.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de alimentos das terras de cultivo cresce menos que a popula\u00e7\u00e3o. Quando Paul Ehrlich advertiu h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas que \u201ccentenas de milh\u00f5es\u201d de pessoas morreriam de fome, provavelmente exagerou, por agora. (S\u00f3 morreram de fome dezenas de milh\u00f5es). A revolu\u00e7\u00e3o verde, uma inje\u00e7\u00e3o de fertilizantes e t\u00e9cnicas de fabrica\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie, aumentou os rendimentos das colheitas e s\u00f3 atrasou a escassez. Isso, combinado com uma utiliza\u00e7\u00e3o mais intensiva das terras cultiv\u00e1veis atrav\u00e9s da irriga\u00e7\u00e3o e o uso massivo de fertilizantes e praguicidas qu\u00edmicos baseados nos combust\u00edveis f\u00f3sseis, nos permitiu guardar o passo mais ou menos com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o durante outra gera\u00e7\u00e3o. A estabiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se produzir\u00e1 antes de outro meio s\u00e9culo, e s\u00f3 nos resta uma alternativa importante: reduzir drasticamente o consumo de carne, porque a convers\u00e3o das \u00e1reas de pastos para planta\u00e7\u00f5es de alimentos aumentar\u00e1 a quantidade de alimentos produzida.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>As enfermidades transmiss\u00edveis n\u00e3o se deslocam de um lugar para o outro sozinhas, \u00e9 preciso haver um vetor de transmiss\u00e3o, seja a \u00e1gua suja, o sangue infectado de ratos e insetos ou a carne contaminada.<\/p>\n<p>Os res\u00edduos animais cont\u00eam agentes patog\u00eanicos que causam doen\u00e7as como a Salmonella, E. coli, Cryptosporidiume coliformes fecais, que podem estar de 10 a 100 vezes mais concentrados que nas fezes humanas. Mais de 40 doen\u00e7as podem ser transferidas aos seres humanos atrav\u00e9s de estrume. Um relat\u00f3rio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que <strong>89% da carne mo\u00edda dos hamb\u00fargueres cont\u00eam vest\u00edgios de E. coli.<\/strong><\/p>\n<p>As doen\u00e7as do estilo de vida, especialmente as coron\u00e1rias, n\u00e3o eram consideradas um problema \u201cambiental\u201d h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o. Mas, hoje, \u00e9 evidente que a maioria dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 ambiental e n\u00e3o gen\u00e9tico. Al\u00e9m disso, a maioria das doen\u00e7as evit\u00e1veis s\u00e3o o resultado das complicadas rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos e seu meio ambiente, e n\u00e3o de causas singulares. As doen\u00e7as coron\u00e1rias se relacionam com a obesidade resultante do consumo excessivo de a\u00e7\u00facar, sal e gordura (especialmente gordura animal) e da falta de exerc\u00edcio resultante de um mapa urbano baseado no autom\u00f3vel. Os problemas ambientais do crescimento suburbano, a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e as p\u00e9ssimas pol\u00edticas de uso do solo s\u00e3o tamb\u00e9m fatores que agravam as doen\u00e7as card\u00edacas e o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A ironia do sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 que milh\u00f5es de consumidores endinheirados nos pa\u00edses desenvolvidos morrem das doen\u00e7as da opul\u00eancia, os ataques card\u00edacos, as apoplexias, os diabetes e o c\u00e2ncer, causadas por se encherem de carne bovina e de outros animais, alimentados com cereais e soja transg\u00eanica, ao passo que os pobres do Terceiro Mundo morrem por causa de doen\u00e7as da pobreza, porque lhes \u00e9 negado o acesso \u00e0s terras para cultivar os cereais com os quais alimentar diretamente suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a mortalidade por doen\u00e7as coron\u00e1rias \u00e9 mais baixa nos vegetarianos que nos n\u00e3o vegetarianos, como tamb\u00e9m as dietas vegetarianas tamb\u00e9m tiveram \u00eaxito em frear as doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o. Os dados cient\u00edficos demonstram uma rela\u00e7\u00e3o positiva entre a dieta vegetariana e a redu\u00e7\u00e3o do risco por obesidade, doen\u00e7as das art\u00e9rias coron\u00e1rias, hipertens\u00e3o, diabetes e alguns tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Albert Einstein, mais conhecido por seus trabalhos em f\u00edsica e matem\u00e1ticas que por seu interesse pelo mundo vivente, uma vez disse: \u201cNada beneficiar\u00e1 tanto a sa\u00fade humana e aumentar\u00e1 as oportunidades de sobreviv\u00eancia da vida na Terra como uma dieta vegetariana\u201d. N\u00e3o acreditamos que apenas se referia \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Neste artigo, n\u00e3o dissemos nada sobre o papel da carne na dieta, ainda que haveria muito a ser dito, al\u00e9m das doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o abordamos a \u00e9tica do vegetarianismo ou os direitos dos animais. O prop\u00f3sito dessas supress\u00f5es n\u00e3o \u00e9 se omitir dessas preocupa\u00e7\u00f5es, mas destacar que apenas com base em fundamentos ecol\u00f3gicos e econ\u00f4micos, comer carne j\u00e1 \u00e9 uma amea\u00e7a para a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>A era de uma alimenta\u00e7\u00e3o baseada fundamentalmente na carne passar\u00e1, assim como a do petr\u00f3leo, e ambos decl\u00ednios est\u00e3o estreitamente relacionados.<\/p>\n<p>Fontes &#8211; Mundo Nuevo \/ Rebeli\u00f3n \/ Tradu\u00e7\u00e3o Cepat \/\u00a0IHU \/ EcoDebate de 18 de julho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na medida em que as ci\u00eancias ambientais avan\u00e7am, \u00e9 cada vez mais evidente que o apetite humano por carne animal agrava a maioria dos problemas ambientais, como o desmatamento, a eros\u00e3o, a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e da \u00e1gua, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a perda de biodiversidade, a injusti\u00e7a social, a desestabiliza\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[24],"post_series":[],"class_list":["post-16823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-consumo-sustentavel","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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