{"id":17124,"date":"2016-09-15T18:00:00","date_gmt":"2016-09-15T21:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17124"},"modified":"2016-09-09T10:34:37","modified_gmt":"2016-09-09T13:34:37","slug":"contaminacao-da-biodiversidade-por-transgenicos-parte-46","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/contaminacao-da-biodiversidade-por-transgenicos-parte-46\/","title":{"rendered":"Contamina\u00e7\u00e3o Da Biodiversidade Por Transg\u00eanicos, Parte 4\/6"},"content":{"rendered":"<p>NODARI et. al. (2010) manifesta que uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es existentes em \u00e2mbito mundial como no Brasil se refere ao desafio de assegurar ao ser humano uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel, sem comprometer a sustentabilidade do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o ex-Ministro do Meio Ambiente do Peru, o Dr. Antonio Brack, a humanidade disp\u00f5e hoje de uma mesa bem servida de alimentos variados gra\u00e7as a milhares de anos de processos de domestica\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o realizados pelas comunidades agr\u00e1rias tradicionais.<\/p>\n<p>Os processos de domestica\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de conhecimentos t\u00eam permitido uma enorme diversidade de esp\u00e9cies domesticadas, que constituem verdadeiras reservas gen\u00e9ticas em diversas partes do mundo.<\/p>\n<p>Particularmente no Brasil tamb\u00e9m houve a domestica\u00e7\u00e3o de centenas de esp\u00e9cies, notadamente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. S\u00e3o estas esp\u00e9cies de plantas e animais domesticados que asseguram a produ\u00e7\u00e3o de alimentos variados e em quantidade para a seguran\u00e7a alimentar da humanidade.<\/p>\n<p>Esta agrobiodiversidade \u00e9 uma das mais destacadas riquezas de que disp\u00f5em os pa\u00edses. O Dr. Antonio Brack, ex-Ministro do Meio Ambiente do Peru, considera a perda da agrobiodiversidade uma trag\u00e9dia para a humanidade, pois reduziria a seguran\u00e7a alimentar a umas poucas esp\u00e9cies e estabeleceria um novo marco empobrecido para os recursos gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Bancos de Germoplasma foram estabelecidos para coletar e manter a agrobiodiversidade. No entanto, \u00e9 imposs\u00edvel coletar e preservar todas as associa\u00e7\u00f5es al\u00e9licas bem como manter os processos evolutivos nos ambientes de cultivo ou naturais.<\/p>\n<p>Assim, para manter esta agrobiodiversidade \u00e9 imprescind\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o de agricultores familiares, das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e povos ind\u00edgenas, j\u00e1 que s\u00e3o estas comunidades que a mant\u00e9m.<\/p>\n<p>Particularmente no Brasil, a situa\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o da diversidade de esp\u00e9cies nativas que fazem parte da agrobiodiversidade \u00e9 muito preocupante. Embora sendo um pa\u00eds megadiverso (MITTERMEIER et al., 1997), possuindo de 15 a 20% das esp\u00e9cies do planeta, o Brasil apresenta uma enorme depend\u00eancia de recursos gen\u00e9ticos externos, pois as principais esp\u00e9cies cultivadas no pa\u00eds s\u00e3o ex\u00f3ticas.<\/p>\n<p>Dentre as raz\u00f5es da pouca utiliza\u00e7\u00e3o e da prec\u00e1ria conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas na alimenta\u00e7\u00e3o encontra-se a forte cultura europeia trazida pelos imigrantes, que se sobrep\u00f4s sem interc\u00e2mbio \u00e0 cultura dos povos ind\u00edgenas que aqui viviam e o pouco conhecimento sobre o cultivo e as propriedades destas esp\u00e9cies aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>Cabe destacar que 70% da diversidade gen\u00e9tica de plantas cultivadas e extrativas de valor socioecon\u00f4mico sejam conservadas e o conhecimento ind\u00edgena e local associado mantido, 60% da diversidade