{"id":17357,"date":"2016-09-28T17:00:05","date_gmt":"2016-09-28T20:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=17357"},"modified":"2016-09-28T09:31:47","modified_gmt":"2016-09-28T12:31:47","slug":"racismo-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/racismo-ambiental-no-brasil\/","title":{"rendered":"Racismo ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"left\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ecodebate.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160927-160927-600x328.jpg\" alt=\"160927\" \/><em>Crian\u00e7a em lix\u00e3o em Natal. Foto Jo\u00e3o Roberto Ripper<\/em><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Sabiam que para homens e mulheres negros sempre reservaram os rinc\u00f5es mais in\u00f3spitos no Brasil? Que eles foram trazidos for\u00e7ados, maltratados, humilhados atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico, oriundos de v\u00e1rias partes do imenso Continente Africano, e jogados nas senzalas da maldi\u00e7\u00e3o? Muitos, inconformados, fugiram e formaram os Quilombos (embri\u00f5es de luta pela liberdade). Tais espa\u00e7os at\u00e9 meados do XIX foram constru\u00eddos em lugares de dif\u00edcil acesso, com fins prec\u00edpuos de evitarem que os andantes em fuga fossem descobertos pelos brancos opressores. No s\u00e9culo XIX, com o aumento de libertos e processo maior de urbaniza\u00e7\u00e3o, alguns quilombos foram presentes no meio urbano, no centro e em lugares que a popula\u00e7\u00e3o branca transitava com limita\u00e7\u00f5es. Os quilombos representaram, a partir da poesia do sangue, um paradoxo, pois, ao mesmo tempo em que eram castelos fr\u00e1geis de sonhos, tamb\u00e9m eram fortalezas simb\u00f3licas para o hoje. Alguns destes espa\u00e7os n\u00e3o eram fixos, pois a busca do senhorio patriarcal pela captura dos viajantes sedentos pela liberdade for\u00e7ava a fuga constante. Os que n\u00e3o se rebelaram, por medo ou por outros sentimentos ainda mais profundos e sem explica\u00e7\u00e3o detalhada, continuaram nas periferias da Casa Grande, na insalubridade, no limite entre a vida e a morte. As reformas urban\u00edsticas do final do XIX e in\u00edcio do XX, derrubaram os corti\u00e7os, com isso, boa parte da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre passou a ocupar os morros dentre outros lugares. \u00a0Atualmente, n\u00e3o \u00e9 muito diferente, dir\u00edamos at\u00e9 que a pr\u00e1xis da opress\u00e3o segue a mesma l\u00f3gica embaixo do sol que nos ilumina todos os dias, pois os ritos da pol\u00edtica exclusiva, escusa, continuam conformando, for\u00e7adamente, a cria\u00e7\u00e3o dos guetos, dos espa\u00e7os distantes e inviabilizando a oxigena\u00e7\u00e3o das ideias das sociedades fascistas que, na atualidade, mesmo depois da liberta\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os negros repudiam as quotas, inconformadas por conviverem, nos mesmos espa\u00e7os universit\u00e1rios, aeroportos, shoppings e em outros ambientes do Brasil ainda que temporariamente, j\u00e1 que o poder aquisitivo dos negros, todavia, n\u00e3o se equipara ao dos brancos da elite capital. Nem todos conseguem transitar pelos espa\u00e7os mencionados, pois muitos ainda n\u00e3o conseguiram ascender nem o m\u00ednimo poss\u00edvel e desejado socialmente, por isso, seguem marginalizados pela pol\u00edtica, pela sociedade elitista, subjugados aos piores l\u00f3cus, \u00e0queles mais degradados, \u00e0s favelas, aos morros, \u00e0s palafitas, \u00e0 periferia dos espa\u00e7os geopol\u00edticos de poder e de decis\u00e3o. Nos espa\u00e7os de vida da maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira necessitada socialmente, em especial, os negros, o Estado continua ausente no que concerne \u00e0 garantia dos direitos, mas presente atrav\u00e9s do efetivo militar truculento com seus soldados do eterno vigiar e punir os milh\u00f5es de Amarildos.