{"id":17088,"date":"2016-08-31T17:00:03","date_gmt":"2016-08-31T20:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17088"},"modified":"2016-08-31T16:47:50","modified_gmt":"2016-08-31T19:47:50","slug":"a-floresta-perdida-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-floresta-perdida-do-brasil\/","title":{"rendered":"A floresta perdida do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TOY_051rRv7kse7ZmAbhYWDtt34=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/08\/30\/d-fr0060-_floresta_com_araucaria_-_turvo_-_pr_-_zig_koch.jpg\" alt=\"Floresta com arauc\u00e1ria em Turvo no Paran\u00e1 (Foto: Zig Koch\/Divulga\u00e7\u00e3o RPVS)\" width=\"600\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p><em>Floresta com arauc\u00e1ria em Turvo, no Paran\u00e1 (Foto: Zig Koch\/Divulga\u00e7\u00e3o SPVS)<\/em><\/p>\n<p><strong>Por que as florestas com arauc\u00e1ria e os campos naturais parecem estar fora do mapa da maioria das pessoas<\/strong><\/p>\n<p>O sul meridional brasileiro encerra um rico ecossistema associado \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica que parece n\u00e3o estar no mapa da maioria das pessoas. De fato, a mata preta \u2013 ou floresta com arauc\u00e1ria \u2013 e os campos naturais, tecnicamente identificados como Floresta Ombr\u00f3fila Mista (FOM), seguramente n\u00e3o compartilham do reconhecimento e da popularidade de outras forma\u00e7\u00f5es florestais como a Floresta Amaz\u00f4nica e a pr\u00f3pria Floresta Atl\u00e2ntica, localizada na por\u00e7\u00e3o costeira do sul at\u00e9 o nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, sua explora\u00e7\u00e3o tenha representado um importante ciclo econ\u00f4mico de extrativismo, com a exporta\u00e7\u00e3o de madeira ao longo de d\u00e9cadas, e levando nas costas a economia do sul do pa\u00eds, a floresta com arauc\u00e1ria, hoje constitu\u00edda t\u00e3o somente de fragmentos e extremamente amea\u00e7ada, continua sofrendo com a inconsist\u00eancia das pol\u00edticas conservacionistas de nosso pa\u00eds e do descontrole da gest\u00e3o ambiental regional.<\/p>\n<p>De beleza exuberante, essa forma\u00e7\u00e3o natural tamb\u00e9m agrega, em algumas regi\u00f5es do planalto sulino, uma conjun\u00e7\u00e3o de cap\u00f5es de mato com campos naturais. S\u00e3o paisagens naturais que representam um enorme potencial de explora\u00e7\u00e3o do turismo, uma das maneiras de buscar formas de garantir a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas que ainda restaram em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Adicionalmente, s\u00e3o conhecidos mecanismos de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) que podem se adequar \u00e0 agenda de prote\u00e7\u00e3o de remanescentes naturais da floresta com arauc\u00e1ria. H\u00e1 amplo espa\u00e7o para iniciativas p\u00fablicas e privadas nessa dire\u00e7\u00e3o, mas que dependem do reconhecimento do real valor de garantir a perpetua\u00e7\u00e3o desse ecossistema. E a aus\u00eancia dessa percep\u00e7\u00e3o de parte da sociedade talvez explique o comportamento passivo que mantemos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s amea\u00e7as existentes sobre essa floresta t\u00e3o especial.<\/p>\n<p>No caso da Floresta Ombr\u00f3fila Mista \u2013 com ocorr\u00eancia nos estados do Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo \u2013, o sinal vermelho j\u00e1 foi anunciado h\u00e1 d\u00e9cadas, com o aniquilamento de grande parte de sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Estudos da Universidade Federal do Paran\u00e1 \u00a0(Fupef) e do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, publicados em 2001, mostram que menos de 0,8% dos remanescentes de floresta com arauc\u00e1ria se encontrava em est\u00e1gio avan\u00e7ado de conserva\u00e7\u00e3o, uma terminologia que indica ambientes ainda muito bem conservados. E os campos naturais, ainda