gen\u00e9tica dos parentes silvestres brasileiros de plantas cultivadas de 10 g\u00eaneros priorit\u00e1rios conservados \u201cin situ\u201d ou \u201cex situ\u201d e o aumento das a\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o \u201con farm\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 a agrobiodiversidade que garante a manuten\u00e7\u00e3o dos modos de vida sustent\u00e1veis, e a seguran\u00e7a alimentar e sa\u00fade, para comunidades locais e povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 aqu\u00e9m das metas assumidas. Ou as metas foram muito ambiciosas, como zerar o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica e diminuir em 75% o desmatamento na Amaz\u00f4nia, ou o pa\u00eds n\u00e3o se comprometeu de fato em alcan\u00e7ar as referidas metas.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis no pa\u00eds para atingir as metas. Ao contr\u00e1rio, o debate sobre as poss\u00edveis mudan\u00e7as no c\u00f3digo florestal ilustra que \u00e9 prov\u00e1vel que al\u00e9m de n\u00e3o cumprir as metas estabelecidas o pa\u00eds pode degradar ainda mais os componentes da biodiversidade.<\/p>\n<p>Dentre as principais amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade est\u00e1 o cultivo em larga escala de variedades transg\u00eanicas.<\/p>\n<p>NODARI et. al. (2010) assevera que embora n\u00e3o existam estat\u00edsticas oficiais, apenas dados de uma institui\u00e7\u00e3o ligada aos proponentes da tecnologia, estima-se que em 2009 foram cultivados cerca de 134 milh\u00f5es de hectares com variedades transg\u00eanicas, majoritariamente de soja, algod\u00e3o, milho e canola.<\/p>\n<p>Aproximadamente 99% dos cultivos est\u00e3o nos Estados Unidos, Brasil, Argentina, \u00cdndia, Canad\u00e1, China, Paraguai e \u00c1frica do Sul (ISAAA, 2010).<\/p>\n<p>No Brasil, at\u00e9 outubro de 2010, havia sido liberadas cinco variedades de soja, sete de algod\u00e3o e 11 de milho. Essas variedades transg\u00eanicas cont\u00e9m transgenes de resist\u00eancia a herbicidas ou que codificam toxinas que t\u00eam como alvo controlar alguns insetos. Das 23 variedades, seis expressam este dois tipos de transgenes.<\/p>\n<p>A primeira variedade transg\u00eanica no Brasil foi de soja, resistente ao herbicida a base de glifosato. Embora aprovada pela CNTBio, processos judiciais culminaram com a proibi\u00e7\u00e3o de seu cultivo, o que foi finalmente aprovado pelo Congresso Nacional, por meio da Lei n\u00b0 11.105, de 24 de mar\u00e7o de 2005.<\/p>\n<p>Outras tr\u00eas variedades de soja aprovadas pela CTNBio entre 2009 e 2010 igualmente apresentam transgenes que conferem resist\u00eancia a herbicidas do tipo glifosato, glufosinato de am\u00f4nio ou imidazolinonas.<\/p>\n<p>Uma delas al\u00e9m do transgene para glifosato cont\u00e9m um transgene que produz toxina destinada a combater uma praga. Das 11 variedades transg\u00eanicas de milho aprovadas entre 2008 e 2010, quatro apresentam simultaneamente transgenes para resist\u00eancia a um tipo de herbicida e um tipo de toxina, esta destinada a promover resist\u00eancia a uma ou outra praga.<\/p>\n<p>Das demais, tr\u00eas apresentam transgenes espec\u00edficos para resist\u00eancia a herbicidas, visando o uso destes agrot\u00f3xicos sem preju\u00edzo para as plantas transg\u00eanicas. Quatro variedades cont\u00e9m transgenes para produzir toxinas, destinadas a combater um ou poucos insetos.<\/p>\n<p>No algodoeiro, s\u00e3o encontrados transgenes para resist\u00eancia a herbicidas em tr\u00eas variedades transg\u00eanicas e transgenes para toxinas em cinco variedades transg\u00eanicas, sendo que um delas contem ambos os transgenes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos transgenes espec\u00edficos, muitas variedades carregam outros genes que est\u00e3o no mesmo ou em transgenes separados. Exemplo disso s\u00e3o os genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos nptll, aad e bla, (que funcionam como marcador de sele\u00e7\u00e3o de plantas transformadas) e que codificam para as prote\u00ednas NPTII (neomicina fosfotransferase tipo II), AAD -O-aminoglicos\u00eddeo adeniltransferase) e beta-lactamase (resist\u00eancia a ampicilina), respectivamente.