<\/p>\n<p>Sabem o que isso significa? N\u00e3o? Explicamos: isso se chama racismo ambiental em pleno s\u00e9culo XXI no pa\u00eds dos discursos ol\u00edmpicos sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Para os que est\u00e3o estranhando o tema, sentimos em desapont\u00e1-los, informando-os que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, haja vista que j\u00e1 vem sendo discutido nos espa\u00e7os acad\u00eamicos por intelectuais e pesquisadores de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento que se preocupam com esse fen\u00f4meno de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, pelo movimento negro estadunidense que tamb\u00e9m iniciou esse debate e que, atualmente, se estende a outras localidades e em coletivos sociais espalhados pelo pa\u00eds. A discuss\u00e3o no Brasil foi encabe\u00e7ada tamb\u00e9m por comunidades quilombolas, no entanto, infelizmente com pouca resson\u00e2ncia. Este tema \u00e9 mais que real, \u00e9 triste, e existe desde que nossos primeiros irm\u00e3os negros come\u00e7aram a ser trazidos. Logo na viagem, nos navios negreiros, os ambientes j\u00e1 eram in\u00f3spitos e degradantes, tanto que muitos nem conseguiram completar a viagem e morreram nos por\u00f5es das naves.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Em tempo, externamos que sabemos que a discuss\u00e3o \u00e9 complexa e, por isso, de forma profunda, exige di\u00e1logos em torno de campos conceituais como ra\u00e7a, racismo e meio ambiente. Ademais, debates nesse \u00e2mbito devem ser elaborados a partir de no\u00e7\u00f5es e de saberes que orbitam por pontos como conflitos ambientais, justi\u00e7a social, justi\u00e7a ambiental e garantias constitucionais ambientais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Acerca de meio ambiente, n\u00f3s brasileiros precisamos ultrapassar os limites dos imagin\u00e1rios coletivos de que este seria tangente somente \u00e0s matas, aos rios, ou seja, \u00e0 flora e \u00e0 fauna, pois o meio ambiente \u00e9 tudo e n\u00f3s somos parte disso. Para que isso fique mais claro, sempre que Elissandro dos Santos Santana vai a alguma palestra para falar sobre sustentabilidade e algu\u00e9m o indaga sobre o que \u00e9 meio ambiente, ele costuma explicar o conceito partindo da pr\u00f3pria empiria, do bioma no qual reside, para elucidar que tudo aquilo que est\u00e1 no limite da Mata Atl\u00e2ntica, mesmo nos espa\u00e7os de abrang\u00eancia onde ela n\u00e3o mais existe, pertence a tal ecossistema. Com isso, sempre consegue mostrar que somos parte do meio ambiente e n\u00e3o seres isolados a ele, mesmo que estejamos na parte artificial constru\u00edda pelo bicho homem.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">J\u00e1 que vivemos em um meio ambiente, merecemos viver bem e em harmonia, integrando-nos a tudo e todos, pois somente assim a sustentabilidade deixa de ser discurso e vira pr\u00e1xis, realidade. Ocorre que nem sempre todos t\u00eam acesso a ambientes equilibrados ecologicamente e isso fere os princ\u00edpios e pressupostos da Carta Magna. Infelizmente, somente as elites se concentram nos espa\u00e7os mais preservados ou em recupera\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">O restante, a maioria populacional, negros e todos os marginalizados socialmente, minorias colocadas para escanteio, \u00e9 condenado aos espa\u00e7os in\u00f3cuos de luta pela sobreviv\u00eancia. Nesses espa\u00e7os degradados, a pr\u00f3pria vida se degrada com o desemprego, a fome, a viol\u00eancia, assassinatos e tantos outros males. Tudo isso \u00e9 fruto de uma arquitetura mental injusta de explora\u00e7\u00e3o da Terra, sem respeito \u00e0 dignidade de nossa Casa Comum. E nesse bojo de injusti\u00e7a ganham for\u00e7a discursos de meritocracia que confundem at\u00e9 mesmo seres inquietos intelectualmente e possibilitam que as cobran\u00e7as por justi\u00e7a social n\u00e3o ocorram e, desta forma, o <i>status quo<\/i> das elites permane\u00e7a inalterado.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Acerca das garantias constitucionais, \u00e9 oportuno e imprescind\u00edvel pontuarmos que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, em seu artigo 225, assegura a todos, independente das diferen\u00e7as que nos fazem t\u00e3o plural, o direito \u00e0 dignidade socioambiental. O referido artigo apresenta a seguinte discursiva: todos t\u00eam direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial \u00e0 sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder P\u00fablico e \u00e0 coletividade, o dever de defend\u00ea-lo e preserv\u00e1-lo para as gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">No primeiro par\u00e1grafo do artigo citado, afirma-se que, para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder P\u00fablico:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">I \u2013 preservar e restaurar os processos ecol\u00f3gicos essenciais e prover o manejo ecol\u00f3gico das esp\u00e9cies e ecossistemas;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">II \u2013 preservar a diversidade e a integridade do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do Pa\u00eds e fiscalizar as entidades dedicadas \u00e0 pesquisa e manipula\u00e7\u00e3o de material gen\u00e9tico;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">III \u2013 definir, em todas as unidades da Federa\u00e7\u00e3o, espa\u00e7os territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a altera\u00e7\u00e3o e a supress\u00e3o permitidas somente atrav\u00e9s de lei, vedada qualquer utiliza\u00e7\u00e3o que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua prote\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">IV \u2013 exigir, na forma da lei, para instala\u00e7\u00e3o de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, estudo pr\u00e9vio de impacto ambiental, a que se dar\u00e1 publicidade;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">V \u2013 controlar a produ\u00e7\u00e3o, a comercializa\u00e7\u00e3o e o emprego de t\u00e9cnicas, m\u00e9todos e subst\u00e2ncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">VI \u2013 promover a educa\u00e7\u00e3o ambiental em todos os n\u00edveis de ensino e a conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">VII \u2013 proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as pr\u00e1ticas que coloquem em risco sua fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, provoquem a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ou submetam os animais a crueldade.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Antes de seguir com a discuss\u00e3o pretendida, algumas reflex\u00f5es em torno do termo ra\u00e7a s\u00e3o necess\u00e1rias para elucidar como nossos imagin\u00e1rios de preconceitos foram constru\u00eddos a partir dos espa\u00e7os hist\u00f3ricos e sociais, e como fomos idiotas enxergando superioridade entre um ser humano e outro, quando, na verdade, j\u00e1 est\u00e1 mais que provado que isso n\u00e3o existe no terreno da cor, ali\u00e1s, n\u00e3o existe em nenhum aspecto.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Na tese \u201cEntre o \u201cencardido\u201d, o \u201cbranco\u201d e o \u201cbranqu\u00edssimo\u201d: ra\u00e7a, hierarquia e poder na constru\u00e7\u00e3o da branquitude paulista\u201d, Lia Vainer Schucman, valendo-se de Munanga, apresenta-nos o seguinte: a ideia de ra\u00e7a e de racializa\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9, desde ent\u00e3o, uma das explica\u00e7\u00f5es encontradas pela humanidade para classificar e hierarquizar os grupos humanos. No s\u00e9culo XVIII, a cor da pele foi considerada um dos crit\u00e9rios dentro desse processo de classifica\u00e7\u00e3o pela racializa\u00e7\u00e3o e, dessa forma, a esp\u00e9cie humana ficou dividida em tr\u00eas ra\u00e7as, que permanecem at\u00e9 hoje no imagin\u00e1rio coletivo: branca, amarela e negra. No s\u00e9culo XIX, acrescentaram ao crit\u00e9rio de cor outros crit\u00e9rios morfol\u00f3gicos, como forma do nariz, l\u00e1bios, queixos, \u00e2ngulo facial etc.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Para enriquecer ainda mais a discuss\u00e3o, \u00e9 oportuno recorrer a Carlos Moore, pois este te\u00f3rico traz uma contribui\u00e7\u00e3o que \u00e9 bastante \u00fatil para uma reflex\u00e3o no que diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do conceito de ra\u00e7a. A partir desse pensador, h\u00e1 a concep\u00e7\u00e3o de que Ra\u00e7a \u00e9 um conceito, uma constru\u00e7\u00e3o, que tem sido, \u00e0s vezes, definida segundo crit\u00e9rios biol\u00f3gicos, mas que avan\u00e7os da ci\u00eancia nos \u00faltimos cinquenta anos do s\u00e9culo XX clarificaram um grave equ\u00edvoco oriundo do s\u00e9culo XIX, que fundamentava o conceito de \u201cra\u00e7a\u201d na biologia. Para ele, <i>por\u00e9m, ra\u00e7a existe e ela \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Concordamos com o autor acima, quando ele pontua que ra\u00e7a existe como constru\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica, e isso nos faz recordar a quest\u00e3o levantada por Selene Herculano, de que a ONU declarou, ao final da II Guerra Mundial, que ra\u00e7as n\u00e3o existem, para