mais pressionados, com cerca de 0,1% que pode ser considerado ainda pr\u00f3ximo de sua constitui\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Todo cidad\u00e3o com o m\u00ednimo bom-senso, independentemente da necessidade de quaisquer conhecimentos cient\u00edficos, tende a inferir que, depois de tamanha destrui\u00e7\u00e3o, a \u00fanica atitude s\u00e3 a ser tomada \u00e9 de voltar um olhar protetivo a esses remanescentes, com uma expectativa de que esse resguardo, embora tardio, garanta oportunidades de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas j\u00e1 degradadas no futuro.<\/p>\n<p>Embora seja uma l\u00f3gica irrefut\u00e1vel, a realidade nesse caso \u00e9 outra. Essa floresta pouco conhecida dos brasileiros sofre com uma impens\u00e1vel invers\u00e3o de valores que continua regrando as pol\u00edticas regionais, pesadamente influenciadas por um encarnado perfil madeireiro que ainda sustentamos.<\/p>\n<p>Mesmo representando um produto de import\u00e2ncia econ\u00f4mica med\u00edocre, continua a existir uma press\u00e3o para a continuidade da explora\u00e7\u00e3o de madeira de florestas nativas no sul do Brasil. O propositado afrouxamento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e um direcionamento juridicamente falseado para indicar o corte das \u00e1rvores desses remanescentes \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo governo estadual do Paran\u00e1 e por elementos isolados da academia sobre a \u201c\u00fanica maneira de conservar esses ambientes\u201d.<\/p>\n<p>A judicializa\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es dessa natureza passou a ser praticamente a \u00fanica possibilidade de enfrentamento dispon\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 como se admitir que esse tipo de ret\u00f3rica continue possibilitando press\u00f5es sobre \u00e1reas naturais criticamente amea\u00e7adas no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>A floresta com arauc\u00e1ria n\u00e3o merece receber o nome de floresta perdida pelo fato de ser pouco conhecida. Mas cabe a express\u00e3o para delimitar claramente uma ardilosa e cont\u00ednua manipula\u00e7\u00e3o de conceitos e procedimentos supostamente amparados pela ci\u00eancia e pela legisla\u00e7\u00e3o, para seguir com a deliberada e irrespons\u00e1vel destrui\u00e7\u00e3o de um bem que, nessas condi\u00e7\u00f5es, deixar\u00e1 de existir muito brevemente.<\/p>\n<p>A atual gest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Natural no governo do Paran\u00e1 representa, inequivocamente, uma condi\u00e7\u00e3o de descontrole sem precedentes. E a sociedade precisa mais do que nunca reagir ao conjunto de absurdos que seguem atropelando o bom-senso e o interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>A floresta com arauc\u00e1ria n\u00e3o pode ser destru\u00edda em fun\u00e7\u00e3o de uma aliena\u00e7\u00e3o propositada, voltada ao atendimento de interesses politiqueiros. Os caminhos virtuosos para permitir um legado \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras est\u00e3o a nossa disposi\u00e7\u00e3o. Desde que saibamos enfrentar o peso de uma cultura do passado que j\u00e1 n\u00e3o tem mais nenhum espa\u00e7o para conviver com a realidade atual.<\/p>\n<p>Cl\u00f3vis Borges \u00e9 diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (SPVS)<\/p>\n<p>Fonte &#8211; Blog do Planeta de 30 de agosto de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Floresta com arauc\u00e1ria em Turvo, no Paran\u00e1 (Foto: Zig Koch\/Divulga\u00e7\u00e3o SPVS) Por que as florestas com arauc\u00e1ria e os campos naturais parecem estar fora do mapa da maioria das pessoas O sul meridional brasileiro encerra um rico ecossistema associado \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica que parece n\u00e3o estar no mapa da maioria das pessoas. 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