<\/p>\n<p>Atualmente, as duas \u00fanicas restri\u00e7\u00f5es legais que existem s\u00e3o os transg\u00eanicos que contenham tecnologias gen\u00e9ticas de restri\u00e7\u00e3o de uso, tamb\u00e9m denominadas de GURTs, e c\u00e9lulas germinais humanas.<\/p>\n<p>Alguns tipos de GURTs s\u00e3o conhecidos como \u201cTerminator\u201d pelo fato que as plantas que os cont\u00e9m produzem os gr\u00e3os com o embri\u00e3o defeituoso. Isto impede a sua germina\u00e7\u00e3o e, assim, o agricultor \u00e9 obrigado a comprar sementes, que s\u00e3o patenteadas, todos os anos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos do cultivo com plantas transg\u00eanicas o quadro que caracteriza a transgenia \u00e9 a absoluta falta de controle. Em primeiro lugar, as t\u00e9cnicas de modifica\u00e7\u00e3o transg\u00eanica s\u00e3o adequadas para a introdu\u00e7\u00e3o de rearranjamentos porque o DNA transg\u00eanico ex\u00f3geno transferido para as plantas suscitam uma resposta, a qual ativa nucleases e enzimas de repara\u00e7\u00e3o de DNA (ver revis\u00e3o por TRAVIK e HEINEMANN, 2007).<\/p>\n<p>Praticamente, em todas as plantas transg\u00eanicas em cultivo, o transgene inserido \u00e9 diferente daquele contido no vetor de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes o transgene inserido \u00e9 menor, outras vezes h\u00e1 inser\u00e7\u00e3o de mais de uma c\u00f3pia ou peda\u00e7os do transgene, e assim por diante.<\/p>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico e marcante \u00e9 o rearranjamento que ocorreu no milho transg\u00eanico GA21. Neste, ocorreu a inser\u00e7\u00e3o de seis c\u00f3pias do transgene, duas c\u00f3pias id\u00eanticas ao transgene contido no vetor de transforma\u00e7\u00e3o (c\u00f3pias 3 e 4), c\u00f3pia do transgene com muta\u00e7\u00e3o Citosina no lugar de Guanina (c\u00f3pia 2), c\u00f3pia do transgene com muta\u00e7\u00e3o Citosina no lugar de Guanina, al\u00e9m de uma dele\u00e7\u00e3o de 696 pb no promotor na regi\u00e3o 5 (c\u00f3pia 1), c\u00f3pia incompleta, contendo as primeiras 288 (ou 291) pb ou faltando 1050 (ou 1047) pb do gene mepsps, al\u00e9m de n\u00e3o possuir a termina\u00e7\u00e3o NOS (c\u00f3pia 5) e c\u00f3pia contendo o promotor e o primeiro exon truncado da actina do arroz (c\u00f3pia 6).<\/p>\n<p>Toda esta abordagem muito t\u00e9cnica objetiva demonstrar que as a\u00e7\u00f5es impactantes nos ecossistemas locais podem ser muito relevantes e irrevers\u00edveis. Antecipadamente se pede escusas por alguma incorre\u00e7\u00e3o que \u00e9 involunt\u00e1ria. Com base bibliogr\u00e1fica se tenta n\u00e3o sofrer desqualifica\u00e7\u00e3o por aus\u00eancia de t\u00e9cnica pois se usa tecnologicismo como apan\u00e1gio de bandalheira, infelizmente est\u00e1 \u00e9 a atual autopoiese de equil\u00edbrio sist\u00eamico da sociedade criada pela civiliza\u00e7\u00e3o humana. Numa interpreta\u00e7\u00e3o em acep\u00e7\u00e3o livre da sem\u00e2ntica empregada por Niklas Luhmann e os sistemistas.<\/p>\n<p>Anos ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos por muitos governos, um estudo feito por pesquisadores independentes com Cry1Ab transgene, que est\u00e1 presente no milho transg\u00eanico Yielgard ou Guardian (MON 810), revelou que este transgene causou altera\u00e7\u00f5es na express\u00e3o de 43 prote\u00ednas, a express\u00e3o de sete novas prote\u00ednas e 14 apresentaram redu\u00e7\u00e3o de express\u00e3o sendo que 13 tiveram aumento da express\u00e3o e nove foram completamente suprimidas (ZOLLA et al., 2008).