colocar uma pedra nas discuss\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es aos judeus. Segundo ela, realmente, n\u00e3o existem, pois temos todos dois olhos, uma boca, os mesmos tipos sangu\u00edneos, etc, mas existe a cren\u00e7a de que elas existem, ou seja, o racismo existe. As pessoas s\u00e3o discriminadas por serem pobres, donde vulner\u00e1veis e brutalizadas. \u2018\u00c9 que elas s\u00e3o pobres e exploradas\u2019 dizem os que discordam em ver nisso racismo, n\u00e3o \u00e9 por serem negras, \u00edndias ou do nordeste. Ainda segundo a referida autora, o movimento negro combate o racismo, mas reafirma a ra\u00e7a, agora com valor positivo e assim realimenta a cren\u00e7a de que ra\u00e7a existe. Ademais, a academia prefere definir a quest\u00e3o como sendo de classe e que, todavia, os pobres s\u00e3o negros, \u00edndios, nordestinos. Por conta da cren\u00e7a em ra\u00e7as, ficam aparentemente justificadas a normalidade e naturalidade do fato de determinadas pessoas conviverem com lixo, se soterrarem nas enxurradas e serem expulsas de seus lugares em nome do desenvolvimento.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Desta forma, pode-se dizer que, mesmo que se parta da \u00f3tica de que ra\u00e7a n\u00e3o existe isso n\u00e3o anula a exist\u00eancia do racismo, pois, infelizmente, esse mal ainda est\u00e1 presente na conforma\u00e7\u00e3o da arquitetura mental brasileira e em muitos lugares do planeta, como resultado das constru\u00e7\u00f5es de poder que subjaz no imagin\u00e1rio coletivo equivocado em torno do negro e de outras minorias, como inferiores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Como bem sinaliza a pesquisadora Selene Herculano, o tema, \u00e0 primeira vista, suscita estranheza e h\u00e1 quem ache que teria sua dose de oportunismo e \u201capela\u00e7\u00e3o\u201d. Mas olhe a cor da pele de quem mora nas favelas sobre os morros, nos beira-rios e beira-trilhos; olhe a cor da pele de expressivo n\u00famero dos corpos levados pelas enchentes, soterrados pelos deslizamentos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">A afirma\u00e7\u00e3o da pesquisadora Selene Herculano se torna ainda mais rica quando fazemos o cotejo entre a est\u00e9tica dos corpos pol\u00edtico-sociais que habitam os espa\u00e7os equilibrados ambientalmente, aqueles com todas as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rio-ambientais de sobreviv\u00eancia, em sua maioria, branca ou embranquecida socialmente, com aqueles que est\u00e3o do outro lado, nos trabalhos degradantes, nos lix\u00f5es a ganhar a vida, nas carvoarias em condi\u00e7\u00f5es veross\u00edmeis \u00e0 da escravid\u00e3o, nos damos conta do racismo nosso de cada dia que se manifesta das formas as mais diversas poss\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Como considera\u00e7\u00f5es finais, valemo-nos do que afirma Selene Herculano: o clamor contra o Racismo Ambiental levanta quest\u00f5es sobre a ocorr\u00eancia de racismo entre n\u00f3s e, segundo T\u00e2nia Pacheco, embora totalmente diferente da forma como historicamente se manifestou e se manifesta ainda nos Estados Unidos, o racismo est\u00e1 indubitavelmente presente na nossa sociedade. Por mais que a heran\u00e7a negra esteja presente na maioria de n\u00f3s, biol\u00f3gica e culturalmente, o racismo se configura, aqui, de formas diferenciadas e muitas vezes inconscientes. E deve ser combatido em todas as suas express\u00f5es. Isso n\u00e3o significa, entretanto, negar que a quest\u00e3o seja bem mais ampla.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Ainda a partir de Selene Herculano, \u00e9 poss\u00edvel refletir que racismo \u00e9 a forma pela qual desqualificamos o outro e o anulamos como n\u00e3o-semelhante, imputando-lhe uma ra\u00e7a. Colocando o outro como inerentemente inferior, culpado biologicamente pela pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o, nos eximimos de culpas, de efetivar pol\u00edticas de resgate, porque o desumanizamos: \u201c\u00f4 ra\u00e7a!