<\/p>\n<p>Segundo os autores, \u201ccuriosamente, um novo local de express\u00e3o (SSP 6711) correspondente a 50 kDa gama zein, uma prote\u00edna alerg\u00eanica conhecida foi detectada\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie de prote\u00ednas das sementes de armazenamento (por exemplo, globulinas e prote\u00ednas de armazenamento de embri\u00f5es similares a vicilina) apresentou formas truncadas, com pesos moleculares significativamente menores do que os nativos. O que estas prote\u00ednas podem causar aos componentes da biodiversidade? N\u00e3o se sabe.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre bom lembrar que estas realidades n\u00e3o passaram nem perto de solucionar o problema da fome, que depende da distribui\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n<p>Isto significa que estamos longe de entender adequadamente os transgenes em toda sua cadeia produtiva.<\/p>\n<p>Esta descri\u00e7\u00e3o \u00e9 o reconhecimento que transg\u00eanicos contaminam o meio ambiente, interferem na biodiversidade e alteram os ecossistemas.<\/p>\n<p>E as contamina\u00e7\u00f5es podem ser respons\u00e1veis pela padroniza\u00e7\u00e3o e empobrecimento da biodiversidade ou por efeitos delet\u00e9rios e inimagin\u00e1veis a longo prazo. Ou podem n\u00e3o produzir efeito algum. N\u00e3o se sabe. \u00c9 incr\u00edvel esta capacidade que a civiliza\u00e7\u00e3o humana exibe de produzir avan\u00e7os rumo ao desconhecido.<\/p>\n<p>Lembra ocorr\u00eancia de ser mordido por c\u00e3o desconhecido, que n\u00e3o se sabe ser raivoso ou n\u00e3o. Se n\u00e3o forem adotadas normas e protocolos de precau\u00e7\u00e3o, depois de identificada contamina\u00e7\u00e3o, s\u00f3 resta alternativa m\u00f3rbida.<\/p>\n<p>Assim se reconhece que os malef\u00edcios da transgenia podem n\u00e3o ocorrer. Mas se ocorrerem, pode n\u00e3o haver nada a fazer depois de sua instala\u00e7\u00e3o. Como a filmografia ficcional de \u201cHollywood\u201d vive mostrando.<\/p>\n<p>N\u00e3o faz sentido exercer qualquer condena\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e aprior\u00edstica da biotecnologia ou de qualquer subst\u00e2ncia qu\u00edmica, com apropria\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica. Qualquer inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica teve como estimula\u00e7\u00e3o, os benef\u00edcios que podem ser gerados, embora possa ter trajet\u00f3ria t\u00e3o diferenciada quanto s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es e predisposi\u00e7\u00f5es de toda humanidade.<\/p>\n<p>Assim, todos os procedimentos merecem isen\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00f5es em cada caso, e n\u00e3o condena\u00e7\u00f5es gerais de qualquer natureza, que respondam a anseios dogm\u00e1ticos ou pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 se referiu, mesmo que n\u00e3o se apregoe qualquer restri\u00e7\u00e3o \u00e0s evolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que inegavelmente s\u00e3o representadas por incrementos na transgenia, n\u00e3o custa nada admoestar a todas as partes interessadas que \u00e9 preciso ter um pouco de humildade.<\/p>\n<p>Mecanismos de prote\u00e7\u00e3o que podem at\u00e9 interferir na sele\u00e7\u00e3o natural, e produzem complexas rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas, s\u00e3o temer\u00e1rios, sem compreender todas as rela\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas ou expl\u00edcitas, e n\u00e3o lineares ou cartesianas da homeostase dos ecossistemas.<\/p>\n<p>Logo, parece um pouco pretensioso na atual fase de conhecimentos da civiliza\u00e7\u00e3o humana, implementar estes incrementos sem considerar os princ\u00edpios de precau\u00e7\u00e3o e sem mobilizar tentativas mais sist\u00eamicas e hol\u00edsticas de se apropriar da realidade.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>ABUD, S., SOUZA, P. 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