\u201d Nesse sentido, no caso brasileiro, tornamos como \u201cra\u00e7a\u201d, e inferior \u2013 \u00f4 ra\u00e7a!! \u2013 tamb\u00e9m o retirante, o migrante nordestino, que passar\u00e1 a ser percebido como o \u201chomem-gabiru\u201d, o \u201ccabe\u00e7a-chata\u201d, o \u201cpara\u00edba\u201d, o invasor da \u201cmodernidade metropolitana\u201d. Assim, nosso racismo nos faz aceitar a pobreza e a vulnerabilidade de enorme parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira, sua pouca escolaridade, simplesmente porque naturalizamos tais diferen\u00e7as, imputando-as a \u201cra\u00e7as\u201d. Nesse sentido, pontuamos que a discuss\u00e3o sobre racismo ambiental poderia ser de grande relev\u00e2ncia exatamente para grande parte dessas categorias, quilombolas, ribeirinhos, comunidades ind\u00edgenas dentre outros.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\"><b>Refer\u00eancias para a constru\u00e7\u00e3o do texto\u00a0<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">HERCULANO, Selene.<b> O clamor por justi\u00e7a ambiental e contra o racismo ambiental<\/b>. Revista de Gest\u00e3o Integrada em Sa\u00fade do Trabalho e Meio Ambiente \u2013 InterfacEHS. Acesso em 24 de agosto de 2016.<u><a href=\"http:\/\/www.professores.uff.br\/seleneherculano\/images\/Oclamor_por_justi%C3%A7a_ambiental_e_contra__racismo_ambiental__9-282-1-PB.pdf\">http:\/\/www.professores.uff.br\/seleneherculano\/images\/Oclamor_por_justi%C3%A7a_ambiental_e_contra__racismo_ambiental__9-282-1-PB.pdf<\/a><\/u><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">HERCULANO, Selene. <b>Racismo ambiental, o que \u00e9 isso? <\/b>Acesso em 24 de agosto de 2016 no<u><a href=\"http:\/\/www.professores.uff.br\/seleneherculano\/images\/Racismo_3_ambiental.pdf\">http:\/\/www.professores.uff.br\/seleneherculano\/images\/Racismo_3_ambiental.pdf<\/a><\/u><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">MUNANGA, Kabengele. <b>Uma abordagem conceitual das no\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a, racismo, identidade e etnia.<\/b> Acesso em 24 de agosto de 2016. <u><a href=\"http:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Uma-abordagem-conceitual-das-nocoes-de-raca-racismo-dentidade-e-etnia.pdf\">http:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Uma-abordagem-conceitual-das-nocoes-de-raca-racismo-dentidade-e-etnia.pdf<\/a><\/u><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">WEDDERBURN, Carlos Moore. <b>O racismo atrav\u00e9s da hist\u00f3ria: da antiguidade \u00e0 modernidade<\/b>. Acesso em 24 de agosto de 2016. <u><a href=\"http:\/\/desacato.info\/LzZk9\">http:\/\/www.abruc.org.br\/sites\/500\/516\/00000672.pdf<\/a><\/u><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">SCHUCMAN, Lia Vainer. <b>Entre o \u201cencardido\u201d, o \u201cbranco\u201d e o \u201cbranqu\u00edssimo\u201d: ra\u00e7a, hierarquia e poder na constru\u00e7\u00e3o da branquitude paulista<\/b>. S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">BRASIL. <b>Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/b>. Acesso em 24 de agosto de 2016.<u><a href=\"http:\/\/desacato.info\/ZiPtp\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicaocompilado.htm<\/a><\/u><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\"><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Elissandro Dos Santos Santana, Colunista, tradutor e colaborador do Portal Desacato. Membro do Conselho Editorial da Revista Letrando. Ambientalista. Especialista em sustentabilidade, desenvolvimento e gest\u00e3o de projetos sociais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Denys Henrique Rodrigues C\u00e2mara, Especialista em educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. Especialista em l\u00edngua portuguesa. Licenciado em l\u00edngua materna e estrangeira. Professor de l\u00edngua estrangeira do CIEPS \u2013 Complexo Integrado de Educa\u00e7\u00e3o de Porto Seguro.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Joceneide Cunha Dos Santos, Licenciada, mestre e doutora em Hist\u00f3ria. Professora da Universidade do Estado da Bahia, <i>Campus<\/i> XVIII.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Fontes &#8211; Portal Desacato \/ EcoDebate de 27 de setembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7a em lix\u00e3o em Natal. Foto Jo\u00e3o Roberto Ripper Sabiam que para homens e mulheres negros sempre reservaram os rinc\u00f5es mais in\u00f3spitos no Brasil? Que eles foram trazidos for\u00e7ados, maltratados, humilhados atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico, oriundos de v\u00e1rias partes do imenso Continente Africano, e jogados nas senzalas da maldi\u00e7\u00e3o? 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